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Andre Costa1502426132

De Bicicleta Florianopolis(SC) -> Ourinhos(SP)

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Fala Galera!!

Espero que gostem do meu relato da viagem que fiz semana passada com a minha magrela! =)

 

Qualquer dúvida ou sugestao, posta ae =)

Antes de tudo, todas as fotos estao aqui:

http://picasaweb.google.com/andre.costa.inf/CicloviagemFlorianopolisSCOurinhosSP

 

Viagem Bike Florianopolis(SC) - Ourinhos(SP)

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Números da Viagem

Distância Total:739,74km

Tempo Total Pedalando:41h43min29s

Média Velocidade: 17,7km/Hora

Gastos com comida: R$40

Gastos com hospedagem: R$15

Gastos com manutenção da bike: R$30

Pneus furados : 1

Kg de banana consumidas ~4,5Kg

Kg de outras frutas consumidas ~2,5kg

 

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1º Dia - 19 Julho 2009

Tempo: 9h 54min 16s

Distância 217,75km

Média 21,9

Máxima 53km

Local saida Florianópolis(SC)

Local chegada Garuva(SC)

 

DSC03260.JPG

 

Depois de apenas 3h sono, já que tive muita ansiedade da minha primeira viagem sozinho, acordei antes do despertador tocar.

Saí de casa as 4h, e passei pela ciclovia da beira mar norte. Quando passei por baixo da ponte Hercílio Luz uma surpresa, a ciclovia tinha se transformado em um estacionamento de táxis, isso mesmo (detalhe nas fotos)!!!

 

Me encontrei com o Duan e o Lucas debaixo da outra ponte e seguimos no escuro, e após 50km de pedal fui contemplado com o primeiro (e único, ufa...) furo no pneu. Troquei a câmara rapidinho já que tive a ajuda dos 2 e seguimos aproveitando o bom vento sul que soprava nas nossas costas. Passando por Balneário Camburiú me despedi do Duan e do Lucas e segui sozinho pela BR101.

 

Depois de quase 10h de pedal, decidi que era a hora de procurar um lugar para acampar já que faltava pouco para escurecer. Passei por um dos primeiros riozinhos que descem da serra, e pensei que ali poderia encontrar um sítio para acampar e aproveitar aquele rio para tomar um banho frio =p. Cheguei em um lugar que seria um hotel fazenda, então decidi arriscar pedir para acampar lá e utilizar o banheiro apenas para tomar banho em troca de uma pequena taxa - estava disposto a gastar uns 5 reais nisso, hehe. Conversei com algumas pessoas que cuidavam do lugar e expliquei minha situação, não mais que 1 minuto depois já tinham concordado que eu deveria ficar, e que "a minha presença pagaria as despesas" =). Fui chamado para tomar café, - sim, cheguei na hora certa, hahaha- então foram surgindo curiosos fazendo várias perguntas que até então eu pensei serem hospedes do hotel. Pouco depois me explicaram que eu estava na fazenda Esperança da Igreja Católica, e aquele era um lugar onde dependentes químicos passam um ano trabalhando para se recuperarem do vício.

 

Fiquei realmente feliz em logo na primeira noite encontrar um lugar como aquele, onde eu pude conhecer várias pessoas e histórias -algumas dessas histórias bem pesadas.

As pessoas que mais me marcaram lá foram o Alex que estava na fazenda a 8 meses, e o Alyson que me deu a nobre missão de entregar uma carta a sua mãe na cidade de Carambeí, já que essa cidade fazia parte do meu caminho eu rapidamente aceitei.

Após jantar com o pessoal, fui convidado a participar da reza do terço e do café da manhã no dia seguinte as 7hrs, fui então arrumar minha barraca em um local coberto para poder recuperar o sono da noite anterior.

DSC03287.JPG

Enquanto escrevia o diário de bordo o Alyson me presenteou com um terço.

 

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2º Dia - 20 Julho 2009

Tempo: 6h 1min 16s

Distância 101,74km

Média 16,8

Máxima 63,3km

Local chegada Curitiba(PR)

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DSC03292.JPG

Acordei as 6H, arrumei minhas coisas, e fui rezar o terço com o pessoal. Foi um momento bastante comovente, na oração de alguns deles pediram para que minha viagem fosse abençoada, e eu no final do terço agradeci a todos pelo momento ali com eles.

