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Armando

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  1. Fica tranquilo: Em 30 dias de Carretera a média vai ser de uns 70 Km por dia. Na primeira semana da viagem a minha média foi 60 Km/dia. Na última já estava em torno de 110 km/dia, se nã o me falha a memória. É comum isso porque, além do aumento do preparo físico, nos acostumamos com o peso do equipamento. No meu caso passava de 30 kg de carga. A Carretera não varía muito de traçado: É sempre sobe e desce. Já o terreno varia muito: Trechos insuportáveis de predra, variando a um chão extremamente firme. Tudo no mesmo dia. Todos os dias. O trecho mais difícil é antes de Santa Lucia (Costa Moraza, parece que este é o nome). La no final, a dois dias de O’Higgins, perto do Rio Vagabundo é bem íngreme também. Só que tu já tá a 1 mês na estrada, e tira de letra. Em Puerto Guadal também tem uma subida curta, mas íngreme. Tem inclusive um guincho para puxar os carros. Subi empurrando. Eh Eh A partir de O’Higgins a paisagem muda completamente, pois cruzamos então para o lado esquerdo da Cordilheira. Ao invés de chuva, vento. Muito vento. Tem-se já algumas amostras do vento a partir de Cerro Castillo, ainda na Carretera. No início assusta. Em sempre preferí cerveja, mas acho que aprendi a gostar de vinho no Chile. Eles tomam vinho sempre. Mas quando pintava aquele calorão, não tinha jeito. Lembro-me na chegada de Coyaique. Estava pedalando com uma americana. Tinhamos tomado 8 litros de água por cabeça! Estavamos com aquela fome e os Camelbaks também vazios. De repente vimos um acampamento de uma empreitera, onde estava escrito “Mendes Junior e Associados”. - Esta empresa é brasileira, comentei. - Vamos pegar água. Quando o cara viu pelo sotaque que eu era brasileiro, chamou o chefe. Era um engenheiro carioca! Moral da história: Os engenheiros tinham acabado de almoçar, e deram “livre acesso” ao restaurante. Nunca comi tanto arroz, frango e polenta. Fora o suco. Muito suco. Camelbaks cheios, fomos novamente para a estrada. Uma hora de montanha e já sem água de novo... Estavamos a 8 km de Coyaique e só subida de montanha. Não aguetava mais. De repente ela chega lá em cima e me faz sinal. Avistava-se a cidade lá embaixo, só descida. Nenhuma árvore, 38 graus! Lançamos o desafio: Chegando lá embaixo tomaríamos baldes de cerveja! Acho que foi a melhor da viagem: A chegada em Coyaique, tomando chopp num bar bem rústico lá no centro. Acabei ficando 4 ou 5 dias lá. Tirando Santiago, não existe uma vida noturna como estamos acostumados a qui no Brasil. As cidades lá do sul possuem um traço cultural bem forte, e isso parece não ser habito. Claro, há muitos extrageiros, mas todos estão alí desenvolvendo algum esporte. O que une as pessoas muito lá é a comida. Seja nos restaurantes, seja nos campings. Ficávamos muito tempo bebendo vinhos algumas noites. Mas era no lugar onde estávamos. Extranhamente não sentia vontade de ir a algum lugar, como fazemos aqui. Obs.: Estive dando uma olhada no site das aerolíneas argentinas. A passagem Ushuaia – Buenos Aires está uns R$ 300,00. É ver para crer! Até mais! Armando Dica: Esteja sempre preparado para pegar chuva. Uso uns sacos estaques por dentro dos alforges. Feitos em uma fábrica de Curitiba. Luvas grossas e botas impermeáveis são imprescindíveis, pois a noite e de manhã tudo é frio e úmido.
  2. E aí André. Trinta dias é o tempo ideal para fazer a Carretera. . Os pontos onde dormi foram os seguintes: Puerto Montt - Hospedagem (5000 pesos) Parque Nacional Alerce Andino – Camping Selvagem Isla Manzano – Hospedagem (5.000 pesos) Caleta Gonzalo – Camping (1000 pesos) Chaiten – Hospedagem (4000 pesos) Vila Santa Lucía – Hospedagem (horrível) – 5000 pesos La Junta – Camping Selvagem Puerto Puyuhuapi – Camping Selvagem Parque El Colgante (Parque Nacional Queulat) – Camping (2000 pesos) Villa Amengual, proximidades da – Camping Selvagem Villa Mañihuales, proximidade da – Camping Selvagem Coihaique – Camping/Hospedagem (3000 pesos) Villa Cerro Castillo – Hospedagem (5000 pesos) Rio Murta (proximidades) – Camping Selvagem Puerto Rio Tranquilo – Camping Selvagem Puerto Guadal – Camping Selvagem Cochrane - Hospedagem Puerto Yungay – Refúgio Rio Bravo, proximidade – Camping Selvagem Villa O´Higgins – Hospedagem (4.000 pesos) Observações: Em Puerto Montt passei 2 noites e em Coyaique umas 4 noites. As Hospedagens são com café da manhã. Quanto a grana: O Chile tem uma economia extremamente forte, tendo pouca oscilação com o dólar. Houve uma pequena desvalorização proposital no ano passado devido a desvalorização brasileira e argentina. Uma hospedagem no Chile fica em torno de 8 dólares e um camping não mais que 2 dólares, pois a possibilidade de fazer camping selvagem é enorme. Te diria que 10 dólares por dia é um valor bem seguro para a Carretera. Com mordomias e gastos extras, 100 dólares por semana. Não é possível gastar