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ūüď∑¬†Texto original com fotos aqui

Hamburgo¬†√© uma cidade moderna, mas tem aquele charme europeu e uma identidade forte que vem das √°guas! √Č banhada pelos rios Alster e Elba, sendo esse √ļltimo a porta de entrada para o imenso¬†Porto de Hamburgo.

Ao longo de sua história, a cidade passou por períodos críticos de destruição e mortes, sendo os mais relevantes o grande incêndio de 1842 e os bombardeios no período da Segunda Guerra Mundial.

Embora seja a segunda maior cidade da Alemanha, atr√°s apenas da capitalBerlim, √© poss√≠vel conhecer relativamente bem¬†Hamburgo¬†em 2 ou 3 dias. A cidade √© bem plana e simples de ser explorada a p√©, mas se for preciso o metr√ī tamb√©m funciona muito bem.

Para chegar do aeroporto ao centro, o jeito mais simples √© pegar o trem (S1 ‚Äď Dire√ß√£o¬†Hamburg-Blankenese) at√© a Esta√ß√£o Central (Hauptbahnhof). O valor do bilhete √© 3,30 ‚ā¨ e a viagem dura cerca de 25 minutos.

Veja aqui¬†mais informa√ß√Ķes sobre o transporte publico de¬†Hamburgo.

Acabamos ficando hospedados em dois hotéis diferentes. A primeira noite em uma das unidades do Novum, próximo à Estação Central e o resto dos dias no City Hotel Hamburg Mitte. O primeiro é mais barato, tem boa localização e um café da manhã eficiente, mas recomendo mais o segundo! Apesar de ter o café da manhã pago a parte (que achei caro e não experimentei), os quartos são bem modernos e dos andares altos tem-se uma super vista da cidade!

O entorno do¬†Lago Alster¬†√© uma das regi√Ķes mais fotog√™nicas da cidade, e um bom ponto de partida para explor√°-la. O cen√°rio com as altas torres das igrejas atr√°s do conjunto de pr√©dios que circundam o lago d√£o a impress√£o de estarmos em uma ilustra√ß√£o de lata de biscoitos. No inverno, adicione o fato de o lago estar quase congelado e o resultado √© uma vontade de ficar ali olhando aquela paisagem at√© que o frio n√£o permita mais sentir as m√£os, hora de encontrar um lugar quentinho!

Caminhando por essa região super sofisticada, cheia de lojas de grife e hotéis caríssimos, me deparei com o simpático Big Fat Unicorn, que já me ganhou pelo nome! O café, todo fofo, serve sanduíches coloridos e outras delícias para encher a barriga e o feed do Instagram.

A poucos minutos de l√° fica a¬†Rathaus¬†‚Äď o pr√©dio da prefeitura, um dos cart√Ķes postais de¬†Hamburgo. O edif√≠cio √© lindo, uma imponente constru√ß√£o de arquitetura neocl√°ssica que domina a¬†Rathausmarkt, pra√ßa onde est√° localizado. √Č poss√≠vel acessar gratuitamente o hall de entrada.

Nas ruas ao entorno, especialmente na Mönckebergstrasse, há muitas lojas, cafés e restaurantes.

Embora existam diversas igrejas em¬†Hamburgo, foram duas as que me chamaram mais aten√ß√£o. A primeira √© a¬†St. Nikolai, que na verdade hoje funciona como um memorial, tendo preservada apenas sua torre e algumas ru√≠nas. A igreja foi bombardeada pelos ingleses durante a Segunda Guerra Mundial em um ataque conhecido como ‚ÄúOpera√ß√£o Gomorra‚ÄĚ. Na √°rea externa h√° algumas obras de arte como a escultura ‚ÄúThe Ordeal‚Äú, onde um homem est√° sentado tristemente sobre os tijolos originais do campo de prisioneiros deSandbostel. A torre, que j√° foi a mais alta do mundo, hoje ocupa o quinto lugar entre as maiores torres de igreja. A subida ao topo √© feita atrav√©s de um elevador e a vista l√° de cima deve ser fant√°stica!

A outra igreja que achei diferente do comum é a St. Michaelis. Seu interior, de tonalidades claras e detalhes dourados, parece muito um ambiente de teatro, com um auditório no mezanino e grandes janelas envidraçadas onde imaginei camarotes reais. A entrada na igreja é grátis, mas também há ingressos para quem quiser subir na torre.

√Ä noite tive que ir conhecer a t√£o falada Rua¬†Reeperbahn, famosa por ser um pouco como o¬†Red Light District¬†de¬†Amsterdam. √Č aquele lado meio ca√≥tico da cidade, onde os letreiros em neon atraem j√° embriagado turistas e hamburgueses. Tanto a via principal quanto as adjacentes tem op√ß√Ķes de ‚Äúentretenimento adulto‚ÄĚ para todos os tipos de p√ļblico.

A regi√£o, chamada¬†St. Pauli, ganhou essa fama por ser pr√≥xima ao Porto de Hamburgo, se tornando ent√£o o local de divers√£o dos profissionais do mar.Mas¬†St. Pauli¬†tamb√©m n√£o √© s√≥ sacanagem. H√° quase 60 anos, quando os¬†Beatlesainda estavam no come√ßo da carreira, eles fizeram ali algumas das suas primeiras apresenta√ß√Ķes fora da¬†Inglaterra. Por sua hist√≥ria com a cidade, ganharam h√° alguns anos uma homenagem: a¬†Beatlesplatz! A pra√ßa fica no final da¬†Reeperbahn¬†e tem esculturas dos integrantes da banda

Mas o que eu gostei mesmo naquela região foi a Cervejaria Astra, pertinho da Beatlesplatz. O espaço é enorme, com uma decoração meio industrial e uma mesa de pebolim (pra jogar de graça)! Essa cerveja é bem comum em Hamburgo, mas lá é possível experimentar os diferentes tipos, como a IPA e a Stout. Vale a pena pegar o kit degustação. A comida também é deliciosa e bem variada, das tradicionais salsichas à pratos vegetarianos.

A bagun√ßa de¬†St. Pauli¬†√© legal, mas como estava em uma vibe mais intimista, fomos at√© o¬†Cotton Club, um bar de jazz pequenininho e aconhegante. N√£o √© a op√ß√£o mais barata, mas o lugar √© √ļnico e a banda era incr√≠vel, liderada pelo sueco Bent Persson. Valeu cada centavo!

Uma das regi√Ķes mais peculiares de¬†Hamburgo¬†√© a¬†Speicherstadt, um bairro inteiro ocupado por antigos armaz√©ns. Pode n√£o soar muito interessante, mas os pr√©dios, todos em tijolinhos avermelhados, ficam lindos espalhados pelos v√°rios canais que cortam esse peda√ßo da cidade. Hoje alguns desses edif√≠cios s√£o ocupados empresas e museus, como o¬†Miniatur Wunderland¬†e o¬†Museu Mar√≠timo.

Quando avistar uma grande e ousada silhueta à beira-rio, chegou a Elbphilharmonie! O monumental prédio mistura o estilo industrial dos antigos armazéns com formas e materiais modernos. Em seu interior funcionam duas salas de concerto, alguns bares e restaurantes e até um hotel!

H√° um espa√ßo aberto ao p√ļblico que oferece uma ampla vista da cidade. A entrada √© gratuita se retirar o ingresso na hora (disponibilidade mediante lota√ß√£o), mas tamb√©m √© poss√≠vel¬†reservar pelo site. Nesse caso h√° um custo de 2‚ā¨ por pessoa.

Apesar do clima frio e molhado, a caminhada pela borda do Elba até o Fish Market é agradável. Um pequeno desvio para as ruas do bairro Portugeisenviertel nos faz pensar que estamos em Portugal! Se quer trocar a salsicha por um bacalhau, siga para ruas como a Rambachstraße e a Ditmar-Koel-Straße, onde há diversos restaurantes de comida portuguesa. Há também alguns italianos, espanhóis e até brasileiros, mas o foco mesmo é a culinária lusitana.

O antigo mercado de peixes atualmente funciona só aos domingos e até as 09:30. Eu como estou longe de ser uma pessoa matutina, só conheci mesmo por fora. Mas dizem ser tradição passar por ali saindo dos bares e baladas da Reeperbahn para comer sanduíche de arenque ou outros peixes.

Falando em comida, duas coisas bastante típicas por lá são o Currywurst, uma salsicha com molho de tomate e curry e o Franzbrötchen, um pãozinho doce com gostinho de canela que é simplesmente delicioso (aliás, pão é uma coisa que os alemães sabem fazer muito bem)! Além disso, não dá pra ir à Alemanhae não comer um Apfelstrudel, né?

Se tiver mais de dois dias, vale a pena fazer um bate-volta em¬†L√ľbeck. Essa pequena cidadezinha medieval fica h√° aproximadamente 50 minutos de trem de¬†Hamburgo¬†e √© encantadora!

ūüď∑¬†Texto original com fotos aqui

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    • Por gsultowski
      Olá.. sei que preciso fazer a comprovação financeira de 2400 euros para conseguir o visto. O que quero saber é COMO FAZER esta comprovação? Extrato bancário, declaração?
      Obrigado.
    • Por Fora da Zona de Conforto
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      Leia mais em: Melhor Banco Digital Gratuito Para Quem Mora na Europa
    • Por claudio_aomundoealem
      Ol√° Mochileiros
      aqui segue o texto do planejamento da minha viagem preferida, ao longo de v√°rios meses - e, claro, valeu muito a pena.
      Londres e Paris ‚Äď Parte 1 ‚Äď O Planejamento
       
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      Fica aquele impulso inicial de querer conhecer toda a Europa; mas, apesar desta caber numa tela do computador por meio de programas como o Google Maps, continua sendo um continente ‚Äď Ent√£o, quais cidades que deveriam ser conhecidas?
       
      √Č feito um esbo√ßo de uma lista de cidades a serem desbravadas: Viena, Berlim, Roma, Londres, Bruxelas, Amsterd√£, Paris, Praga... Mas a realidade aparece: n√£o h√° tempo h√°bil de conhec√™-las em uma √ļnica viagem. Logo, o esbo√ßo encolhe, diminui, encolhe...
       
      Enfim, a lista final está pronta: as escolhidas foram Londres e Paris. Nota-se que escolher os destinos de uma viagem é importante, mas não difícil. Porém representa o início da árdua e prazerosa tarefa de planejar a viagem.
       
      Com o foco da viagem definido, entra em a√ß√£o o segundo passo: o transporte. Por limita√ß√Ķes espec√≠ficas, a janela temporal acess√≠vel para n√≥s seria de realizar a viagem entre a terceira quinzena de dezembro e voltando na segunda semana de janeiro. Contrariando algumas recomenda√ß√Ķes de que o melhor √© procurar voos pr√≥ximos aos destinos, procurei de forma mais ‚Äúampla‚ÄĚ ‚Äď e considero que valeu a pena. Por qu√™?
       
      Para procurar passagem aérea mais barata, eu pesquiso pelo Google Flights. E, em vez de inserir somente o destino (Londres) ou mesmo o país (Inglaterra), procuro por Europa. Isso possibilita comparar diversos voos, incluindo no próprio país/cidade de destino.
       
      Nas primeiras pesquisas, tinha encontrado passagem barata por Barcelona, mas o d√≥lar come√ßou a subir (nem perto do desastre de 2020) e essa ‚Äúpechincha‚ÄĚ n√£o aparecia mais. Claro que tinha consci√™ncia de que voos no final do ano s√£o mais caros, j√° que √© alta temporada (s√≥ que mais caro n√£o implica automaticamente em ser absurdo).
       
      Em agosto, tive uma grata surpresa.
       
      Um voo de ida e volta por Milão, na Itália, com mala despachada inclusa por 2600 reais em alta temporada (CONSEGUI!). Não podia acreditar que tinha achado. Era um sonho! Mas não era para acreditar mesmo: quando ia finalizar a compra da passagem, falava que não estava mais disponível.
       
      Mas, ao longo dos dias seguintes, esse alerta de preço permanecia. Intrigado, resolvi entrar no site da companhia aérea e, ao invés de verificar o preço de ida e volta, analisei cada trecho: o trecho de ida estava em 1250 reais, condizente com apresentado pelo alerta de voos. Todavia, o trecho de volta estava muito mais caro, mais de 2500 reais.
       
      Comecei a simular com a ida travada em Mil√£o e retorno por diversas cidades europeias. Surpreendentemente, o voo mais barato encontrado foi por Genebra, na Su√≠√ßa, com conex√£o em Frankfurt (at√© hoje n√£o entendo como umas das cidades mais caras do mundo ‚Äď Genebra ‚Äď pode ter o voo mais barato).
       
      Enfim, consegui em agosto comprar passagem para Europa a pre√ßo razo√°vel (R$ 3100) para o final de ano, em alta temporada, com mala despachada inclusa (n√£o creio que seja bom comprar com mais anteced√™ncia ‚Äď vide a implica√ß√£o do covid-19).
       
      Outros voos que eram mais pr√≥ximos do foco da viagem estavam na faixa superior a 4 mil reais. Mesmo com o custo do deslocamento das cidades dos voos (Mil√£o e Genebra) para as duas capitais, o valor final ficou menor do que os pre√ßos dos voos mais ‚Äúconvenientes‚ÄĚ. Ent√£o, valeu a pena embarcar em voos para cidades mais distantes, mesmo que isso implique em mais viagens por dentro da Europa (al√©m do √≥bvio: a passeio, n√£o existe ‚Äútempo ruim‚ÄĚ no Velho Continente).
       
      Como o voo não seria direto para as capitais, era preciso analisar os meios de transporte para o deslocamento até elas. Entrementes, era preciso definir os dias em que ficaríamos em Londres e Paris, bem como em Genebra e Milão.
       
      Tanto Mil√£o quanto Genebra, considerei ficar um dia em cada cidade: al√©m de ser locais que at√© ent√£o n√£o conhecia, tem sempre o risco de acontecer imprevisto ‚Äď o que aconteceu: o voo para Mil√£o saiu com atraso do Brasil. No caso de Genebra, tinha risco de, por exemplo, pegar tempestade de neve que fechasse o acesso para chegar na Su√≠√ßa ‚Äď dif√≠cil, mas n√£o imposs√≠vel.
       
      Decidimos por perman√™ncia de uma semana em cada capital, com o Natal em Londres e Ano Novo em Paris. No deslocamento de Mil√£o para Londres, existiam diversas modalidades de transporte: o a√©reo, por trens e por √īnibus. O uso de carro seria extremamente invi√°vel: al√©m de ser caro devolver em local diverso ao que retirou, parte do trajeto teria custo alt√≠ssimo para o ve√≠culo (como atravessar o Mar do Norte pelo Canal da Mancha ou pagar o ped√°gio para cruzar os alpes italianos e franceses).
       
      A primeira modalidade que salta aos olhos, √© claro, s√£o os avi√Ķes, especialmente as famosas companhias low-cost europeias. Entretanto, tendo mala despachada (e at√© com mala de m√£o, a depender do peso e tamanho), as empresas low-cost n√£o s√£o t√£o "low" assim. Mesmo assim aparecia alguns pre√ßos competitivos.
       
      Nas pesquisas de voos, os que tinham pre√ßo mais competitivo (mesmo com mala) eram aqueles que chegariam em Londres √†s 22:00 do dia seguinte ou partiria de Mil√£o de madrugada. Ora, chegar no aeroporto √© totalmente diferente de chegar na cidade: do voo √†s 22:00, chegaria no centro de Londres depois das 23:00 (os aeroportos que atendem Londres s√£o longe da cidade) ‚Äď com isso afetaria a disposi√ß√£o para o turismo no dia seguinte. Com rela√ß√£o ao voo de madrugada, teria que pegar um transporte privado at√© o aeroporto (car√≠ssimo, por sinal ‚Äď um t√°xi chega a cobrar mais de ‚ā¨ 90 at√© o aeroporto de Milano-Malpensa) ou pegar o transporte p√ļblico no dia anterior e dormir no aeroporto. Evidentemente, existiam voos em hor√°rios (e aeroportos) ‚Äúmelhores‚ÄĚ, mas eram mais caros ‚Äď alguns, bem mais.
       
