Pessoal, segue abaixo matéria que transcrevo da Revista "Planeta" de setembro/2012, edição 480, sobre o volunturismo.
"Em 1980, o pesquisador, mergulhador e documentarista Jacques Costeau precisava de ajudantes para expedições em alto-mar. Não dispunha de verba para contratações e abriu vagas para voluntários acompanharem suas viagens submarinas. Em troca, oferecia avebturas a bordo do Calypso. Trinta anos depois, a prática se profissionalizou e ganhou nome: volunturismo.
Nessa forma especial de turismo, os princípios básicos são participação ativa do viajante, trabalho voluntário por causas sociais, humanitárias ou ambientais e ausência de motivação financeira. Quem decide viajar nesse moldes, dependendo do esquema, paga não só pela passagem mas também pela acomodação - que passa longe de mordomias de hotéis estrelados. O custo varia de acordo com o tempo de estadia, o país viajado e o lugar de trabalho. Mas quem já se engajou nessa causa diz que cada centavo é válido.
"Quando você sente que já transformando não só a si mesmo, mas também impactando positivamente uma comunidade, esquece que houve troca monetária envolvida. No meu caso, quanto mais pobre o lugar , mais prazer eu tive em pagar", diz a ex-empresária americana Della Meyers, de 56 anos, que, depois de trabalhar com animais como voluntária na Tailândia, África do Sul e Bali, vendeu uma livraria na França e se mudou para uma comunidade agrícola em Israel.
Para ser um volunturista, além de coragem e adequação financeira, é necessário ter tempo suficiente pra gastar na viagem. O período de permanência pode variar de 2 semanas a um ano e meio, po´rem a estadia mínima e a máxima dependem do acordo com a organização hospedeira. O perfil ideal de um volunturista requer proatividade, disposição, flexibilidade, responsabilidade e vontade de se envolver com atividades que não somam somente para o próprio prazer.
Em média, são 5 horas de trabalho por dia em cinco dias por semana. Antes de pegar o avião, é preciso saber exatamente a quantidade de tempo e a atividade para a qual o voluntário está se propondo. É importante também ler não só os guias de viagens do local de destino, mas se informar sobre a situação política e econômica e sobre a cultura dol ugar, para evitar gafes e não sofrer muito com o inevitável choque cultural.
A acupunturista americana Julianna Englund-Flores passou dois meses como voluntária numa clínica de partos humanizados em Bali. Se não soubesse de antemão a situação econômica da ilha na Indonésia, teria se assustado com a quantidade de pessoas que pediram dinheiro emprestado a ela.
O balinês é um povo muito amoroso, que faz amigos facilmente. Por outro lado, são paupérrimos e acham que todos os estrangeiros são ricos, porque podem comprar itens considerados básicos para nós, como legumes e queijo. Se eu não soubesse que a situação financeira deles é bastante difícil (a renda per capita é de U$ 967, contra U$ 12500, no Brasil), teria cortado relações com as pessoas que me pediram quantias de dinheiro consideradas abusivas no meu país. Além de prestar serviços como acupunturista a grávidas, ela também ensinou inglês a famílias balinesas.
Foi por meio da Organização Help Exchange que Samanhta Levy, arquiteta sul-africana radicada na Austrália rodou o mundo. "O melhor e o pior de uma viagem como volunturista é a volta pra casa. Percebi que há diversas maneiras de viver e expressar a existência e aquilo me mudou para sempre. Não dava pra continuar vivendo do mesmo jeito", conta ela, que saiu de casa em março de 2011 para estudar design sustentável no deserto israelense, po 5 meses, e só voltou para Melbourne um ano depois, após passar por Portugal, Itália, França, trabalhando como voluntária em comunidades agrícolas e ecovilas.
já em casa, Samantha recusou a proposta de emprego no maior escritório de arquitetura da Austrália e voltou para a faculdade, dessa vez pra estudar bioarquitetura, enquanto lança um site que "revela as verdades sobre os nossos atuais sistemas urbanos e promove projetos que fornecem às pessoas novas alternativas para felicidade, saúde e riqueza social".
Decidir aproveitas as férias sem cadeira de praia e guarda-sol, mimos de spa ou um estoque infinito de piñas coladas não é fácil, mas a recompensa de ser útil é grande. Após uma viagem na qual o benefício não é somente para si próprio, mas para centenas de pessoas, animais ou até toda uma região, o viajante dificilmente volta com a mesma visão de mundo que tinha nates de embarcar. E não é esse o grande motivo de viajar: conhecer outras culturas e possibilidades?
