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América Central

Panamá City – Panamá

Claudia Severo

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A atmosfera cosmopolita da capital do Panamá, Panamá City,  surpreende até àqueles que ouviram falar um pouco além de istmo ou Canal.
Do caminho do moderno aeroporto Tocumen já é possível sentir o calor caribenho; tanto do sol brilhando, quanto da simpatia da taxista que nos levou até o bairro Bella Vista, onde optamos por nos hospedar. Enquanto todas as curiosidades sobre a cidade e o país já pululavam em nossas mentes, a janela da van nos impressionava com o misto que é o local: de um lado as ruínas da cidade velha, do outro, a nova (que é nova e antiga) com seus arranha-céus, shoppings (ah, você estará no paraíso das compras), várias etnias e lindíssimo centro histórico.
Com a economia dolarizada desde 1904, é impossível não notar a influência dos EUA na cidade. Uma voltinha de taxi e… campos com garotos jogando beisebol, casas com arquitetura tipicamente norte-americana, além dos turistas e moradores made in USA que lotam a cidade.

 O Canal do Panamá, os norte-americanos e a independência do país

Navio atravessa o canal do Panamá em Miraflores Locks – Foto: Silnei L Andrade/Mochila Brasil

A presença e simpatia dos norte-americanos pelo local, talvez se deva ao famoso Canal do Panamá, uma das mais impressionantes obras de engenharia da História. A primeira tentativa de construção ocorreu em 1880, pela França. Após quatro anos de investimento e trabalho difícil a companhia francesa (que já havia construído o Canal de Suez – no Egito) faliu.
Em 1885, os EUA consideram a importância militar e econômica do local e negociam com o governo da Colômbia (o Panamá fazia parte deste país até 1903) a permissão necessária para seguir com as obras. Um tratado foi assinado pelos dois países, porém o senado colombiano não o ratificou. Aproveitando essa “lacuna” o então presidente americano Theodore Roosevelt “sugere” aos rebeldes panamenhos a revolta contra a Colômbia e garante apoio de sua marinha na causa da independência. O Panamá proclamou sua independência em 03 de novembro de 1903 e o USS Nashiville protegeu a costa panamenha de qualquer interferência colombiana. Já no fevereiro seguinte, os panamenhos permitiram aos EUA o controle da Zona do Canal.
As obras seguiram e a etapa bem sucedida contou com a fundamental ajuda de um cubano, o médico Juan Carlos Finlay. Baseado em estudos do caribenho, o cirurgião estadunidense Walter Reed demonstrou que a Febre amarela, que havia vitimado cerca de 20.000 trabalhadores franceses na primeira empreitada de construção do canal, era transmitida por um mosquito. Medidas sanitárias e a erradicação do inseto melhoraram as condições de trabalho no local e por consequência na cidade e o canal foi inaugurado em 1913.
Apesar do êxito e alguns tratados, as condições impostas à área seriam o embrião de uma permanente tensão entre os dois países. “Vamos ter um tratado muito vantajoso para os EUA, e devemos confessar, (…) não tão vantajoso para o Panamá” admite o então secretário de Estado norte-americano, John Hay ( in SCHOULTZ, Lars. (1999), Estados Unidos: Poder e Submissão. Bauru, EdUSC. ).
Até 1960 os panamenhos sequer tinham acesso às áreas próximas à Zona do Canal, muitas eram militares e tinham apenas a presença de norte-americanos.

Em 1999 os EUA passaram a administração do Canal ao Panamá. A obra é considerada uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno (pela Sociedade Estadunidense de Engenheiros Civis).
Turismo – Além da interessante história, você pode (e deve) visitar o Canal. O Centro de Visitantes de Miraflores (CVM) permite passeio e visualização do trânsito de barcos e apresenta também exposições e vídeos sobre o funcionamento, história e projetos do e para o Canal.
O horário de funcionamento da bilheteria é das 9h às 16:30h (ou 9 a.m a 4:30 p.m), de segunda a domingo. A entrada custa US$ 8 por pessoa (com direito às exibições de vídeo e acesso aos 3 “mirantes”) e US$ 5 (apenas acesso ao térreo). Nenhum dos ingressos serve para o passeio nos barcos, que devem ser contratados já dentro do CVM.
Mais informações no www.pancanal.com

Dica: Tente chegar antes das 13h (1 p.m) no local, pois assim você garante ao menos ver a passagem dos barcos. Além de ver e participar do simpático mico dos turistas acenando uns aos outros dos mirantes e dos barcos, você passa a entender um pouco da impressionante engenharia do sobe e desce de águas. (Sobem 100 milhões de litros de água em 8 minutos!).

Curiosidade – Um ilustre “zonian” (civil americano nascido ou habitante da Zona do Canal do Panamá enquanto esta pertencia aos EUA) é John Mcain, republicano que perdeu as eleições estadunidenses para o democrata Barak Obama, quando de seu primeiro pleito à presidência.

Casco Antiguo e Panamá Viejo

Prédio do Museu do Canal do Panamá no Casco Antiguo de Panama City -Foto: Silnei L Andrade/Mochila Brasil

Marcas vivas da história do país estão por outras duas importantes áreas da cidade: o Casco Antiguo (Centro histórico) e Panamá Viejo (digamos, a primeira Ciudad de Panamá). Dois passeios imperdíveis.
Casco Antiguo abriga várias praças e belíssimas e importantes construções, como o Hotel Central, que por mais de meio século foi o mais importante prédio da cidade e a Catedral e sua bucólica praça (Plaza de la Catedral) que até o início do século XX era o centro da capital.
Outras áreas que merecem destaque são a Plaza Bolívar, que surgiu do que sobrou de um incêndio ocorrido em 1756 e a Plaza de Francia, espaço com belos prédios e vista para a cidade nova. Caminhando por ali também encontrará Las Bóvedas, uma espécie de galpão que fez parte do sistema de defesa da cidade, datado do século XVIII, restaurado em 1983 e que hoje abriga oficinas culturais. Mais alguns passinhos e você chega ao Paseo Esteban Huertas, o mais conservado trecho da muralha que protegia a cidade. O mar, muitos pássaros e bougainvilles fazem daquele trecho um cenário muito especial.

Dica: O Casco Antiguo é bastante tranquilo, bem sinalizado, nos pareceu bem policiado (a recomendação é não ir para os lados do bairro Chorrillo) e as pessoas bastante solícitas com os turistas. Vale muito a pena conhecer tudo caminhando.
Não deixe de provar em hipótese nenhuma o sorvete artesanal francês da Granclément que fica na Avenida Central y Calle 3ª. A casa oferece sabores tradicionais e até exóticos como de manjericão (albahaca, em espanhol).

Curiosidade – o filme 007 (Quantum of Solace) gravou cenas no Casco Viejo e na história a área seria a de uma cidade na Bolívia. A Plaza de Francia se transformou por conta das filmagens e até um chafariz cenográfico foi montado no local.

