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Em 2019, realizei a maior viagem da minha vida e agora, finalmente decidi compartilhar um pouco dela aqui :) espero que gostem!

Capítulo 1: Preparação e França

Em setembro de 2018, decidi largar a faculdade e juntar dinheiro para me jogar em uma aventura na Europa. Estava trabalhando em uma ONG de intercâmbio voluntário e fechei um pacote para passar 45 dias na Croácia por R$400 reais. Muito barato! Pelo menos tinha a hospedagem garantida. (Só vim saber exatamente onde ia dormir quando cheguei na Croácia, mas essa parte fica para outro momento)

 Tinha pouquíssimo tempo e pouquíssimo dinheiro (somente R$1000 guardados) pois planejava passar o ano novo em Paris (já que as passagens no inverno são mais baratas). Vendi praticamente TUDO o que eu tinha, roupas, livros, e vendia comida na rua (principalmente bolo vegano)! Contava a história de que estava indo realizar meu sonho de mochilar, e muitas pessoas me davam dinheiro sem nem pegar a fatia, para que eu vendesse para outra pessoa. Lembro-me de um dia em que ofereci o bolo para dois senhores em um restaurante chique: Um me deu uma nota de R$50 e outro, de R$20. Quase engasguei de surpresa hahaha 😅 depois de vender muito bolo, pastel e etc, consegui juntar R$2500, que somando com o que eu tinha guardado, foi o preço da passagem de ida e volta! Poderia ter pago bem mais barato se tivesse comprado com mais antecedência, então essa é a primeira dica: Se você for fazer na loucura que nem eu, presta atenção nas promoções e procure as datas mais baratas (usei o Skyscanner para isso) mas se você tem mais tempo, compre com antecedência, pois isso pode te fazer economizar uma boa grana! 

Outra dica: se você vai vender na rua para juntar grana e viajar, não seja seletivo. Eu era um pouco mais tímida, e só oferecia para pessoas que não estavam em grandes grupos e ainda era seletiva, escolhia na rua para quem ia oferecer. OFEREÇA PRA GERAL! HAHA Sério!

Fiz vaquinha, continuei vendendo e tive também uma ajuda dos meus pais. Acabei indo com cerca de 800/900 euros (ou seja, eu iria me virar com uma média de 100 euros por mês). Na época, isso seria mais ou menos R$4000. 

Cheguei em Paris e nem podia acreditar que estava ali. Eu nunca nem havia saído do nordeste! Estava fazendo 7 graus, e eu estava com um agasalho de inverno. Porém quando eu digo inverno, é inverno nordestino, ou seja, não servia para quase nada :D me lasquei de frio, então outra dica: Não seja mão-de-vaca como eu fui na hora de investir em roupa de inverno. Porquê meu pensamento foi "São menos de três meses de frio, eu vou sobreviver". NÃO PENSEM ASSIM, PELO AMOR DA BICICLETINHA! 

Fiquei uma semana em Paris e dei um bate e volta em Versailles com uma amiga peruana que fiz através do Couchsurfing. Fui no museu do Louvre de graça (o Louvre é gratuito nos sábados à noite, na baixa temporada! Outro motivo de querer ir pra Paris no ano novo). Fui na Sacred Coeur, Notre Dame (não entrei porquê era pago) e bati bastante perna! Os franceses a quem pedi informação foram gentis e prestativos. O segredo é começar com "Bonjour/Bonsoir! Excusez-moi parlez-vous anglais?" (Bom dia/boa noite! Com licença, você fala inglês?)

A ideia era pagar pelo transporte (e ainda paguei algumas vezes) mas os próprios parisienses me ensinaram como burlar o metrô 🤷‍♀️ quase não paguei transporte público nesse mochilão. Não estou dizendo que é certo, mas era a forma que eu tinha de economizar. Se você puder pagar, pague, pois se você for pego, paga uma multa de em média 100 euros! 

Duas vezes pedi informação sobre como comprar um ticket de metrô pois estava toda enrolada, nas duas vezes, as pessoas tentaram me explicar, mas resolveram pagar pra mim. Gentileza que você não espera!

Fiquei na casa de duas pessoas do Couchsurfing. Me senti muito desconfortável na casa do meu primeiro host, era um francês que morava sozinho e era uma pessoa inconveniente, mas no da segunda, foi ótimo ❤️ uma paquistanesa super gente fina, que morava com o namorado francês e tinha um gatinho, o Pablito. Eles foram ótimos! A paquistanesa falava seis idiomas, incluindo português (se eu não soubesse que ela era do Paquistão, diria que era paulista pelo sotaque!)

