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maria.alves

MOCHILÃO RAIZ EM CUBA– 16 DIAS GASTANDO MENOS DE 10 DÓLARES POR DIA

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Mas como assim, Cuba com menos de 10 dólares por dia? 🤨 

É isso mesmo pessoal, e para sermos mais exatos, gastamos exatamente $8,70 dólares cada um por dia, mas como o nome do post diz, foi um mochilão raiz e por isso eu advirto vocês que NÃO FOI FÁCIL, mas é possível.😎 Então, antes de começarmos, preciso dizer duas coisas:

 - PRIMEIRO: Eu e meu namorado estamos fazendo um ano sabático e tivemos a oportunidade de encontrar bons preços nas passagens a cuba, saindo de Bogotá- Colômbia e depois seguindo a Miami/NY-Estados Unidos. Então lá vamos nós com pouca grana e sem ter pesquisado muito.🤦‍♀️🙆‍♀️🤷‍♀️

-SEGUNDO: Falaremos a verdade, é bem difícil ser mochileiro em Cuba! Mas, porquê Maria? Porque é um país pobre, em que a maioria das pessoas pensam que “turistas tem dinheiro, cubanos que não tem dinheiro”, segundo que por ter duas moedas os preços são absurdamente diferentes para cubanos e estrangeiros e terceiro que sempre vão tentar tirar um pouco do seu suado dinheirinho. Além  disso, seu mochilão pode se complicar pelo fato de ser ILEGAL fazer Couchsurfing, trabalhos voluntários, acampar selvagem, difícil pegar carona e até mesmo comprar comida em um supermercado para cozinhar, pode ser muito mais caro que comer na rua. 🤑😮

Mas se você é brasileiro e não desiste nunca, assim como nós, vamos te dar dicas e esmiuçar como fazer um mochilão raiz em Cuba.

Mas antes de começar, queria falar rapidinho sobre o DICIONÁRIO CUBANO, ou seja, palavras próprias que vão te ajudar e muito a se "disfarçar" de Cubano:

  • CORRER LAGUAGUA = pegar um ônibus 🚍
  • CORRER CAMIONES = pegar um caminhão que é adaptado como se fosse uma lotação 🚚
  • CORRER BOTELLA = pegar carona
  • PUNTO AMARILLO = lugar aonde fica uma pessoa vestida de amarelo, que para transportes do governo para você, mediante a uma proprina. 
  • MONEDA NACIONAL = peso cubano/ CUP *
  • DÓLAR = peso convertível / CUC  (se fala CU ou Ce-u-ce)

Lembrando

Lembrando que Cuba tem duas moedas, o peso cubano (CUP) e o peso cubano convercível (CUC), ISSO É DE EXTREMA IMPORTÂNCIA, porque?

            1 DÓLAR = 0.96 CUC (-10% ... não compensa levar dólar)

            1 EURO = 1,08 CUC

            1 CUC = 25 CUP

OU SEJA, 

            1 CUC = 4,07 reais

            1 CUP = 0,15 centavos.

obs: é fácil diferenciar as moedas, porque o CUP sempre ter os ROSTOS DOS PERSONAGENS FAMOSOS e o CUC vai ter sempre a imagem dos monumentos nacionais aos mesmos personagens.

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Lembrem sempre disso quando comentarmos os valores nos posts. E não esqueça, é balela o assunto que não é possível trocar CUP, acontece que na casa de cambio primeiro vão trocar TODO seu dinheiro por CUC e se você quer uma parte em CUP só pedir que a pessoa troca tranquilamente.

*Lembrando que essa viagem aconteceu em maio de 2019, então eu estou usando a cotação dos valores comerciais, para ficar mais fácil.

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OUTRAS DICAS  RÁPIDAS PARA ECONOMIZAR

  • ÁGUA – O gasto com água pode se tornar absurdo se você comprar todos os dias, mesmo se comprar aqueles galões de 6l. Normalmente uma água de 500ml e 1,5l em qualquer lugar custa entre 1 CUC e 1,5CUC respetivamente, em alguns mercados você até encontra por menos, mas se você fizer essa conta pela quantia de dias que você vai ficar, vai ser um gasto bem grande só com água. Nós tomamos água da torneira e não morremos por causa disso. Quando possíve, fervíamos e depois descobrimos um truque de comprar uma solução de hipoclorito por 1 CUP e colocar 3 gotas por litro de água. Pronto problema resolvido. 🥳
  • CASAS DE FAMÍLIA – A opção mais econômica de hospedagem são as casas de particulares. Minha dica é reservar por AIRBNB porque normalmente sai mais em conta ou também você pode chorar as pitangas. Assim você pode conseguir casas entre 10 e 12 CUC, na temporada baixa. Hoje em dia, Cuba tem pontos de Wi-Fi (ETECSA), no qual você compra um cartão, que varia de 1h e 5hs (Preço: 1 e 5 CUC respectivamente) e procurar hospedagens com reserva instantânea (sem a necessidade de confirmação com o anfitrião). Pronto, não precisa engessar o roteiro reservando tudo de casa e pode procurar o preço mais acessível na hora.
  • COMIDA – Sempre vai ter algum lugar que vende comida por CUP ou estatais. Geralmente são estabelecimentos simples, e as vezes (poucas vezes) você até vai ter que comer em pé, mas a diferença é absurda de preço e a comida em si, é a mesma.

 

 

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DIA 01 -LA HABANA

Desembarcamos em Havanna e logo já tivemos o primeiro choque, meu namorado foi perguntar como poderíamos ir ao centro no posto de informação turística e lhe disseram “só de táxi”, então ele foi perguntar o valor do táxi e adivinhem? 25 CUC, os dois 🤑

Enquanto estávamos na fila para trocar dinheiro, fiz a mesma pergunta a um guardinha e então nós descobrimos a maneira cubana de ir ao centro:

  • Sair do aeroporto pela porta de baixo e seguir a calçada para esquerda, esperar debaixo do viaduto (10metros), tomar o ônibus que vale 0,50 CUP cada um até Avenida Rancho Boyeros e de lá tomar outro ônibus chamado P12 ou P16 até o centro de havanna ou até o lugar mais perto do seu alojamento, por mais 0,50  CUP, cada um.

Ou seja, você pode pagar 25 CUC ou seja R$97,00 ou pagar 1 CUP ou seja R$0,15 🙆‍♀️. Mas claro que sem ar condicionado, você terá que esperar um pouco até os ônibus passarem e provavelmente vá espremido, mas se você anda de transporte público no Brasil, imagino que isso não seria um grande problema. 😅😅😅

Outra coisa... Cuba só tem uma rede de casas de cambio chamada CADECA e todas as lojas possuem o mesmo preço para o cambio. Então, ao chegar no aeroporto você pode trocar um pouco mais sem se preocupar.

Então finalmente chegamos em Havana Centro, deixamos nossas coisas na casa de família que íamos ficar os próximos 2 dias,  e nos custou no total pelo AIRBNB R$89,39. Como estávamos mortos de fome saímos para buscar algo e tivemos o segundo choque.

Encontramos uma pizza média para compartir a 2,95 CUC em um lugar bem charmosinho, mas ao sairmos, ao lado havia um lugar cubano com uma pizza a 12CUP, um pouco menor, mas podíamos comer até 6 pizzas pelo mesmo valor.

Então, essa é a ideia, se você quer economizar e não se importa com luxo, sempre busque lugares estaduais ou particulares em Moneda Nacional.

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DIA 02 - HAVANA

Saímos para conhecer a cidade e aproveitamos para ir aos terminais de ônibus e caminhões para ver os preços. Então descobrimos que para se locomover em Cuba, nós estrangeiros temos UMA ÚNICA opção de transporte, NADA ECONÔMICA  e que definitivamente é uma facada para nós meros mochileiros, que é a famosa rede VIA AZUL. Claro tivemos que recorrer aos meios alternativos, pois JÁ SAIBAM QUE NÃO PODÍAMOS PEGAR OS ÔNIBUS CUBANOS DENTRO DOS TERMINAIS, que são os OMNIBUS NACIONALES.

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DIA 03 - HAVANA A MATANZAS

Acordamos cedo para seguir a Matanzas, já havíamos visto que um ônibus da VIA AZUL sairia 7 CUC por pessoa...

Então em Havana centro tomamos um ônibus chamado P11, que custa 0,50CUP por pessoa até Alamar. Pedimos para o motorista nós deixar aonde se “corre laguagua hasta Matanzas”. Ônibus cheio, mas a viagem não demorou 30 min. Ao chegar no lugar, haviam muitas pessoas e duas opções, tomar um caminhão por 40 CUP cada ou esperar laguagua por 20CUP cada. Claro que esperamos laguagua, mas perdemos duas, porque literalmente quando ela chega as pessoas saem correndo e fica um empura empura na porta do ônibus, e só entra o limite de pessoas para preencher os assentos vazios. O ônibus era confortável, com música e ar condicionado.

Ou seja, podíamos gastar R$27,14 cada e gastamos R$ 3,12 cada, e não foi tão complicado e nem tão sofrido. 

Você realmente deveria colocar Matanzas no seu roteiro, mas caso não esteja, esse mesmo ônibus te leva até Varadero.

Chegamos em Matanzas, por ser mais econômica que Varadero e um homem nos abordou e nos levou até a Casa de Manolo. Um lugar simples, mas com quarto e banheiro privados, geladeira e ar condicionado. Mais uma vez choramos todas as pitangas e conseguimos 13CUC a diária, mas depois conseguimos mais duas noites por 21CUC, ou seja, no final das contas cada noite custou 11,33 CUC.

