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ESCALADA PEDRA DO BOI - (via SOLARIS) Andradas-MG

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  ATENÇÃO: o MRCA( Ministério dos Relatos e Contos de Aventura) adverte: Esse relato contém palavrões e palavras chulas que afrontam a dignidade da nova família tradicional Brasileira.                                    

                                                                                                                                            VIA SOLARIS

.....................O tempo fechou, trovões e relâmpagos espocavam na serra a nossa frente, a chuva que estava prometida, realmente começou a dar as caras e aquilo que parecia estar ruim, se transformou num pesadelo impensável. Mal ouvia mais a voz do meu companheiro de escalada. Minha alma saiu do corpo e voo para bem longe daquela parede, acho que ela se recusava a ver a desgraça que poderia acontecer. Meu cérebro e minha perna já pareciam não querer mais se comunicar e não, eu não estava com o cu na mão, simplesmente meu cu já havia caído da bunda. Minha cabeça deu uma rodada, as pernas mal se sustentavam naquele minúsculo buraco. Eu já via a cena de um helicóptero tentando me salvar, vergonha, vexame, mas ainda era melhor que umas dezenas de ossos fraturados, mas mesmo assim eu nem sabia se tinha sinal de celular para pelo menos avisar algum escalador ali das redondezas que pudesse me ajudar, muito porque, o próprio Alexandre estava preso na parada mais abaixo, sem corda pra descer.................

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          Já escalei montanhas épicas nesse país, entre elas, o Dedo de Deus, Agulha do Diabo, Baú, Ana Chata dentre outras, mas nunca me considerei um escalador de verdade, sempre fui o carregador de cordas, o cara que completa o grupo, porque pra mim , escalador de verdade mesmo é o cara que guia as vias, ou seja, o cara que vai à frente, que se arisca até o ultimo limite para levar a corda da escalada. Engraçado que quando começei , era o cara que se ariscava a  guiar as esportivas, mas com o tempo fui deixando de me dedicar e vi os amigos que começaram comigo deslanchar e virarem escaladores profissionais.

          Confesso que escalada esportiva depois de um tempo acabou por se tornar algo enfadonho para mim, mesmo sabendo que é ali nas paredes, pedreiras que se cresce e que se ganha experiência para enfrentar grandes escaladas clássicas, mas mesmo assim, pouco frequentava as tais esportivas nos últimos anos, mas quando alguém soprava um convite para uma escalada tradicional, não conseguia resistir, mas também já sabiam que eu era sempre o cara que seria um mero “segui”, ou seja, o cara que vai sempre na cola dos mais experientes e isso nunca me aborreceu, porque ia mesmo pela paisagem , pelos velhos amigos e por tudo que envolve essas escaladas clássicas .

          Já sabendo disso, Alexandre Alves, que sempre gostou de guiar mesmo, nos convidou para uma Clássica em Andradas-MG e passou na minha casa na boca da noite e a viagem foi rápida até tropeçarmos no Abrigo Bramido do Elefante, onde fomos recebidos pelo Tadeu que nos entregou as chaves, já que éramos os únicos escaladores naquele fim de semana. No outro dia estávamos em pé as sete da manhã, organizamos tudo e nos pomos a caminhar na estradinha no rumo leste, meio que paralelo a cadeia de montanhas que hospeda entre outras , a Pedra do elefante, mas nosso objetivo era a Pedra do Boi, um monólito pouco frequentado pela comunidade de escaladores. Um quilometro depois, adentramos a direita numa porteira meio troncha, exatamente a porteira logo depois da casa do próprio Tadeu, que exibe uma minúscula plaquinha anunciando a venda de mel.

          Adentrando a porteira, que pulamos, vamos caminhar por mais uns 500 m na estradinha, talvez um pouco menos, até interceptar uma trilha de pasto que vai descer até um riacho com aguas paradas, varamos mais uns 100 m de pasto até pularmos uma cerca de um cafezal novinho. Não há caminho, tivemos que atravessar o cafezal pór dentro dele, tomando cuidado para não derrubar as flores da plantação. Depois pulamos mais uma cerca e vamos adentrar em outro cafezal mais velho e ao chegarmos à cerca do outro lado, vamos nos manter do seu lado direito. O caminho é meio confuso, mas a Pedra do Boi está ali na nossa cara e é preciso ir meio que pelo rumo, seguindo as trilhas que se dirigem para aquela direção, que agora é sentido sul. Chega uma hora que a trilha acaba na mata e vira uma picada, as vezes sinalizada com uma tinta vermelha, outras vezes com uma argola de pvc. Tem que ir tendo faro de trilha mesmo e 2,7 km depois do abrigo batemos de frente com a pedra do Boi e aí é hora de caçar a via de escalada.

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          Temos sempre que agradecer esses bravos escaladores que se dedicam a abrir essas vias, gastam tempo e dinheiro e não recebem nada em troca, mas sempre achei que falta uma identificação dessas vias, porque não é fácil localizar uma linha de escalada, ainda mais sendo em móvel. Bom, o certo é que achamos a VIA SOLARIS e nos pés dela um totem de pedra ajuda um pouco a saber que estamos no lugar certo.

          De novo, mais uma vez, tenho que dizer que por não ser um escalador de verdade, não tenho a intenção de ficar narrando procedimentos técnicos, vou me ater as dificuldades da pessoa humana, as emoções envolvidas nessa escalada, mas erros, acertos e uma série de outros fatores não serão descritos aqui, isso é mais um relato descontraído do que um guia para escalar essa via.

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          A via SOLARIS tem 225 metros de extensão, é graduada como lV /V Sup (E 3), uma incógnita para quem não é do esporte, mas mesmo eu conhecendo um pouco dessas siglas todas, nem me preocupei em olhar esse croqui, muito porque, eu estava despreocupado e confortável, já que eu não ia guiar nada mesmo. Achando a sequência da via, o Alexandre deu início aos trabalhos, escalando essa primeira enfiada (lance) todo com equipamentos móveis, ou seja, aqueles equipamentos que você enfia nas fendas para passar a corda. O Alexandre é mesmo um rato de escalada, fez malabarismo, passou a fenda, virou à direita, entrou na chaminé e já estacionou na parada, 45 metros depois. Me clipei à corda e ganhei a parede inicial, ainda frio, dei uma titubeada, mas logo também entrei na fenda, mas na hora da transição da esquerda para direita, não achei mão para me agarrar e dei uma travada, mas como estava de segundo, tive calma e tranquilidade para tentar um salto mais arrojado e agarrar um patacão mais acima e ganhei o lance mais difícil e sem saber a sequência da via tentei escalar uma parede íngreme, mas logo o Alexandre me alertou que tinha que seguir fazendo a travessia para a direita até ganhar a chaminé, mas eu já estava todo lascado , pendurado na parede e tive que escorregar de volta para a sequência da via , mas ganhando também essa chaminé de meio corpo, o resto até me juntar ao Alexandre foi  como mamar na teta da vaca.

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          O segundo lance é graduado em V sup e tem 30 metros de extensão e também foi subido sem nenhum problema, passando por outra canaleta, com bons pontos de aderência, tudo conforme manda o figurino. Ao chegarmos na parada, resolvemos nos deter por um tempo para tomarmos um suco e descansarmos um pouco.

 

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          O Alexandre partiu para o terceiro lance, e logo é possível ver uma chapeleta bem acima das nossas cabeças, não muito longe, mas é necessário sair um pouco para a direita para ganha uma altura. O Alexandre tentou mandar, fez de tudo, mas desescalou novamente. Fiquei ali observando os movimentos, dando o segue atentamente, tudo nos conformes. Mais uma tentativa e o Alexandre voltou a falhar. Não era nada de mais, só que uma queda faria um pendulo potencialmente perigoso, por isso o cuidado com esse lance. Pela terceira vez o Alexandre tentou , mas as pernas grandes pareciam tocar a paredinha e não o deixava progredir, então com a perna bombada e os pés sendo carcomidos pela sapatilha, ele voltou até a parada e pediu para que eu tentasse.

         - Divanei, vai, tenta lá, você é menor e mais leve, talvez passe fácil.

