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Soroche, Mal de Altura ou Mal da Altitude

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Caro Andreantunes,

Sou novo no forum e vi que é cardiologista com boa informação da fisiologia em altitude. Padeço de Fibrilação Atrial crônica, medicado com diltiazem (para tratar da FC-taquicardia, não do ritmo sinusal) e com varfarina (INR 2-3) e não tenho nenhuma outra cardiopatia. Pois bem, já subi no Chacaltaya (Bolívia, 5.330m) sem maiores problemas... há 23 anos. Mas tive que descer, pois cheguei em La Paz num dia e no dia seguinte fui ao topo com alguns esquiadores -deu para ficar umas 3-4 horas apenas. Fui montanhista até que a FA me castigou. A questão é que agora resolvi subir nas altitudes de 4x4, mais fácil, né... Nas minhas atuais condições cardíacas, até que ponto estaria me arriscando subindo altitudes superiores a 2.500m? Agradeço seus conselhos.

 

 

Ribas, na minha opinião você deveria conversar com o seu cardiologista sobre a sua viagem, pois só ele conhece o seu histórico médico completo.

Na altitude ocorre taquicardia naturalmente, como forma do corpo compensar a falta de oxigênio, fazendo o sangue circular mais rápido para assim chegar mais oxigênio para o corpo. No seu caso, o diltiazem controla a frequência cardíaca, o que pode impedir a compensação natural e prejudicar sua adaptação. Mas você não deve de forma alguma ficar sem essas medicações (principalmente a varfarina). Então deve conversar com o seu médico para saber qual a melhor opção para a sua adaptação.

Ainda não sou médica formada, mas acredito que não haja nenhuma contra-indição para o uso da acetazolamida (Diamox) ou do Citoneurin no seu caso. Mas tenha muito cuidado com complexos vitamínicos como o citoneurin, pois se tiver vitamina K na composição você não poderá tomar, pois a vitamina K tem efeito contrário ao da varfarina.

Não deixe de pedir orientação ao seu cardiologista antes de fazer a viagem

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Coloquei essas informações em um tópico sobre o Chile e, apesar de não estar diretamente relacionado com a altitude, acho importante colocar essas informações por aqui também:

 

"Aqui cabe também uma recomendação especial para quem é atópico (traduzindo: quem tem as "ites", como bronquite e asma, rinite, sinusite...enfim, alergias...) e vai para lá no inverno, que é mais seco que o habitual e, claro, frio.

Apesar de San Pedro não ser tão elevada quanto as cidades bolivianas, a altitude lá não é desprezível . Os sintomas do tipo dor de cabeça, náuseas e tonturas não aparecem para as pessoas em geral, mas para os atópicos outros sintomas importantes são exacerbados. Como é um local de altitude, o nosso organismo vai produzir uma taquipnéia (respiração mais rápida), e em consequência a isso, expelimos maior quantidade de vapor d'água que o habitual. Isso associado ao clima extremamente seco e frio, é um prato cheio para as crises de espirros, coriza, congestão nasal, olhos lacrimejando, garganta coçando, dor de cabeça na região frontal...enfim, tudo aquilo que quem tem rinite já conhece...isso sem falar na exacerbação de crises asmáticas para quem tem a doença. Sendo assim, se você faz parte desse grupo, não esqueça de ir previnido. Leve seus anti-histamínicos, corticóides, bastante spray nasal de soro fisiológico e, para quem é asmático, não esqueça sua "bombinha" de modo algum. Não quero assustar ninguém, pode ser que não aconteça absolutamente nada com você por lá, mas se faz parte desse grupo que eu citei, a chance de acontecer é muito maior que a média!!

De resto, é só seguir as outras recomendações já explicitadas por aqui com relação à hidratação e uso de proteção contra a radiação UV !! "

 

É só trocar onde está escrito San Pedro por La Paz ou Uyuni (que também é um deserto), que o restante das dicas tem o mesmo valor.

Abraços!!

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Caro Andreantunes,

Sou novo no forum e vi que é cardiologista com boa informação da fisiologia em altitude. Padeço de Fibrilação Atrial crônica, medicado com diltiazem (para tratar da FC-taquicardia, não do ritmo sinusal) e com varfarina (INR 2-3) e não tenho nenhuma outra cardiopatia. Pois bem, já subi no Chacaltaya (Bolívia, 5.330m) sem maiores problemas... há 23 anos. Mas tive que descer, pois cheguei em La Paz num dia e no dia seguinte fui ao topo com alguns esquiadores -deu para ficar umas 3-4 horas apenas. Fui montanhista até que a FA me castigou. A questão é que agora resolvi subir nas altitudes de 4x4, mais fácil, né... Nas minhas atuais condições cardíacas, até que ponto estaria me arriscando subindo altitudes superiores a 2.500m? Agradeço seus conselhos.

