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América Central

San Blas – Panamá

Claudia Severo

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San Blás é aquele tipo de destino que quando você descobre não quer contar pra ninguém. Medo de que acabem com tudo, que transformem em mais um refúgio para milionários ou produto de turismo de massa.
Caribe. Areia branca, coqueiros, água cristalina (que com a luz do sol lhe mostra todos os tons azúis e verdes da Faber-castell 48 cores ou das palhetas do Photoshop com todas as suas variantes)…

Não bastasse a indescritível beleza, suas mais de 360 micro ilhas estão relativamente próximas à costa do Panamá, preservadas e sob a tutela da nação indígena mais organizada politicamente do continente americano, os Kuna: seguramente os guardiões do talvez “último paraíso (mochileiro) das Américas”.

Degradê - Foto: Silnei L. Andrade / Mochila Brasil

Degradê – Foto: Silnei L. Andrade /Mochileiros.com

Descobrimos San Blás conversando com outros mochileiros durante nossa jornada de 3 meses pela América Central (dezembro de 2007 a março de 2008). Os brasileiros que chegam às terras panamenhas costumam visitar Bocas del Toro, o Canal do Panamá e as regiões de serra e vulcões, também deslumbrantes mas as ilhas ah… são insuperáveis!
Ainda hoje, em 2012 são. Viajantes que visitaram as ilhas voltaram como nós há 4 anos, deslumbrados.
Na época, ao chegarmos no Brasil, pesquisamos no Google sobre o destino. Resultado: Não havia material jornalístico (na editoria de turismo ou não) sobre o local. Hoje, as editorias de turismo ainda não dedicaram espaço para San Blás, mas alguns mochileiros têm ótimos relatos em blogs ou na comunidade Mochileiros.com que apresentou o local para muitos, como os mesmos relatam.

Ainda que hoje uma estrada asfaltada tenha substituído a estrada de terra com paredões de barro de quase 90 graus de outrora e leve os turistas facilmente às ilhas e que na temporada o transporte pra lá seja mais concorrido, vale muito à pena visitar San Blás.
É certamente um dos lugares mais lindos do mundo, e ali você vai encontrar ricas cultura e história, de um povo símbolo de legitimidade e resistência, que é guardião de San Blás (ou Kuna Yala, nome oficial da Comarca).
Bem, mas apesar desse “escudo”, infelizmente a “invasão” turística (visitantes e barcos) já deixa seus sinais: lixo (garrafas pet, plástico etc) por alguns pontos do lindo mar caribenho.

A comarca Kuna Yala (Terra Kuna, na língua Kuna) tem uma área de 3.206 Km² e mais de 365 ilhas, 36 delas habitadas. Estão em 373Km da costa caribenha do Panamá e em parte do território colombiano (em ambos os países em terra e mar).

A capital da comarca é El Porvenir, onde há um pequeno aeroporto e alguma estrutura (hotéis, por exemplo). Alguns viajantes ficam hospedados ali, nós preferimos seguir para Carti Yandup, de onde partimos pra conhecer pedacinhos do paraíso.

 

Integração

Hospedados em uma cabana de uma família Kuna, pé na areia, paredes de bambú, telhado de palha… à luz de lampião, dormimos em redes, tomamos banho de canequinha (com todo o cuidado pra economizar a escassa água) e “encaramos” um banheiro pra lá de “alternativo” (pouco ecológico e nada confortável).
Na ilha só há um ponto coletivo com luz (captada por uma pequena placa de energia solar), que é aceso somente à noite. Já em El Porvenir, hotéis como o El Porvenir têm geradores ligados até as 21h.
Alí, onde ficamos, ao ar livre tomamos café e jantamos peixe, arroz e salada preparados pelos índios. Nos almoços o prato é mesmo, mas geralmente são servidos fora da ilha, pois todos partem dalí para outras ilhotas, as realmente paradisíacas (Carti Yandup seria uma base). E sim, eles levam o almoço até você! Às refeições todos os viajantes se integram e se integram mais ainda quando regados de uma cervejinha! Pois é, há cerveja gelada, água mineral e alguns produtos de primeira necessidade pra vender em espécies de armazéns, montados nas próprias cabanas das famílias. É uma forma de incrementar a renda local, tendo em vista que o turismo é a maior receita de San Blás.
Para entrar no território é preciso pagar uma taxa de US$ 6 por pessoa.

As ilhas

Bem, você já deve ter visto as fotos. Deve estar sem comentários… pois bem, eu também estou com dificuldades. Mergulhar naquele mar, pisar naquela areia e girar, e girar 360 graus e ficar tonto (literalmente) com tanta beleza parece no mínimo um exagero de quem está buscando adjetivos e não consegue achar, mas é real. Vá lá, depois adjetive e adjetive nos comentários ou no Mochileiros.com!

Como nosso papel é tentar passar pra você, entre outras coisas o que é bom e ruim (pra não entrar em “furadas”) dos lugares, tentaremos falar das principais ilhas em que estivemos, das que mergulhamos, comemos coco, conversamos com nativos, acompanhamos o preparo de uma refeição, compramos pão quentinho (!), bebemos água de coco (enquanto os nativos bebiam Pepsi) e, pasmem, na mais bela delas ficamos sozinhos!!!

O setor Cartí é o mais atrativo para os visitantes por abrigar diversas pequenas ilhas e corais. Pra se ter idéia somente no chamado Cayos Limón são mais de 30 pequenas ilhas, entre elas:

Isla Aguja – Seguramente a primeira bela surpresa do arquipélago. Toda beleza cênica local, mais um banheirinho com vaso sanitário e o melhor: a opção de se hospedar ali! Noite indescrítivel e, se tiver a companhia de outros viajantes imagine se aquilo não vira festa à altura das do filme “A praia”?!
Uma boa negociação (mínimo US$ 10) pode garantir-lhe a noite em rede fornecida pelo local ou espaço para sua barraca (deve levá-la) ali e certamente uma das experiências de viagem mais inesquecíveis de sua vida.

Isla Del diablo- A beleza continua com o adicional “conheça mais os Kunas”. Sim, ali com uma família super simpática acompanhamos o preparo de um almoço relâmpago: Pesca o peixe no mar, rala o coco, pica a banana, corta o limão, bota a panela na fogueirinha e lá está um autêntico prato Kuna. Dá pra ter boa conversa e conhecer um pouquinho do modo de vida deles.

Isla Perro- Unanimidade entre os questionados, a Perro é a mais linda ilha por onde estivemos. É cinematográfica e ali tivemos a sorte grande de ficarmos sós (mais a família local que seguia seu tranquilíssimo ritmo de vida enquanto nos extasiavamos com tanta beleza).

Um barco naufragado (barco hundido, em espanhol) está entre as ilhas Diablo e Perro. Alguns viajantes vão até ele com o snorkel e muito fôlego. Nenhum volta arrependido. O lugar é abrigo de inúmeras e belíssimas espécies de peixes.

O aluguel do snorkel custa US$ 3. Se tiver um é bom levá-lo. Além de economizar os US$ 3 às vezes não há snorkel suficiente pra todos.

 Isla Pelicano- Pequena. É aquele tipo de ilha encontrada em livro didático infantil. Parece um desenho: uma porção de terra (no caso areia branquinha), cercada de água com um monte de coqueiros super verdes e carregados da fruta.

Cenário paradisíaco – Foto: Silnei L. Andrade / Mochileiros.com

Locomoção e alimentação

Uma canoa de madeira com motor leva os turistas às ilhas. Os índios voltam à ilha “central” (no nosso caso a Carti Yandup) e dela trazem o almoço para você esteja em que ilha estiver. Claro que há de se ter bom censo e, se há vários viajantes, saber onde a maioria estará, senão não existe logística Kuna (ou outra) que dê certo.

Só o trajeto de uma ilha a outra é espetacular. Várias micro ilhas lindas, verdadeiros caprichos como a que tem um coqueiro só ou a Hormiga que tem apenas uma cabana Kuna.

