Museu celebra a Estrada Panamericana e seus expedicionários


A pequena cidade de Bariri, a 217 quilômetros da capital paulista, conta desde julho com uma importante atração, sobretudo para aqueles que amam uma viagem de carro, o Museu Mário Fava. O espaço celebra a história de criação da Estrada Panamericana, que muita gente não sabe, foi iniciada por 3 brasileiros entre 1928 e 1938. Lêonidas Borges de Oliveira, Francisco Lopes da Cruz e o baririense Mário Fava percorreram em um Ford T, 27.631 quilômetros para mapear a estrada que interliga as Américas, passando por 15 países.
Os três partiram do Rio de Janeiro com o Ford T, batizado de ‘Brasil’ e uma caminhonete Ford, ano 1925 batizada de ‘São Paulo’. Depois de abrir caminhos entre campos, florestas, montanhas, pântanos e rios, os desbravadores encerraram a jornada sendo recebidos na Casa Branca, pelo Presidente Franklin Delano Roosevelt e o empresário Henry Ford. “O objetivo do museu é reunir essa história de pioneirismo e mostrar ao visitante parte dos desafios enfrentados pelo trio há mais de 80 anos”, conta o curador e um dos fundadores do museu, José Augusto Barboza Cava.
A aventura coincide com a popularização do automóvel no Brasil e, consequentemente, a necessidade de abrir novas estradas e mapear outras existentes em nome do progresso. De acordo com o curador, a viagem para desbravar a Panamericana foi organizada por Leônidas Borges de Oliveira, que recebeu do então presidente Washington Luís um documento que dava fé e apoio do governo brasileiro à empreitada. “Esse registro também contribuiu para que os viajantes pudessem angariar apoio no custeio da viagem nos países por onde passavam, conforme a viagem fosse avançando”, explica o curador.
Fotos dos desbravadores, documentos, registros, jornais da época e mapas de viagem, além claro, do Ford T fabricado em 1918 e utilizado pelo trio fazem parte do acervo.
O Museu Mário Fava fica na Rua Tiradentes, 410 – Centro – Bariri e é aberto de terça a domingo das 10h às 19h.
Mais informações podem ser conferidas no site http://museumariofava.com.br/museu

Mário Fava, Lêonidas Borges de Oliveira e Francisco Lopes da Cruz desbravaram a Panamericana | Foto: Divulgação/Museu Mário Fava
Os desbravadores | Foto: Divulgação/Museu Mário Fava.

Mais história – patrimônio histórico de Bariri, o prédio que abriga o museu já foi sede da Sociedade Italiana de Beneficência 4 de Novembro. A construção tem mais de 90 anos e reunia italianos que moravam em Bariri para a realização de festas e acolhimento de novos imigrantes. Com o passar do tempo, o prédio foi doado para a Santa Casa e abandonado depois de anos. Com a instalação do museu, todas as dependências foram restauradas, preservando a arquitetura original. O Museu Mário Fava tem cinco fundadores, Aziz Chidid Neto, Ari Francisco Fiadi, Ângelo Roberto Falseti, Osni Ferrari e o curador José Augusto Barboza Cava, que lançou na mesma data de inauguração o museu o livro “Museu Mário Fava – Histórias de Bariri”.

Sede do museu, em Bariri | Foto: Divulgação/Museu Fava.
Sede do museu, em Bariri | Foto: Divulgação/Museu Fava.

Carros voltam ao Brasil com os aventureiros

O Ford T (fabricado em 1918 e montado em 1919), um dos veículos utilizados na viagem, então com dez anos de uso, foi doado pelo jornal carioca O Globo. A caminhonete Ford, fabricada em 1925, foi doação do Jornal do Comércio de São Paulo. Quando chegaram aos Estados Unidos, chamaram atenção pela resistência a tantas intempéries. Afinal, foram 15 países e dez anos de desafios.

Ford T | Foto: Museu Mário Fava
Carro fabricado em 1918 e montado em 1919 foi restaurado e está em exposição | Foto: Divulgação/Museu Mário Fava.

Empolgado com o feito dos brasileiros, Henry Ford, fundador da montadora que tem seu sobrenome, tentou pessoalmente comprar os veículos assim que constatou a sua originalidade. “Ele ofereceu um bom dinheiro para garantir a permanência dos carros nos Estados Unidos. Certamente, a ideia era utilizá-los como símbolo da qualidade e da tenacidade na marca”, conta Cava. A oferta foi recusada pelo trio. Eles consideraram que os veículos pertenciam aos brasileiros e deveriam retornar ao Brasil. Ao voltar ao País, os aventureiros foram recebidos pelo então presidente Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro.

O Ford T foi doado ao Museu do Ipiranga após a viagem e, depois, foi entregue ao Museu do Gaetano Ferolla, que conta a história do transporte público da Capital do Estado. Desde 2009, Bariri tenta reaver o veículo e só em janeiro deste ano o Ford T chegou ao município. Para ser instalado dentro do museu, o carro precisou ser desmontado e montado em definitivo no salão principal. O outro veículo da expedição se perdeu no tempo depois de ser abandonado em um terreno baldio nas proximidades do Museu do Ipiranga.

No vídeo abaixo, o escritor Beto Braga, autor de “O Brasil através das Três Américas*” fala um pouco sobre como ficou sabendo dessa aventura desconhecida de boa parte dos brasileiros:

O jornal o Estado de São Paulo publicou uma matéria bem interessante sobre a viagem dos 3 amigos: “Carretera Panamericana: a aventura desconhecida de três brasileiros pelas Américas”. Vale conferir!

*Para ter adquirir o livro “O Brasil através das Três Américas” e outras obras relacionadas a esta história você pode contatar o museu através do e-mail [email protected]

A foto (da home) e que abre esta matéria é uma reprodução do mapa da viagem dos debravadores da Rodovia Panamericana e faz parte do acervo do Museu Mário Fava.


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