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Olá, aqui vai o relato de nossa viagem para Europa com um bebê de 1 ano.

O fórum Mochileiros ajuda nossa família desde 2005, então me sinto quase na obrigação de contribuir de volta para a comunidade! 

Nossa aventura com bebê começou muito antes do embarque, com um minucioso planejamento, desde roteiro, vôos até escolher como faríamos com a alimentação dela, até marcar no mapa todos os hospitais pediátricos nas cidades que visitaríamos.

O relato foi feito em parte no word, em parte em mensagens de whatsapp, e tem dois dias faltando, mas foi o que deu pra fazer!! 

Concluindo: não poderíamos ter feito escolha melhor do que a de viajar com nossa filha. O trabalho é árduo, mas o prazer é muito maior, e as lembranças ficarão em nossos corações pra sempre. Não tenham medo de viajar com seus filhos.

Roteiro: Madri - Paris - Dijon - Avignon - Nice - Milão - Veneza - Lisboa. Total 28 dias. 

07/09/2019 (sábado)- Madri

(Victor) Voo Belém - Lisboa (que saiu 22:35 do dia 06/09) tranquilo. Maria Inês dormiu durante todo o trajeto. Dormi algumas vezes e Nem senti o tempo Passar. Chegamos em Lisboa às 10h locais. Fomos ao fraldário trocar a MI e depois procuramos o espaco familia. Era um playground e MI lanchou e brincou por bastante tempo. Tentamos comer algums coisa, mas nâo encontramos nada de interesssnte. Wendy acabou morrendo num sanduíche de queijo e tomate. O voo para Madri atrasou meia hora. Mas que bom que dura somente 50 minutos. Neste voo Mi não quis saber de dormir. Mas a Galinha Pintadinha salvou a pátria e a menina se aquietou. Em Madri, pegamos o ônibus expresso que vai do aeroporto atè a estaćão de trem Atocha ( meros 5 EUR). Ali tivemos que pegar metrô e haja subir e descer escadas carregando nosso malão de 25kg mais o carrinho da MI. Finalmente chegamos a nossa hospedagem. A anfitriã, Pilar, foi bem simpática e nos instruiu sobre a estadia em seu apto. Após nos acomodarmos, fomos ao Carrefour abastecer a casa para a semana. Compramos um jamón delicioso e uma tábua de queijos gouda trmperados (sabor pesto, molho de tomate e outro que não reconheci) que também estava muito boa. As 22h MI foi dormir junto com Wendy ( que reclamou de dor nas costas).

08/09/2019 (domingo)- Madri

Saindo do aeroporto, pegamos o ônibus 203 que leva até a estação atocha. De lá, pegamos o metrô linha 1 até nossa estação : tirso molina, apenas 3 paradas. Fica numa praça, e de lá caminhamos pro apartamento. Chegamos em casa Maria estava com muito sono. Dei pêra e coloquei pra dormir. Nos ajeitamos pra sair pro supermercado. Maria acordou, mas continuava  sonolenta. Vestimos, e saímos. Tem um Carrefour muito próximo, na praça. Tava lotado, eu estava muito muito cansada, Maria também.. tive que pensar rápido no que levar pra fazer comida no dia seguinte; café etc.

Demoramos um pouco pq não conhecíamos o supermercado, pagamos e voltamos pra casa. Dei ovo frito com pão e queijo pra Maria, pq fiquei com medo de dar a comidinha que levei de casa.

Victor ficou fazendo diário de gastos e de bordo. Depois dormiu. Maria estava inquieta, chorando toda hora... quando deu 6:30 ela acordou, tinha vazado pipi. Depois dormiu até 10h, direto sem chorar. Eu acordei 8h, Victor levantou desde cedo, fez comida da Maria e café da manhã. Depois arrumei as mochilas do dia, tomei banho, e aí acordamos a Maria Inês. Demos banho nela, dei o café, ela não quis comer muito. Arrumamos e saímos.

Chegamos atrasados na missa em latim, sorte que tinha uma missa nova logo em seguida. Assistimos. Saímos andando da igreja pro Platea Market, onde demos o almoço dela e trocamos fralda de coco. Agora vamos almoçar. São 15:30.

O platea market é um mercado moderno, novo; que foi construído num antigo teatro. Lá tem 3 andares, um com restaurantes internacionais, outro com bares de tapas e outro um restaurante com estrela Michelin.

O Platea Market ( @plateamad ) é um mercado novo que fica num antigo teatro em Madri. Com esse nome, “mercado”, eu imaginava que era um mercado estilo feira de bairro, com os feirantes vendendo seu peixe etc! Nada a ver! Hahahaha. 

Na entrada, parecia que estávamos no lugar errado, pois a fachada parece uma galeria de lojas. Fomos entrando meio desconfiados, meio fugindo do sol, e voilà. Encontramos esses oasis. São 3 andares, um com restaurantes internacionais, outro com bares de tapas e outro um restaurante com estrela Michelin.

Há varios pequenos shows de hora em hora, e isso também nos surpreendeu positivamente! Pra quem já estava confirmado em não assistir nenhum tango, as intervenções no meio do restaurante foram excelentes. 

Muito acessível, o local tem elevador, trocador e cadeirão pra bebê, basta pedir! 

Comemos tapas de bacalhau e uma sangria, no bar de tapas, e costelas de porco no restaurante. 

Estávamos sem muitas expectativas, e foi uma ótima surpresa. 

Muito acessível pra bebês, lá tem trocador e cadeirão pra bebê.

Infelizmente na afobação, sentamos nos bares e tapas, não pedi cadeirao e dei o almoço dela na agonia,

Com ela no meu colo, andando etc.

Depois que ela almoçou, ficamos mais tranquilos e resolvemos ir pros restaurantes. Lá eu pedi o cadeirão, ela ficou sentada vendo galinha pintadinha enquanto nos comíamos. 

Quando terminei de comer dei banana pra ela. Depois do mercado, íamos continuar nosso passeio até a puerta do sol e plaza mayor. Ela começou a chorar, era sono. Fiz ela dormir, coloquei no carrinho, cobri com um pano pq estava muito sol. Fomos pela sombra, mas depois paramos pra tomar um frape, ela acordou, comeu pera, e continuamos. Tiramos foto nas praças, as igrejas que íamos visitar estavam fechadas, seguimos pra casa. 

Ela jantou, tomou banho, e agora está mamando pra dormir.

09/09/2019 - Madri

Hoje acordamos 6:45, Victor levantou logo pra fazer o frango e o café da manhã e eu fiquei ainda fazendo a Maria esticar o sono. Tomei banho, dei o banho dela, dei o café, e tomei o meu. Nos arrumamos, e saímos de casa. Hoje optamos pegar ônibus pois é muito mais cômodo e rápido pra quem tem carrinho de bebê. O ponto fica na praça tirso Molina, bem próximo ao nosso apto. 

Logo o ônibus chegou, teve engarrafamento mas rápido chegamos ao parque del retiro. 

Entramos pela puerta Del anjo caído,paramos no parquinho pra Maria brincar e depois ela lanchou. Continuamos o passeio, paramos no palácio de cristal, depois no lago central. Maria ficou vendo os patos nadando no lago. Voltamos pra porta Del anjo caído e fomos pro museu reina sofia. Maria tirou a primeira soneca, no colo do papai. Já eram 12h, o sol começava a esquentar e queríamos um passeio protegido. Chegando lá, ela acordou, trocamos fralda e resolvi dar o almoço. Nós aproveitamos pra comer também. Fomos no café do museu, pedimos um brunch e dividimos. Vinha com: pão com ovo mole e jamon, pasteries, frutas,  iogurte, suco de laranja e café com leite. Nesse café, pedi cadeirão pra bebês, e pedi um prato pra aquecer o almoço da nenem. Muito cômodo para famílias! Ela almoçou direitinho e foi uma paz. 

Visitamos as principais sala do museu, guernica, Dali e Miró. Depois fomos pro museu Del Prado. Lá, começamos pelas exposições temporárias: Fra angélico e vermeer, rembrandt e velasquez. Maria dormiu logo no fra angélico. Acordou no final da exposição seguinte. Demos lanche e trocamos fralda. Nos museus têm fraldário e e muito cômodo pra nós. Depois, fomos pra coleção principal. Vimos El greco, el bosco, velasquez, tintoreto, tiziano, Rafael, Rubens. . Infelizmente não deu tempo de ver goya nem caravaggio. Eram 18h e tínhamos que ir pra casa. 

Paramos no bar el gatos, comemos tapas de jamon com queso, bacalhau e sardinha, tomamos sangria. Maria comeu pêra. Depois seguimos pra casa. Mamãe wendy deu banho e jantar, enquanto papai victor foi ao supermercado. Tomei banho e em seguida coloquei nenem pra dormir.

10/09 - terça-feira 

Maria acordou 6:30.

Tentamos esticar o sono e não conseguimos. Beleza, fui tomar banho, fiz o café dela. Victor foi trocar a fralda e tal. Na hora de comer ela não quis. Estava com sono! Victor pegou no colo e ela dormiu de novo.. e nós tbm kkkk

Havia faltado energia. Estávamos no escuro. 

Acordamos de novo 9h, nos arrumamos (tínhamos tomado café cedo), aí ela acordou, comeu apenas ovo. Não quis abacate. Vestimos varias camadas nela, e saímos de casa 10h. Antes de sair, falei com a proprietária Pilar, que apenas ligou o disjuntor que tinha disparado. Depois descobrimos que não dá pra ligar varios aparelhos ao mesmo tempo. Estávamos com ar, fogão de indução e exaustor ligados. 

 

Primeiro Fomos na basílica de São Miguel depois no mercado de São Miguel. Ficam bem perto do nosso apto. No mercado, Não tinha mesas. O mercado é bem pequeno, com balcões com restaurantes, bares de tapas, cafés. Queríamos um local com mesas e cadeiras. Entramos num restaurante fora do mercado, já eram 11h. Pedimos um café brunch, cadeirão, maria Inês comeu banana. Saímos, comprei um croissant e dei pra ela comer. Ela gostou. Andamos até a igreja de san andres de gines, conseguimos entrar e visitar. depois seguimos pro mosteiro das descalzas, onde não pudemos entrar, só poderia com tour guiado as 13h. Continuamos pra igreja de san Antônio de lós Alemanes, passando pela gran via, a times square de Madri! A igreja é considerada a capela sistina de Madri. Muito bonita, cheia de afrescos. Cá estamos. Maria dormiu no caminho pra cá.

 

Seguimos pela calle de pez e depois Calle de lós reyes, até chegar na Plaza de Espanha. 

Plaza de Espanha fechada para obras. Não pudemos entrar. Continuamos caminhando pro Palácio real de Madri. Lá, vimos a troca da guarda e tiramos foto. O sol estava forte, Maria acordou, resolvemos procurar um restaurante pois era hora do almoço dela. 

Vagueamos pela Ópera, até que decidimos entrar no La Traviata (rs). Menu del dia 13,95, dois pratos; sobremesa e bebidas. Pedimos lasanha, espaguete ao jamon e alho, que estavam deliciosos, e depois dois tipos de carne, que estavam ruins. Sangrias (uma com a comida e outra no final, vinho rosé. Mas o atendimento foi muito bom, garçons super simpáticos e prestativos. Nos deram cadeirão pra Maria Inês, levaram a comida dela pra esquentar e ainda lavaram o pote. Colocaram meu celular pra carregar. E me deram um copo de plástico pra levar a sangria que eu não sabia que estava inclusa no menu. Também conversamos bastante com uma inglesa simpática na mesa ao lado, encantada com a Maria Inês. 

15h saímos do restaurante, voltamos pro palácio, mas antes paramos pra fotos e brincar no parquinho. 

Finalmente, lá chegando…  fechado para evento oficial.

 

Tiramos foto por fora do palácio, estava ventando muito e o tempo fechando, ia chover. Colocamos a capa de chuva do carrinho e entramos na catedral de la almudena, Maria mamou e dormiu (demorou, mas dormiu). Mais à frente, entramos na basílica de San Francisco el grande. Maria acordou, comeu banana. Saímos de lá, continuava ventando muito e com cara de chuva. Sentimos pingos. Paramos no supermercado pra comprar banana e queijo, e caminhamos de volta pra casa. Ficamos em dúvida se parávamos pra esperar o tempo melhorar, mas vi que estávamos bem perto de casa, então resolvi ir direto pra casa.

 

Chegamos 18:30 em casa. Maria vai tomar banho e jantar. Amanhã vamos pra Toledo, espero que consigamos ajustar o fuso horário dela e acordar cedo pra sair cedo.

Maria estava muito danada e agitada, o jantar demorou demais. Só foi dormir às 21h, de novo! Fizemos a comidinha de amanhã. Frango, arroz, lentilha, brócolis, batata e cenoura. 

 

12/09/2019 - quinta-feira 

Acordamos 7:00, tomamos banho, recolhemos as últimas coisas, Maria acordou, trocamos a fralda e colocamos a roupa dela. Almoço e jantar, lanches na lancheira, saímos 8:15 de casa. Pegamos o metrô 8:24 e em 5 minutos chegamos em atocha. O ônibus do aeroporto tinha acabado de chegar, subimos e às 9:25 chegamos no Barajas. Despacho de malas, segurança, fomos pra área de embarque. Maria tinha comido banana no ônibus e agora comia pão com queijo, num café do aeroporto onde mamãe e papai também fizeram o desjejum. Depois, trocamos a fralda, tinha popô. Renovada, brincou no playground até que o portão de embarque foi anunciado. Seguimos pro embarque. Tudo é uma pernada... 

no embarque, tratamento vip 😁 sempre embarcamos antes de todo mundo, por causa da Maria Inês 🤣

Antes de decolar Maria dormiu. Porém acordou logo após a subida!!!  Dormiu pouquíssimo. Passou o voo inteiro “no 12”. Chegamos no aeroporto charles de gaule às 14:15. Ainda no avião, ela fez um popô FEDERAL. tava podre demais. Não aguentávamos mais o _futum_. Assim que descemos da aeronave corremos pro fraldário. Impestou o local. Trocamos até a roupa pq vazou. Saindo de lá, pegamos a mala e maaaais uma pernada pra chegar no RER, trem de acesso à Paris. Compramos o ticket, entramos no trem. Em 20 minutos estávamos na estação Châtelet. Nos enrolamos pra descobrir que o mesmo ticket dava acesso ao metrô também. Trocamos então pra linha 14, rumo à estação olympiades. Lembrando que tuuuudo é longe. Até que enfim chegamos. Mais uma caminhada de 10 minutos até o nosso novo apartamento, que foi fácil de encontrar. 

O airbnb é de um quarto privado em um apartamento onde mora uma família. Quem nos recebeu foi a sra Anita, mãe da anfitria do airbnb. É indiana. A casa parece um Maracá de baiana KKKKKK tudo bem ajeitadinho, bem arrumadinho, com vasos de flores artificiais, paninhos, bibelôs, posters, uma infinidade de enfeites. 

O quarto tem uma cama de casal. Ela nos forneceu um Moisés de carrinho pra Maria dormir. O banheiro é separado da sala de banho. 

A sra Anita é muito simpática. 

Nos instalamos, tomamos banho e saímos pra conhecer a Bercy Village. Uma caminhada de 20 minutos;. Demos uma volta por lá olhando os restaurantes e decidimos entrar num que tinha comida francesa. 

Pedimos hambúrguer e carne com alligot. Uma delicia e nos empanturramos. Maria jantou sua comidinha. Tomamos sorvete na sorveteria Amori. Voltamos a pé, paramos no supermercado pra comprar mantimentos para amanhã. Chegamos em casa, Maria tomou banho, se arrumou e dormiu. Papai lavou o pijama de popô. Amanhã cozinharemos. Amanhã também haverá greve geral de transporte em Paris. Sexta feira 13 👻

 

13/09/2019 - sexta-feira Paris 

Fizemos hoje Museu do Louvre, Jardim das Tulhérias e Museu de l’Orangerie. Jantanos no Bistror des Victories, na região do Louvre, onde comemos um magret de canard excelente.

A greve dos transportes não nos afetou, pois a linha de metrô próxima ao nosso apto é 100% automatizada.

Infelizmente, algumas salas do Louvre estavam fechadas.

No louvre, Maria Inês revezou entre carrinho, colo e andar. Fomos nas salas que mais nos interessavam, e fugimos da Gioconda. A fila é surreal de grande, ocupando vários andares do museu. 

Demos o almoço dela sentados num pufe entre as seções do museu.

Durante o passeio, vimos diversos casais com bebês e crianças, bebezinhos quase recém nascidos, até crianças maiores. Quem vai com carrinho tem alguns perrenguinhos. Nem todas as salas são adaptadas e cada sala tem um tipo de adaptação diferente. Mas nada demais, super tranquilo.

Aproveitamos o passeio, tiramos fotos. Saindo do museu, fomos almoçar num dos melhores restaurantes da viagem. Indicação de algum blog. Comemos canard e tomamos vinho. Neném jantou. Seguimos para nossa odisseia de volta pra casa.

 

14/09/2019 - sábado Paris 

 

Hoje acordamos 7h, tomamos banhos, nos arrumamos, demos o café da Maria e fizemos a comida dela. Saímos 9:45 de casa, rumo à notre dame. Paramos no caminho pra tomar café e croissant. Notre dame toda fechada para reforma. De lá fomos pra saint chapelle. Perrengue pra trocar fralda de cocô: não tinha trocador nem bancos nem cadeiras. Trocamos no carrinho. O banheiro era muito inacessível pra lavar o bumbum. Em seguida, saímos d ela é paramos na frente do panteão mas não entramos. Entramos no restaurante comptoir du pantheon pra dar o almoço da Maria e lanchar. Depois, seguimos pra igreja de Santo Eustáquio. Fez coco de novo. Trocamos no carrinho de novo, dessa vez lavei o bumbum na pia do banheiro da igreja. Partimos pro jardim de Luxemburgo. Lindo!! Maria fez piquenique com os amiguinhos franceses, penetrou num aniversário de 1 ano, tiramos muitas fotos, passeamos, vimos pôneis, mas ela não podia andar, depois tirou soneca. 

Já eram 18h, caminhamos uns 20 minutos até um restaura recomendado, chegando lá estava fechado. Mais 20 minutos pra chegar no outro. Valeu a pena, a costela estava deliciosa. Acompanhada de purê e tutano. 

Quando abri a vasilha do jantar da Maria ela espocou e saiu um gás de dentro. Estava borbulhando. Estragou!! Não sei como!! Provei e tava horrível, cuspi. Dei purê de batata,pão e banana. 

Chegamos tarde em casa.

 

15/09/2019 - domingo 

 

Passamos o dia em casa pois Maria Inês teve febre desde as 2h da madrugada. Ela dormiu bastante, de11:30 às 15h. E nós também. Acredito que todos estavam  muito cansados. 

Não conseguimos ir à missa. 

Às 16:30 saímos para tentar almoçar/jantar. Comemos num restaurante na rue Tolbiac, Victor começou moules frites e eu um joelho de carneiro. Paramos na nossa boulangerie e compramos tartelete de chocolate com amêndoas. Deliciosa!!! A melhor tartelete da vida!

Paramos no supermercado rapidinho e voltamos pra casa. 

A febre voltou.

 

16/09/2019- segunda-feira - Paris 

 

Passamos a madrugada inteira acordando pra verificar a febre. Ela tomou banho morno umas três vezes. Às 2h, com a febre espaçando em apenas 4/4h, contactos o seguro pelo WhatsApp. O médico só poderia vir em casa apos o amanhecer. E as clínicas particulares eram muito longe. Fui dormir 3h, acordei às 5h. Demos banho morno novamente, nos aprontamos e saímos de casa pra clínica. Chamei um Uber. Ele demorou uns 15 minutos. Tivemos que andar pra outra rua, pois na nossa não passava carro. Quando ele finalmente chegou disse que não poderia nos levar pois Maria não tinha cadeirinha de carro. Chorei pedindo que nos levasse e ele disse não. Fiquei puta da vida e amaldiçoei até a 5-a geração daquele indiano safado. 

Saímos andando procurando um táxi 7h da manhã em Paris. Paramos num café, perguntei e por sorte tinha um ponto perto da tartelete de ontem. Chegando lá, só o telefone e nenhum motorista. Telefonei. Não sei se fui atendida mas passou um táxi de luz verde e eu fiz sinal. Depois de toda essa confusão finamente conseguimos um táxi. Ele nos levou pro

Hospital público pediátrico de Paris. deu 15 euros. 

Chegamos no hospital, entramos pro setor de pediatria. Não tinha filas. Uma técnica fez nosso cadastro, perguntou os sintomas, dados,. Tudo isso no francês inglês. Pediu a carteira de vacinação da Maria mas eu esqueci em belem. 

Após o rápido cadastro, ficamos esperando a triagem. 

Logo a enfermeira nos chamou, ela examinou a Maria, perguntou os sintomas. Pediu pra colher urina. Lá vem aquele saquinho de colher urina, de novo… eu já estava visualizando o que viria a acontecer. Maria estava há 12 horas sem fazer pipi. Não ia urinar, a enfermeira ia mandar hidratar, iríamos esperar em torno de 2 horas pra ela fazer xixi, fora o risco de vazar pra fora, como sempre acontece… na minha cabeça, iríamos passar o dia inteiro ali com a Maria. 

Graças a Deus eu estava errada. 

Em menos de 10 minutos Maria Inês fez um xixizão, que foi completamente aparado pelo saco coletor. Corri pra enfermeira, que pegou o saquinho e levou pra exame. 

Mais uma vez fui surpreendida. O exame é feito e dá o resultado imediatamente! Gente! Nada de esperar 1h30 pelo resultado!!

Eu já tinha ouvido falar disso, uma amiga que mora na Suíça disse que a obstetra fazia o exame de sangue e urina dentro do consultório médico, nas consultas de rotina da gravidez. O resultado sai na hora. 

Enfim, exame de urina normal, infecção urinária descartada. Voltamos pra sala de espera, pra aguardar o médico. Esperamos um pouco, uns 20 minutos l, pois era troca de plantão. Até que chamaram. A médica Justine Zizi. 

No consultório, pediu pra tirar toda a roupa da Maria , exceto a fralda. 

Fez uma série de perguntas, e estranhou quando dissemos que ela tomava domperidona. Na França, só adultos tomam. Dissemos da alergia à dipirona pra enfermejra, e ela nem conhecia. Não é comercializada na França. 

Ela apalpou toda a Maria, olhou a pele, o ouvido (tirou muita cera do ouvido kkkk) até que chegou na garganta. Estava vermelha e irritada, nas palavras dela, com placas brancas. 

Disse que a febre era devido a isso. 

Ufa… encontramos o diagnóstico. 

Ela disse que era viral, e que não havia necessidade de antibióticos. 

Que a febre poderia durar até quarta-feira, e que se não passasse, deveríamos procurar o médico de novo. Fez um relatório do atendimento é uma receita de paracetamol e soro fisiológico pro nariz. Deu recomendações sobre alimentação: não dar muito quente e dar o paracetamol antes, coordenar com a febre. 

Saímos de lá mais tranquilos, satisfeitos com o atendimento público de saúde da França. 

Paramos num café pra comer e dar de comer pra nenem. O café ficava numa esquina próxima ao hospital, com cadeiras na calçada, e fomos atraídos pelo “menu dejeuner”, que incluía cafe, jus d’orange e un croissant, por preço módico muito inferior aos do centro da cidade. 

Com dificuldade entramos com o carrinho de bebê, nos acomodamos e fomos atendidos por uma garçonete espevitada. Assim que começamos a falar, ela nos perguntou se éramos portugueses… bem, sim, somos! Mas não! Somos brasileiros, de fato. Ela também era brasileira. Mas não ficamos de conversa, pois ela estava muito atarefada. Ao nosso lado, dois típicos operários franceses tomavam também seu café no balcão.

Maria dormiu no meu colo e tomamos um café tranquilo.

Saindo de lá, pesquisei no google e decidimos pegar um onibus pra casa.

A linha 64 para na frente do hospital e nos deixa bem próximo de casa (lembrando que nossa rua é peatonal, não passam veículos. O ônibus era elétrico, ou seja, não fazia nenhum “pio”, super silencioso. Aquela tremedeira e aquele ronco do ônibus de belém? jamais. Além disso, as pessoas silenciosas. Caladas ou conversando bem baixinho. Um sonho, o paraíso para mim… 

Durante o percurso, sentei numa cadeira e Victor ficou em pé no local reservado para les poussettes com a Maria Inês que dormia no carrinho. Mais um carrinho subiu e se alojou do lado deles. Em seguida, outro. Um pouco mais na frente, mais um. E finalmente, hegou o 5º carrinho de bebê, este de gêmeos, que atravessou o ônibus sem cerimônia, dificultando um pouco a passagem. Eles que lutem! Mães e bebês têm preferência. Chegamos em casa tranquilamente, Maria acordou no meio do caminho.

Temperatura  segurou até umas 14h, começou a subir de novo. Demos banho. Baixou a febre. Voltou a subir, quando chegou em 38 demos o paracetamol, Às 15h.

Agora 16h já suou e baixou a temp.

Tínhamos encontro marcado com a fotógrafa Alexia na Torre Eiffel. Saímos pra ver a torre Eiffel e depois voltamos. Ela já estava melhor, sem febre... e já havíamos contratado uma fotógrafa.

O ensaio foi legal, fomos nos soltando, ela vai instruindo que poses fazer. Nas fotos de casais, fica reparando nossos pertences e a bebê.

Maria riu bastante no ensaio de fotos. Depois do Trocadero, fomos pro Carroussel, e lá Maria Inês conquistou um casal que fazia piquenique. Ganhou um balão!

Voltamos pra casa, o metrô lotado, a viagem longa. 

Jantou e agora está dormindo. 

Chegamos na Torre Eiffel, demos “oi” e fomos embora. Muita expectativa, muita animação, felicidade e gratidão por estar em Paris com a minha família. E razões para voltar… de novo!

17/09/2019 - terça-feira - Paris - Dijon

Acordamos cedo, catamos nossas coisas previamente arrumadas na noite anterior, fizemos uma revisão e nos despedimos da Anita, anfitriã do airbnb. Uma pessoa sui generis que depois copio a avaliação. Pegamos o trem para Dijon. 

Chegamos em dijon pontualmente às 11:58. A anfitriã do airbnb que alugamos não me respondia desde março, eu havia perguntado se poderia fazer o check in antes do horário previsto. Ainda no trem telefonei a ela, sem sucesso. Mandei mensagens no app do airbnb e nada. Resolvi pedir ajuda pro suporte da empresa. Eles entraram em contato com ela, e ela respondeu a eles que não poderia nos receber antes das 18h. Ocorre que, pra mim, ela respondeu dizendo que havia um problema de infestação de insetos no colchão da cama, e que por isso ela ia providenciar pra nós ficarmos hospedados no apartamento de amigos dela, próximo ao dela, que também eram anfitriões no airbnb.

Isso cheirou a perrengue! Informei essa maracutaia dela pro suporte do app e disse que não estava confortável, pois enfim, eu não tinha segurança nem respaldo algum caso aceitasse ficar na casa de terceiros.

