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Introdução

Fala galera!
No fim de 2018 fiz uma viagem incrível pela África do Sul que contou inclusive com a companhia do grande parceiro Fabiano que conheci aqui no Mochileiros!
Se alguém tiver alguma dúvida, sinta-se a vontade pra perguntar abaixo e evitem mensagens privadas ou e-mail já que a sua dúvida pode ser a mesma de outras pessoas aqui no fórum!

Roteiro Resumido

1 dia na Rota Panorâmica
3 dias de Safári no Kruger
9 dias na Garden Route
5 dias na Cidade do Cabo

Roteiro Detalhado

15/11/2018 - Voo São Paulo > Joanesburgo
16/11/2018 - Joanesburgo > Sabie
17/11/2018 - Sabie > Graskop
18/11/2018 - Graskop > Lower Sabie Rest Camp 
19/11/2018 - Lower Sabie Rest Camp > Crocodile Bridge Rest Camp
20/11/2018 - Crocodile Bridge Rest Camp > Marloth Park

21/11/2018 - Marloth Park > Joanesburgo > Port Elizabeth > Jeffrey's Bay
22/11/2018 - Jeffrey's Bay
23/11/2018 - Jeffrey's Bay > Stormsrivier
24/11/2018 - Stormsrivier > Plettenberg
25/11/2018 - Plettenberg
26/11/2018 - Plettenberg > Mossel Bay
27/11/2018 - Mossel Bay
28/11/2018 - Mossel Bay > Hermanus
29/11/2018 - Hermanus
30/11/2018 - Hermanus > Cidade do Cabo

01/12/2018 - Cidade do Cabo
02/12/2018 - Cidade do Cabo
03/12/2018 - Cidade do Cabo
04/12/2018 - Cidade do Cabo
05/12/2018 - Cidade do Cabo > Joanesburgo

06/12/2018 - Joanesburgo > São Paulo

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Rota Panorâmica + Safári no Kruger

16/11/2018 - Joanesburgo > Sabie (350 km 🚗) 

Nosso voo da LATAM saiu no dia 15/11 por volta das 18h e chegamos no aeroporto de Joanesburgo pouco depois das 8h da manhã.

No aeroporto mesmo fizemos o câmbio dos dólares para rand já que a ideia era sair do aeroporto direto para a região do Kruger sem passar pela cidade de Joanesburgo.

Antes de sair também passamos numa loja da vodacom para comprar um chip com plano de dados de internet para o celular. Isso foi super importante visto que alugamos carro durante toda a viagem.

Finalmente fomos até a área de locação de carro para pegar nosso carro na AVIS e já havia passado das 10h quando partimos finalmente em direção a Sabie.

Antes de chegar em Sabie, apenas fizemos uma parada no Posto ALZU que fica no meio do caminho para comer algo e dar uma descansada. Aliás, esse posto tem uma estrutura bem legal e um espaço com alguns animais que já servem de aperitivo do Kruger.

Chegamos em Sabie depois das 15h e apenas tomamos banho, descansamos, jantamos e fomos dormir pois o dia tinha sido longo e precisávamos descansar depois de voo + carro + fuso.


Aluguel de carro AVIS (6 diárias em carro categoria A e câmbio manual): US$75 (US$ 37,50 por pessoa)
Pousada Kusha Two (Quarto privativo com 2 camas): 600 rand (300 rand por pessoa)

17/11/2018 - Sabie > Graskop (Rota Panorâmica) (150 km 🚗) 

Na região de Sabie existem várias cachoeiras, mas infelizmente acabamos não tendo tempo para visitá-las. Até tínhamos a intenção de conhecer algumas na tarde do dia anterior, mas acabamos chegando em Sabie mais tarde do que o previsto.

Dessa forma, nesse dia saímos cedo para de fato começar a viagem com um dia totalmente dedicado para as atrações da Rota Panorâmica.

Saindo de Sabie, nossa primeira parada foi na Mac Mac Falls. No entanto, acabamos pulando esse lugar pois chegamos umas 8h30 e o início do horário de visitação seria apenas às 9h00.

Seguimos caminho e paramos em diversos pontos ao longo do dia seguindo a ordem abaixo:

  • The Pinnacle
  • God's Window
  • Wonder View
  • Lisbon Falls
  • Berlin Falls
  • Bourke’s Luck Potholes
  • Lowveld View
  • 3 Rondavels

Várias dessas paradas cobram um valor para visitação. Os locais onde ficamos mais tempo foram as cachoeiras Lisboa e Berlim, o Bourke’s Luck Potholes (onde também paramos pra comer) e o 3 Rondavels (onde ficamos para o pôr do sol).

Depois da última parada, voltamos de carro até a cidade de Graskop onde ficamos num hostel apenas para passar a noite antes de ir para o Kruger.


Hostel Sheri's Lodge & Backpackers (quarto compartilhado com 12 camas): 128 rand por pessoa

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Berlin Falls

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Bourke’s Luck Potholes

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Blyde River Canyon

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Three Rondavels
 

18/11/2018 - Graskop > Lower Sabie Rest Camp (170 km 🚗) 

Esse dia acordamos bem cedo já que o portão do Kruger abriria às 5h30 e queríamos aproveitar ao máximo nosso primeiro dia de safári.

De Graskop até a entrada Phabeni Gate seria uns 50 km de estrada que levamos quase 1 hora para percorrer. Chegamos na portaria pouco depois das 6h da manhã e já havia uma fila de carros para fazer o check-in no local. Mostramos nossas reservas e fizemos o pagamento da entrada do Kruger e assim iniciamos nosso sáfari oficialmente!

Logo no começo já vimos vários impalas e é aquela euforia inicial. Mal sabíamos que mais pra frente nossa reação ao ver um impala seria a mesma que a de ver um cachorro vira-lata nas ruas das cidades brasileiras. 😂

Estávamos na estrada S1 e decidimos pegar uma bifurcação à esquerda e pegar a Sabie River Road. Mal começamos o caminho e já vimos algumas girafas distante. Pouco tempo depois tivemos a incrível sorte de ver um rinoceronte bem ao longe caminhando em nossa direção, assim decidimos parar o carro e o rinocerante praticamente veio dar um oi pra gente! Grande início de safári!

Seguimos dirigindo em direção ao acampamento mais famoso do Kruger: o Skukuza. Paramos lá para dar uma esticada nas pernas, ir ao banheiro e comer algo e depois seguimos na estrada com maior concentração de animais do Kruger: Skukuza - Lower Sabie Road. Nessa estrada vimos diversos animais como girafas, elefantes, búfalos, hipopótamos num lago e etc.

Chegamos no acampamento Lower Sabie ainda cedo e decidimos almoçar já que o dia havia começado ao som das galinhas para gente. Depois do almoço fizemos o check-in e fomos para nosso quarto descansar um pouco antes de partir para uma segunda volta no Kruger.

Por volta das 16h saímos novamente e decidimos pegar uma estrada nas proximidades do Lower Sabie onde vimos principalmente girafas e zebras. Chegamos a Lower Sabie por volta das 18h e como tínhamos ainda mais 30 minutos antes de fechar os portões, decidimos pegar a estrada em direção a Skukuza e tivemos a incrível sorte de ver vários leões em plena estrada! Ficamos ali uns 10 minutos pelo menos admirando esses bichões e agradecendo a sorte que tivemos antes de voltar ao acampamento. Chegamos ainda uns 10 minutos depois do horário permitido, mas não houve problemas (talvez pelo fato de termos chegado junto com outros vários carros que ficaram vendo os leões na estrada)

Entrada no Kruger: 372 rand por pessoa
Lower Sabie Rest Camp (EH2 Hut com 2 camas): 664 rand (332 rand por pessoa)

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Os onipresentes impalas

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Primeiro dos Big Five no Kruger: Rinoceronte

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Girafa! Não é Big Five mas quem não curte vê-las né?

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E aos 48 do segundo do tempo, uns leões aparecem em plena estrada do Kruger!

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O rei da selva separado de mim apenas por uma porta/janela do carro!
 

19/11/2018 - Lower Sabie Rest Camp > Crocodile Bridge Rest Camp (170 km 🚗) 

Nesse dia acordamos bem cedo novamente pois havíamos reservado um safári ao amanhecer num carro com guia diretamente no Kruger (conhecido como sunrise game drive). Fizemos isso pois queríamos ter pelo menos uma experiência de safári com um carro mais alto e com guia.

No geral, o game drive foi bem sem graça pois não vimos muitos animais e nada muito diferente do que já tínhamos visto fazendo o self drive com nosso carro alugado. No entanto, quase no fim do game drive tivemos mais um momento de sorte: avistamos um guepardo (cheetah) e começamos a observá-lo. De repente, notamos que na verdade havia vários guepardos caçando um animal que parecia uma lebre ou um bebê impala! Momento Animal Planet ao vivo e a cores! A sensação que tivemos foi que era um treinamento de caça de jovens guepardos com a orientação do pai/mãe!

Depois voltamos para o nosso quarto no acampamento e descansamos mais um pouco antes de sair novamente para mais um self drive. Dessa vez pegamos a estrada S82 e nos embrenhamos dentro de várias estradas menos famosas no interior do Kruger na direção oeste. Nesse dia vimos muitos elefantes e girafas e em determinado momento vimos uma aglomeração de carros (o que é sempre um bom sinal!) e então descobrimos o motivo: um leopardo estava no meio da mata! Ficamos um tempo por lá torcendo para o leopardo se aproximar mas ele tava bem de boa no lugar dele e então seguimos caminho.

Pegamos diversas estradas e fomos até o acampamento Berg en Dal. Depois voltamos pela Crocodile River Road em direção ao nosso acampamento e avistamos mais um leopardo com seu filhote bem ao longe, também vimos búfalos, girafas, elefantes e rinocerontes entre muitos outros animais.

Chegamos no acampamento Crocodile River e fizemos o check-in após mais um longo dia de safári dentro do Kruger. Ainda tivemos a força de vontade de sair com o carro da área do Kruger até Komatipoort (cidade nas proximidades do Crocodile River mas fora da área do Kruger) para jantar e abastecer o carro e então voltamos para nossa cabana as margens do rio.


Entrada no Kruger: 372 rand por pessoa
Crocodile River Rest Camp (CTT2 Safari Tent com 2 camas): 664 rand (332 rand por pessoa)

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Guepardos em ação

Vídeo do treinamento de caça dos guepardos

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Elefanta com seu bebê elefantinho 😃

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Elefantes por toda parte no Kruger

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Onde está Wally? Foi de longe, mas consegui ver o mais difícil dos Big Five: Leopardo!
 

20/11/2018 - Crocodile Bridge Rest Camp > Marloth Park (220 km 🚗) 

Esse dia foi o que menos vimos animais, mas mesmo assim vimos vários elefantes, girafas e zebras! Também vimos alguns leões bem distantes entre outros animais.

Saímos do acampamento Crocodile River e pegamos a estrada S28 até as proximidades do acampamento Lower Sabie e então pegamos a estrada H10. Depois ainda seguimos mais um pouco ao norte, passando pelo Tshokwane Picnic Site e então pegamos um desvio à esquerda para pegar a S33 e depois a S36. Voltando em direção sul, pegamos a H1-2 e por fim a H4-1 de caminho de volta ao acampamento Lower Sabie onde decidimos parar para almoçar.

Depois do almoço, seguimos em direção a saída do Kruger pelo portão do acampamento Crocodile River e fomos em direção a Marloth Park onde passaríamos nossa última noite na região do Parque Nacional Kruger.

Em Marloth Park depois ainda saímos para jantar em um restaurante na região e depois logo voltamos ao hostel para descansar já que no próximo dia teríamos que acordar cedo para pegar estrada em direção a Joanesburgo.


Hostel HomeBase Kruger (quarto compartilhado de 8 camas): 200 rand por pessoa

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Zebras dando um passeio no parque...

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Várias zebras no laguinho...

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Cuidado! Girafa na pista!

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Girafas dando um rolêzinho...

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Mirante Nkumbe: nesse lugar pode sair do carro (mas quem disse que os animais respeitam as placas 🤨)
 

21/11/2018 - Marloth Park > Joanesburgo (420 km 🚗) 

Esse dia seria apenas para deslocamento.

Acordamos cedo, tomamos um café da manhã oferecido pelo hostel e pegamos nosso carro em direção ao aeroporto de Joanesburgo. Foram quase 6h de carro para ir de Marloth Park até o aeroporto!

No caminho, paramos novamente no posto ALZU e depois seguimos viagem. Chegamos no aeroporto pouco depois das 13h e então devolvemos o carro sem quaisquer dificuldades e fomos comer algo no aeroporto enquanto esperávamos nosso voo para Port Elizabeth que saiu às 16h45.
 

Voo FlySafair de Joanesburgo para Port Elizabeth: 850 rand por pessoa (incluindo 1 bagagem despachada)

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Garden Route

21/11/2018 - Joanesburgo > Port Elizabeth (1000 km ✈️) + Port Elizabeth > Jeffrey's Bay (90 km 🚗)

O voo de Joanesburgo para Port Elizabeth foi tranquilo e em torno de 1h já pousamos no aeroporto. Saímos do desembarque e já fomos na locadora pegar nosso carro na First Car Rental e já pegamos a estrada com destino a Jeffrey's Bay onde chegamos pouco antes das 20h.

Aluguel de carro First Car Rental (14 diárias em carro categoria A e câmbio manual): US$163 + 1140 rand de taxa de devolução (já que entregamos o carro na Cidade do Cabo)
Hostel African Ubuntu Backpackers (quarto privativo com 2 camas): 190 rand por pessoa
 

22/11/2018 - Jeffrey's Bay > Cape St Francis > Jeffrey's Bay (70 km 🚗)

O dia começou frio e bastante nublado. Dessa forma, resolvemos começar o dia visitando os outlets das famosas lojas de roupa de surfe como Billabong, Rip Curl, Element, Quiksilver etc. Eu não sou muito fã de surfe e nem desse estilo de roupa, então não comprei nada. Mas confesso que também não achei os preços tão bons a ponto de querer comprar algo.

Depois demos uma passada na praia da cidade de J'Bay e também não vi nada de interessante para um turista comum. Em resumo, só recomendo Jeffrey's Bay se você curte surfar, porque a cidade em si não tem nada de interessante ao meu ver.

Dessa forma, depois do almoço resolvemos dar uma esticada até a região de Cape St. Francis que fica há uns 35 km de J'Bay. 

Cape St. Francis já é um lugar bem mais interessante. Lá tem um farol bem legal e tem uns caminhos por perto que vale a pena dar uma andada. Ficamos por ali em torno de 1h e depois voltamos e paramos num local onde tinha umas dunas de frente ao mar que também rendeu umas fotos!

Depois ainda paramos num lugar que tinha uma marina em Cape St. Francis antes de voltar para Jeffrey's Bay onde apenas demos uma caminhada na orla da praia antes de escurecer.


Hostel African Ubuntu Backpackers (quarto privativo com 2 camas): 190 rand por pessoa

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Apreciando o mar em Cape St. Francis...

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Farol de Cape St. Francis

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Dunas em Cape St. Francis
 

23/11/2018 - Jeffrey's Bay > Tsitsikamma > Stormsrivier (130 km 🚗)

Saímos cedo de Jeffrey's Bay e fomos direto para uma das principais atrações da Garden Route: o Parque Nacional Tsitsikamma.

Demoramos quase 2h para chegar até lá e nosso plano era fazer as 2 principais trilhas do Parque:

  • Trilha da Ponte Suspensa
  • Trilha da Cachoeira

Nós até gostaríamos de também fazer o passeio de caiaque, mas se a gente fizesse esse passeio, não teríamos tempo para fazer a trilha da cachoeira, então descartamos essa atividade.

O clima estava perfeito, assim iniciamos nossa caminhada em direção a ponte suspensa logo que chegamos. A trilha do ponto de início até a ponte é de aproximadamente 2 km e sem grandes dificuldades no caminho. Atravessamos a ponte e vimos que a trilha ainda tinha continuação, então seguimos caminhando até um mirante e depois voltamos todo o caminho até o ponto inicial.

Depois de um rápido descanso, já seguimos em direção a cachoeira numa trilha mais difícil já que seriam 6 km até chegar a cachoeira num caminho que é o início da famosa Otter Trail. Chegamos na cachoeira e é espetacular o cenário, com uma belíssima queda d'água que vai praticamente de encontro ao mar! Ficamos por lá pelo menos 1h descansando e curtindo o local antes de voltar.

Pegamos o carro e seguimos até o nosso hostel na cidade de Stormsrivier, que é um local perfeito para se hospedar para quem for passar um dia no Tsitsikamma já que fica a poucos quilômetros dali.


Entrada no Parque Nacional Tsitsikamma: 232 rand
Hostel Tube 'n Axe (quarto compartilhado com 14 camas): 210 rand por pessoa

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A famosa ponte suspensa no Tsitsikamma

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Vista no mirante que se encontra depois da ponte suspensa

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Curtindo o visual do Tsitsikamma National Park...

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A espetacular cachoeira do Tsitikamma. Do outro lado já é o mar!

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O visual da trilha não deixa ninguém cansado...
 

24/11/2018 - Stormsrivier > Bloukrans Bridge > Robberg Nature Reserve > Plettenberg Bay (80 km 🚗)

Saímos cedo de nosso hostel em Stormsrivier e partimos direto para a Bloukrans Bridge. Chegamos lá rapidamente já que são pouco mais de 20km de distância até o local.

Eu não sou fã desse tipo de aventura, mas o Fabiano que viajou comigo fazia questão de saltar de bungee jump, então demos uma passada lá! O Fabiano estava tão animado que foi fantasiado de Branca de Neve e claro que foi a atração do lugar! 😂

Como não fizemos reserva, tivemos que esperar bastante até o salto já que saem grupos de 15 pessoas mais ou menos a cada hora e o próximo horário já estava cheio. Portanto, já fica a dica aqui: façam a reserva pelo menos um dia antes de ir! Mais detalhes, acesse o site Face Adrenalin.

Depois seguimos em direção a nossa terceira base na Garden Route: a cidade de Plettenberg Bay. Como acabamos nos atrasando mais do que o imaginado na Bloukrans Bridge, resolvemos ir diretamente para a atração que nos motivou parar em Plett: o Robberg Nature Reserve.

A principal atividade a ser feita na reserva natural Robberg é caminhar por pelo menos 1 das 3 trilhas em loop do lugar:

  • Gap Circuit (trilha curta de 2 km)

  • Witsand Circuit (trilha intermediária de 5,5 km)

  • Point Circuit (trilha difícil de 9 km)

Claro que nós escolhemos a trilha Point Circuit!

Escolhemos fazer a opção no sentido horário e a trilha foi margeando a todo momento o mar! A paisagem é bem bonita durante todo o caminho, conseguimos ver de longe vários leões marinho aproveitando o belo dia de sol que fazia e ainda tivemos a felicidade de terminar a trilha no fim do dia e aproveitar para ver o pôr do sol. 

Como fizemos a trilha num ritmo tranquilo e ainda paramos para esperar o pôr do sol, ficamos em torno de 5h no total em Robberg Nature Reserve antes de irmos para nosso hostel.


Entrada no Robberg Nature Reserve: 50 rand
Hostel Nothando Backpackers (quarto compartilhado com 8 camas): 170 rand por pessoa

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A trilha no Robberg Nature Reserve vai sempre margeando a costa!

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Vários leões marinhos curtindo o dia de sol na praia... o fedor ia longe!

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A luz do fim do dia em Robberg estava sensacional!

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E o que falar desse pôr do sol? Fechando o dia com chave de ouro!
 

25/11/2018 - Plettenberg Bay > Harkerville > Knysna > Plettenberg Bay (70 km 🚗)

Esse dia foi reservado para as trilhas da região de Harkerville.

Nosso objetivo era fazer a Harkerville Coast Hiking Trail, mas chegando ao local fomos informado que essa trilha estava fechada e nos sugeriram fazer outra trilha: a Perdekop Nature Walk.

Ao contrário da maioria das caminhadas que fizemos, a trilha Perdekop não margeia a costa, sendo feita completamente no meio da vegetação. As indicações na trilha também são escassas e inclusive nos perdemos no começo e demoramos até encontrar o caminho certo.

Essa trilha é bastante usada também para quem curte mountain bike e no caminho havia algumas placas com indicações de circuitos diferentes para quem está de bicicleta.

Depois de percorrido os quase 10 km da trilha, pegamos o carro e seguimos para ir num mirante próximo onde fica parte do caminho da Harkerville Coast Trail. Lá ficamos pouco tempo e depois pegamos o carro e fomos até Knysna.

Em Knysna visitamos as famosas Knysna Heads mas o tempo já tinha nublado bastante e a vista já não era tão bonita. Primeiramente fomos a uns mirantes para ver do alto as Kynsna Heads e depois pegamos o carro e fomos a praia próxima onde caminhamos um pouco pela praia com suas várias formações rochosas que parecem brotar da areia e do mar.

Antes de voltar para Plettenberg, ainda jantamos em Knysna com um casal de amigos brasileiros que conhecemos durante a viagem para fechar o dia.
 

Entrada em Harkerville: 70 rand
Hostel Nothando Backpackers (quarto compartilhado com 8 camas): 170 rand por pessoa

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Em algum lugar da trilha Perdekop...

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Vista no Harkerville Viewpoint (também conhecido como Kranshoek Viewpoint)

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Praia selvagem em Knysna...

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Vista no mirante das Kynsna Heads
 

26/11/2018 - Plettenberg Bay > Cango Caves > Mossel Bay (420 km 🚗)

Esse dia tínhamos planejado ser de apenas deslocamento a Mossel Bay e ir parando em alguns pontos no caminho como nas cidades de Sedgefield e ir ao Parque Nacional em Wilderness para fazer alguma trilha.

No entanto, a previsão do tempo para o próximo dia seria de chuva por toda a região, então fizemos uma mudança de planos e tentamos adaptar o roteiro de 2 dias em apenas 1, dando maior foco na visita a Cango Caves e a estrada cênica de Swartberg Pass. Com isso, nosso deslocamento total foi bem maior que o esperado.

Primeiramente voltamos a Knysna para curtir um pouco mais a região e depois seguimos em direção a 2 mirantes na região de Wilderness:

  • Map of Africa
  • Dolphin Point

Depois seguimos caminho em direção ao interior para ir até as Cango Caves. Existem 2 tipos de visitação nessa caverna: a Heritage (tradicional) e a Adventure (nossa opção é claro!).

O passeio Adventure demora em torno de 1h30 e recomendo apenas para quem não tem claustrofobia e curte emoção. O início do passeio é igual ao passeio tradicional, no qual todos visitam as galerias principais da caverna e depois partimos para uma área específica onde é necessário passar por buracos onde mal cabem 1 pessoa, engatinhar e até rastejar por certas passagens etc. Enfim, um passeio bem legal e que recomendo para quem curte um perrengue! 😁

Saímos da caverna já bem tarde e seguimos caminho para a estrada cênica de Swartberg Pass. Essa estrada é bem bonita, apesar de ser de rípio, e o carro vai margeando sempre um abismo e se sobe até uns 1600 metros do nível do mar.

Existem vários mirantes ao longo da estrada no qual paramos para tirar fotos. Uma pena que o tempo já estava fechando e quando terminamos toda a estrada, já estava escurecendo e tivemos que voltar os quase 200 km até Mossel Bay no escuro. Além disso, não conseguimos parar para conhecer nem a cidade de Prince Albert nem a famosa Oudtshoorn.

Chegamos em Mossel Bay já tarde da noite e fomos ao nosso hostel (que na verdade é um trem que foi transformado em hospedagem). Jantamos no próprio restaurante do hostel e então fomos dormir após o dia mais cansativo da viagem.


Entrada para Adventure Tour na Cango Caves: 220 rand
Hostel Santos Express (quarto privativo de 2 camas): 210 rand por pessoa

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Dizem que isso é o mapa da África... 

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Dentro de uma das galerias da Cango Caves...

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Montanhas por todos os lados da estrada Swartberg Pass...

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Vista da Cordilheira de Swartberg desde a estrada...
 

27/11/2018 - Mossel Bay

Como previsto, esse dia acabou sendo um dia forçado de descanso já que choveu sem parar durante todo o dia.