         - Alexandre meu velho, melhor não, não tenho condições psicológicas para guiar.

         - Vai lá mano, sem compromisso, dá uma tentada lá, até que eu descanso.

          Meio contrariado, mas também não querendo deixar o companheiro na mão, me clipei a corda e ganhei altitude. Analisei bem o lance: Havia uma nervura que se entendia na diagonal até mais acima e se eu conseguisse galgar essa nervura, logo acima dela, um cristal bem grande poderia me dar sustentação para alcançar a chapeleta. Na pratica eu havia ganhado o lance com os olhos, havia montado um mapa de ação na minha cabeça, mas a realidade era bem outra. Dei o primeiro bote, ganhei a nervura para a esquerda, mas cadê a coragem para prosseguir. Desescalei enquanto ainda podia.

          -Alexandre, não vou não, está muito exposto para mim.

         -Divanei, que isso cara, tenta aí, vai, você consegue sim, já está aí mesmo, ganha logo o lance meu.

          Mais uma vez joguei minha mão encima da ranhura e não tive coragem de prosseguir. Maldito medo dos infernos e o pior é que o lance era mesmo fácil para mim.

          -Alexandre, infelizmente meu amigo, minha condição psicológica não vai dar.

          -Bobagem Diva, toca aí mano!

          Confesso, fiquei pressionado e com vergonha e com medo do Alexandre simplesmente encerrar a escalada e descer. Não que isso fosse um problema, se fosse preciso, desceríamos sem neura nenhuma, mas também me sentiria responsável por não pelo menos, me expor a esse lance. Botei a faca nos dentes, esperei a adrenalina chegar e subi gritando, feito um maluco descontrolado, tentando espantar o medo. Ganhei a ranhura e progredi rapidamente, cravando as unhas nas aderências, nem me lembro se usei os pés, estava adrenado e quando cheguei perto do grande cristal acima das nervuras, dei um salto e o agarrei como quem agarra um prato de comida. Me pus de pé e ganhei a chapeleta, passei a costura, cerrei os punhos e comemorei como um gol, minha parte naquela escalada estava feita, agora era com o Alexandre.

            -Porra Divanei, caraca aí, mandou muito bem!

            -Mano, agora me desse de vagarinho, o resto é com você, para mim já foi o bastante.

            -Não Diva, toca o resto, você foi bem pra caralho.

       -Bom Alexandre, o lance seguinte não parece ser difícil não, mas eu estou com a adrenalina um pouco alta, não estou confiante, mas posso tentar pelo menos até a próxima chapa.

          O Alexandre me liberou a corda e colei o corpo na rocha, sapatilha agarrada em qualquer pedrinha e as unhas cravadas em ranhuras minúsculas. Sempre disse que me sentia bem em escalada de aderência, sempre tive certa facilidade e ali realmente era uma subida de boa tecnicamente, mas psicologicamente eu começava a definhar cada vez mais e já não sabia onde aquela loucura iria parar. Quando ganhei mais essa chapeleta, já estava com o moral em frangalhos e o pior, agora eu não tinha mais o apoio psicológico do Alexandre que havia sumido do meu raio de ação e as conversas eram aos gritos.

            -Cheguei Alexandre!

            -Bom mano! E aí como é o próximo lance?

          -Cara, eu estou extremamente nervoso, esses esticões estão me deixando pirado já, se eu puder descer seria bom.

          -Diva toca o pau, você tá indo muito bem, não tem cabimento descer agora, vamos nos encontrar na parada.

          Olhava para cima e as distancias entre as chapeletas estavam cada vez maior, tanto que eu nem consegui enxergar a próxima. Não sei, foi um impulso, coisa sem pensar, mas maldita hora quando abandonei aquela proteção onde eu havia me ancorado momentaneamente para descansar. A sequência da escalada continuava sendo fácil pra mim, tão fácil que acelerei muito e sem pensar, já me ví um quilometro da chapeleta que havia passado. O único problema era que não conseguia ver a próxima chapeleta e foi nessa hora que me dei conta da encrenca em que havia me metido. 

            -Alexandre, pelo amor de Deus cara, conversa comigo, vê pra mim onde estaria a próxima chapeleta ou parada dessa via?

                -Divanei, é para ter mais uma chapeleta antes da parada, procura direito cara!

          -Meu amigo, você não está entendendo a situação, eu estou parado no meio do caminho, sem poder me segurar em nada, com um pé apoiado em um buraco abaulado com 20 cm e na iminência de despencar. Eu preciso ter certeza que ainda não passei da parada, porque se isso aconteceu eu vou me fuder todo e não vai sobrar um osso inteiro do meu corpo para contar história nessa porra.

            O tempo fechou, trovões e relâmpagos espocavam na serra a nossa frente, a chuva que estava prometida, realmente começou a dar as caras e aquilo que parecia estar ruim, se transformou num pesadelo impensável. Mal ouvia mais a voz do meu companheiro de escalada. Minha alma saiu do corpo e voo para bem longe daquela parede, acho que ela se recusava a ver a desgraça que poderia acontecer. Meu cérebro e minha perna já pareciam não querer mais se comunicar e não, eu não estava com o cu na mão, simplesmente meu cu já havia caído da bunda. Minha cabeça deu uma rodada, as pernas mal se sustentavam naquele minúsculo buraco. Eu já via a cena de um helicóptero tentando me salvar, vergonha, vexame, mas ainda era melhor que umas dezenas de ossos fraturados, mas mesmo assim eu nem sabia se tinha sinal de celular para pelo menos avisar algum escalador ali das redondezas que pudesse me ajudar, muito porque, o próprio Alexandre estava preso na parada mais abaixo, sem corda pra descer.

          -Fala comigo Alexandre!

          -Divanei, você tem que escalar, a chuva tá chegando.

         -Alexandre, estou vendo algo que parece ser uma chapeleta, mas também pode não ser e se não for, é o meu fim. É um estirão do demônio, a escalada parece fácil, mas psicologicamente já tô morto.

          -Cara, olha bem, deve ser a tal chapeleta, só pode ser, só se você já passou.

         Eu estava com uma espécie de lombada na vertical, que corria por uns 3 ou 4 metros. Aparentemente não haveria problemas em fazer esse lance, mas onde diabos estaria essa tal chapeleta? E onde seria essa tal parada com duas chapeletas paralelas? Foi quando de repente achei que teria avistado essa parada bem acima da tal chapeleta que eu pensava existir.

          -Alexandre meu velho, parece que avistei uma parada uns 2 m a direita da linha da via, uns 15 m de altura, seria essa?

          -Não Divanei, aqui no croqui essa parada é bem para a esquerda.

          -Puta que o pariu Alexandre, aí então fudeu cara, vê direito meu, eu tô cai mas não cai aqui e já estou no limite do que um ser humano pode aguentar no quesito medo.

         - Certeza absoluta, no croqui a parada está totalmente a esquerda, numa curva, procura aí meu amigo, não é possível que vc tenha passado por ela sem ver.

       Não, não havia nenhuma parada a esquerda e agora eu tinha que me apegar na possibilidade de que a chapeleta estava na minha mira mesmo, muito porque, meu corpo já estava inundado por um caminhão pipa de adrenalina. Bateu a cegueira, vou cair. Lancei minha mão acima e agarrei uma rachadura, não havia mais o que esperar, o que fazer e o desespero é que move o homem na sua luta, é o estágio final antes que ele se dê por vencido. Tremendo feito vara verde, colei a cara na rocha, minhas mãos viraram ventosas e minhas unhas eram agarras de falcão e eu agora já não era mais um homem, era quase um calango, uma lagartixa a se esgueirar parede acima, me segurando na vontade de não cair, só pensava nisso, não cair. – Não cai Divanei, não cai ! Repetia insistentemente, enquanto torcia para que acima da minha cabeça aparecesse logo essa chapeleta e quando minha mão tocou aquela minúscula tabua de salvação, feita de aço ou sei lá de mais o que, clipei o mosquetão da costura, passei a corda e gritei bem alto: 

          - Caralho Alexandre, estou salvo, cheguei, mas essa foi por pouco.

          - Aí, boa Divanei!