Sítio Arqueológico de Panama Vieja na Cidade do Panamá – Foto: Silnei L Andrade/Mochila Brasil

Já Panamá Viejo nos remete a um passado um pouco mais distante, 1519 e ao que foi: ponto de partida de Francisco Pizarro rumo a “conquista” do Império Inca no Peru. Turistas de todas as partes do mundo vão ao local visitar o que restou do primeiro núcleo de povoamento urbano no Panamá e saber um pouco sobre a história desse país e por consequência um pouco da colonização da América.
As ruínas, que datam por volta de 1600, estão bem conservadas e foram reconstruídas depois de um grande terremoto ocorrido em 1621. As pedras que podemos observar são de construções simples que tinham influência principalmente do sul da Espanha e que faziam parte dos mais importantes edifícios da época, como a igreja, convento e órgãos governamentais.
Las Casas Reales, infelizmente ruínas muito pouco visíveis, chamam a atenção pelo que foram: depósito de todos os metais preciosos vindos da região andina e um dos maiores e mais importantes edifícios governamentais da América na ocasião. O Panamá era o elo de passagem entre a América do Sul e a Espanha. Segundo documentos históricos, calcula-se que entre os séculos XVI e XVII passaram pelo istmo 60% de toda prata americana.
Sem dúvida a estrutura que mais chama atenção é a da catedral (construída entre 1619 e 1626); estampada em selos e logotipos, se transformou em um dos ícones da nação. Da imponente torre é possível ter bela vista da cidade.
O sítio arqueológico de Panamá Viejo é Patrimônio Mundial (Unesco). As visitas podem ser feitas de terça a domingo, das 8:30h às 18h (8:30 a.m a 6:00 p.m). Vale visitar o museu também, que traz importantes informações para quem gosta de História.

Diablo Rojo – Assim são chamados os ônibus escolares americanos adaptados para o uso em transporte coletivo em Panama City – Foto: Silnei L Andrade/Mochila Brasil

A Panamá moderna

A capital é o centro econômico, administrativo e cultural do país. Prédios modernos, trânsito relativamente carregado e confuso, com seus coloridos ônibus “Diablos Rojos” e grandes centros comerciais impressionam. A cidade abriga grande quantidade de estrangeiros; destaque para os chineses, que têm até uma China Town e grande colônia ali.
Boa pedida é conhecer a Calle Uruguay, onde a juventude panamenha e os turistas vão badalar nos bares e discotecas.
Não deixe de ir ao La Bodeguita e deixar sua assinatura em uma das paredes de lá. O bar e restaurante estilo cubano fica na Calle Uruguay, 1-65.
Outro bar legal (e com música ao vivo em alguns dias da semana) é o Santos Café, que fica na Calle 48 y Uruguai.
Se você vem do sul, está no primeiro país da América Central banhado por águas do Pacífico e do Atlântico então porque não fazer uma visita ao Mercado de Mariscos (fica no final da Avenida Balboa com Calle 15 Este) e provar um ceviche um tanto artesanal?!

Balboa e o Panamá (e a conquista do Peru)

O nome lembra o mais famoso personagem de Sylvester Stallone, mas ele é estátua em Madri e na Cidade do Panamá; nome de rua e estação de metrô na capital espanhola; nome de avenida, de praça, de moeda e até de uma das cervejas mais populares no Panamá: Balboa. Estamos falando mais precisamente de Vasco Nuñez de Balboa, explorador e governante espanhol considerado o primeiro europeu a conhecer o Oceano Pacífico e fundar a primeira cidade em terras americanas continentais, ou seja, em terra firme.
Depois do descobrimento da América, a possessão do Oceano Pacífico é considerada o mais importante capítulo da história da Conquista Espanhola. Vencendo indígenas – alguns com diplomacia, muitos com força – e destituindo compatriotas do poder, o explorador seguiu do Caribe ao Pacífico.
Além do ouro, pérolas em abundância nas ilhas locais instigavam a cobiça espanhola e, com pequenas canoas ele mesmo chegou ao que hoje é conhecido como Arquipélago das Pérolas (Archipiélago de las Perlas), bem pertinho da capital panamenha e um dos pontos explorados pelo turismo local hoje.
Entre seus avanços por ampliar os domínios espanhóis, Balboa foi preso por Francisco Pizarro, a mando do governo local, Pedro Arias Dávila, fundador da Cidade do Panamá e seu próprio sogro.  A acusação? Traição e tentativa de usurpar o poder de Dávila, além de criar um governo paralelo nas terras do Oceano Pacífico (conhecido nesse episódio da História como Mar del Sur – batizado de Oceano Pacífico por suas aparentes águas calmas somente em 1520, pelo navegador português Fernão de Magalhães, ou em espanhol, Fernando de Magallanes).
Negando as acusações, Balboa pede julgamento em La Española (atual República Dominicana – o mais antigo núcleo de povoamento europeu de ocupação contínua na América e primeira sede do governo colonial espanhol no Novo Mundo) ou na Espanha.
Não atendido, é condenado à pena de morte em 15 de janeiro de 1519 com mais quatro amigos considerados cúmplices. As cabeças decapitadas ficaram expostas por vários dias no povoado de Acla. Não se conhece o destino dos restos mortais de Balboa, pois os documentos históricos não falam sobre o que ocorreu após o cumprimento da sentença.

E foi assim que Francisco Pizarro, ao entregar Vasco Nuñez de Balboa, conseguiu o apoio de Dávila para a organização da expedição que o levaria à “conquista” do Peru. Mas essa é uma outra história…

A invasão norte-americana

O último tratado entre EUA e Panamá aconteceu em 1977, assinado pelo general Omar Torrijos, que em 1981 morre em um “suspeito” acidente aéreo. Em 1983 assume o comando militar do país, o general e colaborador da CIA, Manuel Antonio Noriega; quem em 1986 é acusado de envolvimento em operações dos cartéis colombianos de drogas e no assassinato do seu opositor, Hugo Spadafora. Ao tentar destituir Noriega, em 1988 o presidente Eric Delvalle é deposto e em 1989, o general anula a eleição vencida pelo oposicionista Guillermo Endara.
Em dezembro de 89 tropas estadunidenses invadem o Panamá para a captura do tirano. Um intenso bombardeio destruiu antigas casas de madeira (típicas no Caribe) nas proximidades do Casco Viejo. O ataque durou duas semanas e calcula-se que 3019 pessoas tenham morrido, na maioria civis das áreas mais pobres do país (os 19 eram militares dos EUA). Foi a conhecida Operação Causa Justa.
Em 03 de janeiro de 1990, Noriega é capturado pelo exército americano (algumas fontes citam que ele se entregou). Ele foi julgado em Miami e condenado a 30 anos de prisão como prisioneiro de guerra por tráfico de drogas e extorsão. No Panamá, ele já havia sido condenado à revelia pelos crimes de violação de direitos humanos e assassinato. Noriega também rendeu um filme, “Noriega – O favorito de Deus” (título original: Noriega: God’s Favorite), vale a pena para quem quer saber mais.

