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Relato de viagem 16 dias- Portugal/Roma/Vaticano/ França Com valores e fotos


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  • 3 semanas depois...

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    • Por claudio_aomundoealem
      Olá mochileiros
       
      bem, finalizei o texto da minha viagem para Itália, feito a tempo antes da pandemia virar o mundo de cabeça para baixo. Espero que possa auxiliar a quem quiser viajar - espero que já nesse segundo semestre de 2021, se o vírus - e o euro - ajudar.
       
      P.S.: também coloquei um pequeno resumo para cada tópico.
       
      Itália – Parte 2 – A Viagem
       
      Dia 14/12 (1)
       
      Começava novamente a saga da viagem ao exterior, mas com sensação muito distinta. A preocupação agora não era de como será?, afinal já tinha adquirido experiência nos anos anteriores. A questão era o problema eterno em toda e qualquer viagem: está tudo certo? Faltou alguma coisa? Deixou alguma coisa aberta? São as perguntas que sempre acompanham o viajante e mostra que turismo exige algumas horas de preparação antes de iniciar mais um sonho.
       
      As malas de mão já tinham sido preparadas na semana anterior, mas sempre tem a possibilidade de colocar algo a mais ou ainda o que só pode ser posto no dia, como carregador de celular. Nisso vão mais algumas dezenas de minutos. Soma-se a isso o período para conferência de dinheiro, seguro viagem, bilhetes do trem, a pochete, o passaporte, chaves, máquina fotográfica, celular...
       
      Viajar ao exterior tem um efeito colateral de usar roupa completamente distinta do clima. Pedimos um motorista por aplicativo para nos levarmos ao aeroporto no início da tarde e sol do final da primavera queimava meu braço que estava coberto por uma camiseta de manga comprida escura.
       
      Mas esse trajeto (para sorte do meu braço) era curto e chegamos ao aeroporto com a antecedência recomendada. Diferente do ano anterior, o aeroporto estava muito mais tranquilo. Apesar de ter o limite de peso e tamanho imposto para a mala, passamos diretamente para o portão de embarque sem nenhuma restrição promovida pelos funcionários da companhia aérea.
       
      RESUMO
       
      NÃO SUBESTIME a necessidade de planejamento. Por mais que já saiba como organizar a mala, isso demanda tempo – deixe tudo o que puder pronto dias antes.
       
      CHEGUE no aeroporto com antecedência – melhor ficar olhando para o relógio e ver que ele demora para passar do que olhar para o mesmo relógio e achar que ele corre demais, por estar atrasado.
       
      Dia 15/12 (2)
       
      Após ultrapassar o Oceano Atlântico, o avião chegava em Lisboa, para nossa conexão. O tempo de conexão de 2 horas era confortável para seguir os trâmites da alfândega (aliado à praticidade da comunicação ser em português), desde que não cometa algum deslize. O que podia representar uma ameaça era o fato do horário ser 5 da manhã em Portugal (ou 2 da manhã em São Paulo). Consequentemente, nosso corpo e mente não estão na capacidade plena de concentração, o que exige ainda mais atenção para não cometer erros. Para isso, fixei que só estaria tranquilo quando chegasse à área do portão de embarque.
       
      No setor da imigração, o agente viu minha pochete e determinou que passasse pelo raio-X – com todo o dinheiro dentro! Não tirei os olhos da máquina e fiquei mais calmo depois que consegui recuperar a pochete e eles não perguntarem do dinheiro (são aqueles perrengues que viram história para contar).
       
      Determinado o portão de embarque, uma fila se formou para acessar o ônibus do aeroporto – e para minha surpresa várias malas, algumas até maiores que a minha, estavam acompanhando os passageiros; era o indício que não teria problema no voo regional. Dito e feito! Mostramos o passaporte e a passagem e embarcamos, sem ninguém para medir ou ao menos pesar as malas.
       
      Entramos no avião e, apesar de ser menos confortável que um avião transoceânico, me ajeitei para dormir... e quem conseguia dormir? Os outros passageiros não paravam de falar (imagino que a maioria fosse italianos), apesar de ser 6 da manhã (“não é possível!!!!”). Felizmente, acabou o assunto e consegui tirar uma justa soneca.
       
      O voo chegou às 10 da manhã em Napóles – facilmente reconhecível do avião pelo Monte Vesúvio que “protege” a cidade. Depois de trocar de roupa para se adequar ao clima do lugar, pegamos o ônibus que dá acesso ao porto e à estação Napoli Centrale, perto do qual fica o hotel que reservara. Apesar de ter todos os indícios que estava na Europa, podia supor que ainda estava no centro de São Paulo – em pleno domingo, trânsito pesado, barulho, sujeira completavam a cena. Mesmo país rico pode ter cenários de subdesenvolvimento (e lembrar da perfeição da limpeza do lago em Genebra...).
       
      Deixando as malas de mão no hotel, saímos pela cidade – e à semelhança com o trânsito caótico de São Paulo era inevitável, além das inúmeras motocicletas. Os carros pareciam meio gasto e machucados – e entendi o porquê: é a cidade que para-choque realmente serve para... parar choques! Os carros batem sem nenhuma cerimônia. Ou seja, JAMAIS alugue um carro e dirija por dentro de Nápoles.
       
      Como o período desse dia era curto (só sobrou a tarde e noite), aproveitamos para ir ao mercado e passear pela cidade à pé. Fomos em direção ao Duomo de Nápoles, mas estava fechado no dia – no entanto, nas proximidades existia uma exposição de presépios (a cidade italiana é famosa pela produção). No pouco tempo de preparação da viagem, tinha lido sobre os presépios napolitanos; mas me surpreendi – os presépios são grandes e extremamente detalhados, com precisão cirúrgica para produzir cada objeto da arte.
       
      O Duomo e algumas outras áreas antigas de Nápoles ficam em ruas apertadas – bem apertadas, onde só passa moto e pedestre; alguns dizem que é o equivalente às favelas brasileiras. No nosso caso, roubados não fomos, mas não andaria nesses lugares à noite de jeito nenhum (de dia o movimento é intenso, então não há muitos problemas). Mas preferimos evitar a área (fora o movimento que dificultava o fluxo de pessoas) e voltamos para as avenidas mais largas da cidade (no caso, a Corso Umberto I). Assim, deu para conhecer o Castel Nuovo e parte do porto, com o Vesúvio ao fundo.
       
      RESUMO
       
      O HORÁRIO da conexão pode ser de madrugada, o que diminui nossa capacidade de raciocínio.
       
      Em Napóles, encontre o vulcão: o MONTE VESÚVIO.
       
      OBSERVE o Castel Nuovo.
       
      Se visitar a cidade no final de ano, aprecie os cirúrgicos PRESÉPIOS NAPOLITANOS.
       
      À NOITE, as vielas de Nápoles não parecem “amigáveis” a quem não conhece.
       
      Dia 16/12 (3)
       
      Reservamos esse dia para a atração mais visitada para quem vai a Nápoles: as ruínas de Pompeia.
       
      Fora do hotel, fomos à estação de trem Napoli Piazza Garibaldi comprar o bilhete para irmos até Pompeia (na estação Pompei Scavi – Villa Dei Misteri) pela rede da Circumvesuviana. Diferentemente de todas as linhas de trem que já usara, a sinalização é péssima. Estava com o bilhete até Pompeia, mas qual linha deveria usar? Em qual plataforma? Precisava validar o bilhete? Na entrada da estação, tem uma placa indicada para Pompeia – e só. Depois de sair de um corredor, chega nas plataformas – e qual delas é para Pompeia? Do nada, um homem diz para usar a plataforma do meio e, em troca, pede dinheiro para um cafezinho (informação cara...). Me fiz de desentendido e ignoramos o apelo da “ajuda” (depois verifiquei que isso é um truque para pegar dinheiros de turistas que ficam constrangidos com a abordagem). Na plataforma, nenhum mapa indicando as linhas da rede, nem monitor indicando qual é o próximo trem, nada! POR SORTE, havia na plataforma um grupo com uma guia que disse para pegar o trem seguinte.
       
      Depois percebi que a sinalização para pegar o trem até existe, mas a sinalização é tão ruim e suja que é difícil de perceber.
       
      Sabendo que estávamos no trem correto (e ter percebido que a validação do bilhete foi feita após passá-lo na catraca), apreciamos a vista do trajeto. Como o próprio nome diz, é uma rede de linhas de trem que ficam ao redor do Monte Vesúvio. Ali caiu a ficha – estava próximo a um vulcão, que inexiste no Brasil. É uma montanha, com a diferença de não ter um cume, mas um baita buracão no topo.
       
      A estação deixa quase que na frente do Parque Arqueológico de Pompeii – e é enorme. Devido ao seu tamanho, a maior parte das estátuas e esculturas (e os mortos cobertos pelas cinzas do vulcão) ficam mais próximos da entrada, para facilitar a vida dos turistas. Mas isso não é motivo para não conhecer as casas e ruas que pertenciam ao Império Romano, a mais de 2 mil anos. A preservação de alguns lugares chega a ser espantosa. O parque cede um mapa para os ingressantes, mas uma consulta ao Google Maps foi de maior auxílio, pois este indicava as principais atrações do local, como o Fórum de Pompeia, Casa do Fauno, Tempo de Apolo, Lupanar (ou “casa das primas” – tanto lugar para ser preservado e conseguiram recuperar a “diversão noturna”). Para conhecer o complexo, é necessário um bom calçado, pois não é fácil de caminhar por cimas das pedras que perfazem as antigas ruas romanas.
       
      Caso queira conhecer todo o parque (e tenha fôlego para isso), um dia será obrigatório – para a maioria das pessoas, porém, meio dia será o suficiente. Depois de conhecer a maior parte do parque, saímos e quase caímos numa pegadinha – para sair dele, é preciso passar novamente o ingresso na catraca; NÃO o jogue fora! De lá, fomos ao mercado que ficava no meio do caminho até a estação Pompei. Essa estação não pertence à Circumvesuviana, mas à rede de trem regionais italianos – a estação e o trem que pegamos era muito melhor do que fora a da ida; e essa linha era adjacente à praia, o que possibilitou que apreciássemos o Mar Tirreno no nosso retorno à Nápoles.
       
      Apesar de termos chegado em Nápoles ainda de dia, as pedras de Pompéia acabaram com os pés e as pernas. Só restou descansar para poder aproveitar melhor os demais dias da viagem (mas sempre dá para dar uma esticadinha pelas ruas da cidade à noite).
       
      O dia seguinte estava reservado para a Ilha de Capri, mas como encontramos o “espertinho” dando golpe na ida à Pompeia, ficamos receosos de ir por conta à ilha (imagina se não conseguimos voltar?) e não sabia se haveria no dia pacote de agência para ir à ilha. Para evitar maiores encrencas, tive de mudar a logística e procurei no guia as atrações que poderia fazer no dia seguinte, com o cuidado de verificar em qual dia da semana estariam fechados (para evitar o ocorrido em Belém 2 anos antes). Um dos locais que me interessou, o Palácio Real de Caserta, o equivalente Versailles italiano, estaria fechado.
       
      RESUMO
       
      Visite umas das principais atrações da Itália: as RUÍNAS DE POMPÉIA.
       
      Para chegar às ruínas, utilize a rede da Circumvesuviana e DESEMBARQUE na estação Pompei Scavi – Villa Dei Misteri.
       
      NÃO FALE com ninguém que se aproxime de você – se precisa de ajuda, peça aos funcionários das estações ou das atrações.
       
      Vá de TÊNIS: as ruas e calçadas pavimentadas por pedras era bom para os antigos romanos, e não para os homens do século XXI.
       
      Dia 17/12 (4)
       
      Na procura de atrações, encontrei para o período da manhã o Museu de Capodimonte, que ficava a 1,5 quilômetro de distância da estação Cavour. Ora, 1,5 quilômetro para passear pelas ruas antigas da Europa é pouco (e até obrigatório – se não andar pelas ruas, não é possível conhecer de verdade o velho continente). O problema é que descobri somente durante o percurso que o museu ficava a 1,5 quilômetro na horizontal MAIS 107 metros na vertical – tinha umas ladeiras que cansavam as pernas (errei feio); compensava mais ter descoberto uma linha de ônibus que saísse do centro de Napóles até lá. Porém o “estrago” estava feito, que descobrimos ao andarmos pelas ladeiras que jamais acabavam.
       
      Mas as ladeiras acabaram e lá estávamos [cansados] em frente do Museu de Capodimonte, com seu belo jardim. O museu, que foi um antigo palácio, fica um pouco fora das rotas turísticas (que, percebi, graças às ladeiras), mas possui belas pinturas de artistas, inclusive do Renascimento – no entanto, não tem uma quantidade enorme de obras, como o British Museum ou Musée du Louvre.
       
      Passado 2 horas (e descansado as pernas), voltamos às ladeiras – agora em sentido descendente (afinal, para baixo todo santo ajuda) até os subterrâneos de Nápoles, que ficava próximo à estação Cavour (550 metros no PLANO!). Entretanto, o caminho passava ao lado do Doumo que, desta vez, estava aberto – e de entrada gratuita para a igreja. Aproveitamos para tirar fotos e descansar, mas após 7 minutos fomos convidados a nos retirar – a igreja ia fechar.
       
      Fora do Doumo, fomos à Piazetta San Gaetano para acessarmos o subterrâneo de Nápoles (Napoli Sotterranea). Depois percebi que, na praça, existem acesso a 2 “subterrâneos”. Um, o mais famoso, que fica na altura no número 68 da praça; outro, vinculado à igreja San Lorenzo Maggiore, fica na altura no número 316 da praça – quis o destino que nossa escolha fosse a segunda opção. Por quê?
       
      Fomos à bilheteria, usando aquele inglês para comprar os bilhetes – pelo que entendi, era necessário a ida com guia; no caso, em inglês – e começaria o passeio em menos de 10 minutos. Quando me virei para falar com meu pai – em português – a vendedora exclamou: estava também aprendendo a falar em inglês – ela era portuguesa; ambos estávamos “sofrendo” para falar (e entender) o inglês um do outro desnecessariamente. E, para nossa surpresa, a guia – para variar – era brasileira. Como erámos somente nós no grupo para o passeio ao subterrâneo naquele horário, conseguimos, na prática, uma guia particular falando em português em Nápoles – o destino realmente escolhera muito bem.
       
      No subterrâneo de Nápoles, a semelhança com o que fora visto no dia anterior em Pompéia era evidente – e conveniente; a guia dirimiu algumas curiosidades que tínhamos visto nesses sítios arqueológicos de ocupação greco-romana. Aliás, como ela contou, Nápoles deriva de Neápolis, ou nova polis – nova cidade; a arquitetura em arco, bastante forte (meio lógico até – tem uma CIDADE em cima de todo o subterrâneo); as grandes pedras brancas no meio da rua, para ampliar a iluminação noturna; as áreas que correspondiam ao mercado, escola, casas. Curiosamente, o subterrâneo não era segredo para [quase] ninguém – os clérigos da igreja usavam essa parte do subterrâneo como depósito; somente no século XX que foi reconhecido o valor histórico de tais áreas.
       
      Finalizado o passeio ao subterrâneo e à igreja San Lorenzo Maggiore, fizemos o óbvio: comer pizza napolitana... em Nápoles. Comer pizza – ou calzone – é extremamente fácil de ver nas ruas de Nápoles (e no resto da Itália também). E é barato: € 5 pelos pratos mais simples de pizza. Apesar de conseguir comer tudo, o prato atende bem como almoço E jantar.
       
      Abastecidos, voltamos à área portuária da cidade até a Piazza del Plebiscito e (mais um) Palácio Real, em frente à praça. Infelizmente, o dia estava acabando e não dava mais tempo de conhecer mais lugares.
       
      A cidade, em si, não é um lugar que voltaria – de bagunça e sujeira, já basta o Brasil. No entanto, há de se reconhecer que a região contém tesouros históricos únicos. Ou seja, não deve ser considerada como destino de viagem principal – mas caso tenha a oportunidade de “passar lá”, como foi o meu caso (e gostar de história e seus tesouros), pode valer a pena.
       
      RESUMO
       
      Nápoles tem algumas LADEIRAS terríveis.
       
      VISITE o Museu de Capodimente e o Duomo de Nápoles.
       
      CONHEÇA as histórias e os artefatos nos subterrâneos de Nápoles.
       
      COMA a pizza napolitana... em Nápoles.
       
      PASSEIE pela Piazza del Plebiscito e o Palácio Real em frente à praça.
       
      Dia 18/12 (5)
       
      Apesar de ainda estar em Nápoles, o dia era reservado para Roma – o horário do trem que reservamos era às 9 da manhã, com tempo de trajeto em impressionantes 1 hora e 10 minutos. Apesar de até parecer meio tarde para pegar o trem, o tempo que se perde em tomar o café e fechar (não arrumar – isso já fora feito na noite anterior) a mala de mão é relevante. Mesmo assim, chegamos com antecedência na estação Napoli Centrale para embarcar no trem – a questão é que seria a primeira viagem de trem de alta velocidade na Europa. Apesar de ter visto inúmeros vídeos na internet de como funciona o sistema de trens de alta velocidades na Europa (e Itália), o nervosismo é inevitável, pois o tempo de embarque pode ser curto e a estação, muito grande. No entanto, o sistema é pensado para que o tempo seja justo – nem rápido, nem demorado.
       
      Nas primeiras viagens de trem, é vital ter os bilhetes impressos em mãos – primeiro, para ver as informações do bilhete e comparar com o painel na estação; segundo, é preciso mostrar o bilhete ao funcionário da companhia ferroviária durante o trajeto.
       
      Finalmente, apareceu a informação no painel de qual plataforma seria o embarque – justamente a plataforma mais distante dos bancos onde estávamos. Porém, como dito que o tempo é justo, apesar de ter de cruzar a estação, o tempo foi mais que suficiente. Porém esse tempo é para entrar no trem – ele parte mesmo que não tenha encontrado seu lugar ou guardado sua mala.
       
      O bilhete do trem já vem indicado o número da poltrona em que deve se sentar. Mas nessa viagem um grupo de garotas estavam sentadas em algum de nossos lugares – e percebi que, apesar do bilhete indicar a cadeira, nada impede que possa trocar de lugar com outro por meio de uma boa conversa.
       
      O trem, moderno, cortava as paisagens italiana de forma fulminante – e o monitor no início do vagão indicava o porquê: 300 km/h! (é um bocado difícil tirar foto). Apesar da velocidade, o trem é confortável e silencioso, fácil para dormir – menos para esse blogueiro, que faz questão de curtir cada segundo de qualquer viagem.
       
      Dito e feito! Depois de 70 minutos, o trem parou na estação Roma Termini. E ficou muito claro de o porquê de quem conheceu os trens de alta velocidade europeu, se apaixona (ainda mais quando fica “travado” por dezenas de minutos nas marginais em São Paulo).
       
      Compramos os bilhetes avulsos de metrô até a hospedagem próxima ao Vaticano, para guardar as malas. Do hotel, fomos à pé em direção ao Museo e Galleria Borghese. Nas ruas romanas, os edifícios próximos do Vaticano muito me lembravam de Paris – nas suas proporções, é claro. Diferente do que víramos em Nápoles, Roma é uma cidade muito mais organizada.
       
      No caminho para a Galleria Borghese paramos na Piazza del Popolo – praça obrigatória para quem já assistiu Robert Langdon na procura dos cardeais em Anjos e Demônios.
       
      Nos jardins da Villa Borghese fica o Terrazza del Pincio, onde é possível ver a cúpula do Vaticano, a Piazza del Popolo e outros marcos de Roma e, claro, tirar muitas fotos. Todavia, o local é frequentado por vendedores e eventuais golpistas: um homem queria empurrar a todo custo uma rosa para minha mãe (turista tem o problema de ser menos “sensível” a perceber trambiques). Tive que insistir em falar não, até exclamar um “get out!” – só assim para o homem ir embora.
       
      Pelos belos jardins chegamos à galeria. Apesar de ter lido que é necessário fazer reserva, eu consegui comprar na hora – mas atenção: o ingresso é caro e o horário é limitado. Os períodos são pré-definidos, como das 15:00 às 17:00. Se entrar às 16:00, só pode ficar até às 17:00. Pode se perguntar: Que frescura. E por que então foi lá? Quando nos referimos a artistas renascentistas italianos como mestres, não é à toa. Apesar de ter pinturas no museu, as grandes atrações são as esculturas do mestre Lorenzo Bernini – ele não fez 1 escultura obra-prima, ele fez VÁRIAS. E não dá para falar que uma é melhor do que a outra porque não existe nota melhor do que perfeita (são esculturas de tirar o chapéu). “É caro” “É”. “Voltaria?” “Voltaria”.
       
      Mas o passeio na galeria tem o horário limitado e voltamos para Piazza del Popolo conhecer o centro de Roma. Próximo fica a Piazza di Spagna, onde ficam a fonte e a famosa escadaria – de tão famosa, o governo italiano proibiu de sentar nos degraus, sob pena de multa. Depois, sob a luz do luar, nos “perdermos” pelas ruas históricas da cidade, nos unindo ao fluxo intenso de turistas.
       
      RESUMO
       
      EMBARQUE nos trens de alta velocidade italianos.
       
      Leve o BILHETE IMPRESSO nas mãos – utilizar os trens de alta velocidade é bem simples para quem está acostumado. Mas na 1º vez é melhor tem impresso para poder conferir as informações de viagem rapidamente.
       
      VISITE a Galleria Borghese e se encante com as esculturas perfeitas de Lorenzo Bernini.
       
      NÃO PERMITA que qualquer estranho te ofereça ao algum produto.
       
      PERCORRA por algumas praças romanas, como a Piazza del Popolo e Piazza di Spagna.
       
