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TRAVESSIA SACO DAS BANANAS 360 - Ubatuba-SP


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TRAVESSIA SACO DAS BANANAS 360

Quase 25 anos atrás, quando pisei pela primeira vez na Travessia do Saco das Bananas, eu ainda era um jovem iniciante, pesava quase meio quilo a menos do que peso agora, num tempo em que internet inexistia e as fotografias eram em maquinas yashica de 36 poses. O mundo era outro, a atividade de aventura era renegada a meia dúzia de esforçados, gente que foi ganhando conhecimento aos poucos, meio que na tentativa e erro, transformando frustações em experiências. Essa tal travessia era só conhecida pelos caiçaras e poucos locais, num litoral isolado e desprovido de gente. Na época, tive como companhia, minha esposa, a irmã dela e mais 2 amigos de infância e levamos dois dias para cruzá-la, partindo da pouco conhecida na época, Praia da Ponta Aguda. Depois disso, ganhei o mundo em centenas de trilhas, caminhadas e viagens expedicionárias e nunca mais voltei para refazer essa travessia, mas esse ano estava decidido que era hora de retornar, hora de reviver um passado encantador, quando saíamos sem rumo, sem gps, sem mapas, apenas caminhado ao sabor do vento.

No final do ano, me mudei para uma barraca de camping na Praia da Ponta Aguda. Claro que não era mais a mesma praia deserta de outrora, mas ainda continuava com seus encantos. Nos juntamos em família e na companhia de amigos, aqueles acampamentos onde se leva tudo, transformando o lugar num camping das Arábias. Aproveitamos para desfrutar de todas as prainhas paradisíacas que tem em volta da Ponta Aguda, mas estava difícil achar alguém que se dispusesse a me acompanhar numa travessia pelo Saco das Bananas em um só dia. Até entendo que poderia ser uma furada dos infernos para quem não está acostumado a longas caminhadas, mas até minha filha se recusou a me seguir nessa empreitada, alegando que estava de férias e queria apenas sossego.

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Uma semana se passou, minha filha e outros amigos retornaram para Sumaré no interior Paulista e com a chegada de novos amigos, me acendeu a esperança de achar um trouxa (opssss, um amigo) que se dispusesse a me acompanhar e entre conversas e churrascos, o Anderson Rosa se apresentou como voluntário, mas o tempo foi passando e nada da gente tomar uma decisão, até que, não tendo mais como fugir, marcamos a então esperada caminhada justamente para o último dia do ano, prometendo voltar cedo a fim de nos programar para a virada.

Antes de descrever essa linda caminhada, que partiu da Praia da Ponta Aguda, vou me dar ao trabalho de descreve-la por completo, para que quem leia esse relato, possa aproveitar toda a caminhada, muito porque, eu mesmo 25 anos atrás, nem tinha me dado conta da existência dessas outras prainhas que completam a Travessia do Saco das Bananas e até hoje, a grande totalidade de quem caminha nessa travessia, não inclui essas praias no seu roteiro, o que chega a ser quase um crime.

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Partindo da Rio-Santos, bem em baixo do Portal que divide Caraguatatuba com Ubatuba, vamos pegar a rua entre a adega e o supermercado, quando chegarmos ao final, vamos seguir para direita e caminharmos por cerca de 1500 metros até onde ficam estacionadas as caçambas de depósito de lixo e ali interceptar a esquerda, uma estradinha de terra que vai nos levar em direção a Ponta Aguda. Vamos caminhar por mais uns 3 km e entrar a direita no caminho que nos levará para incrível Praia da Figueira, onde levaremos outros 10 minutos para lá chegar e aí então daremos início a nossa TRAVESSIA.

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A FIGUEIRA é uma praia deserta e selvagem, com mar calmo e encantador, do seu lado direito, uma toca serviria muito bem para um abrigo de emergência, mas nosso caminho segue para a esquerda, onde interceptaremos uma trilha depois que passamos a foz de um pequeno córrego. A trilha vai subir ao alto, onde teremos uma vista espetacular da própria praia, depois vai entrar na mata e em 15 minutos, estaremos desembocando na própria praia da Ponta Aguda, com um camping gigante.

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A PONTA AGUDA é outra praia de sonhos, mesmo com um número considerável de frequentadores, se mantem muito agradável, com um rio de águas cristalinas fazendo a festa da criançada. Vamos atravessar toda a sua extensão e exatamente como a praia anterior, vamos cruzar a foz do riacho e imediatamente subir uma trilha que se lança mata à dentro. A trilha sobe ao alto em 10 minutos e em mais outros 10 minutos nos leva para a pequena e também selvagem PRAIA MANSA, uma prainha cercada pela floresta, onde alguns barcos costuma ancorar por ser protegida das ondulações do mar, formando piscinas naturais nas suas extremidades.

Cruzamos toda praia até seu fim e ganhamos uma trilha aberta que segue na mata, subindo entre palmeiras espinhudas por uns 15 minutos, talvez menos, até que ela se bifurca, mas nosso caminho segue para a esquerda, porque para a direita a trilha vai finalizar bem na ponta que entra mar a dentro e esse não é nosso caminho.

Pegando, portanto, para a esquerda, vamos seguir em nível por outros 10 minutos até que chegamos a um mirante onde é possível apreciar mais abaixo a impressionante Praia da Lagoa. Passamos com cuidado, nos apoiando em uma corda e descemos mais outros 10 minutos até a areia da praia, deserta, silenciosa, selvagem.

A PRAIA DA LAGOA é outra joia dessa parte do nosso litoral paulista, uns 500 metros de areia grossa e inclinada no seu lado direito, cercada por vegetação mais baixa. Na sua extremidade esquerda, uma grande lagoa de águas quentes nomeia a praia, onde peixes nadam tranquilamente. Com mar calmo, em dias de sol intenso, parte da praia se transforma em uma grande piscina de águas transparentes.

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Aqui preciso fazer um parêntese: Poderíamos assim que saltamos no início da praia, pegarmos uma trilha a esquerda que daria continuidade a nossa travessia, mas seria um pecado não ir a sua extremidade conhecer a lagoa. Estando na lagoa, nem precisamos voltar pela areia da praia, apenas pegamos uma trilha larga na vegetação e vamos seguir em paralelo a própria praia até que uns 15 minutos depois, a trilha se curva para a direita, vai adentrando novamente em mata alta, passa por um atoleiro e uma meia hora depois de partirmos da lagoa, desembocamos na estrada de terra, que acaba justamente ali. Se seguirmos para a esquerda, poderíamos voltar novamente para o nosso camping na Ponta Aguada, mas nosso caminho, nossa travessia segue para a direita, cruza imediatamente uma porteira e já intercepta a esquerda, uma placa indicando o caminho para a Praia do Simão, exatamente onde oficialmente se iniciaria a travessia tradicional.

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Acima está a descrição de parte da travessia, fiz isso para que todos que acompanhem esse relato, tenha uma caminhada incrível, tendo tudo que esse roteiro nos permite, mas como nós já estávamos acampados na Ponta Aguda e já havíamos feito todas essas praias durante mais de uma semana que ali estávamos, nos restou apenas nos organizarmos para partirmos direto da nossa barraca e tentarmos fazer a travessia em apenas 1 ÚNICO DIA, ao invés de 2 dias, como é o tradicional.

Na noite dia 30 de dezembro, arrumamos nossa mochilinha com os equipamentos de segurança e quando o último dia do ano raiou ( 31/12/2020), nos pusemos de pé e fomos ganhar o mundo. Partimos eu e o Anderson Rosa e uns 15 minutos antes das 07 da manhã, deixamos o acampamento da Ponta Aguda e ganhamos a estradinha e logo mais, na bifurcação, pegamos para a direita, mesmo porque, para a esquerda é o caminho que nos levaria de volta para a Rio-Santos, coisa que não nos interessa. Agora vamos seguindo pela estradinha embarreada, passamos por uns ranchos e deixamos a civilização definitivamente para trás. Cruzamos 2 rios que abastecem a vilinha da Ponta Aguda e em mais 10 minutos descemos a estrada até o seu final, juntamente na porteira, onde ela se encontra com a trilha que vem lá da Praia da Lagoa.

Passamos pela porteira e interceptamos a trilha a esquerda, onde uma placa indica o caminho para a Praia do Simão, que alguns também chamam de Brava do Frade. Já de cara a trilha larga e consolidada entra na mata onde árvores gigantes desfilam enormemente, atravessamos um riacho de águas claras e viramos para o leste, desprezando mais à frente uma trilha para a direita, que provavelmente deve vir lá da fazenda. Logo a trilha vai virar para o sul, mas sempre dentro da mata fechada, sempre subindo até ganhar o topo da serra e começar a descer definitivamente para a praia. Vários riachos são cruzados, o que evita que carreguemos muita água e então já começamos a ouvir o barulho das ondas do mar e logo a frente viramos a direita numa bifurcação, descemos numa ribanceira enlameada e alguns minutos depois desembocamos na gigante PRAIA DO SIMÃO.

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Gastamos cerca de pouco mais uma hora desde o acampamento, uma velocidade absurda nessa manhã de quinta-feira. Na Praia do Simão encontramos meia dúzia de barracas espalhadas e é surpreendente como essa praia ainda se mantém selvagem, talvez a praia mais selvagem de Ubatuba. Aqui o mar é sempre bravo, o que dificulta até para a entrada de barcos, mas hoje, surpreendentemente o mar está quase uma piscina. Na chegada a areia, ao invés de seguirmos para a esquerda, pegamos para a direita e fomos tomar uma ducha numa pequena cachoeirinha no extremo. Não era nada de mais, só que como o calor estava grande já logo pela manhã, aproveitamos a água com temperatura agradável para nos refrescar.

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Retomamos nossa caminhada para o outro extremo da praia (esquerda), mas ao chegarmos a metade, caímos para o meio do bosque sombreado até chegarmos na grande bica e lá nos matamos de tanto beber água e abastecemos nossos cantis. No fim da praia, quando a areia acaba, entramos em outra trilha em direção à praia do Saco das Bananas. A trilha vai subindo e logo saímos no aberto com um espetacular mirante da Praia do Simão. Começamos a nos enfiar numa floresta de jaqueiras, aliás, carregadas de jacas e vamos subindo até começarmos a descer em meio aos bananais que dão nome a essa travessia. Descartamos uma estradinha a direita e quando chegamos nas ruinas da antiga escolinha, nos detemos por um instante para uma foto e um descanso.

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A ruína da Escolinha traduz bem o que deveria ser isso há muito tempo atrás. Aquela vilinha de caiçaras hoje está também em ruínas e somente uma ou outra casa se mantém com algum morador, mas o silêncio ali é tão grande que mais parece um lugar fantasma.

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Vamos descendo por uma escadaria que vai se enfiando em direção à praia, numa pequena baia até que alguns minutos nos leva ao mar. Na praia, apenas um casal e um barquinho boiando nas agás calma e verdes. E é mesmo um cenário de sonhos que encontramos. QUE COISA LINDA! É um grande prazer poder pegar a praia daquele jeito, já que quase 25 anos atrás, pegamos um mar revolto e escuro. Agora sim, agora aquele mar fazia jus à fama daquele lugar surpreendente. Subimos nas pedras e ganhamos o canto direito, onde piscinas naturais me tirou da terra e me jogou ao mar.

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A água está numa temperatura excelente e eu nadei até não aguentar mais, enquanto o Rosa aproveitou para se refrescar numa sombra e comer alguma coisa. E eu estava certo quando ficava inquieto querendo fazer essa travessia e não poderia ter escolhido um dia melhor, porque será difícil existir outro dia com tanta beleza na PRAIA DO SACO DAS BANANAS.

