Ir para conteúdo
  • Faça parte da nossa comunidade! 

    Encontre companhia para viajar, compartilhe dicas e relatos, faça perguntas e ajude outros viajantes! 

África do Sul, Namíbia e Zimbábue - relato completo, de uma das melhores viagem da minha vida


Posts Recomendados

  • Membros

Apresentando...

Quando a gente começa a viajar, seu corpo e sua mente vão querendo cada vez mais, é como uma droga viciante mesmo. No começo, a maioria das pessoas, eu acho, vai realizando aquele sonho que geralmente tem a ver com lugares do nosso cotidiano, que a gente vê muito na TV, nos filmes, nas músicas etc. tipo Estados Unidos e Europa. Comigo não foi diferente. Conheci esses lugares, mas aí eu fiquei com vontade de mais e mais, eaí a África começou a invadir meus pensamentos e eu só conseguia pensar em ir pra lá.

Entretanto, por vários motivos, entre eles (principalmente) o acovardamento em ir sozinha, eu fui adiando. Já viajei sozinha várias vezes, mas na África eu não queria ir somente no roteiro tradicional: Cape Town, Joanesburgo, Safari… queria mais, e quantos países vizinhos por ali eu conseguisse ir. Por isso, viajar sozinha estava sendo um grande entrave, pois teria que alugar carro e fazer muitos trajetos sozinha, fiquei com medo do perrengue.

Então… como a vida dá voltas, apareceu uma amiga que também queria pra ir África. Mas pro roteiro tradicional. Aos poucos fui introduzindo a beleza da Namíbia e logo ela já estava convencida a conhecer o deserto. E pra fechar o grupo (ou não), meu primo também resolveu ir. Todo mundo conseguiu conciliar as férias, a vontade de ir pra África por um ou outro motivo e resolvemos. Compramos as passagens pela Latam, ida e volta por Joanesburgo por R$ 2.027,47 com taxas, saindo de Brasília. Pausa para dizer o básico, assim que você comprar a sua passagem desligue todos os alertas de decolar.com, googleflights, viajanet ou outro que você tiver feito. Eu esqueci, e uma semana depois a mesma passagem, na mesma data, no mesmo trajeto estava R$ 300 mais barata. Enfim, bateu aquele remorso básico que poderia ter sido evitado pela simples ignorância de não ter nem ficado sabendo que a passagem estava R$ 1.700. Como dizia o sábio: santa ignorância!

Mas beleza, passagem comprada, todo mundo me olhando um pouco torto, porque eu queria coisa demais na viagem, começaram os planejamentos e as conversas. Geralmente a gente deixa pra falar como as pessoas eram maravilhosas ou não no final, mas já vou falar logo aqui que o grupo foi sensacional, muita cumplicidade, foi muito fácil resolver tudo já que todo mundo abria mão de alguma coisa pela vontade do outro, abrir mão de algo que eu queria ver não foi tão difícil, na verdade nem me lembro mais do que abri mão, pq a viagem e a cias foram maravilhosas. Então resumindo, quem somos nós: Deise (essa que humildemente vos relata essa viagem), Gabi (minha amiga), FH (meu primo), LC (namorado da Gabi, mas só resolveu ir depois).

Fiquei meio que encarregada de fazer o roteiro, acho que me beneficiei nessa parte, pois ia colocando o que eu queria, mas ao mesmo tempo, ia tentando encaixar o que os outros queria também, sendo bem democrática. Tipo, não faço questão de vinícola, mas um deles queria abrir mão do tubarão pela vinícola, como não colocar. Então ficamos sem tubarão, mas com vinícola e foi ótimo, todo mundo satisfeito (eu acho rsrs).

Quanto mais eu pesquisava e procurava roteiros, via que a maioria (90%) só fazia o chamado roteiro tradicional, que é aquele do começo do texto: Cape Town, Joanesburgo, Safari. Estava difícil achar informações sobre a Namíbia, Zimbábue, Zâmbia, Botsuana, não que a gente fosse nesses países, mas eu queria ver os relatos pra ver as possibilidades. Principalmente o deslocamento entre esses países, parecia ser bem complicado fazer por terra se você não fosse fazer algum safari de no mínimo 7 dias. E não tínhamos tempo pra fazer safári de 7 dias. Daí também que surgiu a ideia de fazer esse relato, a princípio eu não faria o relato, mas acho que pode ser útil pra quem busca informações e principalmente opiniões sobre lugares fora do roteiro tradicional.

Então continuei a busca por relatos e catando algumas informações picadas aqui e ali, montei um roteiro, que pelo visto não foi o melhor, pois toda vez que conversávamos com alguém na viagem sobre o nosso trajeto a pessoa ria. Várias vezes eles comentavam tipo: - nossa, não faz muito sentido, ou: - uau vocês fizeram um belo zigue-zague aí ein. Bom, eu prefiro culpar a falta de informações do que a minha falta de habilidade em fazer planejamento, mesmo que muito provavelmente tenha sido o segundo motivo.

Antes de finalizar o roteiro, ainda incluímos Victoria Falls pelo lado do Zimbábue.

Pra vocês terem uma idéia, o roteiro final foi esse, quase não tem vai e volta, SQN.

 

Como chegamos nesse primor de deslocamento: simplesmente não tem como ou eu não achei outra maneira de chegar no deserto da Namíbia saindo da África do Sul que não seja de Safári, é claro que você pode alugar carro e rodar até lá, mas pensa na perda de tempo. E os tours são todos bem caros e de 6 dias no mínimo. Então, achamos (eu) melhor ir de avião até a capital da Namíbia: Windhoek, já que de lá saem vários tours para o deserto. E o deserto era a nossa principal razão de ter escolhido a Namíbia. Existem outros passeios bem famosos por lá, como o Parque Etosha, Walvis Bay etc. Mas o nosso foco era o deserto. Então fomos pra Windhoek e já saímos do Brasil com o passeio comprado pela agência Detour Africa, mas quem realmente fez o passeio foi a Wild Dogs (ótima por sinal), a Detour parece ser apenas uma intermediadora, tipo uma agência de turismo. Ops, peraí, já estou entrando realmente no relato, deixa essa parte pra depois.

Então beleza, chegaríamos pela África do Sul, porque não teve jeito, a passagem do Brasil chegava e saía por ela, mas já teríamos o primeiro trecho de avião por fora, para a Namíbia. Aí depois, numa reunião com o grupo da viagem, já que o Zimbábue foi escolhido de última hora, deixamos ele para os últimos dias, então a África do Sul ficou no meio da viagem. Ou seja:

07/03 Brasília -- São Paulo -- Joanesburgo

08/03 São Paulo -- Joanesburgo

09/03 Joanesburgo

10/03 Joanesburgo

11/03 Joanesburgo -- Windhoek

12/03 Windhoek - Sossusvlei

13/03 Sossusvlei

14/03 Sossusvlei -- Windhoek

15/03 Windhoek -- Cape Town

16/03 Cape Town

17/03 Cape Town

18/03 Cape Town

19/03 Cape Town

20/03 Cape Town

21/03 Cape Town -- Joanesburgo -- Victoria Falls

22/03 Victoria Falls

23/03 Victoria Falls -- Joanesburgo

24/03 Joanesburgo -- São Paulo -- Brasília

Aí sim, roteiro fechado, vamos para o relato. Durante o relato não vou me ater aos valores mas vou colocar um orçamento detalhado ao final, com valor das passagens, hospedagem, passeios etc. Foram 17 dias no total. Nota dramática: 17 dias inesquecíveis.

Relato dia-a-dia

Já faz alguns dias que voltei, e quase um mês do começo da viagem. Foram dias bem intensos e corridos então não vou lembrar com muitos detalhes de tudo que fizemos, mas vou fazer o melhor possível aqui.

A seguir...

 

  • Gostei! 3
Link para o post
Compartilhar em outros sites

  • Membros

Primeiro dia (07 e 08 /03/19) - uber price!

 

Somos todos de Brasília, então marcamos de nos encontrar já no aeroporto mesmo. O vôo para São Paulo era às 10h da manhã mas agoniada que sou já estava rolando na cama desde as 3h. Cheguei no aeroporto umas 7h, depois todo mundo foi chegando, despachamos, depois embarcamos tudo certo. Em São Paulo teríamos uma escala de 6h até a hora do vôo para Joanesburgo. Conversamos muito, gastamos todo o 3G do nosso plano porque praticamente não iriamos usar mais no mês rsrs e finalmente embarcamos com destino a Joanesburgo. São 11h de vôo, 11h!!!! É muito tempo, mas enfim, a Latam tinha muitas opções de filme, deu pra assistir uns 4, cochilar um pouco, passar o tempo, até que enfim chegamos em Joanesburgo.

ÁFRICA FINALMENTE!!!!

Chegando em Joanesburgo fizemos a imigração, tem umas mulheres que medem a nossa temperatura numa máquina que parece uma arma de laser, filinha um pouco longa. Saindo da imigração pegamos as malas e fomos comprar o chip para o celular. Negócio é o seguinte, mais uma vez as dicas da internet só nos deram informações sobre o chip da Vodafone, que é bom, mas é caro. Logo ao lado da vodafone tem uma loja amarela com bem menos fila e bem mais barata. O quarto integrante do nosso grupo, que chegou depois, comprou dessa loja e deu tudo certo. Enfim, a escolha é sua, vodafone são 3 gb por 300 rands mais 100 rands não avisados anteriormente do chip. Os 3 gb durou com muita sobra para a viagem inteira, gastamos apenas 1,5gb, mas também porque o chip não funcionou na Namíbia nem no Zimbábue, mas se vc usar só em caso de necessidade e não ficar carregando vídeo do insta a toa, a outra empresa que chama MTN vende plano de 1gb por 149 rands.

Sobre os rands… calculamos a viagem inteira como 1 real = 3 rands, a gente sabia que valia mais, mas era pra facilitar. No final, a cotação do cartão de crédito para o uber ficou 3,52. O que fizemos foi levar dólar. Trocamos metade no aeroporto, numa cotação de 1 dolar = 13 rands, e depois o restante com um doleiro em Cape Town numa cotação de 1 dolar = 14,60 rands.

Resolvemos pedir um Uber para o nosso hotel: Glenalmond, guardem o nome desse hotel, pois em alguns dias ele será o protagonista de um episódio muito curioso.

Pedir um Uber é coisa simples né… não com milhões de taxistas e loteiros vendo na sua cara de turista que você está procurando um meio de transporte. Era insuportável, a cada passo três, quatro abordagens oferecendo taxi ou lotação, a gente negando educadamente com aquela paciência de turista empolgado. Aí pedimos o Uber pelo aplicativo, mas quem disse que a gente descobria onde que tava o bendito do carro, e o cara perguntando um monte de coisa e o celular com o corretor configurado em português, a gente escrevi Hi ele mudava Hotel, ao mesmo tempo que tinha alguém no nosso ouvido gritando uber price! uber price! uber price!, foi uma saga achar o local, mas o motorista não desistiu da gente e uns 15 minutos depois conseguimos encontrar e fomos pro hotel, lembrem-se: Glenalmond.

Chegando no hotel, fizemos o check in, tudo certo, o hotel muito bacana, na verdade parecia um apart hotel, tinha uma movimentação estranha na entrada do hotel, muita gente, alguns seguranças, mas blz, ignoramos, estávamos muito cansados da viagem eu acho, e fomos pro nosso apart. Tinham dois quartos, dois banheiros, uma sala e uma cozinha, muito espaçoso, bem legal. Nesse primeiro dia a internet do hotel não estava funcionando, mas ainda bem que tínhamos nosso chip. Bem pregados da viagem, só demos uma olhada no mapa e fomos andando até o shopping mais próximo, uns 20 minutos mais ou menos. Fomos na Mandela Square e comemos maravilhosamente bem por uma quantia razoável no Big Mouth. Aí voltamos pro hotel de uber e encerramos nosso primeiro dia.

IMG_2487.thumb.JPG.66621a3f0353d787099f3a9dafa05044.JPG

 

 

  • Gostei! 2
Link para o post
Compartilhar em outros sites
  • Membros

Segundo dia (09/03/19) - Dia de safári

Logo esse dia já era de cara um dos mais aguardados da viagem. Reservamos um safari, do Brasil mesmo, com um cara sensacional, o Pieter da empresa Big Six Tours Safari, pra reservar é só mandar um email ou um zap pra ele e tá tudo certo. Você só paga no final do passeio com cartão ou dinheiro. Ele foi super pontual e nos buscou no nosso hotel, o Glenalmond rsrs. Escolhemos fazer o safari no parque Pilanesberg, que é talvez o segundo mais famoso, o primeiro é o Kruger. Mas o Kruger é muito longe de Joanesburgo, cerca de 5h, não dá pra fazer bate-volta, teríamos que ter mais tempo. Pilanesberg já é bem mais perto, 2h de Joanesburgo e com o passeio que reservamos estava incluso (ou o Pieter incluiu lá na hora pra gente) conhecer Pretória, uma das capitais da África do Sul. Saímos umas 9h da manhã e chegamos às 22h, então o dia do safari é só pra isso, nem adianta inventar algo mais. Mas antes de sair do hotel, uma moça da recepção perguntou pra gente: checking out, aí a gente achou que ela tinha se confundido e dissemos não, só estamos saindo para um passeio mesmo. Aí ela só falou: ok! O Pieter chegou e nós fomos.

Começamos o dia indo até Pretória, o Pieter foi explicando um monte de coisa no caminho, com um sotaque super difícil, eu não entendia nada do que ele falava e claramente ele não entendia nada do que eu falava porque sempre que eu comentava alguma coisa ele só balançava a cabeça e ficava calado, mas aos trancos e barrancos a comunicação ia fluindo.

Depois de Pretória ele nos levou até um lodge já dentro do Pilanesberg pra gente almoçar e passar um tempo agradável. A gente reservou o passeio do sunset, ou seja, do final do dia até começo da noite, tipo das 17h às 20h mais ou menos. Daí tínhamos que aguardar até a hora do safari começar. Então comemos nesse lodge que é super agradável, tem vista por parque e se você der sorte pode ver elefantes, girafas e impalas por ali. Só vimos uns impalas que estavam buscando uma sombra. Comida maravilhosa novamente, bem servida e muito gostosa. Comemos e fomos sentar na beira da piscina pra aguardar até a hora do safari. No horário combinado o Pieter buscou a gente e nos levou pra onde o safari ia sair. Fomos pro caminhão aberto e começamos a aventura.

Foi muuuuito legal. Logo de cara já vimos uns leões que estavam com muita fome, segundo o guia, porque estavam caçando de dia. Eles estavam cercando umas zebras que estavam do outro lado da pista e queriam atravessar a todo custo, mas era muito carro atrapalhando e o nosso guia ficava gritando com os carros particulares pra eles saírem do meio e não colocarem a cabeça pra fora, sendo que o nosso guia tava bem no meio do caminho dos leões. A gente sentiu que o nosso guia era um cara bem ousado e esperto, existem vários tours que saem ao mesmo tempo e os guias ficam conversando entre si pelo rádio pra ver onde tem tal bicho e tals. O nosso guia era tipo um líder, porque ele achava tudo primeiro e depois chegava os outros, demos sorte. Vimos os leões de muito perto, eles ficaram encarando a gente, foi uma experiência bem legal.

Aí quando logo de cara você já vê leão fica difícil competir né. Mas durante o caminho vimos de tudo um pouco: rinoceronte, elefante, girafa, gnu, zebra, impala e outros menores. Foi muito legal, e pra carimbar, na hora que estávamos indo embora, já no final, um elefante enorme cruza o caminho, o guia desligou o carro na hora e apagou os faróis, disse que o elefante estava irritado porque ele balançando a cabeça e pediu pra gente fazer silêncio e desligar os flashes. Que medo, confesso que deu uma baita cagaço porque o elefante era muito grande mesmo e passou tirando fino do carro, bem do nosso lado. Claro que com tudo escuro a filmagem ficou ruim, mas a emoção no hora foi tremenda. Muito legal mesmo. Eu recomendo o safari com a empresa mesmo, não sei se sai mais caro, não sei quanto é alugando carro e indo por conta, mas o nosso passeio, saindo de Joanesburgo passando em Pretória e fazendo esse safari meio diurno meio noturno ficou por uns R$ 500 ou ZAR 1800. A vantagem é que os guias conversam entre si e você nunca anda a toa. No carro, por conta própria, provavelmente você vai ter rodar muito até achar algum bicho, mas não deve ser menos emocionante, deve ser bem bacana também, mais uma vez, é uma questão de escolha mesmo, os dois jeitos são bacanas. Fizemos por uma empresa, mas li relatos muito legais de pessoas que alugaram o carro e fizeram e acharam ótimo.

Na volta, éramos os últimos, ou seja, nosso guia não tinha preguiça, tivemos muita sorte. O Pieter já estava nos esperando e começamos o caminho de volta, chegamos em Joanesburgo lá pelas 22h, pagamos o Pieter com cartão, ele tem uma maquininha no carro e encerramos o segundo dia.

Não fizemos uma anotação de tudo que a gente ia gastando, só ao final fizemos uma média diária baseada na quantidade de dólares que a gente trocou. No final do relato vai estar tudo mais detalhado. Mas comemos muito bem todos os dias, teve dia de comer até caviar, e a média da refeição era de uns R$ 30 com bebida, mais de uma por sinal, vocês ainda vão descobrir a Savanna Dry.

Informações básicas, segundo a nossa experiência sobre o safari. Tem dois parques principais que são gigantescos, o Parque Nacional Kruger tem 20.000km², do tamanho de Israel e um pouco menor que a Bélgica. O Parque Nacional Pilanesberg tem 500km² e uma probabilidade maior de ver algum animal por km². O veredito é: se tem tempo, vá ao Kruger, se tem pressa, vá ao Pilanesberg, os dois vão proporcionar experiências incríveis. Uma outra informação que talvez possa ser relevante é: o Pilanesberg tem um risco baixo de malária, e o Kruger tem um risco médio/alto de malária.

Esse site traz uma comparação interessante entre os dois parques e pode te ajudar a escolher: https://www.moafrikatours.com/kruger-national-park-versus-pilanesberg-game-reserve

IMG_2488.thumb.JPG.1bcb8713c21e1adfd7ce908998287ab4.JPG

 

  • Gostei! 1
Link para o post
Compartilhar em outros sites
  • Membros

Terceiro dia (10/03/19) - Chupa Glenalmond

Mais um dia muito esperado da viagem, nesse dia tínhamos combinado de pegar o ônibus vermelho e ir ao Museu do Apartheid e no Soweto também. Compramos até um ingresso pela internet que dava direito ao passeio pelo Soweto com a City Sightseeing que é a empresa do ônibus vermelho que passa pelos principais pontos turísticos da cidade. Compramos o ingresso na noite anterior, assim que chegamos do safari e estávamos super ansiosos. Mais uma vez, íamos saindo pela portaria rumo ao nosso passeio quando a moça da recepção perguntou mais uma vez: checking out?! Aí eu disse: No, tomorrow! Aí começou um diálogo que eu vou tentar reproduzir aqui:

Moça: You didn’t see this? Vocês não viram isso? (mostrando um papel)

Eu: No! (pequei o papel e começei a ler).

Quando eu li, fiquei procurando por câmeras porque só poderia ser uma pegadinha. O papel falava que o hotel estava fechando as portas e que todos os hóspedes tinham que sair até o meio-dia daquele dia.

2011047363_CapturadeTela2019-04-01s19_12_17.png.867a3ab19c16653592689c514ad60a3d.png

 

A gente ficou completamente sem reação, o inglês da moça era sofrível, ela respondia basicamente sim e não. A gente tava do lado de fora da recepção, no pátio. Aí eu perguntei se a gente poderia ligar lá de dentro, e ela entendeu que eu só queria ir lá pra dentro pra ficar na sombra, mas eu precisava na verdade usar o telefone dela porque o meu não tinha plano de ligação. Obviamente eu queria ligar para o dono do hotel. Outro exemplo de como a comunicação não tava fluindo rsrs, foi quando eu perguntei pra ela: você sabe se existem outros hoteis por aqui perto? Ela respondeu: sim, você pode olhar no google! Seria engraçado se não fosse trágico, mas hoje a gente ri muito dessa história. Depois que a gente foi entender que ela não era nem funcionária do hotel, ela também não tava sabendo de nada. Ela foi contratada pra fazer a segurança e avisar os hóspedes que eles precisavam vazar, todos os funcionários já tinham ido embora. A gente ainda deu sorte, porque ficamos no prejuízo (que depois foi ressarcido) de uma diária somente, mas tinha um cara lá com a mesma cara de confuso que a gente que já tinha reservado o hotel por um mês. E quem disse que esse cara conseguia falar com o dono do hotel, claro que não né.

Essa história foi tão sem pé nem cabeça que eu fiz uns videozinhos para mandar pra minha família, vou postar aqui porque acho que é mais engraçado do que contar. Os vídeos são curtos e já tá tudo explicadinho.

O despejo (mesmo vídeo, no youtube, caso não dê certo por aqui)

Então, quando a gente conseguiu resolver a situação e se instalar em outro hotel, ainda meio na dúvida se o outro hotel ia dar certo ou não já não tínhamos mais tempo de fazer tudo que a gente queria e tivemos que sacrificar o Museu do Apartheid, eu fiquei muuuito chateada porque era uma das coisas que mais queria ver desde todo o planejamento da viagem. Sabe aquelas coisas imperdíveis, quando alguém te pergunta o que você precisa ver na África, o Museu do Apartheid está sempre nas respostas. Mas… como a vida é assim mesmo, não se pode ganhar todas né, e nós já tínhamos pagado pelo ingresso do Soweto fomos fazer esse passeio. Foi muito legal também, conhecer uma realidade ainda mais pobre, do subúrbio, onde moraram várias personalidades importantes do Apartheid tipo o Mandela e Desmond Tutu, vale a pena dar uma lida sobre o Soweto antes de ir conhecer. Tem muita história lá, muitos significados, representa grande parte da luta contra o Apartheid.

Depois do passeio voltamos para o hotel, e com a ótima notícia de que poderíamos ficar na suíte executiva pelo preço do quarto normal aproveitamos o máximo de deu. É assim mesmo, algumas a gente perde outras a gente ganha. Temos que agradecer muito ao Owen que foi o funcionário do hotel que fez todo o esforço pra manter a gente no quarto e era tão atencioso e gentil o tempo todo. Ele nem sabia da nossa história, do despejo nem nada, e mesmo assim quis ajudar a gente e ligou pro chefe dele e conseguiu autorização pra gente ficar na suíte executiva. Noite de realeza por um dia!

Observações: Pra todo lugar que a gente ia todo mundo falava pra ter cuidado com Joanesburgo, não andar a pé, não carregar nada de valor. Seguimos todos esses cuidados e deu tudo certo, mas sentimos falta de andar um pouco pela cidade pra conhecer a vibe melhor. Ficamos num bairro super caro justamente porque todas as pesquisas que fizemos diziam que o centro não era seguro, era melhor ficar num bairro mais rico, mais turístico etc. O preço não foi tão absurdo, cerca de R$ 350 a diária, dividido por três pessoa ficou ok. Mas essa sensação de falta de segurança que Joanesburgo passa é um ponto negativo para a cidade. É claro, somos brasileiros, conhecemos a violência e o perigo muito mais de perto do que gostaríamos. Mas estar num lugar onde você sabe onde pode pisar é bem diferente do que se sentir inseguro o tempo todo. Não é uma crítica, não deixem de ir, é só uma observação sobre a cidade. Joanesburgo poderia ser muito mais se o governo investisse mais. Mas essa história se repete no Brasil, então não dá pra falar muito.

O que foi bem ruim também, foi a sensação de estar desamparado quando a moça do hotel simplesmente fala que você tem que sair. Ainda bem que estávamos em grupo e a sensação de se fuder coletivamente é muito mais aliviante do que se fuder individualmente. No final, virou apenas mais uma história engraçada pra contar. Mas se eu estivesse sozinha provavelmente estaria chorando até agora.

