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Bahia

Conheça as comunidades da Grota Quilombola na Chapada Diamantina

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Mochileiro que ainda não conhece a Chapada Diamantina quer conhecer. Fato. Só a imensa área (152.141,87 hectares) do Parque Nacional abriga atrações naturais de tirar o fôlego e para quem quer explorar além, a região tem muito mais a oferecer. Dias atrás falamos (aqui) de Ibicoara, cidade ao sul da unidade de conservação. Por lá, cenários de cartão-postal como as cachoeiras da Fumaça e Buracão são alguns dos destinos imperdíveis. Para quem quer acrescentar às atividades em meio a natureza algo mais pode conhecer a comunidade Quilombola do município de Mirangaba.
Região pouco divulgada, também conta com belas cachoeiras como a do Gelo e da Zoada. Ainda nos atrativos naturais, destaca-se a Serra das Figuras. Sem falar nas ricas cultura e histórias transmitidas pelas cerca de 100 famílias que ali vivem.

Cachoeira da Zoada | Foto: SEMARH/Grota Quilombola.

Para visitar a comunidade

A região quilombola de Mirangaba, conhecida como “Grota” está há cerca de 10km da sede do município. A economia por ali é basicamente a agricultura familiar e o turismo de base comunitária vem acrescentar às receitas das famílias.
Os passeios guiados para as cachoeiras do Gelo e da Zoada e visita às ruínas da Igreja das Figuras por exemplo, custam a partir de R$ 40 (por pessoa ou dupla) e R$ 100 (grupo a partir de 10 pessoas) sendo uma ótima opção ao viajante que também contará com hospedagem comunitária local a partir de R$ 40 por pessoa (em camping R$ 15 por pessoa). Lanchonetes e casas de família oferecem cardápio típico da agricultura local com alimentos orgânicos produzidos por eles. Samba de Roda e participação em atividades afro religiosas não têm custo. Em junho há o Arraiá Quilombola e em outros períodos do ano outros eventos.

Cachoeira do Gelo | Foto: Divulgação/Grota Quilombola.

Comunidade tem cerca de 100 famílias | Foto: Almacks Luiz/Divulgação Grota Quilombola.

Ruínas da Igreja das Figuras | Foto: Eugênio Junior/Divulgação Grota Quilombola.

Roteiros: Partindo da comunidade Coqueiro, o percurso para a Igreja das Figuras é de 10Km, sendo 5 deles possível fazer em veículo. Já a Cachoeira do Gelo está a 7Km da comunidade – 3Km podem ser feitos em veículo. A Cachoeira da Zoada está a aproximadamente 9Km, destes 4Km podem ser percorridos em veículo.

Como chegar em Mirangaba

A partir de Salvador há ônibus frequentes até Jacobina (Viação São Luiz). De Jacobina o visitante pode pegar um transporte alternativo no centro da cidade (R$ 4) até Mirangaba.
A partir do “Centro da Chapada Diamantina”, a cidade de Lençóis, é possível pegar um ônibus (Viação Guanabara) para Seabra e de lá outro até Jacobina.

Saiba mais

Para mais informações sobre os atrativos e atividades na comunidade contate o Grupo de Turismo Grota Quilombola através do telefone (74) 9 9944-6946 (atende WhatsApp), do perfil deles ou da página deles no Facebook.

Nota: Os preços citados podem sofrer alteração em feriados prolongados, alta temporada e em outros períodos do ano (como os de festividades locais).

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O Mochila Brasil surgiu em 1999 e foi talvez o primeiro "blog de viagem" do Brasil. Naquele tempo ainda não havia as ferramentas de blog, mas nosso conteúdo era tão empolgante quanto hoje e dele nasceu a Comunidade Mochileiros.com.

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Bahia

Nossa experiencia na Ilha dos Frades – Bahia

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Entre nossas pesquisas do que conhecer na Bahia, surgiu a Ilha dos Frades, que logo chamou nossa atenção, uma das ilhas da Baía de Todos os Santos, rodeada por Mata Atlântica, o pequeno paraíso, que possui oito quilômetros de extensão, ocupa um território que lembra o formato de uma estrela de 15 pontas, e em cada uma delas uma praia.

Como chegar?

Por se tratar de uma ilha a resposta é fácil: de barco.
  • Madre de Deus – Pegar um ônibus (R$ 9,00) na rodoviária de Salvador até Madre de Deus (horários saindo de Salvador) e de lá pegar um barco (R$ 5,00) até a Ilha dos Frades em  Loreto ou em Ponta de Paranama. Para chegar em Ponta de Nossa senhora, só barcos fretados (R$ 150).
  • Centro Náutico – há várias agências que ofertam o passeio que custa de 45 a 150 reais.

Fretando um barco, você tem a liberdade e comodidade de parar onde quiser, já os barcos que fazem transporte regular dos moradores, só vão até Paramana. Os barcos que saem do centro náutico levam até a Praia da Viração, atracando na Ponta de Nossa Senhora, local mais estruturado para o turista, sendo uma das rotas obrigatórias do passeio.

Nossa experiencia

Não sabíamos bem o que nos aguardava, nossa ideia (bem ingenua) era dar a volta em torno da ilha e acampar lá.

Terminal de Madre de Deus
Terminal de Madre de Deus

O dia amanheceu bem chuvoso mas mesmo assim não desistimos, chegando em Madre de Deus pegamos o barco por volta do meio dia. Os barcos não parecem ser muito seguros, porem, a viagem foi tranquila, passamos por muitos navios petroleiros e maquinas, devido a região ser um Polo Petroquímico.

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Chegando na Ilha, nos deparamos com uma das mais belas paisagens, a Igreja de Nossa Senhora de Loreto, em meio à vasta mata verde, mar calmo e águas transparentes. 30 minutos depois, chegamos em Paramana, o local mais habitado da ilha, mas vimos poucas pessoas, parecia até uma ilha deserta.

Igreja de Nossa Senhora de Loreto
Igreja de Nossa Senhora de Loreto
Paramana - Ilha dos Frades
Paramana – Ilha dos Frades

A previsão era caminhar 8 km (de Paranama até a Ponta de Nossa Senhora) após caminhar alguns (muitos) metros chegamos a praia da Costa, ocupada por moradores locais, existe uma pequena Igreja de frente ao mar, que estava fechada no momento. Com o dia chuvoso e o céu escurecendo, resolvemos não seguir nossa caminhada e procurar um lugar pra acampar alí mesmo.

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Foi ai que encontramos uma família, que nos alertaram sobre não poder acampar lá, pois a ilha é “particular“, em contrapartida, eles nos convidaram para almoçar e serviram uma deliciosa moqueca baiana.

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Nossa imensa Gratidão a Cris e sua família.

Após o almoço, o filho deles nos levou para conhecer a ilha, passamos pela Praia do Pontal até a Praia do Tobar, durante a caminhada ele nos contou sobre historias da ilha e sua vivencia lá, o que já valeu ter chegado lá. Ao final da tarde, como estavam voltando para Salvador, deixamos nossos planos de lado e pegamos uma carona com eles.

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Bahia

Morro de São Paulo, Boipeba, Moreré e Garapuá irão cobrar taxa de visitantes

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No ínicio do mês falamos sobre taxa de visitação à Jericoacora (CE) que passou a ser cobrada hoje (21/09/17). Agora mais destinos paradisíacos do litoral nordestino cobrarão taxa de visitação: Morro de São Paulo, Boipeba, Moreré e Garapuá, no Arquipélago de Tinharé, Bahia.
De acordo com o Correio 24horas, a taxa de acesso custará entre R$ 15 e R$ 20 por visitante. Ainda de acordo com a publicação a tarifa foi instituída por lei aprovada em 22 de agosto de 2017 pela Câmara de Vereadores de Cairu e publicada pelo Diário Oficial do Município na última sexta-feira (15/09/2017).
Em 2013, a prefeitura de Cairu já havia taxado a entrada de visitantes em Morro de São Paulo, medida derrubada em dezembro de 2016 pelo Tribunal de Justiça da Bahia.

Praias de Morro de São Paulo | Foto: Silnei L Andrade/Mochila Brasil.

Com informações de Correio 24horas.


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Um lugar sem carros, sem postes de luz, sem asfalto. Sorria, você está em Caraíva!

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Que tal um lugar calmo, com um belo rio que deságua no mar, praias paradisíacas, um povo simpático, forrozinho a noite e tudo isso sem a poluição e barulho dos carros?

Pois esse lugar maravilhoso existe e fica na Bahia.

Caraíva | Foto: amoviajarbarato.com

As casinhas coloridas e as ruas de areia | Foto: amoviajarbarato.com

Caraíva é uma vila, fica na chamada rota do descobrimento, na região de Porto Seguro, litoral sul baiano. Por ser uma península de difícil acesso, já seria um sossego mas os sábios moradores rejeitaram a possibilidade de deixar carros entrarem no simpático vilarejo.

Praia de Caraíva | Foto: amoviajarbarato.com

Praia de Caraíva | Foto: amoviajarbarato.com

Até pouco tempo atrás Caraíva não tinha luz elétrica, era a base de geradores. Quando a empresa de energia elétrica declarou que iria encher a vila de postes, a população se uniu e exigiu que a fiação fosse aterrada.

Por não ter postes, a luz que chega são das casas, restaurantes, pousadas ou a mais bela: a luz do luar.

Caraíva | Foto: amoviajarbarato.com

O rio Caraíva chegando ao mar | Foto: amoviajarbarato.com

O que fazer em Caraíva

Aqui você pode passar dias preguiçosos descendo o rio suavemente numa bóia, nadar no mar, dançar um forrozinho  no Pelé e ainda degustar um belo pastel de arraia.

Caraíva | Foto: amoviajarbarato.com

De um lado o rio, do outro o mar | Foto: amoviajarbarato.com

Tudo isso sem o barulho de carros, o asfalto quente, postes horrorosos e poluição.

Se tiver disposição pode atravessar o rio e ir a pé até a bela praia do Espelho, é uma bela caminhada de 9km mas vale a pena. Eu fiz isso e conto em detalhe mais tarde.

Também tem próximo a aldeia Barra Velha de índios Pataxós. É só se informar com a população os dias para visitar.

Praia do Satur | Foto: amoviajarbarato.com

Entre Caraíva e Espelho uma parada para abastecer na praia do Satu | Foto: amoviajarbarato.com

O delicioso pastel de arraia do Boteco do Pará | Foto: amoviajarbarato.com

O delicioso pastel de arraia do Boteco do Pará | Foto: amoviajarbarato.com

Só li verdades | Foto: amoviajarbarato.com

Só li verdades | Foto: amoviajarbarato.com

Como chegar a Caraíva:

Independente do veículo, em Porto Seguro pegue a balsa para Arraial D’ Ajuda.

De carro/moto:  da balsa vá até o trevo de Trancoso pela pista asfaltada. Dali siga pela estrada de terra até Caraíva Nova (vila antes de cruzar o rio) onde têm estacionamentos.

De táxi: direto de Porto Seguro custa “apenas” 300 reais (maio/2017), se tiver como encher o carro para dividir pode ser uma opção. De Arraial ou Trancoso dá para encontrar um pouco mais barato, por volta de 200.

De ônibus/van: da balsa o ônibus custa R$ 21 e a van R$ 25. A van sai sempre uns minutos antes do ônibus. Só tem ônibus as 7:00 e as 15:00, na alta temporada incluem mais um as 11:00. Os ônibus pegam passageiros em Arraial (R$ 17,50) e Trancoso (R$15,50), verifique com os moradores/hospedagem os pontos.  (valores maio/2017).

Chegando precisa pagar o barqueiro para atravessar (R$ 5,00), leve dinheiro trocado para facilitar!

Rio Caraíva | Foto: amoviajarbarato.com

Minha última visão de Caraíva | Foto: amoviajarbarato.com

Realmente é impossível não sorrir aqui!

Dicas de destinos, como viajar barato e muito mais em:

amoviajarbarato.com

Facebook: Amo Viajar Barato

Instagram: @amoviajarbarato

 


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Um trekking místico sob sol e chuva na Chapada Diamantina

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Dez meses se passaram da última vez que trilhamos juntos. Somos cinco: Eu (Djair), Daniel, João, Luciano e Wilson unidos pelo  mesmo prazer: a natureza. Nossa missão é ir ao encontro dela com nossas cargueiras nas costas percorrendo trilhas, subindo e descendo  os mais variados  terrenos  na busca de belas paisagens. Nosso gosto é pela imensidão dos grandes vales, pelo frio e silêncio das montanhas, pelo nascer e pôr do sol, o brilho das estrelas, é de se sentir pequeno diante de algo maior.