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É com uma imensa dor no coração que abandonamos aquela praia, mas a travessia tinha que continuar. Subimos de volta à escolinha e mesmo antes de alcançá-la, cortamos caminho por um roçado e interceptamos a trilha principal, que vai nos levar em direção a prainha da Raposa. Ela adentra na mata pontilhada por jaqueiras gigantes, nos leva ao alto, onde uma casa abandonada nos tira do nosso caminho. Nós havíamos recebido uma informação de um lugar encantador e o caminho muito provavelmente partiria dos fundos dessa casa, mas me pareceu que teríamos que varar um mato descendo a encosta até o mar, e como notei que o Rosa estava um pouco cansado devido ao colar intenso, resolvi abortar essa descida e voltar para trilha, mas logo à frente, quando o caminho sai novamente no aberto, me arrependi amargamente de não ter descido ao Saco do Morcego, uma piscina natural de tamanho grandioso.

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Mais alguns minutos de caminhada e a trilha nos leva para o fundo do vale, onde um riacho de águas cristalinas já serve para matar nossa sede. Depois vamos subir novamente sem dó, até atingirmos um descampado em meio a um sapezal. O sol queima tudo, é um calor insuportável que beira fácil os 40 graus ali naquele pedaço de litoral e só nos animamos novamente quando o caminho entra novamente na floresta fechada e vai seguindo em nível e começamos a descer de vez, passamos por umas entradas de uns sítios e interceptamos a trilhinha que nos levaria em definitivo até a praia. E é uma trilha bem minúscula, protegida por algumas cordas que ajuda a não escorregar no barranco, mas não leva mais de 5 minutos para a gente desembocar na PRAIA DA RAPOSA, praia selvagem e encantadora, 4 km depois de partirmos do Saco das Bananas.

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A prainha me surpreende positivamente, parece ainda mais selvagem que 25 anos atrás, é uma solidão imensa, com o mar batendo um pouco mais forte que a praia anterior, com areias mais grossas e com a água mais mexida, mas apesar de tudo, não estava deserta de gente. Ao pisar na areia já me dirijo imediatamente para conversar com um único casal que estava deitado no centro da praia. Ando tranquilamente, olhando o mar e as belezas em volta, sem focar muito de quem estaria deitado na areia, chego perto, cumprimento os dois e só então, depois que os meus olhos se acostumam com a luminosidade é que me dou conta que OS DOIS ESTÃO COMPLETAMENTE NUS. ( kkkkkkkkkk) Fiquei desconcertado , não por encontrar um casal pelado, mas por eu não ter percebido e ter recuado, sem me dirigir para falar com eles. Mas por sorte, o Rosa veio para me salvar, já que eu não conseguia nem falar: - Boa tarde meu irmão, curtindo aí um naturalismo né? Nem sei o que o casal respondeu, saí de fininho, sem nem olhar para trás e fui me refugiar na sombra do lado direito da prainha.

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Cinco minutos depois, os peladões se mandaram, ganharam o costão e sumiram da nossa frente, voltaram pelo mesmo lugar que vieram, acho que nem sabiam que existia uma trilha mais curta de volta à civilização. O Rosa se contentou em ficar na sombra descansando, mas eu é que não ia sair dali sem dar um mergulho e mesmo com o mar um pouco mais agitado, pulei na água e por lá fiquei, me refrescando, até que num mergulho, localizei uma TARTARUGA quase que encalhada na areia. Duas braçadas me levaram ao animal e consegui captura-lo e não levou mais de um minuto, tempo suficiente para que o Rosa sacasse uma foto e eu já a devolvi para o mar, evitando qualquer tipo de estresse desnecessários e esse foi mais um encontro inusitado nessa prainha tão legal.

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Subimos novamente a trilha e interceptamos o caminho principal, quase uma estradinha, que vai subir por 10 minutos e descer por outros 10 até nos levar direto para a PRAIA DA CAÇANDOQUINHA, uma prainha mais reservada, mas agora sem o charme das praias desertas que passamos. Por ser véspera do ano novo, estava bem cheia, mas ainda suportável.

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No final, do lado esquerdo, uma outra trilha larga nos conduz em pouco mais de 5 minutos até a outra praia, onde primeiro temos que descer nos valendo de uma corda para ganhar sua areia. A PRAIA DA CAÇANDOCA é um antigo quilombo e é também uma bela praia, mas nessa época do ano parece a sucursal do inferno e hoje para ir ao mar, será necessário entrar na fila de tanta gente que tem. Eu e o Rosa passamos batidos e rapidamente ganhamos o extremo da praia, e já tratamos logo de sairmos vazados daquele antro em tempos de pandemia. No fim da praia, interceptamos outra trilha larga que sobe ao alto e uns 10 minutos depois, desemboca numa estrada, bem em frente a uma guarita que dá acesso a próxima e derradeira praia dessa travessia.

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Essa próxima praia é uma que ainda faltava no meu currículo, porque mesmo de outras vezes que por aqui estive, nunca a visitei. Quando chegamos à estrada, já localizamos a entrada para a praia, mas para lá chegar, é preciso passar por dentro de um condomínio de luxo, onde os ricos cagam dinheiro, com casas avaliadas em milhões de reais. Quando os guardas da guarita nos viram, já foram nos pedindo os documentos. Não sei se isso é de praxe ou se vendo as nossas caras de pobres, tentaram se resguardar, mas no fim, desistiram de anotar os RG, quando dissemos que passaríamos rapidamente pela praia, porque estávamos apenas fazendo a travessia. Aqui abro um parêntese: Ter que ficar dando satisfação para poder frequentar uma praia pública é o fim da picada e é claro que deveria ter uma passagem livre ali para qualquer pessoa sem ter que dar satisfação a seu ninguém, mas enfim, entramos e seguimos por uns 10 minutos até a areia.

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E é realmente como eu disse, uma praia voltada para a elite da elite, a tal ponto de a gente ver uma sala de uma das casas e pensar que era um grande restaurante. Aquilo era um absurdo tão grande, uma ostentação tamanha, que o Rosa ficou até revoltado e pediu para irmos logo embora de lá. Em frente as mansões, há jardins que devem necessitar de uns 10 funcionários só para cuidarem deles, verdadeiros palácios de sultões. As pessoas que ali estavam, pareciam recém-saídos da antiga revista “ CARAS”, num gramado impecável, sem quiosques ou qualquer outra coisa que lembrasse pobreza. A Praia era bem bonita, águas calmas com embarcações luxuosas. Atendendo aos pedidos do Anderson Rosa, nos dirigimos para a outra extremidade da praia, na tentativa de acharmos a trilha que nos levaria até um castelo no alto do morro e nos devolveria novamente à estrada, mas antes de lá chegarmos, fomos descobertos pelos 3 seguranças da PRAIA DO PULSO, que vendo que éramos os únicos pobres ali, vieram nos interpelar.

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Os seguranças foram educados, mas a intenção era clara de nos constranger, nos dizer que ali não era o nosso lugar, era preciso que a gente soubesse que ali tinha dono, e que não éramos bem-vindos, então nos indicaram a saída, como a nos dizer: vão embora e não voltem nunca mais.

Fizemos cara de paisagem, cagamos e andamos, mas não dissemos coisa alguma, recebemos a informação e assimilamos o golpe, muito porque, estávamos mais do que atrasados no nosso roteiro, então ao chegarmos no final da areia da praia, mandamos tudo aquilo a merda, ganhamos a trilha, passamos raspando no castelo, até alcançarmos novamente a estrada, onde passamos por mais uma guarita, sem dar nenhuma satisfação a quem quer que seja.

Ganhando a estrada, vamos descendo sob um sol para cada um. A caminhada vai desenrolando vagarosamente, enquanto a gente vai suando em bicas e por quase uma hora, nos arrastamos até a RIO-SANTOS, desembocando bem em frente a um ponto de ônibus. Nossa intenção era ganhar a rodovia e caminhar por mais uma meia hora até o PORTAL que divide Ubatuba de Caraguá, mas fomos surpreendidos com um temporal avassalador e tentamos nos esconder dele no abrigo do ponto. A tempestade varreu o litoral, de tal maneira que tivemos que nos segurar para não sermos arrastados pelo vento e quando o ônibus apareceu, pulamos para dentro e demos graças por escaparmos vivos daquele aguaceiro todo.

Descemos no portal e antes de ganharmos o caminho de volta para Ponta Aguda, passamos no mercado para garantirmos o churrasco da virada de ano. Seguimos enfrente, debaixo de uma chuva fina, caminhando por uma estrada que não dava passagem nem para tatu de chuteira e quando chegamos ao mirante da Praia da figueira, ao invés de continuarmos pela estrada, resolvemos cortar caminho e interceptar a trilha que liga uma praia a outra e em mais 15 minutos, o caminho nos devolveu a Ponta Aguda, pouco depois das 4 horas da tarde, fim da travessia, estava cumprida a jornada que havíamos programado.

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Cansados, extenuados, mas extremamente satisfeitos com aquele fim de ano glorioso, num ano difícil, marcado por uma pandemia mundial e que dificultou muito a vida de todo mundo. Mas reviver essa caminhada incrível, quase 25 anos depois, foi algo gratificante, melhor ainda foi encontrar essa parte do litoral quase do mesmo jeito que a encontramos nessas mais de 2 décadas atrás, num pedaço de litoral de acesso difícil, mas encantador, com praias selvagens e natureza exuberante, um lugar destinado somente para os que tem coragem de se levantar da cadeira e meter os pés na trilha, para cruzar por um dos lugares mais bonitos do litoral do Brasil.

 

 
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    • Por Alan Rafael Kinder
      INTRODUÇÃO
      Bom dia pessoas!
      Segue o relato da viagem em grupo que fiz neste final de semana (dias 15 e 16 de maio de 2021) até o município de Alfredo Wagner/SC, conhecida também como a capital catarinense das nascentes de Santa Catarina.

      Foto do grupo, no estacionamento - início da 'trilha de acesso'.
      De lá, seguimos por cerca de 17km em uma estrada do interior que leva até o ponto de estacionamento que dá início à 'trilha de acesso' aos Soldados Sebold.
      O caminho de carro até lá é de fácil acesso, você consegue se localizar através do GPS sem qualquer dificuldade - e quando a estrada no Maps acaba, haverão placas indicando o final do percurso até o estacionamento.
      É cobrada uma taxa de R$ 10,00 por veículo para deixa-lo estacionado (apenas dinheiro).
      Caso tenhas um veículo 4x4, podes seguir por um acesso que leva até ao acampamento (todavia você perde a chance de fazer a 'trilha de acesso').
      Para poder acessar a fazenda particular onde os Soldados Sebold estão, é necessário reservar com antecedência (mas vi pessoas chegando de carro na hora e negociando na recepção - todavia não indico pois corre-se o risco de não haver mais vagas).
      Informações específicas sobre valores e reserva podem ser obtidos diretamente no site deles: www.soldadossebold.com.br.
      Estávamos em um grupo com 06 pessoas, fizemos a reserva com duas semanas de antecedência, e conseguimos apenas vagas para o 'acampamento alto' - todas as opções de hospedagem (refúgios) e as vagas no 'acampamento baixo' já estavam ocupadas.
      O valor por pernoite acampando é de R$ 50,00 por pessoa, com acesso à toda estrutura da fazenda (mesmo que você esteja no 'acampamento alto').
      Bem, abaixo vou segmentar o relato, em ordem cronológica, falando das trilhas e da fazenda...
       
      TRILHA DE ACESSO
      Como já havia pontuado acima, a trilha começa no ponto de estacionamento, e segue inicialmente por uma larga estrada rural, passando em dois momentos por rios rasos, e depois um forte aclive até uma interseção que faz os caminhantes subirem o paredão por uma passagem, e depois retorna para uma estrada rural que leva até ao acampamento.
      O caminho em si é fácil, com apenas 7km (conforme nosso mapeamento - no site consta cerca de 6km) e 414m de elevação (qual se acumula após passar do segundo rio, até o topo do paredão).
      Ambas as passagens pelos rios podem ser feitas pelas pedras (com um pouco de trabalho - não tem um caminho bem definido). Ou tirando os calçados e passando pela água que chegará até a canela. Eu atravessei com botas de trilha de cano alto, pelas pedras.

