Expedição Langsdorff: mapa mostra viagem pelo interior do Brasil entre 1825 e 1828


Você consegue imaginar como era o interior do Brasil entre os anos de 1825 e 1828? Na semana passada o Instituto Hercule Florence (IHF) e a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) lançaram um mapa interativo que permite essa viagem virtual. Trata-se de mostrar as impressões da ‘Expedição Langsdorff’ que percorreu o interior do país, partindo da cidade do Rio de Janeiro (RJ) ao hoje Maranhão, durante estes anos.
A missão científica que levantou de dados geográficos e etnográficos do Brasil traz curiosidades e as impressões do artista e inventor francês, Hercule Florence. Os registros estão no livro documental e autobiográfico L’ami des Arts livré à lui-même, na seção “Voyage Fluvial du Tiéte à l’Amazonie“, a última versão do diário que ele escreveu sobre sua participação na expedição como desenhista.
Abaixo alguns pontos para você ter uma ideia de como eram alguns dos lugares (de acordo com as impressões do francês) entre 1825 e 1828.

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Partida do Rio de Janeiro: “Partimos do Rio de Janeiro no dia 3 de setembro de 1825 e, ajudados por um vento fresco, fizemos em 24 horas uma travessia de 70 léguas até Santos: foi esta uma dupla vantagem, pois o navio ainda transportava 65 escravos negros, recém-chegados, cobertos de sarna e infectos.” | Foto: Reprodução.

Langsdorff ipiranga

“O riacho Ipiranga deu o nome ao campo que atravessa; este nome, repetido incessantemente pelo Brasil, está ligado ao grande evento da Independência; mas esse riacho é tão insignificante que passaríamos por ele sem repará-lo se não estivéssemos prevenidos.” | Foto: Reprodução.

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Avistamento do Pico do Jaraguá (São Paulo – SP): “A três léguas de São Paulo vi o monte Jaraguá, palavra indígena que significa rei das montanhas, por ser o ponto mais elevado da região. Ao pé dessa montanha foi descoberta a primeira mina de ouro do Brasil, por volta do ano 1520, fato que despertou o interesse de Portugal pelo Brasil, até este momento pouco apreciado.” | Foto: Reprodução.

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Corumbá (MS): “Chegamos cedo pela manhã na povoação de Albuquerque, na margem oeste. Este vilarejo, situado num terreno elevado, consta de quatro fileiras de casinhas ruins, perpendiculares ao rio e batidas nos lados de uma ampla praça, mas coberta de capim. Uma pequena igreja encontra-se no fundo da praça, e uma casa destinada aos oficiais do governo, cuja parte traseira domina a rampa por onde sobe-se ao vilarejo, forma o quarto lado da mesma praça. Tem cerca de 300 habitantes, entre índios, mestiços, caburés e negros crioulos.” | Foto: Reprodução.

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Belém (PA): “A cidade é bonita, dividida em cidade à Oeste e Bairro de Campinas a Leste. Na parte oeste, estão reunidos vários grandes edifícios. (…) A cidade é também cercada por lindos passeios arborizados, um dos quais acaba no jardim botânico.” | Foto: Reprodução.

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Maranhão: “(…) dez dias depois da chegada de Mr. Riedel, partimos para o Rio de Janeiro, tendo a bordo o antigo presidente da província, Jozé Félix Pereira de Burgos. Dois dias depois de ter perdido de vista a terra, continuávamos a tirar do mar água doce. Quinze dias depois da nossa partida quase naufragamos nas baixias da costa do Maranhão por causa da imperícia do nosso capitão. Isso prolongou nossa viagem por 15 dias e provocou alguns aborrecimentos, mas depois de 46 dias de travessia chegamos felizmente ao Rio de Janeiro.” | Foto: Reprodução.

Aqui você pode explorar o mapa da expedição.

A Expedição Langsdorff

A expedição realizada entre 1824 e 1828 viajou mais de 16.000Km pelas então províncias de São Paulo, Matto-Grosso e Grão-Pará. Foi organizada e chefiada pelo barão e médico alemão naturalizado russo, Georg Heirich von Langsdorff, daí o nome. Langsdorff era cônsul da Rússia no Império do Brasil.
A viagem se deu em duas partes e foi feita à pé, com a ajuda de animais, em canoa e navio.
Hercule Florence foi um dos personagens dessa jornada executando grande número de desenhos e catalogando outros deixados pelo alemão, Johann Moritz Rugendas e pelo francês (que chegou ainda jovem ao Brasil), Aimé-Adrien Taunay, que também participaram da expedição.
Florence é conhecido como o inventor da Fotografia no Brasil.
Mais sobre o mapa e a expedição podem ser conferidos aqui, aqui e aqui.

Para ir além

No “O viajante Hércules Florence águas, guanás e guaranás” de Dayz Peixoto Fonseca, o “leitor encontrará informações e reflexões sobre a Expedição Langsdorff (1825-1829), em forma de releitura dos relatos do Diário de Bordo de Hércules Florence. Conta ainda com cerca de 100 desenhos sobre a paisagem brasileira e sua gente, compondo, num só livro, um dos mais densos conjuntos da iconografia brasileira assinada pelo artista, na função de desenhista dessa Expedição.
Traz, ainda, descrições que Florence fez das cidades, vilas e lugarejos, de rios, cachoeiras e florestas.(…)”.
O livro está à venda aqui.

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Foto: Reprodução.

 

 

Florence também ficou conhecido como inventor da Fotografia no Brasil. No livro “Hercule Florence. A descoberta isolada da Fotografia no Brasil”, o fotógrafo, pesquisador, historiador e professor, Boris Kossoy (não confundir com o jornalista Boris Casoy) resgata “e comprova a realização dos experimentos precursores de Hercule Florence com métodos de ‘impressão de luz’ que o levaram a uma descoberta independente da fotografia no interior do Brasil a partir de 1833. O autor situa a diversidade das pesquisas e descobertas de Florence em diferentes campos destacando naturalmente a participação como membro-desenhista da expedição chefiada pelo Barão de Langsdorff.”
O livro está à venda aqui.

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Foto: Reprodução.

 

 

 

 


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