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Trilhas de Longa Distância

Pacific Cest Trail é cenário do filme ‘Wild’ (‘Livre’, no Brasil)

Claudia Severo

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Foto: Reprodução.

O filme ‘Livre’, que estreou em janeiro (de 2015) nos cinemas, tem a atriz Reese Witherspoon no papel principal, interpretando Cheryl Strayed, uma mulher que aos 22 anos de idade achou que perdeu tudo. Após a repentina morte da mãe, a família se distanciou e seu casamento acabou. 4 anos mais tarde ela decide fazer uma viagem solo, por 1.770Km da Pacific Crest Trail.
Sem nenhuma experiência em caminhadas longas, apenas por determinação, Cheryl se deparou com ursos, animais ferozes e sofreu todo tipo de privação. “Todo processo de transformação pessoal depende de entrega e aceitação” afirma a autora. No livro, seu relato captura a agonia, tanto física como mental, de sua incrível jornada; como a enlouqueceu e a assustou e como, principalmente a fortaleceu.

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

A Pacific Crest Trail é uma rota de 4.260Km em meio a áreas de florestas, reservas e montanhas nos Estados norte-americanos da Califórnia, Oregon e Washington. A trilha se estende da fronteira dos Estados Unidos com o Canadá, até sua fronteira com o México e é cenário do filme.

‘Livre’ baseado no best-seller ‘Wild’ de Cheryl Strayed é dirigido por Jean-Marc Vallée (o mesmo de ‘Clube de compras Dallas ) e escrito por Nick Hornby. No Brasil, livro e filme foram traduzidos para ‘Livre’.

Confira fotos de áreas da Pacific Crest Trail:

Foto: Randy & Sharon Green

Foto: Alex Green

Foto: Bureau of Land Management Oregon/Washington

Foto: Mark Stevens

Foto: daveynin

Foto: daveynin

Foto: Steve Dunleavy

Foto: Steve Dunleavy

Foto: Steve Dunleavy

Foto: Jared Kruger

Foto: Chris Tarnawski

 

Confira o trailer oficial de ‘Livre’:

Mais sobre o filme que estreou ontem (15) você encontra no site http://www.livreofilme.com.br/ e no IMDb.
Há pouco mais de um ano falamos dele aqui.

+ sobre o filme

[Atualizado em 22/03/2016] Nota: Não encontramos o filme disponível no Netflix (para quem acessa no Brasil), mas ele está disponível no Now (para assinantes NET). Encontramos também no Youtube, mas infelizmente numa versão dublada e paga (https://www.youtube.com/watch?v=0hLo_lQjy9Q)

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Brasil

Casal percorre as principais trilhas de longa distância do Brasil

Mochileiros.com

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Juntos há mais de 40 anos, o casal de consultores mineiros, Marina e Mário Castellano parece ter nascido para viajar e mais que isso, explorar minuciosamente cada pedacinho por onde passa, já que costuma fazer as jornadas à pé.

Antes de se tornarem um dos maiores praticantes das chamadas “trilhas de longa distância” no Brasil, viveram várias fases. Já fizeram viagens curtas e longas de carro pelo Brasil e América do Sul, já se aventuraram com os 3 filhos por praias e parques, já houve época de curtir pescaria, Pantanal, montanha e litoral. “Acho que conhecemos 60% das praias do Brasil”, conta Mário aos 60 anos recém completados (ele fez aniversário em julho). Marina tem 59. Eles viajam juntos desde os tempos de namoro quando tinham de 17 para 18, e 16 para 17 anos, respectivamente.

Nos últimos 10 anos decidiram rodar o Brasil à pé. Só para você ter uma ideia eles já percorreram a ‘Estrada Real’ (1.630 km) 3 vezes, o ‘Caminho da Fé’ (541 km) 5, fizeram 2 vezes a ‘Volta de Florianópolis’ (155 km), a Serra Gaúcha, o Vale Europeu, 1.100Km da Serra da Mantiqueira, Serra da Canastra, o litoral norte do Paraná, o ‘Caminho dos Anjos’ (242 km), ‘Caminho da Luz’ (200 km) e o mais recente, o ‘Caminho de Cora Coralina’ (315 km), em Goiás onde receberam a notícia de que foram os primeiros a fazerem o caminho completo à pé*.

Marina e Mário no Caminho de Cora Coralina, em Goiás – Foto: Reprodução/TV Brasil.

Estes foram somente alguns dos lugares do Brasil que eles conheceram, sem falar nas experiências fora do país. Aliás, a vida caminhante começou na primeira viagem à Torres del Paine, no Chile (eles já foram para lá 5 vezes). “Fomos de carro, estacionamos na Hosteria las torres e decidimos subir as torres. 4 horas a pé, 3 horas descendo. Quase morri. [Por lá] Vi muitos senhores, principalmente japoneses de 70, 80 anos, aquilo mexeu comigo e pensei: pronto, arrumei um esporte”, relembra acrescentando que toda viagem que fazem tem que ter um trekking. “Hoje procuramos grandes travessias. Quando queremos descansar a gente pega uma praia ou vai para São Paulo. Gostamos muito da cidade, são muitas atrações, parques, museus, shows”.

O casal já foi 5 vezes ao parque nacional chileno, onde as andanças começaram na prática | Foto sob licença Creative Commons.

Toda viagem tem que ter um trekking. Para descansar? São Paulo, por exemplo | Foto: Casal100

Males que vem para o bem

Voltando um pouquinho para trás do primeiro trekking, este de Torres del Paine, as caminhadas começaram por recomendação médica. Aos 38 anos Mário estava obeso, pré diabético, hipertenso e muito estressado. Seu pai morreu com 43 anos. “O cardiologista me deu 2 anos de vida”.