Vista do Casco Antiguo a partir da Cinta Costeira – Foto: Silnei L Andrade/Mochila Brasil

Onde ficar na Ciudad de Panamá

Opções de hostels e hotéis econômicos em Panamá City clicando aqui.

Como chegar

Via Colômbia
Chegamos na Cidade do Panamá através de um vôo de 40 minutos de Cartagena, Colômbia, pela Copa Airlines.
A idéia inicial da viagem era seguir por terra de São Paulo até a Guatemala, mas infelizmente não há estradas que liguem a América do Sul à América Central. A região de fronteira entre Colômbia e Panamá abriga a Selva de Darién, uma das mais perigosas florestas do mundo, não só por eventuais ações de guerrilhas, mas por ter sua natureza intocada (ainda que, algumas regiões da Província de Darién estejam ameaçadas pelo desmatamento).

Via Brasil
Quem tem planos de conhecer toda a América Central ou queira ir somente ao Panamá (o que já vale o investimento) e está sem tempo de percorrer longos trajetos em ônibus como fizemos, deve voar do Brasil direto para Cidade do Panamá.
Copa Airlines, Taca, Avianca, Aeromexico, American Airlines, Delta Airlines e United Airlines operam o destino (por exemplo, a partir de São Paulo-SP).

Importante

Circulando pela cidade – Apesar de aqueles ônibus escolares americanos adaptados super coloridos serem uma atração por si só, circular de taxi na capital panamenha é bastante econômico e o mais recomendável. Inclusive muitas vezes o taxi pode parar e pegar mais pessoas, como se fosse um coletivo. Pergunte e ou combine quanto ficará a corrida antes de entrar no veículo e não haverá problema nenhum!
Visto 
– Brasileiros com passaporte válido (atente para que ele não venha a expirar dentro de menos de 7 meses) não precisam de visto para entrarem no Panamá nem em outros países da América Central, exceto Belize (mais informações sobre viagens pela América Central, nas próximas edições).

>> Talvez você se interesse também por:

San Blás um autêntico destino mochileiro, um dos mais imperdíveis da América Central e por obter mais dicas do Panamá com outros viajantes clicando aqui!

Fotos:

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Escrevo por aqui, sempre pensando em estar por aí... | Co-fundadora do site Mochileiros.com

4 Comentários

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  1. wenderson

    28 de dezembro de 2013 em 11:08

    Oi Cláudia, tudo bem?
    Gostei de mais do blog e ainda mais da sugestão de viajar pro Panamá.
    Tenho duas dúvidas e você pode me ajudar =)
    Seria aconselhável ir sozinho?
    Sem contar as compras, somente serviço e passagem quanto seria um gasto médio em reais?
    Obrigado!

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América Central

Camino de Costa Rica: Do Atlântico ao Pacífico trilha explora do país

Mochileiros.com

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Os amantes da natureza têm mais uma opção na Costa Rica: o Camino de Costa Rica. De mar a mar (do Atlântico ao Pacífico) a trilha é um convite a explorar o coração do país. O percurso de cerca de 280Km sai de Barra de Parismina, província de Limón (no Atlântico) e termina em Quepos, província de Punta Arenas (no Pacífico) e passa por áreas de preservação e parques nacionais.
Ao jornal La Republica, o presidente da Associação Mar a Mar, idealizadora do projeto, Felipe Carazo disse que a rota é dividida em cinco frentes, tem uma espinha dorsal, mas trajeto flexível. “Queremos que organicamente sejam geradas alternativas a outras importantes rotas do mundo como o Caminho de Santiago de Compostela ou a Trilha Inca”.
O grupo que não tem fins lucrativos quer atrair turistas de todo o mundo para desenvolver o turismo sustentável local. Buscam “manter a consistência cultural, que seja inclusivo e respeitoso com o meio ambiente e que as pessoas encontrem novas experiências gastronômicas, extraordinária flora e fauna e variedade de paisagens”.
Operadores de turismo organizam o operativo como oferecendo hospedagem e alimentação, há algumas áreas de camping também, desenvolvidas pela Mar a Mar.
Ainda segundo a publicação, os preços variam segundo as condições de cada comunidade.

Camino de Costa Rica

Esticadinha: Parque Nacional Manuel Antonio, um dos mais belos do país fica a cerca de 7Km da cidade de Quepos | Foto: Martin Garrido/Flickr Creative Commons

Barra de Parismina | Foto: World Wide Gifts/Flickr Creative Commons.

Trajeto principal

Mapa do Camino de Costa Rica

Foto: caminodecostarica.org

Canales de Barra de Parismina-Cimarrones (Siquirres)
Cimarrones (Siquirres)-Pacayitas (Turrialba)
Pacayitas (Turrialba)-Parque Nacional Tapantí (Orosi)
Parque Nacional Tapantí (Orosi)-Muñeco de Navarro (Orosi)
Muñeco de Navarro (Orosi)-Cerro Alto (Cartago)
Cerro Alto (Cartago)-Jardín de Dota (Dota)
Jardín de Dota (Dota)-Nápoles (Tarrazú)
Mais detalhes das vilas que fazem parte do trajeto podem ser conferidos aqui.

Quão difícil é o Camino de Costa Rica?

O Caminho tem dois dias recomendados para caminhantes de nível avançado e três para os de nível intermediário. O resto são para pessoas em bom estado físico que tenham alguma experiência com caminhadas de mais de 15Km. O site da trilha também alerta sobre a necessidade de uso de equipamento, roupas e calçados adequados, bastões de trekking, gorro e capacidade de carregar 3 litros de água.

Ricas fauna e flora pelo caminho | Foto: CaminodeCostaRica.org

No último dia 23 de fevereiro, o presidente do país, Luis Guillermo Solís declarou o Camino de Costa Rica projeto de interesse público. “Este tipo de turismo coincide perfeitamente com o que busca o país: uma oferta turística que faça com que o visitante fique mais dias aqui, que interaja e se nutra de nossa gente e que gere impacto em diferentes áreas do território e não só em pontos específicos”, comentou o presidente em evento que anunciou o projeto como sendo de interesse público.