Como eu já disse Matanzas é uma cidade que vale a pena, porque é bem charmosinha, mais arrumada que Havana e com as pessoas muito simpáticas, além ser muito barato para comer.

Com ajuda do Lazaro, almoçamos na casa da Noelia, dois pratões de comida típica criolla de arroz congris (arroz feito com feijão preto), carne de cerdo, salada de repolho e um cafezinho por 2,50 CUC ou 60 CUP para os dois.

De noite em Matanzas tudo fecha cedo, então acabamos jantando 2 cachorros quentes simples com uma coca por 30 CUP.

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Dia 04 – VARADERO

Tomamos café da manhã no Pelota, que fica na praça central: dois cafés com leite e 2 pães com tortilla por 10CUP, e seguimos para o ponto de ônibus na ponte para tomar laguagua a Varadero.

O primeiro que passou foi um caminhão que levava até o centro de Vadareiro (Calle 56) por 15 CUP, não pensamos duas vezes e lá vamos nós! E em 30 minutos estávamos lá.

OBS: Varadero é uma península extensa (21km), se você não quer ir ao centro, existe uma a opção de tomar um transporte até Santa Marta e então você só tem que travessar a ponte e ir até a praia na altura da Calle 12. Dessa maneira você só gasta 10 CUP e caso mude de idéia e queira ir até o centro pode tomar um coletivo por 5 CUP.

A praia é realmente linda, seguimos a dica de um “paladar” para almoçar, mas acabamos gastando 4 CUC em 1 pizza média e 2 porções pequenas, uma de batata frita e outra de banana frita (Charritas).

DICA: perto do local de saída de caminhões existe uma pizza a 1 CUC.

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Na volta, tivemos que ter um pouco de paciência, porque já não haviam mais caminhões ou ônibus diretos a Matanzas desde o centro, então acabamos tomando um caminhão por 10CUP a santa Marta e em Santa Marta laguagua a Matanzas por mais 10 CUP por pessoa.

*A ida no ônibus VIA AZUL até Varadero sairia 6CUC por pessoa.

Chegando em Matanzas, como estava ficando tarde e queríamos comer comida, buscamos algum lugar para jantar e na Calle del Medio, encontramos um restaurante do governo (que fica com a porta fechada e cortinas fechadas para não ver nada dentro) e jantamos os 2 spaghettis com queijo e uma Pizza por 30 CUP. 🤩

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Dia 05 – Matanzas

Nós íamos embora, mas fizemos algumas amizades que nos insistiram para aproveitar o sábado em Matanzas, porque Matanzas é a cidade mãe da Rumba e de noite teria apresentação do grupo Afro Cuba Matanzas. Além disso, recebemos um convite para almoçar um peixe e não podíamos recusar.

De noite voltamos ao restaurante estadual e comemos 2 pizzas chorizo e 1 spaghetti com presunto e queijo por  35CUP. E tomamos um sorvete chamado “salada” que vem com cinco bolas por 10CUP, na heladeria e dulceria da praça.

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DIA 06 - MATANZAS / VARADERO

Como nos falaram que os transportes alternativos interprovinciais não funcionam muito aos domingos, resolvemos tentar acampar uma noite em Varadero. Dessa vez tomamos um ônibus até Santa Marta e ficamos na altura calle 12. Almoçamos 2 pizzas por 2 CUC. ⛺

Nó final do dia, perguntamos aonde podíamos comer comida Criolla como cubanos e só encontramos restaurantes caros, até que por fim encontramos um tipo de “Paladar” entre as ruas 40 e 41 na avenida principal e após chorarmos um pouco conseguimos pegar 1 prato que valia 3 CUC com carne de porco e um prato extra de arroz congrí.

Depois esperamos anoitecer e a praia esvaziar para montar a barraca e descansar. Existem lugares mais fechados, mas optamos por um lugar que ficou um pouco a mostra, ERRO NOSSO, porque as 3hs da manhã um guarda nos acordou e disse que não se podia acampar ali. Desmontamos a barraca, mas como íamos esperar para seguir até santa clara, ficamos por lá... Depois de muitas picadas de mosquitos, montamos só o mosqueteiro mais escondido e ficamos lá até o
 sol sair.

 

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Dia 07 – VARADERO / SANTA CLARA

Quando amanheceu começou um dos piores dias para locomoção e vocês vão descobrir porque.

Olhamos no mapa que a cidade grande mais perto de Santa Clara era Colón, então se não tivesse ônibus direto, poderíamos ir para essa outra cidade. Em Varadero perguntamos aonde saíam os caminhões, mas ninguém sabia dizer. Então, seguimos caminhando até Santa Marta. Ao chegarmos lá, perguntamos a várias pessoas, algumas disseram que teríamos que ir a Cardenas e pegar uma máquina (táxi compartilhado, mas Colón estava longe pensamos que saíria caro) e outras pessoas que deveríamos voltar a Matanzas e que de lá sim teria caminhões direto a Cólon.

Na dúvida... resolvemos voltar a Matanzas, pegamos um caminhão até lá e perguntamos: "Aonde podemos descer para pegar um caminhão a Colón?” e o cara respondeu: “No terminal”. E para lá seguimos.

Descemos no terminal e aproveitamos para tomar o café da manha na rua da frente por 29 CUP (4 sucos de laranja,  4 pães com queijo e ainda compramos um doce de amendoim caseiro para viagem – muito bom que lembra aquela bala “dadinho”). Ao perguntarmos no terminal, tinha uma máquina até Colon por 2 CUC cada um. Bom, estávamos cansados e topamos. Essa viagem demorou umas 2 horas, o carro antigo e cabia 9 pessoas. Chegando a Colón, vimos um caminhão e perguntamos para onde iria, uma pessoa disse um lugar mas que não era Santa Clara. Olhei no mapa e vi que passaria sim por santa clara, então Filipe perguntou a outra pessoa que nos disse para subir. Por sorte ele entrou por trás, mas eu fiquei no empura empura da porta, e aquele caminhão lotado, pensei que não ía conseguir entrar, mas entrei e minha mochila também, fazendo um moche sobre as pessoas.

Caminhão saiu e cerca de 20 minutos depois parou e todos desceram, pensamos “e agora, ferrou”, estávamos em um lugar chamado Los Arabos. mas o mesmo moço que nos disse para subir, disse para pegarmos o  caminhão da frente. Pegamos e de novo uns 40 minutos depois ele nos deixou em uma cidadezinha chamada Cascajal. Lá nos disseram que passaria laguagua até santa clara, mas passou um ônibus escolar velho e nos falaram para subir. Esse ônibus nos deixou no meio nada, perto da garagem dele, e então outras pessoas que também iriam a Santa Clara nos ajudaram. Ficamos um tempo lá parados na beira da estrada, até que passou outro ônibus escolar e todos subimos. Esse ônibus iria a Santa Clara, mas como levava os estudantes, nos deixou na próxima, chamada Santo Domingo.

Pensamos em ficar uma noite por lá, negociamos hospedagem e nada, 15CUC a diária... resolvemos negociar um banho, almoçar e seguir a Santa clara, desta cidade haviam laguaguas e caminhões. Perdemos uma, que só tinha 3 lugares, e um casal folgado passou na nossa frente, mas tudo bem, porque uns 30 minutos depois, passou outra com mais lugares, e finalmente depois de subir e descer de tantos transportes chegamos a Santa  Clara com 81CUP e 4CUC os dois, ou seja, R$27,26 AMBOS. Sim, esse dia foi o mais cansativo porque foram muitos transportes, mas na VIA AZUL TERÍAMOS GASTO 11CUC CADA UM, OU SEJA, AO INVÉS DE GASTAR R$ 42,50 CADA UM, GASTAMOS MENOS DE R$14,00.🤑 Pontinho para o projeto Cuba com menos de 10 dólares ao dia! 🥳

Na frente do terminal existem várias tendinhas de comidas, lá conseguimos jantar com 20CUP arroz congrí, hambúrguer e salada. Vínhamos a informação que o terminal era 24hs, então essa noite não pagamos alojamento e dormimos no terminal. Lembrem que eu disse que era um mochilão raíz rsrs 😅

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DIA 08 – SANTA CLARA / CIENFUEGOS

Quando amanheceu, saímos para conhecer o Mausoléu e Museu de Che Guevara. Lá aproveitamos um punto ETECSA e reservamos um AIRBNB para Cienfuegos por R$37,47.

Dessa vez não teve erro, primeiro perguntamos no paradeiro de táxis compartilhados o preço e nos disseram 5CUC cada. Então, atravessamos a rua para o terminal de transportes (onde os caminhões também saíam). Quando perguntamos para o cara que estava anunciando, ele nos disse que custava 2CUC cada. Ficamos na fila e perguntamos para as pessoas da fila o valor, e adivinhem, era de 20CUP por pessoa. Então quando abriu o portão foi aquele empurra-empurra de sempre, separamos os 40 CUP e seguimos a Cienfuegos.

