Publico mais um relato de viagem, dessa vez para o Myanmar e Tailândia. Como escrevo com um atraso de 4 meses, muitas informações sobre preços, transportes e gastos acabaram sendo esquecidas. Resolvi então focar nas impressões pessoais sobre lugares e experiências com pessoas, deixando um pouco de lado as informações práticas, que podem ser obtidas em outro dentre os vários relatos já publicados aqui no fórum.
Mas vamo lá.
Comprei a passagem para Bangkok com 1 mês e meio de antecedência, por impulso, numa promoção da empresa Ethiopian, esquecendo (ou ignorando) outra viagem que já havia marcado para a patagônia, em data próxima. Depois que regressei da patagônia, foram apenas 10 dias para planejar a viagem para Ásia, mas com ajuda dos relatos daqui do fórum, dos moradores locais tailandeses e birmaneses, e de muita sorte, a viagem se concretizou da melhor forma possível.
O roteiro final ficou o seguinte:
30 de Dezembro/2015: SP x Ethiopia x Bangkok (Tailândia)
31 de Dezembro/2015: Bangkok (Tailândia)
1 de Janeiro: Ayutthaya (Tailândia)
2 de Janeiro: Bangkok x Yangon (Myanmar)
3 de Janeiro: Golden Rock (Myanmar)
4 de Janeiro: Golden Rock x Yangon x Bagan (Myanmar)
5 de Janeiro: Bagan (Myanmar)
6 de Janeiro: Bagan (Myanmar)
7 de Janeiro: Bagan (Myanmar)
8 de Janeiro: Bagan (Myanmar)
9 de Janeiro: Bagan x Yagon x Chiang mai (Tailândia)
10 de Janeiro: Chiang mai (Tailândia)
11 de Janeiro: Chiang mai (Tailândia)
12 de Janeiro: Chiang mai - Sak Yant (tatuagem)(Tailândia)
13 de Janeiro: Chiang mai - Krabi - Ao Nang (Tailândia)
14 de Janeiro: Ao Nang (Tailândia)
15 de Janeiro: Ao Nang (Tailândia)
16 de Janeiro: Ao Nang (Tailândia)
17 de Janeiro: Koh Phi Phi - Sleep Aboard - Maya bay (Tailândia)
18 de Janeiro: Koh Phi Phi - Bangkok - Brasil
19 de Janeiro/2016 - Brasil
BANGKOK
Nosso vôo para Bangkok saiu de recife, com escala em SP e uma longa conexão na Etiópia. Sentamos ao lado de um grupo de tailandeses barulhentos que não deixava ninguém dormir. Quando estava perto de adormecer, despertava assustado com a alguma gargalhada histérica do grupo. Chegamos no aeroporto internacional de Bangkok (Suvarnabhumi) à tarde, na véspera do ano novo, fizemos o check in depois de passar pelo controle de saúde, tudo muito rápido e com poucas perguntas.
Para não perder muito tempo perdidos dentro do enorme aeroporto, fomos no balcão de informações para descobrir a forma mais barata de sair dali e chegar ao hostel. A simpática atendente, que já havia explicado pela segunda vez o lugar para onde deveríamos ir, ao ver nossas caras cansadas e disléxicas - daquelas que balançam a cabeça para dizer que estão entendendo, mas que carregam no olhar uma espécie de pedido de socorro -, falou que nos guiaria ao local e pediu para acompanhá-la. A seguimos e ela nos levou a um estacionamento, onde havia várias vans paradas. Conversou em tailandês com o motorista de uma delas e fez sinal para que entrássemos. Era uma van antiga, apertada, com avisos em tailandês grudados nos bancos e janelas. Não poder ler ou se comunicar com os outros passageiros - que nos olhavam com curiosidade -, foi a segunda experiência em que botamos o pé fora da zona de conforto (a primeira foi no aeroporto da Etiópia, vendo uma sala de oração muçulmana).
Depois de várias paradas para embarque e desembarque chegamos no nosso ponto de referência: uma estação de trem, e dee lá foi fácil chegar ao hostel que havíamos reservado. Era um lugar administrado por uma família de tailandeses. *Curiosidade: na Tailândia, eles têm o costume de tirar o calçado antes de entrar na maioria dos lugares. Mesmo já sabendo desse costume, na primeira vez você fica com medo de pensarem que está bêbado ou é mendigo quando vai entrar descalço em um estabelecimento mais ou menos chique.