Ao término do café da manhã pedi a todos uma foto de recordação. Na minha saída me falaram que eu precisaria de combustível para subir a serra, por isso me deram uns 2kg de bananas e 2 pães. Falaram também que eu poderia voltar sempre que precisasse, e que eu deveria trazer da próxima vez mais ciclistAs e não ciclistOs, ahhahahahahahaha. Piadas como essa me fizeram perceber que eles gostam muito não só do lugar lá, mas também da oportunidade que eles tem de se recuperar.

Parti na esperança de ter dado força na jornada deles, que com certeza é muito mais díficil do que a jornada que eu tinha pela frente. Estou torcendo muito pela recuperação de cada um deles.

 

A subida da serra não foi tão cruel como eu esperava, a não ser terceiras faixas da pista - nessa hora não havia acostamento. A maioria dos caminhões passavam com uma distância boa de min, a não ser por uns 2 que passaram "tipo os ônibus de Florianópolis".

 

Parei em um SOS usuário chegando em São José dos Pinhais, para usar o banheiro. Quando estava saindo, surpresa!! Tinha uma jarra de café quentinho, hahahaha. Tinha um pessoal pegando aqueles copinhos próprios para café, até que eu, super sujo e com colete refletivo peguei o copo de água (maior que os de cafézinho) e enchi até a boca de café, ehheehhehe. Tomei, e voltei para a bicicleta, quando lembrei que tinha leite solúvel no alforge, fiz questão de voltar e pegar outro copo de café fazendo o clássico pingado (que da pra ser visto na foto abaixo =p).

DSC03323.JPG

 

Um pouco de pedal depois, cheguei na casa dos meus Tios em Curitiba. Resolvi então dar uma limpada na corrente da bike quando percebo que o meu pedivela estava com um "jogo". Corri numa bicicletaria já que ainda eram 17hrs. Por sorte, encontrei a pior bicicletaria de Curitiba -é, eu ainda não sabia disso. O rapaz que me atendeu era bem gente boa, mas me enrolou pra caramba. Colocou um eixo central novo na bike que não deixava a ultima coroa entrar. Ae ele tirou tudo denovo e percebeu que não tinha um eixo exatamente do tamanho do que eu precisava. Mexeu mexeu até que conseguiu um eixo lá meio usado em que a minha terceira coroa entrava - é, isso já era depois das 18hrs então tive que deixar assim mesmo - então finalmente encostei na minha carteira pela primeira vez na viagem.

 

Bom, não preciso dizer que fui super bem recebido na casa dos meus tios né, hehehehe. No jantar resolvi preparar uma mega marmita top para aguentar o "pega" do outro dia (vejam foto =p).

DSC03329.JPG

 

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3º Dia - 21 Julho 2009

Tempo: 7h 28min 35s

Distância 129,47km

Média 17,3

Máxima 59,3km

Local chegada Carambeí(PR)

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Meu tio por motivos de segurança me levou para a saída de Curitiba com a sua caminhonete.

 

Pedalei bastante aproveitando ainda as bananas do dia anterior e a bela marmita, mas chegando em Ponta Grossa a coisa engrossou -puts, essa piadinha foi péssima- graças as terceiras faixas que não me deixaram opção a não ser pedalar pela grama em alguns locais.

Finalmente cheguei a Carambeí onde deveria entregar a carta do Alyson. Conversei com a irmã dele que ligou para a dona Lourdes. Ambas ficaram super desconfiadas e surpresas com a minha história e só relaxaram um pouco após abrirem a carta.

 

Após me agradecerem, me perguntaram se eu precisava de alguma coisa, bom, tive que mandar na lata já que o dia estava terminando: "Estou precisando de um lugar para passar a noite, e gostaria de saber se posso acampar no quintal de vocês". Depois de pensarem bastante decidiram que eu poderia ficar, e que, se quisesse, até poderia ficar no quarto do filho. Depois de conversar um pouco decidi ficar na garagem.

DSC03341.JPG

 

No resto do dia fiz minha marmita para o outro dia, e estou ouvindo alguns NerdCast's enquanto minhas polentas sapecam =p.