O viajante com um pouco mais de tempo e com alguns dólares (US$ 50 por pessoa para um grupo de no mínimo 5) a mais no bolso, pode tentar se aventurar também pelas “Cayos Holandesas”. Conjunto de ilhas duas horas adiante dali. Infelizmente tem épocas do ano em que há muito vento e mar muitíssimo agitado (foi o nosso caso, em fevereiro, nem tudo é perfeito!) então, resolvemos parar em ilhas no meio do caminho. Nenhum arrependimento!!!

Dicas
Durante os trajetos, no barco, se não quiser “beber” muita água salgada, sente de costas à direção pra onde o barco vai. Sim, a repórter míope protegeu a lente de contato seguindo a dica do senhor Arquímedes (uma espécie de prefeito da Carti Yandup).

Levar uma câmera fotográfica subaquática pra lá é bem interessante. Outra coisa, acondicione muito bem em sacos plásticos o que levará no passeio às ilhas, pois é um verdadeiro “caldo”.

Também é legal levar para o passeio, barrinhas de cereal, biscoitos e/ou frutas e água mineral. Os três primeiros itens é melhor levar do continente, pois dificilmente encontrará à venda em Carti Yandup.

Tente evitar ir à San Blás no fim de semana. Com a facilidade de acesso que o asfalto gerou, por incrível que pareça (haja vista o número de ilhas) alguns pontos ficam cheios e comida e água ficam mais escassas.

Passeio de veleiro pela região – uma opção que pode agradar e muito os brasileiros é o Anima Mare, pois a anfitriã é uma mineira a Adriana, que com o marido vive na região de San Blás no veleiro do casal, oferecendo charter pelas ilhas.
O único porém (além do custo maior) é que, hospedado em uma das ilhas já com passeios quase pré-definidos com os índios, dificilmente você irá se deslocar à embarcação a não ser que queira fazer passeios mais prolongados pela região e que queira contar com a infra-estrutura de um veleiro. O oferecido é no mínimo 2 dias a partir de USD 170 por pessoa/dia.
Mais informações no: www.animamare.com

VISTO

Brasileiros com passaporte válido (atente para que ele não venha a expirar dentro de menos de 7 meses) não precisam de visto para entrarem no Panamá nem em outros países da América Central, exceto Belize (mais informações sobre viagens pela América Central, nas próximas edições).

Embarcação típica – Foto: Silnei L. Andrade / Mochileiros.com

Como chegar

Via Colômbia (ao Panamá)

Chegamos na Cidade do Panamá através de um vôo de 40 minutos de Cartagena, Colômbia, pela Copa Airlines.
Os impostos na Colômbia são exorbitantes, o que duplicam o preço anunciado da passagem, portanto não se espante com um valor relativamente alto por um vôo curto. Vale lembrar que passagens ida e volta custam menos.
(Se você vir opções pela Aero República, ela é filial colombiana da Copa Airlines que a comprou em 2006).

A idéia inicial da viagem era seguir por terra de São Paulo até a Guatemala, mas infelizmente não há estradas que liguem a América do Sul à América Central. A região de fronteira entre Colômbia e Panamá abriga a Selva de Darién, uma das mais perigosas florestas do mundo, não só por eventuais ações de guerrilhas, mas por ter sua natureza intocada (ainda que, algumas regiões da Província de Darién estejam ameaçadas pelo desmatamento).

Alguns viajantes relatam a experiência de chegarem ao Panamá via a cidade colombiana de Capurganá e lá carimbar o passaporte (saída da Colômbia), pois a entrada do Panamá fica a cerca de 40 minutos de barco dali, em Puerto Obaldia. Talvez compense para o viajante que quer explorar um pouco da área colombiana. Ressaltando que é necessário estar muito bem informado previamente para se “aventurar” nessa região.

Via Colômbia por mar
Como comentado acima, alguns viajantes relatam que é possível chegar ao Panamá por Capurganá e dali então pegar um barco para Puerto Obaldia, ou seja, um mix terra-mar.
Nós tentamos também por mar, mas com um barco desde Cartagena (Colômbia): seriam 5 dias de viagem até San Blás. Passamos dois dias na cidade colombiana tentando encontrar o serviço ou a carona (esqueça) mas todas as tentativas fracassaram. Sim, porque este não é um “passeio convencional”; vez ou outra, viajantes de barco aportam por ali rumo ao norte ou ao sul, utilizando a cidade como base e, para angariar fundos para seguirem viagem, oferecem o “serviço”.
Há vantagens e desvantagens em optar pela viagem de barco. Conhecer novas pessoas e navegar pelo lindíssimo mar caribenho não é nada mal; já a desvantagem (para quem está com o tempo curto) é “perder” os 5 dias e se acostumar aos mareios.
Cogitamos ir com o barco Stahlratte, o único que nos pareceu confiável e atraente na ocasião. Qualquer criança que olhe para o barco holandês de 1903, imagina que seja um navio pirata!!! Segundo seu capitão, um alemão, desde fevereiro de 2006 ele traslada mochileiros entre Cartagena e San Blás.
É preciso ficar atento às datas de partida de Cartagena e perguntar em que ilha de San Blás exatamente o barco atraca. O custo médio por pessoa por semana é de 420€ . Eles também fazem viagens para Cuba, México e Jamaica. Taí a dica pra quem tem um pouco mais de tempo e dinheiro.
Mais informações no: www.stahlratte.org

Via Brasil (ao Panamá)
Quem tem planos de conhecer toda a América Central ou queira ir somente ao Panamá (o que já vale o investimento) e está sem tempo de percorrer longos trajetos em ônibus como fizemos, deve voar do Brasil direto para Cidade do Panamá. Lembrando que, passagens ida e volta costumam sair mais barato.
Dê uma olhada em www.copaair.com .

De Ciudad de Panamá à San Blás

Como comentado no início do texto, quando estivemos em San Blás, pouco se falava do destino. Durante a viagem, quando isso acontecia era coisa do tipo “vou de qualquer maneira, só não sei como”.
Pois bem, nós conseguimos chegar lá, inspirados pelo ditado popular “quem tem boca vai à Roma”. Caminhando pelo Casco Viejo da Ciudad de Panamá, na Plaza de Francia, (matéria pra outra edição) onde estão alguns kunas, sobretudo mulheres vendendo artesanato e molas, perguntamos se elas poderiam nos ajudar com informações de como ir à San Blás. Tímidas mas super prestativas truncadamente iam nos dando as coordenadas. Como tínhamos idéia de ir em ônibus e sem agência, a conversa foi se prolongando e…
Eis que aparece Arnoldo Bonilla (também Kuna, genro do senhor Arquímedes, o “prefeito” da Carti Yandup) quem nos oferece o serviço completo da Cabañas Cartí: transporte ida e volta, hospedagem, refeições e passeios nas ilhas! O que mais queriamos? Ir imediatamente!!!
Ficou pra manhã seguinte! O basicão negociado foi: Transporte ida e volta em veículo 4×4 (mesmo hoje com asfalto) + diária que incluí hospedagem na cabana, banheiro compartilhado, banho de canequinha, café da manhã, almoço e jantar e um passeio de visita às ilhas que inclui a Aguja, a Diablo e a Perro.
Você combina, eles passam onde você está hospedado em Panamá City (geralmente a partir das 4:30h da manhã) e todos rumam felizes à San Blás. Lembre-se de levar dinheiro vivo, pois lá não há caixas eletrônicos nem maquininhas de cartão de crédito.
Mais informações em: http://www.kunatoursadventure.com/index.php , http://www.cabanascarti.es.tl/ ou através dos telefones: 507 6697-1193 e 507 6733-6309.
E-mail: [email protected] (Falar com o senhor Arquímedes, com Arnoldo ou ).

Hoje você não precisa utilizar-se tanto do ditado popular; na própria hospedagem lhe oferecerão a ida à San Blás, ainda com a opção de escolher em que ilha quer ficar!
Grosso modo, as mais estruturadas são as ilhas El Porvenir (a capital), Achutupu e Nalunega.

