Pessoal, segue o relato da minha primeira viagem para Dubai em maio de 2008. Estive la de volta em junho de 2011 e muita coisa ja mudou desde entao. Fotos podem ser encontradas no meu blog www.fernandaviajante.blogspot.com
Obs - eu tenho dupla cidadania, entao nao preciso de visto para Dubai.
Dubai começou a fazer parte dos destinos que eu tinha que visitar em 2004. Nesse ano inclusive, eu quase me mudei para lá. Na última hora, acabou não dando certo o emprego que eu queria e eu fui morar na Europa. Mas, uma das minhas melhores amigas conseguiu um emprego nas "arábias" e está lá até hoje.
Em 2008, Dubai finalmente entrou no meu álbum de fotografias. O motivo principal era visitar minha amiga. O objetivo secundário era saber se Dubai era mesmo tudo isso que a mídia andava anunciando. Confesso que quando entrei no avião fui com uma expectativa baixa: que veria uma cidade artificial com construções gigantescas, hotéis maravilhosos, que tudo seria caro e que passaria calor, muito calor.
Depois de 11 horas até Amsterdam e uma rápida espera no aeroporto Schiphol, eu embarquei no vôo que me levaria até Dubai. Na sala de espera do aeroporto, eu percebi que encontraria muito mais do que belas paisagens artificiais, eu encontraria o mundo todo em uma única cidade.
Paquistaneses, indianos, árabes, ingleses, americanos e pessoas que eu nem consegui adivinhar da onde eram, aguardavam o vôo comigo. Depois de mais 6 horas, finalmente cheguei em Dubai. O aeroporto (como tudo em Dubai) é gigantesco. Andei uns 15 minutos até chegar à imigração, que por sinal foi bem tranqüila. Brasileiros precisam de um visto prévio para entrar. Esse visto pode ser facilmente providenciado pelo hotel ou pela companhia aérea Emirates (se você voar com essa companhia). Eu viajei pela KLM (paguei 1.500 dólares na passagem) e entrei com meu passaporte italiano, o que não exigiu visto nenhum (europeus ganham o visto de 60 dias na hora). Passaporte carimbado e “Welcome to Dubai” me disse o agente da imigração.
Estavam me esperando do lado de fora do aeroporto. A minha primeira impressão foi: “meu Deus, que calor!”. Até aqui não posso quebrar nenhum dos mitos sobre Dubai – a cidade é realmente quente e muitoooo úmida.
Mas, posso quebrar outros mitos sobre Dubai. Não gosto de generalizações. Em primeiro lugar: Dubai não vive de petróleo, pelo contrário, o que sustenta Dubai é a zona franca de Jebel Ali, onde fica localizado o porto da cidade que é o 13º mais movimentado do mundo. Segundo: nem todo muçulmano é terrorista, fanático e extremista. A prova disso é Dubai, que literalmente abriu a porta para o mundo ocidental. Sim, as mulheres se cobrem com o traje tradicional que nós erroneamente chamamos de burka, o nome correto é abaya. Mas, esse hábito é integrado à cultura árabe e não necessariamente à religião islâmica. Os homens também usam o traje típico, chamado dishdasha que é uma espécie de túnica branca e com um lenço vermelho na cabeça chamado shimagh. Mas, isso faz parte da cultura e religião deles, assim como o ramadã e outros costumes que nós podemos achar estranhos, mas para eles é normal. Outra coisa, nunca me senti tão segura em um lugar como em Dubai. Sem exageros. E, finalmente, Dubai não é só para ricos.
Minha viagem durou dez dias e no final do 10º e último dia, eu percebi que esse tempo foi muito curto para vivenciar tudo que a cidade tem a oferecer, mas foi suficiente para quebrar muitos paradigmas.
Cheguei também à conclusão que existem três tipos possíveis de turismo em Dubai: o turismo de negócios, o turismo das compras e o turismo do lazer propriamente dito que seria dentro dos resorts. Fiz um mix dos três e voltei para casa com muitos cartões de visitas. E é assim que percebi que o que faz Dubai ser o que é não são as grandes construções, são as pessoas que estão por trás delas.
Dubai se tornou esse fenômeno porque literalmente abriu suas portas para o mundo. Conheci muitos expatriados e até um local (emirati) nesse período que estive lá. Muitos me falaram que não agüentavam mais e que Dubai era apenas um lugar para ganhar dinheiro. Mas, o comentário mais interessante que escutei foi de um americano que falou que daqui dez anos, ele poderia estar em qualquer outro lugar do mundo, mas sempre se lembraria de Dubai do jeito que ela é hoje, uma cidade em construção. Concordo com ele, Dubai é uma cidade em construção, não só de prédios e hotéis, como de culturas.
Definitivamente não fiz o roteiro que os turistas fazem em Dubai. Primeiro porque não fiquei em nenhum dos fabulosos hotéis. Fiquei na casa da minha amiga. Segundo porque procurei vivenciar Dubai como os nativos. Ou melhor, como os expatriados. Apenas 20% da população é formada por árabes. Os outros 80% são chamados “expats”.
Dubai é um divisor de águas. É extremamente liberal para os padrões islâmicos, tanto é que você pode andar de shorts e blusinha e freqüentar as praias de biquini. Além disso, é extremamente americanizado, com uma Starbucks em cada esquina. O próprio skyline lembra muito os EUA, assim como as avenidas (confesso que várias vezes cheguei a achar que estava em Miami ou Las Vegas). A própria cultura também é muito ocidental. É muito interessante ver os casais andando nos shoppings. Os pais com os trajes típicos e as crianças pequenas vestidas com roupas da loja GAP.
