Grã-Bretanha - 15 dias - Londres, Brighton, Oxford, Canterbury, Cardiff e Bath - outubro de 2011

Relatos de viagens pelos países do Reino Unido (Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales) e Irlanda (Eire)


Grã-Bretanha - 15 dias - Londres, Brighton, Oxford, Canterbury, Cardiff e Bath - outubro de 2011

Mensagem não lidapor arnobionet » 02 Jan 2012, 11:08

Este relato é uma cópia do que eu estou escrevendo no meu blog. As fotos eu só vou postar lá. Quem se interessar pode dar uma olhada. O link está no fim do post, na minha assinatura.

Primeiro dia. Domingo, 02 de outubro de 2011.

Como sempre, antes de chegar ao destino das nossas férias, passamos por uma maratona aérea. Às 02:20 horas do sábado, dia 01 de outubro, embarcamos em Belém rumo à São Paulo. Conseguimos o trecho por 4.000 pontos na TAM.

Chegamos em São Paulo às 07:00 horas, depois de fazer uma escala de quase duas horas em Brasília. Passamos o dia com os pais da Dani. A dona Dóia preparou um café da manhã e um almoço especial e ficamos colocando a conversa em dia. Ainda conseguimos tirar um razoável cochilo para ajudar a recuperar a noite perdida.

Às 18:40 horas do sábado, embarcamos rumo à Londres. Compramos as passagens na TAP, pelo site da Decolar.com que, por incrível que pareça, ofertava a mesma passagem, no mesmo voo, por um preço mais barato que no site da própria TAP. A ida saindo de Guarulhos, com escala no Porto e chegada em Gatwick. A volta com saída de Orly, escala em Lisboa e chegada em Guarulhos. Tudo saiu por R$ 1.970.

O voo de Guarulhos até o Porto foi tranquilo. Para falar a verdade, a TAP se mostrou uma boa surpresa. O avião era confortabilíssimo e o serviço de bordo excelente! A poltrona reclinava bastante, inclusive com o assento indo para frente. Serviram jantar quente e café da manhã quase no fim do voo e, pasmem, com talheres de metal! Enfim, viramos fregueses dessa companhia lusitana.

Tomei um Dramin e consegui dormir umas cinco horas das dez de voo. Chegamos no Porto às 08:40 horas de domingo, na hora local e tivemos mais uma prova de que os nossos aeroportos são uns chiqueiros. O aeroporto, apesar de pequeno, é bonito, moderno e muito bem conservado. Ficamos esperando a conexão até às 10:55 horas, quando embarcamos pontualmente com destino à Gatwick.

O voo foi tranquilo e de novo fomos muito bem servidos. Adoramos a TAP. Em pouco mais de duas horas, enfim, chegamos à Londres!

O aeroporto de Gatwick não é lá muito bonito, mas é bem grande e tudo funciona. Logo ao sair do avião, percebemos duas coisas. Uma é que não estava fazendo o frio que esperávamos e que a previsão do tempo tinha anunciado. Estava até meio calor, uns 25 graus. A outra coisa que já pudemos perceber logo de cara foi a descomunal diversidade cultural de Londres, uma das cidades mais cosmopolitas do mundo. Muitos judeus ortodoxos (acho que está tendo alguma reunião deles aqui, só pode), indianos, muçulmanos, africanos e europeus de todas as partes.

Era hora de passar pela imigração britânica. Já li muita coisa ”ruim” sobre o Home Office, o serviço de controle de fronteiras deles. Mas, como não pretendíamos imigrar ilegalmente mesmo, apenas fazer turismo (e cumprimos todas as exigências possíveis que podiam nos ser feitas), estávamos tranquilos.

Preenchemos o formulário de ingresso no país e nos dirigimos à fila dos não-cidadãos britânicos e da União Européia. Rápido chegou a nossa vez. A oficial foi até simpática e só nos perguntou quantos dias íamos ficar, onde íamos e quando voltaríamos para o Brasil. Respondemos e ela carimbou o nosso passaporte em menos de um minuto. Foi mais fácil do que eu pensava que seria.

Pegamos a nossa bagagem e fomos procurar a melhor maneira de ir para a cidade. Tínhamos visto na internet o trem expresso, que nos deixaria na Victoria Station, estação mista de trem, ônibus e metrô que é a mais próxima do nosso hotel. Mas, ao lado do guichê do trem, vimos o guichê da National Express, a maior empresa de ônibus da Grã-Bretanha. Aí percebemos que era mais negócio ir de ônibus.

A passagem Gatwick-Victoria Station de trem custa 17 Libras (R$ 51) e a viagem dura meia hora. Já a passagem de ônibus pela National Express, que também nos deixa na Victoria Station, custa 7,50 Libras (R$ 22,50) e a viagem dura uma hora. Nem conversamos e fomos de ônibus.

No mesmo guichê, aproveitamos para comprar também o passe do metrô, o Oyster Visitor Card (3 Libras/R$ 9). Com esse cartão podemos usar o sistema de metrô e de ônibus de Londres só encostando-o no sensor da catraca na entrada e na saída. O Oyster Visitor Card funciona por meio de créditos que são descontados de acordo com o uso e podem ser repostos em máquinas automáticas em qualquer estação.

Uma das vantagens é não ter que comprar bilhete toda vez. A outra é o preço. Uma passagem normal de metrô dentro das zonas 1 e 2 (onde está a maior parte do que é interessante conhecer em Londres) custa absurdas 4 Libras (R$ 12). Com o Oyster Visitor Card o preço cai para 1,90 Libras (R$ 4,70) fora do horário de pico e chega a no máximo 2,50 Libras (R$ 7,50) no horário de pico. Ou seja, vale a pena. Antes da viagem, eu e a Dani vimos tudo isso explicadinho no site oficial Transport for London.

Pois bem, já no ônibus, eu e a Dani concordamos que fizemos realmente a melhor escolha. Além de muito confortável, o trajeto do aeroporto até a cidade é em meio a áreas rurais do entorno de Londres, com casinhas de arquitetura inglesa bem tradicional. Nem sentimos o tempo passar com aquela vista. Quando percebemos, já estávamos na Victoria Station.

Descendo do ônibus, pegamos a bagagem e nos vimos em meio à um tumulto gigantesco. A Victoria Station é enorme, abriga uma infinidade de lojas, lanchonetes, bares e restaurantes, além, é claro de ser a interseção de trens e ônibus que vão para várias partes do país com três linhas do metrô londrino (Circle, District e Victoria). Ficamos tontos no meio de tanta gente e tantas placas apontando as saídas, sem saber para que lado ficava o nosso hotel. Saímos da estação e, quando nos localizamos no mapa, seguimos até o hotel, que fica há umas três quadras de lá.

Ficamos no Best Western Victoria Palace, um hotel muito arrumadinho na esquina da Warwick Way com a Belgrave Road. Na hora do check-in, o recepcionista, que acho que foi com a nossa cara, nos colocou em um outro quarto. Tínhamos reservado um quarto duplo normal e ele nos colocou em um mini apartamento com quarto, banheiro e sala-cozinha completa (forno e fogão elétricos, microondas, torradeira, geladeira, copos, pratos, talheres e panelas). Além disso ainda dispomos de ar-condicionado, duas TVs de LCD e wi-fi grátis! E tudo pelo mesmo preço que já havíamos pago antecipadamente: 678 Libras (R$ 2.034) por 8 noites! Pode parecer muito, mas quem já pesquisou os preços de hotéis aqui em Londres sabe que é uma barbada, ainda mais para um quarto como esse.

Tirando a mochila das costas é que percebi o quanto eu estava cansado. A Dani também quase desabou na cama. Foram duas noites mal dormidas dentro de aviões. Tudo o que a gente queria era descansar um pouco e tomar um banho. Decidimos dormir uma horinha, só até as 17:00 horas. Colocamos o despertador e deitamos.

Quando acordamos, já nos sentíamos melhor e mais animados para dar um primeiro passeio pela cidade. Tomamos banho e nos arrumamos. Já estava escuro quando saímos rumo à Piccadilly Circus.

Na Victoria Station pegamos o metrô. Foi o nosso primeiro contato com o emblemático metrô londrino, o mais antigo do mundo. Inaugurado em 1863, o metrô de Londres ainda é um dos maiores do planeta, com 270 estações e 400 km de trilhos. Mas o que nos interessava mesmo, como viajantes que somos, era tirar uma primeira foto com os ícones do Tube.

Duas estações e uma conexão depois, estávamos em Piccadilly Circus. O lugar é uma área comercial bastante agitada, com letreiros luminosos em volta de um cruzamento com carros, ônibus e pedestres para todo o lado. Foi aí que vimos também, pela primeira vez, os famosos ônibus vermelhos de dois andares. O principal símbolo de Piccadilly Circus é a estátua de Eros com seu arco e flexa.

É também na região de Piccadilly Circus onde está localizada a maior concentração de teatros de Londres, com muitos musicais em cartaz. Muitos bares, restaurantes e lanchonetes também estão na área.

Encontramos uma loja chamada Cool Britannia, um espaço enorme todo dedicado à uma inimaginável variedade de produtos cuja temática é Londres e a Grã-Bretanha. Muito legal. Achei até a bandeirinha da Grã-Bretanha para costurar na minha mochila. Comprei logo para garantir. Como ainda não tínhamos conhecido nada da cidade, preferimos deixar para voltar depois e comprar algumas das coisas legais que vimos por lá.

Em uma das ruas da região encontramos uma Pizza Hut e decidimos comer lá mesmo. Não estávamos com muita paciência para procurar um outro restaurante e estávamos com muita fome pois a última vez que tínhamos comido tinha sido no avião.

Pedimos uma pizza com buffet de saladas incluso e refrigerantes. A conta saiu por 23 Libras (R$ 69), já com a gorjeta do garçom. Caro, mas comemos muito bem.

Depois, demos uma volta pelas movimentadas ruas da região. Encontramos por acaso a Cranbourn Street, uma rua de pedestres muito interessante, cheia de lojas e teatros. Ficamos de voltar lá depois, com mais calma. O cansaço foi mais forte e decidimos voltar para o hotel.

Voltamos de metrô para o hotel. No outro dia, já descansados, acordaríamos cedo para aproveitar tudo que Londres pode oferecer. Nesse primeiro dia não vimos quase nada. Londres assusta à primeira vista, impressiona pelo tamanho e pela vivacidade. Mas não demora nem um dia para nos encantarmos de vez com esse lugar. Parece que ainda não caiu a ficha de que estamos aqui!
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Grã-Bretanha - 15 dias - Londres, Brighton, Oxford, Canterbury, Cardiff e Bath - outubro de 2011

Mensagem não lidapor arnobionet » 02 Jan 2012, 11:53

Segundo dia. Segunda-feira, 03 de outubro de 2011.

Para compensar o pouco que fizemos ontem por causa do cansaço da viagem, nessa segunda-feira acordamos cedo e saímos para fazer um reconhecimento das redondezas de onde estamos, Westminster. Quando abri o guia para ver o que tinha marcado aqui por perto, vi a Catedral de Westminster. Então rumamos para lá.

Paramos para comprar um café em uma das inúmeras cafeterias espalhadas pela cidade (o café da manhã não está incluso na diária do nosso hotel). Já deu para perceber que o hábito de comer fora é muito forte por aqui. Há uma grande oferta de pubs (um em cada esquina), bistrôs, cafés, lanchonetes, padarias e também muitos pequenos restaurantes de comida estrangeira (árabe, indiana, chinesa, tailandesa…) pelas ruas da cidade.

A Dani, sob o pretexto de tentar ligar para a mãe dela, entrou em uma das típicas cabines telefônicas vermelhas. Não conseguiu ligar (o telefone sempre devolvia a moeda), mas conseguiu o que ela realmente queria: a foto.

Londres é uma cidade que mescla muito bem o antigo com o moderno. Em meio a edifícios vitorianos e os sempre presentes tijolos vermelhos e marrons, edifícios contemporâneos com formas inusitadas, muito vidro e estrutura de metal. Tudo convive muito bem e fica bonito.

Seguimos pela Victoria Street sem nem sinal de nenhuma igreja. Quando olhamos para o lado, um pouco retirada da rua, a Catedral de Westminster surgiu imponente. Confesso que foi uma surpresa. Não era o que eu estava esperando. Apesar da descrição do guia, que já anunciava o estilo neo-bizantino da catedral, ainda sim fiquei surpreso com a arquitetura dessa igreja. Difícil é tirar uma foto em frente, de tão alta que é a sua única torre.

O ingresso de visitantes não é cobrado. Entramos e ficamos espantados com a grandiosidade da nave central com suas abóbadas enormes. No simples altar, o gigantesco crucifixo bizantino que pende do teto domina a visão de quem entra. As luzes dão um clima todo especial à catedral.

Estava havendo uma celebração e, por respeito, evitamos tirar fotos até que ela acabasse. No fim, o coro entoou o hino britânico God Save the Queen. Não tem jeito, na Grã-Bretanha, até a Igreja Católica é monarquista!

A Catedral de Westminster é a igreja mãe da quase extinta Igreja Católica na Inglaterra e País de Gales (a maioria da população do país é anglicana). A construção data de 1895 e, como podemos perceber pelas partes escuras, com o tijolo aparente, ainda não está acabada. A parte que já foi finalizada é coberta por luxuosos mármores e mosaicos com muito dourado. Já a parte ainda por fazer (que inclui as abóbadas), apresenta a pedra crua da construção.

Na loja, perguntei à atendente se havia previsão para o fim dos trabalhos. Ela disse que não, que tudo dependia de doações e que sempre que podiam, mais uma parte era feita. Era nessa mesma lojinha que eram vendidos os ingresso para subir ao topo da torre. O ingresso custa 5 Libras. A subida é tranquila pois é de elevador. Lá em cima, nossa primeira vista de 360° de Londres.

Quando descemos, já tinham se passado quase duas horas desde que saímos do hotel! Recomendo a visita à Catedral de Westminster. A subida à torre é imperdível também.

Apesar de não estar nada insuportável, o clima estava longe do que estávamos esperando, em torno de uns 25°. Estávamos esperando um frio de 11° a 15°. Pelo menos não havia sinal de chuva.

Da Catedral de Westminster, fomos logo para a nossa segunda parada do dia: o Palácio de Buckingham. Fomos caminhando em meio ao movimentado trânsito da cidade, ainda se acostumando à tal da mão direita, que faz todos os carros parecerem andar sem motorista hahahaha

Chegamos ao palácio pela lateral, onde uma multidão se aglomerava e formava filas. Nas grades dos jardins, um cartaz explicava a razão de tanto alvoroço: justo nesse dia 03 de outubro terminava a temporada de visitas aos Salões de Estado do Palácio de Buckingham.

A fila para comprar o ingresso estava enorme (17,50 Libras/R$ 52,50). Depois ainda tinha outra fila para passar pela segurança e entrar. Provavelmente perderíamos umas três horas do nosso dia só em filas. Deve ser bonito lá dentro, mas achamos que não valia a pena.

Fomos então ver a fachada do palácio. Turistas de todas as partes do mundo estavam na praça e encostados na grade. O sol forte aumentava o calor, mas até que fez as fotos ficarem bem bonitas.

O Palácio de Buckingham é a residência oficial da monarquia britânica desde 1837, quando a Rainha Victoria subiu ao trono. O palácio, entretanto, é mais antigo que isso. Antes de ser palácio real, pertenceu ao Duque de Buckingham, que o construiu em 1705. O Rei George III comprou o palácio em 1761 e, desde essa época, várias reformas e ampliações foram feitas até chegar ao que é hoje.

Ali realmente sentimos a força da monarquia britânica como instituição nacional. E como toda instituição, precisa de cerimônias para se firmar. No Palácio de Buckingham, dia sim, dia não ocorre uma das mais famosas: a Cerimônia da Troca da Guarda. Ficamos de voltar outro dia para assistir, pois nesse dia não tinha.

O Palácio de Buckingham fica em meio a dois grandes parques da capital britânica, o Green Park e o St. James Park. Eu e a Dani decidimos dar a volta por trás do palácio para entrar no Green Park pelo Arco de Wellington.

Contornamos o palácio, passando pela galeria de arte da rainha e pelos estábulos reais, até avistarmos o monumento. O Arco de Wellington foi construído para comemorar a vitória britânica sobre Napoleão e, apesar de não ser muito grande, é muito bonito. O Duque de Wellington foi o comandante do Exército Britânico na Batalha de Waterloo (1815) e junto com o Almirante Nelson, comandante da Esquadra Britânica na Batalha Naval de Trafalgar (1805), é louvado como herói nacional, ambos por terem derrotado Napoleão.

Entramos então no Green Park. O parque é uma grande área com árvores e gramados bem verdes que muitos londrinos usam para correr. Não há monumentos ou outras atrações no Green Park, é mais um refúgio do agito da cidade.

Como eu e a Dani não resistimos à um esquilo saltitante, fizemos um monte de barulhos com a boca para chamar um deles, que chegou até a pular nela! No Green Park há também um caminho que homenageia a falecida Princesa Diana.

Chegamos outra vez à praça em frente ao Palácio de Buckingham, onde também fica o Canada Gate, um grande portão decorativo e de onde se tem uma bonita vista do palácio com seu jardim florido. A foto só não ficou melhor pois o monumento em frente ao palácio estava em reforma, todo coberto por tapumes.

Nessa área estão vários monumentos que homenageiam as antigas colônias britânicas, principalmente agradecendo a participação de tropas desses países nas guerras em que a Grã-Bretanha se meteu. Canadá, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul, Índia… todos têm memoriais ali, o que de certa forma, não deixa de ser uma mostra da grandiosidade que atingiu o Império Britânico.

Seguindo pelo The Mall, a avenida que começa em frente ao Palácio de Buckingham e divide o Green Park do St. James Park, fomos em busca de uma foto junto à um soldado da Guarda Real Britânica. É que ali fica o St. James Palace, palácio onde o Príncipe Charles já morou e que é vigiado pelos imóveis guardas. Quase não dá para ver o palácio, mas é um dos lugares onde se chega mais perto de um soldado da Guarda Real.

Atravessando o The Mall, chegamos ao St. James Park. Lá também muitos londrinos aproveitavam o calor que estava fazendo para ficar embaixo do sol. Uns deitam no gramado, outros trazem até cadeiras de praia. Como era hora do almoço, muita gente estava comendo lá mesmo.

O St. James Park tem um lago bem grande onde patos nadam soltos. As vistas da ponte que atravessa esse lago são muito bonitas. De um lado, o Palácio de Buckingham. Do outro, ao longe, vemos a London Eye, a roda gigante que já é símbolo da cidade.

Por teimosia e vaidade, mais uma vez a Dani se deu mal. Sabendo que nós íamos sair para andar muito durante todo o dia, ao invés de colocar um tênis, ela resolve colocar uma bota com salto. Até então ela estava calada. Mas aí começou a doer muito os pés dela e ela teve que dar o braço a torcer. Pediu para sentar e descalçar um pouco as botas. Lá fomos nós sentar no gramado pela ela aliviar um pouco a dor.

Eu abri o guia e vi que estávamos bem perto do Churchill War Rooms, o museu instalado no antigo bunker de onde Churchill governou o país e comandou as forças armadas durante a Segunda Guerra. Então a Dani pôs as botas e fomos para lá.

O Churchill War Rooms fica na Horse Guards Road, a avenida à leste do St. James Park. A entrada é uma portinha entre uma escadaria e um edifício do governo. O ingresso custa 14,50 Libras (R$ 43,50). Eu sei, é caro, mas vale a pena para quem se interessa pelo tema. Está incluído no ingresso um aparelho de áudio-guia (não tem em português).

Todo o museu é subterrâneo e está instalado exatamente onde funcionou o gabinete de guerra do governo britânico na segunda guerra mundial. Construído entre 1938 e 1939, portanto antes do conflito começar, o que evidencia que a guerra já era considerada inevitável, o gabinete de guerra se tornou o principal local de trabalho de Churchill, então primeiro ministro da Grã-Bretanha.

Para lá ele se mudou com sua esposa e de lá emitia ordens, presidia reuniões com os principais membros do governo (que também se mudaram para lá) e se comunicava com os comandantes militares do país e com os outros chefes de estado dos países aliados. É realmente impressionante.

Além de reproduções dos ambientes com mobília, equipamento e esculturas de cera mostrando como se trabalhava no local, o espaço conta com modernas exposições interativas que mostram documentos importantes, mapas, vídeos e reproduções de discursos de Churchill na BBC.

Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi a conversa telefônica entre Churchill e Roosevelt reproduzida no áudio-guia. É impressionante a precariedade da ligação e de como ele fala das cartas que ele enviou e recebeu do presidente americano (exatamente, uma guerra daquele porte e a comunicação entre os principais aliados ainda era por cartas!).

Outra parte interessante é o vídeo que mostra os funerais de Churchill, em 1965. O país parou. Comércio e repartições públicas fecharam. Jogos esportivos foram cancelados, o Parlamento Britânico suspendeu a celebração de seus 700 anos, a ONU, o Conselho Europeu, a Otan e o Congresso Americano também suspenderam os trabalhos. A rainha lhe concedeu um funeral com honras de chefe de estado e acompanhou o cortejo fúnebre pessoalmente, o que nunca tinha acontecido (normalmente a rainha só acompanha funerais de membros da família real). A bandeira britânica que cobriu o caixão dele está lá em exposição. Cerca de 400 milhões de pessoas ao redor do mundo assistiram o funeral pela televisão.