Mais informações sobre o ‘Camino de Costa Rica’ podem ser obtidas no site: https://www.caminodecostarica.org/


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Brasileiros contam como é cruzar fronteiras de carro

Mochileiros.com

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Por ‘Por la carretera’*

Dia de cruzar fronteira é dia de levantar cedo, dirigir algumas horas e ter muita, mas muuuita paciência, boa disposição e um belo sorriso no rosto para enfrentar burocratas mal humorados, que geralmente não estão muito a fim de ajudar. E claro, de ter um lanchinho extra na Maria pra enfrentar toda papelada!
Os procedimentos fronteiriços variam um pouco de país para país, mas basicamente são os mesmos passos.
Começamos com a saída do país onde temos que dar baixa no documento de importação temporária o TVIP (ou Temporary Vehicle Import Permit). Isso mesmo, pra cada país onde entramos com a Maria Gasolina, primeiro temos que ter nossos passaportes carimbados pela Imigração, e depois precisamos fazer a tal importação temporária. Tudo isso é regado a muitas filas, carimbos, seguros e uma tentativa de ganhar uma propina aqui ou acolá!

Nossa vida nômade não é feita só de alegrias, praias paradisíacas, belas paisagens e curtição: Entre uma praia paradisíaca e uma nova curtição, as vezes temos que cruzar uma fronteira! | Foto: porlacarretera.com.br

Fronteira à vista! Muita paciência e bom humor nessa hora e a papelada em dia | Fotos: porlacarretera.com.br

Em muitos países encontramos os “tramitadores”, uma galera que fica junto a fronteira esperando algum estrangeiro desavisado e que não fale espanhol, “oferecendo” seus préstimos como despachantes, ajudando a realizar os procedimentos fronteiriços. Nunca, nem uma vez usamos tais “serviços”. Sendo que ao se aproximar de uma fronteira, muitos destes “tramitadores” ficam na estrada, usando jalecos nada oficiais tentando parar algum desavisado que pode, inclusive, confundi-los com agentes oficiais. Uma vez, acho que foi saindo de El Salvador, há uns 3 km da fronteira com Honduras, um desses “prestadores de serviço” quase se atirou na frente da Maria Gasolina. Não paramos. O cidadão não satisfeito, pulou na carona de uma motoca e começou a nos perseguir! Dirigindo ao nosso lado e “mandando” a gente parar (o que obviamente, não fizemos)! Poucas vezes eu vi a Caína xingando alguém! Essa foi uma das ocasiões. Ela começou a gritar para o cidadão em espanhol raivoso, e eu tentava acalma-la! Depois do cara ouvir umas boas da Cá ele desistiu… Outra vez, entrando na Guatemala havia um time desses “tramitadores” no meio da rua e eu dizia pra Caína: é melhor eles sairem da frente, por que eu não vou parar! Eles saíram. É sempre bom deixar bem claro que você não tem interesse no serviço e não quer a ajuda, para que eles saim de sua volta e não venham te cobrar nada mais tarde.

Taxa de saída da Costa Rica: paga | Foto: porlacarretera.com.br

Os Documentos

Como já disse, cada fronteira tem seu procedimento. Mas basicamente você precisa passar pela imigração para sair do país, pagar alguma taxa no banco que fica no outro lado da rua ou em um guichê ao lado, depois ir a aduana para cancelar sua Importação Temporária. Algum funcionário vai até o carro e faz uma “inspeção” no veículo, que geralmente é conferir placas e número do chassis (ou VIN number).

Será que alguém pode me atender por aqui? O papo ali tá bom, mas eu só quero meu carimbo! Acho que ele tá esperando um carimbo também | Fotos: porlacarretera.com.br

Acho que agora vai! Quase… Carimbado!| Fotos: porlacarretera.com.br

Inspeção Tabajara e lá vamos nós prontos para sair do país! Fôlego que a segunda parte é pior! | Foto: porlacarretera.com.br

Pronto! Você já pode ir para a próxima etapa: que consiste em estacionar o carro junto ao prédio da Imigração do próximo país, e mais uma vez, com muita paciência e seu melhor sorriso ir para alguma fila. Do outro lado do balcão, dependendo da boa vontade e ânimo do servidor, ele vai te explicar os próximos passos. Que geralmente são os seguintes:

1) fazer seguro para o veículo. Geralmente tem algum pequeno escritório que vende seguros e faz cópias ( ah! você vai precisar de muitas cópias!!!)

2) seguro feito, você entra na fila da imigração. Se der azar e chegar junto a 1 ou 2 ônibus a fila será bem longa! Ali você vai ter seu passaporte carimbado e vão te pedir cópias: do passaporte, do documento do carro, do seguro, da sua carteira de motorista (no caso a minha CNH brasileira mesmo!)

3) Da imigração passamos a Aduana. Ali mais uma vez você deverá apresentar cópias de tudo! A maioria dos países vai cobrar alguma taxa (mais uma fila de um banco, geralmente no mesmo prédio ou atravessando a rua). Taxa paga, você deverá apresentar o título ou documento de propriedade do veículo, passaporte, seguro , comprovante do pagamento da tal taxa e óbvio: Cópias de tudo isso! Um detalhe importante é prestar atenção se todos os dados do documento estão corretos (número do passaporte, placa do carro, numero do chassis), mais de uma vez tive de pedir para que algum dado fosse corrigido! Pode ser uma enorme dor de cabeça ter algum dado errado no momento de deixar o país! Uma situação engraçada é a cor da Maria! Cada lugar dão uma cor diferente para ela! No documento americano não menciona a cor, em alguns lugares ela foi cinza, noutros marrom, bege ou até dourada! Que cor você daria pra Maria???

Maria Gasolina estacionada para os trâmites fronteiriços do Panamá… seguro e cópias do outro lado da rua e a fila da imigração| Fotos: porlacarretera.com.br

Agora é a aduana… | Foto: porlacarretera.com.br

Acha que tá tudo pronto? Nops!

4) Agora é a vez de revisarem o carro! Quase todas as vezes a pessoa encarregada confere placa e chassis, dá uma olhada dentro do carro e ao ver tudo que carregamos, acaba nos deixando seguir.

5) Para terminar vem a fumigação! (alguns países esse procedimento acontece antes dos 4 primeiros citados!). Mais uma vez tem de se pagar uma taxa que geralmente é em torno de 1 US$, uma vez com o comprovante de pagamento passamos com o carro por um tipo de “lava-jato” que fumiga um veneninho na pobre Maria Gasolina!

Agora só falta a fumigação | Foto: porlacarretera.com.br

Prontos para seguir Por la Carretera? Ainda não! Geralmente um pouco depois de todo esse processo vai haver uma cancela, ou barreira policial onde você será parado e terá de mostrar passaporte, o documento de importação temporária e/ou a carteira de motorista. Agora sim… Prontos para descobrir novos caminhos nesse novo país!

Ah! No todo esse processo pode levar de 3 a 4 horas. A saída sempre é mais fácil e rápida!