DSC03348.JPG

 

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4º Dia - 22 Julho 2009

Tempo: 10h 6min 15s

Distância 156,39km

Média 15,4

Máxima 52,9km

Local chegada Wenceslau Brás(PR)

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Acordei as 6, e fui me despedir da Dona Lourdes. Entreguei meu contato de email para ela, e pedi para que quando o Alyson sair da fazenda, ele me mandasse um email dizendo como foi seu tempo lá, e então eu poderia passar as fotos para ele. Tirei uma foto com ela, e finalmente me toquei de que eu poderia mostrar as fotos da camera que tirei com o Alyson na fazenda.

Depois que ela viu a foto ela falou um monte: Nossa, o Alyson continua lá, que bom, você é gente boa, etc etc... Só então ela de fato perdeu a desconfiança comigo. Quando parti, nos meus momentos de meditações ali em cima da bike fiquei pensando como ela teria deixado eu passar a noite lá e percebi que um dos motivos era que eu estava de bike.

 

Peguei um vento contra forte nesse dia, e tive que me esforçar bastante para manter uma média de velocidade baixa. Nas poucas descidas que tinha pela frente não tinha mais a terceira coroa graças ao belooo serviço em Curitiba, o meu eixo central começou a se soltar bem devagar, por isso a última coroa não entrava mesmo com o câmbio no máximo.

 

Pedalei até o anoitecer e parei no primeiro barzinho que vi em Wenceslau para encher as garrafinhas e tomar um refri. Quando estava quase saindo apareceram 2 garotos com umas bikes bem envocadas que me escoltaram até uma pequena pousada na saída da cidade. Conversei bastante com eles, tiramos fotos e depois agradeci, só então para me recolher aos meus simples simpless aposentos - também, por R$15 com café incluso, valeu bastante =p.

DSC03361.JPG

DSC03371.JPG

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5º Dia - 23 Julho 2009

Tempo: 8h 13min 23s

Distância 134,39km

Média 16,3

Máxima 52,1km

Local chegada Ourinhos(SP)

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Comi super bem no café da manhã enquanto o mundo desabava de chover do lado de fora. Me embalei, embalei todas as coisas, e fui para o que seria o "pequeno passeio do último dia". É, eu pensei que ia ser tranquilo.

 

A chuva nem as subidas deram trégua. Foi só isso o dia todo, não podia parar muito tempo senão o meu corpo que já estava um pouco molhado esfriaria.

 

A ansiedade da chegada estava me incomodando um pouco, até que decidi que deveria me distrair, senão o dia seria ainda mais difícil.Por isso foquei no objetivo mais próximo, aheuieahuae, o "coxinhão do chapadão", botei isso na cabeça e fui criando variações da música como: "o coxinhão do chapadão é bão, é muito bão", até chegar no posto Chapadão encharcado. Troquei as meias, e coloquei uma blusa para me esquentar e fui comer o meu trunfo - a coxinha que nem estava tão boa assim, ehehhe.

 

Depois de mais algumas horas de pedal, finalmente cheguei ao rio que divide o Paraná e São Paulo, o rio Paranapanema. Cruzei a ponte, tirei algumas fotos em SP OURINHONHOSS, e fui para casa ainda em tempo de salvar meus pais de um ataque cardíaco. =)

DSC03381.JPG

 

A viagem foi show! Mas foi muito corrida, gostaria de ter tido mais tempo para observar mais as coisas, e ouvir mais as pessoas no caminho.

 

 

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Cara, muito bom o seu relato!! São situações como essa que passou, na casa de recuperação, que me motivam a viajar, conhecer novos lugares, e conversar o máximo que puder com os moradores locais.

 

 

Grande abraço!!

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Valeu!! =)

 

E oque eu posso dizer mais... Que viajando de bike as portas se abrem pra pessoa, já que sempre vai ser algo diferente do que todos estao acostumados a ver. Com isso conseguimos entrar em contato com mais pessoas, e conhecer de verdade o caminho e a cultura a partir da origem até o ponto destino, ao contrário de outros meios de transporte em que a pessoa é "teletransportada" ao ponto destino.

 

É o melhor jeito de viajar! =)

Abraçoo

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Garoto!!!!!!!! Muito bacana seu relato. Na hora que lí o título do post pensei...quem é o doido que sai de Floripa pra ir a Ourinhos???hauahuahauhaua....mas na verdade eu passei os melhores momentos da minha adolescencia nessa cidade de barro vermelho e povo gente boa que é Ourinhos....