Nosso derradeiro encontro ocorreu na Serra da Mantiqueira, na famosa trilha da Serra Fina, considerado por muitos um dos trekking mais duros, um dos mais difíceis do Brasil. Sei que há controvérsias, mas a verdade é que concluí-la exige muito do corpo e da cabeça; em especial quando a natureza resolve mostrar força mandando a chuva que  molha e alaga tudo, e também o  frio soprando com toda vontade dos deuses.  É pauleira!

Decidimos que nossa próxima história deveria ocorrer na Chapada Diamantina. Planejamos tudo com antecedência. Contratamos um guia especializado no roteiro, compramos as passagens aéreas, reservamos a pousada, o resgate etc.  Nossa programação incluía  5 dias para essa travessia num circuito de cachoeiras mais “escondidas”, um conjunto que envolve maior esforço e cuidado: FUNDÃO , VINTE E UM,  FUMAÇA DE FRENTE, CAPIVARA, FUMAÇA POR BAIXO, CAPIVARI. POÇÃO E MIXILA. A trilha deveria começar na segunda-feira (27)  e ser concluída  sexta-feira (31) de março de 2017.  Mas nem tudo aconteceu exatamente como esperávamos.  Na semana do embarque tomamos conhecimento que nosso companheiro, o João,  não poderia realizar  a trilha. Não quis o destino que ele nos acompanhasse. Seguimos sabendo que o time dessa vez estava desfalcado. Ele sofreu  um corte no pé  dias antes e sem a cicatrização necessária se viu impedido.  Contudo, mesmo com o ferimento, ele quis ir até Lençóis e lá ficar até nossa volta na sexta-feira (31). Fiel escudeiro seu JOÃO!

No sábado (25), à noite, eu ainda estava fazendo os ajustes na mochila. Confesso que é sempre um “sofrimento” fazer as escolhas certas do que devo ou não levar. Mais coisas significa mais peso,  menos mobilidade, maior desgaste físico.  Como estava levando equipamento de filmagem, tive que deixar minha câmera fotográfica de fora, sofri com isso porque sou um apaixonado por fotografia de natureza.

Nossa opção de chegar até a cidade de Lençóis  foi por via aérea.  Todas as quintas e domingos a companhia Azul oferece a opção  Recife-Lençóis com escala em Salvador.  Às 09h15 do domingo (26) partimos com destino a capital baiana. Lá fizemos conexão em um turboélice para a cidade de Lençóis, que é uma das principais cidades da Chapada Diamantina. O vôo dura apenas 50 minutos e, por volta das 15h,  eu, Luciano, João e Wilson já estávamos deixando nossos trecos dentro da Pousada Raio de Sol, que fica bem no centro da bela cidadezinha.

Corremos pra almoçar e encontrar com o parceiro Daniel, que já se estava na cidade desde a quinta-feira (23).  Paramos no restaurante da Zilda. Entre uma conversa e outra, na hora do rango, Daniel adiantou ter feito umas trilhas na sexta e sábado e que a Chapada estava passando por um período de seca. Todas as cachoeiras estariam praticamente secas. Algumas, totalmente. Ficamos abismados: Chapada sem água?

No final da tarde, fomos juntos com o nosso guia Marquinhos Soledade (@expediçao_chapada) fazer uma “feira” coletiva.  A idéia era comprar tudo que iríamos consumir nos cinco dias de trilhas e ratear os custos e os pesos nas cargueiras de cada um.  Compras feitas, voltamos para a pousada.  Utilizando uma balança portátil fizemos a pesagem de cada “kit” de modo que cada um recebesse  pesos iguais ou aproximados para levarmos à expedição.

Os aventureiros
(da esquerda pra direita: Luciano, Djair, Wilson, Daniel e o guia Marquinhos)

Com a idéia de evitar o sol forte, levantamos às 5h30 na segunda-feira. Não pudemos esperar o café da manhã oferecido pela pousada que só sairia às 7h30. Então coube ao parceiro Daniel agilizar nosso rango matinal. Comemos. O guia chegou,  o brother João nos levou até o portão,  nos saudou e ficou para trás. Às 7h15 saímos pelas ruas de  ladeiras  do centro de Lençóis com destino ao início da trilha

Os primeiros passos são de adaptação, o corpo precisa se acostumar com os 18 kg, 20 kg  nas costas. É sempre assim, e como os músculos estão frios, as articulações também, tudo precisa entrar em sincronia.  Aliás, é preciso muito considerar a qualidade da mochila que você escolhe para fazer trekking longos.  Ela tem que ser confortável, leve e prática.

PRIMEIRO DIA (27/03)

Sair da cidade para pegar a trilha é literalmente um bom treino de aquecimento. Há uma acentuada subida pelo bairro que te faz lembrar que a brincadeira começou. Entramos na trilha. A cidade vai ficando para trás.  O cheiro da mata vai tomando conta  do ar. Seguimos nos adaptando aquele terreno. Coração e pulmão são exigidos. A mochila vai se encaixando ao corpo e nesse momento cabe fazer os ajustes das fitas e alças. Seguimos firme. Alguns degraus

Mirante de Lençóis

de pedras, árvores verdes, matos. Chegamos ao Mirante de Lençóis  uns 30 minutos depois. Pequena parada, algumas fotos.  Continuamos e as  9h paramos na Cachoeira do Grisante. O suor já se fazia presente. O calor tomava conta. Sabíamos que não ia ser fácil. Ali paramos e nos refrescamos na pouca água que descia na rocha. Fizemos algumas fotos.  Jogamos água sobre nossas cabeças, lavamos braços e sentamos.

Acontece que esse momento trouxe um episódio inimaginável para o grupo. Luciano Rocha aproveitando aqueles instantes de descanso e contemplação se aproximou do grupo e falou que não iria continuar a trilha. Todo, sem exceção, considerou que tudo não passava de uma brincadeira de mau gosto. Mas a repetição da frase nos fez prestar mais atenção – Galera, não irei fazer a trilha!  Todos estavam incrédulos. Repetiu: – Não estou na “vibe”, estou com um mau pressentimento… não sinto uma energia boa… Relutamos, argumentamos. Ele continuou firme.  Lembrou que quando sente isso não costuma desacreditar nos instintos. Disse que não se sentia bem. Ficamos parados, boquiabertos.  Ele abriu a mochila, tirou o “kit” com parte da “feira coletiva”  entregou ao grupo. E, como quisesse se livrar de tudo aquilo, se virou, desejou sorte e  retornou pela trilha sozinho até perdermos ele de vista. Não foi fácil entender.  Agora éramos 3 na missão: Eu, Daniel e Wilson. Seguimos calados, mas esse episódio abriu nossos olhos para algo misterioso que ocorreu nesse trekking.

A caminho do Cânion do Fundão

Nossa meta era a Cachoeira do Fundão.  Depois de quase 2 horas de caminhada paramos às 10h50 às margens do Rio Ribeirão (Vale do Ribeirão).  O volume não era dos grandes. Algumas piscinas. A água gelada nos convidou para um bom banho. Escutamos algumas histórias de Marquinhos. Tomamos conhecimento  que há um espanhol desaparecido naquelas trilhas desde dezembro de 2015 e que até hoje ninguém tem notícias, apesar das inúmeras buscas empreendidas por voluntários e Corpo de Bombeiros com utilização de cães farejadores. O que terá ocorrido? Estaria ainda vivo? Será que fora ele arrastado por uma tromba d’água? Será que caiu em um abismo?

Vale do Ribeirão uma parada para se refrescar.

No Vale do Ribeirão fizemos um bom lanche: pão com pasta de atum com cenoura. Recarregamos os reservatórios de água. Energias renovadas, continuamos. A entrada no Cânion do Fundão me deixou maravilhado. Repeti inúmeras vezes em alta voz e no pensamento  como era bonito tudo aquilo. Muito verde, muitas pedras. Dá pra ver a força das águas nos cortes entalhados naquelas paredes colossais de milhares de anos. É um caminho por entre pedras. Aliás, é um desafio porque há sempre o risco de lesão. O esforço  e atenção são grandes em especial com o peso que carregamos.  O resultado do esforço físico trouxe, minutos depois, câimbras para o companheiro Wilson e assim às 13h25 paramos um pouco pra ele se recuperar. Nossa pausa revelou os mosquitos que atacam sem cerimônia, até mesmo por cima das camisas. Dessa forma até as câimbras do companheiro sumiram.

Belíssimo trecho por dentro do Cânion do Fundão

Depois de percorrer um longo caminho dentro do Cânion do Fundão, por entre muitas e muitas pedras  alcançamos a Cachoeira do Fundão.  Pra ser sincero, não estávamos diante exatamente da cachoeira, mas sim da queda por onde deveria descer a água. Era então apenas um cânion retalhado.. A beleza é indiscutível. Mas não havia o barulho de águas caindo, não havia. Deve ser lindo vê-la transbordar. Agora só restava a imaginação. Diante dela fiquei  tenso em saber que o local de acampamento é no topo e que teríamos que escalar.  Acredito que deve ter uns 90 metros. Senti muito medo mas seguimos. Eu com maior tensão que os outros. Embora enfrente a altura confesso ser um desafio pessoal. Daniel seguia acompanhando de perto o guia, eu em terceiro recebia suas orientações e ajuda quando “travava”. Wilson,  logo atrás, registrava tudo com uma GoPro colada ao peito. Adrenalina a mil. As imagens não nos deixam mentir.

Parede da Cachoeira do Fundão – o guia Marquinhos Soledade ao centro

 

Escalando a parede da Cachoeira do Fundão (momento de perigo real)

Depois da dura subida – A comemoração

Foi muito dura aquela escalaminhada. Eu diria que imprudente também. Deveríamos ter tomado o caminho mais seguro e não o mais rápido. Mas deu tudo certo e dentro do programado descansamos no chão as mochilas e montamos as barracas.  O local fica uns quatro metros acima do leito do rio numa área com vegetação batida. O guia não levou  barraca  e como bom baiano esticou uma rede entre duas árvores. Havia mosquitos. Muitos. Marquinhos tenta afastá-los com uma fumaça produzida com muito cuidado sobre uma pedra e algumas folhas verdes. Deu certo. Montamos as barracas. Marquinhos passou a cozinhar usando 2 fogareiros. Às 17h20,  a comida estava pronta. O menu: macarronada e linguiça defumada. Comemos maravilhosamente.

 

Local de acampamento no topo da Cachoeira do Fundão

As paredes do Cânion do Fundão

Chega noite e ela se apresenta deslumbrante com o céu repleto de estrelas.  Dentro da barraca um calor grande.  Deduzi que o guia Marquinhos iria dormir melhor ao ar livre. Aproveitando a beleza da noite, abandonou a ideia da rede e colocou o isolante térmico diretamente no chão perto da fogueira, deitou olhando para o alto  e passou a  identificar o que via no céu. Daniel fez o mesmo e falava da beleza de tudo aquilo. Eu, dentro da barraca, escrevia esse diário, mas queria mesmo era dormir. Saí em seguida para contemplar aquele momento raro de total escuridão e beleza estrelar. Passei não mais que 10 minutos. Voltei para a barraca, torci para que o cansaço me tomasse e eu apagasse. Mas não foi bem assim.

SEGUNDO DIA (28/03)

A noite não foi das melhores. Acho que dormi no máximo três horas. Acordamos às 5h30, tomamos o café da manhã e logo desmontamos o acampamento para seguir até a Cachoeira Vinte e Um, que fica bem próxima a do Fundão. Belo paredão forma a Cachoeira 21, mas esta também se apresentou sem o esplendor da  água caindo. Olhamos para ela e Marquinhos nos apresentou o caminho para chegar ao topo. Seguimos e nos deparamos com uma passagem bem exposta. É preciso cautela. Há uma chance das coisas darem errado e terminar muito mal. A visão do topo que temos do cânion é deslumbrante. Conversamos um pouco lá no alto sentindo toda aquela energia e brincamos com o eco de nossas vozes em meio aos paredões.

