Relatos de Viagens nos países do Subcontinente Indiano: Índia, Bangladesh, Maldivas e Sri Lanka


#756961 por raom
08 Set 2012, 18:27
Olá pessoal, postei o link para as fotos da viagem ainda em junho e só agora posto o relato. Espero que seja útil!
Abraços a todos!
Ricardo


RELATO DE VIAGEM INDIA & NEPAL – ABRIL E MAIO 2012
Ricardo Alexandre de Oliveira Mendonça


Após vinte e duas horas de vôo saindo do Rio e três no aeroporto de Londres, chego à Nova Delhi. Desembarque, alfândega, câmbio, e ao sair, procuro os velhos táxis bem mais baratos que os modernos carros com ar condicionado. Embora a temperatura estivesse bem alta, ainda não sabia o que enfrentaria pelos próximos quase 30 dias de viagem...

Paguei o táxi adiantado e aguardei a discussão dos motoristas para decidir quem me levaria ao Sri Aurobindo Ashram*, onde fiquei hospedado os primeiros dias da viagem. Após longa corrida chegamos ao local. Peguei minha chave, fui para o quarto e consegui dormir de forma intermitente, o que me deixou menos atordoado da viagem e do fuso com nove horas de diferença à frente. Tirei algumas fotos, postei-as na internet num pequeno e simplório shopping nas redondezas, meditei no Meditation Hall, lanchei, dormi mais, caminhei pelo ashram, jantei, meditei mais e fui dormir de vez.

2º Dia – Acordo às 3:00 em função do cansaço e fuso horário... bom, vou passar o tempo arrumando a mochila de forma mais prática. Por volta de 4:15 ouço alguém cantando ou rezando muito alto e pensei ser alguma meditação especial. Desci do quarto que ficava no 3º andar e não consegui achar o caminho do salão de meditação, muito menos voltar ao meu quarto sem antes me perder na escuridão. Os barulhos àquela hora davam o que falar... voltei a dormir e acordei às 9:30, devo dizer que perdi o café que ia até 8:30. Fui então tentar marcar o trem para Varanasi pela internet. Não consegui e fui então a station. Aí começa uma estória chata...

Meu driver do tuc-tuc me levou à station e ao chegar fui cercado por vários supostos funcionários dizendo que como estrangeiro não conseguiria comprar a passagem. Havia cotas para estrangeiros e nos próximos dez dias elas estavam vendidas. Um deles me leva a um escritório perto onde sou muito bem recebido. O agente de viagens queria porque queria me vender um pacote incluindo Agra, onde fica o Taj Mahal, para depois ir à Varanasi. O problema é que eu não queria ir à Agra e ele não estava gostando desta minha idéia, afinal seu pacote seria bem mais caro que minha simples viagem de uma cidade à outra. O sujeito me cobrou então U$ 182,00 por um vôo Delhi-Varanasi e fez cara feia quando disse que tinha visto pela internet por U$ 80,00. Desci do escritório e ele veio atrás dizendo que era impossível aquele valor. Disse-lhe então que iria consultar a internet e, caso o preço fosse o mesmo dele, compraria em sua agência. Ele com muita raiva me chamou de estúpido... virei as costas, embarquei no tuc-tuc que estava me esperando e fui ao cyber tentar comprar pela internet. Nada feito, pois eles exigem um celular indiano para contato... ai meu Deus...

Vamos então ao aeroporto para tentar comprar a passagem em uma agência lá mesmo, mas não aceitavam cartão de crédito algum. Vou ao guichê da companhia mas não aceitavam meu cartão nem dólares, somente rúpias. Nos dirigimos então ao terminal três (6 km depois) para fazer câmbio e fico zangado quando o driver sugere que eu vá numa casa de câmbio X na cidade. Não gostei da idéia mas acabei entrando para saber as condições.






Ashram – Centros de estudos e meditação espalhados por toda a Índia. Cada ashram tem sua própria filosofia que é relacionada a um mestre. No meu caso foi o ashram de Sri Aurobindo e da Mother, dois sábios “gurus”.


Minha surpresa: fui muito bem recebido como sempre e o cara me mostrou a tarifa: U$ 94,00, pois incluía sua comissão. Aproveitei para comprar com ele a passagem de Varanasi para Sonauli, cidade fronteiriça do Nepal, meu próximo destino dias depois. Fiz também a reserva no hotel Temple on Ganges em Varanasi. Saí feliz de lá, comprei uma bata na loja ao lado, almocei num simples, mas delicioso restaurante chinês onde comi um chopswuei por U$ 2,00 e peguei outro tuc-tuc para o Ashram. Além disso, um funcionário da agência era nepalês e me deu as coordenadas para chegar em Kathmandu e Kodari no Nepal, a partir de Rajgir na Índia. Santo taxista! Naquele dia fiquei quieto, descansei bastante, jantei aquela comida muito apimentada indiana, meditei e fui dormir.


3º Dia – Levantei muito cedo como vinha acontecendo, fui ao meditation hall, tomei meu café apimentado e peguei o tuc-tuc para ir à embaixada do Nepal tirar o visto. Como demoraria três horas, fomos passear no Red Fort, que infelizmente estava fechado por ser segunda feira, dia em que os monumentos na Índia são fechados para conservação. Fomos também a alguns templos por perto e acabei entrando numa mesquita por curiosidade. Havia um guia para conhecê-la e tive que vestir um pano na cabeça, como fazem os muçulmanos. O guia foi muito atencioso e me mostrou detalhes internos impressionantes! Havia um salão onde vinte e cinco mil pessoas almoçavam todos os dias! Revezavam os horários de almoço e havia mais de duas mil pessoas sentadas no chão comendo... mostrou-me a cozinha, que também funciona como escola de culinária muçulmana, onde muitos adultos e crianças praticavam a fabricação de pães. Fomos também a sala de orações enorme e fiquei estupefato com a quantidade de ouro e peças antigas, históricas e valiosíssimas. Mesmo podendo tirar fotos fiquei constrangido de fotografar aquele momento tão pessoal dos devotos. Passeamos mais um pouco pela área externa, doei 50 rúpias ao ofertório (um dólar mais ou menos) e me despedi agradecido pela surpresa de conhecer aquela maravilha!

De lá fomos ao Ghandi Park, descomunalmente grande, onde está o túmulo de Mahatma Ghandi, aproximadamente um km de caminhada sob um calor de mais de 40º. Entrei no parque cozinhando e pude ver o local do túmulo, sua história e as centenas de peregrinos hindus! Na mesma avenida fica o Indira Park e o Nheru Park, que não cheguei a visitar. De lá voltamos à embaixada do Nepal para pegar meu visto e voltei para o ashram.

Lanche, banho, meditação e 1h de sono. Pedi um táxi na recepção para às 6:00 até o aeroporto e a senhora indiana da recepção começa a me contar casos de cura espontânea de doenças físicas e mentais de pessoas que apenas vieram repousar e meditar no ashram. Parece que agora estou entrando na Índia real... Depois jantar, “walking meditation” e meditação. Hora de dormir. A senhora da recepção me cumprimenta com “Namastê, Best Wishes and Realizations”

4º Dia – 6:00h o táxi me espera na porta do ashram e vamos para o aeroporto onde embarco num vôo da Spice Jet às 9:35 para Varanasi. Chego uma hora e meia depois e divido um táxi até a cidade com dois chilenos, Eduardo e Eugênio. Quase enlouqueço com o trânsito e a maneira de dirigir do motorista e dos indianos em geral, além do calor de 46º. Os chilenos ficam no centro da cidade e sigo com o taxista e mais um homem que entrou no carro (parecia amigo do taxista), que me oferece haxixe e mulheres por bom preço... naturalmente recuso e chego ao hotel Temple on Ganges, bem simpático!