Mário | Foto: Casal100

Experiências únicas

Viajar é algo enriquecedor. É momento não só de conhecer lugares, novas paisagens e pessoas, mas a si mesmo, e o caminhar faz disso algo ainda mais especial. Foram experiências únicas e marcantes, lembranças para vida toda. Uma delas tem relação com gratidão. Em uma das andanças pela Estrada Real, entre as cidades mineiras de Carrancas e Cruzília, Mário conta que só tinha uma hospedagem em uma fazenda chamada Traituba e ela estava fechada; então havia um senhorzinho, o Roberto, com uma pequena chácara começando a hospedagem. Ele é lavrador, morava só, não tinha tempo para cuidar da casa – que era muito simples. “Ele foi tão amável conosco. Das lembranças de hospedagens a gente pode dizer que está entre as cinco melhores nas quais a gente já ficou”.
Eles dormiram lá mais 2 vezes depois. A última caiu num sábado de Carnaval e a casa estava fechada. Seu Roberto estava na casa do irmão na cidadezinha se recuperando de uma cirurgia que lhe amputou o dedo, decorrência do diabetes. “Falei: Ei Roberto e agora como a gente vai se hospedar lá? Imediatamente a resposta foi: leva a chave. Falei: nada! Depois roubam sua casa… ele falou que não tinha nada pra ser roubado, mas sou sistemático com essas coisas. Aí ele falou: amanhã cedo você vem aqui que eu vou resolver, vocês vão pra lá. Aí ele chega lá de carro com o pé todo enfaixado dizendo ‘nãããão, eu vou atender vocês'”.

Marina em algum ponto do Brasil | Foto: Casal100

Também acontece de caminhar na chuva… | Foto: Casal100

… sob o sol e em todo tipo de terreno | Foto: Casal100

Foto: Casal100

Foto: Casal100

Das coisas belas aos inevitáveis perrengues, Mário lembrou de duas situações: voltar no 27º dia de uma viagem programada para 60 dias pela Venezuela. “Era muito tenso. Faltava produtos e eu tive labirintite aí falei: vamos embora”. Outra foi em Oruro, na Bolívia. Eles foram durante o Carnaval (que é bastante procurado por lá) e estava tudo lotado. Acabaram ficando numa pousada que lhes rendeu um ataque massivo de percevejos. “Foram quase 2 meses para curar. Tivemos até que dedetizar o flat onde estávamos morando”. Mário e Marina são consultores como citamos no início do texto e vivem viajando, não têm casa fixa “para você ter uma ideia não temos nem móveis”, contou (para minha absoluta inveja boa – risos).

Marina em algum ponto do Brasil. “E ainda tem gente que pergunta por que acordar tão cedo…” | Foto: Casal100.

Bem, toda viagem tem um perrenguezinho né? E alguns previsíveis a gente tenta evitar. Como caminham, Mário diz que em alguns lugares começam às 4h30, 5h da manhã. “Nesse horário não tem quase ninguém na rua, então fica mais fácil de você não ser assaltado e sofrer esse tipo de coisa”, lembrando por exemplo de lugares onde se passa perto de periferias de grandes cidades, como em trecho da Estrada Real perto de Belo Horizonte.

Sobre conselhos para quem quer fazer longas caminhadas, Mário indica “para o público mais velho, como nós” (mas que cabe para qualquer idade) que se prepare fisicamente e que utilize produtos adequados à atividade e de boa qualidade, tênis, roupas e mochila. “A mochila e o tênis são talvez os itens mais importantes”, frisa acrescentando que uma preparação mental para aguentar os trancos, hidratar-se bem e carregar comida são coisas fundamentais.

Caminhadas leves, pesadas, por estradas asfaltadas, de terra e trilhas muitas trilhas pelo caminho | Foto: Casal100

Experiência própria: utilizar um calçado adequado é fundamental. Mário já errou caminhando de chinelos | Foto: Casal100

Sobre o uso de tecnologia, eles vão no Google, veem o caminho. Utilizam o Google Maps para caminhos longos. Fazem o caminho de mentes, olhos e corações abertos. Há mais de 10 anos frequentam o Mochileiros.com e dividem com a gente um pouco dessa (bela) vida andarilha.
Mário e Marina são o ‘Casal 100’, membro de honra no fórum. E por que este nome? “Na época em que entramos [a soma das nossas idades] dava uns 105 anos, então pensamos em Casal 100. Agora já podemos mudar para [Casal] 120”, comenta com a simpatia típica mineira e o bom humor de quem ama viajar e viaja!
As experiências de viagem (com histórias, dicas, informações) do Casal 100 no Mochileiros.com podem ser conferidas, aqui.

Mário e Marina foram os primeiros a fazer o Caminho Cora Coralina completo | Foto: Casal100

O programa ‘Caminhos da Reportagem’ da TV Brasil filmou um de seus episódios no Caminho de Cora Coralina (300km). Mário e Marina foram os primeiros a completarem o caminho, estavam lá no dia da gravação e participaram do programa.  Assista o programa completo no vídeo abaixo:

 

 


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América Central

Camino de Costa Rica: Do Atlântico ao Pacífico trilha explora do país

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Os amantes da natureza têm mais uma opção na Costa Rica: o Camino de Costa Rica. De mar a mar (do Atlântico ao Pacífico) a trilha é um convite a explorar o coração do país. O percurso de cerca de 280Km sai de Barra de Parismina, província de Limón (no Atlântico) e termina em Quepos, província de Punta Arenas (no Pacífico) e passa por áreas de preservação e parques nacionais.
Ao jornal La Republica, o presidente da Associação Mar a Mar, idealizadora do projeto, Felipe Carazo disse que a rota é dividida em cinco frentes, tem uma espinha dorsal, mas trajeto flexível. “Queremos que organicamente sejam geradas alternativas a outras importantes rotas do mundo como o Caminho de Santiago de Compostela ou a Trilha Inca”.
O grupo que não tem fins lucrativos quer atrair turistas de todo o mundo para desenvolver o turismo sustentável local. Buscam “manter a consistência cultural, que seja inclusivo e respeitoso com o meio ambiente e que as pessoas encontrem novas experiências gastronômicas, extraordinária flora e fauna e variedade de paisagens”.
Operadores de turismo organizam o operativo como oferecendo hospedagem e alimentação, há algumas áreas de camping também, desenvolvidas pela Mar a Mar.
Ainda segundo a publicação, os preços variam segundo as condições de cada comunidade.

Camino de Costa Rica

Esticadinha: Parque Nacional Manuel Antonio, um dos mais belos do país fica a cerca de 7Km da cidade de Quepos | Foto: Martin Garrido/Flickr Creative Commons

Barra de Parismina | Foto: World Wide Gifts/Flickr Creative Commons.