Topo da Cachoeira Vinte e Um

Deixando a Cachoeira 21 pra trás,  tomamos o terreno do Córrego Verde . É um lugar bonito que parece cenário desses filmes de gnomos. Há muitas pedras, muitas árvores atravessadas no caminho, resultado de trombas d’águas e do incêndio que ocorrera meses atrás que fragilizou as árvores das encostas. Às 10h50 paramos para descansar um pouco no final do Córrego Verde.   Cabe dizer que transpor todo terreno é muito duro. Agora já está claro que essa trilha  exige muito do condicionamento e da atenção. Andar sobre pedras aumenta o risco de dobrar o pé, de ter lesões sérias que podem comprometer a expedição.

Córrego Verde

Interessante é que nesse percurso deveríamos abastecer nossos reservatórios em um local apropriado, com água potável, mas pra nossa surpresa esse ponto estava seco. Tivemos então que racionar água.  A essa altura, saindo do córrego verde, nos deparamos com o sol forte e a necessitar ainda mais do precioso líquido que começava a acabar.

Seguimos a trilha  e depois de longa jornada estávamos diante da imensidão, da grandeza e da beleza do cânion onde fica a Cachoeira da Fumaça. Profundo cânion, majestoso cânion.  São 400 metros de abismo. Paramos. Olhamos em direção de onde deveria ser a Cachoeira da Fumaça, com seus 380 metros de queda, mas só havia o paredão. Nada de água.  Do Mirante da Fumaça de Frente descobrimos que a seca roubou parte da beleza cênica que eu esperava encontrar. Foi frustrante. Pela primeira vez colocamos em pauta a idéia de não descer e fazer a Fumaça por Baixo, haja vista não existir queda d’água. Seria um esforço sem grande recompensa. Ainda assim contemplamos brevemente tudo aquilo e seguimos para alcançar a Serra do Palmital.  A essa hora já estávamos muito desidratados. Passamos um longo período não ingerindo a quantidade de líquido que o corpo perdia  durante a caminhada sob o sol.  Não podíamos ficar muito tempo ali.

Mirante da Fumaça de Frente – impressionante ver a rocha sem a queda d’água

Seguimos em frente. O sol de rachar. Calor infernal. Nossa chegada ao Rio Palmital, mais uma vez, evidenciou a grande seca que assola a chapada nesses dias.  Mortos de calor e sede, corremos para se refrescar em alguns pontos de água parada. Já passava das 13h quando decidimos  ficar uns instantes na área verde e com sombra chamada de “acampamento da Cachoeira do Palmital”. Tudo seco. Nessa altura do campeonato Marquinhos, o guia, confessou que aquele calor o fazia mal. Demos mais um pouco de nossa água a ele. Cheios de determinação seguimos em direção a Cachoeira da Capivara.

Momento de abastecer os reservatórios

No caminho, saímos da trilha para abastecer os reservatórios. Marquinhos nos levou até um oásis, que fica à esquerda da trilha. num paredão de onde a água fria e límpida descia encosta abaixo. Com auxílio de uma folha  imitando um funil tentávamos facilitar o enchimento das garrafas e camelbak. Depois seguimos e já às 14h estávamos na cachoeira.  Com pouca água caindo, tiramos as roupas e fomos tomar banho e fazer fotos. O lugar é deslumbrante. O local onde cai a água forma um lago profundo de água escura.  Aliás, sinto falta do movimento das águas.  Tomamos muito banho. Estávamos esturricados. A sede parecia não acabar.

Banho na Cachoeira da Capivara

Momento de se refrescar

Marquinhos preparou arroz com lentilha, farofa, e lingüiça defumada. Espetáculo. Enquanto preparava a comida, notamos que uma cobra estava bem próximo. Ela bebia  água a uns 3 metros do grupo. Era uma Cobra Cipó, que num silêncio sinuoso partiu pra dentro das rochas e sumiu.  Comemos e subimos pelo lado direito com nossas coisas para área onde iríamos montar acampamento para passar a noite.  Deixamos as mochilas numa grande pedra que parece uma mesa. E fomos procurar madeira seca no leito do rio pra fazer uma fogueira sobre as pedras para afugentar bichos e mosquitos.  O fogo foi aceso e jantamos a sobra do almoço com algumas adaptações feitas por Daniel. Show de bola garooooto!.

Eu, Daniel e Wilson resolvemos “copiar” Marquinhos e dormir sob o manto das estrelas. Não iríamos armar nossas barracas. Sobre a grande pedra, lado a lado colocamos nossos isolantes e sacos de dormir.  Aproveitamos e numa conversa reiteramos que não era interessante fazer a Fumaça por Baixo, já que ela se apresentava sem água como havíamos testemunhado no mirante de frente. Deitamos.  Passei a ficar cismado com a imagem da cobras.  Liguei a lanterna. Desliguei. Liguei outra vez, deixei  ligada. Via  Marquinhos de tempo em tempo levantar para alimentar o fogo. Wilson se revirava.  Apaguei depois e nem sei quanto tempo.  Contudo, exatamente às 3h da madrugada  gotas de chuva tocavam nossos rostos e de sobressalto nos pomos a agilizar a fuga e buscar abrigo no corte do cânion .  Mudamo-nos com tudo e fomos dormir embaixo de uma parede curvada da rocha do cânion.  A chuva chegou de vez e não parou até amanhecer.  Noite terrível.

Local onde nos abrigamos da chuva no topo da Cachoeira da Capivara

TERCEIRO DIA (29/03)

Às 8h10,  o guia Marquinhos ainda preparava o café da manhã. Comemos ali embaixo no paredão, abrigados. Estávamos no topo da Cachoeira da Capivara, que apesar da chuva constante durante a madrugada não teve o volume aumentado  de modo considerável.  Mastigamos cachorro quente com café e leite em pó e, às 10h,  descemos pelo leito do Rio Capivara: pedras, pedras, pedras gigantes, molhadas, escorregadias. Há riscos claros de torção e queda.  Natural redobrar as atenções. Seguimos o rio por dentro do cânion até o encontro do Rio Capivari e seu belíssimo cânion.

Um trilha que exige muito – há muitos riscos

A chuva fina nos acompanhava.  Medo de escorregar traz tensão. A caminhada, ora por dentro do leito, ora pelas margens onde temos que subir e descer encosta,  pular troncos, se agachar, subir outras pedras marginais, afastar galhos, isso tudo consome muita energia e a sede é grande. Depois de longa e exaustiva jornada, passamos pelo Córrego da Muriçoca,  onde lavamos o rosto. Todos, apesar da chuva,  suavam incessantemente  devido ao caminho árduo.

No alto do Cânion Capivari

Nuvens  pesadas, criavam sobre nós um cenário tenebroso e também bonito sobre nossas cabeças. Subimos a interminável Serra do Capivari. Uma subida íngreme com areia preta  e vegetação típica. A inclinação é das grandes e seu corpo vai sentir, e pra ser redundante digo que é bem dura em especial devido ao peso das cargueiras.  No topo da serra paramos, fizemos outros registros aproveitando as cenas das nuvens pairando sobre o grande cânion, depois seguimos.

Cachoeira do Capivari com pouquíssima água

Tomamos a trilha e decidimos ir direto para Cachoeira do Capivari. Deixamos as cargueiras na parte de cima da cachoeira e descemos sem nada. Só pra tomar um banho e vê-la. Deve ter uns 70 metros o paredão. Apesar do volume da queda acho que até o momento é a que mais me chamou atenção. Belíssima Capivari.  Eu e Daniel entramos na água. Wilson ficou filmando. Mergulhei . Tomei um tombo que fez uma ferida na canela.  Passamos apenas uns 40 minutos lá e subimos. Agora deveríamos seguir para a Cachoeira do Poção.

Daniel, Marquinhos, Djair e Wilson (esquerda pra direita)

Não chovia. O tempo permanecia nublado, pesado ameaçando mandar chuva a qualquer momento.. Seguimos o leito do Rio Capivari. Confesso que todo aquele terreno já estava me irritando.  Leito de rio, pedras. Pula, sobe, desce. Depois de algumas horas chegamos à Cachoeira do Poção que também se apresentava com pouco tímida queda d’água. Pela margem direita alcançamos o topo. Deixamos o material pra fazer o almoço com Marquinhos do lado direito e fomos pra o lado esquerdo onde há um espaço em terra batida bom para acampar. É um lugar seguro. Difícil ser surpreendido por uma tromba d’água .

Ali o terreno estava molhado. Tudo molhado.  Armamos as barracas e separamos material pra fazer uma fogueira.  Era um lugar absolutamente seguro para produzir fogo, em cima de uma Rocha sem contato com a vegetação de modo a evitar um incêndio.  Não tivemos êxito. Por mais de 1 hora tentamos. Suamos e desistimos.  Descemos pra almoçar.  O melhor almoço do mundo. Arroz, farofa e charque com tomate. Minha nossa!!! Comida de verdade. Na trilha também comemos bem.

Tomamos banho no rio e já à noite por volta da 20h, descemos pra ficar conversando com o companheiro Marquinhos, que iria bivacar na margem direita do rio que alimenta a Cachoeira do Poção. Saí da barraca com uma lanterna de mão  pra emprestar para ele e com a minha de cabeça presa à testa.  Daniel e Wilson também foram e lá tomamos um chá de hortelã.  Sugeri que apagássemos as luzes pra sentir a noite  e ter o som da água que corria. Daniel tava confortavelmente deitado. Eu , Wilson e Marquinhos, sentados. Conversamos sobre várias coisas. Soubemos que ali mesmo onde estávamos quase ocorrera uma tragédia com um grupo de amigos de nosso guia. Contou ele que,  certa vez, percebendo o volume da água aumentar pediu para  que todos buscassem abrigo, mas alguns duvidaram e foram surpreendidos instantes depois  por uma enorme tromba d’água que por pouco não acabou com a vida dos mesmos, mas que resultou em ferimentos sérios em um deles.

Bateu sono. Disse que iria me recolher. Wilson falou em me acompanhar. Daniel titubeou , mas decidiu vir conosco. O guia ficou lá e atravessamos o leito em direção às barracas. Cada um entrou na sua e uns 8 minutos depois escutamos um grito, um alerta distante.  Era Marquinhos!! Ele gritava: – Tromba d’água (embora o barulho e a distância não nos deixasse saber o que exatamente  ele bradava).  Abrimos o zíper de nossas barracas, corremos com lanternas pra beira ao mesmo tempo e notamos o que era. O rio estava recebendo uma grande quantidade de água repentinamente. O guia do outro lado da margem iluminava uma rota de fuga pra ele. Do nosso lado, estávamos mais seguro. Ainda não era necessariamente uma tromba d’água, mas seu prenúncio. Era certo que ela estava vindo. Filmamos esperando o momento exato de registrar a água arrastando tudo.  O volume agora era outro e  constante.

Buscamos uma comunicação verbal com o guia, mas o barulho da água impedia total compreensão.  Depois de alguns minutos ali vimos  Marquinhos se alojar  na parte mais alta sob um corte do cânion de modo a evitar ser levado pela água caso, de fato, um enorme  volume chegasse de modo rápido. Com todos em segurança voltamos pra tentar dormir. Logo após entrar na barraca, a chuva castigou insistentemente. Apaguei e posso dizer que foi a melhor noite que tive. Feliz com essa proeza.

QUARTO DIA (30/03)

Despertei às 5h com o barulho da chuva sobre a barraca. O som da chuva faz você ficar preocupado com a resistência do equipamento. Por incrível que pareça nenhuma gota de água adentrava.  A essa altura o “piso” da barraca estava inflado pela água que se acumulava no piso. Parecia um colchão de água. Destaco o modelo pela relação custo/benefício (Barraca Nord – 2 lugares) e que por sinal é também a mesma que Daniel usava. Wilson utilizava uma diferente e não teve a mesma sorte já que teve o interior invadido pela água da chuva.

Às 7h30 da manhã, a chuva ainda persistia. Não tínhamos  ideia de como seria nosso dia.  Já era chuva demais.  Será que iríamos manter o cronograma? O plano era ir até a Cachoeira do Mixila naquele dia.  Wilson aproveitava os intervalos da chuva para organizar as coisas. Daniel e eu não saíamos.  Parecia que teríamos que rever os planos do dia. O tempo continuou fechado. Cinza. Tomamos café já bem tarde num ponto mais elevado do cânion onde Marquinhos dormiu. Um café da manhã fraco: só pão e queijo. Depois seguimos para desmontar o acampamento que estava emporcalhado, sujo com tanta água que caiu.

