Acho que esse relato merece um tópico e estou copiando aqui um trecho complicado, talvez o mais complicado de toda a viagem:
"Quem ia a pé, estava mais rápido do que nós. Pingávamos suor de tanto esforço. Chegou o momento de cruzar o primeiro córrego. Uma vala com mais de dois metros de profundidade e também de largura. O nível da água era de meio metro. E o tronco que servia como ponte estava instalado a um metro abaixo do nosso nível, ou seja, para passar era preciso descer a moto, passar pelo tronco e subir a moto. Tudo sem poder errar 10 centímetros, tudo sem poder parar. Caso contrário, a moto iria cair, o piloto iria cair. A moto iria quebrar, o piloto iria quebrar. Uma chance para cada moto. Gostaria de ter filmado, mas tanto a filmadora como a máquina fotográfica já não tinham bateria (ficamos muitos dias sem energia elétrica). A proeza aconteceu. Renan conseguiu, desceu, acelerou e do outro lado subiu derrapando, enquanto todos olhavam apreensivos. Recebeu os parabéns, pela habilidade e pela coragem. Eu pilotei a moto por vários países, assim como Renan, mas aquilo não era pra mim... Renan fez a travessia das duas motos. Demoramos muito para pensar numa forma e passar pelo córrego, o que nos fez perguntar ao Pano - Tem muito disso aí pra frente? O sim da resposta ecoou em nossas cabeças. Era o famoso “fu-deu”.
Continuamos e nessa continuidade fomos caindo nas derrapadas da moto. Levantávamos. Cada vez mais cansados, cada vez mais sujos. As mochilas caiam, prendíamos de novo. Era algo deprimente. Creio que Renan pensava o mesmo que eu, na merda que tínhamos entrado. Mas só pensávamos, pois ambos gastavam suas energias tentando seguir, tentando incentivar o outro. Até que Pano nos diz que, na velocidade que estávamos, chegaríamos em quatro dias. Foi como receber um tapa na cara. Era o momento de parar e pensar.
Começamos a cogitar as possibilidades que, a grosso modo, eram 3: voltar, continuar e continuar sem as motos. Mas voltar como? Se a família de Pano tinha levado as duas canoas... e se esperássemos outra canoa vir nos resgatar e nos levar de volta a ilha de Mulatupo, como sairíamos de lá depois? Pois nosso barco já tinha partido e nosso dinheiro acabado, não tínhamos nem para comer, além disso, trata-se de um lugar sem polícia, órgão do governo, estrada pra pedir carona, nada... é uma ilha e pra sair de lá, só com grana... e mesmo conseguindo algo, um acordo com pagamento posterior, quanto tempo isso iria demorar? Talvez mais de uma semana. Possibilidade 2: continuar com as motos. Missão (até ali) quase impossível, nossas motos não eram próprias para aquele tipo de terreno, nossas energias pra levantar nós e as motos a cada 3 minutos também não suportariam 4 dias seguidos, isso se não piorasse (algo que iria acontecer, mas ainda não sabíamos). "
Fala galera, blz ?
Acho que esse relato merece um tópico e estou copiando aqui um trecho complicado, talvez o mais complicado de toda a viagem:
"Quem ia a pé, estava mais rápido do que nós. Pingávamos suor de tanto esforço. Chegou o momento de cruzar o primeiro córrego. Uma vala com mais de dois metros de profundidade e também de largura. O nível da água era de meio metro. E o tronco que servia como ponte estava instalado a um metro abaixo do nosso nível, ou seja, para passar era preciso descer a moto, passar pelo tronco e subir a moto. Tudo sem poder errar 10 centímetros, tudo sem poder parar. Caso contrário, a moto iria cair, o piloto iria cair. A moto iria quebrar, o piloto iria quebrar. Uma chance para cada moto. Gostaria de ter filmado, mas tanto a filmadora como a máquina fotográfica já não tinham bateria (ficamos muitos dias sem energia elétrica). A proeza aconteceu. Renan conseguiu, desceu, acelerou e do outro lado subiu derrapando, enquanto todos olhavam apreensivos. Recebeu os parabéns, pela habilidade e pela coragem. Eu pilotei a moto por vários países, assim como Renan, mas aquilo não era pra mim... Renan fez a travessia das duas motos. Demoramos muito para pensar numa forma e passar pelo córrego, o que nos fez perguntar ao Pano - Tem muito disso aí pra frente? O sim da resposta ecoou em nossas cabeças. Era o famoso “fu-deu”.
Continuamos e nessa continuidade fomos caindo nas derrapadas da moto. Levantávamos. Cada vez mais cansados, cada vez mais sujos. As mochilas caiam, prendíamos de novo. Era algo deprimente. Creio que Renan pensava o mesmo que eu, na merda que tínhamos entrado. Mas só pensávamos, pois ambos gastavam suas energias tentando seguir, tentando incentivar o outro. Até que Pano nos diz que, na velocidade que estávamos, chegaríamos em quatro dias. Foi como receber um tapa na cara. Era o momento de parar e pensar.
Começamos a cogitar as possibilidades que, a grosso modo, eram 3: voltar, continuar e continuar sem as motos. Mas voltar como? Se a família de Pano tinha levado as duas canoas... e se esperássemos outra canoa vir nos resgatar e nos levar de volta a ilha de Mulatupo, como sairíamos de lá depois? Pois nosso barco já tinha partido e nosso dinheiro acabado, não tínhamos nem para comer, além disso, trata-se de um lugar sem polícia, órgão do governo, estrada pra pedir carona, nada... é uma ilha e pra sair de lá, só com grana... e mesmo conseguindo algo, um acordo com pagamento posterior, quanto tempo isso iria demorar? Talvez mais de uma semana. Possibilidade 2: continuar com as motos. Missão (até ali) quase impossível, nossas motos não eram próprias para aquele tipo de terreno, nossas energias pra levantar nós e as motos a cada 3 minutos também não suportariam 4 dias seguidos, isso se não piorasse (algo que iria acontecer, mas ainda não sabíamos). "
Link:
http://www.motopangea.blogspot.com/
P.s.: Marcus Vinicius, valeu pelo link.
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