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8 dias de Ciudad de México, Puebla y el mágico pueblo de Cholula (dicas, gastos e fotos)


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Espaço aéreo do México, 10 de novembro de 2019

Salud a todos! Tenho a alegria de estar a 10006m de altitude, segundo o radar do avião, em algum ponto entre Minatitlán e Tuxtla Gutierrez, com um fim de tarde de lua cheia pulsando na janela, ouvindo a maravilhosa cantora mexicana Natalia Lafourcade e retornando a São Paulo para poder contar pra vocês a experiência fantástica que tive nos meus últimos 8 dias passados nesse país encantador que é o México. A priori, iria passar apenas 4 dias a trabalho em Puebla para um congresso acadêmico, mas acabei chegando 4 dias antes para conhecer um pouco do que é a terceira maior metrópole do mundo, a Cidade do México. Como muito do que procurei sobre a viagem foi mais uma vez usando o repositório do Mochileiros, é minha obrigação deixar um bom e completo relato para ustedes! Compartilharei o relato também no Medium, para democratizar a experiência! Aliás, leitores do Medium, deem uma olhada no mochileiros, têm muuita coisa legal :)

A viagem teve duas partes. A primeira, minha irmã Thais me acompanhou na Cidade do México, aproveitando a compania, tirou umas férias merecidas :). Depois, durante o congresso em Puebla, ela foi pra Cancún e fiquei visitando quando tinha tempo entre uma apresentação de paper e outra :)

1. Cronograma

A viagem aconteceu entre 2 e 10 de novembro de 2019, com o seguinte cronograma:

2/nov/2019: Voo SP-CDMX, saída 23h, chegada 6h30

3 a 6/nov/2019: Cidade do México

7 a 9/nov/2019: Puebla e Cholula

10/nov/2019: Voo CDMX-SP, saída 16h40, chegada 5h30

 

2. Gastos

Vou botar os gastos em dólares, já que a cotação varia bastante. 

Passagem aérea: US$ 970 (SP-CDMX ida e volta)

Hospedagem: 3 diárias no METRO Boutique Hostal, na CDMX, em quarto privativo (mas banheiro compartilhado) para duas pessoas: US$ 200/2 pessoas = US$ 100 por pessoa.

Obs: a hospedagem em Puebla foi pago pelo congresso rsrs.

Comida, presentes, passeios: US$ 300.

Total sem passagem aérea: US$ 400

Total com passagem aérea: US$ 1370

Na época que viajei (novembro de 2019) peguei o dólar ao redor de 4. 

 

3. Relato

Dia 1 e 2 - Sábado, 2/nov/19: Saída SP-CDMX, voo às 23h, chegada às 6h30 no Domingo, dia 3/nov

Chegamos no dia 3 de novembro de manhãzinha. Como o check-in do hostel era só a partir das 14h, deixamos as coisas no storage do próprio hostel, tomamos café lá (isso foi bem legal da parte deles) e saímos para andar.

Como era um domingo, a Paseo de la Reforma estava fechada para carros, então, como aqui em SP acontece com a Av Paulista, a avenida estava cheio de gente, ciclistas, corredores, dogs e famílias. Foi bem legal. Uma coisa que é diferente da Paulista Aberta nesse ponto é que lá eles separam a avenida em dois: uma só para atletas e ciclistas, onde o pessoal pode treinar sem problemas de ter uma criança atravessando correndo a rua ou um ambulante vendendo algo, e outra parte para as famílias e pessoas que só querem passear na avenida. Achei sensacional (alô Bruno Covas!). Nesse ponto, como ficamos em Roma Norte, um bairro sensacional, parecido com o bairro de Pinheiros em São Paulo em questão de cultura, restaurante e arte, o caminho até o monumento do El Ángel de la Independencia dá uns 15 min. Fomos até lá e depois andamos toda a Paseo até o parque, onde fica o Museu Nacional de Antropologia da Cidade do México.

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El Ángel de la Independencia, na Paseo de la Reforma. Em obras, como todo o México by that time.

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Calçadão da Paseo de la Reforma. Avenidas muito mais largas que a Avenida Paulista

O Museu de Antropologia em si é muito legal. Mas recomendaria ir em algum dia diferente de domingo. Neste dia, o museu é de graça para mexicanos, o que o deixou totalmente abarrotado de gente. Como não havia mapas nem indicações de como fazer o trajeto do museu, a gente não conseguiu aproveitar tanto. Fomos direto nos setores externos (jardins, muito banaca) e também na Pedra do Sol, la famosa... Passamos apenas umas 2h dentro do museu, porque realmente não havia condições de ficar mais tempo lá de tanta gente que tinha. Um colega foi no parque e pro museu de história natural. Disse que tem uma vista bem legal da cidade, mas infelizmente não conseguimos ir :(

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A Pedra do Sol, que não, não é o calendário maia e nem asteca!

Depois do museu, passamos em frente ao Auditorio Nacional para retirar meus ingressos pro show da Natalia Lafourcade (se você não sabe quem é ela, pare de ler e vá ouvir essa mulher maravilhosa. Coloquei um vídeo mais pra baixo), cantora mexicana que gosto muito e que coincidentemente, estaria tocando na CDMX durante a nossa estadia. O Auditorio em si é muito legal, e mesmo para quem não tem evento pra ir lá, vale a pena dar uma passada na frente de dia. É majestoso.

Depois do Museu, almoçamos em uma Taquería chamada El Fogoncito, muito boa por sinal. O cardápio não fica só por conta de tacos, mas de muitas coisas mexicanas. Foi um ótimo portão de entrada pra comida local. Comemos perto da Paseo, no cruzamento da Rua Leibnitz com a Rua Victor Hugo (mi nombre rsrs).

A noite, encontrei um amigo da minha namorada, chamado Rodrigo, cara sensacional, em um dos bares da Av. Álvaro Obregón, em Roma Norte, do lado do Hostel. Mais uma vez, recomendo totalmente o bairro só pelos restaurantes e bares. Essa avenida ficava bem pertinho de onde a gente tava, além de ter muita coisa nos miolos do bairro. Por exemplo, visitei muitas livrarias ao redor, muitas lojas de arte e cultura, e também umas lojas místicas, pra quem gosta! É realmente a Pinheiros/Santa Cecília da CDMX.

Depois descanso já que tivemos um voo longo e  no próximo dia iríamos para Teotihuacan.