Sem dúvida a grande estrela do museu é o próprio Churchill e sua forte personalidade. A força de Churchill como comandante era tão forte que não foram poucas as tentativas de enfraquecer sua imagem. No museu há uma mostra de propaganda do Eixo que tinha o primeiro ministro britânico como alvo.

Depois da visita à este museu, passei a admirar ainda mais esse grande estadista, que liderou o país dele nos anos mais difíceis da sua história. Não foi uma tarefa fácil. Não dá para negar que sem o trabalho vitorioso desse homem, o país e o mundo seriam outros.

Também interessante é saber que, se Hitler tivesse descoberto a localização exata do gabinete de guerra, todos teriam sido mortos e a Grã-Bretanha ficaria sem comando pois a estrutura da construção não era forte o suficiente para aguentar um bombardeio certeiro.

No fim, há uma lojinha muito boa. Comprei uns cartões postais da propaganda britânica que estimulava os cidadãos a manter o ânimo e se engajar no esforço de guerra. Muito interessante. Passamos mais ou menos uma hora e meia dentro do Churchill War Rooms. Recomendo à todos!

Saindo de lá, a Dani confessou que não aguentava mais as botas e pediu para voltar ao hotel para trocar por um tênis. Como ela não conseguia nem andar direito, tivemos que apelar para um taxi. Não estava nos nossos planos usar taxi em Londres, pois é muito caro. Mas nesse caso excepcional tivemos que ceder. Por sorte o nosso hotel não estava muito longe. Pelo menos tivemos nossa experiência de andar de black cab, o tradicional e espaçoso taxi londrino. A corrida, de uns 5 minutos, saiu por 6 Libras (R$ 18).

No hotel, foi só a Dani trocar o sapato e saímos para almoçar, pois já era umas 15:30 horas e estávamos com fome. Escolhemos um pub perto do hotel mesmo, o St. George’s Tavern. A Dani pediu um suco de cranberry e eu pedi uma Ale (tipo de cerveja) inglesa, a PG. Steam. Segundo o velhinho que me atendeu no balcão, seria essa a melhor cerveja para companhar o que pedimos para comer, dois pratos de fish and chips (peixe e batatas fritas), prato tipicamente britânico. Tudo saiu por 26 Libras (R$ 78).

A porção de fish and chips que nos serviram nesse pub era tão pequena perto da fome que tínhamos que até desanimamos. Mas estava muito gostoso. Saímos de lá sabendo que teríamos que comer de novo.

No Churchill War Rooms eu peguei um folheto do Imperial War Museum, o museu nacional de guerras. Como eu tinha marcado no guia este museu e ele fica em uma região onde não marcamos mais nada para ver, resolvemos ir logo e deixar os outros dias para ir à outras regiões da cidade onde houvesse mais atrações próximas umas das outras. Pegamos o metrô na estação Victoria e, cinco estações e uma conexão depois, descemos na estação mais perto do museu, a Lamberth North, na linha Bakerloo.

O Imperial War Museum está instalado em um edifício enorme, rodeado por jardins que fica na Lambeth Road. Na frente, dois canhões retirados de navios de guerra ingleses dão uma amostra do que está dentro do prédio. Cada canhão desse pesa cerca de 100 toneladas e a bala atirada por eles alcança incríveis 29 km!

O museu não cobra ingresso e possui um acervo de armas de guerra fantástico. Logo no hall principal, aviões pendem do teto e tanques, foguetes, submarinos e artilharia ocupam todos os espaços. Há até uma bomba atômica igual à que os americanos jogaram sobre Hiroshima. Nos andares superiores (são quatro) há várias outras exposições. Chegamos a ver a exposição sobre os serviços secretos britânicos (MI5, MI6…) e a impressionante exposição sobre o holocausto.

Nessa exposição sobre o holocausto, as fotografias são proibidas e não é aconselhável o ingresso de jovens com menos de 14 anos. São realmente cenas fortes. É uma área enorme dividida em várias salas com vídeos, documentos e peças que contam desde a ascensão do Nazismo na Alemanha até o massacre étnico que eles promoveram. Há discursos de Hitler exaltando a ”superioridade ariana” e pregando o extermínio dos judeus do continente. Tudo com a maior naturalidade e com aplausos eufóricos da plateia no final! É realmente chocante.

Infelizmente tivemos que ver tudo com muita pressa pois chegamos uma hora antes do museu fechar e assim que deu 18:00 horas, fomos ”expulsos”. Esse museu, apesar de não ser dos mais famosos de Londres, é muito interessante. Recomendo.

Antes de pegarmos o metrô, passamos em um supermercado e compramos algumas coisas para comer no hotel mesmo, incluindo o nosso café da manhã do outro dia, aproveitando a nossa cozinha particular toda equipada.

Quando chegamos na Victoria Station, fomos comprar nossas passagens de trem para Brighton, onde íamos passar a quarta-feira. Conseguimos comprar todas as outras passagens (Oxford, Canterbury e Cardiff) na internet pois as empresas de ônibus vendem passagens para quem não tem cartão de crédito britânico. Como as as empresas de trem exigem domicílio no país, tivemos que comprar na estação mesmo.

Chegamos no hotel mortos de cansados. O dia foi corrido, mas valeu a pena. No outro dia queríamos acordar cedo e manter o ritmo. Afinal, há muito o que fazer nessa cidade!
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Mensagem não lidapor arnobionet » 11 Jan 2012, 12:19

Terceiro dia. Terça-feira, 04 de outubro de 2011.

Todo mundo que vem à Londres tem que ir ver o tal do Big Ben. Reconheço que também tinha curiosidade de ver esse tão famoso relógio de perto.

Acordamos cedo e a Dani preparou o café da manhã para tomarmos no quarto mesmo. Na véspera tínhamos comprado um monte de coisas. Supermercado é sempre uma boa forma de economizar. Cada café da manhã no hotel nos custaria 12 Libras (absurdos R$ 36!), o que daria 24 Libras (R$ 72), por dia, só de café da manhã. Com as compras que fizemos no supermercado, gastamos 18 Libras (R$ 54), e essas compras serviriam para tomarmos café da manhã e jantarmos por uns quatro dias.

Quando saímos, uma boa surpresa, a manhã estava com céu azul! Isso é uma raridade em Londres, ainda mais no outono. A temperatura também estava mais branda que na véspera, em torno de uns 18°C.

Pegamos o metrô na Victoria e descemos na estação Westminster. No mapa víamos que essa era a estação mais próxima ao Parlamento, mas não imaginávamos que era tão ao lado. Subindo a escada da estação demos de cara com o Big Ben! Tenho que dar o braço a torcer. O tal do relógio é bonito. É muito maior do que eu imaginava que fosse. Engraçado era a reação de todos (igual à minha) ao sair da estação e se deparar com o Big Ben: puxar a máquina e tirar logo uma foto.

Tivemos sorte. Nessa manhã encontramos a combinação ideal para boas fotos: céu azul e poucos turistas. O melhor ângulo para as fotos do Big Ben é a partir da Ponte de Westminster, que cruza o rio Tâmisa bem ao lado do Parlamento.

Big Ben, na verdade, era o nome do sino que está dentro da torre, que pesa 16 toneladas e toca de 15 em 15 minutos. A estrutura que podemos ver se chama Tower Clock (Torre do Relógio) e mede 61 metros de altura. Mas, hoje em dia, todo mundo chama a Torre do Relógio de Big Ben. Como não poderia deixar de ser, considerando que estamos na Grã-Bretanha, o relógio é conhecido pela pontualidade.

O nome dado ao sino e hoje estendido à todo o relógio vem do nome do Primeiro Ministro à época da construção da torre, Benjamin Hall, que era um homem alto e gordo. A Torre do Relógio foi acrescentada ao prédio do Parlamento em 1859, junto com a reconstrução do prédio depois do incêndio de 1834. Na época houve uma discussão acerca do estilo arquitetônico a ser adotado pelo prédio do Parlamento. O estilo Neo-Gótico prevaleceu sobre o Neo-Clássico, adotado pelos prédios públicos dos Estados Unidos, pois remetia à ideia de conservadorismo, em contraposição ao republicanismo americano.

No guia vimos que existem tours guiados pelo prédio do Parlamento à partir das 14:00 horas. Decidimos então voltar mais tarde para ver se conseguíamos ver o Parlamento Britânico por dentro.

Da Ponte de Westminster, também junto ao rio Tâmisa, podemos ver também a London Eye, a roda gigante que já virou símbolo de Londres. A vista de lá de cima deve ser fantástica, ainda mais porque Londres, por quase não ter prédios altos, tem poucos mirantes de onde podemos ver toda a cidade. Ficamos de voltar lá outro dia, aproveitando para visitar também o Aquário de Londres, que fica no prédio ao lado.

Seguimos então para o nosso segundo passeio do dia, a Abadia de Westminster. O bom é que ela fica bem perto do Parlamento, praticamente só temos que atravessar uma praça e estamos lá.

A Abadia de Westminster é enorme e muito bonita. Em estilo gótico, a igreja é um emaranhado de esculturas em pedra e vitrais. A beleza da igreja, no entanto, acaba sendo ofuscada pela importância que ela tem como panteão nacional.

Fundada por monges beneditinos no ano de 960 (a atual construção data de 1245), portanto, com mais de mil anos de história, a Abadia de Westminster mantém até hoje a função de igreja e colégio religioso. Mas, para quem a visita, a impressão que se tem é que a sua principal função é ser guardiã da história britânica. Com tantos túmulos, a igreja parece mais um cemitério. Há também muitas placas alusivas à eventos históricos e homenageando personalidades da vida pública do país.

Simplesmente nessa igreja estão sepultadas cerca de 3.000 pessoas, dentre as quais, 17 reis ingleses! Lá também estão os restos mortais de vários príncipes, duques, marqueses e outros membros da realeza britânica. Os cientistas Isaac Newton e Charles Darwin, o compositor Handel, o escritor Charles Dickens… praticamente as maiores personalidades da história do país no último milênio estão enterradas na Abadia de Westminster. Parece não haver mais lugar para tantos mausoléus. Eles estão espalhados por toda a igreja, nas capelas laterais e nos corredores do claustro. Alguns assinalados apenas por uma lápide, outros por esculturas de mais de 10 metros de altura. É impressionante.

Desde o ano de 1066, a Abadia de Westminster é a igreja da coroação dos reis ingleses. A própria Elizabeth II foi coroada lá, em 1953. A Abadia também é o local de funerais. O da Princesa Diana foi lá. Casamentos reais e de membros da corte também são realizados ali. O mais recente foi o de William e Kate, provavelmente futuros reis da Inglaterra.

Aliás, diga-se de passagem, o trono que é usado na coroação de todos os reis ingleses desde 1301 fica em exposição na igreja e, curiosamente, está em restauração. Eu e a Dani ficamos pensando: Será que estão querendo usá-lo em breve? Te cuida Elizabeth!

Infelizmente, fotos no interior da igreja são proibidas e guardas estão por toda a parte para garantir o cumprimento dessa regra. Mas até é uma proibição compreensível diante da quantidade de turistas lá dentro. Se todo turista que entrasse na igreja tirasse dez fotos, seria insuportável ficar ali! As únicas fotos permitidas são do claustro.

Visitar a Abadia de Westminster é uma experiência incrível. É pisar a história. Os ingressos custam 16 Libras (R$ 48) e incluem o áudio-guia em português, que nós achamos fundamental para conhecer bem a história do lugar. Se não fosse o áudio-guia, demoraríamos bem mais que as duas horas que passamos lá dentro. Saímos da abadia encantados. Acho que esse passeio é essencial e deve ser feito logo no início de qualquer viagem à Londres.

Sentamos em um banco em frente à um prédio próximo para escolher onde íamos almoçar. Estávamos com fome pois a única coisa que tínhamos comido até então tinha sido o café da manhã. Olhamos o guia e, quando levantamos, percebemos que aquele prédio, apesar da fachada de igreja, pertencia à Suprema Corte Britânica. Perguntamos ao guarda se podíamos visitar o prédio e ele, quase nos convidando, disse que sim. Aliás, essa é uma característica daqui. Somos muito bem tratados por todo mundo que nos atende, em qualquer lugar.

Depois de passar as nossas mochilas no raio-x e passarmos pelo detector de metais, os guardas disseram que podíamos subir e visitar o que quiséssemos. Assim, sozinhos, sem ninguém junto. Achamos aquilo incrível.

Subimos e vimos a placa de inauguração daquele prédio pela Rainha Elizabeth II, em 2009. Por isso estava tudo tão novo. Perguntamos à um outro guarda se aquele era o prédio principal da Suprema Corte e ele disse que sim, que era a sede deles. Passando em frente à uma sala que estava com as portas fechadas, o guarda abriu e nos chamou para entrar. Nem acreditamos naquilo. Era o Salão do Pleno da Suprema Corte Britânica! Sóbrio, mas muito bonito e moderno. Mais incrível foi quando o guarda perguntou se queríamos sentar na cadeira do presidente! E quem não quer? (e pensar que para entrar em qualquer Juizado Especial em Belém, as pessoas não podem estar de bermuda!).

Quando fomos embora da Suprema Corte, resolvemos seguir margeando o Tâmisa até achar um lugar para comer. Mas não achamos nada. Ali é uma área de prédios públicos e há poucos restaurantes. Passamos em frente ao Ministério da Defesa Britânico, de onde saem as ordens militares para as três frentes de guerra que os britânicos estão lutando atualmente (Afeganistão, Iraque e Líbia). Mais adiante, dobramos e chegamos, sem perceber, à avenida Whitehall, que termina na Trafalgar Square, uma das praças mais importantes de Londres.

Logo encontramos um pub que nos seduziu com a foto do seu Fish and Chips na calçada. O nome do pub é Silver Cross e fica na Whitehall, esquina com Craig’s Court. O pub tem dois andares e é enorme. Escolhemos uma mesa em uma área afastada do balcão.

Nos pubs ingleses, a gente primeiro faz o pedido no balcão. Não adianta sentar à mesa e esperar que ninguém virá atender. Depois de escolhermos o que queríamos comer e beber, fui até o balcão, fiz o pedido, paguei e voltei para a mesa já com as bebidas, só para esperar eles levarem a comida. O bom é que não tem que esperar a conta no final. Acabou de comer, é só levantar e ir embora. Ah, e não tem gorjeta também!

Lendo o cardápio, constatei o que já tinha lido em algum lugar. Cada vez mais os pubs ingleses passam a fazer parte de uma rede. O pub que almoçamos na véspera faz parte da Nicholson’s e esse de hoje faz parte da Taylor Walker. O bom é que essas redes que compram os históricos pubs preservam as tradicionais bebidas e comidas servidas lá, assim como a decoração.

Para beber eu pedi um pint de Guiness e a Dani pediu um shandy (um terço de refrigerante de limão e dois terços de cerveja lager, que nesse caso, foi a Kronenbourg 1664). Adoramos. Foi a primeira vez que eu provei a Guiness, uma stout irlandesa famosa pela cremosidade. A Dani também adorou a ideia do shandy e já quer tomar no Brasil, quando voltarmos para casa. A cerveja fica adocicada, mas sem perder a graça.

Não demorou muito e nossa comida chegou. A diferença entre o meu pedido e o da Dani é que o meu era uma descomunal posta de peixe e o da Dani eram três postas menores de peixes diferentes, mas ambos vinham com batatas fritas, ervilhas, um limãozinho e molho tártaro. Tudo saiu por 32 Libras (R$ 96). Era muita comida. Mas, com a fome que a gente estava…

Foi realmente um exagero pedir tudo aquilo. Mas estava simplesmente delicioso. Agora sim tínhamos virado fregueses do tal do Fish and Chips! Saímos do restaurante procurando uma rede para deitar. Mas logo tivemos que nos reanimar e continuar caminhando até a Trafalgar Square.

De longe podíamos ver a Coluna de Nelson, cercada por seus quatro leões. Este monumento homenageia o Almirante Nelson, comandante militar britânico que venceu Napoleão na Batalha Naval de Trafalgar, em 1805, impedindo o domínio dos mares pela esquadra francesa, o que significaria a iminente invasão de Londres por Napoleão. Não é a toa que Nelson é um grande herói nacional.

A Coluna de Nelson fica em meio à Trafalgar Square, uma grande praça que marca o cruzamento de várias avenidas e ainda abriga a National Gallery. Do alto da escadaria do museu, a cena que vemos é tipicamente londrina: muitos black cabs, ônibus vermelhos e até mesmo o Big Ben ao fundo.

Deixamos para visitar a National Gallery para outro dia, pois ela exige muito tempo. Fomos caminhando e passamos pelo Admiralty Arch, um arco erguido em honra à Rainha Victoria e que inicia a rota cerimonial até o Palácio de Buckingham. Como já tinha passado das 14:00 horas, voltamos caminhando para a beira do Tâmisa, para tentar visitar o prédio do parlamento mais antigo do mundo.

Na entrada do centro de visitantes do Parlamento Britânico, fomos, outra vez, muito bem atendidos pelos funcionários. Uma guarda nos disse que não poderíamos fazer o tourguiado, pois não haveria nesse dia, e que ”apenas” poderíamos assistir uma sessão da Câmara do Lords. Topamos na hora. Lá dentro, passamos nossas coisas pelo raio-x, passamos no detector de metais e ganhamos um crachá personalizado com a nossa foto. Tudo muito rápido e mais fácil do que poderíamos imaginar.

O edifício onde o Parlamento está instalado era usado como palácio real desde o século XI, com o nome de Palácio de Westminster. Vários reis moraram ali durante a Idade Média. Sucessivos incêndios e reconstruções foram modificando a estrutura.

Hoje, o Westminster Hall, construído em 1097, é a estrutura mais antiga do Parlamento e foi justamente nesse imenso salão que iniciamos nossa visita ao Parlamento Britânico.

Esse salão é célebre por ter recebido alguns dos maiores eventos nacionais. Na época em que o Parlamento ainda era um palácio real, ali a corte se reunia em imensas festas e banquetes. Por volta do séc. XIII, o Westmisnter Hall se tornou sede de grandes julgamentos públicos. Esses julgamentos duravam dias e chegavam a reunir milhares de pessoas. Alguns dos julgamentos mais importantes ocorridos ali foram os de William Wallace (1305), Thomas More (1535) e o do rei Charles I (1649), que se tornou o primeiro rei europeu a ser condenado à morte, um grande símbolo da limitação de poder imposta aos reis absolutistas.

Ficamos sentados em bancos junto às paredes e de vez em quando chamavam um grupo de mais ou menos 10 pessoas para ocupar os bancos em outro salão. Infelizmente, o Westmisner Hall é o único lugar onde podemos tirar fotos dentro do Parlamento. Apesar de muito bonito e amplo, o Westmister Hall não é tão luxoso quanto os outros salões por onde passamos. Muito mármore, lustres de cristal, afrescos que contam a história da Grã-Bretanha pintados nas paredes, vitrais coloridos, tetos altíssimos e esculturas de santos, reis e parlamentares célebres.

Em cerca de uma hora estávamos assinando o termo de compromisso de não perturbar a sessão e subindo às Galerias dos Estranhos, de onde pudemos assistir ao vivo aos debates na Câmara dos Lords. O salão em si já é um espetáculo. Todo entalhado em madeira e com decoração riquíssima.

Nos chamou a atenção o trono usado pela rainha na abertura do ano legislativo e que fica em local central. Outra coisa interessante é que a Igreja Anglicana tem assento na Câmara dos Lords. Lá estava o bispo ouvindo os debates, que aliás são muito regrados. Primeiro o representante do governo faz o seu discurso e depois se senta para ouvir o discurso do representante da oposição. Governo e oposição sentam de frente uns para os outros. Nessa sessão que assistimos estavam sendo discutidas emendas ao orçamento militar e a reforma das leis previdenciárias.

Entre a espera para entrar, quando pudemos passear um pouco por algumas salões do Parlamento e o tempo que ficamos nas galerias assistindo a sessão, passamos cerca de duas horas lá dentro. Vale muito a pena. Ainda por cima, é de graça! Saímos do Parlamento por volta das 17:00 horas. O frio tinha aumentado e já estava começando a escurecer. Atravessamos o Tâmisa em busca de alguma coisa para beber.

Na outra margem do rio, nos sentamos em um banco e ficamos admirando a paisagem, esperando as luzes da cidade acenderem. Cansados, voltamos para o hotel de metrô. Jantamos sopa, eu escrevi um pouco no blog e fomos logo dormir. No outro dia iríamos cedo pegar o trem para Brighton, onde íamos passar o dia.
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Grã-Bretanha - 15 dias - Londres, Brighton, Oxford, Canterbury, Cardiff e Bath - outubro de 2011

Mensagem não lidapor arnobionet » 20 Jan 2012, 13:47

Quarto dia. Quarta-feira, 05 de outubro de 2011.

