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  1. Com a chegada das monções fica difícil de programar uma subida em montanha, além do risco de fortes chuvas ainda convivemos com um grande inimigo que são os raios provenientes das tempestades. Lord e eu havíamos programado uma travessia pelos montes Kama e Gozaisho, porém com o tempo ruim não pudemos levar adiante esse plano, como no dia seguinte Lord não estaria livre para a escalada decidi fazer uma solo, coisa que a muito tempo eu não fazia. Entre seguir o programa do dia anterior e troca-lo, optei por escolher uma montanha onde nunca havia pisado antes, depois de pesquisar decidi subir o Monte Oike, o ponto mais alto da cordilheira de Suzuka, porém isso ainda parecia pouco e sozinho eu poderia seguir um ritmo próprio, então tomei a decisão de atravessar para o Monte Fujiwara, por uma rota pouco frequentada, pelo fato de iniciar em uma região de difícil acesso e uma longa trilha de 20 km. Parti bem cedo rumo a montanha, porém o acesso era um pouco mais difícil do que eu imaginava, depois de rodar um bom tempo por caminhos sinuosos, emburacados e com rochas que rolaram montanha abaixo cheguei em um local que parecia um inicio de trilha, consultei o GPS e descobri estar no ponto errado, porém o acesso ao destino certo estava fechado e se quisesse manter os planos teria que seguir a pé, o que aumentaria a minha caminhada em pouco mais de 1 hora. Sem muita opção decidi seguir assim mesmo, com o intuito de acelerar o passo nos trechos menos íngremes para recuperar o tempo perdido. Estacionei o carro e encontrei uma senhora que sabendo dos meus planos me perguntou se eu conhecia essa região muito bem, diante da minha negativa ela se surpreendeu com a minha coragem, o que me deixou com o pé atras e quase me fez acompanha-la até um pico secundário, porém ela frisou que eu ainda era novo e que aquele caminho não deveria um problema. Depois daquele impasse lá estava eu na trilha, era um trecho para passagem de carro, porém fechado com corrente para impedir o avanço dos mesmos. Algumas placas alertavam para a presença de ursos e dejetos pelos caminho realmente davam a presença deles como certa, como nunca avistei nenhum e com sinos balançando na mochila não me preocupei muito com isso, porém ali sozinho em uma região pouco freqüentada um ataque tanto de ursos quanto de javalis poderia ter proporções letais. Avancei em um ritmo alucinante e quando a subida apertou eu já estava morto de cansaço, sempre sofro um pouco nesses trechos iniciais e o calor misturado a alta umidade no meio da floresta me fizeram refletir se eu conseguiria concluir aquela trilha. Continuei subindo com afinco e logo o organismo se acostumou ao ritmo melhorando a sensação de mau estar. Alcançando uma crista, e consultando o mapa verifique que seguindo por ela era possível ascender ao Monte Oike, então retracei o trajeto e rumei crista acima. A crista arborizada trazia um ar fresco e me protegeria do sol por um longo período, em um caminho sem dificuldades alcancei um pico secundário, dali se podia avistar um tartarugão que era o Monte Oike, visivelmente o caminho até o topo parecia não ser fácil, mas havia uma trilha marcada que levava até um trecho rochoso e era exatamente por ali que eu deveria seguir, nesse momento decidi que se não conseguisse alcançar o cume dessa montanha até as 10 horas abortaria atravessar para outra e retornaria pelo mesmo caminho. Cheguei ao trecho rochoso e a visão era exuberante, quando algumas pessoas me perguntam se eu não tenho medo desses trechos eu foco minha visão nessas imagens e o medo se transforma em euforia, claro o medo tem que existir, mas apenas para que você faça as coisas com prudência e não que deixe de fazê-las por conta dele, apenas fazendo essas coisas que você conhece melhor os seus limites e desta forma acaba aprendendo o que pode e não pode fazer. Passado o trecho rochoso já se alcança o topo da montanha, porém o caminho até o cume é bem longo passando por uma extensa planície com muitas rochas e vegetação rasteira. Caminhando por este trecho pude visualizar o pico do Monte Fujiwara que parecia bem distante, ao longo do horizonte montanhas ainda nevadas como os Montes Ontake e Haku davam o ar da graça, devido ao dia limpo e sem nuvens. Conforme