Trajeto principal

Mapa do Camino de Costa Rica

Foto: caminodecostarica.org

Canales de Barra de Parismina-Cimarrones (Siquirres)
Cimarrones (Siquirres)-Pacayitas (Turrialba)
Pacayitas (Turrialba)-Parque Nacional Tapantí (Orosi)
Parque Nacional Tapantí (Orosi)-Muñeco de Navarro (Orosi)
Muñeco de Navarro (Orosi)-Cerro Alto (Cartago)
Cerro Alto (Cartago)-Jardín de Dota (Dota)
Jardín de Dota (Dota)-Nápoles (Tarrazú)
Mais detalhes das vilas que fazem parte do trajeto podem ser conferidos aqui.

Quão difícil é o Camino de Costa Rica?

O Caminho tem dois dias recomendados para caminhantes de nível avançado e três para os de nível intermediário. O resto são para pessoas em bom estado físico que tenham alguma experiência com caminhadas de mais de 15Km. O site da trilha também alerta sobre a necessidade de uso de equipamento, roupas e calçados adequados, bastões de trekking, gorro e capacidade de carregar 3 litros de água.

Ricas fauna e flora pelo caminho | Foto: CaminodeCostaRica.org

No último dia 23 de fevereiro, o presidente do país, Luis Guillermo Solís declarou o Camino de Costa Rica projeto de interesse público. “Este tipo de turismo coincide perfeitamente com o que busca o país: uma oferta turística que faça com que o visitante fique mais dias aqui, que interaja e se nutra de nossa gente e que gere impacto em diferentes áreas do território e não só em pontos específicos”, comentou o presidente em evento que anunciou o projeto como sendo de interesse público.

Mais informações sobre o ‘Camino de Costa Rica’ podem ser obtidas no site: https://www.caminodecostarica.org/


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Notícias

Abertas as inscrições para ‘O Caminho do Sertão’ 2018

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Um trecho de um dos textos do site que anuncia o caminho pode definir um pouco da experiência ímpar por este verdadeiro mundo de vivências em território mineiro: “Uma imersão sócioecoliterária no universo de Guimarães Rosa. Entre sol, areia, mitos, realidades, sorrisos, abraços e um encharcasse de sertão”.
Os caminhantes selecionados farão o percurso de 186Km a pé, nas áreas que compreendem o Parque Estadual de Sagarana, Morrinhos, Vila Bom Jesus (Igrejinha), Fazenda Menino, Barra da Aldeia, Serra das Araras, comunidades quilombolas (Morro do Fogo, Barro Vermelho, Buraquinhos e Buracos) Chapada Gaúcha e Parque Nacional Grande Sertão Veredas, situados no Mosaico Sertão Veredas-Peruaçu.

Foto: Reprodução.

Quando acontecerá, prazos de inscrição e como participar?

Foto: Divulgação @caminhodosertao

Este ano o projeto acontece entre 07 e 15 de julho. O edital selecionará 50 participantes que vão percorrer 186 km a pé, de Sagarana (distrito de Arinos/MG) ao Parque Nacional Grande Sertão Veredas (Chapada Gaúcha/MG).
Os interessados têm até o dia 19 de maio para realizar a inscrição, que deve ser preenchida aqui.
Uma carta escrita a mão contendo sua “justificativa de afetos para participação desta jornada” também deve ser feita e enviada à produção do projeto que é aberto ao público em geral.
É preciso ter mais de 18 anos ou estar acompanhado de responsável legal que seja um dos caminhantes também selecionados.
Será cobrada uma taxa de R$ 270 dos selecionados ” voltada às ações de fortalecimento das estruturas de segurança, apoio de traslados e intervenções culturais do Caminho.”
O prazo para a divulgação dos nomes dos selecionados será até 07 de junho de 2018.

Organizadores sugerem bibliografia básica aos caminhantes | Foto: Reprodução.

Foto: Agatha Azevedo/Divulgação @caminhodosertao

Foto: Agatha Azevedo/Divulgação @caminhodosertao

Riquezas: cultura, história, povo | Foto: Divulgação @caminhodosertao

O Caminho do Sertão é realizado pela Agência de Desenvolvimento integrado e Sustentável do Vale do Rio Urucuia em correalização com a Prefeitura Municipal de Arinos, com patrocínio da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais.
Mais informações podem ser conferidas no site http://caminhodosertao.com.br/ e na fanpage do projeto no Facebook e sobretudo no “Edi-TAO” de participação aqui.

A foto (da home) que traz até este post é de divulgação.


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Brasil

Saiba quais serão os primeiros percursos do ‘Sistema Brasileiro de Trilhas de Longo Curso’

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Oiapoque ao Chuí caminhando, partiu? O sonho de ligar as unidades de conservação do Brasil através de trilhas de longo curso não surgiu do nada. O sistema nacional de trilhas dos Estados Unidos completou 50 anos e liga mais de 90% das unidades de conservação do país. Outros países como a Alemanha e Portugal também são referência no assunto, e, a partir desses exemplos, a Coordenação Geral de Uso Público e Negócios do ICMBio, juntamente com diversos parceiros, começa a desenvolver a rede nacional de trilhas.
As trilhas de longo curso começaram como um aparelho de recreação e geração de renda para a população local através do potencial turístico. Com o tempo começou a se observar que a fauna também utiliza as trilhas. Dessa forma, atualmente são consideradas também como estratégia de conservação proporcionando a conectividade de paisagem, ou seja, a fauna consegue migrar entre uma área protegida e outra trazendo entre outros benefícios maior variabilidade genética de seus descendentes.
“Esse é o esforço do ICMBio para criar um Sistema Brasileiro de Trilhas de Longo Curso, no contexto do Programa Conectividade de Paisagens – Corredores Ecológicos, em atendimento à demanda instituída por portaria do Ministério do Meio Ambiente”, afirma Pedro Menezes, coordenador-geral de Uso Público e Negócios do ICMBio.

O Sistema Brasileiro de Trilhas de Longo Curso prevê, inicialmente, quatro grandes corredores:
– O Corredor Litorâneo, que ligará o Oiapoque ao Chuí (falamos sobre, aqui);
– a Trilha Missão Cruls, que ligará a cidade de Goiás Velho até a Chapada dos Veadeiros;
– Caminhos do Peabiru, que ligará o Parque Nacional do Iguaçu ao litoral paranaense;
– Estrada Real, atualmente percorrida por carros e bicicletas, ganhará também um percurso para os caminhantes.

Foto: Divulgação ICMBio.