Tínhamos comprado o bilhete de trem com hora marcada, então acordamos bem cedo para tomar café e estar pontualmente na estação para fazer nossa primeira day trip dessa viagem.

Eu e a Dani gostamos de conhecer sempre um pouco mais que o essencial. Em uma viagem à Grã-Bretanha, Londres, obviamente, seria nosso principal destino. Mas, além dos 9 dias que separemos na capital britânica, passaremos outros 6 dias em 4 cidades do sul da Inglaterra e em Cardiff, capital do País de Gales.

Brighton foi um destino de última hora que incluímos no nosso roteiro depois de ler uma reportagem sobre a cidade. Mesmo sabendo que o forte de lá é a temporada de praia, no verão, achamos que valeria a pena a visita. E acertamos.

Pegamos o trem na Victoria Station, às 7 horas da manhã. Na estação vimos que os trens são extremamente pontuais e não saem muito lotados. Logo na saída de Londres passamos bem ao lado da famosa termelétrica abandonada de Battersea, que abastecia a cidade e foi capa de um dos discos do Pink Floyd. O arquiteto que desenhou a usina foi o mesmo que desenhou as cabines telefônicas vermelhas. Há projetos de revitalização e transformação da área em um centro cultural.

A viagem de trem entre Londres e Brighton durou uma hora e custou 25 Libras (R$ 75), ida e volta. Pagamos mais caro no guichê da estação pois não conseguimos comprar antecipado pela internet, onde o preço chega a ser a metade disso.

A estação de trens de Brighton data de 1840 e causa uma excelente primeira impressão em quem visita a cidade. Como quase todas as estações inglesas da época, a estrutura é toda em ferro fundido.

Brighton fica ao sul de Londres, no Condado de Sussex. A cidade é banhada pelas águas do Canal da Mancha, que separa a Grã-Bretanha do continente. A parte que é interessante visitar está toda concentrada e pode ser percorrida facilmente à pé.

As primeiras ruas que vimos quando saímos da estação mostraram uma Brighton tranquila, com cara de cidadezinha do interior, sem muito movimento nas ruas. Mas, para os padrões britânicos, Brighton, com seus cerca de 248 mil habitantes, é uma cidade média (Londres tem 7,5 milhões). No verão, as coisas mudam bastante. Brighton é um um popular balneário britânico. Agora no outono, com o frio, os turistas são bem poucos. Mas mesmo não estando na temporada, a cidade ainda é muito interessante. Ainda mais para quem quer dar uma pausa no agito de Londres.

O tempo áureo de Brighton foi quando o Príncipe George (que se tornou Príncipe Regente e depois Rei George IV), resolveu construir seu palácio de festas na cidade. Isso nos idos do séc. XIX. O Royal Pavilion foi um dos primeiros palácios reais a ser aberto à visitações públicas e hoje é uma das principais atrações da cidade. Saindo da estação de trem, caminhando uns 5 minutos em direção ao mar (ao sul), chega-se lá. E pode ter certeza que quando chegar, você vai saber que chegou e se fará a mesma pergunta que nós nos fizemos: Afinal, o que um palácio indiano está fazendo na costa da Inglaterra?

De uma discreta residência de campo à um palácio oriental, a história do Royal Pavilion é toda esmiuçada ao longo da visita. A construção foi fruto do desejo do Príncipe George em ter um suntuoso palácio especialmente preparado para receber convidados em festas memoráveis que chegavam a durar dias. O objetivo era realmente impressionar, surpreender.

Por fora o Royal Pavilion é todo em estilo indiano, com cúpulas, colunas e minaretes. Por dentro, o palácio é todo em estilo chinês! Muitos dragões, bambus, vermelhos e dourados. Um verdadeiro monumento ao exotismo encravado no sul da Inglaterra. Os pontos altos da visita são a Sala de Banquetes e a Sala de Música, ambas com tetos altos e ricamente decoradas. Na primeira eram servidos jantares com mais de cem pratos diferentes, feitos à base dos mais caros ingredientes. Na segunda, os mais renomados artistas da época se apresentavam (até Rossini esteve lá).

As duas salas são de cair o queixo de tão extravagantes. O que de cara parece uma grande cafonice (e até é um pouco), com o desenrolar da visita começa a fazer mais sentido e passamos a gostar do palácio. Tudo é fruto do capricho do príncipe regente (depois, Rei George IV), conhecido por suas excentricidades, pelo seu apreço às artes, às festas e à boa comida. Um verdadeiro bon vivant.

Mas nem sempre o palácio foi só frivolidades. Quando a Primeira Guerra estourou, a Grã-Bretanha não estava nem um pouco preparada. O exército britânico não chegava a 30 mil soldados e era menor que o da Bélgica. A solução foi recrutar homens na Índia, então colônia britânica. Os soldados indianos que lutaram na guerra européia e eram feridos em batalha eram tratados no Royal Pavilion, transformado em hospital de guerra. Há uma exposição muito interessante sobre estes acontecimentos no segundo andar do palácio, inclusive com fotos da época mostrando os luxuosos salões abarrotados de camas com soldados indianos repousando.

O bom é que como agora não é temporada, o palácio estava vazio e pudemos aproveitar para conhecê-lo tranquilamente. Infelizmente, fotos são terminantemente proibidas na parte interna, que é luxuosíssima. Existem poucas fotos na internet que podem traduzir o que vimos lá. Quem quiser ter uma ideia pode olhar o site oficial do Royal Pavilion.

O Royal Pavilion, na minha opinião e na da Dani, por si só já vale a visita à Brighton. O lugar é simplesmente fantástico. O ingresso custa 9,80 Libras (R$ 29,40) e dá direito ao áudio guia (não tinha em português, então pegamos em inglês). O áudio guia é indispensável! Passamos cerca de duas horas no palácio.

Saímos do Royal Pavilion e fomos em direção à praia. O tempo, finalmente, estava frio. Aliás, até demais. Nós sempre damos preferência para viajar no frio pois é muito mais confortável para passar o dia passeando de um lado para o outro, como normalmente fazemos. Nós gostamos do frio, mas também não precisa ser com um céu cinza escuro! Para piorar ainda mais o frio (devia estar uns 10°), estava ventando forte, o que fazia a sensação ser de uma temperatura muito mais baixa. O tempo estava tão fechado que na avenida beira-mar poucas pessoas se aventuravam.

Antes de todo o impulso dado por George IV, com a construção do Royal Pavilion, Brighton era uma cidadezinha pesqueira. Essa época foi deixada para trás e sendo substituída por uma imagem de cidade festeira. Há muitos hotéis, bares, restaurantes e uma boa estrutura para uma cidade praiana.

Descemos da avenida para a praia e seguimos ao longo de um caminho ladeado por várias lojinhas e pequenos restaurantes, a maioria fechados por causa da baixa temporada. Essas lojinhas ficam instaladas em baias que antes serviam para abrigar os barcos de pesca, bem de frente para a praia. Hoje, só um pequeno museu ainda lembra esse período da história da cidade.

Encontramos o Museu da Pesca de Brighton (Brighton Fishing Museum) pela internet pois o guia sequer o citava. Quando chegamos lá, descobrimos o porquê. Simplesmente o “museu” é minúsculo e está meio abandonado. Dentro, só um barco de pesca, alguns instrumentos, placas pintadas à mão com o estilo da época, algumas peças que iam à bordo, cartazes das empresas de pesca e fotos mostrando o trabalho dos pescadores da região. Essas fotos eram interessantes pois mostravam como era a vida daqueles trabalhadores e como era difícil ser pobre na Grã-Bretanha da revolução industrial. Não demora nem 15 minutos para ver tudo e é de graça, então acho que vale a pena ir ver. O Museu da Pesca de Brighton fica na altura da Ship St., com entrada pela praia mesmo.

Em frente ao Museu da Pesca tinha uma barraquinha que vendia mariscos variados. Uma porção de uns 300 g, mais ou menos, custou 3 Libras e vinha com um limão siciliano para jogar em cima. Parecia que aquilo tinha acabado de ser pescado. Ainda estava com o gosto do mar! Pedimos uma porção e sentamos na calçada e comemos tudo admirando a paisagem cercados de gaivotas, algumas cobiçando nosso lanche.

Quando acabamos, voltamos caminhando em direção ao Brighton Pier. O vento e o frio não davam uma trégua. Para nós brasileiros, acostumados com nossas praias, é até engraçado estar de casaco na beira do mar, pisando pedrinhas em vez de areia.

Passamos também por uma escultura chamada Afloat (”bóia”), que fica de frente para a praia. A população de Brighton, no entanto, apelidou a escultura de Donut (”rosquinha”). Pelo buraco no meio vemos a linha do horizonte no mar. É bem legal. Logo avistamos o famoso Brighton Pier avançando mar adentro.

O Brighton Pier foi inaugurado em 1899 e, como o seu rival à época, o West Pier, do qual resta apenas parte da estrutura de metal no meio do mar, tinha (e tem) a função de ser uma área de lazer. Na época da inauguração, o pier foi uma sensação, o que de mais sofisticado existia. A entrada continuou sendo paga até poucos anos atrás. Hoje o ingresso é de graça.

O letreiro da sua fachada é emblemático, a cara da cidade, mas nem sempre esteve ali. Só em 2000 os atuais donos do pier passaram a chamar o tradicional Palace Pier de Brighton Pier. A construção tem a estrutura toda em metal e abriga muitos restaurantes, bares, kiosques de lanches, um enorme salão cheio de caça-níqueis, fliperamas e outras dezenas de máquinas de jogos. Na praça de alimentação, escolhemos um restaurante bem legal para almoçar chamado Palm Court, que é o principal restaurante do pier.

Eu pedi um pint de Fosters, uma cerveja pilsner bem leve, e a Dani um suco de Cranberry. O bacana aqui é que qualquer bar ou restaurante, por mais simples que seja, tem cerveja fresca, tirada na hora. Em garrafa, só cerveja comprada em supermercado.

Para comer pedimos um prato de mariscos variados empanados e, como não podia deixar de ser, fish and chips (pelo terceiro dia seguido!). Esse molho tártaro que eles põem para acompanhar o fish and chips é muito bom! Comemos muito bem e ainda pedi mais um pint de Fosters e sobremesas. Tudo saiu por 37,50 Libras (R$ 112,50). Depois desse almoço que sempre deixa a gente com vontade de deitar, pusemos nossos casacos e continuamos passeando pelo pier.

Lá no final do pier, há um grande parque de diversões, com carrossel, montanha russa, carro bate-bate, casa do terror… Parece uma quermesse. Como não é temporada, os brinquedos estavam todos parados. A vista da cidade e do mar a partir do pier é bem bonita. Aquela água verde com um céu azul do verão deve ficar muito bonito. Como eu e a Dani preferimos viajar no outono/inverno, tivemos que nos contentar com o frio, o vento e o céu escuro mesmo. Mas a vista, ainda assim, é bonita.

Já era umas 15:30 horas quando deixamos o Brighton Pier em direção à estação. No caminho, passamos por uma região da cidade chamada The Lanes.

The Lanes é um conjunto de vielas, por onde só passam pedestres, cheias de restaurantes, bares e lojinhas de todos os tipos. Fica na área da antiga vila de pescadores que deu origem à cidade. Na temporada, essas ruelas ficam cheias de gente passeando, como em todos os mercados de cidades praianas. Aliás, pelo que vimos, deu para perceber que na alta temporada a cidade deve ser muito badalada. Nessa área central por onde estivemos, tudo é voltado para os turistas. Chegamos a ver cartões postais com a praia lotada de banhistas e muito sol. Quem sabe em um outra oportunidade…

Nós adoramos Brighton!

Pegamos o trem das 17:30 horas e chegamos em Londres, na Victoria Station, às 18:30 horas. Cansados, fomos direto para o hotel. Tomamos banho, comemos, eu escrevi um pouco no blog e fomos dormir. De manhã cedo íamos embarcar para a nossa segunda day trip, para Oxford.
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Grã-Bretanha - 15 dias - Londres, Brighton, Oxford, Canterbury, Cardiff e Bath - outubro de 2011

Mensagem não lidapor arnobionet » 31 Jan 2012, 02:26

Quinto dia. Quinta-feira, 06 de outubro de 2011.

Nesse nosso segundo dia de passeio fora de Londres, fomos à Oxford, cidade do interior da Inglaterra, 90 km à noroeste da capital britânica.

Dessa vez fomos pela National Express, a maior companhia de ônibus de viagem do Reino Unido. Compramos ainda no Brasil, pela internet. A passagem custou 17,50 Libras (R$ 52,50) ida e volta, para cada um. A viagem de ônibus entre Londres e Oxford dura 1 hora e 50 minutos.

Em razão da grande variação de preços, não é tão simples comprar passagens para viajar pelo interior, tanto de ônibus quanto de trem. O melhor é comprar com a maior antecedência possível e pela internet. Nos guichês das estações sempre é mais caro. O problema é quando o site só permite comprar com cartão de crédito do Reino Unido, como é o caso dos trens, aí só dá para comprar no guichê.

Com a ganância de aproveitar cada minuto da cidade, caímos na besteira de escolher um dos primeiros ônibus para Oxford e tivemos que acordar bem cedo para estar na Victoria Coach Station (terminal de ônibus) às 7:30 da manhã!

Tivemos que pôr o despertador para as 6:00 horas para poder ter tempo de tomar banho, comer alguma coisa no nosso quarto mesmo e correr para pegar o ônibus. Chegamos no terminal no exato último minuto. Foi o tempo de ver no monitor o nosso portão de embarque e entrar no ônibus. Sentamos e ele saiu.

Foi um grande acerto escolher ficar no Best Western Victoria Palace. Além de ser muito bom e barato para os padrões londrinos, esse hotel fica a três quadras da Victoria Station, que é estação de metrô, trem e ônibus. Muito prático para conhecer a cidade e para quem quer viajar para fora de Londres.

O ônibus era muito confortável e limpo e ainda por cima estava vazio. Foi só reclinar a poltrona e aproveitar o friozinho para dormir mais um pouco. Nem vimos a viagem passar. Chegando em Oxford, da janela mesmo já percebemos que aquela cidade era muito interessante.

Oxford, hoje com cerca de 140 mil habitantes, surgiu como assentamento saxão antes da era romana. Mas foi a partir do século XI D.C. que a cidade ganhou importância com a construção do Oxford Castle e a chegada de ordens religiosas à região.

Em 1167 veio o grande salto em termos demográficos e políticos. Nesse ano o rei Henrique II proibiu que estudantes Anglo-Normandos fossem estudar na mais importante universidade da época, a Sorbonne, em Paris. Os estudantes então se dirigiram para as abadias religiosas de Oxford e logo os primeiros Colleges (faculdades) foram fundados, tornando Oxford o maior centro intelectual da Grã-Bretanha. Posteriormente, durante a Guerra Civil Inglesa (Revolução Puritana), a cidade de Oxford passou a ser sede da monarquia, recebendo a corte de Carlos I, em guerra contra as forças do Parlamento, lideradas por Oliver Cromwell.

Ao descer do ônibus, apesar do céu azul, fomos surpreendidos pelo frio e pelo vento forte. Acho que fazia uns 8 graus, mas com sensação de bem menos. Era pouco mais de 9 horas e a cidade ainda estava com pouco movimento, com muitos comércios fechados. Tomamos um café quente perto do terminal e eu peguei o mapa para ver o que faríamos primeiro.

O ponto mais perto dali que eu havia marcado no guia para conhecermos era o Oxford Castle, uma fortificação medieval com 1000 anos de história! Chegando lá, tiramos um monte de fotos em frente e só depois vimos que ainda estava fechado. Ficamos de voltar mais tarde para poder entrar.

Então seguimos para conhecer o que faz de Oxford uma cidade tão conhecida mundo a fora: a sua universidade, a mais antiga universidade anglófona do mundo e, ainda hoje, uma das dez maiores e mais importantes do mundo.

A lista de personalidades importantes que estudaram na Universidade de Oxford é longa e motivo de grande orgulho para a instituição. Políticos, pensadores, cientistas, escritores, artistas e nada menos que 50 prêmios Nobel passaram por ali. Entre os mais famosos estão Adam Smith, Thomas More, Erasmo de Roterdã, John Locke, Thomas Hobbes, Oscar Wilde, Lewis Carroll, J.R.R. Tolkien, Indira Gandhi, Bill Clinton, Tony Blair, Rei Abdulah II da Jordânia, entre muitos outros…

Em Oxford o termo ”cidade universitária” faz todo o sentido. Diferentemente do que estamos acostumados a ver no Brasil, a Universidade de Oxford não possui um campus reunindo os prédios da instituição. A universidade adota um sistema de colegiado que mantém a autonomia administrativa e acadêmica de cada um dos tradicionais 38 Colleges (faculdades) espalhados pela cidade. A maioria dos prédios do centro da cidade faz parte da Universidade de Oxford.

Nossa primeira parada foi o Christ Church College. Fundado no século XVI, este é o maior College da Universidade de Oxford. Dos 25 primeiros-ministros britânicos formados em Oxford, 13 estudaram no Christ Church. O ingresso custa 7 Libras (R$ 21) e dá acesso aos jardins, à capela-catedral e ao Great Hall, o famoso refeitório dos alunos. Entramos pelos jardins laterais da faculdade.

Em seguida, passamos ao claustro da capela-catedral. A capela do Christ Church College é a única da Inglaterra a ostentar o título de catedral.

A beleza da Christ Church Cathedral não está na riqueza da decoração. Não há ouro, mosaicos ou afrescos. Mas em compensação a arquitetura é muito bonita. Destaque para os entalhes na pedra e para o teto em abóbada de leque, típicos da arquitetura gótica. Outra parte muito bonita da igreja são os enormes e coloridos vitrais.

Saindo da catedral, chegamos ao grande pátio central, o maior de Oxford, adornado com a Tom Tower, uma torre que abriga um sino de sete toneladas que toca 101 vezes todas as noites exatamente às 09:05 horas. Diz a lenda que os 101 fundadores do Christ Church College deveriam estar dentro dos muros da faculdade ao fim das badaladas.

Depois, subimos uma escadaria muito bonita, também com teto em abóbada de leque, para chegar ao Great Hall (grande salão), o refeitório dos alunos da faculdade.

O Christ Church College foi usado como inspiração pela autora de Harry Potter e também por Lewis Carroll, criador de Alice no País das Maravilhas. Existe até tours específicos com a temática dos livros e dos filmes. Quem viu o filme, mesmo não sendo viciado em Harry Potter, logo percebe que o Great Hall é a mesma sala de jantar da escola dos bruxos e que foi no claustro da catedral onde os personagens do filme jogaram aquele jogo voando nas vassouras.

O mais interessante de visitar uma das faculdade de Oxford (fora as curiosidades harrypotteranas) é perceber o quanto a universidade está viva. O refeitório até hoje é utilizado pelos alunos, estava inclusive sendo arrumado para o almoço na hora em que visitamos. Há várias salas onde os visitantes não podem entrar pois são de acesso exclusivo dos estudantes. Longe de ser um museu, a Universidade de Oxford, apesar dos muitos séculos de vida, continua atuante e produtiva.

Na saída da catedral do Christ Church College tem uma lojinha com souvenirs da faculdade e da cidade e até algumas peças de artesanato bonitas. Os preços não chegam a ser absurdamente caros.

Saímos do Christ Church College e fomos procurar a Radcliffe Camera. Este edifício, que abriga uma biblioteca, fica bem no meio de uma praça no centro de Oxford e, com sua forma circular, sua cúpula e seu belíssimo entorno, é um dos maiores cartões-postais da cidade.

Uma das vistas mais bonitas de Oxford é a da Radcliffe Camera a partir da torre da Igreja de Santa Maria a Virgem (St. Mary the Virgin Church), que fica bem em frente. A igreja é bem bonita também, vale a visita, mas o melhor mesmo é a vista de 360° do alto da torre. Para conhecer a igreja não é cobrado ingresso, mas subir a torre custa 5 Libras (R$ 15). Recomendo a subida.

Do alto da torre, além da Radcliffe Camera, também pudemos ver a cidade toda e até a zona rural do seu entorno. O maior problema foi o frio que passamos lá em cima pois ventava muito.

Como na Radcliffe Camera está instalada uma biblioteca da universidade, não se pode visitar o interior. Apenas estudantes da Universidade de Oxford podem entrar.

Já era umas 13:00 horas e, como tínhamos acordado cedo e comido rápido no hotel em Londres, estávamos morrendo de fome. Por ser uma cidade universitária, opções de restaurantes e lanches não faltam. Sempre que dá, preferimos comer algo local. Então fomos ao Mercado Coberto (Covered Market) ver se achávamos um bom lugar para almoçar.

No mercado, que é muito bem cuidado, há uma grande variedade de lojas vendendo flores, carnes, peixes, verduras, legumes e frutas. Encontramos também alguns quiosques especializados em quitutes locais como as tortas (pies), que são como as nossas empadas só que menos farelentas, comida italiana e sanduíches, mas nenhum deles tinha mesa para sentar. Aliás, isso é uma coisa interessante que nós notamos aqui na Inglaterra: muitos lugares não possuem mesas e servem comida só para levar (to take away) e os que têm mesas, em geral poucas, cobram preços diferentes para comer lá e para levar (mais barato). Como queríamos sentar para comer, saímos do Mercado Coberto e continuamos procurando um restaurante.