Dia 3 - Segunda, dia 4 de novembro de 2019: Pirâmides de Teotihuácan, o dia inteiro e show da Natalia Lafourcade às 20h

O plano era passar a manhã e a tarde em Teotihuácan e voltar umas 17h porque a noite eu tinha o show no Auditorio Nacional. Para ir até Teotihuacan por conta é bem fácil. Você tem que pegar o metrô até uma das rodoviárias, especificamente o terminal rodoviário Autobuses del Norte. Vá de metrô, é bem barato, menos de R$ 1,00 a passagem (aliás, todo o México é barato. E isso é ótimo para nós brasileiros). De lá, atravesse a rua e compre a passagem ida e volta para as pirâmides. O totem que vende as passagens é de uma cia específica, que não tem erro já que o próprio símbolo da empresa são as pirâmides. Se localiza, ao olhar para a rua, dentro do terminal rodoviário, à sua direita, no fim da rodoviária. 

A passagem não é cara e inclui ida e volta. A ida tem horário específico, e a volta você simplesmente espera na rua na frente do sítio arqueológico. Literalmente hehe. 

O passeio é bem legal. O busão te deixa na frente do parque, você paga a entrada e se vira lá dentro. De cara estará com a Citadela, e mais pra frente vai ter as duas pirâmides maiores (Sol e Lua), além das intermediários. Minha dica é também ir no museu que tem lá dentro. Dá pra entender um pouco o contexto do negócio, além de ter uma maquete sensacional. 

O passeio é incrível, e o que me impressionou foi a magnitude do negócio. É enorme. Não se esqueça de levar chapéu, protetor solar e snacks, já que você ficará bastante tempo lá (um dia inteiro), além de que não há sombras para fugir do Sol. Logo, prepare-se! Há chapéus vendendo na entrada do parque, caso você se esqueça. 

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Delante a la Pirámide del Sol, en Teotihuácan :)

Depois do passeio, como disse, a volta é bem simples, basta sair do parque e esperar na rua qualquer ônibus passar. Acabamos esperando uns 15 min e pá, passou um ônibus. Como a demanda era maior que a oferta, nos primeiros 15 minutos de volta fizemos o trajeto de pé dentro do busão, mas depois o pessoal foi saindo e conseguimos sentar. Aliás, todo o México é assim. Se fosse definir o país em uma palavra é: desorganização. Não importa se estávamos numa rodovia federal, estávamos de pé em um ônibus num trajeto de 1,5h a priori..uma loucura! 

De volta a CDMX, passamos numa Taquería que nos recomendaram chamada Taquería El Califa, é famosinha e nos recomendaram. Os pratos são bem grandes e vale bem a pena. Fomos na filial da Paseo da Reforma, mas passei na frente na filial de Roma Norte também. 

De noite, tinha o maravilhoso show da Natalia Lafourcade! Aqui em baixo tem um vídeo da minha música favorita dela, pra quem não conhece! E mais uma vez, o Auditorio Nacional em si é espetacular! Vale a pena dar uma passada lá na frente, é bem bacana mesmo.

O show foi impecável, com certeza um dos melhores shows da minha vida. Se tiver a oportunidade de ir em algum evento cultural no destino da sua viagem, vá! É muito bacana ver os mexicanos em seu cotidiano. A grande maioria do público era local. O mais legal é que nesse último disco dela os sons estão bem folclóricos, o que fez o show ser uma baita homenagem à cultura mexicana! Além de ter muitos convidados cantando junto. Foi animal, experiência única!

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Auditorio Nacional, dia de show da Natalia Lafourcade!

 

Dia 4 - Terça, dia 5 de novembro de 2019 - Museu Frida Kahlo pela manhã, Templo Mayor e Lucha Libre

Dia 4 começou e tínhamos já agendado com antecedência o Museu Frida Kahlo para manhã às 10:30. O bairro que o museu fica é bem legal, o que vale já a visita mesmo antes do seu horário no museu. O bairro chama Coyoacán e, além do museu e da casa do Trosky, já famosos, o bairro tem muita feirinha, comércio, além também de, no caminho do metrô para o museu, você passará pela Cineteca Nacional. Não chegamos a parar porque tínhamos horário, mas gostaria de ter passado um tempo por lá!

O museu em si é um espetáculo. Acredito que foi o lugar que mais gostei na CDMX. Aproveitando a dica do meu irmão, que também foi pra lá anteriormente, foque nos pincéis, no estúdio, nas tintas. O museu é menos obras da Frida e do Diego Rivera e muito mais o estilo de vida deles. E isso é beeem legal. 

A casa é um charme, toda colorida, e você vai se autoguiando pelos quartos e aposentos. Para tirar foto, tem que pagar mais, o que não fizemos. No nosso caso, só foi possível tirar foto do jardim, que também é lindo. Você consegue ver a cama onde ela pintava depois do segundo acidente, os quartos, a cozinha, o jardim...e também tinha uma exposição temporário com os vestidos de Frida Kahlo. Senti coisas lá muito fortes! A vida que essa mulher teve foi cheeeia de desafios e, mesmo depois de um caso de pólio, dois acidentes, traições, ela ser o marco que foi e com tanta influência não só no meio artístico mas também como uma bandeira do movimento feminista, isso é fudido. Um passeio que mesmo eu, que não conhecia muito das obras dela, me fez ficar muito mais interessado e encantado. 

Uma dica é realmente reservar o passeio com bastante antecedência. Há preços diferenciados para estudantes e para estrangeiros. Peguei o de estudante, como aluno de doutorado, que é 1/4 do preço dos estrangeiros, e deu tudo certo! Lá você vai entender o porquê reservar antes: existem duas filas. Uma para o pessoal que tem horário marcado e outra para quem vai comprar na hora. Posso te afirmar com certeza que a fila de quem ia comprar na hora estava 10 vezes maior. Vacilaram! Então não cometa esse erro e reserva essa caceta já!

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Museo Frida Kahlo

De lá o plano era ir até o Zócalo e conhecer o centro histórico. Como começou a chover muito, ficamos apenas no Museu do Templo Mayor, e decidi conhecer o resto do Zócalo no dia seguinte. O Templo Mayor é um passeio bem legal. O preço não é salgado e é interessante saber que o centro da CDMX já foi cercado pelo povo mexica, com pirâmides e um centro político e cultural bem diferente do pós colombiano. O museu destaca ainda o massacre espanhol dos povoados antigos e também tem uma maquete bem legal do que era o Zócalo antes da invasão espanhola. E claro, as ruínas em si. 