      De trem, o trecho seria segmentado. Teria de comprar dois trechos: o primeiro de Mil√£o a Paris e o segundo, de Paris a Londres. Mas n√£o seria uma boa ideia. O primeiro trecho at√© possui pre√ßos interessantes, de ‚ā¨ 40. No entanto, os hor√°rios s√£o bem limitados e o que tinha menor pre√ßo sa√≠a √†s 6 da manh√£ de Mil√£o, chegando em Paris s√≥ a tarde. O segundo trecho √© realizado pelo famoso Eurostar, que percorre o Eurot√ļnel embaixo do Canal da Mancha em um trajeto de pouco mais de 2 horas ‚Äď e √© caro, muito caro: come√ßa em ‚ā¨ 49 avan√ßando para mais de ‚ā¨ 100.
       
      Os √īnibus, por sua vez, existem em v√°rios hor√°rios. O trajeto demora quase 22 horas, com uma ‚Äúconex√£o‚ÄĚ nas Rodovi√°rias Gallieni ou Bercy, em Paris. No entanto, como est√£o dispon√≠veis v√°rios hor√°rios, √© poss√≠vel escolher o que inicia o percurso √† noite. Nesse caso, o √īnibus chega em Paris mais cedo do que o trem e ainda economiza uma di√°ria de hospedagem, j√° que se dorme no √īnibus. A conex√£o em Paris demora menos de 2 horas, tempo suficiente para contornar eventual atraso do √īnibus do primeiro trajeto.
       
      O escolhido foi o √īnibus: ao inv√©s de tirar uma soneca no aeroporto, melhor dormir no √īnibus. Sem se preocupar com o hor√°rio de partida do avi√£o ou do trem de madrugada, bastava chegar na rodovi√°ria e aguardar a chegada do √īnibus √†s 22:00. Em vez de pagar uma di√°ria de hospedagem, o dinheiro serviu para ‚Äúsubsidiar‚ÄĚ a passagem de √īnibus, al√©m de que ele deixa no centro das cidades, s√≥ precisando do bilhete de metr√ī (curiosidade: o trecho de Mil√£o a Londres custou ‚ā¨ 78, mais barato do que o t√°xi do aeroporto de Malpensa at√© o centro de Mil√£o).
       
      Evidentemente que o √īnibus n√£o √© mais r√°pido do que o avi√£o, nem √© t√£o confort√°vel quanto o trem. Mas a praticidade de n√£o se preocupar com hor√°rios ruins e a economia gerada tanto pelo pre√ßo da passagem com o ‚Äúsubs√≠dio‚ÄĚ de hospedagem tornavam-no preferido.
       
      Como dito, o trem do Eurostar pode ser muito caro ‚Äď ao passo que, com o √īnibus, ocorre justamente o inverso: no nosso caso, pagamos ‚ā¨ 28 para realizar a viagem durante a noite, sendo que tinha visto no mesmo m√™s para outros dias por ‚ā¨ 15. E, caso escolhesse o trem, mais uma di√°ria de hospedagem teria que ser desembolsada.
       
      O √ļltimo trecho, de Paris para Genebra, tamb√©m foi feito por √īnibus. O pre√ßo da passagem de √īnibus, nesse caso, n√£o estava distante do pre√ßo da passagem de trem. S√≥ que, com o √īnibus, ainda economizamos com a hospedagem na Su√≠√ßa...
       
      Resolvida a quest√£o de deslocamento entre as cidades, √© o momento de procurar hospedagem. Como √≠amos ficar uma semana em cada capital, escolhemos o aluguel de quartos, que oferecem descontos para tal per√≠odo e tem a conveni√™ncia de poder preparar sua comida ‚Äď assim, d√° para ficar bem alimentado e se esquivar dos car√≠ssimos restaurantes de √°reas tur√≠sticas.
       
      Todavia, ressalto que a hospedagem tem de ser pensada junto com o transporte urbano ‚Äď al√©m da conveni√™ncia de ter transporte perto, mas de seu custo. Diferentemente do Brasil, a tarifa√ß√£o do transporte p√ļblico √© por zonas ‚Äď em teoria, quanto maior e mais longe do centro o deslocamento, mais caro ele fica. Ent√£o, tem de ser analisado como duas ‚Äúfor√ßas antag√īnicas‚ÄĚ: a primeira, da hospedagem, quanto mais pr√≥xima do centro tur√≠stico/financeiro, mais caro fica; a segunda, de transporte, quanto mais longe do centro, mais caro fica. E como conciliar essas duas ‚Äúfor√ßas‚ÄĚ? Infelizmente n√£o existe uma resposta padr√£o: cada pessoa tem sua prefer√™ncia na pondera√ß√£o dessas ‚Äúfor√ßas‚ÄĚ.
       
      Ainda, ratifico alguns pontos que at√© podem fugir ao senso comum: Londres, de longe, √© a cidade que tem um dos transportes p√ļblicos mais caros (a ponto de um t√™nis custar o equivalente a 2,1 bilhetes de metr√ī avulsos). Entretanto, apesar dessa caracter√≠stica, o ‚Äúcombo‚ÄĚ de hospedagem na zona 5 para quatro pessoas √© mais barato do que o ‚Äúcombo‚ÄĚ equivalente em Paris ou Mil√£o para estadia de 1 semana. Outro ponto de destaque √© a prefer√™ncia de se hospedar no centro destas cidades. Ora, se no Brasil n√£o moro no centro, por que vou me hospedar no centro destas cidades (que podem ser bem mais caras)? Melhor usar esse dinheiro para melhorar minha resid√™ncia. Com base nessa percep√ß√£o, encontramos na Fran√ßa uma casa perto do metr√ī e fora da cidade de Paris ‚Äď ela ficava na cidade de Mountreuil (mas √© preciso verificar antes se o local de hospedagem na periferia n√£o √© perigoso, por exemplo).
       
      No nosso caso espec√≠fico de Londres, tinha um detalhe importante: nos dias 24, 25 e 26 de dezembro v√°rios lugares est√£o fechados, incluindo o transporte p√ļblico durante o Natal. √Ä vista disso, n√£o adiantava ficar muito longe da cidade, j√° que n√£o haveria transporte at√© o centro, com exce√ß√£o do uso das pernas. Por outro lado, as hospedagens na √°rea central s√£o proporcionalmente caras. Como solucionar? Em uma tela do computador, procurei no site¬†Transport for London¬†o mapa que mostrava a rede de trilhos por zona tarif√°ria. Em outra tela, buscava hospedagens pr√≥ximas ao metr√ī e¬†no limite da zona tarif√°ria 1 e 2. Como esse trabalho, consegui encontrar hospedagem mais barata em Candem Town e que permitiria conhecer Londres no Natal.
       
      Em Genebra, a quest√£o era embolada. Cogitava ficar em Annemasse, cidade francesa lindeira √† Genebra, pois os pre√ßos das hospedagens na cidade eram muito inferiores √† vers√£o dos su√≠√ßos. Seria ficar na Fran√ßa, pegar o trem ou √īnibus para Genebra e voltar. Mas consegui encontrar um apartamento bem mais barato do que os demais quartos no centro de Genebra e, assim, considerando que a cidade √© pequena, n√£o precisando de transporte, que ficar√≠amos somente por um dia e que provavelmente nada consumir√≠amos, como ir ao mercado, ficou mais vantagem ficar na Su√≠√ßa.
       
      Tendo solucionado os transportes e as hospedagens, era a fase de realizar a pesquisa de passeios e atra√ß√Ķes, um dos melhores momentos do planejamento de viagem.
       
      Por conveni√™ncia, prefiro um guia na forma ‚Äúcl√°ssica‚ÄĚ, em formato de livro de bolso, mas n√£o deixo de procurar na internet. Apesar de, na pr√°tica, estar tudo registrado num livro, n√£o √© t√£o simples assim ‚Äď especialmente para quem quer ter uma experi√™ncia melhorada e econ√īmica. Como Londres foi a capital do maior imp√©rio que j√° existiu, √© de se esperar que n√£o d√™ para conhecer todas as atra√ß√Ķes em uma semana. Dessarte, √© preciso fazer um roteiro que, pessoalmente, estabele√ßo da seguinte forma: atra√ß√£o; valor do ingresso; dia e hor√°rio de funcionamento. Como a semana que ir√≠amos teria os 3 dias de funcionamento parcial, o desenvolvimento de tal roteiro √© ainda mais essencial, sob o risco de ficar mofando na hospedagem e se privar de uma experi√™ncia enriquecedora de novas culturas. O mesmo trabalho foi realizado em Paris, contudo foi mais simples ‚Äď na verdade, Paris √© um marco nas artes, mas n√£o t√£o grande quanto a gente imagina: compare o tamanho da Linha 4 do metr√ī de S√£o Paulo com uma reta cortando a capital francesa de leste a oeste e tire suas conclus√Ķes... (Mas n√£o √© por isso que a cidade deixa de ser extremamente densa em cultura e beleza, muito pelo contr√°rio).
       
      Durante a pesquisa sobre as atra√ß√Ķes de Londres, li sobre uma promo√ß√£o das ferrovias brit√Ęnicas: o 2FOR1 que atende a v√°rias grandes cidades no Reino Unido, incluindo Londres. Essa promo√ß√£o, que √© diferente do LondonPass, consiste em receber o segundo ingresso gratuitamente desde que ambos tenham o bilhete de trem adequado. Com essa ‚Äúm√°gica‚ÄĚ, pag√°vamos quase metade do valor original das atra√ß√Ķes e usufru√≠amos de transporte p√ļblico ilimitado (a economia dessa promo√ß√£o √© t√£o grande que esta merece um t√≥pico exclusivo de an√°lise). Com isso, Londres, mais bela do que nunca, n√£o me pareceu cara como j√° ouvi...
       
      Para quem j√° percebeu no mapa, Londres est√° mais pr√≥ximo do Polo Norte do que Vancouver, no Canad√°. N√£o obstante, seu clima √© muito mais ‚Äúquente‚ÄĚ do que seria razo√°vel supor, decorrente da Corrente do Golfo que influencia a Europa Ocidental. Por conta disso, as temperaturas m√≠nimas que j√° atingiram a cidade de S√£o Paulo n√£o diferem muito da m√©dia destas cidades. Um bom casaco, luva comum, cachecol e bota s√£o suficientes para esta viagem (s√≥ ficou a expectativa de pegar alguma nevasca na Su√≠√ßa...).
       
      RESUMO
       
      EUROPA é um continente: não adianta querer conhecer vários lugares de uma vez só.
       
      PESQUISAR por passagem a√©rea pode demorar semanas ‚Äď mas vale a pena.
       
      VERIFIQUE por passagens a√©reas separadas e/ou multidestinos ‚Äď pode trazer uma grata surpresa.
       
      DEFINA o n√ļmero de dias de estadia em cada cidade.
       
      RESERVE 1 (um) dia de estadia nas cidades de origem e destino do voo ‚Äď pode ocorrer imprevistos.
       
      O DESLOCAMENTO entre pa√≠ses da Europa pode ser de carro, trem, avi√£o, √īnibus e barco ‚Äď o √īnibus √© a op√ß√£o mais barata.
       
      O preço de voo com MALA DESPACHADA pode ser muito mais caro.
       
      √Ēnibus e trem noturno: pode economizar uma di√°ria de HOSPEDAGEM.
       
      Ao procurar hospedagem combine junto com os passes de TRANSPORTE.
       
      SU√ć√áA √© cara [ponto].
       
      PESQUISA de passeios e atra√ß√Ķes deve ser feita previamente, para combinar melhor desempenho E economia.
       
      PROCURE por promo√ß√Ķes de passeios, como o 2for1 do Reino Unido.
       
      A Europa Ocidental não é tão FRIA como a gente imagina.
    • Por claudio_aomundoealem
      Ol√° mochileiros
       
      bem, finalizei o texto da minha viagem para Itália, feito a tempo antes da pandemia virar o mundo de cabeça para baixo. Espero que possa auxiliar a quem quiser viajar - espero que já nesse segundo semestre de 2021, se o vírus - e o euro - ajudar.
       
      P.S.: também coloquei um pequeno resumo para cada tópico.
       
      It√°lia ‚Äď Parte 2 ‚Äď A Viagem
       
      Dia 14/12 (1)
       
      Começava novamente a saga da viagem ao exterior, mas com sensação muito distinta. A preocupação agora não era de como será?, afinal já tinha adquirido experiência nos anos anteriores. A questão era o problema eterno em toda e qualquer viagem: está tudo certo? Faltou alguma coisa? Deixou alguma coisa aberta? São as perguntas que sempre acompanham o viajante e mostra que turismo exige algumas horas de preparação antes de iniciar mais um sonho.
       
      As malas de mão já tinham sido preparadas na semana anterior, mas sempre tem a possibilidade de colocar algo a mais ou ainda o que só pode ser posto no dia, como carregador de celular. Nisso vão mais algumas dezenas de minutos. Soma-se a isso o período para conferência de dinheiro, seguro viagem, bilhetes do trem, a pochete, o passaporte, chaves, máquina fotográfica, celular...
       
      Viajar ao exterior tem um efeito colateral de usar roupa completamente distinta do clima. Pedimos um motorista por aplicativo para nos levarmos ao aeroporto no início da tarde e sol do final da primavera queimava meu braço que estava coberto por uma camiseta de manga comprida escura.
       
      Mas esse trajeto (para sorte do meu braço) era curto e chegamos ao aeroporto com a antecedência recomendada. Diferente do ano anterior, o aeroporto estava muito mais tranquilo. Apesar de ter o limite de peso e tamanho imposto para a mala, passamos diretamente para o portão de embarque sem nenhuma restrição promovida pelos funcionários da companhia aérea.
       
      RESUMO
       
      N√ÉO SUBESTIME a necessidade de planejamento. Por mais que j√° saiba como organizar a mala, isso demanda tempo ‚Äď deixe tudo o que puder pronto dias antes.
       
      CHEGUE no aeroporto com anteced√™ncia ‚Äď melhor ficar olhando para o rel√≥gio e ver que ele demora para passar do que olhar para o mesmo rel√≥gio e achar que ele corre demais, por estar atrasado.
       
      Dia 15/12 (2)
       
      Ap√≥s ultrapassar o Oceano Atl√Ęntico, o avi√£o chegava em Lisboa, para nossa conex√£o. O tempo de conex√£o de 2 horas era confort√°vel para seguir os tr√Ęmites da alf√Ęndega (aliado √† praticidade da comunica√ß√£o ser em portugu√™s), desde que n√£o cometa algum deslize. O que podia representar uma amea√ßa era o fato do hor√°rio ser 5 da manh√£ em Portugal (ou 2 da manh√£ em S√£o Paulo). Consequentemente, nosso corpo e mente n√£o est√£o na capacidade plena de concentra√ß√£o, o que exige ainda mais aten√ß√£o para n√£o cometer erros. Para isso, fixei que s√≥ estaria tranquilo quando chegasse √† √°rea do port√£o de embarque.
       
      No setor da imigra√ß√£o, o agente viu minha pochete e determinou que passasse pelo raio-X ‚Äď com todo o dinheiro dentro! N√£o tirei os olhos da m√°quina e fiquei mais calmo depois que consegui recuperar a pochete e eles n√£o perguntarem do dinheiro (s√£o aqueles perrengues que viram hist√≥ria para contar).
       
      Determinado o port√£o de embarque, uma fila se formou para acessar o √īnibus do aeroporto ‚Äď e para minha surpresa v√°rias malas, algumas at√© maiores que a minha, estavam acompanhando os passageiros; era o ind√≠cio que n√£o teria problema no voo regional. Dito e feito! Mostramos o passaporte e a passagem e embarcamos, sem ningu√©m para medir ou ao menos pesar as malas.
       
      Entramos no avi√£o e, apesar de ser menos confort√°vel que um avi√£o transoce√Ęnico, me ajeitei para dormir... e quem conseguia dormir? Os outros passageiros n√£o paravam de falar (imagino que a maioria fosse italianos), apesar de ser 6 da manh√£ (‚Äún√£o √© poss√≠vel!!!!‚ÄĚ). Felizmente, acabou o assunto e consegui tirar uma justa soneca.
       