Yeah! Missão cumprida! Depois de 1hora e meia na saída da Costa Rica e 2 na entrada do Panamá| Fotos: porlacarretera.com.br

*Os porto-alegrenses Cá (Caína) e Lú (Luciano) estão vivendo viajando de carro e acampando pelas Américas.
Em janeiro de 2018 eles completaram um ano de vida nômade na estrada, ou “Por la Carretera”, uma experiência que os tem transformado e tocado.
Confira belas imagens e acompanhe um pouco desta história no site e na página deles no Facebook.


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América Central

A aventura mais longa, cansativa e perigosa da minha vida

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Um dia você acorda e decide fazer uma trilha em um vulcão ativo, o que você não sabe é que essa vai ser a aventura mais longa, mais exaustiva, mais difícil e mais perigosa da sua vida.

Se você tem problemas nos joelhos, nos tornozelos ou não quer sujar sua roupa é melhor não continuar lendo

Dados gerais da trilha

*Localização: Vulcão Concepcion (sul da Nicarágua)

*Percurso total:  13km [ida e volta]

*Duração subida: 5h00

*Duração descida: 5h00

*Ponto mais baixo: 150m

*Ponto mais alto: 1500m

*Nível de esforço físico: Máximo

*Nível de dificuldade de orientação: Alto

*Nível de beleza da paisagem: Mínimo

Entendendo a aventura:

Ometepe é uma pequena ilha no sul da Nicarágua que abriga dois vulcões (um ativo), florestas tropicais e muita natureza… enfim um prato cheio para quem gosta de aventura.

Desde o momento que eu entrei naquele barco e avistei o vulcão longe no horizonte eu sabia:

“Não posso sair dessa ilha sem subir lá”, durante toda a viagem eu só pensava o quanto o dia estava lindo e como a o vulcão tornava aquela paisagem perfeita, era com certeza o vulcão mais lindo que eu já tinha visto na minha vida.

Tão logo me acomodei no povoado comecei a buscar as informações necessárias para a trilha (tanto localmente quanto pela internet). As informações não eram muito agradáveis, todos eram muito enfáticos sobre a necessidade de um guia, as agências e guias autônomos não ofereciam nenhum benefício adicional (água, comida ou transporte) e cobravam a partir de 25 dólares pelo serviço.

Gostaria de abrir um parêntese neste relato para deixar claro que eu respeito muito o trabalho dos guias, seja em turismo de aventura ou em passeios mais tranquilos. E as minhas decisões a seguir não tem nada a ver com a experiência ou a qualidade do trabalho destes profissionais.

Mesmo para grupos maiores o valor não melhorava, todos os guias da ilha cobravam este valor por pessoa inviabilizando qualquer tipo de barganha.

Pode parecer pouco, mas para a realidade da Nicarágua 25 dólares é bastante dinheiro. Para fazer uma comparação eu gasto aqui por dia: 5 dólares hospedagem, 2 dólares uma refeição (arroz, feijão, frango, batata frita, salada e suco) e mais 1 dólar para água e um lanche… total 10 dólares por dia.

Não é possível que todo mundo pague isso! Vou procurar uma galera e ir por conta própria!”

Eis que eu me deparo com um conflito cultural desagradável:

A maior parte dos turistas na américa do sul são europeus (vocês não têm ideia de como eu fico indignado de nossa gente preferir ir a Europa do que explorar as maravilhas que temos aqui, mas isso é um desabafo para outro texto). E se alguém diz a um europeu que ele PRECISA pagar algo, ele não questiona nem pechincha, paga e segue a vida. Sendo assim eu não achei ninguém disposto a seguir a aventura comigo, pois o argumento dos guias era bem objetivo:

Você não pode escalar o vulcão sem guia, é ilegal”

Pão duro convicto e determinado a não pagar por uma “companhia de caminhada” mais do que eu pago por todo o resto, comprei comida e água e me preparei para partir sozinho no dia seguinte.

A companhia inesperada

O primeiro ônibus público em direção ao vulcão saí as 5h da manhã e o segundo apenas as 8h, sendo assim dormir um pouco mais não é uma opção, considerando que a trilha tem previsão de duração de 10 horas e começar às 8h poderia resultar em ainda estar no vulcão após escurecer, incorrendo em mais perigo desnecessariamente.

As 4h30 me sentei naquela parada de ônibus e junto comigo vieram todos os cachorros da ilha. Eu ainda não entendi o que aconteceu, eu não fiz barulho nem brinquei com eles, mas enquanto caminhava na rua todos os cachorros resolveram acordar e me seguir, alguns brincando entre si e outros brincando comigo.

Quando o ônibus chegou, sem pedir licença ou sequer pagar a passagem um dos cachorros decidiu entrar comigo. Apesar do meu espanto o motorista reagiu normalmente, falou que este cachorro está acostumado a subir a montanha e podia até ser meu guia.

A trilha

O ônibus me deixou bem na entrada da trilha e apesar de ainda estar escuro não foi difícil encontrá-la. A trilha começa em uma fazenda e mesmo com pouquíssima sinalização o primeiro km é bem tranquilo, praticamente plano e sem nenhum desafio.

Depois desse aquecimento a trilha entra em área de floresta, o dia já está clareando, macacos gritam de todos os lados e de vez em quando meu cachorro guia corre atrás deles, mas sempre regressa ao seu posto de trabalho.

A partir deste ponto a trilha vai se tornando mais difícil, o caminho enlameado e escorregadio em alguns momentos preciso me apoiar nas árvores para não cair. O ganho de altitude é cada vez mais intenso e as pausas para descansar mais frequentes.

Duas horas depois de começada a trilha chegamos a um abrigo improvisado, ali estamos a 900m de altitude, aproveito o local para fazer um lanche e recuperar as energias… divido minha água com Gabriel, o agora batizado guia canino, e seguimos para a segunda metade da trilha.

A escalada

20 minutos após a cabana a floresta acaba, estamos em um campo totalmente aberto composto por rochas vulcânicas, areia e vegetação rasteira. Na cidade os guias falam que 50% das pessoas chegam até aqui e decidem voltar; e não é difícil entender o porquê: o vento é frio, forte e as rajadas súbitas quase me derrubam algumas vezes, a trilha se torna inexistente é preciso caminhar sobre as rochas com muito cuidado para não escorregar ou causar uma avalanche. Esse é o ponto que separa os meninos dos homens, ou melhor os homens dos malucos.

Gabriel não se mostra intimidado, e num sentimento de: “se ele consegue eu também consigo”, decido seguir em frente.

Deste ponto em diante o mapa que tenho comigo, um bom senso de orientação e Gabriel foram fundamentais para seguir o caminho. Não existe qualquer indicação da trilha a cada passo é preciso analisar qual o passo seguinte. E por falar em passos neste momento estou andando semelhante a um gorila, utilizando os pés e as mão para consegui um pouco de apoio e não escorregar. Não resta dúvida do porquê todos são tão incisivos ao dizer que esta é uma trilha perigosa.