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Ruínas do Templo Mayor

Com a chuva, acabamos fazendo hora por lá até das umas 18h para ir direto para a Lucha Libre! E que passeio sensacional! São dois lugares que ocorrem as luchas libres na CDMX: Arena Coliseo e Arena México. Fomos na Arena México, por estar relativamente perto de Roma Norte. Compramos os ingressos umas 18h30, e a luta começava às 20h. O evento em si é bem bacana. Claramente, tudo é muito bem encenado, as lutas não são verdadeiras, mas você se diverte demais! E o mais engraçado são que, mesmo com boa parte do público ser turista, há uma quantidade relevante de mexicanos que frequentam as lutas e torcem como se fossem de verdade! Gritam o nome e tudo. Achei maneiro!

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¡Lucha libre!

Depois da luta, casa e sono.

Dia 5 - Quarta, 6/nov/19: Zócalo, Palácio Belas Artes, Palácio Nacional (só passar em frente), centro histórico e ida pra Puebla

Como não tinha conseguido visitar direito o Zócalo no dia anterior por conta da chuva intensa, acabei por voltar de manhã para o centro para conhecer. O centro em si, pra quem também é de São Paulo, se assemelha muito à região da Praça da Sé. Primeiro por ser muito bonito (quem não teve a chance de passar pelo menos um dia no centro de SP, faça-o! É bem legal!). Segundo porque, assim como SP, não é o principal ponto turístico da cidade. Aqui em SP, por exemplo, podemos colocar Av Paulista, MASP e Ibirapuera na frente da Praça da Sé e ainda, tenho certeza que você pensaria duas vezes em recomendar o centro de SP para um gringo ir sozinho por conta da violência. Lá na CDMX é a mesma coisa! Em todos os sentidos. Há muitos moradores de rua como em SP (aliás, a Cidade do México se assemelha a São Paulo de uma forma inacreditável! Por isso que gostei tanto hehe). Tem até uma rua que o povo fica com aquelas plaquinhas de "compro/vendo ouro", que nem na Sé!

Primeiro fiquei passeando pela praça em si. Como era pós Dia de Muertos, a praça estava toda decorada de flores, para o Festival de las Flores, logo depois do Dia de Muertos. Estava muito bonito. A praça é enorme, e você passa um tempo só se impressionando com a imensidão do negócio. Minha dica é primeiro visitar o Palácio Nacional, que fica lá na praça, a Catedral Metropolitana, que também é muito legal e depois ir andando até o Palácio Belas Artes, uma caminhada de uns 20 minutos com calma. Infelizmente no dia que eu fui estava tendo um evento diplomático no Palácio Nacional, o que significou que não pude entrar no Palácio em si, só apreciar do lado de fora. Então acabei fazendo o caminho até o Palácio Belas Artes, que também é belíssimo. Lá dentro não tem muita coisa o que fazer, mas só a caminhada vale a pena :)

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Zócalo todo enfeitado para o Festival das Flores

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Festival de las Flores

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Catedral Metropolitana

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Palacio Bellas Artes

Um dos motivos que tinha deixado o Zócalo por último era que estava pensando em comprar souvenirs por lá antes de ir pra Puebla. Aí que descobri uma coisa muito importante, e aí vai a dica pra vocês: como SP, no centro não há souvenirs. Então pensei: "onde em SP compraria souvenirs? Reposta: Avenida Paulista!". E foi tiro e queda: peguei um metrô e voltei pra Paseo de la Reforma uma última vez e tá lá: cheio de souvenirs para vender nas calçadas. Aproveite essa dica preciosa e não espere souvenirs no centro histórico!

Depois, voltei a pé para Roma Norte para almoçar e pegar minhas coisas para partir para Puebla, o grande motivo da viagem (que era a trabalho hehe). E aí uma das boas surpresas e histórias da viagem. Parei num restaurante chamado Eno, em Roma Norte. Um restaurante sensacional, em que pedi um prato que vinha umas fatias de abacate, arroz, um pollo e frijoles. Mas a melhor coisa não foi a comida. De frente pra mim, na mesa da frente, tinha uma garota tomando um café. Ela percebeu que eu tava me deliciando com o prato, tirando umas fotos e panz, e perguntou o que eu estava comendo. Respondi que estava comendo frijoles com avocado e pollo, então ela virou e falou, em espanhol: "legal...posso experimentar?". E não deu outra, ela pegou umas garfadas e adorou o prato também! Depois ainda me ofereceu metade do pan de muertos que ela estava comendo pra mim..e claramente eu aceitei! Hehe. Ficamos uns 15min trocando ideia e descobri que ela era uma mexicana que vivia na California nos últimos 20 anos, tinha saído com 8 anos do México. E não só isso, mas aquele dia era o primeiro dia dela no México depois de 20 anos!! Histórias que só viajando a gente consegue escutar ;) Infelizmente tinha horário de ônibus para Puebla e acabei saindo, mas esse episódio reflete muito do que o México e, especialmente os mexicanos são: alegres, simpáticos e que não se assustam em abordar um estranho pra dividir um prato ou trocar uma ideia! Algo muuuuito semelhante com nós brasileiros. Quem nunca trocou ideia com estranhos em algum bar e acabou tendo um ótimo papo também? Um dos grandes momentos da viagem! 😜 

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Almuerzo incrível que encantou até a moça da mesa da frente :) Aliás, essa cerveja é do baralho: Bocanegra. Não deixem te procurá-la!

Depois, busão para Puebla, chegando de noite e dando check-in no hotel.  

 

Dia 6 - Quinta, 7/nov/19: Primeiro dia de congresso e centro de Puebla de noite.

Durante o dia foi o primeiro dia da conferência que me levou até o México, então nada demais em termos turísticos. De noite, fomos para o centro de Puebla para conhecer o Zócalo de lá e também jantar, junto com outros congressistas. 