O suporte cancelou a hospedagem, me deu um reembolso integral, e começou a me sugerir novas opções de hospedagem.

Parênteses. Tudo isso rolando graças ao chip com internet que comprei em Lisboa, e ao mesmo tempo em que procurávamos um local pra guardar a nossa pequena mala de 25kg, depois um local pra comer, tirávamos fotos, dando almoço pra Maria, trocando fralda, depois saindo do restaurante sem eira nem beira nem o ramo da figueira, fomos pro jardim público zanzar à sombra das árvores fugindo do sol e esperando Deus providenciar um teto pra gente dormir.

Voltando. Eu disse pro airbnb que não aceitaria local pior, nem pagaria mais por isso. Vai em cima vai embaixo, o suporte me mandava quartos muito afastados, ou um muito ruins, alguns não aceitavam a reserva pra tão em cima da hora. Até que uma aceitou. Olhei as fotos e não gostei, resolvi procurar por conta própria. Meu celular com 10% de bateria. Encontrei um loft inteiro no centro de dijon, mandei mensagem e o anfitrião respondeu na hora. Aceitou, o check poderia ser naquele momento mesmo. A essa altura já estávamos na catedral, e era muito perto do loft dele.

Mandei pro suporte e eles confirmaram. Fiz a reserva. Fomos buscar as malas, voltamos pro loft, fizemos o check in com a mãe do anfitrião. Voilà. Graças a Deus encontramos um bom local pra ficar. Na verdade, excelente! Valor bem acima do que estávamos gastando e tudo por conta do Airbnb. Ufa! Agora sim eu estava tranquila. Que perrengue. A tensão estava me consumindo, planos B, C e D já prontos pra serem postos em execução.

 

Ah. No meio disso tudo a primeira anfitriã ainda me ligou? Pediu mil desculpas e fez a oferta do quarto do amigo dela. Eu disse que tinha cancelado a reserva e pedi pra ela me mandar o link do anúncio do amigo. Ela nunca mandou. Não sei qual era a treta dela... mas to feliz em ter me livrado.

Nos instalamos e saímos pra passear pelo centrinho de Dijon.

 

18/09/2019 - quarta-feira - Dijon

Acordamos hoje às 7h, Maria Inês parece que já ajustou definitivamente o seu fuso horário. Depois de uma noite calorenta, ficamos de preguiça na cama até que resolvemos levantar pra tomar banho e nos arrumar. Victor foi na frente, depois Maria Inês e eu. Enquanto eu arrumava a pequena, ele fez o ovo do café da manhã. Tentei dar mas ela não quis comer. Resolvemos sair e dar a comidinha dela no mercado onde havíamos programado tomar café da manhã. Saímos de casa já 9h. Ruas desertas, lojas e cafés fechados. Parece que saímos cedo demais! Chegando no mercado, tudo fechado! Caminhões de abastecimento estavam manobrando na área externa, mas dentro do mercado não tinha naaada.

Muito vento gelado, eu e Victor escolhemos as roupas erradas. Eu morta de frio. Mas a nenem estava bem protegida com camisa de mangas compridas, jaqueta moletom e casaco corta vento por cima. Tentei colocar a capa de chuva mas ela não deixa ficar. Arranca tudo.

Saindo do mercado, o estômago urrando de fome... caça a um café com mesas e cadeiras. Todos fechados, a única coisa que encontrávamos eram boulangeries (padarias), que não tem mesas e assim dificulta muito o processo de dar comida pra Maria Inês. Até que encontramos uma boulangerie com duas mesinhas pequenas. Entramos. Pedi croissant pra Maria, que antes comeu 1/3 de banana e poucas colheres de ovo. Depois comeu um pedaço de croissant. Ela anda meio sem apetite. Resolvemos pegar um trem para Beaune, tínhamos lido que era uma cidadezinha próximo a dijon interessante de se conhecer e provar excelentes vinhos. Não havia mais muito o que fazer em dijon pois já tínhamos matado quase toda a programação (sem entrar nos museus).

Pegamos o trem das 10:23, chegamos 11h em Beaune. A cidade é fofa, bem arrumadinha, pequena, muitas flores, casario antigo. Todo dia de quarta tem um mercado que funciona na praça de Halles. Fomos vagando pela cidade, vimos o antigo hospício da cidade, que é um museu e tem o telhado todo pintado e trabalhado em cores primárias, mas não entramos, fomos na catedral, e depois paramos nas informações pra pegar indicação de degustação de vinhos,mas não quisemos ir. Era meio longe. Já estava na hora da Maria Inês almoçar. Entramos num restaurante que parecia bom pq estava lotado. Pedimos a formule do dia. Meio sem graça, ficamos decepcionados pois estamos na capital gastronômica da França... Valeu a pena pra dar o almoço da Maria no cadeirão, trocar a fralda e saber que Beaune não vale a pena.

Voltamos no trem às 14:26. Maria estava muito tola e chorona... trocamos a fralda no Change bébé da gare de dijon e resolvemos ir pro jardin de l’arquebuse, pra ela se distrair e brincar. Passeamos, ela viu os patos, brincou no playground, fez amiguinhos, o jardim tem roseiral, laguinho, muitas árvores e flores. Tudo dourado do outono. Depois lanchou, fomos no museu de arqueologia que fica lá mesmo, e ela dormiu no pepei. Aproveitamos que ela dormia e resolvemos ir ao museu de belas artes. No caminho, parei pra comer um kebab, tem muitas lojas aqui e eu fiquei com vontade. Depois de muito andar pelas ruas de dijon, Victor descobriu que estávamos indo pro caminho oposto... andaram andaram andaram andaram...

1 hora depois finalmente chegamos no museu de belas artes. À essa altura, Maria já estava acordada, chorando pedindo pepei e eu muito cansada e sugada. Não quis entrar no museu, fomos na igreja de São Miguel que fica ao lado. Ela mamou um pouco, mas logo em seguida quis ir pro chão andar e saçaricar. Pura tolice... ela tá demais.

Saindo da igreja paramos num restaurante na place de la liberacion. Quis ficar dentro e não nas mesas de fora pq venta muito em dijon e eu já estava com frio. Eram 18:30, pedimos duas taças de vinho, cadeirão e demos o jantar. Ela comeu um pouco e começou a cuspir. Cansei. Resolvi apelar pra galinha... comeu o resto do jantar e os remédios assistindo a pintadinha. A tolice e o chororô não nos deixaram aproveitar direito o passeio de hoje. Voltamos pra casa, que é bem perto, dei  uma arrumada na mala pra partir amanhã, procedimentos de dormir. Amanhã vamos no trem das 9:40 para Avignon.

 

Esperava mais da capital da Borgonha, pensei que ia tomar uns vinhos alucinantes de incríveis aqui.

 

19/09/2019 - quinta-feira - Dijon/Avignon

Acordamos, nos arrumamos, fizemos o café da Maria e saímos rumo à estação de trem. Nos despedidos do nosso maravilhoso flat com vista pra catedral de dijon e patrocinado pelo airbnb kkkk.

Eu tinha esquecido como era bom viajar pra cidade pequena... enquanto em Madri e Paris nosso dia quase não rendia nada, mesmo que em Madri tivéssemos ficado muito próximo do centro, em Paris ficamos relativamente perto também, mas as distâncias fazem o dia mais corrido, mais agitado. São muitas atrações também, vontade de ver tudo; muita foto foto foto. Quando chegamos em dijon matamos quase todas as atrações logo na chegada. Pudemos passear sem pressa, olhando a cidade com mais atenção. A quantidade de turistas também é menor, tudo menos tumultuado. Enfim muito mais agradável. Sensação de férias mesmo.

Fomos com calma pra estação de trem, compramos café da manhã na Paul (croissant e quiche e café com leite) nos dirigimos pra Voie de embarque. Logo o trem chegou, nos instalamos com uma pequena confusão.

Vou explicar.

Na plataforma (Voie) de embarque, por mais que os assentos sejam já marcados, não tem uma fila propriamente dita pra entrar no trem. Onde a porta do trem para, a galera se acumula e vai entrando. Pra conseguir lugar pra guardar a mala temos que ser os primeiros a entrar, igual como acontece no avião e as malas de mão.

Logo que o trem chegou nos posicionamos bem na porta, seríamos os primeiros a entrar. Porém depois De uns 5 minutos parado e sem abrir as portas o trem se movimentou pra frente. Ficamos pra trás.. entramos muito depois, o local de guardar malas já estava cheio e não tinha nenhum buraco que coubesse a nossa modesta mala de 25kg. Victor foi empurrado pra dentro do trem com mala e cuia pela horda de franceses e turistas que entravam. Mas ninguém passava pq o corredor é estreito. Embolou tudo. Foram passando por cima. Quando folgou, voltamos pra entrada e ficamos contemplando o bagageiro cheio. Eu havia guardado um espaço com a mochila da Maria, mas não era grande o suficiente. Resolvemos rearrumar as malas dos outros pra caber a nossa. Um bom samaritano se compadeceu de nós e ajudou o Victor a carregar o maletão pra cima do bagageiro. Tudo certo. Todos rimos no final  😂

Sentamos, tomamos nosso café com a Maria hiperativa, depois coloquei no peito e ela dormiu.

Passou a viagem toda dormindo. Aleluia!! 🙌🏽🙌🏽🙌🏽🙌🏽🙌🏽

Chegamos em Lyon, desce tudo, estação lotadaaaaaa, não tinha nem espaço pra andar. Paramos no starbucks pra sentar e dar  lanche dela. A hora passou rápido e já estava acontecendo o embarque. Corremos pra plataforma e entramos no trem que iria pra Avignon.  Maria dessa vez foi acordada mas tudo tranquilo. A viagem foi rápida.

Chegamos em Avignon gare TGV. Pegamos o trem pro centro da cidade. Chegando lá, tudo pequeno e fofinho. Fomos andando pro nosso airbnb, a estação central dá direto na rua principal de Avignon que finda na place de l’horloge que por sua vez leva rapidamente ao palácio dos papas e à catedral des doms.

 

Chegamos no airbnb, o anfitrião nos esperava lá. Graças a Deus pq o apartamento fica no 1o andar, e a escada era em caracol super estreita e sem corrimão. 💀

Ele subiu com o nosso maletão, eu com a malinha (MI) e o Victor com o carrinho.

O apto é pequeno, um cômodo só com sofá cama, pia, fogão, frigobar, e o banheiro. Muito funcional e até confortável, exceto pelo colchão que me deu dor nas costas. Mas tinha todas as amenidades necessárias. Deixamos as coisas, demos o almoço da Maria, e depois ela dormiu. Saímos com ela dormindo. Fomos direto pro palácio dos papas. Pegamos o pior caminho (obrigada Google maps 🙄). Uma rua toda de pedras muito difícil de andar com o carrinho. Ruelas muito estreitas, com turistas. Parece que de qualquer canto da cidade dá pra avistar o palácio dos papas. É um muro enorme desproporcional ao tamanho das ruelas. E MI seguia dormindo. Chegamos na praça, fotos fotos fotos depois ela acordou, mais fotos. Muitos turistas ali. Entramos no palácio às 17h. Ele fechava às 18h.

Victor fará a descrição do local.

Saímos e fomos pra catedral des doms que fica ao lado. Ela já estava fechada então continuamos o passeio pela escadaria da catedral que dá acesso ao morro des doms. Uma rampa leva até o topo de uma colina que tem uma vista linda da cidade, do Rio Rhone, e da ponte de Avignon. Maria tava muito enjoada e tola. Não conseguimos tirar Foto dela. Lá em cima também tem um lago com patinhos, cisnes eum café. Maria se distraiu com os patos. O sol estava lindo e o céu limpo. Demos sorte, pois no dia seguinte estava tudo nublado e a paisagem não tava bonita.

Descemos e paramos no restaurante l’epicerie para jantar. O restaurante fica numa de muitas pracinhas que têm em Avignon, na frente da basílica de São Pedro. Maria não comeu direito, acho que já estava com sono. Como estava quente e sem vento, sentamos numa mesa exterior. Comemos rápido e fomos embora. Paramos no supermercado, que ficava tbm bem próximo de casa. Chegamos no apto, coloquei ela pra dormir e dormimos tbm. Deixamos pra cozinhar no dia seguinte.

Como não conhecíamos a cidade, estávamos meio confusos e perdendo muito tempo olhando o gps. Depois percebemos que não tinha muito mistério a cidade e tudo era realmente muito próximo.

 

20/09/2019 - sexta - Avignon

Acordamos, eu com dor nas costas, banho e papai foi fazer a comida. Arrumei a nenem, dei café da manhã. Saímos tarde, com ela dormindo. Seguimos pro Petit palais, museu ao lado do palácio do papas. Fomos por outro caminho mirabolante do Google maps kkkkkkkk. Aff. Mas serviu pra conhecer toda a cidade. Acabou que “buiamos” à beira do rhones e com uma vista pra ponte de Avignon. Fotos. Continuamos seguindo o mapa até o palácio. A entrada era gratuita uhul visitamos o museu que tinha pinturas italianas e renascentistas, de boticelli e algumas obras que ganharam do louvre, esculturas medievais, arquitetura romana. Era pequeno e um andar estava fechado. Depois voltamos pra praça do horologio, paramos num restaurante pra dar o almoço da nenem e tomar um vinho com queijos, fazer hora pra esperar o museu calvet abrir de novo (os museus fecham 13h e abrem as 14h). A praça do horologio tem muitos restaurantes e árvores, as mesas ficam no centro da praça cobertas por guarda sois e a sombra das árvores.

Seguimos pro museu. Lá tinha brughel e bosch, uma salinha com 3 tumbas egípcias (o resto estava fechado), pinturas italianas e francesas, e até arte moderna.

Saindo do museu pegamos um caminho pra sorveteria amorino, e descobrimos a 25 de março de Avignon. Kkkk

La Braderie é um festival de liquidação de todas as lojas de Avignon, que colocam os produtos na calçada e dão descontos de até 80%.

Voltamos pra catedral des doms, pra visitar por dentro. Achei super sem graça lá dentro. Não valeu a pena voltar pra lá. A nave principal é toda em branco e tem um altar redondo com poucos detalhes. Parece uma igreja anglicana.

Saímos de lá e fomos atrás de um restaurante que estava marcado no planejamento. Chegando lá não gostamos, fomos procurar outro. Topamos com um restaurante corsa (da Córsega). Pedimos uma lasanha de brócolis e espinafre e um prato que era tipo um escondidinho de carne e salsicha de porco corsa.

Acabou que a comida veio maravilhosa! O vinho era muito bom também. Demos comida pra Maria e comemos também. Ficamos pesquisando sobre a Córsega e descobrimos que é uma ilha que faz parte da França, e lá tem um movimento separatista e nacionalista. A decoração era toda referente à Córsega, cerveja Córsega, a charcuterie toda Córsega. E tinha cartazes de protesto contra a prisão de um revolucionário Corsa, que foi condenado à prisão perpétua pelo assassinato do prefeito da Córsega. Nos demos conta que estávamos num restaurante nacionalista corsa, que provavelmente é lavagem de dinheiro do movimento revolucionário, já que só aceitam pagamento em espécie. Kkkkkkkkkkkk

Chegamos em casa cedo, fizemos a comida, fechamos a mala, demos banho e colocamos a nenem pra dormir. Dormimos. Cansados! No dia seguinte partiríamos às 9:40 para Nice.

 

21/09/2019 - Avignon / Nice

Saímos 8:40 de casa pra pegar o trem para Nice. Ainda não tínhamos comprado as passagens. O percurso pra gare de Avignon centre é curto, chegamos, compramos o bilhete na máquina, pois já estamos habituados. Compramos um café e croissants, e fomos pra plataforma de embarque. O trem chegou, entramos logo pra ter onde colocar as malas e pegar um bom lugar. Como íamos de TER, não há lugares marcados. Tudo tranquilo. Maria dormiu. Chegando em marseille ela acordou. Descemos pra fazer a conexão pra Nice. Paramos num café da gare pra dar lanche pra Maria. Logo em seguida fomos em busca de um banheiro pra troca-lá. A gare de marseille estava apinhada de gente, muito difícil transitar. É só tem um único banheiro. Estava lotado, inclusive o trocador de bebês. desistimos, fomos logo pro trem, pois apesar de ainda faltar 15 minutos pra partida, achei melhor ir logo. Chegando lá quase não tinham mais assentos “bons” mas conseguimos pegar um mais espaçoso. Trocamos fralda de cocô 💩 no banco do trem.

Maria estava agitada, danada... ficou tirando o sapato, sentando levantando, chorando, querendo pegar no lixo, querendo fazer tudo o que não podia.

Foi uma longa viagem (2:40) até Nice.

No caminho, o trem passa varias vezes pela beira do oceano e a vista é bonita. Porém estava nublado.

Chegando em Nice, saímos da gare em busca do ponto de ônibus. Rodamos um pouco depois parei no office de turisme. Descobri que o ônibus que queríamos pegar não existe mais. A estação d tram era a 10 minutos a pé. O apto ficava a30 minutos a pé Estava choviscando... decidimos pegar táxi. 15 euros até o airbnb.

Chegamos e o anfitrião estava fazendo a faxina. Deixamos as malas e fomos procurar o que comer, e aproveitar pra passear na promenade des anglais. A avenida, que fica à beira mar, tem um calçadão espaçoso, duas vias para carros, ciclofaixa compartilhada com pedestres, e prédios neoclássicos. A cor do mar é impressionante... azul turquesa, mesmo com o céu nublado! Ficamos boquiabertos e caiu a ficha: estamos na côte d’azur! Muitos turistas também passeavam pela orla.

Maria Inês, porém, estava tola e chorona, mas tinha que ficar dentro do carrinho por causa do chuvisco. Resolvemos entrar logo num restaurante qualquer, já que os “nossos” eram distante. Paramos no le cocodile, numa mesa com vista pro mar. Pedimos ostras e uma massa com frutos do mar. A massa não estava al dente, mas o sabor era bom. As ostras estavam boas, eu acho, não comi, só o Victor. Tomamos um vinho branco honesto. Maria continuava danada. Colocamos na galinha pra ela sossegar um pouco. Após comer, fomos ao supermercado e voltamos cedo pra casa. Ela jantou e 19;15 já foi dormir.

Aproveitamos que estava cedo e descansados, fizemos a comida do dia seguinte, arrumei um pouco a mala, coloquei duas levas de roupa na máquina de lavar e estendi, arrumamos o apto. Fizemos seleção de fotos e dormirmos. A previsão do tempo no dia seguinte era chuva...

 

22/09/2019 - domingo - Nice

Acordamos antes das 7:00, tomamos banho. Maria acordou só 8:00. Tomei café em casa, enquanto Victor dava a comida da nenem. Colocamos o macarrão e o brócolis no fogo. Ontem fizemos só picadinho. O airbnb é muito completo, parece que estamos em casa. Tem tudo! Nos arrumamos, pegamos comida e lanche, saímos 9:20 pra missa das 10h.

Estava choviscando. Aff!!!!!

Colocamos a capa de chuva no carrinho, ela odiou. Foi chorando no caminho todo. Eu com o paninho da mamãe na cabeça e um casaquinho. Andamos pela promenade des anglais até a igreja, que fica na Vielle Nice, uns 30 minutos.

Mesmo com chuva, muitos turistas na rua, e muitos corredores fazendo corrida. Uns franceses bem magrelos e já na 3a idade, correndo na chuva kkkk casais de gordinhos. Casais judeus. Jovens. Todos correndo na chuva. O mar continuava azul turquesa. Ficamos besta de ver um pessoal tomando banho de praia, 9 da manhã com chuva 😂 mais à frente, estava tendo era uma competição municipal de natação, e haja francês nadando!!

A chuva aumentou, andamos mais rápido ainda até que chegamos na igreja. Pensei que a Maria fosse dormir, mas nada. Passsou a missa toda perambulando e fazendo danação.

No final da missa trocamos a fralda no banco da igreja pois estava feita cocô. Depois dei peito pra ver se dormia. Enquanto isso as luzes iam apagando mas algumas pessoas ainda estavam dentro da igreja. Entendi que a igreja ia fechar mas não me apressei pq ainda tinha gente. Eu queria fazer a Maria dormir e sair de lá com ela na adormecida, procurar um restaurante com calma, pra nos abrigarmos da chuva e dar o almoço.  Uma velhota francesa me abordou dizendo que tínhamos que sair. Que ali não era berçário pra dar de mamar. 😡

Eu respondi “Pardon, mais ici c’est la maison de Dieu”. Continuei dando mamar, e sem pressa arrumei as coisas pra sairmos. Fiquei mt aborrecida.

Saímos de lá com Maria berrando por estar presa no carrinho. Todos os restaurantes que havíamos selecionado no planejamento estavam fechados. Só abrem segunda ou terça. E os que estavam “abertos” , só abriam mesmo 12h. Que cidade estranha!!!!!

Tamanho domingo e tudo fechado! Cidade lotada de turistas! Eu hein!

Entramos na catedral, que era perto, dei mamar, nenem dormiu, procuramos com calma um resto no Google. Selecionamos um que dizia estar aberto. Chegando lá, fechado. Decidimos procurar pela rua mesmo.

A Nice velha é muito fofa, ruelas estreitas quase todas de pedestres, casas , janelas e portas antigas, coloridinhas de cores pastel e algumas janelas mais forte. Muitas lojas e cafés e restaurantes, mas ficamos receosos de cair em armadilha pra turistas.

Aqui claramente se vê a transição entre a França e a Itália. Tem muito da Itália, nos restaurantes principalmente.

Paramos no Chez Theresa, pensávamos que era restaurante mas era lanchonete. Comemos aquela pizza de cebola e fomos pra outro. Escolhemos um que tinha boa avaliação no Google. Lá, o atendimento foi estranho e a comida sem graça e cara. a sensação de desapontamento aumentou ainda mais. Dia chuvoso, comida sem graça...

Continuava chovendo, fomos pro museu massena. No caminho, passamos pelo jardim de albertier 1e, meio feioso e sem graça também. No museu A entrada era grátis HOJE em razão da Journée du patrimoine. Pelo menos isso. Acervo sem graça, nada demais. Os museus de avignon eram melhores.

Saímos do museu e paramos  num café pra dar lanche pra nenem. O café também meio ruim. Kkkk. Que zica!

Decidimos ir em outro museu pois ainda chovia. No caminho, pela promenade des anglais, parou de chover e ficamos admirando a praia. Descemos, tiramos foto. Desistimos do museu. Passeamos, passeamos. Resolvemos parar num restaurante pra dar o jantar da nenem e tomar um vinho. Já estávamos perto de casa e paramos em um outro rest qualquer, pega turista, mas na beira mar. Quando entramos, o garçom anfipático nos deu uma mesa ruim. Pedi outra mesa, com vista pro mar. Ele negou e virou as costas. Agradeci e disse que o serviço ali era ruim, fomos embora. Eu hein.

Andando pra casa, todos os bares e restaurantes estavam fechados. Chegamos cedo de novo, demos janta, nenem dormiu..

Espero que amanhã a zica vá embora, o sol saia, as nuvens Vão embora e consigamos comer uma comida gostosa em Nice!!!



 

23/09/2019 - segunda-feira - Nice

 

Acordamos empolgados com o sol!! Nos arrumamos e saímos, sem tanta pressa pois o dia amanheceu um pouco nublado e o sol iria sair só após as 10h. Paramos no supermercado e num café pois mamãe wendy teve um “imprevisto feminino”.

Chegamos na promenade des anglais... que lindo!!!! O mar estava ainda mais lindo com o sol!!! 😍😍😍

Paramos e tiramos muuuitas fotos. Depois descemos pra praia e maaais fotos. Mamãe e papai tiraram os sapatos e foram colocar os pés no mar mediterraneo. Água geladinha. As pedras da praia de Nice doem nos pés, Victor não curtiu essa parte. As pedras de mosqueiro são fichinha perto delas kkkkk  pois em mosqueiro são alguns aglomerados de pedras, já em Nice é uma praia toda de pedras.

Seguimos o passeio pela promenade rumo ao elevador do castelo, um elevador que leva ao topo de uma colina, mas o sol já estava quente demais. Entramos na old Nice pra caminhar à sombra. Pelo caminho, passamos pelo cours de saleya, uma espécie de feirinha ao ar livre. Restaurantes de um lado e de outro com lagostas, peixes e caranguejos expostos em aquários. Mas tinha cara de pega-turista. Aliás, deles tinham muitos.

Maria dormiu sozinha sentada no carrinho. Fato inédito, e único, nunca mais aconteceu 😂

Chegando no elevador, subimos. A vista de lá é linda!!! Maaais fotos.

Do mirante, avistamos toda a old Nice,igrejas, a promenade des anglais, até o hotel negresco.

Demos uma volta pela colina; que tem árvores e um parque é um café no centro. Como Maria dormia, não brincou no parquinho. De lá de cima, em outro mirante, admiramos também o porto de Nice. Embarcações pequenas atracadas e cruzeiros mais distante, no mar.

Descemos e já era hora do almoço. Ficamos em dúvida se entrávamos em um dos restaurantes do cours de Saleya ou se íamos para outro, marcado previamente nas nossas pesquisas. Hesitamos e eu decidi ir pra outro. Escolhemos certo.

Fomos bater num restaurante italiano embrenhado pelas ruelas da old Nice. Comemos um spaguetti com camarão delicioso. Maria almoçou também. Saindo do restaurante, ficamos na indecisão sobre o que fazer no resto do dia. Ir a Mônaco? Ou villefranche-sur-mer? Ou um passeio de barco? O passeio era 18 euros por pessoa, Mônaco não estava nos empolgando muito... decidimos ir a villefranche, que tinha praia de areia. Colocamos o caminho no Google. Pegamos um ônibus e 20 minutos descemos numa parada no meio do nada kkkkkkkj

Gente, o Google dá os piores caminhos. E olha que sou macaca-velha de Google. Eu tinha percebido que era cilada, mas deixei o Victor liderar. Ele anda estressadinho e não quis contrariá-lo.

Fomos seguindo o caminho esquisito do Google. Entramos na propriedade do que parecia ser um hotel, uma estradinha de ladeira pequena que ia fazendo zigue-zague até a praia. Nenhuma viva alma... só nós. Fomos descendo até que chegamos no estacionamento da praia, que tinha umas mesas de piquenique. A praia logo abaixo, seguia a orla até uns prédios e o centro, estação de trem, mais afastados. Sentamos numa mesa sob as árvores, aproveitamos a brisa, a vista, e dei o lanche da Maria. Uvas.

Caminhamos até chegarmos à parte principal da praia. Entramos num restaurante que ficava na faixa de areia, pra sentar e tomar um vinho olhando o mar.

Tirei o sapato e levei a Maria pra pisar na areia e na água. Ela estava assustada com as ondas, chorou mas depois se acostumou. Tiramos fotos.

Já era hora de voltar pra casa. Subimos uma escada e uma ladeira para chegar na estação de villefranche compramos o bilhete de trem, ficamos perdidos sem saber onde era a plataforma, se do lado direito ou esquerdo.