      Dia 19/12 (6)
       
      Esse foi um dia que, na prática, demonstrou que comprar ingresso antecipadamente ou fazer reserva pode não ser boa ideia (pelo menos em baixa temporada). Na noite anterior tinha visto que esse dia seria chuvoso – longe das chuvas que ocorrem em São Paulo, mas ainda assim inconveniente. Os passeios “obrigatórios” em Roma são o Coliseu e Fórum Romano, e o Vaticano. Tendo em vista a expectativa de chuva, fomos ao Musei Vaticani (para algumas [poucas] atrações, a Europa está até obrigando fazer reserva. Mas ela não precisa ser feita 2 meses antes – basta fazer no dia anterior).
       
      E o dia foi mesmo chuvoso – por uns momentos da manhã, caía uma chuva torrencial. Todavia, como a hospedagem era muito próxima ao Vaticano, não havia necessidade de sair cedo para se aventurar no transporte até os domínios da Santa Sé.
       
      A fila de acesso estava pequena. Contudo, ao notar o fluxo de turistas no Vaticano, percebi que era decorrente do horário que chegáramos, às 9 da manhã, quando abre o museu – o melhor é chegar próximo desse horário.
       
      O Musei Vaticani é, na verdade, vários museus. Ao entrar, fica-se com a impressão de entrar numa cidade – uma cidade sagrada. Onde começar? Muitos indicam a Capela Sistina – inclusive o próprio Vaticano indica um atalho para chegar ao lugar. Vale a pena fazê-lo pois o número de turistas aumenta muito no decorrer do dia; mas não deve considerar que o Musei Vaticani é tão somente para apreciar a obra de Michelangelo – tem muito mais.
       
      Em parte do corredor até a Capela Sistina, tapeçarias imensas ornamentavam o local (Galeria das Tapeçarias). No último trecho fica a Sala dos Mapas – somos ladeados por diversos mapas pintados na parede. Uma curiosidade: alguns mapas eram difíceis de reconhecer, pois o Norte é apontado para baixo (questão de perspectiva).
       
      É inquestionável a arte impecável pintada nas paredes e teto da Capela Sistina (sim, se já é ruim pintar de branco o teto de casa, imagina fazer uma obra-prima para posteridade?). A entrada para a Capela se dá de costas para o Juízo Final e se perde algumas dezenas de minutos para poder contemplar as obras – e muito mais para ver os detalhes. Um ponto interessante que foi feito nesse passeio foi ter um guia com informações mais completas sobre o local – assim, podia entender o que cada pintura representava, o que Michelangelo e outros mestres queriam indicar em suas obras. Consequentemente, os detalhes das pinturas eram mais perceptíveis – acho que passamos mais de 2 horas lá; até doeu a cabeça de tanto olhar para o teto – que Michelangelo pintou por anos!
       
      Como são vários museus dentro do complexo, é difícil lembrar a ordem em que passa por cada um dos museus. Por isso segue alguns museus, não necessariamente na ordem realizada.
       
      O Museo Gregoriano Egizio, com múmias e outras peças encontradas do Antigo Egito – não deixa de ser curioso que na sede da Igreja Católica Apostólica Romana existam objetos e outros símbolos pagãos; um sinal de respeito com outras culturas e apreço à arte e à história (mas depois de ver múmias no British Museum e Museé du Louvre, me perguntava se sobrou alguma múmia no Egito para contar história...).
       
      A Pinacoteca do Vaticano, com quadros e esculturas do século XII ao XIX. Para cada uma das 16 salas, fica representada uma época e, claro, a principal obra – entre Leonardo, Caravaggio, Rafael...
       
      As Salas (Stanze) de Rafael, que são quatro aposentos decorados pelo mestre renascentista – infelizmente, estas salas estão em processo de restauração e, somado ao espetáculo que foi ter apreciado a Capela Sistina, fica um pouco difícil de dar a atenção devida ao lugar. Mas não se iluda – as pinturas são incrivelmente bárbaras.
       
      O Museo Gregoriano Etrusco, com peças arquitetônicas encontradas na Itália do povo que ocupava a região do Lácio antes da formação do Reino de Roma – evidentemente, para quem tem pouco tempo e/ou prefere as pinturas renascentistas, não é interessante.
       
      O Museu Pio-Clementino, com obras e objetos da Antiguidade Greco-Romana e do Renascimento. Junto com a Capela Sistina e as Salas do Rafael, é um dos principais museus do complexo. A quantidade de estátuas e busto de romanos é gigantesca, sendo que a maioria está extremamente bem preservada, a despeito de ter aproximadamente 2 mil anos (ficou a impressão de que, para os romanos, a criação de bustos/estátuas é o equivalente moderno ao consumo de alto luxo; além de que parte dos bustos eram de homens forte do Estado Romano, num processo bem semelhante ao de homenagem a políticos no século XXI – ou seja, passam-se os anos, mas a história se repete).
       
      Existem outros museus no complexo, como o Museo Chiaramonti, Museo Gregoriano Profano, Museo Sacro, Biblioteca Apostólica, entre outros. Porém é possível que alguns deles estejam fechados (como foi o meu caso para a Biblioteca) e alguns desses museus não tem separação física – você vai para o outro museu sem “perceber”; por isso fica um pouco difícil discriminar em qual museu estava aquela obra específica.
       
      Para acessar um dos ambientes que ainda não tinha conhecido, foi necessário passarmos novamente na Capela Sistina (chato né? tão ruim ver novamente as sensacionais pinturas de Michelangelo...). Nessa segunda visita, a capela estava muito mais cheia – e percebi que chegar cedo nos pontos mais demandados faz toda a diferença.
       
      Apesar de enorme, tínhamos conseguido conhecer [quase] todo o complexo representado pelo Musei Vaticani. Era o momento de ir embora – e mesmo assim é possível se impressionar: a escadaria em espiral de Guiseppe Mormo, que marca o fim do Musei Vaticani.
       
      Fora dos museus, o passeio pelo Vaticano ainda não havia acabado. Afinal, ainda faltavam a Piazza San Pietro e a Basilica de San Pietro, a maior igreja cristã do mundo e a casa do sucessor de São Pedro. A praça, uma enorme elipse rodeada por 140 santos, foi criada por Bernini (pelo jeito não foi o suficiente ter criado as espetaculares esculturas na agora Galleria Borghese – tem de impressionar o mundo com mais obras...).
       
      Após passar pela segurança (uns 20 minutos de fila), entramos no Basílica de São Pedro. Apesar de ter já vistos [muitas] igrejas e palácios em Portugal, Espanha, Inglaterra e França, essa me deixou de “boca aberta”. Se os chefes da Igreja Católica quiseram criar uma estrutura que mostrasse o poder de Deus perante seu fiel, conseguiram. Não há palavras para descrever o lugar (ah, isso vale para fotos e vídeos também). Talvez uma palavra para caracterizar o lugar seja... Suprema. E, claro, não é necessário que seja um fiel católico para se encantar com a basílica. De longe, é um lugar que voltaria (e voltei mesmo).
       
      RESUMO
       
      Comprar BILHETE ANTECIPADAMENTE pode não ser muito bom, especialmente se estiver em baixa temporada.
       
      Fique o DIA INTEIRO no complexo representado pelos Musei Vaticani.
       
      A CAPELA SISTINA pode exigir mais de uma hora para conhecer seus detalhes.
       
      Vá para a Piazza San Pietro, ENTRE na Basilica de San Pietro e fica estupefato com tal criação.
       
      Dia 20/12 (7)
       
      Como previsto, o dia seria mais ensolarado, bem distante da chuva que caiu no dia anterior. Ou seja, era o dia reservado para o Coliseu e Foro Romano.
       
      Para chegar, basta pegar o metrô e descer na estação Colosseo (mais fácil que isso não tem). A estrutura do Coliseu, um tanto “machucada” pelos séculos de pilhagem, é maior do que parece nas fotos. Como é de se esperar, já estavam à vista os eventuais “espertinhos”. Com isso, uma proteção maior dos bolsos e celulares se faz necessário – mas sem precisar ficar paranoico.
       
      Como umas das principais atrações da capital italiana (se não a principal), esperava filas enormes para acessar o Coliseu (ou ao menos maior do que a encontrada no Vaticano). Surpreendentemente, praticamente não havia fila. Bastava entrar numas das laterais do Coliseu, comprar o ingresso (que dá acesso também ao Foro Romano) e entrar no antigo estádio romano.
       
      O gigantesco anfiteatro, cenário de lutas de gladiador, era muito mais do que isso. Conseguiam até alagar a arena. É composto por 4 níveis: o primeiro, para a corte imperial e senadores; o segundo, para famílias nobres, mas não pertencentes ao Estado Romano; o terceiro, para os homens em geral, conforme grau de riqueza; o quarto, para as mulheres comuns. Na prática, era o equivalente “cinema” do imperador e seus asseclas, ao qual o povo tinha acesso – mas afastado da aristocracia. E era todo revestido de mármore que, ao longo do tempo, foi arrancado e usado em outros lugares – mas é possível ter noção do tal mármore que fora retirado. Parte dele reveste a Basílica de São Pedro, no Vaticano – não é à toa que tenha tal beleza.
       
      Apesar do tamanho do Coliseu, sua concepção e construção é espantosa – sua construção foi realizada ao longo de 8 anos (compare com algumas obras menores tupiniquins...), com o planejamento para evacuação total do estádio em 10 minutos. Além disso tinha cobertura para proteger do sol, com um público de 70 mil pessoas.
       
      Apesar de enorme, o acesso do ingresso não abarca todo o anfiteatro – umas 2 horas é suficiente para admirar as enormes pedras que sustentam o local (a não ser que queira conhecer os subterrâneos, pagando o bilhete competente). Fora do Coliseu, com o ingresso ainda em mãos, é o momento de ir ao Fórum Romano, a antiga sede do Império Romano – mas não antes de tirar fotos ao lado do Arco de Constantino.
       
      Assim como o Coliseu, a antiga Roma representada pelo Fórum Romano tem vários pedaços em ruínas. Entretanto, as construções (mesmo que parcialmente) inteiras provam que a opulência do Império Romano não ficou reservada somente ao Coliseu. Numa das construções, era possível perceber a conversão do antigo templo pagão em uma casa católica – fizeram uma nova pintura por cima. Junto ao Fórum Romano fica o Monte Palatino, a mais famosa colina de Roma. A maior parte das construções (infelizmente) estão em ruínas, mas é possível perceber que ali era, sem dúvida, o centro do poder do Império.
       
      Findo o passeio pela parte antiga de Roma, era o momento de voar por alguns séculos até o século XIX para a Piazza Venezia, onde fica o Monumento Nacional ao primeiro rei da Itália, Vittorio Emanuelle II.
       
      Passando pelo centro de Roma, obrigatório passar pela Fontana di Trevi (sempre lotada), o Phanteon, o antigo tempo romano, onde está enterrado Vittorio Emanuelle II – mas é bom ir de dia; à noite, o ambiente fica muito escuro. Próximo ao tempo, fica a Piazza Navona, onde Robert Langdon salvou o cardeal e o Castel Sant´Angelo. Esse castelo, construído pelo imperador Adriano como mausoléu, serviu como fortificação para os papas em caso de grave perigo. Para isso, existe um corredor que liga o castelo diretamente à Basílica, o qual foi usado por Langdon (repare que esse blogueiro é fã inventerado do personagem de Dan Brown – um dos pontos mais divertidos em viagem é reconhecer pessoalmente imagens que vira em fotos ou vídeos).
       
      RESUMO
       
      CONHEÇA o Coliseu e o Foro Romano por meio do ingresso único.
       
      PRÓXIMO às ruínas romanas fica uma edificação mais moderna: o Monumento Nacional para Vittorio Emanuelle II, na Piazza Venezia.
       
      CONTEMPLE a Fontana di Trevi, o Phanteon, a Piazza Navona e o Castel Sant´Angelo.
       
      Dia 21/12 (8)
       
      Tendo em vista que as principais atrações de Roma já tinham sido conhecidas nos dias anteriores, era o dia de se perder pela cidade e rever algumas atrações (e aproveitar o dia, já que algumas foram vistas à noite, o que pode atrapalhar um pouco).
       
      Como escrevera, voltamos ao Vaticano. Entramos no início da manhã, após arrumar as malas (o que sempre toma um tempo). Novamente com pouca fila, logo na entrada da Basílica de São Pedro fica a Pietà, de Michelângelo – o problema é que ela está envolta do vidro, difícil de apreciá-la como merece; pode ser mais simples admirar as réplicas, como uma que estava na Pinacoteca do Musei Vaticani ou de ver de outros mestres, como as de Bernini na Galleria Borghese. Não há um centímetro quadrado em toda a basílica que não tenha sido plenamente trabalhada, incluindo o baldaquino de Bernini.
       
      A basílica, apesar de ser uma impressionante construção histórica, não deixa de ser uma... igreja! Para quem for católico (ou simplesmente quer conhecer), é possível participar da missa na basílica. Mesmo sendo italiano, dá para entender algumas expressões – afinal, tanto o italiano quanto o português têm a mesma origem, o latim; inclusive, é somente no Vaticano que o latim ainda é uma língua oficial.
       
      Fora da basílica, ficava a impressão de que tinha algo que representa o Vaticano e não havia visto... O que seria? Olho para a esquerda e dez homens da Guarda Suíça (é claro!) passam ao meu lado. Em Genebra, tinha perguntado ao guia do museu de o porquê eram homens suíços que faziam a proteção papal. Ele explicou que, na Europa, os homens da guarda suíça eram tidos como os mais confiáveis – o que permanece até hoje.
       
      Evidentemente, há diversas atrações que podem ser feitas na basílica além da visita da própria e assistir a uma missa, como subir até a cúpula, visitar os tesouros do Vaticano ou ir ao túmulo de São Pedro. Mas o fato de existir não quer dizer que tenha de ir...
       
      Na Piazza San Pietro, fomos encontrar a escultura mostrada por Langdon na busca pelo segundo cardeal – a rosa dos ventos representada no chão da praça (claro, isso é mais uma diversão para turista detetive que adora procurar marcos que foram vistos em livros e filmes).
       
      Seguindo pela Via della Conciliazione, cruzamos o centro de Roma para curtir um pouco mais da cidade, agora com a iluminação solar. Dessa vez, seriam o destino as Igreja de Santa Maria della Vittoria e Basílica de Santa Maria Maggiore. Talvez fosse o caso de pegar o metrô para visitar essas igrejas, no entanto isso tem de ser contrabalanceado com o fato de que existem outras atrações ou lugares no meio do caminho que merecem ser vistos (reitero: o melhor do Europa é andar por suas áreas milenares). Caso fique na dúvida, use os dois meios: faça um dos caminhos a pé e use o outro (ida ou volta) de transporte público.
       
      A Basílica de Santa Maria Maggiore é uma das igrejas que, apesar de não estar no território representado pelo Vaticano, pertence ao Estado Papal (com privilégios semelhantes a uma embaixada). É a única igreja romana que celebra missa todos os dias sem interrupção desde o fim do Império Romano do Ocidente e uma das mais belas igrejas de toda a Roma, com mosaicos do século V. Já ficara encantado com a Basílica de São Pedro e aparece outra, enorme e tão bela quanto. Apesar de ser bem perto da principal estação de trem de Roma (Termini), ela estava vazia (ideal para quem gosta de evitar aglomerações). É nela que está enterrado Bernini (mas, convenhamos, por tudo o que ele criou – inclusive para a Igreja Católica, seria desaforo ele ser sepultado em local diverso).
       
      A Igreja de Santa Maria dela Vittoria é mais um local para onde Langdon se desloca na busca dos cardeais. E assim como ocorre com o personagem, tivemos nossa surpresa: a igreja estava fechada, reservada para um CASAMENTO! – um claro exemplo de que, por mais que planeje, sempre pode ocorrer contratempos; o mais importante é sempre ter uma carta na manga para substituir o passeio. Com isso, não poderia apreciar a 100ª obra de Bernini, o Êxtase de Santa Tereza (mas tudo bem – fico satisfeito com as outras 99...).
       
      Na prática, o passeio pela cidade eterna estava chegando ao fim. Mas não é possível despedir dela sem tomar um tiramisù (por € 2,50). De volta ao hotel para pegar às malas, pegamos o metrô até à estação Termini embarcar no trem de alta velocidade rumo a Florença. Apesar de termos chegado a tempo, creio que o ideal seja chegar pelo menos meia hora antes – afinal, e se o metrô quebra ou tenha algum atraso?
       
      Diferente da primeira viagem de trem a partir de Nápoles, essa foi mais tranquila – já tinha entendido [quase] tudo com o primeiro embarque e, como era de noite, não tinha como ver nada pela janela. Mas aprendi um novo detalhe: a mesma plataforma pode atender vários trens de alta velocidade – então sempre confira o número do bilhete com o indicado nas portas do trem, senão vai embarcar no trem errado...
       
      RESUMO
       
      VOLTE a Basílica de São Pedro – vale a pena – e, se quiser, participe de uma missa.
       
      PASSEIE pelo Centro de Roma.
       
      CONHEÇA as outras basílicas papais em Roma, como a Basílica de Santa Maria Maggiore.
       
      Se tiver um pouco mais de sorte, ENTRE na Igreja de Santa Maria dela Vittoria.
       
      EXPERIMENTE o doce tiramisù.
       
      Dia 22/12 (9)
       
      Era o dia de conhecer a capital da Toscana: a cidade de Florença, que por um breve período foi capital do Reino da Itália e centro da arte renascentista, em virtude do patrocínio decorrente da poderosa família Médici.
       
      Infelizmente nesse dia a chuva voltara e, diferente da possibilidade em Roma de ir a um ambiente fechado – o Musei Vaticani, não tinha como não enfrentar um pouco da chuva. Mas não é por isso que a viagem seria arruinada: lembre-se de trazer capas de chuva (aquelas descartáveis, de 1 real) e será possível realizar ótimos passeios (lógico, não dá para olhar para cima para ver o alto de uma torre senão vai se molhar todo).
       
      Como o tempo de planejamento da viagem foi meio curto, não tive tempo de discriminar as atrações em Florença e fomos na secretaria de recepção de turistas pedir algumas informações e obter um mapa da cidade – mas isso só para quem não pesquisou antes de ir para a cidade; o ideal é sempre estudar as atrações do destino antes de viajar (se bem que, para nós, também serviu para escapar um pouco da chuva que aumentara). No local vendem o Firenze Card, mas como já discutido na seção dos Citycards, não me interessou (fora que o tempo na cidade foi curto).
       
      Perguntei qual era a atração recomendada para quem tem só um dia de visita à cidade. A atendente foi pragmática: a Galleria Degli Uffizi. A principal atração da cidade também serviria para escapar da chuva – perfeito.
       
      A Galleria Degli Uffizi é um dos principais centros de coleção de arte do mundo (e uma fila para entrar em alta temporada que pode ser insana) – e entendi o porquê. A quantidade de quadros, esculturas e outras obras é absurda. E contém, evidentemente, obras superfamosas, como O Nascimento de Vênus, de Botticelli. Entretanto, umas das pinturas que mais me impressionou foi a perfeição do desenho do pé de um homem na água com as consequentes ondas causada pelo movimento corporal – tratava-se da pintura do então jovem Leonardo da Vinci, O Batismo de Cristo. Reza a lenda que o mestre de Leonardo, ao ver a pintura de seu discípulo, desistiu de pintar ao perceber que seu aprendiz superou (e muito) seu mestre (se, para uma pessoa leiga para as artes como eu se impressiona com a pintura, imagina para um especialista – é de ficar doido). Mas a galeria é tão ampla que até Keanu Reeves está representado (pelo jeito, a Matrix também servia para viajar no tempo, à Itália renascentista) e a Medusa.
       
      Além dos citados Botticelli e Leonardo da Vinci, ainda marcam presença Caravaggio, Ticiano, Rafael, Michelangelo entre outros, além de inúmeros bustos romanos e outras estátuas. Com isso, é evidente que longas horas se passam no museu.
       
      Finda a visita pela galeria, a chuva já tinha passado e era o momento para passear pela cidade. Para variar, Florença é mais uma cidade onde o professor Robert Langdon visitou em uma de suas aventuras: cheia de marcos interessantes para conhecer.
       
      Infelizmente, o passeio pela Galleria Degli Uffizi nos tomou várias horas e não seria possível visitar muitos outros lugares internamente. Próxima à galeria fica o Palazzo Vecchio na Piazza dela Signoria. Nessa praça, para quem não pode ir à Galeria da Academia de Belas Artes, o turista tem a possibilidade de ver uma cópia do Davi, de Michelangelo. Ainda na praça existem muitas outras esculturas e, para quem tiver curiosidade, é possível ver que um dos leões nas escadas da Loggia del Lanzi “come” a cabeça do grande Davi.
       
      Claro, é impossível falar de Florença sem citar a Ponte Vecchio, a mais famosa ponte italiana sobre o Rio Arno (não, não é por causa dos ventiladores da fábrica brasileira), na qual existem inúmeras joalherias. Por cima ponte fica o Corredor Vasari – um caminho exclusivo entre a Palazzo Vecchio e Palazzo Pitti, encomendado pela família Médici e pelo qual Langdon usou em Inferno.
       
      Um dos maiores ícones da cidade são a Cattedrale di Santa Maria del Fiore e o Battistero di San Giovanni. A catedral, conhecida como “Doumo” de Florença, começou a ser construída no fim do século XIII e os trabalhos avançaram até o século XIX. Um de seus destaques externos é a composição da fachada por mármores branco, verde e vermelho. A entrada da catedral é gratuita, diferente do batistério, que é pago.
       
      Durante a noite, a cidade ainda reservara uma surpresa: próximo da Piazza della República, uma soprano italiana mostrava seus dons para a multidão de turistas que a admiravam (pelo jeito, a Itália é uma fábrica de tenores).
       
      RESUMO
       
      VISITE a Galleria Degli Uffizi e se impressione com as obras dos mestres renascentistas.
       
