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  1. Impulsionado por algum relato lido aqui, na procura de um lugar pra passar as férias depois de um ano bem atribulado no trabalho, resolvi passear no final do mundo. Primeiro, ia fazer a trilha até Plaza de Mulas, no Aconcágua. Muito caro. Ushuaia. Pareceu urbano demais. Torres del Paine. Estava melhorando. Mas será que tem algo além disso? Tinha... Preparação: Navarino, pra quem está acostumado a fazer trilhas ou travessias de alguns dias, não apresenta dificuldade técnica. Não há grandes relevos nem trechos de escalada. Há dificuldade de orientação em alguns momentos, mas meu pior inimigo foi o clima. Levei tudo dentro sacos estanques e tudo tem que estar em algum recipiente impermeável. Escolha bem sua roupa de chuva, porque você vai estar com ela o dia todo, leve um par de meias pra cada dia e um par extra (mantenha os pés secos!) e muda de roupas pra dormir. Tive problemas com a barraca, que vou explicar mais além. Obs.: Todos os guias de viagem recomendam fazer em cinco dias. Acho que quatro são suficiente, podendo fazer até em três se gostar de andar bastante (emendando dias 1-2, 3-4 e o 5 sozinho). No verão você tem por volta de dezoito horas de luz diárias, se considerar uma média de 6-7 horas de caminhada por trecho, emendando dois trechos ainda sobra luz ao final do dia. Na verdade, não estava muito afim de chegar duas, três da tarde nos acampamentos e ficar oito horas fazendo vários nadas dentro da barraca, debaixo de chuva até a hora de dormir. Conheci no hostel um francês que fez a travessia em DOIS dias, mas acho meio insano e... sinceramente, depois do trabalho que deu pra chegar lá você quer fazer tudo correndo? Orientação: Levei um Garmin eTrex 30x com mapa do Proyecto Mapear e track do wikiloc, procurei a mais detalhada. Até dá pra se virar sem ele se não tiver neve no caminho, mas alguns trechos são um pouco confusos. Também foi junto o Guia de Trilhas Trekking (Vol. 2) da ed. Kalapalo como backup, caso ficasse sem baterias. Acabei consultando os dois em algumas horas... Vale lembrar que só nevou no último dia. Vi que muitos gringos usavam bastante o aplicativo MAPS.ME no celular. Usei o Strava pra registrar a caminhada, mas no final do terceiro dia fiquei sem bateria, mesmo com power bank. Acho que esqueci de carregar completamente antes de sair. Comida: Liofilizado para 6 dias (sou meio paranóico com ficar perdido e achar que vou ficar isolado do mundo por dias até ser resgatado, então levo comida extra sempre) - usei aquela dica de fazer a refeição principal antes de sair, de manhã, e deu super bem. Fiz sempre o equivalente a duas porções/dia (1 refeição pra 2 pessoas ou misturava 2 porções individuais). Um sachê de capuccino pra cada manhã e um envelope de sopa de caneca pra cada noite. Além disso, comprei no mercadinho um pacote de frutas secas pra comer no caminho, meia dúzia de pão sírio pra comer com a sopa e um salame. Água: o primeiro dia é meio escasso, então saí do hostel com 2l (1l na garrafa e 1l no reservatório). Do primeiro acampamento em diante a água é abundante e limpa, não precisa se preocupar em estocar muito. Pegue água dos córregos e degelos, evite das lagoas (pode haver cocô de animais, eles nadam, moram lá, etc). Levei pílulas de cloro mas não utilizei. Algumas coisas que falaram pra levar porque ia ser importante e não usei: Repelente: Falaram que tem insetos mil, era indispensável, leve litros, existem nuvens voadoras que fazem o céu ficar preto, aquele exagero todo. De fato tem bastante insetos próximo ao lago e nos bosques, mas eles não incomodaram nem fui picado. Lanternas: nem de cabeça nem de barraca - como tive só 4 horas de escuridão lá e não escurece 100%, só ocupou espaço... Protetor Solar: a radiação é terrível neste ponto do planeta, mas os dias estavam sempre nublados (quando não chovendo). Como estava coberto da cabeça aos pés com capa de chuva, só haveria necessidade de passar no rosto. Usei no primeiro dia e só. Fora isso, kit de primeiros socorros, kit de costura e reparos, kit de higiene, kit banheiro. Usei pouco esses, felizmente. Ah, não