Não tem placas, não tem funcionários. Fui perguntando e encontrei. Sentamos pra esperar o trem. Até que foi anunciado que o próximo trem tinha sido cancelado. O seguinte era dali a 15 minutos. Ok, esperamos. Quando o trem passou, estava lotadissimo. Apinhado de gente, muita gente. Turistas e franceses. Gente com aquele CECE azedo. Putz. Maria dormia no meu colo. Me espremi por la, sentei no degrau do trem. Ainda bem que a viagem era rápida.

 

Chegamos em Nice na estação central, compramos logo a passagem pra Gênova. Saída às 8:01. Caminhamos até a promenade des anglais, paramos no hard rock café. Pedimos duas entradas, um camarão e um trio de mini hambúrgueres. Victor pediu errado os sabores do meu hambúrguer e vieram super apimentados. Pense numa mulher com raiva 🙄

Maria jantou na cadeirinha.

Apreciamos o por do sol em Nice. Saímos do hardrock após detonar  o tradicional brownie com sorvete.

Chegamos em casa, arrumamos as coisas e dormimos. 

 

24/09/2019 - Nice-Genova -Milão

Acordamos 6h com despertador. Victor estava nervoso pois o trem sairia às 8:01 para Gênova, tínhamos que sair antes das 7h, e não sabíamos direito se íamos de ônibus, Taxi, Uber ou a pé. Mas eu já tinha pesquisado números de telefone de táxis em Nice pra pedir. Sabia que a pé não ia dar certo... íamos demorar muito e cansar muito. Ônibus também não tinha por perto.

Ele tomou banho, depois eu, Maria já acordada. Fechamos a mala, tiramos o último lixo, guardamos a louça da noite anterior, tiramos a roupa de cama e banho - tudo orientações do anfitrião do airbnb. Telefonei pro Taxi (em francês, cof cof), que chegou em 5 minutos. Coloquei um casaco e sapatos na Maria, deixamos a chave de casa na mesa e fechamos a porta... não deu tempo de fazer revisão minuciosa. Espero não ter esquecido nada.

O táxi já estava aguardando lá embaixo. Um rapaz simpático, conversou conosco perguntamos de onde vínhamos, e depois elogiou meu francês e perguntou onde eu havia aprendido. Cof cof.

Descemos na gare de nice ville, fomos checar a televisão que dá as informações dos trens. Tudo ok. Nos acalmamos e fomos nos despedir da França tomando um café crème et croissants na Paul. Normalmente preferimos patisseries locais e artesanais, mas a paul tem o melhor croissant de todos. E olha que eu testei vários, comi croissant todo dia. 

Logo deu 7:30, a plataforma de embarque já estava disponível. Corremos pra lá, pra garantir lugar pra mala. Embarcamos. Maria Inês ficou espoletando entre as cadeiras, e nós abestados com a paisagem. A viagem inteira foi margeando o mar Mediterrâneo. Foi lindo! De vez em quando entrávamos num túnel ou passávamos por alguma cidade, mas a maior parte do trajeto foi na beira mar. Vimos praias, prainhas, casas bem defronte pro mar, pescadores. Très belle la côte d’azur!!!!!

No trem os anúncios eram feitos em francês e em italiano. Acompanhamos pelo Google maps nossa localização, depois de cruzar a fronteira França - Itália, os avisos passaram a ser em italiano e depois francês.

Maria cochilou 40 minutos, e logo acordou.

Ainda no trem percebi que as mulheres italianas são mais “presença”. Não lembro de, na França, alguma mulher ter chamado minha atenção. No trem, as italianas não passaram despercebidas. Postura, trajes, cabelos, Acessorios. Elas são belas e imponentes! Resolvi me aprumar mais pra não ficar “por baixo”. Coloquei meu óculos escuro e arrumei o cabelo. Victor colocou a camisa pra dentro da calça.

Maria tirou o pijama e trocou de roupa.

Chegamos em Gênova com atraso de 20 minutos - coisa que nunca aconteceu na França.

Guardamos a mala e saímos da estação passeando pela beira mar/zona portuária de Gênova. Os prédios e construções antigas, muitos camelôs na rua, estávamos numa parte meio esquisita da cidade. Meio suja e desleixada, muita gente estranha na rua. Logo chegamos no Porto Antico, passamos defronte ao aquário de Gênova. Entramos no centro histórico, encontramos uma igrejinha que o Victor visitou e eu não pois tinha uma escadaria  e não quisemos fechar o carrinho.

O restaurante era em próximo e tinha acabado de abrir. O menu dava direito a 2 pratos, vinho e água. Pedimos: massa ao molho pesto, massa com um camarão estranho italiano, um hambúrguer de peixe com salada e salada de lulas.

O pesto estava muito bom, super suave e delicado. A massa de “camarão” também estava gostosa,

Com bastante alho e azeite. Victor não curtiu muito. Os outros dois pratos eram sem graça, poderia ter ficado sem.

Maria almoçou sua comidinha.

Saindo do restaurante voltamos pela rua paralela à beira mar, pela sombra. Ainda  na região Porto, varios boxes com lojinhas de comércio informal. O aspecto de sujeira e falta de segurança permaneciam. Nada disso vimos na França.

Continuamos o caminho de volta pra estação de trem caçando um gelato e uma focacia. Na rua que pegamos tinham vários departamentos da universidade de Gênova. Vários prédios diferentes, antigos, um ao lado do outro, todos pertencentes à universidade. Passamos pelo campus de ciências sociais, departamento de direito público e processual e de jurisprudência, dentre outros.

Encontramos o gelato e a foccacia de queijo recco no HB. Ambos deliciosos. Pedi gelato de 3 chocolates e de baunilha com cookies 😁

Chegamos na estação de trem às 14:50. Compramos o bilhete pra Milão no trem das 14:19, que estava 5  minutos atrasado.

Fomos buscar a mala que estava no locker... quando chegamos lá, o local estava fechado!! Bateu o frio na barriga. Por sorte tinham polizeis no meio da estação. Fui na mesma hora falar com eles, pois não tinha informação turística na estação. Expliquei o ocorrido. Destacamos toda a brigada policial - 3 polícias e 2 das forças armadas. Chegando no local, já estava aberto. “Fumare!” A polizei me explicou. Ah tá!!

O responsável pelo bagageiro tinha saído pra fumar.😬🤷🏽‍♀️

Resgatamos a mala, peruamos pela estação até encontrar o caminho pra plataforma, e o trem já 15 minutos atrasado. Depois mais atrasos e de 14:19 saímos apenas 14:40. Muita gente viajando pra Milão, o trem está lotado.

Maria fez popô... depois de nos instalarmos nos assentos, trocamos a fralda no banco do trem. Coitado do chinês que viaja do nosso lado.

Já passamos do Piemonte. As paisagens foram de Campos verdes e montanhas ao fundo.

 

26/09/2019 - quinta-feira - Milão

Acordamos 7:15, com a Maria Inês. Ficamos de chamego na cama depois papai tomou coragem e foi pro banho. Mamãe Wendy levantou com a nenem e foi preparar o café da manhã. Tomamos café, nos arrumamos, e saímos. Colocamos o pé pra fora e surpresa. O que é isso? Chuva? Nublado? Era neblina. Olhei no Google pra confirmar. O dia estava todo fechado, mas não chovia. Ufa!

Victor adorou. Estava gostoso, nem calor nem frio. 18 graus.

Nossa primeira parada era bem próximo de casa. Castelo Sforzesco, primeiro o parque, depois o museu. O parque é meio sem graça, não tem nada demais. Algumas árvores, um lago bereré e sujo com uns patinhos, poucas flores. Mas chamou atenção o forte perfume que vinha delas. Acho que são primas do jasmim. Íamos caminhando entre elas e o aroma era perceptível.

Entramos no castelo, compramos o bilhete sem filas, mas já era mais de 10h, então antes de ver o museu sentamos no café pra dar a merenda da nenem e tomar um capucco.

Maria comeu uma tangerina inteira mais um pedaço de croissant do papai. Após o lanche, ficamos peruando parece lesos procurando a entrada do museu. Pergunta de lá e de cá, os italianos dando informações estranhas e nós sem saber italiano pior ainda. Até que descobrimos e começamos a visita. Maria mamou e dormiu logo no início.

O museu também é sem graça... tem peças decorativas de igrejas antigas tipo colunas, esculturas, tapeçarias.

A melhor parte é a sala del asse, uma sala que foi toda pintada de afrescos por Leonardo da Vinci. Ele morou em Milão, no ducado de Ludovico, il Moro. Foi contratado pelo duque pra fazer a decoração do castelo. Dentre outros trabalhos que ele fez, esse foi o mais importante.  Ele começou a pintar a sala, mas a invasão do exército francês o interrompeu, ele foi embora e ficou inacabado. Os soldados passaram uma camada de um tipo de tinta branca por cima de tudo. Em 1860, aproximadamente, o afresco foi descoberto. Um artista foi chamado pra fazer o restauro. Já nos anos 1970, decidiram retirar o restauro, a camada de tinta branca, pra tentar alcançar o afresco original. Em 2013 passou por novo tratamento. O museu fez um vídeo interativo muito interessante pra explicar tudo isso.

Terminamos a visita e seguimos pro 1o andar, para a pinacoteca. Também sem graça. Tinha uma exposição de móveis bereré também. Saímos do castelo umas 12:30, seguimos pra basílica de Santo Ambrosio, onde se encontra o corpo inicorrupto do santo. No caminho, procurávamos um café pra sentarmos e dar o almoço da Maria.

Todos os pequenos restaurantes que encontrávamos estavam com filas e muito lotados. Estávamos numa área comercial, tinham muitos italianos de terno e gravata saindo pra almoçar. Paramos num café restaurante pequeno também com fila, mas com mesas lá dentro. Fechamos o carrinho, sentamos na minúscula mesa e eu fiquei na fila pra pedir. Pedimos dois pedaços de uma pizza quadrada. O italiano que aparentava ser o dono do estabelecimento fez sinal para eu me sentar e sair da fila, mandou eu pedir pro “ragazzo”. Me sentei, tirei as comidas da Maria e fui pro balcão esperar uma oportunidade, no meio da confusão, pra pedir que esquentasse no microondas. Ele me mandou sentar e esperar. Kkk fiquei em pé, sem entender direito o que ele dizia. Mas continuei em pé no balcão. Esperei pacientemente. desafogou um pouco, ele me deu um prato e esquentou o almoço da nenem. E nada do nosso pedido. Esperamos muito, até que o ragazzo (um garçom ) veio na nossa mesa, reiterei o pedido. Demorou mais ainda. Até que a comida chegou. Maria estava quase terminando de almoçar.

Pelo que entendi, ele atende primeiro os pedidos pra levar e depois os pedidos nas mesas. 🤷🏽‍♀️

Saímos daquela confusão, chegamos na basílica, visitamos. Vi o esqueleto do santo! 💀

Voltamos pelo mesmo caminho e paramos em outra igreja, uma meio despintada, mas que é considerada a capela sistina de Milão. Muito bonita mesmo. Toda pintada com afrescos.

De lá fomos pro cenáculo, não tínhamos ingresso (tentei comprar pelo telefone, ainda do Brasil, e nunca consegui. Não sei qual o macete pra conseguir esses ingressos, eles esgotam muito rápido) nem conseguimos comprar na hora. Não entramos. Visitamos a igreja ao lado, que tem uma obra do caravaggio.

Li que naquele local originalmente tinha uma obra de tiziano, roubada e que hoje está no louvre. Fiquei me perguntando se não há nenhuma regra, acordo ou ética internacional sobre esses roubos, porque continuam nos museus em vez de serem devolvidos pros donos originais?

Tentamos visitar a casa do Leonardo mas também estava com ingressos esgotados.

Ficamos meio triste. Eram 16:40, Maria dormiu.

Andamos de volta pra casa na esperança de parar num restaurante e tomar uma taça de vinho. Os outros pontos turísticos de interesse eram muito afastados e queríamos chegar cedo em casa pois amanhã é dia de deslocamento.

Nos perdemos e quando nos achamos já tínhamos desistido do vinho. Viemos direto pra casa.

Jantar, banho, arrumar mala, dormir.

Amanhã vamos pra Veneza no trem das 8h.

 

27/09/2019 - sexta-feira - Milão / Veneza

Acordamos atrasados. Em vez de 6h, só despertamos 7h. Tomamos banho apressados, guardamos pijama e necessaire, colocamos o sapato na pequena e saímos pra stazione Milano Centrale. Chegamos lá 8:36. O trem que queríamos pegar saiu 8:25. Tudo bem, ele custava só 20 euros mas levava 4 horas pra chegar em Veneza.

Pagamos mais caro no trem das 9:45, o Frecciarossa que leva 2:26 pra fazer o mesmo trajeto.

Enquanto esperávamos, tomamos café na estação. Capuccino e croissants. Maria comeu abacate, croissant e quis tomar capuccino conosco. Agora ela quer comer tudo o que comemos. Gelato, capuccino, massa. Tudo o que ela vê a gente comendo, abre a boca também pedindo pra comer. Daí a explicação daquela foto de boca aberta e o gelato.

Assim que a plataforma foi informada, levantamos acampamento e seguimos pro embarque.

No trem, estávamos em cadeiras separadas. Creio que por termos comprado a passagem em cima da hora, sobraram só lugares distantes um do outro. Pedi pro passageiro que ia ao lado do Victor pra trocar de lugar comigo. Ele disse não. Fiquei com raiva e comecei a bolar planos de vingança👿

Levantei da minha cadeira com a Maria e levei pra trocar, no colo do Victor. Infelizmente não tinha popô. Na fileira ao lado, uma família com uma filha e um filho, de 6 e 4 anos respectivamente. Maria, que adora fazer amigos, se animou e foi interagir. Fiquei em pé com ela, conversando com os pais e as crianças. A mãe, Eleonora, é tradutora italiano -inglês/russo.  O pai Michele acho que é jornalista. As crianças, Niccolo Roberto e Martina. São de Bira, no sul da Itália. Martina adorou a nenem e ficou brincando com ela. No final, já estava protegendo a cabecinha da quina da mesa, dizendo “não” quando ela ia pegar algo do chão, levando pra passear e trazendo de volta kkkkk

Eles iam pra um parque de diversões estilo Disney, que tem aqui próximo a Verona. No final, a despedida foi longa. Muitos “ciaos”, praccere em conhecere, beijos e abraços, e mais ciaos.

 

Convites para ir a Bira e a Belem.

 

Nossos amigos foram embora, Maria continuava elétrica. Resolvi colocar o iPad com galinha pintadinha.

Troquei de lugar com o Victor, e sentei ao lado do italiano insensível que não quis trocar de lugar.

Pelo que percebi, ele estava se preparando pra uma apresentação de power point, pois vi as impressões dos slides e ele lia e relia e falava sozinho.

Coloquei a galinha pintadinha num volume baixo, pra quem estava longe. Ele começou a falar em voz alta e repetir as coisas pra si mesmo, como se esforçando pra manter a concentração.

Ri sozinha. Minha vingança havia se completado. HUA HUA HUA. 😈

30 minutos depois, nenem se enjoou do iPad. Mamou e dormiu.

Chegamos em Veneza, ela se acordou na saída do trem.

Logo pegamos o trem seguinte para Spinea, cidade vizinha a mestre, onde estamos hospedados.

A casa fica logo atrás da estação de trem. Quando descemos, pegamos o caminho errado e demos uma volta desnecessária. O Google da o endereço errado, o que eu já sabia. Ficamos vagando em busca do N. 33, até que achamos, de fato, atrás da estação. Percebemos que tínhamos andado demais, sem necessidade. Kkk

A casa estava toda fechada, com correspondência acumulada na caixa de correio.

 

Eu estou sem créditos no celular, sem internet. Tentei telefonar para a anfitriã mas escutei uma mensagem em Itáliano, não entendi o que dizia. Presumi que era uma mensagem avisando da falta de créditos e que a ligação não havia sido completada.

Fiquei tentando decidir o que fazer, bolar os planos B, C e D...

Um senhor de bicicleta chegou na casa ao lado, então o abordei perguntando se conhecia a pessoa que morava ali na casa 33. Ele não falava um pingo de inglês. Disse que o portão da garagem ficava sempre aberto, e que era estranho estar fechado. Perguntei se era a “Donna” Sonia que morava Ali; ele disse que sim. Me perguntou se eu havia telefonado, eu tentei explicar que meu telefone não funcionava. Ele pediu o numero, ia ligar do celular dele. Nessa hora, a tal Sonia me liga dizendo que chegaria em 5 a 10 minutos.

Ufa!!

Já estava tensa. Uns 15 a 20 minutos depois ela chegou, abriu a casa. O check in estava marcado pras 15h, e ainda eram 12:45. O quarto estava ainda desarrumado, outros hóspedes haviam desocupado recentemente. Ela disse que ia preparar o quarto, e que era pra esperarmos na sala. Deixei nossas tralhas no quarto, demos o almoço da Maria, trocamos fralda, e saímos no trem das 14:14. Nessa estação, spinea, o trem passa sempre aos 14 e aos 41 minutos de cada hora. Chegamos em Veneza, linda! Fomos logo tirando fotos, depois seguimos pro restaurante antico Gaffaro, onde jantamos também na nossa chegada em Veneza, em 2016. Fizemos o mesmo trajeto, vimos os mesmos locais e ficamos lembrando da nossa chegada em 2016, a noite, -2ºC. Achamos o restaurante, sentamos e pedimos a comida. Eu estava urrando de fome. Pedi carbonara e Victor, amatriciana. Maria novamente mostrou interesse na comida, bem enfaticamente na verdade, ela praticamente exigia comer também. Eu comia uma garfada e dava uma outra pra ela. Nos deliciamos num dos melhores almoços da viagem. Pedimos meio litro de prosecco da casa.

Aproveitei pra dar o lanche da Maria, pois já eram 15:30.

Saímos do restaurante de alma leve...

Veneza está lotada, apinhada de turistas. Fomos caminhando com dificuldade pelas ruelas, em direção à praça de São Marcos. Tomamos gelato, o qual também foi dividido com a Maria Inês, que abria a boca e só fechava quando colocávamos a colher suja de sorvete na boca dela. “Uma pra mamãe, uma pro papai, uma pra nenem”. Tive que me esconder com o sorvete pra ela não pedir mais. Andamos, andamos, andamos até a praça. Chegando lá, mais turistas. Dificuldade em tirar fotos, de tanta gente. Fotos fotos fotos, Maria andou, perseguiu os pombos, caiu, levantou, chorou, fez popô. Fomos em busca do banheiro público pra trocá-la. Chegando lá, era pago, 1,50 euros. Não quis pagar, trocamos no carrinho mesmo. Dei peito e ela dormiu. Fomos em busca de um bar a vins.

Encontramos, mas estava aberto só para jantar. Desistimos. Já eram 18:00, decidimos voltar pra estação Santa Lúcia e ir pra casa. Andamos de volta, desviando de turistas, chinas etc. paramos no supermercado, não tinha frango nem picadinho, nada de carne. Não encontramos outro super. Chegamos em Santa Lúcia as 19:15. Pegamos o trem das 19:40. Dei o jantar da nenem dentro do trem.

Chegamos em casa, procedimentos de banho e dormir.

Eu estava muito cansada da maratona. Pra passear com a Maria, temos que carregar o carrinho em todas as pontes. Minha mão ficou cheia de Calos e eu cansei demais. Não gostei... no dia seguinte vou levar o canguru. Os turistas são chatos, me incomoda demais. Em dezembro de 2016 a cidade estava vazia, transitável, apesar do frio de rachar. Agora é turista pra todo lado, eles são mal educados, não tem sensibilidade com os bebês nem com as famílias.

 

28/09/2019 - sábado - Veneza

Hoje nosso dia começou todo enrolado, saímos atrasados de casa porque nos enrolamos fazendo a comida da nenem, o trem atrasou, enfrentramos uma fila enorme pra pegar o vaporeto pra Murano, com direito a “barraco” que quase chegou às vias de fato com um turista que, tentando atravessar a fila do vaporeto que cruzava toda a calçada, se aborreceu e empurrou o carrinho da neném (no sentido contrário ao das rodas, ou seja, com real risco de tê-lo derrubado com a criança sentada nele). Saí esbravejando atrás do cara, e tive que ser contida por outros turistas. Victor ficou parado na fila, segurando o carrinho e achando graça. Fiquei ensandecia e tremia de raiva.Enfim.  Chegando em Murano, nos perdemos um do outro, depois nos encontramos, e andamos muito tempo pra encontrar a estação do vaporeto pra Burano, e quando encontramos, adivinha? Uma fila ainda maior. Depois de tanta tensão, seja pelo barraco com o velho, seja por ter me perdido do Victor, tudo isso sob um sol de lascar: Desistimos... voltamos tuuudo de novo pra Veneza. Chegamos exaustos e com a sensação de um dia perdido. Fomos almoçar no Chat Qui Rit, um bistrot sofisticado, caro, bom atendimento, comida conceitual, pouca, até gostosa mas não me convenceu. Mais sensação de derrota. Após o almoço, ainda no restaurante, eu decidi trocar a fralda da Maria Inês. Descobri que havia esquecido de colocar fraldas descartáveis na mochila. Desespero bateu de leve… Comecei a procurar uma farmácia por perto. Por providência divina, havia uma farmácia a 1 minuto de distância. Fui, comprei um pacote de fraldas quanse chorando de felicidade. Em Veneza tudo é distante, com muitos turistas, difícil de transitar. Já estava imaginando ter que andar muito pra encontrar essa fralda, e depois retornar ao restaurante, o transtorno que seria.. Veneza apinhada de gente, difícil de transitar entre os turistas, ainda mais com carrinho de bebê. Eu estava cansada, suada, com calor, insatisfeita com o dia e questionando minha escolha de vir a Veneza. Logo eu, que amo tanto a cidade...

Decidimos levar a bebê pra brincar no giardino, andamos bastante, graças a Deus as pontes da margem a partir de St. Market têm rampas. Quando chegamos no jardim a bebê já tinha dormido. Ficamos descansando. Decidimos tomar uns drinks em alguma osteria pelo caminho. Estávamos, à essa altura, no bairro de Castello. A quantidade de turistas já havia diminuído significativamente 🙌🏽 pudemos caminhar com tranquilidade e calma, e a sensação boa de estar na “nossa” Veneza voltou. Sentamos num bar à beira do canal, pedimos bruschetas de bacalhau e marguerita e prosecco e aperol.  Divino! Repetimos! Ficamos observando os casais que chegavam à beira do canal. Crianças no andar superior de uma casa estavam se fantasiando e vinham à janela acenar pros transeuntes. Fiquei acenando de volta. Ufa! As coisas começavam a dar certo, finalmente. O sol já tinha esfriado, quando saímos do bar demos de cara com ele, ali todo pomposo. O fim de tarde estava lindo e tivemos oportunidade de assistir ao pôr do sol de “camarote”, em Castello. Que presente! O pôr do sol foi um dos mais incríveis que já vi na vida e ficará na memória pra sempre. Fiz time lapse, muitas, muitas muuuuuuuuitas fotos. Voltamos à ferrovia de vaporetto e fomos admirando o show de cores no céu, após o anoitecer. Ele ia mudando de cor, de laranja para lilás. Gratidão 🙏🏽

 

29/09/2019 - domingo - Veneza e Pádua

 

Último dia em Veneza! Acordamos, nos aprontamos, pegamos o trem de Spinea para Veneza. Iríamos assistir à missa Tridentina numa igreja defronte à estação Santa Lucia, na Chiesa de San Simeon Piccolo. Chegamos um pouco cedo para a missa, então resolvemos tomar café em algum lugar. Saímos procurando onde sentar, havia uns hóteis pequenos que serviam café nas mesas do lado de fora, mas achei os preços salgados demais. Seguimos andando meio sem rumo pelas redondezas, cruzamos uma ponte bem pequena e resolvemos parar num local que tinha preços melhores e ficava à beira do canal. Pedimos o tradicional café, suco de laranja e croissant. O croissant estava horrível, mas o café e suco de laranja, ótimos. Maria ficou zanzando por lá, revezávamos eu e Victor pra acompanhá-la. Pagamos e fomos pra missa. Pensei que ela iria dormir durante a celebração, mas não rolou. Ficou muito sapeca durante toda a missa e acabou cativando o casal que estava sentado no banco de trás. 

Após a missa, seguimos para a ponte de Rialto, onde iríamos realizar um último desejo em Veneza: almoçar à beira do canal. Escolhemos almoçar no mesmo restaurante que papai e mamãe haviam passado no ano anterior, “Al Buso”. Andamos muito, seguindo as placas amarelas que indicavam o caminho “per Rialto”, acompanhados de muitos turistas. Finalmente chegamos no restaurante. Conseguimos uma pequena e espremida mesa para duas pessoas, mais o espaço para o carrinho. Infelizmente a mesa não estava exatamente à beira do canal, ficamos separado dele por uma outra mesa, que logo vagou e foi ocupada por um casal de chinas. Mas tudo bem. A vista estava ótima, a comida saborosa, realizamos nosso desejo. Não pude deixar de me incomodar com a quantidade absurda de turistas que se amontoava ao redor do cordão de proteção que o restaurante coloca na calçada para delimitar seu espaço. Ocorre que ali ao lado, bem “rente” tem um popular ponto de tirar foto com a ponte. Mas tentei abstrair e me alegrar e aproveitar ao máximo aquela experiência. O garçom esquentou a comida da Maria Inês, ela comeu, depois eu comi. Meu prato estava super apimentado, depois pedi pra trocar com o Victor.

Saindo de lá, fomos trocar fralda da Maria Inês. 

Paramos num dos banheiros públicos da cidade, e lá chegando havia um grande cartaz informando que menores de 6 anos não pagavam a entrada no banheiro. Pedi a entrada para a bebê, e a servente me cobrou 1,50 para a minha entrada. Expliquei que eu não iria usar o banheiro, somente a criança. Ela insistiu que eu deveria pagar. Eu respondi que não estava entendendo, pois o cartaz dizia que era grátis. Ela partiu pra ignorância. Começou a falar em italiano, perguntou se eu falava italiano, ao que respondi que não. Então começou a me dizer que eu se eu viajava para a Itália, deveria falar italiano. Não fiquei calada, respondi em português mesmo um monte de coisas. Desci, abri o carrinho e troquei a fralda lá na frente mesmo. 

Seguimos pra estação Santa Lucia, pegamos o trem para Padua, onde iriamos visitar a capela do Giotto. 

Na estação de Padua, bem pertinho, fomos ao banheiro trocar a fralda da nenem, não pagamos nada e depois o funcionário ainda me deixou usar o banheiro de graça.

Andamos até a capela. A cidade estava muito diferente do que havíamos visto em dezembro! Passamos pela ponte, pelo parque, que estava todo dourado do outono. 

Chegando no museu, compramos o ingresso, tomamos um café, dei lanche pra Maria, assistimos a apresentação mutimídia que antecede a visita, depois fomos para a fila pra entrar na capela. A entrada é muito burocrática por conta da preservação dos afrescos.

Lá dentro pudemos contemplar a riqueza e a singularidade das obras de Giotto. Ficamos embasbacados com a beleza e a histórioa do local. Tiramos fotos enquanto tentávamos conter a bebê que estava bastante danada.

