Como na nossa última roadtrip passamos um bom perrengue por causa de pneus, aprendemos a lição. Mesmo sendo uma viagem mais curta e por uma estrada já conhecida, dessa vez levamos dois estepes. Melhor prevenir do que remediar.
A ideia era fugir da agitação das praias do sul do Brasil durante o carnaval. Escolhemos o Uruguai como destino principal e incluímos Buenos Aires no roteiro — principalmente para cumprir uma promessa: levar a Juliana a um restaurante estrela Michelin (algo que não conseguimos na última vez que estivemos por lá).
Com um roteiro que misturava camping, praia e cidades como Punta del Este e Buenos Aires, partimos para essa viagem em terras hermanas — daquelas simples no planejamento, mas que acabam sendo exatamente o que a gente precisava.
🏕️ Dias no camping — Parque Santa Teresa
Saímos mais tarde do que o previsto e começamos a viagem às 8h, em direção ao Chuí. A travessia pelos pampas e pela Estação Ecológica do Taim é sempre interessante. A paisagem mistura beleza e dureza: capivaras aparecem com frequência — vivas… e também atropeladas. Mesmo com sinalização, ainda é comum ver motoristas ignorando limites de velocidade, o que acaba explicando o cenário ao longo da estrada.
Chegamos à fronteira por volta das 14h e fizemos a parada obrigatória no freeshop. O movimento era intenso — depois entendemos: uruguaios aproveitando o câmbio favorável como se não houvesse amanhã. Stanley pra todo lado.
Almoçamos um pancho para entrar no clima da viagem e seguimos em direção a imigração. Tudo certo com a documentação.
Poucos quilômetros depois, já avistávamos o Parque Nacional Santa Teresa.
Santa Teresa é daqueles lugares que parecem simples… até você começar a viver ali.
O parque é imenso, cercado por vegetação nativa, praias e vida selvagem. É administrado pelo exército uruguaio, que mantém tudo muito bem cuidado. Não é permitido entrar com animais domésticos, e nem todas as áreas são liberadas para camping, mas há boa estrutura — inclusive cabanas para quem não encara barraca.
Fomos direto para um ponto onde já havíamos acampado em outra viagem — próximo à praia, banheiro e a um pequeno mercado dentro do parque.
Montar a barraca, como sempre, foi um pequeno desafio. Ela é fácil… quando você faz certo. Antes de anoitecer, estava tudo pronto.
Preparamos um macarrão simples e brindamos com “una cerveza helada” sob um céu absurdamente estrelado.
Acordar em Santa Teresa tem outro ritmo.
O silêncio, o ar mais fresco, o tempo desacelerado. Enquanto tomava um mate, fui organizando nossa pequena mesa improvisada de café da manhã.
Sem muita pressa, seguimos para a praia mais próxima, La Moza. O dia estava daqueles que não pedem planejamento — bastava estar ali. Voltamos para o almoço e improvisamos um omelete com o que ainda restava, descansamos um pouco e, no meio da tarde, retornamos à praia, dessa vez mais equipados para ficar até o sol baixar.
Foi ali que vimos uma família uruguaia jogando tejo — uma espécie de bocha na areia. A disputa era séria. O patriarca venceu todos, inclusive o avô. Respeito.
Quando o sol começou a cair, voltamos ao acampamento e começou um dos desafios modernos do camping: carregar o celular.
Saímos em busca de uma tomada — tentamos conveniência, posto… nada. Voltamos ao parque sem sucesso, até que encontramos uma solução improvável: a padaria.
A dona, muito simpática, nos cedeu uma tomada. Ficamos ali conversando enquanto esperávamos alguns minutos de carga — o suficiente para seguir desconectados depois.
À noite, repetimos o básico: pancho e fogueira.
Simples. E perfeito.
No dia seguinte, o café foi mais caprichado: tapioca com dulce de leche e banana.
Saímos caminhando até a entrada do parque para conseguir sinal de internet. O céu, que amanheceu nublado, abriu completamente — e o sol veio forte. Sem água, sem protetor. Clássico erro de viagem.
De volta ao acampamento, começamos a preparar o almoço. No meio do processo, o fogareiro apagou.
Gás acabou.
Fui até o mercadinho do parque — nada. Me disseram que talvez encontrasse na cidade. Tivemos que improvisar: empadas no lugar do almoço e um leve ajuste nos planos.
À tarde, fomos até Punta del Diablo com uma missão dupla: curtir a praia e encontrar o refil de butano.
No primeiro mercado, nada. No segundo, nada. Até que indicaram uma loja de caça e pesca mais adiante.
E lá estava.
Missão cumprida.
Fomos então aproveitar a praia, que estava perfeita: mar calmo, água quente e aquele clima de verão que não pede mais nada.
Ficamos até o entardecer.
À noite, começamos a organizar tudo para seguir viagem no dia seguinte.
Encerrávamos nossa estadia em Santa Teresa com um céu limpo, estrelado e aquela sensação de que o essencial — quando bem vivido — já é suficiente.