      Primeiro rio, no primeiros momentos da trilha de acesso.

      Segundo rio, logo após o primeiro.
      Após o segundo rio, não demorará para chegar no início de um aclive acentuado pela estrada, com muitas pedras soltas. Ele é longo e sinuoso.
      Em certo momento, facilmente poderá se perceber um desvio para a esquerda (há inclusive marcações e uma plaquinha), onde saímos da estrada e pegamos uma trilha que nos levará até o topo do paredão. Trata-se de um caminho bem definido, com também muito aclive, e no final o solo argiloso fica úmido (mesmo em um dia ensolarado).
      Já no topo do paredão é possível ter o primeiro vislumbre das formações montanhosas (e dos Soldados Sebold) ao final do vale.

      Caminho pelo pasto logo após a subida do paredão (depois daqui quase não haverá mais aclives).
      A trilha percorre um pasto, disputando o espaço com algumas vaquinhas, e culmina na estrada rural, que ziguezagueia por cerca de 2km até a entrada da fazenda, com pequenas subidas e descidas. Quase chegando a porteira, temos ainda uma elevação considerável para encarar.

      Estrada rural que segue até a entrada da fazenda - já dar para ver os Soldados Sebold ao fundo.
       
      ACAMPAMENTOS BAIXO E ALTO
      Quando você chegar na porteira da fazenda, um funcionário verificará se os nomes estão na lista de reservas, daquele ponto a estrada se divide, com um caminho descendo até o 'acampamento baixo', e o outro subindo até o 'acampamento alto'.
      A recepção, os refúgios, os chuveiros, a lojinha/bar e praticamente toda estrutura da fazenda ficam no 'acampamento baixo'. Lá há sinal de wifi, tomadas para recarregar os equipamentos, água quente para banho e luz. Na cozinha compartilhada tu encontras um fogão e uma geladeira. Há algumas (poucas) mesas distribuídas pelo espaço, e também, obviamente, áreas para acampar distribuídas ao redor de toda estrutura.

      Um dos refúgios para locação na frente, a cozinha comunitária e outro refúgio ao fundo - parte da estrutura no 'acampamento baixo'.
      Há dois sanitários, três pias, e dois chuveiros (e também há um banheiro/chuveiro numa casinha de madeira pequeninha).
      Um dos chuveiros não estava esquentando nesse final de semana, e os demais ficavam mais 'fracos' quando ligados simultaneamente.
      Ah, a água é potável em todo acampamento!
      A lojinha/bar serve frituras, bolos, pinhão (nessa época) e outras coisinhas (camisas). Há também refrigerante e cerveja (Ecobier).
      Os preços são justos (considerando o isolamento do lugar - uma Ecobier de 600ml sai por R$ 10,00).
      É aceito cartão de crédito.
      Naturalmente pede-se para que todos tenham a sensibilidade com a questão do lixo, e no 'acampamento baixo' há um local para depósito de reciclados.
      Diferentemente do 'acampamento baixo', no 'acampamento alto' quase não há estrutura.
      Basicamente é um pasto enorme com vários pontos dispersos de acampamento (o espaço é bem amplo).
      Existem algumas torneiras distribuídas, e também uma pia.
      Tem uma casinha de madeira com um vaso, e ao lado de fora outra pia - mesmo durante o dia fica escuro lá, necessitando de uma lanterna para usar.
      Não há pontos de energia, nem luz, nem mesas - enfim, tem uma pegada mais selvagem.

      Conexão entre o acampamento baixo e alto, com aclive acentuado e cerca de 600m.

      Um dos lados do acampamento alto (ele é bem amplo), em foco o banheiro.
      Nós acampamos nessa área, e foi super de boas. É um pouco difícil achar áreas planas (eu não consegui - instalei a barraca da melhor forma que deu, mas ainda tinha desnível, e quem acampa sabe como isso é chato).
      Parece que os proprietários da fazenda estão tornando o local mais 'acessível' a outros públicos turísticos - estão sendo construídas cabanas e já vimos postes instalados nessa área (tudo indica que futuramente haverá energia aí também).
      Tivemos um azar terrível de um outro grupo acampar perto de nós, e fazer barulho (gritos e musica) até tarde.
      Mesmo havendo avisos sobre a questão de silêncio, parece que esse pessoal aí não sabia ler, ou muito menos ter mínimo de bom senso. Como a balbúrdia começou já no inicio da noite, não tivemos a chance de nos instalarmos em outro canto mais silencioso - e tivemos que aguentar a macaquice desses 'doutores' (uma ficava toda hora dizendo que tem CRM, outro que era engenheiro - uma piada pronta).
      Enfim, vale pontuar que os acampamentos ficam cerca de 600m um do outro. A distância não é muita, mas há um desnível considerável entre ambos, tornando essa caminhada extenuante.
      Tivemos que faze-la umas três ou quatro vezes durante nossa estadia.
       
      TRILHA ATÉ A BASE DOS SOLDADOS
      Essa trilha nos permite subir até o ponto de tocarmos a formação de rochas e arenito de Soldados Sebold. A fizemos no início de domingo, logo após nosso café da manhã.
      Ela começa em um dos extremos do 'acampamento alto' (há sinalização) e consiste em um aclive pesado por cerca de menos de 1km, onde chegamos no topo. Eu achei a subida perigosa, com muitos pontos que passava pela beirada, sem nada para impedir uma infeliz queda. O caminho também exigia que por vezes você deveria subir 'de quatro', usando as mãos para se segurar (e na boa, não é zoeira). Totalmente impossível de subir quando úmida.
      Mas obviamente, a visão lá de cima é extraordinária!

      Subida da trilha da base dos Soldados Sebold, com nuvens baixas.

      Outro ângulo durante a subida, em direção aos paredões.

      Captura de parte do acampamento alto, durante a subida para a base dos Soldados Sebold, cerca de um terço do caminho (sobe muito mais).
      Do mirante do topo, é possível subir por mais uns poucos metros e tocar nos Soldados Sebold, e deste caminho têm a opção para descer pelo caminho alternativo (que foi qual tomamos).
      É possível perceber que pouca gente opta por ele, dadas as condições da trilha (muito mais fechada e menos definida - mas sem problemas para navega-la).
      Ele é mais longo, mas achei mais seguro (apesar de também haverem pontos de exposição ao 'infinito'). Ao final você chega na interseção da trilha que leva para o 'arranha-céu' (uma trilha mais complicada que não fizemos, e exige reserva com guia credenciado), e volta por um caminho batido ao lado de um córrego até os pastos do 'acampamento alto' novamente.
      A trilha deu 2.5km (segundo nosso mapeamento), com 437m de aclive acumulado - esquecemos de mapear bem o início dela, então os números podem ser um tanto superiores.
       
      CÂNION DO LAJEADO
      Logo que terminamos a trilha até a base dos Soldados Sebold, retornamos para nossas barracas e começamos a levantar acampamento.
      Demos uma paradinha ainda no 'acampamento baixo' para usar os banheiros, tomar uma cerveja e seguimos pela 'trilha de acesso' para retornar até o estacionamento.
      Logo que saímos da fazenda, passados uns 400m, há a possibilidade de acessar o Cânion do Lajeado.
      É uma trilha extremamente curta e simples (só há uma escada para descer a parede), e tem um cenário bacana.
      Não custa nada a paradinha.

      Conforme você avança o cânion vai afunilando, mas necessita entrar na água.
      A volta foi tranquila, eu sempre acho mais fácil descer do que subir, então foi suave!
      Depois, bastou pegar os carros e encarrar a estrada até em casa.
       
      CONCLUSÃO
      Gente, vale muito a pena conhecer esse lugar - e eu sugiro ter essa experiência nesses moldes que adotamos.
      Fazer a 'trilha de acesso' e subir até os Soldados Sebold.
      Nós só subimos no domingo pois chegamos tarde no sábado, e ficava muito corrido tentar.
      O local é bem agradável para passar o dia, dá pra ficar curtindo a paisagem com tranquilidade.
      Infelizmente grupos barulhentos são comuns em todos os cantos, eu nunca vou entender a necessidade dessas pessoas virem para um canto de sossego só para fazer barulho (e ainda por cima gritar 'ninguém dorme')... e isso definitivamente estragou bastante a experiência para mim.
      Eu achei a fazenda bem estruturada, e o local é bem movimentado.
      Para nosso grupo, desconsiderando combustível, a despesa média ficou em cerca de R$ 80,00 por pessoa (considerando comida, besteirinhas que compramos por lá, entrada/pernoite e estacionamento).
      Naturalmente daria de fazer com muuuito menos.
      Enfim, foi um resumo da atividade, certamente deixei coisas de fora.
      Qualquer dúvida basta deixar uma mensagem que estarei respondendo!

