Olá viajante!
Bora viajar?
- Respostas 25
- Visualizações 12.2k
- Criado
- Última resposta
Usuários Mais Ativos no Tópico
-
Luis Arau 11 posts
-
deiafranzoi 3 posts
-
Augusto 2 posts
-
leonardoduarte 2 posts
Este relato visa orientar as pessoas que queiram fazer a volta na Ilha Grande, mas não pretendem levar barracas, sacos de dormir, isolantes, etc...Basta levar algumas mudas de roupa e lanche de trilha, pois, planejando bem, dá para dar à volta na Ilha Grande dormindo em quartos e pousadas.
Bem, iniciamos a caminhada no Abraão às 09:00h sentido Bananal. Passamos pelo aqueduto em direção ao poço e daí direto para as praias.
Não entramos na feiticeira pois como era domingo, certamente lá encontraríamos várias escunas. Aliás, até dia de semana aparece alguma perdida. Acabou-se o sossego em Ilha Grande. Pelo menos do lado de dentro dela.
Bem, passamos por Iguaçu, Camiranga (que tinha um bando de gansos na areia e foi logo nos atacando. É bom tomar cuidado pois eles partem pra cima!) e outras tantas até chegar no Saco do Céu.
Ora dava um chuvisco bem rápido. Paramos para um lanche e rápido descanso. No Saco do Céu, existe uma trilha que corta um bom caminho até o Bananal. Nos informamos por lá com algumas pessoas sobre a tal trilha. Eles disseram que a trilha não está sendo muito utilizada e como nós queríamos caminhar pelas praias, decidimos não segui-la.
Fomos em frente com o tempo ainda nublado e ótimo para caminhar. Passamos por Guaxuma, Japariz e passamos correndo pela Freguesia pois tinham 3 escunas para perturbar nossa tranqüilidade. Entramos direto na Igreja e paramos uns 15 minutos para descanso. Seguimos direto até a enseada do Bananal.
Quem bebe água de trilha, pode ficar tranqüilo, pois terá água sempre. Basta encher o cantil em quase todas, longe das moradias, claro! Chegamos às 16:30h. Como era domingo, tinha uma escuna já partindo cheio de turistas que ficaram em uma pousada durante o fim de semana. Bom, fomos procurar uma pousada para ficar e das 3 que estavam funcionando nenhuma poderia nos atender. Motivo: Como todas trabalham somente com reserva e elas tinham recebido grupos para o fim de semana, dispensaram os funcionários e nós ficamos a ver navios. Argumentei com o Preto, que é um dos donos de uma das pousadas, sobre a necessidade de pernoitar em algum lugar, haja visto que as outras estavam fechadas ou dispensado seus funcionários em razão dos trabalhos no fim de semana. Eles nos falou que em Matariz, que ficava uns 50 minutos dali, tinha uma pousada. Pedi que ele telefonasse, mas, ele não sabia o telefone. Na verdade, eles até poderiam nos atender, mas, não senti muita vontade por parte deles. Infelizmente, este fato ficou marcado no Bananal. As 3 pousadas são de parentes descendentes de japoneses. Depois ficamos sabendo que o clima lá no Bananal não está muito bom desde o dia do escorregamento que vitimou 38 pessoas. Eles não estão cuidando muito bem do local e estão bastante desanimados. Acabamos sendo indicados para ficar na casa da Cristina (24-99813250). Ela recebe pessoas para pernoite com café e jantar e foi muito gente boa. Nos cedeu o quarto dela para dormirmos e ela mesmo foi dormir no sofá da sala. Nota 11 para a Cristina. O jantar foi ótimo. Um excelente arroz, feijão salada e um peixe frito fresquinho. O café foi simples, mas, muito bom.