 

Caro Ribas, A Samantha já adiantou a resposta. A fibrilação atrial permite uma vida tranquila. Há uma perda de 30 a 40% do rendimento cardíaco, mas permite uma vida tranquila, como deve ser seu caso.

Você não tem a contração atrial, que ajuda um pouquinho no rendimento, e como falou Samantha, você não terá a resposta fisiológica da "Taquicardia" que surge na adaptação imediata à altitude ou ao esforço, ou ambos ( o coração compensa em parte, bate mais vezes por minuto).

No seu caso, a sua frequencia sem o Diltiazem fica elevada demais ( passa do limite !!), e com o Diltiazem a frequencia fica "oscilando" normalmente numa faixa que o seu médico aceitou (mas oscila, vamos dizer por exemplo: momentos de 50 batimentos por minuto -bpm-, momentos de 80, 90 bpm, média de 70 batimentos por minuto).

É super importante saber as condições de sua função cardíaca (força do ventrículo esquerdo), a provavel ou não existência de doença "latente", silenciosa, de coronarias (angina ainda "escondida"), etc. É uma lista de coisas para seu cardiologista olhar !! e lhe orientar !!

 

Se eu estivesse no seu lugar, só com a fibrilação atrial, sem outras alterações, eu iria, de carro, mas sempre respeitando o limite máximo (empírico, isso não é ciencia) de 400 metros de ascensão por dia, talvez ficando um dia a mais (ou seja, ou noite a mais), em cada etapa dessa... Então Subiria 400 metros num dia, a cada 2 dias, por precaução, por que a medicina não é matemática, nem nos atletas 100%, nem em ninguém. Qualquer coisa daquela tabela de sintomas desceria.

 

O diamox não atrapalharia em nada !!Pelo contrario, ajudaria ( pode ser tomado em dose baixa no início). O diamox pode inclusive ser tomado na meia dose hoje em sua casa, para testar se você vai sentir "normal".

Sinceramente: o complexo B não faria menor diferença. Como disse o Juba, pode ser que em alguns anos descubram alguma coisa (isso é só para deixar uma portinha aberta de possibilidade, sem radicalizar... Mas sinceramente, é só vitaminazinha...)

 

Resumo: Manter seus dois medicamentos. Consultar seu Cardiologista sobre as suas condições gerais. E ir com seus amigos com o compromisso de a partir de 2500, 2800 metros ir com mais cautela !! Mas com o sentimento de que daria tudo certo...

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Efeito do Soroche ?

 

Depois de uma crise braba de Soroche indo para La Paz, notei que um de meus olhos sofreu um tipo de derrame, algum vazinho estourou e meu olho ficou quase todo vermelho, aparência de sangue pisado.

 

isso faz quase dez dias e melhorou muito pouco.

 

Foi devido a pressao do ar ou as crises de vômito ?

 

abraços

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Olá Rodrigo e Gí,

 

Isso que você teve é conhecido como hemorragia subconjuntival. É um extravasamento de sangue em baixo da conjuntiva (parte branca dos olhos). O aspecto é de sangue vivo (vermelho), com limites bem definidos e indolor inclusive à palpação.

 

Geralmente é assintomática e percebida por acaso, ao olhar no espelho ou atestado por outra pessoa. A infiltração sangüínea leva duas a três semanas para reabsorver e durante a evolução vai tornando-se amarelada e é acumulada inferiormente.

 

Suas causas mais comuns são:

 

- Hipertensão arterial;

- Traumatismos oculares;

- Distúrbios da coagulação sangüínea;

- Manobra de Valsalva (tosse ou esforço);

- Olhos ressecados e prurido.