Seguimos devagar, eu sempre preocupado com ele e com como seria o caminho de volta, e ele com aquela cara inocente de quem diz “vamos lerdo, você consegue!”.

Não tenho mais noção nenhuma de a que altura estamos ou quão pior pode ficar, mas pelo meu mapa pareço estar mais perto que longe e me agarro neste pensamento para conseguir seguir em frente.

Por duas vezes me perco da trilha original e sou forçado a voltar um pouco para reencontra-la, na segunda vez eu estive prestes a desistir, mas a falha de comunicação entre mim e meu guia fez com que ele seguisse em frente e eu tive que ir atrás para não abandona-lo.

Duas horas e meia depois de iniciada esta fase da trilha, percebo que o chão está ficando quente (como uso as mãos para me apoiar é fácil perceber a diferença), o cheiro de enxofre fica mais forte e tudo indica que estamos chegando ao final. Neste ponto cansaço, dor, frio, medo e ansiedade se transformam em determinação e ganho um impulso final para conseguir terminar.

Quando finalmente chegamos ao topo do vulcão começa a chover, o vento é frio e o enxofre sufocante, precisamos descansar rápido porque é perigoso passar muito tempo ali.

A volta

A primeira parte do retorno é a mais difícil e eu estou o tempo todo agachado deslizando devagar. Neste ponto encontro dois outros grupos subindo, todos ficam muito surpresos em eu estar caminhando sem guia e mais ainda de ter um cachorro comigo, mas um dos guias o reconhece e conversamos um pouco.

Levei cerca de 3 horas para chegar até o abrigo no final da floresta, mas mesmo sabendo que ainda teria mais 2 horas de caminhada até o ponto de ônibus me senti aliviado porque o caminho final era menos perigoso e sem riscos de me perder.

Fotos

Esta é a parte mais irônica da aventura. Em geral após caminhar horas ou fazer travessias difíceis somos recompensados com paisagens de tirar o folego, onde os mochileiros se orgulham de tirar fotos e mostrar para os amigos. O vulcão Concepcion não te permite isso.

Não importa em que época do ano você vai, ou quão ensolarado está o dia. Existe algum fenômeno climático que eu desconheço (se alguém souber por favor me explique) que torna o topo do vulcão sempre encoberto por nuvens. Estive durante uma semana na ilha e houve dias que as únicas nuvens no céu estavam ao redor do vulcão parecia que havia um imã ali.

Como consequência direta disto nenhuma das minhas fotos ficou boa. Esta é definitivamente uma aventura pela satisfação pessoal de superar meus limites e saber que sou capaz do que propriamente para admirar a natureza.

 


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América Central

36 dias por 7 países da América Central

Mochileiros.com

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Por Renan Prestige‎

Galera, fiz um mochilão de 36 dias, passando por 7 países da América Central. Um destino ainda pouco explorado pelos brasileiros, mas de uma riqueza ímpar. Acho importante quebrar alguns paradigmas a respeito da América Central, já que o mundo não se resume somente a Europa e EUA, por isso venho aqui fazer um mini relato e dar algumas dicas.

Primeiro, todos os países que passamos foram super tranquilos e seguros em relação a nós, turistas, com exceção única de Honduras, por ser um país tomado por milícias. Todos os países possuem ótima infraestrutura para turistas, com ótimas opções de acomodações e para todos os bolsos. Desde hostel até resorts. A maioria dos hostels giram em torno de 20 dólares a diária, inclusive em quarto privado em baixa temporada. A comida, ah essa é maravilhosa!

Passamos por Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, Guatemala, Belize e México (América do Norte). Voo de ida para San Jose, capital da Costa Rica e de volta pro Brasil saindo de Cancun. Basicamente, América Central é um mochilão barato. O único país em que se gasta mais é a Costa Rica, por ser extremamente dolarizada. Fizemos alguns trechos de carro e outros de bus, micro, carona e etc.

Caye Caulker, Belize

De modo geral, em termos de beleza natural: Costa Rica, Panamá e Guatemala foram meus preferidos. Em termos de cidades históricas e coloniais: Nicarágua. Caye Caulker, é uma ilha em Belize que moraria pro resto da vida lá. Sabe aqueles filmes em que as pessoas vivem felizes e sem preocupação nenhuma em uma ilha. Pois é, essa é a vibe dessa ilhazinha. Meio Jamaica, meio artesanal. Surreal!

Roatan, Honduras – Foto: Renan Prestige‎


Em termos de lugares para conhecer, na Costa Rica não deixe de ir a Puerto Viejo de Talamanca (povoado hippie caribenho com praias virgens), Monteverde (a meca de esportes radicais – leve um casaquinho, pois faz frio à noite), Manuel Antonio ( o pacifico mágico), visite algum vulcão (Arenal, Poas e etc.), vá à Malpais e suas praias perdidas.

Cayo Coral, Bocas del Toro – Panama

Quanto ao Panamá, Bocas Del Toro é parada obrigatória. Nicaraguá e a Isla Ometepe (conheça antes que ela suma do mapa. Me apaixonei pelas pessoas de lá), as cidades históricas: Granada e Léon. Em Honduras não deixe de conhecer as ilhas Roatan e Utila. Guatemala, esqueça da vida no Semuc Champey, mas esteja preparado para perder horas para chegar nesse paraíso perdido de difícil acesso. Belize, como mencionei Caye Caulker é o lugar e o sul do México e suas águas cristalinas.

Vale muito a pena sair da redoma e circuito Europa e EUA para conhecer essa cultura linda centroamericana.

Criei um instagram com todo nosso roteiro, dicas e custos. Quem quiser, dá uma conferida lá! @amigosporai https://www.instagram.com/amigosporai/

Postado originalmente no grupo Mochileiros em: https://www.facebook.com/groups/mochileiroscom/permalink/10154031872662260/?match=cmVsYXRv


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Costa Rica

Turistas impedem tartarugas em risco de extinção de desovar em reserva natural

Claudia Severo

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A cena é triste. Centenas de turistas encheram as praias da Reserva de Vida Silvestre Ostional, no Estado de Guanacaste, na Costa Rica, impedindo as tartarugas marinhas de botarem seus ovos no local. Como se não bastasse a simples presença em massa dos ‘humanos’, eles tocaram os animais, pisaram em seus ninhos, fizeram fotos com flash e alguns inclusive colocaram seus filhos sobre as tartarugas para tirarem fotos.
Muitas das tartarugas voltaram ao mar sem colocarem os ovos e portanto, sem a possibilidade de reproduzirem-se o que é especialmente grave, levando-se em conta que essa espécie, a Lora, é classificada como vulnerável.
“Era tanta gente na praia que as tartarugas tropeçavam nas pessoas e algumas voltaram ao mar sem concretizar o processo de nidificação. Isso sem dúvida é um impacto negativo”, afirmou um integrante do Ministério do Meio Ambiente local em publicação feita no jornal argentino, La Capital.
Foto: SITRAMINAE.

