Coisas que confundem os espanhóis que vem viver no Brasil

Coisas que confundem os espanhóis que vem viver no Brasil


Quando passamos “de viagem” por algum lugar nos deparamos com hábitos e situações que achamos curiosos, extremamente diferentes do que vivemos – uma das coisas que enriquecem ou que muitos buscam em uma viagem.
E quando a gente vai viver num outro bairro? Parece pouco, mas pode haver mudanças além da física, sobretudo se for em uma grande cidade. E viver numa outra cidade, num outro Estado? Palavras diferentes para as mesmas coisas, sotaques variados… E num outro país?
Verne, um dos cadernos do jornal espanhol El país, perguntou aos seus compatriotas que vivem no Brasil suas impressões sobre o país e levantou as coisas que confundem os espanhóis que vivem por aqui.
A gente separou algumas. Confira abaixo:

Língua

Borracharia e drogaria…

Estar borracho em espanhol é estar bêbado. Borracharia seria um lugar para “emborracharse”? (Ficar bêbado)
Num primeiro momento um espanhol pensou: “Por que não chamam de bar?” Depois a realidade: um local de comércio e prestação de serviços relacionados a rodas e pneus.
Drogaria: “como é fácil obter drogas no Brasil!” Bem, remédios vendidos na farmácia são drogas, mas lícitas…
(Dava até pra citar um episódio ocorrido num debate entre presidenciáveis aqui no Brasil, mas vamos manter o blog só com coisa boa – risos)

Fotos: Rawpixel e Anders Nord/Unsplash

Fartura e escassez de palavras

– Apareceu no levantamento o fato de termos nomes diferentes para um mamão grande e um pequeno, por exemplo. Talvez estejam se referindo ao Formosa, Papaia…
Poderíamos lembrá-los de mandioca/aipim/macaxeira; mexerica/tangerina; pão de sal/pão francês/cacetinho entre outros. Mas esse tipo de nomenclatura para uma mesma coisa dependendo de cada região do país também acontece por lá e em todo lugar do mundo.
– Também observaram que a gente usa bastante a palavra “coisa”, pra muita coisa.
A gente também fala “negócio” quando esquecemos de algo espanhóis! “Então, aquele negócio…”, “pega lá a coisa” – quem nunca?
– Eles acham incrível a quantidade de palavras que temos para dizer: “Vale”. Um ok/algo afirmativo, deles. Nossos: beleza, demorô, ótimo…

Joia! | Foto: Rawpixel/Unsplash

Costumes

– Alguns dos entrevistados responderam que nós não gostamos muito de filas, tanto que sempre tentamos “pular/furar” uma. Por outro lado, observaram que há lugares em que é preciso pegar duas filas, uma para pedir e outra pra pagar – é gente, Brasilsilsil.
– E o clássico…
Tomamos banho “mil vezes” ao dia. Ah, e que o banho, mesmo fazendo muito calor, é morno ou quente.

Nós amamos banhos. Banhos de mar, de cachoeira, de rio, de piscina, de banheira, de chuveiro… todo tipo de banho! | Foto: Emi De Fazio/Unsplash

– Destacaram a “fixação que temos com a marquinha” (de sol formada pelo biquíni).
“Sempre achei muito curioso que associem a beleza”, diz a publicação (a mí también!)

Acharam curioso…

– o fato de que tudo fique aberto o tempo todo, sobretudo as farmácias que têm até bolachas! (Talvez porque eles tenham o tradicional sono durante o dia, a sesta – ou siesta, para eles – e os comércios fechem. Num sol de 40 graus em Lençóis, na Chapada Diamantina – eu paulista -também estranhei quase tudo fechado perto do meio-dia).

– o ano novo começa realmente depois do Carnaval.

Feliz Ano Novo | Foto: Kazuend/Unsplash
Feliz Ano Novo! Em fevereiro, março… | Foto: Kazuend/Unsplash

– nosso pastel, “recheado de coisas maravilhosas” é um salgado, lá é algo doce.

– que ao terminarmos de almoçar já estamos preparando o jantar.

– que há pamonha por todos os lados, à venda por pessoas em moto, bicicleta, carro ou onde quer que seja.

Será que eles conhecem essa “pérola” da internet dos anos 2000?

 

– que comemos arroz e feijão no almoço e jantar quase todos os dias.

– que no sul do Brasil se tome “um tipo de chá, em grupo”, o Chimarrão. “Me encantou o costume de todo mundo se sentar junto para tomá-lo”.

– que haja pizzas de todos os sabores e cores, incluindo doces.

– que nosso café-da-manhã possa ser um salgado com ketchup.

Coxinha, uma das paixões nacionais, pode sim ser consumida no café-da-manhã e com Ketchup | Foto: Silnei L Andrade.

Personalidade

– Eles acharam que por aqui falamos muito em horóscopo. “Uma forma de quebrar o gelo em conversas coloquiais:  ‘de que signo você é?'”

Horóscopo, para quebrar o gelo... | Foto sob licença Creative Commons.
Horóscopo, para quebrar o gelo… | Foto sob licença Creative Commons.

– Fizeram uma observação que às vezes nós mesmos estranhamos por aqui. Você chega numa loja procurando um produto e a pessoa responde: “Tenho. Mas está em falta”.

– “O que gostei foi o caráter aberto das pessoas. Falam com você como se te conhecessem por toda a vida e sempre com um sorriso”, comentaram.

– Acharam que somos incapazes de dizer ‘não’ e que achamos eles um pouco grossos por fazê-lo…
“Quer um pedaço de bolo? Talvez depois.
Virá à festa? Talvez, vamos ver. (E não vão)…”
Falamos “pode ser” ao invés de sim ou não.

– “Seu conceito de pontualidade é estranho para os espanhóis. Dizem “tô chegando” (e ainda não saíram de casa ou não vão).

A lista completa pode ser conferida aqui (em espanhol).



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