         Meu estômago já havia sido corroído pelo suco gástrico do nervosismo. Eu estava a salvo, ali eu não caia mais e dali também não iria para lugar nenhum, ali era o fim da linha, só pensava em descer, sair dali o mais rápido possível.

          -Alexandre, vou desescalar devagarinho, sei que não é o certo, mas nas condições em que me encontro, não consigo mais prosseguir cheguei ao fim, não tenho condições psicológicas para mais nada, cheguei onde poderia chegar. 

        -Não Divanei, não tem como você descer mais não cara, tem que ir até a parada e me puxar.

          -Meu irmão, eu não achei essa parada que está à esquerda, só estou vendo um par de duas chapeletas a minha direita e até lá é um estirão de uns 10 metros.

          -Caralho Diva, só deve ter uns 7 ou 8 metros de corda, aí fudeu, mas fudeu de verdade.

         - Alexandre, mesmo que eu esteja fazendo a conta errado e realmente a corda dê, pode ser que esse lance esteja acima da minha capacidade de escalar e se eu chegar lá encima e não conseguir passar, vou cair de uma altura desgraçada, não cara, estou fora, me desce por favor.

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          -Puta que o pariu, você não está entendendo, não existe mais corda para você descer, você já usou mais de 50 m, descer não é mais possível, mesmo que contrariássemos todas as regras da escalada.

          Mas eu estava maluco mesmo, claro que o Alexandre estava certo, meu cérebro estava impossibilitado de pensar direito, tinha me esquecido desse detalhe, já havia subido tanto que a corda já tinha quase chegado ao fim e não havia outra escolha. Pedi para o Alexandre me dar um tempo, sentei-me um pouco perto da parada, tomei um pouco de água, minha cabeça estava confusa pela situação: E se a corda não desce até a parada? E se eu ficasse preso no fim do lance e não conseguisse mais escalar? Um turbilhão de coisas me passou, mas quando o céu começou a ficar preto encima da gente, aí tive que sair da inércia em que me encontrava.

          -Divanei você precisa escalar meu amigo, tem que ir, tem que ir logo, a chuva, a chuva.

          -Não vou, não vou e não vou, não vou porra nenhuma!

         Fiquei amuado, sentado lá, cabeça baixa, as vezes com o olhar perdido no horizonte, sem nem ligar para os gritos do Alexandre que vinham lá de baixo. Eu era o fracasso em pessoa, porque fui aceitar o desafio sabendo que estava acima da minha capacidade? Era um homem atormentado pela situação, um escalador de merda vencido pela minha própria incompetência, não técnica, mas psicológica.

          -Vamos Divanei, tem que escalar, tem que ir.

          -Divanei do céu, e aí vai ou não vai?

          - Libera corda Alexandre!

          -Você vai fazer o que?

          - Caralho, libera essa corda agora!

        Cerrei os dentes, como uma fera raivosa! Olhar fixo, fiz parar a respiração e os batimentos cardíacos para não abalar os movimentos. O mundo já não mais existia, agora era só eu contra aquela parede rochosa. Subi meu pé direito um meio metro, ganhei uma lasca de pedra e com a mão direita me puxei para cima e descolei do meu porto seguro. Um cristalzinho agarrado de cada vez, uma pisada certeira num grão de areia colado na rocha. Pensava em não cair nunca, enquanto abria uma perna feito uma bailarina arrombada. Quando não tinham agarras, eu colava meus pés e minhas mãos na rocha e ia me elevando centímetro a centímetro. Fui-me então! A concentração deixando qualquer Budista no chinelo. A corda já pesada, fazia um arrasto monstro e tentava a todo momento me derrubar da parede. Substancias inundavam meu corpo, como poucas vezes havia acontecido. Três dias se passaram antes que eu batesse a mão nas duas chapeletas da parada, ganhei o lance em definitivo, coloquei a costura, passei a corda, gritei um palavrão dos mais cabeludos que existem. Eu era um home aliviado, renascido das cinzas e quando o coração voltou a bater, fiz o Alexandre Saber da conquista.

          -Cheguei Caralho! Cheguei nessa porra, Alexandre!

          - Puta merda, boa Divanei, você sabe como monta os freios para me subir né?

          -Aprendi no You Tube, seu filho da puta!

          -Não ouvi, você falou o que?

          - Nada Alexandre, nada, vou montar o ATC para te puxar, rsrsrsrsrsrs.

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        Montei a parada com o que tinha disponível, instalei o freio e fiz subir o Alexandre. Apesar de todo o perrengue passado, a gente fez piadinhas para descontrair. Dei segue para o Alexandre fazer a próxima enfiada e quando ele me puxou, me ofereceu o próximo lance para que eu guiasse até o cume. Para quem já tinha abraçado o capeta, visto a vó na curva, guiar esse finalzinho fácil até o cume, foi mamão com açúcar. Guiei com os pés nas costas e ancorei a parada numa árvore, já bem distante da beirada da parede e imediatamente subi o Alexandre e aí foi aquela comemoração, muito porque para nossa sorte, terminamos a escalada sem que a chuva desabasse na nossa cabeça no meio da parede, mas pra lavar a alma, assim que enrolamos a corda, ela desabou em cântaros e para nos proteger, nos enfiamos numa pequena gruta e ali ficamos, extasiados com a aventura vivida.

 

 

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        A chuva caiu por uma meia hora e levantamos a possibilidade de voltar por trilha, mas assim que o sol surgiu novamente, interceptamos a linha de rapel, que não é descendo pela via Solaris e sim bem a esquerda dela, uns 30 metros ou mais, já quase fora da parede de escalada, mas não tem erro, está abaixo de um arvoredo, duas chapeletas bem expostas. Mas é mesmo um rapel enfadonho para quem trouxe apenas uma corda e serão precisos uns 5 lances para se chegar ao chão e quando lá chegamos, não perdemos tempo, guardamos nossos equipamentos e nos enfiamos na matinha até sairmos de novo nos sítios mais abaixo da Pedra do Boi e uma hora de caminhada depois estávamos de volta ao Abrigo.

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        E qual a lição que tiramos dessa aventura? Primeiro que nunca devemos confiar cegamente em croquis de escalada: Poderia parecer só uma bobagem, mas realmente não é, uma informação errada para quem não está tarimbado ainda, pode levar a um acidente grave. Outra coisa que eu aprendi na pratica e que nunca tinha dado valor, é a leitura e a interpretação da linha de escalada, mesmo que eu não tenha intenção de guiar. Aprendi na pratica o que seria um (E 3), no meu caso foi aquele ditado: “ Não sabia que era uma exposição do caralho, o trouxa foi lá e fez” (rsrsrsrsrs).  E3 – Proteção “regular” com trechos expostos que oferecem perigos, onde em certas partes a distância entre as proteções exigem alto grau técnico e concentração do escalador. No caso de uma queda pode haver contusões sérias e até fraturas em casos extremos.

          Por certo passei um perrengue nessa escalada, mas pude constatar que tecnicamente tenho condições de me sair bem dessas enrascadas, basta treinar a parte psicológica e para isso não há o que fazer, é treinamento, muito treinamento. Agradeço ao Alexandre por ter confiado em mim e ao me dar a honra de se fuder nessa enfiada do demônio, fez com que eu crescesse um degrau no esporte e mesmo que eu continue a não levar muito a sério, com certeza a experiência vai me servir para os outros ESPORTES DE AVENTURA.