Deixo as coisas e saio para uma caminhada exploratória nas imediações. Me sinto em outro planeta! Respiro, ando bastante, olho muito todas as pessoas, coisas e lugares. Varanasi é tudo o que se pode imaginar de caos absoluto na face da terra! Peguei então um ricksha de um velhinho muito legal que pedala horas comigo. Fomos ao templo de Hanumani, o deus macaco, Birham e outros. A experiência de passar 30 minutos no templo de Hanumani é indescritível... pela 1ª vez na viagem vi a intensidade da devoção dos indianos. Gente de todas as idades e classes sociais sentadas, em pé, ajoelhadas, em posturas de yoga, meditando, etc. A energia do lugar é fortíssima e cheguei a ter taquicardia... muitos sinos tocando, muitas voltas a dar em torno de uma parede imensa tocando as mãos, sente-se uma comunhão interior como em nenhum outro lugar, talvez somente no Boudanath em Kathmandu, Maya Devy Temple em Bodhgaya ou no tempo de Shiva também em Varanasi. Recebi uma porção de tinta na testa simbolizando proteção e prosperidade. Os cheiros dos incensos e das flores inebriam os sentidos juntamente com as imagens milenares, as oferendas e a sensação de paz que se tem lá dentro. Não é permitido tirar fotos no interior do templo. Agora estava na Índia de verdade!

Vamos depois a uma agência de turismo onde reservo passagem de trem e hotel para Bodhgaya dias depois, assim como o ônibus de Bodhgaya para Rajgir, um de meus destinos na Índia. Exausto do dia peço a ele para me indicar um tuc-tuc honesto para ir e voltar a Sarnath no dia seguinte e vou jantar num restaurante italiano “maluco” perto do hotel. Era em cima do cyber que costumava ir, numa cobertura e sentei numa almofada suja no chão, onde comi um prato maravilhoso e enorme de penne ao molho de manjericão com um refrigerante, por 130 rúpias, menos de U$ 3,00... hotel, banho, meditação e alongamento no “rooftop” (cobertura do hotel) e cama!!! No Brasil muitas pessoas colocam a planta conhecida como “Espada de São Jorge” atrás da porta para bloquar energias negativas, etc. O dono do restaurante, um italiano cabeludo, tinha um pé de maconha...

5º Dia – Acordo bem cedo e pego o tuc-tuc para Sarnath, 32 km de Varanasi. Viagem curta, porém longa devido a poeira na estrada e ao calor! Coloquei uma pequena toalha no rosto e bebia em torno de 7 litros de água por dia, além de caixinhas de sucos e refrigerantes! O calor, a poeira e a sede eram fora do comum. Sarnath é uma pequenina cidade onde Gautama Buddha proferiu suas 4 Nobres Verdades pela primeira vez: “Da existência do sofrimento (Impermanência, Insatisfatoriedade, Impessoalidade); Da origem do sofrimento; Da cessação do sofrimento; O caminho que conduz a extinção do sofrimento.” É uma cidade de peregrinação e aos fins de semana soube que fica muito cheia de turistas e devotos. Passei o dia conhecendo os locais importantes como: Chaukhandi Stupa, Tibetan Temple , Thai Temple e Ashoka Pillar. Comi qualquer coisa durante o dia e voltamos para Varanasi. Lá tomei um belo banho, dormi um pouco e sai para passear por perto. À noite só comi biscoito e dormi muito cedo.

6º Dia – Meditação pela manhã e resolvo ir sozinho ao Ganges, pois meu motorista do Ricksha falava demais eu estava a fim de ficar quieto. Comi uma samosa de café da manhã na rua e aluguei um barco no rio, onde fiz um passeio de uma hora. Havia também o passeio de duas horas, mas preferi o menor. Ao longo do passeio muitos turistas em barcos maiores que comportavam mais de 10 pessoas e turistas sozinhos como eu, navegavam e tiravam fotos dos palácios nas margens. O barqueiro ia explicando o que era cada palácio, cada casa, etc. Remei uns 10 minutos para fazer um pouco de ginástica!

Na volta entro num minúsculo templo de Kali, Ganesha e Shiva no alto das escadarias em frente ao rio. Dois homens de branco me benzem e encostam minha cabeça num pequeno “poste” repleto de flores e oferendas. Pedem que eu pense em pessoas queridas e fazem orações durante uns dois minutos segurando minha cabeça. Depois me orientam a entrar numa outra portinha ao lado e quando entro fico maravilhado! Era um templo de Shiva, enorme por dentro, muita gente meditando, yogues em posturas especiais, etc. Sento, medito, respiro, faço oferendas, toco sinos... por volta de 40 minutos fico lá dentro e a sensação é indescritível. Depois sento na escadaria do Ghat e me entrego ao que vejo, sinto e ouço... estou em outro planeta, planeta de paz, força, amor...

Voltei para o hotel, dormi um pouco e peguei um tuc-tuc para conhecer outros lugares. Fui a um templo Hare Krishna e outro de Shiva enorme. No templo Hare Krishna tinha a estátua de Sri Baktivedanta Prapupada, fundador do movimento, em tamanho natural feita de cera e em postura de meditação. Muito linda! Na volta soube que Shiva, ainda na forma humana, nasceu em Varanasi. Parei para almoçar num restaurante indiano perto do hotel e pedi umas torradas de entrada. A refeição chegou e só depois de comer vieram as torradas... chego ao hotel, durmo mais um pouco e à noite vou ver um pequeno puja no Ganges, nas imediações.

Eu tinha muito sono à tarde em função do calor absurdo que estava fazendo em maio na Índia. Meu corpo se desgastava com facilidade e bebia em torno de seis a sete litros de água por dia. Bebia também caixinhas de sucos para hidratar. Na vez anterior que fui em janeiro, há muitos anos, andava o dia todo e não sentia este cansaço, mas desta vez conheci o que é calor de verdade, mesmo estando acostumado ao verão do Rio!

7º Dia – Acordo às 4:00h e às 5:00 o tuc-tuc estava na porta do hotel esperando para me levar à estação de trem, onde iria para Gaya. Fiz malabarismos para passar na escuridão por cima das pessoas deitadas e sentadas no chão, fora da estação, esperando a hora do embarque de seus trens. Famílias inteiras, bagagens enormes, brinquedos das crianças, cenas muito diferentes da que estamos acostumados no Brasil. Foi difícil localizar minha plataforma pois quase tudo estava escrito em hindi. Pedi ajuda a um senhor que foi muito solícito e inclusive me pagou uma coca-cola quando fui depois ao bar comer algo! Indiano pagar algo para alguém é algo surreal! Bom, tomei a coca com um delicioso sanduíche vegetariano e embarquei uma hora depois. Quatro horas de viagem com paisagens muito diferentes, secas, etc. Chego às 9:30 em Gaya e pego tuc-tuc para Bodhgaya, mais 30m de viagem.