      ADMIRE o Palazzo Vecchio na Piazza dela Signoria e veja um dos leões comendo a cabeça de Davi.
       
      CAMINHE pela Ponte Vecchio, onde, por cima, fica o Corredor Vasari.
       
      CONTEMPLE a Cattedrale di Santa Maria del Fiore e o Battistero di San Giovanni.
       
      Dia 23/12 (10)
       
      Esse dia foi dividido em dois: a primeira metade seria em Florença; a segunda, em Bolonha. Tendo em vista que seria inviável voltar à hospedagem somente para buscar as malas, levamo-las conosco no check-out do hotel de manhã. Seria o caso de encontrar um local para deixar as malas ou, como estávamos em quatro pessoas e tínhamos conhecido os principais pontos internos, andar com as malas conosco – no fim, ficamos com a segunda opção (repare que ter malas de mão com rodinhas faz TODA a diferença).
       
      Um dos primeiros pontos foi a Basilica di Santa Maria Novella, em frente à estação de trem de Florença. No entanto, diferente do Duomo, seu acesso era pago e desistimos. Todavia, encontramos a Chiesa di Santa Maria Maggiore. Muito menor do que a versão que conhecemos em Roma, é ainda um prédio histórico – e gratuito. Também existe a Basilica di San Lorenzo, igreja relacionada aos Médici.
       
      Durante a estadia noturna no hotel, pesquisei sobre outros pontos curiosos da cidade, como o leão que “come” a cabeça de Davi. E existem vários perto da Cattedrale di Santa Maria del Fiore. Nas paredes externas da catedral existem esculturas de anjos, santos, figuras humanas... e da cabeça de um touro (vai saber porquê...). Ainda na praça do Duomo, fica a estátua do arquiteto renascentista Filippo Brunelleschi, que projetou a cúpula da catedral. Mas, ao olhar a estátua, perceba que esta olha para sua obra-prima, a cúpula.
       
      Na própria Chiesa di Santa Maria Maggiore existe outra curiosidade: a escultura de uma cabeça de uma mulher no alto de sua parede, que os nativos florentinos carinhosamente chamam de “Berta”.
       
      Próximo ao Duomo (na verdade, tudo é meio “próximo” um do outro – a cidade é pequena; “densamente ocupada” por arte, mas pequena) fica a casa de Dante Alighieri, poeta e autor de A Divina Comédia. Esse poema é dividido em 3 partes, sendo a seção denominada Inferno que dá o nome à aventura de Robert Langdon na cidade.
       
      Depois de encontrar mais algumas curiosidades florentinas (como a torre de onde se jogou o antagonista de Inferno) e revisitado alguns marcos da cidade, era o momento de despedida da capital da Toscana (repare que, mesmo com malas, é possível realizar bons passeios). Fomos à estação Firenze Santa Maria Novella pegar o trem de alta velocidade até Bologna Centrale. Dessa vez, quem diria, o trem atrasou 15 minutos (sim, atrasos podem acontecer – mas são meio raros, já que estes têm total prioridade da malha ferroviária). Além da saída de Nápoles, seria o único trecho ferroviário diurno, última oportunidade para poder ver a paisagem – ledo engano! O trecho em alta velocidade foi praticamente por dentro de túneis (fico imaginando o tempo que demoraria para fazer aqui tais túneis, pela média de obras no Brasil...). Aproveite também para ir ao banheiro (sua passagem inclui o uso, ao passo que na estação ferroviária chega a custar € 1,50).
       
      Agora em Bolonha (e novamente tendo de levar as malas, já que as hospedagens no centro eram bem mais caras), fomos em direção ao centro histórico. A estação de Bologna Centrale é mais afastada do centro em comparação Firenze Santa Maria Novella (nesta você praticamente tropeça e já está no centro), mas ainda assim acessível com as malas.
       
      No caminho até o centro, percebe-se que as calçadas são todas cobertas pelos pórticos (ou arcos), símbolos da cidade (é uma ideia genial: as calçadas são todas protegidas, assim é possível andar pelas ruas se protegendo do sol forte ou da chuva – faria sucesso essa concepção em São Paulo).
       
      Na Piazza Maggiore fica a Basilica di San Petronio, uma enorme basílica gótica de mármores e tijolos. Sua construção foi parada por ordem do papa após este descobrir que ela seria maior que a Basílica de São Pedro, à época (isso explica sua estranha fachada de mármore e tijolos, sem muita harmonia). Porém, mesmo “incompleta”, é muito bonita e seu acesso, gratuito. Dentro da igreja, um pequeno buraco permite a entrada da luz solar, na mesma direção que a linha do meridiano, além do famoso pêndulo de Foucault. Ainda na piazza está a Fontana di Nettuno, uma obra em bronze do século XVI.
       
      Assim como Florença, Bolonha é pequena e tudo é meio “próximo”. Então, próximo da basílica ficam as Torri Pendenti, as duas torres medievais mais famosas da cidade.
       
      No nosso caso, como já tínhamos recebido uma enxurrada de cultura nas 3 cidades anteriores, escolhemos almoçar em um dos restaurantes (vendo o preço antes, evidentemente). Fica a ressalva de tomar cuidado com a taxa italiana de cobrar por sentar, denominada coperto (seria um equivalente nosso ao 10% da fatura). Só que, como é um valor fixo, existem muitos lugares que podem cobrar um absurdo por um consumo baixo (por exemplo, de um café que triplica de preço por causa dessa taxa).
       
      RESUMO
       
      O que fazer com as MALAS? Se não estiver sozinho e não quiser pagar depósito de bagagem, pode levá-las consigo.
       
      CONHEÇA as igrejas de Florença, como a Basilica di Santa Maria Novella, a Chiesa di Santa Maria Maggiore entre outras.
       
      DESCUBRA alguns pontos curiosos da cidade, como a cabeça de um touro no Duomo.
       
      Em BOLONHA, os pórticos auxiliam os pedestres a se proteger do sol e da chuva.
       
      VISITE a Basilica di San Petronio, a basílica que o papa mandou parar a expansão.
       
      ADMIRE as Torri Pendenti, símbolo da cidade.
       
      SAIBA da existência do coperto, taxa para quem sentar nas mesas quando for consumir algum alimento ou bebida. Para se esquivar dela, basta consumir no balcão.
       
      Dia 24/12 (11)
       
      Esse dia tinha um imbróglio: o trem rumo à Veneza-Mestre partiria à noite, mas a hospedagem não era perto da estação de trem. Como fazer?
       
      As alternativas na mesa eram: deixar as malas num depósito de bagagem. Como discutido na seção competente, é a opção mais cara; ou deixar as malas na hospedagem (se possível) e buscá-las, com a antecedência adequada, para então embarcar no trem, sendo a opção mais trabalhosa; ou levá-las conosco no passeio pela cidade.
       
      Escolhemos a opção do dia anterior: passear pelas ruas planas de Bolonha com as malas. Mas não atrapalha? É claro que andar com as malas é pior do que se estivesse livre. Todavia, tendo em vista que não iríamos em museu como foi em Florença (Galleria Degli Uffizi) e as outras atrações da cidade não demandavam muito tempo, essa opção foi factível. Inclusive, vale a pena verificar se os lugares que deseje visitar possuem armários – como o Velho Continente é extremamente turístico, vários lugares disponibilizam armários, alguns gratuitamente, com a ressalva do tamanho.
       
      De volta ao centro da cidade, além da basílica “rival” da de São Pedro, existem as Cattedrale Metropolitana di San Pietro e Chiesa dei Santi Bartolomeo e Gaetano. Mas a igreja mais interessante que conhecemos foi a Basilica Santo Stefano, na Piazza de mesmo nome (e que merece uma parada para admirá-la). Mesmo tendo que esperar para a conhecer, já que o horário de acesso é um pouco restrito, vale a visita. A nave da igreja em si não é especial – a melhor parte é do restante da basílica, com obras e estruturas medievais que (imagino) deviam ser usados pelos monges que lá residiam.
       
      Como sabido, em Bolonha foi fundada a primeira universidade ainda em funcionamento, em 1088. Seu antigo edifício é denominado como Archiginnasio e, hoje, abriga a Biblioteca Municipal. Apesar de ser preciso pagar pelo acesso (€ 3,00), é possível contemplar as pinturas, arquiteturas e alguns livros [bem] antigos antes da área paga.
       
      Outra atração da cidade é Compianto del Cristo Morto, um conjunto de sete esculturas em terracota que representam a cena de A Lamentação de Cristo, na igreja de Santa Maria dela Vita. Infelizmente, por causa do dia – véspera de Natal – estava fechada.
       
      Por causa da data, tinha um detalhe que não pode passar despercebido: o dia seguinte seria o Natal, quando praticamente tudo fecha. E onde iria comer? Para quem vai passar o Natal no exterior, lembre-se de sempre comprar comida no supermercado até a véspera, para não passar fome durante o dia festivo (claro, a hospedagem pode oferecer, mas quanto custaria?).
       
      Fim do dia, era o momento de voltar à estação Bologna Centrale embarcar no trem rumo à Veneza-Mestre. Depois da experiência dos 3 trens anteriores, já estava “esperto” quanto aos detalhes para embarcar no trem de alta velocidade.
       
      A estação é muito bem estruturada: no nível da rua, ficam os trilhos para os trens regionais; no 4º subsolo, os trilhos dos trens de alta velocidade. Os níveis intermediários correspondem aos acessos aos trilhos, estacionamento e área de espera. Só fica o detalhe que, enquanto estávamos na área de espera, um pedinte nos pediu comida (ou dinheiro) em italiano. Respondemos que não entendemos, só em inglês – não era problema: ele começou a pedir em inglês (imagina se isso vira moda no Brasil...).
       
      RESUMO
       
      VISITE a Basilica Santo Stefano, na piazza homônima.
       
      CONHEÇA o edifício da primeira universidade do mundo, a Archiginnasio.
       
      Se não estiver fechada, ENTRE na Compianto del Cristo Morto e a aprecie a obra da Lamentação de Cristo.
       
      Se viajar no NATAL, lembre-se de que quase tudo pode estar fechado – se previna e compre o que for necessário.
       
      Dia 25/12 (12), 26/12 (13) e 27/12 (14)
       
      Para escrever cada dia das viagens neste blog, um longo processo de relembrar é necessário, como de cada caminho por onde passei, cada segundo que vivi, cada imagem que admirei. E estava com um bocado de dificuldade de escrever sobre Veneza, em mostrar o melhor da Sereníssima. Por quê? A Piazza San Marco, a Ponte di Rialto, o Canal Grande, a Ponte della Libertà, o Palazzo Ducale, a Basilica de San Marco, a Ponte e a Gallerie dell´Accademia, a Basilica di Santa Maria della Salute são somente alguns das inúmeras atrações de Veneza. Mas o melhor da cidade de Veneza é... Veneza! O passeio ideal, creio, é passear por suas inúmeras (e algumas estreitas) ruas, vielas e pontes, o que torna a cidade única em todo o mundo. Sempre haverá algum cantinho novo para admirar. Deste modo, o melhor roteiro por Veneza é estar livre para “se perder”, sem necessariamente focar nos seus pontos mais famosos.
       
      Conseguinte, não é o caso de descrever aqui os caminhos pelos quais percorri, mas elencar alguns detalhes que podem fazer a diferença.
       
      Apesar do destino da viagem ser a Veneza insular, foi muito mais conveniente hospedarmo-nos na Veneza continental, conhecida como Veneza-Mestre. Por óbvio, isso não permite dormir nas antigas construções típicas de Veneza. Mas tudo na vida tem o lado negativo... e positivo. As hospedagens em Mestre são mais baratas (algumas, bem mais), os edifícios são mais novos e confortáveis, a taxa de pernoite italiana é mais baixa (em 2019, € 1,35 por pessoa), existem grandes supermercados próximos da estação de trem com bons preços. Claro, tem de ser somado o custo do transporte até as ilhas (de trem, € 2,70 pela ida e volta) – mesmo assim, o valor final fica menor do que se hospedar nas ilhas; e o deslocamento permite observar a Lagoa de Veneza.
       
      A primeira vez nas ilhas, como indicado, foi em pleno Natal. Todavia, sendo um local extremamente turístico, um número considerável de lojas permanecia aberta, com a vantagem de ter sido o dia do Natal com menor fluxo de turistas dentre os três dias de passeio.
       
      Durante a estadia em Bolonha, li notícia de que Veneza foi atingida novamente pela acqua alta, quando as águas do Mar Adriático sobem e vão ocupando, progressivamente, as áreas mais baixas das ilhas. Contudo, não fomos atingidos pelo fenômeno durante nossa estadia, apesar da existência nas vias das passarelas que são usadas para auxiliar os turistas e moradores a percorrer as áreas mais baixas de Veneza – e com a vantagem de que estas servem para sentar aos visitantes cansados.
       
      Proporcional ao número de turistas que visitam Veneza é o número de filmes gravados tendo como cenário a cidade. Como já pode imaginar, Robert Langdon esteve lá, na Piazza San Marco, discorrendo sobre os Cavalos de São Marcos: as quatro estátuas que ornamentam a fachada da basílica são réplicas dos originais gregos de bronze do século IV a.C. que foram tomadas pelo doge de Veneza durante o saque à Constantinopla durante a Quarta Cruzada. Inclusive, tendo Veneza sido rota para o Oriente, é possível perceber a forte influência bizantina na arquitetura da basílica, bem diferente da concepção das outras igrejas do mundo ocidental, incluindo na própria Itália.
       
      Outro personagem que marcou presença na Sereníssima foi James Bond, em 007 – Casino Royale. Além do agente secreto de ir à agência bancária na Piazza San Marco (que não existe, por sinal), Bond inicia uma perseguição pelas ruas de Veneza (dica: decore BEM as imagens do filme – e de qualquer filme – caso queira repetir o feito; é extremamente difícil reconhecer os pontos em Veneza).
       
      Como dito, não há necessidade de marcar o melhor caminho para conhecer Veneza, já que todos os lugares são válidos. E não existe problema quanto a “se perder”, já que, tal qual o ditado Todos os Caminhos Levam a Roma, em Veneza todos os caminhos levam à Piazza San Marco (e vice-versa, para a Venezia Santa Lucia).
       
      No último dia, escolhemos embarcar no Vaporetto, linhas de barcos que andam pelos canais maiores que podem valer como city tour. Escolhemos a linha 2, que permite ter uma visão mais panorâmica das ilhas, impossível de ser feita em terra – evidentemente, embarcamos na estação de início da linha, próximo da Piazza San Marco. Como esse transporte é caro (€ 7,50), não recomendo comprar os passes de uso infinito (melhor usar o dinheiro para experimentar os trens de alta velocidade italianos ou mesmo comprar algum cristal de Murano, por exemplo).
       
      Veneza criou uma página na web para auxiliar os turistas sobre as atrações da cidade, normas e regras, que devem ser seguidas para evitar multas: https://www.veneziaunica.it/. Algumas regras são meio óbvias (e até inusitadas, como proibição de nadar nos canais), outras nem tanto: não é permitido comer sentado nas passarelas usadas durante a acqua alta, assim como é proibido alimentar os infinitos pombos de Veneza.
       
      Para quem vai visitar (ou já visitou) Veneza, proponho um momento de reflexão: já imaginou a dificuldade de entregar a geladeira da sua casa em uma das vielas estreitas da cidade? Talvez a cidade não seja cara somente por causa dos turistas...
       
      De volta à linha temporal, findo o passeio por Veneza com a ascensão na Lua no horizonte, embarcamos na estação de trem Venezia Santa Lucia rumo à Mestre para buscar as malas que ficaram na hospedagem e ir em direção à nossa última parada, a estação Milano Centrale.
       
      Apesar da estação de Mestre ser muito menor do que as outras estações de trem que foram utilizadas nesta viagem, o preço da comida (mesmo no fast-food) ainda era maior do que em outros lugares da cidade. Ou seja, tal qual o aeroporto, evite sempre de comprar em estações de trem – qualquer uma.
       
      O detalhe do embarque nessa estação (e de outras estações menores) é de que o tempo que o trem fica na plataforma está mais próximo do que conhecemos do metrô. Diferente das outras estações, não havia muitas pessoas na plataforma – e o sistema sabe disso. É o caso de entrar com suas malas de forma eficiente, já que dificilmente conseguirá ter sentado em seu lugar antes do trem partir.
       
      RESUMO
       
      O MELHOR de Veneza é... Veneza.
       
      Se PERCA por suas vielas, pontes e canais.
       
      Fique HOSPEDADO em Veneza Mestre.
       
      NÃO TEMA a acqua alta. Os venezianos são bem preparados para enfrentar a maré e ainda dura pouco, com raras exceções.
       
      ESCOLHA um dos Vaporetto para usar como city tour.
       
      OBEDEÇA às regras impostas pela cidade disponíveis no site https://www.veneziaunica.it/.
       
      ENCONTRE os pontos de referência vistos nos inúmeros filmes gravados em Veneza.
       
      Dia 28/12 (15)
       
      A estadia nesta cidade europeia seria um pouco diferente das realizadas até então. Afinal, por capricho do destino, estava em Milão de novo, um ano depois. Considerando que no ano anterior o passeio foi meio “fulminante”, de apenas um dia, esta nova chance possibilitava realizar um passeio mais completo, de rever alguns pontos famosos e conhecer os que não foram possíveis.
       
      O primeiro local foi o justamente a de “chegada”: a enorme estação de Milano Centrale, de onde parte a maioria dos trens de alta velocidade de Milão, concebida nos anos 30. A área ao redor dessa estação, como a grande avenida que a conecta ao centro histórico, remete a um local muito conhecido por milhões de brasileiros: São Paulo. Muitos consideram Milão como a “São Paulo” da Itália, já que é o centro financeiro, de comércio de bens de luxo, de inúmeras indústrias da república italiana. Pode se perguntar: Mas porque viajaria para conhecer um lugar cuja “cópia” eu já vivo/conheço? Porque é uma São Paulo “organizada”, um exemplo para o futuro da metrópole brasileira. Apesar de não ter a “concentração” de construções antigas como em Nápoles, Roma, Florença ou Bolonha, a cidade possui suas “marcas registradas” históricas, como o Duomo de Milano, a enorme catedral gótica no centro da cidade. E, tal qual a cidade brasileira, possui uma vida agitada – de dia e de noite.
       
      O centro histórico de Milão é pequeno: seu diâmetro tem 2,5 km. Só que a cidade, como São Paulo, é muito maior do que seu centro histórico. Para acessar algumas áreas, o metrô pode ser inevitável.
       
      A primeira parte do centro histórico a ser (re)visitada é a Via Monte Napoleone, rua comercial de alto luxo e considerada a mais cara da Europa (na prática, é mais para falar que conheceu a rua mais cara, como a rua Oscar Freire, já que os preços são surreais mesmo para suíços e escandinavos).
       
      Saindo da via, assim como um ano atrás, chega ao Duomo de Milano, uma das maiores catedrais em estilo gótico da Europa (existe a possibilidade de subir nos seus telhados para uma visão de sua arquitetura e da cidade).
       
      Adjacentes ao Duomo, na Piazza homônima, ficam a Galleria Vittorio Emanuele II, uma espécie de shopping do século XIX e o Palazzo Reale Milano.
       
      De lá, seguimos para o Castello Sforzesco, antiga fortificação que virou a casa do Duque de Milão. Agora é sede de museus e galerias de arte da cidade, mas parte do castelo tem acesso gratuito. Atrás dele fica um grande (e gelado) jardim, o Parco Sempione e o “arco do triunfo” milanês, o Arco della Pace.
       
      RESUMO
       
      MILÃO é uma cópia de São Paulo mais rica e organizada.
       
      O passeio MANDATÓRIO na cidade é conhecer o enorme Duomo de Milano.
       
      CONTEMPLE a estação Milano Centrale, a rua das grifes Via Monte Napoleone e um dos mais antigos shoppings do mundo, a Galleria Vittorio Emanuele II.
       
      PASSEIE pelo Castello Sforzesco e seu gelado jardim, o Parco Sempione.
       
      Dia 29/12 (16)
       
      Esse dia, na prática, foi destinado para conhecer as atrações mais afastadas da área central de Milão.
       
      A primeira parada foi na Basilica San Lorenzo Maggiore, a mais antiga igreja de Milão, com mosaicos bizantinos do século IV. Em frente dela, ficam a estátua de Constantino, o célebre imperador romano que tornou o cristianismo religião oficial do império e as Colonne di San Lorenzo, ruínas de 16 colunas do antigo Império Romano.
       
      Depois de algumas quadras, chegamos à região do Naviagli: são canais artificiais de transporte que perfaziam o equivalente atual a avenidas e metrô. Com o avanço desses modais, vários canais foram fechados e somente três sobreviveram (sem o transporte, evidentemente). A região é famosa pela vida noturna e boêmia, equivalente à Vila Madalena – mas como era inverno (e quase ano novo), a região estava bem vazia. Mas isso não impede de admirar a beleza do local, mas é interessante de ir após ter conhecido a maioria das atrações na área central de Milão (ou eventualmente tenha se hospedado próximo do local).
       
      De volta ao centro, uma visita à Basilica di Sant´Ambrogrio, inicialmente construída no século IV e finalizada no século XII. Em suas paredes resguardam algumas escritas romanas e a cripta da basílica resguarda o corpo de Santo Ambrósio, desde o século V. Depois do Duomo, foi a igreja mais bonita que considerei nas visitas à Milão.
       