                                                                                                        Divanei- outubro/2019

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    • Por Yagê
      Boa Tarde.
      Em cima da hora um amigo meu me convidou e as pressas embarcamos com interesse em fazer a trilha e escalarmos o Pico das Agulhas Negras.
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      Recomendo muito mesmo que chegue bem cedo, por volta das 6 da manhã, pois a liberação se dá por ordem de chegada, tanto para entrar no parque quanto para estacionar dentro (caso contrário terá que andar em média 3KM a mais).
      Todo o caminho foi muito lindo e cansativo, e cada parada para descansar valia muito pelo visual deslumbrante do Pico das Agulhas negras e adjacências. Levamos cerca de 4 horas para fazer todo o trajeto, em um ritmo baixo.
      O que não sabíamos, pois nenhum relato diz sobre é preciso alguns conhecimentos de escalada e apresentar o equipamento básico pra entrar no Parque. 
      Descobri isso num dia anterior no hostel e então procurei um guia para nos ajudar. Demos sorte de encontrar o Ivan (35) 99271676.
      Esta é uma informação que considero crucial. Se você não tem muita experiência com escalada PRECISA contratar um guia. Durante todo trajeto vimos diversas pessoas se arriscando, por falta de orientação e/ou por abuso mesmo. A subida é íngreme e não é raro ficar próximo a desfiladeiros altos, o que pode ser muito perigoso e qualquer erro pode ter consequencias bem sérias. Vi algumas crianças na trilha e eu não recomendo devido aos riscos, mas é algo pessoal e cada pai sabe o que é melhor...
      Segue abaixo o contato do Ivan, muito legal e prestativo mas, o mais importante, um cara extremamente experiente em escalada e que leva a segurança dos clientes ao extremo. Usa corda dupla com nós muito firmes e sempre fica "na cola" da gente em todas as situações que envolviam qualquer risco:
      Ivan (Guia turístico do Pico das Agulhas Negras):
      (35)99271676 - atende por WhatsApp
      Valeu muito a pena mesmo e espero voltar mais vezes!
       
      Ficha_de_Controle__de_Visitante_2018.pdf
    • Por Matlobo
      Olá! Estou pensando em aposentar minha corda de escalada, e descobri uma marca nacional que fabrica cordas dinâmicas, a Brazilian Ropes Cordoaria - BRC. A fábrica deles fica em Lauro de Freitas, e como eu estava na Bahia, resolvi visitar. As cordas deles foram testadas em alguns ensaios de caracterização, cargas estáticas e deslizamento da capa, mas não em cargas dinâmicas - número de chutes UIAA e força de impacto. Conversei com o dono, e ele me informou que não estão fazendo os testes porque nenhum laboratório no Brasil faz esses ensaios, mas que muita gente na Bahia usa as cordas BRC, assim como grandes academias de escalada de São Paulo. Alguém aqui já usou corda dinâmica dessa marca? O que achou?
    • Por Fernanda Wata
      Olá pessoal, sou nova aqui, espero estar postando isso no lugar certo!
      Estamos fazendo um projeto para a faculdade a respeito de alimentação em esportes de aventura (camping, trilha, mochilão, trekking, montanhismo, escalada e etc). Por esse motivo criamos este formulário sobre o tema:
      https://goo.gl/forms/gIugs0iCSDBWheAt2
      Ficamos muito gratos se puderem  responder e compartilhar um pouco dessa experiência de vocês! As perguntas são bem simples e vão nos ajudar a esclarecer algumas dúvidas. Se sintam livres para compartilhar o link com pessoas que também praticam esportes de aventura.
      Além disso, se alguém estiver disposto para uma conversa ou quiser compartilhar alguma experiência relacionado ao tema (seja ela boa ou ruim) não deixem de comentar aqui ou mandar uma mensagem para o meu e-mail: [email protected]
      Muito obrigada pessoal!
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      (nome + site/Instagram/telefone/e-mail)
    • Por LeticiaC
      Já faz um tempinho que voltei dessa viagem, mas só agora me concentrei pra fazer um relato. Acho que tem umas dicas interessantes. Fiz essa viagem com meu namorado e alugamos um carro por todo o período da viagem, entre 01 de abril e 30 de abril.
      Obs: Fazemos as trilhas sempre nos guiando pelo aplicativo Wikiloc. Não nos hospedamos em nenhum lugar que tivesse café da manhã incluso (me pareceu que não é comum lá). Como ficamos de carro durante toda a viagem não tenho informações de uber ou de transporte público. Tomamos vinho em praticamente todos os dias, comprávamos sempre no mercado e eram realmente baratos e gostosos.
      Dia 31 de abril – Saímos do aeroporto de Guarulhos em vôo da TAAG às 18h25, com escala em Luanda. Chegamos a Johanesburgo no dia seguinte às 13h50
      Dia 01 de abril – Domingo de Páscoa. Chegamos em Johanesburgo às 13h50 e assim que chegamos no aeroporto fomos trocar os dólares e comprar um chip de celular. As casas de cambio lá na África do Sul cobram uma taxa que não lembro mais o nome e eu me senti roubada. Em todas as casas de câmbio em que fui tinha essa mesma taxa, eu já sabia disso quando saí do Brasil, mas ainda assim ficou o sentimento do roubo. Acredito que o aeroporto não seja o melhor lugar para trocar dinheiro lá, mas nós chegamos num domingo no meio de um feriado prolongado (a segunda-feira depois da Páscoa é feriado na África do Sul, dia da família), por isso preferimos trocar lá.
       Em seguida fomos atrás de um chip pra usar internet e compramos numa loja no térreo do aeroporto perto da onde ficam as casas de câmbio. Tem duas lojas uma ao lado da outra, uma vermelha e outra amarela, na amarela achei que o preço estava mais interessante. Depois disso fomos pegar o carro que alugamos, o lugar fica dentro do aeroporto mesmo e o processo de pega-lo foi rápido. Já saímos de lá dirigindo o carro, um Clio. Alugamos através da RentalCars.
      Havíamos reservado hospedagem para duas noites em Johanesburgo pelo Expedia, num hostel no centro da cidade. Quando chegamos lá descobrimos que não era exatamente um hostel, era mais uma kitnet num prédio de moradores, bem estranho na verdade, Brownstone Backpackers. Havia um mercado perto, o Shoprite, e fizemos as compras para os próximos dias. A nossa intenção era acampar o máximo possível e cozinhar nossa própria comida e a África do Sul é um ótimo país para isso.
      Dia 02 de abril – Acordamos cedo e fomos atrás do funcionário para falar sobre o café da manhã e no final não tinha café, apesar de estar escrito no Expedia que havia a refeição estava inclusa. Pra evitar desgaste fomos lá ao mercado e compramos as coisas para fazer nosso café da manhã. Enfim. A programação era ir ao museu do Apartheid e achei muito legal começar a viagem por lá. Achei importante para começar a entender o país. Passamos muito tempo no museu o que nos impediu de ir a uma casa de escalada que tem na cidade e que gostaríamos de ir. Mas por conta de ser feriado ela não funcionava a noite. O lugar se chama City Rock, interessante para quem gosta do esporte. Depois do museu fomos a um shopping, Nelson Mandela Square, para comprar coisas para camping que estavam faltando. E aproveitamos para tirar foto na estátua do Mandela que tem lá.
      Dia 03 de abril – Saímos de Johanesburgo às 5h da manhã com destino ao Kruger National Park. É uma viagem longa, 420 km, e nosso destino era o camping Skukuza. Fizemos a dos campings com quase dois meses de antecedência, mas o fato de estarmos indo num feriado fez com que tudo estivesse lotado com tamanha antecedência (era “semana do saco cheio” nas escolas e faculdades). Tomamos café da manhã na estrada mesmo, lá nas estradas há sempre uma estrutura mínima de parada para lanches, com mesas e cadeiras.