Saímos por volta de 08:15h com tempo ainda nublado o que é ótimo para caminhar. Passamos por várias praias como Matariz, Maguariqueçaba, Sítio Forte, Tapera (onde pernoitamos na semana anterior em um veleiro), praia do Longa e, finalmente, Araçatiba. Na enseada do Sítio Forte começou a chover e apertou um pouco. Esperamos uns 30 minutos até diminuir e chegamos em Araçatiba às 15:30h. Também tem muita água na trilha para os que não tem problemas em bebe-las. Logo na chegada está a pousada do Toni Montana. Muito boa, e com duas suítes de frente para o mar com sacada e rede o pernoite estava R$ 120,00 com café da manhã. O problema era que as duas estavam ocupadas. Como estava chovendo fraco, ficamos conversando com o Toni um tempão. Uma figuraça, gente boa, nos deixou à vontade para escolher outra. As mochilas e as botas ficaram na recepção e lá fomos nós atrás de outra de frente para o mar. Entramos na pousada Mar de Araçatiba, da Andréa e do Edinho, 24-99768651, 78343810, 33674014. Eles tem 7 suítes e uma delas (especial e muito aconchegante) fica bem no alto e de frente para o mar com sacadinha e rede, providencial depois de um banho. Esta era R$ 150,00, e as outras R$ 120,00, mas, como nós ficaremos 1 dia por aqui, eles fizeram por R$ 120,00. Voltamos para o Toni, pedimos desculpas por termos escolhido outro lugar e pegamos nosso equipo. Deixei no quarto e fui dar um mergulho pra tirar a zica da caminhada. A água estava fria, mas, depois desta etapa, era relaxante.
Após um banho quente aquela rede na varanda foi o relax total.
Como o Edinho é um ótimo cozinheiro, comemos uma moqueca de Xaréu por lá mesmo. R$ 50,00 dá para 3. Tem PF de R$ 18,00. As mesas ficam em um deck de frente para o mar com direito a luz de vela nas mesas. Uma delícia de lugar!
Noutro dia, o sol ameaçou sair, mas, ficou mesmo naquele mormaço forte.
Aproveitamos para ir até praia de Araçatibinha, Itaguaçu, onde tem uma grande pedra para subir e ficar mergulhando sem parar. Foi um sobe e mergulha à tarde inteira.
Depois fomos até o lagamar e a praia Vermelha. O lagamar é um cercado de pedras natural que forma uma piscina fantástica. Vale muito!
Não fomos até a gruta do Acaiá, pois já imaginava que sem sol, o efeito não aparece no fundo e não tem muita graça o que foi confirmado pelo Edinho e por outras pessoas. O bom mesmo é ir em dia de muito sol. Voltamos no fim de tarde para Araçatiba.
O café da manhã é excelente. Não deve nada aos bons hotéis do Abraão. Ponto para a Andréa e para o Edinho.
Noutro dia saímos de Araçatiba às 08:00h com muito sol e chegamos em Proveta às 09:30h. A subida é pesada, mas, tem um trecho quase plano que dá para desacelerar um pouco e logo vem a subida novamente. Também com muita água. É neste trecho que voce já pode ouvir os gritos dos Bugios. Provetá, (que tem uma população quase que totalmente evangélica) é uma praia muito bonita, e nós até tínhamos programado ficar aqui um dia, mas, como “quase todos” nos disseram para não ficar por aqui, por conta do pessoal “esquisito”, passamos direto atravessando a areia na maré baixa e subindo no final dela em direção ao Aventureiro. Em Provetá tem uma pousada chamada, Dos Meros. Deve ser boa. Agora, a população de Proveta tem consciência de que o turismo trás divisas e gera emprego, uma vez que as pescarias estão cada vez mais escassas. Tempos atrás, uma pessoa de biquíni tomando sol na praia, era “convidada” a se vestir, pelas mulheres do local. Hoje já não existe mais isto.
Eles estão precisando do turista. Não podem mais espantá-lo. Só não vale passar de biquíni em frente ao templo evangélico. A energia elétrica acaba aqui.
Bom, chegamos no Aventureiro às 11:15h, com muito sol. A subida é pesada, mas, como estávamos com pouco peso, foi moleza. A descida é que é um zigue-zague danado. Este trecho ao contrário me lembra a subida do Baepí, em Ilhabela.