A cidade de Mossel Bay até tem alguns museus mas nenhum deles nos interessou a ponto de querer visitá-los.

Como não tínhamos planos para esse dia, resolvemos dormir até mais tarde, tomar um café da manhã com mais calma e depois, buscando na internet, descobrimos um centro comercial/shopping na cidade e partimos para lá para passar tempo visitando algumas lojas e comendo algo.

Depois apenas voltamos pro nosso hostel trem e ficamos de boa arrumando coisas e descansando, além de torcer para que o tempo melhorasse no restante da viagem.


Hostel Santos Express (quarto privativo de 2 camas): 210 rand por pessoa


28/11/2018 - Mossel Bay > Hermanus (315 km 🚗)

Acordamos esse dia e finalmente conseguimos ver o céu azul de Mossel Bay.

Saímos após o café da manhã em direção ao farol de Cape St. Blaise já que lá seria nosso ponto inicial para os 13 km de caminhada da St. Blaise Trail.

Estacionamos nosso carro perto do farol e então partimos para a caminhada. Logo no início começou a chover e voltamos para o carro para esperar uma melhora no tempo mas depois a chuva passou e o céu limpou totalmente.

Muitas pessoas visitam o lugar para ver apenas o farol e andar um pedacinho da trilha, mas recomendo fazer toda a trilha.

A caminhada é feita quase totalmente beirando o mar e da metade pra frente também se passa por campos de golfe onde se vê gramado verdinho, mansões, carrinhos de golfe e com sorte você achará algumas bolinhas de golfe na trilha para levar de lembrança! rs

Ao terminar a caminhada em Dana Bay, pensávamos que seria fácil pedir um táxi para voltarmos ao ponto de início mas não foi tão simples ver movimento na região. Por sorte encontramos um senhor num carro e pedimos ajuda a ele para pedir um táxi e assim conseguimos retornar para nosso carro. Portanto, ao fazer a trilha, a dica é ir de táxi de Mossel Bay para Dana Bay e fazer a trilha terminando em Mossel Bay.

Quando chegamos ao carro, já pegamos estrada pois teríamos mais de 300 km até chegar no nosso último destino na Garden Route: a cidade de Hermanus.

Para não dizer que não teve emoção na estrada, quando já estávamos há menos de 100 km de nosso destino, já estava escuro e quase atropelamos um impala que resolveu passear no meio da estrada. Portanto, é sério o papo de tomar cuidado ao dirigir à noite pela África do Sul! E isso não se resume apenas na região do Kruger ou dos locais onde há safári/game reserve por lá!
 

Hostel Hermanus Backpackers (quarto privativo de 2 camas): 300 rand por pessoa

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O céu ainda estava carregado mas logo de cara já dava para ver o potencial do lugar!

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Momento de descanso durante a trilha...

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A trilha vai sempre rodeando o mar de um lado e mansões e campos de golfe a beira-mar...

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Na parte final da trilha tem um caminho para visitar essa gruta
 

29/11/2018 - Hermanus > Cabo das Agulhas > Hermanus (250 km 🚗)

Nosso plano inicial era sair de Mossel Bay e passar em Cabo das Agulhas no caminho para Hermanus. No entanto, como acabamos saindo tarde de Mossel Bay, decidimos fazer um bate-volta para o Cabo das Agulhas nesse dia.

Saímos ainda pela manhã de Hermanus e fomos para o Cabo das Agulhas com nosso carro. Levamos quase 2h para percorrer os 110 km até o Parque Nacional da Agulhas já que pegamos os últimos 30 km em estrada de rípio.

O dia estava lindo mas o vento era bem forte por lá. Visitamos o farol e subimos até o alto da torre para ter a visão do alto do lugar e é impressionante como venta forte lá em cima!

Depois fomos andando beirando o mar até o marco da divisa entre os Oceanos Índico e Atlântico para fazer e assistir as clássicas brincadeiras de metade do corpo em cada oceano! Aliás, o mar ali é de um verde esmeralda lindo que daria até vontade de mergulhar se não fosse o frio que faz ali!

Depois voltamos e pegamos nosso carro para voltar para Hermanus onde encontramos 3 amigos do Fabiano que também estavam viajando pela África do Sul e decidimos comer e depois caminhar por um trecho da Hermanus Cliff Path

Hermanus é uma cidade famosa pela possibilidade de se avistar baleias e tivemos a sorte de ver de longe uma baleia com filhote desde a praia. 

Enfim, fizemos uma boa caminhada pela praia até chegar o fim do caminho onde decidimos parar para jantar no restaurante Dutchies e também ver o pôr do sol por lá.


Hostel Hermanus Backpackers (quarto privativo de 5 camas): 240 rand por pessoa

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Farol no extremo sul da África!

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A paisagem no ponto mais ao sul do continente africano: Cabo das Agulhas

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À esquerda o Oceano Índico, á direita o Oceano Atlântico e ao centro eu! 😁

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A paisagem de mar e montanhas ao longo da Hermanus Cliff Path...

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Tem sempre uns corajosos que se jogam no mar em qualquer lugar né? rs

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E o dia terminou com esse pôr do sol em Hermanus...
 

30/11/2018 - Hermanus > Betty's Bay > Cidade do Cabo (140 km 🚗)

O último dia antes de chegar a Cidade do Cabo começou com um céu azul lindo, então decidimos visitar alguns mirantes.

Primeiro fomos no Hoy's Koppie que é um morro onde se tem uma vista 360º da cidade de Hermanus. Depois demos uma última passada na orla da praia para ver novamente de perto o mar de Hermanus e por fim seguimos a dica da dona do hostel e fomos a um mirante onde tem salto de parapente e ficamos lá um tempo vendo um rapaz se preparando e voando pelo céu de Hermanus.

Depois pegamos estrada e andamos por quase 50 km até chegar a Betty's Bay. Lá paramos no Jardim Botânico Harold Porter onde fizemos uma caminhada até uma queda d'água que não dá pra chamar de cachoeira e depois andamos por umas trilhas leves sempre tendo as montanhas de Kogelberg de pano de fundo.

Depois de um tempo no jardim botânico, decidimos ir em Stony Point, um local perto do Jardim Botânico onde é possível ver os pinguins de Magalhães, mas chegamos quando já havia fechado para visitação. Aliás, tomem cuidado com isso pois lá fecha super cedo (acho que era 15h30 o horário de encerramento). Assim, apenas conseguimos ver os pinguins de longe! 😞

Depois pegamos o carro e seguimos viagem rumo a Cidade do Cabo pela belíssima Clarence Drive (R44), uma estrada cênica que vai margeando o mar de um lado e cadeias de montanhas do outro lado! A paisagem pela estrada é tão bonita que existem vários mirantes no caminho e era difícil não parar em cada um deles!

Dessa forma, o percurso de Betty's Bay a Cidade do Cabo que era de menos de 100 km levou quase 3h para ser feito já que paramos muitas vezes pela estrada.

Chegamos na Cidade do Cabo quase ao escurecer e já vimos a diferença no trânsito depois de tantos dias andando por cidades pequenas pela Garden Route. Deixamos nosso carro estacionado na rua e fomos fazer o check-in no hostel e não fizemos nada mais de muito relevante a não ser sair por perto para comer algo antes de dormir.
 

Hostel MOY Backpackers (quarto compartilhado com 4 camas): 225 rands por pessoa

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Flores dando suas caras na primavera sul-africana em Hermanus

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Hermanus com suas montanhas, lagoa e mar visto do mirante de onde tem salto de parapente

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Deve ser legal saltar de parapente com esse visual!

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Parada para descansar no Jardim Botânico em Betty's Bay...

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Pinguins em Stony Point

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Uma das muitas paisagens de tirar o fôlego ao dirigir pela estrada cênica que liga Betty's Bay a Cidade do Cabo

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Cidade do Cabo

01/12/2018 - Cidade do Cabo (Table Mountain)

O primeiro dia na Cidade do Cabo começou bastante nublado e até pensamos em adiar a subida para a Table Mountain, mas depois resolvemos subir assim mesmo já que parecia que estava melhorando o tempo.

É possível subir a Table Mountain tanto de bondinho como a pé por uma das várias trilhas existentes. Inicialmente pensamos em subir pela trilha mais popular: a Platteklip Gorge. No entanto, recebemos a recomendação de subir usando a trilha Kasteelspoort e não poderíamos ter feito melhor escolha.

A trilha Kasteelspoort se inicia na região de Camps Bay, portanto pegamos nosso carro e fomos em direção ao ponto de início de trilha onde estacionamos o carro e começamos a caminhada de umas 2h até atingir o alto da Table Mountain.

O caminho pela Kasteelspoort é bem legal pois se tem a todo momento a vista do mar, dos 12 Apóstolos, da Lion's Head e é possível até avistar a Robben Island.

Ao chegar no topo que se tem a real percepção do grande que é a Table Mountain e da quantidade de coisas que se pode ver lá em cima! Muitos ficam restritos apenas a região mais turística onde chega o bondinho mas a Table Mountain tem muito mais a oferecer!

Inicialmente chegamos onde era a antiga estação do bondinho, depois fomos andando até onde há um reservatório de água, então pegamos outra trilha para ir até Maclear's Beacon que é o ponto mais alto da Table Mountain e por fim fomos até o local mais turístico onde está a estação atual do bondinho. Falando assim parece fácil mas foi uma caminhada longa que levamos umas 2h pelo menos!

Ficamos um bom tempo lá na parte mais turística descansando e admirando a vista lá do alto e então começamos a voltar todo o caminho. Quando estávamos descendo, tivemos a oportunidade de ver o pôr do sol e terminamos os últimos 30 min de caminhada já no escuro.

Foi um dia bem longo e cansativo mas que sem dúvida valeu muito a pena! Depois tivemos força apenas de sair perto do hostel para jantar antes de dormir!
 

Hostel MOY Backpackers (quarto compartilhado com 4 camas): 225 rands por pessoa

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Iniciando a subida para a Table Mountain pela trilha Kasteelspoort...

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Olha essa vista da Lion's Head à direita e das praias de Clifton e Camps Bay à esquerda durante a trilha!

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Aqui perto era onde chegava antigamente o bondinho! Será que deu frio na barriga ficar aí? rs

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Aqui é possível ver o bondinho, a Lion's Head, Signal Hill e até o estádio construído para a Copa do Mundo de 2010!
 

02/12/2018 - Cidade do Cabo (Hout Bay + Chapman's Peak + Boulders Beach + Cabo da Boa Esperança) (140 km 🚗)

Mais um dia de céu azul, assim decidimos fazer o passeio até o Cabo da Boa Esperança. No entanto, se engana quem pensa que esse é o único atrativo do passeio. A lista de paradas até chegar ao destino final foi grande nesse dia!

Primeiramente saímos da Cidade do Cabo e fizemos uma parada rápida em Hout Bay, uma praia mais afastada do centro da Cidade do Cabo que é famosa também por um passeio para ver focas. Como acabamos saindo mais tarde do que prevíamos do hostel, acabamos pulando esse passeio.

Depois seguimos com nosso carro para a famosa estrada Chapman's Peak. É necessário pagar um pedágio para entrar nessa estrada cênica mas vale muito a pena pois é um caminho que renderá paisagens espetaculares e ainda possui alguns mirantes no trajeto.

No fim da Chapman's Peak chegamos na praia de Noordhoek onde fizemos uma outra parada rápida em um mirante para vê-la e então seguimos caminho passando ainda pelo bonito centrinho de Simon's Town antes de paramos na nossa próxima atração: Boulders Beach.

Boulders Beach é uma praia linda que a primeira vista até parece que você se transportou para o Caribe. Mas o vento e a temperatura da água te faz lembrar que na verdade você está mesmo no extremo sul do continente africano! É tão bonito e frio que os pinguins decidiram fazer Boulders Beach sua casa.

Lá tivemos que pagar para entrar para acessar a praia e poder ver os pinguins de pertinho! Ficamos lá um bom tempo e depois seguimos caminho até o Cabo da Boa Esperança. Para entrar também é necessário pagar e lá soubemos que tínhamos um horário limite de visitação (que era bem mais cedo do que imaginávamos!) assim tivemos que nos apressar para visitar primeiro a região de Cape Point e depois pegamos o carro e fomos visitar a famosa placa do Cabo da Boa Esperança.

Depois de visitar os principais pontos, pegamos o carro e voltamos para a Cidade do Cabo. Chegamos a cogitar passar na praia de Muizenberg para ver as famosas casinhas coloridas na praia mas acabamos descartando essa parada e fomos direto para o hostel.


Pedágio Chapman's Peak: 50 rand
Entrada em Boulders Beach: 150 rand
Entrada no Cabo da Boa Esperança: 300 rand
Hostel MOY Backpackers (quarto compartilhado com 4 camas): 225 rands por pessoa

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Primeira parada do dia: Praia de Hout Bay!

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Vista das montanhas e de Hout Bay no caminho para o Cabo da Boa Esperança...

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Visual show pelo caminho na estrada Chapman's Peak...

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Caribe? Não, é Boulders Beach!

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Pinguins invadindo a praia de Boulders igual paulistas em Santos durante feriado! 😂

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Cape Point: como não lembrar das aulas sobre navegação portuguesa às Índias estando aqui?

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A clássica foto na placa do Cabo da Boa Esperança!
 

03/12/2018 - Cidade do Cabo (Waterfront e Lion's Head)

Esse dia ficamos mais tempo na cama e acabamos saindo mais tarde devido ao ritmo intenso dos últimos dias e também porque a manhã iniciou chuvosa.

Saímos do hostel e fomos encontrar nossos amigos no Victoria & Albert Waterfront. O V&A Waterfront é uma espécie de marina da Cidade do Cabo que possui também shopping, comércio de rua, lugares para comer e beber etc. É um ótimo lugar pra relaxar e ficar de boa.

Decidimos ficar lá um tempo no V&A Food Market comendo, bebendo e jogando conversa fora e depois demos uma caminhada pela área e quando era por volta das 15h/16h pegamos o carro e decidimos ir para o ponto onde inicia a caminhada para a Lion's Head.

A subida para a Lion's Head leva em torno de 1 hora e não possui grandes dificuldades com exceção de um ponto quase no final. Nós fomos no fim da tarde para lá porque todos recomendavam ir para ver o pôr do sol, mas eu gostei tanto do lugar que teria até ido antes para ficar mais tempo.

Chegando ao alto da Lion's Head é possível ter uma visão 360º da Cidade do Cabo, com destaque para a vista da cadeia de montanhas da Table Mountain que fica ainda mais linda vista de cima.

Ficamos até o pôr do sol e depois começamos a descida ainda com luz natural, precisando ligar a lanterna do celular quando já estávamos quase chegando no carro. Depois apenas voltamos pro hostel e saímos para jantar pela redondeza antes de dormir.
 

Hostel MOY Backpackers (quarto compartilhado com 4 camas): 225 rands por pessoa

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Table Mountain vista desde V&A Waterfront

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No meio da subida a Lion's Head é possível ver os 12 Apóstolos e a praia de Camps Bay 

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Table Mountain é destaque na paisagem que se vê no alto da Lion's Head!

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Do alto da Lion's Head se pode ver o bairro de Sea Point à esquerda e a Signal Hill à direita
 

04/12/2018 - Cidade do Cabo (Rota dos Vinhos - Stellenbosch e Franschhoek) (200 km 🚗)

Esse dia combinamos juntos com o casal de amigos irmos para a região dos vinhedos que fica próximo a Cidade do Cabo.

Para quem tem interesse nesse tipo de passeio, existem várias opções:

  • Constantia: um bairro/distrito da Cidade do Cabo que existem algumas vinícolas. É o melhor lugar para quem quer ter um contato com vinhos sem ir para muito longe.
  • Stellenbosch: cidade histórica e universitária, ou seja, tem muito mais a oferecer além dos vinhos.
  • Franschhoek: cidade mais afastada mas compensa a distância pelo fato de ser uma cidade menor e com um cenário mais bonito
  • Paarl: cidade maior e menos atrativa segundo relatos que li.

Como havia várias opções, decidimos ir para a cidade de Stellenbosch e lá decidir o que fazer depois.

Chegando em Stellenbosch, passamos num centro de informação turística e pedimos sugestões de vinícolas para visitar.

Nossa primeira parada foi numa pequena vinícola familiar chamada Remhoogte. Lá fizemos a degustação tradicional que contava com 6 tipos de vinhos (quer dizer, meus 3 amigos fizeram a degustação de vinho e eu fiquei numa degustação de cerveja artesanal já que não curto vinhos).

Nossa segunda parada foi numa vinícola um pouco maior chamada Warwick. Lá também fizemos uma degustação padrão que contava com outros 6 tipos de vinhos.

De lá partimos para nossa terceira vinícola chamada Anura. Como já havíamos bebido bastante, resolvemos mudar nosso roteiro gastronômico e trocamos a degustação de vinhos por um almoço no terraço da vinícola.

Por fim, fomos na maior das vinícolas do nosso roteiro: a Tokara. Além dos vinhos, na Tokara também tem degustação de azeite de oliva, então parti para essa opção enquanto meus amigos seguiam com os vinhos!

De lá pegamos nosso carro e seguimos em direção a cidade de Franschhoek apenas para conhecer o lugar já que chegamos tarde por lá e não tinha mais nenhuma vinícola aberta para visitação após às 17h00. Pelo menos foi legal passar pela região pois a vista com as montanhas ao redor é bem bonita.

De lá seguimos em direção a Cidade do Cabo onde chegamos quando já estava quase se pondo o sol.

A título de curiosidade, vale ressaltar que encontramos a venda no free shop do aeroporto da Cidade do Cabo os vinhos de todas as vinícolas que visitamos.
 

Wine Tasting Remhoogte: 60 rand
Wine Tasting Warwick: 50 rand
Olive Oil Tasting Tokara: 50 rand
Hostel MOY Backpackers (quarto compartilhado com 4 camas): 225 rands por pessoa

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Nada mal fazer uma degustação de vinhos/cerveja na Remhoogte com esse cenário...

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A vínicola Warwick tem até um lago e gramado para relaxar enquanto se degusta...

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A vista que tivemos durante o almoço na Anura...

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A Tokara foi a maior e mais estruturada das vinícolas que visitamos!

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Paisagem em Franschhoek enquanto voltávamos para a Cidade do Cabo...
 

05/12/2018 - Cidade do Cabo (Kirstenbosch + Camp's Bay) > Joanesburgo (1400 km ✈️) 

Nosso último dia começou visitando o jardim botânico de Kirstenbosch. É necessário pagar para entrar nesse lugar mas vale muito a pena pois as paisagens com jardins, flores, montanhas é muito legal. Lá também tem umas passarelas nas quais se pode caminhar e ter uma visão do alto que é bem interessante também!

Depois voltamos para a Cidade do Cabo e fomos no bairro de Sea Point almoçar no MOJO Market. Ficamos um tempo lá comendo e bebendo e depois pegamos o carro e partimos para a praia de Camps Bay onde apenas demos uma caminhada pelo calcadão e pela areia da praia antes de ir embora.

Passamos no hostel onde peguei minhas coisas e o Fabiano me levou até o aeroporto onde devolvemos o carro e nos despedimos já que ele ainda ficaria mais uma noite na Cidade do Cabo enquanto eu tive que pegar o voo para Joanesburgo que saiu às 19h50.

Meu voo foi comprado pela low cost Kulula mas uns dias antes recebi um e-mail informando que eu havia ganhado um upgrade grátis para um voo da British Airways, assim troquei meu voo para o da BA. O voo levou quase 2h até a cidade de Joanesburgo onde peguei o transfer que havia contratado previamente com o hostel.

Cheguei no hostel bem tarde (por volta das 23h) e tive ainda a sorte de receber também um upgrade lá e ficar num quarto privativo com banheiro que foi ótimo já que havia chegado tarde!

Entrada no Jardim Botânico Kirstenbosch: 75 rand
Voo Kulula (upgrade para British Airways): 790 rand
Transfer do aeroporto ao hostel: 130 rand
Hostel Backpackers Connection (
quarto compartilhado com 6 camas): 180 rand

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Jardim Botânico Kirstenbosch - flores e montanhas por todos os lados!

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Jardim Botânico Kirstenbosch - flores e montanhas por todos os lados!

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O dia tava lindo mas ninguém se arriscou a entrar no mar gelado na praia de Camps Bays...

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Vista da Lion's Head desde a praia de Camps Bay

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Os 12 Apóstolos vistos desde a praia de Camps Bay
 

06/12/2018 - Joanesburgo > São Paulo

Essa noite em Joanesburgo serviu apenas para dormir já que meu voo de volta ao Brasil seria às 11:20. Assim que acordei por volta das 8 horas da manhã e quando fui ver meu celular, notei que a LATAM havia me enviado um e-mail informando que o voo atrasaria 2 horas e que por isso eu teria direito inclusive a alterar sem custo a data do meu retorno ao Brasil! Uma pena que não soube disso uns dias antes pois assim me organizaria melhor para pelo menos passar o fim de semana na África do Sul antes de voltar.

Sendo assim, o pessoal do próprio hostel reservou um transfer para mim e fui junto com mais 2 brasileiras para o aeroporto onde fiquei passando o tempo no free shop antes de pegar o voo de volta ao Brasil.
 

Transfer do hostel ao aeroporto: 100 rand

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Muito maneiro o relato, estarei indo para África do Sul ano que vem com meu irmão, teu roteiro tá muito bom vou querer visitar vários, se não todos esses lugares hehe.

Ansioso pelo relato de Cape Town.

Abçs!

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Cara, as tuas fotos de Cape Town estão do car****!!

 

Certeza que vou subir a Table Mountain e a Lion's Head pelas trilhas, e falando nisso, as trilhas são tranquilas em relação a segurança?

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Fala Marcio,

Não sei se vc perguntou sobre segurança quanto a ser perigoso por causa de assaltos/roubos ou quanto a dificuldades na trilha...

Na Lion's Head, sempre tem gente subindo/descendo a trilha a todo momento, é uma trilha bem conhecida então eu me senti bem seguro lá (sem contar que estava com mais um amigo junto). Quanto a dificuldade técnica, só na parte final que tem um trecho mais difícil que tem que subir uma escadinha na rocha mas que não é nada de outro mundo... todo mundo sobe sem problemas! Apenas recomendo levar lanterna (ou o celular com bastante bateria) para usá-lo quando estiver subindo (se for ver o nascer do sol) ou ao voltar (se for para o pôr do sol)

Na Table Mountain, depende muito da trilha que você for fazer. A Kasteelspoort que foi a trilha que fiz é mais vazia, então poucas pessoas andam por lá. Mas de toda forma, não me senti inseguro em momento algum por lá! Quanto a subida, é uma trilha bem mais exigente fisicamente já que são umas 2h para subir e você ainda vai precisar de pelo menos 1h para chegar ao ponto tradicional da Table Mountain (e lembrar que depois tem que voltar!).

Abraços!