      Eu praticamente no topo! @alankinder
    • Por mcolzani
      Eu e minha esposa Magali decidimos em setembro de 2020 fazer a travessia. Começamos a planejar e nos preparar desde então. Definimos que a melhor data seria na semana santa pois seria mais fácil de conciliar férias, folga etc e ainda daria uma margem de segurança maior caso fosse necessário estender a travessia.
      Fomos com o objetivo de caminhar no mínimo 35km/dia mas tentar fazer 40km/dia, que reduziria em um dia a travessia.
      Inicialmente iríamos seguir no sentido sul (Rio Grande x Barra do Chuí), porém na semana que antecederia nosso início a previsão indicava maior incidência de vento sul e optamos em inverter, saindo da Barra do Chuí no sentido norte.
      Saímos de Itapema/SC de carro até a rodoviária de Pelotas/RS no dia 27/03 onde deixamos nosso carro e pegamos o ônibus até Chuí. Chegando em Chuí levamos 20min até conseguir um taxi para a Barra do Chuí (lá não existe Uber/99 etc).
      Pernoitamos em um Airbnb lazarento, mas enfim, a ideia era ficar bem próximo da praia para conseguir começar a caminhada cedo.
      Obs: não conseguimos sinal de celular na Barra do Chuí.
      Dia 01
      Iniciamos a caminhada as 06:00 do dia 28/03/2021 com vento sul moderado. Nossa ideia inicial era fazer uma parada a cada 10km, porém preferimos tocar direto até Hermenegildo e nos abrigar do vento.
      Foram aproximadamente 13km até essa primeira parada. Aproveitamos para comunicar os familiares.
      Trocamos as meias e seguimos a caminhada. Logo ao passar Hermenegildo começou uma chuva leve. Vestimos a capa de chuva e continuamos.
      Poucos km a frente a chuva engrossou, porém não havia local para abrigo e continuamos a caminhada por mais 5km até encontrar um barraco de pescador onde nos abrigamos por aproximadamente 1 hora até a chuva passar.
      Ao longo do dia o sol ia e vinha. 
      Como era domingo, vários moradores de Hermenegildo passavam de carro.
      Estávamos aproximadamente no KM 38, totalmente secos quando uma chuva torrencial nos atingiu. Sem possibilidade de abrigo, seguimos até completar 40km e montamos acampamento em meio as dunas (agora sem chuva).
      Nessa noite ventou pouco, porém a chuva recente e o orvalho que se formou acabou gerando um pouco de condensação no interior da barraca.
      Jantamos, cuidamos dos pés e eu percebi a primeira bolha inesperada (bolha nos mindinhos eu já esperava).
      Distância: 41km (areia fofa)
      Dia 02
      Despertador tocou as 5:00, comemos, organizamos as coisas e levantamos acampamento. Eram aproximadamente 6:45 quando começamos a caminhar com as roupas e tênis molhados.
      Decidimos racionar a água para reabastecer na casa do Sr. Ricardo que possui poço e atingiríamos entre 10 e 11 horas da manhã.
      Faltando 1 km da casa do Sr. Ricardo, avistamos uma vaca deitada na beira da praia. Minha esposa achou que ela estivesse morta, mas eu percebi movimentos de orelha. Estávamos a 50mt dela quando nos observou e levantou assustada. Virou-se contra nós e avançou em nossa direção. Nesse momento tentei chamar atenção para mim e me afastei da minha esposa. Imediatamente empunhei os bastões como se isso fosse resolver alguma coisa. A vaca recuou e virou da direção da Magali quando pedi para ela ficar parada e fui até ela. A vaca ameaçou novamente e juntos erguemos os bastões lentamente até que a vaca recuou e se afastou pelo outro lado. Lentamente nos desviamos e seguimos nosso rumo. A adrenalina subiu bastante nessa hora e o susto foi enorme. Melhor que nada aconteceu e ficou apenas por isso.
      Chegamos na casa do Sr. Ricardo e chamamos por ele. Não estava, enchemos nossas garrafas e tratamos com cloro. Enquanto isso, aproveitamos a sombra para um descanso e para trocar as meias.
      Descobri uma nova bolha se formando em baixo do outro pé.
      Quando estávamos para sair chegou um veículo com 3 homens que estavam construindo uma nova casa para o Sr. Ricardo mais aos fundos (pois a atual está quase sendo tomada pelas dunas). Conversamos um pouco e seguimos nossa caminhada.
      Por ser 2a-feira, nesse dia praticamente não tivemos contato humano. Nesse dia encontramos o único caminhante que veríamos ao longo da nossa caminhada. Nos cumprimentamos, conversamos rapidamente e cada um seguiu seu destino. Nós querendo seguir e ele querendo terminar logo.
      No meio da tarde pegamos chuva novamente. Decidimos proteger os tênis com o saco que usávamos para atravessar os arroios pois não queríamos andar novamente com os pés molhados.
      Esse foi o pior dia e a pior noite, o dia todo foi um misto de "chega, vamos desistir, etc", por sorte não passou ninguém oferecendo carona. 
      Quando paramos para acampar, ventava sudoeste e então montei a barraca abrigado por dunas nesse lado. Só havia abertura pequena para o leste e foi ai que começou nossa pior noite. Já estávamos dormindo (aproveitamos 21:30) quando o vento virou leste com chuva forte.
      Vacilei ao não reforçar o estaqueamento da porta que estava exposta ao leste e aconteceu o óbvio, o speck soltou e essa lateral "caiu". Fiquei sentado encostado no bastão para a lateral ficar de pé. Quando estiou sai à procura de algo para ancorar essa porta e achei um barril cortado que coloquei sobre o speck e enchi de arreia.
      Nessa noite continuou ventando muito e chovendo diversas vezes.
      Distância: 40km (areia fofa com bem pouca área firme)
      Dia 03
      Despertador tocou as 5:00, estava chovendo e botei o soneca para + 15min. Continuava chovendo e seguimos dormindo até aproximadamente 6:15 quando parou de chover, então comemos e saímos para caminhar já eram 8:00.
      Decidimos que 30km estaria bom para esse dia.
      Seguimos +/- a ideia do dia anterior e racionamos a água para reabastecer no Farol Albardão que estava a 7-8km de distância.
      Fomos muito bem recebidos no Albardão onde bebemos água e reabastecemos todas nossas garradas. A água lá é potável, então não tratamos nem filtramos.
      Nesse dia percebemos que uma parada a cada 10km não era sustentável e decidimos parar a cada 7km. Nesse dia comecei a sentir fortes dores na junção do fêmur com o quadril e comecei a "mancar" para não estender a perna e doer mais. Assim foi praticamente até o final da travessia.
      Outro dia que tivemos pouco contato humano e com pouco vento, dessa vez sentido leste.
      Apenas no final do dia quando chegamos na área de reflorestamento que avistamos 2 caminhões saindo de uma área indo no sentido norte.
      Quase no final do dia, avistamos um morador indo recolher sua rede. Perguntamos se conhecia algum lugar bom para acampar na região querendo ouvir um "pode acampar no lado da minha casa" mas veio um "lá naquela baleia tem uma base do reflorestamento, talvez consiga lá". A tal baleia estava a uns 3-4 km e já estava começando a anoitecer. Deveríamos nos arriscar a andar toda essa distância e chegar lá de noite correndo o risco de nem achar a base? 
      Preferimos seguir mais 1km e acampar em meio as dunas altas. Dessa vez ancorei muito bem praticamente todos os lados da barraca para não ter surpresas.
      Novas bolhas para cuidar.
      Dormimos magnificamente bem. Como todas as noites anteriores, choveu bastante durante a noite.
      Distância: 35km (areia fofa)
      Dia 04
      Despertador tocou as 5:00, comemos, organizamos as coisas e levantamos acampamento.
      Nesse dia acreditamos que seria difícil manter o ritmo e terminar em 6 dias. Já aceitamos que precisaríamos de 7 dias. Porém mantivemos o desejo de fazer os 35km.
      O dia foi bastante movimentado, muitos caminhões, ônibus, etc. Sabíamos que agora a água viria apenas dos arroios, porém perto das 11:00, quando devíamos ter apenas 1 litro de água, vimos um quadricíclo vindo em nossa direção. Pedi para parar e perguntei se sabia de algum ponto de água pela frente. Conversamos um pouco e o Mauro, funcionário da empresa de reflorestamento, se ofereceu para ir pegar água na base deles. Deixamos nossas 4 garrafas de 1,5lt com ele. Uma hora depois ele passou por nós e falou que deixou as garrafas em uma placa mais a frente para que não precisássemos carregar todo o peso. Caminhamos uns 2km até chegar nas garrafas, tratamos e filtramos. Ficamos absurdamente contentes, não tinha como ficar mais contente.
      Próximo das 15:00 uma caminhonete branca nos intercepta. São funcionários da empresa de reflorestamento. Conversamos um pouco e eles falam (se pedirmos) que iriam trazer água para nós quando voltassem. Ganhamos o dia e agora não tinha mais como melhorar mesmo.
      Uma hora depois passa outra caminhonete igual (também da empresa) e pergunta se queremos algo (água, comida, fruta etc). Respondo que aceitamos qualquer coisa, mas principalmente água. Ele diz que na volta trará algo para nós.
      Continuamos a caminhada e com o sol de pondo resolvemos achar um local para acampar. Enquanto montava a barraca a esposa ficava nas dunas de olho se vinha alguma caminhonete.
      Quando terminei de montar a barraca, avistei um veículo vindo e como já estava escuro sinalizei com a lanterna.
      Dois santos que caíram do céu. Nos trouxeram 4 litros de água tratada e gelada (com pedaços de gelo ainda). Não só isso, trouxeram duas marmitas e frutas. Estávamos nos sentindo reis.
      Só então percebemos que montávamos acampamento praticamente na entrada de uma base deles e nos falaram que o movimento de caminhões ali seria a noite toda pois a operação deles é 24hrs. Nos ofereceram ficar em um alojamento vago.
      Agora certamente não tinha como melhorar. Decidimos aceitar o convite pois o local onde estávamos era de dunas baixas e o vento provavelmente iria incomodar. Caminhamos quase 2km até chegar na base e nos deparamos com o inimaginável, além de tudo que já tinham nos oferecido, poderíamos tomar um banho quente em chuveiro a gás.
      Nossa energia se renovou absurdamente nessa noite. Decidimos dormir uma hora a mais nessa noite pois não precisaríamos arrumar muita coisa pela manhã.
      Agradecemos ao pessoal que nos recebeu e principalmente ao Rodrigo (encarregado). Pegamos seu contato para agradecer novamente quando concluíssemos.
      Nesse dia outras bolhas surgiram e algumas antigas começavam a parar de incomodar.
      Distância: 42km (enfim, areia firme)
      Dia 05
      Despertador tocou as 6:00, comemos, organizamos as coisas, reabastecemos nossa água, nos despedimos do pessoal e começamos a caminhada.
      Pela distância percorrida no dia anterior, decidimos que esse dia seria de luxo, 35km bastaria.
      Saímos dá área do reflorestamento e começamos a avistar as torres geradoras de energia eólica. Que visão horrível. Você começa a enxergar elas a 20-25km de distância, então caminha, caminha, caminha e caminha ainda mais e nunca chega.
      Esse dia foi um dia caminhando olhando apenas para baixo, pois era desmotivador. Esse foi o 1o dia que não pegamos chuva na caminhada.
      O vento estava moderado a forte no sentido leste, o que fez com que a maré estivesse acima do normal, nos forçando a subir para areia fofa em vários momentos.
      Ao final do dia, chegamos em um trecho de dunas baixas e já bateu aquela sensação ruim para achar um local bom para acampar. 
      Nós não queríamos ter que andar 500-700 metros para chegar nas árvores, querendo ou não é uma distância que pode fazer a diferença e em terreno ruim.
      Atravessamos o primeiro grande arroio e achamos um ponto menos exposto. Ancorei bem a barraca e dormimos igual reis.
      Distância: 38km (alternando entre areia firme e fofa)
      Dia 06
      Despertador tocou as 5:00, comemos, organizamos as coisas e levantamos acampamento.
      Esse seria o primeiro dia para captar água nos arroios. Estávamos com 1 litro de água e a esperança era conseguir água com quem passasse, afinal era feriado e teríamos movimento. Passou o primeiro carro e nada de água. Logo chegamos a outro arroio grande e decidimos captar água ali e garantir. Pegamos 4,5 litros, tratamos e filtramos.
      Esse dia estava puxado, o vento resolveu querer dificultar e virou norte moderado. Foi o dia todo contra o vento, mas nada nos seguraria. Muitos arroios pela frente, já estávamos exaustos de colocar e tirar a sacola nos pés, mas assim o fizemos durante todo o dia.
      No 4o ou 5o arroio a Magali não olhou bem o terreno e entrou em uma arreia movediça, ficando com os 2 pés enterrados até acima do tênis. Falei para não tentar sair, fui até ela e puxei ela pela cargueira. Saiu fácil mas encharcou os pés e os tênis.
      Andamos, andamos, andamos e a quilometragem não andava. Parecida que estávamos em uma esteira, andava sem sair do lugar.
      Dia bem movimentado, carros, motos, ônibus, bicicletas e o primeiro cachorro de toda travessia. Esse foi o 2o dia que não pegamos chuva na caminhada.
      Enfim chegamos a praia do Cassino, mas ainda tínhamos 13 km pela frente. Parece que foi a parte mais longa da travessia. A praia estava muito movimentada devido ao feriado. Às 16:30, enfim, chegamos aos molhes. Ficamos sem reação, apenas sentamos e aproveitamos o momento.
      Decidimos pegar um Uber até Pelotas e retornar direto para casa.
      Distância: 34km (areia firme)
      Distância total: 230,74 km

      Equipamentos que levamos:
      Murilo Magali Se alguém querer, posso passar também a relação dos alimentos levados.
      Tracklog
       

    • Por Tadeu Pereira
      Trilha Saco das Bananas ou Trilha das 10 Praias Desertas - Caraguatatuba x Ubatuba - SP 
      Praias: Praia da Tabatinga, Praia da Figueira, Praia da Ponta Aguda, Praia da Lagoa, Praia do Simão, Praia Saco das Bananas, Praia da Raposa, Praia da Caçandoquinha, Quilombo Caçandoca, Praia do Pulso, Praia da Maranduba e Praia do Sape.
      Dificuldade: Moderado
      Distância: 28 km
      Salve salve mochileiros!
           Segue o relato desta trilha fantástica situada entre Caraguatatuba e Ubatuba no litoral Norte de São Paulo, iniciada na Praia da Tabatinga a aproximadamente 20 Km da cidade de Caraguatatuba e finalizada na praia do Sape. A trilha é de nível médio com subidas e descidas mostrando belas paisagens e diversas praias. A maioria das praias são quase que desertas com pontos de água potável.  
      Partida - 17/11/20 - Ida 7:30am - São Paulo x Caraguatatuba -> BlablaCar R$45,00 - Caraguatatuba x  Praia da Tabatinga -> Ônibus R$4,65
           Partimos do bairro do Butantã em São Paulo capital onde combinamos com o motorista do aplicativo BlablaCar para sair às 7:30am. Saímos no horário marcado e fomos em 4 pessoas no carro. A viagem foi tranquila, segura, todos de máscaras pela pandemia e com duração de duas horas e meia até chegarmos ao Terminal Rodoviário de Caraguatatuba onde pegamos um ônibus do transporte público com sentido a cidade de Ubatuba. Depois de aproximadamente 35 minutos descemos no último ponto da praia da Tabatinga próximo ao Mercado Prime onde fica o início da trilha pela rua à direita do mercado. Compramos mais alguns mantimentos e água e iniciamos por volta das 11:00am a Trilha do Saco das Bananas ou Trilha das 10 praias desertas.   
       