Ao se voluntariar para presatar serviços ao redor do mundo, o viajante precisa estar disposto a enfrentar acomodações um tanto rústicas. O carioca Arão Benchimol trabalha em uma ONG israelense com pessoas com necessidades especiais. Já passou cinco semanas trabalhando em um vilarejo no Nepal com educação informal de joens, orientação de monitores de uma escola para cegos e ensino de técnicas básicas de defesa pessoal para crianças.
Para ele, uma experiência desse tipo demanda grau de desapego a coisas materiais. "No meu caso, a vida no vilarejo significou uma casa de barro, onde ratos e arnhas coabitavam cxomigo e o banheiro era um buraco no chão, fora da construção principal. Geladeira era luxo. Passei meses sem ver microondas. Internet, só na cidade vizinha. A água que se usa para lavanderia, banho e para se cozinhar é bege. Cozinha-se e come-se no chão." Mesmo com tantas intempéries, Arão acredita que a experiência foi totalmente válida. "Volta-se sensível, mais consciente e bem mais cuidadoso".
O empreendedor social carioca Henrique Drummond, teve o cuidado de escolher a atividade que faria em Moçambique. Por 3 mese,s ajudou a desenvolver o modelo financeiro de uma franquia de moinhos para mihlo e outros gráos, capacitando pequenas empreendedoras e desenvolver negócios e agregar valor a eles e à população local. " o fato de ser uma proposta de redução da pobreza por meio da promoção do empreendedorismo e não de assistencialismo foi muito decisiva pra minha participação, já que está mais em linha com o que acredito que seja mais impactante e sustentável".
Drummond foi pra Moçambique por meio da TechnoServe, uma ONG americana que leva empreendedores para países em desenvolvimento a fim de desenvolver fazendas, empresas e indústrias competitivas. Os principais custos (passagens, hospedagem e gastos diários) foram cobertos pela organização durante todo o tempo em que passou no país - uma prática não usual quando se fala de volunturismo. Via de regra, quem paga pela experiência é o próprio voluntário, principalmente se o trato entre ele e o lugar em que trabalhará se der por meio dos sites que facilitam a prática.
Henrique voltou ao Brasil com uma certeza: seria um empreendedor social, visando em primeiro lugar ao impacto social e não ao lucro. Sua decisão está lainhada com a dos outros tantos volunturistas que se aventuram pelo mundo em busca de experiências externas e voltam com novas e inúmeras descobertas internas.
Pessoal, segue abaixo matéria que transcrevo da Revista "Planeta" de setembro/2012, edição 480, sobre o volunturismo.
"Em 1980, o pesquisador, mergulhador e documentarista Jacques Costeau precisava de ajudantes para expedições em alto-mar. Não dispunha de verba para contratações e abriu vagas para voluntários acompanharem suas viagens submarinas. Em troca, oferecia avebturas a bordo do Calypso. Trinta anos depois, a prática se profissionalizou e ganhou nome: volunturismo.
Nessa forma especial de turismo, os princípios básicos são participação ativa do viajante, trabalho voluntário por causas sociais, humanitárias ou ambientais e ausência de motivação financeira. Quem decide viajar nesse moldes, dependendo do esquema, paga não só pela passagem mas também pela acomodação - que passa longe de mordomias de hotéis estrelados. O custo varia de acordo com o tempo de estadia, o país viajado e o lugar de trabalho. Mas quem já se engajou nessa causa diz que cada centavo é válido.
"Quando você sente que já transformando não só a si mesmo, mas também impactando positivamente uma comunidade, esquece que houve troca monetária envolvida. No meu caso, quanto mais pobre o lugar , mais prazer eu tive em pagar", diz a ex-empresária americana Della Meyers, de 56 anos, que, depois de trabalhar com animais como voluntária na Tailândia, África do Sul e Bali, vendeu uma livraria na França e se mudou para uma comunidade agrícola em Israel.
Para ser um volunturista, além de coragem e adequação financeira, é necessário ter tempo suficiente pra gastar na viagem. O período de permanência pode variar de 2 semanas a um ano e meio, po´rem a estadia mínima e a máxima dependem do acordo com a organização hospedeira. O perfil ideal de um volunturista requer proatividade, disposição, flexibilidade, responsabilidade e vontade de se envolver com atividades que não somam somente para o próprio prazer.
Em média, são 5 horas de trabalho por dia em cinco dias por semana. Antes de pegar o avião, é preciso saber exatamente a quantidade de tempo e a atividade para a qual o voluntário está se propondo. É importante também ler não só os guias de viagens do local de destino, mas se informar sobre a situação política e econômica e sobre a cultura dol ugar, para evitar gafes e não sofrer muito com o inevitável choque cultural.