O traçado dos caminhos que compõem a rede de trilhas não é definitivo. Estão abertos para alterações que se fizerem necessárias ao longo da implementação que é naturalmente lenta por depender do envolvimento de diferentes esferas de governo, proprietários privados e a comunidade em geral.
“A definição do percurso não será feita pelo ICMBio, dentro de um escritório. Nós iremos fomentar, com foco nas nossas áreas, a implementação de caminhos que se encaixem nesse traçado maior. Ele será definido de baixo para cima. Na medida em que as unidades manifestem seu interesse em implementar trilhas no seu perímetro. E o percurso pode mudar, ir melhorando”, afirma Pedro.

Implementação

A implementação começa pelas unidades de conservação, de todas esferas de governo (federal, estadual e municipal). A trilha é construída já com um planejamento de ligação dos pontos inicial e final com outras UCs da região. O ponto de entrada aponta para a unidade anterior e o ponto de saída aponta para a próxima unidade.

O percurso que liga duas unidades é a chamada “linha tracejada”. As experiências anteriores tanto em outros países quanto no Brasil mostram que existe um movimento natural de pressão dos caminhantes para que as “linhas tracejadas” sejam também implementadas e sinalizadas. Para os proprietários de terras por onde passa essa linha surge uma oportunidade de transformar a área em reserva legal ou área de preservação permanente e ainda gerar renda oferecendo serviços como camping e alimentação para os visitantes.

Sabe-se que poucos são os caminhantes que completam um percurso tão longo de trilhas como o Corredor Litorâneo, com mais de 8 mil quilômetros. Nesse sentido as trilhas são planejadas para serem percorridas em etapas – caminhos menores que fazem parte de um grande percurso.

Exemplos são a Trilha Transcarioca, que passa pelo Parque Nacional da Tijuca (RJ) e os Caminhos da Serra do Mar, que passam pelo Parque Nacional da Serra dos Órgãos (RJ); ambas fazem parte do Corredor Litorâneo, estão sinalizadas e já são percorridas pelos caminhantes.

Além de ter a conveniência para o visitante de poder percorrer um caminho inteiro durante um período de férias, essa estratégia traz também um sentimento de pertencimento regional e incentiva o protagonismo dos envolvidos locais para cuidar da sua trilha.

Sinalização padronizada

Foto: Divulgação ICMBio.

A pegada amarela sob uma base preta, ou o contrário para indicar o sentido oposto, foi escolhida como a sinalização padrão. A Coordenação Geral de Uso Público do ICMBio realizou várias capacitações em diferentes partes do Brasil compartilhando as técnicas. A sinalização padronizada reforça a característica de rede nacional ao mesmo tempo que permite a personalização de cada caminho regional com suas próprias características. A identidade unificada permite aos visitantes perceber que a trilha faz parte de um sistema maior que contribui para a conservação da natureza no país. Além de sinalizar o percurso para guiar os caminhantes a sinalização pode ser empregada em diversos produtos. Souvenirs para os caminhantes e fonte de renda para a população local.

Aspectos culturais e históricos

Muitas das trilhas de longo curso possuem, além da beleza natural, atrativos culturais e históricos. É o caso da Estrada Real que percorre os caminhos utilizados para escoar ouro e diamantes de Minas Gerais até os portos do Rio de Janeiro no período colonial. O Caminho das Araucárias, que iniciou a sinalização recentemente, percorre a rota dos tropeiros que faziam a comercialização de animais no sul do país nos primórdios do século XVIII.

O objetivo é chamar a atenção do público para a história, resgatar o modo de vida, o modo de viajar e, principalmente, as formas de relacionamento das pessoas da época com o meio ambiente. Essa abordagem inspira os visitantes sobre a responsabilidade de proteger nosso patrimônio natural.

Participação Social

A participação da sociedade nesse processo é muito importante. Desde a pressão para implementação de “linhas tracejadas” nos percursos, passando pelos mutirões de voluntários para sinalizar e estruturar as trilhas e finalmente na construção de grupos que trabalham na manutenção dos caminhos.

“Poder ajudar a cuidar de uma riqueza tão esplêndida, que é a natureza, e saber que isso é de todos, se torna algo extremamente gratificante. É a oportunidade que nós, sociedade, temos para colaborar. É uma sensação de dever cumprido, como um chamado!”, relata Gabriela Naibo, voluntária do Parque Nacional das Araucárias (SC).

“É importante a comunidade entender que as trilhas são uma conquista e um direito seu. Funcionam como equipamento de recreação, oportunidade de geração de renda e estratégia para conservação das espécies, essa consciência transforma os cidadãos em protagonistas e guardiões das trilhas”, finaliza Pedro Menezes.

Sistema Brasileiro de Trilhas de Longo Curso

Corredor Litorâneo

Mais de 8.000 km passando por mais de 100 unidades de conservação federais, estaduais, municipais e privadas ao longo da costa brasileira.

Percursos:
Caminho das Araucárias (Florestas Nacionais de Canela e de São Francisco de Paula, Parques Nacionais de Aparados da Serra, Serra Geral e São Joaquim)
Transmantiqueira (Parque Nacional do Itatiaia, Parque Estadual da Serra do Papagaio e Monumento Natural da Pedra do Picu)
Trilha Transcarioca (Parque Nacional da Tijuca, Parque Natural Municipal de Grumari, Parque Estadual da Pedra Branca)
Caminhos da Serra do Mar (Parque Nacional da Serra dos Órgãos)
Rota do Descobrimento (Parques Nacionais do Pau Brasil e do Monte Pascoal)
Rota das Emoções (Parques Nacionais de Jericoacoara e Lençóis Maranhenses)

Trilha Missão Cruls

O traçado de 600 km seguirá o caminho percorrido por Luiz Cruls em 1892, quando liderou uma expedição para estudar o Planalto Central e delimitar a área onde seria construída Brasília. O percurso de 136 km já sinalizado no Distrito Federal também pode ser percorrido de bicicleta.