Chegando lá, fomos direto no camping do Luis, pois me informaram que ele tem 1 quarto com chuveiro quente. Pois bem, ele tem, mas, estava ocupado. Ele serve café da manhã por item. Exemplo: café, tanto... leite, tanto... pão com manteiga, tanto... suco, tanto... queijo quente, tanto. Serve também o PF. PFF R$ 15,00 e PFR R$ 13,00. Pedimos indicação e lá fomos nós. Chegamos na Neneca e não gostamos. R$ 60,00 o casal sem banheiro dentro e sem café, mas, o chuveiro era quente. Tem uma pousada muito legal do lado esquerdo dela. É do Rafa. Pedimos para ver uma suíte (3 com chuveiro frio) e a mulher dele (com cara de sono) nos disse que não estava limpa.
Mesmo assim pedimos pra ver. Entramos e gostamos, mas, ela não foi clara. Ela nos disse que teria que limpar o quarto, e nos indicou para ir em outro lugar, dizendo que talvez, amanhã, tivesse que ir para Angra... Não entendi nada. Concluimos que ela não estava a fim de limpar nada.
Fomos até a Laís, esta sim, foi clara dizendo que não tinha mais mantimentos e que não poderia nos hospedar. Acabamos ficando no Ferreira em um quarto sem banheiro, mas, com chuveiro quente fora do quarto. O cara que estava tomando conta estava dormindo. Os quartos estavam todos sujos. A alegação foi que estava lotado e saíram ontem. Tá bom! Ele me disse que iria providenciar a limpeza e arrumação. Nos deu um outro quarto com chave para guardarmos nossas coisas e fomos para a praia. Um dos banheiros estava lastimável. O outro deu pro gasto. Depois de ficarmos explorando as praias do Demo e Aventureiro, voltamos pra tomar um banho quente de chuveiro a gás.
Jantamos o PRF do Luis que estava muito bom. Arroz, feijão, salada e peixe frito. Dormimos muito bem, e sem pernilongos. Como somos escolados pelo tempo de trilha, levamos um Raid na mochila para acabar com eles. Tomamos um café e seguimos para Parnaióca bem lentamente. Como estudamos nosso percurso, sabíamos que a baixamar (maré mais baixa) era para às 11:35h. Ou seja, iríamos caminhar pelas praias do Sul e do Leste com a maré bem baixa.
Então, saímos às 09:00h do Aventureiro com a maré baixando bastante, o que facilitou a caminhada nas praias do Sul, travessia do mangue na ilhota do Leste e caminhada na praia do Leste. O céu estava sem nuvem alguma e o sol já torrando. Passamos pelo costão do Demo numa boa pois a maré estava bem baixa.
O encontro da onda que volta com a onda que entra é fantástico.
Atravessamos a praia do sul na areia dura pois a água estava longe. Chegamos na ilhota do Leste às 10:00h. E o melhor, sem ninguém por perto. Atravessamos o riacho com água pela cintura e com as mochilas na cabeça. É fundamental verificar a tábua de marés para fazer a travessia Aventureiro/Parnaióca, pois atravessar as praias pela areia fofa na preamar (maré cheia), deve ser um saco. E a travessia do rio pode complicar com a maré totalmente cheia.
Ficamos tomando banho de rio (sem jacarés) e curtindo o local umas 3,5h. Quem aprecia história, a ilha do Leste foi um cemitério indígena. Arqueólogos escavaram até 3 metros de profundidade o local e descobriram ossadas e ornamentos de 3.000 anos. Antes dos Tupinambás determinadas tribos ocuparam a região. Prestem atenção no canto da praia do Leste umas pedras grandes com incisões.
São pedras amolador-polidor. São marcas milenares de pescadores-coletores que afiavam lâminas de pedras (suas armas de caça e pesca) em sulcos previamente cavados em grandes pedras achatadas.