A acupunturista americana Julianna Englund-Flores passou dois meses como voluntária numa clínica de partos humanizados em Bali. Se não soubesse de antemão a situação econômica da ilha na Indonésia, teria se assustado com a quantidade de pessoas que pediram dinheiro emprestado a ela.
O balinês é um povo muito amoroso, que faz amigos facilmente. Por outro lado, são paupérrimos e acham que todos os estrangeiros são ricos, porque podem comprar itens considerados básicos para nós, como legumes e queijo. Se eu não soubesse que a situação financeira deles é bastante difícil (a renda per capita é de U$ 967, contra U$ 12500, no Brasil), teria cortado relações com as pessoas que me pediram quantias de dinheiro consideradas abusivas no meu país. Além de prestar serviços como acupunturista a grávidas, ela também ensinou inglês a famílias balinesas.
Foi por meio da Organização Help Exchange que Samanhta Levy, arquiteta sul-africana radicada na Austrália rodou o mundo. "O melhor e o pior de uma viagem como volunturista é a volta pra casa. Percebi que há diversas maneiras de viver e expressar a existência e aquilo me mudou para sempre. Não dava pra continuar vivendo do mesmo jeito", conta ela, que saiu de casa em março de 2011 para estudar design sustentável no deserto israelense, po 5 meses, e só voltou para Melbourne um ano depois, após passar por Portugal, Itália, França, trabalhando como voluntária em comunidades agrícolas e ecovilas.
já em casa, Samantha recusou a proposta de emprego no maior escritório de arquitetura da Austrália e voltou para a faculdade, dessa vez pra estudar bioarquitetura, enquanto lança um site que "revela as verdades sobre os nossos atuais sistemas urbanos e promove projetos que fornecem às pessoas novas alternativas para felicidade, saúde e riqueza social".
Decidir aproveitas as férias sem cadeira de praia e guarda-sol, mimos de spa ou um estoque infinito de piñas coladas não é fácil, mas a recompensa de ser útil é grande. Após uma viagem na qual o benefício não é somente para si próprio, mas para centenas de pessoas, animais ou até toda uma região, o viajante dificilmente volta com a mesma visão de mundo que tinha nates de embarcar. E não é esse o grande motivo de viajar: conhecer outras culturas e possibilidades?
Ao se voluntariar para presatar serviços ao redor do mundo, o viajante precisa estar disposto a enfrentar acomodações um tanto rústicas. O carioca Arão Benchimol trabalha em uma ONG israelense com pessoas com necessidades especiais. Já passou cinco semanas trabalhando em um vilarejo no Nepal com educação informal de joens, orientação de monitores de uma escola para cegos e ensino de técnicas básicas de defesa pessoal para crianças.
Para ele, uma experiência desse tipo demanda grau de desapego a coisas materiais. "No meu caso, a vida no vilarejo significou uma casa de barro, onde ratos e arnhas coabitavam cxomigo e o banheiro era um buraco no chão, fora da construção principal. Geladeira era luxo. Passei meses sem ver microondas. Internet, só na cidade vizinha. A água que se usa para lavanderia, banho e para se cozinhar é bege. Cozinha-se e come-se no chão." Mesmo com tantas intempéries, Arão acredita que a experiência foi totalmente válida. "Volta-se sensível, mais consciente e bem mais cuidadoso".
O empreendedor social carioca Henrique Drummond, teve o cuidado de escolher a atividade que faria em Moçambique. Por 3 mese,s ajudou a desenvolver o modelo financeiro de uma franquia de moinhos para mihlo e outros gráos, capacitando pequenas empreendedoras e desenvolver negócios e agregar valor a eles e à população local. " o fato de ser uma proposta de redução da pobreza por meio da promoção do empreendedorismo e não de assistencialismo foi muito decisiva pra minha participação, já que está mais em linha com o que acredito que seja mais impactante e sustentável".
Drummond foi pra Moçambique por meio da TechnoServe, uma ONG americana que leva empreendedores para países em desenvolvimento a fim de desenvolver fazendas, empresas e indústrias competitivas. Os principais custos (passagens, hospedagem e gastos diários) foram cobertos pela organização durante todo o tempo em que passou no país - uma prática não usual quando se fala de volunturismo. Via de regra, quem paga pela experiência é o próprio voluntário, principalmente se o trato entre ele e o lugar em que trabalhará se der por meio dos sites que facilitam a prática.
Henrique voltou ao Brasil com uma certeza: seria um empreendedor social, visando em primeiro lugar ao impacto social e não ao lucro. Sua decisão está lainhada com a dos outros tantos volunturistas que se aventuram pelo mundo em busca de experiências externas e voltam com novas e inúmeras descobertas internas.