Foto: SITRAMINAE.

Todos os meses as praias da reserva recebem a visita massiva de Tartarugas Lora, o que é chamado de “arribada”, mas desta vez, vários fatores como promoção através das redes sociais e condições climáticas favoráveis levaram a um descontrole turístico. Segundo a publicação, o processo foi prejudicado também porque as pessoas ingressaram à praia sem guia, o que é proibido.
As autoridades asseguraram que já estão tomando medidas para que a situação não volte a ocorrer.
O espetáculo de insensibilidade e ignorância por parte dos visitantes e de negligência das autoridades competentes ocorreu na semana passada.

Foto: SITRAMINAE.

Foto: SITRAMINAE.

Foto: SITRAMINAE.

Foto: SITRAMINAE.

Foto: SITRAMINAE.

Foto: SITRAMINAE.

Foto: SITRAMINAE.

Foto: SITRAMINAE.

Quem deseja se aprofundar no tema, aqui há um texto (em espanhol) bastante completo e interessante sobre.

Fotos: SITRAMINAE (Sindicado de Trabajadores de Ministério de Ambiente y Energia).


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Costa Rica

Costa Rica fecha zoológicos para proteger o meio ambiente

Claudia Severo

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A Costa Rica não terá mais zoológicos. Pelo menos estatais.
O Parque Zoológico Simón Bolívar, que fica no centro de San José será um jardim botânico e o Centro de Conservação, no bairro de Santa Ana, também na capital, será um parque natural urbano.
“Estamos enviando uma mensagem ao mundo. Queremos ser congruentes com nossa visão de país que protege a natureza”, disse Ana Lorena Guevara, vice-ministra de Meio Ambiente da Costa Rica à BBC Mundo, que publicou as informações.
Ainda de acordo com a publicação a ministra informou que há uma grande quantidade de zoológicos privados no país, com uma visão de resgate e preservação que continuarão funcionando.
A Costa Rica ocupa 0,03% do território da superfície da terra, mas segundo cientistas, ali estão 4% de toda a biodiversidade do planeta.

Nós conhecemos um pedacinho do país. [Leia a matéria aqui]

Nos parques, vários ‘alertas’ como os do cartaz abaixo.

Cartaz alerta sobre emissão de CO2 pelo tráfego aéreo | Foto: Claudia Severo/Mochila Brasil

… e ao lado, lindo, leve e livre (como achamos que deve ser) o Guardabarranco. Quer marketing melhor?!

Guardabarranco | Foto: Silnei L Andrade/Mochila Brasil

Com informações da BBC Brasil [ via ]
Na imagem que abre o post, entrada da Reserva Natural Parque Nuboso | Foto: Silnei L Andrade/Mochila Brasil


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América Central

As estradas mais bonitas da América Central

Claudia Severo

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Dando continuidade à “Semana estradeira” (quando apresentaremos uma pequena seleção das estradas mais bonitas do mundo), as estradas mais bonitas da América Central:

Queen’s HighwayEleuthera – Bahamas – Eleuthera é uma das ilhas do arquipélago das Bahamas. A ilha tem 180Km de comprimento e apenas alguns quilômetros de largura, cortados por essa estreita e bela estrada.

estradasmaisbonitas03

 Foto de My-Bahamas-Travel.com.

Ruta Panorâmica – Porto Rico – Também conhecida como como Ruta Panorámica Luis Muñoz Marin, a estrada é formada por outras quase 40 estradas interconectadas. Atravessa a Cordilheira Central do país e tem vários atrativos naturais, belos mirantes e um pouco da vida rural boricua.

...Atravezando uno de los pulmones de Puerto Rico!! (Ruta Panoramica! @igpuertorico #puertorico #boricua #boricuas

Foto de PeterPantojaSantiago.

Abre o post, uma imagem aérea de um ponto nas Bahamas. Foto de DEE PER VIAGGIARE.

Amanhã tem as mais bonitas estradas da América do Sul!

E você, conhece alguma estrada incrível na América Central? Deixe a sugestão nos comentários abaixo ou escreva pra gente ([email protected]).


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América Central

Semuc Champey – Guatemala

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O Monumento Natural de Semuc Champey é uma formação rochosa que cobre o leito do rio Cahabón e está localizado no departamento de Alta Verapaz, norte da Guatemala . A “ponte de pedra natural” segue por 300 metros sobre o leito do rio e forma piscinas naturais e pequenas cascatas em cor verde turquesa que são rodeadas por um vale com mata fechada. O acesso às piscinas é feito por um deck de madeira que margeia a formação. Há também uma trilha que leva a um mirante onde são feitas as fotos “aéreas” das piscinas. A trilha para o mirante tem 1,2km e dura em média 1h. Para ter acesso às piscinas é preciso pagar uma taxa de aproximadamente US$ 7 ou 50 quetzales. As cidades mais próximas de Semuc Champey são Cobán e Lanquin. Semuc Champey significa “Onde o rio se esconde na montanha”.

As piscinas naturais de Semuc Champey – Foto: Silnei L Andrade/Mochila Brasil

Como chegar:

Na cidade de Antigua há agências que oferecem o transporte de van até Lanquin

De ônibus:
De Guatemala City até Cobán é possível ir pela empresa Monja Blanca. De Cobán até Lanquin há diversas vans que fazem o trajeto. De Lanquin até um dos hostels próximos de Semuc Champey também há vans.

Ônibus Cobán x Guatemala City:
Transportes Monja Blanca
http://www.tmb.com.gt/

Onde ficar:

Há pousadas bem próximas ao parque e oferecem estadia all inclusive. Se pretende se hospedar em uma dessas, leve dinheiro em cash, pois só há caixas eletrônicos em Cobán, que está a 67km de Semuc Champey.

A outra opção é ficar em Lanquin que está a 10km de Semuc Champey.

Hostels/Pousadas próximas do Parque:

Hostal El Portal
Esse hostal possui pequenos e confortáveis chales. É o mais próximos de Semuc.
http://www.hostalelportaldechampey.com/

Fotos:

 


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América Central

Você sabe o que é chepecletear?

Claudia Severo

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Além das infinitas atrações em meio a natureza, a Costa Rica também é bastante curiosa em termos culturais. Na capital San José uma das opções é Chepecletear!
A língua faz parte da cultura e atrativos de um país e por ali o termo refere-se a nada mais nada menos que José+passear de bicicleta.
Vamos tentar explicar: No país, é comum os ticos* chamarem sua capital, San José, de Chepe – um apelido para José que também pode ser chamado de Pepe. Tira-se o San e está aí mais um curioso (para nós) vocábulo local.