Saímos da ilha do Leste às 13:30h com a maré ainda mais baixa, o sol a pino, caminhando e curtindo muito aquela água já quase sem onda e de um verde claríssimo.
Chegamos no canto da praia do Leste às 14:00h.
Vejam as pedras amolador polidor.
Se vc for fazer o trecho Aventureiro/Parnaióca no final de semana, poderá encontrar fiscais, portanto esquematize para passar este trecho no meio da semana. Foi o que fizemos. Ficamos no canto do Leste até às 16:30h, pois sabíamos que até Parnaióca eram mais 40/50 minutos. Levar máscaras e snorkel valeu! Ficamos mergulhando no canto até dar a hora. Vimos vários badejos, garoupas, peixe-cofre amarelo, bodiões, parús, tartarugas e até um cavalo-marinho quase escondidos nas algas.
Era hora de ir embora. Os Bugios estão gritando bastante. Saímos às 16:30 em direção a Parnaióca. A trilha é bem próxima do canto. Como oficialmente é proibido fazer reste trecho, a trilha é bem fechada, mas, está batida e não tem bifurcações. Chegamos em Parnaióca às 17:10h. Como já tínhamos combinado com a Janete que ficaríamos por lá, fomos direto.
Passamos pelo Sílvio e falamos com o caseiro que toma conta do local. Ele cobra R$ 20,00 por pessoa para acampar. Passamos pela casa dos pais da Janete e logo ao lado está a bela casa da Janete. A Janete 24-99977160, tem 3 suítes na casa dela, 1 com chuveiro quente (R$ 90,00 o casal) e 2 com chuveiro frio (R$ 70,00). Café da manhã (R$ 6,00) e jantar (R$ 15,00) à parte. Depois da praia do Sul e do Leste, Parnaióca foi a que mais gostamos. É realmente uma praia belíssima e resolvemos ficar mais 1 dia. Mergulhamos no lado direito e esquerdo do costão. O direito tem peixes maiores. O esquerdo tem peixes menores e vimos 3 tartarugas. A água estava quente e com uma visibilidade excelente de 15 à 20 metros. Tem um belo rio logo na chegada e uma pequena cachoeira próximo da praia. Dá pra ir caminhando pelas pedras do rio ou por uma trilha. Tem outros locais interessantes, mas, a Janete não revela pra ninguém! Ela está certa. Parnaióca, no passado, já teve uma população de mais de mil habitantes. Hoje tem 6 (seis) habitantes. Parnaióca já teve fazendas de cana de açúcar, café, casas de farinha... Se andarem lá pro sertão, certamente encontrarão vestígios destes tempos ricos.
As terras da Janete foram de seu bisavô, portanto, ela tem mais é que lutar pela preservação do local. E ela tem travado duras batalhas com a especulação imobiliária. Como o local é Parque Estadual, não se pode construir nada, mas, grupos poderosos já tentaram artifícios. Brava Janete, esperamos e devemos contribuir, e colaborar com a sua luta para preservar este santuário.
Nossos corpos foram embora, mas, nossas almas ficaram!
Bom, ficamos no paraíso mais um dia e saímos (neste lugar certamente voltaremos) às 09:00h em direção à Dois Rios. Quanto ao trecho que houve o escorregamento, ele fica próximo a Dois Rios. Vejam as fotos abaixo:
Dá para passar muito bem, mas, caso esteja chovendo forte, não aconselho, pois, aquilo ainda vai descer mais. A coisa está feia! E como não dá para saber como está chovendo na cabeceira, o melhor é nem sair de Parnaióca. Abaixo, outro pequeno escorregamento.
Chegamos em Dois Rios às 11:15h, conhecemos o museu da prisão e fomos para a praia. No canto direito deságua um rio de água claríssima e gelada. A água do mar estava bem mais gelada que Parnaióca. Saímos de Dois Rios às 14:30h caminhando com um casal. Ela brasileira e ele alemão. Íamos pegar os atalhos, mas, como o papo estava bom, seguimos mesmo pelo estradão. Chegamos no Abraão às 16:45h.