Prefácio
Como na nossa última roadtrip passamos um bom perrengue por causa de pneus, aprendemos a lição. Mesmo sendo uma viagem mais curta e por uma estrada já conhecida, dessa vez levamos dois estepes. Melhor prevenir do que remediar.
A ideia era fugir da agitação das praias do sul do Brasil durante o carnaval. Escolhemos o Uruguai como destino principal e incluímos Buenos Aires no roteiro — principalmente para cumprir uma promessa: levar a Juliana a um restaurante estrela Michelin (algo que não conseguimos na última vez que estivemos por lá).
Com um roteiro que misturava camping, praia e cidades como Punta del Este e Buenos Aires, partimos para essa viagem em terras hermanas — daquelas simples no planejamento, mas que acabam sendo exatamente o que a gente precisava.
🏕️ Dias no camping — Parque Santa Teresa
Saímos mais tarde do que o previsto e começamos a viagem às 8h, em direção ao Chuí. A travessia pelos pampas e pela Estação Ecológica do Taim é sempre interessante. A paisagem mistura beleza e dureza: capivaras aparecem com frequência — vivas… e também atropeladas. Mesmo com sinalização, ainda é comum ver motoristas ignorando limites de velocidade, o que acaba explicando o cenário ao longo da estrada.
Chegamos à fronteira por volta das 14h e fizemos a parada obrigatória no freeshop. O movimento era intenso — depois entendemos: uruguaios aproveitando o câmbio favorável como se não houvesse amanhã. Stanley pra todo lado.
Almoçamos um pancho para entrar no clima da viagem e seguimos em direção a imigração. Tudo certo com a documentação.
Poucos quilômetros depois, já avistávamos o Parque Nacional Santa Teresa.
Santa Teresa é daqueles lugares que parecem simples… até você começar a viver ali.
O parque é imenso, cercado por vegetação nativa, praias e vida selvagem. É administrado pelo exército uruguaio, que mantém tudo muito bem cuidado. Não é permitido entrar com animais domésticos, e nem todas as áreas são liberadas para camping, mas há boa estrutura — inclusive cabanas para quem não encara barraca.
Fomos direto para um ponto onde já havíamos acampado em outra viagem — próximo à praia, banheiro e a um pequeno mercado dentro do parque.
Montar a barraca, como sempre, foi um pequeno desafio. Ela é fácil… quando você faz certo. Antes de anoitecer, estava tudo pronto.
Preparamos um macarrão simples e brindamos com “una cerveza helada” sob um céu absurdamente estrelado.
Acordar em Santa Teresa tem outro ritmo.
O silêncio, o ar mais fresco, o tempo desacelerado. Enquanto tomava um mate, fui organizando nossa pequena mesa improvisada de café da manhã.
Sem muita pressa, seguimos para a praia mais próxima, La Moza. O dia estava daqueles que não pedem planejamento — bastava estar ali. Voltamos para o almoço e improvisamos um omelete com o que ainda restava, descansamos um pouco e, no meio da tarde, retornamos à praia, dessa vez mais equipados para ficar até o sol baixar.
Foi ali que vimos uma família uruguaia jogando tejo — uma espécie de bocha na areia. A disputa era séria. O patriarca venceu todos, inclusive o avô. Respeito.
Quando o sol começou a cair, voltamos ao acampamento e começou um dos desafios modernos do camping: carregar o celular.
Saímos em busca de uma tomada — tentamos conveniência, posto… nada. Voltamos ao parque sem sucesso, até que encontramos uma solução improvável: a padaria.
A dona, muito simpática, nos cedeu uma tomada. Ficamos ali conversando enquanto esperávamos alguns minutos de carga — o suficiente para seguir desconectados depois.
À noite, repetimos o básico: pancho e fogueira.
Simples. E perfeito.
No dia seguinte, o café foi mais caprichado: tapioca com dulce de leche e banana.
Saímos caminhando até a entrada do parque para conseguir sinal de internet. O céu, que amanheceu nublado, abriu completamente — e o sol veio forte. Sem água, sem protetor. Clássico erro de viagem.
De volta ao acampamento, começamos a preparar o almoço. No meio do processo, o fogareiro apagou.
Gás acabou.
Fui até o mercadinho do parque — nada. Me disseram que talvez encontrasse na cidade. Tivemos que improvisar: empadas no lugar do almoço e um leve ajuste nos planos.
À tarde, fomos até Punta del Diablo com uma missão dupla: curtir a praia e encontrar o refil de butano.
No primeiro mercado, nada. No segundo, nada. Até que indicaram uma loja de caça e pesca mais adiante.
E lá estava.
Missão cumprida.
Fomos então aproveitar a praia, que estava perfeita: mar calmo, água quente e aquele clima de verão que não pede mais nada.
Ficamos até o entardecer.
À noite, começamos a organizar tudo para seguir viagem no dia seguinte.
Encerrávamos nossa estadia em Santa Teresa com um céu limpo, estrelado e aquela sensação de que o essencial — quando bem vivido — já é suficiente.