*Não encontramos esse trecho pela VIA AZUL, mas acreditamos que talvez o ônibus para Trinidad passaria por lá, e ele saíria 8CUC por pessoa.*

A viagem durou cerca de 2hs e finalmente chegamos no Terminal de Cienfuegos. Do terminal, caminhamos ao melhor anfitrião do Airbnb. A casa super recomendada do Jorge e da Marta. Depois, buscamos algum lugar para comer e tudo muito caro, até que no Paseo El Prado (Principal avenida da cidade) encontramos um prato de arroz congrí, filé de pescado e saladinha por 30 CUP cada. Pança cheia e coração contento, caminhamos um pouco pela cidade e depois fomos descansar.

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DIA 09 - CIENFUEGOS

Caminhamos pela cidade que é a única cidade cubana com colonização francesa, possui muitos prédios que remontam a época, além de inúmeras cúpulas. É uma cidade bem organizada, diferente de outras que conhecemos.

Caminhamos até Punta Gorda e depois aproveitamos para ver o Pôr do Sol no malecón. Normalmente as pessoas passam só o dia por  aqui, mas eu recomendo ficar um ou mais dias porque nos arredores existem muitas coisas para fazer. E como nós gostamos muito no nosso anfitrião, resolvemos ficar mais uma noite por aqui.

 

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DIA 10 – CIENFUEGOS - TRINIDAD

Para chegar a Trinidad não existem caminhões. As opções mais rápidas seriam ir de via azul por 6CUC cada ou de táxi compartilhado por 25CUC os dois. E das maneiras alternativas, existem 3 opções:

  1. Tomar um ônibus dentro do terminal sentido Arimao (2CUP), descer no último paradeiro da estrada e de lá correr botella. Mas é necessário chegar no mínimo 30 minutos antes do horário do ônibus e verificar os horários porque só existem 3 saídas e às vezes uma é cancelada;
  2. Tomar o ônibus Rutero- Parquevilluendas - Circulavacion (1CUP) até descer um semáforo antes do punto amarillo;
  3. Tomar o ônibus 207- 4 caminos - caonao (0,40 CUP) e descer no punto amarillo.

Dito isso, tentamos a opção A, mas o ônibus das 8 não ía sair, então seguimos a opção B, pois o paradeiro era perto do Terminal de ônibus. Ao chegar no punto amarillo, avisamos que queríamos ir a Trinidad, mas ficamos 1h30 esperando e não passou nenhum carro direto. Então ele sugeriu que pegássemos um até a CUPET (posto de gasolina) de Cruzes e de lá seria mais fácil pedir carona. Conseguimos um carro até esse lugar e lá ficamos cerca de 1 hora, até que um carro nos levou até um cruzamento que era metade do caminho. Também ficamos um bom tempo esperando, até que uma ambulância nos levou até um pueblito chamado Camilo Cienfuegos e desde lá conseguimos um caminhão até Trinidad por 10CUP cada um.

A minha dica é sair bem cedo de casa e confirmar a opção 1, se você conseguir já andaria um bom trecho. Caso não tenha ou você perca, eu faria da mesma maneira, porque mesmo tendo demorado um pouco, gastamos 22CUP e não 12 CUC para os dois.

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Em Trinidad negociamos uma casa por 8CUC, mas no final das contas, pedimos para reservar pelo AIRBNB e eles toparam, o que saiu um pouco mais caro, R$54,66 por noite, mas na casa podíamos cozinhar. Lá você pode encontra-lo como "hostal charito - Trinidad center &  breakfast offer".

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DIA 11 – TRINIDAD

De Trinidad, seguimos a Playa Ancón de bicicleta, são 13 km e o caminho é praticamente plano. Mas existem outra maneiras de chegar a essa praia, de ônibus turístico (5 CUC cada/ida e volta), táxi individual ou compartilhado ou ônibus de trabalhadores. Não sabemos realmente a diferença de valores, pois optamos em ir de bicicleta para fazer o passeio. Pouco diferente, mas no trajeto vimos sim vários ônibus de trabalhores indo para lá.

Esse passeio nos custou 4CUC cada e podíamos ficar com a bicicleta até a hora que queríamos. Também gostamos dessa ideia, para poder visitar as praias La Boca (de cubanos) e Maria Aguilar. Mas, infelizmente pelo cansaço geral da viagem desistimos e ficamos apenas em Áncon, que é realmente linda.

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DIA 12 – TRINIDAD

Passeamos pelo centro antigo, encontramos um sorvete por casquinha por 5 CUC e um macarrão por 20 CUC na avenida do Terminal de ônibus nacionais e também descansamos \o/

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DIA 13 – TRINIDAD / CIENFUEGOS – PLAYA JAGUÁ

Acordamos bem cedo para voltar a Cienfuegos, conseguimos pegar um ônibus direto a Cienfuegos direto por 20CUP cada um, não estava cheio e não encheu, então não é necessário passar por tudo que passamos para chegar aqui, mas e necessário sair bem cedinho.

Em Cienfuegos, tentamos um caminhão para Playa Girón, mas como era domingo, não tinha (mas tem direto, que vimos outro dia), então demos uma olhada no nosso mapa offline e vimos um lugar escrito “área de campismo popular” e resolvemos tentar.

Ele fica na Bahía de Jagua. Tentamos ir para lá de ônibus, mas tentaram nos enrolar no terminal e desistimos. Sabíamos que havia como ir de ferry, porque existe um castelo turístico e tentamos ir quando estávamos em Cienfuegos. Detalhe, custa 1CUP, mas como somos turistas, tivemos que pagar 1CUC na ida.

Essa época os horários eram assim:

Castillo – Cienfuegos: 6hs – 10hs – 15hs

Cienfuegos – Castillo: 8h00 – 13hs – 17h30hs

Pegamos o ferry das 10hs, o trajeto dura 1hora e é uma vista diferente de Cienfuegos. Paramos no Castelo que é bem bonito do lado de fora, mas não entramos porque custa 5CUC (mas acredito que vale a pena). Chegamos na área de campismo e era como uma colônia de férias simples, só com umas casinhas, restaurante e playground.

Descobrimos que era um lugar só para cubanos e que como não temos cédula cubana não poderiam nos registrar. Mas como insistimos um pouco, o barco das 15hs já havia saído estava vindo um temporal de verão, nos deixaram ficar com um “Day Pass” que custou 10CUP, mas tínhamos que consumir algo do restaurante. Pegamos um frango com salada por 2 CUC.

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DIA 14 – CIENFUEGOS – PLAYA JAGUÁ

Como havíamos economizado, perguntamos se podíamos ficar mais uma noite, claro que não foi muito fácil convencer eles, mas no final das contas deu tudo certo. Descansamos e aproveitamos um pouco a praia. 🤩

Descobrimos um restaurante estadual logo na saída do cais que tinha comida em Moneda Nacional, um prato de hambúrguer saía 20CUP e o macarrão 15CUP. 😋

Ou seja, conseguimos economizar bastante nesses dois dias.

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DIA 15 – O DIA QUE NÃO SAÍMOS DE CIENFUEGOS

Acordamos bem cedo para pegar o barco das 6hs e adivinhem só pagamos 1CUP cada um... pois é, pois é 🤷‍♀️🤨

Chegamos em Cienfuengos por volta das 7hs, passamos na casa do Jorge porque tínhamos esquecido nosso adaptador de tomada lá. Papo vai e papo vem, ele nos deu dicas de como corrermos botella até Havana e seguimos. Chegamos no punto amarillo na saída da cidade (em frente a universidade), ficamos cerca de 2hs, não passou nada, só um caminhão super cheio que era impossível de entrarmos.

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Tivemos que voltar ao terminal de ônibus analisar as opções que eram: Táxi compartilhado por 20 euros (porque era o único dinheiro que tínhamos) e ônibus da via azul de 20CUC cada um e as 20hs havia um ônibus para Aguada de Pasajeros por 2CUP cada. Uma cidade que estava na beira da carrera nacional,  principal e é uma estrada que chega a Havana. Eu de verdade fiquei bem desesperada, porque não tínhamos muito dinheiro, não queria dormir mais uma noite no terminal sem tomar banho e sem descansar direito.

Não sei qual a sua crença, mas para mim Deus enviou uma mulher para nos ajudar, e optamos por ficar mais uma noite em Cienfuegos na casa do Jorge, pois poderíamos reservar com o AIRBNB e já conhecíamos ele e a casa. Então, no dia seguinte pegar o primeiro ônibus a Aguada as 7h30 da manhã. Porque inclusive provavelmente não iríamos conseguir transporte de Aguada  para Havana aquela hora, além de ser perigoso e teríamos que acampar na estrada.

Deu tudo certo no final das contas, reservamos uma noite com o Jorge, que nos recebeu mais uma vez super bem, inclusive saímos para comer uma pizza e tomar um sorvete juntos. E vamos falar que sorvete bom, da Copelia, uma sorveteria estatual super famosa, comemos um sorvete chamado salada que vem 5 bolas bem servidas, por 3,70CUP, isso mesmo, CUP!

Super aconselho você tentar ir lá, mas talvez tenha que ir com um cubano e fingir não ser turista, porque? Não sabemos, mas já tínhamos tentado ir antes e não conseguimos, e vimos um casal de turistas que chegaram lá e saíram.... enfim, coisas de Cuba! 🙆‍♀️🙆‍♀️

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 DIA 16 – CIENFUEGOS/ LA HABANNA

Acordamos bem cedinho, para não ter perigo de perder o ônibus a Aguada. Chegamos lá e pegamos um ticket de ordem de chegada  e ficamos esperando, pontualmente as 7h30 ônibus saiu e custou 2 CUP  cada um. Conseguimos ir sentados, mas o ônibus encheu rápido e fez um caminho por vários pueblitos e demoramos quase 2h30 para chegar a Aguada, mas chegamos.

