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Trabalhar enquanto viaja: o que funciona de verdade

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A ideia de trabalhar enquanto viaja saiu das páginas de livros de autoajuda e passou a ocupar rotinas reais de milhões de pessoas ao redor do mundo. Em 2022, estimava-se que 35 milhões de profissionais se identificavam como nômades digitais globalmente, segundo relatório da consultoria especializada em imigração Fragomen, com projeção de que esse número alcance 1 bilhão até 2035.
No Brasil, o movimento ganhou legislação própria em 2022 e atrai tanto brasileiros que querem trabalhar remotamente do exterior quanto estrangeiros que elegem o país como base de operação.
Mas entre o ideal e a realidade cotidiana existe uma distância que raramente aparece nas fotos de laptops na beira da praia. Este artigo apresenta o que os dados e a experiência acumulada mostram sobre o que, de fato, funciona quando se quer combinar trabalho e viagem de forma sustentável.

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Dados indicam que trabalho fora do escritório fixo se consolidou como uma realidade estrutural, não como uma moda passageira | Foto: Johnny Africa/Unsplash.

O tamanho real do fenômeno: nômades digitais no mundo e no Brasil

O nomadismo digital não surgiu com a pandemia, mas foi acelerado por ela. Quando as restrições sanitárias de 2020 forçaram empresas inteiras a adotar o trabalho remoto, a barreira psicológica que separava “trabalho de escritório” de “trabalho de qualquer lugar” foi quebrada em poucos meses.
Segundo dados da Pumble compilados a partir de estudos da SafetyWing e MBO Partners, 74,5% dos nômades digitais apontaram a pandemia como o principal fator que influenciou sua decisão de adotar esse estilo de vida.

O perfil do nômade digital contemporâneo difere bastante da imagem do jovem mochileiro
aventureiro. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil mostram que, entre os vistos emitidos para nômades digitais estrangeiros no país desde 2022, 51% foram concedidos a pessoas entre 31 e 40 anos, e 22% tinham mais de 41 anos. Do total, 73% eram homens e 27% mulheres, segundo levantamento publicado pelo portal MigraMundo com base em dados oficiais do MJSP. Trata-se, portanto, de um grupo predominantemente de profissionais experientes, não de recém-graduados.

No mercado de trabalho brasileiro mais amplo, os dados da PNAD Contínua do IBGE mostram que 7,9% da população ocupada no setor privado, equivalente a cerca de 6,6 milhões de trabalhadores, realizava suas atividades em casa em 2024. Esse percentual recuou levemente do pico de 8,4% registrado em 2022, mas permanece bem acima dos 5,8% de 2019 e dos 3,6% de 2012, o que indica que o trabalho fora do escritório fixo se consolidou como uma realidade estrutural, não como uma moda passageira.

Ano% trabalhadores em home office (Brasil)Trabalhadores em volume absoluto
20123,6%Estimado em aproximadamente 2,5 milhões
2019 (pré pandemia)5,8%Estimado em aproximadamente 4,4 milhões
2022 (pico)8,4%6,7 milhões
20238,2%6,61 milhões
20247,9%6,585 milhões
Fonte: PNAD Contínua / IBGE (edição especial divulgada em novembro de 2025, referente a 2024).
Universo: 82,9 milhões de trabalhadores do setor privado formal e informal, excluindo setor público e
trabalhadores domésticos.

Os dados da série histórica do IBGE revelam um padrão importante: o trabalho remoto não voltou aos níveis pré-pandemia mesmo com o recuo dos últimos dois anos. A queda de 8,4% para 7,9% entre 2022 e 2024 representa um ajuste, não uma reversão. Para quem planeja trabalhar viajando, isso significa que empresas e clientes estão cada vez mais acostumados a contratar e colaborar com pessoas que não estão no mesmo espaço físico, reduzindo uma das barreiras históricas para o modelo nômade.

Quais profissões realmente permitem trabalhar viajando?

A primeira pergunta prática de quem deseja trabalhar enquanto viaja é sobre a viabilidade da
própria profissão. Não há uma lista definitiva e universal, mas algumas categorias aparecem de forma consistente nos dados disponíveis sobre o mercado de trabalho remoto e no perfil dos nômades digitais.