Do aeroporto Marcos A. Gelabert em Albrook partem vôos todas as manhãs pela Air Panamá
( www.flyairpanama.com ) até El Porvenir.
Em El Porvenir, uma opção de hospedagem (+passeios oferecidos) é o Hotel Porvenir
( http://www.hotelporvenir.com/ ).

Sem infra-estrutura, mas com cenário inesquecível, uma opção de hospedagem é a Ilha Aguja. Negocie uma rede (eles oferecem) ou espaço pra sua barraca de camping (leve) para ficar uma noite por ali. Leve também alimentos para preparar no local.
O preço da diária bem como de um passeio de barco deve ser negociado. (Falar com o senhor Luiz Barnett: 507 6697-6603 e 507 6654-6277 ou com Tony Harrington 507 6699-6953 e 507 6709-2834).

Para quem está com o orçamento mais folgado, uma opção de hospedagem é o Uaguinega Dolphin Cabañas (http://www.uaguinega.com/ ) que fica na ilha Achutupu.

Pechinche! Você pode (como nós) observar que não é muito fácil tentar montar alguma estrutura ali, que é difícil levar produtos para as ilhas, que cada turista (se não consciente) é uma “ameaça” ao frágil local e decidir não pedir desconto. Mas se na hora do perrengue o hábito de pechinchar aflorar…você conseguirá.
+ Na internet:
http://deleonkantule.tripod.com/ – site do artista Kuna, Oswaldo DeLeón Kantule. Lindas obras e um pouco do universo Kuna na arte (em espanhol e inglês).
Relatos e dicas de outros viajantes em:  http://www.mochileiros.com/san-blas-perguntas-e-respostas-t27650.html#.T9uq2RfOWSo (Dica: comece ler a partir da última página, onde há informações mais atualizadas. As demais também têm muita informação útil).

Curiosidades

Mulheres Kunas: especiais desde os primórdios
Tudo produzido por elas é primoroso. Um exemplo disso são as “molas”: tecidos com bordados sobrepostos de desenhos geométricos, sobretudo da fauna e flora, mas também antropomórficos e mitológicos, super coloridos e que são um incremento na renda das famílias.
Mola, em língua Kuna, significa roupa e faz parte do vestuário das mulheres Kunas desde bebês, quando são vestidas com “batinhas” de mola. Perto dos 7 anos começam a usar saia juntamente com blusas de mola.
Também em seus primeiros meses de vida elas têm o nariz perfurado para receber uma argola de ouro (o ritual é chamado “Ico-inna”, Festa da Agulha).
Pulseiras e tornozeleiras de miçangas e colares de moedas fazem parte do belo traje típico da mulher Kuna, verdadeiro símbolo de sua cultura.
Durante os 20 primeiros anos de independência do Panamá (da Espanha em 1821; da Colômbia em 1903) os Kuna tiveram vários problemas com os governos nacionais. Um marco ocorreu em 21 de abril de 1921, quando um movimento de ocidentalização das mulheres, via força policial, entre outros abusos queria que o traje típico fosse extinto.

Coragem
Neste mesmo ano, uma delas escapou da localidade de Narganá seguindo até o Rio Azúcar. Em represália, a polícia manteve encarcerados seus filhos e genro. No local havia um congresso indígena que não deixou a mulher partir e em nome da comunidade uma mensagem foi enviada à polícia dizendo que não fossem buscá-la. Não respeitado o “aviso”, três policiais indígenas e três policiais coloniais (chamados assim pelos Kunas, na época, os não indígenas) vão ao Rio Azúcar, onde começa uma batalha na qual morrem três moradores do povoado. Dois policiais indígenas e outros foram feridos com machados enquanto tentavam fugir em uma canoa. Os corpos dos policiais ficaram amarrados a um pau encravado na areia, até que seus familiares fossem recolhê-los.
A tensão durou até 1925. Os governos de então já se preocupavam com o suposto movimento independentista entre os indígenas e solicitaram ajuda aos EUA, que enviaram ao Panamá a missionária Anne Coope e o explorador Richard Oglesby Marsh. O norte-americano foi o impulsionador da “independência”. Quando em janeiro de 1925 encontrou o conflito entre policiais e indígenas, Marsh pediu a intervenção de militares norte-americanos à “Zona do Canal” para que exercessem um protetorado e redigiu a “Declaração de Independência e Direitos Humanos do Povo Tule e Darién”. O explorador obteve apoio do embaixador norte-americano quem ajudou o governo panamenho a firmar um acordo de paz com os kunas.
A chamada “Revolução Kuna” que ocorreu em 1925 foi decisiva. Bravamente criaram a República de Tule, o que os separadou do comando panamenho por apenas alguns dias. Após o tratado de paz o governo do Panamá se compromete a proteger os costumes Kuna, que aceitam o desenvolvimento do sistema educacional oficial do país nas ilhas.
As negociações que puseram fim ao conflito armado foram o primeiro passo para estabelecer a autonomia Kuna, manter vivos seus costumes e garantir seu espaço territorial. Uma pequena minoria ímpar entre os grupos indígenas da América Latina.
Somente em 1953 seu território foi definido. A Comarca Kuna Yala também faz parte do Corredor Biológico Mesoamericano, que contem vários ecosistemas marinhos, costeiros e terrestres vulneráveis e uma abundante diversidade biológica.

>> Talvez você se interesse também por:
Panamá City, uma das mais interessantes capitais da América Central e por obter mais dicas do Panamá com outros viajantes clicando aqui!

Fotos de San Blas:

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27 Comentários

27 Comments

  1. Victor Ricardo

    7 de julho de 2017 em 20:18

    Olá gente!!
    primeiramente parabéns pelo blog.
    Aqui alguns pontos turisticos do Peru.
    Peru é muito grande com muitas alternativas para escolher, não há dúvida de que o atrativo mais importante no Peru é a visita a Machu Picchu, também não podemos deixar de visitar tanto Cusco e Vale Sagrado.Visitar Arequipa também vale a pena pelo seu valor arquitetônico e calor da cidade. Ir para as Ilhas Ballestas e apreciar a vida marinha, apreciar também as Linhas de Nazca. Passear por Lima e desfrutar da gostosa comida peruana.
    Estes são algumas das atrações a comentar, há muitos mais que o Peru tem para oferecer.

  2. Paulo Carvalho

    25 de novembro de 2013 em 14:02

    Qual a melhor época para se visitar San Blas?

  3. Carolina Lima

    17 de novembro de 2013 em 1:38

    Oi, tudo bem? uma pergunta baaaasica, voce acha que da pra ir tranquilamente com 2 criancas? Alguma outra recomendacao nesse caso?
    Obrigada

  4. Josimara

    25 de agosto de 2013 em 11:44

    Bom dia,
    antes de viajar a San Blas encontrei poucos relatos em Português , por isso, após voltar encantada com o lugar deixo minha contribuição para quem esta pesquisando sobre o lugar a viagem :

    http://100dimensoes.blogspot.com.br/2013/08/uma-ilha-para-cada-dia-do-ano.html

    Josimara
    100dimensões

  5. Herry Chagas

    12 de junho de 2013 em 16:37

    Ola,
    Estou programando uma viagem com minha esposa de lua de mel, porém o primeiro destino que eu vi foi Cartagena, ai buscando mais vi panamá.. tentei conciliar nos meus planos as duas cidades, porém acho que vou gastar um bom valor. então gostaria de saber se no panamá tem praias lindas “mar do caribe” tanto na capital como essa em que vc postou.

    obrigado

  6. Suélen

    13 de março de 2013 em 15:46

    Esta ilha é simplesmente perfeita… vale muito a pena!!

  7. JULIANA FERREIRA

    11 de março de 2013 em 15:29

    Olá boa tarde,

    primeiro queria parabenizar o blog por esse texto maravilhoso e super explicadinho de San Blas. Estou montando um roteiro de 17 dias pela Colômbia e pensei em ficar uns 13 dias por lá e ficar uns 4 no Panamá. Não tenho interesse em conhecer a capital, só queria ir pra esse lugarzinho ai fantástico. Você acha que vale a pena. Qual seria o trajeto mais indicado para chegar lá?
    Abs,
    Juliana.