      O voo chegou √†s 10 da manh√£ em Nap√≥les ‚Äď facilmente reconhec√≠vel do avi√£o pelo Monte Ves√ļvio que ‚Äúprotege‚ÄĚ a cidade. Depois de trocar de roupa para se adequar ao clima do lugar, pegamos o √īnibus que d√° acesso ao porto e √† esta√ß√£o Napoli Centrale, perto do qual fica o hotel que reservara. Apesar de ter todos os ind√≠cios que estava na Europa, podia supor que ainda estava no centro de S√£o Paulo ‚Äď em pleno domingo, tr√Ęnsito pesado, barulho, sujeira completavam a cena. Mesmo pa√≠s rico pode ter cen√°rios de subdesenvolvimento (e lembrar da perfei√ß√£o da limpeza do lago em Genebra...).
       
      Deixando as malas de m√£o no hotel, sa√≠mos pela cidade ‚Äď e √† semelhan√ßa com o tr√Ęnsito ca√≥tico de S√£o Paulo era inevit√°vel, al√©m das in√ļmeras motocicletas. Os carros pareciam meio gasto e machucados ‚Äď e entendi o porqu√™: √© a cidade que para-choque realmente serve para... parar choques! Os carros batem sem nenhuma cerim√īnia. Ou seja, JAMAIS alugue um carro e dirija por dentro de N√°poles.
       
      Como o per√≠odo desse dia era curto (s√≥ sobrou a tarde e noite), aproveitamos para ir ao mercado e passear pela cidade √† p√©. Fomos em dire√ß√£o ao Duomo de N√°poles, mas estava fechado no dia ‚Äď no entanto, nas proximidades existia uma exposi√ß√£o de pres√©pios (a cidade italiana √© famosa pela produ√ß√£o). No pouco tempo de prepara√ß√£o da viagem, tinha lido sobre os pres√©pios napolitanos; mas me surpreendi ‚Äď os pres√©pios s√£o grandes e extremamente detalhados, com precis√£o cir√ļrgica para produzir cada objeto da arte.
       
      O Duomo e algumas outras √°reas antigas de N√°poles ficam em ruas apertadas ‚Äď bem apertadas, onde s√≥ passa moto e pedestre; alguns dizem que √© o equivalente √†s favelas brasileiras. No nosso caso, roubados n√£o fomos, mas n√£o andaria nesses lugares √† noite de jeito nenhum (de dia o movimento √© intenso, ent√£o n√£o h√° muitos problemas). Mas preferimos evitar a √°rea (fora o movimento que dificultava o fluxo de pessoas) e voltamos para as avenidas mais largas da cidade (no caso, a Corso Umberto I). Assim, deu para conhecer o Castel Nuovo e parte do porto, com o Ves√ļvio ao fundo.
       
      RESUMO
       
      O HOR√ĀRIO da conex√£o pode ser de madrugada, o que diminui nossa capacidade de racioc√≠nio.
       
      Em Napóles, encontre o vulcão: o MONTE VESÚVIO.
       
      OBSERVE o Castel Nuovo.
       
      Se visitar a cidade no final de ano, aprecie os cir√ļrgicos PRES√ČPIOS NAPOLITANOS.
       
      √Ä NOITE, as vielas de N√°poles n√£o parecem ‚Äúamig√°veis‚ÄĚ a quem n√£o conhece.
       
      Dia 16/12 (3)
       
      Reservamos esse dia para a atração mais visitada para quem vai a Nápoles: as ruínas de Pompeia.
       
      Fora do hotel, fomos √† esta√ß√£o de trem Napoli Piazza Garibaldi comprar o bilhete para irmos at√© Pompeia (na esta√ß√£o Pompei Scavi ‚Äď Villa Dei Misteri) pela rede da Circumvesuviana. Diferentemente de todas as linhas de trem que j√° usara, a sinaliza√ß√£o √© p√©ssima. Estava com o bilhete at√© Pompeia, mas qual linha deveria usar? Em qual plataforma? Precisava validar o bilhete? Na entrada da esta√ß√£o, tem uma placa indicada para Pompeia ‚Äď e s√≥. Depois de sair de um corredor, chega nas plataformas ‚Äď e qual delas √© para Pompeia? Do nada, um homem diz para usar a plataforma do meio e, em troca, pede dinheiro para um cafezinho (informa√ß√£o cara...). Me fiz de desentendido e ignoramos o apelo da ‚Äúajuda‚ÄĚ (depois verifiquei que isso √© um truque para pegar dinheiros de turistas que ficam constrangidos com a abordagem). Na plataforma, nenhum mapa indicando as linhas da rede, nem monitor indicando qual √© o pr√≥ximo trem, nada! POR SORTE, havia na plataforma um grupo com uma guia que disse para pegar o trem seguinte.
       
      Depois percebi que a sinalização para pegar o trem até existe, mas a sinalização é tão ruim e suja que é difícil de perceber.
       
      Sabendo que est√°vamos no trem correto (e ter percebido que a valida√ß√£o do bilhete foi feita ap√≥s pass√°-lo na catraca), apreciamos a vista do trajeto. Como o pr√≥prio nome diz, √© uma rede de linhas de trem que ficam ao redor do Monte Ves√ļvio. Ali caiu a ficha ‚Äď estava pr√≥ximo a um vulc√£o, que inexiste no Brasil. √Č uma montanha, com a diferen√ßa de n√£o ter um cume, mas um baita burac√£o no topo.
       
      A esta√ß√£o deixa quase que na frente do Parque Arqueol√≥gico de Pompeii ‚Äď e √© enorme. Devido ao seu tamanho, a maior parte das est√°tuas e esculturas (e os mortos cobertos pelas cinzas do vulc√£o) ficam mais pr√≥ximos da entrada, para facilitar a vida dos turistas. Mas isso n√£o √© motivo para n√£o conhecer as casas e ruas que pertenciam ao Imp√©rio Romano, a mais de 2 mil anos. A preserva√ß√£o de alguns lugares chega a ser espantosa. O parque cede um mapa para os ingressantes, mas uma consulta ao Google Maps foi de maior aux√≠lio, pois este indicava as principais atra√ß√Ķes do local, como o F√≥rum de Pompeia, Casa do Fauno, Tempo de Apolo, Lupanar (ou ‚Äúcasa das primas‚ÄĚ ‚Äď tanto lugar para ser preservado e conseguiram recuperar a ‚Äúdivers√£o noturna‚ÄĚ). Para conhecer o complexo, √© necess√°rio um bom cal√ßado, pois n√£o √© f√°cil de caminhar por cimas das pedras que perfazem as antigas ruas romanas.
       
      Caso queira conhecer todo o parque (e tenha f√īlego para isso), um dia ser√° obrigat√≥rio ‚Äď para a maioria das pessoas, por√©m, meio dia ser√° o suficiente. Depois de conhecer a maior parte do parque, sa√≠mos e quase ca√≠mos numa pegadinha ‚Äď para sair dele, √© preciso passar novamente o ingresso na catraca; N√ÉO o jogue fora! De l√°, fomos ao mercado que ficava no meio do caminho at√© a esta√ß√£o Pompei. Essa esta√ß√£o n√£o pertence √† Circumvesuviana, mas √† rede de trem regionais italianos ‚Äď a esta√ß√£o e o trem que pegamos era muito melhor do que fora a da ida; e essa linha era adjacente √† praia, o que possibilitou que apreci√°ssemos o Mar Tirreno no nosso retorno √† N√°poles.
       
      Apesar de termos chegado em Nápoles ainda de dia, as pedras de Pompéia acabaram com os pés e as pernas. Só restou descansar para poder aproveitar melhor os demais dias da viagem (mas sempre dá para dar uma esticadinha pelas ruas da cidade à noite).
       
      O dia seguinte estava reservado para a Ilha de Capri, mas como encontramos o ‚Äúespertinho‚ÄĚ dando golpe na ida √† Pompeia, ficamos receosos de ir por conta √† ilha (imagina se n√£o conseguimos voltar?) e n√£o sabia se haveria no dia pacote de ag√™ncia para ir √† ilha. Para evitar maiores encrencas, tive de mudar a log√≠stica e procurei no guia as atra√ß√Ķes que poderia fazer no dia seguinte, com o cuidado de verificar em qual dia da semana estariam fechados (para evitar o ocorrido em Bel√©m 2 anos antes). Um dos locais que me interessou, o Pal√°cio Real de Caserta, o equivalente Versailles italiano, estaria fechado.
       
      RESUMO
       
      Visite umas das principais atra√ß√Ķes da It√°lia: as RU√ćNAS DE POMP√ČIA.
       
      Para chegar √†s ru√≠nas, utilize a rede da Circumvesuviana e DESEMBARQUE na esta√ß√£o Pompei Scavi ‚Äď Villa Dei Misteri.
       
      N√ÉO FALE com ningu√©m que se aproxime de voc√™ ‚Äď se precisa de ajuda, pe√ßa aos funcion√°rios das esta√ß√Ķes ou das atra√ß√Ķes.
       
      Vá de TÊNIS: as ruas e calçadas pavimentadas por pedras era bom para os antigos romanos, e não para os homens do século XXI.
       
      Dia 17/12 (4)
       
      Na procura de atra√ß√Ķes, encontrei para o per√≠odo da manh√£ o Museu de Capodimonte, que ficava a 1,5 quil√īmetro de dist√Ęncia da esta√ß√£o Cavour. Ora, 1,5 quil√īmetro para passear pelas ruas antigas da Europa √© pouco (e at√© obrigat√≥rio ‚Äď se n√£o andar pelas ruas, n√£o √© poss√≠vel conhecer de verdade o velho continente). O problema √© que descobri somente durante o percurso que o museu ficava a 1,5 quil√īmetro na horizontal MAIS 107 metros na vertical ‚Äď tinha umas ladeiras que cansavam as pernas (errei feio); compensava mais ter descoberto uma linha de √īnibus que sa√≠sse do centro de Nap√≥les at√© l√°. Por√©m o ‚Äúestrago‚ÄĚ estava feito, que descobrimos ao andarmos pelas ladeiras que jamais acabavam.
       
      Mas as ladeiras acabaram e l√° est√°vamos [cansados] em frente do Museu de Capodimonte, com seu belo jardim. O museu, que foi um antigo pal√°cio, fica um pouco fora das rotas tur√≠sticas (que, percebi, gra√ßas √†s ladeiras), mas possui belas pinturas de artistas, inclusive do Renascimento ‚Äď no entanto, n√£o tem uma quantidade enorme de obras, como o British Museum ou Mus√©e du Louvre.
       
      Passado 2 horas (e descansado as pernas), voltamos √†s ladeiras ‚Äď agora em sentido descendente (afinal, para baixo todo santo ajuda) at√© os subterr√Ęneos de N√°poles, que ficava pr√≥ximo √† esta√ß√£o Cavour (550 metros no PLANO!). Entretanto, o caminho passava ao lado do Doumo que, desta vez, estava aberto ‚Äď e de entrada gratuita para a igreja. Aproveitamos para tirar fotos e descansar, mas ap√≥s 7 minutos fomos convidados a nos retirar ‚Äď a igreja ia fechar.
       
      Fora do Doumo, fomos √† Piazetta San Gaetano para acessarmos o subterr√Ęneo de N√°poles (Napoli Sotterranea). Depois percebi que, na pra√ßa, existem acesso a 2 ‚Äúsubterr√Ęneos‚ÄĚ. Um, o mais famoso, que fica na altura no n√ļmero 68 da pra√ßa; outro, vinculado √† igreja San Lorenzo Maggiore, fica na altura no n√ļmero 316 da pra√ßa ‚Äď quis o destino que nossa escolha fosse a segunda op√ß√£o. Por qu√™?
       
      Fomos √† bilheteria, usando aquele ingl√™s para comprar os bilhetes ‚Äď pelo que entendi, era necess√°rio a ida com guia; no caso, em ingl√™s ‚Äď e come√ßaria o passeio em menos de 10 minutos. Quando me virei para falar com meu pai ‚Äď em portugu√™s ‚Äď a vendedora exclamou: estava tamb√©m aprendendo a falar em ingl√™s ‚Äď ela era portuguesa; ambos est√°vamos ‚Äúsofrendo‚ÄĚ para falar (e entender) o ingl√™s um do outro desnecessariamente. E, para nossa surpresa, a guia ‚Äď para variar ‚Äď era brasileira. Como er√°mos somente n√≥s no grupo para o passeio ao subterr√Ęneo naquele hor√°rio, conseguimos, na pr√°tica, uma guia particular falando em portugu√™s em N√°poles ‚Äď o destino realmente escolhera muito bem.
       
      No subterr√Ęneo de N√°poles, a semelhan√ßa com o que fora visto no dia anterior em Pomp√©ia era evidente ‚Äď e conveniente; a guia dirimiu algumas curiosidades que t√≠nhamos visto nesses s√≠tios arqueol√≥gicos de ocupa√ß√£o greco-romana. Ali√°s, como ela contou, N√°poles deriva de Ne√°polis, ou nova polis ‚Äď nova cidade; a arquitetura em arco, bastante forte (meio l√≥gico at√© ‚Äď tem uma CIDADE em cima de todo o subterr√Ęneo); as grandes pedras brancas no meio da rua, para ampliar a ilumina√ß√£o noturna; as √°reas que correspondiam ao mercado, escola, casas. Curiosamente, o subterr√Ęneo n√£o era segredo para [quase] ningu√©m ‚Äď os cl√©rigos da igreja usavam essa parte do subterr√Ęneo como dep√≥sito; somente no s√©culo XX que foi reconhecido o valor hist√≥rico de tais √°reas.
       
      Finalizado o passeio ao subterr√Ęneo e √† igreja San Lorenzo Maggiore, fizemos o √≥bvio: comer pizza napolitana... em N√°poles. Comer pizza ‚Äď ou calzone ‚Äď √© extremamente f√°cil de ver nas ruas de N√°poles (e no resto da It√°lia tamb√©m). E √© barato: ‚ā¨ 5 pelos pratos mais simples de pizza. Apesar de conseguir comer tudo, o prato atende bem como almo√ßo E jantar.
       
      Abastecidos, voltamos à área portuária da cidade até a Piazza del Plebiscito e (mais um) Palácio Real, em frente à praça. Infelizmente, o dia estava acabando e não dava mais tempo de conhecer mais lugares.
       
      A cidade, em si, n√£o √© um lugar que voltaria ‚Äď de bagun√ßa e sujeira, j√° basta o Brasil. No entanto, h√° de se reconhecer que a regi√£o cont√©m tesouros hist√≥ricos √ļnicos. Ou seja, n√£o deve ser considerada como destino de viagem principal ‚Äď mas caso tenha a oportunidade de ‚Äúpassar l√°‚ÄĚ, como foi o meu caso (e gostar de hist√≥ria e seus tesouros), pode valer a pena.
       
      RESUMO
       
      Nápoles tem algumas LADEIRAS terríveis.
       
      VISITE o Museu de Capodimente e o Duomo de N√°poles.
       
      CONHE√áA as hist√≥rias e os artefatos nos subterr√Ęneos de N√°poles.
       
      COMA a pizza napolitana... em N√°poles.
       
      PASSEIE pela Piazza del Plebiscito e o Palácio Real em frente à praça.
       
      Dia 18/12 (5)
       
      Apesar de ainda estar em N√°poles, o dia era reservado para Roma ‚Äď o hor√°rio do trem que reservamos era √†s 9 da manh√£, com tempo de trajeto em impressionantes 1 hora e 10 minutos. Apesar de at√© parecer meio tarde para pegar o trem, o tempo que se perde em tomar o caf√© e fechar (n√£o arrumar ‚Äď isso j√° fora feito na noite anterior) a mala de m√£o √© relevante. Mesmo assim, chegamos com anteced√™ncia na esta√ß√£o Napoli Centrale para embarcar no trem ‚Äď a quest√£o √© que seria a primeira viagem de trem de alta velocidade na Europa. Apesar de ter visto in√ļmeros v√≠deos na internet de como funciona o sistema de trens de alta velocidades na Europa (e It√°lia), o nervosismo √© inevit√°vel, pois o tempo de embarque pode ser curto e a esta√ß√£o, muito grande. No entanto, o sistema √© pensado para que o tempo seja justo ‚Äď nem r√°pido, nem demorado.
       