           A trilha teve início na rua ao lado direito do Supermercado Prime pela Rua Onze onde seguimos por ruas com um terreno muito acidentado com muitos buracos e lama até chegar na entrada para a Praia da Figueira. Resolvemos não entrar nesta praia pois o tempo não estava ajudando muito e então seguimos em frente. Alguns metros a frente chegamos no Mirante da Praia da Ponta Aguda de onde se tem uma bela vista da Praia da Figueira e da Praia da Ponta Aguda.
         
                                                 (Entrada Praia da Figueira)                                                        (Estrada)
       

      (Mirante da Praia Ponta Aguda) - (Praia da Figueira)

      (Praia da Figueira)

      (Praia da Figueira)
           Passando o mirante a trilha começa a adentrar a mata mais fechada passando por diversos pontos d'água. Andamos por mais ou menos mais 1 hora e chegamos em um casarão abandonado com várias bananeiras ao redor. Não sei a história desta casa mas parecia ser bem antiga. Neste ponta a trilha se divide em duas, para a esquerda se segue a trilha para a Praia do Simão, e para a direita se chega na Praia da Ponta Aguda. Descemos uns 15 minutos de trilha passando por um descampado até chegar na Praia da Ponta Aguda. 
       

       (Praia da Ponta Aguda) 

       (Praia da Ponta Aguda) 
            Ficamos pouco tempo na Praia da Ponta Aguda pois estávamos correndo contra o tempo que a todo momento mostrava que podia desabar com muita chuva. Retornamos pela mesma trilha que chegamos na praia e continuamos a trilha seguindo as placas rumo a Praia da Lagoa. 
       

          (Praia da Lagoa) 
           A Praia da Lagoa que faz jus ao nome contém uma lagoa que desagua no mar situada do lado esquerdo da praia. Retornamos pela mesma trilha e seguimos as placas para a Praia do Simão que a princípio iríamos pernoitar e seguir no dia seguinte.  
       
           Apesar da placa de proibido resolvemos seguir em frente e caminhamos por mais ou menos umas 2 horas neste trecho. A trilha estava muito molhada pela chuvas do dia anterior tornando o trecho escorregadio e muito difícil de render a caminhada. O tempo até que estava colaborado pois só tínhamos pego chuviscos durante o caminho, até que chegando próximo da Praia do Simão o tempo simplesmente resolveu dizer qual seria o nosso destino pelos próximos 3 dias ahahauhauhauha. 
       
           Começando com um chuva bem fina, toda aquela água que estava acumulada durante o dia resolveu cair bem na hora que estávamos chegando na Praia do Simão ahuahuah e não parou mais. Depois de vários escorregões e tombos passando por alguns trechos que sem chuva até seriam fáceis, mas com toda aquela água caindo do céu com a trilha encharcada e muito escorregadia ficaram bem complicadas. E depois de algumas horas chegamos na Praia do Simão ou Praia Brava do Frade.

      (Praia do Simão ou Brava do Frade)

      (Praia do Simão ou Brava do Frade)


      (Praia do Simão ou Brava do Frade)

      (Praia do Simão ou Brava do Frade)
           Segundo moradores a Praia Brava do Frade possui este nome pois a um tempo atrás morou um frade na praia por muitos anos, razão do nome original. A praia é bastante procurada também por surfistas que buscam tranquilidade em uma praia deserta longe da badalação, mas neste dia não tinha ninguém na praia. 
           Chegamos e já montamos acampamento no meio das inúmeras árvores pensando em obter alguma sombra pra caso no dia seguinte o sol desse as caras ahuahuah. A praia tem mais ou menos 1 km de extensão com mar de águas agitadas, areia clara, praia de tombo, aparentemente com muitas correntes de retorno. Também ficamos próximos ao um ponto de água potável que fica no meio da praia formando uma pequena lagoa que com a forte chuva virou uma grande cachoeira que corria até o mar. A pernoite estava garantida, mas a chuva não parou mais aquela noite e nem no outro dia. Choveu forte, com trovoadas e muito vento o tempo todo.

      (Praia do Simão ou Brava do Frade)
       
       

      (Praia do Simão ou Brava do Frade)

      (Praia do Simão ou Brava do Frade)

      (Acampamento)

      (Praia do Simão ou Brava do Frade)
       
      (Bica d'água)
           Acordar em uma praia deserta certamente é um desejo de muitas pessoas, mas acordar com a praia deserta e com muita chuva também foi uma experiência muito boa com sentimento de frustração e agradecimento. Ficamos por três dias nesta praia por causa da chuva, as barracas viraram nossos lares naquele paraíso por alguns dias ahuahua. A chuva não deu trégua no segundo dia, choveu por várias horas de manhã até o meio da tarde. Tivemos que esperar por horas pra sair da barraca pra poder conhecer aquele paraíso, mas quando a chuva deu uma trégua nós saímos para desbravar e conhecer a praia. 

            Do lado direito andando pela praia existe um paredão de pedra que dependendo do volume d'água é um bom ponto para um banho de cachoeira, mas neste dia apesar de toda a chuva estava com volume baixo.  
       
      (Cachoeira)
            A chuva começou novamente e retornamos para o camping e por ali ficamos. Fizemos toda nossa comida dentro da barraca. Uso o modelo QuickHiker 2 Quechua que tem duas portas e dois grandes avanços possibilitando usar o fogareiro sem nenhum problema. Choveu o resto do dia e toda a noite. 

       
            Dormimos cedo com muita água ainda caindo, e por volta das 4:30am da madrugada a chuva resolveu finalmente parar. Resolvi sai da barraca assim que amanhecesse para ir ao banheiro e me deparei com um nascer do sol sensacional saindo lá longe no horizonte do mar. E depois de tanta chuva tive uma sensação de euforia, alegria, minhas energias se renovaram e todo aquele cenário de frustração por causa de toda aquela chuva mudou imediatamente ao ver os primeiros raios de sol naquele dia ahuahua, foi muito emocionante. Bom Diaaaaaaaaaaa!


       




      (Praia do Simão ou Brava do Frade)
           Com toda aquela animação já preparei um belo café da manhã e comecei a desmontar acampamento para seguir em frente pois além de toda aquela chuva que estava caindo antes, o mar também estava um pouco revolto e impossibilitou a travessia pela praia para poder continuar a trilha. E naquela manhã tudo isso estava ao nosso favor para poder continuar a travessia, então tomamos um café reforçado, desmontamos todo acampamento e seguimos para o lado esquerdo no final da praia onde fica a continuação da trilha. 

           No final da praia havia um acampamento fixo montado com barracas, panelas, talheres, pia, agua encanada hauahuahua. Depois de todo o perrengue que passamos com a chuva, aquele acampamento iria ser muito útil pra nós. Mas como não tivemos muito tempo de desbravar a praia, só encontramos esse acampamento quando estava saindo do Simão. Um morador local que encontramos na trilha nos disse que são de surfistas que se juntam e passam alguns dias neste local.  

       
           A continuação da trilha fica atrás deste acampamento. Neste trecho existe uma subida até chegar em um mirante que se vê toda Praia do Simão. E é neste trecho da trilha que se faz jus ao nome Saco das Bananas. Caminha-se por diversas plantações de bananas revelando belas paisagem. 


      (Mirante - Praia do Simão ou Brava do Frade)

             A caminhada neste trecho foi um pouco cansativa pois existem algumas subidas e descidas que desgastam um pouco por causa do peso da mochila. Caminhamos por uma hora e meia mais ou menos até chegarmos nas ruinas de uma escola abandonada, a Escola do Saco das Bananas construída em 1973 que atendia por volta de 25 crianças fechando em 1993 por falta de alunos. Ao lado esquerdo da escola segue a trilha para praia da Raposa e para o lado direito fica a trilha que chega na próxima praia da travessia, a Praia do Saco das Bananas. 

      (Escola E. P. G. Saco das Bananas)

           Seguindo a trilha da escola até a Praia do Saco das Bananas começamos a perceber o quanto ela é histórica com a frequente presença da Comunidade Quilombola existentes em algumas ruinas da época da escravidão. Levaram 10 minutos de descida até a praia e chegando encontramos um casarão de frente para o mar, que provavelmente seria dos donos de toda aquela plantação de bananas, encontramos uma praia pequena de aproximadamente 55 metros de largura, areias amareladas, águas cristalinas, com algumas pedras enterradas nas areias e cercada pela Mata Atlântica.

      (Praia Saco das Bananas)

      (Praia Saco das Bananas)

            Na Praia Saco das Bananas encontramos com alguns moradores que nos informaram que a praia era como um porto para os barcos levarem os produtos que os moradores cultivavam e que na sua maioria eram e é até hoje as bananas. Chegamos bem na hora que eles tinham colhido vários cachos. Nos contaram também que a trilha Saco das Bananas em alguns trechos, foram estradas construídas de pedra com intuito de facilitar o transporte de mercadorias cultivadas no roçado como: cana, mandioca, banana e outras especiarias. A praia guarda muitas histórias e muitos mistérios de sofrimento do período escravocrata e ainda sofrem até hoje com a especulação imobiliária. 

      (Praia Saco das Bananas)
           Ficamos por uma hora nesta praia contemplando e logo seguimos para a próxima praia que seria a Praia da Raposa. Retornamos até a escola e na bifurcação da trilha principal fomos para a esquerda. Neste trecho existem algumas subidas de tirar o fôlego, mas que nos proporcionaram vistas fantásticas das praias. 
       




       



           Caminhamos por uma hora e meia neste trecho até que chegarmos na entrada da Praia da Raposa, mas por causa do tempo ruim decidimos seguir em frente e não passar por esta praia. A entrada pra praia fica em uma trilha pequena onde existe uma corda para ajudar na descida ingrime. A entrada é bem pequena e fica à direita pra quem vem da Praia Saco das Bananas. Caminhamos mais alguns minutos e chegamos na Praia de Caçandoquinha. 

      (Praia da Caçandoquinha)

      (Praia da Caçandoquinha)
       
      (Rio de água doce)
           Chegando na Praia da Caçandoquinha se vê um casarão de fazenda do período escravagista mas que, por ser privada, não é aberta ao público. É uma praia de mar calmo, areias claras, muitos borrachudos, do lado direito da praia existe um riacho de água doce e contém algumas árvores centenárias propiciando ótimas sombras para ficar a beira mar. Hoje a Caçandoquinha guarda uma história de riqueza branca e sofrimento escravo, amenizado com o reconhecimento e regularização do Primeiro Reduto Quilombola do litoral norte do Estado de São Paulo.
        