    • Claudia Severo

      Claudia Severo

      11 de março de 2013 em 16:23

      Oi Juliana 🙂
      Legal que tenha gostado!
      Então, como você leu, pegamos o avião de Cartagena para Panamá City. O voo durou cerca de 40 minutos.
      Pensando ainda em litoral… acredito que haja voos a partir de Barranquilla também, o que não ficaria difícil. Vai depender do roteiro que você estiver fazendo na Colômbia. De Bogotá é certeza partirem voos para Panamá City. Apesar de você não ter interesse em conhecer a capital panamenha, se não for de barco, será inevitável passar por ela.
      No http://www.mochileiros.com/busca.php?cx=partner-pub-1018022360237417%3A9907296399&cof=FORID%3A10&ie=UTF-8&q=san+blas&sa=Pesquisar tem alguns relatos e outros roteiros de outros viajantes que foram à San Blás (não sei exatamente a partir de que ponto), mas talvez seja interessante você dar uma olhadinha 🙂
      Abraço e uma ótima viagem!

  8. Elisa

    16 de janeiro de 2013 em 9:52

    Olá, vou ao Panama em junho, mas ficarei somente 2 noites. é possível ( e vale a pena) ir até alguma ilha em um dos dias??

    • Claudia Severo

      Claudia Severo

      6 de fevereiro de 2013 em 0:59

      Oi Elisa! É uma pena que tenha apenas 2 dias no Panamá. Sendo assim, acho que não dá pra você acrescentar San Blás no seu roteiro por lá.
      Em Panamá City oferecem passeios para ilhas mais próximas, como algumas do arquipélago de Las perlas, que eu infelizmente não tive tempo de conhecer. Vale buscar a informação quando estiver por lá (de quantas horas são os passeios, o que incluem, etc). Las Perlas estão no Oceano Pacífico, San Blás, no Atlântico.
      Uma linda viagem pra você! Abs

  9. Gizela Tamega

    11 de janeiro de 2013 em 19:02

    Espetáculo de reportagem! O lugar parece ser maravilhoso! Quero muito conhecer! Voces tem alguma informa;ão sobre as praias do norte do Peru?

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Trilha do Atlântico ao Pacífico explora o coração da Costa Rica

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Os amantes da natureza têm mais uma opção na Costa Rica: o Camino de Costa Rica. De mar a mar (do Atlântico ao Pacífico) a trilha é um convite a explorar o coração do país. O percurso de cerca de 280Km sai de Barra de Parismina, província de Limón (no Atlântico) e termina em Quepos, província de Punta Arenas (no Pacífico) e passa por áreas de preservação e parques nacionais.
Ao jornal La Republica, o presidente da Associação Mar a Mar, idealizadora do projeto, Felipe Carazo disse que a rota é dividida em cinco frentes, tem uma espinha dorsal, mas trajeto flexível. “Queremos que organicamente sejam geradas alternativas a outras importantes rotas do mundo como o Caminho de Santiago de Compostela ou a Trilha Inca”.
O grupo que não tem fins lucrativos quer atrair turistas de todo o mundo para desenvolver o turismo sustentável local. Buscam “manter a consistência cultural, que seja inclusivo e respeitoso com o meio ambiente e que as pessoas encontrem novas experiências gastronômicas, extraordinária flora e fauna e variedade de paisagens”.
Operadores de turismo organizam o operativo como oferecendo hospedagem e alimentação, há algumas áreas de camping também, desenvolvidas pela Mar a Mar.
Ainda segundo a publicação, os preços variam segundo as condições de cada comunidade.

Esticadinha: Parque Nacional Manuel Antonio, um dos mais belos do país fica a cerca de 7Km da cidade de Quepos | Foto: Martin Garrido/Flickr Creative Commons

Barra de Parismina | Foto: World Wide Gifts/Flickr Creative Commons.

Trajeto principal

Foto: caminodecostarica.org

Canales de Barra de Parismina-Cimarrones (Siquirres)
Cimarrones (Siquirres)-Pacayitas (Turrialba)
Pacayitas (Turrialba)-Parque Nacional Tapantí (Orosi)
Parque Nacional Tapantí (Orosi)-Muñeco de Navarro (Orosi)
Muñeco de Navarro (Orosi)-Cerro Alto (Cartago)
Cerro Alto (Cartago)-Jardín de Dota (Dota)
Jardín de Dota (Dota)-Nápoles (Tarrazú)
Mais detalhes das vilas que fazem parte do trajeto podem ser conferidos aqui.

Quão difícil é o Camino de Costa Rica?

O Caminho tem dois dias recomendados para caminhantes de nível avançado e três para os de nível intermediário. O resto são para pessoas em bom estado físico que tenham alguma experiência com caminhadas de mais de 15Km. O site da trilha também alerta sobre a necessidade de uso de equipamento, roupas e calçados adequados, bastões de trekking, gorro e capacidade de carregar 3 litros de água.

Ricas fauna e flora pelo caminho | Foto: CaminodeCostaRica.org

No último dia 23 de fevereiro, o presidente do país, Luis Guillermo Solís declarou o Camino de Costa Rica projeto de interesse público. “Este tipo de turismo coincide perfeitamente com o que busca o país: uma oferta turística que faça com que o visitante fique mais dias aqui, que interaja e se nutra de nossa gente e que gere impacto em diferentes áreas do território e não só em pontos específicos”, comentou o presidente em evento que anunciou o projeto como sendo de interesse público.

Mais informações sobre o ‘Camino de Costa Rica’ podem ser obtidas no site: https://www.caminodecostarica.org/


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Brasileiros contam como é cruzar fronteiras de carro

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Por ‘Por la carretera’*

Dia de cruzar fronteira é dia de levantar cedo, dirigir algumas horas e ter muita, mas muuuita paciência, boa disposição e um belo sorriso no rosto para enfrentar burocratas mal humorados, que geralmente não estão muito a fim de ajudar. E claro, de ter um lanchinho extra na Maria pra enfrentar toda papelada!
Os procedimentos fronteiriços variam um pouco de país para país, mas basicamente são os mesmos passos.
Começamos com a saída do país onde temos que dar baixa no documento de importação temporária o TVIP (ou Temporary Vehicle Import Permit). Isso mesmo, pra cada país onde entramos com a Maria Gasolina, primeiro temos que ter nossos passaportes carimbados pela Imigração, e depois precisamos fazer a tal importação temporária. Tudo isso é regado a muitas filas, carimbos, seguros e uma tentativa de ganhar uma propina aqui ou acolá!

Nossa vida nômade não é feita só de alegrias, praias paradisíacas, belas paisagens e curtição: Entre uma praia paradisíaca e uma nova curtição, as vezes temos que cruzar uma fronteira! | Foto: porlacarretera.com.br

Fronteira à vista! Muita paciência e bom humor nessa hora e a papelada em dia | Fotos: porlacarretera.com.br

Em muitos países encontramos os “tramitadores”, uma galera que fica junto a fronteira esperando algum estrangeiro desavisado e que não fale espanhol, “oferecendo” seus préstimos como despachantes, ajudando a realizar os procedimentos fronteiriços. Nunca, nem uma vez usamos tais “serviços”. Sendo que ao se aproximar de uma fronteira, muitos destes “tramitadores” ficam na estrada, usando jalecos nada oficiais tentando parar algum desavisado que pode, inclusive, confundi-los com agentes oficiais. Uma vez, acho que foi saindo de El Salvador, há uns 3 km da fronteira com Honduras, um desses “prestadores de serviço” quase se atirou na frente da Maria Gasolina. Não paramos. O cidadão não satisfeito, pulou na carona de uma motoca e começou a nos perseguir! Dirigindo ao nosso lado e “mandando” a gente parar (o que obviamente, não fizemos)! Poucas vezes eu vi a Caína xingando alguém! Essa foi uma das ocasiões. Ela começou a gritar para o cidadão em espanhol raivoso, e eu tentava acalma-la! Depois do cara ouvir umas boas da Cá ele desistiu… Outra vez, entrando na Guatemala havia um time desses “tramitadores” no meio da rua e eu dizia pra Caína: é melhor eles sairem da frente, por que eu não vou parar! Eles saíram. É sempre bom deixar bem claro que você não tem interesse no serviço e não quer a ajuda, para que eles saim de sua volta e não venham te cobrar nada mais tarde.