O centrinho de Puebla é bem legal! Me lembrou muito Ouro Preto-MG. Como em muitos pontos do México, há Wi-Fi grátis nas ruas, o centro era iluminado, com um coreto e muitos bancos e a praça cheia! Coisa de cidade do interior, literalmente! Paramos num restaurante nos arredores da praça que se chama Vittorio's, que serve tanto comida poblana como comida italiana (??) hehe. E acabamos pedindo a prata da casa, o prato mais típico de Puebla, o Mole Poblano. Um prato delicioso, porém bem forte. Aliás, toda comida do México é forte, em termos intestinais. Ia muito mais vezes no banheiro do que aqui no Brasil. É muito tempero! E o mole poblano não foge disso: um peito de frango com arroz coberto por um molho marrom fortíssimo e saboroso! Mas senti ele durante toda a madrugada hehe, if you know what I mean. Enfim, nada que um mezcal no fim da refeição não ajude na digestão! Valeu muito a pena!

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Zócalo de Puebla

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Praça no Zócalo de Puebla

 

Dia 7 - Sexta, 8/nov/19: Segundo dia de congresso e el mágico pueblo de Cholula!

Esse talvez tenha sido um dos grandes dias da viagem. Primeiro porque no congresso em si eu não iria apresentar e também não havia muitos tópicos do meu interesse, o que me deu uma manhã livre. Acabei indo para o que os poblanos chamam de "El mágico pueblo de Cholula". 

Cholula é uma cidadezinha (ou duas cidades, porque são dois povoados) a menos de 10km de Puebla. Se Puebla é Ouro Preto, Cholula é Tiradentes, Brumadinho...cidades menores ainda, mas igualmente históricas! Caso queira saber mais sobre Cholula, recomendo esse link aqui: https://quasenomade.com/uma-visita-ao-pueblo-magico-de-cholula/

Cholula foi o que mais me encantou no México. Para começar porque a maioria dos turistas são mexicanos. Acho que os únicos gringos que vi lá era eu e os colegas congressistas que trouxe a noite pra lá! Depois, porque a cidade é toda arquitetada como uma cidade do interior. Há uma praça? Sim! Tem coreto? Sim! Tem igreja ao redor da praça? Sim, muitas delas! Aliás, Cholula é conhecida como a mais espanhola das cidades mexicanas justamente por ter muita, mas muita igreja. E elas são bem charmosas! Tem bares? Sim! Tem vida noturna? Sim! Tem história? Muita! É totalmente encantador. Vamos em partes.

A primeira grande coisa que se vê quando se chega em Cholula é uma colina enorme com uma igreja construída lá em cima. O que você vai descobrir é que, essa colina na verdade é uma pirâmide pré-colombiana construída pelo povo que vivia na região antes dos espanhóis chegarem! O que dizem é que os espanhóis não sabiam disso e, quando chegaram, viram apenas uma colina e resolveram construir uma igreja lá em cima. Seria realmente uma coincidência ou uma forma explícita de varrer a cultura pré colombiana? Aposto na segunda opção :) O que importa é que a partir do Séc XX os mexicanos começaram a escavar a colina e descobriram que, em termos de base, a pirâmide que tem lá era a maior do México, maior ainda que Teotihuácan! Incrível! Há inclusive um túnel que você demora 15min pra atravessar que dá no Sítio Arqueológico. É muito legal mesmo! 

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Paróquia Nsa Sra dos Remédios, no topo da colina, que na verdade, era a maior pirâmide do México :)

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Subida para a Paróquia Nossa Sra dos Remédios, em cima da colina de Cholula

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Vista de Cholula lá de cima da colina! Reparem no vulcão Popocatépetl soltando fumacinha. 2 semanas depois, ele entraria em erupção!

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Túnel para as ruínas das pirâmides!

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Ruínas do que foi a maior pirâmide, em termos de base, do México, em Cholula.

Mas a cidade não se resume só à pirâmide! Para começar, mais um exemplo da ótima hospitalidade dos mexicanos, em especial do pueblo de Cholula. Chegando lá, fui no centro turístico do povoado. Lá, uma moça, chamada Veronica, me atendeu e me explicou em 15min TUDO o que tinha que ver na cidade. Me deu um guia inclusive do que comer e o que fazer durante um dia inteiro lá. Ela adorou o fato de eu ser brasileiro, já que eles não recebem muitos gringos por lá! E ainda me convidou para assinar um livrinho da cidade com meu nome e pra eu escrever umas palavras lá! Muito fofinha! Mas o mais legal que ela me disse foi: naquele exato dia era aniversário da cidade, e ia rolar um evento pirotécnico ali do lado a partir das 18h. Com certeza iria!

De manhã ainda deu tempo de subir na colina em si e conhecer a igreja lá de cima. Mas o show a parte é a vista panorâmica lá de cima da cidade de Cholula e de Puebla com uma visão privilegiada do vulcão Popocatépetl, que fica nos arredores de Puebla. E aqui vai mais uma dica: suba na igreja pela manhã, quando as nuvens ainda não bloqueiam a visão para o vulcão. No fim da tarde as nuvens bloqueiam o vulcão, e você perde toda a vista.

Como Cholula era relativamente perto da universidade que estava sediando o congresso e tinha coisa para fazer a tarde por lá, acabei voltando para assistir a alguns seminários pela tarde na conferência, mas já tinha colocado na minha cabeça que tinha que voltar para Cholula a noite. Estava apaixonado pelo pueblo. Ele realmente é mágico!

A noite, voltei e levei dois colegas do congresso para lá também. E fomos direto nos posicionar em cima da colina para ver as celebrações de aniversário do povoado, como a Veronica tinha recomendado! E que coisa irresponsável! Eles colocaram umas estruturas de metal, uns 6 pilares em que se acendia um pavio que fazia um show pirotécnico da base até o topo. E tudo isso com um monte de gente no chão assistindo, sem uma margem de segurança. Para vocês terem uma ideia, uma das estruturas explodiu, o que fez um esqueleto de metal subir muitos, mas muitos metros pro alto e cair na colina. Ainda bem que não atingiu ninguém, mas foi por um triz. Mas é isso, nada simboliza mais o México do que isso: dedo no cu e gritaria! Haha. Apesar de perigoso, foi sensacional! Experiência única. Pra quem dúvida do perigo que foi isso, se liguem: 

Haha, loucura, não?

Depois da pirotecnia, fomos ao centrinho, tiramos umas fotos das igrejas de noite e paramos um bar por lá de cerveja artesanal. E mais uma vez, uma das grandes histórias da viagem: os garçons e garçonetes estavam tão abismados que éramos gringos visitando Cholula que, de 5 em 5 minutos vinham na nossa mesa perguntar se estava tudo certo, tudo bem com a bebida, com a comida, etc...Gostaram tanto da gente que nos deram um vale chopp para uma próxima vez! Guardei de recordação haha.