      Não podia de deixar de falar da igreja Santa Maria delle Grazie, onde Leonardo da Vinci pintou A Última Ceia, na parede do refeitório – mas não a conheci. Pode se perguntar: Por que não fomos ver uma obra-prima de Leonardo? Aparentemente, ele não quis fazer uma obra para posteridade – fez sem muita preocupação, com tinta inadequada (o homem era bom mesmo, como se fosse um “Midas” – tudo o que ele mexia era excepcional) e, por isso, o local exige um controle para preservação severo. Por tudo isso, é exigido uma pré-reserva superdisputada, um pagamento caro e o tempo de admirar a obra, exíguo – muita dor de cabeça; melhor deixar para quem vive na Europa, especialistas em arte ou quem tem muito tempo E dinheiro mesmo.
       
      Outra igreja que merece a visita é Chiesa di San Maurizio al Monastero Maggiore, em que residem afrescos do século XVI (claro, não são como os afrescos da Capela Sistina, no Vaticano – mas são belíssimas) e seu acesso é gratuito. Junto à igreja fica o Civico Museo Archeologico, que mostra a história de Milão, como a fundação da antiga cidade conhecida como Mediolanum, a conquista pelos romanos no século III a.C. e sua ocupação (durante um breve período a cidade foi capital do Império Romano do Ocidente).
       
      RESUMO
       
      VISITE por outras igrejas antigas de Milão: a Basilica San Lorenzo Maggiore, Basilica di Sant´Ambrogrio, Chiesa de Santa Maria delle Grazie e Chiesa di San Maurizio al Monastero Maggiore.
       
      CAMINHE pelo Naviagli, região de canais artificais que serviam para o transporte e, agora, é famosa pela boemia.
       
      Dia 30/12 (17) e 31/12 (18)
       
      Último dia de permanência na Itália, era o momento de preparação para o retorno ao Brasil – a começar pelo transporte até o aeroporto. O trem expresso para o aeroporto (Malpensa Express) é um serviço rápido, mas caro (€ 13), enquanto os ônibus (shuttle) são opções mais baratas. Mas tem uma pegadinha: os ônibus, comprando na hora, são mais caros (€ 10) do que se comprar pela internet (€ 8 mais taxa) e escolher o horário da viagem, mesmo pagando junto o IOF no cartão de crédito.
       
      Ao invés de desbravar (novamente) a área central, decidimos ir a um dos lugares que foram reabilitados em Milão: a área ao redor da estação Milano Porta Garibaldi. Com uma concepção moderna, é um local de convívio e consumo. Inclusive, fica o conhecido Bosco Verticale (Floresta Vertical), par de torres residenciais “verdes” – literalmente – e venceu o prêmio de melhor prédio em 2015.
       
      Tendo em vista que as principais áreas de Milão já tinham sido conhecidas, foi mais conveniente se “perder” pela cidade, desbravando as ruas e descobrindo novos lugares e as sempre constantes igrejas. Na área central da cidade, tal qual em Bolonha, os geniais pórticos protegem os transeuntes que percorrem suas vias.
       
      O relógio era implacável: era o momento de se despedir da Itália (mais uma vez). Depois de pegar as malas na hospedagem, fomos à estação Milano Centrale embarcar no shuttle até o Aeroporto de Milano-Malpensa. Sempre chegue ao aeroporto com antecedência adequada (até mais do que o planejado), para evitar estresse. De modo diverso ao ocorrido em Guarulhos, a atendente pediu para pesar as malas e, diferente do que o informado no bilhete de ida, a franquia é de 8 kg – claro, não foi problema porque já tínhamos pesado e, para essa companhia aérea, não verificaram as dimensões da mala.
       
      Chegamos ao Aeroporto de Porto, e tínhamos um desafio pela frente: uma conexão noturna de quase 12 horas. Já tínhamos ficado no Aeroporto de Madrid-Barajas por período semelhante, mas não como conexão, por conveniência mesmo. Não vou mentir, ficar no aeroporto não é o que poderíamos de definir como estadia “agradável”. Tinha estudado acerca da permanência no Aeroporto de Porto, entretanto todos os outros “bons” lugares já tinham sido escolhidos pelos outros viajantes. Restou-nos os bancos meio duros do aeroporto (o de Madri era mais confortável) e aguardar o horário de abertura para acessar o lounge pelo benefício do cartão de crédito. E que diferença! O lounge é muito mais confortável, mas, como praticamente tudo no aeroporto, é caro seu ingresso avulso (mais caro, inclusive, do que hotel). Para quem não tem a possibilidade de obter o acesso gratuito ao lounge (e não quiser pagar), encare as longas escalas como se fosse mais um dia de trabalho – cansativo, mas pelo qual se ganha o sustento. Ou seja, ao invés de trabalhar no Brasil, você “trabalhou” para não pagar pelo voo direto, mais caro – e, pelo hiato de preços, eu teria de trabalhar vários dias em São Paulo para pagar tal diferença.
       
      O voo para São Paulo chegou no horário programado, a tempo de passar o Ano Novo com a família. Paralelamente, a OMS declarava o primeiro alerta de Emergência Internacional do até então novo e desconhecido vírus, que fulminaria a Itália no mês seguinte – ao que parece, essa viagem à Itália foi realizada no momento certo.
       
      RESUMO
       
      DESCUBRA a região revitalizada ao redor da estação Milano Porta Garibaldi e aprecie o edifício verde Bosco Verticale.
       
      Os PÓRTICOS de Bolonha também chegaram a Milão.
       
      Os ÔNIBUS que ligam Milão ao aeroporto de Malpensa são a opção mais barata de chegar ao aeródromo.
       
      ENCARE o tempo de conexão como um dia de trabalho – muito provavelmente sai mais barato pegar esses voos do que trabalhar para pagar pelo voo direto.
    • Por Felipao86
      Primeira Eurotrip: 21 dias na Itália (Roma-Florença-Veneza-Milao) com esposa gestante
      Olá pessoal,
      Meu grande sonho de viagem sempre foi a Europa. Ano após ano algo acontecia que me impedia de conhecer um pedacinho do Velho Continente, mas finalmente no final de 2017 pude colocar os pés lá em grande estilo. Começamos pela Itália, onde ficamos 21 dias andando e comendo por lugares maravilhosos.
      Roteiro:
      Roma – 8 dias;
      Florença – 6 dias;
      Veneza – 3  dias;
      Milão – 3 dias; 
      Preparação:
      Passagens: Tap saindo de BH com conexão em Lisboa. Saiu caro, em torno de 4000 reais ida e volta por pessoa. Procurei por muito tempo promoção mas não achei. Na ida conseguimos umas 12 horas de conexão, o que nos permitiu um tempo para explorar alguns pontos de Lisboa.
      Passagens de trem: todas compradas no site da trenitalia com cerca de 3 meses de antecedência. Os trechos saíram entre 20-30 euros aproximadamente. 
      Hospedagens: todas pelo Airbnb, pelo preço mais em conta e pela comodidade de pagar e parcelar no cartão de crédito. O critério de escolha, além do preço, era localidade próxima às estações de metrô/trem.
      Roma: https://www.airbnb.com.br/rooms/11174608 Ficamos nesse simpático apartamento pertíssimo de Roma Termini. O Sr Franco. dono do apartamento é fantástico, nos comunicamos entre português e italiano (ele não fala inglês) mas foi bem tranquilo. E nos dava um bom café da manhã todos os dias.  A região não é das mais bem encaradas, mas foi bem tranquilo de andar todos os dias. Florença: https://www.airbnb.com.br/rooms/7604862 A melhor hospedagem da viagem. Um verdadeiro Bed and Breakfast com bom café da manhã e não somente torradas e um suco de caixinha. Vale muito a pena. Fica a 5 minutinhos da estação Santa Maria Novella. Veneza: https://www.airbnb.com.br/rooms/891441 Veneza é tudo absurdamente caro. Essa é a única hospedagem que não recomendo. Apesar de ficar relativamente perto da estação Venezia Santa Lucia, o quarto tem um cheiro de mofo grande e o banheiro é compartilhado. A vista da janela da sala, no entanto, é espetacular. Milão: https://www.airbnb.com.br/rooms/2944362  Ótima hospedagem em Mião, muito bem localizada, na porta de uma estação de metrô. Nada a reclamar Dinheiro: dessa vez levamos apenas dinheiro, para não cometer o mesmo erro de quando rodamos a América do Sul (levamos pouco dinheiro e toda hora precisávamos sacar num caixa eletrônico pagando absurdo de taxas). Levamos 2300 euros em espécie, sendo que gastamos 1600 euros (esse dinheiro foi gasto com os gastos do dia a dia, que incluem ingressos a atrações, passagens de ônibus, trens ou metros que pagamos na hora e alimentação).

      Ingressos comprados antecipadamente: em alguns locais na Itália é extremamente importante comprar os ingressos antecipadamente, para furar fila e evitar perda de tempo desnecessárias. Foi o caso nos seguintes locais:
      1-Última Ceia em Milão: o mais difícil de  comprar, pois depende da abertura da venda no site oficial e acaba com poucas horas. Normalmente eles abrem, se não em engano, 2 a 3 meses de antecedência. Não existe venda no local na hora. 2-Galleria Uffizi e Galerria Dell´Academia em Florença:  nesses até que a fila para comprar na hora não estava tao grande, mas de qualquer modo não perdemos tempo nenhum. 3-Museu Vaticano em Roma: essencial, a fila para comprar na hora estava gigantesca, e o Museu é enorme, fica-se 6 horas tranquilamente lá dentro. Seguros de Viagem: fiz no Seguros-Promo o seguro da Assist em torno de R$250,00 para duas pessoas. Nao utilizamos então não sei avaliar.
      Questões relacionadas à gravidez: em geral foi bem tranquilo. Quando viajamos minha esposa estava com 25 semanas, então nem precisava de atestado médico, mas levamos por precaução. Levamos também uma farmacinha básica (remédio para cólica, enjoo, dor) e procuramos seguir um ritmo mais lento nas andanças do dia a dia (nem tão lento assim). Duas situações mais importantes aconteceram: ela não se adaptou à agua de lá. Parece que a água da Italia tem uma composição diferente da nossa, é mais “pesada” e isso lhe dava muito enjoo. Custamos achar uma marca de água mineral que não lhe causasse mal estar (a marca é “levíssima”). E ela, por incrível que pareça, não se adaptou muito à comida de lá. Várias vezes tinha refluxo quando comia pizza ou massa. Então procurávamos mais pratos com peixes, carnes e legumes. Fora isso, o restante foi bem tranquilo.
      Dito tudo isso, vamos ao roteiro do dia a dia.
       
      29/10/17 – Dia 1 – Lisboa.
      Chegamos em Lisboa em torno de 5 horas da manhã e pegamos a fila prioritária da imigração (viva a gravidez, rs). O fiscal só perguntou o que iriamos fazer na Itália e já carimbou. Não pediu nenhum documento. Compramos um chip de 10 euros da Vodafone que nos foi suficiente para a viagem inteira e ficamos esperando a cidade amanhecer.
      Pegamos um uber e fomos ao primeiro destino do dia: Castelo de São Jorge. Muito bonito, bem conservado e com uma pela vista de Lisboa. Ótimo lugar para visitar primeiro e dar uma boa situada na cidade.
      (Obs: em Lisboa rodamos apenas de uber, bem tranquilo de usar, nenhuma corrida passou dos 10 euros).
      De lá descemos a pé até a praça do Comércio, parando em alguns miradouros da cidade. A praça é linda, estava bem cheia, e deu para colocar os pés no Rio Tejo, de onde há alguns  séculos saiam embarcações para todo o mundo. Incrível!
      Após algum tempo admirando o lugar fomos de uber até o Mosteiro dos Jerônimos, que é estupendo. Sua beleza, arquitetura, inigualáveis. Ficamos um bom tempo na fila esperando para entrar. Aproveitamos para passar na igreja ao lado onde estão os restos mortais de Vasco da Gama e Luis de Camões.
      Após o Mosteiro paramos para almoçar num restaurante “pega turista”: bacalhau ruim e caro. Mas não tínhamos pesquisado restaurantes em Lisboa.
      Em frente ao Mosteiro tem uma bela praça com um belo jardim e caminhando por ele você chega até o Marco do Descobrimento, um monumento erguido em homenagem às grandes navegações. 
      Você sobe um elevador e vai até o topo. Dá uma vertigem danada, mas é outra visão estupenda da cidade que você tem. Muito bacana!
      Iria ainda na Torre de Belém mas pelo horário já não era mais permitido a entrada.
      Caminhamos então em direção ao Mosteiro dos Jerônimos e fomos comer os famosos pasteis de Belém! Muito gostosos, saborosos. Compramos bastante para comermos em Roma também.
      Ficamos na praça em frente curtindo o movimento  e esperando o horário de voltar ao aeroporto para terminarmos de chegar a Roma.
      Impressão geral de Lisboa: foram poucas horas para ter alguma impressão, mas gostei muito do que vi: cidade limpa, organizada e bem arborizada. Portugal como um todo tem sido redescoberto pelo turismo mundial e isso se reflete na quantidade enorme de turistas em todo o lugar. Com certeza voltaremos com mais tempo para conhecer com calma.
      No fim o vôo atrasou e só chegamos em Roma mais de 01:00hs, precisamos rachar um taxi (já que não tinha mais opção de trem ou ônibus até Roma Termini). Se não me engano o taxi saiu 20 euros por pessoa.

       
      30/01/17 – Dia 2 – Roma

      1ªDia na Itália, começamos leve, para irmos nos habituando aos poucos.
      Fomos andando até a Piazza De lla Republica, que é muito bonita e enorme. Local bacana para tirar umas primeiras fotos e já sentir um pouco do que é a Roma de prédios enormes e antigos.
      Na própria praça tem a Basilica Santa Maria Degli Angeli.  Por fora você não dá muita coisa mas por dentro, nossa, é impressionante. Foi a primeira igreja que visitamos mas já ficamos muito impressionados. O tamanho, beleza das pinturas, das decorações, é incrível.
      Em Roma é muito comum o reaproveitamento de construções da época do império romano. É o caso dessa basílica, que na época do império era um termas e foi transformada em igreja na idade média. Muito interessante.
      De lá ainda fomos até a Basílica Santa Maria Maggiore, passando em frente ao teatro Della Opera.  Tinha uma fila básica para entrar pois deve-se passar bolsas e mochilas nos detectores de metais.
      Aliás, vale uma observação: em diversos locais na Itália vimos o exército nas ruas, principalmente em pontos muito turísticos. Parece que o alerta contra o terrorismo está no máximo lá.
      Outra basílica espetacular, pelo tamanho, imponência, riqueza de detalhes. É tudo muito grandioso, como não estamos acostumados a ver aqui no Brasil. 
      Mas a igreja mais bonita do dia, na nossa opinião, foi a Basilica Santa Prassede. É uma igreja bem menor, com uma entrada bem discreta numa rua lateral, bem menos conhecida, mas com ricos mosaicos na parede. No momento que estávamos lá tinha alguém tocando o órgão o que tornou a visita ainda mais especial. É simplesmente fantástico.
      Voltamos até o Roma Termini para almoçar no Mercado Centrale, que é um mercado novo bem bacana dentro da estação. 
      Aproveitamos também para comprar o Roma Pass de 72 horas (38,50 euros).
      Voltamos ao apê para descansar um pouco e no final da tarde seguimos para a Fontana di Trevi.
      Sempre falam que deve-se vê-la de manhã e à noite e realmente é muito diferente, mas igualmente linda. Pena que fica sempre tao cheio, mas devagarinho conseguimos chegar na beirada dela. Ainda andamos um pouco pelos arredores da Fontana e arrumamos um lugar para comer nossa primeira pizza italiana (essa era ok).


       





    • Por claudio_aomundoealem
      Olá pessoal,
      Fiz um longo texto acerca da minha viagem para Itália. Mas, desta vez, vou dividir em 2 tópicos: o planejamento e a própria viagem, já que, com a pandemia e o euro nos céus, só podemos fazer essa primeira parte mesmo.
      Itália – Parte 1 – O Planejamento
      Viajar tem um grande problema – vicia, e é pior do que cocaína e ainda legalizada. Para completar, não conheço tratamento para poder atender à necessidade. E o que a gente pode fazer para conseguir satisfazer a necessidade? Viajar de novo. E assim começou a viagem para a Itália.
       
      O planejamento dessa viagem começou assim, de modo meio forçado. Contrariando as “normas” de procurar passagem barata, comprei com 60 dias de antecedência. Ou seja, não foi barato. Mas é um ponto que deve ser enfatizado: o fato de existir passagens mais econômicas não quer dizer que estas estejam disponíveis para o momento durante o qual pode viajar. Deste modo, o importante é saber como procurar as passagens mais baratas para o período no qual pode viajar (e, claro, se puder viajar em baixa temporada, melhor ainda).
       
      Por circunstâncias específicas, teria que viajar no final do ano. E encontrei a seguinte passagem: de 14 a 31 de dezembro, voos com conexão em Portugal, com chegada por Nápoles e retorno por Milão. Esse roteiro de voos, além de ter sido o mais barato, ainda tinha a vantagem de ser multidestinos: na prática, não teria que me preocupar em voltar à cidade de origem para pegar o voo de volta, o que pode representar uma enorme economia em não precisar gastar em deslocamento até lá, além de tornar a viagem mais proveitosa.
       
      Todavia, o voo encontrado tinha uma característica, que se provou conveniente para a viagem feita: a passagem encontrada era só com bagagem de mão, para 8 quilos, tendo que a mala seguir o tamanho máximo estabelecido pelas companhias na Europa. A opção de despachar era inviável: o custo de despachar uma mala pagando antecipadamente era de € 70 por trajeto.
       
      Compramos 4 malas de mão rígidas na região da 25 de Março. E fui medir as malas. Apesar do tamanho total das malas atender perfeitamente exigido pela companhia, sua largura era um pouco maior do que o limite estabelecido pela companhia, sendo compensado pela altura. Bate aquele desespero. Será que eles iam perturbar? Fui pesquisar e descobri que depende. Tem companhias que colocam o suporte da mala em barras de ferro; então, se uma das dimensões da mala for maior do que devia, já era – tem de despachar. Outras, por sua vez, tem o suporte em forma de “papelão”, sendo mais flexíveis. Como a mala, apesar de ser rígida, permitia “apertar” e diminuir sua largura, resolvemos arriscar – e deu tudo certo. Mas caso encontre outro voo internacional só de mala de mão, verifique se as medidas para cada dimensão estão corretas. Saiba também que as dimensões da mala de mão no Brasil são um pouco diferentes do que as estabelecidas na Europa.
       
      O voo de ida faria uma conexão em Lisboa por 2 horas; bastava não ocorrer atraso na partida que não haveria problema. Contudo, o voo de retorno faria conexão noturna em Porto de quase 12 horas. Tendo em vista que seria noturna, não haveria tempo hábil de revisitar Porto – seria o caso de repetir o feito como no Aeroporto de Madrid-Barajas, de dormir no aeródromo. Porém acabara de adquirir um cartão que permitia ao grupo acessar o lounge do aeroporto gratuitamente, o que tornou nossa permanência muito mais confortável. O acesso ao lounge pago é caro (US$ 32), porém pode ser mais vantagem em conexão noturna de voos. Como? A diária de hospedagem próxima ao aeroporto não é das mais baratas (junto ao custo de deslocamento até a hospedagem) e ainda tem a preocupação com o horário do voo. No lounge, por sua vez, a preocupação com o horário do voo é um pouco menor, pois já está dentro da área de imigração, possui poltronas confortáveis para uma boa soneca e comida disponível para café-da-manhã. Ou ainda (o que acho mais provável) é não gastar nem em hospedagem nem em lounge e usar (ou não) o dinheiro para comprar nas lojas do aeroporto para esperar o tempo passar.
       
      Regularizada a questão dos voos, estava com o enorme desafio: como planejar a viagem internacional em menos de 60 dias. Já tinha a expertise das duas viagens feitas nos anos anteriores, mas sabia que o período seria meio apertado. Porém a experiência já tinha ensinado que tinha de analisar a questão de transporte e hospedagem de forma integrada e, para isso, precisava ter um esboço de quais cidades desejaria visitar.
       
      Não sabia quais cidades que deveriam ser conhecidas (além das cidades de chegada e partida, Nápoles e Milão, respectivamente) tampouco o tempo que deveria ficar nelas, além da dificuldade extra representada pelo Natal, já que nesse feriado praticamente tudo fecha (Londres que o diga...). Fui consultar o perito da família que deu uma sequência de cidades, com a ideia de passar o Natal em Veneza (ideia genial, já que o melhor de Veneza é perder por seus canais).
       
      Simulei o aluguel de carros na Itália (já que estávamos em 4 pessoas) e fiquei surpreso: estava consideravelmente mais caro do que tinha pago na Espanha 2 anos antes. Por quê? Será que aumentou tanto de preço assim? Para saber, simulei nas mesmas datas (e mesmo local) da viagem que fizera na Espanha e o preço não aumentava muito. Ou seja, o aluguel na Itália era mais caro – potencializado ainda pelo local de retirada do veículo (Nápoles) seria diferente de devolução (Milão); para piorar a lei italiana exigia o uso de corrente para neve na região norte do país durante o outono e inverno e o uso da Permissão Internacional para Dirigir (PID) para locação do veículo, o que aumentava ainda mais o custo do aluguel do carro. Assim desisti do carro (e conhecer as pequenas cidades da região da Toscana ficou para uma próxima viagem).
       
      A lista de cidades estava ainda meio grande e, tendo em vista que não usaria carro, teria de conhecer praticamente as cidades maiores acessíveis de trem e ônibus. Recebi mais algumas sugestões e o roteiro final ficou em Nápoles (3 dias), Roma (3 dias), Florença (1 dia), Bolonha (1 dia), Veneza (3 dias) e Milão (3 dias) – confesso, não é um roteiro muito original, mas é maravilhoso.
       