      (Praia da Caçandoquinha)
           Ficamos um tempo nesta praia para descanso e aproveitamos para fazer um lanche embaixo das sombras de umas das grandes árvores centenárias que têm de frente para o mar. Ao contrario da sua vizinha, Caçandoca, esta praia é muito tranquila, não existe nenhuma estrutura para o turismo, não se chega de carro, e é pouco frequentada. Do lado esquerdo da praia existe uma trilha que leva ao Quilombo Caçandoca, nosso próximo destino. 
           Caminhando por uns 10 minutos já se chega no costão onde existe uma corda para a descida até a Praia da Caçandoca. A praia é fantástica, um paraíso quase que intocado sem construções e com uma enorme história.  De areias claras, mar calmo o lugar tem um deslumbrante vista da baía do Mar Virado, Maranduba e algumas ilhas. Esta praia por ter acesso de carros pelo km77,5 da rodovia Rio-Santos já tem um pouco mais de estrutura como alguns campings e alguns quiosques a beira mar, mas tudo bem simples.
            A região do Quilombo Caçandoca tem muita história, faz parte de uma área legalizada como pertencente aos Quilombolas remanescentes das comunidades da época do período de escravidão contando com 890 hectares.  O Quilombo Caçandoca é o mais antigo do litoral norte de São Paulo e encontra - se em um dos lugares mais belos do Brasil. A escravidão só teve um "fim" em 1888 através da Lei Áurea, mas muito tempo antes os negro já lutavam por sua liberdade. A história como a dos remanescente de Quilombos, como a da antiga Fazenda Caçandoca, mostra que a luta foi árdua, mas foi vencida, e esta parte da história é passada de pai para filho, netos e bisnetos, mantendo sempre acesa a memória da Comunidade Quilombola. 
       
      (Praia da Caçandoca)
       
           Assim que chegamos já fomos atrás de um camping pois o tempo estava fechando novamente mostrando que iria chover novamente. Sentamos no Quiosque Pastel da Vó e conversando com alguns locais, nos recomendaram o Camping do Jango que fica do outra lado da praia no canto esquerdo. Fomos até lá e fechamos por R$25,00 Reais pra cada por uma noite com banho quente. Montamos a barraca e retornamos para o quiosque Pastel da Vó para curtir o resto do dia com sol enquanto tinha.
       
         (Quiosque Pastel da Vó)
           Retornamos ao camping onde tomamos um bom banho quente, fizemos um rango reforçado e dormimos pois a chuva não deu trégua no começo da noite. No dia seguinte o sol prevaleceu no céu o dia todo, o que nos proporcionou ver o quanto aquele lugar é maravilhoso mostrando belas paisagens. Decidimos ficar mais um dia e seguir para próxima praia somente no dia seguinte.
       
      (Camping do Jango)

      (Igreja)

      (Praia da Caçandoca)

      (Praia da Caçandoca)

           (Praia da Caçandoca)

           Passamos quase que o dia todo no Quiosque Pastel da Vó, pois além do tratamento maravilhoso, a cerveja tava muito gelada e ainda nos deram o valioso repelente que os locais usam para parar os borrachudos. Uma mistura de óleo de cozinha com vinagre de álcool. A mistura funcionou e lambuzamos o corpo. Bye bye Borrachudos! huahauhau 

       (Praia da Caçandoca)

       
           Foi o dia mais quente da travessia com uma temperatura de quase 30 graus. Almoçamos pela praia mesmo, comemos porções e pasteis da Vó e tomando uma merecida gelada. Até que os preços estavam de boa, nada abusivo. Retornamos ao camping por volta das 19:00pm horas, fizemos mais um rango reforçado e descansamos para poder seguir bem cedinho para as próximas praias. 

      (Praia Quilombo Caçandoca)
                  Desmontamos acampamento por volta das 6:00am horas da manhã com um nascer do sol sensacional que fomos presenteados naquela linda manhã de Domingo.

      (Praia Quilombo Caçandoca)
           Tomamos um café da manhã reforçado, contemplamos por mais alguns minutos aquele momento e aquele lindo lugar e logo seguimos para a próxima praia, a Praia do Pulso. A trilha fica no canto esquerda da praia da Caçandoca muito próximo do camping que ficamos. .

           Caminhamos por uns 15 minutos até que chegamos em uma guarita com um guarda que nos informou como passar pela Praia do Pulso. A praia de acesso restrito tem na sua maioria acesso por condôminos. Descemos mais alguns minutos e chegamos em uma praia com um extenso gramado comunitário, areias fofas amarelas, enormes árvores proporcionando uma grande sombra em dias ensolarados, mar calmo de águas claras, porém o que chamou mais atenção foram as enormes casas chegando quase que nas areias da praia.  Não existe nenhuma estrutura para turismo, ambulantes, quiosques.

      (Praia do Pulso)

      (Praia do Pulso)

      (Praia do Pulso)

      (Praia do Pulso)

      (Praia do Pulso)

      (Praia do Pulso)

      (Praia do Pulso)
           Comtemplamos por alguns minutos e seguimos até o canto esquerdo da praia onde fica a continuação da trilha. Neste trecho a trilha foi um pouco cansativa pois o sol estava bastante quente e as subidas deste trecho nos castigaram bastante. Durante a trilha vimos diversos mirantes com vistas espetaculares passando pelos fundos das casas até chegarmos aos fundos da famosa Igreja de Nossa Senhor de Fátima ou também conhecido como o Castelo dos Arautos. Uma fantástica construção de 9 mil m² parecido com castelos medievais com obras de Aleijadinho e com uma vista fantástica da Ilha do Pontal, Ilha e Praia de Maranduba e ao longe uma parte da Trilha das Sete Praias.

      (Praia do Pulso)
       


           Após passar pelo Castelo dos Arautos caminhamos por uma estrada chamada Estrada da Caçandoca até a rodovia BR101 Rio-Santos, onde seguimos por alguns quilômetros até a praia de Maranduba.

           Procuramos logo por um camping e encontramos o Camping Toa Toa que fica entre as Praias de Maranduba e Praia do Sapé. Fechamos por R$35,00 Reais e ficamos por uma noite. O Camping Toa Toa é bastante estruturado com banheiros amplos, com chuveiro quente, uma grande área gramada com vários pontos de energia, churrasqueiras, cozinha comunitária e com entrada tanto para praia quanto para rodovia Rio-Santos BR101. Montamos acampamento e saímos logo para procurar algum lugar pra almoçar e depois conhecer o local.   


      (Praia do Sapé - Ilha do Pontal)
           A Praia de Maranduba e do Sape são praias mais voltadas para banho, crianças, família. Tem uma ampla estrutura comercial e turística como quiosques, pousadas, hotéis, mercados e restaurantes. Como estávamos passando por praias quase que desertas sem ninguém a alguns dias já, esta praia foi meio que um choque pois estávamos voltando para a cidade.

      (Camping Toa Toa)

      (Praia de Maranduba)
           Desmontamos acampamento e mais uma vez o sol nos presenteou com mais um lindo nascer. Mochila feita e café tomado fomos para a rodovia Rio-Santo aguardar o ônibus para retornar a Caraguatatuba. Aguardamos por alguns minutos até prgar o ônibus sentido Caraguatatuba por R$4,65 e em 40 minutos chegamos na rodoviária. Almoçamos em um restaurante ali próximo do terminal e fechamos com um BlablaCar pra algumas horas depois por R$48,00 Reais de Caraguatatuba até São Paulo. E assim acaba mais uma trip e eu só tenho a agradecer! 
      GRATIDÃO  
      Retorno - 23/11/20 - Volta 9:00am  - Maranduba x Caraguatatuba -> Ônibus R$4,65- Caraguatatuba x São Paulo ->BlablaCar R$40,00
       
       
       
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    • Por Robson De Andrade
      Se o mundo não acabar, lá vou eu kkkkk
      Já não dava para adiar o inadiável, tinha de ser agora ou sabe se lá quando.
      Sai de Porto Alegre às 13 horas do dia 28, previsão de chegada lá por volta das 16 horas.
      Passagem de volta só na Estação Rodoviária de Muçum, vou lá pegar a minha kkkk
      As estradas para o interior são muito boas, a paisagem é agradável aos olhos a primeira vista.
      Em Guaporé desci numa calçada, vi um táxi e pedi para me levar até o Hotel 55 54 9106-7404
      Ande com um pouco de dinheiro rapaz, tive que ir numa agência sacar para pagar o taxista.
      No Hotel Rocenzi ninguém usava máscara, foi assim até o dia seguinte a minha saída.
      Fim de tarde tive que ir num mercado local debaixo de chuva, por insistência do Sr. Rocenzi levei seu guarda-chuva rsrs
      Tudo de boa no hotel, só aguardar pelo dia seguinte.
      Meu plano era sair sem café da manhã e caminhar até os trilhos, só que não.
      Fiquei para o café da manhã, deveria ter comido mais rsrs
      E o plano de ir a pé também rodou, chamei um táxi que me deixou na estação, a chuva caiu logo em seguida, teria tomado ela na cidade se tivesse saído a pé.
      Ajustei a mochila nas costas protegida com sua capa, usei uma jaqueta impermeável que comprei em Porto Alegre, na Decathlon, já sabendo que ficaria feio o tempo durante a minha travessia.
      A estação reformada de Guaporé.

      Primeiro Dia: Chuva, chuva e mais chuva
      "Não é um dia ruim só porque está chovendo." segui de boa, não tinha me entusiasmado tanto assim rsrs
      Os primeiros passos são... sei lá os primeiros passos, um pouco chato, margeando casas, estradas, lixo visível nas beiradas...
      Quando cheguei no meu primeiro túnel abri um sorrisinho, fiz o mesmo quando cheguei no meu primeiro viaduto.

      Choveu praticamente o dia todo e quando parava tinha de tirar a jaqueta impermeável para logo em seguida botar ela outra vez, o terreno castiga e os pés começam a sofrer, todo o caminho é só pedras, dormentes.
      Dentro dos tuneis bateu uns pensamentos sobre a morte, a solidão que me seguiram por boa parte da travessia. Eu tive a ideia de parar e desligar a lanterna para ficar naquele estado de completa escuridão e silêncio, talvez aquele fosse o mais próximo da morte estando vivo, consegue imaginar escuridão total e silêncio? Mas eu estava vivo e tinha de seguir, que alívio trouxe cada luz da saída.
      Fiz uma pausa para comer, descobri que tinha comprado pão de alho, não era bem isso que queria haha
      Nunca mais quero saber de pão de alho e atum em óleo.
      Optei por não fazer fogo, enlatados são uma boa opção, barrinhas de amendoim também, pão de alho não rsrs

      Lá pela metade do dia fez um solzinho. E o resto da tarde cairia mais chuva.
      Chuva pra caralho! cheguei na estação abandonada com a bota encharcada, a água escorreu da calça para a coitada da bota.
      A estação abandonada me segurou, ali tirei as botas e segui de chinelo, os meus pés agradeceram, os ombros não tinham muita escolha, lá perto do fim da tarde já chegava no meu limite.
      Parei perto do Recanto da Ferrovia; não estava nos meus planos ir lá. Quando cheguei  fui recebido por um cachorro muito simpático, não vi uma alma humana, já tava querendo vazar dali, até que o proprietário do lugar, o Clair surge nada simpático se comparado com seu cão. Acho que pensou que estava invadindo, depois disse que tinha que ter reserva, trocamos umas ideias, cada um no seu cada um, acabei ficando assim mesmo, pra mim tava bom, ali tomei banho, escovei os dentes e me reorganizei para vazar pela manhã.
      O trem passou algumas vezes durante a noite, fazendo um tremendo barulho.