Segundo a pesquisa da Passport Photo Online com 10,2 milhões de nômades digitais identificados, as principais áreas são: desenvolvimento de software e programação, design gráfico e web, marketing digital e gestão de redes sociais, redação e copywriting, consultoria e gestão de projetos, ensino de idiomas online, e análise de dados. Profissões como fotografia, edição de vídeo e tradução também constam entre as mais praticadas de forma remota.

A plataforma Freelancer.com, em seu relatório do segundo trimestre de 2024 divulgado pela CNN Brasil, identificou as cinco categorias freelancer com maior volume de vagas disponíveis:
programador PHP (188,3 mil vagas), designer gráfico (168,1 mil), desenvolvedor WordPress (155,6 mil), designer de interface (84,1 mil) e desenvolvedor HTML (60,2 mil). O mesmo relatório destacou que, entre as profissões que mais cresceram em demanda no período, a de escritor de PDF ocupou o segundo lugar, com expansão de 26,7%, e a de redator de documentos Word apareceu em terceiro, com alta de 23,9%, o que sinaliza crescimento na demanda por profissionais que dominam a criação e formatação de documentos digitais.

O modelo freelancer versus o emprego remoto: diferenças que importam

Há uma distinção relevante que muitas pessoas ignoram antes de adotar o nomadismo: trabalhar como freelancer e ter um emprego remoto são experiências muito diferentes do ponto de vista prático e financeiro. Um empregado remoto tem salário fixo, pode ter restrições de fuso horário e normalmente precisa estar disponível em janelas determinadas pela empresa. Um freelancer tem liberdade total de agenda, mas assume a responsabilidade de prospectar clientes, administrar contratos e lidar com a imprevisibilidade da renda.

Dados da Passport Photo Online indicam que 36% dos nômades digitais trabalham como freelancers para múltiplas empresas, 33% têm seus próprios negócios, e apenas 21% são funcionários regulares de uma única empresa. Isso mostra que a maior parte de quem efetivamente vive viajando e trabalhando optou por formas mais flexíveis, porém também mais instáveis, de geração de renda. A mesma pesquisa aponta que os nômades digitais trabalham, em média, 46 horas semanais, acima da jornada padrão de 40 horas. O estilo de vida não equivale a trabalhar menos.

Quanto se ganha trabalhando remotamente como nômade digital?

A renda dos nômades digitais é altamente heterogênea. Em termos globais, a Passport Photo Online aponta que o salário médio mensal desse grupo é de US$ 4.500, mas os extremos são amplos: 21% ganham menos de US$ 25 mil por ano, enquanto 44% faturam US$ 75 mil ou mais anualmente. No Brasil, segundo o portal QueroMinas, dependendo da área de atuação, um nômade digital pode superar R$ 20 mil mensais, especialmente em desenvolvimento de software, mas esse é o teto, não a média.

Um ponto que raramente aparece nas narrativas entusiasmadas sobre o nomadismo é que 85% dos nômades digitais se declaram satisfeitos ou muito satisfeitos com seu trabalho, segundo a mesma pesquisa da Passport Photo Online. Isso é um dado positivo, mas não dispensa a análise fria sobre custos, burocracia e preparação financeira antes de dar o passo.

Como funciona o visto de nômade digital: o que o Brasil exige

O Brasil regulamentou o visto para nômades digitais estrangeiros por meio da Resolução Normativa nº 45 do Conselho Nacional de Imigração (CNIg/MJSP), publicada em setembro de 2021 e operacionalizada a partir de 2022. O documento estabelece que um nômade digital, para fins legais brasileiros, é o profissional estrangeiro que trabalha remotamente para um empregador ou cliente estrangeiro, por meio de tecnologia da informação. Quem trabalha para empresa brasileira não se enquadra nessa modalidade e deve buscar outro tipo de visto de trabalho.

Os requisitos principais para obter o visto ou a autorização de residência são: renda mensal de pelo menos US$ 1.500 proveniente de fonte estrangeira, ou comprovação de fundos bancários mínimos de US$ 18.000; contrato de trabalho ou prestação de serviços com empregador estrangeiro; seguro de saúde válido no Brasil; e passaporte válido. O visto tem prazo inicial de um ano e pode ser renovado por igual período indefinidamente, desde que o profissional continue atendendo aos requisitos, conforme o Ministério das Relações Exteriores.