      Comecei a simular os trajetos da viagem nos sites de buscadores e me surpreendi: encontrei passagem de trem de alta velocidade de Nápoles a Roma por € 9,90, para um trajeto superior a 200 km. Era uma excelente oportunidade para poder conhecer o país de trem, já que não estava de carro e a diferença para os ônibus era baixo. Continuei simulando para os demais percursos da viagem e, apesar de não ter um preço tão baixo quanto esse primeiro, ainda era bem razoável – o ônibus era mais barato em alguns trechos, no entanto era mais demorado e como alguns trechos nós fizemos de dia, isso implicaria perder parte da viagem dentro do veículo. No fim, os 5 trechos de trem adquiridos custaram € 75,50 por pessoa – repare que a companhia área cobrava € 70 por mala despachada por trecho. Entre pagar para despachar a mala ou conhecer metade da Itália de trem, fico com a segunda opção.
       
      Só que eu não comprei os bilhetes de trem de uma única vez (a despeito do parágrafo anterior parecer “indicar” esse modo). A escolha da hospedagem tinha que ser de acordo com o horário do trem, por exemplo. Então dado que tinha estabelecido que a viagem seria feita de trem, escolheria as hospedagens para cada cidade. Portanto, para cada cidade, escolheria a hospedagem e o bilhete do trem, sucessivamente (e não só os bilhetes de trem e, depois, as hospedagens). Parece um detalhe sem importância, mas um dos meios de hospedagem – aluguel de casa/apartamento – possui restrição de horário de check-in, o que seria inviável para alguns dos horários de trem que reservamos (além daquele eterno problema de onde deixar as malas). Por sua vez, alguns hotéis possuem multa caso faça o check-in depois da meia-noite.
       
      Em Napóles, a ideia inicial era de partir o mais cedo possível para Roma. Fugindo às regras de hospedagem barata, encontrei hotel com preço competitivo ao lado da estação Napoli Centrale, de onde partiria o trem para a capital italiana. Não havia muito de se preocupar com o horário de check-in e check-out, já que o voo só chegaria à tarde e compramos o bilhete para partir para Roma no começo da manhã. A questão de Nápoles foi simples de resolver.
       
      Em Roma, por sua vez, existem uma quantidade intermináveis de hospedagem. Há uns 10 anos, a Itália permitiu que os municípios italianos cobrassem um imposto de turistas que pernoitam nas cidades. O imposto varia conforme a cidade e o nível da hospedagem – quanto mais luxuosa, mais caro fica; e é preciso ter noção desse imposto, pois alguns buscadores de hospedagem apresentam essa taxação de forma meio “discreta”. Como esse imposto é mais caro conforme o “nível turístico” da cidade, esperava ficar um pouco mais afastado do centro de Roma para pagar mais barato no combo hospedagem mais imposto. Só que as linhas de metrô na cidade não são muito extensas e encontrei hospedagem com bons preços (mesmo com o imposto) próximos ao Vaticano, distante 10 minutos a pé do metrô (mas que nem precisa ser muito usado, já que o centro de Roma não é grande). Para o último dia em Roma, encontrei passagem competitiva de trem para Florença no início da noite – a questão romana estava solucionada.
       
      Florença, por sua vez, é pequena – e a oferta de hospedagem também. A maioria fica próximo à estação Firenze Santa Maria Novella, porém os preços não são muito bons. Procurei hotel fora da área turística da cidade, mas com o cuidado de verificar se o check-in era aceito até meia-noite, já que chegaríamos na cidade tarde e ainda teríamos que se deslocar até o hotel. Em Bolonha, a situação piorou, porque as hospedagens estavam ainda mais caras e tive que procurar ainda mais afastadas do centro. Até pesquisei aluguel de apartamento, mas estavam com o mesmo valor (ou até mais caro) que os hotéis. No fim, encontrei um disto a 3 km da área central. Já que não sabíamos qual das 2 cidades seria mais interessante para nós, compramos a passagem de trem para o meio-dia, que permitiria conhecer ambas igualmente. Para Veneza, novamente obtive bilhete de trem para o início da noite.
       
      Não tinha procurado hospedagem em Veneza visto que o preço delas em Mestre é bem mais barato (e melhor). Tinha encontrado algumas hospedagens baratas na cidade acessíveis para Veneza por ônibus ou bonde. Contudo durante essas pesquisas ocorreu a histórica acqua alta em novembro de 2019 que derrubou o preço dos hotéis. Com isso, encontrei um apart-hotel próximo à linha dos trens e com ótimo preço (e horário de check-in tranquilo) – para completar, a cidade possui a taxa do imposto municipal mais barata dentre as 6 cidades visitadas. A despeito de não recomendarem de ir à Veneza durante o período da maré alta, esta nos ajudou muito em conseguir melhores preços – e nem a vi durante minha estadia de 3 dias nas ilhas.
       
      O trem de Veneza para Milão foi o mais difícil: apesar de ter muitos horários, como em outros trechos na Itália, estes estavam meio caros – pouquíssimos estavam com preço bom. O melhor preço que encontrei era um dos últimos que chegava na cidade, às 22:30. Com isso, teria que me atentar bem ao horário limite de check-in e o tempo de deslocamento da estação Milano Centrale à hospedagem.
       
      Por motivo que ainda desconheço, não conseguia encontrar hospedagem barata em Milão, mesmo utilizando toda a estratégia desenvolvi planejando essas viagens. Procurei hospedagem ao longo das linhas de metrô e trem e, mesmo assim, não obtive resposta satisfatória. Nesse caso joguei a toalha e fiz o jogo inverso – já que afastado a hospedagem afastada permanecia cara, procurei as mais próximas (não do centro de Milão, mas da estação Milano Centrale para economizar o transporte de quando chegasse de Veneza e para partir ao Aeroporto de Malpensa).
       
      Como o prazo de preparação da viagem foi meio curto, comprei o bilhete do trem sem ter analisado integralmente o site; comprei a opção mais barata, sem ter visto que só permitia o acesso com mala de mão – por sorte, essa era a opção desejada senão perderia algumas dezenas de euros valiosas. No fim, apesar de parecer impossível, viajar para a Europa somente com mala de mão é muito mais cômodo quando se percorre muitas cidades.
       
      O tempo restante da viagem não permitiria um estudo mais ampliado de atrações e eventuais promoções, como foi o caso da encontrada no Reino Unido. Porém como até hoje nada encontrei (exceto o RomaPass que, no meu caso, não compensaria) creio que não exista algo equivalente. Para poder me auxiliar, comprei um guia resumido da Itália – serviria para encontrar alguma atração caso tivesse que mudar a logística. Mas não é por isso que não ia construir ainda no Brasil uma lista de atrações que desejaria conhecer.
       
      Em virtude do tamanho da mala, por óbvio, não poderia colocar roupas e objetos a meu bel-prazer. Tivemos que fazer um checklist dos objetos a serem levados, com antecedência em relação à data da viagem, para inclusive poder refletir se não havia algo faltando (e faltou) para colocar na bagagem. O que ocupa a maior parte da mala é sempre o casaco. Como primeira viagem só de bagagem de mão, estruturei a seguinte estratégia: apesar do voo ser sempre gelado e ter a necessidade de usar, no mínimo, uma blusa, coloquei o casaco e todas as demais peças na mala. Por essa manobra, podia tirar o casaco e pressionar a largura, caso a companhia encrencasse com o tamanho; dava margem para comprar produtos durante a viagem, pois sabia que tinha o espaço equivalente do casaco que ia no braço na volta. Como a companhia também permitia uma pequena bolsa/mochila, colocamo-la vazia dentro da mala caso necessitasse.
       
      Curiosamente, percebi que o peso permitido (8 kg) não é à toa. Exclusivamente com roupas, dificilmente esse peso é atingido. Mas caso coloque livros, máquina fotográfica e outros objetos, é mais provável de estourar o limite.
       
      Quanto à questão de internet, o cartão também cedeu um chip para a viagem. No entanto, o consumo principal da internet na Itália foi quanto ao uso de mapas. Caso deseja evitar o custo de chip no exterior, baixe os mapas e use na versão off-line. E sempre vai existir uma lanchonete na esquina para te salvar quando precisar de internet.
    • Por claudio_aomundoealem
      Olá pessoal,
      essa foi minha primeira viagem para o inesquecível Velho Continente, a Europa. E coloco aqui como foi a viagem e, principalmente, a preparação - meu amigo sempre me "cobrou" para que eu apresentasse para os outros o planejamento.
       
      Portugal e Espanha – Parte 1 – O Planejamento
       
      O planejamento dessa viagem começou em junho de 2017, com a emissão dos passaportes – era um sonho viajar para fora, assim como o é de milhões de pessoas. A ideia de Portugal, por óbvio, era a fama de ser um país desenvolvido barato e a conveniência do idioma. Mas, assim como é a nossa vida, o planejamento não foi tão lógico quanto deveria ser.
       
      Passaportes emitidos, era o momento de pesquisar o voo – um baita abacaxi! Não tinha ideia ainda de preços de voos e só encontrava a superiores a 4 mil reais – bateu o desespero. Como ia pagar 4 passagens a esse preço fora o que eu ia gastar lá e que eu ainda não tinha a menor ideia de quanto seria?! Ficava a percepção que a Europa era exclusivamente para a classe média alta e a nós, simples mortais, a América Latina era o sonho, com o limite máximo representados pelos Estados Unidos – e fui pesquisar os voos para visitar o Donald Trump. Estavam bem mais baratos que os da Europa e, mesmo com o custo da emissão do visto americano, ficava ainda viável. Me animei e já estava pesquisando sobre a Costa Leste Americana – entretanto essa diferença de preços de voos ainda me intrigava.
       
      Felizmente, eu estava errado (para alegria geral da família). Falei com um amigo meu que conhecia um colega de trabalho que tinha ido para a Europa – e descobri que ele tinha pago, anos antes, 1500 reais – me animei! Traçando novas formas de pesquisas, mesmo assim a passagem para Portugal (Lisboa ou Porto) ainda ficava mais de 4 mil reais – mas tinha encontrado para a Espanha (Madrid) por 2200 reais! (depois incidiu o IOF do cartão de crédito e subiu o preço para 2364 reais – governo brasileiro sempre atrapalhando) – e mala despachada inclusa.
       
      Passagens compradas em 1º de setembro, com o voo programada para 23 de novembro – era iniciada a contagem regressiva para a viagem dos sonhos. Só que tinha um problema: e agora? O que tinha de pesquisar? O que tinha de planejar? Qual era ordem de pesquisa (passeios, hotel, ônibus, carro, trem)? O que tinha de saber antes de chegar na Europa? Devo dizer que essa viagem foi, de longe, a mais difícil, por ser marinheiro de primeira viagem mas pelo que também conseguimos fazer.
       
      O primeiro ponto é que o desejo da viagem era Portugal, mas íamos descer na Espanha. Achei um simulador de viagens para a Europa (mas não só para ela) e simulei nele o deslocamento entre os dois países (ônibus, trem e avião). O avião, na versão mais barata de low-cost, apresentava um problema – mala despachada encarece [muito] a passagem e aquela eterna dúvida – e se o avião atrasa? Percebi que o avião ia trazer mais dor de cabeça do que benefícios e desisti. O ônibus, para um trajeto de 600 km, tinha por vários horários e preços competitivos – estava mais barato do que o ônibus que paguei de São Paulo – Rio de Janeiro no Carnaval. Já o trem custava um pouco mais de 100 reais por pessoa e meio lento – demorava 10 horas para percorrer as 2 cidades – saía no final da tarde de Madrid e chegava no começo da manhã para Lisboa (era evidente que servia para economizar 1 diária de hotel). As 2 opções, ônibus e trem, considerei válidas. Só que...
       
      Como primeira viagem para a Europa, a expectativa (muito bem recompensada) explode e tem a tendência natural de obter tudo quanto informação possível. E nessa procura de informações, vamos atrás de quem já teve a experiência. Um amigo do meu pai tinha alugado um carro e dirigido por alguns países europeus. E lá fui eu saber como era dirigir, como funcionava o aluguel, quais dificuldades encontradas. Até meu corretor de seguros me deu dicas – tinha viajado alguns meses antes e tinha feito roteiro semelhante (fui até visitá-lo na casa dele; coitado, devo tê-lo deixado doido com tanta pergunta – a gente tem de saber de TUDO!).
       
      Só que... como meus pais viram a praticidade e facilidade de alugar carro, foi decidido de fazer a viagem inteiramente de carro. Ou seja, todos os modais anteriormente pesquisados de deslocamento (ônibus, trem e avião) não seriam usados, mas perfazem conhecimento para demais viagens (nada pesquisado é inútil). Além de escritor desse texto, eu também teria que ser motorista.
       
      Apesar de dirigir ser simples e na Europa Ocidental eles costumam facilitar (na Espanha e Portugal eles aceitam a nossa Carteira Nacional de Habilitação), deve-se lembrar que está sob a jurisdição do país deles. Cabia, então, estudar as regras de direção europeias – e fui pesquisar as boas práticas de direção da Europa e, principalmente, a sinalização do continente, que alguns casos diferem bem da nossa (se você estuda para fazer a prova para obter a CNH, porque acha que não deveria estudar o de lá?). E nessas pesquisas encontrei um arquivo de recomendação práticas para motoristas portugueses (e para mim) para dirigir na Espanha e em Madrid.
       
      O arquivo dizia sobre velocidade, boas práticas, das rodovias, dos feriados na Espanha e da área de restrição em Madrid. Assim como em São Paulo temos a zona de rodízio veicular, em Madrid tem restrição – mas muito pior. Na área delimitada, ninguém pode dirigir, só moradores e eventuais pessoas cadastradas (ou acha que vai dirigir o carro na principal rua da cidade? – até pode, pagando a multa salgada).
       
      Fui pesquisar o aluguel de carros – e qual carro deveria escolher? E de qual empresa? O ato em si de alugar o carro é muito simples – alguns cliques de botão do computador, um cartão de crédito (sai mais barato pagar no cartão mesmo com o IOF do que pagar em dinheiro no balcão da empresa) e voilá! Mas, como diz o ditado “O diabo mora nos detalhes”, fui ver cada detalhe que podia representar um problema no aluguel. Existem algumas empresas de aluguel bem baratas, denominadas low-cost de locação. Mas considerei que se na aviação qualquer detalhe é justificativa para aumentar o preço, na locação de veículo não seria diferente – li relatos de que estas empresas fazem exames minuciosos sobre o veículo e qualquer motivo é razão para cobrança adicional (acho que essas empresas são para especialistas, consumidores “macacos velhos” – como primeiro aluguel não seria meu caso). Deste modo, fui pesquisar nas empresas tradicionais. Outro detalhe era se aceitava a viagem da Espanha para Portugal ou tinha que ficar delimitado no país (e podia “sair” mediante pagamento de taxa). E mais um era da quilometragem específica ou livre (achei melhor livre – vai saber por onde vai querer visitar). Ocorreu também de empresa que, apesar do governo espanhol admitir a CNH brasileira, só aceitava a Permissão Internacional para Dirigir.
       
      A locação em aeroportos é mais cara, porém como tinha descoberto que poderia ser feriado quando devolvesse o carro – e as lojas dentro da cidade trabalhariam em horário reduzido, preferi alugar no aeroporto. Escolhi um carro de 5 lugares, da categoria C, de quilometragem ilimitada, com porta-malas de capacidade para 3 malas grandes, para retirar e devolver no Aeroporto de Madrid-Barajas. No aluguel tem a opção de adicionais, como GPS, assistência, mas extremamente caros. No preço já estava incluso o seguro do veículo, mas com franquia elevada (de 1600 euros). Tinha a opção de deixar a franquia zerada, com o aumento correspondente no valor do aluguel (não escolhi, mas ainda não sei se o melhor é aceitar ou não – vai da escolha de cada um – mas é algo que pode fazer o preço da viagem aumentar muito). Mais caras também são as multas de trânsito – além de ter valor mais caro que o equivalente brasileiro, a locadora te cobra no cartão de crédito, junto com uma taxa de administração por te enviar a multa – por sorte, deu tudo certo; seguir a lei estritamente faz economizar centenas de euros.
       
      A locadora também cobra caso não devolva com o tanque cheio – o que fiz? Na véspera de devolver o carro, consultei no Google Maps e pelo Google Street View para encontrar o último posto antes do acesso ao aeroporto (deu certo; a funcionária da locadora não cobrou combustível extra).
       
      E as malas que a gente ia levar, como ia saber que caberiam no carro espanhol? Pegamos uma das malas e fomos testar no porta-malas do meu carro. As malas padronizadas de viagem, com rodas 360, é que servem perfeitamente nos carros. Levamos 1 mala de perfil diverso e quase que não coube no porta-malas do carro alugado.
       
      Muito se fala sobre o clima do destino de viagem, se é muito frio, chuvoso, quente, ensolarado. A passagem foi reservada para o final do outono na Península Ibérica, justamente quando mais chove – mas o quanto chove? Fui ver no Wikipédia a média pluviométrica em Lisboa em novembro e dezembro e comparei com a média de São Paulo – era o equivalente ao mês de outubro, que nem representa o período chuvoso da capital (se bem que, atualmente, o clima está longe de ficar na média...).
       
      E qual roupa levar? Lisboa tem o clima de São Paulo, simples assim. Mas outras áreas de Portugal e principalmente da Espanha podiam ser mais frias – mas levando as roupas mais grossas foi suficiente (mesmo pegando neve).
       
      Continuando o estudo para dirigir na Espanha, descobri que, assim como temos o Rodoanel e as marginais em São Paulo como anéis viários, em Madrid eles tem o de mesmo perfil – e melhorado. São a M-30, de perfil mais interno e urbano, M-40, M-45 e M-50, estas já com perfil de rodovias. É a M-40 o principal anel viário e de Madrid saem algumas rodovias radiais (denominadas pela letra R), que são pedagiadas. As rodovias na Espanha são denominadas pela letra A (autoestrada) e AP (autoestrada pedagiada). Parece irrelevante saber isso, mas as rodovias pedagiadas tem uma equivalente estrada (que pode ter qualidade inferior) e, com isso, consegui dirigir pela Espanha pegando somente um único trecho de pedágio (o GPS pode indicar vias sem pedágios, mas talvez indiquem vias urbanas). No caso do aluguel do carro no aeroporto, alugue sempre com a retirada pelo Terminal 1,2,3, pois para sair do Terminal 4, praticamente tem de passar pelo pedágio da rodovia radial – o que não acontece saindo pelos terminais mais antigos. O preço da gasolina (a95) na Espanha era mais barata (5,20 contra mais de 6 reais o litro à época em Portugal) – tive o cuidado de minimizar a necessidade de ir ao posto em Portugal.
       
      Em Portugal a questão não seria tão simples. Exista no país um sistema bem semelhante ao do Estado de São Paulo, de rodovias pedagiadas e outras não – essas eram denominadas de SCUT (Sem Custo ao Usuário de Tráfego), custeadas pelo governo português. Só que a crise de 2008 acabou com os recursos e estas foram concedidas – mas ao invés de colocarem pedágio da forma pela qual estamos acostumadas, estas SÓ aceitam pagamento eletrônico – sistema conhecido como Via Verde.
       
      E como faria para andar nessas rodovias? E como saber quais rodovias eram essas? Descobri que a tag de pedágio espanhola também era aceita para os de Portugal. Mandei um email para a locadora de veículos (com o auxílio do Google Translate) se eles forneciam a tag. Mas me responderam que não forneciam.
       
      Fui estudar o tal Via Verde – tranquilo para quem era ou estava com veículo de Portugal, mas péssimo para quem vinha de outro país europeu. Uma das opções era pegar uma tag num dos poucos postos e dar 25 euros de caução – pela rota que iríamos fazer, não seria possível devolver. O sistema é cruel para quem não o conhece: não há indicativo na rodovia de que a cobrança de forma eletrônica começará no trecho a frente (como aquelas placas de “último retorno antes do pedágio”). O pórtico de leitura da placa para cobrança está instalado na rodovia e se você não tem a tag ou não se preparou, é multado, após um prazo disponibilizado para pagamento nas agências de correios. Durante esse estudo, achei um arquivo da Infraestruturas de Portugal (espécie de agência reguladora), que mostrava quais eram as rodovias que aceitava o pagamento manual e quais era exclusivamente pelo sistema eletrônico – e tracei as rotas possíveis, sem passar pelos de eletrônico. Na região de Lisboa tem poucos desse modelo, o problema era na região de Porto – em Nazaré, descobri que é possível inserir créditos via SMS. Envia-se um SMS para o número da agência reguladora com o código de crédito comprado e o número da placa do carro (deu mais tranquilidade).
       
      Em Lisboa, também existe uma zona especial, mas é de restrição de veículos velhos poluidores – o que não devia ser nosso caso. Em Porto, nada achei, então considerei que não existia restrição.
       
      Fui pesquisar o hotel para ficar em Madrid, no último dia de estadia da viagem – considerei que, de carro, a versatilidade para procurar hotel é muito mais fácil, somada ao fato de que a época da viagem é de baixa temporada. Para variar, os hotéis que eram mostrados primeiro eram na área central de Madrid – o que não seria possível, já que nem dá para levar o carro até lá (fora a loucura de dirigir numa cidade – e país – que nada conhecia). O espantoso não era nem o valor do hotel em si, mas de ter visto hotel oferecendo garagem para o veículo por 120 reais!!! Desisti de ver hotel em Madrid e fui ver hotel em Lisboa, para ter uma cesta de opções – na verdade, na Grande Lisboa, já que a cidade cobrava um imposto sobre turistas que lá pernoitam, além da dificuldade de dirigir no centro de Lisboa. Não pretendia usar o carro para andar no centro de Lisboa. Então, como achar hotel? No Google Maps, selecionei a opção de transporte público (metrô) e procurava hotéis próximos – assim tinha a economia de ficar fora do centro (e de áreas turísticas caras) e a rapidez de deslocamento representado por trilhos (mas não encontrei um que me satisfizesse).
       