      Nas primeiras viagens de trem, √© vital ter os bilhetes impressos em m√£os ‚Äď primeiro, para ver as informa√ß√Ķes do bilhete e comparar com o painel na esta√ß√£o; segundo, √© preciso mostrar o bilhete ao funcion√°rio da companhia ferrovi√°ria durante o trajeto.
       
      Finalmente, apareceu a informa√ß√£o no painel de qual plataforma seria o embarque ‚Äď justamente a plataforma mais distante dos bancos onde est√°vamos. Por√©m, como dito que o tempo √© justo, apesar de ter de cruzar a esta√ß√£o, o tempo foi mais que suficiente. Por√©m esse tempo √© para entrar no trem ‚Äď ele parte mesmo que n√£o tenha encontrado seu lugar ou guardado sua mala.
       
      O bilhete do trem j√° vem indicado o n√ļmero da poltrona em que deve se sentar. Mas nessa viagem um grupo de garotas estavam sentadas em algum de nossos lugares ‚Äď e percebi que, apesar do bilhete indicar a cadeira, nada impede que possa trocar de lugar com outro por meio de uma boa conversa.
       
      O trem, moderno, cortava as paisagens italiana de forma fulminante ‚Äď e o monitor no in√≠cio do vag√£o indicava o porqu√™: 300 km/h! (√© um bocado dif√≠cil tirar foto). Apesar da velocidade, o trem √© confort√°vel e silencioso, f√°cil para dormir ‚Äď menos para esse blogueiro, que faz quest√£o de curtir cada segundo de qualquer viagem.
       
      Dito e feito! Depois de 70 minutos, o trem parou na esta√ß√£o Roma Termini. E ficou muito claro de o porqu√™ de quem conheceu os trens de alta velocidade europeu, se apaixona (ainda mais quando fica ‚Äútravado‚ÄĚ por dezenas de minutos nas marginais em S√£o Paulo).
       
      Compramos os bilhetes avulsos de metr√ī at√© a hospedagem pr√≥xima ao Vaticano, para guardar as malas. Do hotel, fomos √† p√© em dire√ß√£o ao Museo e Galleria Borghese. Nas ruas romanas, os edif√≠cios pr√≥ximos do Vaticano muito me lembravam de Paris ‚Äď nas suas propor√ß√Ķes, √© claro. Diferente do que v√≠ramos em N√°poles, Roma √© uma cidade muito mais organizada.
       
      No caminho para a Galleria Borghese paramos na Piazza del Popolo ‚Äď pra√ßa obrigat√≥ria para quem j√° assistiu Robert Langdon na procura dos cardeais em Anjos e Dem√īnios.
       
      Nos jardins da Villa Borghese fica o Terrazza del Pincio, onde √© poss√≠vel ver a c√ļpula do Vaticano, a Piazza del Popolo e outros marcos de Roma e, claro, tirar muitas fotos. Todavia, o local √© frequentado por vendedores e eventuais golpistas: um homem queria empurrar a todo custo uma rosa para minha m√£e (turista tem o problema de ser menos ‚Äúsens√≠vel‚ÄĚ a perceber trambiques). Tive que insistir em falar n√£o, at√© exclamar um ‚Äúget out!‚ÄĚ ‚Äď s√≥ assim para o homem ir embora.
       
      Pelos belos jardins chegamos √† galeria. Apesar de ter lido que √© necess√°rio fazer reserva, eu consegui comprar na hora ‚Äď mas aten√ß√£o: o ingresso √© caro e o hor√°rio √© limitado. Os per√≠odos s√£o pr√©-definidos, como das 15:00 √†s 17:00. Se entrar √†s 16:00, s√≥ pode ficar at√© √†s 17:00. Pode se perguntar: Que frescura. E por que ent√£o foi l√°? Quando nos referimos a artistas renascentistas italianos como mestres, n√£o √© √† toa. Apesar de ter pinturas no museu, as grandes atra√ß√Ķes s√£o as esculturas do mestre Lorenzo Bernini ‚Äď ele n√£o fez 1 escultura obra-prima, ele fez V√ĀRIAS. E n√£o d√° para falar que uma √© melhor do que a outra porque n√£o existe nota melhor do que perfeita (s√£o esculturas de tirar o chap√©u). ‚Äú√Č caro‚ÄĚ ‚Äú√Č‚ÄĚ. ‚ÄúVoltaria?‚ÄĚ ‚ÄúVoltaria‚ÄĚ.
       
      Mas o passeio na galeria tem o hor√°rio limitado e voltamos para Piazza del Popolo conhecer o centro de Roma. Pr√≥ximo fica a Piazza di Spagna, onde ficam a fonte e a famosa escadaria ‚Äď de t√£o famosa, o governo italiano proibiu de sentar nos degraus, sob pena de multa. Depois, sob a luz do luar, nos ‚Äúperdermos‚ÄĚ pelas ruas hist√≥ricas da cidade, nos unindo ao fluxo intenso de turistas.
       
      RESUMO
       
      EMBARQUE nos trens de alta velocidade italianos.
       
      Leve o BILHETE IMPRESSO nas m√£os ‚Äď utilizar os trens de alta velocidade √© bem simples para quem est√° acostumado. Mas na 1¬ļ vez √© melhor tem impresso para poder conferir as informa√ß√Ķes de viagem rapidamente.
       
      VISITE a Galleria Borghese e se encante com as esculturas perfeitas de Lorenzo Bernini.
       
      NÃO PERMITA que qualquer estranho te ofereça ao algum produto.
       
      PERCORRA por algumas praças romanas, como a Piazza del Popolo e Piazza di Spagna.
       
      Dia 19/12 (6)
       
      Esse foi um dia que, na pr√°tica, demonstrou que comprar ingresso antecipadamente ou fazer reserva pode n√£o ser boa ideia (pelo menos em baixa temporada). Na noite anterior tinha visto que esse dia seria chuvoso ‚Äď longe das chuvas que ocorrem em S√£o Paulo, mas ainda assim inconveniente. Os passeios ‚Äúobrigat√≥rios‚ÄĚ em Roma s√£o o Coliseu e F√≥rum Romano, e o Vaticano. Tendo em vista a expectativa de chuva, fomos ao Musei Vaticani (para algumas [poucas] atra√ß√Ķes, a Europa est√° at√© obrigando fazer reserva. Mas ela n√£o precisa ser feita 2 meses antes ‚Äď basta fazer no dia anterior).
       
      E o dia foi mesmo chuvoso ‚Äď por uns momentos da manh√£, ca√≠a uma chuva torrencial. Todavia, como a hospedagem era muito pr√≥xima ao Vaticano, n√£o havia necessidade de sair cedo para se aventurar no transporte at√© os dom√≠nios da Santa S√©.
       
      A fila de acesso estava pequena. Contudo, ao notar o fluxo de turistas no Vaticano, percebi que era decorrente do hor√°rio que cheg√°ramos, √†s 9 da manh√£, quando abre o museu ‚Äď o melhor √© chegar pr√≥ximo desse hor√°rio.
       
      O Musei Vaticani √©, na verdade, v√°rios museus. Ao entrar, fica-se com a impress√£o de entrar numa cidade ‚Äď uma cidade sagrada. Onde come√ßar? Muitos indicam a Capela Sistina ‚Äď inclusive o pr√≥prio Vaticano indica um atalho para chegar ao lugar. Vale a pena faz√™-lo pois o n√ļmero de turistas aumenta muito no decorrer do dia; mas n√£o deve considerar que o Musei Vaticani √© t√£o somente para apreciar a obra de Michelangelo ‚Äď tem muito mais.
       
      Em parte do corredor at√© a Capela Sistina, tape√ßarias imensas ornamentavam o local (Galeria das Tape√ßarias). No √ļltimo trecho fica a Sala dos Mapas ‚Äď somos ladeados por diversos mapas pintados na parede. Uma curiosidade: alguns mapas eram dif√≠ceis de reconhecer, pois o Norte √© apontado para baixo (quest√£o de perspectiva).
       
      √Č inquestion√°vel a arte impec√°vel pintada nas paredes e teto da Capela Sistina (sim, se j√° √© ruim pintar de branco o teto de casa, imagina fazer uma obra-prima para posteridade?). A entrada para a Capela se d√° de costas para o Ju√≠zo Final e se perde algumas dezenas de minutos para poder contemplar as obras ‚Äď e muito mais para ver os detalhes. Um ponto interessante que foi feito nesse passeio foi ter um guia com informa√ß√Ķes mais completas sobre o local ‚Äď assim, podia entender o que cada pintura representava, o que Michelangelo e outros mestres queriam indicar em suas obras. Consequentemente, os detalhes das pinturas eram mais percept√≠veis ‚Äď acho que passamos mais de 2 horas l√°; at√© doeu a cabe√ßa de tanto olhar para o teto ‚Äď que Michelangelo pintou por anos!
       
      Como são vários museus dentro do complexo, é difícil lembrar a ordem em que passa por cada um dos museus. Por isso segue alguns museus, não necessariamente na ordem realizada.
       
      O Museo Gregoriano Egizio, com m√ļmias e outras pe√ßas encontradas do Antigo Egito ‚Äď n√£o deixa de ser curioso que na sede da Igreja Cat√≥lica Apost√≥lica Romana existam objetos e outros s√≠mbolos pag√£os; um sinal de respeito com outras culturas e apre√ßo √† arte e √† hist√≥ria (mas depois de ver m√ļmias no British Museum e Muse√© du Louvre, me perguntava se sobrou alguma m√ļmia no Egito para contar hist√≥ria...).
       
      A Pinacoteca do Vaticano, com quadros e esculturas do s√©culo XII ao XIX. Para cada uma das 16 salas, fica representada uma √©poca e, claro, a principal obra ‚Äď entre Leonardo, Caravaggio, Rafael...
       
      As Salas (Stanze) de Rafael, que s√£o quatro aposentos decorados pelo mestre renascentista ‚Äď infelizmente, estas salas est√£o em processo de restaura√ß√£o e, somado ao espet√°culo que foi ter apreciado a Capela Sistina, fica um pouco dif√≠cil de dar a aten√ß√£o devida ao lugar. Mas n√£o se iluda ‚Äď as pinturas s√£o incrivelmente b√°rbaras.
       
      O Museo Gregoriano Etrusco, com pe√ßas arquitet√īnicas encontradas na It√°lia do povo que ocupava a regi√£o do L√°cio antes da forma√ß√£o do Reino de Roma ‚Äď evidentemente, para quem tem pouco tempo e/ou prefere as pinturas renascentistas, n√£o √© interessante.
       
      O Museu Pio-Clementino, com obras e objetos da Antiguidade Greco-Romana e do Renascimento. Junto com a Capela Sistina e as Salas do Rafael, √© um dos principais museus do complexo. A quantidade de est√°tuas e busto de romanos √© gigantesca, sendo que a maioria est√° extremamente bem preservada, a despeito de ter aproximadamente 2 mil anos (ficou a impress√£o de que, para os romanos, a cria√ß√£o de bustos/est√°tuas √© o equivalente moderno ao consumo de alto luxo; al√©m de que parte dos bustos eram de homens forte do Estado Romano, num processo bem semelhante ao de homenagem a pol√≠ticos no s√©culo XXI ‚Äď ou seja, passam-se os anos, mas a hist√≥ria se repete).
       
      Existem outros museus no complexo, como o Museo Chiaramonti, Museo Gregoriano Profano, Museo Sacro, Biblioteca Apost√≥lica, entre outros. Por√©m √© poss√≠vel que alguns deles estejam fechados (como foi o meu caso para a Biblioteca) e alguns desses museus n√£o tem separa√ß√£o f√≠sica ‚Äď voc√™ vai para o outro museu sem ‚Äúperceber‚ÄĚ; por isso fica um pouco dif√≠cil discriminar em qual museu estava aquela obra espec√≠fica.
       
      Para acessar um dos ambientes que ainda n√£o tinha conhecido, foi necess√°rio passarmos novamente na Capela Sistina (chato n√©? t√£o ruim ver novamente as sensacionais pinturas de Michelangelo...). Nessa segunda visita, a capela estava muito mais cheia ‚Äď e percebi que chegar cedo nos pontos mais demandados faz toda a diferen√ßa.
       
      Apesar de enorme, t√≠nhamos conseguido conhecer [quase] todo o complexo representado pelo Musei Vaticani. Era o momento de ir embora ‚Äď e mesmo assim √© poss√≠vel se impressionar: a escadaria em espiral de Guiseppe Mormo, que marca o fim do Musei Vaticani.
       
      Fora dos museus, o passeio pelo Vaticano ainda n√£o havia acabado. Afinal, ainda faltavam a Piazza San Pietro e a Basilica de San Pietro, a maior igreja crist√£ do mundo e a casa do sucessor de S√£o Pedro. A pra√ßa, uma enorme elipse rodeada por 140 santos, foi criada por Bernini (pelo jeito n√£o foi o suficiente ter criado as espetaculares esculturas na agora Galleria Borghese ‚Äď tem de impressionar o mundo com mais obras...).
       
      Ap√≥s passar pela seguran√ßa (uns 20 minutos de fila), entramos no Bas√≠lica de S√£o Pedro. Apesar de ter j√° vistos [muitas] igrejas e pal√°cios em Portugal, Espanha, Inglaterra e Fran√ßa, essa me deixou de ‚Äúboca aberta‚ÄĚ. Se os chefes da Igreja Cat√≥lica quiseram criar uma estrutura que mostrasse o poder de Deus perante seu fiel, conseguiram. N√£o h√° palavras para descrever o lugar (ah, isso vale para fotos e v√≠deos tamb√©m). Talvez uma palavra para caracterizar o lugar seja... Suprema. E, claro, n√£o √© necess√°rio que seja um fiel cat√≥lico para se encantar com a bas√≠lica. De longe, √© um lugar que voltaria (e voltei mesmo).
       
      RESUMO
       
      Comprar BILHETE ANTECIPADAMENTE pode n√£o ser muito bom, especialmente se estiver em baixa temporada.
       
      Fique o DIA INTEIRO no complexo representado pelos Musei Vaticani.
       
      A CAPELA SISTINA pode exigir mais de uma hora para conhecer seus detalhes.
       
      Vá para a Piazza San Pietro, ENTRE na Basilica de San Pietro e fica estupefato com tal criação.
       
      Dia 20/12 (7)
       
      Como previsto, o dia seria mais ensolarado, bem distante da chuva que caiu no dia anterior. Ou seja, era o dia reservado para o Coliseu e Foro Romano.
       
      Para chegar, basta pegar o metr√ī e descer na esta√ß√£o Colosseo (mais f√°cil que isso n√£o tem). A estrutura do Coliseu, um tanto ‚Äúmachucada‚ÄĚ pelos s√©culos de pilhagem, √© maior do que parece nas fotos. Como √© de se esperar, j√° estavam √† vista os eventuais ‚Äúespertinhos‚ÄĚ. Com isso, uma prote√ß√£o maior dos bolsos e celulares se faz necess√°rio ‚Äď mas sem precisar ficar paranoico.
       
      Como umas das principais atra√ß√Ķes da capital italiana (se n√£o a principal), esperava filas enormes para acessar o Coliseu (ou ao menos maior do que a encontrada no Vaticano). Surpreendentemente, praticamente n√£o havia fila. Bastava entrar numas das laterais do Coliseu, comprar o ingresso (que d√° acesso tamb√©m ao Foro Romano) e entrar no antigo est√°dio romano.
       