Eis que surge à nossa frente uma oferta irrecusável: uma Pizza Hut com buffet de pizzas, massas e saladas à vontade por apenas 6,99 Libras (R$ 21). Aqui almoço por esse preço é muito barato. Em geral, pagamos mais que o dobro para comer bem menos! Eu sei, Pizza Hut não é nada típico, mas forra a barriga e alivia o bolso. De vez em quando não tem problema.

O lugar estava cheio de estudantes falando em todas as línguas. Comemos muito bem e tudo, buffet e refrigerantes (refill), saiu por 20 Libras (R$ 60).

Na mesma rua da Pizza Hut encontrei, por acaso, a Livraria da Editora da Universidade de Oxford. São quatro andares com publicações da universidade sobre todos os temas. Eu sempre compro um livro de história do país que eu visito e com certeza ali eu encontraria muitas opções. Comprei um livro de história britânica da Editora da Universidade de Oxford por 10 Libras (R$ 30).

De lá fomos ao segundo College que escolhemos visitar em Oxford, o New College. No caminho, passamos pela famosa Bridge of Sighs (Ponte dos Suspiros), uma réplica bem mais jovem (1914) da famosa Ponte di Sospiri de Veneza. O ingresso no New College custa bem barato, apenas 2 Libras (R$ 6) e dá acesso aos jardins com os muros da cidade, ao refeitório e à capela. O New College também foi usado como locação nas filmagens de Harry Potter.

Fundado em 1379, o New College foi inicialmente uma instituição voltada para a formação de religiosos. Aliás, essa é uma característica bem marcante das faculdades da Universidade de Oxford: todas elas têm origem e ainda possuem fortes ligações com a Igreja (antigamente Católica, hoje Anglicana).

No claustro da capela do New College, há uma famosa torre adornada com gárgulas com rostos humanos com diversas expressões: medo, apatia, alegria… essas figuras são muito populares na cidade e estão estampadas em vários folhetos turísticos e servem de modelo para o artesanato em pedra (comprei umas peças).

Aliás, os gárgulas são elementos decorativos muito comuns nos edifícios de Oxford. Praticamente todos possuem essas figuras na fachada. Diferentemente da ideia geral que temos, nem todos são demônios, dragões ou monstros. Pelo contrário, aqui em Oxford as figuras que predominam são de animais e pessoas. Olhar para o alto é sempre uma nova surpresa.

No New College podemos ver também um trecho da muralha que cercava a cidade durante a idade média. Dizem que quando o fundador da faculdade recebeu o terreno para construir, teve que aceitar a obrigação de preservar os muros da cidade também e que até hoje, anualmente, o prefeito e o conselho da cidade circundam os muros para se assegurar de que a obrigação está sendo cumprida.

Saindo do New College, olhei o mapa e vi que estávamos bem perto da Bodleian Library, a mais importante biblioteca de Oxford. Assim como na Radcliffe Camera, não podemos visitar as instalações da biblioteca, de acesso exclusivo dos alunos. Há apenas uma exposição dos tesouros da Bodleian. Eu e a Dani fomos dar uma olhada sem muitas expectativas e tivemos uma boa surpresa.

Trata-se de uma sala com peças raríssimas e antiquíssimas em exposição. Entre elas papiros egípcios, poemas gregos e mapas-mundi originais com mais de 1000 anos, uma Bíblia de Gutemberg, uma primeira edição das Viagens de Marco Polo, uma das cópias da Carta Magna Inglesa de 1217 e outras obras e documentos importantes do mundo todo, da China à América. Vale a pena. A entrada é gratuita e não gastamos mais que 20 minutos para ver tudo.

Já era hora então de irmos ao Oxford Castle, aquele que não conseguimos entrar de manhã, quando chegamos. Compramos o ingresso e fomos tomar um capuccino. O frio estava de matar, um dos dias mais frios da viagem. Acho que chegou perto de 0°!

O Oxford Castle foi construído no século XI, logo após a invasão normanda. Ele serviu como centro administrativo e como prisão (e prisão nessa época na Europa era quase tão ruim quanto as brasileiras atualmente…).

Há pouco tempo o antigo castelo foi todo reformado e transformado em centro cultural, resgatando a história do lugar. No entorno do castelo há vários restaurantes finos, além de pubs e bares.

Aí vem a parte chata: não podemos visitar o castelo livremente. Há visitas guiadas de meia em meia hora. O problema é que não é uma simples explicação sobre o lugar. Um cara fantasiado com roupas medievais vai nos levando pelos lugares interpretando o papel de carcereiro e contando histórias do castelo, de como era na época da prisão, das execuções públicas que serviam para distrair a população que lotava o morrinho em frente ao castelo para assistir ao ”espetáculo” e das torturas praticadas ali. Tudo no melhor estilo teatrinho mala, com direito a sustos e piadas que só o cara ria. O cara é chato, mas mesmo assim vale a pena por causa do lugar, um verdadeiro castelo medieval. O ingresso custa 7,95 Libras (R$ 24).

Acabado o tour, fomos direto para o terminal de ônibus que era pertinho dali. Estava tão frio que, apesar de ainda termos tempo para mais uma voltinha (compramos passagem para as 19:00 horas), preferimos ir logo embora. Como tinha vaga no ônibus das 17:30 horas, pudemos embarcar logo nele.

Oxford é uma cidade muito legal para se visitar. Cheia de história e muito bonita. Há ainda muitas outras atrações na cidade (vários outros Colleges, igrejas, museus, pubs…) mas, como só tínhamos esse dia, fomos aos lugares que nos pareceram mais interessantes. O clima universitário que a cidade respira deixa Oxford mais animada. Eu e a Dani adoramos.

Dormimos a viagem de volta inteira mas, por causa de um engarrafamento monstro na chegada à Londres, só chegamos no hotel umas 9 horas da noite! Aí só queríamos jantar e dormir. A Dani preparou um banquete na nossa cozinha particular: sopa de legumes, pork pie (torta de carne de porco), pão e refrigerante.

No dia seguinte, íamos fazer mais uma day trip. Dessa vez à Canterbury.
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Mensagem não lidapor arnobionet » 04 Fev 2012, 12:44

Sexto dia. Sexta-feira, 07 de outubro de 2011.

Depois de dois dias acordando muito cedo para passar o dia fora de Londres, começamos a sentir um cansaçozinho. Foi difícil levantar às 06:00 horas de novo, mas mantivemos o planejamento original e partimos para o nosso terceiro dia de day trips.

Para Canterbury fomos também de ônibus. Compramos as passagens pelo site da National Express ainda no Brasil. Pagamos 24,50 Libras (R$ 73,50) ida e volta no mesmo dia. De trem, o preço para dois adultos seria quase o dobro, não sei o porquê.

Nosso ônibus saía da Victoria Coach Station às 07:30 horas e, outra vez, tivemos que correr e fomos os últimos a embarcar. A viagem, que dura 1 hora e 50 minutos foi tranquila e dormimos quase todo o trajeto.

Canterbury (Cantuária, em português) é uma cidade que fica 100 km à sudeste de Londres, no condado de Kent, na Inglaterra. A cidade é bem pequena, tem pouco mais que 40 mil habitantes, mas possui uma excelente estrutura, com um centro comercial bem movimentado e cheio de lojas boas.

Descendo do ônibus, fomos caminhando e logo nos localizamos no mapa. O terminal de ônibus é muito perto do centro. Já era quase 10 horas da manhã e, como tínhamos tomado um café da manhã apressado no quarto do hotel em Londres, chegamos em Canterbury com fome. Por sorte surgiu à nossa frente, logo nos primeiros minutos na cidade, uma feirinha com produtos locais e comidas caseiras!

Que a culinária inglesa não é um primor de elegância e sofisticação não é segredo para ninguém. Mas não se deve generalizar quando se trata de sabor. Uma das comidas típicas inglesas mais gostosas que provamos foi a pork pie (torta de carne de porco), uma espécie de empada, só que maior e com uma massa menos farelenta.

As pies inglesas podem ser de vários sabores e nesse dia em Canterbury, provamos a que iria se tornar a nossa preferida, chicken and mushroom pie (torta de frango e cogumelo). Encontramos uma barraca que vendia somente english pastry (pastelaria), tanto doce quanto salgada. A variedade era tanta que era difícil escolher. Como já tínhamos visto que frango e cogumelo era um sabor tradicional, pois tinha em todo lugar, resolvemos provar. Estava muito, muito boa.

Estava tão gostoso que ficamos de voltar mais tarde na mesma feirinha para experimentar outros sabores. Lanches de rua na Inglaterra não são tão comuns como em outras partes do mundo, então quando achamos temos que aproveitar para provar. Se não me engano, as duas pies que compramos saíram por 6 Libras (R$ 18). Refeitos, fomos logo visitar a catedral, o maior ponto de interesse da cidade.

A entrada da catedral fica em uma pracinha e o portão principal é ricamente decorado. Devido à localização da catedral, no meio de um grande jardim, mas com pouco espaço livre à frente, não é possível tirar fotos da sua fachada. As melhores fotos são as tiradas a partir dessa entrada lateral.

O famoso Arcebispo de Canterbury, líder espiritual da Igreja Anglicana (uma espécie de papa deles) e celebrante dos casamentos reais e das principais cerimônias religiosas do país, claro, mora em Canterbury, sendo a Catedral de Canterbury o templo maior da religião Anglicana no mundo.

A história da catedral remonta à Agostinho de Canterbury, um missionário enviado pelo papa Gregório I para converter os anglo-saxões ao cristianismo. Foi ele quem fundou a Catedral de Canterbury em 597 D.C. A igreja atual, em estilo gótico, foi fruto de várias intervenções arquitetônicas ao longo do tempo e é tida como um dos maiores, mais bonitos e mais importantes templos cristãos do mundo. Destino de milhares de peregrinos ao longo da história (principalmente durante a idade média), apesar dos seus 1400 anos de vida, está muito bem conservada.

O ingresso custa 9 Libras (R$ 27) e dá direito a visitar toda a igreja, o claustro e os jardins do entorno. O áudio guia não está incluso (não pegamos). Em uma hora e meia, apesar de ser muito grande, pode-se visitar toda a catedral com bastante calma.

No fim, há uma loja de souvenirs da catedral e da cidade com coisas bem interessantes e algum artesanato. Saímos da catedral e continuamos passeando sem rumo pela cidade. Passamos por um canal que corta a cidade e por onde se fazem passeios em barquinhos contando a história da cidade. Não fizemos, mas parece interessante.

Resolvemos então ir ao Westgate (portão do oeste), o único portão medieval do muro que cercava a cidade durante a idade média que se mantém preservado. Hoje o Westgate é um portão cercado de trânsito. Antes de subir, resolvemos ir conhecer o parque do Westgate, que fica à beira de um riacho. Apesar dos jardins estarem recém plantados para o outono e não haver muitas flores, ainda assim o parque estava bonito.

Há passeios em barquinhos também por este riacho, mas preferimos seguir a pé pelos caminhos que seguem às margens. Havia muitos marrecos e até cisnes no riacho. A paisagem é bem bucólica. Passeamos até o fim do parque. Depois, voltamos pelo mesmo caminho até o Westgate para subir e ver a vista lá de cima.

Construído no séc. XIV para reforçar as defesas da cidade durante a guerra dos 100 anos entre França e Inglaterra, o Westgate foi também uma prisão. Dentro das torres há uma exposição bem pequena com a temática medieval. Havia uma excursão escolar com crianças fazendo a maior baderna lá. O atendente que nos vendeu o ingresso para subir até o topo estava para ficar louco. Os ingressos custam 4 Libras (R$ 12).

Quando descemos já era umas 15:00 horas e começamos a procurar algum lugar para comer. Na cidade há muitos lugares para lanchar mas a oferta de restaurantes não é tão grande. Encontramos um chamado The City Arms perto da praça onde fica a entrada da catedral, que é onde está a maior parte das opções.

O The City Arms é um pequeno pub que serve comida local e, claro, cerveja. Aqui, por menor que seja o lugar, eles sempre servem cerveja tirada na hora. No cardápio era contada a história do estabelecimento, aberto em 1692 e funcionando desde então quase que ininterruptamente.

Eu pedi bife de lombo com batatas fritas, cogumelos, e onion rings. A Dani pediu presunto artesanal com ovos e batatas fritas. Tudo com salada e molho tártaro. A comida é pesada e gordurosa por aqui, mas é muito saborosa. Para beber eu pedi um pint de Guinness e a Dani pediu Shandy (uma mistura de cerveja e refrigerante de limão, que é muito boa). Tudo saiu por 23 Libras (R$ 69) e ficamos satisfeitos.

Do restaurante fomos dar mais uma volta pela cidade. Deixamos o mapa de lado e saímos para passear sem destino. A cidade é tão pequena e nos sentimos tão seguros que podemos fazer isso. Saindo um pouco do centro, onde fica a catedral, podemos ver como a cidade funciona mesmo, sem as atividades relacionadas ao turismo.

Há muitas residências e também escritórios. Outra coisa que nos chamou a atenção foi a quantidade de imobiliárias. Passamos em frente ao Museu de Canterbury, mas ele já estava fechado. Continuamos andando até os muros da cidade, na parte sul. Metade do muro que cercava a cidade na idade média ainda está em pé.

Ainda na parte sul da cidade vimos também as ruínas do Castelo Normando, construído em 1080 D.C. pelos normandos, vindos da França, sobre as estruturas de um mais antigo ainda forte romano. As ruínas do castelo também podem ser visitadas, mas também já estava fechado.

O clima em Canterbury estava meio louco. Em questão de minutos o céu ia do azul ao cinza e, sem chover, voltava ao azul. Foi assim durante todo o dia até que a chuva resolveu cair. Ficamos esperando ela passar em uma área coberta ao lado de uma imobiliária e pudemos ver que apesar da tão propagandeada crise, o valor das casas à venda em uma cidade pequena como Canterbury ainda era exorbitante. Nos cartazes da vitrine, uma casa simples, nos arredores da cidade, chegava facilmente a quase um milhão de reais!

Quando a chuva passou fomos para o terminal de ônibus. Já era quase 6 horas quando chegamos. Tínhamos marcado a volta para as 7 horas mas, como já tínhamos visto tudo o que queríamos, perguntamos se podíamos pegar um dos ônibus que partiam antes. O problema é que todos estavam saindo lotados. Não teve jeito, tivemos que esperar mais de uma hora para embarcar no nosso ônibus.

Canterbury foi a menor cidade que visitamos até agora na Inglaterra e, apesar de ser bem desenvolvida, ainda guarda ares de interior. É uma cidade bem agradável para se passear, pois se sente um clima histórico e, por ser pequena, em apenas um dia conhecemos tudo e ainda sobra tempo.

Dormimos toda a viagem de volta. Chegamos em Londres já quase 9 horas da noite. Cansados, só tomamos banho, comemos o que tinha na nossa cozinha mesmo e fomos dormir. O outro dia seria de passeios em Londres mesmo.
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Mensagem não lidapor arnobionet » 08 Fev 2012, 00:50

Sétimo dia. Sábado, 08 de outubro de 2011.

Depois de conhecer três cidades do interior da Inglaterra em três dias de day trips seguidos, neste sábado ficamos em Londres. Ainda havia muita coisa para conhecermos na capital.

Eu e a Dani sempre escolhemos os melhores museus da cidade para visitar. Aqui em Londres essa escolha não é tão simples pois a cidade tem muitas opções. Entretanto, em matéria de arte, a Galeria Nacional (National Gallery) de Londres encontra poucos concorrentes no mundo.

Como não tínhamos hora marcada, acordamos mais tarde e tomamos banho e café com calma. Quando saímos já era 10 horas da manhã. Pegamos o metrô na Victoria e três estações depois descemos, na estação Embankment.

Victoria Embankment Gardens é o nome de um parque público construído à beira do rio Tâmisa. Por ser sábado, a cidade estava com um ar mais calmo. Fomos caminhando até a National Gallery, que fica na Trafalgar Square. Chegando lá, a aparente calma da cidade foi quebrada por um imenso protesto na praça em frente a National Gallery.

A Trafalgar Square estava tomada por pessoas, a maioria jovens, empunhando cartazes enquanto ouviam discursos em um palanque montado aos pés da Coluna de Nelson. A polícia observava de longe a movimentação. Os protestos eram pacíficos e tinham como alvos a guerra, a crise financeira e as medidas de austeridade do governo. Por causa da manifestação, a praça estava lotada. A National Gallery também estava bem movimentada, mas nada que atrapalhasse a visita.

Uma das melhores coisas desse museu é que, assim como em muitos outros pontos de Londres, o ingresso é gratuito. Pagamos apenas 1 Libra (R$ 3) para comprar um mapa. Fotos são proibidas no interior.

A National Gallery foi criada em 1824 para abrigar a coleção particular de um banqueiro recentemente adquirida pelo governo como base para uma coleção nacional que cresceria aos poucos. As elites inglesa, européia e americana afluiram para Londres assim que souberam da inauguração do museu. O governo, por sua vez, liberou a entrada à todos, sem distinção de classe social, pois o objetivo era educar e entreter toda a população.

Durante a segunda guerra, com medo dos bombardeios alemães, o governo, em uma operação relâmpago, esvaziou o museu e escondeu as obras no interior do país (as mais importantes foram para o País de Gales). O prédio da Trafalgar Square foi bombardeado duas vezes mas, graças à precaução tomada, nenhuma obra foi danificada.

Hoje, com um acervo de mais de duas mil pinturas do séc. XIII ao início do séc. XX, a National Gallery é um dos museus mais importantes da Europa e do mundo. O prédio é grande e comporta muitos visitantes confortavelmente, sem aperto. Aqui podemos chegar bem perto dos highlights, as obras-primas, e apreciar cada detalhe.

E por falar em obras-primas, a National Gallery possui muitas! Leonardo Da Vinci, Michelangelo, Caravaggio, Rembrandt, Rubens, Vermeer, Renoir, Monet, Gauguin, Degas, Manet… Entre os quadros mais importantes estão Vênus e Marte, de Botticelli, Retrato do Casal Arnolfini, de Van Eyck, Baco e Ariadne, de Ticiano, e o famoso Girassóis, de Van Gogh. Há ainda várias pinturas de Turner, considerado um dos melhores pintores ingleses de todos os tempos e também de Canaletto, pintor de cenas detalhadíssimas de cidades italianas em uma época em que não existia cartões-postais.

No meio do passeio a fome apertou e fizemos um lanche no café. Muffins e capuccino, o suficiente para continuar em pé. Há também um restaurante refinado dentro do museu que serve almoço. Há pequenas lojas espalhadas pelo museu e uma grande loja no piso térreo. Essas lojas têm uma enorme variedade de livros de arte, posters de obras famosas, souvenirs… e os preços nem são muito altos. Comprei um livro de fotografias de Londres que mostra as mesmas cenas da cidade no presente e no passado. Muito legal. Quem quiser pode dar uma olhada no site oficial da The National Gallery. É muito bom.

Passamos quase cinco horas na National Gallery. O interessante é que estávamos tão entretidos que nem percebemos o tempo passar. Não tínhamos a dimensão total da importância desse museu antes de visitá-lo. Sabíamos que ele abrigava muitos quadros famosos, mas não sabíamos que íamos gostar tanto de lá. A National Gallery foi uma excelente surpresa.

Quando saímos, não havia mais protestos mas, ainda assim, a Trafalgar Square estava bastante movimentada. Como queríamos aproveitar mais um pouco o dia, resolvemos ir conhecer Covent Garden e seu famoso mercado. Eu e a Dani adoramos mercados e sempre incluímos eles nos nossos roteiros. Fomos caminhando mesmo pois não é longe.

Chegando ao mercado que fica no centro desta região movimentada, escutamos uma música com uma batida familiar… No início, de longe, até pensamos que se tratava de alguma apresentação de algum grupo africano. Chegando mais perto e olhando por cima da multidão, não teve erro, era samba!

Enquanto a maioria das pessoas vestia casacos para se proteger do friozinho que fazia, brasileiras semi-nuas dançavam ao ritmo de tambores. Realmente chama a atenção e, pelo tanto de gente em volta, os gringos adoram. Essa é a imagem deles do Brasil. E pelo visto não vai mudar tão cedo…

Covent Garden é um distrito da cidade cheio de lojas, bares, restaurantes e artistas de rua. É um lugar muito interessante por ser uma área voltada para os próprios moradores da cidade e não para os turistas (pelo menos não sópara os turistas). À essa hora, início da noite, os londrinos que estão saindo do trabalho lotam as ruas de pedestres de lá. Ao lado do mercado principal funciona um outro mercado, mais informal, chamado Jubilee Market. Ali talvez seja o melhor lugar para comprar alguma lembrança com mais personalidade ou mesmo algum artesanato.