Outra impressão sobre a África do Sul, e é algo que o Pieter o nosso guia do safari também comentou. O apartheid foi uma luta válida, ele libertou os negros da segregação e de proibições ridículas. Mas ele não acabou de fato, infelizmente. O que a gente vê nas ruas, nos restaurantes, nas empresas, em todos os lugares praticamente, é o negro marginalizado. Os brancos, que são a minoria da população, ainda são os mais ricos com os melhores empregos e frequentadores de restaurantes junto com os turistas. Os negros, são aquelas pessoas que estão no subemprego. Brancos andam com brancos e negros andam com negros. Existem também uma terceira categoria, que também é marginalizada, os coloured or mixed races, que é justamente a gente, brazucas, sulamericanos ou qualquer raça que tenha sido misturada. Achamos engraçado sermos chamados de coloured people. Parece ser uma sina do ser humano mesmo, categorizar tudo, até as pessoas. Não dá pra todo mundo ser apenas humano e só?

  • Gostei! 1
Link para o post
Compartilhar em outros sites
  • Membros

Quarto dia (11/03/19) - Savanna Dry

Quando você quer fazer tudo numa viagem de 17 dias pode saber que boa parte do tempo vai ser em deslocamento. Hoje seria o primeiro da maratona de vôos e deslocamentos. Por outro lado, conhecer o deserto é mais um dos pontos altos da viagem. Estava sonhando e me imaginando naquela paisagem das fotos que eu tinha visto. Então lá fomos nós, nos despedimos do nosso quarto super chique e fomos para o aeroporto de Joanesburgo rumo a Windhoek, capital da Namíbia. Fomos de British Airways, eles serviram lanche num vôo de 2h, chupa Latam. Quando chegamos no aeroporto de Windhoek, já deu pra ter uma noção de como era o país. O aeroporto é minúsculo, nem tem portão de embarque praticamente, o avião para, a gente desce e vai andando pelo asfalto até lá dentro. Os aviões também são bem pequenos. Brasileiros não precisam de visto. Fomos os últimos da fila porque estávamos lá atrás no avião. A gente contratou um transfer pelo hotel, foi 200 rands por pessoa. Na Namíbia eles usam o dólar namibiano, mas o Rand sulafricano é amplamente aceito numa cotação de 1 pra 1. Então dá pra pagar com Rand em todo lugar sem se preocupar em trocar dinheiro. No caminho do aeroporto para o hotel já sentimos como o local é seco. Só poeira e asfalto por muitos km. Tinha muitos babuínos na beira da estrada, no começo a gente achou super novidade, já que eram muitos, no fim da viagem já estávamos achando normal. Chegando no hotel, nos acomodamos e perguntamos pra recepcionista onde seria o supermercado mais próximo. Queríamos comprar uns suprimentos para o deserto, tipo água, barrinhas etc. Novamente, a situação de Joanesburgo se repete, a moça da recepção passou um terrorismo gigantesco falando que era perigoso apesar de ser muito mais seguro que a África do Sul ela não recomendava a gente andar pela cidade. Então, pagamos um transfer para o mercado. Na Namíbia não tem uber. O meio de transporte que os turistas mais usam são esses carros particulares que o próprio hotel chama. Só que na volta do mercado a gente não tinha como ligar pro cara e o nosso chip da vodafone não estava funcionando nem pra internet, simplesmente estava sem serviço. Só que o mercado era tipo 1km do hotel. A gente resolveu arriscar e ir andando mesmo, pelo menos conhecia esse 1km entre o mercado e o hotel a pé. Na saída do mercado apareceu um mar de gente, mas era muita gente mesmo, tipo umas 50 pessoas oferecendo lotação pirata pra levar a gente. A gente abaixou a cabeça e saiu andando com pressa mas os caras seguiam a gente. Depois de alguns metros acho que eles perceberam que a gente não ia com eles e aos poucos foram dispersando. A caminhada até o hotel foi super tranquila, menos para o FH que estava carregando uns 10L de água na sacola rsrs. Foi bom a gente ter comprado a água antes porque compramos num preço bom, mas assim que você sai para o passeio, o pessoal da empresa para num outro mercado no meio do caminho e você tem a chance de comprar também. Mas como não sabíamos disso, já compramos logo antes. Voltamos pro hotel e ficamos curtindo de boa. O nosso hotel, que chama Rivendell é tipo uma guest house, então é uma casa mesmo com vários quartos, cozinha compartilhada e o nosso banheiro era compartilhado também, mas tem quarto com banheiro privativo. Ele é um pouco longe do centro. Eles deixam na geladeira umas bebidas e comidas que você pode pegar e anotar e no check out você acerta, tipo frigobar mesmo. Foi nessa geladeira que nós (eu principalmente) descobrimos a Savana Dry. Ô bebida gostosa, no começo a gente achou que era tipo uma cerveja doce mas depois descobrimos que é uma cidra, é muito boa mesmo. E eu que não sou fã de cerveja descobri essa bebida maravilhosa que ia me acompanhar a viagem inteira. Pelo visto ela é muito famosa na África, e tinha em TODOS os lugares de TODOS os países que a gente foi, até na vinícola eu pedi Savanna Dry. Que achado!!!! A gente bebeu todas as Savannas que tinha na geladeira, quando tava faltando só duas pra acabar um outro gringo começou a beber também, mas ele pegou só uma aí eu fui lá e catei a última, quando ele voltou pra pegar mais só ouvi: ow man, no more Savanna, shit!

Encerramos esse quarto dia com muita expectativa para o próximo dia, quando finalmente iríamos para o deserto.

IMG_2489.thumb.JPG.28c6720f8f06d1ff8d95c3a6ed6c8de0.JPG

 

Observações: A Namíbia parece ser um lugar muito mais seguro do que a África do Sul, segundo os próprios moradores né. É um país bem pequeno e a principal cidade que é a capital é minúscula. O mercado estava super lotado, parece que tem poucos por lá. Windhoek é bem arrumadinha, com ruas amplas, calçadas e casas com cerca elétrica. Isso é uma coisa que a gente já estava percebendo e continuou por toda a viagem, todos os hoteis, guesthouses, hostels que passamos tinha cerca elétrica e segurança. Parecia um exagero, mas absolutamente todos tinham, até no Zimbábue que consegue ser menor que a Namíbia. Enfim, não deu pra saber se é realmente perigoso ou se eles estão sendo super protetores com os turistas pra garantir a nossa segurança e satisfação.

  • Gostei! 1
Link para o post
Compartilhar em outros sites
  • Membros

Quinto dia (12/03/19) - Desert

Grande dia, um dos né. Já na noite anterior combinamos o café da manhã e deixamos pago. Aliás isso é muito comum nos hotéis, eles não oferecem café da manhã geral, você pode pedir e pagar separado por esse serviço. Então pedimos ovos mexidos, bacon, aquele café da manhã esquisito que muitos países de colonização europeia adoram. Daí fomos esperar a empresa nos buscar. Não sabíamos que seria a Wild Dogs que faria o passeio e estávamos esperando um carro da Detour, mas depois, quando o carro chegou que fomos entender que a Detour é somente um intermediário, então quando vocês reservarem um passeio com a Detour ou qualquer outra empresa pela internet o que eles fazem, eu acho, é procurar uma empresa que tenha saída garantida no dia que a gente quer e reservar com eles.

Aí chegou o carro, tipo um jipe, achamos que já íamos nele, tinha duas garotas da Finlândia já dentro do carro, elas puxaram conversa. Já estavam vindo de um tour pelo Etosha e iam continuar agora para o deserto. Ou seja, eles vão encaixando os tours e as datas, pois pra elas, tanto o Etosha quanto o deserto faziam parte do mesmo passeio que elas reservaram. A gente, pelo visto, já entrou no meio do caminho. É interessante pra poder garantir as saídas dos passeios sem depender de grupo fechado. Aí chegamos na sede da empresa e eles explicaram que tinha 14 pessoas para esse tour e íamos trocar de carro, para um caminhão mesmo. Ah, uma coisa importante, você não pode levar sua mala gigante para o passeio. É permitido somente uma mala de 10kg. Então você separa o que vai precisar para os dias de passeio e deixa o resto da bagagem no hotel, ou em algum lugar que você vai ter que planejar previamente pra poder buscar depois. Como reservamos o mesmo hotel na ida e na volta perguntamos se poderíamos deixar as malas lá e eles deixaram numa boa, parece já ser uma coisa muito comum.

Lá na sede da empresa a gente assina um termo, que assinamos várias vezes durante essa viagem em diferentes passeios. Basicamente dizia que se der alguma merda a responsabilidade é nossa, a empresa não tem nada a ver com isso. Se vira! Eles também sugeriram um saco de dormir, óbvio que se a gente não tivesse o nosso eles tinham lá pra alugar. Nós alugamos com eles, 30 rands por dia. O bom é que o deles já é um saco preparado pro clima mesmo, foi muito bom na verdade ter alugado porque fez um frio maior do que o que a gente estava imaginando a noite e o saco de dormir foi essencial. Aí depois que todo mundo chegou o grupo estava formado: Duas garotas da Finlândia, um casal de irmãos americanos, nós três brazucas, dois japoneses que não se conheciam, um tailandês escandaloso, um taiwanês gente boa, um senhor sul coreano que se sustentava a base de cigarro e whisky, o motorista Gabriel e o cozinheiro Steve.

Eles explicaram qual seria a programação do dia: rumo ao camping onde ficaríamos pelas próximas duas noites, distante cerca de 400km de Windhoek. No caminho algumas paradas pra comprar suprimentos e outras paradas pra abastecer e usar o banheiro. Bastante chão e muito sol na estrada num calor de lascar. O americano perguntou se tinha ar condicionado no carro, o guia respondeu que sim, o famoso ar condicionado africano chamado janela. Com a janela aberta não dava pra fechar a cortina e sol era de lascar. Mas já estreei minha blusa UV que aliás foi muito útil a viagem inteira e passava protetor solar toda hora, não sofri muito não. O problema era os japa do outro lado que queriam ficar com a janela aberta e a cortina fechada. O vento não passava e ainda fazia um barulho insuportável da cortina batendo na janela a viagem inteira. Ou vai ou racha né meu filho. Dava pra sentir a tensão de todo mundo com o barulho mas ninguém tinha coragem de falar com os meninos e já estragar a viagem no primeiro dia rsrs.

Paramos literalmente no meio do caminho, no meio de uma estrada de cascalho bem poeirenta pra almoçar. Eles descem cadeiras, mesa e a comida e o cozinheiro prepara tudo em 30 minutos, muita habilidade dos caras. A comida era simplesmente maravilhosa, muito simples, mas era gostosa demais. Nesse primeiro almoço foi cachorro-quente com salada. Mas pensa num trem bão!

Aí quando finalmente chegamos no acampamento, o guia nos ensinou a montar a barraca, ele disse que se a gente fizesse certinho não gastava nem 5 minutos, mas se fizéssemos alguma coisa errada aí ia demorar. Aí com bastante receio fomos montando, mas deu tudo certo, barracas montadas, sacos de dormir, tudo organizado, acampamento montado! Aí o guia falou que a gente tinha que subir uma duna pra ver o pôr-do-sol e ia ser o nosso primeiro teste porque no outro dia teria algumas dunas pesadas. Aí beleza sem saber muito bem o que esperar a gente foi. Subimos uma duna gigante, mas eu consegui chegar até no topo, aliás todo mundo conseguiu, mas eu tava me achando. Tipo, vai ser mole. Só que a primeira duna gigante não era nem o começo do caminho. Aí eu já fiquei logo pra trás e o FH e a Gabi foram indo. Mas a gente subia, subia, subia, e sempre que a gente chegava no topo de uma, tinha outra na frente. Aí logo eu encontrei com eles e ficamos nos perguntando onde seria o fim desse martírio. Subir a duna é muito chato porque você dá um passo pra frente e escorrega um pouco pra trás de volta, então cada passo pra frente equivale a um terço de um passo normal, fora que o pé afunda e você tem afundar e desafundar a cada passo. Mas todo mundo consegue, relaxa, é cansativo mas não é impossível. A questão é que a gente já tava bem cansado e o sol quase se pondo e nada de chegar no cume. Daí o FH tava com mais fôlego foi andando na frente, e logo ele sumiu das nossas vistas. O americano veio voltando e a gente perguntou pra ele: onde que é o fim? Aí ele disse: não tem fim não é só uma duna depois da outra. Aí a gente olhou uma pra cara da outra e decidimos procurar algum lugar mais alto que desse pra ver o pôr-do-sol e ficar por ali mesmo. Achamos inclusive um lugar perfeito. Pena que outras pessoas acharam esse lugar também, mas vimos o pôr-do-sol, maravilhoso, umas cores inacreditáveis, fiz um time-lapse mas não ficou muito bom, mas serviu pra aprender como que faz um bom rsrs.

Na hora de voltar que o bicho pegou, quem disse que a gente sabia voltar. A gente andava, andava e não sentia que estava indo pra baixo, só pro lado. Mas, por sorte, aquele grupo que dividiu a duna com a gente também estava voltando e tinha um guia com eles, aí esse guia reparou que a gente tava perdido e nos ensinou o caminho, ufa! O nosso carro já estava esperando a gente lá embaixo. Até demos uma carona pra eles depois, o grupo doido tinha ido a pé até a duna, 4km de distância e depois ainda iam voltar andando, mas as meninas do grupo disseram que não conseguiam voltar andando e pediram uma carona.

Aí depois a Gabi e eu descobrimos que tinha fim sim, o FH e todo o resto do grupo chegou lá, menos a gente kkkkk. Deve que faltava pouco, porque a gente já tinha subido tanto rsrs. Aí a gente brigou com o FH porque ele tinha largado a gente perdida lá só pra gente não ficar por baixo né, coitado.

Voltamos pro acampamento a janta já estava pronta. Sinceramente sem falsa modéstia ou hipocrisia, não sei o que o cara colocou naquele molho, mas o melhor macarrão eu eu já comi na vida, tava muito delicioso. Que cozinheiro é esse, tá doido! E ele ainda faz comida vegetariana, se tiver vegetariano no grupo. No nosso tinha uma menina da finlândia, e a americana que se dizia vegetariana mas comia carne toda hora. Encerramos o quinto dia, eu particularmente estava muito muito feliz, com todo o clima de acampamento no meio do deserto.

Observações

A empresa que nos levou para o passeio é a Wild Dogs. O passeio foi bem caro, são 3 dias no deserto (link para o passeio) por ZAR 5720, que deu aproximadamente R$ 1.700 no cartão com o IOF. Duas questões sobre esse valor, todos os passeios em empresas grandes que eu pesquisei, que tinha descrição, valor e datas de saída na internet, eram caros. 3 dias era o passeio mais curto que eu encontrei, e escolhi esse justamente mais pela duração do que pelos locais que passaria. Outra empresa famosa também é a Nômade, li alguns relatos elogiando bastante e imagino que seja bem parecido com a que nós fomos, porque em relação à empresa também só tenho elogios. Existe outra possibilidade que é alugar um carro, mas não fizemos por alguns motivos, entre eles, o país. A Namíbia é um país pequeno de estradas longas e muuuitos lugares ermos, ou seja, se acontecer alguma coisa, você pode estar a quilômetros de distância do posto mais próximo e sem sinal nenhum na estrada. Não conhecíamos o lugar e para andar no deserto você precisa de um carro 4x4, não 4x2, nem um carro muito forte nem muito bom que alguém te disser que aguenta, tem que ser um 4x4. O carro da Wild Dogs que levou a gente era um 4x2 e na vez que a gente precisou andar na areia mesmo fomos em outro carro que deixava a gente no local determinado e depois buscava e nos deixava novamente no carro da Wild Dogs. Então não foi muito difícil pra gente escolher pelo passeio com a empresa ao invés de ir por conta própria. Já deu pra perceber que somos muito cautelosos. Não vou ser hipócrita de dizer que valeu cada centavo, porque R$ 1.700 é muito dinheiro. Mas fiquei bem satisfeita, gostei de tudo, dos equipamentos da empresa, das barracas, do camping, da comida, dos locais que eles nos levaram. A gente estava esperando algo muito mais rústico e chegou no acampamento tinha até água quente se você chegasse pra tomar banho cedo rsrs, porque era aquecimento solar, então a água quente acaba. Mas não se preocupe tomar banho gelado no deserto não é nenhum sacrifício. Tinha um bar no camping que vendia internet inclusive, mas preferimos aproveitar o momento e ficar sem internet nesses dias, foi ótimo, mas pra quem quiser internet no meio do deserto, tem também. Então de maneira geral eu super recomendo a Wild Dogs, foi caro, mas questão de preço eu acho que é isso mesmo. Os preços que você encontrar na internet vão ser bem parecidos. E o melhor é que eles sabem o que estão fazendo e tem equipamentos de qualidade, as barracas são ótimas, os sacos de dormir a gente paga a parte, mas também são ótimos, aquecem bem a noite. Tem a comida também, que é muito boa, vegetais frescos. Não é nada de luxo, mas é bom o bastante pra você ficar bem confortável e aproveitar a experiência de estar no meio deserto e conseguir ver todas as estrelas do céu a noite.

 

IMG_2490.thumb.JPG.bc748f8e83970e739cda5d43e8b28d2f.JPG

 

  • Gostei! 1
Link para o post
Compartilhar em outros sites
  • Membros

Sexto dia (13/03/19) – Duna 45 e Big Daddy

Na noite anterior, enquanto estávamos jantando o guia Gabriel já ia explicando pra gente o que faríamos no dia seguinte, ele já começou assim: eu sei que vocês estão de férias, a gente não quer punir ninguém mas amanhã teremos que acordar as 5h da manhã. Acho que todo mundo reagiu bem, ninguém quis matar ele não. Aí ele começou a explicar: amanhã é um dia cheio, temos muitas atividades e pra ver o nascer do sol numa das dunas mais bonitas, a Duna 45 a gente precisa estar lá no máximo as 5h45, então quando der 5h todo mundo pode estar pronto pra sair já. É uma subida íngreme, demora entre 15 e 30 minutos mas eu acho que vocês conseguem (ele nem sabia que a gente não tinha chegado no topo da duna teste) mas enfim né, já fui dormir com medo. Aí depois ele continuou: depois do nascer do sol vocês descem que o Steve já vai estar com o café da manhã pronto esperando por vocês no pé da Duna. Depois do café a gente vai pro Dedvlei, que é um vale cercado por dunas. Vocês vão poder ter a chance de escalar a duna mais alta do mundo, gente é uma duna de areia tá, não é o Evereste, em termos de Duna de areia eles falam que essa é a mais alta do mundo, chama Big Daddy, tem aproximadamente 340m de altura e deve demorar entre 1h a 1h30 pra subir. Mas aí ele já explicou logo, existem outros caminhos pra chegar até o vale e ninguém é obrigado a subir essa duna. Aí eu fiquei mais tranquila. Depois, a gente volta pro camping lá pelas 13h ou 14h da tarde e ficamos descansando até as 18h, quando saímos para um pequeno Canyon que tem próximo ao camping, onde também tem um pôr-do-sol muito bonito, e o Canyon em si é uma atração a mais, apesar de ser bem pequeno realmente.

Então com todo o roteiro do dia seguinte explicado, fui dormir já pensando em como eu não ia conseguir subir a tal da duna pra ver o nascer do sol. Mas vamos lá né, tentar pelo menos. Quando a gente chegou lá, ainda estava escuro. Um clima super agradável, fresquinho. Aí eu comecei a subir, no passinho do elefantinho. Fui subindo devagar, nisso a Gabi e o FH já tinham sumido da minha vista, mas fui na minha. Essa duna só é difícil no começo, que você afunda muito e tem que fazer muito esforço em cada passada, mas depois, quando vai ficando mais alto, a areia vai ficando mais firme e fica parecendo uma escadinha, é cansativo, mas bem menos. Aí eu fui subindo devagar, até que cheguei lá em cima. O FH e a Gabi já estavam preparados lá tirando altas fotos esperando o sol nascer. Me juntei a eles e comecei a gravar um time lapse no meu celular enquanto a gente tirava fotos com a câmera do FH e o celular da Gabi. O time lapse dessa vez ficou muuuito legal, parecendo de globo esporte, canal off, Discovery Chanel etc., já estava me sentindo profissional. Fora isso, tem o principal né, que é o visual e as cores que estar nessa duna no momento do nascer do sol proporciona, é simplesmente lindo, de um vermelho vívido e umas cores muito brilhantes, muito perfeito, lembrei na hora das fotos da internet que eu tinha visto e senti que aquele momento não estava perdendo em nada para as fotos profissionais do google. É sério, vale muito a pena, é lindo demais, você fica doido querendo capturar tudo como se o momento fosse embora, aí você não sabe se olha ou se tira foto. Faz um pouco dos dois rsrsrs. Aqui, outro ponto positivo pra empresa, que leva a gente nessa duna antes do nascer do sol, quando já estávamos descendo vimos vários caminhões de outras empresas chegando, com o sol lá em cima já, é muito bonito também, mas o momento do nascer do sol é bem único, tanto em termos de experiência quanto em termos de cores. Depois do nascer do sol, ficamos lá em cima por muito mais tempo ainda, aproveitando, olhando, tirando milhões de fotos e filmando. Pra variar e não negar a fama dos brasileiros, quando descemos só estava faltando a gente mesmo, todo mundo já estava acabando o café da manhã e corremos pra tomar o nosso. Entra tanta areia dentro do sapato na hora da descida que quando você vai tirar parece que está descarregando um caminhão.

Aí beleza, todo mundo terminou o café, os rapazes: Gabriel e Steve desmontaram os equipamentos com toda destreza e habilidade que acho que menos de 10 minutos já estava tudo pronto pra gente partir. Eaí fomos o Dedvlei, que é o Vale Morto. É um local cercado por dunas e árvores mortas que lembra cenários de filme, tipo Mad Max. Como o guia tinha explicado, é aqui que o filho chora e a mãe não vê. Então quem quisesse subir o vale até o ponto mais alto poderia ir, quem quisesse subir só um pouco e depois descer poderia ir, quem quisesse ir sem subir nada só chegar no vale por baixo também poderia ir. Aí a Gabi e eu escolhemos subir um pouco e depois descer até o vale enquanto o FH ia até lá em cima. A gente foi, ficamos lá em cima, tiramos muitas fotos, descemos, tiramos fotos lá embaixo do vale e nada do povo que tinha ido até o topo chegar. A gente saiu do vale e foi esperar eles embaixo de uma árvore, nossa mas como demorou pra esse povo aparecer. Quando finalmente todo mundo chegou a gente foi embora. Chegando no acampamento, almoçamos e depois fomos pro bar tomar umas savanas dry. Tinha um japonesinho bem tímido, igual todo japonês mesmo que estava escrevendo no caderninho dele lá sozinho, sentado na cadeira. Aí eu olhei pra ele e fiquei com dó e perguntei se ele não queria ir pro bar com a gente. Ele me olhou super estranho, e apontou pra ele mesmo como quem diz: Eu???? Aí eu falei: sim! Vc! Aí ele falou: Ok! Eu perguntei: você bebe? Ele: Não! Eu: ok, não tem problema você toma suco ou água. Ele: ok! Aí a gente foi, eu comprei um suco pra ele, ele ficou todo agradecido, japonês tem um jeito tão legal, eles são todos meigos e gente boa. Aí a gente ficou conversando um pouco mas ele viu que tinha umas meninas japonesas no bar também, do mesmo jeito, meiguinhas todas tímidas, aí eles começaram a conversar em japonês, imagino que sobre a viagem e a experiência de estar no deserto e porque a conversa estava bem empolgada. Aí logo a gente ficou deslocado da conversa, mas fiquei feliz por eles. Acho que ele gostou também, se não ia ter que ficar embaixo da árvore a tarde toda esperando a hora de ir pro Canyon. Nessa tinha um menino de Taiwan lá no bar também, do nosso grupo, usando a internet, aí eu chamei pra ele conversar e a gente ficou conversando, depois chegou um de Nova York que enturmou também, logo o bar já estava tomado rsrsrs. O FH e a Gabi queriam ir pra piscina, aí eu falei que encontrava eles lá, aí eu fui pra barraca, mas a savana bateu forte e eu capotei lá na barraca com a cara no sol e deixei a barraca aberta. Quando eu acordei a barraca tava cheia de areia e meu rosto ardendo, mas por sorte não chegou a queimar não rsrs, já tinha passado bastante protetor o dia inteiro acho que ainda tinha um resquício que me protegeu. Aí a gente foi pro Canyon, é bem legal, um Canyon pequeno que as vezes, muito raramente pode encher de água eaí pode dar peixe que a população local usa pra se alimentar também, peixe fresco no meio do deserto.

Foi um dia bem cheio e bem legal. No dia seguinte já era dia de despedida, desmontar acampamento e pegar a estrada.