O tempo era ruim. Parecia que o mundo estava prestes a se acabar em água. Nosso guia e amigo Marquinhos Soledade narrou que havia chances enormes de deparar com uma tromba d´água. Ir até a Mixila parecia arriscada. Ele, com experiência e segurança, apontava na direção de onde a chuva parecia cair com maior força no horizonte e é lógico que ela deveria chegar no leito dos rios e, certamente, de forma repentina O prelúdio que já havíamos presenciado na noite anterior, era uma evidência dos riscos.

Nesse contexto coube uma conversa franca.  Eu coloquei que pra fazer a Mixila sob riscos era melhor não prosseguir. Daniel e Wilson assinalaram que para eles o prejuízo era menor uma vez que ambos já conheciam a cachoeira, eu não. Mas sem vaidade assinalei que não fazia questão sob aquelas condições. No fundo gostaria de seguir, mas não era mesmo razoável.  Dessa forma consideramos que nossa Expedição estava encerrada. Restava o caminhos de volta. Era a despedida de uma aventura programada para ser vivida em cinco dias pelos 5 amigos do grupo, mas que estava sendo concluída apenas por três e com 1 dia a menos. Foi como Deus quis. Interessante  é que desistimos de duas cachoeira (Fumaça por Baixo e Mixila)  por motivos antagônicos: falta e  excesso de água, respectivamente.

Já era mais de nove da manhã quando tomamos à trilhas de volta.  Deveríamos conseguir uma área com sinal de celular pra ver se o resgate que contratamos para nos apanhar na sexta (31) poderia nos pegar no local marcado só que 1 dias antes.  Seguimos a trilha para sair da Cachoeira do Poção. O terreno não é tão duro quanto andar pelos leitos dos rios. Não há pedras pra ficar pulando e há  um bom trecho reto com terra batida. A descida complicada ocorre pela Serra do Bode, que o declive cria condições para grandes escorregões e acidentes se não estiver atento. Depois de algumas horas  alcançamos  área com sinal de celular. Wilson conseguiu fazer contato  com Carlos, dono da Toyota, que  sinalizou ser possível seguir e nos apanha lá embaixo. Ufa! Boa notícia. Isso nos pouparia de ter que andar  8 km até  Lençóis.

Aproveitando o sinal de internet, eu e Daniel sacamos nossos smartphones e vimos as mensagens de nossas redes sociais “carregar” velozmente na tela, afinal,  foram quatro dias desconectados. Eram mensagens do trabalho e familiares.  Eu não recebia tantas, mas  Daniel falou rindo ter mais de mil.  Não era o momento e nem havia tempo de ler nada. Eram a centenas que Daniel recebeu no whatsapp havia um recado deixado por sua mãe que iria aumentar o aspecto místico dessa  trilha. Guardamos os aparelhos. Tínhamos alguns minutos de caminhada ainda  até cruzar o sítio de Gyodai e chegar no ponto de encontro com Carlos.

Apressadamente continuamos a descida.  Finalizada a Serra do Bode, entramos por entre sítios de nativos. Latidos de cães mostravam que estávamos em área privada e dessa forma encontramos com o tal Gyodai na sua propriedade e seus 5 cachorros. No caminho mais fácil e plano Daniel tomou um tombo e quase torceu o pé, mas ele se levantou e seguimos. Chegamos no local de encontro e mal dando tempo de colocar as cargueiras no chão escutamos o barulho do motor do veículo 4×4 que se aproximava. Carlos agora nos levava de volta para Lençóis. Chega de peso, precisamos agora de um banho, um bom almoço caseiro e descansar da longa jornada.

 

Trilha concluída!

O CONTEÚDO DA MENSAGEM

Na tarde da sexta-feira (31) estávamos Daniel e eu na casa de Marquinhos quando a mãe de Daniel, do Recife, liga para ele e emocionada diz ter enviado uma mensagem via whatsapp na quarta (29), às 4h49, e que até o momento não parecia visualizada. Pelo telefone, agora,  ela pedia pra que ele lesse a mensagem depois, mas  adiantou que o seu conteúdo foi redigido após um pesadelo aterrador em que todos éramos varridos por uma “onda branca” e lançados contra grandes pedras. No sonho, seu filho era o primeiro a sofrer naquela tragédia. A conversa toda pôde ser ouvida por mim e pelo guia Marquinhos, já que Daniel, atônito, quis compartilhar tudo pelo viva-voz do aparelho. Todos ficamos abismados e as lágrimas, nenhum dos três, conseguiu evitar. Foi muito tenso ouvir aquilo, coisa de filme. Existe premonição?

Daniel pôde, depois, entrar no whatsapp e verificar que a mensagem existia. Ela estava lá: “… CUIDADO DANIEL, VOCÊ ENFRENTA PERIGO,  NÃO PROSSIGA… NÃO SEI O QUE É MAS VOCÊS CORREM PERIGO…” (quarta-feira, 29 de Março às 4h49). Agora não restava mais dúvidas que algo místico tinha nos acompanhado durante a trilha.

Interessante é que foi exatamente da quarta-feira às 3h da madrugada que tivemos os primeiros sinais de chuva na Chapada Diamantina. Estávamos na Cachoeira da Capivara quando saímos às pressas, fugindo das chuva, indo buscar abrigo sob a parede do cânion. Talvez esse horário tenha sido  o mesmo em que a mãe de Daniel tenha despertada apavorada.

Tudo que relatei, acho que tá bem claro, indica que a questão meteorológica definiu os rumos de nossa expedição. Afinal, foi o risco de ser surpreendido por uma tromba d’água que motivou nossa desistência  da Cachoeira da Mixila.

Como se explica isso? E o sentimento de Luciano? Que afirmou pra todos ouvir que não continuaria a trilha, pois estava sentindo uma energia ruim, um “mau pressentimento”  que o fez literalmente abandonar o grupo e voltar sozinho? E sem falar no caso de João que com um corte inusitado no pé se viu inacreditavelmente impedido de colocar as botas para fazer a trilha com o grupo?  Tudo isso pra cada um de cinco membros faz muito sentido agora.

Essa trilha foi diferente. Até breve amigos!!!

PS1.:  No dia 14 de abril, doze dias depois que saímos da trilha, um guia local encontrou uma mochila impermeável com pertences do espanhol HUGO FERRARA TORMO de 27 anos. Nela além de alguns equipamentos eletrônicos havia um passaporte  bem como uma espécie de diário da trilha.   A partir dos manuscritos deixados foi possível ter conhecimento que ele sofrera um acidente grave ao cair de uma cachoeira que comprometeu sua capacidade de andar.

No dia 11 de maio, de posse dos relatos, bombeiros e guias refizeram os passos do rapaz e  num ponto entre Cachoeira da Fumaça e a trilha para a cachoeira 21, se depararam com  uma ossada que, ao que tudo indica,  seja  os restos mortais de Hugo Ferrara Tormo de 27 anos.  Exames de DNA devem encerrar as duvidas acerca da identidade daquele material.

PS2: ESSA TRILHA NÃO É BRINCADEIRA


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Chapada Diamantina: 4 destinos imperdíveis(Lista aberta)

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A Chapada Diamantina reúne incontáveis opções pra quem quer botar a mochila nas costas e conhecer cenários de rara beleza e rica história. Maior que a Bélgica e no coração do Brasil, dividida em várias serras, como a do Bastião, da Mangabeira, do Rio de Contas, das Almas e a Serra do Sincorá, a região reflete um país desconhecido que vive no dia-dia e no imaginário do povo sertanejo.

Da primeira década do século XIX ao final do século XX, a Chapada viveu da riqueza e prestígio (dos diamantes e do ouro) ao abandono e esquecimento; renascendo enfim no turismo. É sem dúvida, um dos parques nacionais com a maior diversidade em relevo e paisagens do país, unindo cachoeiras em cânions monumentais, ao azul esverdeado de lagos como o da Pratinha, que destoam do chão batido de tom vermelho e empoeirado do sertão, passando por paisagens que lembram o Pantanal, como o Marimbus, até o Vale do Capão com suas noites inigualáveis.

Essa é uma lista aberta, portanto qualquer um pode colaborar acrescentando novos destinos utilizando o formulário no final do post. Se você conhece algum lugar especial  na Chapada Diamantina, inclua ele utilizando nosso formulário fácil no final do post ou deixe a dica nos comentários.

 


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Pantanal dos Marimbus – Andaraí – Chapada Diamantina

Claudia Severo

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O pantanal dos Marimbus é uma grande planície inundável com uma rede de lagoas interligadas de águas mansas, alimentadas pelo rio Santo Antônio.  Por ali passa toda a água coletada pela serra em suas vertentes norte e nordeste, desde os arredores do Vale do Capão, em Palmeiras (onde estão as nascentes do rio Santo Antônio, ainda sob o nome de Rio Preto) até o rio Garapa, já próximo a Andaraí, incluindo nesse percurso o rio São José, que corre de Lençóis para o sul, recebendo tributários como o Ribeirão, Capivara, Capivari, Caldeirão e Funis, e o rio Roncador. Além das águas da serra, recebe também a drenagem do piemonte a leste, através da bacia do rio Utinga.  Assim, praticamente todos os atrativos turísticos com água a norte de Andaraí – cachoeiras da Fumaça, do Mixila, Ribeirão do meio e do Mosquito, Serrano, Mucugezinho, Poço do Diabo, gruta da Pratinha, dentre outros – cedem suas águas a esse ecossistema único denominado Marimbus.

Pantanal de Marimbus - Foto: Bruno Graciano

Pantanal de Marimbus – Foto: Bruno Graciano

 

Pantanal dos Marimbus – Andaraí.

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Bahia

Cachoeira e São Félix: pérolas do Recôncavo

Claudia Severo

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Cena indescritível é a da chegada às cidades baianas de São Félix e Cachoeira. Parece que estamos entrando num cenário cinematógrafico de filme de época. Dificilmente você encontrará informações turísticas tratando as duas em separado. A necessidade de uma ligação entre ambas as cidades se deu até fisicamente, com a construção de uma ponte.
A ponte Rodoferroviária que hoje também é cartão postal foi construída por ingleses e sua necessidade foi observada pelo próprio Imperador D. Pedro II que em 1859, visitou a região a fim de fundar o Instituto de Agricultura da Bahia (IIAB) em meio ao início da crise açucareira.
Populares dizem que foi o próprio imperador quem a inaugurou. Na verdade, de acordo com o livro “Memória da Viagem de suas Magestades Imperiales à Província da Bahia”* o imperador atravessou o Rio Paraguaçu num bote, usando uma sombrinha para se proteger do sol e contando com os serviços de 4 remadores. A ponte foi encomendada por ele, aos ingleses e feita na Escócia.
Pelo saber popular ou pela História, a ponte junta duas pérolas baianas e de um lado ou outro da ponte, por onde se olha há beleza. Nos prédios coloniais, nas roupas das baianas, nas cores, nos sabores, no Rio Paraguaçu que nasce lá longe, na Chapada Diamantina, outro tesouro da Bahia.

