Apesar de acompanhar há algum tempo o Mochileiros, é a primeira vez que resolvo fazer um relato.
No início de 2013 parti do Rio com destino a Porto seguro com uma amiga de ônibus e de lá partimos para Valença e por fim, Morro de São Paulo. Ainda pretendo fazer um pequeno relato, ainda que não acrescente tanto, já que alguns lugares deixei de conhecer por ter passado muito mal do estômago.
No início deste ano fiz a rota que tem mais relatos por aqui: Bolívia, Chile e Peru. Tinha tudo para fazer um belo relato, mas no fim da viagem caí no velho golpe do taxi e levaram minha Gopro e Canon T5 novas. Algo que me deixou triste por um bom tempo, pois ainda estou pagando, mas algumas fotos, ao menos, consegui tirar.
Enfim, sempre tive vontade de viajar pela Europa pela facilidade de locomoção e alimentação. Tudo é muito acessível, vale a pena ir só, pois o que você mais vai conhecer por esse mundo é gente.
Conheci em 2009 e 2011 a Itália e fiz um stop over em Paris, no Inverno e no verão. Nessa época o dolar estava pouco mais de 1,50, então posso dizer que nessas duas primeiras viagens consegui aproveitar bem, mesmo com um emprego que ganhava bem pouco.
Hoje a realidade é diferente. O dólar está 3,25 e o Euro 3,55, sem falar no valor do câmbio.
Saí do meu emprego (a libertação) depois de 3 anos e meio e resolvi torrar parte da grana da rescisão, fazendo o que mais gosto: viajando.
Mas como nem tudo são flores, só consegui fazer a homologação no dia 4 de maio, uma semana antes de embarcar. Apenas com o dinheiro na mão consegui comprar minhas passagens internas que, infelizmente, não poderia ser de low cost, por ter uma bagagem de mais de 20 kg e também não poderia ir de trem, pois cada trecho das passagens já estavam mais de 150 euros. Tive que apelar para o Low budget, Pegando Megabus e Eurolines, por sorte meu roteiro era folgado. Fiquei em casa de alguns amigos expatriados, outros amigos europeus que conheci na viagem pela América do Sul e testei o Couchsurfing pela primeira vez. Este último tive que pensar muito bem, pois há excelentes anfitriões, outros não muito confiáveis. Vou contando...
13/05 - Rio X Frankfurt X Amsterdam
Saí de casa 16:30 hs a fim de chegar ao aeroporto 19 horas, pois o voo era 22:10 e, como eu já perdi um voo internacional pra Colômbia pela Tam, não quis me arriscar e saí 2:30 antes da abertura do check-in, eu já havia feito o check-in pela internet, mas não queria mesmo me arriscar.
Peguei o metrô e o BRT para não correr risco de pegar acidentes, pois era hora do rush e o Rio tem obras pra tudo quanto é lado, não é que mesmo assim cheguei 19:15, na abertura do check-in?
O Jumbo 747-8 da Lufthansa, decolou pontualmente às 22:10, voo tão vazio que fiquei realmente assustada. A crise no setor aéreo bateu com tudo pela alta do dólar. Comissários super atenciosos. Serviram o jantar uma hora depois da decolagem, a galera estava azul de fome, inclusive eu. A comida foi realmente farta, mas eu não curti muito, não. Nessa parte, sou mais a Air France. Comida maravilhosa e com vários pratos, mas a Lufthansa me ganhou por servirem com talheres de aço (com um formato diferente do convencional), assim se come bem melhor.
Logo depois do jantar todos dormiram e quando acordamos o avião já estava a 1 hora e meia para o pouso. Achei esse horário excelente, pois nem percebi que estava fazendo um voo de 11 horas. Tomei o café da manhã e logo o avião aterrissou em Frankfurt.
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Cheguei em Amsterdam as 18 horas e lá estava meu amigo Paul, que conheci em La Paz, me esperando. Ele é holandês e seguimos de trem para Utrecht, onde ele morava.
Chegando em Utrecht Centraal
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A única coisa que consegui encontrar foram fleeces e capas de chuva, comprei dois fleeces por 20 euros o total e me salvei um pouco nessa primavera fria holandesa.
