Fiquei bastante na dúvida entre postar ou não este relato. Primeiramente, não foi uma viagem mochileira: fui mesmo por meio de pacote de viagem comprado online (no site: http://www.visitgreenland.com). E, como não tem a opção "América do Norte" nos destinos de relatos de viagens, optei por escrever neste tópico, uma vez que a Groenlândia pertence à Dinamarca, país escandinavo. Porém, como existe pouquíssima informação sobre a Groenlândia aqui no Mochileiros, achei de bom tom compartilhar a experiência adquirida nesta viagem (ainda que, repito, não tenha sido uma viagem típica mochileira). Posto isto, inicialmente descreverei alguns fatos rápidos sobre esta ilha, que é considerada por alguns como a maior do mundo (caso não se considere a Austrália como uma ilha propriamente dita, mas como um continente).
Apesar de nos mapas a Groenlândia (em inglês: Greenland; em dinamarquês: Gronland; na língua nativa: Kalaallit Nunaat) frequentemente aparecer com quase o mesmo tamanho do continente africano (devido a distorções na hora de se converter algo tridimensional em duas dimensões), obviamente ela é bem menor (cerca de 2,5 milhões de km quadrados, um pouco menor que a Argentina); mas é o lugar menos densamente povoado do mundo: apenas 56 mil pessoas moram lá, sendo 15 mil na capital, Nuuk. A ilha é coberta por uma espessa camada de gelo (ice cap, sendo que o ponto com maior espessura ultrapassa os 3 mil metros) em 84% do seu território; apenas 16% do território groenlandês não está coberto por gelo o ano todo. Com condições climáticas tão adversas, não é de se espantar que tão pouca gente more ali. Praticamente não existem estradas; a maior delas, que liga o povoado de Kangerlussuaq à geleira, tem apenas 40km de extensão. Como as povoações são extremamente dispersas, todo o transporte é feito mesmo por avião; a companhia aérea local, a Air Greenland (http://www.airgreenland.com), liga os povoados por meio de pequenos aviões e/ou helicópteros; existem três ou quatro voos semanais de e para Copenhagen; nesse caso, sempre se chega ou se sai de Kangerlussuaq, uma vez que este povoado possui o único aeroporto com pista capaz de comportar grandes aviões. Eu estive em dois lugares na Groenlândia, Kangerlussuaq e depois Ilulissat, que é mais "turística" e bem mais procurada por ter mais belezas naturais e atrações de interesse turístico. Para se ter uma ideia sobre a geografia da ilha, segue um mapa com as principais localidades:
Agora, ao relato propriamente dito:
30 de Abril: saída de Copenhagen e chegada em Kangerlussuaq
O voo de Copenhagen para Kangerlussuaq estava marcado para as 9:00h. Para quem não conhece, o aeroporto de Kastrupp tem acesso bastante facilitado, podendo-se chegar até lá de ônibus, trem ou metrô (este último funciona durante a noite toda, apesar de ter frequência reduzida de trens). O voo atrasou um pouco, saindo por volta das 9:30h. A duração do voo foi de 4 horas e 40 minutos, e a Groenlândia está 4 horas atrasada em relação à Dinamarca, portanto, o avião pousou no aeroporto de Kangerlussuaq às 10:10h. Além de mim, um casal dinamarquês na faixa dos sessenta anos também comprou o mesmo pacote; assim que chegamos no saguão do aeroporto, fomos recepcionados pelo guia Adam, um figura simpático, mestiço de dinamarquês com inuit (eles consideram o termo esquimó ofensivo; nunca o use caso viaje para a Groenlândia; ao invés dele, utilize o termo Inuit). O lugar em que ficaríamos hospedados ficava a 100 metros do aeroporto, então nem foi preciso transporte, fomos a pé até o Polar Lodge, um hotel muito simples, mas bem confortável. A temperatura estava acima do que eu estava esperando, por volta de 7 graus, e havia apenas alguns poucos lugares com neve remanescente, apesar dos lagos ao redor ainda estarem congelados; o guia me explicou depois que Kangerlussuaq, juntamente com a capital Nuuk, são os lugares com as condições climáticas mais amenas de toda a ilha. Kangerlussuaq nasceu como uma base militar americana durante a Segunda Guerra Mundial; em 1992, os americanos entregaram a base para a Dinamarca, e o povoado, de cerca de 800 habitantes, foi estabelecido. Após deixarmos nossas coisas no hotel, e de um breve descanso, fizemos o passeio programado para aquele dia: o "safári" na tundra; a intenção era de ver animais típicos da ilha em seu habitat natural, mas vimos apenas um boi almiscarado bem ao longe (foi preciso usar um binóculo para poder ver o bicho). Apesar de existirem muitos ursos polares na Groenlândia, eles não são comuns próximos às povoações (ficam mais restritos à camada de gelo), e caso apareça algum, deve ser abatido, pois é extremamente perigoso (isso ocorreu em 2007 em Ilulissat, meu próximo destino). Após um passeio pelos arredores de Kangerlussuaq, voltamos ao hotel e, à "noite" (nessa época, primavera, escurece lá pelas 23:00h e amanhece às 03:30h), Adam nos levou para jantar num ótimo restaurante à beira do congelado Lago Ferguson, o Rokluben, onde comi um filé de boi almiscarado; achei que a carne seria muito dura, mas muito pelo contrário, é bastante macia, e saborosa. Abaixo, fotos do Polar Lodge, do boi almiscarado visto pelo binóculo, uma panorâmica de Kangerlussuaq e do Lago Ferguson (tirada na entrada do Rokluben).