      O gigantesco anfiteatro, cen√°rio de lutas de gladiador, era muito mais do que isso. Conseguiam at√© alagar a arena. √Č composto por 4 n√≠veis: o primeiro, para a corte imperial e senadores; o segundo, para fam√≠lias nobres, mas n√£o pertencentes ao Estado Romano; o terceiro, para os homens em geral, conforme grau de riqueza; o quarto, para as mulheres comuns. Na pr√°tica, era o equivalente ‚Äúcinema‚ÄĚ do imperador e seus asseclas, ao qual o povo tinha acesso ‚Äď mas afastado da aristocracia. E era todo revestido de m√°rmore que, ao longo do tempo, foi arrancado e usado em outros lugares ‚Äď mas √© poss√≠vel ter no√ß√£o do tal m√°rmore que fora retirado. Parte dele reveste a Bas√≠lica de S√£o Pedro, no Vaticano ‚Äď n√£o √© √† toa que tenha tal beleza.
       
      Apesar do tamanho do Coliseu, sua concep√ß√£o e constru√ß√£o √© espantosa ‚Äď sua constru√ß√£o foi realizada ao longo de 8 anos (compare com algumas obras menores tupiniquins...), com o planejamento para evacua√ß√£o total do est√°dio em 10 minutos. Al√©m disso tinha cobertura para proteger do sol, com um p√ļblico de 70 mil pessoas.
       
      Apesar de enorme, o acesso do ingresso n√£o abarca todo o anfiteatro ‚Äď umas 2 horas √© suficiente para admirar as enormes pedras que sustentam o local (a n√£o ser que queira conhecer os subterr√Ęneos, pagando o bilhete competente). Fora do Coliseu, com o ingresso ainda em m√£os, √© o momento de ir ao F√≥rum Romano, a antiga sede do Imp√©rio Romano ‚Äď mas n√£o antes de tirar fotos ao lado do Arco de Constantino.
       
      Assim como o Coliseu, a antiga Roma representada pelo F√≥rum Romano tem v√°rios peda√ßos em ru√≠nas. Entretanto, as constru√ß√Ķes (mesmo que parcialmente) inteiras provam que a opul√™ncia do Imp√©rio Romano n√£o ficou reservada somente ao Coliseu. Numa das constru√ß√Ķes, era poss√≠vel perceber a convers√£o do antigo templo pag√£o em uma casa cat√≥lica ‚Äď fizeram uma nova pintura por cima. Junto ao F√≥rum Romano fica o Monte Palatino, a mais famosa colina de Roma. A maior parte das constru√ß√Ķes (infelizmente) est√£o em ru√≠nas, mas √© poss√≠vel perceber que ali era, sem d√ļvida, o centro do poder do Imp√©rio.
       
      Findo o passeio pela parte antiga de Roma, era o momento de voar por alguns séculos até o século XIX para a Piazza Venezia, onde fica o Monumento Nacional ao primeiro rei da Itália, Vittorio Emanuelle II.
       
      Passando pelo centro de Roma, obrigat√≥rio passar pela Fontana di Trevi (sempre lotada), o Phanteon, o antigo tempo romano, onde est√° enterrado Vittorio Emanuelle II ‚Äď mas √© bom ir de dia; √† noite, o ambiente fica muito escuro. Pr√≥ximo ao tempo, fica a Piazza Navona, onde Robert Langdon salvou o cardeal e o Castel Sant¬īAngelo. Esse castelo, constru√≠do pelo imperador Adriano como mausol√©u, serviu como fortifica√ß√£o para os papas em caso de grave perigo. Para isso, existe um corredor que liga o castelo diretamente √† Bas√≠lica, o qual foi usado por Langdon (repare que esse blogueiro √© f√£ inventerado do personagem de Dan Brown ‚Äď um dos pontos mais divertidos em viagem √© reconhecer pessoalmente imagens que vira em fotos ou v√≠deos).
       
      RESUMO
       
      CONHE√áA o Coliseu e o Foro Romano por meio do ingresso √ļnico.
       
      PR√ďXIMO √†s ru√≠nas romanas fica uma edifica√ß√£o mais moderna: o Monumento Nacional para Vittorio Emanuelle II, na Piazza Venezia.
       
      CONTEMPLE a Fontana di Trevi, o Phanteon, a Piazza Navona e o Castel Sant¬īAngelo.
       
      Dia 21/12 (8)
       
      Tendo em vista que as principais atra√ß√Ķes de Roma j√° tinham sido conhecidas nos dias anteriores, era o dia de se perder pela cidade e rever algumas atra√ß√Ķes (e aproveitar o dia, j√° que algumas foram vistas √† noite, o que pode atrapalhar um pouco).
       
      Como escrevera, voltamos ao Vaticano. Entramos no in√≠cio da manh√£, ap√≥s arrumar as malas (o que sempre toma um tempo). Novamente com pouca fila, logo na entrada da Bas√≠lica de S√£o Pedro fica a Piet√†, de Michel√Ęngelo ‚Äď o problema √© que ela est√° envolta do vidro, dif√≠cil de apreci√°-la como merece; pode ser mais simples admirar as r√©plicas, como uma que estava na Pinacoteca do Musei Vaticani ou de ver de outros mestres, como as de Bernini na Galleria Borghese. N√£o h√° um cent√≠metro quadrado em toda a bas√≠lica que n√£o tenha sido plenamente trabalhada, incluindo o baldaquino de Bernini.
       
      A bas√≠lica, apesar de ser uma impressionante constru√ß√£o hist√≥rica, n√£o deixa de ser uma... igreja! Para quem for cat√≥lico (ou simplesmente quer conhecer), √© poss√≠vel participar da missa na bas√≠lica. Mesmo sendo italiano, d√° para entender algumas express√Ķes ‚Äď afinal, tanto o italiano quanto o portugu√™s t√™m a mesma origem, o latim; inclusive, √© somente no Vaticano que o latim ainda √© uma l√≠ngua oficial.
       
      Fora da bas√≠lica, ficava a impress√£o de que tinha algo que representa o Vaticano e n√£o havia visto... O que seria? Olho para a esquerda e dez homens da Guarda Su√≠√ßa (√© claro!) passam ao meu lado. Em Genebra, tinha perguntado ao guia do museu de o porqu√™ eram homens su√≠√ßos que faziam a prote√ß√£o papal. Ele explicou que, na Europa, os homens da guarda su√≠√ßa eram tidos como os mais confi√°veis ‚Äď o que permanece at√© hoje.
       
      Evidentemente, h√° diversas atra√ß√Ķes que podem ser feitas na bas√≠lica al√©m da visita da pr√≥pria e assistir a uma missa, como subir at√© a c√ļpula, visitar os tesouros do Vaticano ou ir ao t√ļmulo de S√£o Pedro. Mas o fato de existir n√£o quer dizer que tenha de ir...
       
      Na Piazza San Pietro, fomos encontrar a escultura mostrada por Langdon na busca pelo segundo cardeal ‚Äď a rosa dos ventos representada no ch√£o da pra√ßa (claro, isso √© mais uma divers√£o para turista detetive que adora procurar marcos que foram vistos em livros e filmes).
       
      Seguindo pela Via della Conciliazione, cruzamos o centro de Roma para curtir um pouco mais da cidade, agora com a ilumina√ß√£o solar. Dessa vez, seriam o destino as Igreja de Santa Maria della Vittoria e Bas√≠lica de Santa Maria Maggiore. Talvez fosse o caso de pegar o metr√ī para visitar essas igrejas, no entanto isso tem de ser contrabalanceado com o fato de que existem outras atra√ß√Ķes ou lugares no meio do caminho que merecem ser vistos (reitero: o melhor do Europa √© andar por suas √°reas milenares). Caso fique na d√ļvida, use os dois meios: fa√ßa um dos caminhos a p√© e use o outro (ida ou volta) de transporte p√ļblico.
       
      A Bas√≠lica de Santa Maria Maggiore √© uma das igrejas que, apesar de n√£o estar no territ√≥rio representado pelo Vaticano, pertence ao Estado Papal (com privil√©gios semelhantes a uma embaixada). √Č a √ļnica igreja romana que celebra missa todos os dias sem interrup√ß√£o desde o fim do Imp√©rio Romano do Ocidente e uma das mais belas igrejas de toda a Roma, com mosaicos do s√©culo V. J√° ficara encantado com a Bas√≠lica de S√£o Pedro e aparece outra, enorme e t√£o bela quanto. Apesar de ser bem perto da principal esta√ß√£o de trem de Roma (Termini), ela estava vazia (ideal para quem gosta de evitar aglomera√ß√Ķes). √Č nela que est√° enterrado Bernini (mas, convenhamos, por tudo o que ele criou ‚Äď inclusive para a Igreja Cat√≥lica, seria desaforo ele ser sepultado em local diverso).
       
      A Igreja de Santa Maria dela Vittoria √© mais um local para onde Langdon se desloca na busca dos cardeais. E assim como ocorre com o personagem, tivemos nossa surpresa: a igreja estava fechada, reservada para um CASAMENTO! ‚Äď um claro exemplo de que, por mais que planeje, sempre pode ocorrer contratempos; o mais importante √© sempre ter uma carta na manga para substituir o passeio. Com isso, n√£o poderia apreciar a 100¬™ obra de Bernini, o √äxtase de Santa Tereza (mas tudo bem ‚Äď fico satisfeito com as outras 99...).
       
      Na pr√°tica, o passeio pela cidade eterna estava chegando ao fim. Mas n√£o √© poss√≠vel despedir dela sem tomar um tiramis√Ļ (por ‚ā¨ 2,50). De volta ao hotel para pegar √†s malas, pegamos o metr√ī at√© √† esta√ß√£o Termini embarcar no trem de alta velocidade rumo a Floren√ßa. Apesar de termos chegado a tempo, creio que o ideal seja chegar pelo menos meia hora antes ‚Äď afinal, e se o metr√ī quebra ou tenha algum atraso?
       
      Diferente da primeira viagem de trem a partir de N√°poles, essa foi mais tranquila ‚Äď j√° tinha entendido [quase] tudo com o primeiro embarque e, como era de noite, n√£o tinha como ver nada pela janela. Mas aprendi um novo detalhe: a mesma plataforma pode atender v√°rios trens de alta velocidade ‚Äď ent√£o sempre confira o n√ļmero do bilhete com o indicado nas portas do trem, sen√£o vai embarcar no trem errado...
       
      RESUMO
       
      VOLTE a Bas√≠lica de S√£o Pedro ‚Äď vale a pena ‚Äď e, se quiser, participe de uma missa.
       
      PASSEIE pelo Centro de Roma.
       
      CONHEÇA as outras basílicas papais em Roma, como a Basílica de Santa Maria Maggiore.
       
      Se tiver um pouco mais de sorte, ENTRE na Igreja de Santa Maria dela Vittoria.
       
      EXPERIMENTE o doce tiramis√Ļ.
       
      Dia 22/12 (9)
       
      Era o dia de conhecer a capital da Toscana: a cidade de Florença, que por um breve período foi capital do Reino da Itália e centro da arte renascentista, em virtude do patrocínio decorrente da poderosa família Médici.
       
      Infelizmente nesse dia a chuva voltara e, diferente da possibilidade em Roma de ir a um ambiente fechado ‚Äď o Musei Vaticani, n√£o tinha como n√£o enfrentar um pouco da chuva. Mas n√£o √© por isso que a viagem seria arruinada: lembre-se de trazer capas de chuva (aquelas descart√°veis, de 1 real) e ser√° poss√≠vel realizar √≥timos passeios (l√≥gico, n√£o d√° para olhar para cima para ver o alto de uma torre sen√£o vai se molhar todo).
       
      Como o tempo de planejamento da viagem foi meio curto, n√£o tive tempo de discriminar as atra√ß√Ķes em Floren√ßa e fomos na secretaria de recep√ß√£o de turistas pedir algumas informa√ß√Ķes e obter um mapa da cidade ‚Äď mas isso s√≥ para quem n√£o pesquisou antes de ir para a cidade; o ideal √© sempre estudar as atra√ß√Ķes do destino antes de viajar (se bem que, para n√≥s, tamb√©m serviu para escapar um pouco da chuva que aumentara). No local vendem o Firenze Card, mas como j√° discutido na se√ß√£o dos Citycards, n√£o me interessou (fora que o tempo na cidade foi curto).
       
      Perguntei qual era a atra√ß√£o recomendada para quem tem s√≥ um dia de visita √† cidade. A atendente foi pragm√°tica: a Galleria Degli Uffizi. A principal atra√ß√£o da cidade tamb√©m serviria para escapar da chuva ‚Äď perfeito.
       
      A Galleria Degli Uffizi √© um dos principais centros de cole√ß√£o de arte do mundo (e uma fila para entrar em alta temporada que pode ser insana) ‚Äď e entendi o porqu√™. A quantidade de quadros, esculturas e outras obras √© absurda. E cont√©m, evidentemente, obras superfamosas, como O Nascimento de V√™nus, de Botticelli. Entretanto, umas das pinturas que mais me impressionou foi a perfei√ß√£o do desenho do p√© de um homem na √°gua com as consequentes ondas causada pelo movimento corporal ‚Äď tratava-se da pintura do ent√£o jovem Leonardo da Vinci, O Batismo de Cristo. Reza a lenda que o mestre de Leonardo, ao ver a pintura de seu disc√≠pulo, desistiu de pintar ao perceber que seu aprendiz superou (e muito) seu mestre (se, para uma pessoa leiga para as artes como eu se impressiona com a pintura, imagina para um especialista ‚Äď √© de ficar doido). Mas a galeria √© t√£o ampla que at√© Keanu Reeves est√° representado (pelo jeito, a Matrix tamb√©m servia para viajar no tempo, √† It√°lia renascentista) e a Medusa.
       
      Al√©m dos citados Botticelli e Leonardo da Vinci, ainda marcam presen√ßa Caravaggio, Ticiano, Rafael, Michelangelo entre outros, al√©m de in√ļmeros bustos romanos e outras est√°tuas. Com isso, √© evidente que longas horas se passam no museu.
       
      Finda a visita pela galeria, a chuva já tinha passado e era o momento para passear pela cidade. Para variar, Florença é mais uma cidade onde o professor Robert Langdon visitou em uma de suas aventuras: cheia de marcos interessantes para conhecer.
       
      Infelizmente, o passeio pela Galleria Degli Uffizi nos tomou v√°rias horas e n√£o seria poss√≠vel visitar muitos outros lugares internamente. Pr√≥xima √† galeria fica o Palazzo Vecchio na Piazza dela Signoria. Nessa pra√ßa, para quem n√£o pode ir √† Galeria da Academia de Belas Artes, o turista tem a possibilidade de ver uma c√≥pia do Davi, de Michelangelo. Ainda na pra√ßa existem muitas outras esculturas e, para quem tiver curiosidade, √© poss√≠vel ver que um dos le√Ķes nas escadas da Loggia del Lanzi ‚Äúcome‚ÄĚ a cabe√ßa do grande Davi.
       
      Claro, √© imposs√≠vel falar de Floren√ßa sem citar a Ponte Vecchio, a mais famosa ponte italiana sobre o Rio Arno (n√£o, n√£o √© por causa dos ventiladores da f√°brica brasileira), na qual existem in√ļmeras joalherias. Por cima ponte fica o Corredor Vasari ‚Äď um caminho exclusivo entre a Palazzo Vecchio e Palazzo Pitti, encomendado pela fam√≠lia M√©dici e pelo qual Langdon usou em Inferno.
       
      Um dos maiores √≠cones da cidade s√£o a Cattedrale di Santa Maria del Fiore e o Battistero di San Giovanni. A catedral, conhecida como ‚ÄúDoumo‚ÄĚ de Floren√ßa, come√ßou a ser constru√≠da no fim do s√©culo XIII e os trabalhos avan√ßaram at√© o s√©culo XIX. Um de seus destaques externos √© a composi√ß√£o da fachada por m√°rmores branco, verde e vermelho. A entrada da catedral √© gratuita, diferente do batist√©rio, que √© pago.
       
      Durante a noite, a cidade ainda reservara uma surpresa: pr√≥ximo da Piazza della Rep√ļblica, uma soprano italiana mostrava seus dons para a multid√£o de turistas que a admiravam (pelo jeito, a It√°lia √© uma f√°brica de tenores).
       
      RESUMO
       
      VISITE a Galleria Degli Uffizi e se impressione com as obras dos mestres renascentistas.
       
      ADMIRE o Palazzo Vecchio na Piazza dela Signoria e veja um dos le√Ķes comendo a cabe√ßa de Davi.
       