Depois do check in, a dona do lugar foi me apresentar aos outros hóspedes, 3 asiáticos muito simpáticos. Fiquei algum tempo com eles conversando, colhendo informações sobre a cidade, e depois fui tomar banho. Quando voltei, a dona do hostel, que tentava a todo momento criar uma atmosfera de socialização entre os hóspedes, comentou que um rapaz indiano de 20 anos estava sem companhia para a noite de fim de ano e perguntou se não poderíamos incluí-lo na nossa programação.
Apesar da estranha escolha por um casal cansado de viagem como companhia para ir pra uma festa, do nosso cansaço e da minha ausência quase completa de ânimo para socializar, aceitamos o auto convite do rapaz que, para a nossa surpresa, se mostrou um excelente guia turístico. Nos ensinou - com a paciência que deve ser reservada às pessoas que estão há 3 dias dormindo em aeroportos e aviões - a usar o transporte público, deu dicas de lugares e pontos de interesse. Era um carinha bem animado, extremamente sociável e bem articulado para sua idade.
Nosso plano era procurar um prédio com rooftop bar, para ver os fogos no último andar. Nosso amigo só falava em comprar um vinho e beber a noite toda, ideia que me animou. Tomamos o trem até uma região central bastante movimentada, e, depois de um bom tempo de busca, encontramos um prédio que parecia promissor. Com a boa lábia do jovem indiano, conseguimos passar pelos seguranças e pegamos o elevador até o último andar.
Chegando lá, invés de encontrar um barzinho com vista panorâmica, encontramos uma pomposa de uma boate gay. Até aí sem problema, mas a frustração veio em seguida quando fomos perguntar o preço da entrada. Não lembro o valor exato, mas era algo em torno de R$ 300.
Faltavam 10 minutos pra acabar o ano quando saímos do prédio, e não havia outra opção senão entrar no meio da multidão e caminhar aleatoriamente.
Passada a virada do ano e a queima dos fogos (que, aliás, foi bem breve e sem graça), entramos em um bar dentro de um pequeno shopping, e pedimos algumas cervejas locais; o indiano, uma taça de vinho. Depois de algum tempo de conversa, o rapaz contou que era a segunda vez na vida que estava bebendo, e que já estava se sentindo um pouco bêbado. Olhei para seu copo e vi que o vinho ainda estava pela metade. É... com a ideia de criar nossa versão de "Se beber não case 2" adiada para o próximo ano, voltamos para o hostel no último trem da noite.
Ayutthaya
São duas opções para chegar à cidade: tour de agência de turismo ou por conta própria, de trem. Escolhemos o trem.
Saímos bem cedo para a estação de trem “Hualamphong”. A viagem dura pouco mais de 1 hora, e o bilhete mais barato (3ª classe) custa em torno de R$ 1,00 (isso mesmo, reais).
No vagão da 3ª classe vi poucos turistas. A maioria eram locais, pessoas trazendo mercadoria em sacolas gigantescas, vendendo comida de procedência duvidosa, figuras exóticas usando chapéis de palha e um fiscal de trem psicopata, que alternava entre gritos e sorrisos na velocidade da luz, e expulsava passageiros irregulares. Como meu assento era afastado da janela, resolvi me sentar por um tempo no engate que conecta um vagão ao outro, pra ver melhor a paisagem. O cenário não chamou muita atenção, a coisa mais interessante que vi foi uma fila de monges caminhando no meio do nada, em que 1 deles era anão.
Chegando em Ayutthaya, arrumamos um mapa na própria estação, e fomos alugar bicicletas e explorar a cidade.
Uma pequena cidade, fundada em 1350, cheia de templos, patrimônio Mundial da Unesco desde 1991. Em 1767, a cidade foi saqueada e destruída pelos exércitos da Birmânia (hoje Myanmar), e a maioria das estátuas de Buda, decapitadas.
Dica: Um tailandês que conhecemos no trem nos deu uma dica ótima sobre aluguel de bicicleta: não alugar na primeira loja que aparecer. Ao sair da estação de trem, é só seguir reto até encontrar um rio, atravessá-lo de balsa (paga-se uma taxa de aproximadamente 10 centavos), e só então alugar a bike. É uma forma de evitar o trânsito pelas principais avenidas e chegar mais rápido aos principais templos da cidade.
Pegamos o trem de volta para Bangkok no final da tarde. De lá, seguiríamos para o Myanmar na manhã seguinte.