BodhGaya é indescritivelmente vibrante! Muito movimentada de monges, peregrinos e turistas indianos em especial, turistas de fora em menor escala. Vou para o Sakura Hotel, ao lado de um templo tibetano pequeno. Apt com ar condicionado, TV e ventilador de teto, além de limpíssimo e cama muito confortável. Deixo as coisas no quarto e saio para conhecer o Mahabody Temple, local da iluminação de Gautama Buddha. Fico surpreso com a quantidade de tempos e monastérios de diferentes origens: China, Tailândia, Butão, Japão, Vietnã...

Como já são 11:20 tenho que esperar até às 14:00 para abertura dos templos que fecham das 11:00 às 14:00, em especial o Mahabody, único que me interessava realmente. Resolvo esperar na rua, próximo ao templo que tem uma estátua de Buddha de 24 metros de altura! Ao abrir o templo, entro com as pessoas e só ao sair, descubro que este não era o Mahabody Temple, e sim, um templo japonês (na verdade não era um templo, era a estátua cercada de enormes áreas verdes e jardins). Os peregrinos batiam num enorme tambor que, com isto, fazia uma enorme vibração e um barulho hipnotizante. Valeu muito a visita.

Na saída parei para comer uma samosa numa barraquinha próxima e fiz amizade com o dono, que me levaria de moto no dia seguinte até Gaya, para pegar um ônibus para Rajgir.

Dirijo-me então ao Mahabody Temple, cinco minutos a pé.

Ao chegar perto percebo que estou no lugar certo! Milhares de pessoas indo e vindo, dezenas de lojinhas, camelôs, falsos guias, pedintes, turistas estrangeiros e o melhor: Mahabody Temple! É algo de tirar a respiração por suas dimensões, vibração que emite e beleza! Tem o local exato da iluminação de Gautama Buddha e os locais próximos onde meditou imediatamente antes e depois. Em cada local, monges, ensinamentos públicos, pujas (inclusive feitos por crianças), em áreas enormes. Cada área com estátuas esculpidas em diversos tamanhos, estupas pequenas, grandes e enormes, flores e mais flores, incensos contagiando o ar, música, enfim... de tirar a respiração!

Entrei na pequena “capela” construída no local exato da iluminação. Dois monges e uma turista meditavam sentados no chão. Fiquei alguns momentos e dei a vez para quem aguardava. Passei para a sala anterior e o monge que tomava conta me deixou sentar no chão e meditar ali por cerca de cinco minutos, com uma monja e uma turista estrangeira. Bons presságios meditar na Bodytree e em local tão sagrado! BodyTree é a árvore que Buddha sentou por muitos dias até atingir a iluminação. Os indianos sempre a replantaram em locais sagrados, assim como os nepaleses e outros povos da região.

Saí de lá e caminhei por todos os sete passos (sete semanas) que envolveram a iluminação, em suas respectivas áreas enormes, utilizadas por Gautama Buddha na época e, atualmente, demarcadas nos jardins do templo. Depois escolhi um canto no meio das estupas e fiz uma prática de meditação especial que faço semanalmente no Rio. Entrei para almoçar num hotel no caminho que tinha um bom restaurante com ar condicionado, almocei e me refresquei um pouco do calor. Depois voltei para o meu hotel, descansei e voltei para o local. À noite tudo é mais bonito!

Todos os jardins iluminados por milhares de pequenas lâmpadas, além de rituais e ensinamentos acontecendo ao ar livre por todas as áreas. Também em todas as noites é realizado um puja em frente ao “Trono do Diamante”, local inacessível e só à noite aberto ao público, que deve ficar a uma certa distância. Em cada canto grupos de pessoas meditam, fazem oferendas, entoam mantras específicos e caminham em voltas silenciosamente. Quem não conhece as práticas apenas observa, tira fotos e reverencia. Muito legal ver turistas “meditadores” do mundo todo em cantos dos jardins, jovens e idosos.

Mahabody Temple é uma experiência forte, única, maravilhosa e transformadora! Saí de lá exausto e peguei um Ricksha para me deixar perto do hotel. Parei numa banquinha de rua perto, comi um shapatti com arroz e fui dormir. Acordei às 4:00 pois ao lado do hotel tinha um templo tibetano e, neste horário, os monges começavam a entoar mantras. Acordei de bom humor e agradecendo por aquela experiência fantástica!

8º Dia – O cara da banquinha passa às seis da manhã no hotel e me deixa na bus station em Gaya. Andar na garupa da moto de um indiano na estrada é uma experiência meio suicida, porém excitante. Na verdade uma clareira enorme no mato, cheia de ônibus para todos os lugares próximos. Duas horas de viagem até Rajgir numa coisa que chamam de “ônibus”... veículo velhíssimo caindo aos pedaços. Tinha TV e passava um filme pastelão indiano, daqueles que a princesa é salva pelo mocinho das garras do vilão malvado, além disso, o som do filme nas alturas!

Chego em Rajgir sem saber de nada, onde ficar e como chegar ao ponto que queria visitar. Só tinha a informação de nomes de hotéis e uns dois ficavam perto da Police station. Pergunto onde é e ando mais ou menos 1 km até achar um. – É aqui mesmo – disse comigo mesmo, ao olhar para um prédio velho e baixo onde tinha escrita a palavra hotel. Na rua enquanto andava, me olhavam como se fosse um ET. O hotel era muito fraquinho, mas com TV e uma cama enorme. Como eu ia ficar só aquele dia, havia deixado minha mochila no hotel de Bodhgaya. O “problema” é que em Rajgir, além das cavernas que queria conhecer, havia muitas outras atrações a visitar. Resolvi que ficaria uma noite por lá. Comprei então sabonete e usei parte do lençol da cama como toalha de banho. O cara da recepção, super atencioso, conseguiu atenuar o ambiente de aspecto sujo que tinha o hotel. Havia mesas num corredor ao lado da recepção e ao fundo, a cozinha, onde dois homens cozinhavam num enorme tacho e o cheiro gostoso de massala permeava o ar.

Rajgir não tem tuc-tuc, tem “tanga”, uma pequena charrete puxada por um burrico. Outra curiosidade que percebi na cidade foi a dificuldade de comunicação, pois a única pessoa que falava um pouco de inglês era o dono do hotel. Me comuniquei muito por mímicas e imagens. Naquele dia o dono do hotel chamou um táxi para me levar à Nalanda University, a 18 km, onde foram feitos os 1ºs estudos budistas no mundo, além de ser um gigantesco sítio arqueológico onde foram encontradas estátuas de Shiva e Avaloretskava, dentre outros, datadas de mais de 3000 anos! O lugar é impressionante com seus labirintos enormes, entradas e saídas escondidas, subidas e descidas à salas em ruínas, anteriormente salas de estudos e meditações. O calor reduziu meu tempo de visita. Explorei por aproximadamente uma hora, tirei fotos, fiz um lanche melhor no pequeno centro turístico e voltei para Rajgir quase cozido! À tarde pego uma tanga e vou conhecer o Bamboo Grove, bosque dos bambus, também conhecido como Venu Vana, onde deu-se o 1º conselho budista após a iluminação de Gautama Bhudda, em 683 ac. Ele costumava caminhar lá no intervalo de suas meditações nas cavernas. Lugar muito grande com muitos caminhos agradáveis, bambuzais e estátuas enormes. Depois vou para o hotel tomar banho e dormir. Comi apenas duas samosas durante o dia e um saquinho de batatas fritas no jantar.