      CAMINHE pela Ponte Vecchio, onde, por cima, fica o Corredor Vasari.
       
      CONTEMPLE a Cattedrale di Santa Maria del Fiore e o Battistero di San Giovanni.
       
      Dia 23/12 (10)
       
      Esse dia foi dividido em dois: a primeira metade seria em Floren√ßa; a segunda, em Bolonha. Tendo em vista que seria invi√°vel voltar √† hospedagem somente para buscar as malas, levamo-las conosco no check-out do hotel de manh√£. Seria o caso de encontrar um local para deixar as malas ou, como est√°vamos em quatro pessoas e t√≠nhamos conhecido os principais pontos internos, andar com as malas conosco ‚Äď no fim, ficamos com a segunda op√ß√£o (repare que ter malas de m√£o com rodinhas faz TODA a diferen√ßa).
       
      Um dos primeiros pontos foi a Basilica di Santa Maria Novella, em frente √† esta√ß√£o de trem de Floren√ßa. No entanto, diferente do Duomo, seu acesso era pago e desistimos. Todavia, encontramos a Chiesa di Santa Maria Maggiore. Muito menor do que a vers√£o que conhecemos em Roma, √© ainda um pr√©dio hist√≥rico ‚Äď e gratuito. Tamb√©m existe a Basilica di San Lorenzo, igreja relacionada aos M√©dici.
       
      Durante a estadia noturna no hotel, pesquisei sobre outros pontos curiosos da cidade, como o le√£o que ‚Äúcome‚ÄĚ a cabe√ßa de Davi. E existem v√°rios perto da Cattedrale di Santa Maria del Fiore. Nas paredes externas da catedral existem esculturas de anjos, santos, figuras humanas... e da cabe√ßa de um touro (vai saber porqu√™...). Ainda na pra√ßa do Duomo, fica a est√°tua do arquiteto renascentista Filippo Brunelleschi, que projetou a c√ļpula da catedral. Mas, ao olhar a est√°tua, perceba que esta olha para sua obra-prima, a c√ļpula.
       
      Na pr√≥pria Chiesa di Santa Maria Maggiore existe outra curiosidade: a escultura de uma cabe√ßa de uma mulher no alto de sua parede, que os nativos florentinos carinhosamente chamam de ‚ÄúBerta‚ÄĚ.
       
      Pr√≥ximo ao Duomo (na verdade, tudo √© meio ‚Äúpr√≥ximo‚ÄĚ um do outro ‚Äď a cidade √© pequena; ‚Äúdensamente ocupada‚ÄĚ por arte, mas pequena) fica a casa de Dante Alighieri, poeta e autor de A Divina Com√©dia. Esse poema √© dividido em 3 partes, sendo a se√ß√£o denominada Inferno que d√° o nome √† aventura de Robert Langdon na cidade.
       
      Depois de encontrar mais algumas curiosidades florentinas (como a torre de onde se jogou o antagonista de Inferno) e revisitado alguns marcos da cidade, era o momento de despedida da capital da Toscana (repare que, mesmo com malas, √© poss√≠vel realizar bons passeios). Fomos √† esta√ß√£o Firenze Santa Maria Novella pegar o trem de alta velocidade at√© Bologna Centrale. Dessa vez, quem diria, o trem atrasou 15 minutos (sim, atrasos podem acontecer ‚Äď mas s√£o meio raros, j√° que estes t√™m total prioridade da malha ferrovi√°ria). Al√©m da sa√≠da de N√°poles, seria o √ļnico trecho ferrovi√°rio diurno, √ļltima oportunidade para poder ver a paisagem ‚Äď ledo engano! O trecho em alta velocidade foi praticamente por dentro de t√ļneis (fico imaginando o tempo que demoraria para fazer aqui tais t√ļneis, pela m√©dia de obras no Brasil...). Aproveite tamb√©m para ir ao banheiro (sua passagem inclui o uso, ao passo que na esta√ß√£o ferrovi√°ria chega a custar ‚ā¨ 1,50).
       
      Agora em Bolonha (e novamente tendo de levar as malas, já que as hospedagens no centro eram bem mais caras), fomos em direção ao centro histórico. A estação de Bologna Centrale é mais afastada do centro em comparação Firenze Santa Maria Novella (nesta você praticamente tropeça e já está no centro), mas ainda assim acessível com as malas.
       
      No caminho at√© o centro, percebe-se que as cal√ßadas s√£o todas cobertas pelos p√≥rticos (ou arcos), s√≠mbolos da cidade (√© uma ideia genial: as cal√ßadas s√£o todas protegidas, assim √© poss√≠vel andar pelas ruas se protegendo do sol forte ou da chuva ‚Äď faria sucesso essa concep√ß√£o em S√£o Paulo).
       
      Na Piazza Maggiore fica a Basilica di San Petronio, uma enorme bas√≠lica g√≥tica de m√°rmores e tijolos. Sua constru√ß√£o foi parada por ordem do papa ap√≥s este descobrir que ela seria maior que a Bas√≠lica de S√£o Pedro, √† √©poca (isso explica sua estranha fachada de m√°rmore e tijolos, sem muita harmonia). Por√©m, mesmo ‚Äúincompleta‚ÄĚ, √© muito bonita e seu acesso, gratuito. Dentro da igreja, um pequeno buraco permite a entrada da luz solar, na mesma dire√ß√£o que a linha do meridiano, al√©m do famoso p√™ndulo de Foucault. Ainda na piazza est√° a Fontana di Nettuno, uma obra em bronze do s√©culo XVI.
       
      Assim como Floren√ßa, Bolonha √© pequena e tudo √© meio ‚Äúpr√≥ximo‚ÄĚ. Ent√£o, pr√≥ximo da bas√≠lica ficam as Torri Pendenti, as duas torres medievais mais famosas da cidade.
       
      No nosso caso, como já tínhamos recebido uma enxurrada de cultura nas 3 cidades anteriores, escolhemos almoçar em um dos restaurantes (vendo o preço antes, evidentemente). Fica a ressalva de tomar cuidado com a taxa italiana de cobrar por sentar, denominada coperto (seria um equivalente nosso ao 10% da fatura). Só que, como é um valor fixo, existem muitos lugares que podem cobrar um absurdo por um consumo baixo (por exemplo, de um café que triplica de preço por causa dessa taxa).
       
      RESUMO
       
      O que fazer com as MALAS? Se não estiver sozinho e não quiser pagar depósito de bagagem, pode levá-las consigo.
       
      CONHEÇA as igrejas de Florença, como a Basilica di Santa Maria Novella, a Chiesa di Santa Maria Maggiore entre outras.
       
      DESCUBRA alguns pontos curiosos da cidade, como a cabeça de um touro no Duomo.
       
      Em BOLONHA, os pórticos auxiliam os pedestres a se proteger do sol e da chuva.
       
      VISITE a Basilica di San Petronio, a basílica que o papa mandou parar a expansão.
       
      ADMIRE as Torri Pendenti, símbolo da cidade.
       
      SAIBA da existência do coperto, taxa para quem sentar nas mesas quando for consumir algum alimento ou bebida. Para se esquivar dela, basta consumir no balcão.
       
      Dia 24/12 (11)
       
      Esse dia tinha um imbróglio: o trem rumo à Veneza-Mestre partiria à noite, mas a hospedagem não era perto da estação de trem. Como fazer?
       
      As alternativas na mesa eram: deixar as malas num depósito de bagagem. Como discutido na seção competente, é a opção mais cara; ou deixar as malas na hospedagem (se possível) e buscá-las, com a antecedência adequada, para então embarcar no trem, sendo a opção mais trabalhosa; ou levá-las conosco no passeio pela cidade.
       
      Escolhemos a op√ß√£o do dia anterior: passear pelas ruas planas de Bolonha com as malas. Mas n√£o atrapalha? √Č claro que andar com as malas √© pior do que se estivesse livre. Todavia, tendo em vista que n√£o ir√≠amos em museu como foi em Floren√ßa (Galleria Degli Uffizi) e as outras atra√ß√Ķes da cidade n√£o demandavam muito tempo, essa op√ß√£o foi fact√≠vel. Inclusive, vale a pena verificar se os lugares que deseje visitar possuem arm√°rios ‚Äď como o Velho Continente √© extremamente tur√≠stico, v√°rios lugares disponibilizam arm√°rios, alguns gratuitamente, com a ressalva do tamanho.
       
      De volta ao centro da cidade, al√©m da bas√≠lica ‚Äúrival‚ÄĚ da de S√£o Pedro, existem as Cattedrale Metropolitana di San Pietro e Chiesa dei Santi Bartolomeo e Gaetano. Mas a igreja mais interessante que conhecemos foi a Basilica Santo Stefano, na Piazza de mesmo nome (e que merece uma parada para admir√°-la). Mesmo tendo que esperar para a conhecer, j√° que o hor√°rio de acesso √© um pouco restrito, vale a visita. A nave da igreja em si n√£o √© especial ‚Äď a melhor parte √© do restante da bas√≠lica, com obras e estruturas medievais que (imagino) deviam ser usados pelos monges que l√° residiam.
       
      Como sabido, em Bolonha foi fundada a primeira universidade ainda em funcionamento, em 1088. Seu antigo edif√≠cio √© denominado como Archiginnasio e, hoje, abriga a Biblioteca Municipal. Apesar de ser preciso pagar pelo acesso (‚ā¨ 3,00), √© poss√≠vel contemplar as pinturas, arquiteturas e alguns livros [bem] antigos antes da √°rea paga.
       
      Outra atra√ß√£o da cidade √© Compianto del Cristo Morto, um conjunto de sete esculturas em terracota que representam a cena de A Lamenta√ß√£o de Cristo, na igreja de Santa Maria dela Vita. Infelizmente, por causa do dia ‚Äď v√©spera de Natal ‚Äď estava fechada.
       
      Por causa da data, tinha um detalhe que não pode passar despercebido: o dia seguinte seria o Natal, quando praticamente tudo fecha. E onde iria comer? Para quem vai passar o Natal no exterior, lembre-se de sempre comprar comida no supermercado até a véspera, para não passar fome durante o dia festivo (claro, a hospedagem pode oferecer, mas quanto custaria?).
       
      Fim do dia, era o momento de voltar √† esta√ß√£o Bologna Centrale embarcar no trem rumo √† Veneza-Mestre. Depois da experi√™ncia dos 3 trens anteriores, j√° estava ‚Äúesperto‚ÄĚ quanto aos detalhes para embarcar no trem de alta velocidade.
       
      A esta√ß√£o √© muito bem estruturada: no n√≠vel da rua, ficam os trilhos para os trens regionais; no 4¬ļ subsolo, os trilhos dos trens de alta velocidade. Os n√≠veis intermedi√°rios correspondem aos acessos aos trilhos, estacionamento e √°rea de espera. S√≥ fica o detalhe que, enquanto est√°vamos na √°rea de espera, um pedinte nos pediu comida (ou dinheiro) em italiano. Respondemos que n√£o entendemos, s√≥ em ingl√™s ‚Äď n√£o era problema: ele come√ßou a pedir em ingl√™s (imagina se isso vira moda no Brasil...).
       
      RESUMO
       
      VISITE a Basilica Santo Stefano, na piazza hom√īnima.
       
      CONHEÇA o edifício da primeira universidade do mundo, a Archiginnasio.
       
      Se não estiver fechada, ENTRE na Compianto del Cristo Morto e a aprecie a obra da Lamentação de Cristo.
       
      Se viajar no NATAL, lembre-se de que quase tudo pode estar fechado ‚Äď se previna e compre o que for necess√°rio.
       
      Dia 25/12 (12), 26/12 (13) e 27/12 (14)
       
      Para escrever cada dia das viagens neste blog, um longo processo de relembrar √© necess√°rio, como de cada caminho por onde passei, cada segundo que vivi, cada imagem que admirei. E estava com um bocado de dificuldade de escrever sobre Veneza, em mostrar o melhor da Seren√≠ssima. Por qu√™? A Piazza San Marco, a Ponte di Rialto, o Canal Grande, a Ponte della Libert√†, o Palazzo Ducale, a Basilica de San Marco, a Ponte e a Gallerie dell¬īAccademia, a Basilica di Santa Maria della Salute s√£o somente alguns das in√ļmeras atra√ß√Ķes de Veneza. Mas o melhor da cidade de Veneza √©... Veneza! O passeio ideal, creio, √© passear por suas in√ļmeras (e algumas estreitas) ruas, vielas e pontes, o que torna a cidade √ļnica em todo o mundo. Sempre haver√° algum cantinho novo para admirar. Deste modo, o melhor roteiro por Veneza √© estar livre para ‚Äúse perder‚ÄĚ, sem necessariamente focar nos seus pontos mais famosos.
       
      Conseguinte, não é o caso de descrever aqui os caminhos pelos quais percorri, mas elencar alguns detalhes que podem fazer a diferença.
       
      Apesar do destino da viagem ser a Veneza insular, foi muito mais conveniente hospedarmo-nos na Veneza continental, conhecida como Veneza-Mestre. Por √≥bvio, isso n√£o permite dormir nas antigas constru√ß√Ķes t√≠picas de Veneza. Mas tudo na vida tem o lado negativo... e positivo. As hospedagens em Mestre s√£o mais baratas (algumas, bem mais), os edif√≠cios s√£o mais novos e confort√°veis, a taxa de pernoite italiana √© mais baixa (em 2019, ‚ā¨ 1,35 por pessoa), existem grandes supermercados pr√≥ximos da esta√ß√£o de trem com bons pre√ßos. Claro, tem de ser somado o custo do transporte at√© as ilhas (de trem, ‚ā¨ 2,70 pela ida e volta) ‚Äď mesmo assim, o valor final fica menor do que se hospedar nas ilhas; e o deslocamento permite observar a Lagoa de Veneza.
       
      A primeira vez nas ilhas, como indicado, foi em pleno Natal. Todavia, sendo um local extremamente tur√≠stico, um n√ļmero consider√°vel de lojas permanecia aberta, com a vantagem de ter sido o dia do Natal com menor fluxo de turistas dentre os tr√™s dias de passeio.
       
      Durante a estadia em Bolonha, li not√≠cia de que Veneza foi atingida novamente pela acqua alta, quando as √°guas do Mar Adri√°tico sobem e v√£o ocupando, progressivamente, as √°reas mais baixas das ilhas. Contudo, n√£o fomos atingidos pelo fen√īmeno durante nossa estadia, apesar da exist√™ncia nas vias das passarelas que s√£o usadas para auxiliar os turistas e moradores a percorrer as √°reas mais baixas de Veneza ‚Äď e com a vantagem de que estas servem para sentar aos visitantes cansados.
       
      Proporcional ao n√ļmero de turistas que visitam Veneza √© o n√ļmero de filmes gravados tendo como cen√°rio a cidade. Como j√° pode imaginar, Robert Langdon esteve l√°, na Piazza San Marco, discorrendo sobre os Cavalos de S√£o Marcos: as quatro est√°tuas que ornamentam a fachada da bas√≠lica s√£o r√©plicas dos originais gregos de bronze do s√©culo IV a.C. que foram tomadas pelo doge de Veneza durante o saque √† Constantinopla durante a Quarta Cruzada. Inclusive, tendo Veneza sido rota para o Oriente, √© poss√≠vel perceber a forte influ√™ncia bizantina na arquitetura da bas√≠lica, bem diferente da concep√ß√£o das outras igrejas do mundo ocidental, incluindo na pr√≥pria It√°lia.
       
      Outro personagem que marcou presen√ßa na Seren√≠ssima foi James Bond, em 007 ‚Äď Casino Royale. Al√©m do agente secreto de ir √† ag√™ncia banc√°ria na Piazza San Marco (que n√£o existe, por sinal), Bond inicia uma persegui√ß√£o pelas ruas de Veneza (dica: decore BEM as imagens do filme ‚Äď e de qualquer filme ‚Äď caso queira repetir o feito; √© extremamente dif√≠cil reconhecer os pontos em Veneza).
       
