TRAVESSIA LAPINHA X EXTREMA - Carnaval 2016

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leandrocte
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Registrado em: 08 Jun 2014, 18:01

09 Fev 2016, 23:03  

INTRODUÇÃO

Há tempos vinha sondando fazer uma travessia que fosse mais ao norte do Espinhaço, região que eu ainda não conhecia. Fuçando a internet e brincando no Google Earth, decidi fazer a travessia Lapinha x Extrema, distrito de Congonhas do Norte, município que dista 50km a norte de Conceição do Mato Dentro. Com a proximidade do feriado de Carnaval de 2016, a vontade de fazer a mesma aumentou. Chamei algumas pessoas, mas a maioria não podia por já ter outros compromissos. Chamei o Ivan que eu já conhecia dos Mochileiros BH e a Ana Paula, sua namorada, que eu também já conhecia do mesmo grupo. Acertamos os detalhes e eles animaram. Aos 45min do segundo tempo, uma garota que eu não conhecia pessoalmente, só pela internet, a Glauciane, animou também. Assim, a trupe para essa travessia estava formada. Passagens de ônibus compradas e lá fomos nós pular nosso “carnaval”.

1º DIA – Sábado – 06/02/16

O primeiro dia de carnaval reservamos apenas para deslocamento até Lapinha da Serra. Marcamos nosso ponto de encontro e logo vi a Glauciane. Pouco depois, o Ivan e a Ana chegaram. Tomamos o ônibus da Saritur para Santana do Riacho às 15:15min na rodoviária de Belo Horizonte e lá fomos nós. Já no embarque do ônibus, o Ivan chamou minha atenção mostrando que outros mochileiros estavam embarcando no mesmo veículo, o que seria ótimo para nós mais tarde. Viagem tranquila, sem trânsito, parada rápida em São José de Almeida para esticar as canelas e antes do sol se por, chegamos a Santana.
Desembarcando, um casal mochileiro vem até nós e nos pergunta se estamos indo para Lapinha. O cara era carioca e a menina, da Holanda. Logo depois, outro casal, que também estava no ônibus, se aproximou de nós informando que eles e mais 3 pessoas ali também iriam para Lapinha. Combinamos de procurar um meio de transporte até lá, mas, antes, resolvemos tomar uma cerveja porque, afinal, era Carnaval... rs. Como já havia passado por isso antes, resolvi dar uma volta pela cidade e vi um caminhão estacionado. Me aproximei, me indicaram onde achar o dono do caminhão e fui conversar com o cara. Expliquei a situação e ele concordou em nos levar até Lapinha com cada um pagando 10 reais (como éramos 11 pessoas, garantimos a cerveja de carnaval do cara). Corri para avisar o pessoal, que ainda estava no bar do ponto final do ônibus, e imediatamente todos concordaram em ir até Lapinha no caminhão. Voltei, chamei o cara e o mesmo estacionou nosso “taxi” para que embarcássemos. Todos na carroceria, lá fomos nós felizes da vida até Lapinha, rindo e falando bobagens como se todos ali se conhecessem.
Entre risadas, chegamos a Lapinha e cada grupinho foi procurar onde ficar. Estávamos receosos em não achar lugar para acampar, pois era feriado e lá deveria estar cheio, mas, para nossa surpresa, o vilarejo estava vazio para um carnaval. Ótimo pra nós. Fomos ao Camping do Breu, que eu já conhecia, combinamos com a moça e decidimos ficar por lá por uma noite. Ajeitamos nossas barracas, tomamos um merecido banho (a poeira que levamos em cima do caminhão foi demaaaaais) e saímos para comer algo. Antes, encontramos um camarada chamado Vandir e conversamos com ele sobre a possibilidade dele nos transportar por parte do caminho no dia seguinte (depois explico isso). Comemos nosso feijão tropeiro e sanduíches, tomamos algumas cervejas (menos a Glaucia, que só bebia Coca-Cola mesmo) e voltamos ao camping para dormir bem e acordar logo cedo no domingo.

