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Jerusalém - Israel


Oswaldo Bak

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Jerusalém, a cidade sagrada

 

nosso blog: www.212dias.blogspot.com

 

Fizemos o trecho Tel Aviv-Jerusalém de ônibus. Setenta quilômetros separam as duas principais cidades do país. O ônibus estava cheio e a viagem foi tranquila, durou mais ou menos uma hora. A estrada é boa e os ônibus saem a cada trinta minutos da rodoviária central de Tel Aviv, uma das maiores do mundo. Partimos ao meio-dia, acompanhados por outros 40 passageiros e alguns jovens soldados. No nosso ônibus eram uns seis ou sete, homens e mulheres, com metralhadoras enormes a tiracolo. Nós já sabíamos da escolta, mesmo assim sentimos uma mistura de tensão e insegurança, mas tudo fluiu bem. Em Israel o serviço militar é obrigatório e todos os israelenses ao completarem 18 anos têm que passar três anos no exército - dois anos para as mulheres.

 

Chegamos em Jerusalém numa tarde quente e ensolarada. Pegamos um táxi que nos levou até a rua do nosso hotel no centro da cidade. O taxista era um palestino muito simpático que depois de meia dúzia de palavras nos ofereceu uma corrida a Ramallah para conhecermos o lado árabe do país. Ele cobraria cerca de R$100,00 para ficar o dia todo com a gente. Cruzar a fronteira é fácil o difícil é conseguir voltar, ou seja: o melhor é estar com alguém local. Na volta de Ramallah, os soldados israelenses costumam burocratizar o retorno ao país e isso pode ser uma tremenda dor de cabeça. A tentação foi grande, mas não fechamos o passeio porque preferimos focar nosso tour na cidade sagrada de Jerusalém como planejado.

 

Fomos correndo para a Old Town. O cenário de ruas estreitas, o clima árido, o tom bege das casas, e o vai e vem dos locais nos fizeram perceber que tínhamos chegado a uma terra muito diferente de todas as outras que conhecemos. O clima de fé e o encontro de três religiões nesse lugar altamente sagrado dão a Jerusalém uma característica única e nos fazem pensar no por que essa terra é tão disputada há milhares de anos, por tantos povos. É uma das cidades mais antigas do mundo, atualmente tem pouco mais de 800 mil habitantes – cerca de são 200 mil palestinos.

 

A cidade onde Jesus Cristo passou grande parte de sua vida, foi crucificado e subiu aos céus é o principal local de peregrinação para os cristãos do mundo inteiro. Para os judeus, o Muro das Lamentações, que fica dentro da cidade murada, representa o que restou do Templo de Jerusalém, construído na época do Rei Salomão, cerca de mil anos antes de Cristo. É o lugar mais sagrado da religião judaica. Logo atrás do muro ficam a Mesquita de Al Aqsa e o Domo da Rocha (Mesquita de Omar), o local de partida para a viagem aos céus realizada pelo profeta Maomé. Jerusalém concentra essa imensa carga histórica e religiosa e parece uma panela de pressão. Para nós foi uma experiência fascinante conhecer de perto e entender um pouco melhor a origem e os rituais de cada uma das três religiões.

 

A cidade antiga de Jerusalém é murada e claramente dividida entre as três religiões. Existem o quarteirão árabe, o judaico, o cristão e o armênio (também cristão). As quatro religiões sempre disputaram seu espaço e formam um mundo à parte. As diferenças culturais são evidentes quando dobramos cada esquina, quando cruzamos cada uma das fronteiras invisíveis. O lado judaico é mais solto, mais musical. Há crianças brincando nas escolas e grupos de jovens cantando musicas típicas. Já do lado muçulmano, o comércio domina praticamente todas as ruas, as pessoas são mais sérias e as mulheres se cobrem dos pés à cabeça.