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Um pouco do charme del mágico pueblo de Cholula e suas muitas igrejas

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Praça de Cholula!

Depois de umas cervejas e ótimo papo, voltamos pro hotel que ainda faltava mais 1 dia de congresso. E também o último dia de viagem. E sabia que minha história com Cholula ainda não tinha acabado... :) 

 

Dia 8 - Sábado, dia 9/nov/19: Último dia de congresso, teleférico e bar em Puebla e...Cholula novamente!

Sábado durante a manhã e até o fim da tarde foi de congresso. A parte turística começou lá pelas 17h. Fim de conferência, partimos para a Zona Histórica de Los Fuertes. Vamos à contextualização: Puebla foi a cidade que abrigou a Grande Batalha de Puebla contra os franceses em 5 de maio de 1862, durante a segunda intervenção francesa no México por Napoleão III. Depois os franceses acabaram entrando no ano seguinte, mas o México foi defendido com sucesso numa batalha época realizada em Puebla, no dia 5 de maio de 1862. E isso é orgulho dos mexicanos, que comemoram o 5 de Mayo todos os anos como feriado nacional. Foi um dos grandes momentos que moldaram a identidade mexicana e é um dos principais feriados do país.

Pois bem, a tal Grande Batalha aconteceu em Puebla e a Zona de los Fuertes têm os fortes remanescentes da guerra, muito bonito! A área de visitação é um parque, numa zona alta da cidade, de onde se dá pra ter uma vista panorâmica da cidade, além de ter um teleférico que leva até o centro da cidade. 

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Vista panorâmica de Puebla a partir da Zona de los Fuertes. Um privilégio ver o pôr-do-sol de lá :)

Nesse dia, encontrei a minha irmã, que estava comigo antes no CDMX e que tinha passado uns dias em Cancún enquanto eu estava trabalhando. E o melhor, era o aniversário dela! Nos encontramos lá em cima e descemos no teleférico de noite, com uma vista fenomenal da cidade e com uma guia explicando todos os pontos de Puebla lá de cima! É muito legal e bem barato, recomendo total fazer esse trecho de teleférico! 

Chegando no centro de Puebla, para comemorar o aniversário da Thais, minha irmã, escolhemos o bar chamado San Pedrito Licorería. É um bar animal, com música boa e ótimas cervejas e mezcais. Ficamos um tempo lá até nos direcionar advinha para onde? Sim! Cholula novamente! Pegamos um Uber para Cholula para exatamente o mesmo bar, San Pedrito, mas com filial em Cholula. O porquê? Como minha irmã tinha acabado de chegar na cidade, queria que ela se encantasse um pouco com a magia que é el mágico pueblo de Cholula :) E foi sensacional! Noite bem animada, com direito à placa no bar com alerta do quê se deve fazer em caso de terremoto haha (segue foto).

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E não é que 1 semana depois que eu voltei pra SP, o vulcão de Puebla não entrou em erupção? Os avisos são reais!

Dia 9 - Domingo, dia 10/nov/19: Volta, com voo às 16h40 na CDMX e chegada às 6h da manhã do dia 11/nov em GRU.

Nada demais, só a volta ;(

 

4. Conclusão

Essa foi a nossa viagem pro México! Conhecemos pouco, mas do que conhecemos, conseguimos ir bastante à fundo! Desde CDMX até Puebla e a magia de Cholula :) 

O grande aprendizado dessa viagem é algo que tenho sentido em todos os países latino-americanos que tenho visitado: como a nossa identidade cultural é forte. O México é parecido com o Brasil em muitos detalhes. E nesse sentido, SP se assemelha muito com a CDMX. Posso dizer que temos inclusive os mesmos problemas: trânsito, desorganização, burocracia, desigualdade...etc, porém os pontos positivos são tão bons quanto! A gente é alegre, gosta de falar alto, conversar, somos receptivos com gringos, tratamos bem o visitante, gostamos de música e estamos a todo momento valorizando a nossa cultura latino-americana, algo que o México não me decepcionou. A comida, os sons, as paisagens, todas foram espetaculares, o que me faz ter com certeza a mais profunda vontade de voltar e conhecer mais desse país incrível :)

Caso tenham alguma dúvida, não hesitem em responder aqui no Fórum ou mandar um e-mail! Até!

¡Viva a Latinoamerica, viva el México!

 

 

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Adorei o seu Relato!@Victoralex! Muito bom! Conseguiu passar muita informação Boa sobre as cidades visitadas! Agradeço por compartilhar ele aqui! Eu estou tentando convencer meu marido a conhecer o México, e a gente normalmente quando viaja, gosta de conhecer a capital do lugar... Mas ele está muito preocupado com a violência da cidade... pelo que eu entendi, você também se preocupou, principalmente no Zocalo.... Mas qual o nível de preocupação que você teve? Foi mais pra tranquilo ou mais pra assustador? Hehehe. Desculpa perguntar assim desse jeito, mas quero ter uma ideia melhor sobre a cidade! Desde já agradeço a resposta!

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11 horas atrás, debalves disse:

Adorei o seu Relato!@Victoralex! Muito bom! Conseguiu passar muita informação Boa sobre as cidades visitadas! Agradeço por compartilhar ele aqui! Eu estou tentando convencer meu marido a conhecer o México, e a gente normalmente quando viaja, gosta de conhecer a capital do lugar... Mas ele está muito preocupado com a violência da cidade... pelo que eu entendi, você também se preocupou, principalmente no Zocalo.... Mas qual o nível de preocupação que você teve? Foi mais pra tranquilo ou mais pra assustador? Hehehe. Desculpa perguntar assim desse jeito, mas quero ter uma ideia melhor sobre a cidade! Desde já agradeço a resposta!

Oi @debalves! Então, apesar de ser sim violento (os dados mostram isso), não vi nenhum problema com a cidade em si. É como qualquer outra cidade: a violência está localizada em regiões específicas, longe dos grandes centros. O Zócalo foi uma particularidade porque me lembrou muito a Praça da Sé, e todos sabemos que noite não se anda lá né, mas de dia é tranquilo.

É só se manter esperto, como fazemos aqui no Brasil a todo momento. Ficar de olho nos bolsos, não deixar o celular a mostra em multidões, evitar ruas estranhas...

De qualquer forma, convence ele que, se ele vive no Brasil, o México é a mesma coisa em todos os sentidos hehe. Tantas as partes boas e ruins! E a cidade é espetacular.