15 minutos depois, nosso tempo terminou.

Saímos do museu e fomos pro jardim. O sol estava se pondo, mais ou menos igual à nossa visita em 2016. Tentei reproduzir a mesma foto que fiz na época, agora no outono e já com um rebento no colo.

O jardim estava animado, com barraquinhas de comida, música e várias famílias e jovens por ali. Sentamos, Maria Inês dormia. Victor foi buscar prosecco e pizza para nós. Nossa despedida da Itália não poderia ter sido melhor! 

Voltamos de trem para Spinea. Maria Inês jantou, dormiu, arrumamos nossas coisas pra viagem do dia seguinte, rumo à Lisboa.

 

30/09/2019 - segunda-feira - Veneza/Lisboa

Acordamos cedo, pegamos nossas coisas e saímos sem tomar café. Maria tomou café no trem e nós no aeroporto, quando chegamos. Pegamos um trem para Mestre e de lá, depois de nos enrolar um pouquinho, pegamos o ônibus para o aeroporto.  Estava meio ansiosa para a viagem de avião. Chegamos extremamente cedo e com muita antecedência no aeroporto Marco Polo.

Sentamos num cafe, comemos e ficamos por ali. Depois, despachamos a bagagem, fizemos o check in e entramos no embarque. 

Pegamos o avião para Lisboa, lá chegamos, tentei colocar créditos no meu chip sem sucesso. Compramos um ticket de ida e volta da linha de ônibus do areo, que nos deixou bem perto do nosso airbnb em Lisboa. 

Nos acomodamos e resolvemos sair para jantar num restaurante que já havíamos pegado recomendação e tínhamos planejado ir em 2016, mas a visita foi frustrada por conta do nosso atraso de vôo na época. Era o restaurante Laurentina, o Rei do Bacalhau. 

Saimos de casa e fomos andando pela Av. Fontes Pereira de Melo rumo ao Parque Eduardo VII. Eu estava mole e febril. Tomei remédio. Paramos num café do parque para lanchar. Maria tomou suco de laranja e eu fiz amizades com duas mães que estavam ali no parque brincando com seus bebês. 

Seguimos pelo parque acima, tiramos fotos no monumento no topo da colina. Seguimos pela rota do google maps até o restaurante. Lá, pegamos uma mesa. Eu pedi um bacalhau cremoso e Victor um bacalhau com batata. Maria Inês jantou sua comidinha. 

Voltamos a pé por outro lado do parque, paramos no supermercado, compramos alguns mantimentos e fomos pra casa.

Maria Inês dormiu no carrinho. Chegando em casa, transferi pra cama, tomei banho e dormi. Victor ficou cozinhando as refeições da Maria dos próximos dias. 

 

01/10/2019 - terça-feira - Lisboa

 

Acordamos, tomamos café, nos arrumaomos e saímos a pé pela Av. Pereira de Melo, chegamos ao monumento do Marquês de Pombal e seguimos na Av. da Liberdade. A avenida é larga, tem vias principais no meio e menores nas laterais. É toda encoberta com árvores e o calçadão de pedras, com banquinhos e coretos, além de lojas de grifes e marcas famosas. Lembra muito o estilo da praça da República. 

Chegamos no final da avenida, paramos pra comer pastel de nata, e seguimos passeio. Desembocamos na praça do Monumento dos Restauradores, depois pela praça DOm Pedro IV e finalmente na rua Augusta. Paramos novamente para mais um pastel de nata.

No fim da rua Augusta tem o Arco da Augusta, que dá vista para a praça do Comércio e o Tejo. Não tiramos foto na praça nem no Tejo pois o sol já estava escaldante.

Subimos uma íngreme ladeira para o Museu de Santo Antonio de Lisboa, e em seguida para a Catedral. Quando chegamos ao topo, demos lanche pra neném, num banco da praça, e descobrimos que ela havia feito popô. 

Na hora de trocar, adivinhem. Mais uma vez eu havia esquecido de colocar fraldas descartáveis na mochila. Tivemos que descer TUDO pra rua Augusta, onde tinha uma farmácia. Compramos a fralda, trocamos e subimos DE NOVO para o museu. Depois do almoço, descobrimos que tinha lá perto o elevador de Santa Justa, que teria poupado nosso sacrifício.

Visitamos o museu de Sto Antonio, que é a casa onde ele nasceu, que enfatiza bastante como o Santo é na verdade de Lisboa e não de Padua. 

De lá, fomos pra Catedral. O ponto alto dela é… o alto! O andar superior da Catedral dá pra uma linda vista do Tejo.

Saindo da Igreja, zanzamos muito em busca de um restaurante. Eu já estava urrando de fome. Maria estava dormindo. Paramos num boteco, pedi sopa pois já estava cansada das comidas de restaurante. Victor pediu ….. 

Maria acordou, comeu. 

De lá seguimos para o Castelo de São Jorge. Pegamos o elevador, caminhamos mais um pouco e lá chegamos. Mais uma vez nos aproveitamos, justamente, da prioridade da Maria, e logo entramos no castelo. Tiramos fotos, tomei sorvete, apreciamos a vista, seguimos visitando o castelo e terminamos tomando um café. Surpresa: no café tem vários pavões que sobrevoam e ficam pendurados nas árvores.

Voltamos pelo elevador para a parte baixa e descemos pra praça do Comércio. O sol estava brando e tiramos fotos à beira do Tejo. Finalizamos o dia no Time Out Market, mercado da Ribeira. Um mercado moderno e novo, que reúne o melhor da gastronomia portuguesa e também internacional. Ele estava lotadíssimo, com dificuldade encontramos uma mesa. Demoramos muito na fila para pedir nossa comida, primeiro o Victor, depois eu, para não perder a vaga. Ele pediu.. e eu comi um hamburguer de uma das mais famosas hamburguerias de Lisboa.

A comida estava deliciosa. Tomamos refrigerante e vinho branco.

Demos também a janta da Maria Ines.

De lá, pegamos um ônibus para casa.

 

02/10/2019 - quarta-feira - Lisboa

 

Acordamos e decidimos tomar café numa padaria próximo de casa. Chegamos, comemos, o capuccino não é a mesma coisa que na Itália. Frustrante. Mas já sabíamos essa lição. Em Portugal, coma pastel de nata. Na Itália, tome capuccino. Na frança, coma croissant. Não tem erro.

Houve um pequeno incidente na padaria. Deixei a neném “solta” para andar e brincar. Ela bateu a testa numa das mesas. Ia ficar tudo ok, se não fosse um casal que estava próximo e fez um escândalo. Ela chorou, eles ficavam gritando “cadê a mãe dessa criança?????????” e eu sentada observando a cena, decidindo o que ira fazer. Peguei a neném, acalmei. Tomamos nosso café. 

Saindo de lá, paramos de volta em casa pra passar uma pomada no dodoi e depois fomos pro ponto esperar o ônibus que nos levaria até Belém.

Depois de uma looooooooooooooooooooonga viagem que serviu de city tour, chegamos em Belém. Descemos num ponto antes do destino final, paramos numa padaria para comer mais um pastel de nata, brincamos com a maria ines numa praça e depoois num parque que tinha no meio do caminho, até que chegamos no Mosteiro dos Jerônimos.

Lá ficamos super perdidos, entramos numa fila sem saber que era só pra visitar a Catedral, depois tivemos que sair e comprar o ingresso do outro lado da rua, e depois votlar pra entrar no Mosteiro.

A hora ja estava avançada e o sol de lascar. Visitamos o Mosteiro, dei lanche escondido e acobertada por uma das funcionárias, sentada no chão com a neném. Tiramos fotos, o sol realmente estava muito mas muito quente. 

Saímos de lá e fomos procurar algum lugar pra almoçar. Catei um wi-fi grátis e encontrei um restaurante ali próximo. As ruas estavam desertas o que deixou tudo meio estranho.

No restaurante, que estava lotado, comemos e demos o almoço da neném. Saindo de lá, seguimos no sol para a torre de Belém. 

Eu estava com tanto desconforto pelo sol que desisti de ir na Torre. Victor foi sozinho e eu fiquei com a Maria Inês aos pés da ponte, na única sombra que havia no local. Dei de mamar e ela dormiu. Fiquei descansando até ele voltar. 

De lá, voltamos pro Mosteiro e pegamos o ônibus para o Oceanário.

Muita gente faz o mesmo percurso, e o ônibus estava lotado. Fomos em pé. Maria dormindo a maior parte do trajeto. 

Depois de uma também longa viagem, chegamos ao Oceanário. Fizemos um pit stop no restaurante, demos o lanche da neném e começamos nossa visita.

O Oceanário é muito legal! Vale muito a pena para adultos e crianças! Eu me encontei com os peixes e animais marinhos, e também a bebê aproveitou. Primeiro teve medo, mas depois foi se habituando.

Fez amizade com um bebe francês. Terminamos o passeio e queríamos jantar por ali, que é uma região mais moderna de Lisboa. Seguimos para um shopping, rodamos por lá em vão, o shopping é péssimo e não achamos lugar nenhum para comer. Fiquei aborrecida com isso. 

Pegamos o metrô de volta, demos o jantar da neném já tarde. Pedimos KFC pelo iFood. Fiquei bastante aborrecida com Lisboa por causa disso.

 

03/10/2019 quinta-feira - Fátima

 

Acordamos cedo para ir para Fátima. Eu queria desistir e ir ao zoológico, pois estava ainda empolgada com a vibe do oceanário. Mas Victor não deixou, insistiu em ir para Fátima.

Tivemos certa dificuldade para encontrar a rodoviária e depois para comprar o ticket, pois não aceita cartão, só dinheiro. 

Conseguimos e embarcamos na viagem de 2h30. Chegamos lá, fomos direito pro Santuário. Estava na hora do almoço e resolvemos primeiro forrar o estômago, depois visitar. Pegamos indicação de restaurante em um blog, e resolvemos segui-la. Deu certo. A comida era saborosa e o atendimento foi fantástico, um garçom super simpático que nos deixou felizes.

Depois de almoçar e dar o almoço da Maria, fomos pro Santuário. O sol estava muito forte. 

Visitamos a Igreja e a Capela onde houve a aparição. Em torno da Capela ficam bancos, ela é coberta, e sempre está tendo algum tipo de cerimônia ou celebração, ou adoração, ali.

Na Igreja, tem os tumulos dos pastorinhos. Tudo meio modernoso, meio feioso… para quem não curte as coisas modernas.

De lá, fomos na igreja nova que é pior ainda. Um auditório. Estava tendo missa e não entramos. Voltamos para a rodoviária e ficamos esperando o ônibus de volta pra Lisboa. Chegamos e íamos pra casa arrumar nossas coisas pra viagem do dia seguinte. Mas estava muito cedo… ainda no ôniubs, que tinha wifi gratis, começamos a procurar um rooftop bar em Lisboa  e eis que encontramos o Limão Rooftop, que era num hotel bem próximo de casa, com avaliações boas. Resolvemos arriscar!

Demoramos um pouco pra chegar porque tinha uma escada (Lisboa tem essas escadas estranhas), mas chegamos lá!

Apesar de estar bem cedo, não tinha mais mesas e ficamos num sofá esperando. Enquanto isso, tomamos vinho verde, petiscamos uns peticos MARAVILHOSOS e Maria Inês ganhou um kit infantil para se divertir e se distrair. 

Tomamos várias taças de vinho e degustamos vários petiscos. Demos o jantar dela ali mesmo. No final, desistimos da mesa que vagou, pois já estávamos bem acomodados no nosso sofá, com a vista que queríamos. 

Foi um belo e excelente fechamento da nossa viagem. Tiramos fotos incríveis do por do sol com Lisboa ao fundo, e depois Lisboa à noite. 

Voltamos pra casa, colocamos a nenem pra dormir e arrumamos as coisas pra viagem do dia seguinte.

 

04/10/2019 - sexta-feira - Lisboa / Belém

 

Preparativos finais para o retorno. Dei falta do iPad. Procuramos em todo lugar e nada. Resolvemos ir até o Rooftop da noite anterior. Eu estava bastante tensa. Chegando no hotel, o bar estava fechado. Informei o caso e a atendente prontamente voltou de lá com meu iPad. O vinho verde faz isso!

Na volta pra casa, tomamos café no mesmo local do primeiro dia, que era uma delícia.

Voltamos pra casa, juntamos nossas coisas, que deu um trabalho enorme, pois apesar de não ter comprado absolutamente NADA de souvenirs - exceto uns 5 sabonetes de lavanda - a mala parece que não queria mais fechar. Provavelmente a falta de organização.

Pegamos o ônibus pro aeroporto, e na hora do check in, a atendentente de mau humor e rabugenta resolveu frescar com o peso da nossa mala. Tiramos algumas coisas até chegar a um peso aceitável  - mas ainda superior ao que tínhamos comprado. Check in feito, resolvi me presentear com maquiagens da Inglot. Eu merecia.

Victor ficou dando frutas pra nenem enquanto eu comprava.

Seguimos pra imigração, controle, etc etc.

Esperamos bastante pra embarcar. 

Fomos pro playground e trocar fralda da neném. Ali percebemos que estava quente… febre. Houve um estresse e tensão pois não conseguia encontrar o frasco de paracetamol dela. Depois de muito procurar e tentar manter a calma, consegui. Demos o remédio e ela ficou brincando. 

Almoçamos Mc Donalds, depois embarcamos finalmente. 

Durante a viagem, novos picos de febre. Foi medicada, porém não baixou e logo subiu de novo. Tivemos que fazer compressa morna com a ajuda da aeromoça, que depois deu a dica - que sabíamos mas tinhamos esquecido - de tirar as roupas dela para ajudar a febre baixar. Deu certo.

Chegamos no Brasil com ela dormindo no canguru - foi acordada por gritos estridentes.

Em casa, ficou brincando até mais tarde. Dormiu tarde e acordou no horário habitual: 6h.

Um dos meus receios e insegurança era ela não se adaptar ao fuso. Quanto a isso não tivemos problema algum. Na ida, ela acordava tarde e isso não era problema. Na volta, acordou e dormiu normalmente no dia seguinte.

Ah, a febre passou também no dia seguinte.

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    • Por claudio_aomundoealem
      Olá Mochileiros
      aqui segue o texto do planejamento da minha viagem preferida, ao longo de vários meses - e, claro, valeu muito a pena.
      Londres e Paris – Parte 1 – O Planejamento
       
      Com a descoberta de que viajar para o exterior não é caro como imaginara, tampouco impossível (e muito mais divertido do que qualquer sonho já realizado), fiz o óbvio: planejei a próxima viagem.
       
      Fica aquele impulso inicial de querer conhecer toda a Europa; mas, apesar desta caber numa tela do computador por meio de programas como o Google Maps, continua sendo um continente – Então, quais cidades que deveriam ser conhecidas?
       
      É feito um esboço de uma lista de cidades a serem desbravadas: Viena, Berlim, Roma, Londres, Bruxelas, Amsterdã, Paris, Praga... Mas a realidade aparece: não há tempo hábil de conhecê-las em uma única viagem. Logo, o esboço encolhe, diminui, encolhe...
       
      Enfim, a lista final está pronta: as escolhidas foram Londres e Paris. Nota-se que escolher os destinos de uma viagem é importante, mas não difícil. Porém representa o início da árdua e prazerosa tarefa de planejar a viagem.
       
      Com o foco da viagem definido, entra em ação o segundo passo: o transporte. Por limitações específicas, a janela temporal acessível para nós seria de realizar a viagem entre a terceira quinzena de dezembro e voltando na segunda semana de janeiro. Contrariando algumas recomendações de que o melhor é procurar voos próximos aos destinos, procurei de forma mais “ampla” – e considero que valeu a pena. Por quê?
       
      Para procurar passagem aérea mais barata, eu pesquiso pelo Google Flights. E, em vez de inserir somente o destino (Londres) ou mesmo o país (Inglaterra), procuro por Europa. Isso possibilita comparar diversos voos, incluindo no próprio país/cidade de destino.
       
      Nas primeiras pesquisas, tinha encontrado passagem barata por Barcelona, mas o dólar começou a subir (nem perto do desastre de 2020) e essa “pechincha” não aparecia mais. Claro que tinha consciência de que voos no final do ano são mais caros, já que é alta temporada (só que mais caro não implica automaticamente em ser absurdo).
       
      Em agosto, tive uma grata surpresa.
       
      Um voo de ida e volta por Milão, na Itália, com mala despachada inclusa por 2600 reais em alta temporada (CONSEGUI!). Não podia acreditar que tinha achado. Era um sonho! Mas não era para acreditar mesmo: quando ia finalizar a compra da passagem, falava que não estava mais disponível.
       
      Mas, ao longo dos dias seguintes, esse alerta de preço permanecia. Intrigado, resolvi entrar no site da companhia aérea e, ao invés de verificar o preço de ida e volta, analisei cada trecho: o trecho de ida estava em 1250 reais, condizente com apresentado pelo alerta de voos. Todavia, o trecho de volta estava muito mais caro, mais de 2500 reais.
       
      Comecei a simular com a ida travada em Milão e retorno por diversas cidades europeias. Surpreendentemente, o voo mais barato encontrado foi por Genebra, na Suíça, com conexão em Frankfurt (até hoje não entendo como umas das cidades mais caras do mundo – Genebra – pode ter o voo mais barato).
       
      Enfim, consegui em agosto comprar passagem para Europa a preço razoável (R$ 3100) para o final de ano, em alta temporada, com mala despachada inclusa (não creio que seja bom comprar com mais antecedência – vide a implicação do covid-19).
       
      Outros voos que eram mais próximos do foco da viagem estavam na faixa superior a 4 mil reais. Mesmo com o custo do deslocamento das cidades dos voos (Milão e Genebra) para as duas capitais, o valor final ficou menor do que os preços dos voos mais “convenientes”. Então, valeu a pena embarcar em voos para cidades mais distantes, mesmo que isso implique em mais viagens por dentro da Europa (além do óbvio: a passeio, não existe “tempo ruim” no Velho Continente).
       
      Como o voo não seria direto para as capitais, era preciso analisar os meios de transporte para o deslocamento até elas. Entrementes, era preciso definir os dias em que ficaríamos em Londres e Paris, bem como em Genebra e Milão.
       
      Tanto Milão quanto Genebra, considerei ficar um dia em cada cidade: além de ser locais que até então não conhecia, tem sempre o risco de acontecer imprevisto – o que aconteceu: o voo para Milão saiu com atraso do Brasil. No caso de Genebra, tinha risco de, por exemplo, pegar tempestade de neve que fechasse o acesso para chegar na Suíça – difícil, mas não impossível.
       
      Decidimos por permanência de uma semana em cada capital, com o Natal em Londres e Ano Novo em Paris. No deslocamento de Milão para Londres, existiam diversas modalidades de transporte: o aéreo, por trens e por ônibus. O uso de carro seria extremamente inviável: além de ser caro devolver em local diverso ao que retirou, parte do trajeto teria custo altíssimo para o veículo (como atravessar o Mar do Norte pelo Canal da Mancha ou pagar o pedágio para cruzar os alpes italianos e franceses).
       
      A primeira modalidade que salta aos olhos, é claro, são os aviões, especialmente as famosas companhias low-cost europeias. Entretanto, tendo mala despachada (e até com mala de mão, a depender do peso e tamanho), as empresas low-cost não são tão "low" assim. Mesmo assim aparecia alguns preços competitivos.
       
      Nas pesquisas de voos, os que tinham preço mais competitivo (mesmo com mala) eram aqueles que chegariam em Londres às 22:00 do dia seguinte ou partiria de Milão de madrugada. Ora, chegar no aeroporto é totalmente diferente de chegar na cidade: do voo às 22:00, chegaria no centro de Londres depois das 23:00 (os aeroportos que atendem Londres são longe da cidade) – com isso afetaria a disposição para o turismo no dia seguinte. Com relação ao voo de madrugada, teria que pegar um transporte privado até o aeroporto (caríssimo, por sinal – um táxi chega a cobrar mais de € 90 até o aeroporto de Milano-Malpensa) ou pegar o transporte público no dia anterior e dormir no aeroporto. Evidentemente, existiam voos em horários (e aeroportos) “melhores”, mas eram mais caros – alguns, bem mais.
       
      De trem, o trecho seria segmentado. Teria de comprar dois trechos: o primeiro de Milão a Paris e o segundo, de Paris a Londres. Mas não seria uma boa ideia. O primeiro trecho até possui preços interessantes, de € 40. No entanto, os horários são bem limitados e o que tinha menor preço saía às 6 da manhã de Milão, chegando em Paris só a tarde. O segundo trecho é realizado pelo famoso Eurostar, que percorre o Eurotúnel embaixo do Canal da Mancha em um trajeto de pouco mais de 2 horas – e é caro, muito caro: começa em € 49 avançando para mais de € 100.
       
      Os ônibus, por sua vez, existem em vários horários. O trajeto demora quase 22 horas, com uma “conexão” nas Rodoviárias Gallieni ou Bercy, em Paris. No entanto, como estão disponíveis vários horários, é possível escolher o que inicia o percurso à noite. Nesse caso, o ônibus chega em Paris mais cedo do que o trem e ainda economiza uma diária de hospedagem, já que se dorme no ônibus. A conexão em Paris demora menos de 2 horas, tempo suficiente para contornar eventual atraso do ônibus do primeiro trajeto.
       
      O escolhido foi o ônibus: ao invés de tirar uma soneca no aeroporto, melhor dormir no ônibus. Sem se preocupar com o horário de partida do avião ou do trem de madrugada, bastava chegar na rodoviária e aguardar a chegada do ônibus às 22:00. Em vez de pagar uma diária de hospedagem, o dinheiro serviu para “subsidiar” a passagem de ônibus, além de que ele deixa no centro das cidades, só precisando do bilhete de metrô (curiosidade: o trecho de Milão a Londres custou € 78, mais barato do que o táxi do aeroporto de Malpensa até o centro de Milão).
       
      Evidentemente que o ônibus não é mais rápido do que o avião, nem é tão confortável quanto o trem. Mas a praticidade de não se preocupar com horários ruins e a economia gerada tanto pelo preço da passagem com o “subsídio” de hospedagem tornavam-no preferido.
       
      Como dito, o trem do Eurostar pode ser muito caro – ao passo que, com o ônibus, ocorre justamente o inverso: no nosso caso, pagamos € 28 para realizar a viagem durante a noite, sendo que tinha visto no mesmo mês para outros dias por € 15. E, caso escolhesse o trem, mais uma diária de hospedagem teria que ser desembolsada.
       
      O último trecho, de Paris para Genebra, também foi feito por ônibus. O preço da passagem de ônibus, nesse caso, não estava distante do preço da passagem de trem. Só que, com o ônibus, ainda economizamos com a hospedagem na Suíça...
       
      Resolvida a questão de deslocamento entre as cidades, é o momento de procurar hospedagem. Como íamos ficar uma semana em cada capital, escolhemos o aluguel de quartos, que oferecem descontos para tal período e tem a conveniência de poder preparar sua comida – assim, dá para ficar bem alimentado e se esquivar dos caríssimos restaurantes de áreas turísticas.
       
      Todavia, ressalto que a hospedagem tem de ser pensada junto com o transporte urbano – além da conveniência de ter transporte perto, mas de seu custo. Diferentemente do Brasil, a tarifação do transporte público é por zonas – em teoria, quanto maior e mais longe do centro o deslocamento, mais caro ele fica. Então, tem de ser analisado como duas “forças antagônicas”: a primeira, da hospedagem, quanto mais próxima do centro turístico/financeiro, mais caro fica; a segunda, de transporte, quanto mais longe do centro, mais caro fica. E como conciliar essas duas “forças”? Infelizmente não existe uma resposta padrão: cada pessoa tem sua preferência na ponderação dessas “forças”.
       
      Ainda, ratifico alguns pontos que até podem fugir ao senso comum: Londres, de longe, é a cidade que tem um dos transportes públicos mais caros (a ponto de um tênis custar o equivalente a 2,1 bilhetes de metrô avulsos). Entretanto, apesar dessa característica, o “combo” de hospedagem na zona 5 para quatro pessoas é mais barato do que o “combo” equivalente em Paris ou Milão para estadia de 1 semana. Outro ponto de destaque é a preferência de se hospedar no centro destas cidades. Ora, se no Brasil não moro no centro, por que vou me hospedar no centro destas cidades (que podem ser bem mais caras)? Melhor usar esse dinheiro para melhorar minha residência. Com base nessa percepção, encontramos na França uma casa perto do metrô e fora da cidade de Paris – ela ficava na cidade de Mountreuil (mas é preciso verificar antes se o local de hospedagem na periferia não é perigoso, por exemplo).
       
      No nosso caso específico de Londres, tinha um detalhe importante: nos dias 24, 25 e 26 de dezembro vários lugares estão fechados, incluindo o transporte público durante o Natal. À vista disso, não adiantava ficar muito longe da cidade, já que não haveria transporte até o centro, com exceção do uso das pernas. Por outro lado, as hospedagens na área central são proporcionalmente caras. Como solucionar? Em uma tela do computador, procurei no site Transport for London o mapa que mostrava a rede de trilhos por zona tarifária. Em outra tela, buscava hospedagens próximas ao metrô e no limite da zona tarifária 1 e 2. Como esse trabalho, consegui encontrar hospedagem mais barata em Candem Town e que permitiria conhecer Londres no Natal.
       
      Em Genebra, a questão era embolada. Cogitava ficar em Annemasse, cidade francesa lindeira à Genebra, pois os preços das hospedagens na cidade eram muito inferiores à versão dos suíços. Seria ficar na França, pegar o trem ou ônibus para Genebra e voltar. Mas consegui encontrar um apartamento bem mais barato do que os demais quartos no centro de Genebra e, assim, considerando que a cidade é pequena, não precisando de transporte, que ficaríamos somente por um dia e que provavelmente nada consumiríamos, como ir ao mercado, ficou mais vantagem ficar na Suíça.
       
      Tendo solucionado os transportes e as hospedagens, era a fase de realizar a pesquisa de passeios e atrações, um dos melhores momentos do planejamento de viagem.
       
      Por conveniência, prefiro um guia na forma “clássica”, em formato de livro de bolso, mas não deixo de procurar na internet. Apesar de, na prática, estar tudo registrado num livro, não é tão simples assim – especialmente para quem quer ter uma experiência melhorada e econômica. Como Londres foi a capital do maior império que já existiu, é de se esperar que não dê para conhecer todas as atrações em uma semana. Dessarte, é preciso fazer um roteiro que, pessoalmente, estabeleço da seguinte forma: atração; valor do ingresso; dia e horário de funcionamento. Como a semana que iríamos teria os 3 dias de funcionamento parcial, o desenvolvimento de tal roteiro é ainda mais essencial, sob o risco de ficar mofando na hospedagem e se privar de uma experiência enriquecedora de novas culturas. O mesmo trabalho foi realizado em Paris, contudo foi mais simples – na verdade, Paris é um marco nas artes, mas não tão grande quanto a gente imagina: compare o tamanho da Linha 4 do metrô de São Paulo com uma reta cortando a capital francesa de leste a oeste e tire suas conclusões... (Mas não é por isso que a cidade deixa de ser extremamente densa em cultura e beleza, muito pelo contrário).
       