9º Dia – Acordo às 4:30 e às 5:00 já estou na tanga para conhecer as Saptarni Caves, onde Bhudda costumava ir e meditar nas cavernas na época das monções. Foi aqui também que ele fez o primeiro discurso sobre a “Prajnaparamita, ou Sutra da Perfeição da Sabedoria”, além de ter ensinado o Kalachakra, ou a “Roda do Tempo” (Samsara). Diz a tradição que enquanto estava no Vulture Peak, nestas montanhas de Rajgir, Buddha também foi visto no sul da Índia, na Dhanyakataka Stupa, proferindo os mesmos ensinamentos através de suas emanações físicas.

No caminho alguns templos budistas de vários países e um deles com relíquias do Buddha, ou seja, porções de suas cinzas (cristais) transparentes!

O parque nas montanhas é muito grande, como tudo na Índia e a subida até as cavernas e o Vulture Peak é pesada! Escadarias infindáveis com pequenos templos tibetanos e jainistas ao longo do caminho. Passei por várias cavernas e, cada vez que subia mais, mais surgiam escadarias contornando as montanhas. Depois de muito tempo subindo e caminhando estava sem água. O sol também começava a cozinhar, às sete da manhã. Resolvi voltar, este é um passeio para o inverno. Na volta peguei a tanga e fui para a bus station retornar à Gaya, onde peguei um auto-rickcha para Bodygaya. Naquela mesma noite voltei ao Mahabody Temple para fazer pequenas compras e meditar naquele local tão sagrado.

10º Dia – No dia seguinte acordei às 3:00 para poder pegar o trem às 5:00 em Gaya com destino a Varanasi, novamente. Varanasi ficou sendo minha base para os deslocamentos no norte da Índia. Cada vez que lá chegava mais entendia o que é a Índia de verdade! Uma viagem que duraria 4 horas acabou sendo feita em 6, por conta de muitas paradas ao longo do caminho. Passei o dia na cidade passeando, descansando e providenciando a longa viagem de ônibus no dia seguinte para Sonauli, fronteira com o Nepal. De lá iria para Kathmandu e outros lugares.

11º Dia – O que imaginava ser uma bela viagem até o Nepal foi o maior tormento nestes quase 30 dias. Ao chegar ao local de onde partiria o ônibus, fui informado que ele atrasaria “um pouco” (mais de três horas...), além disso, o local que me indicaram não era o ponto de partida da viagem, mas sim, o local da agência de viagens que havia me vendido o pacote de ônibus mais uma noite num hotel na fronteira. Um japonês que também viajava sozinho, e eu, fomos então levados até a rodoviária, de onde o ônibus realmente sairia. Três ingleses também já estavam por lá aguardando a partida que nunca acontecia. O ônibus era muito velho, caindo aos pedaços, feio, enferrujado, sem a menor segurança e tudo dentro balançava muito, o que causava uma barulheira infernal, além da buzina sendo tocada por 12 horas sem parar pelo motorista! Acorrentei minha mochila e a do japonês em uns ferros atrás da cadeira do motorista e assim foi até o fim da viagem.

Viagem longa, extremamente cansativa, muita poeira, calor, loucuras dos motoristas indianos na estrada, barulheira, falta de conforto, enfim, um caos total. Nas poucas paradas que fizemos nas 12 horas de viagem, tomava muita água e comprava mais para beber até a próxima. Eu e os ingleses não comemos nada, apenas um pequeno saco de biscoitos ao longo de todo o dia. O japonês comeu um shapatti numa das paradas, mas eu não conseguia nem pensar em algo apimentado naquele calor absurdo. O cúmulo do calor se deu em Gorakpur, uma pequena cidade no caminho, onde a temperatura chegou aos inacreditáveis 55º! Todos compramos mais água e jogamos na cabeça e nos braços. Os ingleses disseram que se chegassem ao Nepal e estivesse aquela temperatura, voltariam para Londres no dia seguinte. Apesar do sofrimento eu estava determinado e nada me faria voltar.

O ônibus saiu de Varanasi com apenas cinco passageiros: eu, o japonês e os três ingleses. Ao longo da viagem foi enchendo muito a ponto de pessoas viajarem em pé espremidas umas nas outras. Uma senhora muito gorda sentou ao lado do japonês e, neste momento, imaginei seu sofrimento sendo espremido naquele calor avassalador. Tive pena dele. O japonês passou 12 horas de viagem mudo e se abanando com um pequeno leque. Os ingleses ao fim da tarde não tinham mais a expressão de alegria da manhã. Pensei que fossem começar a passar mal e derreter, o que felizmente não aconteceu, pois não haveria socorro na estrada se necessário.

Por volta de dez da noite chegamos a Sonauli, pequeno distrito indiano fronteira com o Nepal. Os ingleses e o japonês não tinham o visto e tiraram no escritório de imigração logo depois que chegamos. Eu já tinha tirado em Nova Delhi e fiquei junto esperando por eles. Depois que passamos a fronteira os ingleses desapareceram na escuridão. Eu e o japonês fomos à filial da agência de turismo onde compramos nosso “pacote”, para nos levarem ao hotel onde passaríamos a noite. Chegamos ao hotel e quando o funcionário nos levou ao quarto, levamos um susto. Paredes com infiltração, sem janelas, duas camas caindo aos pedaços... disse ao funcionário que não ficaria lá e o japonês concordou comigo. Saímos em busca de outro hotel e o funcionário “gentilmente” ia sempre na frente, sem bagagens pesadas como nós e voltava dos hotéis dizendo que não tinham vagas. Desconfiei dele e fui sozinho em dois hotéis perguntar. O lugarejo no Nepal, Bhairawa, embora muito pequenino, tem muitos hotéis por se tratar de cidade fronteiriça. Descobri que o cara do nosso hotel pedia aos outros para nos dizer que não havia vagas para que voltássemos para lá! Acabei conseguindo um bom quarto no hotel “Mammatta” e passei a noite lá. O japonês queria dividir o quarto comigo, mas eu queria ficar sozinho. O cara do hotel conseguiu então outro quarto para ele, que achou caro e voltou para a espelunca inicial.

12º Dia – Acordo cedo e sou surpreendido com a notícia que o país está em greve geral por dois dias. Meu plano inicial era ir dali para Kathmandu. Descobri então que Lumbini, cidade natal do Buddha, ficava há 26 km e Kathmandu há 270 km. Mudei minha rota e fui para Lumbini. O problema foi conseguir transporte... não havia ônibus, nem táxis nem autorikshas, aqueles que os indianos chamam de tuc-tuc. Um cara de uma agência de viagens se ofereceu para me levar em seu carro por uma pequena fortuna, aos meus olhos. Recusei e disse a ele que alugaria um ricksha comum mesmo, aquele de pedalar e iria para Lumbini. O cara disse que eu era louco, que era muito longe, que estaria muito calor na estrada, que tinham os piqueteiros, etc. Nada disso me impressionou, pois estava decidido a ir para Lumbini.