Taxa de saída da Costa Rica: paga | Foto: porlacarretera.com.br

Os Documentos

Como já disse, cada fronteira tem seu procedimento. Mas basicamente você precisa passar pela imigração para sair do país, pagar alguma taxa no banco que fica no outro lado da rua ou em um guichê ao lado, depois ir a aduana para cancelar sua Importação Temporária. Algum funcionário vai até o carro e faz uma “inspeção” no veículo, que geralmente é conferir placas e número do chassis (ou VIN number).

Será que alguém pode me atender por aqui? O papo ali tá bom, mas eu só quero meu carimbo! Acho que ele tá esperando um carimbo também | Fotos: porlacarretera.com.br

Acho que agora vai! Quase… Carimbado!| Fotos: porlacarretera.com.br

Inspeção Tabajara e lá vamos nós prontos para sair do país! Fôlego que a segunda parte é pior! | Foto: porlacarretera.com.br

Pronto! Você já pode ir para a próxima etapa: que consiste em estacionar o carro junto ao prédio da Imigração do próximo país, e mais uma vez, com muita paciência e seu melhor sorriso ir para alguma fila. Do outro lado do balcão, dependendo da boa vontade e ânimo do servidor, ele vai te explicar os próximos passos. Que geralmente são os seguintes:

1) fazer seguro para o veículo. Geralmente tem algum pequeno escritório que vende seguros e faz cópias ( ah! você vai precisar de muitas cópias!!!)

2) seguro feito, você entra na fila da imigração. Se der azar e chegar junto a 1 ou 2 ônibus a fila será bem longa! Ali você vai ter seu passaporte carimbado e vão te pedir cópias: do passaporte, do documento do carro, do seguro, da sua carteira de motorista (no caso a minha CNH brasileira mesmo!)

3) Da imigração passamos a Aduana. Ali mais uma vez você deverá apresentar cópias de tudo! A maioria dos países vai cobrar alguma taxa (mais uma fila de um banco, geralmente no mesmo prédio ou atravessando a rua). Taxa paga, você deverá apresentar o título ou documento de propriedade do veículo, passaporte, seguro , comprovante do pagamento da tal taxa e óbvio: Cópias de tudo isso! Um detalhe importante é prestar atenção se todos os dados do documento estão corretos (número do passaporte, placa do carro, numero do chassis), mais de uma vez tive de pedir para que algum dado fosse corrigido! Pode ser uma enorme dor de cabeça ter algum dado errado no momento de deixar o país! Uma situação engraçada é a cor da Maria! Cada lugar dão uma cor diferente para ela! No documento americano não menciona a cor, em alguns lugares ela foi cinza, noutros marrom, bege ou até dourada! Que cor você daria pra Maria???

Maria Gasolina estacionada para os trâmites fronteiriços do Panamá… seguro e cópias do outro lado da rua e a fila da imigração| Fotos: porlacarretera.com.br

Agora é a aduana… | Foto: porlacarretera.com.br

Acha que tá tudo pronto? Nops!

4) Agora é a vez de revisarem o carro! Quase todas as vezes a pessoa encarregada confere placa e chassis, dá uma olhada dentro do carro e ao ver tudo que carregamos, acaba nos deixando seguir.

5) Para terminar vem a fumigação! (alguns países esse procedimento acontece antes dos 4 primeiros citados!). Mais uma vez tem de se pagar uma taxa que geralmente é em torno de 1 US$, uma vez com o comprovante de pagamento passamos com o carro por um tipo de “lava-jato” que fumiga um veneninho na pobre Maria Gasolina!

Agora só falta a fumigação | Foto: porlacarretera.com.br

Prontos para seguir Por la Carretera? Ainda não! Geralmente um pouco depois de todo esse processo vai haver uma cancela, ou barreira policial onde você será parado e terá de mostrar passaporte, o documento de importação temporária e/ou a carteira de motorista. Agora sim… Prontos para descobrir novos caminhos nesse novo país!

Ah! No todo esse processo pode levar de 3 a 4 horas. A saída sempre é mais fácil e rápida!

Yeah! Missão cumprida! Depois de 1hora e meia na saída da Costa Rica e 2 na entrada do Panamá| Fotos: porlacarretera.com.br

*Os porto-alegrenses Cá (Caína) e Lú (Luciano) estão vivendo viajando de carro e acampando pelas Américas.
Em janeiro de 2018 eles completaram um ano de vida nômade na estrada, ou “Por la Carretera”, uma experiência que os tem transformado e tocado.
Confira belas imagens e acompanhe um pouco desta história no site e na página deles no Facebook.


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América Central

A aventura mais longa, cansativa e perigosa da minha vida

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Um dia você acorda e decide fazer uma trilha em um vulcão ativo, o que você não sabe é que essa vai ser a aventura mais longa, mais exaustiva, mais difícil e mais perigosa da sua vida.

Se você tem problemas nos joelhos, nos tornozelos ou não quer sujar sua roupa é melhor não continuar lendo

Dados gerais da trilha

*Localização: Vulcão Concepcion (sul da Nicarágua)

*Percurso total:  13km [ida e volta]

*Duração subida: 5h00

*Duração descida: 5h00

*Ponto mais baixo: 150m

*Ponto mais alto: 1500m

*Nível de esforço físico: Máximo

*Nível de dificuldade de orientação: Alto

*Nível de beleza da paisagem: Mínimo

Entendendo a aventura:

Ometepe é uma pequena ilha no sul da Nicarágua que abriga dois vulcões (um ativo), florestas tropicais e muita natureza… enfim um prato cheio para quem gosta de aventura.

Desde o momento que eu entrei naquele barco e avistei o vulcão longe no horizonte eu sabia:

“Não posso sair dessa ilha sem subir lá”, durante toda a viagem eu só pensava o quanto o dia estava lindo e como a o vulcão tornava aquela paisagem perfeita, era com certeza o vulcão mais lindo que eu já tinha visto na minha vida.

Tão logo me acomodei no povoado comecei a buscar as informações necessárias para a trilha (tanto localmente quanto pela internet). As informações não eram muito agradáveis, todos eram muito enfáticos sobre a necessidade de um guia, as agências e guias autônomos não ofereciam nenhum benefício adicional (água, comida ou transporte) e cobravam a partir de 25 dólares pelo serviço.

Gostaria de abrir um parêntese neste relato para deixar claro que eu respeito muito o trabalho dos guias, seja em turismo de aventura ou em passeios mais tranquilos. E as minhas decisões a seguir não tem nada a ver com a experiência ou a qualidade do trabalho destes profissionais.

Mesmo para grupos maiores o valor não melhorava, todos os guias da ilha cobravam este valor por pessoa inviabilizando qualquer tipo de barganha.

Pode parecer pouco, mas para a realidade da Nicarágua 25 dólares é bastante dinheiro. Para fazer uma comparação eu gasto aqui por dia: 5 dólares hospedagem, 2 dólares uma refeição (arroz, feijão, frango, batata frita, salada e suco) e mais 1 dólar para água e um lanche… total 10 dólares por dia.

Não é possível que todo mundo pague isso! Vou procurar uma galera e ir por conta própria!”