Mais tarde peguei o trem, estava preocupada, pois não me lembrava exatamente o caminho de casa e se o meu amigo havia chegado. Mas acontece que na Holanda há wifi free em todos os lugares. Qualquer transporte público, praça. Você não se perde! então passei um whats para o Paul e ele já estava em casa. As 18 horas, com o sol lá em cima ainda, ele Disse: "vem que tem jantar antes da festa". Eu acho que eles jantam muito cedo, talvez porque eles almoçam apenas sanduíche. Quando eu cheguei, já peguei o sinal do wifi da casa dele, avisei que havia chegado e ele desceu de avental e tudo pra abrir a porta. Quando subi, tudo pronto, um frango tailandês, com molho e castanhas, bem adocicado e apimentado e arroz integral à parte. Ele perguntou se eu gostava e eu disse: "claro" adoro comidas diferentes!" e estava pra lá de bom. E ele: "eu sei que é bom, sou um bom cozinheiro" Eu: tá, só seja menos convencido. Mas obrigada pelo jantar. Estava maravilhoso e é uma bela economia no dia!"
Deu 22 horas, aquele vento sinistro de frio, ele estava tirando o cadeado das bikes e eu perguntei o porquê, ele disse que pedalaríamos por 20 minutos até a casa do aniversariante. Daí pensei e "tá, mas vamos beber, certo? Vamos pedalar bêbados?" E ele disse: "claro, todo mundo vai de bike". Muita diferença cultural, mas estava achando aquilo o máximo, hahaha! Chegamos na casa dos amigos e mal falaram um boa noite para mim, fiquei de canto, só se falava holandês, óbvio, mas eu ficava ali boiando, mas ele sempre ia levar a cerveja, para não ficar além de boiando, de bico seco. Já estava alegre, e uma amiga deles veio falar comigo. Adorei a atitude dela se não fosse um interrogatório, hehe. Perguntou se eu e meu amigo éramos namorados, onde havíamos nos conhecido, onde eu conseguia tanto dinheiro pra viajar, etc... me senti levemente bombardeada, mas meio que pensei que poderia ser cultural, ser direta como ela. Depois foi a hora de darem os presentes ao aniversariante. Deram dinheiro, livro, creditos para Iphone, convites para festas de verão, etc. Esperei a hora do "Parabéns" e não houve. Perguntei ao Paul: "vocês não cantam?" Ele: "há mais de 50 anos que não cantamos..." Eu: "nossa, que sem graça" e ele: "ah, somos sem graça mesmo, já vocês têm graça demais", rindo.
Depois das 2 da manhã, todos bêbados e eles continuaram bebendo, foram para as vodkas e licores, ah esses jovens, tenho mais saúde pra isso não, heheh... Começaram a conversar comigo como se me conhecessem há séculos, bem diferente de algumas horas antes. Morri de rir deles, falaram que sonham em conhecer o Brasil e tal... De repente, chegou a polícia e acabou a festa. Meu amigo soltou: "Merda, mas ainda tem tanta cerveja..." Esse povo não vê limites mesmo, hehe... Quando pegamos a bicicleta eu estava levemente tonta e pensei: "vai dar merda", quando cheguei na porta da casa dele, para parar a bike era preciso pedalar para trás, o freio de lá é assim. Quando pedalei, deixei a bike cair. Gente, muito mico pra poucos dias, hehehe...
16/05 - Manhã em Utrecht e tarde em Amsterdam
Acordamos e meu amigo tinha o aniversário da mãe para ir, na Alemanha, ele disse me levaria para o mercado de rua e depois compraria o presente para a mãe dele, para depois partir para Amsterdam e caçar um hostel por 2 noites até o dia de ir para Londres.
Estava aquela chuvinha fina e chata, mesmo assim pegamos a bike e fomos para o centro da cidade. Ele me mostrou o famoso Haring, ou Arenque, o peixe mais popular do mar do Norte. Eles põem dentro do pão e comem com cebola e picles. Engraçado é que meu amigo também nunca havia comido, experimentou junto comigo. Bem, nada sensacional, mas valeu experimentar...
