Esse é um relato de mais duas travessias (Ponta da Joatinga e Trindade-Camburi) na região de Paraty e Ubatuba que eu e a Marcia fizemos e onde passamos por apuros em uma delas. A experiencia que tivemos nos serviu de lição e que sirva para vc também que está lendo esse relato.

No feriado de 7 de Setembro de 2004 (Terça-feira) eu e a Márcia, resolvemos fazer 2 trilhas em Paraty (travessia da Ponta da Joatinga e a Trindade-Camburi). As duas eu já conhecia bem. A Joatinga é bem tranqüila e a Trindade-Camburi eu já tinha feito no sentido contrário, então só torcíamos para fazer sol nos próximos dias.
Saímos de São Paulo de ônibus no feriado bem de manhãzinha e chegamos em Paraty por volta das 14:00 hrs. Estávamos com dúvida se ainda conseguiríamos algum barco que nos deixasse na Praia do Pouso da Cajaíba, mas assim que chegamos no caís, encontramos uma escuna que estava retornando p/ o Pouso.
Ela deixou o cais por volta das 14:30 hrs e ainda foi reabastecer. Depois passamos ao lado do barco do Amyr Klink (Paratii 2) que estava ancorado.
Na entrada do Saco do Mamanguá pegamos o mar um pouco revolto (foi um tal de sobe-desce onda) e chegamos no Pouso por volta das 16:30 hrs.

Dali procuramos a trilha que sobe o morro em direção a Praia Martim de Sá, o que não é muito difícil, pois qualquer morador pode ajudar e fomos chegar nessa praia pouco antes das 18:30 hrs. Lá encontramos algumas barracas ao lado da casa do Sr. Maneco e outras próximas da areia da praia, onde montamos a nossa também e fomos fazer o jantar, apesar do Sr. Maneco vender P.F. O camping ainda está em $5,00/pessoa.

O dia seguinte amanheceu com um sol muito forte, mas em vez de aproveitarmos a praia, seguimos em direção a Praia de Ponta Negra pela trilha que segue quase rente ao costão. Saímos por volta das 10:30 hrs e não tivemos problemas em encontrar a trilha, já que ela está bem nítida e não tem como se perder.

Saindo de Martim de Sá você chega a Enseada das Anchovas em cerca de 1 hora, onde existem varias casas de pescadores a esquerda, junto ao costão.
Nem passamos pela Praia do Cairuçú e alguns poções que existem próximos a trilha mais a frente.
Depois de umas 3 horas desde Martim de Sá se chega na Casa do Sr. Apricho. Uns 50 mts depois a trilha passa por um riacho onde os moradores usam para lavar as roupas e mais a frente existe uma casa a direita e uns 100 mts depois tem a bifurcação que segue para o costão (para a esquerda), mas a trilha correta é a da direita, que logo entra na mata e segue subindo.
Até Ponta Negra é bem tranqüilo, podendo existir alguma dúvida no início da subida do morro p/ se chegar até a altitude de quase 600 mts (qualquer duvida é só perguntar para alguns moradores que moram junto da trilha e próximos ao costão).
Existe uma placa indicando PONTA NEGRA, para uma bifurcação e a partir daqui é só subida sem maiores problemas. No ponto mais alto da trilha existe uma pequena gruta que pode ser útil em casos extremos e logo depois dela tem inicio a descida íngreme da trilha.

Fomos chegar na Praia de Ponta Negra por volta das 16:30 hrs. Lá existem 2 campings. Um de frente p/ a praia, pertencente a uma senhora idosa e com um bom lugar p/ barracas embaixo de um bambuzal. O outro é o Camping da Branca, mas um pouco afastado da praia e com solo um pouco irregular. Ficamos no camping da senhora idosa, que está com valor de $10,00/pessoa, mas conseguimos um certo desconto (nada mais justo, pois o camping estava vazio).
Depois de montarmos nossa barraca fomos atrás de algum tipo de refeição, que incluísse peixe, mas não encontramos nada. O camping da Branca que também funciona como restaurante (é o que diz a placa) não tinha nada disponível também. Tivemos de nos contentar com a nossa comida mesmo. A praia é convidativa para um mergulho, pois possui uma costeira excelente para uso do snorkel.
No dia seguinte (Quinta-feira) saímos por volta das 11:00 hrs em direção a Laranjeiras, passando pela Praia do Antiguinhos depois de umas 2 horas e paramos um certo tempo na Praia dos Antigos p/ tomar um banho de mar.
Chegamos na próxima Praia, a do Sono, por volta das 14:00 hrs e encontramos várias barracas montadas na areia e uma fruta que nos fez perder um certo tempo: a pitanga.
Fruta bem pequena e avermelhada que se assemelha a framboesa. Muito gostosa. Nessa praia também fomos abordados por dois senhores indagando se estávamos fazendo a travessia e coisa e tal, sem saber que essa conversa ia ser extremamente útil mais tarde.
Continuando a caminhada pela trilha, logo chegamos em Laranjeiras, no ponto de ônibus às 15:30 hrs e ficamos sabendo que só haveria ônibus p/ Paraty a partir das 16:30 hrs, mas como não estávamos a fim de aguardar 1 hora, resolvemos continuar na caminhada até a saída do condomínio e na bifurcação p/ Trindade, nosso destino naquele dia.
Na estrada, tentamos carona, mas em vão e depois de já termos caminhado mais de 1 hora, resolvemos descansar um pouco, junto à estrada, mas adivinhem quem encostou p/ nos oferecer carona sem a gente pedir? Aqueles dois senhores lá da Praia do Sono. Eles estavam retornando para o Rio de Janeiro.
Essa carona veio em boa hora e nos economizou uma caminhada de cerca de 1 hora ou mais até a bifurcação p/ Trindade, onde chegamos por volta das 17:30 hrs famintos e cansados e a primeira coisa a fazer era saciar a fome, já que estávamos a 3 dias comendo macarrão, sopa e salame. Depois disso ficamos em um camping da rua principal a $6,00/pessoa com direito a banho quente e visita de um pequeno rato no meio da noite à procura de comida (não chegou a entrar na barraca, mas deu p/ ver que ele tentava). Fomos dormir bem cedo, porque no dia seguinte (Sexta-feira) ainda tínhamos uma trilha pela frente, a Trindade-Camburi.