Valeu e boa viagem!

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    • Por cfcoutinho
      Boa noite 
      Li que as agências de viagem disponíveis pra consulta pela internet tem os valores de passeios em playa del Carmen e Cancún maiores que as agências locais.
      estou programando a viagem pro ano que vem e gostaria ter ideia de valores dos principais passeios pra avaliar se conseguirei ir ou não 
       
      Alguém indica algum contato de agência? Ou tem noção dos preços? As que vi giram em torno de US$ 100 cada passeio 
       
      obrigada 
       
      Clara 
    • Por Breno Maia
      De quarentena em casa e muitas memórias surgem. Uma delas é a inesquecível/maravilhosa/surreal viagem que fiz por México e Cuba. Assim, uma maneira em que posso contribuir com esse maravilhoso fórum que tanto me ajudou e me ajuda, é fazer meu relato e ajudar com possíveis dúvidas. Já adianto que ao longo dele tentarei expor os custos, os locais em que fiquei (com links, se possível), a experiência que tive deles e das atividades que fiz, além, claro, de muitas fotos rs
      Saí de casa com a mochila nas costas dia 04/12/19 e retornei para casa no dia 25/12/19 (HoHoHo!). 3 semanas que passaram voando, mas foi tempo suficiente porque ao final já estava muy cansado e morrendo de saudade de casa pra comer rabanada.
      Ah, antes de mais nada, quero deixar claro que: se você está com vontade de viajar por aí e tem condições, SE JOGA. É uma experiência super enriquecedora culturalmente. O frio na barriga e ansiedade são naturais, cara, principalmente quando se viaja sozinho, como foi meu caso. PORÉM, encará-las e superá-las é uma sensação indescritível.  S E   J O G A !
      Acho que separar alguns assuntos em tópicos vai facilitar, então simbora!
      Roteiro  
      Imagem que resume o roteiro. Os números seguem a ordem cronológica por onde passei. Cancún e Havana foram lugares em que passei mais de uma vez, por isso tem dois números. A viagem propriamente dita comecei e terminei por Cancún, consequentemente, é o número 1 e 8.
      Segui a rota: Rio de Janeiro -> São Paulo -> Cidade do Panamá -> Cancún (1) -> Havana (2) -> Santa Clara (3) -> Trinidad (4) -> Varadero (5) -> Havana (6) -> Cidade do México (7) -> Cancún (8 )-> Cidade do Panamá -> São Paulo -> Rio de Janeiro (São Paulo e Panamá foram apenas escalas). Basicamente, fiquei do dia 5 ao dia 9 em Cancún. Dia 9 fui para Cuba, ficando lá até 19 e embarcando em seguida para a Cidade do México, ficando até dia 23.
      04/12: Rio x Guarulhos
      05/12: Guarulhos x Cidade do Panamá x Cancún
      06/12 a 08/12: Cancún
      09/12: Cancún x Havana
      10/12 a 12/12: Havana
      12/12 a 14/12: Santa Clara
      14/12 a 16/12: Trinidad
      16/12 a 18/12: Varadero
      18/12: Varadero x Havana
      19/12: Havana x Cidade do México
      20/12 a 23/12: Cidade do México
      23/12: Cidade do México x Cancún
      24/12: Cancún x Cidade do Panamá x Guarulhos
      25/12: Guarulhos x Rio 
      Podem perguntar ''mas Breno, qual o sentido de você ir e voltar ao México? Por que não fazer cada país de uma vez ao invés de fatiar o trajeto?''. Eu respondo: o primeiro motivo é porque consegui por 1800 reais ida e volta de Guarulhos/Cancún (mega barato na época) em uma data perfeita para mim. Foi o match perfeito, o sinal dos deuses mochileiros que era para eu viajar SIM e começar a jornada pelo México, não Cuba. O outro motivo é por uma paixão minha, o tal Clube de Regatas do Flamengo. Estávamos com chance de jogar o Mundial de Clubes, que seria nos dias 17/12, a semifinal, e 21/12, a final. Em Cuba eu sabia que seria impossível assistir a algum jogo, logo, planejei para que pelo menos na final eu estivesse no México para conseguir ver. Adianto que o planejamento deu super certo, visto que chegamos à final sim e assisti ao jogo kkkkkkkkk aliás, uma coincidência cósmica incrível aconteceu nesse dia, que relatarei mais pra frente.
      Dica! O preço que consegui no trajeto Guarulhos/Cancun foi a partir do aplicativo ''Passagens imperdíveis''. Recomendo o app, pois realmente tem muitas ofertas boas de passagens! Eu não cheguei a fazer a compra nesse aplicativo, mas com a notificação que recebi dele que fui fazer a compra no site da MaxMilhas. Não tô ganhando nenhum cash pra falar isso kkkk apenas sugerindo porque me ajudou bastante.
      Custo total da viagem Eu gastei em torno de 8000 reais na viagem toda, isso em dezembro de 2019 com o dólar comercial a mais ou menos 4,20. Está incluído: transporte, alojamento, alimentação, passeios, internet (quando chegarmos ao relato de Cuba vamo entender isso) e lembrancinhas (sim, é um item à parte pq sou o maníaco do souvenir). Alguns voos peguei sim muito cedo, passei parte de uma madrugada em aeroporto, fiquei em hostels no México e aluguei quartos privados pelo Airbnb em Cuba. Comida era variável, minha prioridade era sempre algo mais em conta, mas me dava ao luxo de vez em quando rs.
      O que levei Fui com duas mochilas. Uma de 50 L da Decathlon mt usada por mochileiros (MOCHILA DE TREKKING FORCLAZ 50 LITROS CINZA FORCLAZ) e uma menor de 10 L (MOCHILA DE TRILHA NH100 10 LITROS BACKPACK NH100). 
      Levei 1 par de tênis, 1 par de chinelos, 10 camisas, 10 cuecas, 5 bermudas, 8 pares de meia, 1 casaquinho (um adendo aqui: ora bolas, Caribe, né? MAS SEMPRE veja a temperatura média da região para onde você vai. Eu fui no período de inverno no hemisfério norte, mas nem me preocupei com isso. Já adianto que sofri bastante com o frio da Cidade do México!! Peguei 6 graus e o tal ''casaquinho'' me salvou para que eu realmente não morresse de hipotermia. TOMA DISTRAÍDO. O carioca aqui sofreu demais), porta dólar (preciso nem avisar a importância disso, né?), kit higiene pessoal (e nisso incluo papel higiênico, nunca que sabemos o que podemos encontrar, ou não encontrar), celular, fones, caderninho e caneta para fazer meu diário de viagem, 1 livro (''O velho e o mar'' do escritor estadunidense Ernest Hemingway que morou por muitos anos em Cuba, tudo a ver né), carregador(!!!!), comprovante de vacinação para febre amarela (Panamá e Cuba exigem, mas não pediram em nenhum momento. Mesmo assim, obviamente, tome a injeção e leve o documento), cartão do seguro viagem (indispensável, os 200 reais - em média - podem sair muito, mas muito mais barato caso precise utilizar o sistema de saúde no estrangeiro. Uma OBS: em Cuba, mesmo tendo um sistema público de saúde, ele não é oferecido para os gringos. Até nisso o nosso SUS é referência haja vista que tratamos de graça nossos turistas), cadeado, pasta com documentação, carteira, uns remédios caso passasse mal.
      Basicamente foi isso. Coube tudo, não ultrapassei os 10 Kg máximos e ainda sobrou espaço para muitos souvenirs. A ÚNICA coisa que esqueci (lei de Murphy, é você?) foi um adaptador de tomada pro celular. Só isso, né??? Lembrei apenas poucas horas antes de sair de casa e não tinha como arranjar um. Acabou que tive que comprar no aeroporto: 139 reais! A facada foi forte já no começo da trip...
      O começo de tudo Na verdade, em meados de 2019 eu estava planejando visitar o Paraguai, Chile e Bolívia. Porém, num desses encontros aleatórios da vida com um desconhecido que rachei o uber (eu estava hospedado num Aribnb em Brasília e calhou de que nossos embarques fossem praticamente no mesmo horário), conversamos sobre viagens no carro na ida até o aeroporto. Ele, muito mais experiente no assunto do que eu, disse que Bolívia e Paraguai não valiam tanto a pena assim. Lembro de ele falar ''tem só um monte de feira''. Disse, em seguida, de um país excelente para viajar, mas não tão bem divulgado: o México. 
      Fiquei com isso na cabeça. Comecei a procurar sobre, e a primeira coisa que vem com turismo à terra do Chespirito é Cancún. Nunca fui grande entusiasta desse local, mas conhecendo depois mais o que fazer por lá + a possiblidade de visitar a Cidade do México - não tão destino turístico de nós brasileiros, mas com uma riqueza cultural incrível - comecei a cogitar realmente passar por lá. 
      Matutando isso por alguns dias veio aquele flash: é do lado de Cuba!! É só ver o mapa e constatar que Cancún quase encosta na ilha. Cuba sempre foi um sonho visitar e conhecer aquele país que desperta tanto amor e ódio. Será que seria a hora de finalmente visitar? 
      Era hora sim! Decidido, só restava montar o roteiro e planejar para economizar o máximo possível.
      As passagens Acho importantíssimo criar um tópico para falar sobre isso. Sabemos que as passagens representam um dos maiores gastos na viagem, se não o maior, dependendo. Por isso, se tu quer economizar nesse quesito, paciência e flexibilidade são o segredo. Eu a partir de meados de agosto praticamente todo dia procurava um trajeto saindo do Brasil (Rio e SP) para México (capital e Cancún) ou Cuba. Como já disse antes, instalei o app ''Passagens imperdíveis'' no celular e no dia 04/10 veio a notificação do ano: SP/Cancún por R$1792,20 com a data simplesmente perfeita para mim (ida dia 4/12 e volta dia 25/12).
      Com a passagem comprada pro México, não tinha mais como recuar: VOU VIAJAR SIM. 
      Depois disso, o negócio era mais complicado... comprar as passagens entre México/Cuba, Cidade do México/Cancún e RJ/SP. Utilizei demais e muito me ajudaram o Skyscanner e Google Flights (ambos na aba anônima, tá bom? Não deixe os algoritmos saberem que você quer viajar e pra onde, eles podem subir o preço https://oglobo.globo.com/economia/defesa-do-consumidor/sites-identificam-buscas-de-consumidor-aumentam-precos-de-produtos-em-ate-20-22484138).
      Depois de muita pesquisa, algumas trocas de roteiros e tendo que estar dia 21 no México, consegui todos os voos por 3600 reais, aproximadamente. Um baita negócio, sendo que peguei 7 aviões, cruzei o continente e visitei dois países. Por isso, repito: procure com antecedência e persistência!
       