Eis que eu me deparo com um conflito cultural desagradável:

A maior parte dos turistas na américa do sul são europeus (vocês não têm ideia de como eu fico indignado de nossa gente preferir ir a Europa do que explorar as maravilhas que temos aqui, mas isso é um desabafo para outro texto). E se alguém diz a um europeu que ele PRECISA pagar algo, ele não questiona nem pechincha, paga e segue a vida. Sendo assim eu não achei ninguém disposto a seguir a aventura comigo, pois o argumento dos guias era bem objetivo:

Você não pode escalar o vulcão sem guia, é ilegal”

Pão duro convicto e determinado a não pagar por uma “companhia de caminhada” mais do que eu pago por todo o resto, comprei comida e água e me preparei para partir sozinho no dia seguinte.

A companhia inesperada

O primeiro ônibus público em direção ao vulcão saí as 5h da manhã e o segundo apenas as 8h, sendo assim dormir um pouco mais não é uma opção, considerando que a trilha tem previsão de duração de 10 horas e começar às 8h poderia resultar em ainda estar no vulcão após escurecer, incorrendo em mais perigo desnecessariamente.

As 4h30 me sentei naquela parada de ônibus e junto comigo vieram todos os cachorros da ilha. Eu ainda não entendi o que aconteceu, eu não fiz barulho nem brinquei com eles, mas enquanto caminhava na rua todos os cachorros resolveram acordar e me seguir, alguns brincando entre si e outros brincando comigo.

Quando o ônibus chegou, sem pedir licença ou sequer pagar a passagem um dos cachorros decidiu entrar comigo. Apesar do meu espanto o motorista reagiu normalmente, falou que este cachorro está acostumado a subir a montanha e podia até ser meu guia.

A trilha

O ônibus me deixou bem na entrada da trilha e apesar de ainda estar escuro não foi difícil encontrá-la. A trilha começa em uma fazenda e mesmo com pouquíssima sinalização o primeiro km é bem tranquilo, praticamente plano e sem nenhum desafio.

Depois desse aquecimento a trilha entra em área de floresta, o dia já está clareando, macacos gritam de todos os lados e de vez em quando meu cachorro guia corre atrás deles, mas sempre regressa ao seu posto de trabalho.

A partir deste ponto a trilha vai se tornando mais difícil, o caminho enlameado e escorregadio em alguns momentos preciso me apoiar nas árvores para não cair. O ganho de altitude é cada vez mais intenso e as pausas para descansar mais frequentes.

Duas horas depois de começada a trilha chegamos a um abrigo improvisado, ali estamos a 900m de altitude, aproveito o local para fazer um lanche e recuperar as energias… divido minha água com Gabriel, o agora batizado guia canino, e seguimos para a segunda metade da trilha.

A escalada

20 minutos após a cabana a floresta acaba, estamos em um campo totalmente aberto composto por rochas vulcânicas, areia e vegetação rasteira. Na cidade os guias falam que 50% das pessoas chegam até aqui e decidem voltar; e não é difícil entender o porquê: o vento é frio, forte e as rajadas súbitas quase me derrubam algumas vezes, a trilha se torna inexistente é preciso caminhar sobre as rochas com muito cuidado para não escorregar ou causar uma avalanche. Esse é o ponto que separa os meninos dos homens, ou melhor os homens dos malucos.

Gabriel não se mostra intimidado, e num sentimento de: “se ele consegue eu também consigo”, decido seguir em frente.

Deste ponto em diante o mapa que tenho comigo, um bom senso de orientação e Gabriel foram fundamentais para seguir o caminho. Não existe qualquer indicação da trilha a cada passo é preciso analisar qual o passo seguinte. E por falar em passos neste momento estou andando semelhante a um gorila, utilizando os pés e as mão para consegui um pouco de apoio e não escorregar. Não resta dúvida do porquê todos são tão incisivos ao dizer que esta é uma trilha perigosa.

Seguimos devagar, eu sempre preocupado com ele e com como seria o caminho de volta, e ele com aquela cara inocente de quem diz “vamos lerdo, você consegue!”.

Não tenho mais noção nenhuma de a que altura estamos ou quão pior pode ficar, mas pelo meu mapa pareço estar mais perto que longe e me agarro neste pensamento para conseguir seguir em frente.

Por duas vezes me perco da trilha original e sou forçado a voltar um pouco para reencontra-la, na segunda vez eu estive prestes a desistir, mas a falha de comunicação entre mim e meu guia fez com que ele seguisse em frente e eu tive que ir atrás para não abandona-lo.

Duas horas e meia depois de iniciada esta fase da trilha, percebo que o chão está ficando quente (como uso as mãos para me apoiar é fácil perceber a diferença), o cheiro de enxofre fica mais forte e tudo indica que estamos chegando ao final. Neste ponto cansaço, dor, frio, medo e ansiedade se transformam em determinação e ganho um impulso final para conseguir terminar.

Quando finalmente chegamos ao topo do vulcão começa a chover, o vento é frio e o enxofre sufocante, precisamos descansar rápido porque é perigoso passar muito tempo ali.

A volta

A primeira parte do retorno é a mais difícil e eu estou o tempo todo agachado deslizando devagar. Neste ponto encontro dois outros grupos subindo, todos ficam muito surpresos em eu estar caminhando sem guia e mais ainda de ter um cachorro comigo, mas um dos guias o reconhece e conversamos um pouco.

Levei cerca de 3 horas para chegar até o abrigo no final da floresta, mas mesmo sabendo que ainda teria mais 2 horas de caminhada até o ponto de ônibus me senti aliviado porque o caminho final era menos perigoso e sem riscos de me perder.

Fotos

Esta é a parte mais irônica da aventura. Em geral após caminhar horas ou fazer travessias difíceis somos recompensados com paisagens de tirar o folego, onde os mochileiros se orgulham de tirar fotos e mostrar para os amigos. O vulcão Concepcion não te permite isso.

Não importa em que época do ano você vai, ou quão ensolarado está o dia. Existe algum fenômeno climático que eu desconheço (se alguém souber por favor me explique) que torna o topo do vulcão sempre encoberto por nuvens. Estive durante uma semana na ilha e houve dias que as únicas nuvens no céu estavam ao redor do vulcão parecia que havia um imã ali.

Como consequência direta disto nenhuma das minhas fotos ficou boa. Esta é definitivamente uma aventura pela satisfação pessoal de superar meus limites e saber que sou capaz do que propriamente para admirar a natureza.

 


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América Central

36 dias por 7 países da América Central

Mochileiros.com

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Por Renan Prestige‎

Galera, fiz um mochilão de 36 dias, passando por 7 países da América Central. Um destino ainda pouco explorado pelos brasileiros, mas de uma riqueza ímpar. Acho importante quebrar alguns paradigmas a respeito da América Central, já que o mundo não se resume somente a Europa e EUA, por isso venho aqui fazer um mini relato e dar algumas dicas.

Primeiro, todos os países que passamos foram super tranquilos e seguros em relação a nós, turistas, com exceção única de Honduras, por ser um país tomado por milícias. Todos os países possuem ótima infraestrutura para turistas, com ótimas opções de acomodações e para todos os bolsos. Desde hostel até resorts. A maioria dos hostels giram em torno de 20 dólares a diária, inclusive em quarto privado em baixa temporada. A comida, ah essa é maravilhosa!

Passamos por Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, Guatemala, Belize e México (América do Norte). Voo de ida para San Jose, capital da Costa Rica e de volta pro Brasil saindo de Cancun. Basicamente, América Central é um mochilão barato. O único país em que se gasta mais é a Costa Rica, por ser extremamente dolarizada. Fizemos alguns trechos de carro e outros de bus, micro, carona e etc.

Caye Caulker, Belize

De modo geral, em termos de beleza natural: Costa Rica, Panamá e Guatemala foram meus preferidos. Em termos de cidades históricas e coloniais: Nicarágua. Caye Caulker, é uma ilha em Belize que moraria pro resto da vida lá. Sabe aqueles filmes em que as pessoas vivem felizes e sem preocupação nenhuma em uma ilha. Pois é, essa é a vibe dessa ilhazinha. Meio Jamaica, meio artesanal. Surreal!