Em ambas as cidades, há belos e preservados casarões – Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Cachoeira

Em uma volta rápida pelo centro da cidade é possível ver a riqueza dos detalhes das construções como o prédio da Santa Casa (1734), a Capela de Santa Bárbara, o Chafariz Imperial (1827), a Igreja da Ordem Terceira do Carmo (1724), a Matriz Nossa Senhora do Rosário e o sobrado da Irmandade da Boa Morte (grupo remanescente de escravos, composto só de mulheres negras, primeiro terreiro de candomblé do país).
Tombada pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em 1971, passou a ser “Cidade Monumento Nacional” e depois de Salvador é a cidade baiana que reúne o mais importante acervo arquitetônico do estilo barroco.
No século XIX Cachoeira teve projeção na história política nacional. Dali ecoaram os primeiros gritos contra a opressão portuguesa, visando a criação de um movimento organizado em prol da independência do Brasil.
Foi a Câmara Municipal de Cachoeira que, em 1822 proclamou D. Pedro “Príncipe Regente do Brasil”. A cidade foi capital da Bahia independente durante 16 meses, assim como em 1837, durante a Revolta da Sabinada.
Por toda sua representatividade, nos dias 25 de junho Cachoeira é oficialmente a sede do governo da Bahia. A lei estadual que determina a transferência foi criada em 2007 e em 25 de junho de 2008 o governador e seu secretariado já despacharam da nave principal do Convento do Carmo.
De acordo com o historiador Luís Henrique Dias Tavares, no livro “Independência do Brasil na Bahia”, em 22 de junho de 1822, uma canhoneira portuguesa que protegia o rio Paraguaçu abriu fogo contra o reduto independentista baiano, deixando vários mortos. “Logo após os primeiros tiros da canhoneira começou a luta para silenciar a embarcação de guerra, aprisionar o seu comandante e marujos e desarmar e prender os soldados e os portugueses que haviam feito disparos. Assim começou a guerra pela Independência do Brasil na Bahia”, descreve.
E ainda falando dos portugueses, na rua 13 de maio, no Centro Histórico de Cachoeira fica um lindo prédio do século XVII que serviu de hospedagem para o Imperador D. Pedro II, em 1858 e para a Princesa Isabel e o Conde D’Eu em 1885. Hoje reúne mais de 13 mil peças de entre xilogravuras e matrizes, cópias assinadas e não assinadas de uma das personalidades que viveram na cidade, o alemão Karl Heinz Hansen, o Hansen Bahia. Marinheiro, escultor, poeta, escritor, cineasta, pintor e xilógrafo adotou o Estado até no nome.

Além da importância histórico-política a cidade também é palco de uma das principais manifestações do sincretismo religioso do país: a Festa de Nossa Senhora da Boa Morte. O evento ocorre todos os anos no mês de agosto. O calendário da festa inclui missas e procissões representando o falecimento de Nossa Senhora e também apresentações do Samba de Roda. Este último, uma mistura de dança, poesia, música e festa que é ligado ao culto aos orixás – é considerado “Obra Prima do Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade” pela UNESCO.

O ritmo afro-brasileiro nasceu no Recôncavo baiano por volta de 1860. “O samba nasceu lá na Bahia, se hoje ele é branco na poesia, ele é negro demais no coração.”, diz a música do poeta Vinícius de Moraes.
Ícone de Brasil, o mais famoso ritmo nacional, o Samba (e seus variantes), teve como base o Samba de Roda nascido nos contornos da Baía de Todos os Santos.

Onde ficar em Cachoeira

Aclamação Apart Hotel – Praça da Aclamação, 02 – Centro – (0xx75) 3425-3428
Condomínio Villlage Royalle – Praça da Aclamação, 02 – Centro – (0xx75) 3425-3428 – www.villageroyalle.com.br
Vale das Cachoeiras Club Camping – Rua Doutro Vacareza nº 49 – (0xx75) 3425- 5256
Hotel Fazenda Villa Rial – Ladeira do Padre Inácio, s/nº (0xx75) 3602-4600 www.villarial.com.br
Santo Antônio Hotel – Praça Maciel nº01 (0xx 75) 3425-1402
Pousada do Pai Tomaz – Rua 25 de Junho nº12 – (0xx75) 3425-1288
Pousada 25 de Junho – Praça 25 de Junho, nº 12 – Centro – (0xx71) 3336-5775
Pousada Da Matriz – Rua 8 de maio – Centro – (0xx75) 9117-5609
Pousada Dajuda – Ladeira da Ajuda, nº02 – Centro – (0xx75) 3425-5278
Pousada do Convento do Carmo – Rua Inocêncio Boaventura, s/nº – Centro – (0xx75) 3425-1716 www.pousadadoconvento.com.br
Pousada do Guerreiro – Rua 13 de Maio, nº. 14 – Centro – (0xx75)  3425-4509
Pousada La Barca – Rua Inocêncio Boa Ventura, nº37 – Centro – (0xx75) 3425-1070/ 9991-7281 –  www.labarca.zip.net
Pousada Tia Rosa – Rua Ana Nery, n° 120 – Centro – (0xx75) 3425-1792

Onde comer em Cachoeira

A culinária baiana é uma festa de cores e sabores. Das famosas moquecas e acarajés, passando pelos carurus e abarás, um prato especial é tipicamente do Recôncavo: a Maniçoba e em Cachoeira ou São Félix é possível apreciá-la.
A Maniçoba é um prato de origem indígena preparado com as folhas da mandioca, que devem ser trituradas e cozidas por longo tempo (aproximadamente uma semana, para que saia da planta o Ácido Cianídrico, que é venenoso), acrescidas de carne suína e bovina e temperadas com alho, sal, louro, e pimenta e outros ingredientes defumados e salgados. Geralmente é servida com arroz, farinha de mandioca e pimenta.
O prato também é encontrado no Estado do Pará, sendo um dos pratos principais dos Círios do Estado, como exemplo o Círio de Nazaré. Por isso a Maniçoba também é conhecida como Feijoada Paraense.

Experimente em:
A Confraria
Praça da Aclamação s/n – Centro. Tel: (75) 3425-1716.

Como chegar em Cachoeira

Distância da capital: 110Km

De carro/moto/bike
A principal via de acesso é a BR 420 que passa pela cidade de Santo Amaro e encontra com a BR 324 – São Félix / Salvador. Outra opção é pela BR 101 – ligação São Félix / Feira de Santana e cidades do Sul do estado.

De ônibus
A Empresa de Transporte Santana São Paulo opera a linha Salvador (BA) – São Félix diariamente. Telefone: (71) 3450-4951.

Serviços em Cachoeira

Secretaria de Cultura e Turismo – Rua Ana Nery, 27. Tel: (75) 3425-1390
Na cidade existe uma agência bancária do Bradesco e uma da Caixa Econômica Federal.

Mais informações:
Prefeitura de Cachoeira. Tel: (75) 3425-1390

São Félix

Já em São Félix a dica é fazer uma visita ao Centro Cultural Danemann, criado em 1989 pela mais antiga fábrica de charutos do Brasil, que tem a qualidade dos seus “puros” igualada aos cubanos.
Além de exposições, oficinas, seminários e cursos, a empresa mantém um Cine Clube e realiza o Festival de Filarmônicas e a Bienal do Recôncavo. Ali também é possível acompanhar uma parte do processo de fabricação dos charutos que é feito de forma artesanal e pode levar até 30 dias (entre montagem, secagem e acabamento).
A Dannemann S.A, criada pelo alemão Gerhard Dannemann em 1873 em São Félix, hoje é uma multinacional. ( www.dannemann.com )

Onde ficar e comer em São Félix

Pousada e Restaurante do Paraguassú
Avenida Salvador Pinto, 01 – Centro. Tel
(0xx75) 3438-3386/69.

Pousada Duduzão
Avenida Antônio Carlos Magalhães, n° 21
(0xx75) 3641-5551

Pousada Rio Doce
Praça Inácio Tosta, 01 – Centro.
(0xx75) 3438-3484.

Serviços em São Félix

Secretaria de Cultura e Turismo
Rua Coronel João Severino da Luz Neto, 03. Tel: (75) 3425-2914 – ramal 39.
Na cidade só há uma agência bancária, do Banco do Brasil e o Banco Postal do Bradesco, nos Correios.

Breve História sobre São Félix

A região era inicialmente habitada por índios tupinambás. Quando da chegada do homem branco, a primeira povoação formada se chamou freguesia de Nossa Senhora do Desterro do Outeiro Redondo; mais tarde freguesia de Senhor Deus Menino de São Félix, origem da cidade.
Até 1889, São Félix pertencia à Cachoeira.

Charutos têm a qualidade dos seus “puros” igualada aos cubanos – Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Mulheres do recôncavo

Por qualquer grande cidade brasileira que se ande, possivelmente você encontrará um nome de rua “Ana Nery” ou “Ana Néri”. Trata-se de Ana Justina Ferreira Neri (1814-1880), cachoeirana, pioneira na enfermagem no Brasil.
Ana Nery foi enfermeira voluntária na Guerra do Paraguai (dezembro de 1864). Casada com um capitão-de-fragata (Isidro Antônio Nery) morto em 1843, quem deixou-lhe três filhos, dois deles oficiais do Exército; Ana requereu ao presidente da província da Bahia que lhe fosse permitido acompanhar os filhos e o irmão (major Maurício Ferreira) durante a guerra ou prestar serviços nos hospitais do Rio Grande do Sul. Deferido o pedido, Ana prestou serviços ininterruptos durante toda a campanha, em hospitais militares de Salto, Corrientes, Humaitá e Assunção.
Terminada a guerra, volta à Cachoeira, cidade que lhe rende grandes homenagens. Recebe do governo imperial a Medalha Geral de Campanha e a Medalha Humanitária de Primeira Classe.
Viu um dos filhos morrer em batalha e faleceu na cidade do Rio de Janeiro, aos 66 anos de idade.
Outra mulher do Recôncavo que merece destaque é Maria Quitéria de Jesus (1792-1853), militar heroína da Guerra da Independência.
Entre 1821 e 1822 quando iniciaram-se na Província da Bahia manifestações contra o domínio português, Maria Quitéria pede ao pai (sem filhos homens) autorização para alistar-se. Surpreso o pai nega-lhe o pedido e ela foge para a casa de uma meio-irmã, e com a ajuda dela e do marido (José Cordeiro de Medeiros) corta os cabelos, veste-se como homem e dirige-se à vila de Cachoeira, onde se alistou como “Medeiros” no Regimento de Artilharia, onde permaneceu por duas semanas, até ser descoberta pelo pai.
Defendida pelo Major José Antônio da Silva Castro (avô do poeta Castro Alves, o “poeta dos escravos”) comandante do Batalhão dos Voluntários do Príncipe, foi incorporada à tropa em virtude de sua habilidade com armas e reconhecida disciplina militar. Ao seu uniforme foi acrescido um saiote (nesta ocasião e depois de outras batalhas quando já era cadete e portava espada, capacete e penacho).
No monumento ao 2 de Julho (Dia da Independência da Bahia) na praça do Campo Grande em Salvador, pode-se ver bonita escultura homenageando a “Joana D’Arc brasileira”.
Por decreto presidencial (de 28/06/1996) Maria Quitéria foi reconhecida como Patrona do Quadro Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro e sua imagem encontra-se em todos os quartéis e repartições militares do país.
Maria Quitéria nasceu no sítio do Licurizeiro, no Arraial de São José das Itapororocas, na comarca de Nossa Senhora do Rosário do Porto de Cachoeira, atual Feira de Santana (BA).

*Disponível no Google Book.
Colaborou com informações sobre a história do Recôncavo, o leitor Juca Solón.

 Mais fotos:

Separadas pelo Rio Paraguaçu - Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Separadas pelo Rio Paraguaçu – Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Em ambas as cidades, há belos e preservados casarões - Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Em ambas as cidades, há belos e preservados casarões – Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Cultural e história são preservadas na antiga fábrica de charutos - Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Cultural e história são preservadas na antiga fábrica de charutos – Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Trabalho artesanal garante qualidade aos charutos - Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Trabalho artesanal garante qualidade aos charutos – Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Charuto pode levar até 30 dias para ficar pronto / Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Charuto pode levar até 30 dias para ficar pronto / Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Charutos têm a qualidade dos seus “puros” igualada aos cubanos - Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Charutos têm a qualidade dos seus “puros” igualada aos cubanos – Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

No local é possível acompanhar uma parte do processo artesanal de fabricação dos charutos - Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

No local é possível acompanhar uma parte do processo artesanal de fabricação dos charutos – Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Fábrica de charutos criada em 1873 é hoje uma multinacional - Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Fábrica de charutos criada em 1873 é hoje uma multinacional – Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Igreja Matriz - Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Igreja Matriz – Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Prédio da Irmandade da Boa Morte (grupo remanescente de escravos, primeiro terreiro de candomblé do país) - Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Prédio da Irmandade da Boa Morte (grupo remanescente de escravos, primeiro terreiro de candomblé do país) – Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Baiana membro da Irmandade da Boa Morte - Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Baiana membro da Irmandade da Boa Morte – Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Até dia 05 de novembro de 2016 acontece o Festival Gastronômico de Cachoeira. A programação pode ser conferida aqui.