mais. Levei 1000 dólares. Em 30 dias de Chile, gastei 600. Inclusos aí, transportes maritimos, mapas, ciclocomputador e outras coisas que não lembro. Termas: Tirando as termas privadas como a de Puyuapi que custa uns R$ 120 a diária, as outras são pequenas e normalmente são bem acessíveis. Com camping, custa uns R$ 15 reais. Os parques nacionais, quando não são gratuitos, o valor é bem baixo: uns 2000 pesos, com direito a camping. Nos parques nacionais é que estão os trekkings, e bem punks! Se tu der uma olhada nas distãncias entre os lugeres que percorri verás que algumas kilometragens foram curtas: foram os dias em que eu era “obrigado” a entrar num lugar para fazer trekking. Acho legal vocês concentrarem a viagem somente na Carretera, pois se pretenderem seguir além de O´Higgins necessita-se no mínimo 3 semanas a mais, sem direito a ficar curtindo os lugares. Não há meio termo. O Higgins até Terra do Fogo é viagem para as férias seguintes, a menos que tenha 2 meses de férias. Fiz, em 1997, uma pedalada desde a região de Chillan (abaixo de Santiago), até perto de Coyaique (na Carretera). Te garanto que o trecho Santiago a Temuco não tem graça nenhuma! Em Temuco a coisa muda radicalmente, pois começa a Região dos Lagos. Na verdade o Chile que ouvimos falar começa aí. Dicas de preços: - Coisas baratas no Chile: Ameixa, Pêssego, Vinho, Salmão (lá é “caipira”, muito melhor que os que vem para cá), frutos do mar enlatado (muito comum comprar mariscos e cholgas como se fossem as nossas latas de sardinha e atum) - Coisas que se equivalem aos nossos preços: Leite achocolatado, pão, café, sucos em caixa (muito comuns), sopas tipo Maggi e massas, almoços em jantares em restaurantes simples. - Coisas muuuuito caras no Chile: Coca-Cola, CERVEJA, chocolate (ruim), banana, carnes (algumas, 4 vezes mais caras!), pilhas, filme fotográfico. Dica: Se for levar maquina fotográfica convencional, é bom comprar filme aqui, pois lá era quase o dobro! Alem do mais, é difícil encontrar um filme bom. Abraço Armando
  3. Ea aí! No meio de janeiro estou indo novamente para a Patagônia. Só que para pedalar o que falta: De Villa OHiggins a Terra do Fogo. Segundo o prefeito de OHiggins, fui o primeiro brasileiro a chegar lá de bike (fevereiro de 2003). Te diria que a viagem na Carretera tem 2 partes bem distintas: A primeira é P. Mont a Coyaique, que fica mais ou menos no meio: O trecho é bem movimentado, tem bastante ciclista (encontrava uns 7 por dia!) e, se quiser, pode encontrar pousada quase todos os dias. Chegando em Coiyaique, pode reservar uns 2 ou 3 dias lá, pois estarás cansado e a cidade é muito legal. É a capital da aventura. O melhor lugar para ficar lá é o Albergue Las Salamandras, perto do Rio Simpson. Tem camping junto, e verás muita gente. Fica a 1 km do centro. De Coiyqaque a OHiggins a coisa muda: O proimeiro trecho até Cerro Castillo é asfalto, mas a partir daí, beirando o lago General Carrera o lugar vai ficando cada vez mais selvagem (e lindo). É camping direto! De Cochrane em diante é a parte totalmente selvagem. Quando eu fui havia muitos caminhões do exército, pois eles trabalhavam na finalização da estrada. Villa OHiggins foi o meu objetivo e por isto para mim foi inesquecível. A cidade é bem pequeninha, mas tem uma boa estrutura. Para voltar de lá (como fiz), ou se pega um ônibus (a cada 3 dias), e demora-se 2 dias para chegar em Coiaique, ou pega-se um avião (Don Carlos). Foi o que fiz. Como era só a minha bike, ela foi no corredor. Os alforges foram no nariz do avião. O preços era US$ 100,00 até Coiaique. Mas ao invés de levar 2 dias, fiz em 1 hora e meia! Para seguir viajem adiante de OHiggins, sem problemas. Pega-se um barco que te leva até o lado argentino e depois outro barco para andar no lado argentino, do outro lado tem um cara que tem guia, pois não há estrada. Em Coiyaique, ou O Higgins, é só ir no centro de informações que eles tem um folheto explicando como se faz a travessia. Uma americana que pedalou comigo continuou viagem por lá. Disse que levou um 3 dias até El Chaiten. Aviso importante: Em toda a Carretera Austral o clima é muito instável. Em 1997 quando fui pela primeira vez, a cada 3 dias, 2 era chovendo. Sempre frio. Foi o início do El Niño. Por outro lado, em 2002, fiquei 1 mês e choveu 2 ou 3 dias! Disse que foi um recorde histórico de poucs chuva. MAs pegando na média: A temperatura varia bastante: Perto do meio dia chega a 25 até 30 graus ao sol. Se o sol se esconde um pouco a temperatura cai para uns 15. A noite e no início da manhã, sem é frio, chegando próximo a zero grau. Em 2002 peguei 38 graus em Cocharne e -5 em Cerro Castillo. Uns dois dias de diferença. "Sonhe com o vento dos Andes, que queima os cabelos e traz recordações inesquecíveis" Abraço, Armando POA-RS
  4. Fala André! Fiz a Carretera Austral 2 vezes de bike: em 1997 e 2002. Podemos trocar uma idéia. Abraço Armando

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