      Por volta das 10h chegamos ao portão do Kruger, mostramos nossas reservas, fizemos os trâmites necessários e já começamos nosso safári! Não entregam mapa na entrada, mas as estradas estão no Google Maps. Vimos muitos animais assim que começamos inclusive um leopardo. Às 14h chegamos ao Skukuza e como estávamos muito cansados resolvemos ficar por lá. Almoçamos no restaurante no local e depois ficamos de boa na piscina. Ficamos acampados com nossa própria barraca, ao lado dos motor homes, e eles adoram motor home lá! A estrutura é boa com cozinha, fogão, lavanderia e tal. Li que tinha geladeira, mas não achei.
      Dia 04 de abril – Acordamos bem cedo novamente e às 6h30 já estávamos saindo do camping Skukuza em direção ao camping Berg-en-dal. Nossa idéia era fazer o safári esse dia no caminho entre os dois campings, pegando caminhos bem longos. Vimos muitos animais esse dia: elefantes, hienas, girafas, hipopótamos, leões, cachorros do mato, zebras. Chegamos no camping Berg-en-dal às 18h, com o portão já fechando. Assim que chegamos no camping reservamos uma saída para safári no dia seguinte de manhã, às 5h. E compramos na loja do camping um pedaço de carne de kudu para preparar para o jantar. Em todos os campings há um pequeno mercado com algumas coisas para comer e também lembrancinhas.
      Dia 05 de abril – Acordamos super cedo e já nos dirigimos para encontrar o jipe para fazer o safári ao nascer do sol. O carro saiu às 5h00, acho, mas o horário varia conforme a estação do ano. No início, enquanto ainda estava escuro, algumas pessoas levavam uma lanterna que ilumina bem para tentar encontrar animais escondidos na mata. O passeio dura quase 3 horas, mas infelizmente não vimos animais diferentes do que já havíamos visto. Gostaríamos de ter visto mais felinos, mas ok. Ao acabar o safári e voltar para o camping, tomamos café, arrumamos nossas coisas e antes de sair do Kruger mergulhamos na piscina do Berg-en-dal. A piscina é bem legal e tem um vestiário bem grande ao lado. Recomendo um mergulho lá J

      A idéia esse dia era sair do parque e começar a fazer o passeio pelos pontos turísticos do Blyde River Canyon. Por volta das 10h30 saímos do Berg-en-dal e nos dirigimos a saída de Pretoriuskop. No caminho ainda conseguimos ver alguns animais. Fomos rumo à cidade de Graskop, que é um bom ponto pra começar o passeio pelo Blyde Canyon. Saímos efetivamente do parque por volta do meio-dia e às 14h chegamos a Graskop. Almoçamos em um restaurante do centro da cidade, a cidade é pequena e há alguns restaurantes nas ruas principais. Como o tempo estava fechando decidimos fazer todo o percurso do Blyde Canyon no dia seguinte. Por indicação do dono restaurante fomos a Pilgrimsrest, que é um lugar histórico de lá, no qual havia um vilarejo em que ainda se conservam algumas casas e comércios como eram na época. Mas não gostei do lugar não, é quase uma encenação, acho que ninguém mora lá, é apenas para turista ir e ver como era o lugar e comprar coisas. Não gostei da abordagem dos vendedores lá, mas há coisas interessantes de artesanato, principalmente em madeira. Deixamos o carro estacionado na rua, longe de onde ficavam os outros carros. Dois caras lavaram nosso carro, sem nossa autorização e cobraram 70 rands, mas negociamos e pagamos 20 rands.
      Dormimos no Panorama Chalets & Rest Camp, que é super bem localizado, bem na borda de um desfiladeiro com uma piscina de borda infinita. Lá tem chalés e local para camping, cozinha coletiva e banheira, além de um restaurante. Como em quase todos os campings que ficamos tem também uma churrasqueira para cada espaço de camping. Andando dentro da propriedade, indo até uma borda do desfiladeiro é possível ver a cachoeira a Panorama Falls.
      Dia 06 de abril – Saímos cedo de Graskop e pegamos a estrada R532 e depois a R534. Na R534 primeiramente fomos visitar “The Pinnacle Rock”. É cobrada entrada, uns 15 rands, e é interessante não ir apenas ao Pinnacle, mas também dar uma caminhada para ver a cachoeira de frente, tem uma trilhinha. Seguindo na mesma rodovia está o God’s Window. Ao contrário do Pinnacle, que estava vazio, o God’s Window estava lotado, havia uns ônibus de excursão lá. Lá você também paga para entrar e há um caminho para seguir andando e tendo as vistas do local. É um local bonito, com uma visão ampla.
      Depois de God’s Window seguimos em frente na R534 e voltamos para a R532 e seguimos para a próxima parada: Lisbon Falls. Lá você também paga para entrar. Tem uma pequena lanchonete e várias pessoas vendendo artesanato e também um mirante, de onde é possível ter uma visão bonita das cachoeiras. Do mirante é possível ver uma trilha até um pequeno mirante, se você seguir essa trilha até lá embaixo, uns 15 minutos de caminhada, estará na cachoeira! Fomos os únicos que desceram enquanto estávamos lá. E foi uma delicia! O poço é grande e bom para nadar e a visão das cachoeiras é deslumbrante J

      Depois das Lisbon Falls nos dirigimos à Berlin Falls. As atrações estão marcadas no waze e há também placas ao longo da estrada. Na Berlin Falls a estrutura é parecida com a Lisbon Falls: paga-se para entrar e tem um mirante para a cachoeira. Nessa cachoeira não sei se tem trilha para descer para o poço, pois não descemos nela. Perto da Berlin Falls há dois restaurantes e decidimos almoçar em um deles, o Garden Shed Restaurant. Frango no forno a lenha, bem gostoso.
      Pelo avançar da hora fomos direto para o Three Rondavels, que é da onde se tem a vista panorâmica do Blyde River Canyon. A entrada é permitida até as 17h, chegamos lá por volta das 16h e passamos um tempão lá, porque a vista é realmente deslumbrante. Li que é possível fazer passeio de barco no rio que corta o canyon, mas não sei como é o esquema. Deve ser um passeio bem legal.
      Depois de terminar o trajeto pelas atrações do Blyde River Canyon ainda tínhamos um longo caminho: 180 km até Tranquilitas Adventure Farm, que é uma hospedagem com camping e chalés em um vale em que há centenas de vias de escalada. O trajeto foi longo e pegamos estradas péssimas, um trecho da R36 estava em obras, com muitos, muitos buracos. No caminho ainda passamos no mercado para comprar comida para os próximos dias. Por volta das 9h chegamos à Tranquillitas e lá estava lotado de pessoas acampando.
      Dia 07 de abril – Depois do café da manhã fomos com os equipamentos de escalada procurar as vias. E são centenas! Passamos o dia em apenas um setor. Lá há vias de vários graus de dificuldade. Pra quem curte escalada é um paraíso. No final da tarde ficamos na piscina, em que há um bolder para escalada em cima da piscina, bem legal!
      Dia 08 de abril – Saímos cedo para descobrir como chegar à Cachoeira Emgwenya, que é uma grande cachoeira que tem na cidade e na qual há várias vias de escalada em volta dela. A cachoeira é no meio da cidade, próxima a um bairro dito perigoso. Deixamos o carro numa loja de escalada/hostel, a Roc’n Rope Adventures, e de lá fomos no carro do dono do hostel até a entrada da cachoeira. O caminho para o mirante da cachoeira é diferente do caminho para as vias de escalada, fomos apenas nas vias. No caminho até as vias passamos por dentro do túnel em que passa o trem e depois pegamos um caminhozinho que desce até onde de fato começam as vias de escaladas. E lá também há centenas de vias, espalhadas em alguns setores, com diferentes graus de dificuldade. Eu não escalo, apenas faço segurança para meu namorado. Após ele subir uma via, decidimos ir atrás da cachoeira. Há uma trilha com correntes que te leva para trás da cachoeira. É uma trilha escorregadia e você irá se molhar inteiro, mas achei muito legal!
      Não havia ninguém lá perto da cachoeira, há não sermos nós dois. E quando voltávamos encontramos uns caras que pareciam estar pescando. Depois de ir pra cachoeira voltamos andando para pegar o carro que estava estacionado. Voltamos à Tranquillitas Farm debaixo de uma leve chuva para tomar um banho e partir viagem. Estávamos famintos e tivemos dificuldade de encontrar um lugar para almoçar, já passava das 16h. E acabamos entrando no Fortis Hotel Malaga, que ficava na N4, no sentido oposto em que tínhamos que ir. O hotel é bem bonito, chique, e a comida é deliciosa. Foi o melhor em que comemos durante toda a viagem.
      Depois de almoçar lá partimos rumo à cidade de Newcastle, enquanto estávamos almoçando no hotel reservamos um hotel para passar a noite em Newcastle pelo Booking.com. A cidade ficava no caminho para o parque Drakensberg, que era nosso próximo destino.
      Dia 09 de abril – Nesse dia decidimos aproveitar uma cama de verdade depois de quase uma semana dormindo na nossa barraca. Aproveitamos para arrumar o carro, que estava um pequeno caos e fazer compras em um mercado da cidade. O trajeto até o parque Royal-Natal era de 210 km, tínhamos que chegar lá até as 17h para poder acampar, o que era nossa intenção. Porém não conseguimos e acabamos ficando no Hostel Amphitheatre. Recomendo muito a hospedagem lá, o lugar é grande, é bonito e tem várias facilidades: piscina, jacuzzi no meio do bar, um bar, restaurante, lugar para churrasco, uma área de camping enorme, quartos coletivos e chalés. Além de ser parada do Baz Bus e ter uma agência que organiza trilhas nos parques em volta e até em Lesoto. Ficamos mais uma vez acampados.     
      Dia 10 de abril – Depois de um café da manhã reforçado fomos de carro para o parque Royal-Natal fazer a trilha Tugella Gorge. Pagamos a entrada e nos dirigimos de carro até o estacionamento mais próximo do início da trilha. No local onde começa o caminho há um voluntário do parque que explica um pouco do caminho e pega seus dados e faz umas perguntas sobre seus equipamentos (quantidade de água que se esta levando, agasalhos que se esta levando, lanterna, comida, etc). Na volta deve-se assinar no formulário assegurando que já voltou da caminhada. A caminhada é leve, sem grandes subidas, percorrendo em volta do desfiladeiro. Em um determinado momento a trilha percorre por dentro do desfiladeiro e devem-se subir umas escadas de madeira para ir até um ponto em que se vê a Tugella Falls meio de frente. Essa cachoeira é a segunda maior do mundo. Infelizmente o dia estava muito nublado e não conseguimos vê-la de perto, apenas quando estávamos longe. Ainda assim valeu muito a pena a caminhada. O lugar é muito bonito e diferente do que temos no Brasil. E vale a visita para ter a visão do anfiteatro, que é como se chama a forma em que as montanhas estão no parque, e também para ver os macacos que estão aos montes lá.