      Durante a pesquisa sobre as atrações de Londres, li sobre uma promoção das ferrovias britânicas: o 2FOR1 que atende a várias grandes cidades no Reino Unido, incluindo Londres. Essa promoção, que é diferente do LondonPass, consiste em receber o segundo ingresso gratuitamente desde que ambos tenham o bilhete de trem adequado. Com essa “mágica”, pagávamos quase metade do valor original das atrações e usufruíamos de transporte público ilimitado (a economia dessa promoção é tão grande que esta merece um tópico exclusivo de análise). Com isso, Londres, mais bela do que nunca, não me pareceu cara como já ouvi...
       
      Para quem já percebeu no mapa, Londres está mais próximo do Polo Norte do que Vancouver, no Canadá. Não obstante, seu clima é muito mais “quente” do que seria razoável supor, decorrente da Corrente do Golfo que influencia a Europa Ocidental. Por conta disso, as temperaturas mínimas que já atingiram a cidade de São Paulo não diferem muito da média destas cidades. Um bom casaco, luva comum, cachecol e bota são suficientes para esta viagem (só ficou a expectativa de pegar alguma nevasca na Suíça...).
       
      RESUMO
       
      EUROPA é um continente: não adianta querer conhecer vários lugares de uma vez só.
       
      PESQUISAR por passagem aérea pode demorar semanas – mas vale a pena.
       
      VERIFIQUE por passagens aéreas separadas e/ou multidestinos – pode trazer uma grata surpresa.
       
      DEFINA o número de dias de estadia em cada cidade.
       
      RESERVE 1 (um) dia de estadia nas cidades de origem e destino do voo – pode ocorrer imprevistos.
       
      O DESLOCAMENTO entre países da Europa pode ser de carro, trem, avião, ônibus e barco – o ônibus é a opção mais barata.
       
      O preço de voo com MALA DESPACHADA pode ser muito mais caro.
       
      Ônibus e trem noturno: pode economizar uma diária de HOSPEDAGEM.
       
      Ao procurar hospedagem combine junto com os passes de TRANSPORTE.
       
      SUÍÇA é cara [ponto].
       
      PESQUISA de passeios e atrações deve ser feita previamente, para combinar melhor desempenho E economia.
       
      PROCURE por promoções de passeios, como o 2for1 do Reino Unido.
       
      A Europa Ocidental não é tão FRIA como a gente imagina.
    • Por claudio_aomundoealem
      Olá mochileiros
       
      bem, finalizei o texto da minha viagem para Itália, feito a tempo antes da pandemia virar o mundo de cabeça para baixo. Espero que possa auxiliar a quem quiser viajar - espero que já nesse segundo semestre de 2021, se o vírus - e o euro - ajudar.
       
      P.S.: também coloquei um pequeno resumo para cada tópico.
       
      Itália – Parte 2 – A Viagem
       
      Dia 14/12 (1)
       
      Começava novamente a saga da viagem ao exterior, mas com sensação muito distinta. A preocupação agora não era de como será?, afinal já tinha adquirido experiência nos anos anteriores. A questão era o problema eterno em toda e qualquer viagem: está tudo certo? Faltou alguma coisa? Deixou alguma coisa aberta? São as perguntas que sempre acompanham o viajante e mostra que turismo exige algumas horas de preparação antes de iniciar mais um sonho.
       
      As malas de mão já tinham sido preparadas na semana anterior, mas sempre tem a possibilidade de colocar algo a mais ou ainda o que só pode ser posto no dia, como carregador de celular. Nisso vão mais algumas dezenas de minutos. Soma-se a isso o período para conferência de dinheiro, seguro viagem, bilhetes do trem, a pochete, o passaporte, chaves, máquina fotográfica, celular...
       
      Viajar ao exterior tem um efeito colateral de usar roupa completamente distinta do clima. Pedimos um motorista por aplicativo para nos levarmos ao aeroporto no início da tarde e sol do final da primavera queimava meu braço que estava coberto por uma camiseta de manga comprida escura.
       
      Mas esse trajeto (para sorte do meu braço) era curto e chegamos ao aeroporto com a antecedência recomendada. Diferente do ano anterior, o aeroporto estava muito mais tranquilo. Apesar de ter o limite de peso e tamanho imposto para a mala, passamos diretamente para o portão de embarque sem nenhuma restrição promovida pelos funcionários da companhia aérea.
       
      RESUMO
       
      NÃO SUBESTIME a necessidade de planejamento. Por mais que já saiba como organizar a mala, isso demanda tempo – deixe tudo o que puder pronto dias antes.
       
      CHEGUE no aeroporto com antecedência – melhor ficar olhando para o relógio e ver que ele demora para passar do que olhar para o mesmo relógio e achar que ele corre demais, por estar atrasado.
       
      Dia 15/12 (2)
       
      Após ultrapassar o Oceano Atlântico, o avião chegava em Lisboa, para nossa conexão. O tempo de conexão de 2 horas era confortável para seguir os trâmites da alfândega (aliado à praticidade da comunicação ser em português), desde que não cometa algum deslize. O que podia representar uma ameaça era o fato do horário ser 5 da manhã em Portugal (ou 2 da manhã em São Paulo). Consequentemente, nosso corpo e mente não estão na capacidade plena de concentração, o que exige ainda mais atenção para não cometer erros. Para isso, fixei que só estaria tranquilo quando chegasse à área do portão de embarque.
       
      No setor da imigração, o agente viu minha pochete e determinou que passasse pelo raio-X – com todo o dinheiro dentro! Não tirei os olhos da máquina e fiquei mais calmo depois que consegui recuperar a pochete e eles não perguntarem do dinheiro (são aqueles perrengues que viram história para contar).
       
      Determinado o portão de embarque, uma fila se formou para acessar o ônibus do aeroporto – e para minha surpresa várias malas, algumas até maiores que a minha, estavam acompanhando os passageiros; era o indício que não teria problema no voo regional. Dito e feito! Mostramos o passaporte e a passagem e embarcamos, sem ninguém para medir ou ao menos pesar as malas.
       
      Entramos no avião e, apesar de ser menos confortável que um avião transoceânico, me ajeitei para dormir... e quem conseguia dormir? Os outros passageiros não paravam de falar (imagino que a maioria fosse italianos), apesar de ser 6 da manhã (“não é possível!!!!”). Felizmente, acabou o assunto e consegui tirar uma justa soneca.
       
      O voo chegou às 10 da manhã em Napóles – facilmente reconhecível do avião pelo Monte Vesúvio que “protege” a cidade. Depois de trocar de roupa para se adequar ao clima do lugar, pegamos o ônibus que dá acesso ao porto e à estação Napoli Centrale, perto do qual fica o hotel que reservara. Apesar de ter todos os indícios que estava na Europa, podia supor que ainda estava no centro de São Paulo – em pleno domingo, trânsito pesado, barulho, sujeira completavam a cena. Mesmo país rico pode ter cenários de subdesenvolvimento (e lembrar da perfeição da limpeza do lago em Genebra...).
       
      Deixando as malas de mão no hotel, saímos pela cidade – e à semelhança com o trânsito caótico de São Paulo era inevitável, além das inúmeras motocicletas. Os carros pareciam meio gasto e machucados – e entendi o porquê: é a cidade que para-choque realmente serve para... parar choques! Os carros batem sem nenhuma cerimônia. Ou seja, JAMAIS alugue um carro e dirija por dentro de Nápoles.
       
      Como o período desse dia era curto (só sobrou a tarde e noite), aproveitamos para ir ao mercado e passear pela cidade à pé. Fomos em direção ao Duomo de Nápoles, mas estava fechado no dia – no entanto, nas proximidades existia uma exposição de presépios (a cidade italiana é famosa pela produção). No pouco tempo de preparação da viagem, tinha lido sobre os presépios napolitanos; mas me surpreendi – os presépios são grandes e extremamente detalhados, com precisão cirúrgica para produzir cada objeto da arte.
       
      O Duomo e algumas outras áreas antigas de Nápoles ficam em ruas apertadas – bem apertadas, onde só passa moto e pedestre; alguns dizem que é o equivalente às favelas brasileiras. No nosso caso, roubados não fomos, mas não andaria nesses lugares à noite de jeito nenhum (de dia o movimento é intenso, então não há muitos problemas). Mas preferimos evitar a área (fora o movimento que dificultava o fluxo de pessoas) e voltamos para as avenidas mais largas da cidade (no caso, a Corso Umberto I). Assim, deu para conhecer o Castel Nuovo e parte do porto, com o Vesúvio ao fundo.
       
      RESUMO
       
      O HORÁRIO da conexão pode ser de madrugada, o que diminui nossa capacidade de raciocínio.
       
      Em Napóles, encontre o vulcão: o MONTE VESÚVIO.
       
      OBSERVE o Castel Nuovo.
       
      Se visitar a cidade no final de ano, aprecie os cirúrgicos PRESÉPIOS NAPOLITANOS.
       
      À NOITE, as vielas de Nápoles não parecem “amigáveis” a quem não conhece.
       
      Dia 16/12 (3)
       
      Reservamos esse dia para a atração mais visitada para quem vai a Nápoles: as ruínas de Pompeia.
       
      Fora do hotel, fomos à estação de trem Napoli Piazza Garibaldi comprar o bilhete para irmos até Pompeia (na estação Pompei Scavi – Villa Dei Misteri) pela rede da Circumvesuviana. Diferentemente de todas as linhas de trem que já usara, a sinalização é péssima. Estava com o bilhete até Pompeia, mas qual linha deveria usar? Em qual plataforma? Precisava validar o bilhete? Na entrada da estação, tem uma placa indicada para Pompeia – e só. Depois de sair de um corredor, chega nas plataformas – e qual delas é para Pompeia? Do nada, um homem diz para usar a plataforma do meio e, em troca, pede dinheiro para um cafezinho (informação cara...). Me fiz de desentendido e ignoramos o apelo da “ajuda” (depois verifiquei que isso é um truque para pegar dinheiros de turistas que ficam constrangidos com a abordagem). Na plataforma, nenhum mapa indicando as linhas da rede, nem monitor indicando qual é o próximo trem, nada! POR SORTE, havia na plataforma um grupo com uma guia que disse para pegar o trem seguinte.
       
      Depois percebi que a sinalização para pegar o trem até existe, mas a sinalização é tão ruim e suja que é difícil de perceber.
       
      Sabendo que estávamos no trem correto (e ter percebido que a validação do bilhete foi feita após passá-lo na catraca), apreciamos a vista do trajeto. Como o próprio nome diz, é uma rede de linhas de trem que ficam ao redor do Monte Vesúvio. Ali caiu a ficha – estava próximo a um vulcão, que inexiste no Brasil. É uma montanha, com a diferença de não ter um cume, mas um baita buracão no topo.
       
      A estação deixa quase que na frente do Parque Arqueológico de Pompeii – e é enorme. Devido ao seu tamanho, a maior parte das estátuas e esculturas (e os mortos cobertos pelas cinzas do vulcão) ficam mais próximos da entrada, para facilitar a vida dos turistas. Mas isso não é motivo para não conhecer as casas e ruas que pertenciam ao Império Romano, a mais de 2 mil anos. A preservação de alguns lugares chega a ser espantosa. O parque cede um mapa para os ingressantes, mas uma consulta ao Google Maps foi de maior auxílio, pois este indicava as principais atrações do local, como o Fórum de Pompeia, Casa do Fauno, Tempo de Apolo, Lupanar (ou “casa das primas” – tanto lugar para ser preservado e conseguiram recuperar a “diversão noturna”). Para conhecer o complexo, é necessário um bom calçado, pois não é fácil de caminhar por cimas das pedras que perfazem as antigas ruas romanas.
       
      Caso queira conhecer todo o parque (e tenha fôlego para isso), um dia será obrigatório – para a maioria das pessoas, porém, meio dia será o suficiente. Depois de conhecer a maior parte do parque, saímos e quase caímos numa pegadinha – para sair dele, é preciso passar novamente o ingresso na catraca; NÃO o jogue fora! De lá, fomos ao mercado que ficava no meio do caminho até a estação Pompei. Essa estação não pertence à Circumvesuviana, mas à rede de trem regionais italianos – a estação e o trem que pegamos era muito melhor do que fora a da ida; e essa linha era adjacente à praia, o que possibilitou que apreciássemos o Mar Tirreno no nosso retorno à Nápoles.
       
      Apesar de termos chegado em Nápoles ainda de dia, as pedras de Pompéia acabaram com os pés e as pernas. Só restou descansar para poder aproveitar melhor os demais dias da viagem (mas sempre dá para dar uma esticadinha pelas ruas da cidade à noite).
       
      O dia seguinte estava reservado para a Ilha de Capri, mas como encontramos o “espertinho” dando golpe na ida à Pompeia, ficamos receosos de ir por conta à ilha (imagina se não conseguimos voltar?) e não sabia se haveria no dia pacote de agência para ir à ilha. Para evitar maiores encrencas, tive de mudar a logística e procurei no guia as atrações que poderia fazer no dia seguinte, com o cuidado de verificar em qual dia da semana estariam fechados (para evitar o ocorrido em Belém 2 anos antes). Um dos locais que me interessou, o Palácio Real de Caserta, o equivalente Versailles italiano, estaria fechado.
       
      RESUMO
       
      Visite umas das principais atrações da Itália: as RUÍNAS DE POMPÉIA.
       
      Para chegar às ruínas, utilize a rede da Circumvesuviana e DESEMBARQUE na estação Pompei Scavi – Villa Dei Misteri.
       
      NÃO FALE com ninguém que se aproxime de você – se precisa de ajuda, peça aos funcionários das estações ou das atrações.
       
      Vá de TÊNIS: as ruas e calçadas pavimentadas por pedras era bom para os antigos romanos, e não para os homens do século XXI.
       
      Dia 17/12 (4)
       
      Na procura de atrações, encontrei para o período da manhã o Museu de Capodimonte, que ficava a 1,5 quilômetro de distância da estação Cavour. Ora, 1,5 quilômetro para passear pelas ruas antigas da Europa é pouco (e até obrigatório – se não andar pelas ruas, não é possível conhecer de verdade o velho continente). O problema é que descobri somente durante o percurso que o museu ficava a 1,5 quilômetro na horizontal MAIS 107 metros na vertical – tinha umas ladeiras que cansavam as pernas (errei feio); compensava mais ter descoberto uma linha de ônibus que saísse do centro de Napóles até lá. Porém o “estrago” estava feito, que descobrimos ao andarmos pelas ladeiras que jamais acabavam.
       
      Mas as ladeiras acabaram e lá estávamos [cansados] em frente do Museu de Capodimonte, com seu belo jardim. O museu, que foi um antigo palácio, fica um pouco fora das rotas turísticas (que, percebi, graças às ladeiras), mas possui belas pinturas de artistas, inclusive do Renascimento – no entanto, não tem uma quantidade enorme de obras, como o British Museum ou Musée du Louvre.
       
      Passado 2 horas (e descansado as pernas), voltamos às ladeiras – agora em sentido descendente (afinal, para baixo todo santo ajuda) até os subterrâneos de Nápoles, que ficava próximo à estação Cavour (550 metros no PLANO!). Entretanto, o caminho passava ao lado do Doumo que, desta vez, estava aberto – e de entrada gratuita para a igreja. Aproveitamos para tirar fotos e descansar, mas após 7 minutos fomos convidados a nos retirar – a igreja ia fechar.
       
      Fora do Doumo, fomos à Piazetta San Gaetano para acessarmos o subterrâneo de Nápoles (Napoli Sotterranea). Depois percebi que, na praça, existem acesso a 2 “subterrâneos”. Um, o mais famoso, que fica na altura no número 68 da praça; outro, vinculado à igreja San Lorenzo Maggiore, fica na altura no número 316 da praça – quis o destino que nossa escolha fosse a segunda opção. Por quê?
       
      Fomos à bilheteria, usando aquele inglês para comprar os bilhetes – pelo que entendi, era necessário a ida com guia; no caso, em inglês – e começaria o passeio em menos de 10 minutos. Quando me virei para falar com meu pai – em português – a vendedora exclamou: estava também aprendendo a falar em inglês – ela era portuguesa; ambos estávamos “sofrendo” para falar (e entender) o inglês um do outro desnecessariamente. E, para nossa surpresa, a guia – para variar – era brasileira. Como erámos somente nós no grupo para o passeio ao subterrâneo naquele horário, conseguimos, na prática, uma guia particular falando em português em Nápoles – o destino realmente escolhera muito bem.
       
      No subterrâneo de Nápoles, a semelhança com o que fora visto no dia anterior em Pompéia era evidente – e conveniente; a guia dirimiu algumas curiosidades que tínhamos visto nesses sítios arqueológicos de ocupação greco-romana. Aliás, como ela contou, Nápoles deriva de Neápolis, ou nova polis – nova cidade; a arquitetura em arco, bastante forte (meio lógico até – tem uma CIDADE em cima de todo o subterrâneo); as grandes pedras brancas no meio da rua, para ampliar a iluminação noturna; as áreas que correspondiam ao mercado, escola, casas. Curiosamente, o subterrâneo não era segredo para [quase] ninguém – os clérigos da igreja usavam essa parte do subterrâneo como depósito; somente no século XX que foi reconhecido o valor histórico de tais áreas.
       
      Finalizado o passeio ao subterrâneo e à igreja San Lorenzo Maggiore, fizemos o óbvio: comer pizza napolitana... em Nápoles. Comer pizza – ou calzone – é extremamente fácil de ver nas ruas de Nápoles (e no resto da Itália também). E é barato: € 5 pelos pratos mais simples de pizza. Apesar de conseguir comer tudo, o prato atende bem como almoço E jantar.
       
      Abastecidos, voltamos à área portuária da cidade até a Piazza del Plebiscito e (mais um) Palácio Real, em frente à praça. Infelizmente, o dia estava acabando e não dava mais tempo de conhecer mais lugares.
       
      A cidade, em si, não é um lugar que voltaria – de bagunça e sujeira, já basta o Brasil. No entanto, há de se reconhecer que a região contém tesouros históricos únicos. Ou seja, não deve ser considerada como destino de viagem principal – mas caso tenha a oportunidade de “passar lá”, como foi o meu caso (e gostar de história e seus tesouros), pode valer a pena.
       
      RESUMO
       
      Nápoles tem algumas LADEIRAS terríveis.
       
      VISITE o Museu de Capodimente e o Duomo de Nápoles.
       
      CONHEÇA as histórias e os artefatos nos subterrâneos de Nápoles.
       
      COMA a pizza napolitana... em Nápoles.
       
      PASSEIE pela Piazza del Plebiscito e o Palácio Real em frente à praça.
       
      Dia 18/12 (5)
       
      Apesar de ainda estar em Nápoles, o dia era reservado para Roma – o horário do trem que reservamos era às 9 da manhã, com tempo de trajeto em impressionantes 1 hora e 10 minutos. Apesar de até parecer meio tarde para pegar o trem, o tempo que se perde em tomar o café e fechar (não arrumar – isso já fora feito na noite anterior) a mala de mão é relevante. Mesmo assim, chegamos com antecedência na estação Napoli Centrale para embarcar no trem – a questão é que seria a primeira viagem de trem de alta velocidade na Europa. Apesar de ter visto inúmeros vídeos na internet de como funciona o sistema de trens de alta velocidades na Europa (e Itália), o nervosismo é inevitável, pois o tempo de embarque pode ser curto e a estação, muito grande. No entanto, o sistema é pensado para que o tempo seja justo – nem rápido, nem demorado.
       
      Nas primeiras viagens de trem, é vital ter os bilhetes impressos em mãos – primeiro, para ver as informações do bilhete e comparar com o painel na estação; segundo, é preciso mostrar o bilhete ao funcionário da companhia ferroviária durante o trajeto.
       
      Finalmente, apareceu a informação no painel de qual plataforma seria o embarque – justamente a plataforma mais distante dos bancos onde estávamos. Porém, como dito que o tempo é justo, apesar de ter de cruzar a estação, o tempo foi mais que suficiente. Porém esse tempo é para entrar no trem – ele parte mesmo que não tenha encontrado seu lugar ou guardado sua mala.
       
      O bilhete do trem já vem indicado o número da poltrona em que deve se sentar. Mas nessa viagem um grupo de garotas estavam sentadas em algum de nossos lugares – e percebi que, apesar do bilhete indicar a cadeira, nada impede que possa trocar de lugar com outro por meio de uma boa conversa.
       
      O trem, moderno, cortava as paisagens italiana de forma fulminante – e o monitor no início do vagão indicava o porquê: 300 km/h! (é um bocado difícil tirar foto). Apesar da velocidade, o trem é confortável e silencioso, fácil para dormir – menos para esse blogueiro, que faz questão de curtir cada segundo de qualquer viagem.
       
      Dito e feito! Depois de 70 minutos, o trem parou na estação Roma Termini. E ficou muito claro de o porquê de quem conheceu os trens de alta velocidade europeu, se apaixona (ainda mais quando fica “travado” por dezenas de minutos nas marginais em São Paulo).
       
      Compramos os bilhetes avulsos de metrô até a hospedagem próxima ao Vaticano, para guardar as malas. Do hotel, fomos à pé em direção ao Museo e Galleria Borghese. Nas ruas romanas, os edifícios próximos do Vaticano muito me lembravam de Paris – nas suas proporções, é claro. Diferente do que víramos em Nápoles, Roma é uma cidade muito mais organizada.
       
      No caminho para a Galleria Borghese paramos na Piazza del Popolo – praça obrigatória para quem já assistiu Robert Langdon na procura dos cardeais em Anjos e Demônios.
       
      Nos jardins da Villa Borghese fica o Terrazza del Pincio, onde é possível ver a cúpula do Vaticano, a Piazza del Popolo e outros marcos de Roma e, claro, tirar muitas fotos. Todavia, o local é frequentado por vendedores e eventuais golpistas: um homem queria empurrar a todo custo uma rosa para minha mãe (turista tem o problema de ser menos “sensível” a perceber trambiques). Tive que insistir em falar não, até exclamar um “get out!” – só assim para o homem ir embora.
       
      Pelos belos jardins chegamos à galeria. Apesar de ter lido que é necessário fazer reserva, eu consegui comprar na hora – mas atenção: o ingresso é caro e o horário é limitado. Os períodos são pré-definidos, como das 15:00 às 17:00. Se entrar às 16:00, só pode ficar até às 17:00. Pode se perguntar: Que frescura. E por que então foi lá? Quando nos referimos a artistas renascentistas italianos como mestres, não é à toa. Apesar de ter pinturas no museu, as grandes atrações são as esculturas do mestre Lorenzo Bernini – ele não fez 1 escultura obra-prima, ele fez VÁRIAS. E não dá para falar que uma é melhor do que a outra porque não existe nota melhor do que perfeita (são esculturas de tirar o chapéu). “É caro” “É”. “Voltaria?” “Voltaria”.
       
      Mas o passeio na galeria tem o horário limitado e voltamos para Piazza del Popolo conhecer o centro de Roma. Próximo fica a Piazza di Spagna, onde ficam a fonte e a famosa escadaria – de tão famosa, o governo italiano proibiu de sentar nos degraus, sob pena de multa. Depois, sob a luz do luar, nos “perdermos” pelas ruas históricas da cidade, nos unindo ao fluxo intenso de turistas.
       
      RESUMO
       
      EMBARQUE nos trens de alta velocidade italianos.
       
      Leve o BILHETE IMPRESSO nas mãos – utilizar os trens de alta velocidade é bem simples para quem está acostumado. Mas na 1º vez é melhor tem impresso para poder conferir as informações de viagem rapidamente.
       
      VISITE a Galleria Borghese e se encante com as esculturas perfeitas de Lorenzo Bernini.
       
      NÃO PERMITA que qualquer estranho te ofereça ao algum produto.
       
      PERCORRA por algumas praças romanas, como a Piazza del Popolo e Piazza di Spagna.
       
      Dia 19/12 (6)
       
      Esse foi um dia que, na prática, demonstrou que comprar ingresso antecipadamente ou fazer reserva pode não ser boa ideia (pelo menos em baixa temporada). Na noite anterior tinha visto que esse dia seria chuvoso – longe das chuvas que ocorrem em São Paulo, mas ainda assim inconveniente. Os passeios “obrigatórios” em Roma são o Coliseu e Fórum Romano, e o Vaticano. Tendo em vista a expectativa de chuva, fomos ao Musei Vaticani (para algumas [poucas] atrações, a Europa está até obrigando fazer reserva. Mas ela não precisa ser feita 2 meses antes – basta fazer no dia anterior).
       
      E o dia foi mesmo chuvoso – por uns momentos da manhã, caía uma chuva torrencial. Todavia, como a hospedagem era muito próxima ao Vaticano, não havia necessidade de sair cedo para se aventurar no transporte até os domínios da Santa Sé.
       
      A fila de acesso estava pequena. Contudo, ao notar o fluxo de turistas no Vaticano, percebi que era decorrente do horário que chegáramos, às 9 da manhã, quando abre o museu – o melhor é chegar próximo desse horário.
       
      O Musei Vaticani é, na verdade, vários museus. Ao entrar, fica-se com a impressão de entrar numa cidade – uma cidade sagrada. Onde começar? Muitos indicam a Capela Sistina – inclusive o próprio Vaticano indica um atalho para chegar ao lugar. Vale a pena fazê-lo pois o número de turistas aumenta muito no decorrer do dia; mas não deve considerar que o Musei Vaticani é tão somente para apreciar a obra de Michelangelo – tem muito mais.
       
      Em parte do corredor até a Capela Sistina, tapeçarias imensas ornamentavam o local (Galeria das Tapeçarias). No último trecho fica a Sala dos Mapas – somos ladeados por diversos mapas pintados na parede. Uma curiosidade: alguns mapas eram difíceis de reconhecer, pois o Norte é apontado para baixo (questão de perspectiva).
       
      É inquestionável a arte impecável pintada nas paredes e teto da Capela Sistina (sim, se já é ruim pintar de branco o teto de casa, imagina fazer uma obra-prima para posteridade?). A entrada para a Capela se dá de costas para o Juízo Final e se perde algumas dezenas de minutos para poder contemplar as obras – e muito mais para ver os detalhes. Um ponto interessante que foi feito nesse passeio foi ter um guia com informações mais completas sobre o local – assim, podia entender o que cada pintura representava, o que Michelangelo e outros mestres queriam indicar em suas obras. Consequentemente, os detalhes das pinturas eram mais perceptíveis – acho que passamos mais de 2 horas lá; até doeu a cabeça de tanto olhar para o teto – que Michelangelo pintou por anos!
       
      Como são vários museus dentro do complexo, é difícil lembrar a ordem em que passa por cada um dos museus. Por isso segue alguns museus, não necessariamente na ordem realizada.
       