PaísRenda mínima exigidaPrazo do vistoObservação
BrasilUS$ 1.500/mês ou
US$ 18 mil em conta
1 ano,
renovável
Res. CNIg nº 45/2021
Portugal4 salários mínimos
locais (aprox. 740
Euros)
1 ano,
renovável
Mais de 2.600 vistos
emitidos até out/2023
EspanhaAprox. 25 mil Euros
em conta
1 ano,
renovável
Requisitos mais rígidos
que Portugal
ItáliaSalário anual mínimo
de 28 mil Euros
1 ano,
renovável
Exige diploma
universitário ou licença
profissional
Romênia3x o salário médio
local
1 anoVisto lançado em
dez/2021
Fontes: Ministério das Relações Exteriores do Brasil (MRE/MJSP, 2024); Cidadania4u; NSC Total
(mai/2024); Koetz Advocacia. Os valores podem sofrer atualização; consulte sempre o consulado do
país de destino antes de solicitar.

A tabela mostra que o Brasil possui uma das exigências de renda mínima mais acessíveis entre os países com regulamentação formal para nômades digitais. Para um brasileiro com renda em reais que planeja virar nômade, o caminho é diferente: ele precisa garantir que seu trabalho seja reconhecido como remoto pela empresa ou cliente, obter permissão para trabalhar do exterior (quando aplicável) e verificar as regras tributárias do país de destino. Cada país tem regras próprias e o visto de turista não autoriza trabalho remunerado, um ponto que gera problemas frequentes para quem ignora a legislação.

O que realmente dificulta trabalhar viajando?

Os obstáculos do nomadismo digital raramente são romantizados, mas eles são decisivos para determinar se o modelo funciona no longo prazo. Identificar essas barreiras com antecedência é o que separa quem transforma a ideia em realidade sustentável de quem retorna para casa em poucos meses.

Conectividade: o gargalo que ninguém anuncia

A dependência de uma conexão de internet estável e rápida é o principal ponto crítico de qualquer profissional que trabalha viajando. Países com infraestrutura digital precária, áreas rurais e destinos populares em alta temporada podem oferecer conexões instáveis que inviabilizam videochamadas, envio de arquivos grandes ou acesso a sistemas corporativos. Pesquisa da consultoria Ubiminds aponta conectividade variável como o principal desafio operacional do nomadismo para equipes distribuídas. O hábito de verificar a velocidade e a estabilidade da internet antes de confirmar uma acomodação não é paranoia, é uma necessidade operacional.

Tributação: o tema que mais assusta quem não se preparou

A complexidade tributária do trabalho remoto transfronteiriço é real e muitas vezes subestimada.
Uma pesquisa da Grant Thornton US revelou que 49% dos participantes identificaram o trabalho remoto como o principal risco fiscal de mobilidade a gerenciar. Para brasileiros que trabalham para clientes estrangeiros, há questões envolvendo tributação dos rendimentos no Brasil, obrigações no país de destino e, em alguns casos, bitributação.

O escritório de consultoria Grant Thornton alerta que “as empresas devem estar cientes dos
potenciais riscos fiscais de tais programas de vistos” ao estimular ou permitir que funcionários
trabalhem em outros países. Para o profissional autônomo, a recomendação de especialistas em direito tributário é formalizar a atividade como pessoa jurídica e buscar orientação específica para cada país onde planeja passar mais de 90 dias no ano, pois esse costuma ser o gatilho para obrigações fiscais locais.

A instabilidade financeira que os cálculos iniciais ignoram

76% dos freelancers apontam a capacidade de poupar dinheiro como sua maior preocupação,
seguida pela dificuldade de contribuir para a aposentadoria (75%) e pela imprevisibilidade da renda (72%), segundo levantamento compilado pela WebsitePlanet a partir de dados da Freelancers Union e Payoneer. Esses números mostram que a instabilidade financeira não é exceção, mas uma característica estrutural do trabalho autônomo.

Profissionais de finanças pessoais orientam que, antes de adotar o nomadismo como estilo de vida, o profissional deve ter: uma reserva de emergência equivalente a seis meses de despesas; uma carteira de clientes consolidada ou contrato de trabalho remoto assinado; e clareza sobre o custo médio mensal no destino escolhido. Fazer as contas com os gastos reais do destino, e não com os melhores cenários, é o que costuma separar as experiências bem-sucedidas das frustrantes.