2º Dia – Domingo – 07/02/16

A madrugada foi impressionante. Ventou bastante e como o camping tem muitas árvores, o barulho foi tremendo. Acordei umas duas vezes pensando que estava chovendo. Na verdade, cheguei a sonhar que estava caindo um temporal devido ao barulho. Mais tarde, a Glaucia me contou que pensou a mesma coisa. Felizmente foi só impressão mesmo. Levantamos cedo, ajeitamos as cargueiras e fomos até a casa do Vandir. A questão é a seguinte: os primeiros 5km da travessia, saindo de Lapinha, passando pelo “cotovelo” da estrada e chegando até a porteira de uma fazenda, é toda feita em estrada de terra mesmo. Com toda a poeira, eu não estava nem um pouco a fim de caminhar nessa estrada. Além disso, sabíamos que o limite para entrar na fazenda para acessar a cachoeira do Bicame, que estava em nossa rota, era de 30 pessoas por dia e por ser carnaval, pensamos em ir cedo mesmo e não correr risco de não entrar lá e ferrar a travessia. Como achamos esse cara, ele cobrou 10 reais de cada um para nos levar até a porteira. Caro, já que a distância era pouca, mas como não queríamos engolir poeira, concordamos. Encontramos com o cara, embarcamos em seu jipe e lá fomos nós até a fazenda. Papo vai, papo vem e chegamos à fazenda. Nos despedimos e, assim, às 07:30min começamos a travessia.
O caminho para essa travessia era bem simples, sem confusão e até com placas indicativas feitas por grupos de ciclistas. Há uma história interessante que eu já havia lido na net e confirmei com pessoas que conversei nesta viagem: na década de 80, o prefeito de Congonhas do Norte tinha uma amante em Santana do Riacho. Já o prefeito de Santana tinha terras pro lado de Congonhas. Como o prefeito de Congonhas, pelo jeito, estava enfeitiçado pela a amante e a distância entre os municípios era longa, já que tinha de passar por Conceição do Mato Dentro, o prefeito simplesmente mandou as máquinas da prefeitura abrir uma estrada entre os dois municípios passando por sobre a Serra do Espinhaço no sentido Oeste-Leste. O prefeito de Santana permitiu a estrada entrar em seu município porque seria mais fácil para o mesmo chegar até suas propriedades do outro lado do Espinhaço. Assim, a estrada foi aberta e, ao que parece, o prefeito de Congonhas do Norte se divertiu bastante com a tal amante. Em “homenagem” aos mesmos, o nome da estrada se tornou “Transamante”. Desde o final dos anos 90 a estrada é interditada para veículos (só os poucos moradores locais podem transitar por ela usando carros).

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Seguimos pela estrada dos “pombinhos” em bom ritmo e observando o paredão do Espinhaço a nossa direita coberto por neblina. Em alguns momentos a neblina baixava, mas nada de mais. A manhã estava linda. Aos poucos, o povoado de Lapinha foi ficando para trás e íamos subindo a serra. Neste ponto, há o controle de entrada na fazenda (que, na verdade, é uma Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN), mas como era bem cedo, o cara que controla ainda não estava lá. Seguimos e pouco depois encontramos uma enorme erosão a nossa esquerda. A Glauciane, estudante de Geologia, quase entrou lá pra ver melhor. Rs. Seguimos pela Trasamante abrindo as porteiras e alguns quilômetros a frente encontramos o ponto de apoio da RPPN. Paramos para nos identificar e logo tivemos uma notícia que não estava programada. Nossa intensão era descer até a Cachoeira do Bicame e depois subir por sua parte alta até encontrar a Transamante novamente. Mas o funcionário nos informou que não era mais permitido descer com mochilas cargueiras até o Bicame para evitar que pessoas acampassem lá. Argumentamos, pedimos, choramos, mas o cara era inflexível. Assim, tínhamos duas opções: não ir ao Bicame e continuar seguindo pela Transamente ou deixar as cargueiras lá na casa da administração, ir ao Bicame, voltar, pegar as cargueiras e continuar seguindo o caminho. Como apenas eu já conhecia essa cachoeira, decidimos que seria melhor deixar as cargueiras lá e ir até a cachoeira, já que estava cedo. Essa brincadeira iria aumentar em 6km nossa caminhada, mas tínhamos tempo. Deixamos as mochilas sob cuidados do recepcionista, escolhemos umas frutas e algum lanche para levar, colocamos numa pequena mochilinha que a Ana tinha e lá fomos nós. Sem cargueiras, poderíamos andar mais rápido e calculamos que em 1 hora estaríamos no Bicame. Fomos lá! Andando rápido, passando sobre algumas nascentes e visualizando o belo vale do Soberbo a nossa esquerda, em pouco tempo chegamos na parte onde se visualiza a cachoeira do Bicame, para nosso delírio. Tiramos fotos e descemos logo até a mesma. Gastamos exatamente 1 hora até lá.