      O Museo Gregoriano Egizio, com múmias e outras peças encontradas do Antigo Egito – não deixa de ser curioso que na sede da Igreja Católica Apostólica Romana existam objetos e outros símbolos pagãos; um sinal de respeito com outras culturas e apreço à arte e à história (mas depois de ver múmias no British Museum e Museé du Louvre, me perguntava se sobrou alguma múmia no Egito para contar história...).
       
      A Pinacoteca do Vaticano, com quadros e esculturas do século XII ao XIX. Para cada uma das 16 salas, fica representada uma época e, claro, a principal obra – entre Leonardo, Caravaggio, Rafael...
       
      As Salas (Stanze) de Rafael, que são quatro aposentos decorados pelo mestre renascentista – infelizmente, estas salas estão em processo de restauração e, somado ao espetáculo que foi ter apreciado a Capela Sistina, fica um pouco difícil de dar a atenção devida ao lugar. Mas não se iluda – as pinturas são incrivelmente bárbaras.
       
      O Museo Gregoriano Etrusco, com peças arquitetônicas encontradas na Itália do povo que ocupava a região do Lácio antes da formação do Reino de Roma – evidentemente, para quem tem pouco tempo e/ou prefere as pinturas renascentistas, não é interessante.
       
      O Museu Pio-Clementino, com obras e objetos da Antiguidade Greco-Romana e do Renascimento. Junto com a Capela Sistina e as Salas do Rafael, é um dos principais museus do complexo. A quantidade de estátuas e busto de romanos é gigantesca, sendo que a maioria está extremamente bem preservada, a despeito de ter aproximadamente 2 mil anos (ficou a impressão de que, para os romanos, a criação de bustos/estátuas é o equivalente moderno ao consumo de alto luxo; além de que parte dos bustos eram de homens forte do Estado Romano, num processo bem semelhante ao de homenagem a políticos no século XXI – ou seja, passam-se os anos, mas a história se repete).
       
      Existem outros museus no complexo, como o Museo Chiaramonti, Museo Gregoriano Profano, Museo Sacro, Biblioteca Apostólica, entre outros. Porém é possível que alguns deles estejam fechados (como foi o meu caso para a Biblioteca) e alguns desses museus não tem separação física – você vai para o outro museu sem “perceber”; por isso fica um pouco difícil discriminar em qual museu estava aquela obra específica.
       
      Para acessar um dos ambientes que ainda não tinha conhecido, foi necessário passarmos novamente na Capela Sistina (chato né? tão ruim ver novamente as sensacionais pinturas de Michelangelo...). Nessa segunda visita, a capela estava muito mais cheia – e percebi que chegar cedo nos pontos mais demandados faz toda a diferença.
       
      Apesar de enorme, tínhamos conseguido conhecer [quase] todo o complexo representado pelo Musei Vaticani. Era o momento de ir embora – e mesmo assim é possível se impressionar: a escadaria em espiral de Guiseppe Mormo, que marca o fim do Musei Vaticani.
       
      Fora dos museus, o passeio pelo Vaticano ainda não havia acabado. Afinal, ainda faltavam a Piazza San Pietro e a Basilica de San Pietro, a maior igreja cristã do mundo e a casa do sucessor de São Pedro. A praça, uma enorme elipse rodeada por 140 santos, foi criada por Bernini (pelo jeito não foi o suficiente ter criado as espetaculares esculturas na agora Galleria Borghese – tem de impressionar o mundo com mais obras...).
       
      Após passar pela segurança (uns 20 minutos de fila), entramos no Basílica de São Pedro. Apesar de ter já vistos [muitas] igrejas e palácios em Portugal, Espanha, Inglaterra e França, essa me deixou de “boca aberta”. Se os chefes da Igreja Católica quiseram criar uma estrutura que mostrasse o poder de Deus perante seu fiel, conseguiram. Não há palavras para descrever o lugar (ah, isso vale para fotos e vídeos também). Talvez uma palavra para caracterizar o lugar seja... Suprema. E, claro, não é necessário que seja um fiel católico para se encantar com a basílica. De longe, é um lugar que voltaria (e voltei mesmo).
       
      RESUMO
       
      Comprar BILHETE ANTECIPADAMENTE pode não ser muito bom, especialmente se estiver em baixa temporada.
       
      Fique o DIA INTEIRO no complexo representado pelos Musei Vaticani.
       
      A CAPELA SISTINA pode exigir mais de uma hora para conhecer seus detalhes.
       
      Vá para a Piazza San Pietro, ENTRE na Basilica de San Pietro e fica estupefato com tal criação.
       
      Dia 20/12 (7)
       
      Como previsto, o dia seria mais ensolarado, bem distante da chuva que caiu no dia anterior. Ou seja, era o dia reservado para o Coliseu e Foro Romano.
       
      Para chegar, basta pegar o metrô e descer na estação Colosseo (mais fácil que isso não tem). A estrutura do Coliseu, um tanto “machucada” pelos séculos de pilhagem, é maior do que parece nas fotos. Como é de se esperar, já estavam à vista os eventuais “espertinhos”. Com isso, uma proteção maior dos bolsos e celulares se faz necessário – mas sem precisar ficar paranoico.
       
      Como umas das principais atrações da capital italiana (se não a principal), esperava filas enormes para acessar o Coliseu (ou ao menos maior do que a encontrada no Vaticano). Surpreendentemente, praticamente não havia fila. Bastava entrar numas das laterais do Coliseu, comprar o ingresso (que dá acesso também ao Foro Romano) e entrar no antigo estádio romano.
       
      O gigantesco anfiteatro, cenário de lutas de gladiador, era muito mais do que isso. Conseguiam até alagar a arena. É composto por 4 níveis: o primeiro, para a corte imperial e senadores; o segundo, para famílias nobres, mas não pertencentes ao Estado Romano; o terceiro, para os homens em geral, conforme grau de riqueza; o quarto, para as mulheres comuns. Na prática, era o equivalente “cinema” do imperador e seus asseclas, ao qual o povo tinha acesso – mas afastado da aristocracia. E era todo revestido de mármore que, ao longo do tempo, foi arrancado e usado em outros lugares – mas é possível ter noção do tal mármore que fora retirado. Parte dele reveste a Basílica de São Pedro, no Vaticano – não é à toa que tenha tal beleza.
       
      Apesar do tamanho do Coliseu, sua concepção e construção é espantosa – sua construção foi realizada ao longo de 8 anos (compare com algumas obras menores tupiniquins...), com o planejamento para evacuação total do estádio em 10 minutos. Além disso tinha cobertura para proteger do sol, com um público de 70 mil pessoas.
       
      Apesar de enorme, o acesso do ingresso não abarca todo o anfiteatro – umas 2 horas é suficiente para admirar as enormes pedras que sustentam o local (a não ser que queira conhecer os subterrâneos, pagando o bilhete competente). Fora do Coliseu, com o ingresso ainda em mãos, é o momento de ir ao Fórum Romano, a antiga sede do Império Romano – mas não antes de tirar fotos ao lado do Arco de Constantino.
       
      Assim como o Coliseu, a antiga Roma representada pelo Fórum Romano tem vários pedaços em ruínas. Entretanto, as construções (mesmo que parcialmente) inteiras provam que a opulência do Império Romano não ficou reservada somente ao Coliseu. Numa das construções, era possível perceber a conversão do antigo templo pagão em uma casa católica – fizeram uma nova pintura por cima. Junto ao Fórum Romano fica o Monte Palatino, a mais famosa colina de Roma. A maior parte das construções (infelizmente) estão em ruínas, mas é possível perceber que ali era, sem dúvida, o centro do poder do Império.
       
      Findo o passeio pela parte antiga de Roma, era o momento de voar por alguns séculos até o século XIX para a Piazza Venezia, onde fica o Monumento Nacional ao primeiro rei da Itália, Vittorio Emanuelle II.
       
      Passando pelo centro de Roma, obrigatório passar pela Fontana di Trevi (sempre lotada), o Phanteon, o antigo tempo romano, onde está enterrado Vittorio Emanuelle II – mas é bom ir de dia; à noite, o ambiente fica muito escuro. Próximo ao tempo, fica a Piazza Navona, onde Robert Langdon salvou o cardeal e o Castel Sant´Angelo. Esse castelo, construído pelo imperador Adriano como mausoléu, serviu como fortificação para os papas em caso de grave perigo. Para isso, existe um corredor que liga o castelo diretamente à Basílica, o qual foi usado por Langdon (repare que esse blogueiro é fã inventerado do personagem de Dan Brown – um dos pontos mais divertidos em viagem é reconhecer pessoalmente imagens que vira em fotos ou vídeos).
       
      RESUMO
       
      CONHEÇA o Coliseu e o Foro Romano por meio do ingresso único.
       
      PRÓXIMO às ruínas romanas fica uma edificação mais moderna: o Monumento Nacional para Vittorio Emanuelle II, na Piazza Venezia.
       
      CONTEMPLE a Fontana di Trevi, o Phanteon, a Piazza Navona e o Castel Sant´Angelo.
       
      Dia 21/12 (8)
       
      Tendo em vista que as principais atrações de Roma já tinham sido conhecidas nos dias anteriores, era o dia de se perder pela cidade e rever algumas atrações (e aproveitar o dia, já que algumas foram vistas à noite, o que pode atrapalhar um pouco).
       
      Como escrevera, voltamos ao Vaticano. Entramos no início da manhã, após arrumar as malas (o que sempre toma um tempo). Novamente com pouca fila, logo na entrada da Basílica de São Pedro fica a Pietà, de Michelângelo – o problema é que ela está envolta do vidro, difícil de apreciá-la como merece; pode ser mais simples admirar as réplicas, como uma que estava na Pinacoteca do Musei Vaticani ou de ver de outros mestres, como as de Bernini na Galleria Borghese. Não há um centímetro quadrado em toda a basílica que não tenha sido plenamente trabalhada, incluindo o baldaquino de Bernini.
       
      A basílica, apesar de ser uma impressionante construção histórica, não deixa de ser uma... igreja! Para quem for católico (ou simplesmente quer conhecer), é possível participar da missa na basílica. Mesmo sendo italiano, dá para entender algumas expressões – afinal, tanto o italiano quanto o português têm a mesma origem, o latim; inclusive, é somente no Vaticano que o latim ainda é uma língua oficial.
       
      Fora da basílica, ficava a impressão de que tinha algo que representa o Vaticano e não havia visto... O que seria? Olho para a esquerda e dez homens da Guarda Suíça (é claro!) passam ao meu lado. Em Genebra, tinha perguntado ao guia do museu de o porquê eram homens suíços que faziam a proteção papal. Ele explicou que, na Europa, os homens da guarda suíça eram tidos como os mais confiáveis – o que permanece até hoje.
       
      Evidentemente, há diversas atrações que podem ser feitas na basílica além da visita da própria e assistir a uma missa, como subir até a cúpula, visitar os tesouros do Vaticano ou ir ao túmulo de São Pedro. Mas o fato de existir não quer dizer que tenha de ir...
       
      Na Piazza San Pietro, fomos encontrar a escultura mostrada por Langdon na busca pelo segundo cardeal – a rosa dos ventos representada no chão da praça (claro, isso é mais uma diversão para turista detetive que adora procurar marcos que foram vistos em livros e filmes).
       
      Seguindo pela Via della Conciliazione, cruzamos o centro de Roma para curtir um pouco mais da cidade, agora com a iluminação solar. Dessa vez, seriam o destino as Igreja de Santa Maria della Vittoria e Basílica de Santa Maria Maggiore. Talvez fosse o caso de pegar o metrô para visitar essas igrejas, no entanto isso tem de ser contrabalanceado com o fato de que existem outras atrações ou lugares no meio do caminho que merecem ser vistos (reitero: o melhor do Europa é andar por suas áreas milenares). Caso fique na dúvida, use os dois meios: faça um dos caminhos a pé e use o outro (ida ou volta) de transporte público.
       
      A Basílica de Santa Maria Maggiore é uma das igrejas que, apesar de não estar no território representado pelo Vaticano, pertence ao Estado Papal (com privilégios semelhantes a uma embaixada). É a única igreja romana que celebra missa todos os dias sem interrupção desde o fim do Império Romano do Ocidente e uma das mais belas igrejas de toda a Roma, com mosaicos do século V. Já ficara encantado com a Basílica de São Pedro e aparece outra, enorme e tão bela quanto. Apesar de ser bem perto da principal estação de trem de Roma (Termini), ela estava vazia (ideal para quem gosta de evitar aglomerações). É nela que está enterrado Bernini (mas, convenhamos, por tudo o que ele criou – inclusive para a Igreja Católica, seria desaforo ele ser sepultado em local diverso).
       
      A Igreja de Santa Maria dela Vittoria é mais um local para onde Langdon se desloca na busca dos cardeais. E assim como ocorre com o personagem, tivemos nossa surpresa: a igreja estava fechada, reservada para um CASAMENTO! – um claro exemplo de que, por mais que planeje, sempre pode ocorrer contratempos; o mais importante é sempre ter uma carta na manga para substituir o passeio. Com isso, não poderia apreciar a 100ª obra de Bernini, o Êxtase de Santa Tereza (mas tudo bem – fico satisfeito com as outras 99...).
       
      Na prática, o passeio pela cidade eterna estava chegando ao fim. Mas não é possível despedir dela sem tomar um tiramisù (por € 2,50). De volta ao hotel para pegar às malas, pegamos o metrô até à estação Termini embarcar no trem de alta velocidade rumo a Florença. Apesar de termos chegado a tempo, creio que o ideal seja chegar pelo menos meia hora antes – afinal, e se o metrô quebra ou tenha algum atraso?
       
      Diferente da primeira viagem de trem a partir de Nápoles, essa foi mais tranquila – já tinha entendido [quase] tudo com o primeiro embarque e, como era de noite, não tinha como ver nada pela janela. Mas aprendi um novo detalhe: a mesma plataforma pode atender vários trens de alta velocidade – então sempre confira o número do bilhete com o indicado nas portas do trem, senão vai embarcar no trem errado...
       
      RESUMO
       
      VOLTE a Basílica de São Pedro – vale a pena – e, se quiser, participe de uma missa.
       
      PASSEIE pelo Centro de Roma.
       
      CONHEÇA as outras basílicas papais em Roma, como a Basílica de Santa Maria Maggiore.
       
      Se tiver um pouco mais de sorte, ENTRE na Igreja de Santa Maria dela Vittoria.
       
      EXPERIMENTE o doce tiramisù.
       
      Dia 22/12 (9)
       
      Era o dia de conhecer a capital da Toscana: a cidade de Florença, que por um breve período foi capital do Reino da Itália e centro da arte renascentista, em virtude do patrocínio decorrente da poderosa família Médici.
       
      Infelizmente nesse dia a chuva voltara e, diferente da possibilidade em Roma de ir a um ambiente fechado – o Musei Vaticani, não tinha como não enfrentar um pouco da chuva. Mas não é por isso que a viagem seria arruinada: lembre-se de trazer capas de chuva (aquelas descartáveis, de 1 real) e será possível realizar ótimos passeios (lógico, não dá para olhar para cima para ver o alto de uma torre senão vai se molhar todo).
       
      Como o tempo de planejamento da viagem foi meio curto, não tive tempo de discriminar as atrações em Florença e fomos na secretaria de recepção de turistas pedir algumas informações e obter um mapa da cidade – mas isso só para quem não pesquisou antes de ir para a cidade; o ideal é sempre estudar as atrações do destino antes de viajar (se bem que, para nós, também serviu para escapar um pouco da chuva que aumentara). No local vendem o Firenze Card, mas como já discutido na seção dos Citycards, não me interessou (fora que o tempo na cidade foi curto).
       
      Perguntei qual era a atração recomendada para quem tem só um dia de visita à cidade. A atendente foi pragmática: a Galleria Degli Uffizi. A principal atração da cidade também serviria para escapar da chuva – perfeito.
       
      A Galleria Degli Uffizi é um dos principais centros de coleção de arte do mundo (e uma fila para entrar em alta temporada que pode ser insana) – e entendi o porquê. A quantidade de quadros, esculturas e outras obras é absurda. E contém, evidentemente, obras superfamosas, como O Nascimento de Vênus, de Botticelli. Entretanto, umas das pinturas que mais me impressionou foi a perfeição do desenho do pé de um homem na água com as consequentes ondas causada pelo movimento corporal – tratava-se da pintura do então jovem Leonardo da Vinci, O Batismo de Cristo. Reza a lenda que o mestre de Leonardo, ao ver a pintura de seu discípulo, desistiu de pintar ao perceber que seu aprendiz superou (e muito) seu mestre (se, para uma pessoa leiga para as artes como eu se impressiona com a pintura, imagina para um especialista – é de ficar doido). Mas a galeria é tão ampla que até Keanu Reeves está representado (pelo jeito, a Matrix também servia para viajar no tempo, à Itália renascentista) e a Medusa.
       
      Além dos citados Botticelli e Leonardo da Vinci, ainda marcam presença Caravaggio, Ticiano, Rafael, Michelangelo entre outros, além de inúmeros bustos romanos e outras estátuas. Com isso, é evidente que longas horas se passam no museu.
       
      Finda a visita pela galeria, a chuva já tinha passado e era o momento para passear pela cidade. Para variar, Florença é mais uma cidade onde o professor Robert Langdon visitou em uma de suas aventuras: cheia de marcos interessantes para conhecer.
       
      Infelizmente, o passeio pela Galleria Degli Uffizi nos tomou várias horas e não seria possível visitar muitos outros lugares internamente. Próxima à galeria fica o Palazzo Vecchio na Piazza dela Signoria. Nessa praça, para quem não pode ir à Galeria da Academia de Belas Artes, o turista tem a possibilidade de ver uma cópia do Davi, de Michelangelo. Ainda na praça existem muitas outras esculturas e, para quem tiver curiosidade, é possível ver que um dos leões nas escadas da Loggia del Lanzi “come” a cabeça do grande Davi.
       
      Claro, é impossível falar de Florença sem citar a Ponte Vecchio, a mais famosa ponte italiana sobre o Rio Arno (não, não é por causa dos ventiladores da fábrica brasileira), na qual existem inúmeras joalherias. Por cima ponte fica o Corredor Vasari – um caminho exclusivo entre a Palazzo Vecchio e Palazzo Pitti, encomendado pela família Médici e pelo qual Langdon usou em Inferno.
       
      Um dos maiores ícones da cidade são a Cattedrale di Santa Maria del Fiore e o Battistero di San Giovanni. A catedral, conhecida como “Doumo” de Florença, começou a ser construída no fim do século XIII e os trabalhos avançaram até o século XIX. Um de seus destaques externos é a composição da fachada por mármores branco, verde e vermelho. A entrada da catedral é gratuita, diferente do batistério, que é pago.
       
      Durante a noite, a cidade ainda reservara uma surpresa: próximo da Piazza della República, uma soprano italiana mostrava seus dons para a multidão de turistas que a admiravam (pelo jeito, a Itália é uma fábrica de tenores).
       
      RESUMO
       
      VISITE a Galleria Degli Uffizi e se impressione com as obras dos mestres renascentistas.
       
      ADMIRE o Palazzo Vecchio na Piazza dela Signoria e veja um dos leões comendo a cabeça de Davi.
       
      CAMINHE pela Ponte Vecchio, onde, por cima, fica o Corredor Vasari.
       
      CONTEMPLE a Cattedrale di Santa Maria del Fiore e o Battistero di San Giovanni.
       
      Dia 23/12 (10)
       
      Esse dia foi dividido em dois: a primeira metade seria em Florença; a segunda, em Bolonha. Tendo em vista que seria inviável voltar à hospedagem somente para buscar as malas, levamo-las conosco no check-out do hotel de manhã. Seria o caso de encontrar um local para deixar as malas ou, como estávamos em quatro pessoas e tínhamos conhecido os principais pontos internos, andar com as malas conosco – no fim, ficamos com a segunda opção (repare que ter malas de mão com rodinhas faz TODA a diferença).
       
      Um dos primeiros pontos foi a Basilica di Santa Maria Novella, em frente à estação de trem de Florença. No entanto, diferente do Duomo, seu acesso era pago e desistimos. Todavia, encontramos a Chiesa di Santa Maria Maggiore. Muito menor do que a versão que conhecemos em Roma, é ainda um prédio histórico – e gratuito. Também existe a Basilica di San Lorenzo, igreja relacionada aos Médici.
       
      Durante a estadia noturna no hotel, pesquisei sobre outros pontos curiosos da cidade, como o leão que “come” a cabeça de Davi. E existem vários perto da Cattedrale di Santa Maria del Fiore. Nas paredes externas da catedral existem esculturas de anjos, santos, figuras humanas... e da cabeça de um touro (vai saber porquê...). Ainda na praça do Duomo, fica a estátua do arquiteto renascentista Filippo Brunelleschi, que projetou a cúpula da catedral. Mas, ao olhar a estátua, perceba que esta olha para sua obra-prima, a cúpula.
       
      Na própria Chiesa di Santa Maria Maggiore existe outra curiosidade: a escultura de uma cabeça de uma mulher no alto de sua parede, que os nativos florentinos carinhosamente chamam de “Berta”.
       
      Próximo ao Duomo (na verdade, tudo é meio “próximo” um do outro – a cidade é pequena; “densamente ocupada” por arte, mas pequena) fica a casa de Dante Alighieri, poeta e autor de A Divina Comédia. Esse poema é dividido em 3 partes, sendo a seção denominada Inferno que dá o nome à aventura de Robert Langdon na cidade.
       
      Depois de encontrar mais algumas curiosidades florentinas (como a torre de onde se jogou o antagonista de Inferno) e revisitado alguns marcos da cidade, era o momento de despedida da capital da Toscana (repare que, mesmo com malas, é possível realizar bons passeios). Fomos à estação Firenze Santa Maria Novella pegar o trem de alta velocidade até Bologna Centrale. Dessa vez, quem diria, o trem atrasou 15 minutos (sim, atrasos podem acontecer – mas são meio raros, já que estes têm total prioridade da malha ferroviária). Além da saída de Nápoles, seria o único trecho ferroviário diurno, última oportunidade para poder ver a paisagem – ledo engano! O trecho em alta velocidade foi praticamente por dentro de túneis (fico imaginando o tempo que demoraria para fazer aqui tais túneis, pela média de obras no Brasil...). Aproveite também para ir ao banheiro (sua passagem inclui o uso, ao passo que na estação ferroviária chega a custar € 1,50).
       
      Agora em Bolonha (e novamente tendo de levar as malas, já que as hospedagens no centro eram bem mais caras), fomos em direção ao centro histórico. A estação de Bologna Centrale é mais afastada do centro em comparação Firenze Santa Maria Novella (nesta você praticamente tropeça e já está no centro), mas ainda assim acessível com as malas.
       
      No caminho até o centro, percebe-se que as calçadas são todas cobertas pelos pórticos (ou arcos), símbolos da cidade (é uma ideia genial: as calçadas são todas protegidas, assim é possível andar pelas ruas se protegendo do sol forte ou da chuva – faria sucesso essa concepção em São Paulo).
       
      Na Piazza Maggiore fica a Basilica di San Petronio, uma enorme basílica gótica de mármores e tijolos. Sua construção foi parada por ordem do papa após este descobrir que ela seria maior que a Basílica de São Pedro, à época (isso explica sua estranha fachada de mármore e tijolos, sem muita harmonia). Porém, mesmo “incompleta”, é muito bonita e seu acesso, gratuito. Dentro da igreja, um pequeno buraco permite a entrada da luz solar, na mesma direção que a linha do meridiano, além do famoso pêndulo de Foucault. Ainda na piazza está a Fontana di Nettuno, uma obra em bronze do século XVI.
       
      Assim como Florença, Bolonha é pequena e tudo é meio “próximo”. Então, próximo da basílica ficam as Torri Pendenti, as duas torres medievais mais famosas da cidade.
       
      No nosso caso, como já tínhamos recebido uma enxurrada de cultura nas 3 cidades anteriores, escolhemos almoçar em um dos restaurantes (vendo o preço antes, evidentemente). Fica a ressalva de tomar cuidado com a taxa italiana de cobrar por sentar, denominada coperto (seria um equivalente nosso ao 10% da fatura). Só que, como é um valor fixo, existem muitos lugares que podem cobrar um absurdo por um consumo baixo (por exemplo, de um café que triplica de preço por causa dessa taxa).
       
      RESUMO
       
      O que fazer com as MALAS? Se não estiver sozinho e não quiser pagar depósito de bagagem, pode levá-las consigo.
       
      CONHEÇA as igrejas de Florença, como a Basilica di Santa Maria Novella, a Chiesa di Santa Maria Maggiore entre outras.
       
      DESCUBRA alguns pontos curiosos da cidade, como a cabeça de um touro no Duomo.
       
      Em BOLONHA, os pórticos auxiliam os pedestres a se proteger do sol e da chuva.
       
      VISITE a Basilica di San Petronio, a basílica que o papa mandou parar a expansão.
       
      ADMIRE as Torri Pendenti, símbolo da cidade.
       
      SAIBA da existência do coperto, taxa para quem sentar nas mesas quando for consumir algum alimento ou bebida. Para se esquivar dela, basta consumir no balcão.
       
      Dia 24/12 (11)
       
      Esse dia tinha um imbróglio: o trem rumo à Veneza-Mestre partiria à noite, mas a hospedagem não era perto da estação de trem. Como fazer?
       
      As alternativas na mesa eram: deixar as malas num depósito de bagagem. Como discutido na seção competente, é a opção mais cara; ou deixar as malas na hospedagem (se possível) e buscá-las, com a antecedência adequada, para então embarcar no trem, sendo a opção mais trabalhosa; ou levá-las conosco no passeio pela cidade.
       
      Escolhemos a opção do dia anterior: passear pelas ruas planas de Bolonha com as malas. Mas não atrapalha? É claro que andar com as malas é pior do que se estivesse livre. Todavia, tendo em vista que não iríamos em museu como foi em Florença (Galleria Degli Uffizi) e as outras atrações da cidade não demandavam muito tempo, essa opção foi factível. Inclusive, vale a pena verificar se os lugares que deseje visitar possuem armários – como o Velho Continente é extremamente turístico, vários lugares disponibilizam armários, alguns gratuitamente, com a ressalva do tamanho.
       
      De volta ao centro da cidade, além da basílica “rival” da de São Pedro, existem as Cattedrale Metropolitana di San Pietro e Chiesa dei Santi Bartolomeo e Gaetano. Mas a igreja mais interessante que conhecemos foi a Basilica Santo Stefano, na Piazza de mesmo nome (e que merece uma parada para admirá-la). Mesmo tendo que esperar para a conhecer, já que o horário de acesso é um pouco restrito, vale a visita. A nave da igreja em si não é especial – a melhor parte é do restante da basílica, com obras e estruturas medievais que (imagino) deviam ser usados pelos monges que lá residiam.
       
      Como sabido, em Bolonha foi fundada a primeira universidade ainda em funcionamento, em 1088. Seu antigo edifício é denominado como Archiginnasio e, hoje, abriga a Biblioteca Municipal. Apesar de ser preciso pagar pelo acesso (€ 3,00), é possível contemplar as pinturas, arquiteturas e alguns livros [bem] antigos antes da área paga.
       