 

Observações: Os passeios exigem um pouco de condicionamento físico, mas não é nada impossível, uma pessoa sedentária deve conseguir subir também, mas precisa ir no seu tempo, pegando o ritmo e não tentar acompanhar ninguém, porque cansa muito mesmo, se você gastar toda sua energia tentando acompanhar o ritmo das outras pessoas vai ficar sem forças pra ir até o final.

Sobre o nosso grupo, já tinha dado uma mini introdução antes. Mas tem algumas pessoas bem bacanas. Tipo o senhorzinho da Coreia do Sul, ele era... digamos assim... curioso. Tomava whisky toda hora e tava sempre fumando um cigarro. Pra subir as dunas por exemplo, parece que o cigarro era o turbo dele. Ele parava, sentava no meio da subida e puxava um fuminho, logo parece que a energia dele voltava e ele subia como um jovem de 20 anos. Na barraca, a noite ele ficava cantando umas músicas tristes, era uma coisa bem caricata mesmo, lá meio do deserto o cara solitário cantando umas músicas tristes. Acho que ninguém tava incomodado não, era até bem bonito as cantorias deles. Logo parava também. Ele falava muito pouco de inglês, então não conseguimos descobrir muita coisa sobre ele, mas foi uma figura bem marcante. Fiquei curiosa, porque ele estava viajando sozinho pra um lugar tão longe, tão diferente da realidade dele, cadê a família dele? Enfim... outras pessoas legais eram os meninos de Taiwan e do Japão, eu não sei como escreve o nome deles só lembro da pronúncia então nem vou tentar escrever aqui. Eles eram muito gente boa, simpáticos, na deles. Eram super jovens, um tinha acabado de ser formar em engenharia elétrica e estava viajando antes de encontrar emprego em Taiwan, porque lá os empregos são muito diferentes do Brasil, e você não tem férias, muito menos remuneradas, se quiser sair, sai, mas é por sua conta e risco e vai levar falta. E o outro estava nas férias da faculdade de Economia ou Comércio como ele falou. No Japão também, segundo ele, é uma das poucas oportunidades que os jovens lá têm de viajar é quando estão na faculdade, porque quando começam a trabalhar, já era. Essa é uma das coisas mais legais de viajar, é conhecer essas outras realidades na pele, não só contadas pela TV. Fizeram uma piada com o senhorzinho, porque quando perguntaram da onde ele era, ele só respondia Coreia. Aí alguém falou: do Norte??? Ele riu balançando a cabeça, dizendo não, não, não, South!!! Pelo menos tem senso de humor.

Os americanos tinham uma atitude um tanto quanto arrogante, mas não vou generalizar, topamos com outros bem mais simpáticos pelo caminho. Acho que o problema era com os dois mesmo, eram irmãos, e se achavam bastante. Ela falava que era vegeteriana, aí o cozinheiro fez tipo uma pasta de berinjela pra ela no dia macarrão, aí ela foi de mão cheia no bolonhesa, eu querendo ajudar, achando que ela não tinha visto que era bolonhesa, falei: ali tem vegetariano, esse aqui tem carne; aí ela falou: tá ok, carne picada eu como. WTF??? Carne picada eu como? Como assim??? Eu não entendi foi nada. Ser vegetariana desse jeito eu consigo também. Pra quê fez o guia ficar se preocupando com comida pra ela a viagem inteira se ela é mais carnívora que o resto do grupo todo. Tudo bem que tinha outra menina da Finlândia que era vegetariana também, mas ao invés de fazer comida só pra uma ele ficava fazendo um monte, e a menina comia a comida normal. Fora que o americano pegou o saco de dormir do FH porque achou que estava sobrando, pra servir de travesseiro. Como ele achou que estava sobrando se todo mundo pagou o seu lá na hora do encontro na empresa antes de sair??? Quase que o senhor da Coreia fica sem saco de dormir, porque como ele não tava conseguindo explicar se tinha pedido ou não o saco de dormir, o guia já ia tomar o dele, quando o americano viu a confusão e falou que tinha pegado um a mais pra ser travesseiro. As meninas da Finlândia eram na dela, ficavam de boa o tempo todo, só não podia mexer com elas, nem fazer nada errado, que elas brigavam mesmo. Mas foi tranquilo. O grupo em si era legal, a gente não interagiu tanto, mas se tivéssemos tido mais tempo talvez teria sido melhor.

IMG_2491.thumb.JPG.0da96bf92f27e64cec8cbe07e5f30ff2.JPG

  • Gostei! 1
Link para o post
Compartilhar em outros sites
  • Membros

Sétimo dia (14/03/19) – Fim do deserto

 

Chegou o último dia do passeio. Acordamos, tomamos café, preparado pelo Steve, muito bom como sempre e fomos desmontar a barraca. O Gabriel e o Steve desmontavam em 2 minutos, a gente levava uns 10 rsrs, mas desmontamos também. Guardamos tudo no caminhão, barracas, sacos de dormir, malas e fomos embora. Nesse dia o roteiro é só ir embora mesmo rsrs. A Wild Dogs garante café da manhã e almoço e os serviços acabam quando eles deixam a gente no hotel. Paramos pra almoçar na mesma árvore da ida, já dava pra imaginar que seria algo rápido então foi tipo sanduíche mesmo, nada muito elaborado, mas muito gostoso, sempre no capricho. Na volta paramos num lugar que eles chamam de “melhor torta de maça do mundo”, se fosse a nossa primeira viagem até dava pra cair nesse clichê de pega turista bobo, mas a gente experimentou a torta já que estávamos lá e tínhamos que esperar todo mundo de qualquer jeito. Normal, nada demais. Todo lugar que eles falarem que tem o melhor de tal coisa é motivo pra turista ir rsrs. Aí entramos no caminhão novamente, quando a gente tinha rodado uns 10 minutos o outro japonês que só andava com o Tailandes escandaloso bateu no vidro e disse que tinha esquecido a doleira com passaporte e dinheiro no banheiro do posto de gasolina (onde tem a melhor torta de maçã do mundo). Aí voltamos, ele pediu desculpa pra gente, até os escandalosos são educadinhos. Chegando lá o pessoal já tinha achado e ele conseguiu recuperar rapidamente, que sorte! Mas aí até o final da viagem, toda vez que alguém olhava pra ele tirava onda, porque essa duplinha era bem escandalosa, acho que eles são blogueiros, porque ficavam fazendo vários vídeos, encenando coisas e tentando ser engraçados o tempo todo, mas pra gente do grupo só estavam sendo irritantes mesmo. Aí ele ia fazer alguma gracinha e alguém falava: olha o passaporte, não esquece! Ele levou na brincadeira mas ficava um pouco sem graça. Até que o americano se irritou com eles e falou: Gente! Gente! Vocês são barulhentos demais, parem com isso, tá chato já. Ele falou no último dia de viagem, quando a gente já estava indo embora, então acho que ele segurou por bastante tempo, mas no final ele não aguentou e deu essa bronca neles na frente de todo mundo. Aí o japonês puxou um livro pra ler e o colega dele fingiu que tava dormindo. Aí fomos chegando, cada um foi deixado no seu hotel, e finalmente chegamos no nosso também, nos despedimos de quem ainda estava no caminhão e fim do passeio. Foi realmente muito bom, super aprovado e recomendado! Faço questão de recomendar essa empresa, porque no final da viagem, quando estávamos no Zimbábue a gente encontrou com um paulista que também tinha feito o passeio pelo deserto e odiado, falou que a empresa era horrível e a comida muito ruim. A gente achou que ele podia estar exagerando, mas ele disse que não foi só ele que reclamou, que todo mundo já estava tipo no limite com os serviços e a comida do cara. Então meio que estragou o passeio pra ele. Por isso, eu reforço que a nossa experiência foi muito boa, foi cara, mas compensou.

Ficamos no mesmo hotel da ida, inclusive no mesmo quarto. Terminamos o dia tomando umas savanas, na verdade eu tomava Savanna, o FH tomava cerveja porque ele disse que Savana era muito doce, e a Gabi beliscava uma Savanna mas ficava mais no suco e no refri.

No outro dia, pegaríamos o avião pra Cape Town, outro ponto alto da viagem. Todos eram, estava difícil de escolher. Lá em Cape Town, a gente ia encontrar com o LC, no aeroporto mesmo, que estava vindo do Brasil e ficar esses dias de Cape Town com a gente.

Observações: até aqui, a viagem estava perfeita! Tudo muito bom, tudo muito lindo. Até os perrengues do hotel já tinham virado piada. Mas, aguardem...

Sobre o clima do deserto: é seco! Muito seco! Se você mora em Brasília vai se identificar, mas se você mora em lugares úmido vai sofrer com certeza, até a gente sofreu. Logo no primeiro dia a gente não estava nem no deserto ainda, lá na capital Windhoek eu fui assoar no banheiro e já veio sangue junto. As cutículas das unhas tudo abrindo, a pele parecendo de jacaré, aquele peteco só. Mas em relação a calor, nessa época do ano que a gente foi, estava bem suportável. Faz um calor de dia e a noite faz frio, mas também não faz tanto frio, nada que o saco de dormir não conseguisse deixar a gente bem confortável. Então em relação ao clima, é um pouco difícil, mas você vai se acostumando. Engraçado em relação ao suor, você não sua né. Aliás você sua, mas eu acho que evapora tudo antes de molhar a camisa. Foi bem engraçado, a gente andava, subia as dunas, transpirava, sentia que estava transpirando, mas não ficava molhado, a roupa não fedia, não ficava suada. Foi ótimo na verdade rsrsrs. Só ficava suja de areia mesmo, areia pra todo canto, até no última dia da viagem a gente ainda achava areia na mala. Então é essa sensação, de suar e não ficar molhado. A gente fazia xixi no mato, em 1 minuto já tinha desaparecido qualquer rastro de líquido que tinha caído ali. Em relação a temperatura, como eu falei, nessa época do ano - março, foi tranquilo, quente, mas suportável. O guia falou de algumas épocas que tem muita tempestade de areia e atrapalha a visibilidade e do inverno que fica bem frio a noite. Com chuva acho que você não precisa se preocupar rsrs.

IMG_2492.thumb.JPG.b41d434ed1433166f4b9206c87c4c032.JPG

  • Gostei! 1
Link para o post
Compartilhar em outros sites
  • Membros

Oitavo dia (15/03/19) - Cape Town at last

 

Deixando a Namíbia, acabou o passeio pelo deserto, foi maravilhoso. Compramos a passagem de volta para África de Sul pela South African Airways que também serviu comida num vôo de 2h, chupa de novo Latam.

Quando chegamos no aeroporto de Cape Town o LC já estava esperando a gente, ele tinha chegado algumas horas antes já do Brasil e estava virado, mas não compensa ele ir sozinho pro hotel e ficar esperando a gente lá. Então ficou mais virado ainda e esperou a gente chegar no aeroporto mesmo. Tudo certo, nos encontramos. Ele comprou o chip daquela empresa MTN por ZAR 149 e a gente já tinha o nosso da Vodafone. Pedimos um Uber e fomos para o hostel, o 91 Loop que ficava no centro da cidade. Na verdade, a gente tinha escolhido outro, o [email protected] porque era mais próximo do WaterFront, mas com um mês antes ele já não tinha mais quartos com 4 camas disponíveis. Então fica ligado, Cape Town se tornou um destino muito procurado, não só por brasileiros, mas pelo mundo todo e está bastante badalado. Não deixe para reservar seus passeios e hotéis de última hora. Outra coisa foi o dinheiro, a gente ainda tinha muitos rands da troca em Joanesburgo, e resolvemos arriscar e deixar pra trocar com o doleiro na cidade depois.

Chegamos no hostel, deixamos as malas e partimos para o waterfront para passar o fim de tarde e jantar. Em Cape Town, andamos bem mais, sem medo. Eståvamos em quatro pessoas também, só isso já dá uma sensação de segurança, fizemos esse trajeto do albergue para waterfront várias vezes durante a viagem e foi super tranquilo. Andamos ali pelo centro também, na área do albergue, mesmo o pessoal falando pra ter cuidado, é uma cidade que inspira mais segurança. Uma cidade linda por sinal, tem montanha, tem mar, tem ótimos restaurantes, muitas opções e tudo barato. Principalmente a comida, é muito barata. Comemos muito bem todos os dias e um prato completo em um restaurante de respeito ficava por R$ 30.

Foi nessa que escolhemos nosso primeiro restaurante, aí que as coisas começaram a desandar.

Em Brasília, tem uma área num grande hospital da cidade que chama Sala do Viajante e eles explicam os cuidados que você que tem tomar de acordo com o país. O FH foi lá e o médico falou pra ele: vocês vão pra África? Então passem muito protetor solar, passem muito repelente com Icaridina acima de 25, 30%, não bebam água da torneira e não comam nada cru.

Voltando a Cape Town, eu esqueci todas essas recomendações e só via o restaurante chique num clima super agradável do waterfront e pedi um Tartar com caviar, pensei: é hoje que eu vou comer caviar pela primeira vez na vida. Hum que delícia, tinha até um ovo “levemente” cozido segundo tava escrito no cardápio, eu não ia comer o ovo, mas não sei o que me deu, e resolvi comer. Tava tudo ótimo, foi super barato, a minha parte da conta deve ter dado uns 40 reais com Savannas e tudo mais. Tudo ótimo, fomos pro hostel e no dia seguinte já era dia de alugar um carro e ir até o Cabo da Boa Esperança e Boulders Beach, a praia dos golfinhos.

IMG_2493.thumb.JPG.a21ea488acddfa8da2f8d4cbffa83abf.JPG

  • Gostei! 1
Link para o post
Compartilhar em outros sites
  • Membros

Nono dia (16/03/19) - Cabo da Boa Esperança

 

Passamos da metade da viagem. Acordamos cedo, tomamos café, já tive um chamado da natureza (como gosto de chamar o número 2). Fomos buscar o carro na locadora, Europcar, que foi a que tinha o preço mais em conta e tinha uma loja bem próxima do Hostel, dava pra ir andando. Nesse primeiro dia, alugamos um Nissan Almera automático. O LC que ia dirigir. Em termos de espaço interno o carro era ótimo, mas ele achou o carro um pouco fraco. A mão direita é esquisita, ainda bem que era ele que tava dirigindo, tem que prestar muita atenção o tempo todo pra não ir pra contra mão e fazer as curvas pro lado certo. Usamos o GPS do celular, a Gabi era a copilota, outra vez, ainda bem que não era eu, sou péssima nessas coisas. A Gabi consegue ler os mapas e saber as direções muito bem e o LC ama carros e dirigir, então deu tudo certo. Aí partimos rumo ao Cabo da Boa Esperança. Só o caminho já merece várias paradas, é lindo demais, você vai subindo a serra e tendo uma vista cada vez mais linda da cidade, a estrada é costeira então tem o mar de fundo o tempo todo, vale muito a pena. Tem um passeio com aquele ônibus vermelho que vai para o Cabo da Boa Esperança, mas se você tiver como alugar um carro pra poder ir parando e aproveitando essas vistas não vai se arrepender. Claro que seria melhor fazer isso num dia ensolarado né, mas em Cape Town ensolarado não é sinônimo de visibilidade, então tem que estar ensolarado e dar um pouco de sorte também. Como a cidade é cercada por montanhas às vezes as nuvens ficam “presas” nessas montanhas e atrapalham as vistas, então às vezes mesmo com sol vai ter uma nuvem bem no meio da paisagem que você tá tentando ver rsrs, paciência, depois de 30 minutos pode ser que esteja tudo limpo de novo.

Ficamos tão empolgados com a paisagem e o dia lindo que íamos parando em todo lugar bonito que tinha, óbvio que eram muitos. Quando a gente viu já era umas 13h e ainda faltava metade do caminho para o Cabo da Boa Esperança, na volta ainda queríamos passar na praia dos pinguins. Aceleramos o passo e não paramos mais, mas paramos pra almoçar. Ali eu já comecei a me sentir meio estranha, mas normal ainda, de boa. Mais um chamado da natureza, já mole, mas tudo certo.

Comemos e fomos pro Cabo finalmente. Chegando lá, a gente viu que era um parque, a gente não sabia disso. E tudo que começar com Parque Nacional na África do Sul pode saber que você vai ter que pagar pra entrar. Ok, fomos pra portaria e vimos que o preço é a bagatela de ZAR300 por pessoa, R$100?????? A gente ficou de cara, não sabíamos mesmo desse valor, não tínhamos lido em lugar nenhum antes e não estávamos preparados. Mas o fato de ter alugado um carro só pra isso e ter vindo de tão longe só pra isso fez a gente pagar. Já era 3h da tarde e o parque fechava às 5h isso deixou a gente mais indignado ainda rsrs, mas fazer o quê, tá na chuva é pra se molhar. Pior que a entrada do parque é num lugar alto, a visibilidade estava ótima lá de cima, vistas lindas. Mas, chegando no lugar onde fica o marco mesmo, estava péssimo, completamente nublado. Ficamos por ali, disputando lugar com centenas de turistas pra tirar uma foto na placa, mas o bom do parque mesmo é ele inteiro, então quando você for reserve mais tempo, não chegue lá em cima da hora como a gente rsrs. Porque existem vistas maravilhosas de vários locais do parque, que é gigante, existem locais de observação de baleias, deve ser muito legal ver as baleias. Então a dica é, separe bastante tempo para o Cabo da Boa Esperança, chegue lá pela manhã, aproveite e faça valer cada centavo do preço de ingresso no parque. Não é a que a nossa visita não valeu, mas poderia ter sido bem melhor aproveitada. Mas mesmo assim, vimos lugares de tirar o fôlego. Como ainda queríamos ir na praia dos pinguins antes de escurecer, demos no pé. Sorte que nessa época do ano (março) só escurece lá pras 19h. Conseguimos chegar com bastante sol ainda na praia e estava cheia de pinguins. Novamente tem um lugar lá que chama Parque Nacional de alguma coisa, mas pra nossa sorte ou azar já estava fechado. Tinha uma catraca lá no caminho pra entrar numa praia específica, mas ela estava aberta. Entramos, tinha um guardinha mas ele não expulsou a gente, então imaginamos que era ok entrar naquela hora. Ficamos lá, tinha muitos pinguins, eles passam do nosso lado. Foi bem legal, deu pra tirar várias fotos e tentar fazer vídeos engraçådos imitando eles, mas não saiu nada engraçado.

Foi escurecendo e começamos nosso caminho de volta. Paramos no waterfront para jantar, pedi um Surf and Turf e o garçom avisou que às 22h a luz ia acabar, a gente até poderia ficar por lá depois das 22h mas a cozinha só ia funcionar até essa hora então era bom fazer o pedido logo. Fizemos o pedido a tempo e a nossa comida chegou, deliciosa e barata pra variar. Parece que Cape Town está passando por uma crise de água muito grande, em alguns lugares tem um cartaz no banheiro pedindo pra só você dar descarga se for o número 2, e se for xixi deixar acumular alguns antes de dar descarga. Mas, especificamente esses apagões que estavam tendo na cidade, um dos uber que a gente pegou disse que foi por causa do Ciclone Idai que devastou Moçambique, porque a represa que abastece a África do Sul parece que fica lá, não procurei na internet a validade dessa informação, então não vou afirmar aqui que é isso mesmo, só uma teoria.

Lá no Waterfront tem um estacionamento subterrâneo pago que você pode deixar o carro. Não achamos outro estacionamento pelo GPS então colocamos nesse mesmo, mas é barato, menos de R$3 por 2h. Terminamos de jantar e fomos pro hostel, lá a gente não sabia onde poderia deixar o carro, como que funciona o estacionamento por lá. Aí perguntamos na recepção do hostel e ele falou que a gente poderia deixar lá na porta, só dar uma gorjeta pro segurança do hostel que ele ia vigiar pra gente, que maravilha!!!

Mas o estacionamento funciona mais ou menos assim: tem parquímetros e tem tipo uns seguranças com colete laranja por quase todas as ruas da cidade durante o horário comercial, você paga pra eles. Mas durante a noite e nos finais de semana o carro pode ficar estacionado nessas vagas rente ao meio fio sem pagar.

Antes de dormir, mais um chamado da natureza, mole também.

No outro dia, era Garden Route, dois dias pela Rota dos Jardins, num carrão conversível. A gente ia deixar o Nissan e pegar um Mini Cooper conversível pra viajar com estilo né, dividindo por 4 pessoas fica tudo mais fácil.

IMG_2494.thumb.JPG.3b11ae427f96dcd0c74c5391762678bb.JPG

 

  • Gostei! 1
Link para o post
Compartilhar em outros sites

Crie uma conta ou entre para comentar

Você precisar ser um membro para fazer um comentário

Criar uma conta

Crie uma nova conta em nossa comunidade. É fácil!

Crie uma nova conta

Entrar

Já tem uma conta? Faça o login.

Entrar Agora
  • Conteúdo Similar

    • Por felipeffernandes
      Fala galera!
      Estava tentando montar um mochilão pela Europa neste ano, sendo que viajaria com a minha irmã. Mas, com esse lance todo da pandemia e a alta das moedas mais fortes, pensamos num outro destino: África do Sul.
      Pesquisando sobre as atrações e lendo alguns relatos aqui, também despertamos interesse por conhecer a Namíbia. 
      O que não está muito claro pra nós é se seria possível conhecer estes dois países, já que temos um orçamento meio limitado.
      A ideia seria fazer Safari na Namíbia (Etosha), dar um rolê no deserto e seguir para a África do Sul, Cape Town.
      Rola fazer isso? Se sim, quantos dias levaria, no mínimo? E quanto eu iria gastar? 
       
      Agradeco desde já! 
    • Por ms.priscila
      https://feitaprafugir.com.br/roteiro-africa-do-sul/
       
      INFORMAÇÕES GERAIS

      Visto: dispensa de visto por até 90 dias
      Passaporte: deve ter validade de pelo menos 1 mês da data do retorno ao Brasil
      Vacinas:  exige vacina de febre amarela
      Quando ir: o ano inteiro
      Capitais: Cidade do Cabo, a maior das três, é a capital legislativa; Pretória é a capital administrativa e Bloemfontein é a capital judiciária
      Moeda: Rande (R)
      Idioma oficial: 11 línguas oficiais, entre elas o inglês
      Cod. telefone: +27
      Padrão bivolt: 230V
      Tomadas: C, D, M, N
      Principais operadoras telefônicas: vodacom (data), MTN, Cell C e Telkom 
      Empresas aéreas low cost: Kulula, Mango, Fly Safair (não é boa)


      VISÃO GERAL DA ÁFRICA DO SUL
      Os principais lugares para se conhecer na África do Sul são Cape Town, Rota Jardim, Rota Panorâmica, safáris e Johannesburgo, sendo que a rota panorâmica e safáris estão próximos a Johannesburgo (também chamada de Gauteng).
        A Rota Jardim é ruma rota cênica que inicia-se em Cape Town até Port Elizabeth ou vice-versa. No caminho, passa-se por varias cidadezinhas, que guardam seus principais pontos turísticos: Stellenbosh e Franschhoeck (vinícolas), Gansbaai (mergulho com tubarão na gaiola), Outdshoorn (fazenda de avestruz e cango caves), Knysna (the heads), Plettenberg  Bay (Storms River National Park e Reserva Robberg), Tsitsikamma Park (face adrenalin: maior bung jumpee de ponte do mundo).
        A Rota Panorâmica (ou Panorama Route), por sua vez, é um caminho ao longo do Blyde River Canyon, o terceiro maior canyon do mundo, em Mpumalanga, e que guarda paisagens incríveis. Está a apenas 1h30min do Kruger Park. A ideia é fazer o pernoite na cidadezinha de Graskop e reservar um a dois dias para percorrer a região. 


      SOBRE OS SAFÁRIS
      02 dias inteiros de safári são suficientes. Não conte o dia da chegada e da partida; gasta-se cerca de 7h de carro ou 1h de avião. Então isso geralmente soma 4 dias no total: 1 para ir + 2 no parque + 1 para voltar. Quem tem pouco tempo, pode apertar em 3 dias: sai cedo e já faz um safári noturno no dia da chegada + 1 dia de safári inteiro + safári de manhã e partida.
        http://www.feitaprafugir.com.br                
      O Kruger Park é um parque nacional e dentro dele estão vários acampamentos, sendo o Skukuza um dos principais por sua infraestrutura (restaurante, lojas, mercadinho, piscina e museu). Dentro do parque há varias estradas devidamente demarcadas, onde os turistas podem fazer os self drives ou os safáris organizados pelo local.