Lá tomamos um Táxi-charrete até a ponte  por 20CUP os dois e ali já tinha um ponto amarelo. Esperamos cerca de 10 minutos ou nem isso e passou um ônibus para Havanna, saiu 50CUP cada um e ele nos deixou no terminal Villanueva depois de mais ou menos 3 horas de viagem.

Seguimos para a região do terminal da praça da revolução e guardamos as mochilas por 1 CUC, demos uma caminhada pela cidade e de noite tomamos o ônibus P12, por 1CUP ambos, para o aeroporto, aonde passaríamos nossa ultima noite em Cuba. Esse  ônibus ou o P16 você tem que descer na estrada que segue para o aeroporto, lá você pode esperar um ônibus que liga os terminais, ir caminhando, ou pegar um táxi. Como estava de noite e fresquinho seguimos caminhando até o terminal 3.

Aonde no dia seguinte tomamos o avião até o nosso próximo destino que foi os Estados Unidos.

E assim terminou nossos dias na maior ilha do Caribe! 🤗

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Temos um instagram e facebook da nossa viagem que é @world.ootb 🤩

Como eu disse no início, não é fácil ser mochileiro em Cuba, mas é sim possível e quanto mais tempo você tiver por lá, mais chances de economizar e aproveitar esse país você terá! Esteja preparado para perrengues e a não ser tão bem tratado, nessas zonas não muito turísticas, talvez por cultura de um país que ficou um tempo fechado para o mundo.

 Minha dica é sempre buscar as ligações das cidades que tenham ônibus cubano ou caminhões, DIRETOS! Porque de verdade é muito mais econômico e não é tão desconfortável assim! E sempre sempre buscar lugares para comer que os cubanos vão, porque assim, você realmente terá a vivencia de um Cubano, porque a vida lá não é nada fácil e dentro das zonas turísticas, você não consegue ter essa experiência!

Para terminar, deixo aqui nossos gastos para vocês verem como eles ficaram divididos!
 

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E como vocês podem observar, mesmo economizando 5 noites de hospedagem, esse foi o nosso maior gasto, seguido dos gastos com comida e olha que  praticamente só comemos em lugares "cubanos". Agora se vocês olharem nosso transporte intermunicipal, que é os descolamentos entre as grandes cidades, vão perceber que realmente gastamos MUITO POUCO, isso porque sobrevivemos a Cuba sem tomar NENHUM ÔNIBUS DA VIA AZUL! Caso contrário, seria nosso segundo gasto mais alto, e temos provas disso, porque teríamos gasto $58 dólares cada um, ou seja, R$236,06 cada ou R$472,12 os dois... ou seja, R$376,10 de diferença no nosso total... E ai acham um absurdo ou não?

 

Nosso total para os dois foi de R$1137,35

TOTAL PARA CADA = R$568,52

OU SEJA, R$ 35,53 POR DIA ou $8,73 DÓLARES POR DIA

 

happy homer simpson GIF

Bye bye!

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Fui a Cuba em março, passei o mês todo lá é discordo totalmente deste modo de viajar.Sou do luxo e da boa vida,o que não existe lá, mas desconforto não gosto.Estes caminhões vi e virei o rosto várias vezes,são péssimos,dos anos 50,deviam ir para o lixo.Um dia estava querendo ir de Camaguey a Remédios,apareceu um deles cobrando 25 CUC,por um transporte que nem me pagando quero.Esperei o horário do vi azul,pode ser mais caro,mas não chega a 25 CUC,porém é terrível,ônibus chinês,cai aos pedaços e atrasa muito.Valeu pela experiência de mais um país na minha longa lista, mas só por isso,porque fui pensando em encontrar um país marxista ateu,é encontrei muitos crentes,algo que odeio.

Enfim,cada um é cada um,se a viagem foi boa para vocês é o que interessa.