      Outra atração da cidade é Compianto del Cristo Morto, um conjunto de sete esculturas em terracota que representam a cena de A Lamentação de Cristo, na igreja de Santa Maria dela Vita. Infelizmente, por causa do dia – véspera de Natal – estava fechada.
       
      Por causa da data, tinha um detalhe que não pode passar despercebido: o dia seguinte seria o Natal, quando praticamente tudo fecha. E onde iria comer? Para quem vai passar o Natal no exterior, lembre-se de sempre comprar comida no supermercado até a véspera, para não passar fome durante o dia festivo (claro, a hospedagem pode oferecer, mas quanto custaria?).
       
      Fim do dia, era o momento de voltar à estação Bologna Centrale embarcar no trem rumo à Veneza-Mestre. Depois da experiência dos 3 trens anteriores, já estava “esperto” quanto aos detalhes para embarcar no trem de alta velocidade.
       
      A estação é muito bem estruturada: no nível da rua, ficam os trilhos para os trens regionais; no 4º subsolo, os trilhos dos trens de alta velocidade. Os níveis intermediários correspondem aos acessos aos trilhos, estacionamento e área de espera. Só fica o detalhe que, enquanto estávamos na área de espera, um pedinte nos pediu comida (ou dinheiro) em italiano. Respondemos que não entendemos, só em inglês – não era problema: ele começou a pedir em inglês (imagina se isso vira moda no Brasil...).
       
      RESUMO
       
      VISITE a Basilica Santo Stefano, na piazza homônima.
       
      CONHEÇA o edifício da primeira universidade do mundo, a Archiginnasio.
       
      Se não estiver fechada, ENTRE na Compianto del Cristo Morto e a aprecie a obra da Lamentação de Cristo.
       
      Se viajar no NATAL, lembre-se de que quase tudo pode estar fechado – se previna e compre o que for necessário.
       
      Dia 25/12 (12), 26/12 (13) e 27/12 (14)
       
      Para escrever cada dia das viagens neste blog, um longo processo de relembrar é necessário, como de cada caminho por onde passei, cada segundo que vivi, cada imagem que admirei. E estava com um bocado de dificuldade de escrever sobre Veneza, em mostrar o melhor da Sereníssima. Por quê? A Piazza San Marco, a Ponte di Rialto, o Canal Grande, a Ponte della Libertà, o Palazzo Ducale, a Basilica de San Marco, a Ponte e a Gallerie dell´Accademia, a Basilica di Santa Maria della Salute são somente alguns das inúmeras atrações de Veneza. Mas o melhor da cidade de Veneza é... Veneza! O passeio ideal, creio, é passear por suas inúmeras (e algumas estreitas) ruas, vielas e pontes, o que torna a cidade única em todo o mundo. Sempre haverá algum cantinho novo para admirar. Deste modo, o melhor roteiro por Veneza é estar livre para “se perder”, sem necessariamente focar nos seus pontos mais famosos.
       
      Conseguinte, não é o caso de descrever aqui os caminhos pelos quais percorri, mas elencar alguns detalhes que podem fazer a diferença.
       
      Apesar do destino da viagem ser a Veneza insular, foi muito mais conveniente hospedarmo-nos na Veneza continental, conhecida como Veneza-Mestre. Por óbvio, isso não permite dormir nas antigas construções típicas de Veneza. Mas tudo na vida tem o lado negativo... e positivo. As hospedagens em Mestre são mais baratas (algumas, bem mais), os edifícios são mais novos e confortáveis, a taxa de pernoite italiana é mais baixa (em 2019, € 1,35 por pessoa), existem grandes supermercados próximos da estação de trem com bons preços. Claro, tem de ser somado o custo do transporte até as ilhas (de trem, € 2,70 pela ida e volta) – mesmo assim, o valor final fica menor do que se hospedar nas ilhas; e o deslocamento permite observar a Lagoa de Veneza.
       
      A primeira vez nas ilhas, como indicado, foi em pleno Natal. Todavia, sendo um local extremamente turístico, um número considerável de lojas permanecia aberta, com a vantagem de ter sido o dia do Natal com menor fluxo de turistas dentre os três dias de passeio.
       
      Durante a estadia em Bolonha, li notícia de que Veneza foi atingida novamente pela acqua alta, quando as águas do Mar Adriático sobem e vão ocupando, progressivamente, as áreas mais baixas das ilhas. Contudo, não fomos atingidos pelo fenômeno durante nossa estadia, apesar da existência nas vias das passarelas que são usadas para auxiliar os turistas e moradores a percorrer as áreas mais baixas de Veneza – e com a vantagem de que estas servem para sentar aos visitantes cansados.
       
      Proporcional ao número de turistas que visitam Veneza é o número de filmes gravados tendo como cenário a cidade. Como já pode imaginar, Robert Langdon esteve lá, na Piazza San Marco, discorrendo sobre os Cavalos de São Marcos: as quatro estátuas que ornamentam a fachada da basílica são réplicas dos originais gregos de bronze do século IV a.C. que foram tomadas pelo doge de Veneza durante o saque à Constantinopla durante a Quarta Cruzada. Inclusive, tendo Veneza sido rota para o Oriente, é possível perceber a forte influência bizantina na arquitetura da basílica, bem diferente da concepção das outras igrejas do mundo ocidental, incluindo na própria Itália.
       
      Outro personagem que marcou presença na Sereníssima foi James Bond, em 007 – Casino Royale. Além do agente secreto de ir à agência bancária na Piazza San Marco (que não existe, por sinal), Bond inicia uma perseguição pelas ruas de Veneza (dica: decore BEM as imagens do filme – e de qualquer filme – caso queira repetir o feito; é extremamente difícil reconhecer os pontos em Veneza).
       
      Como dito, não há necessidade de marcar o melhor caminho para conhecer Veneza, já que todos os lugares são válidos. E não existe problema quanto a “se perder”, já que, tal qual o ditado Todos os Caminhos Levam a Roma, em Veneza todos os caminhos levam à Piazza San Marco (e vice-versa, para a Venezia Santa Lucia).
       
      No último dia, escolhemos embarcar no Vaporetto, linhas de barcos que andam pelos canais maiores que podem valer como city tour. Escolhemos a linha 2, que permite ter uma visão mais panorâmica das ilhas, impossível de ser feita em terra – evidentemente, embarcamos na estação de início da linha, próximo da Piazza San Marco. Como esse transporte é caro (€ 7,50), não recomendo comprar os passes de uso infinito (melhor usar o dinheiro para experimentar os trens de alta velocidade italianos ou mesmo comprar algum cristal de Murano, por exemplo).
       
      Veneza criou uma página na web para auxiliar os turistas sobre as atrações da cidade, normas e regras, que devem ser seguidas para evitar multas: https://www.veneziaunica.it/. Algumas regras são meio óbvias (e até inusitadas, como proibição de nadar nos canais), outras nem tanto: não é permitido comer sentado nas passarelas usadas durante a acqua alta, assim como é proibido alimentar os infinitos pombos de Veneza.
       
      Para quem vai visitar (ou já visitou) Veneza, proponho um momento de reflexão: já imaginou a dificuldade de entregar a geladeira da sua casa em uma das vielas estreitas da cidade? Talvez a cidade não seja cara somente por causa dos turistas...
       
      De volta à linha temporal, findo o passeio por Veneza com a ascensão na Lua no horizonte, embarcamos na estação de trem Venezia Santa Lucia rumo à Mestre para buscar as malas que ficaram na hospedagem e ir em direção à nossa última parada, a estação Milano Centrale.
       
      Apesar da estação de Mestre ser muito menor do que as outras estações de trem que foram utilizadas nesta viagem, o preço da comida (mesmo no fast-food) ainda era maior do que em outros lugares da cidade. Ou seja, tal qual o aeroporto, evite sempre de comprar em estações de trem – qualquer uma.
       
      O detalhe do embarque nessa estação (e de outras estações menores) é de que o tempo que o trem fica na plataforma está mais próximo do que conhecemos do metrô. Diferente das outras estações, não havia muitas pessoas na plataforma – e o sistema sabe disso. É o caso de entrar com suas malas de forma eficiente, já que dificilmente conseguirá ter sentado em seu lugar antes do trem partir.
       
      RESUMO
       
      O MELHOR de Veneza é... Veneza.
       
      Se PERCA por suas vielas, pontes e canais.
       
      Fique HOSPEDADO em Veneza Mestre.
       
      NÃO TEMA a acqua alta. Os venezianos são bem preparados para enfrentar a maré e ainda dura pouco, com raras exceções.
       
      ESCOLHA um dos Vaporetto para usar como city tour.
       
      OBEDEÇA às regras impostas pela cidade disponíveis no site https://www.veneziaunica.it/.
       
      ENCONTRE os pontos de referência vistos nos inúmeros filmes gravados em Veneza.
       
      Dia 28/12 (15)
       
      A estadia nesta cidade europeia seria um pouco diferente das realizadas até então. Afinal, por capricho do destino, estava em Milão de novo, um ano depois. Considerando que no ano anterior o passeio foi meio “fulminante”, de apenas um dia, esta nova chance possibilitava realizar um passeio mais completo, de rever alguns pontos famosos e conhecer os que não foram possíveis.
       
      O primeiro local foi o justamente a de “chegada”: a enorme estação de Milano Centrale, de onde parte a maioria dos trens de alta velocidade de Milão, concebida nos anos 30. A área ao redor dessa estação, como a grande avenida que a conecta ao centro histórico, remete a um local muito conhecido por milhões de brasileiros: São Paulo. Muitos consideram Milão como a “São Paulo” da Itália, já que é o centro financeiro, de comércio de bens de luxo, de inúmeras indústrias da república italiana. Pode se perguntar: Mas porque viajaria para conhecer um lugar cuja “cópia” eu já vivo/conheço? Porque é uma São Paulo “organizada”, um exemplo para o futuro da metrópole brasileira. Apesar de não ter a “concentração” de construções antigas como em Nápoles, Roma, Florença ou Bolonha, a cidade possui suas “marcas registradas” históricas, como o Duomo de Milano, a enorme catedral gótica no centro da cidade. E, tal qual a cidade brasileira, possui uma vida agitada – de dia e de noite.
       
      O centro histórico de Milão é pequeno: seu diâmetro tem 2,5 km. Só que a cidade, como São Paulo, é muito maior do que seu centro histórico. Para acessar algumas áreas, o metrô pode ser inevitável.
       
      A primeira parte do centro histórico a ser (re)visitada é a Via Monte Napoleone, rua comercial de alto luxo e considerada a mais cara da Europa (na prática, é mais para falar que conheceu a rua mais cara, como a rua Oscar Freire, já que os preços são surreais mesmo para suíços e escandinavos).
       
      Saindo da via, assim como um ano atrás, chega ao Duomo de Milano, uma das maiores catedrais em estilo gótico da Europa (existe a possibilidade de subir nos seus telhados para uma visão de sua arquitetura e da cidade).
       
      Adjacentes ao Duomo, na Piazza homônima, ficam a Galleria Vittorio Emanuele II, uma espécie de shopping do século XIX e o Palazzo Reale Milano.
       
      De lá, seguimos para o Castello Sforzesco, antiga fortificação que virou a casa do Duque de Milão. Agora é sede de museus e galerias de arte da cidade, mas parte do castelo tem acesso gratuito. Atrás dele fica um grande (e gelado) jardim, o Parco Sempione e o “arco do triunfo” milanês, o Arco della Pace.
       
      RESUMO
       
      MILÃO é uma cópia de São Paulo mais rica e organizada.
       
      O passeio MANDATÓRIO na cidade é conhecer o enorme Duomo de Milano.
       
      CONTEMPLE a estação Milano Centrale, a rua das grifes Via Monte Napoleone e um dos mais antigos shoppings do mundo, a Galleria Vittorio Emanuele II.
       
      PASSEIE pelo Castello Sforzesco e seu gelado jardim, o Parco Sempione.
       
      Dia 29/12 (16)
       
      Esse dia, na prática, foi destinado para conhecer as atrações mais afastadas da área central de Milão.
       
      A primeira parada foi na Basilica San Lorenzo Maggiore, a mais antiga igreja de Milão, com mosaicos bizantinos do século IV. Em frente dela, ficam a estátua de Constantino, o célebre imperador romano que tornou o cristianismo religião oficial do império e as Colonne di San Lorenzo, ruínas de 16 colunas do antigo Império Romano.
       
      Depois de algumas quadras, chegamos à região do Naviagli: são canais artificiais de transporte que perfaziam o equivalente atual a avenidas e metrô. Com o avanço desses modais, vários canais foram fechados e somente três sobreviveram (sem o transporte, evidentemente). A região é famosa pela vida noturna e boêmia, equivalente à Vila Madalena – mas como era inverno (e quase ano novo), a região estava bem vazia. Mas isso não impede de admirar a beleza do local, mas é interessante de ir após ter conhecido a maioria das atrações na área central de Milão (ou eventualmente tenha se hospedado próximo do local).
       
      De volta ao centro, uma visita à Basilica di Sant´Ambrogrio, inicialmente construída no século IV e finalizada no século XII. Em suas paredes resguardam algumas escritas romanas e a cripta da basílica resguarda o corpo de Santo Ambrósio, desde o século V. Depois do Duomo, foi a igreja mais bonita que considerei nas visitas à Milão.
       
      Não podia de deixar de falar da igreja Santa Maria delle Grazie, onde Leonardo da Vinci pintou A Última Ceia, na parede do refeitório – mas não a conheci. Pode se perguntar: Por que não fomos ver uma obra-prima de Leonardo? Aparentemente, ele não quis fazer uma obra para posteridade – fez sem muita preocupação, com tinta inadequada (o homem era bom mesmo, como se fosse um “Midas” – tudo o que ele mexia era excepcional) e, por isso, o local exige um controle para preservação severo. Por tudo isso, é exigido uma pré-reserva superdisputada, um pagamento caro e o tempo de admirar a obra, exíguo – muita dor de cabeça; melhor deixar para quem vive na Europa, especialistas em arte ou quem tem muito tempo E dinheiro mesmo.
       
      Outra igreja que merece a visita é Chiesa di San Maurizio al Monastero Maggiore, em que residem afrescos do século XVI (claro, não são como os afrescos da Capela Sistina, no Vaticano – mas são belíssimas) e seu acesso é gratuito. Junto à igreja fica o Civico Museo Archeologico, que mostra a história de Milão, como a fundação da antiga cidade conhecida como Mediolanum, a conquista pelos romanos no século III a.C. e sua ocupação (durante um breve período a cidade foi capital do Império Romano do Ocidente).
       
      RESUMO
       
      VISITE por outras igrejas antigas de Milão: a Basilica San Lorenzo Maggiore, Basilica di Sant´Ambrogrio, Chiesa de Santa Maria delle Grazie e Chiesa di San Maurizio al Monastero Maggiore.
       
      CAMINHE pelo Naviagli, região de canais artificais que serviam para o transporte e, agora, é famosa pela boemia.
       
      Dia 30/12 (17) e 31/12 (18)
       
      Último dia de permanência na Itália, era o momento de preparação para o retorno ao Brasil – a começar pelo transporte até o aeroporto. O trem expresso para o aeroporto (Malpensa Express) é um serviço rápido, mas caro (€ 13), enquanto os ônibus (shuttle) são opções mais baratas. Mas tem uma pegadinha: os ônibus, comprando na hora, são mais caros (€ 10) do que se comprar pela internet (€ 8 mais taxa) e escolher o horário da viagem, mesmo pagando junto o IOF no cartão de crédito.
       
      Ao invés de desbravar (novamente) a área central, decidimos ir a um dos lugares que foram reabilitados em Milão: a área ao redor da estação Milano Porta Garibaldi. Com uma concepção moderna, é um local de convívio e consumo. Inclusive, fica o conhecido Bosco Verticale (Floresta Vertical), par de torres residenciais “verdes” – literalmente – e venceu o prêmio de melhor prédio em 2015.
       
      Tendo em vista que as principais áreas de Milão já tinham sido conhecidas, foi mais conveniente se “perder” pela cidade, desbravando as ruas e descobrindo novos lugares e as sempre constantes igrejas. Na área central da cidade, tal qual em Bolonha, os geniais pórticos protegem os transeuntes que percorrem suas vias.
       
      O relógio era implacável: era o momento de se despedir da Itália (mais uma vez). Depois de pegar as malas na hospedagem, fomos à estação Milano Centrale embarcar no shuttle até o Aeroporto de Milano-Malpensa. Sempre chegue ao aeroporto com antecedência adequada (até mais do que o planejado), para evitar estresse. De modo diverso ao ocorrido em Guarulhos, a atendente pediu para pesar as malas e, diferente do que o informado no bilhete de ida, a franquia é de 8 kg – claro, não foi problema porque já tínhamos pesado e, para essa companhia aérea, não verificaram as dimensões da mala.
       
      Chegamos ao Aeroporto de Porto, e tínhamos um desafio pela frente: uma conexão noturna de quase 12 horas. Já tínhamos ficado no Aeroporto de Madrid-Barajas por período semelhante, mas não como conexão, por conveniência mesmo. Não vou mentir, ficar no aeroporto não é o que poderíamos de definir como estadia “agradável”. Tinha estudado acerca da permanência no Aeroporto de Porto, entretanto todos os outros “bons” lugares já tinham sido escolhidos pelos outros viajantes. Restou-nos os bancos meio duros do aeroporto (o de Madri era mais confortável) e aguardar o horário de abertura para acessar o lounge pelo benefício do cartão de crédito. E que diferença! O lounge é muito mais confortável, mas, como praticamente tudo no aeroporto, é caro seu ingresso avulso (mais caro, inclusive, do que hotel). Para quem não tem a possibilidade de obter o acesso gratuito ao lounge (e não quiser pagar), encare as longas escalas como se fosse mais um dia de trabalho – cansativo, mas pelo qual se ganha o sustento. Ou seja, ao invés de trabalhar no Brasil, você “trabalhou” para não pagar pelo voo direto, mais caro – e, pelo hiato de preços, eu teria de trabalhar vários dias em São Paulo para pagar tal diferença.
       
      O voo para São Paulo chegou no horário programado, a tempo de passar o Ano Novo com a família. Paralelamente, a OMS declarava o primeiro alerta de Emergência Internacional do até então novo e desconhecido vírus, que fulminaria a Itália no mês seguinte – ao que parece, essa viagem à Itália foi realizada no momento certo.
       
      RESUMO
       
      DESCUBRA a região revitalizada ao redor da estação Milano Porta Garibaldi e aprecie o edifício verde Bosco Verticale.
       
      Os PÓRTICOS de Bolonha também chegaram a Milão.
       
      Os ÔNIBUS que ligam Milão ao aeroporto de Malpensa são a opção mais barata de chegar ao aeródromo.
       
      ENCARE o tempo de conexão como um dia de trabalho – muito provavelmente sai mais barato pegar esses voos do que trabalhar para pagar pelo voo direto.
    • Por Felipao86
      Olá pessoal,
      Agosto de 2020, ano pandêmico, férias marcadas, estresse total. Com ou sem pandemia teria um mês inteiro de férias e começamos a analisar opções de viagens em que houvesse o mínimo de risco para nós, um casal com duas crianças (uma de 2 anos e meio e um bebê de 5 meses). Lemos e analisamos algumas opções e decidimos fazer uma viagem de carro, sem um percurso muito definido, mas tentando percorrer algumas praias do litoral baiano, sabidamente de densidade demografica baixa e com ótimo distanciamento social. Acabou sendo uma das melhores viagens da vida, sem dúvida alguma.
      No fim das contas, o roteiro ficou:
      Dia 1 – BH-Teófilo Otoni/MG
      Dia 2 – Teofilo Otoni/MG – Santa Cruz Cabralia/Ba
      Dia 3-5-Santa Cruz Cabralia/Ba-Porto Seguro/Ba
      Dia 5 – Santa Cruz Cabralia/Ba – Ilheus/Ba
      Dia 6-7--Ilheus/Ba
      Dia 8 – Ilheus/Ba-Salvador/Ba
      Dia 9--Salvador/Ba
      Dia 10-Salvador/Ba-Praia do Forte/Ba
      Dia 11-12-Praia do Forte/Ba
      Dia 13-Praia do Forte/Ba-Aracaju/Se
      Dia 14--Aracaju/Se-Maceio/Al
      Dia 15-16 Maceio/Al
      Dia 17-Maceio/Al-Itatim/Ba
      Dia 18-Itatim/Ba-Itacaré/Ba
      Dia 19-Itacare/Ba
      Dia 20 – Itacaré/Ba-Prado/Ba
      Dia 21- Prado-São Mateus/ES
      Dia 22 – São Mateus/Es
      Dia 23 – São Mateus/ES
      Dia 24-São Mateus/ES-BH/MG
      Viajar com crianças:  exige cuidados extras, ainda mais com um bebê pequeno, o que significa ritmo mais lento, respeitar o cansaço delas, fazer várias paradas de carro, entreter a criança maior durante os trajetos mais longos. Um coisa que nos ajudou muito era colocar música de ninar quando o bebê começava a chorar muito e não era possível fazer uma parada. Mas, seguindo um pouco mais lentamente e parando sempre que possível, as crianças aguentaram muito bem uma viagem de  5600km de carro.
      Questões relacionadas à Covid-19: Bem, os cuidados básicos de sempre: evitar ao máximo aglomerações, uso de mascara sempre, procurávamos hotéis/pousadas com selo de turismo (vimos que na prática alguns lugares eram bem rígidos e outro nem um pouco). Evitamos comer em restaurantes também, principalmente a noite preferíamos pedir delivery e comer no hotel/pousada. Em relação ao impacto no roteiro foi pouco, porque apesar de alguns lugares que gostaríamos de visitar estarem fechados, fomos substituindo por outros. O destino que gostaria mesmo de visitar era Peninsula de Maraú e Morro de São Paulo/Boipeba, mas em agosto de 2020 estava fechado. Por outro lado, devido a isso esticamos a viagem até Maceio (minha ideia inicial seria terminar em Aracaju) o que foi ótimo porque Maceió se provou um destino maravilhoso e com o mar mais bonito que já vi! Algumas cidades estavam parcialmente abertas/funcionando e irei relatando ao longo do post.
      Clima: Pegamos dias ótimos, ensolarados, e dias frios, com muita chuva! Ilheus particularmente choveu todos os dias que estivemos lá.
      Meu carro: Renault Logan 1.6  automatico 2012,  já meu há cerca de 5 anos, na época da viagem com 131mil km rodados. Carro ótimo, alto, robusto, porta malas gigantesco. Somente beberrão por ser automático 4 marchas. Não faz mais do que 8km/l no álcool e 9 na gasolina na estrada. Anda muito bem em estrada de terra por ser um pouco mais alto. Havia revisado a pouco tempo. Já viajei muito com esse carro, e é uma ótima opção de carro popular para família. Em 2018 fomos até Prado/Ponta do Corumbau com ele. 
      Hospedagem: 
      Santa Cruz Cabrália: 197/dia (Porto Bali);
      Ilhéus: 180/dia (Hotel Praia do Sol);
      Salvador 140/dia (Pousada da Mangueira);
      Praia do Forte: 140/dia (Recanto dos Pássaros);
      Aracaju: 200/dia (Simas Praia Hotel);
      Maceio: 205/dia (Ritz Suítes);
      Itacaré: 250/dia (Terra Boa Hotel Boutique);
      Prado: 150/dia.
      Em Itatim/Ba o pernoite foi 120 reais. 
      Combustível: aproximadamente 2750 reais para percorrer 5655km considerando um veículo fazendo 8km/l de etanol. Pagamos entre 2,69 a 3,79 no litro de álcool dependendo da cidade. 
      Estradas: de modo geral estradas honestas, padrão brasileiro. Vou descrever algumas que rodamos mais km:
      ·         BR 381 Norte: Rodovia que liga Belo Horizonte a São Mateus/ES, o trecho de 200km entre BH e Ipatinga é conhecido como rodovia da morte, infelizmente por ser extremamente perigosa, muitas curvas, muito fluxo de caminhão. E está em eternas obras de duplicação (até o momento não tem nem 50km duplicado), então é preciso extrema atenção e principalmente paciência. Não recomendo rodar nela a noite. O trecho entre Ipatinga e São Mateus é totalmente em pista simples porém muito mais tranquilo, pois são menos curvas e o transito é muito menor.
      ·         BR 101 – a rodovia que rodamos a maior parte do tempo da viagem, percorremos todo o trecho baiano, sergipano e uma boa parte do alagoano. O trecho baiano é totalmente em pista simples mas com bom asfalto e fluxo menor de carros e caminhões. O trecho sergipano está em obras de duplicação, o asfalto é muito ruim e muitos trechos em esquema pare/siga. O trecho alagoano é totalmente duplicado e é um tapete. Melhor trecho de estrada de toda a viagem.
      ·         BR 116 – Percorrremos essa rodovia desde Feira de Santana até Jequié/Ba. É uma pista privatizada, mas cerca de 50km depois de Feira não é mais duplicada, tem muitos buracos e fluxo inacreditável de caminhões.  Ficamos tão assustados que decidimos sair dela e pegar uma transversal até voltarmos a BR 101 (ao longo do relato explico exatamente qual trajeto foi feito).
      ·         Ba001- Rodovia estadual que liga diversas cidades do litoral baiano. Infelizmente em péssimo estado, com muitos buracos e falta de infraestrutura. A percorremos no trecho Ilheus-Valença.
      ·         Ba099-Rodovia estadual que liga Salvador ao litoral norte e até a divisa com Sergipe. Privatizada, duplicada, ótimo estado de conservação.
      ·         Se-100 – Rodovia estadual que liga a divisa Ba/Se à Capital Aracaju via litoral. Pista simples, porém asfalto em boa conservação. Tem algumas pontes por cima de rios belissima para fotos.
      Vamos ao relato dia a dia:
      Dia 1 – BH a Teófilo Otoni/MG

      Nada de especial a relatar nesse dia, exceto que é preciso muita paciência para percorrer os 200km até Ipatinga/MG, que passa fácil de 5 horas. Muitas obras, pare/siga, trânsito. De Ipatinga em diante viagem muito tranquila, poderia até ter estendido mais e percorrido até Nanuque/MG mas ficamos com receito de cansar muito as crianças.

      Praca de Teófilo Otoni/MG
      Dia 2 – Teófilo Otoni a Santa Cruz Cabralia/Ba

      Chegamos a Santa Cruz no final da tarde. Ficamos hospedados no hotel Porto Bali, que é muito bonito, tem uma ótima sauna com hidromassagem. O dono queria impor uma regra de só consumir agua mineral vendida no estabelecimento, coisa com a qual não concordamos e consideramos falta de sensibilidade, vendo que estávamos com criança  pequena e bebê. Parece que  ali na região vários hotéis tem essa prática ruim. Nesse dia só curtimos a piscina do hotel e saímos para comer numa lanchonete a noite (lanchonete da Tania, faz um pastel de caranguejo delicioso).