      Também pode-se optar pelos game reserves, que são estabelecimentos privativos, ao redor do Kruger, e em sua maioria lodges de luxo e, obviamente, mais caros. Neles, diz-se que os safáris são mais rústicos, já que não percorrem as estradas já abertas, como ocorre no Kruger.

      Optamos pelo parque nacional e não nos decepcionamos. Vimos vários animais na beira da pista e quatro dos chamados Big Five, os animais mais difíceis de serem visualizados.

      Melhores lugares dentro do parque: Skukuza, Pretoriuskop.

      Melhores lugares fora do parque: Hazyview, Sabie Sand Game Reserve (Elephants Plains Game Lodge).


      SUGESTÃO DE ROTEIRO 05 dias: Cape Town
      05 dias: rota jardim
      02 dias: Johannesburgo
      03 dias: Safari
      02 dias: rota panorâmica 
      03 dias: Durban (mergulho)


      PONTOS TURÍSTICOS DE CAPE TOWN

      Cidade do Cabo City Sightseeing:
      Preço: R280 (R$81) 2 dias e R180 (R$52) 1 dia

      Restaurante La Colombe (necessita reserva) 

      Degustação de cervejas: Devil’s Peakn, Beer House, Woodstock Brewery

      St. George catedral (ao lado do Company´s Garden)
      Horário: 9-13h
      Gratuito

      Company´s Garden
      Horário: todos os dias de 7-19h (inverno) e 7:30-20:30h (verão)
      Gratuito

      Jardim Botânico Kirstenbosch
      Horário: todos os dias de 8-19h
      Preço: R75 (R$25)
        Jardim Botânico Kirstenbosch

      Long Street (a noite): Bar Beerhouse

      Truth Coffee Roasting – indicado como melhor café do mundo pelo The Telegraph

      V&A Waterfront: complexo de lojas, bares e restaurantes

      Robben Island  
      Horário: 9h, 11h, 13h, e 15h
      Preço: R360 (R$116); obs.: onde Mandela ficou preso (passeio dura 4h); o passeio sai do W&A Waterfront
      Obs.: procure fazer o passeio nos primeiros dias, pois este depende de condições climáticas.

      Boates: Cocoon e Shimmy Beach Club

      Table Mountain
      Horário: todos os dias de 8-13h
      Preço: R360 (R$116); obs.: ir de manhã por causa do tempo
      Obs.: fora o funicular, a Table Mountain possui várias trilhas, que podem ser percorridas em 1h30min, 3h e até 4h. Percorremos a trilha Índia Venster, que durou 3h, com paisagens imperdíveis. Apesar de ser classificada como difícil, esta trilha pode ser feita por qualquer pessoa, que não tenha medo de altura e algum preparo físico.   
      Escalada da Table Mountain

        A Renata Sarzi, do A Dream Overland, classifica as trilhas da seguinte forma:

      Platteklip Gorge Tempo: Pelo menos 1h30 (subida) e 1h (descida)
      Grau de dificuldade (fôlego): Pesado (subida) e leve (descida)
      Grau de dificuldade (técnica e exposição à altura): Leve
      Vista e paisagem: ★★★★★
      Avaliação da trilha: ★★★★★ Chata
      Onde a trilha começa: Tafelberg Rd (na mesma rua do Cableway)
      Custo: $ Gratuito

        India Venster
      Tempo: 3h00 (subida)
      Grau de dificuldade (fôlego): Moderado a pesado (subida)
      Grau de dificuldade (técnica e exposição à altura): Leve a moderado
      Vista e paisagem: ★★★★★
      Avaliação da trilha: ★★★★★
      Onde a trilha começa: Tafelberg Rd (na mesma rua do Cableway)
      Custo: $ Gratuito
      }
       
      Skeleton Gorge
      Tempo: 4h00 (subida)
      Grau de dificuldade (fôlego): Moderado (trilha bem longa)
      Grau de dificuldade (técnica e exposição à altura): Leve
      Vista e paisagem: ★★★★★
      Avaliação da trilha: ★★★★★
      Onde a trilha começa: Jardim Botânico Kirstenbosch
      Custo: $ Entrada no Jardim Botânico (cerca de R60)
       
      Signal Hill (ao lado do bairro Bo Kaap): ir no pôr do sol (estação de ônibus mais próxima é Kloof Nek)
        Signal Hill

      Galileo Open Air Cinema
      Horário: os portões abrem de ter-sex as 17h e sab-dom as 16h; o cinema começa entre 19:30-20:30h; cinema ao ar livre
      Preço: R105 (R$34)

      Gold Restaurant
      Jantar com danças típicas: R380 (R$123)
        Jantar no Gold Restaurant

      Castelo da Boa Esperança
      Horário: tour guiado 11:00 | 12:00 | 14:00 | 15:00 | 16:00; troca de guarda seg-sex de 10-12h
      Preço: R50 (R$17)

      District Six Museum
      Horário: seg-sab de 9-16h
      Preço: R45 (R$15)

      Cape Point
      Horário: 9-17:30h
      Preço: R320 (R$103) e funicular  R85 (R$28 ida e volta) ou R70 (R$23 só ida)
        Cabo da Boa Esperança

      ROTEIRO DIA A DIA EM CAPE TOWN
      Dia 01: The Old Biscuit Mill Market (só aos sábados), Robben Island, V&A Waterfront; cinema ao ar livre; balada a noite

      Dia 02: St. George catedral (ao lado do Company’s garden), Company´s Garden, Castelo da Boa Esperança, Jardim Botânico Kirstenbosch, degustação de cerveja na Beerhouse a noite

      Dia 03: District Six Museum, bairro Ko Baap, Signal Hill (por do sol)

      Dia 04: table mountain, praia de camps bay (fim de tarde) e clifton beach; jantar no Gold Restaurant

      Dia 05: vá por Hout Bay; Chapman’s Peak; Cabo da Boa Esperança; Cape Point; Boulders Beach (alugue um carro)


      VINÍCOLAS
      Groot Constantia (mais antiga vinícola)
      Horário: todos os dias de 9-17h
      Preço: R115 (R$38); obs.: a 15 min de Cape Town
      Stellenbosh (42 minutos de Cidade do Cabo): principal cidade do circuito de vinícolas da África do Sul, Stellenbosh é uma cidade universitária, com um centrinho bonito, agitado e cheio de bons cafés, bares e restaurantes. Existem dezenas de (ótimas) vinícolas pela região.
      Franschhoeck (40 minutos de Stellenbosh): uma cidade bem pequenininha, situada no meio de um vale de montanhas. Bem romântica e ideal para descansar e para quem gosta de vinhos e belas paisagens. Os restaurantes também são muito bons.

      Aqui pode-se encontrar o Wine Tram, um passeio em ônibus e trem, que percorre varias vinícolas da região, dependendo da linha que se escolhe, no momento da compra. São 08 linhas classificadas por diferentes cores e cada uma apresenta diferentes roteiros. Ideal para quem não quer ficar bebendo e dirigindo entre uma vinícola e outra. Esta foi nossa opção e adoramos. 
        Vinícola da rota da Wine Tram

      ROTA JARDIM – Gansaai, Cabo das Agulhas, Oudtshoorn, Knysna, Tsitsikama/Storms River Plettemberg Bay 
      obs.: algumas das informações abaixo foram retiradas do site I Love Trip.
      Gansbaai (1h40min de Franschhoeck) – mergulho com tubarões: esse é o melhor lugar para você fazer o incrível mergulho com tubarão branco da África do Sul. Não deixe de incluir esse passeio no seu roteiro de viagem.  Quanto tempo: manhã. 

      Existem várias empresas que realizam este passeio em Gansbaai, são elas:
      1. Great White Shark Tours
      2. Marine Dynamics
      3. Shark Diving Unlimited
      4. White Shark Ventures (R1750 ou R$488; nossa escolha e super recomendo)
      5. White Shark Projects
      6. White Shark Diving Company
      7. African Shark Eco Charters

      Obs.: caso não seja possível a visualização de tubarões, já que o local é apenas rota para esses animais, algumas escolas disponibilizam voucher para re-agendamento em outro dia.

      Cabo das Agulhas (1h20min de Gansbaai) – o Cabo das Agulhas marca o encontro dos oceanos Índico e Atlântico, estando junto a um Farol, que também pode ser visitado.
        Cabo das Agulhas

      Oudtshoorn (3h45min de Cabo das Agulhas) – muitos fazem um desvio na Garden Route para ir até Oudtshoorn, a capital mundial do avestruz, com diversas fazendas de avestruzes. Esse desvio só vale a pena se você fizer questão e tiver tempo. A principal atração turística da cidade é a Cango Caves, cavernas com tour para visitação.

      Highgate Ostrich Show Farm (fazenda de avestruz)
      Preço: R372 com almoço (R$120); tour parte de 8-16 e almoço de 11-14h

      Cango Caves
      Horário: 9-15:30h; o passeio dura 60 minutos (Heritage Tour) ou 90 minutos (Adventure Tour); a temperatura é de 18o
      Preço: R120 (R$39) ou R180 (R$59)
          Cango Caves

      Knysna (1h40min de Oudtshoorn) – uma das cidades mais importantes para o turismo na África do Sul, Knysna (a pronúncia é “Naisna”) tem um charme e elegância com seus morros de calcário e a lagoa formada pelas águas do Oceano Índico. Um píer charmoso, além de mirantes, passeios e bons hotéis e restaurantes tornam o lugar bastante agradável. Knysna também é conhecida como a capital mundial das ostras.

      Plettenberg  Bay (30 min de Knysna) – uma das principais cidades turísticas da África do Sul que não pode ficar fora do seu roteiro. A cidade praiana é super charmosa, com bons restaurantes e hotéis e vistas incríveis do mar para observação de golfinhos; e ainda, com dois parques imperdíveis. Base para visitação das reservas Robberg e Storms River e para o salto de bung jumpee.

      Reserva Robberg
      Horário: 7-20h
      Preço: R50 (R$16) day acess

      Storms River National Park
      Horário: 6-22h
      Preço: R290 (R$94), incluídos passeio de caiaque, trilha até a ponte suspensa e trilha ao topo da montanha (1h30min).

      Obs.: Você também pode dormir em um dos alojamentos do parque (faça essa escolha como base para visitação da Reserva Robberg, Storms River e bung jumpee).

      Face Adrenalin (bungee jump) – nessa região fica uma das atrações turísticas mais conhecidas da África do Sul, o mais alto bungee jump de ponte do mundo, com 216 metros. O visual é incrível com muito verde e o Oceano Índico ao fundo. Quanto tempo: meio dia.
      Horário: 9-16h
      Preço: R1400 (R$453) + R400 (R$130 foto e vídeo)

      Port Elizabeth (45min de Tsisikamma) – é uma cidade banhada pelo Oceano Índico, colonizada pelos ingleses e com grande valor histórico. Com praias, comércios e vida própria, a cidade é procurada para o turismo na África do Sul e é ponto de partida para iniciar ou finalizar a Garden Route. Se quiser conhecer mais a cidade fique um dia.

      Obs.: em Port Elizabeth, na reserva Dorkin, pode-se visitar a Escultura da Fila da Votação, que marcou a primeira eleição democrática do país, gratuitamente.


      PONTOS TURÍSTICOS DE JOHANNESBURGO É necessário pegar um avião de Port Elizabeth para Johannesburgo (R$350 em 2018).
      Joanesburgo City sightseeing: R320 (R$103) 2 dias e R255 (R$83) 1 dia; Ticket office: Tyrwhitt Avenue pedestrian zone, next to Hamleys; 9-19h

      Museu do Apartheid
      Horário: todos os dias de 9-17h
      Preço: R100 (R$33)
      Obs.: reserve ao menos 3h para visitação.

      Soweto (bairro onde morou Mandela – passeio de bike)
      Preço: R550 (R$178 por 2h)

      Nelson Mandela Square e Sandton City: um grande complexo comercial em uma das regiões mais desenvolvidas de Johannesburgo

      Constitution Hill (prisão onde ficou Mandela)
      Horário: todos os dias de 9-17h
      Preço: R100 (R$33)
      Obs.: contratamos o serviço do guia Ruben, de Moçambique e que fala português. Ele cobrou o valor de R500 (R$140) por pessoa para percorrer os principais pontos turísticos da cidade de 9-16h, com parada para o almoço (não incluído no valor). Contato: +27 73 157 2611 / +27 60 507 4039.


      HOSPEDAGENS DA VIAGEM AVALIADAS POSITIVAMENTE

      Melhores bairros em Cape Town: Green Point, Waterkant e Beira mar 

      Hospedagem em Cidade do Cabo – The Greenhouse Boutique Hotel

      Hospedagem em Ganssai – 28 Kolgans

      Hospedagem em Outdshoorn – Karoo Retreat

      Hospedagem em Plettenberg  Bay – Riverclub Villa 4200 (melhor hospedagem da viagem)

      Hospedagem em Graskop – Blyde Lodge

      Hospedagem em Johannesburgo (pernoite para retorno ao Brasil) – Europrime Guesthouse (café e transfer gratuito)

      Obs.: os carros foram alugados pela rentalcar.


      SAFARI (O QUE LEVAR)

      – Repelente: Use na pele exposta e nas roupas também. O mais eficaz é o repelente à base de dietiltoluamida (DEET). É importante reaplicá-lo a cada 3 horas (no caso de concentração de 20%), 6 horas (concentração de 30%) ou 12 horas (50% de DEET). Atenção! O repelente deve ser aplicado DEPOIS do filtro solar.

      – Use roupas que protejam todas as áreas do corpo, com mangas compridas, calças compridas, roupas soltas, e sempre use meias (sei que às vezes pode estar calor… Mas tente!!!). Pulverize as roupas com permetrina (presente em inseticidas e repelentes) para reduzir o risco de mordida através da roupa. O site Extreme UV vende camisas anti-mosquito e com proteção UV (super frescas no calor).

      – As recomendações são usar roupas de tons pastéis, não usar perfumes muito fortes, não levantar, não gritar e não falar alto, principalmente se estiver próximo dos animais; não fumar. Levar uma roupa de frio, levar óculos escuros, chapéu/boné, repelente e protetor solar. Não esquecer máquina fotográfica e, se puder, um binóculo.


      PONTOS TURÍSTICOS DO BLYDE RIVER CANYON (Rota Panorâmica)

      1. Lisbon Falls: 8-17h; R10 (R$3) e Berlim Falls
      2. Bourke’s Luck Potholes: 7-17h; R63 (R$18)
      3. Three Rondavels: 7-17h; R30 (R$9)
      4. God’s Window: 7-17h; R17 (R$5)
      5. The Pinnacle Rock: 7-17h; R17 (R$5)
       
      Three Rondavels
        Bourke’s Luck Potholes

      Uma dica de restaurante na rota é o Kadisi Restaurant, dentro do Forever Blyde Canyon Resort; serve comida africana e tem uma vista espetacular. O restaurante está ao lado da Three Rondavels.


      MERGULHO EM UNKOMAAS (40min de Durban)
      Para quem pratica mergulho, em Unkomaas é possível mergulhar com os tubarões sem gaiola. A experiência é incrível. Esse mergulho é chamado de Baited Dive.

      Contratamos o serviço da Blue Ocean Dive, que nos fez um pacote com 04 mergulhos (tubarão, naufrágio e dois arrecifes), todo o equipamento, transfer, café da manhã e hospedagem para 02 dias por R$1.500 por pessoa.

      A estrutura do local é absurda. Trata-se de um prédio onde estão alocados o hotel, restaurante e dive center.

      É necessário ser mergulhador avançado com o mínimo de 30 mhttp://www.feitaprafugir.com.brergulhos. Isso porque é realmente um mergulho bem independente. A DM repassa as informações e você cuida de si e do seu dupla dentro da água. 
    • Por MilenaSSoares
      Olá,
      Eu voltei de Cape Town e trouxe alguns Randes de volta, caso você seja da Capital de São Paulo ou região metropolitana me contate.
      Sei que esse ano está difícil e a normalidade de mochilhar por aí, e nossa rotina retome apenas em meados de 2021.
      Espero que estejam seguros e take care!
      WhatsApp: 11 967507797
    • Por Adriana Araújo1502435418
      Salve galerinha do bem ! 
      Satisfação em compartilhar com vcs minha viagem de final de ano no Chile. Eu como uma boa geógrafa e louca por viagens tinha obrigação de ir conhecer o deserto, que afinal tá do lado da nossa casa por assim dizer 🤓.
      Eu passei Natal e Réveillon por lá, vou fazer um resumo dos assuntos relevantes mas se alguém quiser alguma informação só me contatar.
      Bom, eu planejei tudo em 4 meses, comecei com as passagens, hospedagens e pacotes dos passeios. Fechei tudo no Brasil. Embarquei 23/12/19 e fui direto pro Atacama ''c/ escala em Santiago pq n tem vôo direto p lá." Vc tem que chegar a Calama e de lá pegar um transporte para San Pedro " cidade base para quem vai ao deserto". 
      Eu fechei o transfer pelo decolar e deu tudo certo, a propósito fechei os passeios de Atacama com eles tbm. 
      A cidade de San Pedro é bem movimentada e fornece o básico para os viajantes, eu notei muita coisa de indústria brasileira lá nos mercadinhos, os preços em Atacama é BEM salgadinho, principalmente alimentação, as coisas ficam um pouco mais amenas fora de alta temporada, mas segundo o pessoal de lá não é muito diferente. Mas vale estar por lá...
      Existem restaurantes para todos os gostos!! Confesso que não sou apaixonada pela culinária chilena, mas uma coisa que eu ameiss foi o pão de lá... E o chopp, p/ os apreciadores não deixem de experimentar 😋

      Agora falemos então do magnífico deserto 😍
      São diversos passeios que vc pode fazer por lá, o bom do deserto é que a beleza de lá se encontra com todas as estações e tem atrações diversificadas. Eu vou citar os passeios mais marcantes p mim, mas se pretende ir, pesquise os que vc deseja conhecer de acordo com tempo e dinheiro que vc terá. 
      Sem dúvida o que eu mais gostei foi... 
      Ternas de Puritama 
      Olha a vista desse lugar e lá embaixo tem as piscinas termais. É muito interessante porque o sol tá rachando, aí vc pensa que vai tá muito quente p entrar em água com temperatura de 28-30 ° e aí que se encanta... Porque lá embaixo a temperatura cai e fica perfeito.

      O segundo eu destaco...
      Laguna Cejar
      Esse passeio é ideal para ser feito no verão porque a água é bem gelada. Com 40% a mais de sal do que a água do mar, seu corpo não afunda, porém não se recomenda molhar o rosto e tão pouco mergulhar e vc sai coberta de sal.

      E por fim vou destacar...
      Lagunas Altiplânicas e Piedras Rojas
      O lugar e lindo, lindo, o vento, o ar pela altitude, tive que mascar folha de coca p não sentir o ar  rarefeito. Vimos muitas Lhamas por lá foi bem legal, e apropósito a noite acabei indo comer carne de Lhama super tradicional por lá.
      Enfim o deserto é um lugar surpreendente de muitas aventuras e diferentes paisagens, se viagens pra curtir a natureza é teu forte então vc tem que fazer Atacama um dia!
      Agora vamos para  o posto de tudo isso hahaha... Santiago 
      Minha viagem aconteceu quando os protestos no Chile em 2019 já estavam controlados então foi sussa viajar por lá.
      É sabido que estamos falando sobre a capital neoliberal da América do Sul então... Empreendedorismo e modernismo e o foco de lá.
      Cidade agitada com muita comida e balada pra quem gosta. No verão Santiago perde sua maior atração que é o Valle Nevado, porém ele ainda oferece passeios. 
      Tire um dia pra dar um rolê no centro "tipo 25 de Março aqui em Sampa". Vale a pena pra fazer comprar e trazer presentes inclusive o Pisco "bebida típica" de lá rsrs. Vá ao Cerro de Santa Lucía e Mercado Municipal, eu fiz isso tudo no msm dia e o bom que dá pra ir a pé, e confesso que foi o dia mais agradável que eu tive, no final da tarde tomamos chopp e comemos no Mercado ao som de música típica e do zunzunzun de muitas conversas! 

      Depois de ficar ligeramente alegre e rindo a toa 🙈 pegamos Uber que por sinal até o momento não é legalizado mas funciona muito bem por lá, e fomos pro hotel. Falando nisso, o setor hoteleiro de Santiago é muito bom e o melhor é que, se vc procurar bem pode achar preços incríveis. Eu fiquei nesse hotel Maravilhento rs, por um preço ótimo.
      Para finalizar vou resumir os passeios clássico de
      Valparaíso e Viña del Mar
      Cidades costaneiras, na minha modesta opinião... Pura propaganda, não há nada a se perder em visitar, Valparaíso é uma favela antiga, que as imagens falem por si.
      Em Viña del Mar, tem o famoso relógio de flores, restaurantes de frutos do mar em abundância, mas para mim o que valeu foi passear pela orla e por o pé nas águas do pacífico Sul que é gelada demais, isso me fez valorizar nosso litoral top ❤️ e tivemos a sorte de ver leões marinhos  a 1mt. de distância.
      Bom enfim termino por aqui, esse foi meu primeiro relato, e peguei a  minha viagem mais recente, da um trabalho danado escrever sobre isso, então aproveitei o tempo de quarentena pra fazer isso. Esperamos o fim da pandemia para voltarmos a fazer nossas viagens com segurança pelo mundo! 
      Abraços e boa sorte 🙏 
       