Percursos:
Caminho de Cora Coralina (Parques Estaduais da Serra dos Pirineus, Serra Dourada e Serra de Jaraguá)
Trilha União + Circuito Flona + Circuito Serrinha do Paranoá (Parque Nacional de Brasília, Floresta Nacional de Brasília e Área de Proteção Ambiental do Planalto Central)
Travessia das Sete Quedas (Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros)

Caminhos do Peabiru

Cerca de 1.000 km seguindo o caminho histórico dos índios Guarani que ligava o Atlântico aos Andes. Áreas núcleo: Parque Nacional do Iguaçu, Estação Ecológica da Mata Preta, Parques Nacionais das Araucárias, Guaricana, Saint-Hilaire/Lange, Florestas Nacionais de Três Barras e Assungui, entre outros

Estrada Real

Mais de 1.700 km de extensão, passando por Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo seguindo o caminho histórico oficializado pela Coroa Portuguesa no século XVII. Áreas núcleo: Parques Nacionais das Sempre Vivas, Serra do Cipó, Itatiaia e Serra da Bocaina. Saiba mais aqui.

Com informações da Assessoria de comunicação do ICMBio.


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Brasil

Trilha Transmantiqueira cruzará 37 cidades de SP, MG e RJ

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O último final de semana de fevereiro de 2018 foi marcado pelas primeiras ações de campo de implantação da Transmantiqueira. A trilha de longo percurso é um antigo projeto que atravessa toda a Serra da Mantiqueira, cruzando 37 municípios de três estados, desde a cidade de São Paulo (SP) até Aiuruoca (MG), totalizando mais de 750 quilômetros e passando por várias unidades de conservação.
O primeiro trecho sinalizado faz parte do Parque Nacional do Itatiaia (MG/RJ) e utilizará a famosa travessia Serra Negra, com 31 quilômetros de extensão. O percurso é um dos trechos prioritários para implantação, definido durante o primeiro Seminário da Trilha Transmantiqueira ocorrido em novembro de 2017. Na oportunidade, também foi apresentada uma proposta de divisão da trilha em 16 trechos, cada um deles tendo o seu grupo voluntário de governança.

Ações para implementação da trilha começaram no final do mês passado | Foto: Leonardo Cândido/Divulgação ICMBio.

Pedro de Menezes, coordenador-geral de Uso Público e Negócios, explica que a Trilha Transmantiqueira faz parte do projeto de conectar as unidades de conservação próximas ao litoral brasileiro por uma trilha de longo curso, que está sendo chamada de Oiapoque x Chui. “Ela é parte do esforço do ICMBio para criar um Sistema Brasileiro de Trilhas de Longo Curso, no contexto do Programa Conectividade de Paisagens – Corredores Ecológicos, em atendimento à demanda instituída por portaria do Ministério do Meio Ambiente”, afirmou.

Seminário e Mutirão

Para discutir a sinalização, foi realizado, no dia 23 de fevereiro, no Parque Nacional do Itatiaia, o 2º Seminário de Planejamento da trilha. O evento contou com a presença de 31 pessoas de várias instituições e localidades de toda a Serra da Mantiqueira. Na ocasião, foram debatidos detalhes do projeto, metodologia de sinalização, formação de grupos de governança para outros trechos e logística do mutirão de sinalização do trecho de Itatiaia. O planejamento das ações foi realizado pelos voluntários da Transmantiqueira, Parque Nacional do Itatiaia e pela Coordenação-geral de Uso Público e Negócios (CGEUP). Já a capacitação em sinalização foi promovida por voluntários da Trilha Transcarioca.

Nos dias 24 e 25 de fevereiro foi realizado o mutirão para sinalizar o parque, seguindo a metodologia de sinalização de trilhas do ICMBio, adaptada às características da travessia Serra Negra. No primeiro dia foi feito o percurso do Posto Marcão (portaria de entrada na parte alta do parque) até a localidade do Matão no povoado da Serra Negra, onde foi realizado o pernoite. Apesar da chuva, foi possível a realização da tarefa com a participação de 18 voluntários. No dia seguinte, foi a vez do trajeto entre a Serra Negra e a região da Santa Clara, final do trecho da Transmantiqueira no Parque Nacional do Itatiaia, que contou com nove voluntários.

Conservação da Serra da Mantiqueira

Hugo de Castro, voluntário da Transmantiqueira e idealizador da proposta atual do trajeto, explica que essa trilha de longo curso será um importante instrumento de conservação de toda a Serra da Mantiqueira, principalmente sua frágil crista. “Somente um projeto dessa magnitude terá capacidade de ser um catalizador de projetos que implantará as ações necessárias e esperadas há muito tempo para mitigar os impactos existentes. Além disso, é uma oportunidade para criar um importantíssimo corredor ecológico para a fauna, garantindo o fluxo gênico e de indivíduos, a dispersão de espécies e a recolonização de áreas degradada”, afirmou.

Nascer do sol visto do cume da Pedra da Mina, o ponto mais alto da Serra da Mantiqueira | Foto: Andrea Dallevo/Sob licença Creative Commons.

Uma nova ação em campo está prevista para complementação de sinalização em alguns poucos locais que exigirão tabuletas e estacas. “Com exceção desses pontos, que serão resolvidos brevemente, os 31 quilômetros da trilha Transmantiqueira no interior do Parque Nacional do Itatiaia já estão sinalizados, fazendo com que o caminhante tenha a sensação de segurança, melhorando sua experiência de visitação e podendo visualizar o que em breve será trilhar toda a Mantiqueira”, comentou Leonardo Cândido, coordenador de Uso Público e Negócios do parque.

No fórum Mochileiros.com há informações, dicas e relatos de viagem pela Transmantiqueira. Confira aqui.

Com informações do ICMBio.


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Blog

Travessia Bonito-Palmares é inaugurada em Pernambuco

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Entre os dias 10 e 13 de fevereiro um grupo de aventureiros desbravou os 84Km da intitulada ‘Travessia Bonito-Palmares’. Passando por serras, rios, engenhos e cachoeiras, o percurso logo deverá ser cadastrado pela Empresa de Turismo de Pernambuco (Empetur) e pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), dispondo de planilhas e mapas, de acordo com uma das participantes do grupo, Liduína Salviano.
Bonito é considerada uma das “7 maravilhas de Pernambuco” e conhecido destino turístico do Estado por apresentar belas cachoeiras.
Até então, a Travessia dos Sete Cumes, com um percurso de 60Km era considerada a maior travessia de montanhas de Pernambuco. Falamos sobre ela aqui. São duas boas opções para quem quer conhecer o Estado além do seu belo litoral.
Mais informações sobre a Travessia Bonito-Palmares podem ser obtidas através dos telefones:
(81) 9 8632 0290 (com Maquino ou Prazeres) e (81) 9 9977 9464 (com Cláudio) ou através da página do grupo Sem Rumo, no Facebook.