Maas, na noite de ano novo, acabei dormindo no hostel onde a minha amiga do Peru estava se hospedando. O metrô estava fechado (eram 3h da manhã) e eu teria que esperar até às 7h. Tinha uma cama vazia no quarto que ela estava: Ela parou um pouco, pensou e disse baixinho: "Fica aí até às 7h, antes de checarem os quartos para limpeza"! Dei um cochilo, às 7h acordei e meti o pé. Passei pela recepção sem olhar para trás, mas a pessoa que estava na recepção nem disse nada. Provavelmente é difícil saber quem é hóspede ou não em uma época tão festiva. 

Voltei para a casa do meu host com o c* na mão, pois quando cheguei na estação da zona que ele mora, eram 8h da manhã e ainda estava escuro - e não tinha ninguém na rua. Porém em um determinado momento passei por uma menina que estava andando e mexendo no celular tranquilamente e fiquei um pouco mais tranquila. A pessoa só faria isso em um lugar minimamente seguro, não é?  Mas ainda fiquei em alerta até chegar na casa do meu host. 

 

Depois da França, peguei um voo para a Croácia (que estava incluso naqueles R$3500). Cheguei em Zagreb e peguei uma van até Rijeka, a cidade onde ficaria por 45 dias (acabei ficando 50 dias). 

 

 

 

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Capítulo 2: 50 dias na Croácia + bate-volta na Itália

Ao chegar na rodoviária de Rijeka, entrei em uma cafeteria para esperar a moça da ong de intercâmbio me buscar. Fiquei surpresa ao ver pessoas fumando dentro dos estabelecimentos! Em bares no geral, você pode fumar, só não naqueles que servem comida. Ela me levou para um dormitório estudantil, onde ficaria pelos próximos 45 dias.

Rijeka é uma cidade portuária no litoral da Croácia. É uma cidade bonita, mas não há muito o que fazer pela manhã. Já à noite, o lugar está cheeeio de opções! Lá há vários lugares que são cafeterias pela manhã, e a partir das 19h/20h, viram pubs noturnos. Em nenhum lugar você paga para entrar (deve ter um ou outro pago, mas não vi nenhum) ou seja, você pode passar a noite "pingando" de pub em pub. Sempre havia um lugar que tocava música latina, outro que tocava música eletrônica... Contudo, o meu favorito com certeza era o River Pub! Um lugarzinho lindo e com um público amigável, você poderia ir ao fim da tarde tomar um café e já virar a noite lá haha! Sempre tinha covers de bandas nas sextas, mas as melhores noites eram as de quinta-feira, pois tinha karaokê! Sempre tinha alguns estrangeiros lá (vi muitos americanos), e os croatas quando começavam a se soltar depois de umas cervejas, interagiam (principalmente se você tinha subido no palco para cantar). É o lugar que lembro com mais carinho quando penso em Rijeka xD

Fiz amizade com uma brasileira filha de dinamarqueses que estava comigo no dormitório e conhecemos mais uma brasileira de Taubaté através do hangouts do Couchsurfing. Saímos praticamente o mês inteiro, e as vezes uma baiana se juntava à nós. Foi bom, porém aqui vai mais uma dica: não se limite apenas à pessoas de sua nacionalidade. Me limitei muito na Croácia porquê meu inglês ainda não era tão bom e como achava os croatas muito fechados, evitava interagir com eles. E olha que conheci uns croatas que eram gente boa sabe, só que eu ainda estava me preparando mentalmente para interagir com MUITA gente todos os dias (coisa que com certeza faria ao longo da viagem). 

Voltando, com essas brasileiras, fui à Platak (um resorte de ski ainda na região de Rijeka) e vi neve pela primeira vez (não esquiei, mas me senti uma criança feliz!), dei um bate-volta em Trieste, a cidade italiana mais próxima da Croácia (pequenininha, mas muito charmosa!) e também demos um bate-volta em Rovinj e em Opatija , duas cidadezinhas da Istria. Se você for à Croácia, recomendo ir também em Pula, também nessa região! Não viajei muito pela Croácia porquê ainda não tinha pego carona na estrada e ainda estava um pouco apreensiva. Mas na Croácia há muitos lugares bonitos e lá é super barato! Paguei toda a minha alimentação com cerca de 200 euros. Porém, economizava muito no restaurante estudantil. Sempre pedia emprestado o cartão de estudante de quem estava na minha frente, me fazendo pagar a metade do valor (geralmente eu pagava 6 Kunas, cerca de 0,80 centavos de Euro!!) 