Fiquei bastante na dúvida entre postar ou não este relato. Primeiramente, não foi uma viagem mochileira: fui mesmo por meio de pacote de viagem comprado online (no site: http://www.visitgreenland.com). E, como não tem a opção "América do Norte" nos destinos de relatos de viagens, optei por escrever neste tópico, uma vez que a Groenlândia pertence à Dinamarca, país escandinavo. Porém, como existe pouquíssima informação sobre a Groenlândia aqui no Mochileiros, achei de bom tom compartilhar a experiência adquirida nesta viagem (ainda que, repito, não tenha sido uma viagem típica mochileira). Posto isto, inicialmente descreverei alguns fatos rápidos sobre esta ilha, que é considerada por alguns como a maior do mundo (caso não se considere a Austrália como uma ilha propriamente dita, mas como um continente).
Apesar de nos mapas a Groenlândia (em inglês: Greenland; em dinamarquês: Gronland; na língua nativa: Kalaallit Nunaat) frequentemente aparecer com quase o mesmo tamanho do continente africano (devido a distorções na hora de se converter algo tridimensional em duas dimensões), obviamente ela é bem menor (cerca de 2,5 milhões de km quadrados, um pouco menor que a Argentina); mas é o lugar menos densamente povoado do mundo: apenas 56 mil pessoas moram lá, sendo 15 mil na capital, Nuuk. A ilha é coberta por uma espessa camada de gelo (ice cap, sendo que o ponto com maior espessura ultrapassa os 3 mil metros) em 84% do seu território; apenas 16% do território groenlandês não está coberto por gelo o ano todo. Com condições climáticas tão adversas, não é de se espantar que tão pouca gente more ali. Praticamente não existem estradas; a maior delas, que liga o povoado de Kangerlussuaq à geleira, tem apenas 40km de extensão. Como as povoações são extremamente dispersas, todo o transporte é feito mesmo por avião; a companhia aérea local, a Air Greenland (http://www.airgreenland.com), liga os povoados por meio de pequenos aviões e/ou helicópteros; existem três ou quatro voos semanais de e para Copenhagen; nesse caso, sempre se chega ou se sai de Kangerlussuaq, uma vez que este povoado possui o único aeroporto com pista capaz de comportar grandes aviões. Eu estive em dois lugares na Groenlândia, Kangerlussuaq e depois Ilulissat, que é mais "turística" e bem mais procurada por ter mais belezas naturais e atrações de interesse turístico. Para se ter uma ideia sobre a geografia da ilha, segue um mapa com as principais localidades:
Agora, ao relato propriamente dito:
30 de Abril: saída de Copenhagen e chegada em Kangerlussuaq
O voo de Copenhagen para Kangerlussuaq estava marcado para as 9:00h. Para quem não conhece, o aeroporto de Kastrupp tem acesso bastante facilitado, podendo-se chegar até lá de ônibus, trem ou metrô (este último funciona durante a noite toda, apesar de ter frequência reduzida de trens). O voo atrasou um pouco, saindo por volta das 9:30h. A duração do voo foi de 4 horas e 40 minutos, e a Groenlândia está 4 horas atrasada em relação à Dinamarca, portanto, o avião pousou no aeroporto de Kangerlussuaq às 10:10h. Além de mim, um casal dinamarquês na faixa dos sessenta anos também comprou o mesmo pacote; assim que chegamos no saguão do aeroporto, fomos recepcionados pelo guia Adam, um figura simpático, mestiço de dinamarquês com inuit (eles consideram o termo esquimó ofensivo; nunca o use caso viaje para a Groenlândia; ao invés dele, utilize o termo Inuit). O lugar em que ficaríamos hospedados ficava a 100 metros do aeroporto, então nem foi preciso transporte, fomos a pé até o Polar Lodge, um hotel muito simples, mas bem confortável. A temperatura estava acima do que eu estava esperando, por volta de 7 graus, e havia apenas alguns poucos lugares com neve remanescente, apesar dos lagos ao redor ainda estarem congelados; o guia me explicou depois que Kangerlussuaq, juntamente com a capital Nuuk, são os lugares com as condições climáticas mais amenas de toda a ilha. Kangerlussuaq nasceu como uma base militar americana durante a Segunda Guerra Mundial; em 1992, os americanos entregaram a base para a Dinamarca, e o povoado, de cerca de 800 habitantes, foi estabelecido. Após deixarmos nossas coisas no hotel, e de um breve descanso, fizemos o passeio programado para aquele dia: o "safári" na tundra; a intenção era de ver animais típicos da ilha em seu habitat natural, mas vimos apenas um boi almiscarado bem ao longe (foi preciso usar um binóculo para poder ver o bicho). Apesar de existirem muitos ursos polares na Groenlândia, eles não são comuns próximos às povoações (ficam mais restritos à camada de gelo), e caso apareça algum, deve ser abatido, pois é extremamente perigoso (isso ocorreu em 2007 em Ilulissat, meu próximo destino). Após um passeio pelos arredores de Kangerlussuaq, voltamos ao hotel e, à "noite" (nessa época, primavera, escurece lá pelas 23:00h e amanhece às 03:30h), Adam nos levou para jantar num ótimo restaurante à beira do congelado Lago Ferguson, o Rokluben, onde comi um filé de boi almiscarado; achei que a carne seria muito dura, mas muito pelo contrário, é bastante macia, e saborosa. Abaixo, fotos do Polar Lodge, do boi almiscarado visto pelo binóculo, uma panorâmica de Kangerlussuaq e do Lago Ferguson (tirada na entrada do Rokluben).