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    • Por Breno Maia
      Olá, amigos! Estou planejando final do ano visitar Cuba. Depois, ainda pretendo ir para o México. Vcs sabem se existe algum transporte marítimo que ligue os dois países? Cancun fica de frente para Cuba e seria um bom local para entrar no México. Abraços desde já.
    • Por Viviana Ciclobeijaflorismo
      Olá!
      Você que aparece por aqui dizendo que “gostaria de começar a viajar mas que não tem dinheiro e nem sabe como”, sua hora chegou! Estas palavras são digitadas pensando em VOCÊ!
      Antes, vamos iluminar alguns pontos:
      O Mochileiros.com é um fórum [lê-se: o maior e mais completo fórum] de troca de experiências e certamente você poderá encontrar riquíssimos relatos de viagens para se inspirar, dicas do que usar, orientações de onde ir e informações que deixam qualquer CAT (Centro de Atendimento ao Turista) no chinelo! Dessa forma, sugiro que procure, fuce, explore! Como já diziam as nossas avós “Quem procura, acha!”. Fatão! Dessa forma, te convido a degustar isso aqui: https://www.mochileiros.com/blog/mochilao
      Outro ponto que sinto ser importante iluminar é que, ainda que leia TUDO isso e muito mais, nada, NADA, vai te ensinar mais do que a prática. Esteja ciente.
      E, o mais importante é aquele velho ditado “quem quer arranja um jeito, quem não quer arranja uma desculpa”. Porque quando você REALMENTE quiser fazer algo, nada, ABSOLUTAMENTE NADA, poderá te impedir de realizá-lo. Inclusive viajar.  
      A ideia é que, a partir do compartilhar destas experiências que tive, você possa se inspirar e traçar o seu norte de acordo com sua proposta de viagem. Se você ainda não sabe disso vou te contar uma coisa: não existe certo ou errado, inclusive para viajar. Viajar sem dinheiro não te faz uma pessoa melhor do que quem viaja com dinheiro, e vice versa. O que nos faz uma pessoa melhor é nossa capacidade de expressar o Amor [em todas as suas faces como a paciência, a honestidade, a gentileza, o perdão...] através de nossos pensamentos, palavras e ações. Em toda e qualquer circunstância. A todo e qualquer momento.
      Você só saberá se viajar sem dinheiro - ou como dizemos, no modo roots – serve para você depois de se permitir ter sua própria experiência. Antes disso, qualquer pensamento não passa de masturbação mental e especulação. E isso também vale para quaisquer outros aspectos da vida. Permita-se.
      Vou separar por ordem das perguntas que mais recebi ao longo do tempo:
      SOBRE AS CARONAS
      :: Como pedir: tenha em mente que uma imagem vale mais do que mil palavras e que esta imagem que o(a) motorista receberá de ti irá durar pouquíssimos segundos para que decida parar ou não. A maior parte das vezes usei um grande pedaço de papelão como cartaz no qual escrevia bem grande o destino final, seguido de uma cidade intermediária logo abaixo. O papelão é importante pois ele não reflete a luz solar, além de ser facilmente encontrado por aí e ser suficientemente resistente contra a ventania da BR. Sempre carreguei três cores de tinta para tecido (branco, vermelho e azul/preto)  e um pequeno pincel para caprichar na placa. Vale a pena. Sempre começava o dia antes de o Sol nascer e encerrava o deslocamento diário umas duas horas antes do Sol se pôr. Raras foram as vezes em que viajei de noite, até porque a exaustão física orientava os limites. Como acredito em trocas, sempre fiz pequenas lembranças (como filtros dos sonhos ou dobraduras) para dar como forma de agradecimento a cada carona recebida. Também é importante lembrar que a carona é um genuíno e sagrado ato de confiança mútua e geralmente o deslocamento é oferecido em troca da sua história! A maior parte das pessoas que oferece carona está interessada em ouvir sobre você por se identificar ou pela curiosidade em si. Além disso, no caso dos caminhoneiros(as) a conversa é uma forma de quebrar o silêncio dos longos quilômetros de solidão que enfrentam diariamente. Alguns querem ouvir histórias, outros querem contar as suas histórias, desabafar sobre alguma questão ou simplesmente ter a oportunidade de falar. Deguste estes momentos. Aprenda. Ensine.
      ::Onde pedir: se estiver em trechos de BR, no mais amplo e longo acostamento em linha reta possível, nunca em curvas pois tanto o(a) motorista quanto você não terão visão. Em trechos de subidas/descidas/morros não adianta pedir carona no início da descida ou no final dela pois os veículos descem embalados em alta velocidade e não vão parar. Neste caso, ande até chegar no topo da subida do morro onde a velocidade é reduzida ou até o próximo trecho de linha reta com acostamento. Às vezes você poderá andar quilômetros até encontrar este trecho...
      Também é possível conversar com caminhoneiros estacionados em postos de combustível e acertar a carona. Ficar na saída dos postos também é um bom lugar, assim como logo após radares e lombadas onde os(as) motoristas obrigatoriamente passam com a velocidade reduzida aumentando o tempo do olho-no-olho. Um pouco a frente dos postos da Polícia Rodoviária também pode funcionar.
      SOBRE DORMIR
      ::Como e Onde dormir: Só não dormi em barraca nas vezes em que fui convidada para dormir em alguma pousada, bangalô, hostel ou casa de amigos feitos durante a viagem. Houve ainda duas ocasiões em que montei a rede. Mas a via de regra para não gastar com hospedagem é dormir com a barraca “moitada” (escondida) em algum lugar. Em trechos de BR geralmente falava com o segurança do posto de combustível e perguntava onde poderia montá-la para passar a noite (o famoso "mocó"). Em trechos de interior encontrava algum mato no meio do nada que muitas vezes se tornava meu endereço fixo por dias, ainda mais se tivesse rio ou cachoeira nas proximidades! E enquanto viajava de bicicleta tive duas experiências muito positivas utilizando o www.warmshowers.org.
      Em trechos urbanos e pontos muito turísticos é realmente mais difícil (~quaaase impossível) encontrar um lugar minimamente tranquilo e seguro para passar a noite, então sempre que possível trocava trabalho por estadias em campings ou hostels caso fosse necessário ficar mais dias no meio da civilização. Dentre as definições de trabalho posso citar: carpir terreno, podar árvores, pintar ou envernizar portas e janelas, pintar paredes, desenhar mandalas, consertar tomadas, chuveiros, lâmpadas ou outros reparos básicos de elétrica, trabalhar na recepção, lavar banheiro e cozinha, cuidar de jardins, bioconstrução, permacultura, paisagismo, tradução de textos e inclusive troca de artesanatos. Quaisquer dons e talentos podem (e devem!) ser usados. Autoconfiança é tudo. rsrsrsrs
      Tenha em mente que sempre que for moitar quanto menos atenção chamar, melhor para seu sono, seja em um posto de gasolina ou no meio do mato. Monte a barraca chamando menos atenção possível (ainda que isso signifique que terá de esperar algumas horas a mais - mesmo estando exausto(a)!!! - para que o movimento diminua). Se estiver no mato, tenha ciência de que fogo chama atenção e deve ser sabiamente manuseado (ainda mais em áreas naturais em períodos de seca, e isso vale para cigarros, incensos, velas) e examine bem o terreno quanto a possibilidade de formigas, cupins, pedras e gravetos. No litoral facilmente poderá pernoitar em postos de Bombeiros Guarda Vidas ou quiosques a beira mar.
      SOBRE TOMAR BANHO
      Durante períodos de deslocamento, como a maior parte dos pernoites ocorriam em postos de combustível, os banhos eram tomados nos próprios postos. No Sudeste, a maior parte dos banhos são pagos (entre R$3 e R$7) e para ter acesso é necessário retirar uma ficha com o frentista. Nunca paguei, sempre pedi cortesia e sempre ganhei. Mas atente ao tempo: pode variar de 6 a 8 minutos, mas garanto que serão minutos deliciosos... rsrsrsrs
      Centro-oeste, Norte e Nordeste apresentam em sua maioria banhos livres e gratuitos onde será possível até lavar aquela roupa em estado de decomposição avançada, porém não espere por chuveiro aquecido (o que é uma dádiva devido ao calor!). No Sul, os chuveiros são aquecidos e em sua maioria gratuitos. A composição dos banheiros pode variar muito: desde um cano que cai água até o luxo dos boxes de vidro com paredes de mármore e regulagem de temperatura e pressão. Permita-se ser surpreendido... rsrsrsrs
      Já em trechos urbanos recomendo o mantra “durmo sujo(a), acordo limpo(a)”...  ¯\_(ツ)_/¯
      Mas já consegui (em uma ocasião em que estava quase ligando para a vigilância sanitária me interditar hahahaha) trocar um banho em um hostel às 22h no meio de Belo Horizonte por... cristais!!! rsrsrsrs
      Mas no geral, como meus destinos sempre envolveram rios e cachoeiras, isso nunca foi um problema. Já cheguei a passar bastante tempo no mato relativamente longe da fonte d’água, o que não me impediu de ir a cada dois dias encher os galões ou de fazer um chuveiro com garrafa pet. A necessidade é a mãe da invenção!
      SOBRE COMER
      A maior parte de minhas viagens foram baseadas na troca ou na contribuição voluntária, só depois passei a vender artesanatos. Esse processo foi ocorrendo naturalmente a partir da maneira que passei a me relacionar com o dinheiro e com minhas reais necessidades. A princípio, sempre busquei manter meu estoque de “lembas” (vide: The Lord of the Rings) cheio. Isso quer dizer que sempre carreguei alguns alimentos básicos: amendoim salgado torrado, aveia, chia, uvas passas e cacau africano em pó e, eventualmente, bananas, maçãs ou pepinos. Também sempre carreguei alguns temperos como sal rosa do himalaia, canela em pó, cravo e orégano. Independente da situação, passava muito bem com estes alimentos o tempo que fosse. Na verdade, raramente me alimentava durante o dia por saber que a barriga cheia diminui o rendimento (principalmente viajando de bicicleta). Então, posso afirmar que nunca passei fome. O que fazia ao chegar nos postos de gasolina era pedir uma marmita no restaurante self service dos caminhoneiros [que fica nos fundos dos postos de gasolina das grandes redes, como GRAAL ou BR – onde também tem café de graça] e sempre fui prontamente atendida. Ao passar pelas cidades, qualquer restaurante oferecia marmita ao final do expediente, alguns solicitavam que deixasse algum pote com tampa para retirar posteriormente. Muitos montavam mesas com banquetes na relação de “quanto menor a cidade, maior a generosidade e recepção”. É claro que houve casos em que negaram o pedido de comida e, independente da falta de generosidade ou empatia, o fato é que ninguém é obrigado a nos dar nada. Ninguém nos deve nada, assim como não devemos nada a ninguém. Esses foram “nãos” essenciais ao meu crescimento pessoal e à compreensão de que é sábio buscar ser autossustentável em todos os aspectos da vida.
      O verbo que recomendo que conheça é manguear: a arte de trocar o seu artesanato diretamente pelo produto que precisa, sem precisar vendê-lo intermediariamente para só depois utilizar o dinheiro. Já mangueei colares de macramê e filtros dos sonhos por marmitas, lanches e sucos.
      Se for ficar um período maior em alguma cidade, encontre o maior mercadinho que tiver e descubra quando é a xepa. A xepa é o dia que antecede a chegada de novos produtos de hortifruti quando é possível pedir pelas frutas e legumes mais passadinhos (no limite do consumo) ou você pode comprá-los pelo simbólico valor de R$0,99/kg. Evite os produtos com marcas de bolor (como mamão e caqui) pois isso pode te livrar de uma bela diarreia fúngica. Esta assepsia também te livra da cólera e de morrer por motivos estúpidos... rsrsrsrs
      Sempre que fiquei parada por mais tempo em algum lugar usava uma pequenina panelinha em um fogão feito com latinha de refrigerante à álcool etílico (atenção ao manuseio!!! Para apagá-lo é necessário abafá-lo!!!). As cidades também possuem Centros Espíritas assistencialistas que geralmente oferecem durante a semana refeições em algum determinado horário. Em alguns lugares é conhecido como “sopão”. A verdade é que muitas são as refeições que se recebe, ainda mais se viajar de bicicleta.
      SOBRE LAVAR ROUPA
      Pelo menos uma vez na semana será necessário fazer essa função. Sempre que possível lavar no banho e já pendurar a peça de roupa na barraca para secar até o dia seguinte: faça! Nas regiões mais quentes isso é tranquilo de fazer. Se você tiver dinheiro, os postos de combustível das grandes redes possuem lavanderias pagas e sua roupa é entregue lavada, passada, limpa como nova e tudo isso enquanto você dorme! Pessoalmente nunca utilizei esse serviço, mas pude testemunhar muitos caminhoneiros utilizando-o. Mas bom mesmo é poder ficar na beira do rio e lavar roupa na pedra... Mas não se esqueça de usar sabão biodegradável (de coco de babaçu ou de cinza), por amor! Também é possível lavar roupas sempre que algum convite para hospedagem acontece. E também é possível usar uma roupa sem lavar por mais tempo do que você está imaginando agora... rsrsrsrsr 
      SOBRE IR NO BANHEIRO
      Não tem mistério: “Moça(o), posso usar seu banheiro?”  hahahahah funciona na maior parte dos estabelecimentos, ainda que seja apenas um buraco no chão no melhor China Style! Se estiver pelo mato acampado(a), não faça do seu banheiro a beira dos cursos d’água. Faça looonge, e enterre bem! E, se for ficar acampado(a) por mais tempo e não conhecer os princípios de decomposição de um banheiro seco, não faça sempre no mesmo lugar. No caso de ficar complicado sair de noite para fazer xixi, as garrafas pet estão aí, né, gentem?! E para as meninas existe o oigirl ( https://www.oi-girl.com.br/ ) e o InCiclo ( http://www.inciclo.com.br/ ) 
      Só sucesso!
      O que é realmente importante que tenha em mente é qual o seu objetivo e qual o preço que está disposto a pagar por isso? Quer viajar sem dinheiro por curiosidade? Diversão? Por liberdade? Convicção política? Fetishe? ( ͡° ͜ʖ ͡°) Para conhecer algum destino específico? Para ter experiências únicas? Conheça o que te move e saberá o que pode te derrubar. Está disposto a ficar longe do conforto? Precisa dormir bem toda noite? Tem pressa? Não gosta de interagir? Saiba qual o preço que está disposto(a) a pagar e nada poderá te derrubar.
      Se quiser saber sobre o que aprendi viajando, clica aqui:
       
       
      Se quiser saber sobre perrengues, espia:
       
      Se está buscando inspiração audiovisual, vai fundo:
       
      O resto é poesia.
       