Voltei ao hotel e pedi ao cara da recepção negociar minhas condições com o condutor de um ricksha, pois este falava pouquíssimo inglês. Depois de uns 15 minutos, conseguimos fechar o preço em 700 rúpias nepalesas, água e paradas para comer qualquer coisa nas vendinhas da estrada.

A viagem transcorreu maravilhosamente! Paisagens diferentes e exóticas pelo caminho, pessoas com trajes desconhecidos (nepaleses vestem-se diferentes dos indianos), calor suportável e muita sensação boa de estar no desconhecido! O condutor pedalou por 26 km carregando a mim e a bagagem. Paramos duas vezes para comprar água e comer. Numa das paradas eu comi uma espécie de grão, meio ervilha, meio feijão, muito saboroso numa tijelinha de ferro. Tomamos também coca-cola e chá para repor açúcar. Achei ótimo, pois há 24 horas praticamente só comia biscoitos.

Algumas horas depois chegamos em Lumbini, me hospedei numa guest house que esqueci o nome e saí para dar uma volta. Fui ao Buddha Nepal Temple e ao Maya Devy Temple, local exato do nascimento de Gautama Buddha. Em Lumbini o calor estava por volta de 42º... andei dois km do portal da entrada do templo até o templo propriamente, Ao chegar lá o guarda me pediu o ingresso e eu disse que não tinha, não sabia que era pago. Teria que voltar a pé os 2 km naquela temperatura e ele viu minha expressão de desânimo. Me ofereceu então o aluguel de sua bicicleta por 200 rúpias para eu comprar o ingresso e voltar. Claro que aceitei. A bicicleta era baixa para mim que sou alto e o freio mal funcionava, mas consegui fazer o percurso, assando, tranquilamente! Rss

Lumbini é um local grande, mas a “cidade” se concentra numa única rua onde ficam as guest houses, restaurantes muito simples e lojinhas para turistas com muitas coisas fantásticas para comprar! Os templos, os marcos históricos e outras atrações ficam mais distantes. Há também hotéis melhores e mais afastados, mas optei por ficar num hotel mais simples e perto de todo o necessário.

O Maya Devy Temple foi construído há aproximadamente mil anos sobre o local exato do nascimento de Buddha. Tem enormes jardins, milhares de flâmulas tibetanas, placas com dizeres do Buddha, incensos espalhados, etc. Não é tão turístico como o MahaBody Temple de BodhGaya, acredito por ser em uma cidade fora da Índia e de acesso não tão fácil. Centenas de peregrinos sentavam sob as árvores enormes para meditar, fazer orações e ouvir as palavras de monges que ficavam sob várias delas. Ao me aproximar de um grupo fui chamado pelo monge, que me colocou uma fita no punho direito e recitava palavras em tibetano enquanto a enrolava. Depois me deu dois incensos e pediu que os acendesse ao lado, no tronco de uma árvore que continha velas, flores e mais incensos. Depois soube que as árvores maiores, como aquela, são descendentes da BodyTree original, a árvore em que Buddha, sentado sob sua sombra, alcançou a iluminação.

Passei um bom tempo andando por lá, lendo as placas, pensando na vida, mal acreditando que estava naquele local... voltei para almoçar numa caminhada longa sob calor enorme, almocei o mesmo prato que vi um americano comer e pedi igual. Ele também ia depois para Kathmandu e também viajava sozinho. Pra variar o prato tinha muita pimenta e ao mesmo tempo muito saboroso. Fui depois para o hotel tirar um cochilo e novamente passear. Aluguei uma bicicleta e entrei numa pequena aldeia próxima, com casas de sapê, mas não me senti a vontade para tirar fotos. Voltei, entreguei a bicicleta e fui para a internet ver e-mails e postar algumas fotos.

Lá, havia um monge jovem, creio eu pelos malas (colares budistas de meditação) nas mãos e no pescoço. Passamos um bom tempo ao computador e, quando me levantei, dei um “tchau”. O monge então virou para mim com um olhar de felicidade e bondade que nunca tinha visto na vida! Juntou as mãos, abriu um enorme sorriso e disse “namastê”. Lembrei-me da expressão budista “oceano de amor”; seus olhos expressavam isto e esta imagem me marcou o resto da viagem.


13º Dia – Fui conhecer o Ashokan Pillar e o Chinese Maitreya Temple nas imediações. Este passeio levou a metade do dia. Conheci um português que já havia morado no Brasil e sua namorada italiana. Batemos um bom papo e seguimos nossos caminhos. Não é comum a troca de e-mails ou telefones neste tipo de viagem, os encontros são fortuitos e só valem mesmo para aqueles momentos. Almocei bem tarde, andei pela cidade e fui dormir.

14º Dia – Todo o país continuava em greve e eu queria ir para Kathmandu. Fiz então mais um passeio nas redondezas e algumas compras. Não tinha passagem e numa agência de viagem me cobraram mais caro, pra variar. Combinei com outro condutor de ricksha e fomos para Bhairawa, onde ficava o aeroporto mais próximo. No caminho paramos para comer e beber água e sucos nas vendinhas pela estrada. Algumas horas depois chegamos. Paguei o condutor e dei para ele uma calça jeans, um casaco e uma sandália de couro que já começavam a pesar muito na mochila.

Em Bhairawa o condutor me deixou num portão enorme que conduzia à entrada do aeroporto. Ele não podia entrar e os guardas me barraram pois não tinha passagem. Expliquei que compraria no aeroporto e, depois de algumas chamadas pelo rádio, me deixaram entrar. Na entrada do aeroporto fui novamente barrado, revistado e me olhavam com desconfiança. Expliquei a estória da passagem, e, um funcionário, após me deixar esperando 30 minutos lá fora, me chamou para entrar e me encaminhou ao balcão da Buddha Air. Tive medo daqueles momentos de desconfiança e espera, mas felizmente tudo acabou bem.

Uma hora e meia depois pousava em Kathmandu. Aeroporto com desembarque doméstico muito pequeno e precário. O taxista me cobrou o dobro do preço normal para ir ao centro da cidade em função da greve. Chegamos ao hotel, me acomodei e fui conhecer as imediações. O centro de Kathmandu é um formigueiro de turistas! Muita gente, muitas lojas e restaurantes, muita alegria de maneira geral. Andei bastante explorando cada cartaz, cada portinha, lojinha, aromas de incensos, olhares das pessoas, vielas... ainda estava muito calor. Comi um delicioso e enorme sanduíche vegetariano, voltei para o hotel e dormi cedo.

15º Dia – O hotel em Kathmandu, “Fewa Holliday In”, tinha um pequeno mas bonito jardim, onde tomava meus cafés da manhã e, eventualmente, lanchava e jantava nas duas vezes em que me hospedei lá durante a viagem. Eu tinha meus planos para Kathmandu, mas foram razoavelmente mudados após conversar com o cara da recepção. Minha idéia inicial era conhecer o Bouddhanath e fazer um city tour. No entanto, após ver o mapa dos pontos turísticos e dos templos, tive que alterar os planos. Kathmandu tem atrações por toda parte e eu não tinha muito tempo.