Dessa vez só demos uma passada por Covent Garden. Já estava anoitecendo, muitas lojas já estavam fechando e vendedores do mercado já estavam indo embora. Mas não tinha problema pois sabíamos que íamos voltar para olhar tudo com mais calma depois. Indo embora, passamos em frente à uma pequena igreja que estava aberta. Era a St. Paul´s Church, construída em 1633. Hoje é conhecida como a igreja dos atores. Não é a toa que está em Covent Garden.

Encontramos também uma livraria muito boa. São dois andares com muita variedade de livros sobre todos os temas. Passamos uma meia hora lá dentro e eu comprei um livro sobre a era Vitoriana, época do auge do Império Britânico. O nome da livraria é Waterstone´s e fica na New Row St., perto da Bedfordbury St.. Quem estiver procurando um livro específico em Londres provavelmente vai encontrar lá.

Apesar das inúmeras opções que tínhamos, preferimos ir comer no hotel, deixando o dia ainda mais econômico. Pegamos o metrô na estação Covent Garden. Ficar perto da Victoria Station, além de ser bom pela área em si e pelas facilidades de transporte, é bom pela quantidade de opções que temos para comprar comida. Em uma das saídas da estação tem um supermercado da Sainsbury´s, que é uma rede daqui que é muito boa e tem muitas comidas prontas e semi-prontas. Compramos pene com molho de queijo, refrigerantes, água e donuts para a sobremesa. Os preços nos supermercados sempre são melhores.

O jantar que preparamos ficou muito bom. Depois de comer, tomamos banho, usamos a internet e fomos dormir cedo. No dia seguinte pretendíamos fazer um grande circuito pelo centro de Londres, visitando várias atrações em um passeio só.
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Mensagem não lidapor arnobionet » 15 Fev 2012, 12:26

Oitavo dia. Domingo, 09 de outubro de 2011.

Nesse domingo passeamos bastante pela capital britânica. Decidimos margear o Tâmisa desde o Parlamento, em Westminster, até a Torre de Londres, na City. É uma boa caminhada, mas vale a pena para conhecer a área. Fazia um frio agradável, cerca de 15°C e o dia estava razoavelmente bom para os padrões londrinos. De vez em quanto apareciam algumas nuvens mais escuras, mas pelo menos não choveu e algumas vezes tivemos até céu azul!

Acordamos umas 9 horas da manhã, comemos no quarto mesmo, tomamos banho e saímos. Por ser domingo, Pimlico, nosso bairro, estava bem tranquilo, mais do que já é normalmente. Pegamos o metrô na Victoria Station e descemos na estação Westminster, de frente para o Big Ben. O movimento de turistas por perto do parlamento é sempre intenso, ainda mais sendo domingo.

E esse domingo ainda era o dia da meia maratona de Londres e as ruas em torno do parlamento estavam todas fechadas. Já era quase 11 horas da manhã e os participantes já tinham passado por ali, com exceção de alguns retardatários que tiveram que aguentar as piadas das pessoas que os viam passar tão atrasados. Foi só tirarmos umas fotos do meio da rua, com ângulos impossíveis em um dia de trânsito normal, e os policiais, em 5 minutos retiraram todas as grades e os carros voltaram a passar.

Atravessamos a Westminster Bridge, a ponte que passa ao lado do parlamento e fomos acompanhando o rio, admirando algumas das vistas mais bonitas de Londres. Passamos bem ao lado da London Eye e seguimos por um calçadão muito bonito e bem cuidado às margens do Tâmisa, chamado Jubilee Walkway, que foi inaugurado em 1977 como parte das comemoração do jubileu de prata (25 anos) do reinado da Rainha Elizabeth II. Por ele podemos ir do Parlamento até a Torre de Londres acompanhando o traçado do rio.

O objetivo da construção do Jubilee Walkway foi conectar os principais pontos de interesse de Londres por meio de uma via de pedestres. Antes da sua construção, não havia passeio público às margens do rio, que eram tomadas por fábricas. A maior parte do Jubilee Walkway, que às vezes se torna Jubilee Greenway, fica às margens do Tâmisa mas, às vezes, temos que fazer uns desvios pois alguns edifícios ainda estão no caminho. O passeio vale muito a pena.

Fomos admirando ao longe a cúpula da St. Paul’s Cathedral e a arquitetura vitoriana dos prédios que ficam à beira do Tâmisa se mesclando com algumas construções modernas. Em fotos da época áurea da Revolução Industrial vimos que o Tâmisa, então bastante poluído, era cercado de fábricas e o ambiente ficava envolto em fumaça. Monet chegou a pintar essa Londres enfumaçada. No séc. XIX até as sessões do parlamento chegaram a ser suspensas por conta do mal cheiro do rio. Depois da criação e constante aperfeiçoamento de sistemas de coleta de esgoto e resíduos industriais, felizmente hoje o rio Tâmisa está despoluído.

Na altura do Tate Modern, um grande museu de arte moderna de Londres, atravessamos o rio pela Millenium Bridge (Ponte do Milênio). Deixamos para conhecer o museu depois. Inaugurada no ano 2000, a Millenium Bridge, obra do famoso arquiteto Norman Foster, conecta o Jubilee Walkway à City londrina precisamente na altura da St. Paul’s Cathedral. É uma moderna ponte só para pedestres, feita toda em aço.

Lembro de ter visto um documentário contando que a Millenium Bridge teve que ser fechada logo após a inauguração pois havia falhas na estrutura que a faziam balançar muito. Da Millenium Bridge pudemos ver a construção de um arranha-céu que domina a paisagem e chama a atenção em uma cidade sem muitos edifícios altos.

Obra do renomado arquiteto italiano Renzo Piano, o The Shard, quando ficar pronto em 2012, será o arranha-céu mais alto da Europa com 317 metros (o 40° mais alto do mundo). O melhor de tudo é que além de hotel, escritórios e apartamentos, o The Shard terá também um observatório aberto ao público. Sem dúvida será uma vista imperdível da capital britânica. Ao longe, já podíamos ver também a emblemática Tower Bridge, a ponte mais famosa da cidade e que fica ao lado da Tower of London (Torre de Londres).

Pois bem, já do outro lado do Tâmisa, adentramos a City londrina, local de nascimento e região mais central desta grande metrópole mundial. Fomos caminhando até a St. Paul’s Cathedral. A região é movimentada pelos turistas e mescla muito bem a arquitetura antiga com a modernidade do urbanismo atual. Chegando na catedral ficamos sabendo que não era dia de visitação. Domingo é reservado para as missas e não podemos passear livremente pela igreja. No pouco tempo que passamos lá já deu para perceber que a St. Paul’s Cathedral é gigante e muito bonita. Ficamos de voltar para conhecê-la melhor.

Seguimos pelas ruas da City of London até a Torre de Londres, um dos pontos de interesse mais famosos da cidade e nosso principal objetivo do dia. O entorno da Torre de Londres é lotado de turistas que vão para ver a Torre de Londres e também a famosa Tower Bridge (Ponte da Torre), que fica bem ao lado. Justamente por todo esse movimento, há muitos restaurantes e lanches de rua ali por perto. Mas os preços são de locais turísticos, um pouco mais altos que o normal. Há muitos fast foods também e os preços são melhores.

Ficamos admirando a beleza da Tower Bridge, tão elegante e tão emblemática com seu estilo gótico. Acho que essa ponte é, junto com o Big Ben, o maior símbolo da cidade, uma das primeiras imagens que vêm à cabeça quando se fala em Londres.

Há uma exibição permanente na Tower Bridge mas, antes de entrarmos, paramos em uma Starbucks para reabastecer pois depois iríamos entrar na Torre de Londres e não sabíamos que horas íamos comer. Pedimos dois Caramel Creams médios e um panini de presunto e queijo que custaram 10,45 Libras (R$ 31,35). Refeitos, fomos conhecer a Tower Bridge por dentro. O ingresso custa 6,40 Libras (R$ 19,20).

Inaugurada em 1894, depois de oito anos de construção, a Tower Bridge tinha a missão de ser uma ligação terrestre entre os dois lados do rio sem impedir a navegação pois na região havia uma grande concentração de portos, estaleiros e armazéns.

Assim, a ponte, que tem estrutura toda em ferro recoberta de pedra, incorporou máquinas a vapor capazes de levantar as pistas, liberando o trafego de embarcações. Hoje em dia parece uma coisa relativamente simples mas, para a época, foi um feito memorável, símbolo de um Império Britânico moderno e poderoso. Até hoje o maquinário a vapor que levantava as partes móveis é considerado uma maravilha da engenharia vitoriana.

Compramos os ingressos em uma das torres da ponte e subimos por um elevador até uma sala onde assistimos a um curto filme contando a história da ponte e como foi a sua construção. O filme é em inglês. Há versões em outras línguas, mas não em português. Depois, pegamos o elevador outra vez e subimos até os corredores que ligam as duas torres. Ali, a 42 metros de altura, há uma exposição que conta a trajetória das pontes ao longo da civilização e a apresentação em quadros comparativos de mais de 20 pontes famosas espalhadas ao redor do mundo. Muito interessante. Mas o que realmente faz valer a pena subir a Tower Bridge é a vista que se tem de lá de cima.

A partir da Tower Bridge temos o melhor ângulo da quase milenar Torre de Londres ao lado de um dos edifícios mais modernos da cidade, o 30 St Mary Axe, conhecido popularmente pelo apelido The Gherkin(que quer dizer ”pepino em conserva”!), onde funciona a sede da Swiss Re, uma das maiores companhias de seguro e resseguro do mundo.

Também obra do famoso arquiteto inglês Norman Foster, o mesmo da Millenium Bridge, o prédio se destaca não pela altura mas pelo formato diferente. Eu e a Dani o apelidamos de ”a bala” (melhor que ”o pepino”). Inaugurado em 2004, o edifício tem 40 andares, 180 metros de altura e já é considerado a cara moderna de Londres.

Para quem está ao nível da rua, a Torre de Londres é meio incompreensível, uma sucessão de muros. Vista de cima da Tower Bridge entendemos muito melhor essa fortaleza medieval. Por isso é que eu aconselho todo mundo a subir primeiro da Tower Bridge, ver tudo lá de cima, e só depois visitar a Torre de Londres.

Além da Torre de Londres e do The Gherkin, lá de cima da Tower Bridge temos uma vista fantástica do próprio rio Tâmisa. Podemos ver o edifício redondo da Prefeitura de Londres, o navio-museu da Royal Navy HMS Belfast, o The Shard em construção, a cúpula da St Paul’s Cathedral, os antigos portos, as fábricas que ficavam nas margens do rio… vale muito a pena.

Os dois corredores são envidraçados, mas há janelinhas que podem ser abertas e de onde podemos tirar as fotos sem os vidros para atrapalhar. A visita é tranquila, dura cerca de uma hora e, pelo menos nesse dia (e era domingo), a Tower Bridge não estava lotada a ponto de incomodar. Descendo da torre da ponte, fomos ver as antigas máquinas a vapor que suspendiam as pistas para a passagem dos barcos. Hoje o mecanismo foi substituído por outro, mais moderno, mas o maquinário original está muito bem preservado e ainda é atração. No site oficial da Tower Bridge há todas as informações sobre a construção e a visita. Atravessamos a ponte à pé para ir visitar a Torre de Londres.

Quando fomos comprar o ingresso para a Torre de Londres já era mais de 3 horas da tarde. Compramos em um dos guichês oficiais que ficam espalhados por lá. Especificamente naquele guichê só aceitavam pagamento com cartão de crédito. A fila foi rápida e o ingresso custou 18 Libras (R$ 54). Achamos caro e, por isso, não fizemos nenhuma doação voluntária. Aqui isso é comum. Eles cobram ingresso e pedem uma doação a mais e ainda espalham várias caixas pelo meio dos museus pedindo doações. Nos museus gratuitos, acho justo doar alguma coisa, afinal manter esses lugares tem um custo elevado. Mas nos pagos (e caros), acho meio abuso.

Existem tours guiados pelos Yeomen, os tradicionais guardas reais da Torre de Londres. Esses tours saem de meia em meia hora e estão incluídos no preço do ingresso. Como estávamos no outono, o último tour guiado já tinha acontecido (14:30 horas). O chato é que esses tourssão daqueles que o guia faz o maior teatrinho sensacionalista para contar os acontecimentos que se passaram no lugar. Eu e a Dani não curtimos muito isso e sempre preferimos fazer a visita sozinhos. Há também a opção dos áudio-guias. Eles custam 4 Libras (R$ 12) e tem versão em português.

Junto com os tradicionais guardas Yeomen, a Torre de Londres tem também como símbolos os corvos. Os pássaros pretos habitam a fortaleza há seculos e tem até um funcionário só para cuidar deles. Diz a lenda que o dia em que os corvos deixarem a Torre de Londres, a fortaleza e o próprio reino vão cair. Deve ser por isso que eles cortam as asas dos bichos!

A Torre de Londres foi construída por Guilherme, o Conquistador, em 1078 tendo, portanto, quase mil anos de história. Ao longo do tempo o castelo foi sendo cada vez mais fortificado com muros concêntricos e até um fosso com água do Tâmisa (hoje, seco). A fortaleza é enorme e há muito para se ver lá. É bom reservar pelo menos umas duas horas para ver tudo com calma.

Logo que entramos ficamos um pouco perdidos. Há um emaranhado de caminhos que podemos escolher. Podemos subir nos muros e ir circundando toda a fortaleza, passando por salas com algumas pequenas exposições. A mais interessante é a de coroas antigas desmontadas para cederem as pedras à outras coroas (não é a exposição das famosas ”joias da coroa”, que são muito mais suntuosas e exageradas).

Como prédio com funções militares e políticas, a Torre de Londres foi a prisão de personalidades famosas, centro de torturas e execuções dos infratores da lei e inimigos da coroa. Com tantos acontecimentos pouco nobres, é estranho pensar que esse lugar já foi casa do Rei da Inglaterra. A Torre de Londres foi a residência real de dois reis ingleses, Henrique III e Eduardo I, sendo a sede da corte de 1216 à 1307.

Hoje, a Torre de Londres é mais conhecida por ser o local onde está guardada a espetacular coleção de joias da cora britânica. O prédio onde as joias estão é ultrasseguro e não são permitidas fotos no interior. Quando entramos, assistimos à um vídeo mostrando cenas da coroação da Rainha Elizabeth II. Depois, passamos por uma sala onde há quadros explicativos contando a história das principais joias ali expostas.

As joias estão em mostruários de vidro e há uma esteira rolante em frente para evitar aglomerações. Pelo menos podemos passar por esta esteira quantas vezes quisermos. As joias são realmente impressionantes. Coroas, cetros, globos… E aqui voltamos à história das doações. Não é muito abuso expor joias caríssimas, cheias de pedras preciosas, ouro e os maiores diamantes do mundo (segundo eles mesmos se vangloriam) e bem ao lado pedir uma doação para ”ajudar a manter esse lugar”? Para mim não faz sentido.

Só as joias da coroa já valem a visita à Torre de Londres. Mas além das joias ainda há outras exposições, a maioria na White Tower (Torre Branca), a construção símbolo da Torre de Londres e que fica bem no centro de tudo. Lá dentro há vários andares com intermináveis exposições. A temática central é a Idade Média. A coleção real de armaduras está exposta ali. E há armaduras de todos os tipos, inclusive algumas que pertenceram aos reis da Inglaterra. Há também exposições interessantes sobre as dinastias britânicas e sobre as guerras da Idade Média e as armas nelas utilizadas. Como os horários de vista e os preços variam ao longo do ano, é melhor sempre consultar o site oficial da Torre de Londres antes de ir.

Saímos da Torre de Londres morrendo de fome. Já era mais de 5 horas da tarde e estávamos só com o café da manhã que tomamos no quarto do hotel e o lanche da Starbucks. Então procuramos a opção mais prática e rápida: fast food. Comemos em um KFC que fica perto da estação de metrô Tower Hill. Pedimos muita comida. Comemos até não aguentar mais e tudo saiu por menos de 10 Libras (R$ 30).

De lá, pegamos o metrô com destino à Victoria Station. Quando chegamos à rua do nosso hotel, já estava escuro. Compramos água na conveniência da esquina e finalmente paramos. Cansados, tomamos banho e ainda tivemos que encarar a maior missão do dia: arrumar as nossas coisas. No outro dia iríamos à Cardiff, capital do País de Gales, onde passaríamos os próximos 3 dias dessa nossa primeira viagem à Grã-Bretanha.
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Mensagem não lidapor arnobionet » 26 Fev 2012, 12:04

Nono dia. Segunda-feira, 10 de outubro de 2011.

Quando começamos a planejar essa viagem, eu e a Dani decidimos que conheceríamos mais que a Inglaterra, conheceríamos a Grã-Bretanha (isso mesmo, não é a mesma coisa). A Grã-Bretanha é a maior das ilhas britânicas e onde se encontram, além da Inglaterra, também a Escócia e o País de Gales. Já o Reino Unido é composto pela Grã-Bretanha (Inglaterra, Escócia e País de Gales) e mais a Irlanda do Norte.

Começamos a levar em conta as outras condicionantes para fazer nosso roteiro: tempo e dinheiro. Sabíamos que só tínhamos 15 dias deste lado do Canal da Mancha e, com isso, não poderíamos nos afastar muito de Londres, que era nossa prioridade. Preferimos evitar viagens muito longas para não perdermos muito tempo com os deslocamentos (e assim descobrimos que de Londres até Glasgow, na Escócia, são oito horas e meia de viagem!). Quando olhamos os preços das passagens de ônibus e de trem para cidades do norte da Inglaterra e da Escócia, aí desistimos de vez. Muito caras.

No fim, fixamos nosso roteiro em Londres, algumas cidades do sul da Inglaterra e Cardiff, no País de Gales. Eu sei, acabou não sendo um giro completo pela Grã-Bretanha, mas com o tempo e o orçamento que tínhamos, foi o que deu! O centro-norte da Inglaterra, a Escócia e a Irlanda do Norte ficaram para uma próxima viagem, junto com a Irlanda…

Pois bem, nessa segunda-feira, acordamos bem cedo, deixamos o cartão na recepção (por sorte já estava tudo pago e não perdemos tempo com check-out) e tivemos que sair correndo para a Victoria Coach Station. No frio de um manhã nublada saímos correndo pelas ruas de Londres, eu com minha mochila nas costas e a Dani puxando a mala dela. Como Cardiff não era uma day trip, essa era a primeira vez que saíamos de Londres levando tudo com a gente e percebemos que a bagagem já estava bem mais pesada.

Pegamos o ônibus das 8:00 horas para Cardiff. Compramos a passagem ainda no Brasil pelo site da National Express. Ida e volta para dois adultos por 22,50 Libras (R$ 67,50). A viagem durou 3 horas e 25 minutos. São cerca de 240 km entre Londres e Cardiff. Dormimos a viagem toda. Os ônibus da National Express são confortáveis e novos e esse que nos levou para Cardiff nem estava cheio.

Cardiff é, com seus 320 mil habitantes, a maior cidade do País de Gales. É considerada a mais nova capital européia, título que ostenta oficialmente desde 1955. O auge da cidade foi durante a Revolução Industrial do século XIX, época em que o seu porto era o maior porto de carvão do mundo e as minas de carvão do País de Gales abasteciam a pujante indústria britânica. Com a decadência da exploração do carvão, a cidade entrou em uma longa estagnação econômica e só recentemente, com maior autonomia política, resurgiu como centro do orgulho nacional galês.

A estação de ônibus de Cardiff é muito central, bem perto do hotel onde ficamos. Descendo do ônibus, peguei nossa bagagem e abri o guia para olhar o mapa e nos localizarmos. Saímos andando em meio ao chuvisco fino que caía.

Não há muitos hotéis bons e baratos nesse centrinho pedestralizado de Cardiff, a maior parte é de hoteis das grandes redes, que são bem mais caros. Ficamos no Sandringham Hotel, na St. Mary St., que é uma rua de pedestres. No Google Earth parecia bem mais longe da estação de ônibus do que realmente era. Andamos praticamente duas quadras e estávamos lá. O hotel fica em um prédio antigo e é limpo, confortável e bem localizado. Recomendo. Pagamos 174 Libras (R$ 523) por três noites, sem café da manhã.

A primeira impressão que tivemos de Cardiff é que ela é uma típica cidade britânica, com clima fechado (se bem que aqui estava muito fechado) e um panorama cinza, marrom e vermelho, cores que predominam nos edifícios do centro antigo. Notamos também a calma da cidade, que nos pareceu ainda menor do que pensávamos. Como já sabíamos, em Cardiff o inglês é falado por todos, mas chama a atenção a presença do idioma galês. Em todas as placas de trânsito e quase todos os letreiros há versão em inglês e em galês. E como é diferente esse idioma!

De origem celta, o galês é falado por cerca de 20% da população do País de Gales, oficialmente bilíngue. Essa proporção deve aumentar devido ao estímulo que o governo local tem dado ao uso do idioma mas mesmo assim, pelo que eu li, o galês tende a continuar sendo uma língua secundária em relação ao inglês. O ensino do galês é obrigatório nas escolas do País de Gales para crianças até os 16 anos. Atualmente, só no extremo norte do País de Gales a proporção de falantes do galês é maior do que de falantes do inglês.