    • Por fernandobalm
      Resumo:
      Itinerário: Joanesburgo (África do Sul) – Katmandu (Nepal) – Bhaktapur - Pokhara – Zhangmu (Tibet) – Tingri – Xigatse – Lhasa - Zhangmu – Katmandu (Nepal) - Janakpur - Lumbini – Katmandu - Caminhada até o Lago Gosaikund (Chisapani – Kutumsang - Ghopte - Gosaikund – Thulo Syabru - Syapru Besi - Dhunche) - Katmandu
      Período: 08/09/2003 a 09/11/2003
      Ida: Voo de São Paulo (Guarulhos) a Joanesburgo na África do Sul pela South Africa Airways. Após parada de 4 dias, voo para Mumbai na Índia pela South Africa Airways. De lá voo para Nova Déli pela Air India. De lá voo para Katmandu no Nepal pela Indian Airlines.
      Volta: Era para ser voo da Royal Nepal Airlines até Nova Déli na ïndia e depois pela Jet Airways até Mumbai. Porém o avião teve problemas antes da decolagem, o que me fez permanecer por 6 dias em Katmandu até conseguir um voo direto pela Royal Nepal Airlines até Mumbai na Índia. De lá voo pela South Africa Airways até Joanesburgo na África do Sul e depois até São Paulo.
      Considerações Gerais:
      Depois de tanto tempo não pretendo nem consigo fazer um relato detalhado, pois nesta época eu ainda não registrava detalhadamente as informações, mas vou tentar descrever a viagem com as informações de que lembrar e que considerar mais relevantes para quem pretende fazer um roteiro semelhante ou ter uma base para pesquisar detalhes, principalmente o trajeto, tipos de acomodações, meios de transporte e informações adicionais que eu achar relevantes. Os preços que eu citar serão somente para referência e análise da relação entre eles, pois já devem ter mudado muito.
      Acho que o relato principalmente serve para ideias de roteiros a quem se interessar e também como um relato das experiências vividas.
      Sobre os locais a visitar, só vou citar os de que mais gostei ou que estiverem fora dos roteiros tradicionais. Os outros pode-se ver facilmente nos roteiros disponíveis na internet. Os meus itens preferidos geralmente relacionam-se à Natureza e à Espiritualidade.
      Informações Gerais:
      Em toda a viagem houve todo tipo de clima. Em Joanesburgo fez sol quase todo tempo, com temperaturas amenas, levemente frias de manhã e à noite e esquentando ao longo do dia. No Nepal houve bastante sol, mas também alguma chuva, principalmente em Pokhara. Houve neve no Lago Gosaikund. No Tibet fez sol quase sempre, porém as temperaturas foram um pouco frias ao amanhecer a anoitecer, às vezes esquentando ao longo do dia, mas não muito.
      A população de uma maneira geral foi muito cordial e gentil 👍. Houve vários mal-entendidos devido à língua, ao alfabeto e aos costumes no Nepal e no Tibet, onde quase ninguém falava inglês. Em Joanesburgo houve um episódio em que senti olharem-me com ódio, talvez por minha pele ser branca. Muitos disseram-me para não ir por conta própria para vários lugares, pois poderia ser morto.
      As paisagens ao longo da viagem agradaram-me muito, passando por áreas de florestas, rios, cachoeiras, montanhas e outros . Achei deslumbrantes especialmente as montanhas nevadas, em particular os Himalaias.
      Alguns trajetos de ônibus no Nepal e no Tibet passaram na beira de precipícios bem altos, o que foi um teste para os nervos 😟. Houve muitos problemas com pneus furados. Houve pontos em que os veículos atolaram e vários congestionamentos devido a deslizamentos de terra. Como havia uma guerrilha tentando tomar o poder no Nepal, houve muitas paradas para checagem pelo exército. As viagens foram muito lentas devido a tudo isso. Para entrar no Tibet foi necessário ir em uma excursão até Lhasa, por exigência do governo chinês. Em Joanesburgo recomendaram-me não usar transporte público, sob pena de sofrer violência.
      A viagem no geral foi tranquila. Não tive nenhum problema direto de segurança, mas houve uma decretação de paralisação geral pela guerrilha no Nepal que o exército respondeu decretando toque de recolher. Em Joanesburgo contaram-me a respeito de muitos episódios de violência.
      Quase ninguém aceitou cartão de crédito. Mas consegui fazer saques nas moedas locais usando o cartão de débito Visa Electron. Levei cerca de US$ 1,300.00 em espécie, mas gastei bem menos. Na África do Sul saquei R$ 511,75 e paguei R$ 24,81 de tarifas. Gastei mais R$ 28,05 com cartão de crédito. No Nepal saquei R$ 178,97 e paguei R$ 10,86 de tarifas. Troquei mais uns poucos dólares também. No Tibet saquei R$ 431,68 e paguei R$ 15,97 de tarifas. Acho que troquei alguns poucos dólares lá também. Paguei US$ 129.00 pela excursão para ir ao Tibet. Acho que ao todo gastei cerca de US$ 530.00 a US$ 630.00 na viagem sem contar a passagem aérea. A passagem aérea custou pouco menos de US$ 1,500.00 obtida através da agência Via Aérea (http://viaaerea.tur.br).
      No Nepal achei a comida com muitas especiarias, ardida como pimenta. Como não gosto, tive alguma dificuldade.
      A Viagem:
      Fui de SP (Guarulhos) a Joanesburgo na 2.a feira 08/09/2003 pela South Africa Airways (https://www.flysaa.com). A saída estava prevista para as 18:15. Cheguei em Joanesburgo pela manhã na 3.a feira 09/09. Tive alguma dificuldade de comunicação com alguns atendentes do aeroporto provavelmente devido ao sotaque e ao meu nível de inglês precário. Obtive informações no balcão correspondente do aeroporto e confirmei as informações que tinha lido de que a cidade poderia ser perigosa. No próprio aeroporto encontrei um rapaz e uma moça do hostel Africa Centre (http://www.cheaphotelsandhostels.com/hostel/h-3170/Africa-Center-Airport-Hostel) fazendo propaganda e, analisando as outras opções, resolvi aceitar a oferta deles. Disseram que o hostel ficava numa área muito segura perto do aeroporto. O rapaz comentou que seria perigoso visitar os pontos de interesse por conta própria. Contou relatos de pessoas que haviam sido mortas. Achei que poderia ser exagero para me levar à compra de pacotes.
      Chegando ao hostel, após acomodar-me, fui dar uma volta pelos arredores. Foi possível perceber que havia preocupação com segurança nas várias residências, com placas de resposta armada de empresas de segurança. Um pouco cansado, com um pouco de sono após uma noite no avião e sem ter almoçado, não fui muito longe e depois de andar um pouco, parei numa praça para descansar. Lá um homem pediu-me dinheiro, dizendo que estava com fome, pois não havia almoçado. Como ele me pareceu em bom estado, como não havia nenhum local que eu conhecesse para comprar alimentos por perto e como tenho certa reserva em dar dinheiro, pois nunca se sabe para onde vai, acabei desejando-lhe boa sorte, mas não lhe dei nada. Notei que várias vezes pessoas negras mudavam de calçada quando iriam cruzar comigo. Achei coincidência num primeiro momento. À noite no hostel conheci a dinamarquesa Liz, recém-formada ou acabando a formação na área de negócios, e a inglesa Emma e seu namorado, que pretendiam ir ao Parque Kruger. Consultei também os preços para visitar alguns pontos que desejava.
      Para as atrações de Joanesburgo veja https://guia.melhoresdestinos.com.br/pontos-turisticos-de-joanesburgo-141-1467-p.html, https://www.planetware.com/tourist-attractions-/johannesburg-saf-gp-jo.htm e https://www.lonelyplanet.com/south-africa/johannesburg/attractions/a/poi-sig/355617 . Os pontos de que mais gostei foram os itens históricos, os típicos da África, a mina de ouro e o Museu do Apartheid .
      No dia seguinte, 4.a feira 10/09, bem mais descansado, fui dar uma grande volta pelos arredores para tentar descobrir se seria possível ir por conta própria para o centro e os demais pontos de interesse. Perguntei a cerca de 20 pessoas brancas se seria seguro e unanimemente elas me disseram que não, sendo que boa parte delas disse-me que eu poderia morrer. Achei que poderia ser algum tipo de discriminação e ideia deformada por parte dos brancos. Tentei então procurar pessoas negras para ver a sua opinião. Falei também com cerca de 20 e, para minha surpresa, a opinião deles foi a mesma dos brancos, porém não me lembro de terem me falado que eu poderia morrer. Só disseram para eu não ir, pois não seria seguro. Só houve uma exceção, que foi o vendedor de bilhetes da estação de trem, que disse que eu poderia ir sem problemas. Mas eu resolvi não ir e, apesar dos valores bem mais altos, resolvi ir em excursões coletivas privadas nos dias seguintes. No meio da tarde, quando pedia informações às pessoas sobre caminhos, conversei com uma mulher branca de uns 50 ou 60 anos em sua oficina e ela me disse que não dava para ir a pé ao centro, porque havia muitas pistas só para carros e porque passaria por áreas perigosas. Acho que o marido dela ficou com ciúmes da atenção que ela me deu (pareceu com um enfoque maternal). Falei também com um vigilante negro, que num primeiro momento mostrou-se na defensiva, mas conforme que a conversa foi evoluindo informalmente, tornou-se bastante amistoso e, no fim, estendeu a mão num cumprimento típico. Paralelamente um outro vigia atravessou a rua e veio cumprimentar-me. Desejaram-me longa vida sorrindo. Fiquei bestificado 😲. Este episódio de um branco conversar com um negro sem ser por alguma questão de serviço pareceu-me ser algo raro por ali, um evento. Isso me fez achar aquele estado de coisas infeliz ☹️. Lembrei-me do Brasil, que apesar de toda a questão do preconceito, é um lugar em que sempre tinha convivido com muitos negros e mestiços de maneira amigável, em ambiente de trabalho, escola, esportes, cultura, família etc. Neste dia nadei na piscina do hostel, apesar da água um pouco fria do fim de inverno. Um dos atendentes até me perguntou sobre a temperatura da água. À noite ainda conversei com um dinamarquês amigo de Liz, que me recomendou cautela se fosse tentar ir a algum local por conta própria.
      Na 5.a feira 11/09 fui numa excursão pela manhã, junto com outros estrangeiros, conhecer o centro da cidade, incluindo museu, lojas típicas, praças, prisão em que ativistas anti-apartheid estiveram (incluindo Nelson Mandela) e outros itens. Lembro-me de um alemão, um australiano e talvez algumas alemãs. As pessoas estavam muito temerosas de sair para andar em áreas públicas, especialmente o alemão. Quando fomos ao Parque Joubert (https://en.wikipedia.org/wiki/Joubert_Park), perguntei se poderia dar uma volta, o guia autorizou e eu fui. Só havia negros. Pelos olhos achei que cerca de 20% pareceram muito surpresos e felizes com minha presença, como que a me convidar a ficar à vontade e desfrutar do ambiente. Cerca de 40% pareciam indiferentes e evitavam o contato visual. Outros 20% pareciam não gostar e alguns até pareciam esperar alguma oportunidade de algum delito (até aí nada diferente do que em alguns locais de SP). Porém, o que me assustou foi que havia cerca de 20% que pareciam fazer questão de me olhar fixamente com aparente ódio, sem nunca me terem visto antes. Seu olhar parecia exprimir raiva e, se tivessem oportunidade, acho que cometeriam violência contra mim. Nunca tinha passado por isso. Mesmo em locais onde há crime ou algum tipo de rivalidade no Brasil, nunca tinha sentido alguém olhar-me assim. Fiquei tristemente espantado ☹️. Não entramos na Galeria de Arte porque o tempo era curto e a galeria muito grande. Apenas vi as obras da sala de recepção. Fomos para lojas típicas e para áreas centrais. Andamos um pouco por lá e depois fomos para outra excursão à tarde, com destino ao Soweto. No caminho o alemão, que parecia não querer se aventurar a andar muito longe do guia e em locais públicos, contou a seguinte história, que foi narrada por jornais alemães, alguns dos quais sensacionalistas. Um casal de alemães saiu para assistir um espetáculo de música no centro da cidade à noite. Beberam e depois saíram andando pelas ruas, dispensando o táxi. O homem tinha um relógio no pulso, a mulher tinha anéis nos dedos e um colar. Ele deu uma pausa na história, olhou pela janela, tomou fôlego e continuou. Quando acharam o homem ele não tinha a mão. Quando acharam a mulher ela não tinha nenhum dos dedos e nem a cabeça. Ambos morreram e alguns jornais sensacionalistas publicaram fotos na primeira página. Aí eu entendi porque ele estava tão cauteloso.
      Juntaram-se a nós mais algumas pessoas para o passeio, incluindo um belga e talvez mais uma ou duas alemãs. Começamos o passeio pelo Soweto parando no início do bairro e entrando numa espécie de tenda ou bar de madeira onde se vendia comida típica, um tipo de churrasco, e cerveja. O australiano comprou uma e gostou. Depois fomos conhecer locais históricos, casa de Desmond Tutu, de Mandela, Steve Biko, locais de manifestações, uma ocupação (o que chamaríamos aqui de uma favela em área não autorizada) e uma favela. Na ocupação chamou-nos atenção uma placa do KFC que eles penduraram em uma das casas. Chamou a atenção do belga o fato deles conhecerem David Beckham. Na favela eu perguntei se seria perigoso entrarmos nas vielas e o guia disse que dependia de até onde eu quisesse ir. Achei melhor não ir para não expor o grupo e porque não sabia se havia algo relacionado a algum tipo de crime ali, como narcotráfico. Quando estávamos indo embora, um homem da favela com que eu havia conversado pediu-me comida. Eu não tinha nada na mão e fui ao grupo perguntar se alguém tinha algo. Mas o guia não gostou e falou para irmos embora. Disse: “Não podemos (temos capacidade para) alimentar todos”. Chegamos de volta ao hostel à noite.
      Na 6.a feira 12/09 fui com o transporte da excursão a Golden Reef (https://en.wikipedia.org/wiki/Gold_Reef_City), onde havia uma enorme e típica mina de ouro. Mas fui fazer o passeio só, pois os outros iriam para outros passeios. Havia uma espécie de parque de diversões no mesmo local e, achando que teria bastante tempo, decidi conhecer um pouco dele antes e depois da visita à mina. Foi um grande erro, pois perdi tempo precioso, que poderia ter usado na visita ao Museu do Apartheid. Achei as atrações do parque interessantes, mas parecidas com os parques de diversão que conhecia em São Paulo. Achei a visita à mina espetacular . Nunca tinha visitado uma mina de ouro subterrânea. Achei impressionantes as estruturas, o modo de trabalho, todo o local e o processo. Por não ver, liguei a lanterna na cara de um trabalhador da mina de apoio à excursão enquanto a guia dava explicações e ela logo me chamou a atenção, mostrando o trabalhador, que eu não havia visto porque estava numa área escura dentro de uma estrutura da mina. Após a visita à mina, enquanto passeava pelo parque, vi um prédio grande não muito distante e descobri tratar-se do Museu do Apartheid (https://www.apartheidmuseum.org). Apesar de já ser tarde, apenas 1 hora a 1 hora e meia antes do que havia combinado com o motorista da excursão para me pegar de volta, decidi ir visitá-lo. Gostei muito. Havia muitos ambientes, contando a história da segregação racial no país, desde as guerras entre holandeses Boer e ingleses, do convívio com os zulus, da passagem de Gandhi por lá, até os dias mais recentes (não consegui ver o fim, então não sei exatamente até onde ia). Havia um trecho em que brancos passavam por uma área e negros por outra, de modo que os brancos vissem como eram tratados os negros e como eram os ambientes em que viviam e os negros vissem como eram tratados os brancos e como eram os ambientes em que viviam. Na área dos atentados, torturas e assassinatos promovidos pelo governo, chamou-me a atenção o número de explicações claramente (parecia que até propositalmente, com intuito de intimidar) falsas a respeito de prisioneiros mortos, a maioria enquanto tomava banho (tomava banho, escorregou, bateu a cabeça e morreu, caiu no banheiro e morreu etc). Lembrou-me algumas das explicações da ditadura militar no Brasil referentes a atropelamentos por caminhões, além da dada no caso de Vladimir Herzog. Infelizmente o horário que havia combinado com o motorista da excursão estava chegando e parei na seção de atentados, nos anos 1980. Até tentei propor ao motorista que me pegasse no fim da tarde, mas ele estava levando o pessoal da excursão de volta e não tinha previsão de nova excursão à tarde. Aí disse que não seria possível, a menos que eu pagasse pela gasolina como táxi individual. Eu acabei não querendo e voltei com eles. De volta ao hostel conversei com um espanhol e outro viajante (acho que também era espanhol). Perguntaram-me como ia indo o Lula em seu primeiro ano de governo, conversamos sobre o mundo e sobre os perigos da viagem ao Nepal, que tinha uma guerrilha maoísta.
      No sábado 13/09, perto da hora do almoço, peguei uma transferência, junto com um dos dois espanhóis. Eu estava indo para o aeroporto e ele, se bem me lembro, para o shopping. Na sala de espera para o embarque, vi que havia um grupo de brasileiros indo para a Índia, que perceberam que eu era brasileiro. Eram Fábio, dono de uma empresa de aço e seu irmão ou cunhado. Fomos conversando uma parte do voo e eles, principalmente o Fábio, tinha interesse em esoterismo. Falou-me de sua experiência com vários locais de estudos de filosofia e esoterismo que eu também conhecia. Por coincidência ele era formado na mesma escola que eu, só que em engenharia metalúrgica. Ele me falou que eu era a primeira pessoa que ele conhecia que de fato fazia uma viagem ao Tibet, pois muitos falavam, sonhavam, mas não faziam. Falou-me ainda que era só assistir televisão e ver como era o mundo para se esquecer tudo de que se falava sobre esoterismo nos locais de estudo ou encontro. Achou um pouco forte o tempero da comida e eu lhe disse sorrindo que ele não tinha visto nada ainda 😀. Depois de ter voltado ao Brasil fui jantar na casa dele, conheci sua mulher e filhos e conversamos sobre minha viagem a passeio e a dele de negócios. Chegamos a Mumbai de madrugada, ele lá ficou e eu fui pegar conexão para Nova Déli pela Air India (http://www.airindia.in), morto de sono. Cheguei em Nova Déli no amanhecer. Tive que ficar numa área restrita, pois precisava de um atendente da Indian Airlines (https://en.wikipedia.org/wiki/Indian_Airlines) para me liberar para o novo embarque. Foi uma espera de algumas horas (cerca de 3) não muito agradável. Ainda tive que pagar uma taxa de US$ 5.00, se bem me lembro. Após a liberação fui para a sala de embarque para Katmandu. Conheci uma médica de Médicos Sem Fronteiras, que me deu 3 sugestões de ouro, apesar de algumas óbvias, sobre como enfrentar a altitude. Primeiramente, respirar fundo (inspirando e expirando longamente), depois dormir com a cabeça bem elevada do corpo, não em linha reta e por fim, beber muita água. Estes 3 procedimentos simples ajudaram-me muito e tive muito menos problemas do que em uma ida anterior a regiões altas. Embarquei no domingo no fim da manhã, morto de sono. Havia 3 lugares na fileira em que eu estava, comigo, um russo e um indiano. Eu ri e comentei com eles que era um retrato do mundo. Fomos conversando sobre Moscou, a questão dos atritos entre Islamismo e Ocidente, a Índia e a situação política no Nepal. O indiano disse-me que as montanhas eram seguras, mas para eu não ir ao Terai (https://pt.wikipedia.org/wiki/Terai). Ao longo da viagem perguntei a várias pessoas sobre a situação política e todos disseram-me que a situação estava sobre controle.
      Chegando em Katmandu, no domingo 14/09 no meio da tarde, tirei o visto de entrada no aeroporto. Precisava de uma foto, que a atendente da embaixada da Índia no Brasil (que representava o Nepal) havia me dito. Levei comigo e poupei o preço de tirar a foto no aeroporto. Paguei uma taxa pelo visto (algo como US$ 50.00). Peguei um táxi e fui para a área conhecida como Thamel (https://en.wikipedia.org/wiki/Thamel), onde ficavam os estrangeiros geralmente. Dadas as notícias que havia ouvido, achei a situação até bem tranquila. Um guia recomendou-me um hotel por US$ 6.00 a diária, em que acabei ficando nos primeiros dias, até descobrir que havia outros muito mais baratos. Após instalar-me, resolvi deitar um pouco para depois ir jantar, pois não consigo dormir em aviões e estava bem cansado. Fui acordar de madrugada e acabei decidindo dormir até o dia seguinte 😴.
      Para as atrações de Katmandu veja https://wikitravel.org/en/Kathmandu, https://www.lonelyplanet.com/nepal/kathmandu e https://thingstodoeverywhere.com/visit-kathmandu-attractions.html. Os pontos de que mais gostei foram as stupas, os templos, os prédios e monumentos históricos, as vistas a partir de locais altos e a população local .
      Conversei com um agente de turismo local e ele me deu informações sobre os locais a conhecer no Nepal, os preços, as formas de transporte e as condições gerais do país. Disse-me para não ir para a região de Lumbini, pois havia muitos pontos de checagem do exército nas estradas, o que tornaria a viagem cansativa, além de ser área com muitos guerrilheiros, que não costumavam atacar os turistas, mas pediam dinheiro para que pudessem prosseguir. E tudo poderia acontecer, nada era garantido.
      Na 2.a, 3.a e 4.a feira fui visitar as 3 principais stupas de Katmandu, que eram Swayambhunath (https://www.swayambhunathstupa.org/), Boudha (https://boudhanathstupa.org) e acho que a última era em Patan. Achei as estupas espetaculares , principalmente as 2 primeiras. Gostei mais de Swayambhunath, mas Boudha também pareceu-me muito boa. Além de todo o clima espiritual, a vista lá de cima também era muito boa e ampla. Passei também por templos, monumentos, parques e palácios nas áreas centrais e no caminho para as estupas. Achei que havia um certo clima de tensão devido à guerrilha e à possibilidade de atentados ou talvez eu estivesse precondicionado. A cidade em si parecia-me com trânsito um pouco caótico e com estrutura simples, mas sem extremos de pobreza, apesar de haver mendigos. Acho que uma visão ocidental materialista diria que era bem pobre. Aproveitei também estes dias para obter informações detalhadas sobre a ida ao Tibet, algo que não tinha conseguido no Brasil. Fui ao consulado chinês e obtive as informações necessárias. Se bem me lembro obtive um visto de 15 dias, que era o que o governo chinês oferecia para quem entrava por ali. Fui também a agências de turismo obter informações sobre excursões ao Tibet, posto que o governo chinês não permitia viagens de estrangeiros sem ser vinculadas a excursões.
      Na 4.a feira à tarde correu um boato de que a guerrilha decretaria uma paralisação geral. Quando cheguei ao hotel informaram-me que o rei havia decretado toque de recolher naquele dia e provavelmente nos outros também. Fui jantar e quase me perdi na volta ao hotel. O toque de recolher era as 23 horas e já eram 22 horas e as pessoas andavam rapidamente, num clima de desespero. A atendente de uma agência de turismo em que eu havia ido disse-me que se estivesse na rua após o horário as forças armadas tinham ordem de atirar. Enquanto procurava pelo caminho para o hotel, que era meio escondido, em meio às pessoas correndo, dei de cara com um carro de combate com soldados . Levei um susto, cruzei com eles, mas nada aconteceu. Tentei perguntar para os habitantes locais, mas naquele clima tudo era difícil, além da língua, que eu não sabia falar. Mas achei o caminho e voltei para o hotel aliviado. Esta situação lembrou-me a cena com o desespero da população na invasão da China no filme “O Império do Sol”.
      Na 5.a feira 18/09 perguntei aos atendentes do hotel se poderia visitar pontos de interesse e eles me disseram para não ir longe. Acabei não atendendo o que disseram. Primeiramente fui até a parte antiga da cidade, que achei espetacular . Não tinha ideia da existência daquele conjunto histórico razoavelmente preservado. Depois fui a Bhaktapur (https://en.wikipedia.org/wiki/Bhaktapur) andando. Fui conhecendo os vários pontos de interesse pelo caminho. Gostei também bastante de lá. Novamente achei grandioso o conjunto histórico e arquitetônico . Parecia mais calmo, pois era uma área turística, mas novamente pareceu-me tenso o clima. Um nepalês, que veio conversar comigo, perguntou-me como eu havia chegado lá e quando disse que tinha vindo só e andando, ele ficou admirado e disse que eu devia ser muito inteligente para conseguir chegar (talvez ele devesse ter dito muito louco).
      Na 6.a feira 19/09 fui à última grande stupa que haviam recomendado em Katmandu. Cada uma delas era em direção a um ponto cardeal em relação ao Thamel e esta, se bem me lembro, era para Norte ou Nordeste (talvez fosse Budhanilkantha - https://en.wikipedia.org/wiki/Budhanilkantha). Fui andando. Gostei. Achei-a menor e mais simples que as outras, mas ainda assim achei-a interessante. Passei por templos próximos e fui visitando os pontos de interesse no caminho.