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A cachoeira do Bicame é fantástica. Já a conhecia, mas cada vez que vou lá passo a gostar um pouco mais dela! Ficamos pouco mais de 1 hora nadando lá e como ainda era cedo, só dois ciclistas apareceram por lá pouco depois também. Coube a Ana Paula ser a primeira a entrar na água fria. Tiramos fotos e quando vimos que já estava bom, nos arrumamos e pegamos a trilha de volta. Pelo caminho, encontramos vários outros caminhantes que estavam indo para a cachoeira (valeu a pena ter ido tão cedo). O Ivan ainda teve tempo de ver um pequeno mamífero ou um roedor entrando sob as pedras quando fomos a um mirante observar o poço do soberbo. Pouco mais de 1 hora de caminhada e já estávamos na recepção da RPPN onde nossas mochilas estavam confinadas. Pegamos umas mangas que tinha por lá, papeamos, descansamos, beliscamos alguma coisa e, agora com as cargueiras novamente, seguimos nosso caminho pela Transamante subindo a serra. Cerca de 4km após a recepção, encontramos, novamente, o rio de Pedras, que alguns quilômetros abaixo forma a cachoeira do Bicame. Neste ponto, termina a RPPN e começa a Fazenda Gutierrez, área de criação de gado. Tiramos nossas botas para atravessar pelo rio e logo notei um enorme poço ali acima. Sem pensar duas vezes, tirei a roupa e tomei um banho naquele ponto para aliviar o calor, enquanto o pessoal descansava. Poucos minutos depois, já estávamos caminhando novamente.
A partir deste ponto, a estradinha continua subindo. Contornamos um morrote pela direita e, do mesmo lado, avistamos o Pico do Breu que estava, em linha reta, há 7km da gente. Seguimos por 4 quilômetros e, como já eram 16 horas, começamos a pensar em um lugar para pernoitar. O GPS marcava um ponto de água no fundo do vale que estava a nossa frente e eu também tinha a informação de outros grupos que já passaram por ali e acamparam neste vale. Avistamos o mesmo e descemos até lá. Ao chegarmos, reabastecemos nossas garrafinhas de água e pensamos sobre a possibilidade de acampar lá. Conversamos e como ainda estava cedo e tínhamos quase 3 horas de sol pela frente ainda, decidimos que seria melhor continuar subindo a serra até o ponto mais alto que estávamos avistando lá do alto e verificar se do outro lado havia mais água e um lugar apropriado para acampar. Caso não houvesse, iríamos voltar para o ponto que estávamos e acamparíamos ali mesmo, já que tínhamos tempo. Decidido, começamos a subir e logo no início vimos uma erosão enorme ao nosso lado direito. A Glauciane pirava com aquele buraco todo! Subindo, subindo, subindo, chegamos até o topo e notamos que havia mais algumas subida. Continuamos a subir e logo depois, o Ivan viu que começava a descer. Fomos a frente descendo até um vale que distava 2,5km do ponto de água que havíamos deixado para trás. Apertamos o passo e ao chegar lá, a decepção: havia um pequeno curso d’água mas muito parada e com vegetação aquática na mesma. Não achamos interessante acampar ali e usar daquela água. Nisso, eu já começava a pensar na possibilidade de voltar mesmo ao ponto de água mais seguro por onde havíamos passado. Felizmente tínhamos tempo para isso. Esperávamos as meninas que ainda desciam e eu resolvi explorar um pouco mais a região, já que havíamos notado um outro vale a nossa esquerda. Deixei a cargueira com o Ivan que iria esperar as menina, atravessei o filete d’água e fui ver o que tinha à esquerda. Andei cerca de 450m e pra minha grata surpresa, havia um riacho lá com alguns poços. Apesar de ter bastante água, ela também estava um pouco parada e correndo bem fraquinha. Pulei para a outra margem e achei um lugar ideal onde poderíamos acampar. Voltei, encontrei o pessoal descansando e contei as boas novas. Ficamos ali mais alguns minutos beliscando alguma coisa e depois fomos ver nosso hotel 5 estrelas. Todos aprovaram o local e fomos montar nossas barracas.
Com algum vento atrapalhando, conseguimos montar tudo como queríamos. Como ainda havia sol, fomos tomar nosso banho num dos poços que passamos no riacho. A água variava de temperatura a todo momento, de morna para fria. Tomamos nosso banho, descansamos na pedra, batemos papo, recolhemos água e voltamos às barracas bem ali ao lado. O sol começava a se por e a paisagem ficava cada vez mais linda. Tiramos várias fotos nesse momento e apreciamos aquele belo espetáculo na montanha. Sem perder tempo, fomos preparar nossos banquetes. A Glaucia comeu uns 2 ou 3 potinhos de CoopNoods (sei lá como se escreve e também não sei como ela consegue comer aquilo. Rsrs). A Ana preparava o jantar dela e do Ivan, que teve o direito de jantar com ela pois o mesmo sempre monta a barraca deles durante seus acampamentos, com linguiça, bacon e catchup, que a Ana não consegue viver sem. Eu, como sempre, preparava meu Liofoods com arroz, feijão, carne moída e purê de batata. Como eu sempre digo, Liofood é uma droga, não tem gosto de nada e o feijão é ruim, mas é leve e da pra segurar a onda. Devidamente alimentados, conversamos um pouco e, cansados do dia, era hora de dormir (o Ivan já estava dormindo...). A noite estava linda, muito estrelada e com a temperatura bem agradável, então, como de costume, resolvi ficar do lado de fora por mais 30 ou 40 minutos apreciando as estrelas e refletindo sobre alguns aspectos da minha vida. Até que me bateu algum sono e fui dormir também. Em poucos minutos, já estava apagado. A noite foi tranquila, mas ventou bastante e a temperatura caiu durante a madrugada (e o zíper do meu saco de dormir estragou durante a madrugada). Neste dia, caminhamos ótimos 25km montanha acima.