programado as 9:55 consegui atingir os 1247 metros do Monte Oike, fiz o meu primeiro descanso do dia e observei a paisagem local que com muitas rochas e arvores secas lembraram a caatinga brasileira. Depois de 15 minutos no local resolvi retornar minha jornada pois ainda faltava muito, a retomada da trilha que seguia para o Monte Fujiwara era um pouco confusa, me perdi e tive que descer um pedaço por uma canaleta com muita lama, mas no final consegui retomar a trilha certa. A paisagem que ligava as duas montanhas era um pouco diferente do que eu havia imaginado, ao invés da vegetação rasteira uma mata fechada tomava conta de tudo, fiquei confuso em diversos trechos até encontrar a crista que liga as duas montanhas, nesse momento retomei a subida e passei a enfrentar outro problema, caibras, os meus dedos começaram a arquear para baixo e isso indicava que depois de ter forçado tanto o ritmo precisava de um descanso. Me sentei ali no meio da trilha mesmo, depois de alguns minutos um senhor passou por mim, então resolvi retomar o caminho seguindo o ritmo dele, pra minha surpresa ele era muito mais rápido do que eu imaginava e com a perna ainda meio travada tive dificuldade em o acompanhar até que ele parou pra descansar, parei e conversei com ele que me disse que já iniciaria a descida pois já havia feito cume no Monte Oike, ele se impressionou com meu longo trajeto, me desejou sorte e segui em frente. Depois de mais um tempo de subida cheguei até um ponto que eu já conhecia, o local com torres de eletricidade por onde iniciamos a descida no ultimo inverno, dali até o cume do Fujiwara eu seguiria pelo mesmo caminho que havia feito, porém dessa vez sozinho e com uma paisagem completamente diferente tive a impressão de nem conhecer aquele local, o trajeto até um pico secundário que estava na programação seguiu sem problemas e o difícil mesmo foi sair dali e rumar para o abrigo onde havia programado o almoço. O mato ficou alto e a trilha foi sumindo, rodei pra lá, pra cá e nada, consultei o GPS e resolvi fazer um caminho alternativo, segui por uma crista e cai em um vale extremamente íngreme, decidi não amolecer e encarar logo aquela subida, porém meu estado físico já não era o mesmo, o joelho direito estava com uma dor aguda, comecei a usar o bastão de caminhada mas logo o joelho esquerdo também abriu o bico, me esforcei ao máximo mas uma hora sucumbi ao desgaste físico e tive que sentar. O abrigo não estava longe e a subida já havia terminado, porém faltava perna, creio que isto tenha servido muito bem para eu estudar o meu próprio limite. Depois de alguns minutos sentado percebi pela primeira vez a presença de um ser incomodo, sanguessugas, mesmo sem muita condição peguei minhas coisas e me mandei, depois de tudo que passei ainda ter que enfrentar sangramentos era demais para um dia só. Quando saí da mata fechada soprava um forte vento, nuvens negras se formavam rapidamente e a chuva que não estava programada parecia iminente, avistei o abrigo e rapidamente disparei em sua direção, na chegada antes que eu arrastasse a pesada porta ela se abriu, um homem de meia idade já estava deixando o local que então passou a contar apenas com a minha presença. Extremamente cansado e com o estômago meio revirado me alimentei mau, não que a comida estivesse ruim, pois levei um marmitão preparado com todo carinho pela minha esposa, mas depois de consumir tanto liquido e ficar exausto, não havia nada que eu quisesse devorar. Enquanto estive no local uma fina chuva caiu de leve e logo o tempo se abriu, então decidi partir mesmo cansado pois já estava prevendo que enfrentaria dificuldades na descida. Depois de uma leve descida comecei a subir a rampa que leva ao cume do Monte Fujiwara, no caminho encontrei 3 mulheres que retornavam do mesmo, segui em um ritmo bem forte, porém tive que fazer pequenas paradas. Já passava das 13:30 quando finalmente cheguei ao topo, como programado eu havia chegado ao meu segundo objetivo, parei para fazer algumas fotos e logo retomei o caminho pois o pior ainda estava por vir, a descida. Com uma certa dificuldade consegui chegar na crista oeste, um mato muito alto tomava conta de tudo e tive que desviar o caminho andando lateralmente em um trecho extremamente íngreme, depois dali era só descer rasgando