      O tempo urgia e restava pouco para a viagem, mas consegui pesquisar as atrações: mas o fiz num prazo curto e isso cobrou o seu preço. Recebi várias ideias de passeios e tive que tentar consolidar num roteiro (como dói numa primeira viagem ter que cortar o passeio), mas selecionei as obrigatórias na Espanha (San Lorenzo de El Escorial e Toledo, além de Madrid) e deixei em aberto em Portugal – conforme usássemos o carro, escolheríamos onde ir (estabelecemos 3 dias em Lisboa). Tinha comprado um guia com o mapa rodoviário de Portugal (não gosto de usar o celular) que serviu para encontrar as atrações durante a viagem. Mas uma boa “sacada” foi ter encontrado as 7 maravilhas de Portugal. Quem, senão o português, conhece melhor as maravilhas de Portugal? Foi um concurso que os portugueses elegeram suas atrações preferidas. E foi em cima delas que planejei parte do roteiro.
       
      Nessa pesquisa de passeios, sempre aparece a sugestão do citycard – no caso, do Lisboacard. Quando pesquisei, fiquei um pouco na dúvida sem compensava ou não – acabei acatando. Mas não achei que realmente valesse a pena.
       
       
      Portugal e Espanha – Parte 2 – A Viagem
       
      Dia 23/11 (1)
       
      O voo estava marcado para 18:45, mas a preparação começou muito antes disso. Afinal, era uma viagem de 15 dias e nada poderia faltar. As malas estavam todas prontas, mas creio que o nervosismo dessa primeira viagem imperava. Infelizmente existe preparação que realmente só pode ser feito no último dia. E isso consome um tempo precioso. Era a conferência de documentos (passaportes, cartão de crédito, CNH, seguro viagem impresso...), era verificar se a casa estava corretamente fechada – vai que deixa alguma luz acesa? São detalhes que ainda não encontrei uma forma de lidar com eles de forma mais “confortável”. Afinal, uma viagem internacional está muito longe de ser algo simples – mas não impossível (no entanto, com um pouco mais de prática a tensão vai diminuindo consideravelmente).
       
      Dirigi o carro e deixamos num estacionamento próximo ao aeroporto (calma que eu tinha um acordo – jamais pagaria os absurdos de estacionar o carro no aeroporto), mas posteriormente não creio que fosse uma boa ideia. Apesar de ter visto o trânsito no caminho e saído com antecedência, pode ocorrer problema, pois não se sabe se pode acontecer um acidente com o seu carro ou ele pifar no caminho – é difícil acontecer? Evidente que é; entretanto se isso acontecer vai dar uma baita dor de cabeça. Como eu moro relativamente próximo, chamar motorista de aplicativo fica ainda barato. Mas para quem mora na capital, o uso de transporte público é interessante. Afinal, este é lotado nos horários de pico – basta fazer o deslocamento nos horários de vale.
       
      Após passar pelo setor de passaporte, aguardamos o embarque. No avião, não havia filmes disponíveis em português, só em inglês e em chinês. Existem várias dicas sobre o que fazer no avião, mas, sinceramente, não acho que seja necessário. A não ser que realmente não consiga dormir, o tempo de comer as refeições que a companhia apresenta, junto com o sono, consomem a maior parte da duração do voo. Não há muita necessidade de pensar o que levar para fazer no avião, além de que pode refletir mais um pouco sobre o que vai fazer na viagem e, na volta, pode ver as fotos e vídeos feitos (nunca fiz, na realidade, mas é uma ideia interessante). A preocupação maior fica em levantar para fazer exercícios e evitar trombose, que pode afetar qualquer um. E, talvez, saber falar e ouvir em inglês para assistir aos filmes e falar com os nativos dos outros países.
       
      RESUMO
       
      Faça a CONFERÊNCIA de documentos, das malas, da casa e que mais for necessário, deixando tudo previamente planejado. Viajar pede mais tempo do que se imagina.
       
      EVITE de usar veículo próprio para ir ao aeroporto. Pode quebrar ou ocorrer acidente no caminho, mesmo saindo com antecedência – muito mais fácil de se esquivar se estiver em veículo alheio.
       
      Se não tiver dificuldades em DORMIR, não há necessidade de se preocupar em o que fazer no avião.
       
      Dia 24/11 (2)
       
      O avião se preparava para chegar ao Aeroporto de Madrid-Barajas e percebia que a temperatura externa subia bem devagar – sinal de que estava longe da primavera quente de São Paulo. O avião aterrissou e NÃO acessamos direto ao aeroporto. Descemos na pista para pegar o ônibus sob o clima gelado em Madrid – ainda bem que já estávamos com as roupas de frio. Pisando em solo europeu, me lembrei das imagens que o Papa João Paulo II beijava o chão em que chegava. Não fiz isso, mas a minha alegria era “divina”.
       
      Descemos do ônibus e fomos para a tal tão temida fila da imigração de Madrid. Tinha visto uns vídeos não muito promissores acerca da imigração espanhola. Só tinha a reserva do aluguel do carro, passaporte com todas as suas páginas sem carimbo de imigração, sem reserva de hotel, com o dinheiro no limite mínimo de despesa diária e o seguro viagem atendendo a carta Schengen (só que estava dentro da mala despachada que não estava comigo – primeira viagem é tensa), além da passagem de volta. Ali era o desafio final, onde todo o trabalho realizado podia afundar. Fomos nós juntos e apresentei os passaportes e o grupo (em inglês): sister, mother and dad. O Oficial pediu para ver meu pai que estava “escondido” atrás da gente. O que mais ele iria perguntar? Que desespero! Segurando um dos passaportes, ele levantou a mão direita e... carimbou! “Welcome”. Acabooooooooooouuuuuuuu. Mas feliz que Galvão Bueno na comemoração do Tetracampeonato, a Europa sorria para mim.
       
      Fomos pegar as malas na esteira e, empolgadíssimo, fomos à loja de locação do carro, depois de ir ao setor que trata de turismo – pura besteira; já sabia bem mais pelo que tinha pesquisado. Tinha fechado a locação do carro pela internet, com o cuidado de ter visto que eles aceitavam a CNH brasileira; que permitiam levar o carro para Portugal; que o carro alugado era de quilometragem ilimitada. Na loja, pediram minha CNH para tirar cópia e meu cartão de crédito para fazer bloquear um valor de caução (atente-se de ter cartão de crédito de limite alto). Nos deram a chave e informaram como chegar no estacionamento onde estava o carro. Chegamos ao estacionamento e tiramos fotos do carro (era uma recomendação que vi na internet para o caso de, se a locadora alegar que o carro foi riscado/batido, poder provar que isso foi feito anteriormente à locação). Após colocar as malas, previamente testadas em São Paulo (e quase que não couberam, por 1 delas não ter o tamanho padrão), entramos no carro e dirigi [bem lentamente] até se acostumar com o veículo. Saímos do aeroporto para acessar o anel viário de Madrid M-40, mas usei a alça errada e não consegui acessá-la. Mais uns minutos até conseguir chegar ao anel viário, mas fui pelo lado errado dela – tinha previsto ir pelo sentido horário para acessar um supermercado, fui pelo sentido anti-horário (mas já prevendo que erros acontecem, também tinha pesquisado outro supermercado caso o outro falhasse) – seria o caso de GPS? Não necessariamente, já que sabia onde estava indo; o erro foi meu de ter errado o acesso. No entanto, ao longo da viagem (e de outras), o uso de GPS foi importante, mas como meio auxiliar – é preciso ver antes os lugares para onde vai e como chegar.
       
      Fomos ao supermercado e, para minha surpresa, foi mais barato do que tinha imaginado (tinha pago R$ 4,01 por euro). Saindo do supermercado e descobrindo que é possível virar à direita mesmo com o farol vermelho, como nos Estados Unidos (após receber uma buzinada espanhola), fomos pela principal via para acessar Lisboa a partir de Madrid – a A-5, via sem pedágio e de excelente qualidade. Tendo a adrenalina baixado consideravelmente, percebi que o mostrador de combustível do painel de veículo não mudava. Já tinha percorrido muitos quilômetros.  Será que estava quebrado? Parei num posto e apesar de ter visto inúmeros vídeos sobre como abastecer na Europa, deu aquele branco – a adrenalina ainda afetava. Por sorte, o funcionário da loja de conveniência foi solícito e me mostrou qual bomba usar – o da 95 plomo (gasolina) e como pagar – informar o número da bomba para o funcionário da loja (alguns postos já tem o próprio frentista, como no Brasil). Pedi para encher, mas só deu 15 litros. Depois percebi que o carro gastava quase nada de combustível – calculei em 19 km/l, isso dirigindo a 120 km/h – não sei se o carro era muito econômico, se a gasolina era muito boa ou ambos.
       
      Nosso primeiro passeio foi para a cidade de Cáceres, ainda na Espanha, sendo seu centro histórico classificado Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO – e entendi o porquê. É um dos conjuntos medievais mais preservados da Europa e, sendo o primeiro passeio turístico, ficou ainda mais impactante. É impressionante ver estruturas imensas erguidas a vários séculos, passeando pelas ruas erguidas inicialmente pelos romanos e posteriormente pelos sarracenos. Infelizmente, o dia se aproximava do fim e não deu para conhecer mais – tinha o acesso pago para a igreja (3 euros), mas como não sabíamos quanto ia gastar durante a viagem não entramos; mas o melhor é entrar e curtir (mas sempre com o cuidado com algumas roubadas, principalmente com cidades com forte vocação turística). Tinha estacionado o carro fora da área medieval de Cáceres e, diferentemente da sinalização rodoviária europeia, a sinalização urbana não é muito boa – tivemos que perguntar para uma espanhola qual o caminho para Mérida, rumo à Lisboa (olha aí a falta do GPS). Estacionar fora de área antiga é importante pois 2 motivos: é provável que seja proibido dirigir na área antiga (às vezes é exclusivo para moradores) e, se permitido, o estacionamento pode ser bem caro. Apesar do risco de parar o carro na rua, os próprios europeus recomendam que faça isso.
       
      Regularizado o caminho, dirigi rumo à Portugal e abastecemos o carro em Badajoz, última cidade espanhola e onde o combustível é mais barato. Acessando Portugal pela agora rodovia A6, era a hora de procurar o hotel. Como geralmente os hotéis em beira de rodovia são mais caros, entramos na via lateral que dá acesso às cidades para procurar hospedagem mais barata e, de quebra, se esquivar do pedágio. Surpreendentemente, as cidades onde paramos não apresentavam hotéis (uma portuguesa “indicou” um hotel que estava fechado havia anos – o detalhe que ela sabia que estava fechado). Conseguimos achar uma hospedagem em Borba. Esta hospedagem ficava na área de estacionamento pago da cidade, mas este nos cedia uma permissão para estacionar pondo um cartão no para-brisa do carro. Finalmente encontramos uma hospedagem e, de tão cansado, mal conseguia abrir os olhos para comer. Afinal, era o primeiro dia conquistado pelo trabalho de vários meses antes.
       
      RESUMO
       
      Não há motivo para pânico na IMIGRAÇÃO: é somente uma pequena entrevista ou nem isso; basta dar respostas objetivas ao que ele (se) perguntar.
       
       
      Dia 25/11 (3)
       
      Após passar a primeira noite em Portugal, pegamos o carro e fomos rumo à Lisboa. Na hospedagem não servia café-da-manhã (que eles denominam pequeno almoço e banheiro, de casa de banho). Após verificar que uma loja de conveniência na estrada ainda estava fechada, decidimos comer em Lisboa. Na saída de Borba para à rodovia, os carros passam por cabines – algumas para que tem o sistema de pedágio automático Via Verde ou para quem vai pagar em dinheiro ou cartão. Para quem vai pagar em dinheiro (como eu) a cabine libera um comprovante que indica em qual parte acessou à rodovia e para sair dela basta inserir na cabine correspondente, realizando o pagamento proporcional à quilometragem percorrida.
       
      Em Setúbal, a rodovia bifurcava: uma em direção à antiga Ponte 25 de Abril e outra em direção à Ponte Vasco da Gama. E agora? O pedágio da 25 de Abril era mais barato, mas escolhemos a outra ponte. Foi a sorte! A antiga ponte cai quase no centro histórico de Lisboa, junto de ônibus e bondes (estes chegam a andar na contramão). Não que seja difícil dirigir lá. É questão de costume. Mas como teria adquirido costume se acabara de chegar na Europa no dia anterior? A Ponte Vasco da Gama, por sua vez, além de ter uma bela visão do rio Tejo, era muito mais tranquila, com pouco trânsito e desembocava ao norte de Lisboa, longe do centro movimentado e apertado.
       
      A fome apertava e era a hora de tomar um café. Tinha planejado chegar em Lisboa no sábado no qual imaginava que seria mais fácil encontrar vaga para o carro na rua, bem como circular com ele pela cidade. Lego engano. Não encontrava vaga para o carro de jeito nenhum, mesmo afastado do centro. Eles colocavam carro até cima do canteiro central, algo mais difícil de ocorrer em São Paulo. Quando encontrei uma, era vaga para deficiente. Que saco! Indo cada vez mais longe, consegui achar uma vaga – no limite da área da zona azul, que não funciona no sábado (se no fim de semana é assim, imagina durante a semana). Pelo menos dirigir fora de zona histórico de Lisboa foi bem tranquilo – o problema é prestar atenção no volante e querer ver a cidade.
       
      Perto de onde estacionamos fomos para uma padaria tomar um café-da-manhã e ver o caminho para chegar à Amadora, terminal do metrô de Lisboa à época e que imaginava que teria uma tarifa mais barata. Portugal e Lisboa estavam (e ainda são) como destinos turísticos em voga e Lisboa cobra uma taxa de pernoite na cidade. Ficando mais afastado do centro da cidade (mas perto do metrô) evitava o pagamento da taxa, de estacionamento caro e teria a praticidade e rapidez do metrô. Só que o processo não foi tão simples assim e ficamos próximo à estação de trem Amadora, não de metrô, com o auxílio de um casal de idosos portugueses. Deixamos o carro no estacionamento do hotel (apesar do próprio funcionário falar para deixar o veículo na rua fora da zona azul) e fomos pegar o trem para chegar em Lisboa. Compramos o bilhete Viva Viagem (0,50 euros cada por pessoa) e descemos na estação Rossio, onde compramos o Lisboacard para 3 dias.
       
      Fomos para primeira atração mais próxima indicada no Lisboacard, o Mirante da Rua Augusta, além da própria Rua Augusta e a Praça do Comércio, com a visão sobre o Rio Tejo. Na Rua Augusta existem vários restaurantes, todos os que vi a 10 euros o prato – suspeitava que esse preço não condiz com a realidade.
       
      Na frente da Praça do Comércio, pegamos o bonde e fomos para Belém, para acessar o Mosteiro dos Jerônimos e a Torre de Belém. Porém, a ansiedade e o desconhecimento da primeira viagem começaram a cobrar seu preço e quando chegamos as atrações estavam fechando. Mesmo assim foi possível acessar a igreja do mosteiro, onde estão enterrados Luís de Camões e Vasco da Gama, além de outros célebres portugueses. E, claro, próximo deles fica o monumento Padrão dos Descobrimentos (só que o Lisboacard não concedia desconto para essa atração).
       
      Em Belém, não podia ser diferente, fomos numa padaria comer os famosos Pastéis de Belém. Vale muita a pena. Só tem de ter cuidado com os valores: enquanto numa padaria custava 0,99 euros o pastel, em um supermercado cobrava 6 pastéis por 0,95 euros. Eis algo simples que faz uma baita economia.
       
      Pegamos o bonde de volta só que o leitor do transporte não estava reconhecendo o Lisboacard. Fomos na estação Rossio e a funcionária não quis muito ajudar – seria um problema para nós resolvermos no dia seguinte, com o agravante que seria domingo e vários postos de atendimento do Lisboacard estariam fechados. Decidimos voltar para o hotel mesmo com o problema na leitura do cartão já que tínhamos a data da compra e o registro de início do uso do Lisboacard, caso algum fiscal passasse.
       
      Dia 26/11 (4)
       
      O primeiro ato do dia, após o café-da-manhã (este incluso no hotel) foi regularizar o Lisboacard. Tive que descobrir em qual lugar tinha de ir para arrumar o cartão num domingo (primeiro fui na Western Union, e me indicaram uma banca na frente da Praça Dom Pedro IV, onde consegui arrumar), o que fez perder um tempo precioso, mesmo saindo cedo. Regularizado os cartões, voltei ao hotel para irmos à Sintra e seus palácios. É um passeio para preparar bem a perna. Descendo na estação, fomos à pé até o Castelo dos Mouros (tinha vestígios milenar dos antigos habitantes) e depois ao Palácio da Pena (percebi que os antigos portugueses eram bem pequenos – a cama parecia de criança). Infelizmente, novamente por erro no planejamento (faltou o GPS) e agravado pela falha do Lisboacard, não deu tempo de conhecer o Palácio Nacional de Sintra e a Quinta da Regaleria. É possível fazer esse caminho por ônibus, mas tem de tomar o cuidado que ele não leva na porta da atração. Por exemplo, no caso do Palácio da Pena o ônibus de Sintra levava até o portão da bilheteria. Se quisesse chegar mais próximo, tinha de pegar outro ônibus interno (3 euros à época). Ou pode seguir por trilhas internas. Mas chegando cedo com planejamento é possível conhecer os 4 palácios tranquilamente.
       
      Dia 27/11 (5)
       
      Pegamos o trem, agora mais frequente por ser segunda-feira, para irmos até o Castelo de São Jorge. No caso, para acessar o castelo tem de pegar um ônibus na Praça Dom Pedro IV (conhecido pelos brasileiros como imperador D. Pedro I). Fortificação da cidade, possui uma vista incrível de Lisboa e seus arredores e, claro, de muita história portuguesa.
       
      Fora do castelo, voltamos a pegar o bonde rumo à Belém, para irmos ao Mosteiro e a Torre. E mais uma vez o planejamento incompleto cobrou o seu preço (pelo menos pela última vez) – era o dia em que eles estavam fechados! Apesar de eu ter o guia em mãos e constar tal informação, não tinha percebido. E agora, o que iria fazer? Os portugueses falam muito das belas vistas de Cascais, mas, com o guia em mãos [e aberto], encontramos o Palácio de Queluz, que estava aberto e ficava na estação seguinte à Amadora, onde era o nosso hotel. Ou seja, podia ter realizado um roteiro de passeios bem melhor na Grande Lisboa. Mas como primeira viagem para Europa enxergo que isso foi um aprendizado para entender como funciona o planejamento de uma viagem barata (é fácil falar agora – na hora dá uma raiva). Nas viagens seguintes esses erros não aconteceram ou o foram por motivo de força maior, o que as tornaram ainda mais divertidas.
       
      Pegamos o bonde de novo para voltar à Lisboa e acessamos o trem para descer dessa vez em Queluz-Belas, que dista 1 km do palácio. O Palácio de Queluz pertence ao grupo dos Parques de Sintra e é conhecida como a versão Versailles portuguesa (óbvio, nas suas devidas proporções), sendo a residência real durante os séculos XVIII e XIX. E, apesar de ser ainda mais próximo de Lisboa do que Sintra e ainda mais magnífica do que o Palácio da Pena, é praticamente vazia, com pouquíssimos turistas, bem diferente de Sintra. Saindo do palácio, fomos jantar numa padaria próxima à estação de trem, de preços mais baratos em comparação aos encontrados em Lisboa – é impressionante como a majoração de preços é proporcional ao fluxo turístico. Voltamos à Lisboa e andamos pela área central da Lisboa, aproveitando a última noite lisboeta. Fomos no elevador da calçada da Glória (na prática, um pega-turista, mas que estava incluso no Lisboacard; mas não o pegaria se tivesse que pagar avulso). O cansaço chegou e era hora de voltar ao hotel.
       
      Dia 28/11 (6)
       
      Último dia em Lisboa – e última tentativa para acessar o Mosteiro dos Jerônimo e a Torre de Belém. Pegamos o bonde e descemos em frente ao Mosteiro e tivemos nova surpresa: o Mosteiro estava FECHADO! F-E-C-H-A-D-O! Era um evento de Estado entre Portugal e a Suíça, e a solenidade estava sendo feito no mosteiro, bloqueando o acesso aos turistas – não acreditava no que via. Que ódio! Restava a nós conhecermos a Torre de Belém – e que maravilha. Construída durante a época de ouro portuguesa, serviu de [óbvio] como torre de observação, forte, posto alfandegário, prisão, farol e agora é umas das 7 maravilhas de Portugal. Seus acessos para os pavimentos superiores são meio apertados, mas isso não intimidou um casal que subiu com um carrinho de bebê pela torre (!!!). Fora da torre, nova surpresa: os suíços fora embora. Finalmente conseguiria conhecer o Mosteiro dos Jerônimos, outra maravilha portuguesa. Coincidentemente, a tal chuva forte característica de novembro resolveu aparecer e ficamos presos no mosteiro (melhor do que estar no meio da rua) e deu para conhecer e apreciar mais o complexo.
       
      Tendo conhecido o complexo (e a chuva diminuída), era o final do período de validade de Lisboacard e da nossa permanência em Lisboa. Pegamos o trem e retiramos o carro no hotel rumo ao norte de Portugal. Dessa vez a próximo destino seria Mafra, onde fica o convento homônimo. Apesar de não termos o GPS no carro, estava com o guia rodoviário de Portugal e a sinalização rodoviária é muito boa na União Europeia e conseguimos chegar ao município de Mafra tranquilamente, apesar da chuva que voltara.
       