Roatan, Honduras – Foto: Renan Prestige‎


Em termos de lugares para conhecer, na Costa Rica não deixe de ir a Puerto Viejo de Talamanca (povoado hippie caribenho com praias virgens), Monteverde (a meca de esportes radicais – leve um casaquinho, pois faz frio à noite), Manuel Antonio ( o pacifico mágico), visite algum vulcão (Arenal, Poas e etc.), vá à Malpais e suas praias perdidas.

Cayo Coral, Bocas del Toro – Panama

Quanto ao Panamá, Bocas Del Toro é parada obrigatória. Nicaraguá e a Isla Ometepe (conheça antes que ela suma do mapa. Me apaixonei pelas pessoas de lá), as cidades históricas: Granada e Léon. Em Honduras não deixe de conhecer as ilhas Roatan e Utila. Guatemala, esqueça da vida no Semuc Champey, mas esteja preparado para perder horas para chegar nesse paraíso perdido de difícil acesso. Belize, como mencionei Caye Caulker é o lugar e o sul do México e suas águas cristalinas.

Vale muito a pena sair da redoma e circuito Europa e EUA para conhecer essa cultura linda centroamericana.

Criei um instagram com todo nosso roteiro, dicas e custos. Quem quiser, dá uma conferida lá! @amigosporai https://www.instagram.com/amigosporai/

Postado originalmente no grupo Mochileiros em: https://www.facebook.com/groups/mochileiroscom/permalink/10154031872662260/?match=cmVsYXRv


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Costa Rica

Turistas impedem tartarugas em risco de extinção de desovar em reserva natural

Claudia Severo

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A cena é triste. Centenas de turistas encheram as praias da Reserva de Vida Silvestre Ostional, no Estado de Guanacaste, na Costa Rica, impedindo as tartarugas marinhas de botarem seus ovos no local. Como se não bastasse a simples presença em massa dos ‘humanos’, eles tocaram os animais, pisaram em seus ninhos, fizeram fotos com flash e alguns inclusive colocaram seus filhos sobre as tartarugas para tirarem fotos.
Muitas das tartarugas voltaram ao mar sem colocarem os ovos e portanto, sem a possibilidade de reproduzirem-se o que é especialmente grave, levando-se em conta que essa espécie, a Lora, é classificada como vulnerável.
“Era tanta gente na praia que as tartarugas tropeçavam nas pessoas e algumas voltaram ao mar sem concretizar o processo de nidificação. Isso sem dúvida é um impacto negativo”, afirmou um integrante do Ministério do Meio Ambiente local em publicação feita no jornal argentino, La Capital.
Foto: SITRAMINAE.

Foto: SITRAMINAE.

Todos os meses as praias da reserva recebem a visita massiva de Tartarugas Lora, o que é chamado de “arribada”, mas desta vez, vários fatores como promoção através das redes sociais e condições climáticas favoráveis levaram a um descontrole turístico. Segundo a publicação, o processo foi prejudicado também porque as pessoas ingressaram à praia sem guia, o que é proibido.
As autoridades asseguraram que já estão tomando medidas para que a situação não volte a ocorrer.
O espetáculo de insensibilidade e ignorância por parte dos visitantes e de negligência das autoridades competentes ocorreu na semana passada.

Foto: SITRAMINAE.

Foto: SITRAMINAE.

Foto: SITRAMINAE.

Foto: SITRAMINAE.

Foto: SITRAMINAE.

Foto: SITRAMINAE.

Foto: SITRAMINAE.

Foto: SITRAMINAE.

Quem deseja se aprofundar no tema, aqui há um texto (em espanhol) bastante completo e interessante sobre.

Fotos: SITRAMINAE (Sindicado de Trabajadores de Ministério de Ambiente y Energia).


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Costa Rica

Costa Rica fecha zoológicos para proteger o meio ambiente

Claudia Severo

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A Costa Rica não terá mais zoológicos. Pelo menos estatais.
O Parque Zoológico Simón Bolívar, que fica no centro de San José será um jardim botânico e o Centro de Conservação, no bairro de Santa Ana, também na capital, será um parque natural urbano.
“Estamos enviando uma mensagem ao mundo. Queremos ser congruentes com nossa visão de país que protege a natureza”, disse Ana Lorena Guevara, vice-ministra de Meio Ambiente da Costa Rica à BBC Mundo, que publicou as informações.
Ainda de acordo com a publicação a ministra informou que há uma grande quantidade de zoológicos privados no país, com uma visão de resgate e preservação que continuarão funcionando.
A Costa Rica ocupa 0,03% do território da superfície da terra, mas segundo cientistas, ali estão 4% de toda a biodiversidade do planeta.

Nós conhecemos um pedacinho do país. [Leia a matéria aqui]

Nos parques, vários ‘alertas’ como os do cartaz abaixo.

Cartaz alerta sobre emissão de CO2 pelo tráfego aéreo | Foto: Claudia Severo/Mochila Brasil

… e ao lado, lindo, leve e livre (como achamos que deve ser) o Guardabarranco. Quer marketing melhor?!

Guardabarranco | Foto: Silnei L Andrade/Mochila Brasil

Com informações da BBC Brasil [ via ]
Na imagem que abre o post, entrada da Reserva Natural Parque Nuboso | Foto: Silnei L Andrade/Mochila Brasil


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América Central

As estradas mais bonitas da América Central

Claudia Severo

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Dando continuidade à “Semana estradeira” (quando apresentaremos uma pequena seleção das estradas mais bonitas do mundo), as estradas mais bonitas da América Central:

Queen’s HighwayEleuthera – Bahamas – Eleuthera é uma das ilhas do arquipélago das Bahamas. A ilha tem 180Km de comprimento e apenas alguns quilômetros de largura, cortados por essa estreita e bela estrada.

estradasmaisbonitas03

 Foto de My-Bahamas-Travel.com.

Ruta Panorâmica – Porto Rico – Também conhecida como como Ruta Panorámica Luis Muñoz Marin, a estrada é formada por outras quase 40 estradas interconectadas. Atravessa a Cordilheira Central do país e tem vários atrativos naturais, belos mirantes e um pouco da vida rural boricua.

...Atravezando uno de los pulmones de Puerto Rico!! (Ruta Panoramica! @igpuertorico #puertorico #boricua #boricuas

Foto de PeterPantojaSantiago.

Abre o post, uma imagem aérea de um ponto nas Bahamas. Foto de DEE PER VIAGGIARE.

Amanhã tem as mais bonitas estradas da América do Sul!

E você, conhece alguma estrada incrível na América Central? Deixe a sugestão nos comentários abaixo ou escreva pra gente ([email protected]).


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América Central

Semuc Champey – Guatemala

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O Monumento Natural de Semuc Champey é uma formação rochosa que cobre o leito do rio Cahabón e está localizado no departamento de Alta Verapaz, norte da Guatemala . A “ponte de pedra natural” segue por 300 metros sobre o leito do rio e forma piscinas naturais e pequenas cascatas em cor verde turquesa que são rodeadas por um vale com mata fechada. O acesso às piscinas é feito por um deck de madeira que margeia a formação. Há também uma trilha que leva a um mirante onde são feitas as fotos “aéreas” das piscinas. A trilha para o mirante tem 1,2km e dura em média 1h. Para ter acesso às piscinas é preciso pagar uma taxa de aproximadamente US$ 7 ou 50 quetzales. As cidades mais próximas de Semuc Champey são Cobán e Lanquin. Semuc Champey significa “Onde o rio se esconde na montanha”.

As piscinas naturais de Semuc Champey – Foto: Silnei L Andrade/Mochila Brasil

Como chegar:

Na cidade de Antigua há agências que oferecem o transporte de van até Lanquin

De ônibus:
De Guatemala City até Cobán é possível ir pela empresa Monja Blanca. De Cobán até Lanquin há diversas vans que fazem o trajeto. De Lanquin até um dos hostels próximos de Semuc Champey também há vans.

Ônibus Cobán x Guatemala City:
Transportes Monja Blanca
http://www.tmb.com.gt/

Onde ficar:

Há pousadas bem próximas ao parque e oferecem estadia all inclusive. Se pretende se hospedar em uma dessas, leve dinheiro em cash, pois só há caixas eletrônicos em Cobán, que está a 67km de Semuc Champey.