Publico mais um relato de viagem, dessa vez para o Myanmar e Tailândia. Como escrevo com um atraso de 4 meses, muitas informações sobre preços, transportes e gastos acabaram sendo esquecidas. Resolvi então focar nas impressões pessoais sobre lugares e experiências com pessoas, deixando um pouco de lado as informações práticas, que podem ser obtidas em outro dentre os vários relatos já publicados aqui no fórum.
Mas vamo lá.
Comprei a passagem para Bangkok com 1 mês e meio de antecedência, por impulso, numa promoção da empresa Ethiopian, esquecendo (ou ignorando) outra viagem que já havia marcado para a patagônia, em data próxima. Depois que regressei da patagônia, foram apenas 10 dias para planejar a viagem para Ásia, mas com ajuda dos relatos daqui do fórum, dos moradores locais tailandeses e birmaneses, e de muita sorte, a viagem se concretizou da melhor forma possível.
O roteiro final ficou o seguinte:
30 de Dezembro/2015: SP x Ethiopia x Bangkok (Tailândia)
31 de Dezembro/2015: Bangkok (Tailândia)
1 de Janeiro: Ayutthaya (Tailândia)
2 de Janeiro: Bangkok x Yangon (Myanmar)
3 de Janeiro: Golden Rock (Myanmar)
4 de Janeiro: Golden Rock x Yangon x Bagan (Myanmar)
5 de Janeiro: Bagan (Myanmar)
6 de Janeiro: Bagan (Myanmar)
7 de Janeiro: Bagan (Myanmar)
8 de Janeiro: Bagan (Myanmar)
9 de Janeiro: Bagan x Yagon x Chiang mai (Tailândia)
10 de Janeiro: Chiang mai (Tailândia)
11 de Janeiro: Chiang mai (Tailândia)
12 de Janeiro: Chiang mai - Sak Yant (tatuagem)(Tailândia)
13 de Janeiro: Chiang mai - Krabi - Ao Nang (Tailândia)
14 de Janeiro: Ao Nang (Tailândia)
15 de Janeiro: Ao Nang (Tailândia)
16 de Janeiro: Ao Nang (Tailândia)
17 de Janeiro: Koh Phi Phi - Sleep Aboard - Maya bay (Tailândia)
18 de Janeiro: Koh Phi Phi - Bangkok - Brasil
19 de Janeiro/2016 - Brasil
BANGKOK
Nosso vôo para Bangkok saiu de recife, com escala em SP e uma longa conexão na Etiópia. Sentamos ao lado de um grupo de tailandeses barulhentos que não deixava ninguém dormir. Quando estava perto de adormecer, despertava assustado com a alguma gargalhada histérica do grupo. Chegamos no aeroporto internacional de Bangkok (Suvarnabhumi) à tarde, na véspera do ano novo, fizemos o check in depois de passar pelo controle de saúde, tudo muito rápido e com poucas perguntas.
Para não perder muito tempo perdidos dentro do enorme aeroporto, fomos no balcão de informações para descobrir a forma mais barata de sair dali e chegar ao hostel. A simpática atendente, que já havia explicado pela segunda vez o lugar para onde deveríamos ir, ao ver nossas caras cansadas e disléxicas - daquelas que balançam a cabeça para dizer que estão entendendo, mas que carregam no olhar uma espécie de pedido de socorro -, falou que nos guiaria ao local e pediu para acompanhá-la. A seguimos e ela nos levou a um estacionamento, onde havia várias vans paradas. Conversou em tailandês com o motorista de uma delas e fez sinal para que entrássemos. Era uma van antiga, apertada, com avisos em tailandês grudados nos bancos e janelas. Não poder ler ou se comunicar com os outros passageiros - que nos olhavam com curiosidade -, foi a segunda experiência em que botamos o pé fora da zona de conforto (a primeira foi no aeroporto da Etiópia, vendo uma sala de oração muçulmana).
Depois de várias paradas para embarque e desembarque chegamos no nosso ponto de referência: uma estação de trem, e dee lá foi fácil chegar ao hostel que havíamos reservado. Era um lugar administrado por uma família de tailandeses. *Curiosidade: na Tailândia, eles têm o costume de tirar o calçado antes de entrar na maioria dos lugares. Mesmo já sabendo desse costume, na primeira vez você fica com medo de pensarem que está bêbado ou é mendigo quando vai entrar descalço em um estabelecimento mais ou menos chique.