Negociei com um taxista para me levar ao Bouddhanath, mas não chegamos a um acordo. Conversei então com um ricksha que aceitou me levar por 500 rúpias mais uma garrafa d’água. Levamos mais ou menos 40 minutos para chegar. Em alguns momentos saltei do ricksha para ajudá-lo a empurrar o veículo em alguma ladeira. Eles têm muita disposição, mas eu não queria abusar. Chegamos e achei um pequeno bar chinês que servia sanduíches. Fiquei uns 20 minutos lá. Comi e fiz hora para a abertura do Bouddhanath.

Bouddhanath é patrimônio da humanidade e considerado um dos locais mais sagrados do budismo tibetano do mundo. O templo é de tamanho monumental e de difícil descrição em palavras. A torre quadrada embaixo com os famosos “quatro olhos que tudo vêem” é impressionante!

Em volta da área do templo, mas ainda no mesmo espaço fechado, dezenas de lojinhas, centros de meditação e restaurantes variados. Templos tibetanos menores também fazem parte da área. Ao redor do Bouddhanath propriamente, mais de 500 pequenas estupas giratórias levam devotos e turistas a rodá-las, uma por uma. Não fugi a regra e levei cerca de 30 minutos caminhando, respirando e rodando cada uma. Depois entrei num dos templos tibetanos multicoloridos onde também rodei as estupas em volta e entrei para conhecer. Estupa significa “A Mente Clara do Buddha” e girá-la, significa buscar o esclarecimento de que tudo passa, nada é eterno. Ao girá-la devemos manter a mente limpa de pensamentos, na medida do possível e focar a respiração no mesmo ritmo dos passos que damos. Para quem é mais devoto ou iniciado, mantras específicos devem ser recitados para fortalecer esta experiência, ou desenvolver a compreensão da vida em maior grau.

Um grande altar com muitas oferendas e fotos de diversos lamas de expoência, em especial o XIV Dalai Lama, o atual, compunham a ornamentação deste templo menor. Havia almofadas compridas nas laterais e um monge varrendo o chão. Sentei para meditar e fiquei mais de uma hora naquele local fazendo minhas atividades. Depois entrei num salão ao lado onde havia oferenda de “luz”, na forma de velas de vários tamanhos. Um grande balcão lotado de velas acesas pelas pessoas tornava o ambiente mágico! Comprei cinco velas médias e coloquei-as nos locais específicos, mentalizando tudo de bom para familiares, amigos, etc. Depois o monge jogou água sagrada em cima das velas que não apagaram. Ele explicou que aquela água não apaga as velas... Foi um momento muito especial da viagem. Dei mais um passeio em volta do Bouddhanath e comi pepino com pimenta, iguaria muito comum no Nepal e vendida em carrocinhas nas ruas. Não é muito bom, mas deu para enganar. Voltei para o hotel, almocei, dormi por duas horas e fui conhecer o Monk Temple de Kathmandu. Já conhecia o de Varanasi na Índia.

Mais uma vez negociação com o taxista. Desta vez pedi para me deixar perto do Monk Temple, pois seguiria a pé. Ele disse que a subida era muito grande e cansativa, o que confirmei na chegada. Muita gente sobe a pé, mas eu não queria me cansar muito nem perder tempo com isto. Realmente a subida era absurda! Podia ser feita pela rua ou por uma enorme e interminável escadaria. Lá de cima eu via as pessoas subindo e parando para descansar várias vezes. Para quem conhece, é equivalente a subir a trilha do Morro da Urca, no Rio.

Lá também muitas estupas de tamanhos variados, símbolos sagrados e mágicos do budismo tibetano, como o dordge e o vajra, pequenas capelas, um restaurante simples e alguns vendedores de coisas do lugar. Também havia a sala das velas, na qual entrei, comprei e acendi uma bem grande. Depositei-a num candelabro no local indicado e ofereci muita luz ao meu pai, que faria cinco anos de passagem no dia seguinte. Rodei estupas numa grande fila de peregrinos e turistas, lanchei na saída e encontrei meu taxista que esperava ao lado de fora. Mais à noite fiz pequenas compras, tomei uma bela sopa e fui dormir.

16º Dia – Fui convencido pelo cara da recepção, no dia anterior, a conhecer Pokhara, distante oito horas de ônibus. Pelas fotos no hotel me encantei com o lugar e comprei o pacote de apenas uma noite para conhecê-la. Acordei bem cedo e me levaram ao local de onde partiria o ônibus. Desta vez um belo ônibus com poltronas reclináveis, ar condicionado e água. Eu e muitos turistas embarcamos.

Demoramos a sair de Kathmandu, pois o motorista ainda entrou numa fila enorme em um posto para abastecer o ônibus. Não deveria ter abastecido antes da viagem? Coisa de nepalês suponho eu. Logo depois de sair de Kathmandu e já subindo as montanhas, fomos surpreendidos por um grupo de manifestantes que bloqueavam a estrada. Uma espécie de MST das alturas. Ficamos parados por duas horas até a chegada da polícia e dispersão dos piqueteiros. Durante esse tempo conversei com algumas pessoas nativas. Conheci também uma carioca, Claudia, que estava indo com um grupo de pesquisadores nepaleses para uma região restrita nas montanhas. Batemos um pequeno papo e nos despedimos quando chegamos a Pokhara.

A viagem foi longa. Paramos duas vezes para comer em locais muito agradáveis e preparados para turistas, à beira de rios cercados de campos de arroz muito verdes e brilhantes por quase toda a estrada. As paisagens são indescritíveis, os penhascos assustam um pouco e a temperatura alta durante quase todo o trajeto. Passamos por vários vilarejos nas montanhas, um ou dois deles muito movimentados de pessoas e comércio bem variado e bom. Por volta das 17:00h chegamos em Pokhara.

Meu hotel era da mesma rede do hotel em Kathmandu, o “Fewa Holliday In”, gostoso e perto de tudo. Como ficaria apenas uma noite, deixei a mochila em Kathmandu e levei só uma sacolinha. Fui andar um pouco. Muitos barzinhos bonitos, restaurantes de várias especialidades, lojas e turistas. Muitos turistas em Pokhara! No dia seguinte aluguei uma scooter e saí pela cidade conhecendo os cantos. Encontrei com alegria o japonês do ônibus andando pelas ruas e marcamos um passeio na tarde do dia seguinte.

Quanto mais rodava mais fascínio Pokhara exercia! O lago (Phewa Lake), as montanhas, os turistas, os restaurantes de várias cozinhas e o comércio local. Pokhara é uma espécie de “baixo Hymalaia”, onde tudo acontece e todos se encontram. Fica situada num vale cercada pela cordilheira do Hymalaia. Mais tarde tirei fotos, troquei algum dinheiro e à noite fui comer uma pizza no Black & White Café, ao lado do hotel. Pizza! Sim, pizza! Nada como algo familiar para nos energizar em alguns momentos. Finalmente comida ocidental, estava com saudades... a pizza não era uma Brastemp mas quebrou bem o galho! Hora de dormir e antes de adormecer de vez resolvi ficar mais tempo em Pokhara. O problema é que não tinha roupas para trocar, tinham ficado na mochila em Kathmandu. Nada que não pudesse ser contornado depois.