 

Transitar pelas ruas da Old Town é tranquilo, mas, seja qual for o lado, as mulheres têm que estar vestidas adequadamente, já que é um local altamente sagrado e usar roupas curtas ou decotes avantajados pode ser visto com maus olhos.

 

Às vezes, caminhar pelo mercado da cidade velha parece uma viagem ao passado, algumas lojas lembram tendas que pararam no tempo. São milhares de bugigangas, artigos religiosos, tecidos, temperos e souvenirs. As peregrinações cristãs são praticamente diárias, não se assuste se você der de cara com trezentas pessoas refazendo os passos de Jesus Cristo carregando a cruz pela Via Dolorosa. Conhecer Jerusalém é sentir o encontro entre o mundano e o celestial e entender o que é uma Cidade Santa, mesmo que a sua interpretação e identificação sejam totalmente terrenas. Existem inúmeros lugares sagrados e históricos para conhecer em Jerusalém, nós listamos o que é realmente imperdível na cidade.

 

A Igreja do Santo Sepulcro fica no mesmo lugar onde Jesus Cristo foi crucificado, banhado após a morte e onde ele ressuscitou. A igreja só foi construída pelos romanos no século IV. A basílica foi destruída e reconstruída várias vezes, até que em 1099, durante as cruzadas, ela foi reerguida e permanece intacta até hoje. A energia e a força que esse lugar carrega são impressionantes. O túmulo simbólico de Jesus Cristo é um dos pontos mais disputados, quase sempre está lotado. Nós só conseguimos entrar na tumba na segunda visita à igreja, na primeira vez a fila estava enorme, com muitos grupos de excursão. Milhares de fiéis do mundo inteiro lotam a igreja, um lugar muito sagrado para o cristianismo.

 

O monte das Oliveiras foi o local onde Jesus viveu e se escondeu nos últimos anos de sua vida, lugar onde pregou seus ensinamentos. Aos pés do monte, fica a gruta onde Jesus e seus apóstolos se esconderam – Getsêmani – hoje situada no pátio da Igreja de Todas as Nações. No mesmo pátio ainda existem oliveiras daquela época.

 

O mais emocionante da visita ao Monte das Oliveiras foi chegar ao topo. É um lugar muito lindo, com vista espetacular da cidade antiga de Jerusalém. Chegar ao ponto mais alto do Monte das Oliveiras é uma aventura. Dá para ir a pé, mas é preciso se preparar para uma boa e íngreme caminhada. Muitos taxistas se oferecem para fazer a corrida, mas nós fomos caminhando a partir da cidade antiga, que fica perto de lá. Como o Monte das Oliveiras fica na parte palestina de Jerusalém, o cenário e as pessoas são bem diferentes da área onde a maioria dos turistas costuma se hospedar – o lado ocidental. No lado oriental, as casas são mais simples, as mulheres usam o véu e há várias crianças brincando na rua.

 

A subida vale muito a pena, o por do sol atrás da cidade antiga de Jerusalém é um show à parte e confirma o apelido “Jerusalém Dourada”. De lá também se tem uma vista panorâmica do cemitério judaico mais antigo do mundo, são mais de 2.500 anos de história.

 

Há dezenas de séculos é o local onde os judeus rezam e fazem pedidos. A qualquer hora do dia, o muro estará cheio de religiosos para as rezas diárias. Existe o lado dos homens e o lado das mulheres. No dos homens, há uma parte coberta, por onde o muro se prolonga e tem biblioteca e até ar-condicionado. Uma dica para as mulheres: não deixe de levar um lenço para cobrir braços e ombros, depois de passar pela revista os guardas israelenses sempre pedem que todas se cubram. Se você tiver a chance de conhecer o Muro das Lamentações numa sexta-feira ao entardecer, não perca essa oportunidade.