até encontrar o rio, mas não foi tão fácil, aos poucos a crista foi virando uma floresta fechada e várias bifurcações deixavam a trilha bem confusa até que finalmente errei o caminho, chequei minha posição e tomei a errada decisão de continuar descendo até chegar ao rio. As trilhas foram feitas para serem seguidas e quando tentamos inventar em uma região que desconhecemos as chances de sucesso são pequenas, apesar de logo ouvir o barulho do riacho e conseguir avista-lo, chegar até ele não foi uma tarefa das mais fáceis, porém com a ajuda de diversos troncos de pinheiro caídos pelo caminho consegui vencer aquele trecho acidentado. Devido as fortes chuvas que antecederam a travessia, as margens do riacho não apresentavam boas condições e para piorar o meu caminho errado me faria andar mais tempo marginando ele, ficou aquele pula pra lá e pra cá e minhas pernas não aquentavam mais, o riacho havia ganhado status de rio e tive que começar a adentrar na água. Muito cansado decidi entrar na mata que marginava o rio, porém sem trilha e um caminho muito difícil desisti ao avistar um enorme cervo macho descendo em minha direção, por mais que eles costumam não atacar humanos preferi não hesitar contra um animal com chifres enormes. Mais um tempo sofrendo naquelas margens e finalmente encontrei o abrigo da Universidade de Nagóia, o local estava abandonado e com garrafas de saque espalhadas pra todo lado, o que indica que os estudantes costumam fazer outra coisa além de pesquisa de campo. Me sentei na porta do abrigo e consultei minha posição, mesmo sem condições físicas decidi partir pois o relógio já passava das 15 horas, então atravessei o rio dei de frente com um barranco. Observei bem aquele trecho para achar a entrada da trilha, estava extremamente confusa e quando achei algo que parecesse uma adentrei na mata. Realmente aquela era a trilha, mas bastou andar 5 minutos e o caminho novamente se tornou confuso, diversas cristas se dividiam em uma íngreme subida, todas levariam até a crista principal que era meu objetivo, então tive que optar por uma e em um dia daqueles é claro que escolhi o caminho errado. Quando me dei por conta do erro que havia cometido eu já havia subido um longo trecho, meu raciocínio me mandou voltar, mas as pernas não deixaram, continuei subindo já em ritmo de exaustão, a cada clareada na mata eu acreditava estar chegando na crista, porém era apenas ilusão de quem esta muito cansado. Com aquele caminho eu cairia em um trecho da crista mais acima do programado, o que além de me fazer subir mais, novamente aumentaria minha jornada. Quando cheguei àquela crista parecia nem acreditar, com uma sensação de alívio comecei a descer tranquilamente, afinal já havia passado ali e nada mais poderia dar errado, leso engano. Aos poucos comecei a perceber que o caminho estava estranho, não só estava estranho como estava errado, a crista havia bifurcado sem que eu percebesse e eu estava indo em direção a um outro rio, ao invés de seguir para uma ponte que atravessaria o mesmo. Muito cansado olhei para cima e desisti de voltar, pensei em segui até o rio e margina-lo até a ponte, o objetivo não estava longe porém aquele caminho ganhou uma dificuldade que eu não havia enfrentado até então. Muitas rochas e lama em um trecho íngreme, parar em pé parecia impossível, varias rochas começavam a se soltar assim que eu me apoiava nelas, decidi voltar mas já era tarde, após uma pedra se soltar cai de cara, por sorte na lama se tivesse sido em uma rocha o final poderia ter sido diferente. Sem saber o que fazer observei que havia uma canaleta a minha direita, me arrastei até o local que deveria chegar até o rio, então comecei a me arremessar naquela fenda ganhando 3, 4 metros a cada investida. Desta forma rapidamente eu alcancei o rio, claro que com muitas escoriações mas finalmente eu poderia beber água, coisa que eu não fazia a mais de uma hora pois além da minha reserva ter acabado o outro rio estava com a água muito turva para ser coletada. Só depois de matar a sede é que me dei conta de onde eu estava, havia uma barragem e placas de perigo indicavam que o local não era amistoso, mas eu não possuía outra alternativa, subi o muro de mais de 2 metros que do outro lado devia ter uns 7 metros, consegui descer coma ajuda de rochas