Abaixo, fotos da travessia feita pelo grupo ‘Sem Rumo’, trilheiros experientes que há mais de 20 anos vêm percorrendo e desbravando longos percursos em Pernambuco e em outros Estados do Nordeste.
Fazem parte do ‘Sem Rumo’: o idealizador da Travessia Bonito-Palmares, José Marcos Aquino (Maquino), Cláudio Rodrigues, Prazeres Aquino, Gilmar Serafim, Gilmario e Maviael Reimine (os veteranos do grupo), além de Liduína Salviano e Luciana Veríssimo (novas integrantes).

Foto: Liduína Salviano/Arquivo pessoal.

Foto: Liduína Salviano/Arquivo pessoal.

Foto: Liduína Salviano/Arquivo pessoal.

Foto: Liduína Salviano/Arquivo pessoal.

Cachoeira Véu da Noiva II, em Bonito | Foto: Marinelson Almeida/Wikimedia Commons.

Foto: Liduína Salviano/Arquivo pessoal.

Foto: Liduína Salviano/Arquivo pessoal.

Foto: Liduína Salviano/Arquivo pessoal.

Foto: Liduína Salviano/Arquivo pessoal.


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Brasil

Brasil terá trilha de longo curso por toda costa

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A Estação Ecológica do Taim, localizada no extremo sul do Brasil, é a primeira unidade de conservação a receber a Expedição Litorânea Corredor Chuí x Oiapoque, projeto do excursionista e montanhista Edson Sorrentino (falamos sobre a expedição aqui) . Com apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Sorrentino percorrerá toda a costa brasileira. O trajeto, que parte da Barra do Chuí, no Rio Grande do Sul, e segue até o Cabo Orange, no Amapá, liga as unidades de conservação entre os extremos sul e norte do país.

Segundo o chefe da Esec Taim, Caio Cavalcanti Dutra Eichenberger, que recebeu Sorrentino em sua passagem pela unidade, o objetivo da expedição é verificar as possibilidades de traçado existentes entre as unidades de conservação próximas ao litoral, com o intuito de que seja estabelecida uma trilha de longo curso em toda a costa brasileira.

Edson na Estação Ecológica do Taim | Foto: Divulgação/@expedicaolitoranea

Durante a expedição, o percurso, realizado por Sorrentino, passará pelas unidades de conservação, privilegiando a escolha de trilhas regionais já existentes, como a Rota dos Faróis, o Caminho das Araucárias, a Trilha Transcarioca e o Caminho da Serra do Mar. A ideia é fortalecer esses caminhos e fomentar o desenvolvimento de outros que possibilitem, no futuro, a ligação dessas trilhas regionais para formar uma trilha de longo curso em nível nacional: a Trilha Corredor Oaipoque x Chuí.

Os equipamentos utilizados pelo aventureiro são uma mochila cargueira com aproximadamente 20 quilos, uma pequena barraca com cerca de 2 quilos, alimentos e um fogareiro a gás. Além de aproximar a sociedade da natureza e das unidades de conservação, o fomento e o desenvolvimento de trilhas de longo curso possibilitam a conservação da biodiversidade, conectando diferentes paisagens naturais.

Edson na Barra do Chuí – Santa Vitória do Palmar (RS) | Foto: Divulgação/@expedicaolitoranea

Edson Sorrentino é um experiente excursionista e montanhista já tendo escalado o Pico da Neblina com 2.995 metros em 1988 na Amazônia brasileira, o Aconcágua com 6.962 metros em 1993 na Argentina, o MontBlanc com 4.808 metros em 1996 na França, o Monte Kilimanjaro com 5.895 metros também em 1996 na Tanzânia. Já realizou a volta a pé nas ilhas de Santa Catarina (SC) e Ilhabela (SP) em 1995, além de diversas caminhadas por parques nacionais, estaduais e reservas, tendo percorrido às principais travessias clássicas do país.

Mais sobre a Expedição Litorânea pode ser conferida na página no Facebook.

Com informações do ICMBio.


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Missão cumprida: fizemos a pé a travessia da maior praia do mundo

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Por Élisson Gularte

A travessia da maior praia do mundo a pé ficou pra trás, foram 7 dias de auto conhecimento, superação e lições de humildade e bondade. Saímos de Santa Maria no domingo à 1h em direção à Rio Grande, aonde chegamos às 7h. Tomamos um Uber até os Molhes do Cassino, tiramos umas fotos, colocamos as mochilas nas costas – a minha com 27kg e a do Cleiton com 25kg – e a passos vivos iniciamos a nossa travessia às 8h30min.

Élisson e Cleiton | Foto: Arquivo pessoal.

Perto do meio dia já havíamos caminhado 20 km e o Cleiton avistou uma caixa d’água azul atrás das dunas. Era uma vila de pescadores, paramos para reabastecer as garrafas e fomos convidados para almoçar, por um
senhor – conhecido por todos como Marinheiro – e tivemos a nossa primeira lição de bondade, sentamos com ele, sua esposa e neta a mesa e no meio de muitas histórias, almoçamos. Foi nesse momento que descobrimos que a medida que parávamos nossos corpos esfriavam e as dores surgiam.

Cleiton, o Marinheiro e Élisson | Foto: Arquivo pessoal.

Élisson | Foto: Arquivo pessoal.

Logo no primeiro dia, o Cassino, nos contemplou com sol, chuva, vento e os três ao mesmo tempo em alguns momentos. No meio disso tudo, terminamos nosso dia com 38km, escolhemos um local próximo a um córrego d’água para montar nossas barracas. Fizemos nosso miojo com atum e apagamos.

Cenários inesquecíveis | Foto: Arquivo pessoal.

O segundo dia iniciou com um café com leite, pão e salame – café este que nos acompanharia até o último dia. Desmontamos o acampamento e seguimos caminhando, nessa manhã, o Cleiton começou a ter canelite, por isso diminuímos a velocidade e eu perdi o meu bastão de caminhada – para o Cleiton…
No meio da tarde, estávamos tão cansados que sentamos nas mochilas para descansar um pouco e cochilamos. Quando retornamos a caminhada os músculos estavam enrijecidos, mas fomos em frente. Encontramos o primeiro Farol, o Sarita. Eu fui ao encontro do farol para fotografar e vi que haviam duas pessoas sentadas aproveitando a sombra. Voltei a praia e continuamos até que encontramos um córrego d’água que serviria para cozinhar, recompletar as garrafas e tomar banho.
Enquanto montávamos as barracas o casal estava passando, fomos ao seu encontro e era um casal de hippies que traziam duas mochilas pequenas e caminhavam ao entardecer e ao amanhecer, evitando os horários em que o sol é mais forte. Eles retornaram ao seu caminho e nós ao nosso acampamento. Nessa noite eu fiz lentilha com salame e arroz com atum enquanto o Cleiton apanhava água. Furamos as bolhas e fomos dormir, tendo caminhado apenas 33km.