Gastei pouquíssimo em Rijeka no geral, só que meu óculos quebrou no meio e tive que comprar um novo. O óculos custou 200 euros por conta do meu grau, juro que paguei quase chorando KK só me restavam 400 euros para o resto da viagem.

No meu último dia na Croácia, fui para o River como de costume, mas dessa vez, um amigo croata que havia conhecido na minha primeira semana foi junto. Eu estava falando para ele que ia pegar carona até Zagreb e que estava super animada com isso. (De Zagreb eu ia pegar um blablacar para Sarajevo, encontrar um colega brasileiro) Ele rebateu, dizendo que eu não iria haha! Me deu 10 euros, uma barra raw vegan e um cantil com rakia, a bebida mais típica da região dos Balkans. Fiquei muito agradecida.

- Mas você sabe que uma hora eu vou pegar carona na estrada né?

-Eu sei, mas pelo menos não vai ser amanhã. 


No dia seguinte de manhã cedo, fui até a rodoviária e peguei o ônibus rumo à Zagreb. Assim que cheguei lá, o senhorzinho que ia me dar carona já me esperava. Ele não falava nada de inglês, mas foi super gentil. Me ofereceu uma maçã e o percurso foi silencioso (quando senti que podia confiar, até cochilei por um tempo). Lembro-me de bastante neve e uma estrada cheia de curvas, sem segurança nas bordas. A adrenalina analisando o perigo daquilo me manteve acordada durante todo aquele trecho da estrada. 😅

Por fim, após mais ou menos cinco horas de viagem, cheguei em Saravejo: a capital da Bósnia e Hérzegovina, local onde a Primeira Guerra Mundial eclodiu.

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@camilandarilhaMoça de coragem,voce!O que vale nessa vida é a recordação do que fizemos,sinto-me jovem de novo quando te leio,lembro dos meus momentos pela América do Sul,apenas com uma diferença:Tinha condições financeiras.Parabens!

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Capítulo 3: 2 noites  Bósnia e uma semana na Sérvia (Irig + 2 primeiros dias em Belgrado).

Cheguei em Saravejo e o senhor que me deu carona me deixou exatamente no prédio onde iria dormir. Paguei, agradeci e entrei: era um daqueles prédios antigos que te fazem recordar de uma Europa mais sombria. Subi as escadas e o AirBnB ficava logo no primeiro andar: um colega brasileiro havia feito uma reserva para nós dois e no outro dia, iriamos ter que conseguir um lugar para dormir de forma 0800 - mas eu estava confiante. 

Deixei minhas coisas e fomos encontrar uma amiga dele da cidade. Fazia muito frio, e com as minhas roupas inadequadas para aquele clima, evitava falar quando estávamos ao ar livre, para poupar energia. Fomos para um bar e os dois beberam cerveja, também ganharam Rakia como cortesia da casa. Não bebi, pois sentia que era uma forma de me preservar: a sobriedade era uma das minhas maiores formas de proteção. 

Depois dali, seguimos para outro bar, o Caffe Tito: Uma cafeteria/pub/museu toda tematizada em homenagem à Tito, o marcante líder comunista da Iugoslávia. Não senti muito isso na Croácia, mas na Bosnia e na Sérvia, é notório o saudosismo à era de Tito. Para eles, foi aquele líder carismático que fazer a Iugoslávia ser como era. Depois de sua morte, o desmantelo do país foi inevitável. Ou já era inevitável...

Teve karaoke e foi muito divertido! Cantei Bohemian Rhapsody e o meu colega brasileiro, cantou No Woman No Cry. Voltamos para o AirBnB, capotamos e no outro dia quando estávamos de saída, uma chinesa super fofinha se juntou à nós. Primeiro fomos em uma cafeteria, e depois, em um Hookar Bar (um bar onde em cada mesa, há um narguilé). Passamos por uma feira de artesanato local, e o lugar exalava cultura - foi a primeira vez que vi uma mulher de burca! 