Atenção: Viajar com visto de turista enquanto exerce atividade remunerada é considerado trabalho irregular na maioria dos países, mesmo que a remuneração venha de fora. Isso pode resultar em deportação, multa ou bloqueio de entrada no futuro. Sempre verifique a legislação do país de destino antes de partir.

A rotina que funciona: como nômades digitais produtivos organizam seu dia

Um relatório da Coworker.com aponta que 70% dos nômades digitais relataram aumento de
produtividade desde que adotaram o estilo de vida. Porém, esse dado não significa que a
produtividade seja automática. Ela costuma ser o resultado de escolhas deliberadas sobre como estruturar o tempo, e não um subproduto natural da liberdade de trabalhar de qualquer lugar.

Coworkings: muito além da conexão rápida

Os coworkings se tornaram a espinha dorsal da produtividade nômade. Além de internet de alta velocidade e ambiente adequado para chamadas de vídeo, esses espaços oferecem algo que o café na praia nunca oferecerá: uma separação física entre espaço de trabalho e espaço de lazer. Essa separação é psicologicamente relevante para manter o foco e, principalmente, para desligar ao final do expediente, um dos maiores desafios de quem trabalha sem escritório fixo.

Segundo dados da Nomad List, a Croácia foi o país mais bem avaliado pelos nômades digitais em 2024 em termos de qualidade de vida para esse perfil, considerando internet, custo de vida, segurança e infraestrutura. Portugal, Tailândia, México e Espanha aparecem regularmente nas listas dos destinos mais procurados, combinando custo de vida acessível para europeus e norte-americanos com boa infraestrutura digital.

Gerenciar tempo em fusos horários diferentes é uma habilidade técnica

Trabalhar para clientes em fuso horário distinto do local onde se está não é apenas uma questão de calcular horas. É uma habilidade operacional que exige definição clara de janelas de disponibilidade, comunicação proativa sobre ausências e escolhas de destino que permitam sobreposição mínima de horas úteis com os clientes. Um profissional brasileiro trabalhando para uma empresa americana do Sudeste Asiático pode ter apenas quatro ou cinco horas de sobreposição diária, o que exige planejamento preciso para não perder reuniões críticas ou prazos.

Documentação digital: uma operação que precisa de estrutura

A vida nômade exige que toda a documentação profissional esteja acessível, organizada e pronta para uso em qualquer lugar do mundo. Contratos, propostas, notas fiscais, relatórios e materiais de entrega precisam estar em formatos que funcionem independentemente do dispositivo ou do sistema operacional. Muitos profissionais que trabalham viajando desenvolvem fluxos para criar guias em PDF padronizados para projetos, proposta e entrega de trabalho, o que garante portabilidade total e elimina dependência de softwares proprietários que podem não estar disponíveis em todos os dispositivos ou países.

Qual é o impacto ambiental e econômico do nomadismo digital?

Um aspecto pouco discutido do nomadismo digital é seu impacto sobre as cidades e comunidades que recebem esses trabalhadores. O debate ganhou relevância depois que destinos como Tulum, no México, e Lisboa, em Portugal, registraram aumento expressivo no custo de vida e pressão sobre a infraestrutura urbana diretamente associados à chegada de nômades digitais com renda em moeda forte.

Por outro lado, pesquisa da Nomad List com dados de 383.135 viagens realizadas por 14.957
membros indica que os nômades digitais geram, em média, 1.293 kg de CO2 por ano em
deslocamentos, contra cerca de 5.000 kg do americano médio em trajetos diários de trabalho. Isso representa 74% menos emissões, principalmente porque os nômades trabalham de suas
acomodações ou de coworkings, eliminando o deslocamento diário para o escritório.

Economicamente, nômades digitais tendem a ter impacto positivo de médio e longo prazo nas
cidades que os recebem, já que utilizam serviços como aluguel de longa estadia, restaurantes locais, coworkings e atividades culturais de forma contínua. Diferentemente do turista tradicional, que concentra gastos em atrações e souvenirs, o nômade impacta a economia local de forma mais distribuída ao longo do tempo.

Trabalhar viajando no Brasil: quais cidades têm infraestrutura para isso?

O Brasil atrai nômades digitais estrangeiros pela combinação de custo de vida acessível, fuso horário favorável para clientes europeus e norte-americanos, clima diverso e qualidade de vida. Mas qual a infraestrutura disponível para quem quer trabalhar viajando dentro do próprio país?