Outros viajantes pelo caminho, o casal Jean e Carol | Foto: Arquivo pessoal.

No terceiro dia, começamos com o freio de mão puxado, o Cleiton, por causa da canelite começou a caminhar fazendo mais força com a outra perna o que acarretou em dores no pé e joelho. Perto do meio dia paramos para reabastecer as garrafas e aproveitamos para tomar banho e almoçar.
Do meio para o final da tarde, os córregos começaram a ficar mais espaçados e por esse motivo quando encontramos um aos 37km decidimos que seria hora de acampar. Mais uma vez jantamos lentilha com salame, arroz e atum. Furamos as bolhas dos pés e apagamos.

Élisson e Cleiton | Foto: Arquivo pessoal.

No quarto dia, combinamos de acordar as 4:30h para aproveitar a temperatura amena, porém amanheceu chovendo bastante e acabamos saindo às 7h. O Cleiton estava de arrasto e brincava que o Opala precisava aquecer… De fato, a medida que aquecíamos os músculos, conseguíamos caminhar sem dores. Logo no meio da manhã alcançamos o segundo farol, o Farolete Verga – paramos para fotografar e continuamos.
Decidimos que não iríamos mais sentar nas pausas que fazíamos a cada 1h de caminhada. Foi um dia de muito vento contra, entretanto, o sol estava encoberto pelas nuvens – o que nos ajudou muito. Alcançamos o farol de Albardão às 17h, aonde pernoitaríamos, tendo percorrido 33km. O Cleiton estava com febre, dores nas pernas e com as costas queimadas pelo sol e eu com foliculite nos ombros, bem aonde passavam as alças da mochila. Para nossa surpresa o casal Hippie já havia chegado. Nós ficamos impressionados com a velocidade com que eles caminhavam, foi aí que conversando, descobrimos que haviam pego uma carona em um trator de uma madeireira!!! Com eles – o Jean e a Carol – tivemos nossa segunda lição, ambos eram de uma humildade e bondade sem tamanho, emprestaram ao Cleiton seu pós sol e remédios e, nós, em agradecimento, separamos 4 miojos, 2 latas de atum e dois potes pequenos com castanhas, damascos e nozes, além de um isqueiro. Eles ficaram muito felizes, pois disseram que estavam começando a ficar preocupados com a comida.
Naquela noite, fomos – gentilmente – convidados pelo pessoal da Marinha do Brasil e jantamos todos juntos. Subimos no Farol e conseguimos ligar para casa, foi reconfortante saber que estava tudo bem.

No quinto dia, nos despedimos do Albardão e saímos no ritmo lento matutino habitual, conforme o Opala (Cleiton) ia aquecendo e superando as dores nós íamos apertando o passo. Esse foi, sem sombra de dúvidas, o pior dia. O céu estava limpo, não haviam nuvens, nem vento e o sol. Ah! O sol! A impressão que tínhamos era que havia um sol pra cada um. Aliado ao calor, a paisagem ficou monótona! Não enxergávamos nenhum ponto de referência, a esquerda tínhamos o mar, a direita somente um deserto e nada de córregos. Além do cansaço físico, passamos a enfrentar o cansaço psicológico, se não fosse o GPS para comprovar a nossa evolução, teríamos a impressão de não sair do lugar.

Foto: Arquivo pessoal.

Próximo das 15h encontramos o senhor Edson Sorrentino fazendo o caminho oposto, mas com um propósito maior que o nosso, o de caminhar do Chuí até o Cabo de Orange em 2 anos. Conversamos, trocamos figurinhas sobre o que encontraríamos pela frente, tiramos uma foto e seguimos, cada um o seu caminho.

Na jornada eles cruzaram com outro aventureiro, o Edson Sorrentino | Foto: Arquivo pessoal.

Tendo completado 39 km, encontramos uma árvore caída que o Cleiton teve a ideia de usarmos como banco e acampamos. Como o Cleiton estava com os tornozelos inchados, fomos para o mar fazer “gelo” e eu passar água salgada nas foliculites dos ombros. Ao retornarmos, preparamos miojo e atum e fomos contemplados com um por-do-sol incrível, enquanto que cada um dentro da sua barraca furava suas bolhas e renovava os curativos.

Beleza em cada detalhe do caminho | Foto: Arquivo pessoal.

No sexto dia o Opala Velho (Cleiton) acordou sem dores e a caminhada rendeu desde as primeiras horas da manhã. Novamente o céu estava sem nuvens e o sol bastante forte, porém tínhamos um aliado, o vento, que além de nós refrescar ainda estava a favor do nosso destino e objetivo do dia que era chegar a praia do Hermenegildo, distante 39km. Caminhamos 9 horas sem parar, contamos histórias, piadas, escutamos músicas, o Cleiton me mentiu um pouco e assim foi até começarmos a avistar pescadores. Seguimos em frente, e tivemos outras tantas lições de bondade para com o próximo, muitas pessoas nos alcançaram água, queriam saber da nossa caminhada. Foi demais!

Mas a cada conversa boa, a cada água gelada, o retorno era mais difícil e doloroso pois a musculatura ia esfriando. Decidimos caminhar de cabeça baixa e só pararmos se fossemos chamados, até que um castelhano – um hermano Uruguaio – nos ofereceu uma cervejinha! Como dizer não para esse novo grande amigo hermano! A gente se olhou e sorriu, nós tínhamos dinheiro na carteira, mas não havia lugar para comprar água, comida ou qualquer outra coisa que fosse. Aquela cerveja desceu maravilhosamente, deve ter sido uma das mais saborosas das nossas vidas. Agradecemos, efusivamente, e continuamos. Chegamos a praia do Hermenegildo e só conseguíamos pensar em tirar a mochila das costas, comer um pancho e beber um Coca Cola bem gelada. Foi aí que entrou no nosso caminho Wagner Viana, mais conhecido como Gata, um cara muito alto astral que nos viu de mochila e nos recebeu com um carinho enorme, nos contou histórias, procurou saber do nosso propósito, já estava preocupado em conseguir um lugar para que passássemos à noite, super gente fina e proprietário da Katzelu, uma carrocinha da Pancho – espetaculares, diga-se de passagem.
Conseguimos um lugar pra dormir, jantamos em Hermenegildo e fomos descansar.