Dubai é dividida em cinco regiões: Deira (a parte mais antiga), Bur Dubai, Jumeirah (a região das praias), Sheikh Zayed Road (uma espécie de Wall Street) e New Dubai (que é toda a área nova da cidade). Dubai é um canteiro de obras. Então é bem provável que muita coisa já tenha mudado por lá (fui em 2008).
Fiz muita coisa nos dez dias que fiquei em Dubai, então vou resumir as melhores e as imperdíveis.
- Final de semana em Dubai (que lá é sexta e sábado), não é final de semana se não tiver um brunch. Um lugar muito agradável é o Lime Tree Café na Jumeirah Beach Road. Essa avenida seria a beira-mar, se Dubai tivesse uma avenida beira-mar (pois é, também fiquei decepcionada).
- Burj Al-Arab – o hotel mais famoso que é visto por toda a cidade. Eu não consegui entrar, mas cheguei bem perto e posso dizer que o hotel é mesmo maravilhoso. O dia que eu tiver dinheiro, eu ficarei lá.
Praias: a que eu mais gostei foi a “Kite Beach”, que tem entrada gratuita. A JBR, Jumeirah Beach Residence, também é uma ótima opção. É cheia de jovens expatriados.
Shoppings: seria necessário no mínimo um mês para visitar todos os shoppings da cidade. Mas, os que definitivamente valem uma visita: WAFI, um shopping egípcio que tem uma arquitetura de tirar o fôlego. As lojas são caras, mas dar uma volta não custa nada. Uma excelente opção para o final da tarde é o Seville’s Bar, um bar espanhol com uma sangria espetacular e tapas muito saborosas.
Mall of Emirates – um dia é pouco para esse shopping. É aqui que fica a pista de ski de Dubai. Encontrei boas liquidações nas lojas de departamentos como Forever 21 e Zara. Para quem quer comprar eletrônicos (são bem baratos em Dubai), uma boa opção é a Jumbo Eletronics.
Outro shopping bem interessante é o IBN Batuta Mall que também é temático. Cada seção do shopping é um país. A parte da Índia tem um elefante no meio do corredor. No mínimo curioso.
Mercato e Burjuman também merecem uma visita. O Mercato é um shopping com arquitetura italiana e o Burjuman é um shopping mais normal, como o que estamos acostumados por aqui.
- Souks: a parte que eu mais gostei em Dubai foi a parte antiga. O creek é lindo e a experiência de pegar um daqueles barquinhos chamados “abras” é única. Os três principais souks (mercado em árabe) são: textile souk, que é um bom lugar para comprar não só tecidos como souvenirs; spice souk que é uma espécie de mercado de temperos e o mais famoso gold souk, que é o mercado do ouro. A ordem é barganhar. É praticamente uma ofensa não tentar negociar o preço com os árabes. Foi assim que consegui a façanha de sair com uma pulseira e uma gargantilha de ouro por 370 reais.
- Bares e baladas: a vida noturna em Dubai é agitadíssima apesar de acabar às 3 da manhã. A vida social de Dubai acontece dentro dos hotéis. Por quê? Os muçulmanos não podem beber, mas como Dubai é extremamente cosmopolita, você pode comprar bebida dentro dos bares e restaurantes que têm licença para vender. Mas, lembre-se: beber em público é proibido, então nem pense em tomar uma cervejinha na praia, porque isso poderá te render uma prisão. A bebida, juntamente com as cinco orações diárias são coisas que te farão lembrar que você está em um lugar muçulmano. Mas, no final eu já estava achando bem divertido ir cada dia num hotel diferente à procura dos melhores bares da cidade. Só se prepare porque a bebida alcoolica em Dubai é cara, muito cara.
Os bares que eu mais gostei em Dubai: Barasti Bar que fica na região da Marina (New Dubai).
Bar 360º que fica dentro do complexo do Burj Al-Arab. Esse bar é uma ilha artificial (para variar) e tem uma vista espetacular do Burj.
So Cho e Bordouir– duas baladas super bem freqüentadas que ficam na Dubai Marine (Jumeirah) e o Blue Bar, um bar de Jazz que fica na Sheikh Zayed Road.
Terça-feira é intitulado “Ladie’s Night”, então as mulheres ganham drinks em muitos bares da cidade. No Scarlett’s Bar, cada mulher ganha 2 drinks e no C-Bar o champagne é liberado até a uma da manhã para elas.
- Mesquita – ir a Dubai e não visitar a Jumeirah Mosque (a única mesquita aberta a não-muçulmanos) é como ir a Roma e não visitar o Vaticano. O tour dura uma hora e você recebe explicações sobre a religião, o porquê das roupas, a importância da Meca para os muçulmanos e assim por diante.
- Deserto: O passeio chamado “desert safari” dura quatro horas e inclui um passeio num carro 4 x 4 no deserto. E, é com bastante emoção, praticamente um rally. Minha sugestão é que você não coma nada antes do passeio e tome um dramin. Eu passei mal e tive que pedir para o motorista parar. Não fui a única. Mas, o passeio vale a pena.
A vista do deserto é incrível e tudo é tão planejado, que você chega no melhor ponto do deserto exatamente quando o sol está se pondo. Simplesmente lindo! Depois, uma volta básica de camelo e bem-vinda ao mundo árabe!
As empresas que fazem esse passeio montam um espaço com várias tendas para os turistas vivenciarem o mundo árabe. Você pode relaxar enquanto fuma um narguile, a famosa “shisha” ou fazer uma bela tatuagem de henna e logicamente vestir o traje árabe. Depois, o jantar típico é servido e começa o show de dança do ventre.
Obs - escrevi essa matéria em 2008 para a Revista Minha Viagem. Pode ser que alguns dados estejam desatualizados ou que alguns lugares já não estejam mais na moda. Para dicas mais atuais, é melhor consultar o Time Out de Dubai.



Resumo