 

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    • Por fernandobalm
      Resumo:
      Itinerário: Joanesburgo (África do Sul) – Katmandu (Nepal) – Bhaktapur - Pokhara – Zhangmu (Tibet) – Tingri – Xigatse – Lhasa - Zhangmu – Katmandu (Nepal) - Janakpur - Lumbini – Katmandu - Caminhada até o Lago Gosaikund (Chisapani – Kutumsang - Ghopte - Gosaikund – Thulo Syabru - Syapru Besi - Dhunche) - Katmandu
      Período: 08/09/2003 a 09/11/2003
      Ida: Voo de São Paulo (Guarulhos) a Joanesburgo na África do Sul pela South Africa Airways. Após parada de 4 dias, voo para Mumbai na Índia pela South Africa Airways. De lá voo para Nova Déli pela Air India. De lá voo para Katmandu no Nepal pela Indian Airlines.
      Volta: Era para ser voo da Royal Nepal Airlines até Nova Déli na ïndia e depois pela Jet Airways até Mumbai. Porém o avião teve problemas antes da decolagem, o que me fez permanecer por 6 dias em Katmandu até conseguir um voo direto pela Royal Nepal Airlines até Mumbai na Índia. De lá voo pela South Africa Airways até Joanesburgo na África do Sul e depois até São Paulo.
      Considerações Gerais:
      Depois de tanto tempo não pretendo nem consigo fazer um relato detalhado, pois nesta época eu ainda não registrava detalhadamente as informações, mas vou tentar descrever a viagem com as informações de que lembrar e que considerar mais relevantes para quem pretende fazer um roteiro semelhante ou ter uma base para pesquisar detalhes, principalmente o trajeto, tipos de acomodações, meios de transporte e informações adicionais que eu achar relevantes. Os preços que eu citar serão somente para referência e análise da relação entre eles, pois já devem ter mudado muito.
      Acho que o relato principalmente serve para ideias de roteiros a quem se interessar e também como um relato das experiências vividas.
      Sobre os locais a visitar, só vou citar os de que mais gostei ou que estiverem fora dos roteiros tradicionais. Os outros pode-se ver facilmente nos roteiros disponíveis na internet. Os meus itens preferidos geralmente relacionam-se à Natureza e à Espiritualidade.
      Informações Gerais:
      Em toda a viagem houve todo tipo de clima. Em Joanesburgo fez sol quase todo tempo, com temperaturas amenas, levemente frias de manhã e à noite e esquentando ao longo do dia. No Nepal houve bastante sol, mas também alguma chuva, principalmente em Pokhara. Houve neve no Lago Gosaikund. No Tibet fez sol quase sempre, porém as temperaturas foram um pouco frias ao amanhecer a anoitecer, às vezes esquentando ao longo do dia, mas não muito.
      A população de uma maneira geral foi muito cordial e gentil 👍. Houve vários mal-entendidos devido à língua, ao alfabeto e aos costumes no Nepal e no Tibet, onde quase ninguém falava inglês. Em Joanesburgo houve um episódio em que senti olharem-me com ódio, talvez por minha pele ser branca. Muitos disseram-me para não ir por conta própria para vários lugares, pois poderia ser morto.
      As paisagens ao longo da viagem agradaram-me muito, passando por áreas de florestas, rios, cachoeiras, montanhas e outros . Achei deslumbrantes especialmente as montanhas nevadas, em particular os Himalaias.
      Alguns trajetos de ônibus no Nepal e no Tibet passaram na beira de precipícios bem altos, o que foi um teste para os nervos 😟. Houve muitos problemas com pneus furados. Houve pontos em que os veículos atolaram e vários congestionamentos devido a deslizamentos de terra. Como havia uma guerrilha tentando tomar o poder no Nepal, houve muitas paradas para checagem pelo exército. As viagens foram muito lentas devido a tudo isso. Para entrar no Tibet foi necessário ir em uma excursão até Lhasa, por exigência do governo chinês. Em Joanesburgo recomendaram-me não usar transporte público, sob pena de sofrer violência.
      A viagem no geral foi tranquila. Não tive nenhum problema direto de segurança, mas houve uma decretação de paralisação geral pela guerrilha no Nepal que o exército respondeu decretando toque de recolher. Em Joanesburgo contaram-me a respeito de muitos episódios de violência.
      Quase ninguém aceitou cartão de crédito. Mas consegui fazer saques nas moedas locais usando o cartão de débito Visa Electron. Levei cerca de US$ 1,300.00 em espécie, mas gastei bem menos. Na África do Sul saquei R$ 511,75 e paguei R$ 24,81 de tarifas. Gastei mais R$ 28,05 com cartão de crédito. No Nepal saquei R$ 178,97 e paguei R$ 10,86 de tarifas. Troquei mais uns poucos dólares também. No Tibet saquei R$ 431,68 e paguei R$ 15,97 de tarifas. Acho que troquei alguns poucos dólares lá também. Paguei US$ 129.00 pela excursão para ir ao Tibet. Acho que ao todo gastei cerca de US$ 530.00 a US$ 630.00 na viagem sem contar a passagem aérea. A passagem aérea custou pouco menos de US$ 1,500.00 obtida através da agência Via Aérea (http://viaaerea.tur.br).
      No Nepal achei a comida com muitas especiarias, ardida como pimenta. Como não gosto, tive alguma dificuldade.
      A Viagem:
      Fui de SP (Guarulhos) a Joanesburgo na 2.a feira 08/09/2003 pela South Africa Airways (https://www.flysaa.com). A saída estava prevista para as 18:15. Cheguei em Joanesburgo pela manhã na 3.a feira 09/09. Tive alguma dificuldade de comunicação com alguns atendentes do aeroporto provavelmente devido ao sotaque e ao meu nível de inglês precário. Obtive informações no balcão correspondente do aeroporto e confirmei as informações que tinha lido de que a cidade poderia ser perigosa. No próprio aeroporto encontrei um rapaz e uma moça do hostel Africa Centre (http://www.cheaphotelsandhostels.com/hostel/h-3170/Africa-Center-Airport-Hostel) fazendo propaganda e, analisando as outras opções, resolvi aceitar a oferta deles. Disseram que o hostel ficava numa área muito segura perto do aeroporto. O rapaz comentou que seria perigoso visitar os pontos de interesse por conta própria. Contou relatos de pessoas que haviam sido mortas. Achei que poderia ser exagero para me levar à compra de pacotes.
      Chegando ao hostel, após acomodar-me, fui dar uma volta pelos arredores. Foi possível perceber que havia preocupação com segurança nas várias residências, com placas de resposta armada de empresas de segurança. Um pouco cansado, com um pouco de sono após uma noite no avião e sem ter almoçado, não fui muito longe e depois de andar um pouco, parei numa praça para descansar. Lá um homem pediu-me dinheiro, dizendo que estava com fome, pois não havia almoçado. Como ele me pareceu em bom estado, como não havia nenhum local que eu conhecesse para comprar alimentos por perto e como tenho certa reserva em dar dinheiro, pois nunca se sabe para onde vai, acabei desejando-lhe boa sorte, mas não lhe dei nada. Notei que várias vezes pessoas negras mudavam de calçada quando iriam cruzar comigo. Achei coincidência num primeiro momento. À noite no hostel conheci a dinamarquesa Liz, recém-formada ou acabando a formação na área de negócios, e a inglesa Emma e seu namorado, que pretendiam ir ao Parque Kruger. Consultei também os preços para visitar alguns pontos que desejava.
      Para as atrações de Joanesburgo veja https://guia.melhoresdestinos.com.br/pontos-turisticos-de-joanesburgo-141-1467-p.html, https://www.planetware.com/tourist-attractions-/johannesburg-saf-gp-jo.htm e https://www.lonelyplanet.com/south-africa/johannesburg/attractions/a/poi-sig/355617 . Os pontos de que mais gostei foram os itens históricos, os típicos da África, a mina de ouro e o Museu do Apartheid .
      No dia seguinte, 4.a feira 10/09, bem mais descansado, fui dar uma grande volta pelos arredores para tentar descobrir se seria possível ir por conta própria para o centro e os demais pontos de interesse. Perguntei a cerca de 20 pessoas brancas se seria seguro e unanimemente elas me disseram que não, sendo que boa parte delas disse-me que eu poderia morrer. Achei que poderia ser algum tipo de discriminação e ideia deformada por parte dos brancos. Tentei então procurar pessoas negras para ver a sua opinião. Falei também com cerca de 20 e, para minha surpresa, a opinião deles foi a mesma dos brancos, porém não me lembro de terem me falado que eu poderia morrer. Só disseram para eu não ir, pois não seria seguro. Só houve uma exceção, que foi o vendedor de bilhetes da estação de trem, que disse que eu poderia ir sem problemas. Mas eu resolvi não ir e, apesar dos valores bem mais altos, resolvi ir em excursões coletivas privadas nos dias seguintes. No meio da tarde, quando pedia informações às pessoas sobre caminhos, conversei com uma mulher branca de uns 50 ou 60 anos em sua oficina e ela me disse que não dava para ir a pé ao centro, porque havia muitas pistas só para carros e porque passaria por áreas perigosas. Acho que o marido dela ficou com ciúmes da atenção que ela me deu (pareceu com um enfoque maternal). Falei também com um vigilante negro, que num primeiro momento mostrou-se na defensiva, mas conforme que a conversa foi evoluindo informalmente, tornou-se bastante amistoso e, no fim, estendeu a mão num cumprimento típico. Paralelamente um outro vigia atravessou a rua e veio cumprimentar-me. Desejaram-me longa vida sorrindo. Fiquei bestificado 😲. Este episódio de um branco conversar com um negro sem ser por alguma questão de serviço pareceu-me ser algo raro por ali, um evento. Isso me fez achar aquele estado de coisas infeliz ☹️. Lembrei-me do Brasil, que apesar de toda a questão do preconceito, é um lugar em que sempre tinha convivido com muitos negros e mestiços de maneira amigável, em ambiente de trabalho, escola, esportes, cultura, família etc. Neste dia nadei na piscina do hostel, apesar da água um pouco fria do fim de inverno. Um dos atendentes até me perguntou sobre a temperatura da água. À noite ainda conversei com um dinamarquês amigo de Liz, que me recomendou cautela se fosse tentar ir a algum local por conta própria.
      Na 5.a feira 11/09 fui numa excursão pela manhã, junto com outros estrangeiros, conhecer o centro da cidade, incluindo museu, lojas típicas, praças, prisão em que ativistas anti-apartheid estiveram (incluindo Nelson Mandela) e outros itens. Lembro-me de um alemão, um australiano e talvez algumas alemãs. As pessoas estavam muito temerosas de sair para andar em áreas públicas, especialmente o alemão. Quando fomos ao Parque Joubert (https://en.wikipedia.org/wiki/Joubert_Park), perguntei se poderia dar uma volta, o guia autorizou e eu fui. Só havia negros. Pelos olhos achei que cerca de 20% pareceram muito surpresos e felizes com minha presença, como que a me convidar a ficar à vontade e desfrutar do ambiente. Cerca de 40% pareciam indiferentes e evitavam o contato visual. Outros 20% pareciam não gostar e alguns até pareciam esperar alguma oportunidade de algum delito (até aí nada diferente do que em alguns locais de SP). Porém, o que me assustou foi que havia cerca de 20% que pareciam fazer questão de me olhar fixamente com aparente ódio, sem nunca me terem visto antes. Seu olhar parecia exprimir raiva e, se tivessem oportunidade, acho que cometeriam violência contra mim. Nunca tinha passado por isso. Mesmo em locais onde há crime ou algum tipo de rivalidade no Brasil, nunca tinha sentido alguém olhar-me assim. Fiquei tristemente espantado ☹️. Não entramos na Galeria de Arte porque o tempo era curto e a galeria muito grande. Apenas vi as obras da sala de recepção. Fomos para lojas típicas e para áreas centrais. Andamos um pouco por lá e depois fomos para outra excursão à tarde, com destino ao Soweto. No caminho o alemão, que parecia não querer se aventurar a andar muito longe do guia e em locais públicos, contou a seguinte história, que foi narrada por jornais alemães, alguns dos quais sensacionalistas. Um casal de alemães saiu para assistir um espetáculo de música no centro da cidade à noite. Beberam e depois saíram andando pelas ruas, dispensando o táxi. O homem tinha um relógio no pulso, a mulher tinha anéis nos dedos e um colar. Ele deu uma pausa na história, olhou pela janela, tomou fôlego e continuou. Quando acharam o homem ele não tinha a mão. Quando acharam a mulher ela não tinha nenhum dos dedos e nem a cabeça. Ambos morreram e alguns jornais sensacionalistas publicaram fotos na primeira página. Aí eu entendi porque ele estava tão cauteloso.
      Juntaram-se a nós mais algumas pessoas para o passeio, incluindo um belga e talvez mais uma ou duas alemãs. Começamos o passeio pelo Soweto parando no início do bairro e entrando numa espécie de tenda ou bar de madeira onde se vendia comida típica, um tipo de churrasco, e cerveja. O australiano comprou uma e gostou. Depois fomos conhecer locais históricos, casa de Desmond Tutu, de Mandela, Steve Biko, locais de manifestações, uma ocupação (o que chamaríamos aqui de uma favela em área não autorizada) e uma favela. Na ocupação chamou-nos atenção uma placa do KFC que eles penduraram em uma das casas. Chamou a atenção do belga o fato deles conhecerem David Beckham. Na favela eu perguntei se seria perigoso entrarmos nas vielas e o guia disse que dependia de até onde eu quisesse ir. Achei melhor não ir para não expor o grupo e porque não sabia se havia algo relacionado a algum tipo de crime ali, como narcotráfico. Quando estávamos indo embora, um homem da favela com que eu havia conversado pediu-me comida. Eu não tinha nada na mão e fui ao grupo perguntar se alguém tinha algo. Mas o guia não gostou e falou para irmos embora. Disse: “Não podemos (temos capacidade para) alimentar todos”. Chegamos de volta ao hostel à noite.
      Na 6.a feira 12/09 fui com o transporte da excursão a Golden Reef (https://en.wikipedia.org/wiki/Gold_Reef_City), onde havia uma enorme e típica mina de ouro. Mas fui fazer o passeio só, pois os outros iriam para outros passeios. Havia uma espécie de parque de diversões no mesmo local e, achando que teria bastante tempo, decidi conhecer um pouco dele antes e depois da visita à mina. Foi um grande erro, pois perdi tempo precioso, que poderia ter usado na visita ao Museu do Apartheid. Achei as atrações do parque interessantes, mas parecidas com os parques de diversão que conhecia em São Paulo. Achei a visita à mina espetacular . Nunca tinha visitado uma mina de ouro subterrânea. Achei impressionantes as estruturas, o modo de trabalho, todo o local e o processo. Por não ver, liguei a lanterna na cara de um trabalhador da mina de apoio à excursão enquanto a guia dava explicações e ela logo me chamou a atenção, mostrando o trabalhador, que eu não havia visto porque estava numa área escura dentro de uma estrutura da mina. Após a visita à mina, enquanto passeava pelo parque, vi um prédio grande não muito distante e descobri tratar-se do Museu do Apartheid (https://www.apartheidmuseum.org). Apesar de já ser tarde, apenas 1 hora a 1 hora e meia antes do que havia combinado com o motorista da excursão para me pegar de volta, decidi ir visitá-lo. Gostei muito. Havia muitos ambientes, contando a história da segregação racial no país, desde as guerras entre holandeses Boer e ingleses, do convívio com os zulus, da passagem de Gandhi por lá, até os dias mais recentes (não consegui ver o fim, então não sei exatamente até onde ia). Havia um trecho em que brancos passavam por uma área e negros por outra, de modo que os brancos vissem como eram tratados os negros e como eram os ambientes em que viviam e os negros vissem como eram tratados os brancos e como eram os ambientes em que viviam. Na área dos atentados, torturas e assassinatos promovidos pelo governo, chamou-me a atenção o número de explicações claramente (parecia que até propositalmente, com intuito de intimidar) falsas a respeito de prisioneiros mortos, a maioria enquanto tomava banho (tomava banho, escorregou, bateu a cabeça e morreu, caiu no banheiro e morreu etc). Lembrou-me algumas das explicações da ditadura militar no Brasil referentes a atropelamentos por caminhões, além da dada no caso de Vladimir Herzog. Infelizmente o horário que havia combinado com o motorista da excursão estava chegando e parei na seção de atentados, nos anos 1980. Até tentei propor ao motorista que me pegasse no fim da tarde, mas ele estava levando o pessoal da excursão de volta e não tinha previsão de nova excursão à tarde. Aí disse que não seria possível, a menos que eu pagasse pela gasolina como táxi individual. Eu acabei não querendo e voltei com eles. De volta ao hostel conversei com um espanhol e outro viajante (acho que também era espanhol). Perguntaram-me como ia indo o Lula em seu primeiro ano de governo, conversamos sobre o mundo e sobre os perigos da viagem ao Nepal, que tinha uma guerrilha maoísta.
      No sábado 13/09, perto da hora do almoço, peguei uma transferência, junto com um dos dois espanhóis. Eu estava indo para o aeroporto e ele, se bem me lembro, para o shopping. Na sala de espera para o embarque, vi que havia um grupo de brasileiros indo para a Índia, que perceberam que eu era brasileiro. Eram Fábio, dono de uma empresa de aço e seu irmão ou cunhado. Fomos conversando uma parte do voo e eles, principalmente o Fábio, tinha interesse em esoterismo. Falou-me de sua experiência com vários locais de estudos de filosofia e esoterismo que eu também conhecia. Por coincidência ele era formado na mesma escola que eu, só que em engenharia metalúrgica. Ele me falou que eu era a primeira pessoa que ele conhecia que de fato fazia uma viagem ao Tibet, pois muitos falavam, sonhavam, mas não faziam. Falou-me ainda que era só assistir televisão e ver como era o mundo para se esquecer tudo de que se falava sobre esoterismo nos locais de estudo ou encontro. Achou um pouco forte o tempero da comida e eu lhe disse sorrindo que ele não tinha visto nada ainda 😀. Depois de ter voltado ao Brasil fui jantar na casa dele, conheci sua mulher e filhos e conversamos sobre minha viagem a passeio e a dele de negócios. Chegamos a Mumbai de madrugada, ele lá ficou e eu fui pegar conexão para Nova Déli pela Air India (http://www.airindia.in), morto de sono. Cheguei em Nova Déli no amanhecer. Tive que ficar numa área restrita, pois precisava de um atendente da Indian Airlines (https://en.wikipedia.org/wiki/Indian_Airlines) para me liberar para o novo embarque. Foi uma espera de algumas horas (cerca de 3) não muito agradável. Ainda tive que pagar uma taxa de US$ 5.00, se bem me lembro. Após a liberação fui para a sala de embarque para Katmandu. Conheci uma médica de Médicos Sem Fronteiras, que me deu 3 sugestões de ouro, apesar de algumas óbvias, sobre como enfrentar a altitude. Primeiramente, respirar fundo (inspirando e expirando longamente), depois dormir com a cabeça bem elevada do corpo, não em linha reta e por fim, beber muita água. Estes 3 procedimentos simples ajudaram-me muito e tive muito menos problemas do que em uma ida anterior a regiões altas. Embarquei no domingo no fim da manhã, morto de sono. Havia 3 lugares na fileira em que eu estava, comigo, um russo e um indiano. Eu ri e comentei com eles que era um retrato do mundo. Fomos conversando sobre Moscou, a questão dos atritos entre Islamismo e Ocidente, a Índia e a situação política no Nepal. O indiano disse-me que as montanhas eram seguras, mas para eu não ir ao Terai (https://pt.wikipedia.org/wiki/Terai). Ao longo da viagem perguntei a várias pessoas sobre a situação política e todos disseram-me que a situação estava sobre controle.
      Chegando em Katmandu, no domingo 14/09 no meio da tarde, tirei o visto de entrada no aeroporto. Precisava de uma foto, que a atendente da embaixada da Índia no Brasil (que representava o Nepal) havia me dito. Levei comigo e poupei o preço de tirar a foto no aeroporto. Paguei uma taxa pelo visto (algo como US$ 50.00). Peguei um táxi e fui para a área conhecida como Thamel (https://en.wikipedia.org/wiki/Thamel), onde ficavam os estrangeiros geralmente. Dadas as notícias que havia ouvido, achei a situação até bem tranquila. Um guia recomendou-me um hotel por US$ 6.00 a diária, em que acabei ficando nos primeiros dias, até descobrir que havia outros muito mais baratos. Após instalar-me, resolvi deitar um pouco para depois ir jantar, pois não consigo dormir em aviões e estava bem cansado. Fui acordar de madrugada e acabei decidindo dormir até o dia seguinte 😴.
      Para as atrações de Katmandu veja https://wikitravel.org/en/Kathmandu, https://www.lonelyplanet.com/nepal/kathmandu e https://thingstodoeverywhere.com/visit-kathmandu-attractions.html. Os pontos de que mais gostei foram as stupas, os templos, os prédios e monumentos históricos, as vistas a partir de locais altos e a população local .
      Conversei com um agente de turismo local e ele me deu informações sobre os locais a conhecer no Nepal, os preços, as formas de transporte e as condições gerais do país. Disse-me para não ir para a região de Lumbini, pois havia muitos pontos de checagem do exército nas estradas, o que tornaria a viagem cansativa, além de ser área com muitos guerrilheiros, que não costumavam atacar os turistas, mas pediam dinheiro para que pudessem prosseguir. E tudo poderia acontecer, nada era garantido.
      Na 2.a, 3.a e 4.a feira fui visitar as 3 principais stupas de Katmandu, que eram Swayambhunath (https://www.swayambhunathstupa.org/), Boudha (https://boudhanathstupa.org) e acho que a última era em Patan. Achei as estupas espetaculares , principalmente as 2 primeiras. Gostei mais de Swayambhunath, mas Boudha também pareceu-me muito boa. Além de todo o clima espiritual, a vista lá de cima também era muito boa e ampla. Passei também por templos, monumentos, parques e palácios nas áreas centrais e no caminho para as estupas. Achei que havia um certo clima de tensão devido à guerrilha e à possibilidade de atentados ou talvez eu estivesse precondicionado. A cidade em si parecia-me com trânsito um pouco caótico e com estrutura simples, mas sem extremos de pobreza, apesar de haver mendigos. Acho que uma visão ocidental materialista diria que era bem pobre. Aproveitei também estes dias para obter informações detalhadas sobre a ida ao Tibet, algo que não tinha conseguido no Brasil. Fui ao consulado chinês e obtive as informações necessárias. Se bem me lembro obtive um visto de 15 dias, que era o que o governo chinês oferecia para quem entrava por ali. Fui também a agências de turismo obter informações sobre excursões ao Tibet, posto que o governo chinês não permitia viagens de estrangeiros sem ser vinculadas a excursões.
      Na 4.a feira à tarde correu um boato de que a guerrilha decretaria uma paralisação geral. Quando cheguei ao hotel informaram-me que o rei havia decretado toque de recolher naquele dia e provavelmente nos outros também. Fui jantar e quase me perdi na volta ao hotel. O toque de recolher era as 23 horas e já eram 22 horas e as pessoas andavam rapidamente, num clima de desespero. A atendente de uma agência de turismo em que eu havia ido disse-me que se estivesse na rua após o horário as forças armadas tinham ordem de atirar. Enquanto procurava pelo caminho para o hotel, que era meio escondido, em meio às pessoas correndo, dei de cara com um carro de combate com soldados . Levei um susto, cruzei com eles, mas nada aconteceu. Tentei perguntar para os habitantes locais, mas naquele clima tudo era difícil, além da língua, que eu não sabia falar. Mas achei o caminho e voltei para o hotel aliviado. Esta situação lembrou-me a cena com o desespero da população na invasão da China no filme “O Império do Sol”.
      Na 5.a feira 18/09 perguntei aos atendentes do hotel se poderia visitar pontos de interesse e eles me disseram para não ir longe. Acabei não atendendo o que disseram. Primeiramente fui até a parte antiga da cidade, que achei espetacular . Não tinha ideia da existência daquele conjunto histórico razoavelmente preservado. Depois fui a Bhaktapur (https://en.wikipedia.org/wiki/Bhaktapur) andando. Fui conhecendo os vários pontos de interesse pelo caminho. Gostei também bastante de lá. Novamente achei grandioso o conjunto histórico e arquitetônico . Parecia mais calmo, pois era uma área turística, mas novamente pareceu-me tenso o clima. Um nepalês, que veio conversar comigo, perguntou-me como eu havia chegado lá e quando disse que tinha vindo só e andando, ele ficou admirado e disse que eu devia ser muito inteligente para conseguir chegar (talvez ele devesse ter dito muito louco).
      Na 6.a feira 19/09 fui à última grande stupa que haviam recomendado em Katmandu. Cada uma delas era em direção a um ponto cardeal em relação ao Thamel e esta, se bem me lembro, era para Norte ou Nordeste (talvez fosse Budhanilkantha - https://en.wikipedia.org/wiki/Budhanilkantha). Fui andando. Gostei. Achei-a menor e mais simples que as outras, mas ainda assim achei-a interessante. Passei por templos próximos e fui visitando os pontos de interesse no caminho.