      Depois da trilha voltamos ao camping para descansar e nos preparar para o dia seguinte. Ainda tentamos fazer um churrasco ao estilo sul-africano, mas tivemos algumas dificuldades, hehe.
      Dia 11 de abril - Saímos do camping às 4h para um dos momentos mais aguardados por mim da viagem: a trilha para a parte de cima da Tugella Falls. O lugar de início da trilha é bem longe do Amphiteatre Backpackers e a estrada é péssima, mesmo. É possível ir de excursão até lá, com guia para acompanhar durante a trilha. É indicado pra quem não tem uma boa experiência em trilha, por que a trilha é bem marcada no início, mas tem pontos ruins, principalmente quando se chega ao topo. Chegamos ao local onde começa a trilha por volta das 7h e o tempo estava horrível. Chovendo e com uma neblina medonha. O lugar é abandonado, tem uma construção não terminada e uns barraquinhos de madeira, que achávamos que estavam abandonados. Depois de um tempo apareceu um senhor perguntando se íamos fazer a trilha e dizendo pra esperarmos até umas 8h que o tempo iria abrir. Esperamos até as 9h e nada do tempo melhorar e depois de muita indecisão resolvemos fazer a trilha, com a esperança de termos uma boa visão ao final da trilha. E isso não ocorreu. Demoramos cerca de 2 horas pra chegar a parte de cima da cachoeira e não vimos absolutamente nada, só nuvens. O caminho é perrengue com uma subida bem íngreme com pedras soltas e água escorrendo pelo caminho. Há uma alternativa pra subir via umas escadas de ferro, mas havia placas em que estava escrito que as escadas estavam fechadas.
      Por volta das 14h30 estávamos de volta no carro e ainda sob uma chuva fina fomos embora. Quando chegamos à cidade mais próxima o dia estava lindíssimo, mas era possível ver que nas montanhas havia muitas nuvens. Na estrada conseguimos ver algumas montanhas do parque Golden Gate Highlands que ficava no caminho. Voltamos para o hostel e fomos descansar da caminhada na jacuzzi do hostel.
      Dia 12 de abril – Acordamos tarde depois do desgastante dia anterior e aproveitamos a manhã para secar as roupas que estavam molhadas da trilha e também organizar o carro. Resolvemos então ir para outro parque na região, lá há vários parques, com muitas opções de trilhas pra fazer! Depois de pesquisar um pouco nos mapas que tínhamos pegado no parque Royal-Natal e também de pesquisar na internet decidimos ir ao Monks Cowl. Antes passamos na cidade de Winterton para almoçar e passar no mercado.
      Hospedamos-nos no Inkosana Lodge, que fica na rodovia R600, caminho para o parque. Ficamos acampados, mas o local tem quartos coletivos e chalés também. Fomos ao parque para verificar o preço do acampamento, mas era o mesmo que no Inkosana, porém sem energia elétrica.
      Dia 13 de abril – Fomos cedo ao parque para fazer a trilha chamada Blindman’s Corner. É uma trilha de tamanho médio e que dá uma visão panorâmica das montanhas, é realmente muito bonito. No parque há trilhas menores que levam há algumas cachoeiras, mas não tivemos tempo de fazê-las. Depois da trilha voltamos ao Lodge para cozinhar e descansar.

      Dia 14 de abril – Saímos meio sem rumo esse dia, as previsões para aquela área eram de chuva e queríamos fugir disso. Então resolvemos partir rumo ao litoral. Desviamos nosso caminho para passar em outro núcleo do parque, o Injisuthi. A estrada chegando ao parque era horrível e como o tempo estava bem feio não chegamos até o estacionamento do parque, paramos num rio no caminho e ficamos um tempo lá. Alguns moradores estavam pescando no rio. Seguimos viagem rumo à Underberg, na parte sul do parque. Paramos em uma cidade no meio do caminho para almoçar e depois seguimos viagem, chegamos a Underberg no final da tarde, sob chuva. Dormimos no The Shed, que tem camping e também chalés.
      Dia 15 de abril – Depois do café da manhã pegamos o carro e fomos rumo Coffee Bay. O caminho é longo, 383 km, e a estrada é boa até chegar em Mthata. Depois daí o caminho é através de uma estrada com muitos buracos e muitos animais no caminho. Por volta das 16h chegamos a Coffee Bay e almoçamos no Sugarloaf Backpackers, que fica na entrada da cidade. O local é um hostel com restaurante e alguns espaços para acampar, mas já não havia mais espaço para barracas. Então fomos andar pelos acampamentos da cidade e decidimos ficar no Friends Wild Coast, que era mais vazio que os outros. Éramos de fato os únicos lá. No lugar também funciona um restaurante/pizzaria.
      Dia 16 de abril – Saímos cedo para ir até o Hole in the Wall, que é a principal atração do lugar. É possível chegar lá de carro, mas decidimos ir a pé. Não sei como é a condição da estrada. O caminho não é difícil, mas é longo, 18 km no total, ida e volta. Mas vale muito a caminhada, o caminho é muito bonito, margeando o mar o tempo todo. Chegamos ao camping no final da tarde. Coffee Bay é bem pequeno, não tem mercado ou muitos restaurantes. É um lugar simples e bem bonito. Com muitas vacas na praia.

      Dia 17 de abril - Queríamos ir a Mapuzi nesse dia, mas não encontramos o caminho no wikiloc ou explicação na internet. Por sorte um funcionário do camping nos acompanhou até lá. E foi um passeio bem legal, ele foi contanto sobre as impressões dele do próprio país e tal e nos mostrando o lugar. Mapuzi é um rio que desemboca na praia e há alguns pontos para se pular no rio, é uma caminhada de cerca de uma hora e perto há uma praia praticamente deserta. Ao lado dessa praia há uma caverna em que o Mandela ficou escondido quando estava sendo perseguido antes de ser preso.
      Chegamos ao camping por volta das 14h e já partimos de carro rumo ao nosso próximo destino Kenton-on-sea, 445 km de distância. Chegamos lá apenas às 21h e nos hospedamos em um lugar chamado Stanley Cottage. Encontramos esse lugar procurando na internet e foi um achado, pagamos cerca de 20 reais para dormir num mini chalé, foi ótimo por que estávamos cansados da longa jornada de carro.
      Dia 18 de abril – Em Kenton-on-sea acontece uma coisa legal, quando a maré fica bem baixa é possível ver várias formações rochosas na praia, e há algumas realmente grandes e interessantes. A algumas dunas também e as crianças ficam descendo de ski-bunda. Andamos pelas dunas e encontramos uma praia meio escondida, que não sei o nome. Ficamos lá um tempo, mergulhando naquela água congelante e de repente entrou um nevoeiro fortíssimo, não era possível ver mais nada. Essa era nossa deixa para voltar ao carro e procurar onde almoçar. Almoçamos na cidade e já partimos para Stormriver.