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Bahia

Chapada Diamantina

Claudia Severo

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Maior que a Bélgica e no coração do Brasil, a Chapada Diamantina reúne incontáveis opções pra quem quer botar a mochila nas costas e conhecer cenários de rara beleza e rica história. Dividida em várias serras, como a do Bastião, da Mangabeira, do Rio de Contas, das Almas e a Serra do Sincorá, a região reflete um país desconhecido que vive no dia-dia e no imaginário do povo sertanejo.
Da primeira década do século XIX ao final do século XX, a Chapada viveu da riqueza e prestígio (dos diamantes e do ouro) ao abandono e esquecimento; renascendo enfim no turismo. É sem dúvida, um dos parques nacionais com a maior diversidade em relevo e paisagens do país, unindo cachoeiras em cânions monumentais, ao azul esverdeado de lagos como o da Pratinha, que destoam do chão batido de tom vermelho e empoeirado do sertão, passando por paisagens que lembram o Pantanal, como o Marimbus, até o Vale do Capão com suas noites inigualáveis.
Mergulhar em cavernas, percorrer trilhas (de um ou vários dias) entre paisagens fascinantes cortadas por belos vales e morros; circular pelo casario colonial e já estar cumprimentando a cidade inteira depois de dois dias nela ou experimentar os pratos da culinária local, como o godó de banana (feita com a fruta verde) e o cortado de palma (uma espécie de cacto refogado), nos insere em um Brasil do qual muitos brasileiros apenas ouviram falar.

Pai Inácio visto da estrada ao anoitecer – Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

O Parque Nacional

O Parque Nacional da Chapada Diamantina foi criado em 1985, abrangendo cidades como Andaraí, Lençóis, Mucugê e Palmeiras; locais que centralizam os principais roteiros ou pontos de partida para outros tantos e boa infra-estrutura turística.
Ali está concentrado um dos mais belos exemplares do chamado Cerrado, ecossistema que se refere às savanas brasileiras (uma espécie de vegetação semi-densa, um pouco diferente da primeira savana que nos vem à cabeça, a africana).
Campos rupestres, matas, vales, áreas rochosas e até pântano fazem parte dele. Sua beleza se revela em pequenos detalhes, como nas inúmeras flores que embelezam o cenário, por exemplo, rumo à Cachoeira da Fumaça.

Principais atrações

Cachoeira da FumaçaO vento “borrifa” pelo ar as águas da cachoeira de 340m de queda e 420m de altura! Um dos caminhos que leva até ela foi feito para que o gado suba a serra, mas quem aproveita mesmo são os milhares de turistas que visitam o local por ano. A paisagem durante a trilha é de tirar o fôlego: de um lado o Morrão (outro cartão postal da Chapada) e do outro o Vale do Capão. Este é o chamado “Fumaça por cima”. Para fazê-lo os viajantes partem do vale. São cerca de 6 km de distância, 1,5 km deles via Serra do Sincorá.
O chamado “Fumaça por baixo” é para quem está com bom preparo físico. São quatro dias e três noites em meio a cenários belíssimos.
Em ambos os casos é imprescindível o acompanhamento de guia local.
Morro do Pai Inácio- No km 231 da BR-242 está o ponto de partida para a subida ao Morro do Pai Inácio. São cerca de 20 ou 30 minutos sempre acompanhados é claro, de lindas cenas. No alto do morro, vista panorâmica – fonte de fotos de um dos principais cartões-postais do Brasil. Certamente você já viu os Três Irmãos em uma vinheta de comercial na TV ou num cartaz em uma feira de turismo.
Diz a lenda… que um escravo chamado Inácio apaixonou-se pela esposa de um poderoso coronel da região que, ao descobrir o romance, mandou pistoleiros em seu encalço. Sem saída, no topo da montanha, Inácio saltou e… vá ao Morro para conferir, estragaríamos a surpresa!

Uma trilha pouco explorada é a Morro do Pai Inácio – Morrão. São 7km que valem a pena ser percorridos.

Vale do Capão faz parte do município de Palmeiras – Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Roteiro das cachoeiras, em Lençóis

Serrano – É o mais popular passeio de Lençóis (principal cidade base para se conhecer um pouco da Chapada), a menos de 1Km da cidade. O chão de seu leito parece mármore, as águas escuras como chá propiciam reconfortantes banhos em suas “banheiras” formadas pela natureza.
Salão de Areias ColoridasA 10 minutos do Serrano; a área foi formada pela erosão de rochas graníticas e conglomerados de arenito. Fica a 1,5 km do centro de Lençóis.
Ribeirão do Meio- Ainda a partir de Lençóis via caminhada fácil a partir da Igreja do Rosário (rua dos Negros).
Essas atrações, mais Cachoeira Primavera e Poço Halley ou Poço Paraíso fazem parte do chamado “roteiro das cachoeiras” em Lençóis.

Mais atrações

Cachoeira do Sossego – Partindo de Lençóis são 6 km de caminhada em trilha e dois através do leito do rio Ribeirão. São cerca de 3 horas de subidas e descidas e pedras a pular para chegar a essa bela cachoeira, cuja trilha exige bom preparo físico.
Cachoeira do Rio Mucugezinho/Poço do Diabo- Vários trechos têm poços formados. Lá está o chamado Poço do Diabo, a 22m de altura de um verdadeiro “trampolim”!
Poço encantado- Um dos ícones da Chapada.
Entre abril e setembro e em certas horas do dia, os raios do sol passam por uma fenda cuja luz é refletida no espelho d´água. A cor azul intensa é mágica. Embora não pareça, suas águas têm 40m de profundidade e os mergulhos são permitidos somente com autorização do ICMBio e acompanhamento de guia experiente. A atração faz parte da cidade de Andaraí.
Morro do Camelo- Fica ao norte da Chapada, ao “lado” do Morro do Pai Inácio. São 4 km de distância, com acesso através de carro e trilha. Sua altura é de aproximadamente 170m e altitude de 1090m.
Marimbus- O passeio de barco a remo (canoa de madeira ou alumínio) pelo pântano da Chapada formado pelas águas dos rios Santo Antônio e Utinga é bastante tranquilo. Várias espécies animais se fazem presentes neste “mini pantanal” baiano. Não esqueça o repelente.
Gerais do Vieira- Altiplano onde estão as mais lindas cenas do parque nacional. Guias e agências de receptivos locais organizam “expedições” que exploram o imenso vale.
Vale do Capão- Faz parte do município de Palmeiras, cujo principal distrito é Caetê-açu. O vale de indescritível energia e beleza é destino obrigatório para quem visita a Chapada Diamantina.
Vale do Paty- A trilha Lençóis-Vale do Paty é uma das mais atraentes da Chapada. O caminho liga Lençóis à Andaraí, passando pelo Capão. São 70 km atravessando rios, cânions, vales, cachoeiras, serras e gerais, sugerindo como que um resumo de todas as atrações da chapada.

Dos campos, do topo e das águas rumo ao subterrâneo

Dentre tantas atrações, a natureza também foi generosa no número de grutas e sumidouros (gruta ou fenda por onde passar um rio subterrâneo – desaparece em um ponto e surge em outro) na região.
Muitas cavernas oferecem condições propícias para mergulho. Atente para os cuidados e equipamentos especiais para essa prática, além de obter autorização (quando necessária) dos órgãos ambientais e ter um guia local o acompanhando.

Parece piscina, mas não é – Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Lapa Doce- É a terceira maior gruta do Brasil e apenas uma parte dos seus mais de 24Km de extensão podem ser visitados.
Torrinha-  Fica na mesma região da Lapa Doce. Riqueza incomum de espeleotemas (estalactites e estalagmites – grosso modo, formação a partir do teto da caverna e formação a partir do chão da caverna respectivamente, ambos formados pela ação da água). É composta de grandes salões e há travessias nela que podem durar até 5 horas. Possui inscrições rupestres e formações que parecem ouriços.
Pratinha – Gruta Azul –  Fica 7Km depois da Lapa Doce. A Pratinha é um verdadeiro oásis no sertão baiano.
A água cristalina, inúmeros peixes e os micro-búzios fascinam. No local é praticada a Tirolesa, num nível bastante “light”, bem como o mergulho.
A caverna da Gruta Azul tem aproximadamente 120m, com profundidade de 1,5m a 2,5m. Faz parte da cidade de Iraquara, a 76Km de Lençóis. Está em propriedade particular.
Na Gruta Azul, ainda no complexo da Pratinha, a luz refletida no espelho d´água é cenário de intensa beleza. É permitido o mergulho no local.
Lapão- É uma das maiores grutas de quartzo da América do Sul e a segunda maior do Brasil. Diferencia-se das demais por ser formada de rochas areníticas e conglomeráticas (as demais são de formação calcária). Tem 1200m de extensão e cerca de 10m de largura com uma saída de 60m de altura! Nessa “porta”, o rapel é praticado.

Dica: consulte também a Associação dos Condutores de Visitantes de Lençóis (ACVL) para saber sobre passeios guiados, autorizações necessárias, preços dos serviços e outras opções. Tel: (75) 3334-1425.

Outros municípios

Ibicoara- O município de Ibicoara fica 80 km de Mucugê, uma das principais cidades da região da Chapada. Suas principais atrações são as imperdíveis: Cachoeira do Buracão, que fica em um cânion sinuoso de 80m de altura, e a Cachoeira da Fumacinha com seu cânion es-pe-ta-cu-lar. Para chegar às cachoeiras é necessário pegar trilhas consideradas de média dificuldade.
Rio de Contas- Pouco visitada, a cidade ao sul da Chapada possui casario incrivelmente preservado. São 414 prédios tombados pelo Patrimônio Histórico.
Trilhas (entre elas a “Caminho Real” – caminho de pedra construído no século XVIII para transporte do ouro), a Cachoeira do Brumado (70m de altura) e o Pico das Almas (1958m de altura, o terceiro maior do nordeste oferece bela vista para a Chapada) são algumas das atrações.
Igatu (Andaraí) – Distrito de Andaraí, distante 114Km de Lençóis. A vila que já teve por volta de 15 mil habitantes, conta com menos de 500 e é uma verdadeira cidade de pedra. Acredita-se que Igatu ou Xique-xique (como era conhecida) foi descoberta por volta de 1840, por garimpeiros e eles é que fizeram as obras em pedra que você pode encontrar por lá. Foi um século de exploração e riqueza e a decadência no século 20, quando a maioria das casas foi abandonada. Os próprios garimpeiros chegaram a destruir ruas inteiras em busca dos últimos diamantes o que deu início aos cerca de 7Km de ruínas que hoje podem ser visitadas.
Leia mais sobre Igatu aqui

História – da abundância à estagnação

Até o início do século XVIII não havia colonização na região. Em 1701, Portugal já sabia da ocorrência de ouro no norte da Chapada Diamantina (próximo à cidade de Jacobina). A fase áurea do ouro na Bahia durou quase dois séculos, até os primeiros anos do século XX, quando as jazidas começaram a se esgotar. Por volta de 1817 são descobertos diamantes na serra do Bastião, a oeste da Serra do Sincorá.
A mineração foi responsável pelo povoamento do local. Paulistas começam a explorar em Rio de Contas (já na área sul da Chapada), logo chegam garimpeiros de Minas Gerais. Aventureiros, foragidos, lavradores, boiadeiros, ricos comerciantes da capital e senhores de engenho do Recôncavo baiano e seus escravos chegam à região.
A importação de produtos europeus e exportação do ouro e diamantes eram controladas pelos ricos comerciantes do Recôncavo, portugueses e ou seus descendentes. Hoje você pode conferir em Lençóis o prédio do então Consulado francês, que também funcionava como um “QG” para negociar as riquezas da região com a Europa.
O “povo” era formado por pessoas do alto sertão baiano, do planalto central e do Vale do São Francisco. Brancos brasileiros e portugueses do vale lutam pela independência do Brasil, movimento conhecido com Guerra Mata-maroto. O conflito teve como cenário a cidade de Rio de Contas, sul da Chapada.
Isso se dá no período Regencial, com a abdicação de D. Pedro I (1831) até 1840, quando D. Pedro II é considerado maior de idade. Essa é uma época conturbada e de grande revolta social. Os brasileiros pobres continuam fora da vida política nacional e qualquer levante é violentamente reprimido.
No ano de 1861 em Lençóis há uma “eleição” para a indicação de um membro do conselho municipal para representante no Senado Estadual. Começa uma violenta disputa entre “Serranos” – liberais representados pelo coronel Felisberto Augusto de Sá; e “Baianos” – conservadores, representados pelo coronel Antonio Gomes Calmon.
Com a proclamação da república e libertação dos escravos os coronéis do litoral se deixam abater enquanto os do sertão intensificam suas lutas pelo poder regional.