       
      Dia 3 – Praia Coroa Vermelha
      Primeiro dia efetivamente de praia. Fomos para a praia de Coroa Vermelha, absolutamente vazia, linda e sossegada. Nenhum quiosque aberto mas levamos lanche para o dia. Após a praia ainda curtimos um pouco a pracinha onde relata ter sido rezada a primeira missa no Brasil, tem várias lojinhas de artesanato. No meio da tarde voltamos para o hotel e a noite voltamos na lanchonete da Tania.

       
      Dia 4 – Centro Historico Porto Seguro
      Fomos conhecer um pouco do centro histórico de Porto Seguro, tem um lindo mirante, a passarela com diversos bares e restaurantes. O museu e catedral estavam fechados. Fomos até o local onde sai a bolsa para Arraial D´Ajuda (que não fomos porque já havíamos conhecido em outra viagem). Tentamos também ir fazer uma visita na reserva indígena mas estava fechada. Terminamos o dia na praia da Coroa Vermelha novamente.
      Em agosto/2020 Porto Seguro estava com as praias fechadas para banho e restaurantes apenas delivery.


      Dia 5 – Praia de Santo Andre/Mogiquicaba
      Dia de conhecer a praia de Santo André, que ficou muito famosa por ter sido sede da seleção alemã na copa de 2014. Pega-se uma balsa de santa cruz cabralia (se não me engano 18 reais) e o trajeto não dura nem 15 min). A praia é linda e absolutamente deserta, com mar de aguas claras e transparentes. A vila em si achei meio sem graça, na verdade é uma rua com alguns restaurantes e as diversas pousadas para pessoas bem abastadas, rs. De lá seguimos de carro até Mogiquicaba, alguns km a frente, que tem uma praia de encontro com rio maravilhosa, muito gostoso para ficar. Depois seguimos 50km a frente para Belmonte, mas não foi possível entrar na cidade devido a barreira sanitária do COVID-19 (nem me atentei a isso).
      Retornamos a Cabralia a tempo de subir no seu centrinho histórico que tem uma vista panorâmica da cidade e da balsa que vai pra Santo André.  A noite novamente Lanchonete da Tania (acho que era o único lugar aberto lá, rs).

      Dia 6 – Santa Cruz Cabralia/Ba-Ilheus/Ba

      Partimos de Cabralia e subimos até Iheus. O GPS deu um caminho ruim, porque pega um trecho de estrada de terra com muitos buracos. O melhor caminho totalmente asfaltado é via Porto Seguro-Eunapolis-BR-101.
      Chegamos em Ilheus debaixo de muita chuva e assim foi por 3 dias seguidos.
      Ficamos hospedados no Hotel Praia do Sol, na praia dos Milionários, muito bonito, beira mar (apesar que o mar ali é meio sujo), atendimento ótimo.
      Em agosto 2020 Ilheus estava com hotéis e restaurantes funcionando com capacidade reduzida. As fazendas produtoras de Cacau fechadas a visitação.
      Nesse dia pedimos um lanche e dormimos no hotel.

      Dia 7 – Ilheus/Ba
      De manhã até fez um solzinho, então fomos explorar um pouco as praias da região Sul e paramos na praia do Cururupe, muito agradável, estava bem vazia. Mas cerca de 1 hora depois começou a chover e tivemos que voltar pro hotel. Quando parou de chover fomos explorar um pouco o centro histórico. O Vesúvio estava aberto, mas não comemos lá e todos os demais locais importantes estavam fechados, estão ficaram somente as fotos externas.  Paramos numa sorveteria ao lado da Catedral e também compramos chocolate.

      Dia 8 – Ilheus/Ba
      Chouveu o dia inteiro...hotel e Netflix, rs. Saímos apenas para almocar num local proximo ao hotel que serve caranguejo, minha filha achou uma delícia, rs.

       
      Dia 9 – Ilheus-Salvador/Ba

      Dia de estrada. Gastamos em torno de 9 horas para fazer esse trajeto pois choveu  praticamente o dia inteiro, a estrada estava muito ruim e esburacada. Fomos pela Ba001 até Valenca/Ba, alguns trechos simplesmente péssimos, é necessário rodar muito lentamente. De lá pegamos a Ba 542, que já tem o asfalto bem melhor e cerca de 30km a frente termina na Br 101. Está, por sua vez, logo a frente faz entrocamento com a BR 324,  que é privatizada e duplicada até Salvador. 
      Chegamos em Salvador no inicio da noite e ficamos na Pousada da Mangueira, atrás do Pelourinho. Pousada ótima, vista bacana da cidade, quarto limpo e confortável, bom café da manhã e ótima piscina.

      Dia 10 – Salvador/Ba
      Em agosto 2020 Salvador estava praticamente fechada. Praias não estavam abertas para banho, restaurantes fechados e pelourinho absolutamente fechado. Fiz até um vídeo porque achei tão surreal, duvido muito que em outra época da história pelourinho tenha ficado vazio assim. Já conhecíamos Salvador de outras viagens, então na verdade, nessa viagem, Salvador foi mais como um ponto de pernoite até o próximo destino que era praia do Forte. Mas gostamos tanto da pousada que ficamos um dia a mais.
      Fizemos passeio pela orla do farol da barra (que estava bem cheio mas todos de máscara). E curtíamos a piscina da pousada.
      No dia seguinte fomos até a comunidade Solar do Unhão comer a moqueca da Dona Suzana, do Rérestaurante. Para quem não conhece, a Dona Suzana é uma das personagens de uma série da Netflix chamada Street Food: Latin America. Ela faz uma moqueca de peixe, de camarão e de arraia deliciosa. É tudo feito na casa dela mesmo, ela simplesmente coloca uma mesa na frente e serve os clientes. Muita, mas muita gente mesmo come lá, a maioria pedindo marmitex. E o lugar tem uma vista maravilhosa da Baia de todos os Santos.


      VID_20200809_160345.mp4 VID_20200809_160345.mp4 Dia 11- Salvador – Praia do Forte/Ba

      Viagem curta, menos de 1 hora e meia entre Salvador e Praia do forte por pista duplicada e privatizada (não lembro valor do pedágio). No trajeto você acompanhada o metrô de salvador que é muito melhor ao nosso aqui de BH. Chegamos e fomos direto ao trecho de praia chamado de praia do Lord, que na maré baixa faz diversas piscinas naturais deliciosas. Lugar muito gostoso para passar o dia. Infelizmente minha esposa foi queimada por uma água viva, precisamos dar uma passada no Posto de Saúde da vila após a praia. A médica nos atendeu super bem e prescreveu uma pomada, problema resolvido.
      Em praia do forte ficamos hospedados na pousada Recanto dos Pássaros, chalezinho bem simples. Tinha um cozinha, então aproveitamos para fazer algumas refeições a noite lá mesmo.

      Dia 12 – Praia do Forte
      Na parte da manhã fomos conhecer as praias de Pojuca e Itamicirim, e a tarde o famoso projeto Tamar e Instituto da Baleia Jubarte. Também tentamos conhecer o Castelo Garcia D´Avila mas estava fechado a visitação.


      Dia 13 – Praia do Forte/Ba – Aracaju/SE

      Esse trecho é percorrido em cerca de 4 horas numa ótima pista no lado baiano e pista honesta no lado sergipano. O perrengue que passei nesse dia foi ter esquecido de abastecer antes de sairmos da praia do forte e ficamos um bom tempo rodando na reserva sem nenhum tipo de estrutura na estrada. Por fim, cerca de 2 horas depois da praia do forte chegamos em Indiaroba, já no Sergipe, e conseguimos abastecer no posto logo na entradinha da cidade.
      Fizemos uma parada na praia do saco, já em Sergipe, mas estava absolutamente deserto. Ficou só a foto no letreiro.
      (Curiosidade, no dia seguinte, já em Aracaju, vimos no jornal uma noticia de funcionarios retirando o letreiro da praia do Saco por decisão judicial no mesmo dia em que estávamos lá; achamos de uma coincidencia tao grande, provavelmente fomos os últimos a tirar foto lá, rs)
      Em Aracaju ficamos hospedados no Simas Praia Hotel na orla do Atalaia. Nesse dia conseguimos curtir um pouco de praia.
      Aliás, um adendo: essa orla é uma coisa espetacular. Tem ciclovia, parquinho para crianças, pista caminhada, ate´um laguinho. Nunca vi uma orla de praia tão bem estruturada.


      Dia 14 – Aracaju – Maceio /AL

      Antes de pegarmos estrada em direção a Maceió, fomos conhecer o mercado municipal de Aracaju, mas estava muito cheio de gente então foi uma visita rápida, fomos também até a Colina de Santo Antonio, onde tem-se a melhor vista da cidade. Passamos em frente ao Museu da Gente Sergipana, que estava fechado.
      Tinhamos também a intenção de conhecer os Canions do Xingo no Sergipe, mas estava fechado na época devido a pandemia.
      O trajeto de Aracaju a Maceió dura umas 4 horas de carro em boa pista do lado sergipano e pista excelente no lado alagoano. A Br 101 em alagoas é totalmente duplicada e a Al 101 que vai até Maceió também.
      No trajeto passamos por cima do Rio São Francisco, que tem um mirante muito  bacana, mas deixamos para tirar fotos na volta.
      Chegamos em Maceió no final da tarde, apenas para dormir.
      Ficamos hospedados no Ritz Suitz, na praia Cruz das Almas, que foi nossa melhor hospedagem da viagem inteira. Otima piscina, quartos amplos e espaçosos e ótimo café da manhã.

       
      Dia 15 – Maceió/Al
      Dia de curtir as praias centrais de MAceió, ficamos num trecho próximo ao letreiro “Eu amo Maceió”.
      O que é a cor da agua de lá? Um azul claro quase transparente, nunca tinha visto antes. Mar calmo, de aguas mornas, tranquilo demais de nadar e passar o dia.
      Em agosto/2020 Maceió já estava em pleno funcionamento, barracas de praia, restaurantes e pousadas.

      Dia 16 – Maceió/Al.
      Fomos conhecer Barra de São Miguel, 30 minutos ao sul de Maceió. Lugar lindo, o recife de corais forma uma gigantesca piscina natural. Pena que pouco tempo depois que chegamos começou a chover, então tivemos que voltar para MAceió. No caminho paramos num lugar chamado Bar do Pato, que como o nome diz, fazem patos de tudo quanto é jeito. Não podia comer no local então levamos marmitex para comer no hotel. Comemos um pato ensopado delicioso.
      Ao final da tarde fomos à feirinha da Pajucara passear e comprar mais um chaveirinho pra minha coleção.

       
      Dia 17 – Maceió – Itatim/Ba

      Dia crucial para definição de roteiro da viagem. Maceió originalmente não estava no roteiro, mas pelo fato de alguns lugares na Bahia estarem fechados fomos subindo e foi uma grata surpresa. Estavamos decidindo se ficaríamos mais dias em Maceió, se subiríamos mais (Maragogi ou até mesmo Natal) ou comecariamos a descer pensando em adiantar o retorno pra casa. Como viajamos sem roteiro nenhum totalmente definido, nem sabíamos quantos dias iriamos ficar viajando, rsrs.
      Tinhamos uma amiga que mora em Natal e estava nos oferecendo hospedagem. Maragogi acabamos descartando porque achamos passeio a piscinas naturais complicados com criança pequena. Recife e Joao Pessoa que estavam mais próximas nós já conhecíamos de outras viagens.
      Um fator pesou na decisão: percebemos que as crianças já estavam ficando cansadas dessa rotina. Isso nos motivou na decisão de começarmos a voltar pra casa.
      Planejamento inicial seria de 3 dias até chegarmos em BH, de modo que no primeiro dia descemos até uma cidade poucos km a frente de Feira de Santana, chamada Itatim, as margens da Br 116, onde achamos um hotel para pernoitar.
      No meio do caminho paramos no mirante para admirar o Rio São Francisco, que nasce aqui em MG, na Serra da Canastra. Local belíssimo. rio de fundamental importância para integração nacional e fonte de sustento de muitas pessoas ao longo do seu percurso.

       
      Dia 18 – Itatim/Ba – Itacaré/Ba

      O planejamento do dia seria seguir de Itatim/Ba até Padre Paraíso/MG. No entanto, enquanto íamos descendo pela Br-116 fomos tomados por um aperto no perto, uma sensação de que estávamos indo embora pra casa cedo demais. Além disso, estávamos assustados com o fluxo de caminhão na Br, que apesar de privatizada, era pista simples e com muitos buracos.
      Nesse meio tempo vimos que Itacaré tinha reaberto (quando estávamos subindo de Ilheus a Salvador ainda estava fechada). Então, na altura de Jequié saímos da Br 116 e pegamos a Br 330 em direção ao entroncamento com a Br 101 e de lá seguimos a Ilheus e Itacaré.
      Chegamos no final da tarde, ficamos hospedados na Terra Boa Hotel Boutique, muito bonita, ótimo café da manhã, mas quarto pequeno. Deu tempo de conhecer a praia da Concha, que é bem próxima a pousada.

      Dia 19 – Itacaré/Ba
      Adivinha? Choveu o dia inteiro. O dia inteirinho, não fizemos nada a não ser assistir filme e pedir comida, rs.
      Dia 20 – Itacaré/Ba – Prado/Ba

      Antes de sairmos de Itacaré, fomos conhecer algumas praias já que o sol tinha saído. Todas muito belas, porque Itacaré tem paisagens diferentes do restante da Bahia, lembra mais a costa verde, com praias em serras junto a cachoeiras.  São umas 4 ou 5, que esqueci o nome agora.
      Após o almoço pegamos estrada em direção a Prado/Ba, onde iriamos pernoitar. Essa viagem foi um pouco tensa primeiro porque o GPS nos mandou por um péssima estrada de terra na saída de Itacaré até o entroncamento com a BR 101, gastamos mais de 2 horas somente nesse trajeto, de cerca de 50 km.
      Depois pegamos um bom trecho a noite da BR 101, e eu não gosto de pegar estrada a noite, acho perigoso. Mas chegamos por volta das 22:00 em Prado, onde pernoitamos em uma pousada local.

      Dia 21 – Prado/Ba – São Mateus

      Já conhecíamos Prado de outras  viagens, mas somos apaixonados com uma praia de lá, chamada Japara Grande. Fica no caminho para Cumuruxatiba e é absolutamente rustica e belíssima. Passamos o dia lá. Vimos até alguns patinhos nadando no rio que desemboca no mar.
      Ao final do dia chegamos em São Mateus, que é onde reside minha cunhada, motivo pelo qual fomos até lá. Ficamos hospedados em sua casa.

      Dia 22 e 23 – São Mateus/ES
      Já em clima de fim de viagem, num dia fomos passear na Vila de Itaunas, que também já havíamos visitado previamente. Estava bem vazia e o mar muito agitado. No ultimo dia choveu muito então ficamos em casa mesmo, saindo apenas para visitar a ultima atração de São Mateus/Es que é a casa invertida. Mas ficaram só as fotos externas porque estava fechada para visitação.

      Dia 24 – São Mateus/Es a Belo Horizonte/MG

      Dia de retorno a casa, num trajeto feito completamente na BR 381 em cerca de 11 horas.
       
      Consideraçoes finais: hoje eu vejo as fotos dessa viagem e nem acredito, parece uma loucura viajar com criança pequena e bebê e ir tão longe nesse nosso Brasil, no meio de uma pandemia. Mas sem dúvida foi uma das melhores viagens da vida e com certeza memorias afetivas importantes foram criadas ao longo desses 24 dias. Em todos os lugares fomos sempre muito bem recebidos e acolhidos, nós brasileiros somos muito acolhedores.
      É isso pessoal, estou aberto caso tenham alguma duvida. Até o próximo relato!
       




    • Por Felipao86
      Primeira Eurotrip: 21 dias na Itália (Roma-Florença-Veneza-Milao) com esposa gestante
      Olá pessoal,
      Meu grande sonho de viagem sempre foi a Europa. Ano após ano algo acontecia que me impedia de conhecer um pedacinho do Velho Continente, mas finalmente no final de 2017 pude colocar os pés lá em grande estilo. Começamos pela Itália, onde ficamos 21 dias andando e comendo por lugares maravilhosos.
      Roteiro:
      Roma – 8 dias;
      Florença – 6 dias;
      Veneza – 3  dias;
      Milão – 3 dias; 
      Preparação:
      Passagens: Tap saindo de BH com conexão em Lisboa. Saiu caro, em torno de 4000 reais ida e volta por pessoa. Procurei por muito tempo promoção mas não achei. Na ida conseguimos umas 12 horas de conexão, o que nos permitiu um tempo para explorar alguns pontos de Lisboa.
      Passagens de trem: todas compradas no site da trenitalia com cerca de 3 meses de antecedência. Os trechos saíram entre 20-30 euros aproximadamente. 
      Hospedagens: todas pelo Airbnb, pelo preço mais em conta e pela comodidade de pagar e parcelar no cartão de crédito. O critério de escolha, além do preço, era localidade próxima às estações de metrô/trem.
      Roma: https://www.airbnb.com.br/rooms/11174608 Ficamos nesse simpático apartamento pertíssimo de Roma Termini. O Sr Franco. dono do apartamento é fantástico, nos comunicamos entre português e italiano (ele não fala inglês) mas foi bem tranquilo. E nos dava um bom café da manhã todos os dias.  A região não é das mais bem encaradas, mas foi bem tranquilo de andar todos os dias. Florença: https://www.airbnb.com.br/rooms/7604862 A melhor hospedagem da viagem. Um verdadeiro Bed and Breakfast com bom café da manhã e não somente torradas e um suco de caixinha. Vale muito a pena. Fica a 5 minutinhos da estação Santa Maria Novella. Veneza: https://www.airbnb.com.br/rooms/891441 Veneza é tudo absurdamente caro. Essa é a única hospedagem que não recomendo. Apesar de ficar relativamente perto da estação Venezia Santa Lucia, o quarto tem um cheiro de mofo grande e o banheiro é compartilhado. A vista da janela da sala, no entanto, é espetacular. Milão: https://www.airbnb.com.br/rooms/2944362  Ótima hospedagem em Mião, muito bem localizada, na porta de uma estação de metrô. Nada a reclamar Dinheiro: dessa vez levamos apenas dinheiro, para não cometer o mesmo erro de quando rodamos a América do Sul (levamos pouco dinheiro e toda hora precisávamos sacar num caixa eletrônico pagando absurdo de taxas). Levamos 2300 euros em espécie, sendo que gastamos 1600 euros (esse dinheiro foi gasto com os gastos do dia a dia, que incluem ingressos a atrações, passagens de ônibus, trens ou metros que pagamos na hora e alimentação).

      Ingressos comprados antecipadamente: em alguns locais na Itália é extremamente importante comprar os ingressos antecipadamente, para furar fila e evitar perda de tempo desnecessárias. Foi o caso nos seguintes locais:
      1-Última Ceia em Milão: o mais difícil de  comprar, pois depende da abertura da venda no site oficial e acaba com poucas horas. Normalmente eles abrem, se não em engano, 2 a 3 meses de antecedência. Não existe venda no local na hora. 2-Galleria Uffizi e Galerria Dell´Academia em Florença:  nesses até que a fila para comprar na hora não estava tao grande, mas de qualquer modo não perdemos tempo nenhum. 3-Museu Vaticano em Roma: essencial, a fila para comprar na hora estava gigantesca, e o Museu é enorme, fica-se 6 horas tranquilamente lá dentro. Seguros de Viagem: fiz no Seguros-Promo o seguro da Assist em torno de R$250,00 para duas pessoas. Nao utilizamos então não sei avaliar.
      Questões relacionadas à gravidez: em geral foi bem tranquilo. Quando viajamos minha esposa estava com 25 semanas, então nem precisava de atestado médico, mas levamos por precaução. Levamos também uma farmacinha básica (remédio para cólica, enjoo, dor) e procuramos seguir um ritmo mais lento nas andanças do dia a dia (nem tão lento assim). Duas situações mais importantes aconteceram: ela não se adaptou à agua de lá. Parece que a água da Italia tem uma composição diferente da nossa, é mais “pesada” e isso lhe dava muito enjoo. Custamos achar uma marca de água mineral que não lhe causasse mal estar (a marca é “levíssima”). E ela, por incrível que pareça, não se adaptou muito à comida de lá. Várias vezes tinha refluxo quando comia pizza ou massa. Então procurávamos mais pratos com peixes, carnes e legumes. Fora isso, o restante foi bem tranquilo.
      Dito tudo isso, vamos ao roteiro do dia a dia.
       
      29/10/17 – Dia 1 – Lisboa.
      Chegamos em Lisboa em torno de 5 horas da manhã e pegamos a fila prioritária da imigração (viva a gravidez, rs). O fiscal só perguntou o que iriamos fazer na Itália e já carimbou. Não pediu nenhum documento. Compramos um chip de 10 euros da Vodafone que nos foi suficiente para a viagem inteira e ficamos esperando a cidade amanhecer.
      Pegamos um uber e fomos ao primeiro destino do dia: Castelo de São Jorge. Muito bonito, bem conservado e com uma pela vista de Lisboa. Ótimo lugar para visitar primeiro e dar uma boa situada na cidade.
      (Obs: em Lisboa rodamos apenas de uber, bem tranquilo de usar, nenhuma corrida passou dos 10 euros).
      De lá descemos a pé até a praça do Comércio, parando em alguns miradouros da cidade. A praça é linda, estava bem cheia, e deu para colocar os pés no Rio Tejo, de onde há alguns  séculos saiam embarcações para todo o mundo. Incrível!
      Após algum tempo admirando o lugar fomos de uber até o Mosteiro dos Jerônimos, que é estupendo. Sua beleza, arquitetura, inigualáveis. Ficamos um bom tempo na fila esperando para entrar. Aproveitamos para passar na igreja ao lado onde estão os restos mortais de Vasco da Gama e Luis de Camões.
      Após o Mosteiro paramos para almoçar num restaurante “pega turista”: bacalhau ruim e caro. Mas não tínhamos pesquisado restaurantes em Lisboa.
      Em frente ao Mosteiro tem uma bela praça com um belo jardim e caminhando por ele você chega até o Marco do Descobrimento, um monumento erguido em homenagem às grandes navegações. 
      Você sobe um elevador e vai até o topo. Dá uma vertigem danada, mas é outra visão estupenda da cidade que você tem. Muito bacana!
      Iria ainda na Torre de Belém mas pelo horário já não era mais permitido a entrada.
      Caminhamos então em direção ao Mosteiro dos Jerônimos e fomos comer os famosos pasteis de Belém! Muito gostosos, saborosos. Compramos bastante para comermos em Roma também.
      Ficamos na praça em frente curtindo o movimento  e esperando o horário de voltar ao aeroporto para terminarmos de chegar a Roma.
      Impressão geral de Lisboa: foram poucas horas para ter alguma impressão, mas gostei muito do que vi: cidade limpa, organizada e bem arborizada. Portugal como um todo tem sido redescoberto pelo turismo mundial e isso se reflete na quantidade enorme de turistas em todo o lugar. Com certeza voltaremos com mais tempo para conhecer com calma.
      No fim o vôo atrasou e só chegamos em Roma mais de 01:00hs, precisamos rachar um taxi (já que não tinha mais opção de trem ou ônibus até Roma Termini). Se não me engano o taxi saiu 20 euros por pessoa.

       
      30/01/17 – Dia 2 – Roma

      1ªDia na Itália, começamos leve, para irmos nos habituando aos poucos.
      Fomos andando até a Piazza De lla Republica, que é muito bonita e enorme. Local bacana para tirar umas primeiras fotos e já sentir um pouco do que é a Roma de prédios enormes e antigos.
      Na própria praça tem a Basilica Santa Maria Degli Angeli.  Por fora você não dá muita coisa mas por dentro, nossa, é impressionante. Foi a primeira igreja que visitamos mas já ficamos muito impressionados. O tamanho, beleza das pinturas, das decorações, é incrível.
      Em Roma é muito comum o reaproveitamento de construções da época do império romano. É o caso dessa basílica, que na época do império era um termas e foi transformada em igreja na idade média. Muito interessante.
      De lá ainda fomos até a Basílica Santa Maria Maggiore, passando em frente ao teatro Della Opera.  Tinha uma fila básica para entrar pois deve-se passar bolsas e mochilas nos detectores de metais.
      Aliás, vale uma observação: em diversos locais na Itália vimos o exército nas ruas, principalmente em pontos muito turísticos. Parece que o alerta contra o terrorismo está no máximo lá.
      Outra basílica espetacular, pelo tamanho, imponência, riqueza de detalhes. É tudo muito grandioso, como não estamos acostumados a ver aqui no Brasil. 
      Mas a igreja mais bonita do dia, na nossa opinião, foi a Basilica Santa Prassede. É uma igreja bem menor, com uma entrada bem discreta numa rua lateral, bem menos conhecida, mas com ricos mosaicos na parede. No momento que estávamos lá tinha alguém tocando o órgão o que tornou a visita ainda mais especial. É simplesmente fantástico.
      Voltamos até o Roma Termini para almoçar no Mercado Centrale, que é um mercado novo bem bacana dentro da estação. 
      Aproveitamos também para comprar o Roma Pass de 72 horas (38,50 euros).
      Voltamos ao apê para descansar um pouco e no final da tarde seguimos para a Fontana di Trevi.
      Sempre falam que deve-se vê-la de manhã e à noite e realmente é muito diferente, mas igualmente linda. Pena que fica sempre tao cheio, mas devagarinho conseguimos chegar na beirada dela. Ainda andamos um pouco pelos arredores da Fontana e arrumamos um lugar para comer nossa primeira pizza italiana (essa era ok).


       





    • Por Heliiii
      Oi pessoal.
      Tenho uma grande dúvida em relação ao tratado schengen, li aqui muitas respostas, mas ainda estou insegura sobre o assunto.
      Bem, fiquei na Irlanda por exatos 90 dias (que não faz parte do tratado), então vim para Portugal ficar 60 dias (com tudo certinho, passagem de volta, dinheiro, lugar para ficar.. enfim tudinho). Então, quando cheguei à imigração, ele me disse que eu já tinha estrapolado meus dias na Irlanda (o que não era verdade porque eu fiz a conta certa). Então eu disse a ele que não acreditava que era possível, porque eu tinha feito a conta certa. Dai ele olhou nivamente e acho que se deu conta que estava tudo certo, Então ele me disse com essas palavras:
      "Ok, mas ainda assim você vai ficar ilegal aqui, porque o espaço schegen e a Irlanda são a mesma coisa, você  ainda vai estar na Europa. O tratado schengen apenas serve para viajar sem passar por imigracoes. Eu vou deixá-la entrar, mas vai ser da sua consciencia ficar aqui ilegal ou não.
      Pessoal, eu honestamente estava muito nervosa com tudo isso, eu não tenho experiência com viagens, nunca tinha viajado sozinho para a Europa, meu coração estava na mão. De qualquer forma entrei em contato com a Embaixada do Brasil aqui e eles não me responderam nada sobre a minha pergunta. Mas eu pesquisei antes e tinha certeza do que estava fazendo (antes dele quebrar minhas pernas assim). 
      Ele me deu o carimbo normal, e não la diz nada sobre prazos para sair daqui. 
      Vocês acham que estou ilegal aqui? Porque já passou uma semana. 
      Tem algum jeito de saber online se estou ilegal no país?
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