      Só que a rodovia cortava a cidade ao meio. Tinha acesso para a cidade indo para a esquerda quanto à direita. E agora? De que lado fica o convento? Arrisquei para a direita – como já escrevi, a última “cobrança” da falta de planejamento foi em Lisboa – e acertei. Passamos a rotatória e lá estava o enorme Convento de Mafra. Só que pelo dia – dessa vez tinha visto no guia (e pela chuva) não seria possível visitar no dia e fomos procurar hotel – meio burrice, sem internet, mas Mafra não possui muitos hotéis; aliás, pouquíssimos. A chuva apertava; isso dificultava e “acelerava” a escolha do hotel mais próximo. Estava com tênis sem ser impermeável e era horrível ficar molhado (junto com as meias) no frio. Para evitar de ficar gripado, fechamos o hotel. Na verdade, ele não era caro – mas os hotéis e apartamentos que conseguimos reservar posteriormente mostrou que ele também não foi barato. Seu preço foi de 85 euros para 4 pessoas, com café-da-manhã e a conveniência de ser próximo ao convento e NÃO estar na área de zona azul da cidade (ele ficava no limite; um lado era na zona azul e outro não). Posteriormente, fomos ao supermercado comprar o “jantar”.
       
      Dia 29/11 (7)
       
      Depois de tomar o café-da-manhã, fomos a pé ao Convento de Mafra. Um dos finalistas das 7 maravilhas portuguesas, possui uma biblioteca maior do que a da Universidade de Coimbra, sendo protegida por... morcegos! Eles não permitem conhecer melhor a biblioteca, somente uma visão por umas das entradas; mesmo assim tem uma seção com a apresentação de alguns livros – é espantoso a riqueza de detalhes dos desenhos feitos séculos atrás (o que faz até sentido, numa época sem internet e grandes comunicações – havia tempo de sobra para fazer trabalhos perfeitos). Também tem uma área médica, arte barroca e uma área privativa da realeza para assistir a missa de uma janela do convento (a monarquia portuguesa tinha seus privilégios).
       
      De volta ao carro, agora já mais acostumado com o carro e com a direção da União Europeia, fomos a Óbidos, cidade que ainda resguarda uma enorme muralha no estilo medieval e um castelo restaurado que virou uma pousada de luxo. Estacionamos o carro no estacionamento com zona azul e percorremos pelas ruas da cidade. É um passeio muito interessante, mas preferi outros lugares desta viagem (sem contar que a área do castelo nem pode entrar – a entrada é permitida só por reserva na pousada...).
       
      Fora de Óbidos, tinha decido ir ao Mosteiro de Alcobaça, na cidade homônima (e umas das 7 maravilhas). Devido à proximidade, decidimos não usar a autoestrada – para conhecer um pouco mais do interior de Portugal e evitar o pedágio da autoestrada. Paramos o carro no estacionamento bem em frente ao mosteiro (com aquela eterna dificuldade para saber o tempo que ficaríamos no mosteiro para comprar o bilhete da zona azul). De Luís de Camões, “Inês é morta”, descobrimos que a Inês de Castro continua morta... e enterrada no mosteiro (sua tumba está meio “machucada”, mas não deixa de impressionar). A estrutura antiga do mosteiro me lembrou muito de algumas cenas do Castelo de Hogwarts, de Harry Potter.
       
      Fora de Alcobaça, tínhamos planejado ir à Fátima, mas em Lisboa o funcionário do hotel tinha indicado que seria melhor ir para Nazaré. Cidade de onde partiu Vasco da Gama, é famosa por suas ondas gigantes para os surfistas. Fomos para conhecer a cidade, mas caímos em algumas ruas estreitas e, sem GPS e com a parca sinalização urbana, não estava conseguindo sair – pedimos ajuda para um menino na cidade que, com sua bicicleta (como no filme do E.T.), nos guiou à nossa frente até chegar ao caminho para o centro da cidade (eis um caso que um aparente problema vira uma bonita história para contar sobre viagens). Dentro do carro, conhecemos um pouco do centro de Nazaré (sem indicação de restrição a eventuais motoristas de fora da cidade) e, claro, onde percebia que podia ser mais difícil dirigir (como a rua que trocava o asfalto pelas pedras antigas) eu manobrava para sair da área.
       
      A noite tinha chegado e tinha de encontrar a hospedagem – como? Na área central de Nazaré, mais próximo da praia, havia zona azul. Fui, então, para a área não abrangida pela zona azul – afinal, não é foco da viagem conhecer a praia de Portugal e, assim, evitaria o custo de pagar o estacionamento. No limite entre essas duas áreas, parei na frente de um pequeno mercado de bairro e perguntei para a portuguesa se ela conhecia uma hospedagem na região. Ela largou a vassoura, saiu do mercado, parou em frente à casa adjacente ao mercado e tirou uma chave – que sorte! Ela era a proprietária de um pequeno apartamento, a um custo de 60 euros, com quartos, sala e cozinha. Com essa conveniência da cozinha, fomos ao supermercado próximo da hospedagem para uma refeição mais completa, junto com os sempre presentes pastéis de Belém. A única “dificuldade” dessa hospedagem é que você deixa a chave dentro de uma caixa quando vai embora – caso esqueça algo ou feche o apartamento com a chave dentro, estará com um certo problema (mas nada que um pouco mais de atenção não dê um jeito).
       
      Dia 30/11 (8)
       
      No dia seguinte, ainda estava preocupado com os tais pedágios exclusivamente eletrônicos que eram próximos da região de Porto. E tendo estudado no dia anterior, percebi (só nesse dia) que existia a possibilidade de mandar um SMS com o código de crédito de pedágio comprado e a placa do carro. Fui comprar um chip de telefonia (€ 7,50 – e ainda teve mais utilidade posteriormente) e comprar os créditos na agência de Correios de Portugal – comprei o de valor mínimo (€ 5,00 mais taxa), já que, caso caísse em um deles, o valor cobrado por cada pórtico do pedágio eletrônico é relativamente baixo, sendo esse valor suficiente.
       
      Após o café-da-manhã, fomos à pequena igreja da área antiga de Nazaré – o Santuário de Nossa Senhora de Nazaré, que apesar de pequena tem seu charme. Foi em Nazaré (e à Santa) onde Vasco da Gama pediu proteção para suas viagens – o local deve ter uma força e tanto; funcionou bem para o Vasco, com a chegada dele à Índia em 1498.
       
      De Nazaré, voltamos para a auto-estrada rumo à cidade de Coimbra, que no passado já foi a capital portuguesa. Paramos próximo à Universidade de Coimbra (com o auxílio – finalmente – do GPS no celular) e conhecemos seu Jardim Botânico, seus estudantes com a capa preta no estilo dos alunos do Castelo de Hogwarts e a faculdade de Direito – tinha visto até uma pichação contra o governo brasileiro que vira no jornal no Brasil... Lógico, fomos a tal Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra, porém cobrava o acesso (€ 10,00) e tendo visto a biblioteca no Convento de Mafra (que é maior, por sinal), achamos que não valeria o gasto – talvez, se não tivesse conhecido o de Mafra, teria entrado.
       
      Depois de passear pelos domínios da Universidade e conhecer os Aquedutos de São Sebastião (obra do reinado de Sebastião, que aproveitou os restos do primitivo aqueduto romano), decidimos o próximo passeio: a Sé de Coimbra, mas devido às ladeiras da cidade, resolvemos ir de carro. Só que ele fica na parte antiga da cidade e no caminho vi a placa de exclusivo aos moradores (e cadastrados) para utilizar a rua – e o pior que não conseguia retornar. POR SORTE (que só tive a certeza depois) esse acesso exclusivo era em determinadas horas do dia – e estávamos nela fora desses horários; caso contrário seria multa na certa. Só que, na hora, isso estraga o passeio, já que a possibilidade de pagar uma multa salgada estava na cabeça. Depois de “refazer” a cabeça (e desistido de ir à Sé de Coimbra), com a tarde acabando, andamos um pouco mais por Coimbra para finalizar o passeio, rumando à cidade de Porto.
       
      Já próximos de Porto, chegamos à parte final da autoestrada e, por consequência, a cabine de pedágio – que calcula a distância percorrida pelo veículo, inserindo o bilhete retirado quando acessa a autoestrada (nesse caso, o de Coimbra). Inseri o bilhete na máquina, que calculou a tarifa (€ 7,15). Comecei a colocar o dinheiro, com uma nota de 5 euros – e a máquina acusava que faltava ainda € 7,15. O QUÊÊÊÊÊÊÊ?!?! Fui logrado em 5 euros!! E agora? Existe na máquina como chamar um atendente remoto (ainda bem que em português) para explicar o caso – mas explicar numa terra distinta, mesmo que em português não é tão fácil assim. Iniciei a conversa com o atendente, à quem informei que tinha inserido os 5 euros na máquina que não foram reconhecidos e ele disse que seria avaliado a situação e pediu meus dados (posteriormente, recebi uma ligação e uma carta pedindo meus dados bancários da Europa para que fosse realizada a transferência – estou até agora tentando receber esse dinheiro...; pelo menos é uma história para contar e, mais importante, NUNCA coloque em máquinas notas de alto valor – deixe estas para situações de atendimento pessoal).
       
      Passado o causo do pedágio, chegamos em Porto e... onde iria parar? Era uma quinta-feira, véspera de feriado (1º de dezembro é o dia da Restauração da Independência) e a cidade, apesar de menor que outras cidades famosas, estava com um trânsito de saída de Carnaval em São Paulo (ainda bem que já tinha me acostumado ao volante). Evitei de entrar no centro da cidade e parei num posto de combustível para pesquisar hospedagem – já que é um horror encontrar vaga para parar/estacionar o carro na Europa, os postos servem para “quebrar esse galho”.
       
      Entrei no site de buscador de hospedagem e encontrei um apartamento por € 45, com vaga de garagem inclusa (posteriormente, verifiquei que o preço dele estava o dobro – deve ter derrubado naquele dia para encontrar um eventual cliente de última hora – para minha sorte). Com o endereço informado e com o GPS no celular, peguei o anel viário – e o trânsito – de Porto até o apartamento. Minha ideia era evitar pagar o IOF no cartão de crédito de 6,38% e dar em dinheiro ao proprietário, mas não foi o caso – tive que fazer pelo cartão; mas mesmo com IOF, compensou muito ter encontrado essa hospedagem.
       
      Dia 01/12 (9)
       
      Depois de tomarmos o café-da-manhã no apartamento e assinarmos os papéis de exigência do município para este tipo de hospedagem, pegamos o carro e dirigi (com o trânsito mais tranquilo por causa do feriado) por parte da cidade de Porto. Já esperto quanto a dificuldade de dirigir em áreas mais antigas (fora eventuais restrições) percorri com o carro perto da área central, mas fora dela. Cabia, agora, encontrar um estacionamento. O primeiro lugar encontrado tinha os preços para até 15 minutos; olhei a placa de valores e manobrei para sair – muito caro. Ainda na mesma quadra, perto da Câmara Municipal de Porto, encontrei numa rua sem saída um estacionamento com preços bem mais acessíveis. Deixamos o carro e fomos à pé pela cidade.
       
      A praça onde fica a Câmara Municipal de Porto (um belo prédio, por sinal) continha aqueles letreiros como em Amsterdã – e também o enxame de turistas para tirar foto; melhor partir para o próximo passeio. De lá, fomos à Livraria Lello, que [dizem] inspirou a J.K. Rowling para imaginar a escadaria da livraria Floreio e Borrões, no Beco Diagonal – apesar de tantos anos terem se passado desde a publicação do último livro, a fila para entrar ainda era grande.
       
      Próximos da livraria, ficam as Igreja do Carmo e Igreja dos Carmelitas Descalços (vale uma passada rápida pelo local – ou para quem não quer ir à livraria). Curiosamente, entre as 2 igrejas tem uma pequena portinha – uma minúscula casa, quase imperceptível (só descobri depois que tinha passado por Porto...). A fome apertava e buscamos o que comer. Na praça em frente às igrejas, um dos restaurantes tinha um painel, mostrando um almoço por € 3,00 – achei estranho, já que na Rua Augusta, em Lisboa, os restaurantes cobravam € 10,00. A diferença era gritante. Será que que tinha alguma taxa embutida, alguma pegadinha? Resolvemos arriscar. Pedimos três da refeição indicada no painel: arroz, feijão, peixe e algo mais de que não lembro. Minha irmã pediu macarrão a 4 queijos; esse mais caro, o cardápio mostrava a € 4,00. A fatura chegou: € 13,00 – sem nenhuma pegadinha ou taxa extra, foi um almoço mais barato do que muitas refeições disponíveis em São Paulo. A partir daí a minha suspeita se confirmou – esses preços de € 10,00 por refeição não condizem com a realidade; são, na verdade, preços para turistas endinheirados ou que não tem noção real de valores, ou, por exemplo, de lugares com alta incidência de escritórios, como a região da Berrini em São Paulo. Ou seja, para uma viagem a “preços normais”, compre comida em supermercados e/ou pesquise onde ficam os restaurantes e lanchonetes “alinhados” com o custo real da cidade.
       
      Abastecidos por uma boa e barata refeição, fomos à próxima atração lindeira: A Igreja dos Clérigos, patrimônio da UNESCO e um dos finalistas das 7 maravilhas de Portugal. De estrutura barroca, tem acesso [pago] à torre e ao museu. Mas como nossa estadia em Porto seria curta e a igreja, por si só, é muito bonita, o passeio já foi o suficiente.
       
      Fora da igreja, saímos da área alta da cidade ao Rio Douro, passeando pelas suas margens, com vista das pequenas casas (ornamentadas pelos azulejos portugueses), da ponte D. Luís e encontrei na região outro lugar de visita. Para variar, outra igreja: Igreja Monumental de São Francisco, de acesso pago e que não podia tirar foto (que saco!). Apesar de turistas não terem os apetrechos que o MI6 apresenta ao James Bond, percebia inúmeros turistas que estavam dando uma de agente secreto para tirar foto. Dentro da igreja existem impressionantes obras barrocas compostas por ouro (que, imagino, vindo do Brasil...).
       
      De lá, subimos a ladeira até a icônica estação São Bento, com as paredes enfeitadas com os azulejos portugueses (deu uma vontade de passear de trem, mas isso ficou para uma próxima vez). Perto da estação, fica a Sé do Porto, mas devido ao horário não seria possível conhecê-la – fora que seria mais uma igreja para conhecer no dia.
       
      Com o final da tarde, era o caso de procurar nova hospedagem. Os próximos ao centro, para variar, eram bem mais caros do que o apartamento que tinha encontrado no dia anterior. Pesquisei no celular novas hospedagens – e encontrei um hotel por 50 euros. Voltamos ao estacionamento e retiramos o veículo, após o pagamento de € 6,30 pelo período.
       
      Lembra de que percorri as ruas perto da área central, mas fora dela? Foi a sorte naquele dia. Era feriado nacional e os portugueses aproveitavam esse dia para se divertir no centro, se preparando para o Natal. E o trânsito na área estava insuportável, mas começava imediatamente após o acesso à rua de saída do estacionamento; ou seja, tinha conseguido parar próximo do centro e evitar o trânsito (no caminho de volta, via filas de carros parados semelhante em São Paulo quando chove...).
       
      Chegamos ao hotel e dessa vez consegui me esquivar do IOF do cartão de crédito – dessa vez o pagamento foi em dinheiro. O hotel tinha um convênio com estacionamento por € 5,00, mas o funcionário da hospedagem recomendava parar na rua, apesar da sinalização. Mas é melhor seguir as regras estritamente no exterior para evitar maiores prejuízos e deixamos no estacionamento.
       
      Dia 02/12 (10)
       
      O hotel não servia o pequeno almoço (o café-da-manhã), mas havia uma padaria logo à frente para isso e, novamente, tinha uma funcionária brasileira na área (mesmo morando muito tempo em Portugal, a ausência de sotaque é perceptível).
       
      De volta à estrada, fomos para a cidade de Guimarães – era por causa dela que a nossa existência, a do Brasil, a do Império Português era devida pois foi nela que Dom Afonso Henrique fundou Portugal, recebendo o título de Afonso I, primeiro rei português.
       
      Paramos o carro no estacionamento da principal atração da cidade, o Castelo de Guimarães. Apesar de pequeno perto dos outros castelos já conhecidos e um pouco destruído durante a passagem dos séculos, é muito divertido pois mostra a história de Portugal e a formação do Estado português, até de forma interativa.
       
      Próximo ao Castelo, fica outro denominado Paço dos Duques. Este castelo é de uma estrutura mais completa e ainda mais impressionante. Existem tapeçarias enormes pelo complexo que cobrem toda a parede, quartos fiéis à época medieval, além de armas e espadas da época – um ponto que me chamou a atenção é que as salas têm pé-direito alto, mas possuem (quando têm) janelas pequenas e no alto; além disso as portas e camas são perfeitas para os 7 anões da Branca de Neve (pelo jeito os homens medievais eram bem pequenos).
       
      Finalizado o passeio pelo Paço dos Duques, descemos para o centro de Guimarães que, apesar de pequena, é muito bonita, com seus traços da era medieval e da era moderna. Apesar da logística dessa viagem não permitir o pernoite na cidade, é um local que me hospedaria tranquilamente. A magia do lugar não encontrei em paralelo nenhum nem na Espanha, França, Inglaterra (que é minha paixão), Suíça ou Itália.
       
      Depois de conhecemos Guimarães (tem inclusive uma praça com placas em homenagem à fundação de Portugal – uma delas era do Sarney), era necessário irmos para a próxima cidade: Braga. Como era sábado e já tinha passado das 13 horas, era possível para na área mais central sem medo de zona azul (ou alguma multa). Na cidade, fomos ao Museu dos Biscaínhos, uma antiga casa portuguesa e seu jardim – era bem interessante como era a cozinha antiga, com o “fogão” no chão (haja coluna para abaixar e levantar...). De lá, andamos pelo centro e fomos conhecer a Sé de Braga, uma das inúmeras igrejas da área central da cidade, de acesso pago (depois de tanta igreja, nem lembro mais do que vi nela – ou, o que é mais provável, confunde com o que viu em outro lugar; mas todos os lugares vistos são bonitos, sem exceção).
       
      Queríamos comer um prato de bacalhau (afinal, estávamos em Portugal) mas o restaurante que vimos já estava fechado. A gente fica acostumado com tudo aberto em São Paulo mas não é assim que o comércio e serviços funcionam na maior parte do mundo. Restou, então, procurar a salvação dos turistas:  o fast-food. Aproveitei a internet da lanchonete para procurar hospedagem, mas depois de chegarmos ao local descobrimos que se tratava de um hostel e perguntei o preço – se tivesse um preço competitivo (e conforto), OK. A resposta: € 14,00 por pessoa com banheiro compartilhado. Ou seja, não era OK. Ora, tinha pago por pessoa em Borba € 15,00; em Nazaré € 15,00; em Porto € 11,25. Esse preço não era competitivo (e nem sei se esse valor incluía café-da-manhã). Com a versatilidade do carro nas mãos, a solução era óbvia: sair de Braga e encontrar hospedagem em outra cidade.
       
      De volta à autoestrada, agora a noite, estávamos percorrendo o trecho final da viagem em território português, já que não havia mais cidade famosa turística em Portugal a ser conhecida. E qual cidade que iria parar? Não fazia a menor ideia, mas a dificuldade de encontrar hospedagem no primeiro dia de viagem na Europa mostrava que parar em cidade muito pequena não dá muito certo – fora que, se ficar muito tarde, é capaz de achar nada aberto – era uma corrida contra o tempo.
       
      Seguimos pela rodovia, cada vez mais para o norte, e cada vez mais frio: o painel do carro mostrava a temperatura externa (quando saímos de Madrid, marcava 17ºC). Em Braga, o carro marcava 8ºC. E na viagem pela rodovia, 7ºC, 6ºC, 5ºC, 4ºC... e aos 4ºC apareceu no painel o símbolo de gelo e um alerta em amarelo em espanhol – opa! Isso quer dizer o quê? Que pode ter gelo na pista? O carro não tem corrente para neve. O que ia fazer? Por óbvio, reduzi a velocidade dos 120 km/h e, por sorte, estávamos no lado de uma cidade de um tamanho considerável, Valença (não confunda com Valência, na Espanha). Coincidentemente, era justamente a última cidade portuguesa, limítrofe com a Espanha. Tinha passado o último pedágio em Portugal e entrei em um dos acessos da cidade. Como esperado, logo na entrada dessas cidades existem hospedagens para viajantes de estrada (como nós) e fui pesquisar os preços. Na Europa, percebi que quartos de hotel para 4 pessoas não são muito comuns como no Brasil – a hospedagem mais barata que encontrei só tinha quartos para 1, 2 ou 3 pessoas – mesmo pegando 2 quartos para nós quatro, o custo saiu a € 16,00 por pessoa com café-da-manhã. Problema da hospedagem resolvido. Mas e do carro? Mostrei aos funcionários do hotel (e, adivinha, um era brasileiro...) uma foto do painel do carro mostrando o alerta. Não era para se preocupar. Era apenas um alerta sobre eventual diminuição da pressão do ar nos pneus decorrente da queda de temperatura (depois perguntei ainda para o perito da família que confirmou que não teria problemas). Para completar a boa sorte na viagem, vi num jornal na hospedagem que o outono daquele ano estava sendo o mais seco nos últimos 50 anos na Península Ibérica – ruim para muitos, bom para turistas.
       
      Tranquilizado acerca do carro e tendo encontrado uma hospedagem confortável e barata, acabava enfim a viagem por Portugal. Vários meses de pesquisa e planejamento condensados em dias que ficarão para sempre na memória (e nesse blog).
       
      Dia 03/12 (11)
       
      Esse dia seria o oposto ao dia 24/11, já que teria 23 horas, decorrente da diferença de fuso entre Espanha e Portugal. No fim, foi fundamental ter saído de Braga na noite anterior e a hospedagem servir um café-da-manhã mais cedo do que a maioria para que pudéssemos realizar o passeio no dia a tempo, já que esta fechava até às 17 horas, como é de praxe no inverno europeu.
       