Depois do check in, a dona do lugar foi me apresentar aos outros hóspedes, 3 asiáticos muito simpáticos. Fiquei algum tempo com eles conversando, colhendo informações sobre a cidade, e depois fui tomar banho. Quando voltei, a dona do hostel, que tentava a todo momento criar uma atmosfera de socialização entre os hóspedes, comentou que um rapaz indiano de 20 anos estava sem companhia para a noite de fim de ano e perguntou se não poderíamos incluí-lo na nossa programação.
Apesar da estranha escolha por um casal cansado de viagem como companhia para ir pra uma festa, do nosso cansaço e da minha ausência quase completa de ânimo para socializar, aceitamos o auto convite do rapaz que, para a nossa surpresa, se mostrou um excelente guia turístico. Nos ensinou - com a paciência que deve ser reservada às pessoas que estão há 3 dias dormindo em aeroportos e aviões - a usar o transporte público, deu dicas de lugares e pontos de interesse. Era um carinha bem animado, extremamente sociável e bem articulado para sua idade.
Nosso plano era procurar um prédio com rooftop bar, para ver os fogos no último andar. Nosso amigo só falava em comprar um vinho e beber a noite toda, ideia que me animou. Tomamos o trem até uma região central bastante movimentada, e, depois de um bom tempo de busca, encontramos um prédio que parecia promissor. Com a boa lábia do jovem indiano, conseguimos passar pelos seguranças e pegamos o elevador até o último andar.
Chegando lá, invés de encontrar um barzinho com vista panorâmica, encontramos uma pomposa de uma boate gay. Até aí sem problema, mas a frustração veio em seguida quando fomos perguntar o preço da entrada. Não lembro o valor exato, mas era algo em torno de R$ 300.
Faltavam 10 minutos pra acabar o ano quando saímos do prédio, e não havia outra opção senão entrar no meio da multidão e caminhar aleatoriamente.
Passada a virada do ano e a queima dos fogos (que, aliás, foi bem breve e sem graça), entramos em um bar dentro de um pequeno shopping, e pedimos algumas cervejas locais; o indiano, uma taça de vinho. Depois de algum tempo de conversa, o rapaz contou que era a segunda vez na vida que estava bebendo, e que já estava se sentindo um pouco bêbado. Olhei para seu copo e vi que o vinho ainda estava pela metade.
É... com a ideia de criar nossa versão de "Se beber não case 2" adiada para o próximo ano, voltamos para o hostel no último trem da noite.
Ayutthaya
São duas opções para chegar à cidade: tour de agência de turismo ou por conta própria, de trem. Escolhemos o trem.
Saímos bem cedo para a estação de trem “Hualamphong”. A viagem dura pouco mais de 1 hora, e o bilhete mais barato (3ª classe) custa em torno de R$ 1,00 (isso mesmo, reais).
No vagão da 3ª classe vi poucos turistas. A maioria eram locais, pessoas trazendo mercadoria em sacolas gigantescas, vendendo comida de procedência duvidosa, figuras exóticas usando chapéis de palha e um fiscal de trem psicopata, que alternava entre gritos e sorrisos na velocidade da luz, e expulsava passageiros irregulares. Como meu assento era afastado da janela, resolvi me sentar por um tempo no engate que conecta um vagão ao outro, pra ver melhor a paisagem. O cenário não chamou muita atenção, a coisa mais interessante que vi foi uma fila de monges caminhando no meio do nada, em que 1 deles era anão.
Chegando em Ayutthaya, arrumamos um mapa na própria estação, e fomos alugar bicicletas e explorar a cidade.
Uma pequena cidade, fundada em 1350, cheia de templos, patrimônio Mundial da Unesco desde 1991. Em 1767, a cidade foi saqueada e destruída pelos exércitos da Birmânia (hoje Myanmar), e a maioria das estátuas de Buda, decapitadas.
Dica: Um tailandês que conhecemos no trem nos deu uma dica ótima sobre aluguel de bicicleta: não alugar na primeira loja que aparecer. Ao sair da estação de trem, é só seguir reto até encontrar um rio, atravessá-lo de balsa (paga-se uma taxa de aproximadamente 10 centavos), e só então alugar a bike. É uma forma de evitar o trânsito pelas principais avenidas e chegar mais rápido aos principais templos da cidade.
Pegamos o trem de volta para Bangkok no final da tarde. De lá, seguiríamos para o Myanmar na manhã seguinte.
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