esqueça da garrafa de gatorade pro pipi móvel... Acesso: Existem três formas de chegar à Isla Navarino e Puerto Williams: Via Ushuaia, marítimo: Existem agências que fazem a travessia do canal, se não me engano custa uns US$ 120 e eles te deixam em Puerto Navarino (cerca de 50km de Puerto Williams, leva umas duas horas de carro porque a estrada é péssima). Uma van vai passar lá pra levar vc até a cidade e tem que marcar depois o transfer pra volta. Não sei muitos detalhes, mas o brasileiro que encontrei no hostel me disse que a agência obrigou a fazer uma venda casada e comprar uns pacotes de passeios junto. Isso e mais além de ter que fazer duas vezes aquele trâmite de fronteira não muito amigável não me agradam. Além disso, ele disse que teve que sair atrás dos carabineros porque não tinha ninguém no atracadouro… enfim, preferiria por outros métodos; Via Punta Arenas, aéreo: A DAP (https://dapairline.com/) possui voos regulares de Punta Arenas para Puerto Williams (Aeropuerto Guardia Marina Zañartu - WPU). A informação que tive à época da pesquisa (maio/16) foi: Voos de segunda à sábado saindo de Punta Arenas às 10h e retorno às 11:30. Ida e volta: CLP 143.000 Somente Punta Arenas - Puerto Williams: CLP 75.000 Somente Puerto Williams - Punta Arenas: CLP 68.000 Franquia de bagagem: 10kg As desvantagens são: poucos assentos - normalmente é um Cessna bimotor ou, se não me engano, uma vez por mês vai um jato BAe que tem maior capacidade; e o limite de carga. Dá pra negociar o excesso de bagagem, mas como estava com 22kg de mochila e mais uma a tiracolo, não quis arriscar. Optei pelo próximo serviço, que é… Via Punta Arenas, marítimo: Mais detalhes no post que fiz separado: http://www.mochileiros.com/de-punta-arenas-a-puerto-williams-30-horas-no-yaghan-fotos-t140661.html Cidade: Puerto Williams é uma cidade minúscula (cerca de 2200 habitantes), que está em processo de modernização. Há várias obras de pavimentação e percebe-se que mais ao fundo da cidade as casas são novas. Boa parte dos moradores têm alguma relação com as forças armadas, visto que é um ponto estratégico de defesa chileno (frequentemente você vai encontrar algum navio da marinha patrulhando a região). Lá tem um de cada. Um banco, uma agência dos correios, uma agência de turismo, um hospital, alguns mercadinhos, alguns restaurantes… assim vai. A cidade parece ser movida a lenha, por onde você andar vai ver pilhas e pilhas estocadas para os aquecedores. Hospedagem: os estabelecimentos são, em sua maioria, casas convertidas em pousada. São estabelecimentos simples e confortáveis. Fiquei hospedado no Pusaki, onde a Patty, uma senhora adorável que visitou várias vezes a Europa nas suas férias, entende um pouco de francês, enrola um italiano, mas não sabe nada de inglês. A pedido, ela faz um jantar com centolla fresca que parece sensacional (eu estava no modo econômico, então só fiquei vendo o pessoal deglutindo o crustáceo enquanto roía meu miojo trilheiro). Paguei CLP 15.000 pela cama em um quarto para seis pessoas e há opção por quarto duplo com banho separado (CLP 45.000). Café da manhã simples incluído, normalmente ela não faz almoço pros hóspedes. Jantar CLP 12.000, jantar com centolla CLP 15.000. P.S> Se souber arranhar um francês ou quiser trocar uma idéia sobre europa, vai ajudar a ganhar a simpatia dela. Cheguei na virada de 30 para 31/12 à meia-noite. Fui direto ao hostel, dia seguinte fui me registrar nos carabineros, passei no mercadinho ao lado pra comprar pão, comprei uns postais pra escrever no caminho, voltei pro hostel pra revisar o equipamento, fechar a mochila e deixar no hostel as coisas que não ia usar. O tempo não deu muita trégua, nublado por volta de 5-10 graus e às vezes caía uma chuva fininha bem chata. Fiquei meio apreensivo de achar que ia pegar o tempo todo assim, mas paciência. Como era ano novo, rolou um jantar especial, churrasco e vinho. Fui dormir cedo porque amanhã começava a aventura. Continua...
  2. Asustador e fantástico ao mesmo tempo. EU QUERO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
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