Salve, nação mochileira!
Apesar de acompanhar há algum tempo o Mochileiros, é a primeira vez que resolvo fazer um relato.
No início de 2013 parti do Rio com destino a Porto seguro com uma amiga de ônibus e de lá partimos para Valença e por fim, Morro de São Paulo. Ainda pretendo fazer um pequeno relato, ainda que não acrescente tanto, já que alguns lugares deixei de conhecer por ter passado muito mal do estômago.
No início deste ano fiz a rota que tem mais relatos por aqui: Bolívia, Chile e Peru. Tinha tudo para fazer um belo relato, mas no fim da viagem caí no velho golpe do taxi e levaram minha Gopro e Canon T5 novas. Algo que me deixou triste por um bom tempo, pois ainda estou pagando, mas algumas fotos, ao menos, consegui tirar.
Enfim, sempre tive vontade de viajar pela Europa pela facilidade de locomoção e alimentação. Tudo é muito acessível, vale a pena ir só, pois o que você mais vai conhecer por esse mundo é gente.
Conheci em 2009 e 2011 a Itália e fiz um stop over em Paris, no Inverno e no verão. Nessa época o dolar estava pouco mais de 1,50, então posso dizer que nessas duas primeiras viagens consegui aproveitar bem, mesmo com um emprego que ganhava bem pouco.
Hoje a realidade é diferente. O dólar está 3,25 e o Euro 3,55, sem falar no valor do câmbio.
Saí do meu emprego (a libertação) depois de 3 anos e meio e resolvi torrar parte da grana da rescisão, fazendo o que mais gosto: viajando.
Mas como nem tudo são flores, só consegui fazer a homologação no dia 4 de maio, uma semana antes de embarcar. Apenas com o dinheiro na mão consegui comprar minhas passagens internas que, infelizmente, não poderia ser de low cost, por ter uma bagagem de mais de 20 kg e também não poderia ir de trem, pois cada trecho das passagens já estavam mais de 150 euros. Tive que apelar para o Low budget, Pegando Megabus e Eurolines, por sorte meu roteiro era folgado. Fiquei em casa de alguns amigos expatriados, outros amigos europeus que conheci na viagem pela América do Sul e testei o Couchsurfing pela primeira vez. Este último tive que pensar muito bem, pois há excelentes anfitriões, outros não muito confiáveis. Vou contando...
13/05 - Rio X Frankfurt X Amsterdam
Saí de casa 16:30 hs a fim de chegar ao aeroporto 19 horas, pois o voo era 22:10 e, como eu já perdi um voo internacional pra Colômbia pela Tam, não quis me arriscar e saí 2:30 antes da abertura do check-in, eu já havia feito o check-in pela internet, mas não queria mesmo me arriscar.
Peguei o metrô e o BRT para não correr risco de pegar acidentes, pois era hora do rush e o Rio tem obras pra tudo quanto é lado, não é que mesmo assim cheguei 19:15, na abertura do check-in?
O Jumbo 747-8 da Lufthansa, decolou pontualmente às 22:10, voo tão vazio que fiquei realmente assustada. A crise no setor aéreo bateu com tudo pela alta do dólar. Comissários super atenciosos. Serviram o jantar uma hora depois da decolagem, a galera estava azul de fome, inclusive eu. A comida foi realmente farta, mas eu não curti muito, não. Nessa parte, sou mais a Air France. Comida maravilhosa e com vários pratos, mas a Lufthansa me ganhou por servirem com talheres de aço (com um formato diferente do convencional), assim se come bem melhor.
Logo depois do jantar todos dormiram e quando acordamos o avião já estava a 1 hora e meia para o pouso. Achei esse horário excelente, pois nem percebi que estava fazendo um voo de 11 horas. Tomei o café da manhã e logo o avião aterrissou em Frankfurt.
Cheguei em Amsterdam as 18 horas e lá estava meu amigo Paul, que conheci em La Paz, me esperando. Ele é holandês e seguimos de trem para Utrecht, onde ele morava.
Chegando em Utrecht Centraal
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A única coisa que consegui encontrar foram fleeces e capas de chuva, comprei dois fleeces por 20 euros o total e me salvei um pouco nessa primavera fria holandesa.