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Opa!

Que bom que gostou do relato! =)

 

Pois é, tenho saudade de Ourinhos.. Meus pais ainda moram lá, e eu estudo em Florianopolis... Ae como eu tinha so uma semana de ferias, queria viajar de bike e queria ir para Ourinhos juntei tudo e deu nisso ! eheheehehe

Valeu

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gostei do relato. daqui onde tô acessando não dá pra fver as outras fotos, mas fiquei curioso:

 

1. o fogareiro utilizado é espiriteira de lata de refri, se eutô vendo bem. é isso, né? é bem leve.

 

2. a MTB tá com guidão drop. não consigo ver os trocadores. tá usando sti ou trocador separado?

 

3. qual a configuração de marchas que tá usando?

 

4. que pneus tá usando nessa viagem?

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1. o fogareiro utilizado é espiriteira de lata de refri, se eutô vendo bem. é isso, né? é bem leve.

 

Ta vendo mal ogum é lata de CERVEJA ::lol4:: ele usou uma de skol..rs

 

Andre mto bom o relato! Legal a convivencia que vc teve na fazenda da recuperação, esse pessoal precisa de um exemplo simples que vem de fora, mostrando que vencer desafios é possível. Bela atitude a sua entregando a carta de um filho à mãe.

 

Abraços

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Valeuu Galera! =)

 

Respondendo as perguntas do ogum

1. o fogareiro utilizado é espiriteira de lata de refri, se eutô vendo bem. é isso, né? é bem leve.

Isso! quer dizer, quase isso, eheheheh... Usei latinhas de skol daquela nova, aquela que é 250ml (algo assim).

Tipo, fiz vários testes com espiriteira, e percebi que construir espiriteira com lata de refri normal é mais dificil e fica pior do que usando essas latinhas menores.... Não sei por que, mas essas latinhas não racham quando eu encaixo uma na outra, fica mto melhor do que usar as latas de 350ml =p

 

Ela é uma pena, e super econômica dependendo do modelo que você faz... as que não usam pressão normalmente são mais econômicas...... essa mesmo dava uma pressãozinha, mas mesmo assim eu viajei só com uns 200ml de álcool e ainda não gastei tudo =p

 

2. a MTB tá com guidão drop. não consigo ver os trocadores. tá usando sti ou trocador separado?

Estou usando um trocador de alavanquinha preso na mesa... é um trocador super antigo (nem indexado ele é... ehhehe), mas pra cicloturismo serve mto bem =)

 

3. qual a configuração de marchas que tá usando?

N entendi... quantas marchas a bike tem? 3 coroas e 7 marchas... é isso?

 

4. que pneus tá usando nessa viagem?

Então.... usei 2 diferentes... ambos são slick de medida "2".

O de trás é um pirelli daytona, e o da frente é um levorin praieiro. São bem baratos, paguei 20 reais no levorin e 25 no pirelli. Tipo, não sei se vão durar muito.... O pirelli tá com uns 2mil km e já está cheio de furinhos, mas tá interão sabe, quem sabe chegue em uns 5mil... O levorin tem uns mil km, e como estou usando ele na frente , ainda está inteirinho...

 

 

1. o fogareiro utilizado é espiriteira de lata de refri, se eutô vendo bem. é isso, né? é bem leve.

 

Ta vendo mal ogum é lata de CERVEJA ::lol4:: ele usou uma de skol..rs

 

Andre mto bom o relato! Legal a convivencia que vc teve na fazenda da recuperação, esse pessoal precisa de um exemplo simples que vem de fora, mostrando que vencer desafios é possível. Bela atitude a sua entregando a carta de um filho à mãe.

 

Abraços

 

Eheheheeheh, pois é...... usei a lata de cerveja só por que essa latinha da skol tem o tamanho menor do que as latas convencionais....... ahhaha, :lol: aheuieahuae, quem eu quero enganar...... usei lata de cerveja por que ela é mais facilmente encontrada no meu lixo, haueihaeuae =)

 

Pois é Marcos, me senti privilegiado em ter ficado em um lugar como aquele, e logo na primeira noite!!! Saí de lá tranquilo para enfrentar as dificuldades que viriam pela frente, e também sabendo de que eles todos estariam rezando e torcendo por min assim como eu estou por eles.

 

Valeuu! =)

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