Cidades como Florianópolis, com reconhecido ecossistema de tecnologia e coworkings consolidados, e Recife, sede do Porto Digital com mais de 400 empresas e 18 mil colaboradores e faturamento anual de R$ 5,4 bilhões segundo dados do próprio polo, aparecem como referências nacionais de cidades com infraestrutura digital compatível com o trabalho remoto de alto desempenho. Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e o interior paulista também concentram opções crescentes de coworking e conectividade adequada.

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Foto: Canva Studio/Pexels.

Em destinos turísticos mais remotos, como partes do Nordeste, regiões da Amazônia ou Pantanal, a beleza paisagística pode ser inversamente proporcional à qualidade da conexão. Verificar a velocidade real de internet do local de hospedagem antes de confirmar a reserva é uma prática indispensável para quem planeja trabalhar nessas regiões.

O que os dados dizem sobre satisfação e longevidade no nomadismo digital?

A satisfação com o modelo é genuinamente alta. Um estudo da Remote.co citado por diferentes agregadores indica que 90% dos nômades digitais relatam estarem felizes com a escolha. Pesquisa da Buffer com trabalhadores remotos em geral mostra que 98% trabalhariam remotamente pelo resto da carreira se pudessem escolher, e que 66% dos entrevistados globalmente acreditam que o trabalho remoto deveria ser um direito legal.

No entanto, esses dados têm um viés de seleção importante: as pesquisas capturam pessoas que já estão no modelo e, em geral, conseguiram superar as dificuldades iniciais. Quem desistiu raramente aparece nos estudos sobre satisfação do nomadismo. O desafio da solidão, da construção de vínculos afetivos em constante mudança de cenário e da manutenção da saúde mental ao longo de períodos extensos de viagem são aspectos que os entusiastas do tema frequentemente subestimam.

Importante: As projeções de 1 bilhão de nômades digitais até 2035 devem ser tratadas como
hipótese especulativa, não como cenário confirmado. Elas assumem a manutenção de tendências atuais sem considerar possíveis reversões regulatórias, aumento do controle de imigração ou mudanças nas políticas de retorno ao escritório por parte das empresas.

O que realmente funciona para quem quer trabalhar viajando

Trabalhar enquanto viaja é uma realidade documentada para milhões de pessoas, com dados que confirmam satisfação elevada, aumento de produtividade em muitos casos e uma estrutura legal crescente em dezenas de países. O nomadismo digital não é uma promessa vazia. Mas tampouco é um atalho para uma vida sem pressões.

O que os dados mostram de forma consistente é que o sucesso nesse modelo depende de três condições que precisam estar presentes antes da primeira viagem: uma fonte de renda remota testada e funcional, uma reserva financeira que cubra pelo menos seis meses de imprevistos, e um entendimento claro das obrigações legais e tributárias do país de destino. Começar com viagens curtas para testar a rotina, construir a carteira de clientes antes de partir e escolher destinos com infraestrutura digital comprovada são os passos que consistentemente aparecem nos relatos de quem conseguiu tornar o modelo sustentável ao longo do tempo.

Os limites dos dados disponíveis também merecem reconhecimento. A maior parte das pesquisas sobre nômades digitais foi conduzida com amostras de populações anglófonas ou de países de alta renda. O perfil do nômade digital brasileiro, com suas especificidades tributárias, dificuldades com transferências internacionais e realidade cambial particular, ainda carece de estudos mais aprofundados e representativos. Quem busca aprofundamento pode consultar o Portal de Imigração do Ministério da Justiça para as questões legais, os relatórios anuais da MBO Partners e SafetyWing para o panorama global, e comunidades como Nomad List para inteligência de destinos em tempo real.

O que funciona de verdade no nomadismo digital é, em última análise, o mesmo que funciona em qualquer carreira: preparação sólida, expectativas realistas e disposição para adaptar o plano quando a realidade não corresponde à teoria.

O Mochileiros.com é um blog e um fórum para viajantes independentes e mochileiros. Está online desde 1999 e foi responsável pela inclusão do verbete "Mochileiro" na Wikipédia em Português. Possui mais de 10.000 relatos de viagens publicados. Recebeu com muita honra o "Prêmio Influenciadores Digitais" nos anos de 2017, 2018 e 2020.

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