      Saímos da hospedagem e iniciamos o trecho de carro que seria o maior da viagem. Só que o para-brisa começou a embaçar, decorrente do frio de 2ºC daquela manhã. Mas isso não é novidade; todos os anos tem de acionar o desembaçador do carro durante o inverno (ou com chuva no forte no verão) em São Paulo. Pois bem, acionei o desembaçador... e nada mudou. O para-brisa estava cada vez mais embaçado e mal conseguia enxergar as placas na rodovia (até perdi o acesso da rodovia para Madrid pela A-52).
       
      Fui procurar um posto para poder parar o carro, enxergar e ainda aproveitar para abastecer (lembra que o preço do combustível na Espanha é mais barato do que em Portugal?). No posto pedi ajuda para conseguir limpar o para-brisa, só que só conseguia pensar em frases em inglês (clean the glass...). Mesmo assim, conseguiram entender e me mostraram a mágica: bastava ligar o desembaçador e o ar-quente. Viajar tem disso: passar por “humilhação” por atos triviais que desconhecemos.
       
      Agora com o carro abastecido e para-brisa limpo, estávamos prontos para percorrer centenas de quilômetros conhecendo as paisagens das regiões Oeste e Central da Espanha, passando inclusive pela cidade de Tordesilhas (onde foi feito o tratado que dividiu o mundo em favor da Espanha e Portugal). Ainda bem que tinha descoberto que o símbolo de alerta de gelo no painel não era preocupante, pois a temperatura caía ainda mais, apesar de cada vez ser mais tarde – chegou a 0ºC. E o símbolo não aparecia só no painel – também havia placas de trânsito na rodovia com o sinal (o que era uma de minhas preocupações da viagem, já que jamais tinha dirigido na neve – aliás, nunca sequer tinha visto).
       
      Seguimos pelo corredor rodoviário A-6, sem pedágios, mantido pelo governo espanhol. Em Adanero a rodovia bifurcava em duas para a mesma direção – a N-VI e AP-6. Só que, nesse trecho, a N-VI subia por montanhas e era cheia de curvas, enquanto a AP-6 manteria a qualidade de via, mas com o pedágio equivalente (bem caro, por sinal – enquanto em São Paulo o preço chega a R$ 0,27/km, na AP-6 chegava a R$ 1,00/km, com base no euro a 4,01 reais). Mas com carro alugado a economia resultante de usar vias mais perigosas é o que se pode definir de “economia porca” ou o “barato que sai caro” – melhor usar a via mais segura e deixar a outra para locais.
       
      O trajeto pela rodovia começava a subir as montanhas e somente ali percebemos que as “pedras” (ou “sal”) que vimos em outros pontos na lateral da rodovia desde a saída de Portugal tratava-se, na realidade, da neve que retiraram da estrada e jogaram para o lado. Jamais tinha visto e não é muito usual encontrar neve no começo de dezembro no caminho realizado pela viagem. Foi um bônus e tanto.
       
      Mas o melhor estaria por vir.
       
      A rodovia entrou num vale, na área da cidade de El Espinar. TODO forrado de neve, cercada por altas montanhas, com a rodovia serpenteando pelo vale, ao som de I Say A Little Prayer (dá para perceber que foi inesquecível). Uma das mais lindas paisagens que vi na vida, até reduzi a velocidade do carro para poder apreciar, mas não tinha local para estacionar – depois fui ver no Google Street View imagens do vale. Porém não estava tão bonita como eu tinha visto – acho que era a neve que fazia o lugar virar um espetáculo.
       
      Depois de alcançar o fundo do vale, a rodovia voltava a subir para furar uma das montanhas rumo à Madrid – mas nossa parada estava logo após a saída do túnel. Depois de ter pago o pedágio – dessa vez sem necessidade de pegar qualquer bilhete – cruzamos o túnel e saímos da rodovia para ir ao Valle de Los Caídos, onde fica a basílica de mesmo nome – criação decorrente da Guerra Civil Espanhola, estava no noticiário atual pois Francisco Franco estava enterrado na abadia. Alguns críticos alegavam que admiradores de Franco faziam peregrinação ao local em homenagem ao ex-líder da Espanha. Mas não fomos lá por peregrinação, e sim visitar como turistas o local.
       
      O local é um espetáculo. Apesar de ser uma obra moderna e com poucas peças de arte, do século XX, sua enorme estrutura e perfeitas estátuas traziam ao ambiente uma aparência de grandiosidade e respeito incomparável, sacramentada pela cruz de 150 metros! E, no nosso caso específico, a neve tinha chegado lá, conseguindo deixar o lugar mais perfeito ainda (reconheço, é um lugar que voltaria – com ou sem neve).
       
      Próximo ao vale, fica o Mosteiro de El Escorial, mas era tarde demais – já estaria fechando. Fora do vale, voltamos pela A-6, rumo à Toledo, que outrora foi capital de um dos reinos que agora pertencem ao Reino da Espanha. Acessamos o anel viário de Madrid (a M-40) e chamou a atenção o tamanho da Lua (percebi que aquelas imagens da Lua bem grande que aparecem nos jornais é vista no hemisfério norte. Jamais tinha visto daquele tamanho em São Paulo).
       
      Na M-40, aparecia o acesso à Toledo pela AP-41. Só que sabia que essa era a via mais moderna e pedagiada, criada para desafogar a via mais antiga, a A-42 ou Autovia de Toledo – de qualidade um pouco inferior, porém tranquila de dirigir (e pela quantidade de carros que haviam nela, não era só eu que queria economizar o dinheiro do pedágio).
       
      Depois de passar num supermercado na periferia de Madrid num dos acessos da A-42, chegamos à Toledo. Como a cidade é extremamente turística, a disponibilidade de leitos é enorme, mas parte deles é na parte histórica da cidade, inacessível de carro (fora que os que tinha visto eram meio caros...).
       
      Fomos procurar hospedagem na área mais moderna e encontramos um hostal (pensão em espanhol, que não vejo diferença prática para um hotel) no limite da entrada da cidade. Além de ter um bom preço (€ 55), ainda podia deixar o carro na frente da hospedagem sem custos – como a cidade é muito turística, várias ruas têm zona verde (o equivalente a zona azul daqui); mas o hostal ficava exatamente no limite fora da zona verde (existem outros estacionamentos livres em Toledo, mas de deixar na frente da hospedagem é mais difícil). Como percebi que o preço do hostal estava bom e sem custos para o veículo, fiz 2 diárias – menos uma hospedagem para procurar no dia seguinte e se preocupar (me surpreendeu que o funcionário do hotel conseguia falar menos inglês do que eu). Agora, restava preparar a comida que fora comprada no supermercado.
       
      Dia 04/12 (12)
       
      Era o dia disponibilizado integralmente à Toledo. Fora do hotel, saímos rumo à área antiga da cidade e aproveitamos para tomar um café-da-manhã numa padaria fora da área turística. A despeito do termômetro marcando -3ºC, estava tranquilo andar nas ruas – exceto do frio que subia pelo tênis em alguns lugares sombreados. Não é preciso se preocupar muito com um guia para andar pela cidade pois as hospedagens oferecem gratuitamente um mapa com as atrações.
       
      Toledo se assemelha a Veneza em alguns pontos: o melhor ato para um turista em ambas as cidades é se perder por suas ruelas (ou canais, no caso de Veneza); o preço de alguns bens ou serviços podem ser demasiadamente caros; existem inúmeros golpistas ou outros que só querem arrancar dinheiro de turistas. Só que isso só descobri após ter conhecido as 2 cidades e ter adquirido um pouco da experiência. Mas experiência a gente só ganha... experimentando.
       
      Estávamos na Plaza Zocodover vendo o mapa para encontrar o caminho para a próxima atração, quando um homem se aproximou, puxou um papo para fazer aquela amizade e indicou um local para que conhecêssemos, e ele se ofereceu como guia para mostrar o caminho – faltou malícia da nossa parte; só faltava ele cobrar por isso ou ser um assalto. Felizmente, o local era só uma loja de venda de joias em ouro (Toledo é famosa pela produção de espadas e trabalhos com ouro). Mas o homem não devia ser bom para reconhecer potenciais clientes – se conhece esse blog, capaz de passar bem longe da gente.
       
      Por sorte, apesar da perda de alguns minutos com esse “passeio” o qual não queríamos, voltamos para o foco que era conhecer a cidade. A mistura de arquitetura romana, sarracena e medieval torna a cidade uma visita obrigatória. Pesquisávamos no guia uma atração que achássemos interessante (fora os que eu tinha visto ainda no Brasil) e, assim, fomos à Puenta de Alcántara e Puenta San Martín, que permitem a travessia do Rio Tajo (isso mesmo, o rio Tejo de Lisboa passa por Toledo com a “mudança de letra”), andamos pelas muralhas da cidade e fomos para a primeira atração paga do dia: a Sinagoga de Santa Maria de La Blanca. Era a chance de conhecer uma sinagoga e ainda por cima, secular. Nos perdemos mais um pouco e chegamos ao Monasterio de San Juan de Los Reyes, que lembrava outros prédios antigos vistos em Portugal, mas não deixava de ser muito interessante – cada local de sua beleza intrínseca que não dá para comparar. Existem outras atrações na cidade, inclusive de graça, como as Cuevas de Hércules (mas estavam fechados no dia).
       
      Posteriormente, fomos à Iglesia de Santo Tomé, no qual pagamos € 3,00 cada um para ver a igreja e ver UMA pintura de El Greco (essa igreja foi cara... 48 reais para ver um quadro!! Tudo bem que é uma obra-prima de El Greco, mas o que não falta na Europa é obra-prima...). Caímos na pegadinha de passeio caro em Toledo.
       
      Depois da furada de pagar pelo “passeio relâmpago” (acho que não durou nem 5 minutos), ficamos mais reticentes em pagar pelas atrações e fomos em outras igrejas da cidade que possuíam acesso gratuito – e o que é pior, eram ainda maiores que a de Santo Tomé.
       
      Em Toledo, existe uma pulseira turística que permite acessar até 7 atrações da promoção por € 10,00. Contudo, repare que fomos somente a 3 atrações dessa promoção, a um custo total de € 9,00. Depois da experiência com o Lisboacard em Portugal, considerei que esse tipo de “ganho” podia não ser muito vantagem para nós. Pode até ser que você vá nas 7 atrações, mas que garante? Para turistas de primeiro, segundo e até terceira viagem é melhor ir com calma na compra de combos de ingressos. Essas “facilidades” podem custar caro...
       
      A tarde avançava e era preciso comer – mas todos os lugares que via o preço era de, pelo menos, € 10,00. Sabendo do preço que tínhamos pago pelo almoço em Porto (€ 3,00, lembra?), sabia que era preços para turistas. O que fazer? Solução: fast-food (não tem jeito. Para não gastar horrores com comida, vá no supermercado e leve comida na mochila e/ou vá no fast-food).
       
      Tem ainda a Catedral de Toledo, mas consideramos caro o acesso de € 10,00 por pessoa. Ora, tínhamos visto já muito mais igrejas durante a viagem e eram bem mais baratas (fora a raiva de ter pago € 3,00 para ver somente UM quadro). Pode ser que valesse a pena. Mas o que não falta na Europa é igreja e o melhor para “turistar” em Toledo é conhecer a cidade se perdendo por suas vielas.
       
      Depois de andar mais um pouco pelas ruas e vielas, o cansaço bateu – e a tarde já estava acabando. De volta ao hostal, fui pesquisar a hospedagem para o dia seguinte em Madrid. Apareceu um hotel por 140. Euros? Não, reais! (Era por € 32,00 para 4 pessoas).
       
      Dia 05/12 (13)
       
      Como tinha encontrado a hospedagem que ficava próxima ao centro de Madrid, o carro não seria mais necessário (apesar da reserva ser até o dia 06) e deveria devolvê-lo à locadora no aeroporto.
       
      Depois de tomar o café-da-manhã no hostal (não se iluda, não é barato – mas foi mais proveitoso do que pagar para ver UM quadro do El Greco), entrarmos no veículo para percorrer o trecho final rodoviário pelas A-42 e M-40 até o Aeroporto de Madrid-Barajas. Queria aproveitar a conveniência do carro e fomos ao supermercado que ficava próximo à M-40 (que era o supermercado que tinha planejado para ir na chegada à Europa), aproveitando que tínhamos espaço nas malas para despachar – geralmente esses supermercados na periferia são maiores e mais baratos do que os na área central da cidade.
       
      Fora do supermercado, tinha visto ainda no hostal onde era o último posto de combustível antes do aeroporto pelo Google Maps para minimizar eventual pagamento para completar combustível. De volta ao estacionamento da locadora no aeroporto, a funcionária apareceu e perguntou se queria que a vistoria fosse feita depois ou na minha presença. Pedi, óbvio, para fazer na hora (vai saber o que podiam alegar depois?). A funcionária olhou a lateral do carro, o ponteiro do combustível, mais 1 minuto e acabou. Eles me mandaram o comprovante de forma eletrônica por e-mail, simples assim. Bastava devolver a chave no guichê da locadora – e esperar alguma cobrança no cartão de crédito pela locadora por multa de trânsito ou outro motivo; mas considerando o intervalo entre a realização da viagem e a construção desse blog sem nenhuma “novidade”, devo considerar que o resultado da minha experiência ao volante pela União Europeia foi um sucesso.
       
      Encerrado o assunto do carro, fomos à estação de metrô do aeroporto. Assim como em Lisboa, tinha cometido o erro de não ter estudado direito o sistema de transporte público em Madrid – por sorte, fica um atendente do metrô para auxiliar os perdidos que saíram do avião para comprar o bilhete e, inclusive, mostrou a opção que era a mais barata para nós (mas isso não é motivo para não se preocupar. Entender e estudar o sistema de transporte no exterior é obrigatório).
       
      Embarcamos no metrô e descemos na estação Alonso Martinez. Tinha recebido a mensagem com o código para liberar a entrada e chegamos no hall do hotel. Sabe aqueles ambientes típicos de mafiosos, de salas de madeira escura e sofá preto? Era esse a imagem do hotel. Procuramos o atendente... cadê o atendente? O hotel era todo eletrônico, tinha de falar por um comunicador, como se fosse uma ligação por telefone – só que não em português. Haja paciência do atendente. Vai uns bons minutos até conseguirmos o código para o quarto e wi-fi.
       
      Resolvida a questão com Dom Corleone, deixamos as malas no quarto e mexemos no termostato para deixar o quarto mais quente. Como o hotel ficava próximo do centro histórico, não havia necessidade de pegar metrô – e lá fomos pelas ruas madrilenas até chegarmos até a região da Puerta del Sol, umas das praças mais famosas da capital espanhola. De lá, como não podia ser diferente, compramos churros (não, não era o Seu Madruga que estava vendendo) e chegamos ao Palácio Real de Madrid. É o maior palácio real da Europa. E estava com uma baita fila que não andava. Para não ficar parado em fila errada, fui ver o porquê. Era fila das pessoas que aguardavam o horário para entrada gratuita. Considerando o custo na época de € 10,00 por pessoa, valia muito a pena (tinha esquecido dessa entrada gratuita, já que são muitos detalhes para analisar para fazer a viagem – mas entrada gratuita pode ser furada, em casos de atrações que tenham atratividade excepcionais, como o Musée du Louvre ou Coliseu).
       
      Dentro do palácio não era permitido tirar foto – uma pena, pois descobri que eu amo passear pelas luxuosas salas reais. A opulência das salas, das paredes, das cadeiras, dos lustres, das mesas, das camas, dos vasos, do piso, dos carpetes, das cortinas, dos móveis, de TUDO é sem palavras. Ali era o retrato no século XX das monarquias absolutistas europeias, a mais pura ostentação. Se foi certo ou errado à época, não cabe a minha avaliação. Mas é lindo demais poder ver.
       
      Feito o passeio pelo palácio (e economizado pela entrada gratuita), fomos à Catedral de La Amuldena, que fica ao lado do palácio real. De entrada franca, é a principal igreja de Madrid – e mais uma para conhecermos e aproveitar para descansar.
       
      Fora da igreja, dirigimo-nos até a Plaza de España onde fica o monumento a Cervantes (mas estava em obras...). Dessa praça começa a Gran Vía, principal avenida de Madrid (uma versão da Avenida Paulista). Percorremos a avenida com dificuldade pelo excesso de pessoas até encontrar uma lanchonete. A área da avenida é composta por diversas lojas de departamento, como a famosa El Corte Inglês. Porém tinha um ponto da avenida que tinha um enxame de pessoas; depois percebemos que era justamente a loja que minha irmã [e vários brasileiros] procuram: Primark, loja de departamento realmente muito barata. E é na Gran Vía que fica a segunda maior loja do grupo no mundo, então já dá para imaginar o mar de pessoas que estavam no lugar (confesso que não conhecia a loja – e nem sua fama; mas vale a pena para roupas de inverno, mesmo com o euro a 6 reais).
       
      De volta ao hotel, abrimos a porta do quarto e fomos cobertos por uma lufada de ar quente – regulamos mal o termostato e o quarto ficou quente demais. Mesmo abrindo a janela e dormindo só com lençol, o quarto não esfriava – lição de viagem: não mexa em termostato que não conheça.
       
      Dia 06/12 (14) e 07/12 (15)
       
      Num dos documentos que tinha visto para dirigir pela Espanha, descobri que o dia 06/12 era feriado no país – e que alguns museus tinham entrada gratuita. Infelizmente, não era o caso do Museo Nacional del Prado, mas o Museo Nacional Reina Sofía sim.
       
      Com o termostato do quarto regularizado, deixamos nossas malas no hotel (tinha conseguido perguntar ao Dom Corleone pelo whatsapp se podia deixar as malas) e saímos pela cidade até o museu. Como é o caso de conhecer a cidade, não faz muito sentido pegar o metrô e fomos a pé, tendo em vista a conveniência do feriado, pois a cidade estava vazia [nesse horário]. Voltamos à Gran Vía, mas dessa vez fomos no sentido oposto ao palácio real e passamos pelo Edifício Metrópolis (“marca registrada” de Madrid) e chegamos à Puerta de Alcalá (versão espanhola do Arco do Triunfo). Seguimos pela Calle del Alfonso XII e chegamos ao Reina Sofía.
       
      É um museu de obras espanholas de artistas do século XX, mas descobrimos que a nossa preferência é por obras mais “clássicas”. Existem várias obras modernas que não nos encantava como as obras renascentistas que vimos na Itália – tinha até um quadro do Miró que apelidamos jocosamente de O Sapatinho de Miró, que era simplesmente um quadro com um sapato pintado [e o nome de seu pintor]. No museu fica a célebre obra Guernica, de Pablo Picasso. O quadro era vigiado por 2 seguranças e é enorme – porém não pagaria € 10,00 para ir ao museu. Pode ser que, para quem aprecia as várias artes, seja interessante – mas para um leigo como eu, o Palácio Real de Madrid foi bem mais interessante.
       
      Fora do museu, fomos tomar o café-da-manhã – e aproveitar para pegar o wi-fi na lanchonete. De lá, fomos para o Parque de El Retiro, um gigantesco parque urbano criado no século XVII para atender a nobreza espanhola e que agora serve à população e estrangeiros – possui, entre outros, o Palácio de Cristal, Palácio de Velázquez e o Monumento a Alfonso XII (para nós foi mais divertido ir ao parque do que o museu – questão de gosto).
       
      Do parque, voltamos para Gran Vía – havia mais produtos para conhecer na Primark. Só que o vazio da cidade na manhã foi trocado à tarde – a região estava lotada, e a loja muito mais. Depois de passear pela área, fomos numa pizzaria e escolhi pizza mediterrânea, composta por nozes (mesmo na Itália não encontrei essa pizza – recomendo muito).
       
      Voltamos ao hotel para pegar nossas malas até o prazo estipulado para retirada (19 hs). Embarcamos no metrô e voltamos ao aeroporto. Nosso voo era às 8 da manhã do dia seguinte, mas teríamos que nos apresentar à companhia aérea para despachar as malas pelo menos às 6 da manhã. Ora, mesmo escolhendo um hotel próximo ao aeroporto (que é difícil de encontrar barato), teríamos a preocupação em não perder o voo e, provavelmente, dormiríamos mal. Além disso, devido ao horário, seríamos obrigados a pegar táxi, aumentando o custo. Por isso, escolhemos dormir no aeroporto. Esse caso possibilitaria economizar na hospedagem e evitaria preocupação de perder o voo. Desconfortável? Óbvio que é. No entanto, a quantidade de pessoas que também foram dormir no aeroporto (um inclusive colocou um colchão para dormir) mostrava que não a ideia não era exclusiva.
       
      Dormir em aeroporto é tão comum que até existe um site (https://www.sleepinginairports.net/) para auxiliar os dorminhocos. Considero que existem uns pontos a serem ressalvados, como procurar dormir em grupo; deixar todo o dinheiro e passaporte dentro da pochete (evitar deixar nos bolsos); ter mais cuidado em aeroportos de países subdesenvolvidos. Como é uma ação muito cansativa, é melhor fazer quando pega o voo de regresso, já que o cansaço pode afetar a viagem – ou ter o risco de perder um dia inteiro no país de destino para se recompor.
       
      Chegando no aeroporto, era o caso de “passear” pelo complexo para esperar o tempo passar e aguardar até as 6 da manhã. Lógico que dormirmos mal, e perto das 6 fomos ao guichê da companhia aérea – e já tinha uma fila enorme. Apesar do voo ser diurno, o cansaço e a noite mal dormida ajudou em conseguir dormir na aeronave.
       
      A bafo de ar quente da primavera que veio no rosto quando saímos do avião conclamava: estava de volta. Fim de viagem. Mas fica aquele gostinho de quero mais...
       
    • Por Jonatas Elias
      Relato da viagem pela França
       
      Relato da viagem pela Itália
       
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