17º Dia – Acordo às 4:15 pois meu driver me levaria às 4:45 para o “Annapurna View”, um mirante meio longe onde poderia ver o nascer do sol no Monte Everest. Chegamos em 20 minutos aproximadamente. Muitos turistas, especialmente japoneses. Ficamos uns 40 minutos lá e a emoção é forte. Faltou a voz naquele lugar... em linha reta estaríamos há uns 25 km do Annapurna (Everest). Saí de lá ainda atordoado com o visual, as emoções e voltei para o hotel. Pensei em dormir mas não consegui, estava muito agitado ainda. Saí para comprar algumas peças de roupa e pequenas coisas que ficaram em Kathmandu, aluguei uma moto para passear mais, reencontrei o português de Lumbini e a namorada e, mais tarde, o japonês passou no meu hotel e fomos conhecer o “Devi’s Falls”, um parque com uma cachoeira famosa na cidade. Diz a história local que Devi era um homem rico cuja esposa morreu ao cair da cachoeira. O parque então foi construído por ele para homenageá-la. Havia tentado ir mais cedo, mas a saída de Pokhara estava fechada por causa da greve que havia voltado. Não vi nada demais em “Devi’s Falls”. Na volta nos perdemos no caminho e paguei mais meia hora de aluguel da moto por isto.

Entreguei a moto e fui para o hotel. À noite na loja de internet conheci Carolina, uma carioca que mora na Suíça e estava há 30 dias no Nepal. Ela havia feito um trekking (caminhada) de 10 dias pelas montanhas e escapou de uma avalanche que inclusive foi noticiada no Brasil. Ela iria no dia seguinte para Kathmandu e eu havia decidido ficar mais tempo por aqui. Carioca e bem gaiata perguntou se eu gostava de cerveja!

Fomos a um “botequim” tibetano onde rimos muito e tomamos várias cervejas nepalesas! Meio ruim, mas depois do 3º copo é tudo igual. Despedimos e ficamos de nos encontrar em Kathmandu para conhecer as “Holly Caves” (cavernas sagradas), há cerca de 30 km do centro, conhecido como “Tamel Chow”.


18º Dia – Acordei às 8:10h, que maravilha! Estava exausto e tirei o dia para descansar. Tomei café, comprei umas camisetas nepalesas muito bonitas, fui ver e-mails, fiz câmbio e sentei para escrever sobre a viagem, coisa que há três dias não fazia. Voltei para o hotel, descansei e fui almoçar. Comi um momô, prato tibetano delicioso a base de massa de arroz. Pode-se comê-lo recheado com vegetais, frango ou carne de búfalo. Escolhi a última opção para experimentar, realmente uma delícia!

Depois do almoço mais descanso, passeio de scooter e à noite, um spring roll (rolinho primavera) extremamente apimentado estragou meu jantar, o jantar de despedida de Pokhara... coisas de viagens.

19º Dia – Pego o ônibus para Kathmandu de volta bem cedo e refazemos o belo caminho da ida. Chego à tarde e o ônibus nos deixa num local diferente de quando o pegamos, o que me obriga a fazer uma caminhada meio longa até o hotel. Um bom banho, descanso, pequenas compras e à noite encontro Carolina para jantarmos num sobrado por perto, onde um pub servia comidas chinesa, tibetana e italiana como especialidade. Carol tomou cerveja e eu tomei vodka nepalesa, muito boa.

20º Dia – Encontramos para o café num belo e muito confortável “Café” perto do meu hotel. O Nepal tem grandes plantações de café e o valoriza em suas características como sabor, aroma, safra, etc. Tomei uma bela limonada com sanduíche de queijo com massala e depois fomos ao Garden of Dreams, um enorme jardim e museu bem próximo ao hotel, na rua principal de Tamel Chow, centro de Kathmandu. O local possui um lago com muitas flores de lótus, um belo bar estilo inglês do século XVIII, muitos locais para sentar, ler e descansar em sua área. Passamos um bom tempo lá e depois fomos à embaixada da Índia confirmar o vôo da Carol para Zurich. Fomos também comprar minha passagem para Delhi numa agência próxima. Passei o dia passeando, almoçamos uma bela sopa de espinafre no jardim de um restaurante sofisticado por perto e, à noite, jantamos num restaurante chinês encontrado por acaso em mais um dos sobrados nas imediações.

21º Dia – Peguei um táxi sozinho e fui conhecer Patan, antigo local da fundação de Vila de Kathmandu. Patan é uma área imensa, com dezenas de “pagodes” (construções em forma de templos), com estátuas de elefantes, dragões e leões em suas entradas e laterais. Cheguei perto de um guia que levava uns turistas e aproveitei para ouvir a explicação sobre o local. Patan estava lotada de turistas e fazia muito calor. Tirei muitas fotos, caminhei muito e entrei em cada canto possível. Algumas centenas de crianças uniformizadas apareceram e percebi que havia uma escola lá dentro. Pré-adolescentes parecidos com os nossos, muito falantes, sorridentes e brincalhões. Depois soube que Patan foi cenário do filme “O pequeno Buda”.

Passei algumas horas em Patan, voltei para o centro, fiz compras e fui dormir um pouco. O calor me deixava cansado mais que o habitual. Aquele seria o último dia de Carol no Nepal e já havíamos combinado de jantar para despedir. Nos encontramos à noite e fomos a um restaurante butanês. Algumas belas mesas no jardim, onde ficamos e, na parte de dentro, dois salões muito luxuosos acomodavam turistas franceses e japoneses que chegavam. Comemos carne de búfalo e arroz com especiarias, indescritível. Carol bebeu cervejas e eu bebi algumas doses de “Magic Moments”, uma das vodkas do Nepal. Foi o jantar mais caro da viagem, ainda assim aos nossos olhos, muito em conta. Pedimos a “saideira” mas eles não conhecem isso lá... todo mundo já tinha ido embora, menos nós que ríamos muito. Percebemos então que todos os garçons estavam sentados num canto esperando que fôssemos embora, opss, hora de pagar e ir dormir. Acompanhei Carol até a entrada de seu hotel pois havia um movimento de prostituição nas ruas àquela hora de sábado à noite. Pessoas estranhas passavam, mas correu tudo bem. Na volta sozinho tive um pouco de medo também da escuridão das ruas.

22º Dia – Me despeço dos funcionários do hotel e vou para o aeroporto pegar o vôo da Air Índia de volta para Delhi. Minha intenção era chegar e seguir direto de ônibus para Dharamsala, último destino antes da volta ao Rio. Dharamsala é onde vive o Dalai Lama e sede do governo provisório do Tibet na Índia. Desembarco em Delhi e pego um táxi para a rodoviária, que estava em obras por toda a parte. Muita poeira, muito, mas muito calor mesmo, eu muito cansado e pela primeira vez apreensivo. Consegui achar uma agência que vendia passagem para Dharamsala. Comprei a passagem para cinco horas depois.