      No sábado e domingo mudei para um hotel mais barato, cerca de US$ 2.00 a diária e fui tentar visitar os templos de Pashupatinath (http://pashupatinathtemple.org) e Guhyeshwari (https://en.wikipedia.org/wiki/Guhyeshwari_Temple). Mas não eram permitidos para não hindus. Na porta de Pashupatinath havia estátuas de deuses e uma placa enorme dizendo que só era permitido para hindus. Mas como eu estava apreciando as estátuas não vi a placa. Olhei para os guardas e eles não falaram nada. Acho que imaginaram que eu era hindu. Alguns minutos após entrar, quando observava uma estátua de Ganesha, um sacerdote brâmane veio até mim e rispidamente perguntou o que eu estava fazendo ali, pois não era permitido para não hindus. Eu fiquei surpreso e disse que não sabia. Ele me conduziu parte do caminho até a porta. Lá, vi a enorme placa e fiquei constrangido 😳. Um outro brâmane passou indo embora e eu lhe falei que era leitor do Bhagavad Gita e gostava do hinduísmo. Ele me disse que isso era bom, mas que eu não poderia entrar. Aparentemente esta norma mudou nos dias atuais. Nos outros templos fiquei mais atento antes de entrar. Em vários pude entrar, sem problemas.
      Apreciei o Dal Bhat, que era um prato típico do Nepal, com arroz, lentilha e legumes (poderia ser também com carne, mas eu sou vegetariano). Parecia nosso arroz com feijão, porém alguns vinham com muitas especiarias, o que os fazia ardidos. Descobri também uma doceria que tinha uma promoção de 50% de desconto no fim da noite, o que me pareceu tornar atraente os preços dos bolos e tortas .
      Perguntei a um judeu onde poderia encontrar um mapa gratuito da região e ele me disse sorrindo “em seus sonhos”, mas completou dizendo que os mapas não eram caros.
      Conheci um outro judeu que também procurava ir ao Tibet. Procuramos juntos por agências de turismo e conseguimos fechar com a mais barata por US$ 129.00 uma excursão de 4 dias, saindo de Katmandu e chegando a Lhasa, com transporte, hospedagem e café da manhã do primeiro dia incluídos. A excursão mais próxima sairia dia 28/09. Ele pareceu um pouco incomodado com o fato de eu pedir informações a qualquer pessoa. Provavelmente em Israel esta prática era perigosa. Ele era agricultor e conversamos sobre a situação de guerra existente em Israel.
      Conheci um outro turista (acho que era europeu) que comentou sobre sua viagem e disse que estava agendado para ir ao Tibet também e me disse que sua chegada estava prevista para 01/10. Comentei com ele que minha previsão era a mesma e imaginei que iríamos na mesma excursão.
      Dada a data da excursão, decidi ir conhecer Pokhara enquanto esperava. Peguei um ônibus na manhã da 2.a feira 22/09 e cheguei no fim da tarde. As viagens costumavam demorar muito porque as estradas eram precárias, havia deslizamentos de terra e havia checagens de segurança feita pelas forças armadas. Nesta primeira, se bem me lembro, não houve muitos incômodos. Fiquei numa espécie de casa de família que tinha alguns cômodos para hóspedes. Alguns turistas estrangeiros que estavam na cidade disseram-me que nem se notava o toque de recolher por ali e que a situação era muito mais calma do que em Katmandu.
      Para as atrações de Pokhara veja https://myownwaytotravel.com/tourist-destination-pokhara-tour-guide/, https://www.lonelyplanet.com/nepal/pokhara e https://wikitravel.org/en/Pokhara. Os pontos de que mais gostei foram as montanhas, os templos, o lago, a vegetação e as vistas a partir de locais altos .
      Fiquei lá até 6.a feira 26/09. Foi difícil ter uma vista limpa das montanhas, pois lá chovia muito e havia muita nebulosidade. Se bem me lembro as informações diziam que o tempo ficava chuvoso mais de 200 dias por ano. Mas em alguns dias houve algumas aberturas das nuvens e no último, principalmente, foi possível uma razoável vista dos picos e das montanhas.
      Num dos dias fui até um templo que ficava no topo de uma montanha e que havia visto lá de baixo. Fui intuitivamente por uma trilha na montanha no meio do mato . Fui perguntando para as pessoas que encontrava pelo caminho, muitas coletando algum tipo de produto agrícola ou fazendo extrativismo vegetal ou mineral. Perguntava por “Buda” e eles (em boa parte mulheres) apontavam-me o caminho. Cheguei a fazer uma marca no chão numa encruzilhada para não me perder na volta. Chegando lá um vendedor ambulante perguntou-me se eu havia vindo pela floresta e me disse que poderia ser perigoso, narrando o caso de um japonês que havia sido morto por estrangulamento ou enforcamento há um tempo atrás. Disse que sozinho era problemático, mas em dois ou mais não havia problemas. Gostei muito deste templo que era a World Peace Pagoda (https://en.wikipedia.org/wiki/Shanti_Stupa,_Pokhara). Gostei muito também da paisagem vista lá de cima e da vegetação ao longo da trilha. Depois de ficar um bom tempo lá, desci por um outro caminho, que passava no meio de uma comunidade local. Um habitante local acompanhou-me parte do caminho, até pegar um atalho para sua casa. Não havia a vegetação espetacular da mata, mas a vista era bela. Nem precisei usar a marca que havia feito no chão.
      Num outro dia fui até um templo que havia no meio do lago. Acho que era o Templo Tal Barahi (https://en.wikipedia.org/wiki/Tal_Barahi_Temple). Fui nadando, o que surpreendeu alguns habitantes locais, pois havia barcos pagos. Deixei minha carteira e passaporte no local em que estava hospedado e fui com calção de banho e camisa. Era próximo, talvez cerca de 100 a 200 metros. Achei bem interessante, simples, mas típico. Ocupava a ilha toda.
      Numa ocasião, perguntando a um rapaz por informações, ele alertou-me sobre ficar andando por lugares desertos, dizendo que havia uma “discussão”, referindo-se à disputa entre o governo e a guerrilha maoísta.
      Num dos dias à noite, fui visitar uma loja de tapetes. Era de muçulmanos e, pelo meu interesse em questões religiosas, para começar uma conversa amistosa, perguntei referente à questão da Guerra Santa não ter sido criada por Maomé. Acho que não foi uma boa ideia, pois eles se empolgaram com a conversa e começaram a falar sobre os muçulmanos, sobre a discriminação que estavam sofrendo após o 11 de Setembro (que estava fazendo 2 anos), chegando a me perguntar se eu achava que tinham 6 dedos por serem muçulmanos. Como eu disse que não era cristão, apesar de ter sido criado numa cultura cristã, creio que quiseram converter-me. Tanto que disseram que iriam chamar um estudioso que teria muito mais argumentos. Mas aí entraram algumas pessoas interessadas nos tapetes e desviaram sua atenção. Eu aproveitei a ocasião, agradeci pela conversa, despedi-me e fui embora.
      Numa noite conheci um japonês num restaurante enquanto jantávamos e conversamos sobre nossas viagens. Comentamos como eram baratos os produtos e serviços no Nepal. Interessante como havia reposição gratuita de alimentos (arroz, lentilhas, vegetais).
      Por várias vezes caminhei por trilhas e estradas com vegetação natural. A vista do lagos, dos cursos de água, das montanhas e da vegetação agradou-me muito. Se bem me recordo foi nesta região que atravessei uma ponte parecida com aquelas que se vê em filmes de aventura, geralmente na África, sobre um desfiladeiro ou uma garganta, feita de cordas e com piso vegetal. Imaginei como seria aquela ponte num dia com ventania.
      Na 6.a feira, quando disse ao dono da casa em que estava hospedado que iria embora no dia seguinte para o Tibet, ele disse que ali era a minha casa e que o Tibet seria caro. Eu sorri, mas prossegui com meus planos.
      No sábado 27/09 voltei para Katmandu para poder pegar a excursão no domingo. A viagem foi lenta e cheguei já de noite. Mesmo assim fui ao local da agência de turismo para confirmar o local e horário de embarque e combinamos que um dos atendentes fosse ao hotel e me acordasse caso eu não aparecesse, pois a saída era cerca de 5h da manhã. Fiquei num outro hotel, com preço semelhante ao anterior ou um pouco mais baixo, se bem me lembro.
      A viagem de ida ao Tibet de 28/09 a 01/10 teve a paisagem que achei mais espetacular em toda a viagem e talvez a mais espetacular que vi na vida , talvez por não estar acostumado a este tipo de vista.
      No domingo 28/09, eu acordei na hora, pois tinha ficado com o horário na cabeça, o guarda do hotel ajudou-me a acordar para não haver perigo de eu voltar a dormir e logo em seguida chegou o atendente da agência de turismo, para não haver nenhum perigo de perder a hora mesmo. Ele esperou por mim e fomos até o ponto onde estavam os veículos. Os agentes de turismo disseram que todos eram geralmente muito gentis, menos o exército chinês. Creio que esperamos ali por cerca de 1 hora ou mais até todos chegarem e podermos partir. Fomos em comboio, creio que também por questões de segurança. Paramos num hotel restaurante cerca de 1 hora depois da partida para tomar café da manhã. O café estava muito bom, pareciam produtos rurais da própria área. A paisagem durante a viagem pareceu-me bonita, com vistas rurais e montanhas. Katmandu tinha cerca de 1.300 metros de altitude e estávamos subindo.
      Após andar mais um pouco chegamos em Kodari, na fronteira com a China. Fomos fazer os procedimentos de entrada. Havia uma diferença horária de 02h15, com a China tendo o horário à frente. Aí entendi porque tínhamos saído tão cedo. Naquele ponto havia uma usina hidrelétrica do lado nepalês e a Ponte da Amizade, que separava os dois países, sobre uma enorme garganta de rio, o que tornava a vista grandiosa. Ficamos algum tempo esperando e depois fomos para uma fila no sol para passar pela ponte. Conheci uma guia turística húngara que sabia falar “Bom dia”, pois já havia estado no Brasil. Quando algumas mulheres mais idosas foram tirar fotos a partir da ponte, um soldado chinês saiu da cabine em que estava e veio dizer que era proibido.
      Ao passar para o outro lado, havia um micro-ônibus e vários outros veículos Land Rover antigos. Eu fui no micro-ônibus com o guia (acho que o nome era Tashi ou semelhante), um casal de amigos canadenses (acha que a moça chamava Hanna), um outro canadense chamado Greg, duas amigas francesas, uma americana chamada Shirley e uma holandesa. Pensei que os procedimentos de imigração haviam acabado, mas estava totalmente enganado. Ficamos esperando em pé ou sentados no chão numa fila para passar por alguns funcionários, que iriam verificar os papéis e provavelmente nos autorizar a entrada. Demorou bastante e o atendimento de alguns não era muito cortês. Numa situação, um deles esmurrou a mesa e gritou com uma turista (acho que europeia) perguntando porque não tinha um determinado papel. Ela respondeu que um funcionário anterior havia provavelmente pego por engano, localizaram o papel e tudo prosseguiu bem. Vi alguns soldados baterem nas costas com uma vara (e acho que era batida de fato, não era brincadeira cordial) em prováveis nepaleses que estavam atravessando a fronteira de volta carregando madeiras ou algo semelhante nas costas, provavelmente por terem descumprido alguma norma, como horário etc. Bateram neles na frente de todos, sem o mínimo constrangimento. Após o demorado procedimento e passar por todos os funcionários, fomos liberados. O guia encaminhou-nos para o hotel. Estávamos em Zhangmu, a cerca de 2.300 metros de altitude. Fomos separados em 2 ou mais quartos, sendo que um tinha vários homens e outro várias mulheres. No nosso quarto havia inúmeros insetos do lado de dentro tentando sair e estava um pouco quente. Mas quando entrei 2 alemães que já estavam lá alertaram-me que não poderíamos abrir a janela, apontando para a quantidade muito maior de insetos do lado de fora, tentando entrar 🦟. Jantei e dormi, morto de sono 😴.
      Na 2.a feira 29/09 tomamos café e partimos para Xigatse. Achei a subida deste dia espetacular , com sua vista das montanhas do Himalaia, várias cachoeiras de degelo, a paisagem dos vales profundos ao longe etc. No meio do caminho houve um deslizamento de terra e a estrada estava interrompida. Tivemos que parar e esperar por algumas horas. Aproveitei para dar uma volta na área. Quando conseguimos prosseguir estávamos bastante atrasados. Passamos por um ponto que permitia ver o Everest, mas o tempo estava encoberto e não pudemos vê-lo. Devido ao horário tivemos que ficar num pequeno povoado chamado Tingri, perto do campo base do Everest. O hotel talvez estivesse em construção, pois não tinha energia elétrica nem água potável. E não tinha quartos cobertos para todos. Os alemães se dispuseram a dormir nos quartos em construção, pois tinham sacos de dormir e disseram que gostavam de acampar. Disseram não falar bem inglês por serem da parte Oriental. Pelo menos jantar tinha. Pedi comida sem carne (sou vegetariano), mas não me entenderam e comi o que veio, que foi sopa com carne. Conheci um casal de brasileiros (acho que eram Marcelo e sua namorada, que acho que se chamava Vanessa). Ele me reconheceu como brasileiro pelo sotaque e pela camisa do Santos que viu quando tirei o agasalho. Falou que tinham feito uma extensão extraoficial para o campo base do Everest, de que tinham gostado, mas que tinha deixado Vanessa indisposta pela altitude (ele ou ela tinham posto o pé num curso de água gelado). Tinha havido algum atrito com um outro turista alemão que estava no mesmo Land Rover, pois aparentemente aquela extensão não era totalmente legal, mas o voto dos 2 e de mais um guatemalteco venceu a disputa para irem. Antes de dormir fui ao banheiro, que era uma casa de madeira fora da construção principal, com uma fossa. Não tinha luz e eu não tinha lanterna. Foi um pouco problemático, mas consegui fazer xixi. Eu segui as recomendações preciosas da médica do aeroporto e senti muito pouco impacto com a altitude, mas percebi que vários outros, incluindo Greg, sofreram bastante 😒. O rapaz canadense passou mal e Hanna parecia aflita procurando pelo guia. Fui tentar ajudá-la a encontrá-lo e conseguimos. No dia seguinte ele parecia bem melhor. Havíamos cruzado uma passagem de montanha de cerca de 5.250 metros e estávamos dormindo a cerca de 4.400 metros.
      Devido ao atraso, chegaram a considerar a hipótese de viajar à noite, mas foi logo descartada pelos riscos. Marcelo comentou comigo também que estava achando aquela paisagem a mais bonita que já tinha visto e que não desejava viajar à noite e perdê-la.
      Na 3.a feira 29/09, com várias pessoas tendo passado dificuldades durante a noite, mas já bem melhores, partimos rumo a Xigatse. Hanna parecia agradecida por tê-la ajudado a encontrar o guia na noite anterior. Ela passava boa parte dos deslocamentos lendo um livro. Posteriormente o rapaz canadense agradeceu muito ao guia por tê-lo ajudado. Passamos por alguns templos, visitamos seu interior, visitamos vilas, pontos típicos, houve até uma praça em que estavam tocando “Lambada”, que me lembrou do Brasil, depois de quase 1 mês distante. Cantei alegremente, embora não fosse meu gênero preferido. Eu continuava deslumbrado pela paisagem, embora agora houvesse mais trechos urbanos. No fim da tarde chegamos a Xigatse. Porém o hotel parecia não ter energia elétrica. Eu e Shirley ficamos conversando com o motorista enquanto esperávamos a definição do hotel, perguntando sobre como se dizia algumas expressões em tibetano. Acho que conseguiram trocar de hotel e tudo ficou bem. Dividi o quarto com um israelense que tinha conhecido no primeiro dia da excursão. Ele estava indo num Land Rover, com um casal de sulafricanos. Um casal de ingleses que tinha ficado muito irritado com as condições de habitação do dia anterior, ficou satisfeito com o novo hotel. Acho que os agentes de turismo não tinham muito controle da situação e não sabiam quem tinha pago por que tipo de hospedagem e serviços. Saí para dar uma volta e quase fui atropelado por uma bicicleta . A ciclovia era enorme e bem larga e havia nas 2 laterais da pista de carros. Eu achei que elas eram mão única e seguiam o sentido dos carros, mas estava enganado e elas eram mão dupla. Não vi que vinha vindo uma bicicleta e o condutor desviou bem em cima de mim 🚲. Depois acho que me xingou em chinês, mesmo comigo pedindo desculpas várias vezes. Fui jantar com o israelense e tivemos alguma dificuldade para pedir, pois as atendentes falavam pouco inglês e os cardápios não tinham descrições detalhadas em inglês. Mas conseguimos comer dumplings momos (bolos de massa recheados). Na volta, quando comentávamos sobre a melhor organização da China em relação ao Nepal e a não existência de pedintes, apareceram várias garotas dizendo repetidamente “I love you” e rimos da ironia do que tínhamos acabado de dizer. Ele me contou dos seus planos de viajar pela China, mas com um guia, pois seria mais confortável, visto a experiência de dificuldade de comunicação que tínhamos acabado de ter no restaurante. Falou-me também de achar as viagens pela Europa interessantes, porém caras.
      Na 4.a feira 01/10 partimos para Gyantse. O motorista, que havíamos visto entrar num hospital, pediu-me comida antes da partida. Eu não tinha nada no momento, mas perguntei aos outros e conseguimos vários biscoitos e outros itens para ele. Não sei se ele gostou, pois acho que não estava acostumado àquele tipo de comida ocidental. Achei estranho, pois imaginei que suas refeições fossem pagas pelos agentes de turismo da excursão. Seguimos e passamos por templos e locais típicos. Eu continuava apreciando muito a paisagem. Chegamos no fim do dia em Lhasa. Lá todos se reencontraram. Foi uma festa. Cada qual seguiu para um hotel. Eu procurei por um barato e paguei cerca de 25 yuans (acho que eram uns US$ 3.00). Reencontrei o judeu com que havia procurado por excursões em Katmandu. Ele acabou ficando em um hotel com o outro judeu que eu havia conhecido na viagem. Marcelo e Vanessa ficaram no mesmo hotel que eu, só que em quarto privativo, enquanto eu fiquei em quarto compartilhado. O casal de canadenses ficou assustado com a possibilidade dos hotéis estarem cheios e rapidamente encontraram um hotel para ficar. Shirley pediu par tirarmos uma foto do grupo. Despedi-me deles e fui para o hotel. Excetuando Marcelo e Vanessa, não voltei a ver os outros mais ao longo da viagem. Ao longo da estadia pessoas de várias nacionalidades compartilharam o quarto comigo, incluindo uma francesa, uma ou mais japonesas e outros europeus.
      Numa ocasião, logo nos primeiros quilômetros em território chinês, um funcionário do governo estava colocando uma espécie de leitor de código de barras na testa das pessoas que passavam, imagino que para medir a temperatura, pois pouco tempo antes havia ocorrido a crise de SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave). Ele apontou para o meu boné, eu não entendi bem, ele deu um tapa no boné, mediu e me mandou seguir rispidamente. Eu fui pegar o boné que tinha caído.
      Num dos dias, durante uma parada saí para comprar pães e vi algo parecido com queijo sendo vendido. Perguntei para a vendedora, que parecia ser chinesa, se era queijo (cheese), mas acho que ela não entendeu, pensou que eu estava rindo e repetiu a palavra cheese. Falei várias vezes e ela repetiu. Resolvi comprar para misturar com o pão. Quando dei uma mordida para experimentar o suposto queijo descobri que era manteiga. Acabei dando para uma pessoa, pois se comece toda aquela manteiga provavelmente teria problemas intestinais.
      Passamos pelo Monte Kailash (https://pt.wikipedia.org/wiki/Monte_Kailash - uma montanha que ficava sempre coberta de gelo – não sei agora com o aquecimento global como está). Paramos e Shirley pediu-me para ficar junto a um iaque para tirar fotos, mas apareceu um menino e pediu dinheiro para ela fotografar e então ela desistiu.
      Houve muitas paisagens de montanhas, cruzamos com um grande rio perto de sua nascente (já estava bem largo), acho que era o Rio Brahmaputra. Passamos também por muitas áreas com as bandeiras típicas do Tibet e os totens xamânicos feitos de pedras empilhadas. Houve alguns trechos em que havia camponeses e iaques, mas o número de pessoas fora dos núcleos urbanos era muito pequeno. Houve pontos de passagens bem altos, com belas vistas. Passamos também pelo grande lago Yamdrok, cuja vista foi espetacular .
      Conversando com Shirley durante a viagem descobri que ela estava se formando em engenharia de computação, mesma formação minha 10 anos antes, e conversamos sobre o assunto e plataformas usadas no trabalho. Ela disse que desejava entrar para a Marinha. Eu perguntei se não achava perigoso, se não teria melhores oportunidades na iniciativa privada (se bem me lembro ela era da Califórnia, perto do Vale do Silício). Mas ela estava decidida. As francesas conheciam bem a América do Sul, falaram sobre a semelhança de alguns locais com Cochabamba e se dispuseram a me ajudar a aprender francês. Caçoaram de mim porque eu sempre conseguia achar lugares onde se vendia pães frescos. A holandesa teve algum tipo de desarranjo intestinal e precisou pedir para o ônibus parar várias vezes para ir ao banheiro. Sempre pedia desculpas e algumas vezes criticava a sujeira dos banheiros.
      Conversando com o casal de sulafricanos sobre os problemas das caminhadas referentes à guerrilha, disseram-me que haviam pedido dinheiro a eles para que pudessem prosseguir em uma caminhada que tinham feito nas montanhas. O homem disse-me rindo que não sabia se eles poderiam matar quem não desse dinheiro, pois ele havia pago. A mulher disse que basicamente era uma extorsão.
      Depois que entendi que o guia não sabia exatamente quem tinha pago o que, como eu me lembrava de ter comprado o pacote mais barato, sem guia, passei a não acompanhá-lo mais nas explicações e fazer as visitas por conta própria. O israelense até comentou comigo numa das ocasiões que eu estava circundando um monumento no sentido errado, e que isso não era educado.
      Marcelo contou-me que perto da chegada à Lhasa, as pessoas do Land Rover em que estavam desentenderam-se. Disse que o alemão o havia ofendido. Disse que ele era radical e que o guatemalteco era folgado e isso tornava a situação difícil. Ele e Vanessa tinham levado um filtro para a viagem o que os fez economizar bastante dinheiro com água.
      Para as atrações do Tibet e Lhasa veja https://www.tibettravel.org/top-attractions/, https://www.greattibettour.com/tibet-attractions, https://www.tibetdiscovery.com/lhasa-travel/things-to-do-in-lhasa/ e https://www.lonelyplanet.com/china/lhasa/attractions/a/poi-sig/356124. Os itens de que mais gostei foram os mosteiros não turísticos, a arte religiosa, os locais originais da cidade e a Natureza .
      Na 5.a feira 02/10 comecei a explorar Lhasa. Tinha acabado a vinculação à excursão exigida pelo governo chinês e eu estava livre para conhecer a área. Pontos fora da área de Lhasa precisavam de autorizações especiais do governo e excursões específicas com guias credenciados pelo governo. Fiquei hospedado lá até aproximadamente dia 13/10. Inicialmente fui aos guias de turismo (um chinês e um tibetano) que trabalhavam no hotel perguntar por sugestões de pontos a conhecer. Deram-me várias, indicando quais eram livres e quais precisavam de motoristas, guias e excursões. Alertaram-me que se fosse pego pelo exército em áreas não permitidas teria grandes problemas. O guia chinês até me disse que se realmente quisesse ir numa área não permitida era só pagar uma determinada quantia, algo que o tibetano imediatamente desaconselhou e disse que não era possível. Como eu não suborno ninguém, nem considerei esta proposta.
      Fui ao Palácio de Potala (100 yuans, aproximadamente US$ 12.50 de entrada), ao Templo Jokhang, ao Museu Tibetano, a vários outros templos e áreas naturais da cidade. Depois e paralelamente também, fui a templos e locais próximos, como Tsurpu, o Mosteiro de Tar e vários outros mosteiros. Tentei ir a um lago com um casal de europeus, mas não deu certo. Achei vários dos mosteiros indicados muito orientados ao turismo e, por isso, tentei conhecer outros não tão famosos, porém mais autênticos no tocante à vida espiritual. Na maioria destes fui junto com peregrinos.
      No dia em que fui ao Mosteiro de Tar em Dolma Lhakang, pedi informações para vários chineses e não consegui. Um tibetano ouviu-me e disse que sabia onde era e poderia dar-me uma carona até lá. E realmente, deixou-me na porta. Não sei se ele estava indo até lá ou fez aquilo por cortesia. Passei o dia inteiro lá cantando mantras. Fui muito bem recebido pelos monges. Acostumado ao ambiente mercantil dos mosteiros turísticos, gostei muito da diferença. Ajudaram-me na pronúncia dos mantras. Recusei educadamente a refeição e os adornos que me ofereceram, agradeci por toda a hospitalidade. Quando já havia atravessado a rodovia para tentar pedir carona, um monge mais jovem perguntou-me se não daria dinheiro. Achei que destoou de todo o ambiente, mas resolvi ignorar. Depois de tentar algum tempo, um caminhoneiro parou e me ofereceu carona. Fui na cabine com ele e seu ajudante. No meio do caminho furou um pneu, mas ele não quis que eu ajudasse na troca. No fim, ofereci-lhe pagar pela carona, mais de uma vez, mas ele não quis de jeito nenhum, repetindo na última oferta, já com a voz um pouco mais alta “No money”.