      Segundo Dia: Sol
      O sol já dava as caras quando passei pelo Viaduto Pesseguinho, este também vazado, dava pra andar num bom ritmo pelo meio e dificilmente você vai cair se ficar só no meio. Andava parando para olhar ao redor, meu medo de altura não é lá grande coisa, mesmo assim eu senti que ia travar por lá junto do receio do trem passando por ali, imagina a correria ali rsrs
      Há placas com avisos de que não é permitido fazer passeios por ali. Bem, o que não é permitido? kkk
      Tomem cuidado dentro dos tuneis, eu tropecei uma vez e quase fui ao chão, fora que meu pé torceu umas duas vezes; sem grandes problemas.
      Parte de alguns tuneis desabaram e devem estar desabando, vi água saindo das paredes no meio de um túnel, não precisei correr até um daqueles "abrigos". Havia dormentes arrebentados e soltos dentro do túnel, sinal de que poderia dar merda.
      Há um túnel de mais de 1200 metros, este deu pra perder a noção do tempo por lá, e outros que você sonha kkkk
      Tentei seguir uma trilha perto de um túnel, ela ia pra cima de um morro, subi com mochila e tudo, até que vi uma fita, acho que era uma fita vermelha, fiquei receoso sobre aquilo, desci rapidinho, mas de ré em alguns pontos, caso contrário a queda seria engraçada kkkk
      Ao longo do caminho se vê locais de acampamentos, eu sabia que mais tarde teria que procurar um, os bons foram ficando para trás.
      Há lixo deixado pelo caminho, guardem o seu lixo e jogue na lixeira da cidade mais próxima.
      Fiz o meu almoço diante desta linda paisagem e o rio Guaporé nervoso lá embaixo
      ,
      Segui com o sol de rachar.
      Percebi que o lugar não é totalmente isolado; há sítios e fazendas por quase todo caminho, às vezes ouvia pessoas falando, cachorros latindo, carros transitando por alguma estrada... Há sinal de telefone e até o 3g tava dando sinal em alguns trechos haha
      Achei uma cachoeira perto de um túnel, melhor água que tomei, haha
      Água não falta pelo caminho, obviamente de procedência duvidosa, usem clorin moças e rapazes kkk

      Uma surpresa no trilho, tomando um sol talvez?

      A mochila já castigava novamente, os pés pediam para parar e minha teimosia de continuar era maior.
      Saindo de um certo túnel, já tinha perdido as contas de qual era, mas era perto do ponto mais "turístico". Ali vi pessoas de bobeira, a primeira impressão é de manter distância e ficar esperto, mas vi que era um casal, trocamos algumas ideias e segui...
      Mais pra frente, encontro outras pessoas, um grupo de amigos fazendo a travessia até Guaporé, trocamos umas ideias também.
      Havia pessoas em outro túnel com lanternas, poxa vida ali percebi que não estaria mais sozinho rsrs saindo dali mais um grupo de pessoas, que estavam retornando, segui junto deles, conversamos sobre como fui parar ali, de onde era, para onde vamos...
      Confesso que foi a primeira vez que senti seguro ao caminhar por outro túnel, na verdade a companhia das pessoas que tinha acabado de conhecer trouxe essa sensação, um deles se ofereceu para carregar minha mochila, passamos por trabalhadores fechando um lugar que tinha uns arcos, e mais pessoas surgiam, quando saímos do túnel tinha praticamente dezenas de pessoas do outro lado. O rapaz  apertou minha mão, desejou me sorte e perguntou meu nome, respondi e ele me disse o seu, e seguimos nossos caminhos.
      Segui desviando das selfies, dos caras das agências kkkk fui parar lá no meio do v13, cansado, a paisagem maravilhosa, até que mais gente se aproximou e eu tinha de ir. Por ali passou pessoas com cachorros, crianças, dei boa tarde, uma mulher me perguntou o que estava fazendo ali com a mochila nas costas, há maluco para tudo né? rsrs
      E assim uma hora você está completamente sozinho, no outro dia encontra pessoas dispostas a carregar sua mochila, apertar sua mão e lhe desejar sorte. Experimente um pouco de solidão e boas companhias também
      E continuei com minha teimosia, só pararia se achasse um lugar para acampar quando o sol já tava se escondendo, muitos paredões de pedras... Fique atento aos sinais do corpo rapaz, é hora para tudo, hora de caminhar, hora de parar, de cansar, de descansar... Terminei o dia exausto, montei a barraca e tentei dormir, a noite choveu pra caralho e o fim estava próximo.

      Terceiro dia
      O último dia começou, escovei os dentes, desmontei a barraca, arrumei as coisas, já não estava me sentindo bem, o cansaço do dia anterior ainda estava lá, andava cambaleando, a água estava ficando intragável, só queria parar. Acabei sonhando com mais tuneis e viadutos, pensei que o v13 estava a minha frente, quando na verdade já tinha passado por ele, encontrei um casal indo na direção contrária, apenas um bom dia.
      Quando vi a plaquinha de Muçum vi que o meu "sonho cansado" tinha chegado ao seu fim.
      A travessia pede prudência, paciência e resistência.
      São quase 60km caminhando por dormentes, pedras, tuneis e viadutos.
      Em Muçum me hospedei no Hotel Marchetti 55 51 9566-8544 muito bom o lugar.
      Almocei no Kiosque da Praça, os caras não usavam máscara huehue Mas a comida compensou.
      A noite pedi um hambúrguer que fica ao lado do hotel, havia alguns jovens no local vivendo como se não houvesse segunda-feira haha
      As passagens para Porto Alegre são vendidas na estação rodoviária, só aceitam dinheiro.
      Em POA me hospedei na chegada no POA ECO HOSTEL 55 51 3377-8876. Fiz a reserva pelo HostelWorld
      Na volta para POA fiquei hospedado no Hostel Rock, acomodação econômica 55 51 9415-5531.
      Se um dia retornar optaria pelo POA ECO HOSTEL sem dúvidas
      A empresa que opera por aqueles lados é a Bento Transporte, comprei a passagem até Guaporé pelo app da Veppo.
      http://www.bentotransportes.com.br/horarios
      Minha viagem não terminou em Porto Alegre como previsto, mas em Santa Catarina, e isso é uma outra história
      Agora devo estar de quarentena, quem sabe? rsrs
      Até a próxima.




    • Por Gregório Miranda
      Após muito tempo lendo relatos e participando de discussões esporádicas sobre equipamentos, decidimos trazer um relato para o fórum. O circuito é muito exigente e foi feito em dupla em janeiro de 2021 por duas pessoas relativamente experientes e relativamente preparadas. Quer dizer, foi parcialmente feito, porque houve uma pequena trapaça no final e passamos um dia descansando em Martim de Sá ao invés de fazer à pé o trecho até Ponta Negra e vila Oratório de volta.

      Vista do Cume da Pedra da Jamanta
      O relato foi escrito por mim e o Jhonatan e o planejamento foi baseado principalmente em duas tracklogs presentes no Wikiloc: (1) a do Luís Felipe (Circuito Mamanguá (Via Jamanta) x Juatinga (com Farol da Juatinga)) e (2) a do Angelone (Circuito Cumes da Juatinga).
      Em contato por e-mail, o Luís Felipe sugeriu que registrássemos pontos e informações que pudessem complementar a track. Como não vimos tanto como acrescentar informação, visto que ela já está bastante completa, achamos que nossa contribuição poderia ser um relato mais detalhado com nosso ponto de vista sobre o trajeto. Esperamos que possa ajudar a quem faça o caminho no futuro.
      Vale a pena mencionar desde já que o passo do Luís Felipe é completamente absurdo e não serve tanto como parâmetro de comparação a não ser que você tenha um preparo físico excelente ou sobrehumano. O que, percebi a duras pe(r)nas, não é exatamente o meu caso. Uma ótima ideia para seres humanos normais é fazer o trajeto colocando mais dias de descanso e curtição no caminho. É o que pretendemos fazer na próxima vez.
      Visão geral
      O circuito é extremamente variado em paisagem, vegetação, variação de altitude, proximidade com o meio selvagem/urbano e dificuldade de terreno. O único aspecto constante é que tudo é maravilhoso e vale a pena conhecer.
      O trajeto começa e termina na praia do Sono e dá a volta em toda a Reserva da Juatinga, passando pelo saco do Mamanguá, enseada da Cajaíba, Martim de Sá, Cairuçu das Pedras e Ponta Negra, nessa ordem. Pode ser dividido em duas partes bastante diferentes entre si:
      1. Subida e descida do Cume da Pedra da Jamanta
      É sem dúvidas o trecho mais difícil e que justifica a tracklog estar (corretamente) assinalada como "só para experientes" no Wikiloc. Envolve uma subida e uma descida íngremes de 1.092m, com muito vara mato e navegação dificultada pela vegetação. O uso de GPS é essencial e o sinal pega mal nas matas que ocupam boa parte do caminho, pelo menos usando o celular como fizemos.
      Os relatos do Luís Felipe e Angelone são muito claros em relação a isso, mas ainda assim ficamos surpresos com a dificuldade. O começo da descida é ainda mais difícil, pois você precisa vencer a vegetação em uma descida técnica por pedras e sem conseguir enxergar muito bem o que tem à frente (e abaixo). Descobrimos tardiamente que seria muito bom ter levado luvas e alguma jaqueta ou blusa mais grossa, pois terminamos o trecho com muitos cortes nas mãos e braços. Um facão também pode ser de grande ajuda.
      O trecho pode ser evitado fazendo uma trilha bastante mais plana (ainda que também difícil e sem trilhas marcadas) encontrada na track do Angelone ou, essa sim uma opção mais fácil, pegando um barco de Paraty-Mirim e iniciando o circuito na praia do Cruzeiro.
      2. Restante do circuito
      Ainda descendo do cume e aproximando da Cachoeira do Rio Grande você encontra uma trilha larga e muito bem marcada. A partir desse ponto, se retorna à civilização e põe-se fim ao rasgar mato no peito e checar o GPS o tempo todo. Durante todo o restante do circuito, para o bem e para o mal, as trilhas são nítidas e usadas pela população local e turistas.
      Há ainda dois trechos exigentes, entretanto (assinaladas pelas setas amarelas na imagem abaixo. Uma subida intensa com 428m de elevação entre a praia do Engenho e a Praia Grande de Cajaíba e outra mais dura ainda com 550m de altura entre Cairuçu das Pedras e Ponta Negra. Por isso, fazer tudo em dias seguidos pode ser bastante exaustivo. Soma-se a isso a beleza, malemolência e deliciosidade das praias no caminho e você tem bons motivos para incluir alguns dias de descanso no roteiro.

      Ali, ó.
      Em todo esse trecho mais urbano você encontra restaurantes no caminho, o que pode aliviar bastante o peso que se carrega nas mochilas. Ficamos surpresos em descobrir que na maior parte dos locais, inclusive em Martim de Sá, onde não chega energia elétrica ou sinal de celular, é possível pagar com cartão. Mas, claro, sempre convém levar dinheiro em espécie para garantir. Por falar em celular, é possível conseguir rede aqui e ali, mas em geral de forma bastante precária e intermitente.
      O relato
      Dia 0 – Viagem de carro BH – Vila Oratório
      Como partimos de Belo Horizonte (a mais de 600 km de distância), descobrimos que nossa ingênua ideia inicial de fazer a viagem de carro e começar a trilha no mesmo dia era completamente descabida e infundada. Ainda bem, porque foi melhor assim.
      Saímos de BH de madrugada, por volta de 3h e chegamos por volta de 16h na Vila Oratório, contando com o tempo perdido errando o caminho (vocês sabiam que Laranjeiras é o nome do condomínio que dificulta a entrada à Vila Oratório E o nome de um bairro do Rio de Janeiro, capital?). Deixamos o carro em um estacionamento terreno baldio de um local que nos cobrou R$ 25,00 a diária e pegamos a trilha para a Praia do Sono, onde acampamos por R$ 40,00/pessoa.

      Pessoas com mais sanidade física e mental se contentariam com uma semana nessa calmaria.