No bar, liguei o Hangouts do Couchsurfing e me encarreguei de arrumar um lugar para o brasileiro e eu passarmos a noite. Depois de um tempinho, consegui! Além de companhia para sair, o teto já estava garantido! A chinesa se despediu e fomos até o apartamento onde o cara morava. Era um lugar confortável, e o bósnio e seu colega de apartamento eram super simpáticos! Jogamos um pouco, ensinei o host a dançar frevo e daí os bósnios e o brasileiro dividiram um baseado (a essa altura do campeonato já deu pra notar que sou careta né? 😅

Os bósnios iam para uma festa de aniversário e nos chamaram para irmos juntos. Aceitei o convite, o meu colega brasileiro não. Quando estávamos de saída, o brasileiro falou em português para que os bósnios não entendessem:

- Ei Camila. Lembre que eu não sou responsável por você. 

Fiquei um pouco surpresa com o tom dele, que até agora somente tinha sido amigável.

- Eu sei disso ué, vim para a Europa sozinha.

Ficou um clima meio chato, mas resolvi deixar pra lá depois de ir para a rua. A festa de aniversário foi ótima! Todos que estavam lá eram super simpáticos, rolou uns salgadinhos, suco de maçã pra mim e álcool pra galera, e pra fechar com chave de ouro teve karaokê! Me senti contente por estar ali. 

Depois, o meu host e o flatmate dele ainda queriam festar, eu ainda estava bem animada e com a mesma vontade. Fomos para uma boate e foi bom, mas eu sou o tipo de pessoa que se cansa rápido de ambientes muito lotados e com música alta demais. Um tempinho depois, disse para o meu host que gostaria de ir embora e fomos, mas o flatmate dele ficou. Fomos rindo e conversando bastante até chegar em seu apartamento, e comi um pouco enquanto fazíamos palhaçadas na cozinha. Ele me chamou para ver um filme no quarto dele, e como estava sem sono, topei porquê estava gostando da companhia dele. Mas a partir daí, foi quando notei que dei a entender errado. Vimos talvez meia hora de filme e ele encostou a cabeça no meu ombro. Disse que ia dormir, e ele falou que eu poderia dormir lá se quisesse. Recusei. Ele desceu as escadas comigo e quando dissemos boa noite, ele soltou um "posso te beijar?" e me beijou. Não tive tempo nem de dizer não, nem de ir para trás, só congelei. Me senti desconfortável mas não consegui dizer nada para ele na hora. No outro dia de manhã, disse que não queria ter sido beijada e ele pediu mil desculpas sinceras, e disse para que eu não deixasse ninguém me beijar se eu não quisesse. 

Bem, nos despedimos e fomos, o brasileiro e eu, encontrar o Blablacar que nos levaria para Irig, um pequeno vilarejo na Sérvia. A senhora da nossa carona falava inglês bem, e o percusso foi muito tranquilo. Quando chegamos em Irig, havia um homem lá nos esperando. O brasileiro, havia conhecido um viajante sérvio no Chile, e este disse que caso um dia o brasileiro fosse para a Sérvia, ele faria uma ponte com uns amigos. Dito e feito! Fantástico como encontros "aleatórios" mostram como no fim das contas, tá todo mundo conectado né? 

Os amigos do sérvio eram um casal muito gente boa, a Iva e o Djukic. Eles tinham dois filhinhos de 4 e 6 anos, e me senti muito feliz e segura com aquela família. Eles foram muito gentis e aprendi muito da cultura da Sérvia com eles. 

A Iva me ensinou a fazer sarma, um rolinho de repolho bem típico da região dos Balkans e a ensinei a fazer bolo de cenoura. Lá também provei Ajvar, uma pastinha de pimentão vermelho deliciosa! Demos caminhadas, um amigo do casal nos levou à uma reserva florestal para que observássemos pássaros. Esse amigo deles nos ofereceu Rakia e aceitei. Esta tinha gosto de cereja e era tão forte quanto as outras variações de Rakia!