O último coronel do sertão baiano

Além de locação ímpar, a região tem personagens que enriqueceriam qualquer roteiro cinematográfico.
Em meados do século XX, em plena decadência da mineração, as lutas entre famílias se intensificam por toda a Chapada Diamantina.
De Brotas de Macaúbas (Chapada Velha) e com milícia própria, entra em cena a figura mais controversa do sertão baiano, Horácio de Mattos.
Filho de garimpeiro, Horácio, movido por seu sentimento progressista, uma exceção entre os coronéis do sertão, sonhava com o desarmamento e fez uma peregrinação para propor um acordo de paz, que foi “quebrado” pelo assassinato de um de seus 7 irmãos, por rivais.
Horácio tenta fazer com que os assassinos fossem presos e julgados de acordo com a lei, mas não obtém resultados e em 1915 sitia Campestre (atual Seabra) onde o coronel Manuel Fabrício de Oliveira protegia os assassinos de seu irmão. A partir daí, começa sua vida, dividida entre o desejo de paz e a guerra no sertão.
Em 1916 Mattos e seus homens marcham rumo ao reduto de mais um coronel, Militão Rodrigues Coelho, que estaria tomando de forma violenta, terras na região. A batalha vitoriosa durou 5 meses e deixou 400 mortos.
O poderio do bravo coronel do sertão já é notado por outras áreas da Bahia, tanto que o então governador J.J. Seabra faz um acordo com Horácio de Mattos e transfere órgãos oficiais para a Chapada a partir das escolhas do coronel.
É o período no qual paira pela Chapada um breve momento de paz.
Com o garimpo na Chapada Velha em decadência, há uma debandada rumo à Chapada Oriental, para os lados do que hoje é Lençóis (conhecida como Vila Rica da Bahia, na ocasião). A cidade era rica em carbonato (substância que ajuda na perfuração de túneis e na lapidação dos diamantes) e única produtora mundial deste material no período.
Horácio toma o poder em Lençóis através de um acordo com Aureliano Sá, que prefere não promover mais um derramamento de sangue.
Lençóis, a capital das lavras está sob comando de Horácio de Mattos. Era como se a Bahia tivesse dois governos, um na capital (J.J. Seabra) e outro no interior (Horácio de Mattos).
A essa altura Horácio que acumulara tanto poder na região, recebe os títulos de Delegado Regional da Zona Centro-Oeste e Senador Estadual.
Góes Calmon, governador do Estado (depois do exercício de Seabra) rompe com Horácio por não suportar seu “poder paralelo”.
Em 1925 Calmon manda seu exército “destronar” Horácio de Mattos.
Pela primeira vez ele estava cercado; apesar de estar em vantagem por conhecer a Chapada a fundo, Horácio não contava com participação de um membro da família Sá (uma de suas rivais) que guiou o exército por locais estreitos, cujas mortes se davam homem a homem.
Mesmo com grande perda, Mattos vence mais uma batalha. Escreve uma carta ao governo informando sobre a morte do major de polícia, João da Mota Coelho que estava no comando das operações.
Os feitos das famílias Sá e Mattos em Lençóis podem ser resumidos como:  Sá “ergueu” a cidade e Mattos quis expandi-la para outras classes.
Em 1926 a Coluna Prestes segue para a Chapada Diamantina. Neste momento o governo federal precisa de Horácio de Mattos. Ele e seus jagunços, além do coronel Franklin de Albuquerque perseguem a Coluna do coração da Bahia até a fronteira com a Bolívia!
Foi a primeira vez em que os bravos homens da Chapada são convocados a servir o país lutando contra os revoltosos (Coluna Prestes) a favor de Dutra (Eurico Gaspar Dutra, que também foi ministro da Guerra do governo Getúlio Vargas).
Horácio é recebido como herói e vira prefeito de Lençóis. Constrói então as primeiras escolas da região, estradas, calçamentos, rede elétrica e, para facilitar a circulação de dinheiro na região, chega a emitir papéis coloridos que viraram moeda corrente local.
Movido por seu sonho de paz, Horácio faz uma peregrinação em todo sertão e desarma todos os coronéis da região a pedido do Governo Federal. Após o desarmamento é traído e preso.
Chovem pedidos de soltura na mesa de Getúlio Vargas. Horácio é solto em 13 de maio de 1931, mas não pode sair de Salvador.
Dois dias depois de liberto, leva três tiros pelas costas a mando de parentes do major de polícia João da Mota Coelho, que morrera cinco anos antes, durante o cerco a Lençóis.
De acordo com Walfrido Moraes, biógrafo de Horácio, o código dos Mattos era:
“Não humilhar ninguém, nem se deixar humilhar.
Não roubar nem permitir que quem roube fique impune.
Não provocar, mas se ofendido, reagir pela honra”.
Após a morte de Horácio e com a economia destruída e sem liderança política, a Chapada Diamantina entra em um período de estagnação e grande parte de seus moradores vão embora trabalhar na lavoura ou em outras minas e sertões.

Como chegar a Lençóis

De avião
Lençóis está a 412Km de Salvador de onde partem vôos para o Aeroporto Coronel Horácio de Matos, a 20Km de Lençóis. Tel: (75) 3625-8100/8825.
De ônibus
Várias empresas de várias regiões do país têm ônibus para Salvador e de lá para Lençóis quem opera é a viação Real Expresso ( http://www.realexpresso.com.br/ ).
De carro/moto/bike
Através da BR-116 segue-se até o entroncamento com a BR-242 (Bahia-Brasília) ou pega-se a BA-052 sentido Ipirá, seguindo pela BA-488 até Itaberaba, quando pega-se a BR-242 onde há uma entrada para Lençóis.

Onde ficar

– Hostels na Chapada Diamantina aqui (opções em Lençóis e Vale do Capão).
– Pousadas na Chapada Diamantina aqui (opções em Lençóis, Vale do Capão e Igatu).

Onde comer em Lençóis

Burritos y Taquitos Santa FéOferece delícias mexicanas e um ambiente bastante agradável. Um dos donos, Joseph Padilla, um chicano cuida de perto do local que abre de terça-feira a domingo até às 22h. Na temporada de maior movimento na cidade fica aberto até mais tarde.  Fica na Rua Cel. José Florêncio, 33 (onde também funciona a Pousada Parador de Santiago). Tel: (75) 3334-1083.
Bode Grill
Pratos regionais como bode assado, galinha cabidela, godó de banana e cortado de palma e pratos “menos exóticos” compõem PFs simples e com bom preço. Fica na Praça Horácio de Matos (atrás do prédio dos Correios). Tel: (75) 3334-1600.
Neco’s bar e restaurante É famoso pelas delícias caseiras e pelo Tucunaré (preparado somente entre setembro e maio). O local é pequeno e só trabalha por encomenda, portanto se quiser comer lá, reserve. Fica na Praça Maestro Clarindo Pacheco, 15. Tel: (75) 3334-1179.
Oxente Menina Certamente uma das melhores pizzas do Brasil. Fica na Avenida Senhor dos Passos, 20. Tel; (75) 3334-1475.
Cozinha aberta Fica na Avenida Rui Barbosa, 42 – Centro. Como o nome já diz, você pode apreciar o preparo dos variados pratos. No site www.cozinhaaberta.com.br dá pra ter uma ideia do conceito “Slow food” trabalhado no restaurante, além do ambiente.
Na Rua da Baderna, 3, há o Etnia, restaurante onde funcionava o Cozinha Aberta e dos mesmos donos. Vale experimentar os dois se estiver com o orçamento folgado.
Pavê e Comê – Para quem gosta de doces, as deliciosas e fartas sobremesas preparadas pela Dona Sônia são imperdíveis. Fica na Rua das Pedras, s/n. Tel: (75) 3334-1963.

Saiba mais

Interessante vídeo sobre o “último coronel do sertão”: http://www.youtube.com/watch?v=MUtFHdxe508&feature=player_embedded

Dicas, informações e experiências de outros viajantes que já foram ou estão por lá no Mochileiros.com, clicando aqui!

Para quem quer se aprofundar, inclusive tecnicamente, o “Um guia para a Chapada Diamantina”, de Roy Funch é bastante interessante. O livro está à venda em diversas lojas e agências na Chapada Diamantina.

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Bahia

Igatu: a vila de pedra da Chapada

Claudia Severo

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Se chegar à Bahia, mais precisamente na Chapada Diamantina e ouvir falar de uma tal Machu Picchu baiana não se espante. Estão falando de Igatu, distrito de Andaraí, distante 114Km de Lençóis. O local vale a visita. A vila que já teve por volta de 15 mil habitantes, conta com menos de 500 e é uma verdadeira cidade de pedra. “Sagrada” pra quem viveu lá durante o auge do ciclo do diamante. Hoje não há farmácias e o hospital mais próximo fica em Andaraí, à 12Km. Em outros tempos quem diria? Cabarés, cassinos, lojas, cadeia, cartório, cinema… hoje, as mais belas cachoeiras, formações rochosas, rica história, hospitalidade e um pouco da cultura nacional.
Mas, por que Machu Picchu baiana? Bem, as ruínas da vila nem de longe se assemelham as ruínas sagradas dos Incas, no Peru. Coincidências a parte, não precisamente em Igatu, mas em um vastíssimo sertão de “uma cordilheira de montes tão elevados, que parecião chegavão à região etherea, e que servião de throno ao vento, às mesmas estrellas (…) principiamos a subir, achando muita pedra solta e amontoada… Estas notícias mando a Vm. d’este sertão da Bahia, e dos rios Paracaçu, Unã… com tudo peço a Vm. largue essas penurias e venha utilizar-se d’estas grandezas (…)” (trechos do Manuscrito 512, documento de 1753 arquivado na Fundação Biblioteca Nacional- http://www.bn.br/portal/).
De acordo com a fundação, “Este manuscrito encerra um mistério: a notícia de uma cidade de aspecto clássico perdida no interior da Bahia, a qual tem sido procurada, até agora sem sucesso, por diversos exploradores. Dentre eles, destaca-se Percy Fawcett, que, tendo partido em 1920, desapareceu sem deixar nenhum vestígio”. Fawcett era Comandante da Guarda Real inglesa; suas expedições inspiraram o cineasta Steven Spielberg a criar o personagem Indiana Jones. O Documento 512 apareceu publicado, em 1839, no Jornal do Instituto Histórico Geográfico Brasileiro.
Acredita-se que Igatu ou Xique-xique (como era conhecida) foi descoberta por volta de 1840, por garimpeiros e eles é que fizeram as obras em pedra que você pode encontrar por lá. Foi um século de exploração e riqueza e a decadência no século 20, quando a maioria das casas foi abandonada. Os próprios garimpeiros chegaram a destruir ruas inteiras em busca dos últimos diamantes o que deu início aos cerca de 7Km de ruínas que hoje podem ser visitadas.
Igatu fica na Serra do Sincorá, seu “desenho” é de infinita beleza, como toda a Chapada Diamantina: vales profundos, chapadões o verde misturado ao cinza, marrom e rosa da secura do sertão. O vento zunindo e o som dos bichos parecem dar voz às pedras. Debaixo de sol escaldante só os calangos, encontrados aos milhares, têm fôlego pra correr.