Bicicleta é opção para conhecer San José / Foto: Divulgação

E onde a bicicleta entra nisso?
É cada vez mais comum, sobretudo nas capitais, o incentivo ao uso de transportes públicos (na tentativa de melhorar o trânsito, a qualidade de vida, meio ambiente etc) e à bicicleta. Então, nada melhor que conhecer um pouco da capital pedalando.
Existe na cidade até serviço especializado, oferecendo inclusive passeios noturnos; uma maneira interessante de conhecer San José, sem dúvida.
No http://www.chepecletas.com/ você pode conhecer rotas (a pé ou em ‘bici’, noturnas ou diurnas, temáticos como arquitetônico, cultural, gastronômico e para variados públicos), horários e preços. Há também tours free que são passeios previamente programados e que partem pela cidade com no mínimo 5 pessoas.
Se você vai à San José e pretende fazer um dos passeios é melhor tentar agendar antes, pois o número de vagas é limitado (tanto para o tour gratuito quanto para os pagos).
Na fanpage do ChepeCletas no Facebook você também encontra mais informações e fotos.

Considerações
É inevitável fazer algumas considerações sobre o serviço oferecido:
A favor: Conhecer um lugar a pé ou de bicicleta aproxima mais o viajante da realidade local sem dúvida e enriquece ainda mais sua viagem.
Contra:  Obviamente que como em todo tour, existem lugares parceiros da empresa onde os visitantes serão levados/apresentados, geralmente são pequenos comércios (restaurantes, lojas etc) alguns valem até a pena, são verdadeiros achados, outros nem tanto. De qualquer forma, com tour ou sem, em San José ou qualquer parte do mundo, vale o bom senso: você não é obrigado a consumir nada nesses locais se não quiser.
Outro ponto que pode pesar para alguns é que alguns passeios são feitos em grupos bastante grandes.

Dica: Com ou sem tour não deixe de dar uma passadinha (à noite) no El Pueblo em San José. Numa espécie de ‘mini vila colonial’ há bares bem legais, música, lojas de artesanato e até danceteria.

Experiências, dicas e informações de outros viajantes sobre viagens em bicicleta aqui

 

Como chegar à Costa Rica

Chegamos à Costa Rica vindos do Panamá, mais precisamente do Terminal Albrook na Cidade do Panamá (saímos de SP rumo à Bolívia, passando por Peru, Equador, Colômbia, Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, El Salvador e Guatemala), por terra, mais precisamente de ônibus, com o “Tica Bus”. Preços, horários e itinerários podem ser vistos em: http://www.ticabus.com/mapa.html
O Tica Bus roda por toda a América Central (exceto Belize), tem terminais nas capitais e vai até Tapachula, no México.
Se você vai de avião à Costa Rica, passagens de ida e volta são necessários para a entrada no país.
Nós, como fomos de ônibus do Panamá para lá não precisamos. Só é um pouco cansativa a passagem pela fronteira entre os dois países,  nada comparada à volta cuja entrada é a partir da Nicarágua. Burocracia, revistas, perguntas e fila, muita fila! Os costa-riquenhos sofrem com uma considerável  e não desejada (pelo que notamos por conversas com alguns ticos*), “invasão” nicaraguense.

Opções de hospedagem na Costa Rica aqui

 

+ informações relevantes

Brasileiros com passaporte válido (atente para que ele não venha a expirar dentro de menos de 7 meses) não precisam de visto para entrarem na Costa Rica e sem visto podem ficar por lá até 90 dias. Se você quer informações mais específicas sobre visto como, por exemplo, de trabalho, ou residente pode obtê-las em http://www.migracion.go.cr

É preciso levar o comprovante (internacional) de vacina contra a Febre-Amarela para entrar no país.

Os produtos e ou serviços na Costa Rica, assim como em outros países da América Central têm um imposto, ou embutido, ou acrescido sobre cada artigo. Antes de achar que algo está muito baratinho confira se já está incluso o imposto de 13% (Veja se há algo escrito, porque se você perguntar vai ter que confiar na honestidade da pessoa que pode dizer que não e cobrar-lhe a mais!).

A moeda nacional é o Colón, mas dólares americanos e euros são aceitos por toda parte. É sempre bom ter algo em moeda local no bolso (em qualquer destino) para evitar cotações apressadas e desatentas fazendo com que você perca seu suado dinerito na conversão.

Uma coisa que pode gerar certa confusão é com relação aos endereços das ruas. Comumente os costa-riquenhos utilizam um ponto de referência e algo de coordenadas geográficas.  Exemplo:  “100m Este Del Ministerio del Trabajo, barrio Tournón” (seria algo como 100m a leste do prédio do ministério do Trabalho, bairro Tournón) ou Costado Este del Puente Juan Pablo II, sobre Autopista General Cañas (Canto leste da Puente Juan Pablo, sobre a estrada General Cañas). Santo ponto de referência! Difícil pra nós não?! Então mapinha na mão e muita atenção quando pedir informações em postos, no hotel/hostel/pousada e a pessoas confiáveis.

Na internet

http://www.visitcostarica.com  (Muito completo, traz informações gerais sobre o turismo no país. Em espanhol,inglês, alemão e francês)

http://www.actuarcostarica.com  ( Também nos quatro idiomas. Tem informações para quem está interessado em Turismo Rural na Costa Rica, cultural, para descanso ou aventura).

*Sua vó, mãe e até você já podem ter falado a palavra “pequeno” num diminutivo carinhoso do tipo “pititinho”, “pititico”. O “momento fofo” é só pra ilustrar (grosso modo), de onde vem o gentílico coloquial “Tico” referente aos costarricenses (em espanhol) ou costarriquenhos (em português).

Segundo a tradição, durante a guerra contra os filibusteiros na América Central (comandados pelo norte americano Willian Walker), soldados observaram que os costarriquenhos tinham o hábito de terminarem os diminutivos com “ico”, “ica” ao invés de “Ito”, “ita”, para, por exemplo, palavras como gato (gatito, gatico), pato (patito, patico); com relação aos compatriotas, seus hermanitos, eles afetuosamente chamavam hermaniticos.
Uma das companhias de ônibus que circulam por toda a América Central é a costarriquenha, “Tica bus”.

Esse “Ti” pronuncia-se como os nossos TA, TE, TO, TU. O TI seria pronunciado como falam, por exemplo, os pernambucanos (a maioria dos Estados brasileiros pronuncia o TI, como “tchi”, pelo meu modesto conhecimento de sotaques).

Se você pronunciar “tchica bus” estará falando “Rapaz bus” (do espanhol “CHico”). O mesmo para Tico.

OBS: Serve de regrinha básica da pronúncia em espanhol, assim como a letra J tem som de R (ou RR). Exemplo: “Ramón quiere un sandwich de jamón y queso” (Ramón quer um sanduíche de presunto e queijo – O indivíduo Ramón, tipo narração do Galvão Bueno quer … jamón… –  com som de RR de carro, carreta).


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