      No sábado e domingo mudei para um hotel mais barato, cerca de US$ 2.00 a diária e fui tentar visitar os templos de Pashupatinath (http://pashupatinathtemple.org) e Guhyeshwari (https://en.wikipedia.org/wiki/Guhyeshwari_Temple). Mas não eram permitidos para não hindus. Na porta de Pashupatinath havia estátuas de deuses e uma placa enorme dizendo que só era permitido para hindus. Mas como eu estava apreciando as estátuas não vi a placa. Olhei para os guardas e eles não falaram nada. Acho que imaginaram que eu era hindu. Alguns minutos após entrar, quando observava uma estátua de Ganesha, um sacerdote brâmane veio até mim e rispidamente perguntou o que eu estava fazendo ali, pois não era permitido para não hindus. Eu fiquei surpreso e disse que não sabia. Ele me conduziu parte do caminho até a porta. Lá, vi a enorme placa e fiquei constrangido 😳. Um outro brâmane passou indo embora e eu lhe falei que era leitor do Bhagavad Gita e gostava do hinduísmo. Ele me disse que isso era bom, mas que eu não poderia entrar. Aparentemente esta norma mudou nos dias atuais. Nos outros templos fiquei mais atento antes de entrar. Em vários pude entrar, sem problemas.
      Apreciei o Dal Bhat, que era um prato típico do Nepal, com arroz, lentilha e legumes (poderia ser também com carne, mas eu sou vegetariano). Parecia nosso arroz com feijão, porém alguns vinham com muitas especiarias, o que os fazia ardidos. Descobri também uma doceria que tinha uma promoção de 50% de desconto no fim da noite, o que me pareceu tornar atraente os preços dos bolos e tortas .
      Perguntei a um judeu onde poderia encontrar um mapa gratuito da região e ele me disse sorrindo “em seus sonhos”, mas completou dizendo que os mapas não eram caros.
      Conheci um outro judeu que também procurava ir ao Tibet. Procuramos juntos por agências de turismo e conseguimos fechar com a mais barata por US$ 129.00 uma excursão de 4 dias, saindo de Katmandu e chegando a Lhasa, com transporte, hospedagem e café da manhã do primeiro dia incluídos. A excursão mais próxima sairia dia 28/09. Ele pareceu um pouco incomodado com o fato de eu pedir informações a qualquer pessoa. Provavelmente em Israel esta prática era perigosa. Ele era agricultor e conversamos sobre a situação de guerra existente em Israel.
      Conheci um outro turista (acho que era europeu) que comentou sobre sua viagem e disse que estava agendado para ir ao Tibet também e me disse que sua chegada estava prevista para 01/10. Comentei com ele que minha previsão era a mesma e imaginei que iríamos na mesma excursão.
      Dada a data da excursão, decidi ir conhecer Pokhara enquanto esperava. Peguei um ônibus na manhã da 2.a feira 22/09 e cheguei no fim da tarde. As viagens costumavam demorar muito porque as estradas eram precárias, havia deslizamentos de terra e havia checagens de segurança feita pelas forças armadas. Nesta primeira, se bem me lembro, não houve muitos incômodos. Fiquei numa espécie de casa de família que tinha alguns cômodos para hóspedes. Alguns turistas estrangeiros que estavam na cidade disseram-me que nem se notava o toque de recolher por ali e que a situação era muito mais calma do que em Katmandu.
      Para as atrações de Pokhara veja https://myownwaytotravel.com/tourist-destination-pokhara-tour-guide/, https://www.lonelyplanet.com/nepal/pokhara e https://wikitravel.org/en/Pokhara. Os pontos de que mais gostei foram as montanhas, os templos, o lago, a vegetação e as vistas a partir de locais altos .
      Fiquei lá até 6.a feira 26/09. Foi difícil ter uma vista limpa das montanhas, pois lá chovia muito e havia muita nebulosidade. Se bem me lembro as informações diziam que o tempo ficava chuvoso mais de 200 dias por ano. Mas em alguns dias houve algumas aberturas das nuvens e no último, principalmente, foi possível uma razoável vista dos picos e das montanhas.
      Num dos dias fui até um templo que ficava no topo de uma montanha e que havia visto lá de baixo. Fui intuitivamente por uma trilha na montanha no meio do mato . Fui perguntando para as pessoas que encontrava pelo caminho, muitas coletando algum tipo de produto agrícola ou fazendo extrativismo vegetal ou mineral. Perguntava por “Buda” e eles (em boa parte mulheres) apontavam-me o caminho. Cheguei a fazer uma marca no chão numa encruzilhada para não me perder na volta. Chegando lá um vendedor ambulante perguntou-me se eu havia vindo pela floresta e me disse que poderia ser perigoso, narrando o caso de um japonês que havia sido morto por estrangulamento ou enforcamento há um tempo atrás. Disse que sozinho era problemático, mas em dois ou mais não havia problemas. Gostei muito deste templo que era a World Peace Pagoda (https://en.wikipedia.org/wiki/Shanti_Stupa,_Pokhara). Gostei muito também da paisagem vista lá de cima e da vegetação ao longo da trilha. Depois de ficar um bom tempo lá, desci por um outro caminho, que passava no meio de uma comunidade local. Um habitante local acompanhou-me parte do caminho, até pegar um atalho para sua casa. Não havia a vegetação espetacular da mata, mas a vista era bela. Nem precisei usar a marca que havia feito no chão.
      Num outro dia fui até um templo que havia no meio do lago. Acho que era o Templo Tal Barahi (https://en.wikipedia.org/wiki/Tal_Barahi_Temple). Fui nadando, o que surpreendeu alguns habitantes locais, pois havia barcos pagos. Deixei minha carteira e passaporte no local em que estava hospedado e fui com calção de banho e camisa. Era próximo, talvez cerca de 100 a 200 metros. Achei bem interessante, simples, mas típico. Ocupava a ilha toda.
      Numa ocasião, perguntando a um rapaz por informações, ele alertou-me sobre ficar andando por lugares desertos, dizendo que havia uma “discussão”, referindo-se à disputa entre o governo e a guerrilha maoísta.
      Num dos dias à noite, fui visitar uma loja de tapetes. Era de muçulmanos e, pelo meu interesse em questões religiosas, para começar uma conversa amistosa, perguntei referente à questão da Guerra Santa não ter sido criada por Maomé. Acho que não foi uma boa ideia, pois eles se empolgaram com a conversa e começaram a falar sobre os muçulmanos, sobre a discriminação que estavam sofrendo após o 11 de Setembro (que estava fazendo 2 anos), chegando a me perguntar se eu achava que tinham 6 dedos por serem muçulmanos. Como eu disse que não era cristão, apesar de ter sido criado numa cultura cristã, creio que quiseram converter-me. Tanto que disseram que iriam chamar um estudioso que teria muito mais argumentos. Mas aí entraram algumas pessoas interessadas nos tapetes e desviaram sua atenção. Eu aproveitei a ocasião, agradeci pela conversa, despedi-me e fui embora.
      Numa noite conheci um japonês num restaurante enquanto jantávamos e conversamos sobre nossas viagens. Comentamos como eram baratos os produtos e serviços no Nepal. Interessante como havia reposição gratuita de alimentos (arroz, lentilhas, vegetais).
      Por várias vezes caminhei por trilhas e estradas com vegetação natural. A vista do lagos, dos cursos de água, das montanhas e da vegetação agradou-me muito. Se bem me recordo foi nesta região que atravessei uma ponte parecida com aquelas que se vê em filmes de aventura, geralmente na África, sobre um desfiladeiro ou uma garganta, feita de cordas e com piso vegetal. Imaginei como seria aquela ponte num dia com ventania.
      Na 6.a feira, quando disse ao dono da casa em que estava hospedado que iria embora no dia seguinte para o Tibet, ele disse que ali era a minha casa e que o Tibet seria caro. Eu sorri, mas prossegui com meus planos.
      No sábado 27/09 voltei para Katmandu para poder pegar a excursão no domingo. A viagem foi lenta e cheguei já de noite. Mesmo assim fui ao local da agência de turismo para confirmar o local e horário de embarque e combinamos que um dos atendentes fosse ao hotel e me acordasse caso eu não aparecesse, pois a saída era cerca de 5h da manhã. Fiquei num outro hotel, com preço semelhante ao anterior ou um pouco mais baixo, se bem me lembro.
      A viagem de ida ao Tibet de 28/09 a 01/10 teve a paisagem que achei mais espetacular em toda a viagem e talvez a mais espetacular que vi na vida , talvez por não estar acostumado a este tipo de vista.
      No domingo 28/09, eu acordei na hora, pois tinha ficado com o horário na cabeça, o guarda do hotel ajudou-me a acordar para não haver perigo de eu voltar a dormir e logo em seguida chegou o atendente da agência de turismo, para não haver nenhum perigo de perder a hora mesmo. Ele esperou por mim e fomos até o ponto onde estavam os veículos. Os agentes de turismo disseram que todos eram geralmente muito gentis, menos o exército chinês. Creio que esperamos ali por cerca de 1 hora ou mais até todos chegarem e podermos partir. Fomos em comboio, creio que também por questões de segurança. Paramos num hotel restaurante cerca de 1 hora depois da partida para tomar café da manhã. O café estava muito bom, pareciam produtos rurais da própria área. A paisagem durante a viagem pareceu-me bonita, com vistas rurais e montanhas. Katmandu tinha cerca de 1.300 metros de altitude e estávamos subindo.
      Após andar mais um pouco chegamos em Kodari, na fronteira com a China. Fomos fazer os procedimentos de entrada. Havia uma diferença horária de 02h15, com a China tendo o horário à frente. Aí entendi porque tínhamos saído tão cedo. Naquele ponto havia uma usina hidrelétrica do lado nepalês e a Ponte da Amizade, que separava os dois países, sobre uma enorme garganta de rio, o que tornava a vista grandiosa. Ficamos algum tempo esperando e depois fomos para uma fila no sol para passar pela ponte. Conheci uma guia turística húngara que sabia falar “Bom dia”, pois já havia estado no Brasil. Quando algumas mulheres mais idosas foram tirar fotos a partir da ponte, um soldado chinês saiu da cabine em que estava e veio dizer que era proibido.
      Ao passar para o outro lado, havia um micro-ônibus e vários outros veículos Land Rover antigos. Eu fui no micro-ônibus com o guia (acho que o nome era Tashi ou semelhante), um casal de amigos canadenses (acha que a moça chamava Hanna), um outro canadense chamado Greg, duas amigas francesas, uma americana chamada Shirley e uma holandesa. Pensei que os procedimentos de imigração haviam acabado, mas estava totalmente enganado. Ficamos esperando em pé ou sentados no chão numa fila para passar por alguns funcionários, que iriam verificar os papéis e provavelmente nos autorizar a entrada. Demorou bastante e o atendimento de alguns não era muito cortês. Numa situação, um deles esmurrou a mesa e gritou com uma turista (acho que europeia) perguntando porque não tinha um determinado papel. Ela respondeu que um funcionário anterior havia provavelmente pego por engano, localizaram o papel e tudo prosseguiu bem. Vi alguns soldados baterem nas costas com uma vara (e acho que era batida de fato, não era brincadeira cordial) em prováveis nepaleses que estavam atravessando a fronteira de volta carregando madeiras ou algo semelhante nas costas, provavelmente por terem descumprido alguma norma, como horário etc. Bateram neles na frente de todos, sem o mínimo constrangimento. Após o demorado procedimento e passar por todos os funcionários, fomos liberados. O guia encaminhou-nos para o hotel. Estávamos em Zhangmu, a cerca de 2.300 metros de altitude. Fomos separados em 2 ou mais quartos, sendo que um tinha vários homens e outro várias mulheres. No nosso quarto havia inúmeros insetos do lado de dentro tentando sair e estava um pouco quente. Mas quando entrei 2 alemães que já estavam lá alertaram-me que não poderíamos abrir a janela, apontando para a quantidade muito maior de insetos do lado de fora, tentando entrar 🦟. Jantei e dormi, morto de sono 😴.
      Na 2.a feira 29/09 tomamos café e partimos para Xigatse. Achei a subida deste dia espetacular , com sua vista das montanhas do Himalaia, várias cachoeiras de degelo, a paisagem dos vales profundos ao longe etc. No meio do caminho houve um deslizamento de terra e a estrada estava interrompida. Tivemos que parar e esperar por algumas horas. Aproveitei para dar uma volta na área. Quando conseguimos prosseguir estávamos bastante atrasados. Passamos por um ponto que permitia ver o Everest, mas o tempo estava encoberto e não pudemos vê-lo. Devido ao horário tivemos que ficar num pequeno povoado chamado Tingri, perto do campo base do Everest. O hotel talvez estivesse em construção, pois não tinha energia elétrica nem água potável. E não tinha quartos cobertos para todos. Os alemães se dispuseram a dormir nos quartos em construção, pois tinham sacos de dormir e disseram que gostavam de acampar. Disseram não falar bem inglês por serem da parte Oriental. Pelo menos jantar tinha. Pedi comida sem carne (sou vegetariano), mas não me entenderam e comi o que veio, que foi sopa com carne. Conheci um casal de brasileiros (acho que eram Marcelo e sua namorada, que acho que se chamava Vanessa). Ele me reconheceu como brasileiro pelo sotaque e pela camisa do Santos que viu quando tirei o agasalho. Falou que tinham feito uma extensão extraoficial para o campo base do Everest, de que tinham gostado, mas que tinha deixado Vanessa indisposta pela altitude (ele ou ela tinham posto o pé num curso de água gelado). Tinha havido algum atrito com um outro turista alemão que estava no mesmo Land Rover, pois aparentemente aquela extensão não era totalmente legal, mas o voto dos 2 e de mais um guatemalteco venceu a disputa para irem. Antes de dormir fui ao banheiro, que era uma casa de madeira fora da construção principal, com uma fossa. Não tinha luz e eu não tinha lanterna. Foi um pouco problemático, mas consegui fazer xixi. Eu segui as recomendações preciosas da médica do aeroporto e senti muito pouco impacto com a altitude, mas percebi que vários outros, incluindo Greg, sofreram bastante 😒. O rapaz canadense passou mal e Hanna parecia aflita procurando pelo guia. Fui tentar ajudá-la a encontrá-lo e conseguimos. No dia seguinte ele parecia bem melhor. Havíamos cruzado uma passagem de montanha de cerca de 5.250 metros e estávamos dormindo a cerca de 4.400 metros.
      Devido ao atraso, chegaram a considerar a hipótese de viajar à noite, mas foi logo descartada pelos riscos. Marcelo comentou comigo também que estava achando aquela paisagem a mais bonita que já tinha visto e que não desejava viajar à noite e perdê-la.
      Na 3.a feira 29/09, com várias pessoas tendo passado dificuldades durante a noite, mas já bem melhores, partimos rumo a Xigatse. Hanna parecia agradecida por tê-la ajudado a encontrar o guia na noite anterior. Ela passava boa parte dos deslocamentos lendo um livro. Posteriormente o rapaz canadense agradeceu muito ao guia por tê-lo ajudado. Passamos por alguns templos, visitamos seu interior, visitamos vilas, pontos típicos, houve até uma praça em que estavam tocando “Lambada”, que me lembrou do Brasil, depois de quase 1 mês distante. Cantei alegremente, embora não fosse meu gênero preferido. Eu continuava deslumbrado pela paisagem, embora agora houvesse mais trechos urbanos. No fim da tarde chegamos a Xigatse. Porém o hotel parecia não ter energia elétrica. Eu e Shirley ficamos conversando com o motorista enquanto esperávamos a definição do hotel, perguntando sobre como se dizia algumas expressões em tibetano. Acho que conseguiram trocar de hotel e tudo ficou bem. Dividi o quarto com um israelense que tinha conhecido no primeiro dia da excursão. Ele estava indo num Land Rover, com um casal de sulafricanos. Um casal de ingleses que tinha ficado muito irritado com as condições de habitação do dia anterior, ficou satisfeito com o novo hotel. Acho que os agentes de turismo não tinham muito controle da situação e não sabiam quem tinha pago por que tipo de hospedagem e serviços. Saí para dar uma volta e quase fui atropelado por uma bicicleta . A ciclovia era enorme e bem larga e havia nas 2 laterais da pista de carros. Eu achei que elas eram mão única e seguiam o sentido dos carros, mas estava enganado e elas eram mão dupla. Não vi que vinha vindo uma bicicleta e o condutor desviou bem em cima de mim 🚲. Depois acho que me xingou em chinês, mesmo comigo pedindo desculpas várias vezes. Fui jantar com o israelense e tivemos alguma dificuldade para pedir, pois as atendentes falavam pouco inglês e os cardápios não tinham descrições detalhadas em inglês. Mas conseguimos comer dumplings momos (bolos de massa recheados). Na volta, quando comentávamos sobre a melhor organização da China em relação ao Nepal e a não existência de pedintes, apareceram várias garotas dizendo repetidamente “I love you” e rimos da ironia do que tínhamos acabado de dizer. Ele me contou dos seus planos de viajar pela China, mas com um guia, pois seria mais confortável, visto a experiência de dificuldade de comunicação que tínhamos acabado de ter no restaurante. Falou-me também de achar as viagens pela Europa interessantes, porém caras.
      Na 4.a feira 01/10 partimos para Gyantse. O motorista, que havíamos visto entrar num hospital, pediu-me comida antes da partida. Eu não tinha nada no momento, mas perguntei aos outros e conseguimos vários biscoitos e outros itens para ele. Não sei se ele gostou, pois acho que não estava acostumado àquele tipo de comida ocidental. Achei estranho, pois imaginei que suas refeições fossem pagas pelos agentes de turismo da excursão. Seguimos e passamos por templos e locais típicos. Eu continuava apreciando muito a paisagem. Chegamos no fim do dia em Lhasa. Lá todos se reencontraram. Foi uma festa. Cada qual seguiu para um hotel. Eu procurei por um barato e paguei cerca de 25 yuans (acho que eram uns US$ 3.00). Reencontrei o judeu com que havia procurado por excursões em Katmandu. Ele acabou ficando em um hotel com o outro judeu que eu havia conhecido na viagem. Marcelo e Vanessa ficaram no mesmo hotel que eu, só que em quarto privativo, enquanto eu fiquei em quarto compartilhado. O casal de canadenses ficou assustado com a possibilidade dos hotéis estarem cheios e rapidamente encontraram um hotel para ficar. Shirley pediu par tirarmos uma foto do grupo. Despedi-me deles e fui para o hotel. Excetuando Marcelo e Vanessa, não voltei a ver os outros mais ao longo da viagem. Ao longo da estadia pessoas de várias nacionalidades compartilharam o quarto comigo, incluindo uma francesa, uma ou mais japonesas e outros europeus.
      Numa ocasião, logo nos primeiros quilômetros em território chinês, um funcionário do governo estava colocando uma espécie de leitor de código de barras na testa das pessoas que passavam, imagino que para medir a temperatura, pois pouco tempo antes havia ocorrido a crise de SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave). Ele apontou para o meu boné, eu não entendi bem, ele deu um tapa no boné, mediu e me mandou seguir rispidamente. Eu fui pegar o boné que tinha caído.
      Num dos dias, durante uma parada saí para comprar pães e vi algo parecido com queijo sendo vendido. Perguntei para a vendedora, que parecia ser chinesa, se era queijo (cheese), mas acho que ela não entendeu, pensou que eu estava rindo e repetiu a palavra cheese. Falei várias vezes e ela repetiu. Resolvi comprar para misturar com o pão. Quando dei uma mordida para experimentar o suposto queijo descobri que era manteiga. Acabei dando para uma pessoa, pois se comece toda aquela manteiga provavelmente teria problemas intestinais.
      Passamos pelo Monte Kailash (https://pt.wikipedia.org/wiki/Monte_Kailash - uma montanha que ficava sempre coberta de gelo – não sei agora com o aquecimento global como está). Paramos e Shirley pediu-me para ficar junto a um iaque para tirar fotos, mas apareceu um menino e pediu dinheiro para ela fotografar e então ela desistiu.
      Houve muitas paisagens de montanhas, cruzamos com um grande rio perto de sua nascente (já estava bem largo), acho que era o Rio Brahmaputra. Passamos também por muitas áreas com as bandeiras típicas do Tibet e os totens xamânicos feitos de pedras empilhadas. Houve alguns trechos em que havia camponeses e iaques, mas o número de pessoas fora dos núcleos urbanos era muito pequeno. Houve pontos de passagens bem altos, com belas vistas. Passamos também pelo grande lago Yamdrok, cuja vista foi espetacular .
      Conversando com Shirley durante a viagem descobri que ela estava se formando em engenharia de computação, mesma formação minha 10 anos antes, e conversamos sobre o assunto e plataformas usadas no trabalho. Ela disse que desejava entrar para a Marinha. Eu perguntei se não achava perigoso, se não teria melhores oportunidades na iniciativa privada (se bem me lembro ela era da Califórnia, perto do Vale do Silício). Mas ela estava decidida. As francesas conheciam bem a América do Sul, falaram sobre a semelhança de alguns locais com Cochabamba e se dispuseram a me ajudar a aprender francês. Caçoaram de mim porque eu sempre conseguia achar lugares onde se vendia pães frescos. A holandesa teve algum tipo de desarranjo intestinal e precisou pedir para o ônibus parar várias vezes para ir ao banheiro. Sempre pedia desculpas e algumas vezes criticava a sujeira dos banheiros.
      Conversando com o casal de sulafricanos sobre os problemas das caminhadas referentes à guerrilha, disseram-me que haviam pedido dinheiro a eles para que pudessem prosseguir em uma caminhada que tinham feito nas montanhas. O homem disse-me rindo que não sabia se eles poderiam matar quem não desse dinheiro, pois ele havia pago. A mulher disse que basicamente era uma extorsão.
      Depois que entendi que o guia não sabia exatamente quem tinha pago o que, como eu me lembrava de ter comprado o pacote mais barato, sem guia, passei a não acompanhá-lo mais nas explicações e fazer as visitas por conta própria. O israelense até comentou comigo numa das ocasiões que eu estava circundando um monumento no sentido errado, e que isso não era educado.
      Marcelo contou-me que perto da chegada à Lhasa, as pessoas do Land Rover em que estavam desentenderam-se. Disse que o alemão o havia ofendido. Disse que ele era radical e que o guatemalteco era folgado e isso tornava a situação difícil. Ele e Vanessa tinham levado um filtro para a viagem o que os fez economizar bastante dinheiro com água.
      Para as atrações do Tibet e Lhasa veja https://www.tibettravel.org/top-attractions/, https://www.greattibettour.com/tibet-attractions, https://www.tibetdiscovery.com/lhasa-travel/things-to-do-in-lhasa/ e https://www.lonelyplanet.com/china/lhasa/attractions/a/poi-sig/356124. Os itens de que mais gostei foram os mosteiros não turísticos, a arte religiosa, os locais originais da cidade e a Natureza .
      Na 5.a feira 02/10 comecei a explorar Lhasa. Tinha acabado a vinculação à excursão exigida pelo governo chinês e eu estava livre para conhecer a área. Pontos fora da área de Lhasa precisavam de autorizações especiais do governo e excursões específicas com guias credenciados pelo governo. Fiquei hospedado lá até aproximadamente dia 13/10. Inicialmente fui aos guias de turismo (um chinês e um tibetano) que trabalhavam no hotel perguntar por sugestões de pontos a conhecer. Deram-me várias, indicando quais eram livres e quais precisavam de motoristas, guias e excursões. Alertaram-me que se fosse pego pelo exército em áreas não permitidas teria grandes problemas. O guia chinês até me disse que se realmente quisesse ir numa área não permitida era só pagar uma determinada quantia, algo que o tibetano imediatamente desaconselhou e disse que não era possível. Como eu não suborno ninguém, nem considerei esta proposta.
      Fui ao Palácio de Potala (100 yuans, aproximadamente US$ 12.50 de entrada), ao Templo Jokhang, ao Museu Tibetano, a vários outros templos e áreas naturais da cidade. Depois e paralelamente também, fui a templos e locais próximos, como Tsurpu, o Mosteiro de Tar e vários outros mosteiros. Tentei ir a um lago com um casal de europeus, mas não deu certo. Achei vários dos mosteiros indicados muito orientados ao turismo e, por isso, tentei conhecer outros não tão famosos, porém mais autênticos no tocante à vida espiritual. Na maioria destes fui junto com peregrinos.
      No dia em que fui ao Mosteiro de Tar em Dolma Lhakang, pedi informações para vários chineses e não consegui. Um tibetano ouviu-me e disse que sabia onde era e poderia dar-me uma carona até lá. E realmente, deixou-me na porta. Não sei se ele estava indo até lá ou fez aquilo por cortesia. Passei o dia inteiro lá cantando mantras. Fui muito bem recebido pelos monges. Acostumado ao ambiente mercantil dos mosteiros turísticos, gostei muito da diferença. Ajudaram-me na pronúncia dos mantras. Recusei educadamente a refeição e os adornos que me ofereceram, agradeci por toda a hospitalidade. Quando já havia atravessado a rodovia para tentar pedir carona, um monge mais jovem perguntou-me se não daria dinheiro. Achei que destoou de todo o ambiente, mas resolvi ignorar. Depois de tentar algum tempo, um caminhoneiro parou e me ofereceu carona. Fui na cabine com ele e seu ajudante. No meio do caminho furou um pneu, mas ele não quis que eu ajudasse na troca. No fim, ofereci-lhe pagar pela carona, mais de uma vez, mas ele não quis de jeito nenhum, repetindo na última oferta, já com a voz um pouco mais alta “No money”.