Ao longo da semana, estar naquele vilarejo renovou minha mente, embora eu tenha ficado doente. O brasileiro foi embora antes de mim, e na verdade fiquei aliviada por isso. Desde o que ele tinha me dito em Saravejo, o santo tinha parado de bater. Quando chegamos em Irig, conversamos sobre o que ele tinha me dito, e ele disse que tinha dito aquilo porquê se alguém me estuprasse, ia sobrar para ele, porquê ele seria o último brasileiro a ter tido contato comigo 🤷‍♀️ ele também não ia pegar carona comigo pelo mesmo motivo. Se alguém fizesse algo, ele não queria ter que dar testemunho nem nada e etc. Até consegui entender o grande senso de autopreservação dele, pois ele estava na estrada sozinho já havia um bom tempo, mas isso não evitou que eu o achasse um babaca né. Ele também disse que eu não confiasse em brasileiros, pois brasileiros não estão nem aí para outros de sua terra quando estão no exterior. A ironia disso, é que todos os brasileiros que encontrei depois dele, foram muito solícitos. 

Umas duas noites antes de ir para Belgrado, o Djukic tentou me convencer a não pegar carona. Ele disse que ficava com o coração na mão, porquê também conseguia imaginar a filha de 4 anos dele fazendo isso quando fosse ter a minha idade. Fiquei grata com a preocupação dele, assim como havia ficado grata à todos que tentaram me convencer a não pegar carona. Porém, eu queria ter aquela experiência. Depois de ler tantos relatos, queria ver com os meus próprios olhos que as pessoas em sua maioria, são boas. 

Me despedi das crianças e do Djukic, que me desejou sorte, e parti para Belgrado de ônibus com a Iva. Dormimos duas noites na casa de sua irmã, que morava em uma casinha de madeira que me fez imaginar muito à respeito da história daquele lugar. Elas me contaram um pouco de como foi a infância ali, e me senti sortuda por poder ouvir aquelas histórias. 

Saímos na primeira noite, e estava acontecendo um protesto contra a censura da mídia por parte do Governo sérvio. O plano era só olhar, mas acabamos indo junto! 

No outro dia, fomos no parque Kalemegdan, onde se encontra o Forte de Belgrado. Se você for na capital Sérvia, este lugar é parada obrigatória! Fica de frente ao rio Danúbio e você com certeza sairá de lá sabendo muito mais de história (e se tiver dinheiro, com uns souvenirs!). Dali, encontramos um amigo da Iva e ele nos chamou para dar um passeio de barco pelo Danúbio. Foi incrível, e ainda "pilotei" um pouquinho!

No dia seguinte, me despedi da Iva e de sua irmã e fui para casa da Lena, a couchsurfer que iria me hospedar pelos próximos dois dias.

Aniversário em Saravejo. xD 

 

 

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After Party.

 

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Belgrade Fortress (Forte de Belgrado).

 

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 Forte de Belgrado no parque Kalemegdan com a Iva.

 

Passeio no Danúbio.

                                                                                                                                                                                                                                           

 

 

 Protesto em Belgrado.

 

 

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Em 09/04/2021 em 15:58, D FABIANO disse:

@camilandarilhaMoça de coragem,voce!O que vale nessa vida é a recordação do que fizemos,sinto-me jovem de novo quando te leio,lembro dos meus momentos pela América do Sul,apenas com uma diferença:Tinha condições financeiras.Parabens!

Obrigada meu caro, concordo com você! A recordação de que fizemos o que queríamos é o que importa. E fico feliz, imagino que deva ter sido incrível (e que você tenha evitado muitos perrengues por ter dinheiro hahaha xD) um abraço! 

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Capítulo 4: Hospitalidade sérvia e primeira carona da minha vida!

Quando enviei meu pedido para passar duas noites na casa da Lena, só havia uma única frase em seu perfil: "Eu não estou aqui conversar, só me mande mensagem se estiver precisando de um lugar para dormir". Sem descrições sobre ela, nada. Como geralmente as pessoas explicam quem elas são e o que elas esperam do Couchsurfing, esperava uma pessoa prolixa e séria. Julguei totalmente errado. Nunca há como saber como será o seu host; isso pode ser negativo, mas com certeza pode te proporcionar agradáveis surpresas!

Desde o momento em que cheguei em sua casa, em uma área um pouco distante do centro de Belgrado, fui tratada como uma irmã mais nova. (ela inclusive ficou dizendo depois que eu era sua irmã mais nova e brasileira <3) Ela me recebeu alegremente, me mostrou o sofá onde dormiria (o melhor sofá que já dormi na minha vida) e me deu uma explicação sobre o seu apartamento. Me deu uma chave, disse que eu poderia comer qualquer coisa da geladeira, cozinhar qualquer coisa, usar seus produtos de beleza que estavam no banheiro, e até usar suas roupas! Eu com certeza não esperava por tudo isso, e nem pelo carinho dela pela cultura brasileira! Lembro de ela colocar "Mina do Condomínio" de Seu Jorge quando estávamos no carro, e ela ria e tentava cantar em português. Uma fofinha!!