      No caminho paramos em Porto Elizabeth para trocar dólares por rands e também paramos em Jeffreys Bay para ver o pôr-do-sol, passar no mercado e jantar. No caminho para Stormriver enfrentamos uma chuva bem forte o que nos fez decidir por ficar num quarto coletivo no hostel Dijembe.
      Dia 19 de abril - O hostel era bem cheio e meio caótico, com um bar e uma cozinha em que podíamos fazer panquecas à vontade no café da manhã. Depois do café da manhã nos dirigimos até o Parque Tsitsikama e demos carona para um casal canadense que também ia ao parque. Cerca de 50 reais por pessoa é cobrado para entrar no parque. Fizemos primeiro a trilha para as pontes suspensas, uma trilha curta e fácil e bem bonita. Ótima para fotos. Ao terminar a trilha almoçamos no restaurante que há no parque e depois seguimos para a trilha da cachoeira. Acredito que teria sido melhor inverter a ordem das trilhas, já que acredito que durante a manhã a cachoeira é iluminada pelo sol. Essa caminhada é mais longa (não as 4 horas que o folheto do parque diz) e o caminho é muitas vezes por cima de umas pedras enormes. A visão de toda a trilha também é muito bonita.
      Como não havíamos gostado do hostel em que estávamos, decidimos acampar essa noite no parque. Fomos à entrada principal e pagamos o valor para acampar. O bom de acampar lá é que no dia seguinte não precisávamos pagar de novo para entrar no parque.
      Dia 20 de abril – Dia de fazer kayaking e também de lavar as roupas! Como na maioria dos parques em que fomos na África do Sul havia uma lavanderia próximo ao camping. Pagamos cerca de 5 reais para usar a máquina de lavar e mais 5 reais para usar a secadora. Fizemos isso enquanto tomávamos café da manhã e desarmávamos nossa barraca. Depois nos dirigimos até o local da onde saem o pessoal para fazer kayaking. Há apenas uma empresa que tem esse passeio e é possível agendar pela internet ou pagar lá na hora, e foi isso que fizemos. O passeio todo dura umas 2 horas e foi muito legal. De kayak fomos por dentro do canyon, o lugar é muito bonito. O passeio normalmente sai perto do mar, mas como o mar estava bravo tivemos que fazer uma parte andando. Depois do kayaking fomos novamente almoçar no restaurante do parque.   
      Depois do almoço partimos rumo a Ponte Bloukrans, que é de onde se pula de bungee jumping. Depois de muito pensar meu namorado decidiu pular, eu já sabia que não pularia nem que me pagassem, hehe! A ponte é muito bonita e acho que vale uma parada só para ver a ponte sobre o vale. Depois do pulo de bungee jumping, continuamos nossa viagem com destino a Plettenberg Bay, que fica a cerca de 40 km de distancia. Lá ficamos hospedados no hostel Albergo, mais uma vez acampados. E comemos uma ótima pizza num lugar chamado Plett Market on Main, que é tipo uma praça de alimentações com alguns restaurantes.
      Dia 21 de abril – Quando estávamos saindo do hostel conhecemos um argentino que morava em São Paulo e ele nos acompanhou para fazer os passeios do dia. Primeiro fomos ao centro de reabilitação de felinos Tenikwa. Fomos acompanhados de um guia, que explicava várias coisas sobre os felinos que víamos, era muito interessante e o funcionário parecia muito apaixonado pela causa. Os animais ficam em espaços grandes com grades que nos separam deles, o passeio durou quase 2 horas.
      Depois fomos ao Robberg Nature Reserve, que é um reserva em que há algumas trilhas para fazer em volta do lugar, que é uma península. Fizemos a maior trilha, que percorre todo o lugar e foi deslumbrante. Vimos muitas focas, praias lindíssimas e um visual incrível do pôr-do-sol. Quando terminamos a trilha o sol estava se pondo, estava um visual lindíssimo e o estacionamento estava cheio de famílias curtindo o visual enquanto tomavam vinho e comiam.

      Depois da trilha seguimos para Knysna onde dormimos num local perto da praia Buffels Bay, mas não encontrei o nome do lugar. Era um lugar simples no qual acampamos, lá tinha um restaurante e também chalés.
      Dia 22 de abril – De manhã fomos conhecer a cidade de Knysna, que é muito bonita. Fomos de carro até um Mirante, East Head View Point, e de lá é possível ter uma visão geral da cidade, que é muito bonita. Há vários bancos nesse mirante em que é possível passar um tempão só admirando a vista, e há placas falando que de lá é possível avistar baleias na época certa. Depois seguimos de carro rumo a Hermanus, 420 km de distancia. Paramos em Wilderness para almoçar num restaurante a beira da praia. E chegamos a Hermanus por volta das 20h e nos hospedamos no Onrus Caravan Park. O local é um estacionamento para motor homes e não tinha cozinha, mas foi o suficiente para a noite.
      Dia 23 de abril - Hermanus parece ser um bom lugar para avistar baleias na época certa. Fora isso é uma cidade a beira mar com muito vento. Há uma caminhada chamada Hermanus Cliff Path, que beira o mar, percorremos um pedaço dela. Almoçamos num restaurante do centro e continuamos nossa viagem rumo a Stellenbosch, que está a 90 km de distância. Chegamos a Stellenbosch embaixo de chuva e acampamos no Hostel Stumble Inn. Aproveitamos o final do dia para andar um pouco pela cidade e fazer compras no mercado.
      Dia 24 de abril – Dia de conhecer vinícolas! Pegamos um mapa no hostel e pedimos algumas indicações ao funcionário. Primeiramente fomos à vinícola Tokara, que é muito bonita e moderna. Gostamos do vinho, mas não muito do atendimento, que foi muito impessoal. Pagamos apenas uma degustação e dividimos as taças, fizemos isso em todas as vinícolas que fomos. Em seguida fomos à vinícola Thelema e fomos super bem atendidos. A visão das montanhas que se tem do bar é muito bonita e os vinhos são bem gostosos. Almoçamos no restaurante da vinícola Le Pommier, mas não fizemos degustação lá. O almoço estava gostoso. Descansamos um pouco lá e depois fomos degustar na vinícola Camberley. Lá foi ok, mas nada demais. Depois fomos até a cidade de Pniel visitar a vinícola Boschendal, que é lindíssima. Fica numa grande fazenda, com um jardim lindo e uma visão privilegiada das montanhas. Fizemos degustação de vinhos especiais, com direito a champagne. Fechamos o dia com chave de ouro!
      Dia 25 de abril - A cidade de Stellenbosch é rodeada de montanhas e como bons trilheiros que somos pesquisamos como subir em alguma daquelas montanhas e aí encontramos na internet informação sobre a Reserva Natural Jonkershoek. Fomos de carro até lá, a reserva está a uns 25 min da cidade seguindo uma rodovia que termina na entrada do parque. Lemos algumas coisas sobre o parque estar um pouco abandonado e perigoso, felizmente não presenciamos nada. Pagamos a entrada e nos entregaram um mapa, a moça da portaria nos explicou sobre as trilhas disponíveis e o tempo que demandariam. Como o dia estava feio, com cara de chuva, decidimos fazer uma trilha que vai a uma cachoeira. Essa trilha é bem rápida, uns 20 minutos, e a cachoeira é pequena. Com a esperança de um tempo melhor decidimos continuar a trilha, fazendo o começo inverso de uma trilha grande que havia lá. Essa trilha ia até o fundo do vale e depois subia. Passamos por uma cachoeira maior que a primeira e depois continuamos o mais pra cima que conseguimos. Subimos por umas pedras e chegamos a um cume. O maior vento da vida, hehe! Mas a visão era muito legal e o tempo abriu um pouco pra gente, além de ser um ótimo lugar para ver flores, há muitas e são bem diferentes. Acredito que dava até pra ver a Cidade do Cabo do ponto em que estávamos.