    • Por Bruno Anastasi
      Bom dia 
      Tenho 21 anos e planos de no final do ano partir para um mochilão roots pelo mundo sem data de volta começando pela america do sul, pegando carona, couchsurfing, trabalho voluntario... mais me encontro sem dinheiro e com um trabalho que não me faz feliz, quando tive uma ideia q não sei se é bem possível para pelo menos não sair sem nada, tava pensando em mudar de cidade (provavelmente em curitiba) alugar um apartamento no Airbnb pelo mais barato q achar e nisso faria uns 100 brigadeiros vendendo cada um por 2 reais  ( vendendo minha historia e meu sonho de viajar o mundo), fazendo isso todo dia conseguiria por dia 140 de lucro e por mês 4.200 na teoria, oque me possibilitaria de conseguir pagar o apartamento, me manter (com o minimo de gastos) e guardar dinheiro para viajar, tava pensando em fazer isso por uns 5 meses e depois cair na estrada, alguém poderia dizer se já fez alguma coisa parecida ou se minha ideia não é tão impossível assim, porque a unica coisa q ouço é q estou louco, mais não tem como, é meu sonho, não tem coisa que mais queira no mundo.
    • Por Viviana Ciclobeijaflorismo
      Saudações!
      Há pouco compartilhei um relato sobre como foi viajar e viver na BR nos últimos dois anos e meio conhecendo um pouquinho de cada uma das cinco regiões do Brasil de carona, a pé e de bike. O relato não aborda roteiros, preços ou dicas mas busca compartilhar outras dimensões e aprendizados que tive (e você pode entender ao que me refiro aqui: https://www.mochileiros.com/topic/66973-sobre-a-coragem/ ).
      Como venho assimilando as informações vividas nesse intervalo entre ciclos que se encerram e se iniciam - e como todos sabemos que "happyness is only real when shared" -, percebi que outros dois assuntos são recorrentes no curioso imaginário da arte de viajar ~por aí e resolvi compartilhá-los também buscando somar.
      No outro post, os aprendizados foram compartilhados a partir da óptica da coragem necessária para seguir o coração a despeito de quaisquer garantias ou certezas que um mochileiro enfrenta no início, e automaticamente me lembrei das muitas mentiras que também temos que encarar. Acredito que a maior mentira que a humanidade perpetua a si e ao coletivo - de maneira quase socialmente institucionalizada - é o "não tenho/deu tempo", que é a maneira politizada de dizermos que não-queremos-tanto-assim-fazer-algo-como-dizemos-que-queremos. Mas, uma vez tendo vencido este autoengano, me deparei com aquela que considero a segunda maior mentira do universo das viagens: "para viajar precisa de dinheiro".
      Criada num contexto de classe média baixa onde as viagens feitas não ultrapassaram os dedos de uma mão (e envolveram exclusivamente a visita a algum parente distante ou um bate e volta à praia mais próxima) cresci com a crença de que viagem é luxo e que precisa de dinheiro para isso. Ao me dispor a encarar esta máxima e colocar a sua veracidade em cheque, descobri que é balela: para viajar precisa ter vontade - e disposição, claro! Não estou pregando que o "certo" ou "errado" é viajar com dinheiro ou sem, até porque ele é apenas uma ferramenta. O que busco salientar é que ele não é obrigatório como cresci acreditando que era. Ao escolher viajar sem dinheiro precisamos das mesmas coisas que ao viajar com dinheiro (ou até mesmo se ficarmos parados!): precisamos comer, tomar banho, dormir em um lugar minimamente seguro, etc, a única diferença é que se faz necessário encontrar maneiras alternativas de suprir tais necessidades, e daí vai da disposição e criatividade de cada um. Como diz o ditado "quem quer arranja um jeito, quem não quer uma desculpa".
      Outra mentira na qual tropecei antes mesmo de colocar a mochila nas costas foi "é perigoso mulheres viajarem sozinhas".  Tantas são as fobias e "-ismos" fortemente enraizados em nossa cultura que reproduzimos sem nem ao menos questionarmos as origens que eu mesma muito me admirei ao notar o sutil machismo que me habitava por acreditar nessa idéia. No entanto, após pensar um pouco, concluí que uma mulher viajar sozinha não é mais perigoso que uma mulher ir comprar pão, andar no transporte público ou ir para o trabalho. A sociedade é patriarcal e o assédio, infelizmente, encontra-se em todas as esferas sociais, logo é uma mentira acreditar que uma mulher viajando está mais susceptível à riscos do que qualquer outra mulher em qualquer outro lugar fazendo qualquer outra coisa.
      Outra ideia que tinha como verdadeira, e que descobri ser mentira muito rapidamente, é a de que "todo maluco de BR é paz e amor". Fui muito ingênua por acreditar nisso? Fui! Romantizava a vida na BR? Sim! Mas não levou muito tempo para que compreendesse que essa é uma inverdade por motivos lógicos! Hoje dou risada da magnitude de minha inocência por acreditar nesse estereótipo romantizado e assumo que compreender isso foi como levar um balde de água fria - necessário. Roubos, drogas, disputas e desonestidade são apenas alguns exemplos da realidade que não esperava conhecer entre os mais variados malucos de BR. Antes achava que todos eram "hippies saídos do Hair" ou "Cheech & Chong", embora estes existam em processo de avançada extinção... Rsrsrs sabe de nada, inocente... 
      Mas de todas as mentiras, a que mais me pegou foi "só dá para viajar com equipamentos ~adequados (lê-se, caros)". Sonho em ter uma mochila da Deuter? Sonho. No entanto, consegui muito bem me virar, entre remendos e adaptações alternativas de baixo custo (a.k.a. gambiarra) com uma comprada na loja do chinês por R$80. É claro que poder ter um equipamento de qualidade implica diretamente na relação entre conforto e rendimento, mas nada que não possamos nos adaptar. Digo que foi um ponto que me pegou pois também passei pela situação inversa: investi em um equipamento de marca e me ferrei! Por muito tempo, após ter passado por uma experiência de chuva muito intensa com uma barraquinha dessas de supermercado sem ter nem ao menos uma lona (amadora, rsrs), juntei dinheiro decidida a investir na minipak. Como passaria a viajar de bicicleta, ela era leve e apresentava uma excelente coluna d'água pelo que a julguei perfeita. Porém, ao adquirí-la e usá-la realizei que não era funcional para mim pois sentia falta de ser autoportante, é muito chata de guardar, o teto é muito baixo para o cocoruto, é pequena para visitas (ou sou muito espaçosa...), o alumínio entorta fácil e a vareta com 3 meses de uso quebrou! Passei um bom tempo pensando em como uma simples lona custando 10x menos já resolveria meus problemas... Rsrsrs
      Dessa forma, aprendi que equipamento bom é o que temos pois atende às nossas necessidades e temos intimidade com ele. Mas ainda hei de comprar uma mochila da Deuter! Rsrs
       
      Outro tema recorrente aos mochileiros são os tais dos perrengues! Ouso até dizer que, aos que ainda sucumbem ao medo, eles interessam mais do que as viagens em si! Rsrsrs Os perrengues e dificuldades são tão relativos quanto possíveis, variando de viajante para viajante assim como em intensidade. Para alguns o maior pesadelo pode ser perder a reserva de hotel, para outros pode ser um pernilongo. Dentro do que me propus a viver, por saber e confiar que nada que realmente precisasse faltaria, também carregava a consciência de que assim como recebo posso ter tirado de mim, afinal o conceito de posse já não mais me acompanha. Dessa forma, por não carregar eletrônicos, documentos ou ítens de valor comercial reconheço que fica mais fácil não se preocupar com perrengues. Ou não. Ao menos era nisso que acreditava até tomar A MAIOR CHUVA dessa vida numa passagem pela Chapada Diamantina. Pelo meu característico amadorismo e excessivo despreocupar no começo da vida mochileira, nem lona carregava, logo, a barraquinha de R$50 do mercadinho só serviu para canalizar o fluxo d'água numa cachoeira central que molhou a.b.s.o.l.u.t.a.m.e.n.t.e. TUDO. Compreendo que qualquer adversidade que surja é passível de adaptação, no entanto ficar completamente molhado nos traz a pior sensação de impotência possível já que não se tem o que fazer...
      O perrengue de tomar uma chuva e ficar completamente molhado ainda se agrava pois a questão não é solucionada com o fim da chuva! Mochila, barraca, roupas e pertences permanecem molhados por dias e isso significa que também ficam mais pesados, fedorentos e com grande possibilidade de embolorarem, além do risco momentâneo de hipotermia. Certamente, nunca passei por perrengue tão intenso quanto ficar completamente molhada pela chuva. Por dias. 
      Embora menos intensa quanto aos desdobramentos porém potencialmente problemática é a situação no outro extremo: ficar sem água. Houveram períodos em que levei bem a sério o Alex Supertramp e fui morar um tempo com minha barraquinha no meio do mato. O desafio principal está no fato de que não só o ser humano busca água como toda a natureza. Dessa forma, dividir a fonte com outros animais, fofos ou peçonhentos, é inevitável e saber a sua hora de usar a fonte e a hora deles é uma urgente sabedoria. Mas também houveram situações em que não havia uma fonte de água próxima e esse também se torna um desafio de captação, transporte, armazenamento e racionamento dessa água. Momentos como este reforçaram a consciência ecológica do desperdício-nosso-de-todo-dia com algo tão sagrado. Mas o perrengue mesmo é quando a água de beber acaba no meio do nada! A desidratação é um perigo silencioso e intenso pois o corpo buscará compensar a perda hídrica envolvendo todas as funções biológicas e então atividades simples como andar, falar e pensar se transformam em desafios homéricos. Saber calcular e administrar a relação distância x peso x sede é fundamental para evitar este perrengue.
      Além de ficar hipotérmica ou desidratada, os únicos perrengues que considero ter enfrentado derivam de um único fator: cansaço. Não me refiro ao cansaço físico pois este se resolve com uma ciesta, me refiro ao cansaço mental. Ter que retornar por caminhos já conhecidos, e que envolviam grandes centros urbanos, ou estar acompanhada de alguém com prioridades diferentes ou que só fazia reclamar são exemplos do que me causava o cansaço emocional. Então, mais de uma vez, a pressa por sair logo de uma dessas situações fez com que me colocasse no que chamo de vulnerabilidade desnecessária. Viajar exige uma pré disposição em se expor mas existem situações em que aceitamos nos submeter a uma exposição de alto risco sem real necessidade. Posso citar aquela carona que se aceita próximo do anoitecer pela pressa de chegar logo ou atravessar algum lugar, ou quando por preguiça de darmos uma volta maior mas que apresente menos riscos cruzamos trechos perigosos (estradas sem acostamento em trechos de serra, túneis ou viadutos), ou quando escolhemos parar em lugares sabidamente arriscados (como um leito de Rio ou cachoeira em época de chuvas, na praia aberta durante uma tempestade, sobre folhas secas ou chão batido certamente território de cupins ou formigas noturnas) ou quando aceitamos aquela carona cujo motorista apresenta nitidamente ao menos um pé na psicopatia - é raro, mas a energia que emanamos atraímos de volta). Felizmente aprendi rápido que o único remédio para o cansaço é descansar! Estes são exemplos da vulnerabilidade desnecessária que o cansaço mental atrai e transforma em verdadeiros perrengues.
       