      Dia 1 – Metade da subida ao Cume da Jamanta
      Por algum motivo que hoje nos escapa à compreensão, julgamos que poderíamos dedicar a manhã do primeiro dia para um delicioso banho de mar na Praia do Sono e assim fizemos. O resultado foi conseguir chegar apenas em uma espécie de clareira aos 480m de altitude que as tracklogs carinhosamente chamam de área de camping.
      O caminho começa suave, mas aos poucos se torna uma subida bastante íngreme, em mata fechada e os trechos com trilha vão se tornando cada vez mais raros até sumirem completamente. Aqui você começa a se questionar sobre suas escolhas de vida, se lembra das pessoas nadando alegre e preguiçosamente na praia do Sono, mas toca o barco e a caminhada.
      As muitas plantas com espinhos começam a dar as caras e vão nos acompanhar durante toda a subida e descida da Pedra da Jamanta. Também fomos introduzidos aos cipozinhos da região. Inofensivos à primeira vista, vão se mostrando um obstáculo insistente que acaba reduzindo bastante o ritmo de caminhada. É difícil representar isso em uma foto, mas segue uma tentativa abaixo. Essa é parte significativa do “visual” do primeiro e segundo dia.

      Ali, consegue ver a trilha? Pois é.
      Chegamos na clareira no fim da tarde e decidimos montar acampamento por ali mesmo. Isso coincidiu com o início da chuva e por isso improvisamos um teto com uma das tarps que acabou servindo para coletar a água que caia. Insight bom que o Jhonatan teve ao ver a água acumulando em nossa gambiarra e que evitou que tivéssemos que passar por outro vara mato para coletar água de um riacho, em um ponto marcado nas tracks. A água foi o bastante para cozinhar e hidratar à noite, mas admito que durou menos do que imaginávamos na subida ao cume no dia seguinte.

      Confortável beliche de redes em mata semifechada, tratar aqui.
      Dia 2 – Cume da Jamanta e acampamento na toca dos caçadores
      O segundo dia já começou com subida intensa, mas, para nossa surpresa, logo logo encontra-se uma trilha bem marcada que facilita muito a ascensão. Sem as árvores e cipós no caminho, o fôlego é o único obstáculo. A track do Luís Felipe inclui um ponto muito útil, mas, como ele mesmo descreveu, muito desgastante de coleta de água próximo ao cume. Chegamos lá já desidratados e administrando as últimas gotas do dia anterior.

      Vista para o Saco do Mamanguá, para onde segue a trilha.
      O cume da Jamanta, como era de se esperar, é sensacional, com vista para a Praia do Sono, Ponta Negra, Saco do Mamanguá e até a região onde fica Martim de Sá e Cairuçu das Pedras. Com sol escaldante e sabendo que ainda tínhamos muito chão pelo caminho, acabamos não ficando tanto tempo ali. Descansamos um pouco, conseguimos pegar um pouco de sinal, que foi útil para baixar a tracklog no segundo celular após o GPS que levamos nos deixar na mão e seguimos a caminhada.
      O início da descida, como mencionado, é um absurdo. Uma descida íngreme pelas pedras cobertas por um samambaial denso e recheado de capim navalha esporadicamente. É algo que você não deseja para ninguém, sabe? Felizmente, esse calvário não é tão extenso e logo dá lugar a uma descida intensa, mas com vegetação espaçada e bons trechos com trilha.
      Nesse dia, também não rendemos tanto e acampamos em frente à toca dos caçadores, local bom para acampamento e próximo do rio. Administrar durante a noite as mochilas acampando com redes é sempre um desafio. Dormir com elas na rede é um estorvo e deixar no chão ou em árvores traz o risco de que molhem caso chova. A toca pareceu perfeita para isso, pois poderíamos deixar as mochilas em segurança e dormir nas redes armadas ali por perto. O raciocínio se mostrou um erro grave quando, em meio ao temporal que caiu de madrugada, fui buscar algo na mochila e vi elas embaixo de uma “goteira” que mais parecia uma minicachoeira.

      A tal da toca.

      Por falar em caçadores, uma preocupação constante no segundo dia foram as armadilhas descritas pelo Angelone, que conta inclusive em seu relato que um amigo quase tomou um tiro de uma delas, acionada sem querer. Por sorte, não encontramos nenhuma armadilha, mas vale registrar o aviso. A toca continha algumas garrafas e objetos que indicam que continua sendo usada, por isso acreditamos que o risco ainda existe.
      Dia 3 – Caminhada até a praia do Cruzeiro
      No dia seguinte, após nos perdermos um pouco (por que não?), descemos seguindo a tracklog até encontrar uma trilha ampla e muito bem marcada que praticamente dispensava o uso do GPS. Não demorou muito para chegarmos na Cachoeira do Rio Grande, com uma árvore imensa tombada sobre o rio. Local bom de descanso e que faz parte da trilha: você precisa cruzar o rio para seguir o caminho pelas praias.

      Cachoeira do Rio Grande, maravilhosa.

      Nesse dia, pegamos mais leve que nos anteriores: nadamos e conversamos com um local na cachoeira que nos disse que a subida para o cume é bem melhor partindo de Ponta Negra. Chegamos na comunidade do Cruzeiro ainda cedo, por volta de 15h, mas paramos para almoçar um peixe muito bem preparado em um restaurante (por que não?), por R$ 30,0 o PF, e acabamos decidindo acampar por ali mesmo.
      Aqui fica evidente a completa desproporcionalidade com o ritmo de caminhada do Luís Felipe, nosso guia astral virtual. Se você ler o relato dele, vai ver que ele amanhece no cume da Jamanta e simplesmente dá toda a volta pela Cajaíba e dorme em Martim de Sá no mesmo dia. Um brinde à saúde desse rapaz.
      A praia do Cruzeiro é um lugar simpático e acolhedor. Acampamos no camping do Seu Orlando, senhor nascido e criado na região e hoje ajudado pelo filho Jaime. Orlando teve alguns AVCs no ano passado e por isso conversa um tanto devagar. Mas foi ir dando corda que a conversa foi longe. Saímos de lá no dia seguinte incumbidos de levar um abraço seu para dona Dica, sua prima, que tem um restaurante na Praia Grande de Cajaíba.
      Da praia do Cruzeiro você pode fazer uma trilha até o alto da pedra do Pão de Açúcar, com vista para todo o Saco do Mamanguá, mas acabamos preferindo poupar as energias. Outra opção que nos contaram é alugar um Caiaque e remar até o mangue. Enfim, é um lugar que merece mais tempo em uma próxima vez.
      Dia 4 – Cruzeiro – Martim de Sá
      Caminhamos muito nesse dia, expiando os pecados do dia anterior. A caminhada começa leve, mas esquisita. A trilha, agora na maior parte pavimentada de concreto, serpenteia entre mansões até a praia do Engenho. Literalmente “entre” em alguns casos, como um em que a trilha termina na praia e nós, confusos, fomos guiados por uma funcionária da casa, atravessamos a área de serviço e fomos guiados a continuar a trilha que seguia pelos fundos. Aparentemente os magnatas que se apossaram dessas praias não tem muito pudor em se apropriar também da trilha que liga as comunidades.

      Moradora local tomando um solzinho.

      Após a praia do Engenho, a brincadeira começa a ficar séria e o caminho tutelado dá lugar a uma trilha bem marcada e faz uma subida longa e inclinada atingindo 480 de altitude e culminando na Praia Grande de Cajaíba. Chegamos lá exauridos e fizemos uma longa pausa para almoço no restaurante da dona Dica, entregando o abraço-encomenda enviado pelo Sr. Orlando.
          
      O relato do Luís Felipe já anuncia isso e pudemos verificar de fato: a enseada da Cajaíba é a parte “pop” da reserva. Já na praia grande encontramos vários barcos de passeio, algumas lanchas opulentas e uma barulhenta turma de jetskizeiros. Haja paciência.
      Para não ficar só no aspecto negativo, vale mencionar que há também praias tranquilas e comunidades mais tradicionais e interessantes como Toca do Carro, Itanema, Calhaus e IItaoca. A partes mais baladas e turísticas ficam no início e no final da enseada: Praia Grande e Pouso da Cajaíba.
      Chegamos no Pouso por volta de 17h e após um período para descanso e reflexão, decidimos seguir no mesmo dia para Martim de Sá. Sabíamos pela leitura dos relatos que a trilha envolve uma subida longa, mas suave, e uma moradora local confirmou que o caminho é tranquilo e usado com frequência. Demoramos cerca de 1h40 e montamos acampamento já em Martim de Sá.
      Dia 5 – Martim de Sá e só
      O planejamento inicial desse dia era seguir a trilha para Ponta Negra / Praia do Sono, vencendo um novo morro de 550m de altura logo após Cairuçu das Pedras, mas, sinceramente, eu não tinha condições para isso. A exaustão acumulada dos dias anteriores já havia reduzido muito o rendimento na trilha e o ritmo de caminhada nessas condições seria um pouco mais lento que o de uma lesma. Como só tínhamos mais um dia de viagem, acabamos decidindo ficar por ali mesmo e pegar um barco no dia seguinte.
      A descrição do site da reserva é um ótimo resumo sobre a praia:

      Enfim, Martim.

      Dia de descanso em Martim de Sá, de preguiça e nadar na praia. O único arrependimento foi não poder ter ficado mais dias ali. De lá, há trilhas para o Poção (um poção delícia de água doce, pelo que nos contaram), o Pico do Miranda, Cairuçu das Pedras, praia da Sumaca e o Farol na Ponta da Juatinga. Afinal, acabamos fazendo um total de nenhuma dessas atividades por motivos de cansaço e preguiça, mas estão marcados para uma próxima ida.
      O camping custou R$ 30,0 por pessoa/dia, não tem luz elétrica e nos pareceu bem equipado e estruturado. Há cozinha comunitária com fogão à lenha, banheiros com ducha fria e vários sanitários. Tudo limpo e organizado. Dizem é comum que na virada do ano o camping fique lotado (e há muito espaço para barracas) e a coisa deve ficar um tanto diferente.
      Dia 6 – Barco até a vila Oratório e viagem de volta
       
      Pegamos o barco de Martim de Sá às 7h. Quer dizer, pegaríamos, se o terceiro integrante não houvesse esquecido o horário e feito todo mundo (nós, o barqueiro e seus ajudantes) esperar por mais de uma hora enquanto ele tomava banho (!) e seu nutritivo café da manhã (!!). Ao partir, infelizmente, o barco acabou atravessando de cheio uma onda grande molhando a todos e especialmente o coleguinha perfumado, que estava com o celular na mão. Coincidentemente, esse também foi um dos momentos em que se podia ver o barqueiro sorrindo largamente numa demonstração simples, mas perfeita, do que é a verdadeira felicidade. Sem qualquer rancor no coração, assim também nos sentimos.
      O traslado de barco custou R$ 400,00 dividido pelos passageiros, cabendo quatro no máximo. Como éramos três, ficou em cerca de 130,0 para cada. O mar estava agitado e por isso o barco ia navegando por grandes ondas se formando. Nada extremamente perigoso, mas aquela dose bacana de adrenalina para começar o dia. O barco nos deixou em um pequeno cais no condomínio Laranjeiras, onde é preciso esperar por uma van que nos leve à vila Oratório. Todo o cuidado para que os donos do pedaço não se misturem com a gentalha, é inacreditável. Após atravessar esse pequeno enclave distópico, pegamos o carro e seguimos nossa longa viagem de volta. Dessa vez, escolhemos voltar à BH pela via 040 e ficamos satisfeitos com a escolha. A viagem fluiu melhor em uma estrada mais conservada (na maior parte).
      Chegamos, enfim, cansados mas renovados por essa constante passagem entre o selvagem e o urbano. A região toda da Juatinga é incrível e a única certeza é a obrigação de voltar e conhecer mais e melhor a infinitude de praias, cachoeiras, picos, pessoas e costumes.
       
       
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