      Perto do fim da minha estadia, conversando com uma alemã que havia conhecido dias antes, sabendo que ela poderia ir ao Mosteiro de Tar, pedi que ela fizesse uma doação, pois havia gostado muito da espontaneidade espiritual de lá. Ela pegou o dinheiro, mas devolveu-me um ou mais dias depois por ter decidido não ir.
      Em alguns deslocamentos para mosteiros ou atrações passamos por subidas e descidas íngremes na beira de precipícios em ônibus algumas vezes superlotados. Lembro-me de um em que o ônibus estava lotado e eu fiquei ao lado (quase em cima) do câmbio. Havia uma mulher com um nenê de colo perto. Achei a situação bem delicada 😟. Mas chegamos lá embaixo de volta sem problemas. Abstraindo-se a preocupação, a paisagem pareceu-me espetacular .
      As visitas quando eram com peregrinos precisavam acompanhar o ritmo deles. Eu geralmente gosto de ficar lendo e observando tudo, mas os peregrinos geralmente iam fazer oferendas num altar e depois seguiam para outros. Perdi a visita a um templo numa das primeiras vezes, mas depois adaptei-me ao ritmo. Muitas vezes os guias dos mosteiros não pareciam muito corteses, talvez por não estarem acostumados a estrangeiros na visita ou não gostarem da ideia de visita de pessoas que não fossem peregrinas associadas à religião. Num mosteiro de monjas lembro-me de ter conversado com uma delas, que me ofereceu uma laranja, dizendo que aquele dia era feriado (ou domingo)
      Achei as paisagens espetaculares nos vários deslocamentos de ônibus e mesmo quando andei a pé por Lhasa. As montanhas nevadas, os vales e as vistas encantaram-me .
      Achei um pouco frio, principalmente à noite, de manhã e nos lugares mais altos, onde às vezes chegávamos cedo. Mas geralmente à tarde, quando abria o sol, a temperatura ficava bem mais razoável (em torno de 20 C).
      Na visita ao Templo Jokhang, uma oriental (acho que era coreana) fez um gesto que me pareceu querer espaço livre para tirar a foto de um dos monges. Mas quando eu saí de cena, ela pediu para eu voltar, pois queria tirar a foto de um ocidental também. Talvez nunca tivesse visto um 😀.
      Numa das noites Marcelo foi conhecer o quarto compartilhado em que eu estava (acho que ele não estava acostumado a hostels) e achou interessante. Falou-me num dos dias que ele e Vanessa tinham ido ao Mosteiro de Samye sem ser numa excursão e que na volta ninguém lhes dava transporte. Passaram ônibus que não os aceitaram. Ele ficou apreensivo com a situação. Aí apareceu uma excursão de europeus (acho que eram alemães) e eles conseguiram integrar-se a ela para voltar. Ele me alertou para o caso de eu ir visitar Samye. Falou-me também que tinham pedido para tirar uma foto dele e, quando comentei sobre o ocorrido com a coreana comigo, ele comentou “Será que somos tão feios assim?!” 😀.
      Muitas vezes o preço das passagens de ônibus não era claro (uma chinesa ou oriental comentou isso comigo), ainda mais para mim que não entendia a língua. Creio que paguei a mais numa das vezes. Neste dia, enquanto esperava a partida do ônibus, reencontrei uma mocinha francesa que havia conhecido no hostel. Ela ficou surpresa por eu estar pegando o mesmo ônibus que ela. Mas quando chegamos ela foi com seu grupo fazer uma caminhada pelas montanhas e eu fui visitar os mosteiros e locais de peregrinação.
      Eu tive vários problemas de comunicação. Numa das primeiras noites, entrei num restaurante chinês, fui até uma samambaia e peguei em uma de suas folhas para explicar que não comia carne. Pelo menos desta vez entenderam e me trouxeram macarrão com legumes. Porém trouxeram palitos, que eu não sei usar. Não tinham garfo e faca e me trouxeram uma colher. Depois de muito tentar eu usei a colher como um bastão e enrolei o macarrão nela. Quando levantei a cabeça para levá-lo a boca, percebi que havia várias pessoas ao meu redor, rindo da minha falta de habilidade com o assunto 😀.
      Num fim de tarde em Lhasa, quando eu procurava por algo para jantar, houve um mal-entendido com uma ambulante vendedora de comida. Eu perguntei se ela tinha pizza e ela não sabia o que era pizza. Pensei que pizza fosse um nome universal. Tentei explicar fazendo gestos, mas ela não entendeu. Aí procurei ser mais enfático e fazer um círculo pequeno com as mãos no formato de uma pizza. Eu acho que ela entendeu que eu estava interessado em alguma experiência sexual. Pegou a espumadeira ou algo semelhante que estava usando para cozinhar e fez gestos ríspidos para mim, falando palavras em voz alta. Eu me retirei e fui comprar outra coisa 😀.
      Numa visita a um mosteiro, os monges estavam meditando e eu estava de tênis. Para participar da meditação precisei tirar o tênis, mas depois de andar por vários dias em locais com terra e neve, acho que estava com enorme chulé . Um dos monges fez um gesto com a mão no nariz, típico de mau cheiro. Eu me retirei meio constrangido e recoloquei o tênis 😳.
      Os viajantes e comerciantes chineses pareceram-me muito gentis, diferentes do exército. Alguns turistas sabiam falar inglês e tinham curiosidade sobre o Ocidente. Porém não conheciam atrações religiosas nem históricas do Tibet.
      Numa ocasião eu não pude conhecer uma determinada atração (acho que era um templo ou mosteiro) devido ao horário. Voltei no outro dia e falei com o atendente, que depois de me perguntar se eu estava falando a verdade, ainda que meio desconfiado, permitiu-me entrar sem pagar novamente.
      Eu paguei por uma pequena extensão de 3 ou 5 dias para poder ficar um pouco mais, pois o Tibet era meu principal destino nesta viagem. Mas acabei não aproveitando muito devido às dificuldades de conseguir transporte de volta. Acho que foi devido a isto que fui ao banco fazer um pagamento de taxa e o atendente chinês caçoou da minha foto risonha no passaporte.
      O ônibus da agência de turismo que nos havia trazido estava previsto para sair dia 3 e acho que havia outro no dia 10 (não me lembro exatamente, acho que os ônibus saíam às 6.as feiras). Porém eu queria ver mais atrações e não quis pegá-lo. Com isso precisei procurar um outro transporte, o que não foi nada fácil.
      Como não havia ônibus disponíveis, tentei pegar carona com caminhoneiros provavelmente no domingo 12/10. Fiquei mais de 1 hora tentando, mas nenhum aceitou. Eu não sabia que era proibido levar estrangeiros. Alguns guias haviam dito que era possível. Tentei então falar com pessoas com Land Rover, mas não obtive sucesso.
      Procurei por vários agentes de turismo para ver se havia algum transporte saindo naqueles dias. Num hotel uma recepcionista indicou-me para um que disse saber de transporte para voltar, ligou para ele e me colocou na linha. Ele disse que seria possível eu ir. Eu não entendia direito o que ele falava, as informações pareciam desconexas e eu me irritei e até elevei um pouco a voz. Ele disse que viria falar comigo e em poucos instantes chegou. Aparentava estar alcoolizado. Começou a me explicar sobre a viagem e a certa altura explicou que seria à noite. Achei muito estranho e perguntei porque. Aí ele disse que era porque era ilegal e teríamos que sair do veículo perto dos pontos de checagem do exército, ir pela montanha até o outro lado e depois voltar ao veículo. Aí eu entendi o que ele estava propondo. Disse-lhe então que não tinha nenhum interesse. Antes de ir embora fui pedir desculpas para recepcionista do hotel por ter elevado a voz na recepção do hotel.
      Descobri então que precisava de uma permissão de viagem para poder fazer aquele trajeto. Agora entendi porque os caminhoneiros não tinham parado nem os veículos Land Rover aceitavam-me como passageiro. No dia seguinte fui até o escritório do governo obter a permissão de viagem, através do pagamento de uma taxa. E quem era o sub-encarregado que chegou durante a emissão da permissão de viagem? O mesmo agente que no dia anterior havia proposto para mim a viagem ilegal. Aí eu entendi como ele sabia todos os procedimentos para escapar dos pontos de controle ao longo do trajeto. Ele ainda riu e me cumprimentou. Eu lembrei da corrupção existente no Brasil ☹️.
      De posse da permissão de viagem, acho que na 2.a feira 13/10 fui até a rodoviária ver se encontrava algum transporte e havia uma van 🚐 que me indicaram. Mas na frente da van só havia letreiro em chinês. Eu estava sem caneta nem papel. Fui até o painel central da rodoviária e decorei cada caractere escrito e fui confirmar no letreiro da van. Fui do painel da rodoviária até a plataforma de embarque da van tantas vezes quanto o número de caracteres da palavra, uma ida para cada caractere, de modo a não ocorrer nenhum erro. Ainda fui mais algumas para confirmar e garantir. Com grande dificuldade, consegui comunicar-me com o motorista chinês e entender destino, preço, horário e condições de viagem. Ele chegou a tirar minha mala da van por achar que eu estava pedindo algo incompatível com a viagem. Fomos apertados por boa parte da viagem, até algumas pessoas desembarcarem. Devido aos mal-entendidos de comunicação o motorista e sua mulher estavam irritados comigo no início, mas ao longo da viagem, depois que ofereci biscoitos a todos e convivemos um pouco, a irritação passou. Consegui ver o Everest 🏔️, pois desta vez o céu estava limpo. Eles não pararam, pois a viagem não era turística, mas deu para ter uma boa ideia da montanha, embora meio apertado e sem jeito na van. Em um posto de controle, um guarda parou o carro, fez um monte de perguntas a todos, olhou suas bagagens e quando chegou a minha vez e lhe perguntei mansamente em inglês em que poderia ajudá-lo, ele se assustou por eu ser estrangeiro e não me revistou. Os outros pareceram falar rindo que o melhor seria dar para mim suas bagagens, pois os guardas tinham receio de fazer qualquer procedimento. Já perto do anoitecer furou um pneu e o motorista trocou. Até me ofereci para ajudar, mas ele não quis. A parte final do percurso foi à noite, justamente a descida mais íngreme, o que me pareceu um pouco assustador em meio àqueles precipícios. Deixaram-me em hotel de uma conhecida ou parente, que custava 100 yuans. Ela fez o sinal de 1 e eu pensei que fosse 1 yuan, mas estava enganado. Mesmo com ela aceitando negociar, fui procurar outro e acho que paguei 25 yuans. Um guarda pediu-me a permissão de viagem no fim do trajeto. Foi a única vez que foi pedido. Dormi em Zhangmu.
      Acho que na 3.a feira 14/10, fora do prazo do visto inicial, mas dentro da extensão que havia conseguido, fiz a viagem de volta para o Nepal. Saí de manhã e fui a pé. Os taxistas passavam por mim caçoando por eu estar indo a pé. No meio do trajeto parei para descansar um pouco e admirar a paisagem e esqueci o boné. Depois de já ter andando bastante (cerca de meia hora) sentia a falta do boné e voltei para pegar. Cheguei em Kodari, no Nepal, perto do meio dia (agora o fuso horário estava a meu favor). Peguei um ônibus que acho que iria até um ponto intermediário para pegar outro ônibus para Katmandu. Estava havendo uma discussão entre os passageiros e os donos do ônibus sobre o preço da passagem. Fiquei feliz que riram e pareceram entender-se e perguntei a um dos passageiros a meu lado o que tinha ocorrido. Aí ele me explicou que haviam concordado no preço da passagem e que de mim (o estrangeiro) seria cobrado bem mais 😠. Não gostei muito da ideia, levantei-me e disse que pegaria outro ônibus para outro lugar. Num primeiro momento não concordaram em que eu pagasse o mesmo dos outros, mas quando levantei em direção à porta mudaram de ideia e paguei o preço regular da passagem. Viajamos a tarde toda. Furou o pneu uma ou mais vezes (acho que foram 3 vezes, uma vez cada pneu). Cheguei em Katmandu à noite.
      Na 4.a feira 15/10 acho que fui para Janakpur. Havia deslizamento de terra e ficamos parados por muito tempo. Num dos locais de parada, quando desci, o motorista do ônibus pediu-me para voltar para o ônibus e partimos. Pareceu estar com medo de um estrangeiro chamar a atenção de pessoas que faziam parte da disputa política. Lembrei-me da frase do indiano, quando conversávamos sobre a situação política, dizendo para eu não ir ao Terai, e do agente de turismo dizendo para eu não ir à região de Lumbini. Mas eu queria conhecer Lumbini, cidade natal de Sidarta (Buda) e resolvi arriscar. Acabei não conseguindo chegar ao destino, devido ao enorme atraso e precisei pernoitar numa cidade no meio do caminho. Conheci um oficial do exército israelense de férias, após terminar o serviço militar obrigatório. Acabamos dividindo o quarto para pagarmos menos. Eu ainda fui tentar sair para jantar, mas naquela área havia toque de recolher às 20h. Perguntei até a um soldado como faria para jantar se o toque de recolher era tão cedo e ele me disse, com um certo tom de deboche, mostrando-me um pacote de biscoitos, que eu poderia comer biscoitos. Voltei ao hotel e resolvi jantar lá mesmo. Depois fiquei conversando com o israelense. Ficamos olhando da sacada do quarto e ele comentou que estava ouvindo tiros ao longe, que eu não ouvi. Ele disse que talvez fosse só impressão, mas que ele conseguia distingui-los por estar acostumado. Disse que era estranha para ele aquela experiência, pois várias vezes já tinha tido que comandar toques de recolher e agora ele tinha que obedecer um. Eu nada disse, mas pensei “Está vendo como os palestinos sofrem!”. Ele me falou de uma caminhada que havia feito pelas montanhas, até o Lago Gosaikund. Ao perguntar sobre problemas com guerrilheiros, ele me disse que algumas pessoas disseram que eles cobrariam dinheiro em vários pontos, mas que não havia aparecido ninguém durante sua caminhada. Disse que a trilha era tão clara no chão que nem era necessário mapa. Eu achei muito interessante, e como ainda teria tempo, considerei a possibilidade de fazê-la. Ele me ofereceu o mapa, eu educadamente recusei, mas ele disse que não usaria mais e não haveria problema em me dar. Disse que havia sido muito bem tratado em vários locais por brasileiros e argentinos e esperava pela oportunidade de retribuir. No dia seguinte, quando acordei ele já tinha partido e tinha deixado o mapa para mim.
      Fui então para Janakpur. A cidade em si parecia tranquila, longe daquele clima tenso do trajeto e de Katmandu. Havia muitos templos e edificações religiosas. Gostei bastante de lá . Mostrava uma outra face do Nepal, hindu, simples, como um povoado interiorano. Numa tarde fiquei contemplando a paisagem sentado numa praça, após ter visitado vários locais.
      Para as atrações de Janakpur veja https://www.holidify.com/places/janakpur/sightseeing-and-things-to-do.html e https://www.lonelyplanet.com/nepal/the-terai-and-mahabharat-range/janakpur. Os itens de que mais gostei foram os templos, alguns integrados com atrativos naturais .
      Acho que foi no sábado 18/10 que fui para Lumbini. Viajei durante todo o dia e cheguei lá no fim da tarde. Desta vez o tempo gasto com deslizamentos foi um pouco menor e a viagem pode ser concluída no mesmo dia. Procurei um hotel para ficar e um dos recepcionistas de um deles foi muito afoito, querendo que eu ficasse a qualquer custo. Resolvi então ficar em outro. Saí para dar uma volta e quando voltei o recepcionista havia me mudado de quarto sem me consultar, pois tinha chegado uma família (acho que era de judeus) e ele cedeu meu quarto para eles. Apesar de não ter gostado de não ter sido consultado, eu aceitei sem problemas. Fiquei no mesmo quarto com o motorista da família. Ele era indiano e conversamos bastante sobre a Índia e a situação geopolítica na região.
      Para as atrações de Lumbini veja https://nepalecoadventure.com/lumbini-attractions-in-lubmini/, https://www.lonelyplanet.com/nepal/lumbini/attractions/a/poi-sig/357154 e https://www.welcomenepal.com/places-to-see/lumbini-nepal-birthplace-of-buddha.html. Os itens de que mais gostei foram os templos budistas reunidos, cada qual de uma origem ou linha .
      Havia uma espécie de parque onde cada linha do budismo tinha um templo. Achei maravilhosa a ideia. Foi bastante interessante notar como as imagens de Buda eram diferentes e parecidas com as características da população de onde era o templo. No templo chinês Buda parecia um chinês, no templo japonês Buda parecia um japonês, o mesmo no tailandês, no indiano, no tibetano e assim por diante. As pessoas projetavam-se fisicamente no seu líder (ou na sua divindade para alguns). Gostei também de conhecer o sítio histórico onde Sidarta nasceu e cresceu. Havia também um templo que achei maravilhoso, a World Peace Pagoda. O motorista da família pareceu ter ficado deslumbrado com este templo.
      No dia de vir embora, o recepcionista do hotel falou-me que eu tinha que pagar uma taxa adicional de serviço que ele não havia dito. Queixei-me por ele não ter falado no início, paguei e me arrependi de não ter ficado no outro hotel.
      Acho que na 3.a feira 21/10 peguei o ônibus de volta para Katmandu. Novamente a viagem foi longa e com várias checagens de segurança por parte do exército. Cheguei em Katmandu no fim do dia.
      Numa das viagens paramos num local na estrada para comer, eu pedi uma espécie de salgado bem pequeno, pois não me dava bem com toda aquelas especiarias e pimenta. O atendente vendo que eu era estrangeiro e querendo agradar-me colocou por conta própria um pouco de recheio apimentado. Eu sorri e agradeci 😀. Numa outra ocasião um jovem soldado (quase um menino) que entrou no ônibus para fazer uma inspeção perguntou-me algo em nepalês. Eu respondi em inglês que não falava a língua dele, ele não entendeu, os outros passageiros explicaram e ele se foi. Em outro trecho veio um camponês bem simples a meu lado. Acabou dormindo no meu ombro. Numa das paradas bebeu a água oferecida no restaurante na própria jarra. Parecia não estar acostumado a áreas urbanas.
      Fiquei no mesmo hotel em Katmandu. Quiseram até me cobrar mais, mas quando disse que então daria uma volta para procurar por outras opções, voltaram ao preço anterior. Numa das minhas passagens por lá um menino que lá trabalhava perguntou se eu não queria que lavassem minhas roupas, pois estavam sujas. Como ainda tinha uma semana e meia antes da volta, decidi fazer a caminhada pelas montanhas. Pedi ao gerente ou dono que guardasse o dinheiro em espécie que tinha comigo, pois muitos haviam relatado que nas montanhas poderiam haver guerrilheiros que iriam pedir dinheiro. E como eu tinha errado na conta, estava com bem mais dinheiro do que precisava. Ele guardou US$ 800.00 em seu cofre, sem cobrar taxa nenhuma e me deu um recibo. Um dos atendentes ofereceu-me um gorro, pois achou que eu não estava adequadamente preparado para ir às montanhas.
      Para informações sobre a caminhada para o Lago Gosaikund veja https://en.wikipedia.org/wiki/Gosaikunda e https://www.nepalsanctuarytreks.com/gosaikunda-best-time-to-visit-cost-and-weather.
      Na 4.a feira 22/10 peguei um ônibus para perto do Parque Chisapani para começar a caminhada. Eu estava começando pelo lado contrário ao da maioria, mas optei por fazê-lo porque o ponto de início era bem mais próximo de Katmandu. Paguei a entrada e comecei a caminhada. Parei no povoado de Chisapani (acho que o nome era o mesmo do parque) antes do anoitecer. O mapa que o israelense havia me dado estava sendo bem útil. Lá conheci vários outros caminhantes, mas acho que todos pretendiam ir para outros destinos, a maioria para Langtang. Conversei bastante com um irlandês, que trabalhava nos Emirados Árabes. Falamos sobre a caminhada e temas gerais. Ao falar da minha preocupação com possíveis problemas com a guerrilha ele me disse para ter cuidado, posto que eu estava indo só e sem guia. Falou que não queria ver-me nos noticiários 😀. Se bem me lembro foi aqui que conheci um grupo de alemães (acho que eram 2 mulheres e 2 homens, provavelmente 2 casais), que iriam fazer parte da caminhada comigo. Um dos alemães caçoou de mim ao longo da caminhada, dizendo que eu era um viajante profissional, pois minha mala era muito menor do que a deles e eu ia mais rápido. Falaram até em viajarmos juntos, mas eu lhes disse que nos encontraríamos ao longo do caminho. O dono do hotel em que eu tinha ficado falou que naquelas áreas era costume comer onde se dormia, mas eu acabei saindo para comer em outro restaurante. Acho que a altitude era por volta de 2.215 metros.
      Na 5.a feira 23/10 não sabia bem onde deveria planejar chegar. Logo na saída de Chisapani perguntei a alguns viajantes que chegavam e eles disseram que haviam dormido em Kutumsang, que era um povoado maoísta e que não tinham tido nenhum problema e ninguém lhes havia pedido dinheiro como pedágio. Encontrei alguns outros grupos com guias no princípio da caminhada. Um pouco a frente havia um homem, com cerca de 60 anos, e seu ajudante, bem mais jovem, ao lado de uma mesa, bem no meio do caminho. Ao me aproximar ele cordialmente falou para eu sentar. Se bem me lembro fiquei em pé e começamos a conversar. Ele tentava explicar quem era e eu, imaginando do que se tratava, tentava desconversar, até falando às vezes em português, que ele não entendia. Até que, percebendo que não sairíamos daquela situação e que era importante continuar a caminhada logo para não ter problemas com o anoitecer mais adiante, resolvi ir direto ao assunto. Perguntei então “Quanto?”. Aí ele abriu um largo sorriso e disse que semelhantemente ao que havia pago na entrada do parque para o governo, deveria pagar para eles a mesma tarifa. Eu disse para ele esperar e voltei para trás para reencontrar o grupo com os guias. Expliquei a eles o que havia ocorrido e eles se mostraram preocupados. Falei com um deles para conversar com o homem e explicar que eu era de um país pobre, não era americano nem europeu. O guia foi lá, eles conversaram, não sei se pagou algo a ele para seu grupo, mas o homem disse que eu podia passar sem nada pagar. Fiquei meio desconfiado, mas segui em frente.
      Comecei a subida de uma colina e lá no alto havia um homem de uns 30 anos, com traços orientais e com fisionomia séria e fechada. Achei que poderia estar associado aos que pediram dinheiro lá embaixo. Achei que não era uma boa ideia cruzar com ele olhando para o chão, pois era interessante saber se desejava algo. Quando se fecha o diálogo resta a violência. Ele me olhou sério, com a testa franzida, eu fiz um levíssimo aceno de cumprimento, quase imperceptível, e prossegui. Ele nada disse. Mais para frente reencontrei os alemães, que haviam saído antes. Perguntei-lhes se não haviam encontrado o homem na mesa e uma das mulheres me disse que havia visto um homem que havia lhe dito para sentar e ela o ignorou, pois não iria sentar com um desconhecido num lugar deserto 😀. Quando lhes disse que provavelmente era um representante da guerrilha, surpreendeu-se e ficou um pouco assustada. Um dos homens então me disse para viajarmos juntos, pois esta era uma razão ainda mais forte. Eu até que concordei, mas deixei-os fazendo sua refeição e prossegui só.
      Estava meio preocupado com o ocorrido e como à frente havia uma zona maoista, não sabia bem pelo que esperar. Não sabia o quanto o não pagamento poderia gerar de repercussões. Já depois do meio da tarde, perto de 16h30, avistei o povoado de Kutumsang e vi a bandeira maoísta tremulando 😱. Aquilo trouxe-me receio do que poderia vir. Havia também mensagens escritas em paredes dizendo “Abaixo ao exército real americano”, numa alusão ao possível apoio dos EUA ao rei do Nepal contra os maoístas. Cruzei boa parte do povoado e decidi tentar ficar ali mesmo. Procurei por uma hospedagem e um rapaz do povoado, provavelmente algum tipo de sentinela informal, ajudou-me. Levou-me a um tipo de hotel simples. Fiquei hospedado lá, sem ir procurar por outros para não gerar nenhum tipo de problema. Pedi para a dona cobertor e lençol e ela pareceu surpresa, esperando que eu tivesse comigo. Quando pedi ainda uma toalha ela falou irritada “Você não tem nada!?” 😀. Enquanto me organizava no quarto ouvi ao fundo o rapaz que me havia trazido àquele hotel conversando com alguém, talvez o responsável da guerrilha na área, sobre quem eram os hóspedes que haviam chegado, europeus, israelenses e quando o responsável perguntou quem era eu, ao me ver de costas de longe, sua voz ficou bem mais descontraída e ele disse “Ah, esse rapaz é do Brasil!”, num tom que me pareceu bem amistoso.