      Sinto que as balelas e perrengues são intrínsecos a todos viajantes e, embora não pertençam ao lado glamouroso da viagem, são parte do alicerce. Que este compartilhar possa minimamente suprir a curiosidade dos que ainda buscam apoio na literatura assim como me confortam ao externizá-las, validando de certa forma as experiências que tive. Mas mais do que isso, que estas palavras sirvam de fermento ao questionamento. Não acredite no que falo. Duvide. Busque ter sua própria experiência.
       
       
      Dedico este compartilhar a todas e todos que têm ao menos um perrengue para contar pois acredito que este seja, no mais profundo, o seu propósito: transformar a história em estória...
       
      PRABHU AAP JAGO
       
       
    • Por Viviana Ciclobeijaflorismo
      Uau... sempre gostei de ler e escrever mas 'em todos estes anos nessa indústria vital, essa é a primeira vez que isso me acontece' rsrs olho para a tela em branco mas as palavras não saem. Várias foram as vezes em que esta cena se repetiu nas últimas semanas e noto uma resistência interna em ordenar as palavras e externizá-las, permanecendo em silêncio degustando-as. Conheço bem essa resistência: é apego! Comumente remetemos o apego aos bens materiais mas quase sempre ignoramos que eles não passam de um símbolo. O real apego é sempre a ideia por trás do símbolo. Venho apegada à ideia da vida que vivi nos últimos dois anos e meio e soltar essa ideia é assumir que ela agora faz parte do passado. No entanto, o novo só vem quando soltamos o velho. E para isso se faz necessário ter coragem...
      As palavras que se seguem são um ato de coragem.
      CO.RA.GEM. substantivo feminino: 1.força ou energia moral diante do perigo; 2.sentimento de segurança para enfrentar situação de dificuldade moral; 3.atributo de quem tem determinação para realizar atividades que exigem firmeza. (Dicionário Michaelis)
      Ou, como uma irmã me ensinou um dia: do prefixo cor (coração) e do sufixo agem (do verbo agir): coragem é agir com o coração. E foi totalmente seguindo o meu coração que ao completar 26 anos em janeiro de 2015 escolhi ir viver as coisas nas quais acreditava. Contexto: na época uma angústia muito forte me acompanhava no dia a dia de faculdade, trabalho e nas pequenas efemeridades que caracterizam o cotidiano. No fundo, a angústia podia ser descrita como um sentimento de não pertencimento e até mesmo uma profunda incompreensão generalizada, não entendia o sentido de fazer as coisas que fazia pois enxergava uma sociedade doente e me apoiava em discursos de liberdade contra um "sistema opressor". No meu aniversário de 26 anos cansei de falar (lê-se: pregar) no facebook sobre as coisas nas quais acreditava e resolvi ir viver as coisas nas quais acreditava.
      Foi num ato repentino da mais profunda coragem num misto com a mais profunda inconsequência que parti. Com cinquenta e cinco reais no bolso, uma tampa de caixa de pizza escrito 'Alto Paraíso' e uma mochila extremamente pesada contendo 75% de inutilidades, fui para a BR. A única experiência que tinha era de ter pego carona com uma amiga até a cidade vizinha (interior de São Paulo, coisa de 100km de distância) poucas semanas antes, mas desde então sabia que se havia conseguido uma carona, conseguiria quantas precisasse. Afinal, muitos podem passar mas só preciso que 1 pare! E foi com essa confiança que, acompanhada de outra amiga que nunca havia viajado de carona, fui rumo a Chapada dos Veadeiros. Não olhei no Google, não tinha mapa, referências ou distâncias. Tudo o que sabia era que queria chegar na tal da Chapada e que pediria carona para isso.
      Há pouco tempo ouvi a seguinte frase sobre cair na estrada: "não tem como se preparar para isso". Essa é a mais pura verdade, e esse foi o primeiro grande aprendizado.
      Também é verdade que um único dia de BR te ensina muito mais do que toda a literatura que possa já ter lido, sobre todos os assuntos. Aprendi sobre política vendo a histórica desigualdade social na vida fora dos grandes centros urbanos e fora dos telejornais; aprendi sobre geografia percorrendo as estradas que cortam as paisagens entre serras e planaltos; aprendi sobre língua portuguesa e sobre licença poética nas placas pintadas à mão oferecendo os mais diversos trabalhos Brasil adentro; aprendi sobre matemática com os preços dos postos de combustível e suas lojas de [in]conveniência; aprendi sobre a biologia do corpo que, como um camelo, cobre distâncias incríveis sem uma única gota d'água; aprendi sobre a química da arte de cada estado em misturar água quente, pó de café e açúcar de maneira tão única (e gratuita!); e, sobretudo, aprendi a física envolvida no equilibrar de uma mochila nas costas de forma que ela (como um motor de Kombi que vem atrás) ainda assim te impulsione para frente. Sempre para frente.
      A BR é uma exigente professora muito dinâmica, com metodologia autodidata e tudo conta como matéria dada. E é justamente este nível de exigência da entrega total ao momento que nos permite absorver todo o seu conteúdo tão eficazmente. Afinal, não dá para estar na BR pensando no boleto que vai vencer ou na ração do gato. A BR te exige por inteiro. Mas essa exigência não é a toa, pois a todo aquele que se entregar plenamente, nada faltará. Nem a carona impossível do último raio de sol do dia, nem o alimento ora como cortesia, ora como oferta da natureza, nem o cantinho maroto para montar a barraca ou o banho, seja num rio, cachoeira ou nos oito minutos mais deliciosos de sua vida num chuveiro de posto de gasolina. Nada faltará! Esse foi o segundo grande aprendizado. 
      Portanto, é um fato que a BR supre a todas as necessidades daquele que se entrega à ela, mas isso não quer dizer que nossas necessidades serão atendidas como gostaríamos ou quando gostaríamos, mas certamente sempre que realmente precisarmos. Aceitar essa falta de controle sobre as situações e ainda assim confiar que nada nos faltará é um desafio proporcional à magnitude do milagre de ser atendido. Porque a verdade é que nós não controlamos absolutamente nada. Abrir mão da ilusão de controle foi o terceiro grande aprendizado.
      Depois de aprender que não há como se preparar para isso, que são necessárias confiança e entrega e de ter aberto mão da ilusão de controle, algumas virtudes certamente já se apresentam desenvolvidas das quais destaco duas: a paciência e a gratidão. Estas duas virtudes são os maiores presentes que a BR me deu. A paciência de esperar o dia in-tei-ro por aquela carona naquela estrada de terra que não passa nem vento ou naquele trecho urbano em que milhares passam mas não param por medo. A gratidão de receber o dia chuvoso como se recebe o ensolarado, de ser grata pelo jejum assim como se agradece  o banquete de coração ofertado.
      Tendo desenvolvido a duras penas a paciência e a gratidão, aprendi que a verdade é que tudo está em nossas mãos. Com paciência e gratidão criamos o que quisermos. Esse foi o quarto grande aprendizado. Esse é um dos mais belos paradoxos humanos: não temos o controle de nada  e criamos tudo o que quisermos. As palavras nem ao menos tangenciam os processos dessas compreensões e permanecem assim no campo das inefabilidades. Mas afirmo: é real. No entanto, não acredite em mim. Duvide e tenha sua própria experiência.
      Além dos impulsos de buscar viver as coisas nas quais acreditava, também ansiava por ser maior do que meus medos. No angustiante período que antecedeu a partida, já havia compreendido que a crença em nossos medos é o que nos limita. Na época, havia feito uma lista com todos os meus medos dos mais esdrúxulos aos nunca antes pronunciados. Levei algo próximo de três meses para terminá-la, e esta lista finalizada lembrava em muito um pergaminho dado comprimento. Em seguida os analisei. Considerei medos-meus aqueles que havia tido uma experiência direta, real e empírica e considerei medos-não-meus aqueles adquiridos por indução social e inconscientemente reproduzidos. Fiz isso pois compreendia que poderia lidar com os meus medos e os demais devia apenas soltá-los, afinal não eram meus e gastava muita energia com eles...