Eu tinha a informação que a viagem duraria apenas quatro horas. Na agência o rapaz disse que seriam doze horas, aquilo começou a me desanimar. Saí para procurar comida e encontrei um Mac Donald’s. Entrei mais pelo ar condicionado e pedi qualquer coisa. Voltei para o subsolo onde ficava a agência e sentei num corredor poeirento na parte de fora, com a mochila aos pés e pouca paciência para esperar mais quatro horas até a saída do ônibus. Dois caras esquisitos vieram me fazer perguntas e queriam ver minha passagem. Não deixei e disse que queria ficar sozinho. Eles insistiram e eu disse para não incomodarem. Tinham cara de golpistas e eu não ia cair nessa. Levantei, comecei a andar e deixei-os falando sozinhos.

Fiquei andando pelas obras da rodoviária e não tinha uma sensação boa quanto à viagem. Estava muito cansado e irritado. Resolvi que não iria mais (hora de confiar na intuição) e fui tentar devolver a passagem. O rapaz da agência inventou mil desculpas, mas acabou devolvendo o dinheiro. Não havia táxis disponíveis, nem tuc-tucs nas imediações, o que me fez pagar mais caro num táxi que passou e se ofereceu. O cara deu mil voltas, pois não conhecia bem o local do ashram para onde eu estava voltando. De qualquer forma os preços são negociados antes e, conhecendo ou não o caminho, o valor é o mesmo. É comum nas grandes cidades da Índia os motoristas não saberem chegar num endereço determinado. Alguns tentam cobrar a mais ao final da corrida por isto, mas é só dizer que quem deve saber o caminho é ele e não dar confiança.

Chegamos ao ashram, fui bem recebido pelo senhor da recepção e me acomodei num quarto. Saí para dar uma volta, descansei, jantei, meditei e fui dormir. Foi difícil dormir por causa do calor. Acordei de madrugada com o lençol encharcado de suor e improvisei duas toalhas como novo lençol. Eram quatro da manhã e antes das seis não há ninguém na recepção e o ashram está fechado. Decidi que não ficaria mais lá, arrumei a mochila e, assim que ouvi movimentos, desci, paguei minha conta e peguei um tuc-tuc para procurar um hotel com ar condicionado. Queria desta vez um hotel no centro, perto de Connought Place, local de compras em Delhi. Havia deixado para fazer as compras em maior quantidade ao final da viagem, para não ficar com muito peso. Consegui um bom hotel, “Blessings” e me instalei por lá. Bela cama enorme, ar condicionado muito forte, comida maravilhosa, enfim, hora de repor energias. Cheguei a usar cobertor no cochilo da tarde de tão forte o ar condicionado, delícia!

Connought Place é o centro comercial de Delhi. Encontra-se desde lojas internacionais famosas até pequenos shoppings especializados em todos os artigos indianos imagináveis. Um taxista me levou para conhecer um contra minha vontade e acabei comprando um pote de massala, para não dizer que não gastei nada lá. Na verdade estes taxistas ganham comissão para levar turistas às compras nos shoppings. Mas eu queria mesmo entrar nas ruelas e andar no comércio popular, bem melhor e mais variado que o dos shoppings. Saí para fazer compras, mas tinha que procurar uma sombra com freqüência. Parava, bebia água, molhava a cabeça e continuava. As ruas são cheias de turistas, centenas de pequenas lojas e camelôs vendendo tudo o que a mente pode imaginar e mais ainda! Passei o resto da tarde comprando incensos, roupas, objetos para meditação, objetos de decoração, bijuterias para revender, livros e temperos. Ao fim do dia tive que comprar uma sacola enorme para colocar as coisas. À noite jantei no hotel e dormi como há muito não dormia!

23º Dia – Acordei e resolvi que anteciparia minha volta em três dias. Não havia mais o que fazer em Delhi, a não ser um city tour no dia seguinte. Começou então a novela para a troca da passagem. Não há, segundo o escritório de turismo, uma representação da British Airways em Delhi, só por telefone. Fui ao aeroporto então, muito distante e lá não me deixaram entrar sem passagem para aquele dia. Disse que só queria trocar a passagem, mas nada feito, sem passagem para o dia não entra nem no saguão e ponto. Voltei ao escritório de turismo e um cara me emprestou o celular para falar com a British.

O problema foi conversar em inglês com a funcionária indiana por telefone... depois de quase uma hora ao celular, consegui antecipar a volta em dois dias. A atendente ficou de me enviar um e-mail com a confirmação e corri para o computador do hotel. Não havia chegado a confirmação. Fui então ao site da british com o código que tinha e constava a passagem, ufa! Entrei num cyber próximo e imprimi a passagem em duas vias, como garantia.

À tarde saí novamente para as últimas compras e tive que comprar mais uma sacola para colocar tudo. Comecei a arrumar a mochila para a volta no dia seguinte e à noite escolhi um restaurante filipino para jantar. Seria meu jantar de despedida em grande estilo. Vi o anúncio do restaurante num daqueles prospectos que ficam na recepção do hotel. Peguei um táxi do próprio hotel e, à medida que nos aproximávamos do local, fui conhecendo a Delhi rica, muito rica! Hotéis como aqui não se vê, prédios majestosos, carros só importados... paramos em frente ao restaurante e pedi ao motorista para aguardar, pois ia dar uma olhada antes de entrar. Bom mesmo ele ter esperado; os preços eram absurdos para os padrões indianos. Achei que seria bobagem gastar muito num jantar sozinho e voltamos para o hotel, onde comi um delicioso prato chinês. Soube depois que o restaurante filipino é ponto de encontro de milionários indianos, joalheiros e empresários.

Neste mesmo dia recebi um e-mail da Carol dizendo que estava em Delhi pois não tinha conseguido ir de Kathmandu para Zurich. Os pilotos da Nepal Airlines estavam em greve e ela pegou um vôo da Air Índia. Curiosamente ela depois pegou o mesmo vôo da British para o Rio e voltamos juntos.

24º Dia – Tomo um belo café da manhã e desço para procurar um táxi para meu city tour. Na recepção conheço três argentinos, um rapaz e duas mulheres que acabaram de chegar da suíça. Conversamos e fomos juntos ao tour. Fomos ao Red Fort, que desta vez estava aberto, Maktub Complex, Índia Gate, Birhma Temple, Palácio Presidencial, Mesquita e outros lugares. Os argentinos por vezes não me acompanhavam em função do calor. Como era meu último dia enfrentei o forno e conheci os locais em detalhes. Estava tão quente que o ar condicionado do carro não valia de quase nada, mesmo na maior gradação. Na volta ficamos de nos encontrar às 19:00, o que não aconteceu. Eu dormi um pouco no fim da tarde e à noite fui para o aeroporto pegar o vôo para Londres que saia às 2:00 da manhã.

25º Dia – Desembarco em Londres e ao checar meus e-mails tinha um da Carol confirmando que estaria no mesmo vôo para o Rio. Nos encontramos por acaso no saguão e voltamos juntos. Avião vazio, muita gente deitando nas poltronas, fazendo-as de cama. Viagem tranqüila até o Rio, confortável, pequena febre que logo passou e muita vontade de voltar em breve!
Anexos
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#757020 por heka
08 Set 2012, 23:04
Ótimo relato de viagem, principalmente pelos lugares q voce passou que são fora do eixo turistico ::otemo:: . O calor na India, realmente pode incomodar.


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