      Como dito, n√£o h√° necessidade de marcar o melhor caminho para conhecer Veneza, j√° que todos os lugares s√£o v√°lidos. E n√£o existe problema quanto a ‚Äúse perder‚ÄĚ, j√° que, tal qual o ditado Todos os Caminhos Levam a Roma, em Veneza todos os caminhos levam √† Piazza San Marco (e vice-versa, para a Venezia Santa Lucia).
       
      No √ļltimo dia, escolhemos embarcar no Vaporetto, linhas de barcos que andam pelos canais maiores que podem valer como city tour. Escolhemos a linha 2, que permite ter uma vis√£o mais panor√Ęmica das ilhas, imposs√≠vel de ser feita em terra ‚Äď evidentemente, embarcamos na esta√ß√£o de in√≠cio da linha, pr√≥ximo da Piazza San Marco. Como esse transporte √© caro (‚ā¨ 7,50), n√£o recomendo comprar os passes de uso infinito (melhor usar o dinheiro para experimentar os trens de alta velocidade italianos ou mesmo comprar algum cristal de Murano, por exemplo).
       
      Veneza criou uma p√°gina na web para auxiliar os turistas sobre as atra√ß√Ķes da cidade, normas e regras, que devem ser seguidas para evitar multas: https://www.veneziaunica.it/. Algumas regras s√£o meio √≥bvias (e at√© inusitadas, como proibi√ß√£o de nadar nos canais), outras nem tanto: n√£o √© permitido comer sentado nas passarelas usadas durante a acqua alta, assim como √© proibido alimentar os infinitos pombos de Veneza.
       
      Para quem vai visitar (ou j√° visitou) Veneza, proponho um momento de reflex√£o: j√° imaginou a dificuldade de entregar a geladeira da sua casa em uma das vielas estreitas da cidade? Talvez a cidade n√£o seja cara somente por causa dos turistas...
       
      De volta √† linha temporal, findo o passeio por Veneza com a ascens√£o na Lua no horizonte, embarcamos na esta√ß√£o de trem Venezia Santa Lucia rumo √† Mestre para buscar as malas que ficaram na hospedagem e ir em dire√ß√£o √† nossa √ļltima parada, a esta√ß√£o Milano Centrale.
       
      Apesar da esta√ß√£o de Mestre ser muito menor do que as outras esta√ß√Ķes de trem que foram utilizadas nesta viagem, o pre√ßo da comida (mesmo no fast-food) ainda era maior do que em outros lugares da cidade. Ou seja, tal qual o aeroporto, evite sempre de comprar em esta√ß√Ķes de trem ‚Äď qualquer uma.
       
      O detalhe do embarque nessa esta√ß√£o (e de outras esta√ß√Ķes menores) √© de que o tempo que o trem fica na plataforma est√° mais pr√≥ximo do que conhecemos do metr√ī. Diferente das outras esta√ß√Ķes, n√£o havia muitas pessoas na plataforma ‚Äď e o sistema sabe disso. √Č o caso de entrar com suas malas de forma eficiente, j√° que dificilmente conseguir√° ter sentado em seu lugar antes do trem partir.
       
      RESUMO
       
      O MELHOR de Veneza é... Veneza.
       
      Se PERCA por suas vielas, pontes e canais.
       
      Fique HOSPEDADO em Veneza Mestre.
       
      N√ÉO TEMA a acqua alta. Os venezianos s√£o bem preparados para enfrentar a mar√© e ainda dura pouco, com raras exce√ß√Ķes.
       
      ESCOLHA um dos Vaporetto para usar como city tour.
       
      OBEDEÇA às regras impostas pela cidade disponíveis no site https://www.veneziaunica.it/.
       
      ENCONTRE os pontos de refer√™ncia vistos nos in√ļmeros filmes gravados em Veneza.
       
      Dia 28/12 (15)
       
      A estadia nesta cidade europeia seria um pouco diferente das realizadas at√© ent√£o. Afinal, por capricho do destino, estava em Mil√£o de novo, um ano depois. Considerando que no ano anterior o passeio foi meio ‚Äúfulminante‚ÄĚ, de apenas um dia, esta nova chance possibilitava realizar um passeio mais completo, de rever alguns pontos famosos e conhecer os que n√£o foram poss√≠veis.
       
      O primeiro local foi o justamente a de ‚Äúchegada‚ÄĚ: a enorme esta√ß√£o de Milano Centrale, de onde parte a maioria dos trens de alta velocidade de Mil√£o, concebida nos anos 30. A √°rea ao redor dessa esta√ß√£o, como a grande avenida que a conecta ao centro hist√≥rico, remete a um local muito conhecido por milh√Ķes de brasileiros: S√£o Paulo. Muitos consideram Mil√£o como a ‚ÄúS√£o Paulo‚ÄĚ da It√°lia, j√° que √© o centro financeiro, de com√©rcio de bens de luxo, de in√ļmeras ind√ļstrias da rep√ļblica italiana. Pode se perguntar: Mas porque viajaria para conhecer um lugar cuja ‚Äúc√≥pia‚ÄĚ eu j√° vivo/conhe√ßo? Porque √© uma S√£o Paulo ‚Äúorganizada‚ÄĚ, um exemplo para o futuro da metr√≥pole brasileira. Apesar de n√£o ter a ‚Äúconcentra√ß√£o‚ÄĚ de constru√ß√Ķes antigas como em N√°poles, Roma, Floren√ßa ou Bolonha, a cidade possui suas ‚Äúmarcas registradas‚ÄĚ hist√≥ricas, como o Duomo de Milano, a enorme catedral g√≥tica no centro da cidade. E, tal qual a cidade brasileira, possui uma vida agitada ‚Äď de dia e de noite.
       
      O centro hist√≥rico de Mil√£o √© pequeno: seu di√Ęmetro tem 2,5 km. S√≥ que a cidade, como S√£o Paulo, √© muito maior do que seu centro hist√≥rico. Para acessar algumas √°reas, o metr√ī pode ser inevit√°vel.
       
      A primeira parte do centro histórico a ser (re)visitada é a Via Monte Napoleone, rua comercial de alto luxo e considerada a mais cara da Europa (na prática, é mais para falar que conheceu a rua mais cara, como a rua Oscar Freire, já que os preços são surreais mesmo para suíços e escandinavos).
       
      Saindo da via, assim como um ano atrás, chega ao Duomo de Milano, uma das maiores catedrais em estilo gótico da Europa (existe a possibilidade de subir nos seus telhados para uma visão de sua arquitetura e da cidade).
       
      Adjacentes ao Duomo, na Piazza hom√īnima, ficam a Galleria Vittorio Emanuele II, uma esp√©cie de shopping do s√©culo XIX e o Palazzo Reale Milano.
       
      De l√°, seguimos para o Castello Sforzesco, antiga fortifica√ß√£o que virou a casa do Duque de Mil√£o. Agora √© sede de museus e galerias de arte da cidade, mas parte do castelo tem acesso gratuito. Atr√°s dele fica um grande (e gelado) jardim, o Parco Sempione e o ‚Äúarco do triunfo‚ÄĚ milan√™s, o Arco della Pace.
       
      RESUMO
       
      MILÃO é uma cópia de São Paulo mais rica e organizada.
       
      O passeio MANDAT√ďRIO na cidade √© conhecer o enorme Duomo de Milano.
       
      CONTEMPLE a estação Milano Centrale, a rua das grifes Via Monte Napoleone e um dos mais antigos shoppings do mundo, a Galleria Vittorio Emanuele II.
       
      PASSEIE pelo Castello Sforzesco e seu gelado jardim, o Parco Sempione.
       
      Dia 29/12 (16)
       
      Esse dia, na pr√°tica, foi destinado para conhecer as atra√ß√Ķes mais afastadas da √°rea central de Mil√£o.
       
      A primeira parada foi na Basilica San Lorenzo Maggiore, a mais antiga igreja de Milão, com mosaicos bizantinos do século IV. Em frente dela, ficam a estátua de Constantino, o célebre imperador romano que tornou o cristianismo religião oficial do império e as Colonne di San Lorenzo, ruínas de 16 colunas do antigo Império Romano.
       
      Depois de algumas quadras, chegamos √† regi√£o do Naviagli: s√£o canais artificiais de transporte que perfaziam o equivalente atual a avenidas e metr√ī. Com o avan√ßo desses modais, v√°rios canais foram fechados e somente tr√™s sobreviveram (sem o transporte, evidentemente). A regi√£o √© famosa pela vida noturna e bo√™mia, equivalente √† Vila Madalena ‚Äď mas como era inverno (e quase ano novo), a regi√£o estava bem vazia. Mas isso n√£o impede de admirar a beleza do local, mas √© interessante de ir ap√≥s ter conhecido a maioria das atra√ß√Ķes na √°rea central de Mil√£o (ou eventualmente tenha se hospedado pr√≥ximo do local).
       
      De volta ao centro, uma visita √† Basilica di Sant¬īAmbrogrio, inicialmente constru√≠da no s√©culo IV e finalizada no s√©culo XII. Em suas paredes resguardam algumas escritas romanas e a cripta da bas√≠lica resguarda o corpo de Santo Ambr√≥sio, desde o s√©culo V. Depois do Duomo, foi a igreja mais bonita que considerei nas visitas √† Mil√£o.
       
      N√£o podia de deixar de falar da igreja Santa Maria delle Grazie, onde Leonardo da Vinci pintou A √öltima Ceia, na parede do refeit√≥rio ‚Äď mas n√£o a conheci. Pode se perguntar: Por que n√£o fomos ver uma obra-prima de Leonardo? Aparentemente, ele n√£o quis fazer uma obra para posteridade ‚Äď fez sem muita preocupa√ß√£o, com tinta inadequada (o homem era bom mesmo, como se fosse um ‚ÄúMidas‚ÄĚ ‚Äď tudo o que ele mexia era excepcional) e, por isso, o local exige um controle para preserva√ß√£o severo. Por tudo isso, √© exigido uma pr√©-reserva superdisputada, um pagamento caro e o tempo de admirar a obra, ex√≠guo ‚Äď muita dor de cabe√ßa; melhor deixar para quem vive na Europa, especialistas em arte ou quem tem muito tempo E dinheiro mesmo.
       
      Outra igreja que merece a visita √© Chiesa di San Maurizio al Monastero Maggiore, em que residem afrescos do s√©culo XVI (claro, n√£o s√£o como os afrescos da Capela Sistina, no Vaticano ‚Äď mas s√£o bel√≠ssimas) e seu acesso √© gratuito. Junto √† igreja fica o Civico Museo Archeologico, que mostra a hist√≥ria de Mil√£o, como a funda√ß√£o da antiga cidade conhecida como Mediolanum, a conquista pelos romanos no s√©culo III a.C. e sua ocupa√ß√£o (durante um breve per√≠odo a cidade foi capital do Imp√©rio Romano do Ocidente).
       
      RESUMO
       
      VISITE por outras igrejas antigas de Mil√£o: a Basilica San Lorenzo Maggiore, Basilica di Sant¬īAmbrogrio, Chiesa de Santa Maria delle Grazie e Chiesa di San Maurizio al Monastero Maggiore.
       
      CAMINHE pelo Naviagli, região de canais artificais que serviam para o transporte e, agora, é famosa pela boemia.
       
      Dia 30/12 (17) e 31/12 (18)
       
      √öltimo dia de perman√™ncia na It√°lia, era o momento de prepara√ß√£o para o retorno ao Brasil ‚Äď a come√ßar pelo transporte at√© o aeroporto. O trem expresso para o aeroporto (Malpensa Express) √© um servi√ßo r√°pido, mas caro (‚ā¨ 13), enquanto os √īnibus (shuttle) s√£o op√ß√Ķes mais baratas. Mas tem uma pegadinha: os √īnibus, comprando na hora, s√£o mais caros (‚ā¨ 10) do que se comprar pela internet (‚ā¨ 8 mais taxa) e escolher o hor√°rio da viagem, mesmo pagando junto o IOF no cart√£o de cr√©dito.
       
      Ao inv√©s de desbravar (novamente) a √°rea central, decidimos ir a um dos lugares que foram reabilitados em Mil√£o: a √°rea ao redor da esta√ß√£o Milano Porta Garibaldi. Com uma concep√ß√£o moderna, √© um local de conv√≠vio e consumo. Inclusive, fica o conhecido Bosco Verticale (Floresta Vertical), par de torres residenciais ‚Äúverdes‚ÄĚ ‚Äď literalmente ‚Äď e venceu o pr√™mio de melhor pr√©dio em 2015.
       
      Tendo em vista que as principais √°reas de Mil√£o j√° tinham sido conhecidas, foi mais conveniente se ‚Äúperder‚ÄĚ pela cidade, desbravando as ruas e descobrindo novos lugares e as sempre constantes igrejas. Na √°rea central da cidade, tal qual em Bolonha, os geniais p√≥rticos protegem os transeuntes que percorrem suas vias.
       
      O rel√≥gio era implac√°vel: era o momento de se despedir da It√°lia (mais uma vez). Depois de pegar as malas na hospedagem, fomos √† esta√ß√£o Milano Centrale embarcar no shuttle at√© o Aeroporto de Milano-Malpensa. Sempre chegue ao aeroporto com anteced√™ncia adequada (at√© mais do que o planejado), para evitar estresse. De modo diverso ao ocorrido em Guarulhos, a atendente pediu para pesar as malas e, diferente do que o informado no bilhete de ida, a franquia √© de 8 kg ‚Äď claro, n√£o foi problema porque j√° t√≠nhamos pesado e, para essa companhia a√©rea, n√£o verificaram as dimens√Ķes da mala.
       
      Chegamos ao Aeroporto de Porto, e t√≠nhamos um desafio pela frente: uma conex√£o noturna de quase 12 horas. J√° t√≠nhamos ficado no Aeroporto de Madrid-Barajas por per√≠odo semelhante, mas n√£o como conex√£o, por conveni√™ncia mesmo. N√£o vou mentir, ficar no aeroporto n√£o √© o que poder√≠amos de definir como estadia ‚Äúagrad√°vel‚ÄĚ. Tinha estudado acerca da perman√™ncia no Aeroporto de Porto, entretanto todos os outros ‚Äúbons‚ÄĚ lugares j√° tinham sido escolhidos pelos outros viajantes. Restou-nos os bancos meio duros do aeroporto (o de Madri era mais confort√°vel) e aguardar o hor√°rio de abertura para acessar o lounge pelo benef√≠cio do cart√£o de cr√©dito. E que diferen√ßa! O lounge √© muito mais confort√°vel, mas, como praticamente tudo no aeroporto, √© caro seu ingresso avulso (mais caro, inclusive, do que hotel). Para quem n√£o tem a possibilidade de obter o acesso gratuito ao lounge (e n√£o quiser pagar), encare as longas escalas como se fosse mais um dia de trabalho ‚Äď cansativo, mas pelo qual se ganha o sustento. Ou seja, ao inv√©s de trabalhar no Brasil, voc√™ ‚Äútrabalhou‚ÄĚ para n√£o pagar pelo voo direto, mais caro ‚Äď e, pelo hiato de pre√ßos, eu teria de trabalhar v√°rios dias em S√£o Paulo para pagar tal diferen√ßa.
       
      O voo para S√£o Paulo chegou no hor√°rio programado, a tempo de passar o Ano Novo com a fam√≠lia. Paralelamente, a OMS declarava o primeiro alerta de Emerg√™ncia Internacional do at√© ent√£o novo e desconhecido v√≠rus, que fulminaria a It√°lia no m√™s seguinte ‚Äď ao que parece, essa viagem √† It√°lia foi realizada no momento certo.
       
      RESUMO
       
      DESCUBRA a região revitalizada ao redor da estação Milano Porta Garibaldi e aprecie o edifício verde Bosco Verticale.
       
      Os P√ďRTICOS de Bolonha tamb√©m chegaram a Mil√£o.
       
      Os √ĒNIBUS que ligam Mil√£o ao aeroporto de Malpensa s√£o a op√ß√£o mais barata de chegar ao aer√≥dromo.
       