      Perto do fim da minha estadia, conversando com uma alemã que havia conhecido dias antes, sabendo que ela poderia ir ao Mosteiro de Tar, pedi que ela fizesse uma doação, pois havia gostado muito da espontaneidade espiritual de lá. Ela pegou o dinheiro, mas devolveu-me um ou mais dias depois por ter decidido não ir.
      Em alguns deslocamentos para mosteiros ou atrações passamos por subidas e descidas íngremes na beira de precipícios em ônibus algumas vezes superlotados. Lembro-me de um em que o ônibus estava lotado e eu fiquei ao lado (quase em cima) do câmbio. Havia uma mulher com um nenê de colo perto. Achei a situação bem delicada 😟. Mas chegamos lá embaixo de volta sem problemas. Abstraindo-se a preocupação, a paisagem pareceu-me espetacular .
      As visitas quando eram com peregrinos precisavam acompanhar o ritmo deles. Eu geralmente gosto de ficar lendo e observando tudo, mas os peregrinos geralmente iam fazer oferendas num altar e depois seguiam para outros. Perdi a visita a um templo numa das primeiras vezes, mas depois adaptei-me ao ritmo. Muitas vezes os guias dos mosteiros não pareciam muito corteses, talvez por não estarem acostumados a estrangeiros na visita ou não gostarem da ideia de visita de pessoas que não fossem peregrinas associadas à religião. Num mosteiro de monjas lembro-me de ter conversado com uma delas, que me ofereceu uma laranja, dizendo que aquele dia era feriado (ou domingo)
      Achei as paisagens espetaculares nos vários deslocamentos de ônibus e mesmo quando andei a pé por Lhasa. As montanhas nevadas, os vales e as vistas encantaram-me .
      Achei um pouco frio, principalmente à noite, de manhã e nos lugares mais altos, onde às vezes chegávamos cedo. Mas geralmente à tarde, quando abria o sol, a temperatura ficava bem mais razoável (em torno de 20 C).
      Na visita ao Templo Jokhang, uma oriental (acho que era coreana) fez um gesto que me pareceu querer espaço livre para tirar a foto de um dos monges. Mas quando eu saí de cena, ela pediu para eu voltar, pois queria tirar a foto de um ocidental também. Talvez nunca tivesse visto um 😀.
      Numa das noites Marcelo foi conhecer o quarto compartilhado em que eu estava (acho que ele não estava acostumado a hostels) e achou interessante. Falou-me num dos dias que ele e Vanessa tinham ido ao Mosteiro de Samye sem ser numa excursão e que na volta ninguém lhes dava transporte. Passaram ônibus que não os aceitaram. Ele ficou apreensivo com a situação. Aí apareceu uma excursão de europeus (acho que eram alemães) e eles conseguiram integrar-se a ela para voltar. Ele me alertou para o caso de eu ir visitar Samye. Falou-me também que tinham pedido para tirar uma foto dele e, quando comentei sobre o ocorrido com a coreana comigo, ele comentou “Será que somos tão feios assim?!”.
      Muitas vezes o preço das passagens de ônibus não era claro (uma chinesa ou oriental comentou isso comigo), ainda mais para mim que não entendia a língua. Creio que paguei a mais numa das vezes. Neste dia, enquanto esperava a partida do ônibus, reencontrei uma mocinha francesa que havia conhecido no hostel. Ela ficou surpresa por eu estar pegando o mesmo ônibus que ela. Mas quando chegamos ela foi com seu grupo fazer uma caminhada pelas montanhas e eu fui visitar os mosteiros e locais de peregrinação.
      Eu tive vários problemas de comunicação. Numa das primeiras noites, entrei num restaurante chinês, fui até uma samambaia e peguei em uma de suas folhas para explicar que não comia carne. Pelo menos desta vez entenderam e me trouxeram macarrão com legumes. Porém trouxeram palitos, que eu não sei usar. Não tinham garfo e faca e me trouxeram uma colher. Depois de muito tentar eu usei a colher como um bastão e enrolei o macarrão nela. Quando levantei a cabeça para levá-lo a boca, percebi que havia várias pessoas ao meu redor, rindo da minha falta de habilidade com o assunto 😀.
      Num fim de tarde em Lhasa, quando eu procurava por algo para jantar, houve um mal-entendido com uma ambulante vendedora de comida. Eu perguntei se ela tinha pizza e ela não sabia o que era pizza. Pensei que pizza fosse um nome universal. Tentei explicar fazendo gestos, mas ela não entendeu. Aí procurei ser mais enfático e fazer um círculo pequeno com as mãos no formato de uma pizza. Eu acho que ela entendeu que eu estava interessado em alguma experiência sexual. Pegou a espumadeira ou algo semelhante que estava usando para cozinhar e fez gestos ríspidos para mim, falando palavras em voz alta. Eu me retirei e fui comprar outra coisa 😀.
      Numa visita a um mosteiro, os monges estavam meditando e eu estava de tênis. Para participar da meditação precisei tirar o tênis, mas depois de andar por vários dias em locais com terra e neve, acho que estava com enorme chulé . Um dos monges fez um gesto com a mão no nariz, típico de mau cheiro. Eu me retirei meio constrangido e recoloquei o tênis 😳.
      Os viajantes e comerciantes chineses pareceram-me muito gentis, diferentes do exército. Alguns turistas sabiam falar inglês e tinham curiosidade sobre o Ocidente. Porém não conheciam atrações religiosas nem históricas do Tibet.
      Numa ocasião eu não pude conhecer uma determinada atração (acho que era um templo ou mosteiro) devido ao horário. Voltei no outro dia e falei com o atendente, que depois de me perguntar se eu estava falando a verdade, ainda que meio desconfiado, permitiu-me entrar sem pagar novamente.
      Eu paguei por uma pequena extensão de 3 ou 5 dias para poder ficar um pouco mais, pois o Tibet era meu principal destino nesta viagem. Mas acabei não aproveitando muito devido às dificuldades de conseguir transporte de volta. Acho que foi devido a isto que fui ao banco fazer um pagamento de taxa e o atendente chinês caçoou da minha foto risonha no passaporte.
      O ônibus da agência de turismo que nos havia trazido estava previsto para sair dia 3 e acho que havia outro no dia 10 (não me lembro exatamente, acho que os ônibus saíam às 6.as feiras). Porém eu queria ver mais atrações e não quis pegá-lo. Com isso precisei procurar um outro transporte, o que não foi nada fácil.
      Como não havia ônibus disponíveis, tentei pegar carona com caminhoneiros provavelmente no domingo 12/10. Fiquei mais de 1 hora tentando, mas nenhum aceitou. Eu não sabia que era proibido levar estrangeiros. Alguns guias haviam dito que era possível. Tentei então falar com pessoas com Land Rover, mas não obtive sucesso.
      Procurei por vários agentes de turismo para ver se havia algum transporte saindo naqueles dias. Num hotel uma recepcionista indicou-me para um que disse saber de transporte para voltar, ligou para ele e me colocou na linha. Ele disse que seria possível eu ir. Eu não entendia direito o que ele falava, as informações pareciam desconexas e eu me irritei e até elevei um pouco a voz. Ele disse que viria falar comigo e em poucos instantes chegou. Aparentava estar alcoolizado. Começou a me explicar sobre a viagem e a certa altura explicou que seria à noite. Achei muito estranho e perguntei porque. Aí ele disse que era porque era ilegal e teríamos que sair do veículo perto dos pontos de checagem do exército, ir pela montanha até o outro lado e depois voltar ao veículo. Aí eu entendi o que ele estava propondo. Disse-lhe então que não tinha nenhum interesse. Antes de ir embora fui pedir desculpas para recepcionista do hotel por ter elevado a voz na recepção do hotel.
      Descobri então que precisava de uma permissão de viagem para poder fazer aquele trajeto. Agora entendi porque os caminhoneiros não tinham parado nem os veículos Land Rover aceitavam-me como passageiro. No dia seguinte fui até o escritório do governo obter a permissão de viagem, através do pagamento de uma taxa. E quem era o sub-encarregado que chegou durante a emissão da permissão de viagem? O mesmo agente que no dia anterior havia proposto para mim a viagem ilegal. Aí eu entendi como ele sabia todos os procedimentos para escapar dos pontos de controle ao longo do trajeto. Ele ainda riu e me cumprimentou. Eu lembrei da corrupção existente no Brasil ☹️.
      De posse da permissão de viagem, acho que na 2.a feira 13/10 fui até a rodoviária ver se encontrava algum transporte e havia uma van 🚐 que me indicaram. Mas na frente da van só havia letreiro em chinês. Eu estava sem caneta nem papel. Fui até o painel central da rodoviária e decorei cada caractere escrito e fui confirmar no letreiro da van. Fui do painel da rodoviária até a plataforma de embarque da van tantas vezes quanto o número de caracteres da palavra, uma ida para cada caractere, de modo a não ocorrer nenhum erro. Ainda fui mais algumas para confirmar e garantir. Com grande dificuldade, consegui comunicar-me com o motorista chinês e entender destino, preço, horário e condições de viagem. Ele chegou a tirar minha mala da van por achar que eu estava pedindo algo incompatível com a viagem. Fomos apertados por boa parte da viagem, até algumas pessoas desembarcarem. Devido aos mal-entendidos de comunicação o motorista e sua mulher estavam irritados comigo no início, mas ao longo da viagem, depois que ofereci biscoitos a todos e convivemos um pouco, a irritação passou. Consegui ver o Everest 🏔️, pois desta vez o céu estava limpo. Eles não pararam, pois a viagem não era turística, mas deu para ter uma boa ideia da montanha, embora meio apertado e sem jeito na van. Em um posto de controle, um guarda parou o carro, fez um monte de perguntas a todos, olhou suas bagagens e quando chegou a minha vez e lhe perguntei mansamente em inglês em que poderia ajudá-lo, ele se assustou por eu ser estrangeiro e não me revistou. Os outros pareceram falar rindo que o melhor seria dar para mim suas bagagens, pois os guardas tinham receio de fazer qualquer procedimento. Já perto do anoitecer furou um pneu e o motorista trocou. Até me ofereci para ajudar, mas ele não quis. A parte final do percurso foi à noite, justamente a descida mais íngreme, o que me pareceu um pouco assustador em meio àqueles precipícios. Deixaram-me em hotel de uma conhecida ou parente, que custava 100 yuans. Ela fez o sinal de 1 e eu pensei que fosse 1 yuan, mas estava enganado. Mesmo com ela aceitando negociar, fui procurar outro e acho que paguei 25 yuans. Um guarda pediu-me a permissão de viagem no fim do trajeto. Foi a única vez que foi pedido. Dormi em Zhangmu.
      Acho que na 3.a feira 14/10, fora do prazo do visto inicial, mas dentro da extensão que havia conseguido, fiz a viagem de volta para o Nepal. Saí de manhã e fui a pé. Os taxistas passavam por mim caçoando por eu estar indo a pé. No meio do trajeto parei para descansar um pouco e admirar a paisagem e esqueci o boné. Depois de já ter andando bastante (cerca de meia hora) sentia a falta do boné e voltei para pegar. Cheguei em Kodari, no Nepal, perto do meio dia (agora o fuso horário estava a meu favor). Peguei um ônibus que acho que iria até um ponto intermediário para pegar outro ônibus para Katmandu. Estava havendo uma discussão entre os passageiros e os donos do ônibus sobre o preço da passagem. Fiquei feliz que riram e pareceram entender-se e perguntei a um dos passageiros a meu lado o que tinha ocorrido. Aí ele me explicou que haviam concordado no preço da passagem e que de mim (o estrangeiro) seria cobrado bem mais 😠. Não gostei muito da ideia, levantei-me e disse que pegaria outro ônibus para outro lugar. Num primeiro momento não concordaram em que eu pagasse o mesmo dos outros, mas quando levantei em direção à porta mudaram de ideia e paguei o preço regular da passagem. Viajamos a tarde toda. Furou o pneu uma ou mais vezes (acho que foram 3 vezes, uma vez cada pneu). Cheguei em Katmandu à noite.
      Na 4.a feira 15/10 acho que fui para Janakpur. Havia deslizamento de terra e ficamos parados por muito tempo. Num dos locais de parada, quando desci, o motorista do ônibus pediu-me para voltar para o ônibus e partimos. Pareceu estar com medo de um estrangeiro chamar a atenção de pessoas que faziam parte da disputa política. Lembrei-me da frase do indiano, quando conversávamos sobre a situação política, dizendo para eu não ir ao Terai, e do agente de turismo dizendo para eu não ir à região de Lumbini. Mas eu queria conhecer Lumbini, cidade natal de Sidarta (Buda) e resolvi arriscar. Acabei não conseguindo chegar ao destino, devido ao enorme atraso e precisei pernoitar numa cidade no meio do caminho. Conheci um oficial do exército israelense de férias, após terminar o serviço militar obrigatório. Acabamos dividindo o quarto para pagarmos menos. Eu ainda fui tentar sair para jantar, mas naquela área havia toque de recolher às 20h. Perguntei até a um soldado como faria para jantar se o toque de recolher era tão cedo e ele me disse, com um certo tom de deboche, mostrando-me um pacote de biscoitos, que eu poderia comer biscoitos. Voltei ao hotel e resolvi jantar lá mesmo. Depois fiquei conversando com o israelense. Ficamos olhando da sacada do quarto e ele comentou que estava ouvindo tiros ao longe, que eu não ouvi. Ele disse que talvez fosse só impressão, mas que ele conseguia distingui-los por estar acostumado. Disse que era estranha para ele aquela experiência, pois várias vezes já tinha tido que comandar toques de recolher e agora ele tinha que obedecer um. Eu nada disse, mas pensei “Está vendo como os palestinos sofrem!”. Eu me falou de uma caminhada que havia feito pelas montanhas, até o Lago Gosaikund. Ao perguntar sobre problemas com guerrilheiros, ele me disse que algumas pessoas disseram que eles cobrariam dinheiro em vários pontos, mas que não havia aparecido ninguém durante sua caminhada. Disse que a trilha era tão clara no chão que nem era necessário mapa. Eu achei muito interessante, e como ainda teria tempo, considerei a possibilidade de fazê-la. Ele me ofereceu o mapa, eu educadamente recusei, mas ele disse que não usaria mais e não haveria problema em me dar. Disse que havia sido muito bem tratado em vários locais por brasileiros e argentinos e esperava pela oportunidade de retribuir. No dia seguinte, quando acordei ele já tinha partido e tinha deixado o mapa para mim.
      Fui então para Janakpur. A cidade em si parecia tranquila, longe daquele clima tenso do trajeto e de Katmandu. Havia muitos templos e edificações religiosas. Gostei bastante de lá . Mostrava uma outra face do Nepal, hindu, simples, como um povoado interiorano. Numa tarde fiquei contemplando a paisagem sentado numa praça, após ter visitado vários locais.
      Para as atrações de Janakpur veja https://www.holidify.com/places/janakpur/sightseeing-and-things-to-do.html e https://www.lonelyplanet.com/nepal/the-terai-and-mahabharat-range/janakpur. Os itens de que mais gostei foram os templos, alguns integrados com atrativos naturais .
      Acho que foi no sábado 18/10 que fui para Lumbini. Viajei durante todo o dia e cheguei lá no fim da tarde. Desta vez o tempo gasto com deslizamentos foi um pouco menor e a viagem pode ser concluída no mesmo dia. Procurei um hotel para ficar e um dos recepcionistas de um deles foi muito afoito, querendo que eu ficasse a qualquer custo. Resolvi então ficar em outro. Saí para dar uma volta e quando voltei o recepcionista havia me mudado de quarto sem me consultar, pois tinha chegado uma família (acho que era de judeus) e ele cedeu meu quarto para eles. Apesar de não ter gostado de não ter sido consultado, eu aceitei sem problemas. Fiquei no mesmo quarto com o motorista da família. Ele era indiano e conversamos bastante sobre a Índia e a situação geopolítica na região.
      Para as atrações de Lumbini veja https://nepalecoadventure.com/lumbini-attractions-in-lubmini/, https://www.lonelyplanet.com/nepal/lumbini/attractions/a/poi-sig/357154 e https://www.welcomenepal.com/places-to-see/lumbini-nepal-birthplace-of-buddha.html. Os itens de que mais gostei foram os templos budistas reunidos, cada qual de uma origem ou linha .
      Havia uma espécie de parque onde cada linha do budismo tinha um templo. Achei maravilhosa a ideia. Foi bastante interessante notar como as imagens de Buda eram diferentes e parecidas com as características da população de onde era o templo. No templo chinês Buda parecia um chinês, no templo japonês Buda parecia um japonês, o mesmo no tailandês, no indiano, no tibetano e assim por diante. As pessoas projetavam-se fisicamente no seu líder (ou na sua divindade para alguns). Gostei também de conhecer o sítio histórico onde Sidarta nasceu e cresceu. Havia também um templo que achei maravilhoso, a World Peace Pagoda. O motorista da família pareceu ter ficado deslumbrado com este templo.
      No dia de vir embora, o recepcionista do hotel falou-me que eu tinha que pagar uma taxa adicional de serviço que ele não havia dito. Queixei-me por ele não ter falado no início, paguei e me arrependi de não ter ficado no outro hotel.
      Acho que na 3.a feira 21/10 peguei o ônibus de volta para Katmandu. Novamente a viagem foi longa e com várias checagens de segurança por parte do exército. Cheguei em Katmandu no fim do dia.
      Numa das viagens paramos num local na estrada para comer, eu pedi uma espécie de salgado bem pequeno, pois não me dava bem com toda aquelas especiarias e pimenta. O atendente vendo que eu era estrangeiro e querendo agradar-me colocou por conta própria um pouco de recheio apimentado. Eu sorri e agradeci. Numa outra ocasião um jovem soldado (quase um menino) que entrou no ônibus para fazer uma inspeção perguntou-me algo em nepalês. Eu respondi em inglês que não falava a língua dele, ele não entendeu, os outros passageiros explicaram e ele se foi. Em outro trecho veio um camponês bem simples a meu lado. Acabou dormindo no meu ombro. Numa das paradas bebeu a água oferecida no restaurante na própria jarra. Parecia não estar acostumado a áreas urbanas.
      Fiquei no mesmo hotel em Katmandu. Quiseram até me cobrar mais, mas quando disse que então daria uma volta para procurar por outras opções, voltaram ao preço anterior. Numa das minhas passagens por lá um menino que lá trabalhava perguntou se eu não queria que lavassem minhas roupas, pois estavam sujas. Como ainda tinha uma semana e meia antes da volta, decidi fazer a caminhada pelas montanhas. Pedi ao gerente ou dono que guardasse o dinheiro em espécie que tinha comigo, pois muitos haviam relatado que nas montanhas poderiam haver guerrilheiros que iriam pedir dinheiro. E como eu tinha errado na conta, estava com bem mais dinheiro do que precisava. Ele guardou US$ 800.00 em seu cofre, sem cobrar taxa nenhuma e me deu um recibo. Um dos atendentes ofereceu-me um gorro, pois achou que eu não estava adequadamente preparado para ir às montanhas.
      Para informações sobre a caminhada para o Lago Gosaikund veja https://en.wikipedia.org/wiki/Gosaikunda e https://www.nepalsanctuarytreks.com/gosaikunda-best-time-to-visit-cost-and-weather.
      Na 4.a feira 22/10 peguei um ônibus para perto do Parque Chisapani para começar a caminhada. Eu estava começando pelo lado contrário ao da maioria, mas optei por fazê-lo porque o ponto de início era bem mais próximo de Katmandu. Paguei a entrada e comecei a caminhada. Parei no povoado de Chisapani (acho que o nome era o mesmo do parque) antes do anoitecer. O mapa que o israelense havia me dado estava sendo bem útil. Lá conheci vários outros caminhantes, mas acho que todos pretendiam ir para outros destinos, a maioria para Langtang. Conversei bastante com um irlandês, que trabalhava nos Emirados Árabes. Falamos sobre a caminhada e temas gerais. Ao falar da minha preocupação com possíveis problemas com a guerrilha ele me disse para ter cuidado, posto que eu estava indo só e sem guia. Falou que não queria ver-me nos noticiários. Se bem me lembro foi aqui que conheci um grupo de alemães (acho que eram 2 mulheres e 2 homens, provavelmente 2 casais), que iriam fazer parte da caminhada comigo. Um dos alemães caçoou de mim ao longo da caminhada, dizendo que eu era um viajante profissional, pois minha mala era muito menor do que a deles e eu ia mais rápido. Falaram até em viajarmos juntos, mas eu lhes disse que nos encontraríamos ao longo do caminho. O dono do hotel em que eu tinha ficado falou que naquelas áreas era costume comer onde se dormia, mas eu acabei saindo para comer em outro restaurante. Acho que a altitude era por volta de 2.215 metros.
      Na 5.a feira 23/10 não sabia bem onde deveria planejar chegar. Logo na saída de Chisapani perguntei a alguns viajantes que chegavam e eles disseram que haviam dormido em Kutumsang, que era um povoado maoísta e que não tinham tido nenhum problema e ninguém lhes havia pedido dinheiro como pedágio. Encontrei alguns outros grupos com guias no princípio da caminhada. Um pouco a frente havia um homem, com cerca de 60 anos, e seu ajudante, bem mais jovem, ao lado de uma mesa, bem no meio do caminho. Ao me aproximar ele cordialmente falou para eu sentar. Se bem me lembro fiquei em pé e começamos a conversar. Ele tentava explicar quem era e eu, imaginando do que se tratava, tentava desconversar, até falando às vezes em português, que ele não entendia. Até que, percebendo que não sairíamos daquela situação e que era importante continuar a caminhada logo para não ter problemas com o anoitecer mais adiante, resolvi ir direto ao assunto. Perguntei então “Quanto?”. Aí ele abriu um largo sorriso e disse que semelhantemente ao que havia pago na entrada do parque para o governo, deveria pagar para eles a mesma tarifa. Eu disse para ele esperar e voltei para trás para reencontrar o grupo com os guias. Expliquei a eles o que havia ocorrido e eles se mostraram preocupados. Falei com um deles para conversar com o homem e explicar que eu era de um país pobre, não era americano nem europeu. O guia foi lá, eles conversaram, não sei se pagou algo a ele para seu grupo, mas o homem disse que eu podia passar sem nada pagar. Fiquei meio desconfiado, mas segui em frente.
      Comecei a subida de uma colina e lá no alto havia um homem de uns 30 anos, com traços orientais e com fisionomia séria e fechada. Achei que poderia estar associado aos que pediram dinheiro lá embaixo. Achei que não era uma boa ideia cruzar com ele olhando para o chão, pois era interessante saber se desejava algo. Quando se fecha o diálogo resta a violência. Ele me olhou sério, com a testa franzida, eu fiz um levíssimo aceno de cumprimento, quase imperceptível, e prossegui. Ele nada disse. Mais para frente reencontrei os alemães, que haviam saído antes. Perguntei-lhes se não haviam encontrado o homem na mesa e uma das mulheres me disse que havia visto um homem que havia lhe dito para sentar e ela o ignorou, pois não iria sentar com um desconhecido num lugar deserto 😀. Quando lhes disse que provavelmente era um representante da guerrilha, surpreendeu-se e ficou um pouco assustada. Um dos homens então me disse para viajarmos juntos, pois esta era uma razão ainda mais forte. Eu até que concordei, mas deixei-os fazendo sua refeição e prossegui só.
      Estava meio preocupado com o ocorrido e como à frente havia uma zona maoista, não sabia bem pelo que esperar. Não sabia o quanto o não pagamento poderia gerar de repercussões. Já depois do meio da tarde, perto de 16h30, avistei o povoado de Kutumsang e vi a bandeira maoísta tremulando 😱. Aquilo trouxe-me receio do que poderia vir. Havia também mensagens escritas em paredes dizendo “Abaixo ao exército real americano”, numa alusão ao possível apoio dos EUA ao rei do Nepal contra os maoístas. Cruzei boa parte do povoado e decidi tentar ficar ali mesmo. Procurei por uma hospedagem e um rapaz do povoado, provavelmente algum tipo de sentinela informal, ajudou-me. Levou-me a um tipo de hotel simples. Fiquei hospedado lá, sem ir procurar por outros para não gerar nenhum tipo de problema. Pedi para a dona cobertor e lençol e ela pareceu surpresa, esperando que eu tivesse comigo. Quando pedi ainda uma toalha ela falou irritada “Você não tem nada!?” 😀. Enquanto me organizava no quarto ouvi ao fundo o rapaz que me havia trazido àquele hotel conversando com alguém, talvez o responsável da guerrilha na área, sobre quem eram os hóspedes que haviam chegado, europeus, israelenses e quando o responsável perguntou quem era eu, ao me ver de costas de longe, sua voz ficou bem mais descontraída e ele disse “Ah, esse rapaz é do Brasil!”, num tom que me pareceu bem amistoso.
      A noite conheci pai e filho de Israel que estavam fazendo a caminhada. Logo de início perguntei ao filho de onde eles eram e ele pareceu desconfortável com isso, dizendo “Esta a primeira pergunta que você me faz?!”. Mas depois, conforme conversamos durante o jantar, o tom ficou amistoso e compartilhamos experiências da viagem. Falamos também sobre a situação de Israel e ele me desaconselhou viagens para lá naquele momento, falando também que o custo de vida estava muito caro. Falou que para ele era um feito ir com seu pai que já estava na casa de 50 anos para uma caminhada daquelas nas montanhas. Acho que a altitude era por volta de 2.470 metros.