 

Essa é a hora do Shabat, a reza de encerramento da semana que antecede o sábado, dia do descanso para os judeus. Nós presenciamos a cerimônia e foi muito emocionante. A área ao redor do muro começou a lotar a partir das seis da tarde. Pessoas de todos os lugares do mundo e de várias idades lotavam a praça. A parte masculina ficou lotada de ortodoxos rezando freneticamente. Jovens e soldados cantavam músicas nacionalistas, enaltecendo o Estado de Israel. As mulheres espremidas do lado feminino – muito menor que o masculino - também cantavam e rezavam. O Shabat foi uma grande celebração, um momento marcante da viagem para nós.

 

Domo da Rocha

Conhecer a parte sagrada dos muçulmanos dentro da cidade antiga de Jerusalém não é fácil, para nós também não foi. Muita gente deixa de conhecer de perto esse lado seja por dificuldade ou por receio. Para quem não é muçulmano entrar no pátio onde ficam o Domo da Rocha e a Mesquita Al Aqsa não é tarefa fácil. É preciso passar por uma checagem de documentos bastante rígida. Há uma passarela de madeira que liga os dois lados. É um ambiente um pouco tenso porque existem vários homens armados no local. Ao chegarmos do lado muçulmano fomos abordados por um guarda que nos vendeu dois lenços para cobrirmos as pernas.

 

Mesquita Al Aqsa

Infelizmente não pudemos entrar nem no Domo da Rocha, nem na Mesquita Al Aqsa porque não somos muçulmanos. Só pudemos apreciar a beleza do lugar do lado de fora. O acesso de turistas à parte islâmica só é permitido das 8h às 11h, depois disso ninguém entra lá.

 

Fora da cidade murada ...

 

O estilo de vida fora da cidade antiga é uma mistura de religiosidade e comércio intenso, tem o mesmo ritmo de qualquer cidade grande. Há vida noturna, bares, restaurantes e tudo acontece normalmente, a diferença são os trajes e o estilo de boa parcela da sociedade tanto do lado árabe, como do lado judaico. Numa das noites fomos a um mercado bastante tradicional, o Mahane Yehuda. Centenas de judeus ortodoxos com seus paletós pretos e pesados e chapéus faziam as compras do fim do dia. As mulheres também seguem o estilo tradicional com suas perucas, lenços no cabelo e roupas fechadas. Foi bem interessante observar esse mercado com público tão exótico. É um lugar que vale a pena conhecer, seja pelos produtos de ótima qualidade, pela experiência ou pelo simples passeio. Lá dentro tem mais de 250 barracas, alguns restaurantes charmosos e até uma mini-sinagoga. Lá encontramos o melhor pistache do mundo!

Do lado árabe também existe o Mercado de Damasco, que é uma espécie de feira, onde se vende de tudo! O nome do mercado é uma homenagem à capital da Siria, porque fica numa avenida que, em linha reta, ligava a cidade a Jerusalém.

 

Jerusalém é assim... Patrimônio da Humanidade da UNESCO desde 1981, uma daquelas cidades que todos deveriam conhecer um dia na vida. Um lugar sagrado, exótico, de energia única. O falafel é o prato que mais se encontra nas esquinas de Jerusalém, seja na parte árabe, judaica ou cristã. É fácil andar pela cidade, o transporte público funciona. É um lugar seguro, apesar do histórico de conflitos.

 

De onde viemos: Tel Aviv, Israel (de ônibus)

Para onde vamos: Tiberíades, Israel (de carro)

 

JERUSALÉM - ISRAEL

Hospedagem: 50 dólares/dia - The Jerusalem Little Hotel - muito bom

Transporte: a pé, tram, táxi e carro - muito bom

Culinária : 10 dólares por prato - bom

Hospitalidade do povo local: regular

Pontos Turísticos: excelentes

Preços: regular

Clima Local (média 30 graus): muito bom

Fuso Horário: 07 horas a mais em relação ao Brasil

Distância Percorrida desde o último destino: 70 km

Distância Percorrida desde o ponto de Partida (Lisboa): 14.686 km

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