      ENCARE o tempo de conex√£o como um dia de trabalho ‚Äď muito provavelmente sai mais barato pegar esses voos do que trabalhar para pagar pelo voo direto.
    • Por Camila Rubira
      Colecionando bandeirinhas: ga√ļchos na Europa¬†ūüáĶūüáĻ¬†ūüá™ūüᳬ†ūüáęūüá∑¬†ūüáßūüᙬ†ūüáĪūüáļ¬†ūüá®ūüá≠¬†ūüá©ūüᙬ†¬†¬†
      Foram 24 dias de roadtrip pela Europa, passando por sete pa√≠ses: Portugal, Espanha, Fran√ßa, B√©lgica, Holanda, Alemanha e Su√≠√ßa. De quebra tivemos mais dois dias de conex√£o no Marrocos. Foi uma ‚Äúbaita curtida‚ÄĚ, neste relato trazemos detalhes da trip e alguns passeios que fizemos.
      RESUMO DA VIAGEM
      Data
      Local
      Data
      Local
      25/11
      Rio Grande, Porto Alegre - Brasil 
      10/12
      Col√īnia ‚Äď Alemanha
      26/11
      S√£o Paulo ‚Äď Brasil
      11/12
      Col√īnia ‚Äď Alemanha
      27/11
      Casablanca ‚Äď Marrocos
      12/12
      Frankfurt ‚Äď Alemanha
      28/11
      Lisboa ‚Äď Portugal
      13/12
      Frankfurt ‚Äď Alemanha
      29/11
      Sintra, Coimbra, Aveiro ‚Äď Portugal
      14/12
      Genebra ‚Äď Su√≠√ßa
      30/11
      Porto ‚Äď Portugal
      15/12
      Genebra ‚Äď Su√≠√ßa
      01/12
      Burgos ‚Äď Espanha
      16/12
      Barcelona ‚Äď Espanha
      02/12
      Bord√©us ‚Äď Fran√ßa
      17/12
      Barcelona ‚Äď Espanha
      03/12
      Paris ‚Äď Fran√ßa
      18/12
      Madri ‚Äď Espanha
      04/12
      Paris ‚Äď Fran√ßa
      19/12
      Madri ‚Äď Espanha
      05/12
      Paris ‚Äď Fran√ßa
      20/12
      Serra da Estrela, Covilh√£ ‚Äď Portugal
      06/12
      Bruxelas ‚Äď B√©lgica
      21/12
      Lisboa ‚Äď Portugal
      07/12
      Bruges ‚Äď B√©lgica
      22/12
      Casablanca ‚Äď Marrocos
      08/12
      Roterd√£, Amsterd√£ ‚Äď Holanda
      23/12
      S√£o Paulo ‚Äď Brasil
      09/12
      Amsterd√£ ‚Äď Holanda
      24/12
      Porto Alegre, Rio Grande ‚Äď Brasil
       
      SAINDO DO RIO GRANDE DO SUL¬†ūüáßūüá∑
      Iniciamos nossa trip no dia 25 de novembro saindo da cidade do Rio Grande, no extremo Sul do Rio Grande do Sul, em dire√ß√£o a Porto Alegre. Percorremos 369 Km de √īnibus, para embarcarmos em Porto Alegre rumo a S√£o Paulo, sobrevoando a dist√Ęncia de 866 Km.
      Em São Paulo, de fato demos início a nossa trip internacional, embarcando no voo da companhia área Royal Air Maroc com destino a Lisboa, Portugal. Nesse voo sobrevoamos 7544 Km, com duração de 12 horas e 35 minutos, até chegarmos em Casablanca no Marrocos, local onde tivemos uma conexão de 24 horas. O que nos possibilitou conhecermos um pouco dessa cidade que foi cenário de um clássico dos cinemas nos anos de 1942, Casablanca. No dia seguinte, voamos cerca de 642 Km ruma a Lisboa.
      CONHECENDO CASABLANCA¬†ūüá≤ūüá¶
      Ficamos hospedados no Relax Hotel (hotel de tr√Ęnsito da companhia √°rea Royal Air Maroc), pr√≥ximo ao aeroporto Mohammed V, cerca de 34 Km do centro de Casablanca. Contratamos um t√°xi e visitamos os principais pontos tur√≠sticos da cidade: Mesquita Hassan II, Medina de Casablanca, Rick‚Äôs Caf√©. Uma das caracter√≠sticas mais marcantes do povo √°rabe do¬†Marrocos √© a barganha, tanto ao fazer uma compra nas lojas da Medina de Casablanca, quanto ao pedir uma simples informa√ß√£o no aeroporto. Tudo se transforma numa √°rdua ‚Äúpeleia‚ÄĚ, a qual se vence pelo cansa√ßo. Os idiomas falados no Marrocos s√£o √°rabe e o franc√™s, o ingl√™s n√£o √© o forte deles. E a moeda √© o dirr√£ marroquino.
                
          

       
      ENFIM CHEGAMOS AO VELHO CONTINENTE EUROPEU
      Na chegada do aeroporto Humberto Delgado em Lisboa alugamos um carro, o qual já havíamos efetuado a reserva pela internet com a empresa Sixt Rent a Car. Alugamos um Renault Clio ano 2017 (1.6 SW europeu a diesel), no valor de R$ 1422.  A partir da chegada em Portugal, realizamos todas as viagens entre as diferentes cidades e países de carro. Foram cerca de 7237 Km percorridos entre Portugal, Espanha, França, Bélgica, Holanda, Alemanha e Suíça. Dentro das cidades optamos por realizar os passeios caminhando, com o nosso companheiro de todas as horas, o chimarrão. Além de economizarmos no transporte e praticarmos uma atividade física, ainda podemos conhecer lugares que certamente passariam despercebidos se estivéssemos dentro de algum automóvel.
      Portugal¬†ūüáĶūüáĻ¬†
      Em Portugal visitamos as cidades de Lisboa, Sintra, Coimbra, Aveiro, Porto e Covilh√£ (regi√£o de Serra da Estrela). Particularmente de todos os 7 pa√≠ses visitados, o que mais gostamos foi Portugal. Al√©m da facilidade com idioma e da comida, o povo portugu√™s √© muito hospitaleiro e as cidades oferecem tanto o agito, quanto o descanso. O p√īr do sol regado a m√ļsica de artistas de rua na Ribeira das Naus foi de tirar o f√īlego, assim como comer os famosos past√©is de Bel√©m na f√°brica que existe desde 1837, em Lisboa. A subida caminhando at√© a Quinta da Regaleira em Sintra, foi compensada com o visual do Pal√°cio da Regaleira, da cachoeira e do Po√ßo Inici√°tico. Em Coimbra, depois de visitar a S√© Velha e o centro hist√≥rico, n√£o pod√≠amos deixar de degustar os past√©is de Santa Clara. Al√©m disso, tomamos o nosso chimarr√£o na beira da Ria de Aveiro (Foz do Rio Vouga) e comemos os deliciosos ovos moles. Em Porto, com o nosso chimarr√£o, passeamos pela Ribeira do Rio Douro e degustamos o famoso bacalhau √† Br√°s. A adrenalina de subir 1993 metros de altitude em Serra da Estrela e comer o famoso queijo feito com leite de ovelha, foi para fechar com tudo nossa roadtrip em Portugal.
       
          
          
           
      Espanha¬†ūüá™ūüáł
      Na Espanha conhecemos Burgos, Barcelona e Madri. Em Burgos deu para ‚Äúencarangar de frio‚ÄĚ, chegamos na cidade a baixo de neve com temperatura de -5 ¬įC, mas isso n√£o foi impedimento para conhecermos o Arco de Santa Maria, a Catedral de Santa Maria de Burgos, a Plazza del Rey San Fernando, e tamb√©m comermos os deliciosos tapas (petiscos) acompanhados de cervejas Estrela Galicia. Em Barcelona e Madri adoramos chimarrear no Parc de la Ciutadella, no Jardins do Retiro e no Templo de Debod, situado no Parque del Oeste, e comermos os famosos torrones espanh√≥is. Uma curiosidade sobre o povo espanhol, √© que eles n√£o gostam muito dos portugueses e dos brasileiros. Apesar do idioma espanhol ter aproxima√ß√Ķes com o portugu√™s, os espanh√≥is com quem tivemos contato, se negavam a tentar nos compreender, sendo que n√≥s conseguimos compreend√™-los.
         

       
      Fran√ßa ūüáęūüá∑
      Se Portugal foi o pa√≠s que mais gostamos, a Fran√ßa foi o que menos gostamos. Al√©m de ser um pa√≠s caro, tamb√©m √© atribu√≠do muito status a cidades como Paris. Fora a parte central desta cidade, os bairros mais perif√©ricos s√£o sujos, com um tr√Ęnsito ca√≥tico. H√° uma discrep√Ęncia entre o luxo da Champs √Člys√©es e o restante da cidade. Mas como turistas, achamos linda a vista da Torre Eiffel, principalmente a noite quando come√ßa a brilhar, o Museu do Louvre e a Catedral de Notre Dame. Em Paris tamb√©m nos deliciamos com os famosos croissants, com os macarons e com a leg√≠tima champagne francesa (bem gaseificada), diga-se de passagem, uma fortuna mas valeu o investimento.
        
       
      B√©lgica¬†ūüáßūüᙬ†
      A B√©lgica foi outro pa√≠s que gostamos muito. As cervejas e os chocolates s√£o os melhores do mundo, ganham at√© mesmo dos chocolates su√≠√ßos. Em Bruxelas o tamanho do Manneken pis decepciona um a pouco, mas as luzes Grand Place superam qualquer expectativa. Uma parada obrigat√≥ria para quem vai a Bruxelas, e assim como n√≥s ama cerveja, √© ir no Delirium Caf√©. L√° tomamos muitas cervejas (Delirium, Waterloo, Trappistes, La chouffe e¬†Westvleteren), com tantos estilos diferentes de cervejas deu at√© para ficarmos levemente alterados. Outra parada, deve ser para comer fritas com molho samurai em algum mercadinho de natal. Em Bruges, depois de um passeio pelas constru√ß√Ķes medievais e os canais, comer waffles de creme de avel√£ transformam a cidade em um verdadeiro doce cen√°rio rom√Ęntico. Os idiomas falados na B√©lgica variam bastante, sendo o franc√™s, o alem√£o e¬†o holand√™s (neerland√™s).
          
       
      Holanda¬†ūüáĪūüáļ¬†
      A Holanda é uma loucura. Roterdã tem edifícios fantásticos como as Casas Cubo e o Market Hall. Famosa pelas bicicletas e pelos canais, com seus coffeeshops e as vitrines com as profissionais do sexo, Amsterdã de forma organizada vem quebrando tabus. O Brasil ainda tem muito que aprender. Na Red Light District vale a pena fazer uma parada para tomar as cervejas típicas de Amsterdã, Heineken e Amstel. O idioma falado lá é o holandês (neerlandês).
         
       
      Alemanha¬†ūüá©ūüᙬ†
      Na Alemanha visitamos os melhores mercados natal, tomamos muito chopp e cervejas (Munchener, Dunkel, Vienna, Pils, Marzen, Kolsch), tamb√©m¬†comemos muito n√ľrnberger w√ľrstchen (p√£o com lingui√ßa alem√£). Em Col√īnia nos encantamos com a K√∂lner¬†Dom e com a sua hist√≥ria na Segunda Guerra Mundial. J√° em Frankfurt vimos o entardecer tomando um chimarr√£o a margem do Rio Reno e quase comemos mett (carne crua de porco com temperos e p√£o), mas fomos salvos por uns senhores alem√£es que sensibilizaram com a nossa dificuldade com o idioma alem√£o. Em nossa roadtrip pela Alemanha foi bem dif√≠cil compreender este idioma, parecia que est√°vamos sempre sendo xingados.
         
       
      Su√≠√ßa¬†ūüá®ūüá≠¬†
      Na Su√≠√ßa visitamos a cidade de Genebra. Assim como Paris esta cidade tem o custo de vida alto e o idioma falado √© o franc√™s. Os chocolates su√≠√ßos s√£o deliciosos, mas o destaque fica por conta do famoso queijo su√≠√ßo, gruy√®re. A vista do Jet d‚ÄĚEau, contemplada com um arco √≠ris e o L‚Äôhorloge fleurie formado com flores da √©poca tornam a paisagem ainda mais bonita.
         
       
      Sobre a companhia aérea Royal Air Maroc
      Antes de comprarmos as passagens a√©reas para Europa, realizamos pesquisas na internet para saber o pa√≠s de entrada e a companhia a√©rea que ofereciam os melhores valores. Compramos as passagens pela companhia Royal Air Maroc, pela metade do pre√ßo que pagar√≠amos em outras companhias, pagamos R$ 2736,45 (ida e volta por pessoa). Nas nossas pesquisas encontramos diversas cr√≠ticas sobre esta companhia, mas para nossa felicidade todas foram desmistificadas.¬†Os servi√ßos de voo¬†foram¬†de primeira classe. As refei√ß√Ķes foram¬†compostas por iogurte, p√£o, cookies, bolinhos, chocolates, carne, arroz, sopa, √°gua, refrigerante, caf√©, ch√°, vinho, cerveja, e muito mais. ‚ÄúTch√™ t√° louco‚ÄĚ, o que mais fizemos neste voo¬†foi comer, a todo momento os comiss√°rios de bordo se apresentavam nos corredores, carregando trolleys repletos de comidas gostosas.
         
      Durante o voo¬†ainda podemos desfrutar de uma playlist com m√ļsicas marroquinas e assistir alguns filmes. Para os que preferem passar o tempo dormindo, foram distribu√≠dos kits contendo: meias, vendas para os olhos, mantas e travesseiros. Um luxo s√≥!¬† Esta companhia tamb√©m oferece para voos com conex√£o de 4 horas ou mais no Marrocos, alimenta√ß√£o e hospedagem gratuita nos hot√©is da pr√≥pria companhia. Ap√≥s efetuar o desembarque no Marrocos, √© preciso procurar o guich√™ da companhia Royal Air Maroc, que fica situado do lado de fora da √°rea de embarque¬†e realizar a reserva do hotel. Na √°rea externa do aeroporto ficam as vans que fazem o translado do aeroporto Mohammed V ao hotel e vice-versa.

       
      Sobre a viagem de carro
      O carro que alugamos deu conta dos 7237 Km rodados, consumindo em m√©dia 19 Km/L de diesel. As estradas eram com pista no m√≠nimo dupla, com trajetos com ped√°gios entre 3 e 13 euros, com exce√ß√£o da Fran√ßa que pagamos os ped√°gios mais caros, com valores de 32 e 35 euros. Para compensar na Alemanha andamos em autobahn (vias sem limite de velocidade), sem precisar pagar nenhum ped√°gio. √Č isso mesmo, a Alemanha tem estradas maravilhosas e sem possuir nenhum ped√°gio.

       
      Documentação
      Al√©m dos passaportes, da carteira internacional de vacina√ß√£o, da carteira Nacional de Habilita√ß√£o e da Permiss√£o Internacional para Dirigir, ainda montamos um dossi√™ com a c√≥pia de todos documentos: seguro viagem contratado com a empresa Real Seguro Viagem (R$ 476,88), hospedagens reservadas no airbnb e no booking, comprovantes financeiros, c√≥pia da reserva da passagem de volta para Brasil e comprovantes de resid√™ncia no Brasil. Acreditem voc√™s, que com exce√ß√£o da apresenta√ß√£o dos passaportes nos embarques e desembarques nos aeroportos do Brasil, Marrocos e Portugal, n√£o precisamos apresentar mais nenhum documento. Nem a Permiss√£o Internacional para Dirigir foi exigida para alugar o carro. Nas fronteiras entre os pa√≠ses, s√≥ fomos parados na Su√≠√ßa, mas era para adquirirmos o vignettes (esp√©cie de adesivo fixado no vidro do carro, que permite trafegar nas estradas da Su√≠√ßa), uma vez que a Su√≠√ßa n√£o faz parte do acordo entre pa√≠ses da Uni√£o Europ√©ia.¬†O vignettes tem o valor de 37 euros e s√£o v√°lidos por 1 ano. Foi melhor prevenir levando toda esta documenta√ß√£o do que passar por algum ‚Äúentrevero‚ÄĚ.
       
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