Lena era jornalista, e me levou ao lugar onde ela trabalhava. Um lugar grande e colorido, que parecia combinar com a personalidade dela. Tomamos um café e depois demos uma volta pelo centro de Belgrado. A capital da Sérvia é uma mistura de confusão e beleza, prédios destruídos com vizinhos de arquitetura moderna. A cidade emana uma energia boa e caótica, com muita arte e história em qualquer paisagem. Belgrado com certeza, é aquele tipo de lugar que você ama, ou odeia. Eu amei aquele lugar, e as pessoas bondosas dali. 

Naquele mesmo dia, fomos jantar na casa da mãe dela. Um amigo da Lena foi junto, ela tentou encoraja-lo a falar inglês. Toda vez que ele falava algo em sérvio, eu soltava aquele "english, please!" para encorajar também haha e não ficar de fora da conversa. 

A família dela foi muito gentil e solícita, mesmo sem conseguirem se comunicar comigo. Comi muito bem naquela noite, e nos despedimos com abraços. Elas falando em sérvio e eu agradecendo em português, pois conseguimos transmitir o que estávamos sentindo, apesar da barreira linguística. Acho esse tipo de comunicação sensacional. Não é o inglês que é a língua universal, são as emoções!

No dia seguinte, dei um passeio sozinha pela cidade (pois Lena tinha ido trabalhar). Fui em um city tour gratuito no parque Kalemegdan e ganhei um copinho de shot para beber Rakia, pois fui a única pessoa do city tour a dizer três palavras em sérvio

Inclusive, achei insana a criatividade da galera dos Balkans na hora de xingar alguém! "Idi u tri pičke materine" é a frase mais ofensiva que você vai ouvir naquela região. O significado? Vá f*der três b**etas da sua mãe. Absurdamente pesado e criativo. Não sei vocês, mas sou daquelas pessoas que se diverte muito quando aprende a xingar em outros idiomas 😅.

Quando voltei para casa da Lena, dei um passeio com seus dois cachorros (à pedido dela) e esperei a noite cair. Algumas horas depois, estava na mesa com a Lena, e dois amigos dela. Um deles tirou cartas de tarô para mim. A conversa entre nós quatro naquela noite, acabou sendo mais profunda do que eu imaginava que seria. 

Na hora de dormir, estava planejando como seria o dia seguinte. Pensava em pegar carona para a Romênia, em direção à Bucareste. Analisando o mapa e quantas vezes precisaria trocar de rota, achei que seria melhor tomar um caminho mais fácil, já que seria a primeira vez que ia para a estrada com uma plaquinha. Resolvi então de última hora, ir para Budapeste! 

Pela manhã, me despedi da Lena e o rapaz que tirou as cartas de tarô pra mim, disse que ia me deixar em um ônibus para conseguir chegar na estrada. Ele foi comigo até certo ponto, depois nos despedimos. Fiquei grata por ele ter me colocado no caminho certo.

Ah, os ônibus na Sérvia são muito fáceis de burlar. Basicamente não tem cobrador, você só tem que passar um cartão ou comprar um bilhete na mesma maquininha. É você e sua consciência. Eu não paguei nenhuma vez. 

Quando estava no ônibus em direção à saída da cidade, estava muito feliz e animada! Finalmente iria pegar carona, finalmente iria ter aquela experiência! Queria muito compartilhar com alguém, e comecei a olhar em volta. Haviam três pessoas perto de mim, e decidi puxar conversar com um cara que estava com uma expressão séria. Perguntei se o ônibus estava indo na direção que eu queria, depois disse à ele que era brasileira e que estava indo pegar carona na estrada. Ele ficou interessado e falou que ouvia música brasileira! Disse que amava Kevinho e perguntou o que significa "cê acredita?" HAHAHA eu fiquei tão feliz! Então, ele perguntou se eu estava com pressa. Disse que não, e ele me chamou para tomar um café. Também disse que compraria uma boa caneta para eu fazer uma plaquinha, pois a minha estava horrível e com o nome "Budapest" pouco visível.