 

Em seu caso (veja bem, isso é apenas uma hipótese, já que não pude ver a lesão e não sei seu histórico médico...) provavelmente foi decorrente do clima frio e seco da região, que deixa os olhos ressecados, causando prurido e com isso pequenos e constantes traumatismos oculares que podem gerar esse sangramento. Isso associado ao fato que, na altitude, fazemos mais esforço respiratório, principalmente quando vamos subir uma ladeira ou caminhamos um pouco mais, além de crises de tosse, comuns em climas secos e frios. Além disso você relata também crises de vômitos, que representam um esforço grande (valsalva). Tudo isso somado, pode ter causado a sua hemorragia subconjuntival. Não acredito que em seu caso haja algum problema de hipertensão ou distúrbios de coagulação. Mas como te disse, isso é uma hipótese, persistindo o sintoma, procure seu oftalmologista!

 

Até mais!!

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Andreantunes e Samantha,

Agradeço a ambos pelas suas colocações e conselhos. Ajudou a me sentir um pouco melhor, podem crer! Não é fácil depois de ter sido atleta e montanhista se defrontar com essas limitações impostas por uma disfunção cardíaca. O ânimo decai muito, chegando até configurar um quadro de depressão (acredito que pessoas não deportistas não cheguem a tanto em tal situação). É claro que pretendo algum dia voltar a fazer montanhismo, mas apenas caminhadas leves ou semipesadas e algum trekking sem pressa. Caminhadas acima de 3000m. creio que não vai dar, a taquicardia vai bater forte, apesar do diltiazem, e é muito desconfortável. Quis uma opinião de vocês, por participarem deste fórum (excelente, aliás), o que lhes dá boas credenciais. Me explico: os eletrofisiologistas (ou arritmologistas) são especialistas e estudiosos das arritmias de um modo geral, mas não têm a vivência dos esportes de altitude. Esse fato não os desmerece, mas não me sinto a vontade de fazer-lhes perguntas... logo prescrevem uma ergometria e desaconselham veementemente os esportes "radicais".

Continuarei acompanhando o fórum e, quem sabe a gente não se esbarra numa caminhada desses ::hein:

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Vou dar uma dica baseado no que eu ouvi dizer e principalmente no que eu senti na pele... muito cuidado com bebida alcoolica principalmente no primeiro dia que estiver em La Paz caso voce nao estejam acostumado com altitude.

 

Eu sai de balada um dia antes (Mongos) e bebi muita Huari Huari e Paceña (cervejas deliciosas) e no dia seguinte fui pro Chacaltaya (praticamente virado, sem dormir), vomitei até as tripas lá e a nossa guia perguntou se eu e meu amigo (que tb estava na mesma situação) tinhamos bebido na noite anterior, quando dissemos que sim ela falou "voces são loucos, além de não estarem ambientados com a altura ainda beberam?"

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Eu sou hipertenso e antes de viajar tentei achar algum relato de alguém que tb fosse hipertenso pois tava muito preocupado com a altitude, mas fiz alguns exames, consultei minha médica e ela falou q não haveria problema, que se minha pressão subisse era pra eu tomar mais um comprimido do remédio que já estou acostumado a usar, e só um dia isso foi necessário. É fato que algumas coisas simples do nosso dia a dia ficam um pouco mais cansativas lá na altitude como subir escadas, andar rápido, mas nada que vc não se acostume. Tive um pouco de dor de cabeça no primeiro dia em La Paz mas fui tomando o mate de coca, descansando e bebendo bastante água e fiquei legal, fiz o Chacaltaya no segundo dia, um pouco imprudente já que sou hipertenso mas me senti razoavelmente bem (embora tenha colocado meio metro de lingua pra fora enquanto subia ::mmm: )

 

Acho que quem tem algum problema de saúde ou não está se sentindo muito seguro deve procurar um médico antes de fazer a viagem, mas não deve ficar muito preocupado pois acredito que aos pouquinhos nosso corpo vai se acostumando.

 

Ah preciso dizer tb que cheguei de avião em Santa Cruz (que fica muito mais baixo que La Paz) e fui de ônibus pra La Paz, e talvez por causa disso eu tenha conseguido me adaptar mais facilmente.

 

Abraços

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Tenho perfuracao timpanica.

Sera que sentirei mais a altitude de Cuzco por causa disso?

 

É amigão eu não tenho problema no ouvido e senti uma pressão e uma dor aguda qdo estava subindo pra La Paz (bastante desconfortável mas passa), por isso acredito que com seu problema vc sentirá um pouco mais de dificuldade, mas o ideal mesmo é vc conversar com seu médico.

 

Acho tb que seria interessante vc ir subindo devagar, e não sair do nível do mar e ir direto pra uma altitude como a de La Paz ou Cusco de avião.

 

Abraços!

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