      E de todo o pergaminho, a lista se reduziu a poucos ítens contados nos dedos das mãos. Esses eram os que me interessavam vencer, os demais , como disse, abandonei. Simples assim. Junte a angústia existencial gerada por uma sociedade de consumo com a vontade de vencer os medos limitantes e algumas sessões de 'into the wild' e você tem uma pessoa disposta a rasgar documentos, dinheiro, diplomas, desapegar-se de bens materiais e referências psicoemocionais, além de cometer um "socialcídio" nas redes sociais. Toda a viagem à Chapada dos Veadeiros durou entorno de duas semanas e, ao retornar, abri mão de todos os ítens acima citados. Quando voltei para a estrada possuía apenas o meu corpo, meus conhecimentos e uma mochila com algumas roupas e alguns poucos apegos que ainda permaneciam.
      Queria ver o mundo como ele era sem referências. Queria ver como eu era sem referências. Compreendia que o dinheiro era uma forma de energia mas não era a única e me propus a viver da troca de conhecimentos e da força braçal, bem como do voluntariado. Mas num bom e honesto português o que me motivou foi querer ver se o mundo era mesmo como o Datena falava que era, rsrsrs É com alegria e gratidão que posso afirmar que ele possui uma visão muito limitada (e triste) do que é o mundo...
      Nesse período de viagens de carona que se sucedeu com trocas e voluntariado, regado à paciência e gratidão, aprendi que quanto mais a gente se doa mais a gente recebe. Esse foi o quinto grande aprendizado. Também foi um período em que muitos valores morais e crenças caíram por terra. Descobri, como diria um professor que tive, que sou o extrato-do-pó-do-peido-da-pulga no universo! Rsrs
      E viajei, e viajei e viajei. Curiosamente, curtos foram os momentos em que viajei sozinha. Já viajei em dupla, em trio, com criança e em quarteto. Viajar bem acompanhada é delicioso! Comunhão, cumplicidade, respeito, reciprocidade, apoio e alguém que olhe sua mochila para ir ao banheiro! Rsrsrs No entanto, só quem já viajou mal acompanhado sabe o valor de se andar só. Uma vez li em algum lugar que a solidão só pode ser realmente sentida em meio a outras pessoas. Hoje compreendo isso. E foi ao escolher  passar a viajar exclusivamente sozinha que compreendi a diferença entre solitude e solidão. A solitude é sobre estar só e não sentir solidão. A solidão é sobre estar acompanhado e se sentir só. Esse foi o sexto grande aprendizado.
      E ao aprender a apreciar a minha companhia e a ouvir tudo o que o silêncio tinha para me falar, a vida de caronas passou a ser incompatível com minhas novas necessidades introspectivas pois bem sabemos que o pegar caronas implica em conversar e interagir (além de responder várias vezes no dia as mesmas perguntas clássicas "de onde você é?", "para onde você está indo?", "você não tem medo?", "o que sua família acha disso?", Etc rsrsrs). As trocas me garantiam apenas o mínimo ao mesmo tempo em que recebia muitas doações, e foi quando passei a me sentir sustentada ao invés de me sustentar. Essa nunca foi a proposta. Concluí que estava na hora de ser autossuficiente, decidi investir em artesanatos e passar a viajar de bicicleta para ter mais independência.
      Viajar de bicicleta é outro universo...!
      Viajando de carona o mundo já é solícito, mas de bicicleta ele é escancarado! Minha bicicleta (Kali- A Negra) é dessas padrão, sem marca, aro 26 e 21 marchas onde os maiores investimentos que fiz foi instalar bar ends de deiz real, um selim mais largo e o bagageiro no qual amarrei dois baldes como alforges, com uma garrafa pet de paralama. Junte a cara de pau de uma bicicleta dessas circulando por aí como se fosse uma Specialized, o fato de eu ser mulher e estar viajando sozinha e você terá a trinca de ouro das portas abertas na sociedade.
       Tenho plena consciência da sociedade patriarcal em que vivemos e de como é nascer mulher em meio a isso, mas nunca havia experienciado isso de forma tão latente pois não se admiravam por ser uma pessoa viajando de bicicleta, mas por ser uma mulher sozinha, o que claramente indica a noção do inconsciente coletivo de que o mundo é sim um lugar hostil para mulheres, já que a mesma admiração não é comum aos homens viajantes solos. Também sinto que a hiperbólica solicitude que a bicicleta proporciona vem do próprio símbolo de liberdade atrelado à ela, afinal todos temos alguma memória afetiva de infância relacionada à sensação de liberdade com alguma bicicleta.
      Uma metáfora não-tão-metáfora-assim que a bicicleta me ensinou nos primeiros 10 minutos de viagem foi que não importa o peso que se carrega, mas sim como o equilibramos...
      E pedalei, e pedalei, e pedalei. Tomei chuva, me queimei no sol, atolei na lama, empurrei serra acima e senti a "mão de Deus no guidão" ladeira abaixo a 56km/h. Fui abordada diversas vezes pela própria curiosidade das pessoas, fui recebida e convidada à hospedagens e banquetes, ganhei dinheiro e presentes, orações, abraços cheios de ternura e querer bem e, por mais delicioso que tudo isso seja, estava looonge da intenção inicial de passar despercebida... Ao mesmo tempo isso ajudou com a venda de artesanatos (mandalas de papel com beija-flores, logo, Ciclobeijaflorismo) e pude experienciar o sucesso na autossuficiência plena  com dinheiro suficiente para me hospedar em campings e realizar os desejos mais supérfluos de meu ego. É nesse ápice entre a plena autossuficiência profissional e a crescente necessidade de introspecção e silêncio não compatíveis com a imprevisível vida na BR que, com a Graça Divina, tive o maior dos aprendizados. Tudo o que fizera até então era em busca da liberdade, de acordo com os conceitos que possuía de liberdade. No entanto, em dado momento pude compreender que sempre fui livre. E pela primeira vez compreendi o que Renato Russo quis dizer quando afirmou que 'disciplina é liberdade'.
      Todos somos livres, sempre fomos e sempre seremos. Inclusive para nos prendermos ao que desejarmos. Esse foi o sétimo e maior aprendizado de todos nesses dois anos e meio de vida nômade.
       
      Faz aproximadamente quatro meses que parei de viajar e isso se deu por uma série de fatores, compreensões e necessidades do momento. Tudo o que materialmente ainda possuo é a bicicleta e os baldes alforges (tá, e documentos. Tenho todos novamente, rsrsrs), no entanto a bagagem que estes dois anos e meio me gerou eu ainda mal consigo mensurar (e nem tenho tal pretensão!). A proposta do momento é encerrar pendências diversas que a impulsividade de outrora deixou e, tendo renovado inclusive a CNH, dar início ao projeto da casa própria sobre rodas, afinal sou uma jovem senhora de quase 30 anos que busca alguns confortos que viver de mochila não oferece, rsrs. No entanto, como ou quando isso acontecerá não me pertence mas sei que assim como a estrada me chamou uma vez, quando houver de retornar não será diferente. Coração cigano só bate na poeira da estrada!
      E o que ficou disso tudo?
      O brilho dos primeiros raios de sol pela manhã refletidos na superfície de um rio; 
      O aroma da primeira chuva que cai e toca a terra encerrando a seca. Uma verdadeira oração silenciosa de alívio e gratidão onde não se ouve nada além das gotas;
      A suculência da fruta madura saboreada direto do pé;
      O farfalhar das folhas com o vento no dossel;
      O toque da pele em cada rosto que se toca em um abraço ou das mãos que se apertam. E os sorrisos! Ah, os sorrisos... As donas Marias e os seus Zés... 
       
       
      Esse foi meu relato de dois anos e meio de viagens conhecendo um pedacinho de cada uma das cinco regiões do Brasil, de carona, a pé e de bike com muito pouco ou nenhum dinheiro vivendo a base de trocas e voluntariado, posteriormente com a venda de artesanatos. Este relato não envolve descrição de lugares, roteiros, valores, dicas ou distâncias. Aliás, quando me perguntam sobre a maior distância que já percorri digo que foi entre querer viajar e colocar a mochila nas costas. Esta certamente foi a maior distância. Este relato apenas compartilha outros aspectos de um mochilão. E embora eu tenha dito que este é o meu relato, estou ciente de que também é ou pode ser o seu, afinal, Eu Sou o Outro Você.
       
      Dedico a todas e todos que abraçaram e abraçam o desconhecido, escolhendo ir além dos próprios medos. Agradeço a todos e todas que compartilham seus relatos de viagem. Agradeço a todas e todos que compartilham. Agradeço.
       
       Trilha sonora da escrita:
      *Quinteto Armorial - do Romance ao galope (1974)
      *Alceu Valença e Orquestra Ouro Preto
       
      PRABHU AAP JAGO


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