Saímos bem cedo do camping, porque ainda queríamos aproveitar o final da tarde na Praia de Camburi (Ubatuba). Paramos p/ tomar um café da manhã em um barzinho e seguimos em frente. Já eram por volta de 09:30 hrs.
A trilha Trindade-Camburi se inicia dentro do Camping da Torta, na Praia do Caxadaço. Entrando no camping, siga p/ à esquerda até atravessar um riacho. Poucos metros à frente a trilha cruzará com outro riozinho, que estará à esquerda. Siga pela trilha, sempre subindo e saia na 2ª bifurcação para a esquerda. Agora é só tocar para cima, porque a subida é bem acentuada e sempre com um rio a direita que logo será cruzado.

Na altitude de pouco mais de 300 mts chegará a divisa de RJ/SP, onde existe um marco de concreto de aproximadamente 0,5 mt de altura, junto da trilha. Até aqui foram pouco mais de 1 hora desde a praia. Passado essa divisa haverá ainda um pouco de subida e logo a trilha se estabiliza e cruzará com um pequeno riacho.
Daqui p/ frente surgirão várias bifurcações para a direita, mas se você quiser se manter na crista siga sempre para a esquerda. As bifurcações para a direita conduzem a trilhas paralelas, mas em declives acentuados. Indo para a esquerda, você terá sempre o costão como guia. Em uma dessas bifurcações, fomos para a direita e perdemos um certo tempo até retornar para a trilha correta.
Fomos terminar a trilha, pouco depois das 15:00 hrs, sendo que o final dela é marcado por uma enorme plantação de mandioca. Não resisti e peguei algumas, pois poderiam ser úteis. Da Praia de Trindade até aquele ponto levamos cerca de 5 horas de caminhada com algumas paradas.
Ao chegarmos na Praia de Camburi fomos para o Camping Ypê (o mais bem estruturado de toda a praia), mas não havia ninguém para nos atender. Resolvemos então procurar outro camping e ficamos no Camping do Dadá ($5,00/pessoa em terreno bem plano).
Como iríamos ficar até Domingo, resolvemos procurar algum lugar que vendesse refeições, mas por incrível que pareça não encontramos nada, mesmo nas barracas da praia. E a nossa comida acabando (é difícil quando se tem dinheiro e não tem onde se gastar, viu!!!!!). Aí não teve jeito, tivemos que fazer uso da mandioca. Cozinhamos em pequenos pedaços e depois misturamos no macarrão e no pouco de salame que restava. Para o almoço do dia seguinte (Sábado) teríamos que procurar alguma refeição nas barracas da Cachoeira da Escada, localizada na Rodovia. Na tarde de Sábado foi o que a gente fez, mas só encontramos uma porção de calabresa (foi o que nos salvou naquele dia), mas a coisa ficou pior quando retornamos p/ o camping.
Ao chegarmos lá, encontramos nossa barraca rasgada na lateral por um cachorro e o salame e o macarrão do lado de fora. É, parecia que os cachorros estavam com mais fome do que a gente. Mas, ainda nos restou a mandioca.
Talvez se demorássemos um pouco mais, nem mais encontraríamos o salame e o macarrão. E como tinha sobrado um pouco de margarina, que tínhamos comprado para o café da manhã, resolvemos fritar a mandioca. E esse foi o nosso jantar. E p/ não dizer que tragédia pouca é bobagem, o Domingo amanheceu chovendo, sem qualquer expectativa de praia.
Iríamos voltar p/ SP no ônibus das 16:30 hrs, então até dava p/ aproveitar a praia, mas sem chances. E a chuva nada de parar. Como o terreno do camping era plano, começou a acumular água em certos pontos e um deles era junto a nossa barraca e com isso começou a invadir a nossa barraca pela parte de baixo.
Era muito pouco, mas incomodava e aí tivemos de sair e ir p/ a varanda da casa do dono do camping, onde aguardamos até a chuva parar (na verdade, só deu uma pequena trégua, pois ela sempre retornava). E aí não teve jeito, tivemos que pagar $10,00 p/ uma pessoa de carro nos levar até a Rodovia, já que não queríamos tomar chuva no caminho.
Lá pegamos um ônibus até Paraty aonde chegamos pouco depois das 14:00 hrs e tiramos todo o atraso: fomos em um restaurante do centro histórico e nos fartamos com um belo almoço.
Depois ainda passeamos pelo centro histórico p/ depois retornar a SP, onde chegamos por volta das 23:00 hrs.
É......................foi uma lição viu, mas analisando bem a gente nunca ia imaginar que na Praia de Ponta Negra e principalmente na Praia de Camburi nao haveria comida ou algum PF p/ vender, né.
Abcs






Resumo