      Na 6.a feira 24/10 de manhã fui em direção a Gopte. Inicialmente Procurei um local para tomar café da manhã. Vi um homem cozinhando batatas. Propus para ele comprar várias batatas e ele aceitou. Foram meu café da manhã e almoço. Não consegui nada para tomar por perto e resolvi seguir assim mesmo e tentar encontrar ao longo do caminho. Neste trecho a caminhada ficou mais íngreme. Cruzei com um casal que voltava do Langtang eu acho e me disseram que não havia maoístas por lá. Acho que foi neste trecho que vi um menino sentado no alto de uma colina enquanto eu comia pães de forma de um saco. Como é costume no Brasil, ofereci para ele e ele aceitou. Depois de lhe dar prossegui. Haviam algumas possibilidades de trilha e eu estava pegando uma que achei ser a certa. Mas o menino disse-me com gestos para não pegá-la e pegar outra. Acho que ele evitou que eu cometesse um erro. Provavelmente fez aquilo por ter simpatizado com meu gesto de lhe oferecer pão. Cruzei também com uma europeia ou americana com um guia e ela me disse para tomar cuidado, pois haviam visto vários guerrilheiros no meio de mata nas montanhas. Disse-me que nada havia pago mais talvez devesse ter pago. Num determinado ponto havia uma bifurcação possível, por uma floresta de bambus, onde o mapa dizia poderem existir tigres, ou por uma área em que seria mais provável a presença de guerrilheiros. Achei improvável a presença de tigres, ainda mais durante o dia. Acho que o mapa provavelmente se referia a uma época muito anterior ou a animais menores. Fui pela floresta, um pouco preocupado e prestando bastante atenção, mas não tive nenhum problema. Cheguei em Gopte no fim da tarde. Estava com a barriga começando a doer. Pela minha completa ignorância em ciências biológicas não fiz a associação clara da dor com a ausência de hidratação . Como não estava quente não sentia muita sede, mas certamente o rim e outros órgãos estavam reclamando da falta de água. Ali era bem mais alto e a vista dos locais mais baixos e das montanhas pareceu-me espetacular. Conheci um casal de turistas, um judeu e outros peregrinos. A dor piorou bastante 😒. A moça ofereceu-me comprimidos para desarranjo intestinal, mas eu lhe disse que era o oposto disso. Comecei a desconfiar que o problema era falta de água. Pedi uma sopa para o jantar e isso resolveu tudo. Em alguns instantes a dor diminuiu bastante. Aí, percebendo o que tinha ocorrido, resolvi tomar muito líquido. Foi ótimo para o problema, porém fez-me ter que acordar durante a noite para fazer xixi. Ao ver que tinha melhorado, o judeu falou-me que indisposições estomacais ou intestinais aconteciam em viagens o tempo todo. Acho que foi aqui ou em Kutumsang que conversando com um dos guias falei que não sabia se iria a Langtang ou ao Gosaikund. Ele me disse que se pretendia ir a Langtang deveria ter pego outro ramal da trilha bem antes, pois agora o caminho ficaria bem maior. Decidi definitivamente então ir ao Gosaikund. O hotel ficava no alto de uma colina e fui até a ponta observar o céu noturno e a vista. Achei muito belos, apesar da escuridão. Durante a noite, devido à enorme quantidade de líquido ingerido, precisei sair para ir ao banheiro. Mas estava tudo escuro, as luzes apagadas e eu não tinha lanterna. Não consegui achar o banheiro e fui até a ponta da colina, que era arredondada, e fiz xixi lá mesmo. Acho que foi um pouco arriscado, porque eu não enxergava nada e fui tateando o chão, para ver até onde poderia ir 😀. Mas como a colina era arredondada e não com queda abrupta, achei que o risco não era tão grande, apesar da altura. Consegui sem problemas e voltei a dormir. Acho que a altitude era por volta de 3.440 metros.
      No sábado 25/10 fui para o Lago Gosaikund. Inicialmente tomei café da manhã, agora bem mais atento à questão da água. Depois, conversando com o judeu, ele disse que apesar de ser sábado, talvez fizessem um pequeno deslocamento para outro povoado próximo. Ele havia me dito que não estava muito bem (não me lembro se era por causa da altitude ou algum problema devido à caminhada). Após andar um pouco arrotei, mais alto do que imaginava, devido ao monte de líquido que tinha tomado. Poucos minutos depois cruzei com a mulher do judeu e seu filho pequeno, que acho que estavam vindo encontrar o pai. Percebi sua fisionomia tensa, talvez por eu ser um desconhecido numa área deserta, talvez tivesse ouvido o arroto e pensado que eu poderia ser árabe e contra judeus. Vendo isso, para tranquilizá-la, cumprimentei-a falando “Shalom”. A fisionomia dela mudou completamente, ela sorriu levemente e pareceu ficar tranquila. Caminhei mais um pouco satisfeito pelo terreno ser quase todo plano, com poucas subidas e descidas. Uma das alças da minha mala havia quebrado e eu estava tendo que carregá-la nas mãos, em vez de pendurá-la nos ombros, o que tornava a situação um pouco desconfortável. Um pouco mais à frente vi uma subida, que não imaginava ser tão grande. Era a subida para a Passagem Laurebina. Acho que demorei de 2 a 3 horas nesta subida. A passagem no topo ficava a cerca de 4.610 metros. Aí eu entendi porque a ampla maioria fazia o caminho contrário, começando por Dhunche. Cruzei com amigos belgas descendo, que quiseram me animar e disseram que eu estava quase chegando e que poderia conseguir alguma forma de consertar a mala quando chegasse no hotel. O clima ia mudando conforme eu subia e o ventou ia ficando mais frio e mais forte. Começou uma leve neve 🌨️. Quando cheguei lá em cima estava totalmente sem forças 😫. Tanto foi assim que precisei sentar numa pedra para me recuperar. Fiquei uns 5 minutos sem conseguir ver nada. Depois percebi a paisagem magnífica (). Como a subida havia sido íngreme era possível apreciar uma ampla vista sem obstáculos das partes mais baixas. Do outro lado havia a vista das montanhas com mais de 5 ou 6 mil metros de altitude. Havia também a vista do lago principal e de pequenos lagos anexas. Fiquei ali cerca de meia hora deliciando-me com a paisagem . Se bem me lembro cheguei a meditar um pouco também. Depois segui para a sede do povoado, que não era longe. Apesar disso eu estava bem cansado e fui vagarosamente. Fiquei num hotel sem chuveiro quente (acho que só havia um com chuveiro quente naquela época). Não tomei banho nos dias em que lá fiquei. Procurei ficar num hotel não turístico, de habitantes locais ou tibetanos. Depois de me acomodar dei uma pequena volta nas proximidades. Achei linda a vista do lago e das montanhas. Pedi um cobertor adicional para a noite. No meu quarto havia 2 camas e entrava vento pelas frestas da parede. Acho que a altitude era por volta de 4.300 ou 4.400 metros.
      No domingo 26/10 fui explorar os arredores e apreciar a paisagem. Subi numa das montanhas laterais, a menor delas, que tinha vista para as montanhas de Langtang. Fiquei lá apreciando a paisagem e meditando. Inicialmente o tempo estava coberto, mas depois abriu em boa parte e foi possível admirar o esplendor das altas montanhas cobertas de neve. Achei a vista a partir dali maravilhosa . Fiquei lá mais de uma hora e depois desci e fui tentar subir a montanha do outro lado. Esta era bem maior e subi só até a metade, pois a partir dali pareceu-me que começava a ficar perigoso e exigir equipamentos, experiência e conhecimento, sendo que eu não tinha nenhum deles. A vista também agradou-me bastante. Fiquei lá algum tempo, mas menos do que na montanha anterior. Desci e já estávamos no meio da tarde. Fui então dar uma volta no lago. Até que me deu vontade de nadar, pois abriu um pouco de sol. Mas eu não tinha levado roupa de banho e a água estava com a temperatura muito baixa. Mais tarde o dono do hotel diria que eu poderia ter nadado nu, o que me fez rir. Já perto do fim da tarde voltei para o hotel. Haviam chegado 2 viajantes israelenses e 1 americana chamada Alisson com seu guia local. Um pouco mais tarde começou a nevar 🌨️. Os judeus mostraram-se entusiasmados, pois provavelmente não estavam acostumados à neve. Eu também achei a cena bela. A americana não deu muita importância, provavelmente via neve com frequência. A neve acentuou-se e cobriu parte da paisagem de branco. Eles começaram a jogar cartas e eu preferi ficar apreciando a paisagem e descansando. Conversamos sobre a viagem, jantamos e fomos dormir. Eu mudei de cama durante a noite, pois com o vento que entrava pelas frestas, mesmo com os cobertores e agasalhos, eu estava com frio .
      No meio da noite acho que o telhado não aguentou e caiu um pouco de neve e gelo na cama em que eu não estava e em que tinha dormido no dia anterior. No meio da noite eu precisei ir ao banheiro. Saí de pijama e com um agasalho para o peito. O banheiro era externo. Fui até ele, que era logo do lado do hotel, fiz xixi e apreciei a paisagem do lago, que tinha ficado ainda mais bela após a neve. Parte das pedras estavam cobertas de neve e o céu estava claro, fazendo uma cena que achei linda. O céu estralado também estava maravilhoso, talvez o mais espetacular que já tenha visto . Voltei rapidamente para o hotel, pois estava muito frio, talvez abaixo de zero. Porém o vento havia batido a porta e ela estava trancada. Acho que de algum modo, quando bateu girou o trinco. Eu estava preso do lado de fora. E o banheiro era num local de difícil acesso sem ser pelo hotel. Havia uma montanha atrás dele, o hotel na outra face, um precipício ao lado e o lago. Ou seja, a saída por qualquer opção não era simples. Resolvi tentar abrir a porta, mas não consegui. Admirei mais um pouco a linda paisagem e depois, já com bastante frio, resolvi bater na porta. Mas ninguém ouvia, provavelmente por causa do vento. Cheguei a pensar em tentar arrombar a porta ou escalar o telhado, mas aí pensei em chamar pela americana. Imaginava que estava dormindo no quarto em frente. Chamei-a pelo nome e ela estava acordada e me ouviu. Foi até a porta e perguntou “Fernando, o que você está fazendo aí?”. Eu respondi que tinha ido ao banheiro e perguntei se ela poderia abrir a porta. Ela pediu para eu esperar e foi chamar o seu guia. Enquanto isso eu aproveitei para apreciar mais um pouco a maravilhosa paisagem noturna e o lindo céu. Poucos instantes depois chegou o gia com uma lanterna e abriu a porta. Eu agradeci bastante e entrei. Ela ficou bestificada (e o guia também, mas um pouco menos) por eu estar de pijama, quase sem agasalho lá fora 😀. Fomos dormir.
      Na 2.a feira 27/10 quando eu acordei todos já estavam tomando café e já sabiam do ocorrido. Receberam-me rindo e o dono do hotel disse “Se você não tivesse sido escutado certamente teria arrombado a porta”. Eu disse que tinha ficado com medo de arrombar e depois ficar entrando vento e neve na casa. Eles riram um bocado e tomamos café. A dona riu pelo fato de eu ter oferecido o pagamento enquanto eles estavam com as mãos ocupadas fazendo o café pedido pelos outros. Durante a estadia o jovem dono disse-me que a situação era delicada. O exército vinha recrutar os moradores para fazer parte dele. Se a pessoa entrasse os maoístas a matavam. Se a pessoa se unisse aos maoístas o exército a matava. Então não havia saída. Pareceu-me uma triste realidade ☹️. Perguntou-me sobre procedimentos para conseguir viver no Brasil. Eu não sabia exatamente quais eram, mas lhe disse que achava que seria bem complicado para ele, pois era outra língua, outro alfabeto, outra cultura, outra religião da maioria da população e várias outras diferenças para a vida que ele estava acostumado a levar. Além do que estaria sem seus familiares e conhecidos e muito longe da sua terra natal. Achei a situação do país delicada, mas não me pareceu que naquele local ele estivesse em alto risco. Ele me falou também que achava que Buda era o Deus deles, mesmo após eu questionar se de fato era Deus ou um mestre.
      Após despedir-me de todos saí para descer. Antes apreciei a paisagem do local, principalmente do lago, que com a neve tinha ficado muito bela . Foi bem mais fácil descer do que subir 😀. As paisagens pareceram-me muito belas, embora devido à nevasca do dia anterior, os trechos mais altos estivessem nublados. O chão tinha ficado coberto de neve nos primeiros trechos. Não tive nenhum problema durante a descida e cheguei até Thulo Syabru, a cerca de 2.250 metros de altitude. Foi a parte mais íngreme. Achei que ainda dava para ir adiante e fui até Syapru Besi, a cerca de 1.460 metros de altitude. Já estava perto do fim da tarde e eu decidi ficar ali. Era um povoado bem maior do que os outros das montanhas. Havia muitas opções de hospedagem, eu fui a várias, mas acabei voltando a um dos primeiros (acho que foi o primeiro) em que havia passado. Era a casa de uma família. Todos pareciam muito simpáticos 👍. As crianças eram bem curiosas para conhecer um estrangeiro ocidental. Trataram-me muito bem. Ofereceram-me até um copo de leite ou semelhante no dia seguinte por cortesia, posto que eu não quis comprar o café da manhã, uma vez que em locais comerciais era mais barato. O clima estava muito menos frio.
      Na 3.a feira 28/09 fui andando até Dhunche e de lá peguei um ônibus para Katmandu. Na saída havia um posto de controle e tive que pagar pelo ingresso de visita, que ninguém tinha cobrado, que achei que não existia naquele sentido da caminhada e do qual imaginava ter escapado. Encontrei com vários franceses que estavam fazendo algum tipo de excursão ou trabalho voluntário. Uma das mulheres comentou comigo que seu marido cirurgião tinha ido fazer uma cirurgia num hospital local e tinha achado as condições deficientes. Ao longo do percurso de ônibus tivemos que parar várias vezes devido a checagens do exército. Os franceses pareciam bastante incomodados. Houve uma ocasião em que entrou um habitante local com uma galinha viva 🐔 e a colocou numa sacola na plataforma de bagagem acima das cabeças. Uma das francesas ficou bastante tocada com a situação, achando que a galinha estava morrendo e o nepalês pareceu não entender muito bem porque ela tinha ficado tocada. Chegamos em Katmandu já à noite. Alguns franceses que tinha conhecido antes conversaram comigo sobre a nevasca, a caminhada, despedimo-nos e voltei para o mesmo hotel. O dono devolveu-me a quantia que tinha guardado e eu devolvi o gorro ao atendente sem tê-lo usado.
      De 4.a feira 29/10 a 6.a feira 31/10 fui conhecer alguns projetos sociais em Katmandu e alguns pontos da cidade que não tinha visto. Fui conhecer projetos referentes a pessoas tentando livrar-se da dependência química, creches e educação de crianças e apoio a mulheres (https://www.etc-nepal.org). Neste último ofereceram-me uma refeição. Eu comi um pouco para não gerar aborrecimentos, apesar de ter carne (se bem me lembro era frango) e especiarias. Mas conhecendo ocidentais, eles me disseram para não comer se percebesse que meu organismo não assimilaria bem. Nestes dias aproveitei para jantar Dal Bhats, que estavam um pouco apimentados, e algumas comidas locais.
      Conheci uma inglesa que parecia muito ingênua. Tinha pago preços bem superiores por água mineral e estava prestes a contratar uma excursão também por preços mais altos. Porém percebi que ela não conseguia se virar sozinha com itens básicos. Então achei melhor deixá-la ser tutelada pelo pessoal do hotel, pois nas opções mais baratas a pessoa geralmente precisa fazer muitos procedimentos por conta própria, algo para que talvez ela não estivesse preparada. Aí provavelmente não valeria a pena a economia e faria com que a viagem dela não fosse agradável.
      No sábado 01/11 fui a Swayambhunath, que havia sido a stupa de que mais tinha gostado. Lembro-me de alemães indo visitá-la enquanto eu descansava no início da escadaria. Uma vendedora começou a acompanhar os alemães e um deles ficou para trás, deu dinheiro para ela e pediu cordialmente que os deixasse fazer a visita sem importunação. Meditei, apreciei a paisagem e me despedi de Katmandu.
      No domingo 02/11 saí no fim da manhã rumo ao aeroporto. Fui caminhando. Passei por um restaurante simples e comi momos, que estavam muito bons. Comprei também queijo de iaque, que achei maravilhoso 🧀. Cheguei ao aeroporto antes do horário e estava pronto para embarcar. Porém, parecia haver algum problema. Eu precisava sair na hora, pois tinha uma conexão em Nova Déli e outra em Mumbai. O avião deveria sair no fim da tarde e não tinha saído até o início da noite. Minha conexão provavelmente já estava perdida. Então fomos embarcados, porém somente jantamos e voltamos à sala de embarque. Foi bem confuso e houve bastante reclamação no aeroporto por parte dos passageiros. Por volta de 23h foi chamado novo embarque. Porém aí eu já havia perdido a conexão. Falei com o pessoal da Companhia Royal Nepal Airlines e me disseram que se não tinha um visto indiano era melhor não embarcar. Disseram que me dariam hospedagem e tentaríamos outro voo nos dias seguintes. Aceitei e fui para o Hotel Annapurna (https://annapurna-hotel.com) que indicaram. Eram um dos mais luxuosos de Katmandu, onde ficavam políticos. Fiquei até com medo de atentados, dada a situação política. Chegamos lá no começo da madrugada e fui dormir.
      Na semana de 03/11 a 08/11 fiquei tentando pegar um voo de volta. Inicialmente fui ao escritório da companhia aérea para tentar remarcar minha passagem. Disseram que estavam com problemas para fazê-lo, pois minha passagem não era remarcável, provavelmente devido ao baixo preço que havia pago. Fomos ao aeroporto em dois ou três dias durante a semana e ocorreu exatamente o mesmo problema, o avião atrasou e eu não fui. Um gerente disse-me que estavam com problemas no flap de um dos aviões, o que estava acarretando aquela situação. Precisei voltar ao escritório da Cia todas as vezes que perdi o voo. A atendente já parecia bem constrangida e nem sabia mais como me pedir desculpas. Havia também outros passageiros com o mesmo problema, mas acho que depois de algumas vezes eu passei a ser o mais antigo. Ficou clara para mim a precariedade da companhia, apesar da boa vontade das pessoas. Eu fiquei no hotel assistindo televisão, pois não podia me ausentar, posto que poderiam a qualquer momento pedir para eu ir ao aeroporto ou ao escritório. Tinha direito a todas as refeições gratuitamente. Apesar do clima já estar um pouco frio, lembro-me de ter nadado em pelo menos um dos dias. Quando sabia que num determinado horário não tinha possibilidade de voo às vezes saía um pouco para dar uma volta. Cometi o erro de deixar o queijo de iaque fora da geladeira, o que não o estragou, mas fez com que começasse a exalar um forte cheiro.
      No sábado 08/11 o gerente veio buscar-me para tentarmos novamente um lugar no avião, mas já me avisou que provavelmente teríamos o mesmo problema. Desta vez porém, quando chegamos ao aeroporto, descobri que existia um voo direto para Mumbai, que já deveria ter saído, mas estava atrasado. Isso me deu esperança, pois se me recordo meu voo de Mumbai para Joanesburgo saía por volta de 2 horas da manhã. Conversei com o gerente da Royal Nepal Airlines e ele me disse que precisaria ser verificada a questão financeira, pois um bilhete para Mumbai era mais caro do que para Nova Déli. Ponderei para ele o tempo que já estava esperando, as tentativas infrutíferas que tínhamos tido e o custo da hospedagem que estavam pagando para mim. Novamente houve grande confusão entre os passageiros devido ao atraso. Vários passageiros que já estavam esperando há dias para embarcar fizeram um bloqueio e impediram que houvesse outros embarques antes que o voo para Mumbai fosse autorizado. Chegaram a lutar fisicamente com os funcionários do aeroporto 👊. Eu estava na sala de espera da Cia e não vi, mas um outro turista estrangeiro que havia conhecido contou-me o ocorrido. Quando tudo parecia encaminhado para eu finalmente conseguir voltar para o Brasil, apareceu um russo e sugeriu que fosse invertida a ordem dos voos, indo o avião primeiro para Nova Déli, que era mais perto, e depois regressando e indo para Mumbai. Isso me faria perder a conexão em Mumbai. Porém havia tantas pessoas já esperando há horas no aeroporto e talvez dias na cidade, que a proposta não foi bem recebida pelos passageiros e a ordem dos voos foi mantida. Enquanto esperava na sala da Cia repentinamente desapareceram os funcionários. A seguir chegaram pessoas da segurança e da imprensa. Talvez tivesse havido alguma reclamação mais fundamentada e tivessem vindo para responsabilizar ou até prender algum responsável. Mas não acharam ninguém. Quando eu encontrava alguém mais exaltado no corredor sempre dizia “Eu sou passageiro”. Num dado momento tirei a carteira do bolso para mostrar ao gerente meu cartão de membro da Star Alliance, através da Varig, argumentando com isso que tinha direito a embarque prioritário nas companhias parceiras. Mas acho que da primeira vez ele achou que eu estava tentando suborná-lo e acenou negativamente com a cabeça, antes de eu mostrar o cartão. Mais adiante, depois que percebi a interpretação que ele tinha feito, tirei novamente a carteira do bolso, mostrei-lhe o cartão e expliquei sobre a Star Alliance e embarque em parceiras. Mas ele disse que naquelas circunstâncias não era válido, além do que eles não faziam parte da Star Alliance. Já perto das 8 horas da noite, quando eu já estava ficando preocupado e achando que não chegaria a tempo a Mumbai, chegou o seu auxiliar e me disse afoitamente “Ok, ok, cadê seu passaporte, sua bagagem, vamos embarcar”, como se eu já soubesse que tinham me autorizado a ir. Eu nem acreditei 😀. Será que desta vez conseguiria? Consegui. Embarquei no voo para Mumbai, o voo decolou por volta de 9 horas e chegou antes da meia noite. Realmente a Cia parecia precária. No pouso, pareceu que o comandante socou o avião no chão, tanto que um passageiro francês comentou sarcasticamente, quando ele ia falar aos passageiros pelo alto-falante após o pouso, “Antes de mais nada desculpe pelo pouso”. Mas o comandante não falou isso 😀. Quando disse em Mumbai que tinha vindo pela Royal Nepal Airlines, uma funcionária do aeroporto fez gesto de reprovação com a cabeça como quem diz “Sai dessa amigo!”. Esperei pela conexão, dei meu número de membro da Star Alliance para o atendente, que o marcou erradamente, tentei descansar um pouco e embarquei sem problemas pela South Africa Airways (SAS) para Joanesburgo.
      No domingo 09/11 pela manhã desembarquei em Joanesburgo. Tudo parecia resolvido e bastava esperar pelo embarque para São Paulo. Quando fui passar pelo balcão para fazer a conexão, o atendente me disse que havia sido feito uma atualização na passagem não permitida e eu teria que pagar aproximadamente US$ 720.00. Isso significava pagar quase a metade do valor da passagem por uma remarcação para um trecho de menos de ¼ (25%) da distância 💲. Eu achei inaceitável. Argumentei com o atendente que a responsabilidade pela remarcação não era minha, pois o avião não tinha decolado por várias vezes. Mas ele me disse que a SAS não era responsável por outras cias aéreas. Eu repliquei que tinha sido a SAS que tinha emitido o bilhete e portanto alguma responsabilidade ela tinha. Como a conversa estava se prolongando e esquentando, ele mudou totalmente de postura e disse que não queria me onerar e eu estava liberado da taxa. Eu agradeci, fui para o embarque e voltei para São Paulo. Após desembarcar decidi passar no controle de itens a declarar devido ao queijo de iaque que havia comprado. O atendente pediu para eu esperar e foi chamar o fiscal, que ao ver o queijo disse que eu não poderia entrar com ele, embora tenha permitido que eu comece um pouco ali. Talvez o cheiro que ele estava exalando tenha ajudado na decisão. Eu fiquei decepcionado e perguntei se iria ser jogado fora mesmo, pensando no desperdício ☹️, O fiscal perguntou se eu estava insinuando algo e me falou rispidamente que era melhor eu ir embora. Eu fui, mas o queijo foi apreendido por razões sanitárias (não era permitido entrar no Brasil com comidas não industrializadas).
    • Por Lucas Mourao Machado
      Olá pessoal pela primeira vez na vida venho a escrever um relato diário de viagem. Um blog. Não tenho muita experiência em blogs, mas devido a pouquíssimas informações que encontrei sobre São Tomé e Príncipe escrito por brasileiros resolvi deixar aqui o meu depoimento para ajudar futuros viajantes. Estou viajando eu Lucas e meu companheiro Jair. Nossa viagem iniciou-se em São Paulo dia 23 de julho de 2018 as 18:20h . Chegaremos em São Tomé dia 25 as 00:30h. Dia 3 de Agosto vamos em um vôo para Príncipe que volta para São Tomé dia 5 de Agosto. Dia 6 de agosto voltamos para o Brasil de madrugada e chegamos dia 7 de Agosto de madrugada. Ou seja. Ao todo serão 9 dias na ilha de São Tomé e 3 dias na ilha de Príncipe. Tentarei relatar com detalhes cada dia dessa viagem a esse país pouquíssimo conhecido.