Com pouco tempo na cidade já havíamos percebido que Cardiff é bastante calma, calma até demais. Havia poucas pessoas andando nas ruas e o trânsito parecia tranquilo. Não sei se o cansaço da viagem contribuiu, mas a soma de céu escuro, clima chuvoso, o friozinho daquele dia e a tranquiliade das ruas davam um tom melancólico à cidade.

Tínhamos combinado de aproveitar a tarde que nos restava e ir conhecer a recém revitalizada região portuária da cidade, chamada Cardiff Bay, que fica um pouco afastada do centro antigo. Fomos caminhando pela Bute St., rua que leva à Cardiff Bay. No caminho, uma parte nova da cidade foi se mostrando, com amplos gramados, largas avenidas e prédios residenciais novos ou reformados há pouco tempo.

Chegando em Cardiff Bay, estávamos com tanta fome que fomos logo escolher um restaurante. O bom é que tínhamos muitas opções. Perguntei a um senhor que passava que restaurante ele aconselhava e ele nos indicou o Terra Nova. Simpático, ele perguntou de onde éramos e ficou contente quando dissemos que éramos do Brasil. Cardiff é uma cidade que não está nas rotas turísticas e deve ser difícil encontrar um turista brasileiro por esses lados.

Entramos e o restaurante estava vazio. Escolhemos uma mesa e começamos a decidir o que queríamos. Depois, já sabendo como funcionam os restaurantes estilo pub, eu fui ao balcão fazer o pedido. Nem adianta ficar esperando na mesa que eles não tem o hábito de vir nos servir.

Pedi um Pimm’s (uma marca de uma espécie de licor, servida com limonada, pedaços de limão, hortelã e gelo) para a Dani e um pint de Guiness para mim. Para comer, pedimos uma porção de pequenos peixes fritos com molho tártaro como entrada. Como prato principal pedi um prato de mini pies (tortinhas) variadas e a Dani uma lasanha, paguei tudo adiantado (21 Libras – R$ 63) e voltei para a mesa já com as bebidas. A comida estava muito boa, sempre um pouco pesada e gordurosa, mas é assim que é a comida britânica. E eu adoro! Depois, fui até o balcão de novo e pedi um outro pint, só que agora eu quis experimentar a cerveja local, a Brains Black, uma stout encorpada fabricada na cidade. Muito boa.

Depois do almoço aí sim fomos passear por Cardiff Bay. O frio, o chuvisco que ia e vinha e o vento forte fizeram do nosso passeio uma experiência solitária. Não havia muitas pessoas passeando por Cardiff Bay. Parecia um feriado daqueles que todo mundo viaja para fora da cidade.

Nas ruazinhas da região do porto revitalizado, além de muitos restaurantes, bares e lojinhas, há também vários centros culturais, hotéis, prédios residenciais, uma marina e também o Parlamento Galês, conhecido como Y Senedd. Tudo é novo, organizado e bonito, com um design moderno. Eles souberam mesclar muito bem os prédios antigos com os novos. Cardiff Bay é sem dúvida um lugar muito agradável.

Um dos centros culturais mais importantes instalados ali é o Pierhead Building. O prédio antigo construído com tijolos vermelhos é um centro cívico de debates sobre as questões nacionais galesas e serve como órgão auxiliar ao parlamento. Ele estava com a fachada coberta pois estava em restauração, mas estava aberto à visitações.

Lá dentro a exposição é sobre a história do País de Gales. Em um primeiro salão, as janelas fechadas por uma cortina automática serviam como tela de projeção de um filme que contava a história do País de Gales. Com fotos antigas, alguns dados escritos e uma trilha sonora de fundo, o curto filme sem narrador, sintetizou toda a trajetória do povo galês, com seus altos e baixos. Claro, como filme oficial, ele é bastante politicamente correto e omite completamente a hegemonia inglesa exercida sobre o País de Gales e só fala do assunto quando trata da concessão de maior autonomia política ao País de Gales por parte de Londres.

Um documento em exposição nos chamou a atenção por sua importância histórica. A Ata do Government of Wales Act 1998 (ato que criou o governo do País de Gales, em 1998, após um referendo). O documento é assinado pela Rainha Elizabeth II e autoriza a instalação de um parlamento regional.

Várias outras exposições, sempre com algum recurso multimídia, apresentam o país e discutem suas principais questões. Achei muito interessante. O Pierhead é um museu cívico moderno, útil e com entrada gratuita. Vale a visita.

Saindo do Pierhead Building, fomos visitar o prédio do Y Senedd, o parlamento galês, que fica logo ali ao lado. Aliás, Cardiff Bay é um complexo relativamente pequeno, tudo fica perto e pode ser conhecido à pé. Construído todo com base nos conceitos de sustentabilidade, o moderno prédio do parlamento galês tem estrutura em metal e vidro e foi construído na área de Cardiff Bay como forma de valorizar ainda mais aquele recém reurbanizado espaço público. O interior também é bem moderno e tem o teto todo revestido em madeira. Embaixo da coluna central fica o plenário do parlamento, onde os representantes discutem e decidem as leis locais.

Ainda no parlamento recebemos folhetos explicando passo a passo como fazer uma petição requerendo a instituição de uma nova lei. Fica evidente o esforço das autoridades locais para fazer com que o povo participe mais da vida política do país. Muito interessante a visita. De lá saímos e fomos caminhando em direção ao prédio mais emblemático de Cardiff Bay, o também moderníssimo Wales Millenium Centre.

Com sua fachada dourada onde estão escritas palavras em galês, o Wales Millenium Centre é um gigante espaço dedicado às artes nacionais, com cinema, teatro e outras exposições, além de ser sede da Ópera Nacional Galesa.

Com a noite chegando, o frio foi ficando mais forte e decidimos voltar para o centro antigo. Existe um ônibus que faz o trajeto entre o centro e Cardiff Bay, mas como não víamos nenhum movimento nas ruas e nenhum ônibus passando, achamos que era melhor ir andando do que ficar esperando o tal ônibus. A caminhada dura uns 30 minutos ao longo da Bute St. No dia seguinte iríamos tentar voltar à Cardiff Bay.

Já no centro de Cardiff, fomos até a estação de trens para comprar as pasagens para Bath, onde íamos passar a quarta-feira em uma day trip voltando para dormir em Cardiff. Compramos duas passagens por 19,50 Libras (R$ 58,50) com horários livres tanto na ida como na volta. Provavelmente de ônibus seria um pouco mais barato, mas já tínhamos decidido ir de trem.

Resolvemos ir para o hotel e descansar um pouco para ver se saíamos à noite. Dormimos um pouco e quando acordamos, já por volta das 9 horas da noite, olhamos pela janela e a chuva estava mais forte e não havia ninguém nas ruas. Comemos umas besteiras que tínhamos trazido de Londres e preferimos continuar dormindo mesmo. E assim terminou nosso primeiro dia em Cardiff, a pequenina, tranquila e chuvosa capital do País de Gales.
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Mensagem não lidapor arnobionet » 14 Mar 2012, 01:23

Décimo dia. Terça-feira, 11 de outubro de 2011.

Depois de dormir um pouco mais cedo, acordamos bem dispostos para passear por Cardiff. O problema é que St. Peter não queria acordo. Olhei pela janela e o céu estava cinza escuro. Choveu a noite inteira e a manhã também era de chuva.

Depois de tomar banho e nos arrumar, fomos tomar café. Escolhemos tomar o café do hotel mesmo. Não estava incluído na nossa reserva, mas parecia bom e serviria para passar um tempinho para ver se a chuva melhorava. Resolvemos experimentar o tão famoso café da manhã inglês completo: uma fatia de pão de forma, ovos, bacon, linguiça, cogumelos, tomate e feijão. Detalhe: tudo, inclusive o pão e o feijão, frito! É um prato pesado pois são muitas frituras. Mas temos que reconhecer que é delicioso. Pagamos 6 Libras (R$ 18) por cada prato e ficamos satisfeitíssimos.

Já sabíamos que o clima britânico era muito chuvoso, mas Cardiff estava pegando pesado. Conscientes de que ficar no hotel esperando a chuva passar não era uma opção, metemos a cara na rua, embaixo da chuva mesmo. A cidade estava tranquila, com poucas pessoas caminhando. Fomos caminhando ao longo da nossa rua, a St. Mary St., em direção ao norte. Nosso hotel ficava a duas quadras do Cardiff Castle (Castelo de Cardiff), uma das maiores atrações da cidade. No caminho, pudemos ver ao longe as arquibancadas do Millenium Stadium, o moderníssimo estádio de Cardiff que fica bem no centro da cidade e é mais utilizado para o Rugby, o esporte nacional.

Em frente ao Cardiff Castle a chuva e o frio começaram a engrossar. A entrada custa 11 Libras (R$ 33) e dá acesso irrestrito à todas as áreas visitáveis do Castelo. O que atualmente é conhecido por Cardiff Castle é, na verdade, uma grande área cercada por uma alta muralha e com duas construções principais dentro, a Torre Normanda, do séc. XI. e o mais recente Bute Castle, do séc. XIX.

A primeira construção erguida ali foi um forte fundado pelos romanos, no séc. I. Hoje, há apenas vestígios dessa construção. Durante a invasão normanda da Grã-Bretanha, no séc. XI, foi construída sobre as fundações do forte romano a Torre Normanda, a mando de Robert Fitzhamon, Lord Normando de Gloucester. Desde a invasão normanda no séc. XI D.C., a propriedade do Castelo de Cardiff passou pelas mãos de várias famílias nobres até que, no séc. XVIII, passou a ser propriedade da família Bute. Nessa época, o 2º Marquês de Bute tornou a cidade de Cardiff o maior porto de exportação de carvão do mundo, carvão este extraído das minas do País de Gales e oeste da Inglaterra. O castelo e a fortuna foram herdados pelo seu filho, o 3º Marquês de Bute, que em 1860 era considerado o homem mais rico do mundo.

O 3º Marquês de Bute construiu dentro dos muros do Castelo de Cardiff o que hoje é conhecido como Bute Castle, um palácio em estilo gótico com riquíssima decoração interior. Com sua morte em 1900, o seu filho, o 4º Marquês de Bute, terminou a obra do pai. A família continuou habitando o Bute Castle até os anos de 1930. Com a morte do 4º Marquês de Bute, a família teve que vender quase todo o seu patrimônio para pagar dívidas. O Castelo de Cardiff e a grande área verde do Bute Park, que fica ao lado, foram doados à cidade de Cardiff. Com a chuva, o Castelo de Cardiff estava vazio.

Entramos no escritório da administração e uma moça nos entregou o áudio-guia, que é gratuito e tem em português (de Portugal). Com ele ficamos sabendo tudo sobre o lugar e o melhor é que não há um caminho pré-definido a seguir. Há placas com números para teclarmos no aparelho e ouvir o que tem sobre aquela parte. Assim, podemos ir conhecendo no nosso ritmo e pular o que não nos parece tão interessante.

A Torre Normanda não tem telhado e, com a chuva, fomos conhecer primeiro o Bute Castle. Junto com a gente, uma excursão escolar começou a ir para lá, o que nos preocupou pois onde tem excursão a meninada faz a maior baderna e a visita fica prejudicada. Mas até que esses estavam calmos. Deve ser o clima desanimador! Com a chuva, nem tiramos fotos da fachada e fomos logo para dentro. A visita começa pelo andar de baixo, onde visitamos algumas salas ainda com objetos de decoração e a mobília original que pertenceu à família Bute. A biblioteca do Marquês de Bute é impressionante.

Tanto o terceiro Marquês de Bute como o seu filho, o quarto, eram conhecidos por serem muito refinados, cultos e grandes conhecedores da história. Apesar da extravagância que pode parecer a primeira vista, a construção é de muito bom gosto. No andar de cima, a decoração é ainda mais requintada. Afrescos recobrem as paredes e o trabalho de carpintaria dos tetos é intrincado.

Em geral o estilo que predomina é medieval europeu, com muito detalhes com a temática da literatura de cavalaria. Mas há também outros estilos, como o mourisco que predomina no quarto de hóspedes, por exemplo. Na saída a chuva tinha melhorado consideravelmente. Agora era só um leve chuvisco que ia e vinha. Então pudemos caminhar pelos extensos gramados do castelo.

Em seguida fomos à Torre Normanda. Este é o prédio mais antigo ainda em pé no Castelo de Cardiff. Como é muito antiga, datando do séc. XI, está bastante deteriorada, mas ainda podemos ter a exata noção do que eram os castelos na idade média. Aquele sim é um castelo de verdade, feito com materiais brutos. Diferentemente de um palácio como o Bute Castle, a Torre Normanda não era apenas uma residência e tinha como função principal a defesa militar.

A Torre Normanda é um forte em formato circular construído em cima de um morrinho. Na frente, uma escadaria íngreme em pedra leva ao portão principal. Em volta do forte ainda há um fosso cheio de água. A parte de dentro, onde antes havia uma mini cidade, hoje está a céu aberto. Ali eram guardadas armas e mantimentos e onde as pessoas das redondezas se refugiavam em caso de ataque ao castelo. Subindo as escadas em caracol, passamos por vários aposentos que foram habitados pelos nobres (apesar de parecerem bem grosseiros).

Lá no alto da torre, tem-se uma vista completa de toda a região, o que era fundamental para prever a aproximação de inimigos. De lá podemos ver toda a parte antiga da cidade de Cardiff, inclusive o moderno e gigante Millenium Stadium, que fica logo em frente, e as cúpulas da prefeitura e do Museu Nacional.

Descemos, saímos da Torre Normanda, e fomos caminhando para uma entrada próxima aos muros que rodeiam toda a área do Castelo de Cardiff. Essa entrada era de um imenso corredor que serviu de abrigo à população da cidade durante a Segunda Guerra Mundial. Hoje há uma exposição sobre esses acontecimentos.

No sistema de som, o barulho dos bombardeios da Luftwaffe, tiros e sirenes. Nas paredes, fotos e quadros explicativos contando a história. Cardiff era um porto e uma área industrial importante da Grã-Bretanha e foi pesadamente bombardeada pelos alemães. Dentro desses corredores havia cantinas para preparar alimentos para os que estavam ali abrigados. Uma coisa que me chamou a atenção foram os cartazes do esforço de guerra britânico incentivando a população a usar batatas e cenouras, evitando o trigo (pão), que vinha de fora e ficou muito caro durante a guerra. Os legumes podiam ser plantados no país mesmo e as famílias eram incentivadas a manter suas próprias hortas.

Aliás, isso é uma coisa que eu não imaginava que ia vivenciar tão vividamente antes de chegar à Grã-Bretanha. As lembranças da guerra estão por toda a parte. Foi sem dúvida um acontecimento que marcou profundamente os britânicos. Há muitos museus e monumentos públicos dedicados à lembrar os momentos difíceis pelos quais eles passaram. Na saída dos corredores tivemos uma bonita vista do Castelo de Cardiff com o Bute Castle e a Torre Normanda lado a lado.

No fim, passamos pela lojinha, que praticamente só vendia material escolar, soldadinhos e outros brinquedos para as crianças que visitam o Castelo de Cardiff e também demos uma olhada em uma exposição sobre a participação de soldados galeses no exército britânico ao longo da história. O Castelo de Cardiff é um lugar muito interessante. Vale a pena visitar.

Do Castelo de Cardiff, fomos caminhando até a prefeitura e o Museu Nacional de Cardiff, que ficam logo ao lado. O Museu Nacional de Cardiff fica em um prédio bonito e abriga coleções de ciências naturais e arte. Vimos uma grande coleção de peças decorativas, principalmente porcelanas fabricadas na região e também alguns fósseis encontrados pelo País de Gales.

Mas o que chamou a atenção mesmo foram obras impressionistas de Monet, Renoir, Van Gogh e outros pintores. As obras faziam parte de uma exposição temporária que ficaria em Cardiff por mais alguns meses. Vimos também algumas esculturas famosas de Rodin, como O Beijo.

De lá, resolvemos ir almoçar. Já era mais de 3 horas da tarde e só tínhamos comido o café da manhã do hotel. Claro que para almoçar em Cardiff não há lugar melhor do que Cardiff Bay, mas ir para lá à pé não era uma boa pedida, tanto pela distância quanto pelo tempo chuvoso. No caminho não há nenhum lugar para se abrigar caso a chuva fique forte.

Então fomos ao Bute Park, que fica ao lado do Castelo de Cardiff. De lá sai um taxi-barco que leva até Cardiff Bay navegando pelo rio Taff, que atravessa a cidade. Fomos caminhando pelas molhadas ruas da cidade e reparando que provavelmente éramos os únicos turistas na área. Cardiff não é muito turística, é uma cidade que é visitada mais pelos próprios britânicos, a trabalho ou por algum evento, mas não por turistas estrangeiros.

O Bute Park é uma grande área verde que fica entre o rio Taff e o Castelo de Cardiff. Chegando no Bute Park, não foi difícil encontrar o pier onde o barco atraca pois ele fica bem perto da entrada principal. O parque estava vazio e parecia que seríamos os únicos a embarcar. Havia uma placa que dizia que o próximo barco era às 16:00 horas. Então ficamos esperando naquele frio úmido sentados em um banco.

Quando o barco chegou vimos que ele também não trazia ninguém. Entramos e, em cinco minutos o barco estava saindo. Apenas eu, a Dani, o capitão e um ajudante dele. Cada passagem custou 3 Libras (R$ 9) e pagamos direto ao capitão. Eles foram simpáticos, o ajudante perguntou de onde éramos e se queríamos uma foto, que ele insistiu em tirar para a gente. O trajeto dura cerca de dez minutos e passa bem ao lado do Millenium Stadium. No caminho também vimos a pequena fábrica da Brains, a cerveja local que eu tomei no almoço da véspera.

Chegando em Cardiff Bay estávamos morrendo de fome e resolvemos ir ao Bosphoros, um restaurante de comida turca que fica em um pier só dele e é muito elogiado pelo guia da Lonely Planet. Quem nos recebeu foi o próprio dono que nos disse que eles já estavam fechados. Simpático disse que o chef já tinha ido embora e que, se soubesse, ele mesmo cozinharia para a gente! A Dani estava apertada e eu perguntei onde era o banheiro. Em quanto ela estava no banheiro eu comentei com ele que tínhamos escolhido o restaurante por causa da crítica do guia. Para minha surpresa ele nem sabia que a Lonely Planet falava deles. Então mostrei e ele leu e ficou muito feliz. Ponto positivo para a Lonely Planet, pela imparcialidade e negativo para a gente que chegou tarde e perdeu a oportunidade de experimentar a comida deles. Aliás, fica a dica, em Cardiff o horário de almoço é bem rígido. Passou muito da hora, quase não restam opções, tudo fecha.

Com a fome que estávamos, nem quisemos procurar mais e fomos direto ao restaurante onde almoçamos na véspera, o Terra Nova, que ainda estava aberto. De novo, o restaurante estava vazio e pudemos escolher onde sentar. Depois de decidir o que queríamos comer, fui ao balcão fazer o pedido.

Para beber pedi outra vez um pint de Brains Black (cerveja stout) para mim. Para a Dani pedi um Peach Cosmo (vodka finlandesa de grapefruit com licor de pêssego e suco de cranberry). Para comer, exageramos: Dois Fish and Chips gigantescos que acompanhavam salada e batatas fritas, com mais uma porção de pão de alho, uma de cogumelos gratinados e outra de onion rings. Tudo custou 29,50 Libras (R$ 88,50). Levei as bebidas para a mesa e ficamos esperando a comida.

Saímos do restaurante e fomos caminhar um pouco para fazer a digestão. Estava muito mais frio, mas pelo menos não estava mais chovendo. De gula, ainda compramos dois cafés na Starbucks. Passeamos mais um pouco e fomos dar uma olhada na loja do Wales Millenium Centre, onde comprei duas canecas vermelhas para dar de presente aos pais da Dani onde estava escrito “Coffi”, que é “Café”, em galês.

Já fim da tarde, voltamos para o centro antigo. Fomos à pé pela Bute St., uma rua larga, mas quase sem movimento. Cardiff está em transformação e há algumas áreas do centro antigo que estão revitalizadas e até bem modernas. Passamos pelo Brewery Quarter, o quarteirão da cervejaria, que é uma área reformada e que hoje oferece várias opções de bares e restaurantes. Achamos muito interessante, mas ainda estava cedo e preferimos ir para o hotel descansar e voltar mais tarde.

Chegando no hotel, deitamos e não levantamos mais. No outro dia íamos fazer outra day trip, dessa vez à Bath, no oeste da Inglaterra.
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Grã-Bretanha - 15 dias - Londres, Brighton, Oxford, Canterbury, Cardiff e Bath - outubro de 2011

Mensagem não lidapor arnobionet » 18 Mar 2012, 00:40

Décimo primeiro dia. Quarta-feira, 12 de outubro de 2011.

Segundo o guia da Lonely Planet, se existe uma cidade no interior da Inglaterra que merece uma visita bate e volta, essa cidade é Bath. Obviamente, a maioria das pessoas que vai à Bath em uma viagem à Grã-Bretanha, vai a partir de Londres. Eu e a Dani, entretanto, preferimos ir a partir de Cardiff. A justificativa é óbvia: de Londres à Bath são 193 km de distância. De Cardiff à Bath, apenas 90 km!