que estavam escoradas na margem da barragem, depois disso ainda enfrentei mais duas dessas barragens até que finalmente avistei a ponte que era meu objetivo. Retomei a trilha com muito alívio, pois afinal dali em diante era praticamente impossível se perder, então andando por um caminho suave a expressão de cansaço da lugar a um sorriso de satisfação e me fez pensar em todo o trajeto daquele dia, as dificuldades, os erros, e o que leva uma pessoa a se arriscar passar por isso, creio que isso não tenha resposta, mas uma mescla de tudo é o que alimenta o meu desejo se estar cada vez mais em cima de uma montanha. ***Mais fotos no Blog: http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2013/08/travessia-monte-oike-monte-fujiwara.html Vídeo
  2. Essa travessia ocorreu em fevereiro de 2013, mais fotos nos links do blog e facebook: http://nandosilvauptothelimit.blogspot.jp/2013/03/monte-fujiwara-travessia-invernal.html http://www.facebook.com/media/set/?set=a.602028183147669.150100.100000214779467&type=1&l=fcb417d63e Monte Fujiwara - Travessia Invernal Durante a grande reunião anual do Suzuka Hiking Club, ficou decido que na semana seguinte haveria uma travessia no Monte Fujiwara. Taro que seria o líder dessa travessia me perguntou se eu estava dentro, disse que ainda não sabia se participaria, ele insistiu e confesso que ainda estava com um pé atras depois do que havia passado no Monte Shyaka. Ele me tranqüilizou e disse que seria diferente, pois aquela era outra montanha e com uma rota bem diferente. O Monte Fujiwara é a primeira das 7 montanhas de Suzuka no sentido Norte/Sul, com 1144 metros de altitude no ponto mais alto, essa montanha possui um topo bem extenso com diversos picos porém sem cristas, o que no inverno torna o topo um grande maciço reluzente, atraindo milhares de montanhistas que pretendem subir montanhas nevadas porém sem grande dificuldade. No dia que antecedeu a travessia uma frente vinda do Sul trouxe muita chuva, o que chegou a ameaçar a subida, porém o tempo melhorou e recebemos a confirmação com horário e local a se encontrar. A vantagem de ter chovido é que boa parte da neve situada na parte baixa da montanha haveria derretido e isso tornaria a subida menos cansativa do que encarar neve logo na entrada da trilha, a desvantagem é que o que sobrou da neve estaria dura e escorregadia. Cheguei com antecedência no estacionamento onde parte a trilha, depois de alguns minutos percebi que poderia estar no lugar errado, como ainda não compreendo os ideogramas japoneses muito bem, muitas vezes acabo me atrapalhando, porém consultando o que estava escrito no email e no local, tive certeza de estar no lugar errado. Liguei para Taro e disse onde estava, ele me confirmou que o ponto marcado não era ali, porém que eu poderia aguardar no local pois partiríamos dali. Enquanto aguardava, encontrei outro membro do grupo que me perguntou se o local de encontro estava certo, dei a noticia que estávamos errados porém poderíamos aguardar ali, pelo menos um japonês também havia errado como eu. Depois de alguns minutos chegaram mais sete pessoas e nos juntamos a uma mulher de fora do clube que faria a sua primeira experiência. Todos prontos com suas mochilas nas costas, que alias dessa vez estava bem pesada, com os itens básicos e fogareiro, panela, crampons e ainda as raquetes de neve amarradas do lado de fora. Recebemos um mapa e orientações de Taro explicando a rota, pois com a neve dura alguém poderia escorregar e acabar se perdendo dos demais. Seriam 14 km em apenas 1 dia sendo boa parte com neve, eu achei a rota meio longa, uma vez que três participantes nunca haviam subido uma montanha nevada, porém havia um plano B. Adentramos na trilha com muita lama, a rota não apresentava dificuldades, a única coisa que torna o Monte Fujiwara severo é o fato de serem quase 1000 metros de proeminência, sem nenhum descanso, é para o alto e avante. Passados alguns minutos a maioria do grupo estava pingando suor e tiveram que eliminar camadas, eu preferi passar frio no começo a cozinhar durante a subida. Quando passamos do 6º estágio, a trilha passou a ter gelo que foi aumentando até chegarmos no 7º e ocorreram muitos escorregões. Conforme nos aproximamos do 8º estágio, a neve se tornou espessa tingindo todo o chão de