Aposentado viaja América do Sul sozinho em um Fiat 147


Alberto Carlos Fröhlich já trabalhou em circo, em fábrica de brinquedos foi comerciante e padeiro. Aos 67 anos estava achando a vida de aposentado muito tranquila e resolveu viajar pela América do Sul sozinho com seu carro, um Fiat 147.
Ao G1 Alberto contou que queria fazer algo diferente, mas que não havia planejado nada comparado a viagem que fez. A ideia inicial era levar de carro o filho e a nora peruana e um amigo até Lima, para passarem o Natal com a família na capital do Peru; mas ainda no Brasil, o filho de Alberto ficou preocupado com o fato de o carro não aguentar o peso e o trajeto que tem muitas subidas. “No fim, eles desistiram da viagem, me largaram lá, eu e o carro sozinhos. Eles tiraram as bagagens do carro e sumiram. Eu fiquei chorando”.
Mesmo assim ele seguiu e não se arrepende. “Foi um presente para minha vida. Pessoas, paisagens e experiências espetaculares. Eu nunca vou esquecer”, comentou.
Sobre os R$ 9 mil que gastou durante a viagem de 45 dias ele disse que não tem preço que pague. “Não estava me importando com o custo, apenas com o prazer que eu estava sentindo”.

 

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Monumento La Mano do Desierto-Chile recordação dezembro 2017, saudades!

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Passeando no deserto – norte do Chile – maravilha de lugar.

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Estrutura e perrengues

Alberto viajou com uma caixa de ferramentas, uma mala de roupas, um colchonete, barraca e outros objetos. Toda noite abaixava os bancos de trás pra dormir dentro do carrinho de 1980.
Banhos eram tomados em campings e refeições raramente eram feitas em restaurantes. Ele comeu em vários postos de combustíveis, comprava alimentos em mercados e várias vezes ganhou refeições. “A receptividade que tive foi impressionante”, lembra.
Em alguns momentos ele pensou em desistir, mas sempre encontrava alguém que o incentivava. Então chegando na Argentina fez seguro e documentos necessários e comprou mais dólares para seguir.
Dos perrengues, um memorável é a chegada à Pampa del Infierno, local sobre o qual foi alertado por moradores era bastante quente: 50 graus em fevereiro –  “naquele momento já estava em 42 graus”.
Ele comentou que precisava jogar água em cima de si mesmo dirigindo (os bancos do carro são de couro) e que nessa região andou com o capô do carro semiaberto – com uma garrafa impedindo de fechá-lo – para não superaquecer.
E como todo viajante que se preze, ajudado ele também ajudou. Em um dia, no meio do nada viu um caminhão gigante parado sem bateria e com o capô aberto. “Parei para tentar ajudar de alguma forma. Pegamos uns cabos para a ligação direta e conectamos a bateria do caminhão à do Fiat, e deu certo. O meu pequeno autito [carro pequeno/carrinho, em espanhol] levantou o caminhão gigante. Fiquei feliz”, lembrou.

 

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Norte da Argentina – belo lugar !

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Muitas histórias pra contar

Numa das paradas para dormir, decidiu perguntar a policiais chilenos se havia algum lugar ali perto onde pudesse descansar. Acabou sendo muito bem acolhido pelos carabineros (como são chamados os policiais chilenos), que lhe mostraram o alojamento, uma máquina de lavar e falaram que enquanto ele tomasse um banho quente, eles lhe preparariam uma janta típica chilena. “Pensa só que solidários, fiquei emocionado”.

No mercado público de Salta, na Argentina ele foi roubado. Se deu conta quando foi procurar o celular para tirar fotos. Avisou a família e seguiu viagem. Na delegacia onde foi registrar o boletim de ocorrência chegou a ver o roubo acontecendo, fato registrado pelas câmeras de segurança do mercado, mas não conseguiu resgatar o aparelho. Para voltar ao carro ganhou carona dos policiais e acabou comprando um novo celular na Bolívia.

Imagine o quanto de histórias o seu Alberto tem pra contar. Elas poderão virar um livro no futuro, mas ele não está preocupado com isso agora. “Bom mesmo é ter vivido tudo isso. Não tem nem como contar tudo o que aconteceu, até porque só estando em tantos lugares para sentir a energia. Agora eu posso dizer que vivi de verdade, foi mágico. A melhor experiência”, relatou.

 

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Embalse de Yeso – San Jose de Maipo – Chile

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Próxima aventura

Segundo contou ao G1, se pudesse a próxima viagem seria em breve. Ele tem planos de fazer uma com a esposa, Célia, com quem é casado há 43 anos. Para isso ele está reformando uma Panorama, uma espécie de “perua” do Fiat 147. “Não sei se ela vai topar, mas quero inspirar e incentivar outras pessoas a sair do comodismo, a se aventurar mais para ter experiências diferentes”, completou.

Você pode saber mais sobre essa aventura na matéria feita pelo G1 (aqui) e no Instagram do seu Alberto: https://www.instagram.com/147naamericadosul/

Com informações do G1 e @147naamericadosul.
A foto (da home e) que traz até este post é de Carlos Alberto Fröhlich/@147naamericadosul.

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Comunidade de ajuda mútua entre viajantes independentes e mochileiros. No ar desde 1999, tem dicas e informações e mais de 10.000 relatos de viagens publicados. Ganhador do Prêmio 'Influenciadores Digitais' por dois anos consecutivos.
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