      Em seguida... últimos preparativos e o começo da jornada!
       
       
       
    • Por Paulonishi
      15/03/2020
      Logo após a visita ao sítio arqueológico de Mayapán, fui procurar uns cenotes que constavam no Google Maps e acabei parando no pequeno povoado de Telchaquillo...

      Caminhei pela rodovia até a entrada da cidade, sob um sol escaldante...

      Cheguei no centro do povoado e percebi muita coisa interessante, principalmente na construção dessa igreja.

      As pedras principais foram retiradas de construções maias, e ainda se pode observar várias inscrições nelas. Imagine quanta coisa foi destruída, pois sabemos que os espanhóis aproveitavam as pedras dos templos para construir suas fortalezas, igrejas e casas...

      E a força da conversão religiosa imposta pelos conquistadores, fez com que a população se tornasse majoritariamente católica.
      O calor estava grande e saí perguntando a respeito do Cenote, que, para a minha surpresa, ficava bem na praça central... Porém, subterrâneo!

      Paguei incríveis $10 pesos para o acesso e desci na caverna, que tinha apenas uma abertura na parte superior que iluminava o restante do lugar.

      Havia somente duas famílias com crianças e, apesar de parecer pequeno, aproveitei bastante mais essa experiência.

      As águas azuis, transparentes e refrescantes deram uma boa revigorada depois de tanto sol nas andanças por Mayapán e a caminhada pela rodovia em busca dos Cenotes. Pode até não ter sido aqueles que eu procurava, mas valeu muito a pena ter conhecido mais este.

      Depois desse momento relaxante, para voltar fiquei sabendo que o ônibus passava pelo povoado. Voltei até uma mercearia para tomar um refrigerante bem gelado e pouco depois veio o ônibus.