Mais tarde peguei o trem, estava preocupada, pois não me lembrava exatamente o caminho de casa e se o meu amigo havia chegado. Mas acontece que na Holanda há wifi free em todos os lugares. Qualquer transporte público, praça. Você não se perde! então passei um whats para o Paul e ele já estava em casa. As 18 horas, com o sol lá em cima ainda, ele Disse: "vem que tem jantar antes da festa". Eu acho que eles jantam muito cedo, talvez porque eles almoçam apenas sanduíche. Quando eu cheguei, já peguei o sinal do wifi da casa dele, avisei que havia chegado e ele desceu de avental e tudo pra abrir a porta. Quando subi, tudo pronto, um frango tailandês, com molho e castanhas, bem adocicado e apimentado e arroz integral à parte. Ele perguntou se eu gostava e eu disse: "claro" adoro comidas diferentes!" e estava pra lá de bom. E ele: "eu sei que é bom, sou um bom cozinheiro" Eu: tá, só seja menos convencido. Mas obrigada pelo jantar. Estava maravilhoso e é uma bela economia no dia!"
Deu 22 horas, aquele vento sinistro de frio, ele estava tirando o cadeado das bikes e eu perguntei o porquê, ele disse que pedalaríamos por 20 minutos até a casa do aniversariante. Daí pensei e "tá, mas vamos beber, certo? Vamos pedalar bêbados?" E ele disse: "claro, todo mundo vai de bike". Muita diferença cultural, mas estava achando aquilo o máximo, hahaha! Chegamos na casa dos amigos e mal falaram um boa noite para mim, fiquei de canto, só se falava holandês, óbvio, mas eu ficava ali boiando, mas ele sempre ia levar a cerveja, para não ficar além de boiando, de bico seco. Já estava alegre, e uma amiga deles veio falar comigo. Adorei a atitude dela se não fosse um interrogatório, hehe. Perguntou se eu e meu amigo éramos namorados, onde havíamos nos conhecido, onde eu conseguia tanto dinheiro pra viajar, etc... me senti levemente bombardeada, mas meio que pensei que poderia ser cultural, ser direta como ela. Depois foi a hora de darem os presentes ao aniversariante. Deram dinheiro, livro, creditos para Iphone, convites para festas de verão, etc. Esperei a hora do "Parabéns" e não houve. Perguntei ao Paul: "vocês não cantam?" Ele: "há mais de 50 anos que não cantamos..." Eu: "nossa, que sem graça" e ele: "ah, somos sem graça mesmo, já vocês têm graça demais", rindo.
Depois das 2 da manhã, todos bêbados e eles continuaram bebendo, foram para as vodkas e licores, ah esses jovens, tenho mais saúde pra isso não, heheh... Começaram a conversar comigo como se me conhecessem há séculos, bem diferente de algumas horas antes. Morri de rir deles, falaram que sonham em conhecer o Brasil e tal... De repente, chegou a polícia e acabou a festa. Meu amigo soltou: "Merda, mas ainda tem tanta cerveja..." Esse povo não vê limites mesmo, hehe... Quando pegamos a bicicleta eu estava levemente tonta e pensei: "vai dar merda", quando cheguei na porta da casa dele, para parar a bike era preciso pedalar para trás, o freio de lá é assim. Quando pedalei, deixei a bike cair. Gente, muito mico pra poucos dias, hehehe...
16/05 - Manhã em Utrecht e tarde em Amsterdam
Acordamos e meu amigo tinha o aniversário da mãe para ir, na Alemanha, ele disse me levaria para o mercado de rua e depois compraria o presente para a mãe dele, para depois partir para Amsterdam e caçar um hostel por 2 noites até o dia de ir para Londres.
Estava aquela chuvinha fina e chata, mesmo assim pegamos a bike e fomos para o centro da cidade. Ele me mostrou o famoso Haring, ou Arenque, o peixe mais popular do mar do Norte. Eles põem dentro do pão e comem com cebola e picles. Engraçado é que meu amigo também nunca havia comido, experimentou junto comigo. Bem, nada sensacional, mas valeu experimentar...
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