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Um observação: essa travessia foi feita em fevereiro logo após as chuvas. Em outras épocas do ano, como pouca água, aconselho a acampar no riacho que descrevi por onde passamos e não neste lugar pois o riacho deve praticamente secar.


3º Dia – Segunda – 08/02/16

Amanhecemos para o segundo e último dia de travessia. Estava um friozinho gostoso e abri minha barraca esperando ver neblina para todo lado, como estava no dia anterior, mas para minha tristeza, o dia já amanheceu claro! Levantamos e preparamos nosso lanche de início do dia. A Ana só funciona depois de tomar café, então ela aproveitou para fazer seu líquido sagrado antes da gente sair. Desarmamos nossas barracas, recolhemos nossas tralhas, lanchamos, verificamos se nada estava ficando para trás e começamos a andar, nos despedindo daquele lugar aconchegante onde passamos a noite.

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Fomos subindo a serra, papeando, observando a paisagem e olhando o Pico do Breu que estava coberto de neblina (neste ponto, já estávamos em terras do Parque Estadual Serra do Intendente, que vai até a Cachoeira do Tabuleiro). Na verdade, todo o lado leste estava com neblina. Tínhamos a intenção de ver o cânion do Peixe Tolo, mas com tanta neblina não seria possível ver nada. Continuamos a subir, tirando fotos e procurando a trilha à direita que será uma próxima travessia nossa (Lapinha X Tabuleiro – via rota Norte). O Ivan achou uma trilha, mas meu GPS indicava que ela ainda estava bem a frente (depois concluímos que essa seria um atalho para chegar na trilha principal). O tempo começava a abrir e do alto da Transamante começávamos a visualizar vários paredões a nossa direita. À esquerda, um lindo vale se abriu e encontramos um ótimo mirante. Parada obrigatória ali parra tirar fotos e encher os olhos com a paisagem. Este foi, para mim, o trecho mais bonito de toda a travessia. Do outro lado, também era possível avistar o Pico do Itambé surgindo entre a neblina. Uma belezura só!! Após o descanso e a contemplação, hora de, finalmente, começar a descer a outra vertente do Espinhaço.
Passamos por uma porteira que marca o limite do Parque Estadual Serra do Intendente e começamos a descer. Adentramos por uma mata fechada e continuamos seguindo. Neste ponto, já era possível observar nosso destino (o vilarejo de Extrema). Aliás, desde o dia anterior, conversamos sobre a possibilidade de estender a travessia até Congonhas do Norte, já que teríamos de ir até lá de qualquer maneira. Mas decidimos que iríamos resolver isso apenas chegando a Extrema. A descida foi tranquila. Passamos por uma porteira que rangia igual a carro de boi e logo chegamos na bifurcação. À esquerda, a Transamante se abre em ume estrada maior e vai em direção a Congonhas do Norte e à direita vai para Extrema, nosso destino. Seguimos e poucos metros depois chegamos ao pequeno e simples povoado, que tem uma rua principal, dois pontos de comércio, uma pequena igreja e várias casas antigas. Tipicamente do jeito que eu gosto.
O Ivan e eu fomos direto a um bar. Sem perder tempo, pegamos uma cerveja para comemorar o final da travessia, feita com sucesso e sem nenhum imprevisto ou perrengues. E por ali ficamos. As meninas também sentaram para descansar do lado de fora do bar, a Ana bebia com a gente e a Glaucia enchia a cara de Coca Cola. Conversamos com as pessoas que estavam no bar e pedíamos uma porção de bata fritas. Mas, antes, o Ivan tirou o fogareiro da mochila e ali mesmo fritou uma linguiça e um bacon pra gente tirar o gosto ali naquele lugar pacato e esquecido entre as montanhas. Foi ótimo. Entre uma cerveja e um tira gosto, decidimos que não iríamos caminhar até Congonhas, pois a distância de 12km em estrada não animou a gente. Neste dia, já havíamos caminhado 15km. Como não tinha transporte lá cogitamos acampar por lá mesmo, mas a estrada de asfalto, onde passa ônibus, ainda distava 6km do povoado, o que seria ruim pra gente acordar no dia seguinte de madrugada para tomar o ônibus no único horário que tem. Assim, conversei com algumas pessoas no bar e procurei alguém para nos levar até Congonhas do Norte. A dona do bar nos indicou um senhor e o mesmo se dispôs a nos levar até a cidade por 60 reais, 15 reais pra cada um. Pensamos um pouco e decidimos fazer isso mesmo. Antes ainda ficamos mais um pouco no bar e já a tarde tomamos nosso transporte. Fomos até a cidade papeando com o motorista, que nos deixou em frente à igreja Matriz.
Chegamos à cidade por volta das 17 horas e começamos a pensar no que fazer. Demos uma volta, tiramos umas fotos e o Ivan e eu começamos a visualizar alguns lugares não muito próximos, mas não distantes da cidade onde poderíamos jogar nossas barracas e passar a noite. Continuamos andando e passamos em frente a uma pousada. Como estávamos de bobeira, resolvemos entrar e ver como era. Conversamos com o proprietário que nos mostrou o quarto e pediu 70 reais para nos acomodar por uma noite. Pensamos um pouco e decidimos que, por R$17,50 pra cada um, seria preferível passar a noite na pousada. O dono nos levou a uma outra pousada também dele, há 1km do local, porque na que estávamos teria forró a noite e o barulho seria alto. Achamos melhor mesmo. Chegamos ao nosso quarto e nos acomodamos. Tomamos nossos banhos e o Ivan e eu saímos para comprar algo para comer. Voltamos, papeamos e notamos que, como havia 3 camas, um teria que dormir no chão no colchão de trilha do Ivan. Como a Glauciane queria comprar um colchão deste, achamos que seria melhor ela dormir nele, no chão, pra ela ver se iria gostar e se valeria a pena comprar um. Rs. Depois, saímos e fomos a uma pizzaria comer algo decente. Comemos, bebemos, papeamos. No final, conversamos com o dono da pizzaria sobre a história da Transamante. Ele confirmou a história e nos disse que o prefeito ainda é vivo e que, hoje, a amante mora lá em Congonhas. O Ivan e eu piramos. Queríamos achar o prefeito de qualquer maneira pra tirar uma foto com ele. Pena que não procuramos saber isso antes. Voltamos á pensão e sem cerimônia, dormimos!