      Apesar de feio, até que era confortável e, como foi parando em todos os povoados pelo caminho 🙄, aproveitei para conhecer muitos outros lugares interessantes para uma nova visita na região!
      Ah, o ônibus foi bem mais barato: $27 pesos!
      Quer conhecer os detalhes e a história do local? Dá uma olhada no link de deixei aqui embaixo:
      Mochilão pelo México: o Cenote de Telchaquillo
      Espero que tenha ajudado! 🤠👍
    • Por Paulonishi
      17/03/2020
      Mérida, capital do estado de Yucatán, foi o último destino antes de retornar à Cancún, nesse mochilão espetacular de conhecimentos e descobertas a respeito da civilização Maia. Em seus arredores existem muitos outros sítios arqueológicos importantes, como Mayapán, Dzibilchaltún, Uxmal e Izamal. Cidade grande mas de relevo plano e de gente tranquila e acolhedora, é uma belíssima cidade que merece a atenção dos viajantes para as suas construções seculares e histórias dos povos que por aqui passaram.

      Vindo de Valladolid, a chegada foi no novíssimo terminal da ADO (sempre primera 😖) , com instalações muito boas e climatizadas. Andar pela cidade é muito fácil, pois também está orientada por numerações nas ruas: norte-sul pares / leste-oeste ímpares. Táxis são baratos, mas tem o transporte público e alternativos muito baratos.
      O que me surpreendeu foi a qualidade de vida das pessoas da cidade, com muitas alternativas de lazer gratuitas. Uma delas é o Zoológico Municipal.

       
      Uma grande área verde com entrada gratuita, contando com muita variedade em animais, inclusive raros tigres brancos, leões, gorilas, rinocerontes... Caramba, fiquei muito surpreso mesmo. 

      Muitas opções de lazer para crianças de todas as idades (inclusive eu... 🤭), como por exemplo um passeio de trem no entorno de todo o parque pagando apenas $1 peso!!! Imperdível... e adorei!!!

      Teleférico, barquinho... apenas $10 pesos! Baita passeio, com direito a várias barraquinhas de comidas típica e INTERNET GRATUITA!!!

      A praça principal, ou Zócalo da cidade é outro ponto obrigatório para fotos e muitos passeios legais em museus, igrejas e comércio local.

      Para aproveitar bem, recomendo ficar hospedado em uma região mais central, como na Calle 50. Hospedei-me num hostel por 3 dias (total $535) com piscina, café da manhã e ar condicionado no quarto... Acredite, esse último item faz toda a diferença nessa região quente!

      Essa cidade ainda guarda algumas construções do período colonial, inclusive os únicos arcos ainda existentes no México que compunham o sistema de muralhas da cidade!

      E na Catedral de San Ildefonso está a primeira cúpula construída nas Américas!

      Existem várias opções de passeios pela cidade, desde charretes pelo centro histórico, aos ônibus sem teto que fazem um tour mais distante. Os valores não são altos e sempre dá para pechinchar um desconto!

      Na região da Plaza Grande (Zócalo), a internet funciona razoavelmente bem são várias as possibilidades de tirar fotos muito interessantes.

      Infelizmente, com a chegada da COVID-19, não consegui fazer os dois últimos passeios que tinha programado para Uxmal e Dzibilchaltún. Aproveitei para ficar andando pela cidade, vivendo um pouco do dia a dia...

      A ligação entre Mérida e Cancún pode ser feita por ônibus ou avião. O primeiro, logicamente, é muito mais barato e se você comprar com antecedência no site da ADO, pode conseguir um ótimo desconto. Eu, por exemplo, comprei por $252 pesos, quando o valor normal seriam $600 pesos!!!

      Como já estava voltando para casa, comprei algumas lembrancinhas por aqui, e as demais em Cancún. Vale a pena pesquisar os artigos em prata, que são bem mais em conta no México.

      No terminal Noroeste tem ônibus para a maioria dos destinos dos arredores, principalmente para a região dos sítios arqueológicos e litoral. Não deixe de verificar as vans também, na rua do entorno, que oferece preços muito bons!
      Quer saber mais detalhes e conhecer a história da cidade, dá uma olhadinha no vídeo aqui embaixo:
      Mochilão pelo México: Mérida
      Espero ter ajudado... Valeu e siga viajando!!! 🤠👍
       
       
    • Por Paulonishi
      15/03/2020
      Mayapán foi a última grande cidade Maia antes da conquista espanhola. Para se conhecer, a melhor cidade para se hospedar é Mérida, capital do estado de Yucatan.
      Partindo da região do Terminal Noroeste, existem várias vans que passam pelo local. É só pedir para o motorista parar no acesso do sítio.

      São apenas 48 km de distância e o valor combinado foi o de $35 pesos.

      A van parou na entrada a poucos metros já se chega à portaria.

      A entrada é bem barata, apenas $45, e não tem muitos turistas no local. Junto à portaria, tem banheiros limpos e gratuitos.

      As placas informativas só estão disponíveis na entrada. Infelizmente, não se tem nada para orientar o passeio no interior do sítio arqueológico. Recomendo que se estude a história do local e das principais construções para poder ter um aproveitamento melhor do passeio, ou assista ao vídeo que deixarei abaixo, onde descrevo o passeio detalhadamente, além do levantamento histórico da cidade.

      A área é bem pequena, mas as construções muito bem preservadas/restauradas. A maior delas também se chama El Castillo não à toa: trata-se de uma cópia da pirâmide existente em Chichén Itzá, só que em escala menor. Em datas de equinócio também tem o fenômeno das sombras projetadas na escadaria principal, simulando a descida de Kukulcán!

      Aqui, pelo menos, se pode subir e entrar na maioria das construções!!!

      A baixa procura por parte dos turistas proporciona oportunidades para muitas fotos e uma exploração mais tranquila.

      Enfim, para quem procura um passeio muito bom, barato e tranquilo, aqui é o lugar!!!

      Leve lanche, muita água e proteção solar... O sol aqui também é escaldante!!!

      Aproveitei para fazer muitos estudos interessantes a respeito das construções e seus alinhamentos.


      Para se conhecer bem o local, reserve pelo menos 2 horas para fotos e subidas nas construções.
      Os transportes que levam de volta à Mérida podem ser pegos na rodovia, no sentido contrário ao da chegada.
      O vídeo detalhado do passeio e mais a história do local, pode ser visto no link da descrição abaixo:
      Mochilão pelo México: as ruínas de Mayapan
       
      Espero ter ajudado... Até a próxima!
       
       
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