A outra opção é ficar em Lanquin que está a 10km de Semuc Champey.

Hostels/Pousadas próximas do Parque:

Hostal El Portal
Esse hostal possui pequenos e confortáveis chales. É o mais próximos de Semuc.
http://www.hostalelportaldechampey.com/

Fotos:

 


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Cicloturismo

Você sabe o que é chepecletear?

Claudia Severo

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Além das infinitas atrações em meio a natureza, a Costa Rica também é bastante curiosa em termos culturais. Na capital San José uma das opções é Chepecletear!
A língua faz parte da cultura e atrativos de um país e por ali o termo refere-se a nada mais nada menos que José+passear de bicicleta.
Vamos tentar explicar: No país, é comum os ticos* chamarem sua capital, San José, de Chepe – um apelido para José que também pode ser chamado de Pepe. Tira-se o San e está aí mais um curioso (para nós) vocábulo local.

Bicicleta é opção para conhecer San José / Foto: Divulgação

E onde a bicicleta entra nisso?
É cada vez mais comum, sobretudo nas capitais, o incentivo ao uso de transportes públicos (na tentativa de melhorar o trânsito, a qualidade de vida, meio ambiente etc) e à bicicleta. Então, nada melhor que conhecer um pouco da capital pedalando.
Existe na cidade até serviço especializado, oferecendo inclusive passeios noturnos; uma maneira interessante de conhecer San José, sem dúvida.
No http://www.chepecletas.com/ você pode conhecer rotas (a pé ou em ‘bici’, noturnas ou diurnas, temáticos como arquitetônico, cultural, gastronômico e para variados públicos), horários e preços. Há também tours free que são passeios previamente programados e que partem pela cidade com no mínimo 5 pessoas.
Se você vai à San José e pretende fazer um dos passeios é melhor tentar agendar antes, pois o número de vagas é limitado (tanto para o tour gratuito quanto para os pagos).
Na fanpage do ChepeCletas no Facebook você também encontra mais informações e fotos.

Considerações
É inevitável fazer algumas considerações sobre o serviço oferecido:
A favor: Conhecer um lugar a pé ou de bicicleta aproxima mais o viajante da realidade local sem dúvida e enriquece ainda mais sua viagem.
Contra:  Obviamente que como em todo tour, existem lugares parceiros da empresa onde os visitantes serão levados/apresentados, geralmente são pequenos comércios (restaurantes, lojas etc) alguns valem até a pena, são verdadeiros achados, outros nem tanto. De qualquer forma, com tour ou sem, em San José ou qualquer parte do mundo, vale o bom senso: você não é obrigado a consumir nada nesses locais se não quiser.
Outro ponto que pode pesar para alguns é que alguns passeios são feitos em grupos bastante grandes.

Dica: Com ou sem tour não deixe de dar uma passadinha (à noite) no El Pueblo em San José. Numa espécie de ‘mini vila colonial’ há bares bem legais, música, lojas de artesanato e até danceteria.

Experiências, dicas e informações de outros viajantes sobre viagens em bicicleta aqui

 

Como chegar à Costa Rica

Chegamos à Costa Rica vindos do Panamá, mais precisamente do Terminal Albrook na Cidade do Panamá (saímos de SP rumo à Bolívia, passando por Peru, Equador, Colômbia, Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, El Salvador e Guatemala), por terra, mais precisamente de ônibus, com o “Tica Bus”. Preços, horários e itinerários podem ser vistos em: http://www.ticabus.com/mapa.html
O Tica Bus roda por toda a América Central (exceto Belize), tem terminais nas capitais e vai até Tapachula, no México.
Se você vai de avião à Costa Rica, passagens de ida e volta são necessários para a entrada no país.
Nós, como fomos de ônibus do Panamá para lá não precisamos. Só é um pouco cansativa a passagem pela fronteira entre os dois países,  nada comparada à volta cuja entrada é a partir da Nicarágua. Burocracia, revistas, perguntas e fila, muita fila! Os costa-riquenhos sofrem com uma considerável  e não desejada (pelo que notamos por conversas com alguns ticos*), “invasão” nicaraguense.

Opções de hospedagem na Costa Rica aqui

 

+ informações relevantes

Brasileiros com passaporte válido (atente para que ele não venha a expirar dentro de menos de 7 meses) não precisam de visto para entrarem na Costa Rica e sem visto podem ficar por lá até 90 dias. Se você quer informações mais específicas sobre visto como, por exemplo, de trabalho, ou residente pode obtê-las em http://www.migracion.go.cr

É preciso levar o comprovante (internacional) de vacina contra a Febre-Amarela para entrar no país.

Os produtos e ou serviços na Costa Rica, assim como em outros países da América Central têm um imposto, ou embutido, ou acrescido sobre cada artigo. Antes de achar que algo está muito baratinho confira se já está incluso o imposto de 13% (Veja se há algo escrito, porque se você perguntar vai ter que confiar na honestidade da pessoa que pode dizer que não e cobrar-lhe a mais!).

A moeda nacional é o Colón, mas dólares americanos e euros são aceitos por toda parte. É sempre bom ter algo em moeda local no bolso (em qualquer destino) para evitar cotações apressadas e desatentas fazendo com que você perca seu suado dinerito na conversão.

Uma coisa que pode gerar certa confusão é com relação aos endereços das ruas. Comumente os costa-riquenhos utilizam um ponto de referência e algo de coordenadas geográficas.  Exemplo:  “100m Este Del Ministerio del Trabajo, barrio Tournón” (seria algo como 100m a leste do prédio do ministério do Trabalho, bairro Tournón) ou Costado Este del Puente Juan Pablo II, sobre Autopista General Cañas (Canto leste da Puente Juan Pablo, sobre a estrada General Cañas). Santo ponto de referência! Difícil pra nós não?! Então mapinha na mão e muita atenção quando pedir informações em postos, no hotel/hostel/pousada e a pessoas confiáveis.

Na internet

http://www.visitcostarica.com  (Muito completo, traz informações gerais sobre o turismo no país. Em espanhol,inglês, alemão e francês)

http://www.actuarcostarica.com  ( Também nos quatro idiomas. Tem informações para quem está interessado em Turismo Rural na Costa Rica, cultural, para descanso ou aventura).

*Sua vó, mãe e até você já podem ter falado a palavra “pequeno” num diminutivo carinhoso do tipo “pititinho”, “pititico”. O “momento fofo” é só pra ilustrar (grosso modo), de onde vem o gentílico coloquial “Tico” referente aos costarricenses (em espanhol) ou costarriquenhos (em português).

Segundo a tradição, durante a guerra contra os filibusteiros na América Central (comandados pelo norte americano Willian Walker), soldados observaram que os costarriquenhos tinham o hábito de terminarem os diminutivos com “ico”, “ica” ao invés de “Ito”, “ita”, para, por exemplo, palavras como gato (gatito, gatico), pato (patito, patico); com relação aos compatriotas, seus hermanitos, eles afetuosamente chamavam hermaniticos.
Uma das companhias de ônibus que circulam por toda a América Central é a costarriquenha, “Tica bus”.

Esse “Ti” pronuncia-se como os nossos TA, TE, TO, TU. O TI seria pronunciado como falam, por exemplo, os pernambucanos (a maioria dos Estados brasileiros pronuncia o TI, como “tchi”, pelo meu modesto conhecimento de sotaques).

Se você pronunciar “tchica bus” estará falando “Rapaz bus” (do espanhol “CHico”). O mesmo para Tico.

OBS: Serve de regrinha básica da pronúncia em espanhol, assim como a letra J tem som de R (ou RR). Exemplo: “Ramón quiere un sandwich de jamón y queso” (Ramón quer um sanduíche de presunto e queijo – O indivíduo Ramón, tipo narração do Galvão Bueno quer … jamón… –  com som de RR de carro, carreta).


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Os 10 + vistos do Mês

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