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4º Dia – Terça – 09/02/16

O último dia foi apenas para voltarmos para BH. Acordamos cedo, nos arrumamos e fomos para o ponto de ônibus pegar o único que tinha (sai de Congonhas para Conceição do Mato Dentro todos os dias às 06 horas da manhã). No horário, tomamos o busão e fomos em direção à Conceição morrendo de sonão! Pelo caminho, ainda paramos no distrito de Ouro Fino por 5 minutos. Chegamos a Conceição do Mato Dentro e, por ser volta de feriado, resolvemos voltar no primeiro ônibus disponível para evitar trânsito na estrada. Achamos passagem para às 08:15min aproximadamente. Embarcamos e voltamos tranquilamente. Pouco após o meio dia já estávamos em BH. Almoçamos no centro, nos despedimos e terminamos a travessia sem nenhum contratempo. Consideramos que a travessia foi ótima, dentro do programado, com custo dentro do que esperávamos (cada um gastou em média 200 reais contando todos os gastos) e já conversamos sobre outras travessias na região que podemos fazer em breve!

OBSERVAÇÃO:

O tracklog desta travessia está no seguinte link:

http://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=12232183
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Leandro

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Hélio Jr
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15 Mar 2016, 19:39  

Que beleza, Leandro! O Espinhaço e seus infinitos caminhos...
Já salvei seu track, futuramente penso em fazer um circuito por aí, quem sabe uns 10 dias de caminhada, entre Lapinha, Extrema e Fechados.

Por enquanto tá só no pensamento, mas desde já queria saber: vc falou que em Extrema tem dois comércios, né, então é de boa chegar lá depois de uns dias caminhando e comprar um biscoito, uma massa de macarrão e coisas assim, né? Minha ideia é usar os vilarejos como ponto de apoio, pra não ter que levar comida pra toda a caminhada.
Desde já agradeço! Abraço!



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