      Depois de sairmos do parque sob uma fina chuva decidimos ir atrás de algo para comer. Decidimos ir até Franschhoek para jantar e conhecer um pouco a cidade. Quando chegamos na cidade a chuva estava muito forte e acabamos indo num pub, Franschhoek Station Pub and Grill. O lugar estava bem cheio e as pessoas estavam assistindo uma partida de críquete. Comemos algumas porções e experimentamos umas cervejas. Depois voltamos para o hostel para descansar do dia cansativo.
      Dia 26 de abril – A chuva não parou durante toda a madrugada e acabamos demorando pra desmontar nossa barraca, pois estávamos esperando que ela parasse. Esse era nosso último dia com o carro alugado, tínhamos marcado de devolvê-lo na Cidade do Cabo no final da tarde. Fizemos umas contas e decidimos que valia a pena ficar até o final da viagem com o carro. Fomos numa loja Hertz ali mesmo em Stellenbosch e fizemos todo o trâmite. Depois seguimos viagem rumo a Cidade do Cabo, nossa última parada. A Cidade do Cabo está a menos de 60 km de Stellenbosch, mas decidimos fazer uma serie de paradas e desvios no caminho. A primeira foi na praia de Muizenberg, aquela das casas coloridas. Depois fomos ao Museu Naval da África do Sul, que é gratuito e fica no meio do caminho. Foi uma parada interessante. Em seguida fomos a praia Boulders, a dos pingüins. Primeiro fomos a uma praia gratuita em que havia alguns pingüins e depois nos dirigimos à praia que é paga e que faz parte do parque. Achei uma experiência incrível! São tantos pingüins, tem algumas placas com informações sobre eles, interessante lê-las.
      Depois fomos direto ao Cabo da Boa Esperança, que é um parque e cobra entrada. O parque é muito grande e além do Cabo em si, há outros lugares para conhecer, como praias e trilhas. Infelizmente não sabíamos disso antes de ir, se soubéssemos teríamos dedicado mais tempo às trilhas do parque. Fomos direto ao farol do Cabo da boa esperança, o subimos a pé e aproveitamos pra andar um pouco lá por cima. Há vista é muito bonita, há uma praia próxima que dá pra observar. Essa parte dá pra subir de teleférico também. Ao sair dessa parte do farol fomos de carro até o Cabo da Boa esperança propriamente dito. Lá há uma placa em madeira em que todos tiram fotos e há caminho sobre as pedras em que é possível andar e ter uma visão mais ampla do local. O dia já estava acabando e não havia tantas pessoas. No caminho para sair do parque encontramos vários avestruzes! Ficamos um bom tempo observando-os e tentando tirar fotos.
      Na Cidade do Cabo ficamos hospedados num Airbnb, nossa primeira experiência nesse tipo de hospedagem. E ocorreu tudo muito bem! Jantamos numa pizzaria perto da casa em que estávamos hospedados.
      Dia 27 de abril – Depois do café aproveitamos o sol e fomos limpar nossa barraca e colocá-la para secar. Nossas coisas ainda estavam úmidas da chuva de Stellenbosch. Depois fomos de carro conhecer a estrada Chapmans Peak, infelizmente o tempo estava muito fechado quando chegamos lá. O tempo na Cidade do Cabo é instável, e as proximidades da Table Mountain facilmente ficam envoltas em nuvem. Percorremos a estrada inteira e paramos pra almoçar num restaurante no final. Enquanto almoçávamos o tempo foi abrindo e decidimos percorrer a estrada novamente. Paga-se um pedágio para percorrer a estrada inteira, e o pagamos duas vezes. Mas valeu a pena, na segunda tentativa o tempo estava bem aberto e lindíssimo.

      Resolvemos ir conhecer o Waterfront e sinceramente, não achei nada demais. É um complexo de lojas e restaurantes a beira-mar, com uma roda gigante e a Table Mountain ao fundo. O tempo estava muito feio, com garoa de vez em quando. Fomos a um bar fazer degustação de cerveja e não gostamos também. Decidimos então voltar para casa e cozinhar nossa janta.
      Dia 28 de abril – Na parte da manhã fomos conhecer as praias de Camps Bay e Clifton. Fomos apenas a Camps Bay, porque achamos que já era bonito o suficiente, hehe. Ficamos um tempão andando e fotografando a praia e as montanhas. Venta demais lá e estava muito frio, então não deu pra entrar no mar. Depois fomos novamente ao Waterfront porque queríamos ir ao Aquário da cidade, o Two Oceans. Almoçamos numa espécie de praça de alimentações que havia no Waterfront, o V&A Food Market. E depois já fomos direto ao Aquário. E adoramos! Muitos peixes e animais marinhos diferentes, num ambiente não muito grande, mas bem organizado. Achei a experiência bem válida.
      Em seguida fomos à Lion’s Head para ver o sol se por. Deixamos o carro estacionado próximo ao começo da trilha e em pouco mais de uma hora já estávamos no topo. Encontramos um lugar muito agradável para ver o sol se por, com uma visão bem legal da praia Camps Bay. Conforme ia se aproximando o momento do pôr-do-sol, mais foi ficando cheio lá em cima. A visão é espetacular! Importante levar lanterna para a volta da trilha.
      Dia 29 de abril – De manhã fomos ao mercado comprar coisas para cozinharmos a noite, pois sabíamos que voltaríamos tarde e o mercado (assim como quase tudo) fechado cedo na África do Sul. Depois fomos ao centro da Cidade do Cabo para comprar algumas lembrancinhas, com preços melhores do que os encontrados no Waterfront. A dona da casa em que estávamos nos indicou ir ao Greenmarket (entre as ruas Longmarket e Shortmarket). É uma praça com varias barraquinhas de vendedores, há muita oferta de pinturas, arte em madeira, roupas, etc. É um local para pechinchar e andar bastante. Não é muito grande, mas gostei das compras que fizemos. Arrependi-me de não ter comprado mais coisas de madeira L Almoçamos em um fast food ali próximo e depois fomos a Table Mountain.
      Nossa intenção era subi-la pela trilha India Venster, que é a trilha mais exposta e uma das mais demoradas. Apesar de estarmos com wikiloc nos perdemos um pouco no começo, mas a dica é: essa trilha é bem íngreme, então se o caminho estiver reto está errado. Gostei muito da trilha e das vistas que se tem pelo caminho. Mas não é recomendável ir sozinho ou caso não tenha hábito de fazer caminhadas, porque ela é mais exposta e tem um nível de dificuldade médio. Há trilhas mais fáceis para se chegar lá em cima. Demoramos um pouco mais de 2 horas para fazer todo o percurso e chegamos ao topo no maior vendaval. Faz muito frio lá em cima, congelante. Abrigamos-nos do vento frio no café que há em cima do teleférico. Nesse café há uma varandinha mais abrigada do vento e de lá acompanhamos o por do sol. Assim que ele se pôs já começamos a nossa volta via Platteklip Gorge, que é uma trilha mais fácil. No caminho para o começo da descida ainda vimos a lua lindamente nascer cheia!

      No caminho de volta encontramos um grupo de 3 pessoas que estavam tendo dificuldades para descer: uma menina estava machucada e eles não tinham nem água e nem lanterna. Acompanhamos o grupo ajudando como podíamos, dando nossa água e uma lanterna. Mas como eles estavam indo muito devagar resolvemos continuar descendo no nosso ritmo, depois de um tempo. Ao chegarmos em casa fizemos nossa janta e descansamos.
      Dia 30 de abril – Dia de ir embora da África do Sul. Limpamos o carro de manhã, fomos ao mercado comprar algumas bebidas que queríamos trazer, almoçar e devolver o carro no aeroporto. O vôo de volta foi pela TAAG também e foi tranqüilo!
      Espero que o relato ajude a quem está indo visitar a África do Sul. Estou disponível para qualquer dúvida
       
       
       
       
       


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