branco. Fizemos uma pequena pausa para recarregar as energias e depois seguir direto para um abrigo situado no topo da montanha, onde pretendíamos fazer a nossa refeição. Seguimos por um trecho que eles chamam de rota de inverno, pois não é usada em outra época, a neve estava dura e quebradiça, o que fazia com que muitas vezes ficássemos com os pés atolados em um buraco e aumentando o risco de lesões. Quando saímos de um bosque e entramos em uma grande rampa de neve a situação melhorou, então ganhamos velocidade e rapidamente chegamos ao abrigo. O local estava lotado de gente e resolvemos retardar o almoço e seguir para o cume, calçamos as raquetes e iniciamos uma descida para depois subir outro trecho. Soraya tomou a frente e alguns o seguiram, inclusive eu, pegamos um trecho muito íngreme e com muito vento, quando estávamos na metade e exaustos ele apontou para o lado dizendo que aquela era a rota certa, ali Taro e mais dois membros do grupo subiam com tranqüilidade, sofremos um desgaste desnecessário, porém chegamos ao cume antes dos demais. No cume pudemos apreciar a belíssima paisagem de inverno, faltou uma geada, mas nem tudo é perfeito e acertar o dia com tudo perfeito é coisa rara. Os grandes vizinhos Monte Oike e Monte Ryu pareciam tão próximos que dava até vontade de seguir pra lá. Alguns minutos ali, fotos individuais, fotos com o grupo e partimos de volta para o abrigo, pois já havia gente reclamando de fome. Photo by Taro - Suzuhai Esse trecho foi o mais divertido pois a descida parecia uma pista de esqui, então todos passaram a escorregar de bunda, as mulheres mais leves e com mochilas menores obtiveram grandes performances, eu com a mochila muito pesada e aquele apetrecho gigante nos pés não obtive muito êxito, porém passados 20 minutos e lá estávamos nós de volta ao abrigo, que aliás parecia estar mais cheio ainda. Diante desta situação, resolvemos não perder mais tempo e comer ali fora mesmo, a temperatura não era muito agradável, porém o sol fazia a sensação térmica melhorar consideravelmente. O brilho solar na neve era tão intenso q mau enxergávamos as chamas do fogareiro, comemos comida quentinha, com direito a ovo cozido distribuído por Gabi e ainda uns bolinhos doce, cortesia de Choke. Ficamos ali sentados jogando conversa fora até que levantamos acampamento pois a rota inicial seria seguida. Começamos uma grande travessia até o outro lado do topo, passamos por mais dois picos até que chegamos em uma planície com uma vista privilegiada, do local pudemos avistar diversos picos nevados, alguns a centenas de quilômetros de distancia, ao Norte o Monte Ibuki e o grande Monte Haku, a leste montanhas de mais de 3000 mil metros como o Monte Ontake e os Alpes do Centro, faltou o Monte Fuji, mas eu já estava satisfeito. Iniciamos a descida pela face norte da montanha, como haviam trechos de terra a maioria de meus companheiros seguiu somente de tênis, porém uma neve extremamente dura e escorregadia anunciava o perigo em um trecho bem íngreme, foi então que Fumifumi caiu em um buraco, ao tentar sair dele acabou escorregando e seu corpo girou de cabeça para baixo começando a deslizar sem controle, disparei na direção dela e não teria obtido sucesso caso uma árvore no meio do caminho a obstruísse sem causar danos, ajudei ela a se levantar e meio grogue ela continuou a descida. Um pouco mais a frente novo contratempo, em um trecho com uma bifurcação de 2 vales, Gabi deixou sua garrafa térmica escorregar bem no caminho que não seguiríamos, eu sugeri que ela abandonasse, mas como ela queria muito aquilo eu e Choke descemos até lá pra tentar o resgate, quando já dávamos certo que não acharíamos eis que ele acabou encontrando a garrafa em um buraco junto a uma árvore, pura sorte e a partir disso o duro foi sair daquele vale já muito cansado. O sol começou a baixar e voltamos a caminhar na lama, enfrentamos trechos muito acidentados e com erosão, o que acabou retardando um pouco a descida, porém ainda com luz natural alcançamos a estrada. Caminhamos um trecho até chegar ao local onde a maioria havia deixado o carro, deixamos a carga lá e fomos tomar um café com direito a lareira e pão assado no forno a lenha, que serviu para fechar com chave de ouro esta travessia.
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