      Pela nossa pesquisa anterior o que vale mais a pena para quem vem a São Tomé e Príncipe é trazer consigo Euro. São poucos os locais no país que aceitam cartão de crédito. Os que aceitam muitas vezes não tem as nossas principais bandeiras visa/master. Não existe no país caixas eletrônicos que aceitam cartões internacionais como os nossos para sacar dinheiro. Existe no país uma moeda local a Dobra. Quando utilizamos o euro nos dão o troco na moeda deles. Pelo que pesquisamos Dólar não é bem aceito.

      Calculamos uma média de 100 euros por dia fora os gastos com hospedagem e locação de carro. Pelo que pesquisamos os preços dos passeios com guia são bemmm salgados então conseguimos alugar um carro por 35 euros por dia em São Tomé e 50 Euros em Príncipe e pretendemos fazer os passeios por nossa conta. Quanto a segurança em circular pelo país o que me informaram é que para nós que somos brasileiros acharemos o lugar mais calmo e pacífico do mundo. Assim espero !!!

      Como São Tomé conseguiu sua independência de Portugal super recente (1975) ainda tem muita ligação com o país. Os portugueses são os turistas mais frequentes. Aconselho a quem quiser procurar mais blogs os melhores que encontrei foram de portugueses.

      Nosso vôo partiu de São Paulo com destino a São Tomé com escala em Luanda (Angola). Conseguimos comprar por R$1700,00 reais com taxas. O problema é a conexão em Luanda longuíssima de 18 horas que é onde me encontro neste momento escrevendo o relato do percurso. Saimos de São Paulo ontem as 18:20h. Chegamos em Luanda as 2:20h. 06:20h no horário local. Viemos de cia aérea TAAG. A maneira mais em conta de vir a São Tomé é pela TAAG mas tem essas escala gigantesca em Luanda. O vôo foi excelente. Boing 777 300 new generation. Um avião de dar inveja nos nossos humildes jatinhos. Nos serviram jantar e café da manhã super fartos e variados. Avião extremamente confortável com tudo de mais moderno que se tem hoje. Pousamos em Luanda e já sentimos aquela desordem tipicamente brasileira no desembarque. Viemos para a área de passageiros em conexão para aguardar nosso vôo para São Tomé que sai as 22:00h no horário local. O visto para quem quiser sair do aeroporto e passar o dia em Luanda custa 120 dólares por entrada. Ou seja, 120 na ida mais 120 na volta caso queira deixar o aeroporto em ambas oportunidades. Não pesquisei o que tem para fazer em Luanda pois nos assustamos com o preço e pretendemos fazer uma viagem mais econômica. Como aqui tem internet wifi gratuita no aeroporto não vai ser difícil passar o tempo. A área de conexão onde me encontro é relativamente ampla. Tem várias lojas e um free shop pequeno. Tem também 4 lanchonetes simples com o preço bem salgado. Paguei 7 dolares em um pãozinho com café. Recomendo comerem bem em São Paulo e no avião pois eles não deixam entrar com comidas e bebidas aqui na sala de conexão. Além do preço alto as opções não tem uma boa aparência. Uns salgados meio velhos e uma comidinha com um cheiro de gordura velha que não me interessou nem ver o cardápio. Os assentos são relativamente confortáveis. Dá para deitar em vários e tirar um bom cochilo. Tem um ar condicionado agradável então não vi problemas ... Diferente dos relatos que li na internet onde as pessoas reclamaram muito. Tem também uma área de grandes janelas onde conseguimos ter uma vista panorâmica da cidade o que ajuda a passar o tempo. O único porém na área de conexão são os pernilongos. Tem bastante. E como não podemos trazer repelente na mala de mão estamos expostos ao ataque. Aconselho virem de blusa de frio, meia, e calça para ajudar a evitar as picadas e também pelo ar condicionado que é bem frio. Espero que os pernilongos não sejam da malária hehe.
      Lojas no aeroporto de Luanda
      Lojas típicas do aeroporto.
      Lojinhas no aeroporto.
      Aeroporto visto da sala de conexão.
      Sala de conexão no aeroporto.

      Embarcamos depois de muita confusão na sala de embarque para São Tomé com 1 hora de atraso as 23:00 e adivinham... O avião também estava tomado de pernilongos hehe. Apesar dos sugadores de sangue, o avião também era ótimo. Um 737 novinho. Mesmo a viagem sendo rápida apenas 1:40 foi nos servido um jantar maravilhoso. A tripulação do avião não era bem treinada o vôo foi um caos. Uma desordem na organização das pessoas, do serviço, somado a falta de educação de alguns indivíduos, e o excesso de crianças no vôo deixou tudo bem complicado. Não posso dizer que aterrizamos na pista e sim caímos rs. Meu companheiro de viagem também ja fez ciências aeronáuticas e ele também ficou chocado. Pousamos de ponta em alta velocidade. Quando o avião tocou o chão todos gritaram rs foi um susto imenso. Estava muito nublado e acho que o piloto não tinha lá muita experiência. Desembarcamos e se ja achamos o aeroporto de Luanda desorganizado o de São Tomé é um tumulto. As pessoas desceram do avião e foram correndo para a sala de desembarque, sem fila, ônibus, nem nada. Correndo pela pista. Um empurra empurra danado sem a menor educação de alguns. Na imigração era claro que a policia não tinha controle de nada e nenhuma tecnologia. Não havia cameras de seguranca no saguão nem se quer um aparelho de Rx para revistar as malas. Um rapaz carimbava os visto sem muitas perguntas e entravamos. Um grupo de arruaceiros que estavam no nosso vôo estavam bem bebados. Deixaram uma garraga de whisk quebrar no chao e beberam a no bico quebrada com os cacos em frente a imigração sem nenhum problema. Uma verdadeira farra. Ao ingressar ao país sai rapidamente do aeroporto e me deparei com um campão escuro sem iluminação onde umas 100 pessoas aguardavam seus parentes. Não vi taxi nem nada parecido. Por sorte tinhamos contratado um serviço de transfer e no meio daquele multidão avistei um rapaz com uma plaquinha com o nome do nosso hotel. Nunca me senti tão aliviado. O rapaz do transfer muito carismatico trabalha neste primeiro hotel que estamos de onde escrevo agora. O nome é Sweet Guest House. Amei o hotel. Muito organizado, limpo, quarto ótimo com ar, banheiro limpinho, cama boa, muito espaço. Pessoal super receptivo e bem treinado. Chegamos tomamos um bom banho depois de 48 horas e capotamos.

      1° dia. Acordamos as 11 da manhã. Levantamos e partimos para o nosso primeiro contato. Neste dia pretendemos ficar mais pelo centro fazendo um city tour a pé pois pegamos nosso carro apenas amanhã. Como no centro de São Tomé tudo é perto não vimos a necessidade de carro neste primeiro dia. Confesso que no caminho do aeroporto para o hotel fiquei assustado em como vamos dirigir por aqui. As ruas são precárias e tudo bem desorganizado. Fomos direto para o mercado municipal e já foi aquele verdadeiro choque cultural. Um tumulto de pessoas, verduras, lugumes, especiarias e peixes vendidos a céu aberto. Bem interessante mas falta um controle sanitário pesado. Não consiguiria comer nada naquele mercado. As frutas, verduras e especiarias são bem semelhantes as nossas mais comuns. Uma ou outra desconhecida. Do mercado fomos almoçar em um dos restaurantes indicados nos blogs que pesquisamos. Xico's. Um lugar super agradável perto do mercado com uma comida gostosa e um atendimento muito bom. Todos aqui são muito solícitos e prestativos. Também tem uma pequena exposição de arte no segundo andar do restaurante. O preço da refeição do dia foi 180 dobras. 1 euro equivale a 25 dobras. Um lombo com pimenta salada e batata frita foi o que nos foi servido.

      Almoço no Xico's.

      Do restaurante fizemos um tour por nossa conta pelos principais pontos turísticos da região central.

      Entrada do mercado central
      Mercado central
      Forte de São Sebastião
      Palácio do Governo
      Baía Ana Chaves
      Forte São Sebastião
      Mercado da cidade
      Museu de artesanato

      A noite saímos para jantar na associação CACAU. Incrível!!! Passam um filme com apresentação da história de São Tomé, tem show ao vivo de músicas locais com dançarinos, e um jantar expetacular super farto por 20 euros. Só nao inclui bebidas alcoólicas. Fotos do jantar a seguir:

      Fomos e voltamos do jantar de taxi que nos cobrou 6 euros por percurso. Vamos dormir que amanhã cedo recebemos nosso carro e vamos sentido norte da ilha.

      2° dia . Acordamos as 8:00h tomamos nosso café da manhã no próprio hotel por 8 euros por pessoa. ( Sweet Guest House). Fizemos o check-out. Gostei muito do hotel. Muito limpo, super novo e bacana. Quarto e áreas comuns sensacionais. Os atendentes que trabalham são perfeitos super gentis e solícitos. Recomendo muito! Em seguida o pessoal da Ban ben Noun Tours chegou com nosso carro. Um carro bem antigo com uma luz de emergência ligada no painel e pneus bem carecas rs. É um toyota 4×4 bem antigo. Tem até toca fita ao invés de CD rs. Mas tem funcionado até o momento. Compramos um chip de internet em uma agência de telefonia móvel no centro para que possamos usar o GPS do google que tem sido muito útil. Depois disso seguimos rumo ao norte para nosa segunda hospedagem. Em 40 minutos chegamos ao Residencial Tamarindos. Amamos o hotel também. Quarto perfeito com ar, frigobar, banheiro ótimo, super novo e limpo. Deixamos as coisas e seguimos para as Roças do norte com uma boa parada de duas horas na Praia Lagoa Azul.

      Praia Lagoa Azul
      Amamos a praia. Quanto as Roças, que são antigas fazendas do seculo XX de café e cacau, estão todas destruídas e sendo usadas como abrigo pela população. O norte da ilha é extremamente pobre. De ambos os lados da estrada passamos por vilarejos paupérrimos. Muita pobreza mesmo como nunca tinha visto em nenhum lugar do Brasil. Mas pelo que percebi ninguém passa fome, pois, como é uma ilha, a pesca é intensa, e eles criam muitos animais que vivem soltos com eles... porcos,galinha,cabras.... também tem infinitas bananeiras, pés de cacau, cana , mandioca, mamão. Frutas bem semelhantes das nossas. Eles pedem o que eles não encontram. Doces rs. Ninguém nos pediu comida. As crianças vem correndo atras do carro pedindo doces em todos os lugares. Todos muitos educados sempre com um sorriso no rosto e prontos para nos ajudar em tudo. A pobreza assusta. Ainda mais que todos andam com um facão gigante na cintura mas não sentimos medo em momento algum. Após passar por todas as vilas e fazendas da época colonial mais ao norte (Santa Catarina, Diogo Vaz e Fernão Dias) voltamos e paramos para almoçar em um eco resort chamado Mucumbli. Maravilhoso! Evidente o abismo social existente como no Brasil.

      Estrada ao norte da ilha.
      Roças do seculo XX
      Meu Xará Lucas e seu côco
      Eco Resort Mucumbli.

      Vimos o pôr do sol em Mucumbli e voltamos para nosso hotel onde fomos surpreendidos pelo eclipse lunar que acontecia hoje. Simplesmente magnífico.

      Eclipse lunar.

      3° dia. Acordamos tomamos café e alugamos bikes no hotel por 5 euros cada. Fizemos um tour pelas praias da costa norte. Fomos ao Morro do Peixe uma comunidade de pescadores próxima ao hotel e de lá fomos a Praia dos Tamarindos, Praia do Governador, Comunidade Fernão dias, Comunidade Micoló, Cidade de Guadalupe e novamente Morro do Peixe. Foi um circuito tenso. As bikes eram péssimas fomos rezando para não quebrarem no caminho e quebraram bem no fim ufa rs. Elas não eram próprias para trilha e a estrada era péssima tanto a de terra como a parte em asfato. As comunidades extremamente pobres mas não sentimos medo. Comprimentavamos todos que passavam e eles ja abriam um sorrisão ainda mais quando descobriam que somos brasileiros. Chegamos a um restaurante esgotados quase mortos rs. Creio que o trajeto total deu uns 20 km mas pela péssima estrada, calor escaldante e as bikes péssimas pareceu que foram 100 rs. Almoçamos no restaurante Celva's. Menu executivo por 17 euros por pessoa. Único por perto foi nossa salvação. De lá pedalamos acabados para o hotel pegamos o carro e fomos a praia Lagoa Azul a mais bonita e mais limpa até o momento. As outras são muito próximas das vilas então acabam que são sujas e desembocam esgotos... Na volta da praia o segurança de lá nos pediu carona e nos levou a Roça Santo Agostinho creio que a maior. Chegou em seu funcionamento a ter 3000 trabalhadores. No momento encontra-se desativada e virou abrigo como todas as outras. Mais uma vez a pobreza chocou bastante. Nessa só não tivemos medo pois estavamos acompanhado desse amigo local que fizemos. De lá voltamos para o hotel jantamos e fim do dia !

      Praia dos Tamarindos
      Praia do Governador
      Caminho entre praias
      Caminho entre praias
      Almoço no Celva's
      Mapa da região do percurso de bike.


      Praia Lagoa Azul.

      Não tiramos fotos das comunidades pois fomos avisados a não fazer. O pessoal não gosta!!! E isso é sério rs. Quase tivemos problemas quando queriamos fotografar uma embarcação e a senhora achou que estavamos tirando foto dela. Foi tenso!!!! Então já fica o aviso. Jamais fotografem alguém sem pedir autorização.

      4° dia. Acordamos fizemos o check out e saimos sem tomar o café da manhã. Dirigimos direto para a região central e fomos para o Hotel Me-zochi. Este hotel é basicamente um jardim grande com uma casa central de madeira com algumas suites (creio que 4), e uma sala conjugada com cozinha comum. No hotel não havia ninguém para nos receber. A casa estava toda aberta entramos vimos algumas malas que devem ser de outros hospedes mas nem sinal de uma alma viva rs. Sai do hotel e fui a uma casa próxima onde o dono ligou para o rapaz que toma conta e ele disse que estava no centro fazendo compras e depois voltava mas que podiamos deixar nossas coisas em uma das suites rs. Fizemos conforme indicado e saimos para o nosso primeiro dia na região central. Começamos pela Roça Monte Café. Uma das únicas roças que mantém alguma produção após a independência do país em 1975. Todas as roças após a independência tiveram seus territórios divididos entre os trabalhadores que acabaram optando por um cultivo individual para sub existência e as dependências das roças viraram abrigo ou foram abandonadas. Apenas o Monte Café tem um museu do café que é do governo e uma cooperativa que é dos locais que estão tentando retomar o cultivo de forma coletiva e colocar de novo a Roça para funcionar. Super bacana a ideia deles. A cooperativa também faz um tour pelas antigas áreas de produção do café e cacau meio que disputando os turistas com o museu que é do governo. Fizemos o tour com eles para fortalecer a população. Foi ótimo. No final eles oferecem uma degustação de 3 tipos de café orgânico que são plantados lá e um chá. De lá fomos ao Jardim Botânico e adivinha? Também foi meio que abandonado. Pelo que o guia que contratamos explicou havia uma fundação da união européia que patrocinava alguns parques na África em vários países mas encerraram o projeto. De 24 trabalhadores restaram apenas 3 que fazem o tour meio que por conta própria. Apesar disso gostamos. O senhor que nos guiou trabalha lá a muitos anos e sabe muito sobre as plantas. Nos explicou sobre todas as frutíferas que foram trazidas pelos portugueses, as medicinais e as ornamentais. Pagamos 4 euros por pessoa a ele. De lá fomos a Cascata São Nicolau. Uma cachoeira que fica na beira da estrada de 20m de altura. Como estamos na época da Gravana,época de seca tem pouca água mas a natureza em volta é muito bonita bem preservada. Essa região central é mais montanhosa que o norte que é região de Savana. A mata é mais densa. Típica Floresta Tropical. Diferente do norte que é mais quente e seco. Aqui no centro chega a fazer um friozinho. Adoramos a Cascata pois havia uma turma de crianças e batemos muito papo. Nos contaram das novelas brasileiras que assistem os cantores de funk e sertanejo brasileiros que gostam. Eles escutam muita música brasileira mais até mesmo que a deles. E novelas só passa as nossas da Globo. A criança mais velha nos contou que queria muito fazer jornalismo ou sociologia mas que aqui nao tem universidade pública. De lá fomos a Roça Saudade onde funciona o museu Almada Negreiros um escritor e pintor nascido aqui que viveu em Portugal. Lá no museu também tem um restaurante com um mirante lindo! Almoçamos um menu executivo que foi a melhor comida até o momento. Duas entradas, prato principal e sobremesa sensacionais por 17 euros por pessoa. Voltamos para o hotel descansamos um pouco e não vimos ninguém. Realmente acho que é um hotel fantasma. Acordamos as 19:00h para jantar. Fomos ao Café Nunes. Comemos um franguinho bem fraco por 15 euros para os dois. Não recomendo comerem outro tipo de carne aqui que não venha do mar. Tudo do mar é muito mais fresco e os peixes são excelentes. Não vale a pena fugir do trivial percemos isso hoje rs. Voltamos para o hotel e adivinha? Ainda nao vimos ninguém!!!!! Entramos para o nosso quarto e aqui estamos. Estou com um pouco de medo de verdade rs. É um hotel fantasma mesmo. Amanha ja vamos para a costa oeste e acho que não terá ninguém para fazer o check out kkk muito doido isso.

      Roça Monte Café
      Jardim Botânico
      Cascata São Nicolau
      Museu Almada
      Restaurante Almada

      5° dia. Acordamos e gente adivinha. Apareceu 2 senhoras no hotel para fazer o café da manhã kkk. Nos prepararam uma omelete com pão e café. Comemos e partimos para o dia. Resolvemos fazer um tour pelo Parque Nacional Obô. Fizemos o percurso até a Lagoa Amélia. É uma cratera de vulcão a 1400 m de altitude que se encheu de água devido as nascentes próximas e teve sua superfície coberta por uma vegetação rasteira que nos permite andar por cima. Diz o guia que a cratera tem mais de 30 metros de profundidade. Quando andamos por cima dela parecemos que estamos sobre um colchão d'água. Super legal. São 3 horas o percurso de ida e volta. De lá voltamos ao Museu Almada e comemos novamente o menu executivo. Voltamos ao hotel buscamos nossas coisas e seguimos rumo a costa leste para a cidade de Santana. Nessa costa tem vários locais no Airbnb para hospedagem incríveis. As suites são cravadas na montanha sobre o mar com uma vista maravilhosa. É em um vilarejo paupérrimo. Custamos a encontrar nossa casa que alugamos no Airbnb que se chama Cabin Lover's. Amamos o quarto. No nosso terreno haviam 4 bangalôs do mesmo dono com uma escadinha que leva ate a praia que é meio que particular. São piscinas naturais incríveis. Eles oferecem todas as refeições no quarto a um preço ok creio que 15 euros o menu executivo e 8 euros o café da manhã. Chegamos nadamos rapidamente jantamos e ficamos a curtir o luar rs.

      Topo da Lagoa Amélia no parque Obô. Cratera do vulcão coberta por esse arbusto que nos permite andar por cima da água.
      Parque Obô
      Piscinas naturais do Cabin Lover's
      Varanda do quarto do Cabin Lover's.

      6° dia. Dormimos super bem. Acordamos as 6:00h para ver o nascer do sol no mar do quarto e 12:00 descemos para as piscinas naturais. Nadamos com umas crianças do vilarejo que apareceram por lá. Voltamos umas 14:00h fizemos as malas e partimos para o sul da ilha onde viemos nos hospedar no Jalé Ecolodge. No caminho paramos para almoçar no restaurante Mionga. Comemos o menu executivo por 10 euros e seguimos viagem. Passamos por várias praias bacanas mas não paramos pois pretendemos visita-las no nossos dias de hospedagem aqui no sul com mais calma. Também este hotel é bem longe. É a última hospedagem no sul. Da quase 2:30h de viagem da cidade de São Tomé. E como saímos tarde não queriamos parar para não chegar a noite. Ainda bem que fizemos isso pois chegando no Jalé tem uma vila extremamente pobre e é estrada de terra. Daria um pouco de receio passar a noite sem conhecer. O Jalé é uma praia particular onde ocorre a desova das tartarugas. É um hotel ecologico criado por uma ONG com apoio da união européia. Um lugar super roots. Só tem energia elétrica das 18 as 23 horas rs. O chuveiro é frio. Eles oferecem as 3 refeições e caso queira tem que avisar com antecedência. Jantamos hoje um polvo acompanhado de arroz, legumes, e banana frita. Comemos vendo o pôr do sol. Foi lindo. O Jalé tem apenas 3 chalés distribuídos em uma praia de 1 km particular. É uma verdadeira imersão na natureza. Relax total para quem curte essa vibe.

