SABENÇAS
(eu mesmo)
Sei de um lugar onde à tardinha, já quase noite, vem um sabiá se despedir do dia, como um flautista mágico agradecendo o sol que vai se deitar.
Sei também onde, no meio da mata, corre um regato que amanhece envolto em neblina, enquanto o curiango busca pouso pra dormir seu dia.
Sei onde encontrar um pequenino lago cheio de lírios d’água que florescem na primavera e perfumam tudo ao redor. E sei que é ali que a jaçanã e a marreca criam seus filhotes.
Sei onde os japins penduram seus ninhos, bem ao lado do vespeiro grande.
Sei onde encontrar um rio bonito, que corre manso carregando histórias só dele conhecidas. E sei que lá eu posso ver os brilhos da lua e chorar minhas saudades, embalado pelo canto triste do urutau.
Conheço um grotão fundo onde o inhambú canta o seu toque de alvorada, afugentando os últimos vagalumes teimosos.
Sei de um lugar onde os lambaris vem beliscar meus pés, naquela horinha gostosa em que refresco os cansaços da marcha, debaixo de um ipê florido, qual jóia de ouro engastada no verde da mata.
Sei muitas coisas e lugares. Eu simplesmente sei que sei.
E isso me faz feliz.