      A noite conheci pai e filho de Israel que estavam fazendo a caminhada. Logo de início perguntei ao filho de onde eles eram e ele pareceu desconfortável com isso, dizendo “Esta a primeira pergunta que você me faz?!”. Mas depois, conforme conversamos durante o jantar, o tom ficou amistoso e compartilhamos experiências da viagem. Falamos também sobre a situação de Israel e ele me desaconselhou viagens para lá naquele momento, falando também que o custo de vida estava muito caro. Falou que para ele era um feito ir com seu pai que já estava na casa de 50 anos para uma caminhada daquelas nas montanhas. Acho que a altitude era por volta de 2.470 metros.
      Na 6.a feira 24/10 de manhã fui em direção a Gopte. Inicialmente procurei um local para tomar café da manhã. Vi um homem cozinhando batatas. Propus para ele comprar várias batatas e ele aceitou. Foram meu café da manhã e almoço. Não consegui nada para tomar por perto e resolvi seguir assim mesmo e tentar encontrar ao longo do caminho. Neste trecho a caminhada ficou mais íngreme. Cruzei com um casal que voltava do Langtang eu acho e me disseram que não havia maoístas por lá. Acho que foi neste trecho que vi um menino sentado no alto de uma colina enquanto eu comia pães de forma de um saco. Como é costume no Brasil, ofereci para ele e ele aceitou. Depois de lhe dar prossegui. Haviam algumas possibilidades de trilha e eu estava pegando uma que achei ser a certa. Mas o menino disse-me com gestos para não pegá-la e pegar outra. Acho que ele evitou que eu cometesse um erro. Provavelmente fez aquilo por ter simpatizado com meu gesto de lhe oferecer pão. Cruzei também com uma europeia ou americana com um guia e ela me disse para tomar cuidado, pois haviam visto vários guerrilheiros no meio de mata nas montanhas. Disse-me que nada havia pago mais talvez devesse ter pago. Num determinado ponto havia uma bifurcação possível, por uma floresta de bambus, onde o mapa dizia poderem existir tigres, ou por uma área em que seria mais provável a presença de guerrilheiros. Achei improvável a presença de tigres, ainda mais durante o dia. Acho que o mapa provavelmente se referia a uma época muito anterior ou a animais menores. Fui pela floresta, um pouco preocupado e prestando bastante atenção, mas não tive nenhum problema. Cheguei em Gopte no fim da tarde. Estava com a barriga começando a doer. Pela minha completa ignorância em ciências biológicas não fiz a associação clara da dor com a ausência de hidratação . Como não estava quente não sentia muita sede, mas certamente o rim e outros órgãos estavam reclamando da falta de água. Ali era bem mais alto e a vista dos locais mais baixos e das montanhas pareceu-me espetacular. Conheci um casal de turistas, um judeu e outros peregrinos. A dor piorou bastante 😒. A moça ofereceu-me comprimidos para desarranjo intestinal, mas eu lhe disse que era o oposto disso. Comecei a desconfiar que o problema era falta de água. Pedi uma sopa para o jantar e isso resolveu tudo. Em alguns instantes a dor diminuiu bastante. Aí, percebendo o que tinha ocorrido, resolvi tomar muito líquido. Foi ótimo para o problema, porém fez-me ter que acordar durante a noite para fazer xixi. Ao ver que tinha melhorado, o judeu falou-me que indisposições estomacais ou intestinais aconteciam em viagens o tempo todo. Acho que foi aqui ou em Kutumsang que conversando com um dos guias falei que não sabia se iria a Langtang ou ao Gosaikund. Ele me disse que se pretendia ir a Langtang deveria ter pego outro ramal da trilha bem antes, pois agora o caminho ficaria bem maior. Decidi definitivamente então ir ao Gosaikund. O hotel ficava no alto de uma colina e fui até a ponta observar o céu noturno e a vista. Achei muito belos, apesar da escuridão. Durante a noite, devido à enorme quantidade de líquido ingerido, precisei sair para ir ao banheiro. Mas estava tudo escuro, as luzes apagadas e eu não tinha lanterna. Não consegui achar o banheiro e fui até a ponta da colina, que era arredondada, e fiz xixi lá mesmo. Acho que foi um pouco arriscado, porque eu não enxergava nada e fui tateando o chão, para ver até onde poderia ir 😀. Mas como a colina era arredondada e não com queda abrupta, achei que o risco não era tão grande, apesar da altura. Consegui sem problemas e voltei a dormir. Acho que a altitude era por volta de 3.440 metros.
      No sábado 25/10 fui para o Lago Gosaikund. Inicialmente tomei café da manhã, agora bem mais atento à questão da água. Depois, conversando com o judeu, ele disse que apesar de ser sábado, talvez fizessem um pequeno deslocamento para outro povoado próximo. Ele havia me dito que não estava muito bem (não me lembro se era por causa da altitude ou algum problema devido à caminhada). Após andar um pouco arrotei, mais alto do que imaginava, devido ao monte de líquido que tinha tomado. Poucos minutos depois cruzei com a mulher do judeu e seu filho pequeno, que acho que estavam vindo encontrar o pai. Percebi sua fisionomia tensa, talvez por eu ser um desconhecido numa área deserta, talvez tivesse ouvido o arroto e pensado que eu poderia ser árabe e contra judeus. Vendo isso, para tranquilizá-la, cumprimentei-a falando “Shalom”. A fisionomia dela mudou completamente, ela sorriu levemente e pareceu ficar tranquila. Caminhei mais um pouco satisfeito pelo terreno ser quase todo plano, com poucas subidas e descidas. Uma das alças da minha mala havia quebrado e eu estava tendo que carregá-la nas mãos, em vez de pendurá-la nos ombros, o que tornava a situação um pouco desconfortável. Um pouco mais à frente vi uma subida, que não imaginava ser tão grande. Era a subida para a Passagem Laurebina. Acho que demorei de 2 a 3 horas nesta subida. A passagem no topo ficava a cerca de 4.610 metros. Aí eu entendi porque a ampla maioria fazia o caminho contrário, começando por Dhunche. Cruzei com amigos belgas descendo, que quiseram me animar e disseram que eu estava quase chegando e que poderia conseguir alguma forma de consertar a mala quando chegasse no hotel. O clima ia mudando conforme eu subia e o vento ia ficando mais frio e mais forte. Começou uma leve neve 🌨️. Quando cheguei lá em cima estava totalmente sem forças 😫. Tanto foi assim que precisei sentar numa pedra para me recuperar. Fiquei uns 5 minutos sem conseguir ver nada. Depois percebi a paisagem magnífica (). Como a subida havia sido íngreme era possível apreciar uma ampla vista sem obstáculos das partes mais baixas. Do outro lado havia a vista das montanhas com mais de 5 ou 6 mil metros de altitude. Havia também a vista do lago principal e de pequenos lagos anexos. Fiquei ali cerca de meia hora deliciando-me com a paisagem . Se bem me lembro cheguei a meditar um pouco também. Depois segui para a sede do povoado, que não era longe. Apesar disso eu estava bem cansado e fui vagarosamente. Fiquei num hotel sem chuveiro quente (acho que só havia um com chuveiro quente naquela época). Não tomei banho nos dias em que lá fiquei. Procurei ficar num hotel não turístico, de habitantes locais ou tibetanos. Depois de me acomodar dei uma pequena volta nas proximidades. Achei linda a vista do lago e das montanhas. Pedi um cobertor adicional para a noite. No meu quarto havia 2 camas e entrava vento pelas frestas da parede. Acho que a altitude era por volta de 4.300 ou 4.400 metros.
      No domingo 26/10 fui explorar os arredores e apreciar a paisagem. Subi numa das montanhas laterais, a menor delas, que tinha vista para as montanhas de Langtang. Fiquei lá apreciando a paisagem e meditando. Inicialmente o tempo estava coberto, mas depois abriu em boa parte e foi possível admirar o esplendor das altas montanhas cobertas de neve. Achei a vista a partir dali maravilhosa . Fiquei lá mais de uma hora e depois desci e fui tentar subir na montanha do outro lado. Esta era bem maior e subi só até a metade, pois a partir dali pareceu-me que começava a ficar perigoso e exigir equipamentos, experiência e conhecimento, sendo que eu não tinha nenhum deles. A vista também agradou-me bastante. Fiquei lá algum tempo, mas menos do que na montanha anterior. Desci e já estávamos no meio da tarde. Fui então dar uma volta no lago. Até que me deu vontade de nadar, pois abriu um pouco de sol. Mas eu não tinha levado roupa de banho e a água estava com a temperatura muito baixa. Mais tarde o dono do hotel diria que eu poderia ter nadado nu, o que me fez rir. Já perto do fim da tarde voltei para o hotel. Haviam chegado 2 viajantes israelenses e 1 americana chamada Alisson com seu guia local. Um pouco mais tarde começou a nevar 🌨️. Os judeus mostraram-se entusiasmados, pois provavelmente não estavam acostumados à neve. Eu também achei a cena bela. A americana não deu muita importância, provavelmente via neve com frequência. A neve acentuou-se e cobriu parte da paisagem de branco. Eles começaram a jogar cartas e eu preferi ficar apreciando a paisagem e descansando. Conversamos sobre a viagem, jantamos e fomos dormir. Eu mudei de cama durante a noite, pois com o vento que entrava pelas frestas, mesmo com os cobertores e agasalhos, eu estava com frio .
      No meio da noite acho que o telhado não aguentou e caiu um pouco de neve e gelo na cama em que eu não estava e em que tinha dormido no dia anterior. No meio da noite eu precisei ir ao banheiro. Saí de pijama e com um agasalho para o peito. O banheiro era externo. Fui até ele, que era logo do lado do hotel, fiz xixi e apreciei a paisagem do lago, que tinha ficado ainda mais bela após a neve. Parte das pedras estavam cobertas de neve e o céu estava claro, fazendo uma cena que achei linda. O céu estralado também estava maravilhoso, talvez o mais espetacular que já tenha visto . Voltei rapidamente para o hotel, pois estava muito frio, talvez abaixo de zero. Porém o vento havia batido a porta e ela estava trancada. Acho que de algum modo, quando bateu girou o trinco. Eu estava preso do lado de fora. E o banheiro era num local de difícil acesso sem ser pelo hotel. Havia uma montanha atrás dele, o hotel na outra face, um precipício ao lado e o lago. Ou seja, a saída por qualquer opção não era simples. Resolvi tentar abrir a porta, mas não consegui. Admirei mais um pouco a linda paisagem e depois, já com bastante frio, resolvi bater na porta. Mas ninguém ouvia, provavelmente por causa do vento. Cheguei a pensar em tentar arrombar a porta ou escalar o telhado, mas aí pensei em chamar pela americana. Imaginava que estava dormindo no quarto em frente. Chamei-a pelo nome e ela estava acordada e me ouviu. Foi até a porta e perguntou “Fernando, o que você está fazendo aí?”. Eu respondi que tinha ido ao banheiro e perguntei se ela poderia abrir a porta. Ela pediu para eu esperar e foi chamar o seu guia. Enquanto isso eu aproveitei para apreciar mais um pouco a maravilhosa paisagem noturna e o lindo céu. Poucos instantes depois chegou o gia com uma lanterna e abriu a porta. Eu agradeci bastante e entrei. Ela ficou bestificada (e o guia também, mas um pouco menos) por eu estar de pijama, quase sem agasalho lá fora 😀. Fomos dormir.
      Na 2.a feira 27/10 quando eu acordei todos já estavam tomando café e já sabiam do ocorrido. Receberam-me rindo e o dono do hotel disse “Se você não tivesse sido escutado certamente teria arrombado a porta”. Eu disse que tinha ficado com medo de arrombar e depois ficar entrando vento e neve na casa. Eles riram um bocado e tomamos café. A dona riu pelo fato de eu ter oferecido o pagamento enquanto eles estavam com as mãos ocupadas fazendo o café pedido pelos outros. Durante a estadia o jovem dono disse-me que a situação era delicada. O exército vinha recrutar os moradores para fazer parte dele. Se a pessoa entrasse os maoístas a matavam. Se a pessoa se unisse aos maoístas o exército a matava. Então não havia saída. Pareceu-me uma triste realidade ☹️. Perguntou-me sobre procedimentos para conseguir viver no Brasil. Eu não sabia exatamente quais eram, mas lhe disse que achava que seria bem complicado para ele, pois era outra língua, outro alfabeto, outra cultura, outra religião da maioria da população e várias outras diferenças para a vida que ele estava acostumado a levar. Além do que estaria sem seus familiares e conhecidos e muito longe da sua terra natal. Achei a situação do país delicada, mas não me pareceu que naquele local ele estivesse em alto risco. Ele me falou também que achava que Buda era o Deus deles, mesmo após eu questionar se de fato era Deus ou um mestre.
      Após despedir-me de todos saí para descer. Antes apreciei a paisagem do local, principalmente do lago, que com a neve tinha ficado muito bela . Foi bem mais fácil descer do que subir 😀. As paisagens pareceram-me muito belas, embora devido à nevasca do dia anterior, os trechos mais altos estivessem nublados. O chão tinha ficado coberto de neve nos primeiros trechos. Não tive nenhum problema durante a descida e cheguei até Thulo Syabru, a cerca de 2.250 metros de altitude. Foi a parte mais íngreme. Achei que ainda dava para ir adiante e fui até Syapru Besi, a cerca de 1.460 metros de altitude. Já estava perto do fim da tarde e eu decidi ficar ali. Era um povoado bem maior do que os outros das montanhas. Havia muitas opções de hospedagem, eu fui a várias, mas acabei voltando a um dos primeiros (acho que foi o primeiro) em que havia passado. Era a casa de uma família. Todos pareciam muito simpáticos 👍. As crianças eram bem curiosas para conhecer um estrangeiro ocidental. Trataram-me muito bem. Ofereceram-me até um copo de leite ou semelhante no dia seguinte por cortesia, posto que eu não quis comprar o café da manhã, uma vez que em locais comerciais era mais barato. O clima estava muito menos frio.
      Na 3.a feira 28/09 fui andando até Dhunche e de lá peguei um ônibus para Katmandu. Na saída havia um posto de controle e tive que pagar pelo ingresso de visita, que ninguém tinha cobrado, que achei que não existia naquele sentido da caminhada e do qual imaginava ter escapado. Encontrei com vários franceses que estavam fazendo algum tipo de excursão ou trabalho voluntário. Uma das mulheres comentou comigo que seu marido cirurgião tinha ido fazer uma cirurgia num hospital local e tinha achado as condições deficientes. Ao longo do percurso de ônibus tivemos que parar várias vezes devido a checagens do exército. Os franceses pareciam bastante incomodados. Houve uma ocasião em que entrou um habitante local com uma galinha viva 🐔 e a colocou numa sacola na plataforma de bagagem acima das cabeças. Uma das francesas ficou bastante tocada com a situação, achando que a galinha estava morrendo e o nepalês pareceu não entender muito bem porque ela tinha ficado tocada. Chegamos em Katmandu já à noite. Alguns franceses que tinha conhecido antes conversaram comigo sobre a nevasca, a caminhada, despedimo-nos e voltei para o mesmo hotel. O dono devolveu-me a quantia que tinha guardado e eu devolvi o gorro ao atendente sem tê-lo usado.
      De 4.a feira 29/10 a 6.a feira 31/10 fui conhecer alguns projetos sociais em Katmandu e alguns pontos da cidade que não tinha visto. Fui conhecer projetos referentes a pessoas tentando livrar-se da dependência química, creches e educação de crianças e apoio a mulheres (https://www.etc-nepal.org). Neste último ofereceram-me uma refeição. Eu comi um pouco para não gerar aborrecimentos, apesar de ter carne (se bem me lembro era frango) e especiarias. Mas conhecendo ocidentais, eles me disseram para não comer se percebesse que meu organismo não assimilaria bem. Nestes dias aproveitei para jantar Dal Bhats, que estavam um pouco apimentados, e algumas comidas locais.
      Conheci uma inglesa que parecia muito ingênua. Tinha pago preços bem superiores por água mineral e estava prestes a contratar uma excursão também por preços mais altos. Porém percebi que ela não conseguia se virar sozinha com itens básicos. Então achei melhor deixá-la ser tutelada pelo pessoal do hotel, pois nas opções mais baratas a pessoa geralmente precisa fazer muitos procedimentos por conta própria, algo para que talvez ela não estivesse preparada. Aí provavelmente não valeria a pena a economia e faria com que a viagem dela não fosse agradável.
      No sábado 01/11 fui a Swayambhunath, que havia sido a stupa de que mais tinha gostado. Lembro-me de alemães indo visitá-la enquanto eu descansava no início da escadaria. Uma vendedora começou a acompanhar os alemães e um deles ficou para trás, deu dinheiro para ela e pediu cordialmente que os deixasse fazer a visita sem importunação. Meditei, apreciei a paisagem e me despedi de Katmandu.
      No domingo 02/11 saí no fim da manhã rumo ao aeroporto. Fui caminhando. Passei por um restaurante simples e comi momos, que estavam muito bons. Comprei também queijo de iaque, que achei maravilhoso 🧀. Cheguei ao aeroporto antes do horário e estava pronto para embarcar. Porém, parecia haver algum problema. Eu precisava sair na hora, pois tinha uma conexão em Nova Déli e outra em Mumbai. O avião deveria sair no fim da tarde e não tinha saído até o início da noite. Minha conexão provavelmente já estava perdida. Então fomos embarcados, porém somente jantamos e voltamos à sala de embarque. Foi bem confuso e houve bastante reclamação no aeroporto por parte dos passageiros. Por volta de 23h foi chamado novo embarque. Porém aí eu já havia perdido a conexão. Falei com o pessoal da Companhia Royal Nepal Airlines e me disseram que se não tinha um visto indiano era melhor não embarcar. Disseram que me dariam hospedagem e tentaríamos outro voo nos dias seguintes. Aceitei e fui para o Hotel Annapurna (https://annapurna-hotel.com) que indicaram. Era um dos mais luxuosos de Katmandu, onde ficavam políticos. Fiquei até com medo de atentados, dada a situação política. Chegamos lá no começo da madrugada e fui dormir.
      Na semana de 03/11 a 08/11 fiquei tentando pegar um voo de volta. Inicialmente fui ao escritório da companhia aérea para tentar remarcar minha passagem. Disseram que estavam com problemas para fazê-lo, pois minha passagem não era remarcável, provavelmente devido ao baixo preço que havia pago. Fomos ao aeroporto em dois ou três dias durante a semana e ocorreu exatamente o mesmo problema, o avião atrasou e eu não fui. Um gerente disse-me que estavam com problemas no flap de um dos aviões, o que estava acarretando aquela situação. Precisei voltar ao escritório da Cia todas as vezes que perdi o voo. A atendente já parecia bem constrangida e nem sabia mais como me pedir desculpas. Havia também outros passageiros com o mesmo problema, mas acho que depois de algumas vezes eu passei a ser o mais antigo. Ficou clara para mim a precariedade da companhia, apesar da boa vontade das pessoas. Eu fiquei no hotel assistindo televisão, pois não podia me ausentar, posto que poderiam a qualquer momento pedir para eu ir ao aeroporto ou ao escritório. Tinha direito a todas as refeições gratuitamente. Apesar do clima já estar um pouco frio, lembro-me de ter nadado em pelo menos um dos dias. Quando sabia que num determinado horário não tinha possibilidade de voo às vezes saía um pouco para dar uma volta. Cometi o erro de deixar o queijo de iaque fora da geladeira, o que não o estragou, mas fez com que começasse a exalar um forte cheiro.
      No sábado 08/11 o gerente veio buscar-me para tentarmos novamente um lugar no avião, mas já me avisou que provavelmente teríamos o mesmo problema. Desta vez porém, quando chegamos ao aeroporto, descobri que existia um voo direto para Mumbai, que já deveria ter saído, mas estava atrasado. Isso me deu esperança, pois se me recordo meu voo de Mumbai para Joanesburgo saía por volta de 2 horas da manhã. Conversei com o gerente da Royal Nepal Airlines e ele me disse que precisaria ser verificada a questão financeira, pois um bilhete para Mumbai era mais caro do que para Nova Déli. Ponderei para ele o tempo que já estava esperando, as tentativas infrutíferas que tínhamos tido e o custo da hospedagem que estavam pagando para mim. Novamente houve grande confusão entre os passageiros devido ao atraso. Vários passageiros que já estavam esperando há dias para embarcar fizeram um bloqueio e impediram que houvesse outros embarques antes que o voo para Mumbai fosse autorizado. Chegaram a lutar fisicamente com os funcionários do aeroporto 👊. Eu estava na sala de espera da Cia e não vi, mas um outro turista estrangeiro que havia conhecido contou-me o ocorrido. Quando tudo parecia encaminhado para eu finalmente conseguir voltar para o Brasil, apareceu um russo e sugeriu que fosse invertida a ordem dos voos, indo o avião primeiro para Nova Déli, que era mais perto, e depois regressando e indo para Mumbai. Isso me faria perder a conexão em Mumbai. Porém havia tantas pessoas já esperando há horas no aeroporto e talvez dias na cidade, que a proposta não foi bem recebida pelos passageiros e a ordem dos voos foi mantida. Enquanto esperava na sala da Cia repentinamente desapareceram os funcionários. A seguir chegaram pessoas da segurança e da imprensa. Talvez tivesse havido alguma reclamação mais fundamentada e tivessem vindo para responsabilizar ou até prender algum responsável. Mas não acharam ninguém. Quando eu encontrava alguém mais exaltado no corredor sempre dizia “Eu sou passageiro”. Num dado momento tirei a carteira do bolso para mostrar ao gerente meu cartão de membro da Star Alliance, através da Varig, argumentando com isso que tinha direito a embarque prioritário nas companhias parceiras. Mas acho que da primeira vez ele achou que eu estava tentando suborná-lo e acenou negativamente com a cabeça, antes de eu mostrar o cartão. Mais adiante, depois que percebi a interpretação que ele tinha feito, tirei novamente a carteira do bolso, mostrei-lhe o cartão e expliquei sobre a Star Alliance e embarque em parceiras. Mas ele disse que naquelas circunstâncias não era válido, além do que eles não faziam parte da Star Alliance. Já perto das 8 horas da noite, quando eu já estava ficando preocupado e achando que não chegaria a tempo a Mumbai, chegou o seu auxiliar e me disse afoitamente “Ok, ok, cadê seu passaporte, sua bagagem, vamos embarcar”, como se eu já soubesse que tinham me autorizado a ir. Eu nem acreditei 😀. Será que desta vez conseguiria? Consegui. Embarquei no voo para Mumbai, o voo decolou por volta de 9 horas e chegou antes da meia noite. Realmente a Cia parecia precária. No pouso, pareceu que o comandante socou o avião no chão, tanto que um passageiro francês comentou sarcasticamente, quando ele ia falar aos passageiros pelo alto-falante após o pouso, “Antes de mais nada desculpe pelo pouso”. Mas o comandante não falou isso 😀. Quando disse em Mumbai que tinha vindo pela Royal Nepal Airlines, uma funcionária do aeroporto fez gesto de reprovação com a cabeça como quem diz “Sai dessa amigo!”. Esperei pela conexão, dei meu número de membro da Star Alliance para o atendente, que o marcou erradamente, tentei descansar um pouco e embarquei sem problemas pela South Africa Airways (SAS) para Joanesburgo.
      No domingo 09/11 pela manhã desembarquei em Joanesburgo. Tudo parecia resolvido e bastava esperar pelo embarque para São Paulo. Quando fui passar pelo balcão para fazer a conexão, o atendente me disse que havia sido feito uma atualização na passagem não permitida e eu teria que pagar aproximadamente US$ 720.00. Isso significava pagar quase a metade do valor da passagem por uma remarcação para um trecho de menos de ¼ (25%) da distância 💲. Eu achei inaceitável. Argumentei com o atendente que a responsabilidade pela remarcação não era minha, pois o avião não tinha decolado por várias vezes. Mas ele me disse que a SAA não era responsável por outras cias aéreas. Eu repliquei que tinha sido a SAA que tinha emitido o bilhete e portanto alguma responsabilidade ela tinha. Como a conversa estava se prolongando e esquentando, ele mudou totalmente de postura e disse que não queria me onerar e eu estava liberado da taxa. Eu agradeci, fui para o embarque e voltei para São Paulo. Após desembarcar decidi passar no controle de itens a declarar devido ao queijo de iaque que havia comprado. O atendente pediu para eu esperar e foi chamar o fiscal, que ao ver o queijo disse que eu não poderia entrar com ele, embora tenha permitido que eu comece um pouco ali. Talvez o cheiro que ele estava exalando tenha ajudado na decisão. Eu fiquei decepcionado e perguntei se iria ser jogado fora mesmo, pensando no desperdício ☹️, O fiscal perguntou se eu estava insinuando algo e me falou rispidamente que era melhor eu ir embora. Eu fui, mas o queijo foi apreendido por razões sanitárias (não era permitido entrar no Brasil com comidas não industrializadas).
×
×
  • Criar Novo...