Na cafeteria, conversamos sobre sentido da vida, viagem e universidade. Fizemos a minha plaquinha, trocamos facebook e então, nos despedimos. Não havia chegado na estrada ainda e já estava indo bem!

Comecei a andar, a procura de um bom lugar para estender o meu polegar. Não foi nem preciso: um homem em uma caminhonete viu a plaquinha, e ofereceu a carona! Após meia hora, ele me deixou na estrada, em um lugar com um bom espaço e onde os carros não passariam em alta velocidade. Uns 10 minutos depois, um senhor parou para mim. E esse senhor, seria responsável por me fazer acreditar ainda mais na bondade das pessoas. 

 

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A parte mais louca da aventura estava para começar! Ativando o modo hitchhiker!

 

 

 

 

O homem da caminhonete.

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Em 14/04/2021 em 22:06, Letícia Carmassi disse:

Gosto muito de ler seus relatos. Real perspectiva de uma mulher brasileira  experienciando outros territórios, mais do que isso, com consciência de que tudo pode!❤️ 
 

Fico muito feliz que você esteja acompanhando!! ❤️ 

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      Não há lugar melhor para cultura, história, beleza e uma atmosfera vibrante do que Amsterdã! Como a capital da Holanda, Amsterdã é a cidade mais popular do país e até mesmo uma das cidades mais populares da Europa. 
      Quase todos os itinerários de viagem europeus incluem uma visita a Amsterdã e saber o que esperar antes da chegada é fundamental.
      Amsterdã é uma cidade conhecida por muitas coisas diferentes. Ela ganhou a reputação de uma das cidades mais sombrias da Europa devido à legalização da maconha e da prostituição. No entanto, este aspecto de Amsterdã é apenas uma fração do que você experimentará ao visitá-la.
      É claro que há muitas pessoas que nos visitam com a intenção de festejar e participar de algumas dessas atividades, mas também há um clima muito moderno e descolado em Amsterdã que é incrível de se experimentar.
      Uma das coisas que a maioria das pessoas diz depois de visitar Amsterdã é: “Eu poderia realmente morar aqui”. A cidade tem um clima super bem-vindo e ocidental que a torna muito acolhedora e fácil de se sentir confortável.
      Há muito para saber sobre Amsterdã e esta lista das 15 coisas mais importantes que você deve saber ao visitar Amsterdã o colocará por dentro antes de sua viagem.
       
      Continue lendo: 15 Coisas para Saber Antes de Visitar Amsterdã
    • Por Fora da Zona de Conforto
      Visitar a Escandinávia e os países que fazem parte dela não é barato. Os custos nesses países são altos tanto em alimentos e bebidas, quanto em acomodações e atrações, o que pode dificultar se você não tiver muito dinheiro para gastar durante a sua viagem.
      Felizmente, há muito para ver e fazer ao ar livre, já que este é um dos destinos mais impressionantes e interessantes do mundo. Além disso, vale a pena gastar para explorar algumas das melhores atrações que os países escandinavos têm a oferecer.
       

       
      Se você estiver viajando com orçamento limitado, há algumas coisas que você pode fazer para manter seus custos baixos, já que não é preciso fazer tudo no auge do luxo. Se você estiver procurando opções de baixo orçamento, saiba que existem algumas maneiras de economizar dinheiro.
      Nem tudo é caro, existem maneiras de encontrar voos baratos e economizar muito dinheiro para aproveitar durante a sua viagem. Para economizar com transporte, continue lendo até o fim, onde dou algumas dicas sobre o Scandinavia Pass.
      Uma das maiores dúvidas durante uma viagem, apesar do que a maioria acredita, não é com o que economizar, mas sim com o que vale a pena gastar. Por isso, aqui estão algumas atrações na Escandinávia com que vale a pena gastar dinheiro…
       
      Continue lendo: 7 Coisas que Vale a Pena Gastar Dinheiro na Escandinávia
    • Por gsultowski
      Olá.. sei que preciso fazer a comprovação financeira de 2400 euros para conseguir o visto. O que quero saber é COMO FAZER esta comprovação? Extrato bancário, declaração?
      Obrigado.
    • Por Rubéns Queiroz
      Hoje a dica è alimentação em uma das cidades mais caras da europa, A REALIDADE!!!
      Link a baixo:
      1kg DE FRANGO R$ 65,00 😨😨
       
      Espero que gostem do conteúdo, qualquer dúvida ou sugestões deixem nos comentários do video, até mais galera!! 

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