Acordamos não tão cedo. O cansaço acumulado da viagem começou a bater e saber que não temos hora marcada na estação para pegar o trem fez com que ficássemos ainda mais preguiçosos. Ficamos enrolando e quando vimos já era 9 da manhã. Levantamos, nos arrumamos e descemos para tomar outra vez aquele café da manhã inglês reforçado (6 Libras / R$ 18 cada). Saímos e vimos que o tempo ainda era aquele nublado de sempre. A estação de trem era perto do nosso hotel, apenas cinco quadras. Chegando lá, pegamos o trem das 10:30 horas. Vale a pena escolher horários livres, assim, não tem correria e podemos fazer tudo com calma.

Pagamos 19,50 Libras (R$ 58,50) ida e volta para cada um. Compramos no guichê da estação de Cardiff mesmo, dois dias antes. Comprar passagens de trem na Inglaterra pela internet é meio complicado pois eles pedem um cartão de crédito britânico que, obviamente, eu não tenho. As passagens de ônibus geralmente são mais baratas (às vezes muito mais baratas) que as de trem e os sites das empresas de ônibus aceitam cartões de crédito internacionais, possibilitando a compra ainda no Brasil.

A viagem de Cardiff até Bath dura uma hora e os trens são pontuais, muito confortáveis e limpos. O nosso trem saiu até vazio. O sistema de trens da Inglaterra funciona muito bem, a rede é grande e tem estações em quase todas as cidades, até nas menores. Viajar de trem pelo país (apesar de ser mais caro do que de ônibus) é uma experiência muito interessante, ainda mais para nós, brasileiros, acostumados a serviços públicos de péssima qualidade.

Bath é uma pequena cidade histórica, com apenas 90 mil habitantes, localizada no sudoeste inglês, condado de Somerset. Fundada no ano 43 D.C., pelos romanos, Aquae Sulis foi o seu primeiro nome. Os romanos construíram na cidade um dos maiores banhos do Império, aproveitando as fontes naturais de águas quentes da região.

Com a queda do Império Romano, a cidade ficou estagnada até a chegada dos Anglo-Saxões, em 757 D.C. Foram eles que tornaram a cidade um centro comercial de lã e de peregrinação na Idade Média, tanto por causa das termas, às quais se atribuía o poder de cura de doenças como a lepra, quanto por causa da religião, com a construção da primeira Abadia de Bath.

Saindo da estação de trens, percebemos que o clima fechado de Cardiff tinha vindo com a gente. A estação é bem central e percebemos que a cidade era pequena e calma. A arquitetura nos chamou a atenção pela sua elegância, quase tudo herança da era Georgeana, quando quatro reis George reinaram consecutivamente, de George I à George IV, de 1714 à 1830.

Caminhando, logo nos deparamos com um bonito parque, o Parade Gardens. Esse parque fica entre o centro de Bath e o rio Avon e fica em um plano mais baixo que a cidade. De lá de baixo, podemos ver muitos dos bonitos edifícios que o cercam. Muito bem cuidado, o Parade Gardens é bastante florido.

Os canteiros do parque eram temáticos. Havia um que era um coração com a bandeira britânica no meio, feita com flores coloridas, em homenagem ao casamento real do príncipe William. Vimos também um arranjo que deve ter sido muito difícil de fazer. Eram crianças de mãos dadas em volta de uma pequena árvore com a mensagem: plant a tree for the future of the planet (plante uma árvore para o futuro do planeta).

A dois passos do Parade Gardens fica a pracinha principal de Bath, onde ficam a Abadia de Bath e os Banhos Romanos. Essa praça já é mais movimentada que o resto da cidade e dá para ver que o turismo de massas chegou com força à Bath. Ônibus de turismo e grupos guiados estão por todos os lados. Mas, mesmo lotado de turistas, esse centrinho da cidade ainda é muito bonito.

Resolvemos, então, conhecer primeiramente a Abadia de Bath. Fundada por beneditinos logo da chegada dos Anglo-Saxões, a Abadia de Bath original já não existe mais. Ela ficou de pé entre 757 e 1066, quando foi destruída durante a invasão normanda. Os normandos construíram outra catedral no lugar, que ficou pronta em 1090, mas já estava em ruínas por volta do final do séc. XIV. A atual abadia é uma reconstrução em menor escada da antiga igreja anglo-saxã e sua construção foi iniciada em 1499 e terminada apenas em 1611.

O trabalho artístico da construção é muito detalhado. São coisas que já não se fazem mais. O teto em abóbada de leque e os vitrais coloridos são pontos altos (apesar de terem sido acrescidos mais recentemente, no séc. XIX). A Abadia de Bath é considerada a última das grandes igrejas medievais da Inglaterra.

Mais além de beleza arquitetônica, a Abadia de Bath é um lugar de muita relevância histórica para a Inglaterra. Foi exatamente naquele lugar que, no ano de 973 D.C., ainda na antiga abadia anglo-saxã, em que Edgar, o Pacificador, após submeter os reinos do norte, foi coroado o primeiro rei de toda a Inglaterra, unificando o país.

Outra coisa que chama a atenção é o fato da Abadia de Bath ser excessivamente utilizada como cemitério. Assim como na Abadia de Westminster, em Londres, há placas e esculturas por toda a parte fazendo referência a personalidades importantes religiosas e não-religiosas que estão ali sepultadas. O comando da Igreja pelo rei, fruto da Reforma Anglicana, fez com que houvesse uma grande confusão entre Estado e religião. É muito comum aqui na Grã-Bretanha vermos nas igrejas referências (bandeiras, altares, placas) às forças armadas e às guerras em que o país participou.

A entrada é gratuita e ainda há a possibilidade de subir as torres (não sei se é gratuito também). Vale a pena visitar.

Bem ao lado da Abadia de Bath fica a entrada dos Roman Baths(Banhos Romanos), o principal ponto de interesse da cidade, claro. Entramos em um grande salão de teto alto e cheio de turistas onde compramos os ingressos. Cada um custa 12 Libras (R$ 36). Os áudio-guias (não tem em português) estão inclusos no preço dos ingressos.

Além dos banhos, a construção romana também abrigava um templo dedicado à deusa Sulis Minerva. Sulis era a deusa celta das nascentes e os romanos logo a identificaram com Minerva. Essa mistura religiosa é interessante por deixar evidente que os romanos não só dominaram as ilhas britânicas, mas também foram influenciados pela cultura local. Há relatos que afirmam que as termas romanas já existiam no ano de 75 D.C., mas o uso dessas fontes de água quente pelos povos celtas é bem mais antigo.

Seguimos para a área das visitações e logo temos uma bonita vista da grande piscina dos banhos. No andar de baixo se encontram várias salas interligadas que formavam o complexo dos banhos. Há exposições que contam detalhadamente a história do lugar.

Em uma época em que não existia água corrente nas casas, os banhos públicos eram um grande feito de saúde pública e lazer, muito apreciados pelos romanos. Nos banhos espalhados pelo Império a elite política e econômica da época se encontrava e socializava.

Nos banhos de Bath podemos ver como tudo era organizado. Havia banhos com água fria e banhos com água quente. As águas eram levadas da fonte até as piscinas por meio de uma tubulação subterrânea de chumbo (os romanos não sabiam que o chumbo era tóxico).

Hoje, algumas piscinas estão secas, exibindo o processo de construção. Outras estão cheias e viraram fontes de desejos, com o fundo cheio de moedas. Fizemos os nossos pedidos também, claro. Na área onde ficava o templo está em exposição uma cabeça de bronze da deusa Sulis Minerva, original da época. Todo o templo e também os banhos eram ricamente decorados com mosaicos e mármores. Infelizmente, quase tudo se perdeu. Ficaram apenas alguns pedaços do frontão do templo, com o famoso górgona, símbolo dos banhos, intacto ao centro.

A fonte está até hoje jorrando águas termais ricas em minerais, a uma temperatura constante de 46°C. Podemos ver até uma fumacinha saindo da água.

Sem dúvida a parte mais bonita da visita é o grande banho. Cercado por colunas e estátuas romanas, hoje ele fica a céu aberto e tem como cenário outros edifícios de Bath, inclusive a vizinha abadia, mas, na época romana, era coberto por uma abóbada de pedra em formato cilíndrico.

A piscina tem degraus em toda a volta que descem até o fundo plano, a 1,60 metros de profundidade, fundo este que está até hoje coberto com chumbo romano. Em volta desta grande piscina há bancos de mármore onde os banhistas podiam se sentar para conversar.

Depois da partida dos romanos, o templo pagão foi destruído e os banhos, abandonados, desabaram e foram soterrados e esquecidos. Muito do que vemos aqui são reconstruções das termas originais, fruto de pesquisas históricas. Só nos anos de 1880 é que a maioria do complexo foi escavada e começaram os estudos mais aprofundados do local.

Obviamente, não podemos entrar na água dos Roman Baths (e quem ia querer entrar nessa água verde?!). Para aqueles que querem experimentar banhos quentes em Bath, existe um hotel-spa que explora as águas de outra fonte termal da cidade, mas prepare o bolso pois é caríssimo. Eu e a Dani nos contentamos só de olhar e conhecer a história mesmo.

Impossível é não se impressionar com o feito dos romanos em construir uma estrutura daquelas tão longe de casa. Para quem vem à Bath, visitar as Termas Romanas é fundamental. Recomendo fortemente.

Na lojinha, comprei um imã em porcelana com as fachadas da praça, onde ficam a abadia e as termas. Em frente à loja, a Dani fez questão de deixar cair e quebrar. Mas ela se redimiu e comprou outro para mim (também… com a cara que eu fiz… hahaha).

Além da abadia, dos banhos romanos e do centrinho de Bath, com sua bonita arquitetura, mais ao norte existe dois conjuntos de casas geminadas históricas construídas em ruas curvas que são muito famosos, The Circus e The Royal Crescent. Mas nós já estávamos meio cansados e mesmo não sendo tão longe, bateu uma preguiça enorme de ir dar uma olhada. Ficou para uma próxima. Já era umas 3 horas da tarde, então fomos procurar um lugar para almoçar.

Andamos sem destino, à espera de uma boa comida. Encontramos uma ruela toda decorada com bandeirinhas que nos chamaram a atenção. Ali encontramos um restaurante despretensioso (apesar do nome francês) que servia pequenas porções. O nome era La Croissanterie.

Comemos torta de frango e quiche de legumes com refrigerantes. Na saída, apesar de satisfeitos, compramos três fatias de bolos diferentes e guardamos para comer quando desse vontade. Tudo custou 11,70 Libras (R$ 35,10).

Bem na esquina dessa rua tinha uma livraria anunciando promoções. Entramos e eu comprei um livro de história sobre as Guerra Civis Inglesas, um período muito conturbado da história deles e que acabou influenciando o mundo todo.

Depois do almoço, sabendo que as passagens de volta eram para qualquer horário, foi difícil resistir à preguiça. Era hora de ir para a estação. Pegamos o trem das 16:30 horas.

Chegando em Cardiff, passamos em um supermercado da Tesco que fica bem ao lado do nosso hotel. Compramos mais uns sanduíches naturais, água e refrigerantes. Na hora de pagar, vimos um sistema interessante, o auto check-out. No caixa não tinha atendente e nós mesmos passávamos as compras no leitor, selecionávamos a forma de pagamento e pagávamos para uma máquina, sem ninguém para fiscalizar se tínhamos passado todos os produtos antes de pôr na sacola. Sei que isso é só mais uma medida para cortar custos da empresa, mas eu achei prático. Nessas horas é impossível não ter aquele pensamento: será que um dia veremos algo do tipo no Brasil?

Chegamos no hotel e fomos deitar. Acordamos só para comer e dormimos de novo. No outro dia íamos voltar para Londres e estávamos animados com isso pois ainda tinha muita coisa para fazer por lá.
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Re: Grã-Bretanha - 15 dias - Londres, Brighton, Oxford, Canterbury, Cardiff e Bath - outubro de 2011

Mensagem não lidapor Petroni-SP » 19 Mar 2012, 22:05

cara, teu relato ta bem legal, altamente inspirador, ja que logo pretendo pisar em terras britânicas

to acompanhando
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Re: Grã-Bretanha - 15 dias - Londres, Brighton, Oxford, Canterbury, Cardiff e Bath - outubro de 2011

Mensagem não lidapor arnobionet » 22 Mar 2012, 10:50

Valeu, André!

Vou continuar postando até o último dia. Já está acabando. E depois vou criar outro tópico para a continuação da viagem pela França (mais 16 dias). Continua acompanhando aí!

Abraço
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Grã-Bretanha - 15 dias - Londres, Brighton, Oxford, Canterbury, Cardiff e Bath - outubro de 2011

Mensagem não lidapor arnobionet » 29 Mar 2012, 22:12

Décimo segundo dia. Quinta-feira, 13 de outubro de 2011.

Acordamos bem cedo para voltar para Londres. Cardiff ainda estava clareando. Como sempre, o clima estava frio e úmido e o céu nublado. Nosso ônibus saía às 7 e meia. Tínhamos deixado tudo pronto, então foi só tomar banho, vestir uma roupa, pegar a mochila/mala e ir para a estação.

As passagens Londres-Cardiff-Londres, para dois adultos, custaram 22,50 Libras (R$ 67,50). Compramos pela internet, ainda no Brasil, no site da National Express. Embarcados, nos acomodamos e dormimos. Nem sentimos as 3 horas e meia de viagem até Londres.

Mais ou menos uma hora antes de chegar na estação nós começamos a trafegar já na área urbana de Londres. Passamos por muitos bairros da cidade e pudemos ver como são as partes não tão centrais, não tão turísticas. É tudo arrumado e as ruas são tranquilas, cheias de casas parecidas. O comércio é sempre de pequenos estabelecimentos. Deve ser bom morar ali.

Chegando na Victoria Station, pegamos a bagagem e fomos andando para o hotel. Já falei sobre isso, mas nunca é demais reforçar: localização é muito importante na hora de escolher um hotel e, de novo, eu recomendo o bairro onde ficamos em Londres, Pimlico.

Ficar em Pimlico é estar perto do centro, com muitas opções de comércio e bem servido de transporte. Se tivéssemos ficado em outro lugar, longe da Victoria Station, que é estação de metrô, trem e ônibus, seria muito mais trabalhoso, principalmente para viajar para outras cidades. Ali a gente só tinha que descer na Victoria Station e ir à pé para o hotel, sem precisar pegar outro metrô. Fora que o bairro é bonito e cheio de opções de hospedagem.

Assim como nos primeiros dias, nessa volta à capital britânica ficamos no Best Western Victoria Palace. É um hotel simples, mas que vale o que pagamos. Fica instalado em várias casas antigas geminadas em estilo vitoriano, mas bem conservadas, na esquina da Warwick Way com a Belgrave Road.

Diferente da primeira vez, não demos a sorte de ganhar um upgrade na reserva e ficamos no quarto duplo que tínhamos escolhido mesmo, sem a cozinha completa da outra vez. O recepcionista, o mesmo que nos atendeu da primeira vez (um malgache muito gente boa chamado Raj que falava bem português pois tinha morado em Portugal), até tentou nos colocar em um quarto mais espaçoso, mas eles não tinham vagas. Mas mesmo assim, o nosso quarto era muito bom. Quatro noites por 387 Libras (R$ 1.161).

Demos uma rápida arrumada nas nossas coisas, trocamos de roupa e saímos de novo. Tínhamos planejado visitar o Museu Britânico e como ele é muito grande, esperávamos usar boa parte do dia lá. Mas antes, claro, precisávamos almoçar. Não tínhamos tomado café da manhã e já era meio dia. Sem almoçar não íamos conseguir visitar o museu com calma. Então resolvemos ir outra vez ao Covent Garden. Já tínhamos dado uma passada por lá, mas foi rápido e quase não tivemos tempo de ver as inúmeras lojinhas.

Pegamos o metrô na Victoria Station e, depois de apenas quatro estações e uma conexão, chegamos a Covent Garden. Como sempre, as ruas estavam cheias de gente. É uma região sempre muito agitada.

Vimos uma placa que traduz direitinho o que é esse lugar: Welcome to Covent Garden Market. The place to shop, eat and be entertained in Central London (Bem-vindo ao Mercado de Covent Garden. O lugar para comprar, comer e se divertir no Centro de Londres). Concordamos. Nós fomos logo ao que mais nos interessava nessa hora: comida!

Há vários restaurantes por lá. Mas nós queríamos algo mais informal e rápido. Uma espécie de lanche de rua, mas com cara de comida caseira, nada industrial. Foi aí que avistamos de cima, em um dos vãos centrais do mercado, uma barraca com um tacho enorme cheio de paella! Eu e a Dani adoramos paella mas, de início, ficamos meio ressabiados. Será que era boa? Paella inglesa… sei não…

Chegamos perto para ver e parecia muito boa. O cheiro então… deu mais fome ainda. Aí olhamos o preço e vimos que uma porção pequena custava “só” 4 Libras (R$ 12). Mesmo que fosse uma bomba, não ia ser um grande prejuízo. Decidimos pedir duas porções pequenas.

O mercado estava cheio e não tinha nenhuma mesa vaga. Sentamos no vão de uma porta e lá mesmo comemos. Estava uma delícia, muito boa mesmo! Não contentes (ficar com muita fome é uma desgraça), vimos um restaurante bacaninha especializado nos mais famosos quitutes ingleses, as tortas (pies). Já falei delas por aqui e sempre que eu vejo eu quero provar de novo. O bom é que a Dani é minha melhor parceira nessas minhas gulas hahaha.

O nome do restaurante é Battersea Pie. Entramos e vimos um balcão cheio de opções de tortas. Escolhemos a mais tradicional: chicken and mushroom (frango e cogumelo). Pagamos e fomos nos sentar (duas pies e dois refrigerantes saíram por 15 Libras/R$ 45). O bom é que esse restaurante tinha as próprias mesas.

Eu e a Dani temos um mandamento de sempre privilegiar a comida local. Assim, comendo as tortas, acabamos com a dor de consciência de estar em Londres e comer comida espanhola ao invés de inglesa. Fica a dica. Na dúvida entre uma comida que você adora e uma comida local, coma as duas! Estava realmente muito bom. Adoramos.

O problema agora era levantar e seguir para o British Museum. Eu sei que é feio dizer isso, mas ficamos cheios. Para fazer a digestão, saímos para dar uma olhada nas lojas ao redor.

No Jubilee Market, uma feirinha que tem bem ao lado do mercado principal, vimos um monte de souvenirsbem bacanas por preços bons. Acho que é um dos melhores locais para comprar essas coisas em Londres. Mas não compramos nada, só olhamos para ter uma ideia dos preços.

Abri o guia e olhei no mapa. Não valia a pena pegar o metrô para ir para o museu. Resolvemos ir andando mesmo. De Covent Garden até o British Museum são umas quinze quadras, 10 minutos de caminhada. Foi bom pois fomos conhecendo lugares por onde não passaríamos.

O Museu Britânico é um prédio monumental, em arquitetura neoclássica, mas que fica em uma rua meio estreita, então é difícil tirar uma foto de toda a fachada dele.

Também chama a atenção a absurda cúpula de vidro que cobre o pátio central do museu. Projetada pelo renomado arquiteto Norman Foster, o mesmo que assina a cúpula do parlamento alemão e o edifício 30 St Mary Axe (The Gherkin) de Londres, ela cobre todo o espaço entre as bordas quadradas do pátio e a biblioteca circular que fica no centro do espaço. É impressionante.

A importância desse museu para a cultura mundial é gigante. Foi ele quem estabeleceu os padrões de científicos da museologia, tornando os museus não apenas instituições de lazer, mas também de pesquisa e educação.

Fruto do racionalismo científico do século XVIII, o Museu Britânico era, no início, mais uma exposição de feitos das civilizações antigas com o objetivo de exaltar o progresso da humanidade, sem muitas pretensões científicas.

O museu foi inaugurado em 1759 como o primeiro museu público, não-religioso, gratuito (isso mesmo, a entrada é gratuita até hoje) e nacional do mundo. Seu acervo era composto pela reunião de coleções de manuscritos antigos, moedas, livros, pinturas e outras antiguidades, adquiridas de ricas personalidades da época, tudo exposto sem qualquer classificação ou organização. Hoje, o Museu Britânico é umas das instituição mais respeitadas do mundo em matéria de pesquisa e produção científica.

Logo que entramos, ficamos meio perdidos, sem saber por onde começar. É indispensável comprar um mapa do museu. Compramos um por 2 Libras (R$ 6). Aí foi só seguir as indicações.

O acervo do museu é composto por cerca de 7 milhões de peças. A maioria, claro, está guardada e só uma “pequena” parte está em exposição. As coleções egípcias, gregas, romanas e asiáticas são incríveis.

Na seção grega, um templo inteiro está montado dentro do Museu Britânico. São salas e mais salas cheias de esculturas, cerâmicas, jóias e outros testemunhos das civilizações antigas.