Cleiton e Élisson e os panchos | Foto: Arquivo pessoal.

O sétimo e último dia começou com o Cleiton tomando Dorflex, anti-inflamatório e anti-alérgico e ainda assim o Opala tava ruim de aquecer. Foi uma manhã difícil, apesar das condições climáticas favoráveis, creio que saber que restavam apenas 13 km apesar de ser um alento, nos deixava mais ansiosos pela chegada.
Concluímos nossa travessia às 11 horas, com 232 km percorridos, chegando nos Molhes da Barra do Chuí, cansados, agradecidos pela conquista, respeitando os limites do nosso corpo e mais experientes. Felizes pelos exemplos de bondade e humildade e mais fortes pelas dificuldades superadas!

Foto: Arquivo pessoal.

Agradeço a Natiele que sempre apoia as minhas loucuras, aos meus pais, Julio e Rosane que estão sempre presentes na minha vida e, é claro, ao Cleiton – por ter aceitado o convite – gente boa demais, que apesar de ter ficado um pouco abatido pelas dores, continuou firme se mostrando muito resistente e persistente!
Àqueles que quiserem saber mais sobre a travessia, pontos de água, locais para acampar, dicas de equipamento, pontos locados e outros, é só chamar no privado, vai ser um prazer ajudar!
É plenamente possível fazer a travessia sem apoio externo, entretanto, para aqueles que quiserem, existem empresas que oferecem esse serviço, como é o caso do José Fernandes, da Dunes.

Texto: Élisson Gularte.
Fotos: Arquivo pessoal. Legendas: Redação Mochila Brasil.


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Paulista irá percorrer 10.000Km do litoral a pé

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Aos 58 anos de idade, o paulista Edson Sorrentino se lançará ao desafio de percorrer o litoral do Brasil a pé. Intitulada “Expedição Litorânea” a jornada que deverá durar aproximadamente 500 dias começará nos primeiros dias de 2018 em Barra do Chuí (RS) e terminará em Cabo Orange (AP), extremos sul e norte do país, respectivamente.
Minimalista, Edson terá como casa sua mochila cargueira com aproximadamente 20 quilos. Uma barraca de cerca de 2 quilos também fará parte da expedição, assim como um pequeno fogareiro a gás – acessórios e equipamentos necessários à sua sobrevivência durante a empreitada. “O conforto será mínimo, mas o prazer, imenso”, comenta.
Ele fará sua própria alimentação matinal e noturna. Durante o dia se alimentará com barras de proteínas e frutas e vez ou outra também deve comer em bares, restaurantes e barraquinhas (onde houver) mas não deixando extrapolar o orçamento médio de R$ 50 diários que deverão pagar sua alimentação, camping etc. “O que eu não gastar num dia, economizo para os dias seguintes”, explica.
Para completar o trajeto, Edson pretende caminhar 25km em média por dia. Você deve estar se perguntando: “10.000Km? Se o litoral do Brasil tem 7.367Km…”. Considere reentrâncias, saliências e o que mais o aventureiro percorrerá e essa bela pernada chegará aos 10.000Km.
Além do desafio pessoal, outro objetivo da Expedição Litorânea é conhecer as maravilhosas praias brasileiras, suas cidades, seu povo, costumes e folclore. “O litoral brasileiro possui um patrimônio histórico, cultural e natural riquíssimo, que vai ser abordado [pela expedição] com um olhar de caminhante, como se as imagens estivessem em ‘slow motion'”, promete o expedicionário.

Edson Sorrentino em uma das inúmeras caminhadas que fez | Foto: Arquivo pessoal.

Municípios brasileiros banhados pelo mar | Foto: Reprodução Google Maps/@expedicaolitoranea.

Prováveis pontos onde Edson parará para dormir | Foto: Reprodução Google Maps/@expedicaolitoranea.

Imagine quanta beleza o Edson encontrará | Foto: Reprodução Google Maps/@expedicaolitoranea.

Outras aventuras

Edson Sorrentino | Foto: Arquivo pessoal.

Sorrentino pratica excursionismo, montanhismo e escalada em rocha e gelo há pelo menos 30 anos. Sua primeira grande aventura foi escalar o Pico da Neblina (2.995m) em 1988. “Caminhar pela floresta amazônica e depois pelo platô encharcado e cheio de bromélias, na aproximação da base da maior montanha do Brasil não foi tarefa fácil”, admite o expedicionário que tem diversos cursos na área de excursionismo e esportes de aventura.
Nos anos seguintes ele escalou a maioria das montanhas com mais de 2.000m no Brasil. Em 1993 escalou o Aconcágua (6.962m) na Argentina; em 1996 o Mont Blanc (4.808m) na França e no mesmo ano fez a “escalaminhada” do Monte Kilimanjaro (5.895m), na Tanzânia.
Em 1995 deu a volta completa a pé nas Ilhabela (SP) e ilha de Santa Catarina (SC), aventuras que duraram 9 e 12 dias respectivamente.
Em 1998 fez curso de escalada em gelo na Bolívia e lá escalou diversas montanhas com mais de 5.000 metros de altura. Desde então vem realizando diversas caminhadas por parques nacionais, estaduais e reservas, as conhecidas “Travessias Clássicas”, por mais de uma vez.
Parou de escalar porque ao chegar a temperaturas negativas, ele perde completamente a sensibilidade nos dedos dos pés e das mãos (este problema é decorrente das baixíssimas temperaturas, nas altas montanhas que escalou), e descobriu que está com rompimento nos músculos dos ombros (direito e esquerdo). “Mas isso não impede que eu  possa andar – vocês conhecem a Saga de Josepf Climber? – e será exatamente isso que farei em 2018, na Expedição Litorânea”, comenta entusiasmado.
A gente segue na torcida e acompanhando.
Você também poderá acompanhar a ‘Expedição Litorânea’ aqui no Mochila Brasil e também pelo Facebook (aqui) e YouTube (aqui).


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