Entrada da vila de Igatu – Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Atrações

Pra conhecer os atrativos da vila, bom mesmo é ser guiado por um nativo. Nada mau um que dá até nome à cachoeira, o João Taramba, “nascido e criado dentro de Igatu”. Ele trabalha guiando os visitantes há quase vinte anos, “descobri uma cachoeira de 110 metros, que já está sendo bem visitada; é a cachoeira dos Cristais”, fala com simplicidade e orgulho.
Entre um passo e outro, boas histórias e belas paisagens. Logo mais a frente, a igreja do padroeiro local, São Sebastião, feita em pedra. Segundo Taramba, ela foi construída por um garimpeiro que fez promessa para achar muito diamante. Ao lado e na frente do templo, um cemitério, onde está sepultado o corpo do coronel Antônio Gondim, que “comandava o garimpo em Igatu e outros garimpos da região”. O comando acabou quando “a lei foi chegando e o exército desarmou ele, aí ele foi adoecendo e acabou morrendo, em 92, com uns 72 anos”, conta. Na casa do coronel hoje funciona a Pousada Pedras de Igatu que foi adaptada para atender aos turistas.
Uma das curiosidades da vila é um outro cemitério, o dos Bexiguentos. “Os mais antigos contavam que ali enterravam até gente viva, gente que tinha doença brava”, diz Taramba. A “Bexiga” refere-se à Varíola, bexiguento ou bexigoso, era o indivíduo que tinha a doença ou marcas deixadas por ela.
Pra chegar até o cemitério leva-se uns 20 minutos de caminhada, a partir do centro da vila.
Vale a visita à Galeria Arte & Memória, que conta com um museu a céu aberto com um jardim de esculturas, galeria e um pequeno café; se der sorte será ciceroneado pelo artista plástico e historiador soteropolitano, Marcos Zacariades, cujo trabalho envolve a natureza da Chapada e a tradição dos garimpos.
A galeria fica na rua Luis dos Santos s/nº e funciona de terça a domingo das 9h às 18h. Mais informações no (75) 3335-2510 ou através do e-mail [email protected]

Já os atrativos naturais são muitos. “Pequena cachoeira, coisa de 10 a 35 metros não sei nem contar, porque são muitas”, diz o guia.
Cachoeiras Treze Barras e dos Cristais – Pra chegar até a dos Cristais, por exemplo, você leva umas duas horas. Depois dos primeiros 45 minutos de caminhada você visita a cachoeira Treze Barras, mais uns 800 metros, a dos Cristais.
Cachoeira dos Pombos ou Córrego do meio – uns trinta minutos, a partir do centro pra se chegar num lugar ótimo pra se refrescar. A queda d’água forma umas “banheiras” de pedra. De vez em quando os locais fazem pique-nique por ali.
Cachoeira do Taramba – descoberta pelo João, para chegar até ela você passa pelo Córrego do Meio, pelo Cemitério dos Bexiguentos e mais uns 40 minutos de caminhada. Assim como a cachoeira dos Cristais, a do Taramba forma um belo poço.
Santo Antônio – formação rochosa que lembra a imagem de santo Antônio. São cerca de uma hora caminhando. No caminho é possível também ver outras formações que parecem carros, por exemplo – é como adivinhar “desenho” em nuvem. Se estiver meio sem tempo é melhor deixar pra depois.
Rampa do Caim – cerca de três horas caminhando para se chegar a um local que dá uma das vistas mais espetaculares do Vale do Pati e os rios Paraguaçu e Preto, ambos com suas águas escuras. A trilha é boa e a chegada nem se fala, mas é preciso estar muito “zen” pra curtir a trilha. É preciso estar muito atento, pois há muitas pedras soltas e escorregadias e um tombo ali não ia ajudar em nada. A chegada pede um ou mais minutos de silêncio (contemplação, agradecimento a Deus, é pra ouvir o silêncio e a grandiosidade da natureza).
Dalí é possível seguir adiante, fazendo uma trilha que passará pelo Pati, Capão e Palmeiras, outras áreas imensamente lindas da Chapada Diamantina.
A Rampa do Caim e a trilha são também exploradas agências locais.

Vista a partir de trecho da trilha da Rampa do Caim – Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Travessias

O Parque Nacional da Chapada Diamantina tem várias opções de trilhas e travessias, com circuitos e distâncias e intensidades variadas  e uma delas passa por Igatu, é a travessia Mucugê-Igatu-Andaraí. Esta é uma das mais antigas e importantes trilhas de garimpeiros da região, tem uma distância de 64Km e é preciso certo preparo físico e equipamentos adequados para fazê-la.
Confira o relato desta travessia feita pelo viajante Antonio Junior em http://www.mochileiros.com/travessia-mucuge-x-igatu-x-andarai-chapada-diamantina-parte-2-t55278.html
Agora se você busca uma Chapada Diamantina ainda menos conhecida que Igatu, pode viajar no relato de um dos maiores caminhantes do Brasil, Jorge Soto, membro de honra da comunidade Mochileiros.com. Ele fez a Travessia da Serra da Tromba e divide a experiência com outros viajantes em http://www.mochileiros.com/travessia-da-serra-da-tromba-a-pe-t70448.html

Dicas

Para qualquer passeio pela região (até para os mais curtos) leve muita água, proteja-se do sol (boné, filtro solar) e vá com roupas leves e calçado confortável. Em Igatu, o clima engana: pela manhã chega até ser frio, quando chega às 10h o calor já está insuportável. De novembro a janeiro é a época de chuvas.
Quem vai à Igatu não pode deixar de dar uma passadinha nas casas de pelo menos duas personalidades locais:
Lindaura Nascimento Moura – filha de Alzira Nascimento, já falecida, uma das mulheres do garimpo. A casa foi a primeira a receber turistas na vila e tem algumas peças antigas e o que dizem ser amostras de diamantes. O café com bolinho de chuva e a folheada no álbum de fotos da casa são boa pedida, além da possibilidade de comprar algum souvenir produzido por Lindaura e família. São lindas miniaturas de igrejas e casas, trabalhadas na pedra e bolsas, tapetes e acessórios em crochê. A casa fica na rua 7 de setembro.
Amarildo dos Santos – criatividade é a marca deste professor, atualmente comerciante e escritor. Fã de Xuxa e Roberto Carlos, Amarildo coleciona o que pode sobre os ídolos e o maior sonho dele é conhecer a “Rainha”, como fala da apresentadora.
A placa da fachada de seu estabelecimento, que também é sua casa (onde vive com a mulher e uma filha) já mostra um pouco da criatividade: “Ponto: Entre e compre algo (…)”. Lá é possível comprar licores dos mais variados sabores e os interessantes livros que Amarildo escreve à mão, com caneta azul e vermelha, no maior capricho. Vale comprar um como lembrança (e por que não leitura, fonte de pesquisa?) de uns dos lugares mais inusitados do país. No ponto do Amarildo também é possível ver fotos dos famosos que já estiveram por lá, os autógrafos, revistas etc.

Onde comer?

Pousada Pedras de Igatu – pra quem ficar hospedado, um excelente café da manhã.
No local também funciona um restaurante que serve diversos pratos e lanches. O espaguete (o prato mais barato ali) serve duas pessoas e é uma delícia.

Pratos típicos

Salada de Batata da Serra – tipo de batata meio doce e aguada. Segundo o Taramba é boa pra saúde (contra o diabetes e o colesterol). A batata é típica da região.
Godó – prato feito com carne de sol picada e banana verde.
Cortado de Palma – (a mesma utilizada para alimentação de bovinos) – carne de sol e palma.

Onde ficar?

– Pousada Pedras de Igatu – Rua São Sebastião, s/n. Tel: Igatu – (75) 3335-2281 e Salvador – (71) 3332-5557. Além de pousada e restaurante, também conta com alguns souveniers para venda.
– Hospedagem Flor de Açucena – Rua Nova, s/n. Tel: (75) 3335-7003.

Como chegar?

Pode-se chegar a partir de Andaraí, passando pela estrada antiga, com sete quilômetros de subida, toda calçada com pedras. Ou, a partir de Mucugê, indo pela BA-142 e depois pegando o pequeno acesso de terra.
Trilha Andaraí-Igatu Rio Coisa Boa (poço para banho), 11 Km percorridos em caminhada de média dificuldade. O acesso à região pode ser feito por via terrestre através da rodovia BR-242 (Salvador – Brasília) e dentro da mesma por rodovias estaduais pavimentadas que a ligam às cidades de Lençóis, Palmeiras, Andaraí, Mucugê e Barra da Estiva. Outras localidades podem ser alcançadas por estradas vicinais sem pavimentação; as estradas entre a rodovia BA-142 e a vila de Igatu são pavimentadas com lajes de pedra.

A viação Águia Branca (http://www.aguiabranca.com.br) opera em Andaraí.
Nós pegamos carona com o ônibus escolar, mas existem táxis que levam até a vila.

Serviços (apenas em Andaraí)

Banco do Nordeste – Praça Aureliano Gondim, 02 – Centro.
Secretaria de Turismo – Rua da Glória, 48 – Centro. Tel: (75) 3335-2118/2119.
Se precisar de uma farmácia aproveite, pois em Igatu não há. Em alguns bares você encontra alguns analgésicos.
Na vila há uma pequena mercearia, mas não mercado. Para comprar pães vá à casa de uma moradora, perto do Ponto do Amarildo.

Eventos

20/1 – Festa de São Sebastião – festa religiosa na rua, com missa e procissão. À noite acontece a festa profana, geralmente com bandas musicais.
Data indefinida (novembro/setembro) – Festival de Igatu – festival com shows de MPB e oficinas culturais. A vila recebe muitos soteropolitanos no período.

História

Com informações da Prefeitura Municipal de Andaraí
Igatu, antigo Xique-xique é um dos quatro distritos da cidade de Andaraí, que vem do tupi-guarani andira-y, Rio de morcego. Presume-se que numa referência aos habitantes das grutas nos paredões de pedra em volta dos rios da região. Já Igatu, provém da abundância de cardo silvestre com espinhos, conhecido como xique-xique (grosso modo, um cacto baixinho e peludo). Outros dizem que o nome vem do apelido ou sobrenome do primeiro garimpeiro a se instalar no local. Ainda sobre o nome, a mudança fez-se necessária devido a existência de município mais antigo no Estado da Bahia chamado Xique-xique.
O território da atual Andaraí foi habitada inicialmente por índios Cariris. Acredita-se em duas versões sobre o aparecimento de Igatu, ambas coincidem com a descoberta de “faisqueiras” – termo usado no garimpo para designar “lâmina de ouro perdida no solo das minas” (Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa) na área da atual Mucugê, por volta de 1844.
1ª – A partir de Mucugê garimpeiros seguiram para o nordeste à procura de novas lavras, vindo a descobrir as ricas jazidas de Xique-xique. Segundo tradição, estes garimpeiros ao se deslocarem de Mucugê, passaram pelo Capa-bode e Perdizes, situado nos Gerais (Gerais do Vieira), próximos do Rio Cumbucas e dali desceram até encontrarem o lugar denominado Cousa-boa, onde já morava um estrangeiro. Alguns garimpeiros continuaram subindo o rio e, a cerca de 4,5Km, encontram um canal que passou a ser conhecido pelo nome de seu descobridor: Prates. Dentre estes homens, um, conhecido como Xique-xique tentou formar seu próprio garimpo descobrindo novas áreas e construindo ranchos para o inverno nascendo assim o povoado.
2ª – O historiador Gonçalo de Athayde Pereira, diz que o coronel Augusto Landulfo afirma que Xique-xique foi descoberto por um sapateiro de nome Camargo que começou a mineirar no canal que banha a atual vila, em sociedade com o capitão Antônio José de Lima, proprietário da Fazenda Mocambo. Por volta de 1846-47 tiraram muitas “oitavas” de diamantes do local. Pouco depois, o fazendeiro associou-se com Bernardo de tal, sendo nesta ocasião o sítio invadido por uma onda de garimpeiros.
Levando-se em conta ambas as versões, acredita-se que o distrito foi colonizado em grande parte por garimpeiros de Minas Gerais. Os mais importantes garimpos de Igatu foram: Luís dos Santos, Porteiras, Borrachudo, Bom será, Bicame, Torres, Gererê, Conguiba, Reginaldo, Caetano Martins, Gruna ou Gameleira, Cantinho, Criminoso, Califórnia e Cousa-boa. Os dois últimos foram os que mais produziram.
Em 1875 Igatu já possuía escola pública (hoje as pessoas têm que ir à Andaraí para estudar.). Também possuía esgoto, construído por calhas de pedras, onde corria água ininterruptamente. No início do século 20 tinha água encanada, gerador com turbina hidráulica, iluminação elétrica e cabo telefônico. Com a decadência do garimpo a economia e progresso locais também entraram em crise. Os telefones, por exemplo, vieram à vila somente nos anos 90.
A arquitetura local é constituída por casas e alguns sobrados, construídos de adobe ou pedra e estruturas de pau-a-pique. Hoje Igatu vive de algumas pequenas culturas de subsistência e da coleta de “sempre-vivas” que são enviadas para Brasília e para o exterior e vê no turismo uma nova maneira de movimentar sua economia.

Saiba +

Saiba mais sobre as ruínas de Luís dos Santos, uma das mais importantes de Igatu e seu projeto de conservação em http://www.ruinasdeigatu.com.br/

Experiências de outros viajantes e troca de informações sobre Igatu aqui!

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