      Nascer do sol visto do quarto Cabin Lover's.
      Cidade de Santana. Piscinas naturais do Cabin Lover's.

      Pico Cão Grande. Pode ser avistado apenas da estrada no caminho para o Sul da ilha.

      Praia do hotel Jalé Ecolodge

      Jantar no Jalé ao pôr o sol.

      7°dia. Acordamos e junto a um guia que arrumamos aqui no Jalé saimos para desbravar as praias do sul. O guia é o segurança do Jalé que estava de folga neste dia e faz esses bicos nas horas vagas. Disse que poderiamos pagar o quanto quiséssemos. Oferecemos 10 euros por pessoa. Foi ótimo tê-lo conosco pois algumas praias não aparecem no mapa do google e ele nos levou também em uma cachoeira maravilhosa que jamais chegariamos por nossa conta. Ela não tem nem nome. Visitamos as praias Piscina, Cabana, Inhame, Grande, Micondó, e a cachoeira sem nome próximo a comunidade morro do peixe. Todas essas praias do sul são expetaculares e desertas. Em todas que fomos eramos as únicas pessoas na praia. Incrível!!! A que mais gostamos foi a praia Piscina. São várias piscinas naturais ótimas para nadar. A que estamos hospedados que é a Praia Jalé é a segunda mais interessante. Mas todas são únicas!!! Além dessas belezas naturais visitamos também a Roça São João dos Angolares. Ela funciona como um hotel e restaurante utilizando as estruturas da antiga Roça. Tem também uma exposição de arte bem interessante de artistas locais. É um lugar bem chick para os padrões daqui. Inclusive o presidente de São Tomé estava almoçando lá no momento. De lá voltamos para o nosso hotel na Praia do Jalé jantamos e descansamos. O jantar estava divino. Um peixe com ervas acompanhado de batata doce com um molho deliciso. Apesar do sabor maravilhoso ele não me fez bem. A noite tive febre, enjôo, e dor de barriga. Tomei uns remedinhos e consegui dormir.

      Praia Jalé.
      Os únicos 3 bangalôs no Jalé onde estamos hospedados. Pé na areia.
      Praia com rio proximo ao Pico Cão Grande.
      Cachoeira sem nome rs
      Mangue no sul que oferece passeio.
      Praia Hotel próximo ao Inhame.
      Praia Hotel Inhame
      Cachoeira sem nome.
      Pico Cão Grande.
      Praia Piscina.

      Roça São João dos Angolares.
      Museu Roça São João.

      8° dia. Acordei ainda um pouco indisposto. Hoje iriamos ao Ilheu das Rolas. Uma ilha aqui próxima onde tem um Resort all inclusive da rede Pestana e algumas praias bacanas. Tem também um marco onde passa a linha do Equador. Mas como ainda estou um pouco fraco decidimos ficar por aqui mesmo no Jalé. Curtir mais a nossa praia que é pé na areia e ficar bem próximo do banheiro rs. O passeio a ilha é de barco e sai do vilarejo de Porto Alegre que é paupérrimo. São 30 minutos de barco até a ilha. Vai que a dor de barriga volta no trajeto. Após o café da manhã e um cochilo me senti melhor e decidimos ir para a Praia Inhame bem próxima da nossa que tem um hotel super bacana estilo ecológico também mas com mais estrutura. Inclusive recomendo muito ele ao invés do nosso mas é mais caro. Chegando lá tinha um pessoal fazendo um tour para o Ilheu das Rolas por 10 euros por pessoa saindo do hotel mesmo em um barco muito mais confortável dos que o que saem de Porto Alegre que são de pescadores e ainda é 15 euros e mais longe. Como eu estava melhor embarcamos. A ilha é linda. Chegamos e fomos para o Resort Pestana. Pode entrar e participar do almoço e ou jantar sem estar hospedado. Rodamos o Resort todo para conhecer. Adoramos a piscina com borda infinita para o mar. Resolvemos rodar a ilha toda e voltar para almoçar no resort mais tarde. Fomos rodando a ilha que tem mirantes lindos com uma vista para o mar incrível. Depois fomos ao marco por onde passa a Linha do Equador. É um mirante bem no alto com uma vista surreal. De lá descemos para a praia mais linda que vimos em toda viagem a Praia Café. Perfeita para um mergulho e uma relaxada na areia fofinha. Ficamos umas duas horas na praia e voltamos para o Resort Pestana. Participamos do buffet livre que serviam por 28 euros por pessoa. Tinha de tudo um pouco gostamos bastante. Depois voltamos para o local onde marcamos nosso barco de volta as 16 horas. Retornamos para o hotel Inhame de barco onde tinhamos parado nosso carro e retornamos para o nosso hotel. O Jalé.

      Barco que sai do Hotel Inhame e faz a travessia.
      Piscina Resort Pestana.
      Bar e piscina borda infinita para o mar do Resort Pestana.
      Mirante em torno da ilha.
      Marco linha do Equador.
      Praia Café a melhor analisando todos os aspectos. Cor da água, limpeza da praia, temperatura da água, faixa e textura da areia, estrutura por trás com almoço etc...

      9° dia. Acordamos as 5h da manhã pois nosso vôo que vai para Príncipe partia as 9h da manha. E como o trajeto do extremo sul da ilha ate o aeroporto demora cerca de 2:30h saimos bem cedo. Pagamos na passagem para Príncipe 110 euros ida e volta. O avião é um bimotor turbo hélice para 35 pessoas. Foi tranquilo o vôo. Chegamos em Príncipe e conseguimis alugar um carro por 100 euros os 3 dias. Do dia 3 ao dia 5. O carro não era uma 4×4 como deve ser pois as estradas em Príncipe são péssimas. Mas por outro lado economizamos muito. Queriam nos alugar por 80 euros cada dia. 240 euros os 3 dias !! Absurdo !! Mas conseguimos esse carro com um local que nos alugou o carro particular dele rs. Nos hospedamos no hotel Príncipe Residencial. Pagamos 45 euros a diária. Hotel simples mas limpinho. Nesse primeiro dia fomos inicialmente a praia do Macaco e Praia do boi. Ambas maravilhosas pertinho uma da outra. Desérticas com uma natureza surreal. As praias mais bonitas de toda a viagem mais até mesmo que do Ilheu das Rolas. Ficamos umas 3 horas nessa praia nadando e curtindo o sol e de lá fomos a Roça Belo Monte. A Roça funciona como um hotel chiquérrimo super bacana de visitar e pode usufruir do restaurante mesmo sem estar hospedado. Como ja tinhamos comido apenas visitamos e voltamos para o hotel ja no fim do dia. Começou uma chuva torrencial e não saímos mais do quarto.
      Baia da cidade de Santo Antônio.
      Cidade de Santo Antônio.
      Praia do Boi a mais linda que fomos.
      Mirante Com vista para praia do Macaco
      Roça Belo Monte

      10° dia. Fomos na parte da manhã no Resort Bombom que tem uma ilha particular com um restaurante sensacional. Tem também um snack bar com uma piscina TOP que pode usurfruir por 15 euros sem estar hospedado. Se não nadar não paga rs. De lá fomos para o Resort Sundy Praia. Nele nadamos e passamos a tarde toda foi uma delicia. Ele é da mesma rede do Bombom e pode se usurfruir da piscina por 15 euros. A piscina é ainda mais TOP com uma borda infinita maravilhosa para a praia. De lá fomos tentar ver o pôr do sol na Roça Sundy. Outro hotel da mesma rede mas em cima das montanhas com uma vista linda. Lá fizemos um tour pela Roça onde se cultiva cacau e vimos tudo sobre a prova da Teoria da Relatividade de Einstein que foi feita lá. Um amigo de Einstein fotografou o Eclipse do sol lá de Sundy e provou que Einsten estava certo e que o Universo é curvo e a luz ao passar por ele distorce a real posição das estrelas no universo. Saindo de Sundy já era noite e fomos jantar na cidade de Santo Antônio onde fica nosso hotel. Comemos em um restaurante beira mar de um Português mas não tinha nem placa com nome.

      Resort Bombom
      Resort Bombom
      Resort Bombom
      Resort Sundy Praia

      11°dia. Acordamos e chovia. Queriamos aproveitar a manhã para darmos um último mergulho na praia Bombom que é a mais perto com a melhos estrada mas não deu devido a chuva. Fomos então a um mirante chamado Terreiro Velho. Bem bonito a vista mas a estrada péssima. Ele é sentido sul da ilha que é onde fica o Parque Florestal que ocupa a maior parte da ilha. De lá voltamos a cidade e visitamos algumas lojinhas até dar o horário que devolveriamos o carro 12:30h. O nosso vôo para São Tomé partiu as 14:20h. Chegando a Sao Tomé e como estavamos agora sem carro alugado reservamos com a mesmo pessoa que nos alugou o carro um transfer para o aeroporto de ida e volta por 10 euros por percurso. (Empresa Ban Ben Noun Tours). Ele nos levou para o nosso hotel o Hospedaria Porcelana. Hotel simples mas bem limpinho e organizado super bem localizado. Pagamos 40 euros na diária. Deixamos as coisas no hotel e fomo almoçar no Restaurante Papa Figo. Comemos um peixe gostoso compramos alguns artesanatos e voltamos ao hotel onde dormimos ate 00:30. O transfer nos buscou e nos levou para o aeroporto pois nosso voo partia para Luanda as 03:00h. Pegamos o vôo que foi super tranquilo voltamos para Luanda e aqui estamos aguardando para voltar ao Brasil :)

      Mirante Terreiro Velho

      Cidade de Santo Antônio.

      Dicas Gerais:

      $$$: Leve apenas Euro. Não aceitam dólar em lugar algum e não aceitam cartão mesmo!!!! Impossível sacar dinheiro. Recomendo 100 euros por dia fora hospedagem e dinheiro para aluguel de carro. Apesar de termos gastado apenas 50 euros por dia não é bom arriscar. Lembre que esta viajando para um país extremamente pobre de pouquíssima estrutura. Não vai querer passar aperto né?

      Hospedagem: Vale a pena ficar em uma hospedagem diferente em cada região da ilha. As estradas são muito ruins e se você for e voltar todo o dia para a cidade de São Tomé vai ficar muito cansativo e vai ter pouco tempo para aproveitar os lugares. Os hoteis estão todos no Booking e Airbnb.


    • Por Carlosfuca
      Parte 1: Introdução e Roteiro
      O fato de poder pisar no Continente Africano está diretamente relacionado às minhas aspirações de pelo menos quatro anos pra cá. Tempo esse que pude saber que foi em África que se instalou os primeiros seres humanos do mundo, ou seja, o continente Africano é o Berço da Humanidade. De sua antiguidade clássica provem as primeiras civilizações que consolidaram diversos feitos avançados para época e que foram modelados para civilizações de outras partes. As dificuldades que se presenciam nos dias de hoje em África foi devido o advento das invasões europeias e também das invasões árabes, todo o passado de glória se perdeu e transformou no que podemos ver ainda no século XXI e o que ocorreu nos séculos anteriores de desmantelamento cultural e exploração intensa desde pelo menos o século XVI.
      De certo que existe a importância cultural (e de certa forma política), mas essa viagem teve um aspecto mais mochileiro/turístico com uma diversidade de atrações e com certeza contando com o espetáculo da natureza, a exuberante paisagem do sudeste africano. Foram 23 dias de viagem, onde parti de São Paulo dia 04 de Julho de 2017 e só retornei no dia 27 do mesmo mês.
      Antes de ir, apesar de estar próximo de se realizar um grande sonho e do que esse momento significava pra mim, o planejamento foi feito bem rapidamente utilizando o pouco de experiência que tenho em fazer meus roteiros com informações da internet. Não agendei previamente (no Brasil) nenhum "Tour", transporte ou acomodação, apenas comprei a passagem para Cidade do Cabo (Cape Town) pela Angola Airlines (TAAG) que custou R$1960,00, renovei meu passaporte e chequei se eu precisava tomar a vacina contra Febre Amarela. No caso não precisei, pois já havia tomado em 2011 quando fui pra Bolívia e essa vacina é valida por dez anos. Lógico que antes de tudo olhei os mapas, compilei os hostels no centro de Cape Town e tudo mais. Levei dinheiro em espécie e no Cartão VTM (Visa Travel Money) tudo em dólar, mas a moeda na África do Sul é o Rand (Zar). Na questão do visto para a África do Sul, pra turismo os brasileiros não precisam pagar nem agendar previamente, é apenas mostrar um passaporte contendo pelo menos 1 mês de validade antes da data de retorno pro Brasil e uma folha em branco, o visto valerá por 90 dias.
      Vou deixar pra detalhar essa encantadora e graciosa aventura nas próximas postagens, por enquanto vou deixar o esboço do roteiro. Recebi no passaporte carimbos de cinco países: África do Sul, Reino de Lesoto, Zâmbia, Zimbábue e Botsuana. A estadia foi maior na África do Sul e depois em Zâmbia, os outros três países visitei mais a região próxima das fronteiras fazendo um "Day Tour" em cada país.

      Do que eu havia planejado tudo correu muito bem, só não consegui conhecer a Ilha Robben (Robben Island) por ter chovido no dia em que eu agendei minha ida e não pude adiar porque no dia seguinte já estava marcado o inicio da viagem pelo BasBuz, uma van que percorre por toda a costa sul africana desde a Cidade do Cabo até Pretória (falarei mais sobre). Outro ponto que queria muito ir era o Museu Africano em Joanesburgo, mas não achei o local. Isto foi minimizado pelos diversos pontos altos da mochilada, como a subida na caminhada até a Montanha da Mesa (Table Mountain), o tour na Península do Cabo, a caminhada até a Tugella Falls na Cordilheira de Drakensberg, a ida as Cataratas Mosi-oa-Tunya/Victoria Falls em Zâmbia/Zimbabue, ou o Chobe Safari em Botsuana. 

       
      Dia 06/07/17
      Table mountain - Trekking sozinho pela Montanha da Mesa - Cidade do Cabo

      Dia 07/07/17
      ida ao centro comercial V&A Waterfront de manhã
      Praia - Camps bay beach à tarde
      Dia 08/07/17
      Cape Peninsula Tour (BasBuz)- Ilha das Focas, Praia dos Pinguins e Cabo da Boa Esperança
       
      Dia 09/07/17
      Era pra ser robben island mas foi cancelado pelo tempo chuvoso. Dia de descanso depois de breve caminhada pela cidade. Domingo tudo vazio. Ajeitar roteiro.

      Dia 10/07/17
      Viagem de Cape Town até Port Elisabeth por basbuz. O dia todo de viagem com a van.

      Dia 11/07/17
      Viagem de port elisabeth até durban. Chegando no Hostel Curiosity no Centro de Durban.

      Dia 12/07/17
      Sai umas 10h para o Kwa Muhle Museum, depois fui comer, depois pra região do porto e finalizando a tarde na Praia - South Beach.

      Dia 13/07/17
      Cheguei no Amphitheatre Backpackers em Northern Drakensberg e passei a tarde de boa. Fiz umas trilhas ao redor do Hostel.

      Dia 14/07/17
      Tugela falls tour - A segunda maior cachoeira do mundo e a maior da África, mas no inverno o volume de água é baixo.
      Beleza da Cordilheira de Drakensberg - Show!!!

      Dia 15/07/17
      Lesotho Day Tour - Lesoto é um país montanhoso incrustado na África do Sul e sem saída pro mar. A etnia predominante é Bashoto e a língua é o Sesoto (soto).
      Experiencia unica. Show!!

      Dia 16/07/17
      Amphitheatre Backpackers

      Dia 17/07/17
      Amphitheatre Backpackers

      Dia 18/07/17
      Viagem de van basbuz de Drakensberg até Joanesburgo, fiquei num hostel próximo do aeroporto Oliver Tambo.

      Dia 19/07/17
      Viagem de avião de Joanesburgo até Livingstone em Zâmbia
      Ao chegar andei pela cidade, povo muito acolhedor. Fiquei no Hostel Zinga Backpackers.

      Dia 20/07/17
      Grande dia nas cataratas Mosi-oa-Tunya (Victoria Falls). lados da Zâmbia e Zimbabwe.

      Dia 21/07/17
      Walk around the city centre. Change money to next day

      Dia 22/07/17
      Chobe Safari Day Tour em Botsuana

      Dia 23/07/17
      Viagem de volta a joburg. Do aeroporto um taxi até curiocity backpacker

      Dia 24/07/17
      Soweto Day Tour e Museu do Apartheid

      Dia 25/07/17
      Andando por joburgo.

      Dia 26/07/17
      Transfer até o aeroporto e volta pra São Paulo com escala em Luanda (transferência apenas).
    • Por marcos.batista
      Relato de Viagem para África do Sul;
      15 Dias, de 04 de Dezembro de 2019 a 18 de Dezembro de 2019;
      Viagem com duas pessoas onde todos os gastos estão detalhados na planilha em anexo;
      5 dias em Johannesburgo e 10 dias em Cape Town;
      Hospedagens pelo app Arbnb e Booking, Aluguel de carros pelo Rental Cars;
      Obs: planilha detalhada, com funções personalizadas, qualquer dúvida só perguntar
      Mochilão África do Sul 2019.xlsm
    • Por Tadeu Pereira
      Salve Salve Mochileiros! 
      Segue o relato do mochilão realizado no Sudeste da Ásia em 2018 batizado de The Spice Boys and the Girl.
       
      1º Dia: Partida - 04/11/18 - 19h05min - São Paulo x Madrid - Empresa AirChina - R$3.680,00 Reais
           Partimos do Aeroporto de Guarulhos - GRU em São Paulo por volta das 19:30 do dia 04 de Novembro de 2018, fizemos um check-in tranquilo com a empresa AirChina e embarcamos para nossas primeiras 9 horas de vôo até Madrid na Espanha onde fizemos conexão. O vôo foi bem tranquilo, até conseguimos dormir, porém a comida do avião não é das melhores mas acabei comendo assim mesmo e já começava ali a sentir o cheiro e o gosto da Ásia hahahahah. Chegamos em Madrid na Espanha por volta das 5:00am e fizemos uma conexão de 3 horas, deu tempo de dar uma volta no Free Shop, banheiro, comer alguma coisa (caríssima), fazer os procedimentos burocráticos e embarcar novamente pois teríamos a China ainda pela frente.
       
       
      2º Dia: Partida - 04/11/18 - 8h15min - Madrid x Pequim - Empresa AirChina
           Chegamos em Pequim ainda de madrugada com uma temperatura de 7º, quem se deu bem foi quem ficou com as cobertinhas que a empresa AirChina empresta para as pessoas no avião, pois não esperávamos passar tanto frio no aeroporto da China como passamos naquela conexão rss. Assim que descemos do avião caminhamos um longo caminho até os terminais eletrônicos onde se inicia os procedimentos burocráticos de conexão da China. Finalizamos depois de alguns minutos os procedimentos e dormimos um pouco em bancos do aeroporto sendo acordados e presenteados por um lindo nascer do sol no Aeroporto de Beijing. Procedimentos concluídos no Aeroporto de Beijing partimos para o nosso tão desejado e esperado destino final daquela cansativa viagem de aproximadamente 23 horas, a capital da Tailândia, a grandiosa Banguecoque.  
       
      3º Dia: Chegada - 06/11/18 - 15h15min - Pequim x Banguecoque - Tailândia (Taxi ฿1.000 Baht, Chip ฿600,00 Baht, Hostel ฿340,00 Baht)
           Chegamos por volta das 15:00 pelo horário local, fizemos os procedimentos de imigração, primeiro o health control depois na fila de imigração, carimbamos nossos passaportes, pegamos nossas mochilas e pronto, lá estávamos livres para explorar Banguecoque. Trocamos $100,00 dólares  no aeroporto com um câmbio de $1,00 dólar = ฿31,60 baht, depois compramos um chip para o telefone por ฿600,00 baht com 6 Gigas por um período de 30 dias e chamamos um Graab, como se fosse o Uber no Brasil, onde pegamos na parte superior do Aeroporto Internacional Suvarnabhumi por ฿400,00 baht em torno de R$40,00 reais que nos levou em 30 minutos até o nosso hostel, o The Mixx Hostel. Ficamos hospedados na rua Ram Buttri que fica do lado da rua mais famosa de Banguecoque, a Kaoh San Road onde rola a grande noite da cidade, uma ótima opção para mochileiros. Muita comida típica e exótica boa e barata, cervejas baratas, diversos bares, baladas, artistas de rua, drogas, sexo e tudo que uma bela noite de Banguecoque pode te oferecer pra se divertir. Vale a pena conferir! Na hospedagem pagamos por dois dias ฿340,00 baht, ficamos em um quarto com quatro camas/beliche, ar condicionado, banheiro compartilhado e café da manhã incluso, o hostel é simples mas atende as necessidades com uma ótima localização.
       

           Conhecemos alguns templos na capital, alguns fomos a pé mesmo pois são muito próximos um do outro. Wat Pho (Buda reclinado), Wat Saket (Monte dourado) e Wat Arun (Templo do amanhecer). A cidade é bem frenética mas andar a pé pelas suas ruas foi uma bela escolha. caminhamos muito por essas ruas, muito das vezes sem um rumo certo, mas logo nos achávamos pelo google maps. A cada esquina que se vira na Tailândia você vê uma foto do rei. Embora o já tenha falecido, o povo Thai tem muito respeito pelo rei Bhumibol Adulyadej que morreu em Outubro de 2016 com 88 anos de idade após 70 anos no poder que hoje tem como rei o seu filho Maha Vajiralongkorn.       
            
           
           
        
       


       

           A culinária asiática é muito exótica, a cada comida que você experimenta é uma surpresa de sabores. Experimentei o famoso prato típico de rua tailandesa Pad Thai, uma espécie de macarrão de arroz frito com frutos do mar ou carne de porco ou de frango, acompanhado de castanhas com pimenta que custa em média ฿100,00 Baths e se encontra em todo lugar da Tailândia, experimentei também o Thai Mango Sticky Rice, uma sobremesa tradicional tailandesa feita de arroz glutinoso, manga fresca e leite de coco, ambos baratos e deliciosos, mas existem uma infinidades de comidas para serem saboreadas na Tailândia.   
       
        
           Ficamos 3 dias na capital Banguecoque e além de conhecer templos tentamos entrar na rotina das pessoas locais. No terceiro dia para chegar em um templo tivemos que pegar um transporte público BTS Skytrain no rio Chao Phraya. Passamos por alguns pontos e depois retornamos até chegar no templo Wat Arun. As passagens são muito baratas, pagamos por volta de ฿80,00 baths tanto ida quanto volta, então vale muito mais a pena o tour por conta e ainda tivemos uma vista maravilhosa totalmente diferente da cidade vista pelo rio.  

       
                Ficamos no templo Wat Arun até fechar por volta das 19:00pm, depois fomos de barco pelo rio Chao Phraya até o porto que da acesso ao grande mercado Asiatique, um maravilhoso complexo de lojas e restaurantes, um verdadeiro shopping ao céu aberto localizado às margens do rio Chao Phraya situado nas antigas docas de uma empresa que realizava comércio na região portuária no século passado. Em função da sua localização e história, seu layout é temático e apresenta uma decoração especial com tema inspirado no reinado do Rei Chulalongkorn (1868-1910) e na atividade marítima. Ficamos umas boas horas comendo, bebendo e curtindo o local, depois pegamos um táxi por ฿200,00 baht para o hostel pois no outro dia logo de manhã tínhamos o nosso vôo para as belas praias da Tailândia. 
       

            Assim que chegamos no hostel deixamos reservado nosso táxi para o aeroporto Don Mueang - DMK por ฿400,00 baht pois sairíamos bem cedo para o aeroporto. Acordamos por volta das 5:00am da manhã e o táxi já estava nos esperando na porta do hostel no horário combinado, após 30 minutos chegamos no aeroporto. Partiu praias... 

       
      6º Dia: Praia - 09/11/18 - 7h25min - Banguecoque x Krabi x Ao Nang - Empresa Air Asia - R$148,00 Reais
       
      (((((Continua no próximo post)))))
       
       
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