Vimos a tão célebre Pedra de Roseta. Essa pedra encontrada na cidade egípcia de Roseta foi a chave para os estudiosos decifrarem os hieróglifos. É que nela, o mesmo texto, um decreto do rei do Egito, está escrito tanto em hieróglifos quanto em grego antigo, o que permitiu decifrar a escrita antiga egípcia, feito creditado ao francês Jean-François Champollion. Fora que a pedra foi alvo de uma disputa entre franceses e ingleses durante as guerras napoleônicas. Os franceses descobriram a pedra durante a ocupação do Egito, mas os britânicos ficaram com ela depois da capitulação de Napoleão. A pedra está no Museu Britânico desde 1802.

O Museu Britânico tem uma grande coleção de múmias. Vimos uma que nos causou surpresa. Estava escrito que era a múmia de Cleópatra! Logo eu e a Dani nos perguntamos: como é que nós nunca ouvimos falar que ela estava aqui? Mas aí foi só ler atentamente o painel para saber que era a múmia de uma jovem, também chamada Cleópatra, que morreu aos 17 anos e viveu 150 anos depois da famosa namorada de Marco Antônio. Ah bom…

Mas acho que o ponto alto do museu, a obra mais bonita e que gera mais controvérsia, são os fragmentos da decoração do Parthenon de Atenas. Tanto é que há até um folheto no museu que explica a discussão.

O Parthenon, construído há 2500 anos atrás como templo à deusa Atena, há muito estava abandonado e em ruínas. Entre 1801 e 1805, Lord Elgin, admirador das artes gregas e embaixador britânico no Império Otomano, do qual a Grécia fazia parte naquela época, com total permissão das autoridades otomanas, adquiriu cerca de metade das peças de decoração da fachada do antigo templo grego e as enviou para Londres. As peças foram expostas e tiveram grande impacto na sociedade européia da época, reavivando o interesse pela cultura clássica em todo o continente.

Então, em 1816, por intermédio de uma comissão parlamentar, o governo britânico comprou as obras de Lord Elgin e as doou ao Museu Britânico, onde estão expostas até hoje, sem qualquer cobrança de ingresso para vê-las.

Assim como no Museu Britânico, há partes do Parthenon por vários outros museus do mundo. Apesar de que a coleção do Museu Britânico é a mais completa.

Ocorre que o governo grego, desde 1980, questiona a legitimidade do Museu Britânico em possuir as obras e mesmo a legalidade de suas aquisições, uma vez que a Grécia estava sob domínio turco na época, e requer a devolução das mesmas à Grécia.

O Museu Britânico se defende com o argumento de que é uma instituição científica que zela por grande parte do patrimônio cultural da humanidade com muita eficiência, inclusive contribuindo para o melhor conhecimento da cultura grega por meio de suas caríssimas pesquisas. O museu afirma também que a cultura grega transcende a Grécia e o legado de sua civilização é universal, pertence à humanidade.

A questão é controversa mas não se pode negar, apesar dos britânicos não alegarem isso abertamente, que o Museu Britânico cuida muito bem das peças e que, se estivessem em Atenas até hoje, provavelmente não estariam tão bem estudadas ou mesmo nem existiriam mais. Enfim, o fato é que elas estão lá e são fantásticas. Nisso, gregos e ingleses concordam.

Passamos ainda pela parte antiga do Museu Britânico, onde as paredes ainda são revestidas de madeira e estão expostas coleções e mais coleções de moedas, vasos, joias livros e esculturas.

No fim, com o museu já quase fechando, fomos à loja. Há muitos produtos do museu. Comprei um livro das principais obras expostas e um imã. Os preços são um pouco altos mas já até desisti de encontrar uma barbada por essas bandas… Já percebi que se a gente deixa de comprar as coisas esperando achar um preço melhor acaba não comprando nada… O British Museum é um passeio imperdível para quem gosta de história, como eu e a Dani. E é um museu gigante. Passamos umas quatro horas lá dentro. É melhor não esperar conhecer tudo em uma só visita. Recomendo muito.

Já começando a escurecer, resolvemos passar por Piccadilly Circus. Já tínhamos ido lá no nosso primeiro dia em Londres. Mas estávamos tão cansados da viagem que sabíamos que teríamos que voltar uma outra hora. Fomos à pé mesmo. São umas vinte quadras (ou mais). Uns 15 minutos de caminhada.

O ícone de Piccadilly Circus é a simpática escultura de Eros com o seu arco e flecha. É impossível não tirar uma foto em frente dela. E com aquele céu de início da noite tudo ficou ainda mais bonito.

Era hora do rush e Piccadilly Circus estava lotada. Na verdade esse lugar não tem nenhuma grande atração, é apenas um cruzamento entre três grandes avenidas da cidade, a Piccadilly Ave., a Regent St. e a Shaftesbury Ave. Mas não há como negar, que é uma região muito charmosa, com edifícios de arquitetura imponente e uma aura cosmopolita e meio caótica que é a cara de Londres.

Ali também há muitos teatros, bares e restaurantes. Fora que Piccadilly Circus é um ponto de encontro para as pessoas depois do trabalho e um local de comemorações públicas. Sem dúvida vale uma visita.

Entramos outra vez na Cool Britannia, uma loja enorme de souvenirs. Como já tínhamos passeado bastante pela cidade e pelo país, compramos várias bugigangas legais. É incrível a variedade dessa loja, tudo com a temática britânica e londrina. Já tinha comprado a bandeira da Grã-Bretanha para costurar na minha mochila. Aí decidi comprar também a da Inglaterra e a do País de Gales.

Em Piccadilly Circus também fica o Madame Tussauds e o Ripley’s Believe It or Not! O primeiro um museu de celebridades feitas de cera e o outro um museu de bizarrices como um boi com pernas de mulher e cabeça de abajour (?!). São ridículos demais. Não iria nem se fosse de graça.

Já era umas 7 e meia da noite quando resolvemos comer outra vez. De novo fomos à Pizza Hut, onde comemos na primeira vez em que estivemos em Piccadilly Circus. Pedimos uma pizza com buffetde saladas incluso e refrigerantes. A conta, já com a gorjeta da garçonete, saiu por 20 Libras (R$ 60).

Saindo da Pizza Hut já era hora de voltar para o hotel. Pegamos o metrô e, mal chegamos, já fomos nos deitando. O dia tinha sido corrido, mas aproveitamos bastante.
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Grã-Bretanha - 15 dias - Londres, Brighton, Oxford, Canterbury, Cardiff e Bath - outubro de 2011

Mensagem não lidapor arnobionet » 09 Abr 2012, 10:20

Décimo terceiro dia. Sexta-feira, 14 de outubro de 2011.

Uma coisa é certa: não há quem pense em Londres e não lembre da Guarda Real, com seu tradicional uniforme vermelho e chapéu preto. Assim como não há quem não queira ver a tão famosa cerimônia de troca da guarda no Palácio de Buckingham.

Na primeira vez que fomos ao Palácio de Bukingham, logo no nosso segundo dia em Londres, vimos uma placa informando que no outono e no inverno a cerimônia da troca da guarda ocorre em dias alternados (na primavera e no verão ocorre todo dia), com raras exceções. Aí calculamos o dia e vimos que nesta sexta-feira haveria cerimônia.

Acordamos relativamente mais tarde, pois a troca só começa às 11:30 da manhã. Tomamos café em uma deli perto do nosso hotel. Aqui é muito difundida a prática de dois preços, um para consumir no local (eat in), que é sempre maior, e um para levar (aqui chamado to take away, ao invés do to go americano). É uma forma de cortar custos com garçons. O reflexo disso, somado à pressa da maioria dos londrinos, é que quase todo mundo come andando pela rua. De férias, comemos sentados, com calma.

Depois de 13 dias de viagem, já estávamos quase sem roupa limpa. Em Cardiff, não havia lavanderias por perto do nosso hotel, então tivemos que trazer as roupas para lavar em Londres. Depois do café voltamos para o hotel para pegar as roupas e chegando lá perguntamos para a camareira onde havia uma lavanderia ali por perto. Ela nos explicou que sabia de uma que ficava há três quadras do hotel. Não indico essa lavanderia pois tivemos problemas com ela. Logo adiante eu contarei. O que posso garantir é que há outras opções de lavanderias pelas redondezas de Pimlico.

O multiculturalismo de Londres é uma coisa impressionante. Talvez até maior que o de Nova York. O recepcionista que sempre nos atendia no hotel era de Madagascar, o outro tinha feições indianas, a camareira e a garçonete da Pizza Hut eram romenas. Não é nem um pouco incomum ser atendido por estrangeiros nos lugares. A impressão que temos é que é possível viver nesta cidade sem falar com nenhum londrino por dias. Talvez isso é que torne essa cidade tão atraente, o convívio de tantas culturas diferentes em um mesmo espaço, com todos respeitando as regras. Nas cidades menores que visitamos na Grã-Bretanha há muito menos imigrantes que em Londres, mas ainda sim há bastante.

Chegamos à lavanderia (que, a propósito era administrada por uma família árabe) e deixamos duas sacolas cheias de roupa para lavar. Ficamos de buscar no fim da tarde. Tudo custou 12 Libras (R$ 36). Para os padrões brasileiros, muito barato, tendo em vista que esse é o preço que nos cobram para lavarem uma camisa. Mas, em comparação com os Estados Unidos, por exemplo, muito caro. Chegamos a pagar 12 dólares para lavar mais ou menos a mesma quantidade de roupa em Nova York.

Da lavanderia fomos para o Palácio de Buckingham ver a tal troca da guarda. De onde estávamos até lá dava para ir tranquilamente à pé, pois eram só uns 15 minutos de caminhada.

Chegamos em frente ao Palácio por volta das 10 horas, portanto, uma hora e meia antes do início da cerimônia, crentes que estávamos abafando e que íamos ficar bem de frente para os soldados.

Mas, como alegria de pobre dura pouco, vimos que metade dos turistas de Londres já estava por lá há muito mais tempo (e a outra metade estava chegando). Não havia nem um espaçozinho por perto das grades do Palácio. Tinha gente do outro lado da rua, em cima dos monumentos e até em cima das árvores! Tem turista que vai com mala! Acho que deve ter pouco tempo na cidade e de lá vai direto para o aeroporto. Eu e a Dani até desanimamos pois de onde nós estávamos não veríamos muita coisa.

A cerimônia ocorre no pátio do Palácio e as grades estavam tomadas por pessoas que não desgrudavam por nada. E adivinhem a novidade: a maioria era de brasileiros! Na verdade não sei se a maioria, pois ali tem gente do mundo todo, muitos europeus, indianos… mas com certeza os mais empolgados eram os brasileiros. Ouvimos uma menina dizendo que estava lá desde as 8 horas da manhã e que quando ela chegou já tinha gente esperando.

O sol estava forte, mas o clima não estava quente. O que não quer dizer que ficar lá sem nada acontecer fosse o melhor dos programas. Ficamos esperando em pé no meio da multidão e até conseguimos chegar mais perto da grade. Pelo menos os policiais, que aqui são bastante educados, não deixavam as pessoas subirem nas grades ou nos ombros umas das outras, para não impedir a visão de ninguém.

Nada acontecia e nós não tínhamos nem pistas de onde estavam os guardas vermelhos. Só havia um grupo de soldados com uniforme azul marinho lá dentro. Um deles carregava uma bandeira e chegava bem perto da grade e voltava intermináveis vezes e todo o tempo tentando fazer cara de sério. Mas não teve jeito. Umas meninas brasileiras ficavam assobiando e fazendo graça e o cara, mesmo tentando se segurar, chegou a gargalhar alto uma hora.

Depois de muito esperar, surgiu um pelotão da Guarda Real que veio marchando na avenida. Junto vieram também alguns guardas montados. Eles entraram e começaram a interagir com os outros soldados de uniforme azul. Eles ficavam parados um tempão uns de frente para os outros, depois iam de um lado par o outro e a banda tocava umas músicas. Achamos aquilo meio monótono pois não entendíamos muito bem o que estava acontecendo e estava demorando muito.

E pelo visto não fomos só nós que achamos. Várias pessoas também se entediaram e começaram a ir embora. Não sei se é sempre assim ou se este era um dia especial, mas achamos a cerimônia muito demorada. O fato de estarmos mal localizados, sem poder ver muito e tendo que tirar as fotos com zoom e com a grade aparecendo também não ajudou. Quando eles começaram a formar um círculo e tocar umas músicas bem lentas, sem sinal de que o negócio ia evoluir, desistimos.

Ficamos umas duas horas lá, em pé, no meio da multidão. Não é que nós não tenhamos gostado. É interessante ver toda aquela movimentação e tal, mas com Londres cheia de opções, acho que não voltaria para ver a cerimônia da troca da guarda outra vez. Valeu por ser a primeira vez.

Fomos rodeando o Palácio de Buckingham até que chegamos no famoso Hyde Park. Este é o maior espaço verde do centro de Londres. A origem desse parque remonta à 1536, quando o rei Henrique VIII expropriou os 145 hectares, que pertenciam à Igreja. Até hoje, o Hyde Park é um Parque Real.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a crise de abastecimento era tão grave que o parque virou uma grande plantação de batatas. Isso no meio da cidade, atrás do Palácio Real. Hoje, o parque serve como área de lazer para a população. Muitos fazem caminhada e corrida pelas trilhas e caminhos. Há alguns monumentos, restaurante, jardins, fontes, gramados a perder de vista e também um grande lago. Há também uma fonte em memória da Princesa Diana.

À beira deste grande lago, chamado The Serpentine, há um restaurante/bar bem legal, cheio de mesas ao ar livre e que atrai muitas famílias com crianças que querem ver de perto os cisnes e os patos do lago.

Comprei uma água para a Dani e um pint de Guinness para mim. Nos sentamos e ficamos conversando e admirando aquela paisagem tranquila encravada no centro de uma das cidades mais agitadas do mundo.

Depois fomos seguindo pelas margens do lago em direção à uma antiga ponte. No caminho passamos pela casa dos pedalinhos. Uma hora custa 10 Libras (R$ 30) por adulto. Para uma família de dois adultos e duas crianças, uma hora sai por 25 Libras (R$ 75)! Mais um pouco e vale mais a pena comprar o pedalinho! Mas é aquela história: na Europa, quem converte não se diverte.

Engraçado é que até cadeiras reclináveis estão disponíveis para aluguel (mais uma coisa que não daria certo no Brasil). As pessoas alugam e ficam lá deitadas pegando sol, como se estivessem na praia. Como o dia estava ensolarado, muita gente estava fazendo isso, aproveitando o último sol do outono antes do inverno chegar.

Continuamos andando até a ponte, por onde subimos e fomos nos encaminhando para sair do parque. Antes de sair encontramos o Albert Memorial. Esse monumento foi construído pela rainha Victoria em 1872 para homenagear o seu falecido marido, o príncipe Albert, vítima de febre tifóide, e por quem a rainha manteve luto para o resto da vida.

O custo do monumento foi de 120 mil Libras, o que em valores atualizados seria o equivalente a 10 milhões de Libras (R$ 30 milhões)! Como o Reino Unido, à época, era o maior e mais poderoso império do mundo, muito em parte ao bom governo da rainha, ela pôde se dar ao luxo de homenagear seu marido com essa pequena extravagância.

O enorme monumento é em estilo gótico, com esculturas em mármore e mosaicos. Parece até o altar de uma igreja. No centro, uma estátua em bronze dourado do príncipe Albert sentado. Aliás, esse não é o único monumento erigido pela rainha Victoria em homenagem ao marido morto. Há vários outros espalhados pelas cidades do país.

Em frente dele, atravessando a rua, fica outra homenagem ao príncipe, o Royal Albert Hall. Essa renomada casa de espetáculos inaugurada no ano da morte do príncipe consorte é mundialmente conhecida e já serviu de palco para todo tipo de apresentação artística, desde as óperas, concertos e ballets mais clássicos até shows de astros do rock e da música pop.

A arquitetura circular e a fachada ricamente decorada chamam a atenção. Já tinha visto fotos do interior e sabia que era muito bonito. Tentamos entrar mas só é permitida a entrada em grupos guiados, com número mínimo de pessoas e horários pré-determinados.

Passeamos pela Kensington St., uma rua cheia de lojas legais e sem a multidão da Oxford St. Chegamos a entrar em algumas lojas de departamento. A Dani até comprou umas blusas. Enquanto ela escolhia, como era uma loja só de roupas de mulher, eu fiquei esperando lá na porta, olhando o movimento.

Nessa meia hora eu vi cada aberração. Só em Londres mesmo alguém pode se vestir tão chamativamente e não chamar a atenção! É cada combinação, cada coisa estrambólica. E dá para ver que isso é cultural mesmo, é o jeito deles. Até as vitrines são ”diferentes”.

Já era mais de 4 horas da tarde quando fomos embora. Tínhamos que buscar nossa roupa na lavanderia. Pegamos o metrô na estação High St. Kensington. E foi nesta estação onde vimos uma menina (ou menino, até hoje não sabemos) que talvez seja um dos maiores exemplos da excentricidade da moda de rua londrina.

Descemos na Victoria Station e fomos caminhando para a lavanderia. Quando entramos já tivemos uma má impressão. Havia duas pessoas sendo atendidas e um cara estava aborrecido porque a roupa dele ainda não estava pronta e do outro lado do balcão estava uma baderna total. Pedimos as nossas roupas e a moça procurou e nos entregou um pacote embrulhado com papel de presente. Como já estava pago, fomos embora.

Chegando no hotel, desfizemos o pacote para guardar as roupas e a surpresa: não tinha nada da Dani. Só vieram as minhas roupas. A Dani começou a dar piti e voltamos lá na mesma hora.

Quando chegamos dissemos que estava faltando as roupas dela e eles ficaram igual baratas tontas procurando. Até que acharam. Estava tudo lavado, mas molhado. A abusada da mulher ainda perguntou se a gente queria daquele jeito mesmo! Fiquei logo aborrecido e disse que não, que era para eles secarem. Aí ela disse que só ia ficar pronto no dia seguinte. Peguei mais corda, levantei o tom e disse que não era esse o serviço que eles tinham me vendido e que eu não poderia voltar no outro dia pois já íamos embora de Londres (menti, para pressionar). Aí a mulher ficou toda agoniada e levou as roupas lá para dentro para pôr na secadora.

Ficamos esperando em pé e meia hora depois, ela traz as roupas ainda quentes da secadora. Pegamos tudo e fomos embora. No hotel ainda percebemos que algumas roupas dela estavam úmidas e que duas meias tinham sumido. Ou seja, desaconselho totalmente essa lavanderia. Chama-se Chase Drycleanners e fica na Warwick Way.

Mais do que esfomeados, nem pensamos duas vezes e fomos para Covent Garden comer paella e pies outra vez. Pegamos o metrô e, no caminho, combinamos de ir também ao Museu dos Transportes de Londres (London’s Transport Museum), que fica em frente ao mercado de Covent Garden.

Quando chegamos estávamos com tanta fome que fomos direto em direção ao tacho de paella. Só agora vimos que a barraca tem um nome: Holla Paella. Pedimos uma porção pequena para cada um (4 Libras/R$ 12 cada). A porção média custa 6 Libras (R$ 18) e a grande custa 7,50 Libras (R$ 22,50). Pedimos a pequena pois já estávamos pensando nas tortas que íamos comer depois.

Acabamos a paella e fomos para o Battersea Pie, uma loja especializada nas pies inglesas. Dessa vez quisemos experimentar outros sabores além de chicken and mushroom (frango e cogumelos), que nós adoramos. Há vários sabores para escolher.

A Dani pediu uma sabor beef and Guinness (carne e cerveja Guinness) e eu pedi uma de sabor mais radical ainda: The Winstone, ou seja, carne e rins. As tortas sempre vêm acompanhadas de purê de batatas e molho de carne. Ficamos fãs das tortas inglesas. Esses sabores que provamos também são muito bons, mas reconheço que não é todo mundo que vai gostar. Ainda preferimos a de frango e cogumelos. Quem for ao Covent Garden Market e quiser experimentar uma tradicional tortinha dessas, eu recomendo a Battersea Pie. O lugar é arrumado e as tortas são bem feitas.

Quando acabamos de comer e matamos a fome que nos matava, fomos para o museu dos transportes. O problema é que ele já estava fechando e não pudemos entrar. O bom é que ainda tínhamos tempo para voltar mais um dia lá e visitar.

Demos mais uma volta, olhando as inúmeras coisas à venda no mercado. O legal de Covent Garden é que é uma área muito viva da cidade. Há sempre muitas coisas para se ver, ouvir e comer por lá. Nesse dia tinha um grupo de violinistas tocando. Eles tocavam músicas conhecidas e juntava muita gente em volta para assistir.

Por volta das 8 horas da noite voltamos para o hotel, de metrô.

Tomamos banho, mandamos e-mails para as mães e eu ainda escrevi um pouco o blog. É inevitável atrasar as postagens. Sempre chegamos cansados e acaba que eu deixo acumular tudo e só vou postando depois que voltamos para casa. Ainda planejamos o dia seguinte, com prioridade para a London Eye e a St. Paul’s Cathedral, lugares que não podíamos deixar de visitar.
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