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Canton Fair - Guangzhou, China - Abril/12 Relato e Dicas


Julinnha

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Resolvi escrever esse relato de viagem, para tentar ajudar a esclarecer algumas dúvidas comuns para quem pretende ir a Canton Fair na China. Alguns amigos também foram a Guangzhou e meus relatos os ajudaram, então comentarei algumas situações das quais passei.

 

Minha viagem aconteceu em abril de 2012 e durou 12 dias.

 

Vou inserir as fotos no final, para o texto ficar mais objetivo.

 

Destino: Canton Fair.

A Canton Fair é a maior feira internacional do mundo com pouco mais de 1milhão de m². Localiza-se na cidade de Guangzhou, ao sul da China. A feira é dividida em 3 etapas, com intervalo de 1 semana em cada um. É composta por diversos setores que expõe diversos tipos de produtos, desde máquinas industriais, eletrônicos a textil. Há visitantes do mundo inteiro e ela acontece duas vezes ao ano, em abril e em outubro.

Decidi ir a Canton Fair em busca de fornecedores para minha empresa de importação. Através do site da feira, solicitei meu convite para entrada. No cadastro é necessário informar seus dados pessoais, incluindo passaporte e dados de sua empresa, bem como que tipo de produto estaria visando visitar. Também é necessário inserir uma foto sua, coisa que eu não fiz, por isso não foi liberado minha entrada, explico como solucionei isso mais abaixo.

 

Visto:

O consulado chinês é bem tranquilo na emissão do visto, não solicitam seguro saúde, porém exigem o voucher de seu hotel. Como eu reservei o hotel através do Booking.com, tinha apenas o voucher desse site, o que o consulado não aceita, é necessário o do próprio hotel. Tive que enviar um e-mail a eles solicitando, era a mesma coisa mas bem, consulado é consulado.

Ah, fiquem atentos também a data da solicitação. Eu fui a São Paulo (sou de Curitiba e só tem consulado chinês em SP), um mês antes da Canton Fair e já tinha filas gigantes, coisa que em outras épocas não tem. Não é preciso fazer agendamento, só chegar com todos os documentos e entrar na fila. Não tive sorte e tive que voltar a SP três vezes pra tentar o visto, porque funciona das 9h da manhã as 12h. E não importa quanta fila tenha, 12h eles fecham sem dó de quem veio de longe. Então, meu irmão (que viajou comigo) teve que ir domingo a noite de ônibus (8h de viagem incluindo transito) para chegar na fila do consulado as 6h da manhã. Ir de avião não deu certo, porque o horário mais cedo era as 6h manhã saindo daqui, chegando 6h50 lá. E verifiquem se estão levando todos os documentos mesmo, demos sorte de nas vezes que não conseguimos entrar, recebemos informações de outras pessoas na fila do que taria faltando, dai na quando conseguimos já estava tudo direitinho. E tivemos que voltar pra buscar o visto também, como já estava em cima da hora da viagem, pagamos um pouco a mais em uma opção que existe lá, e buscamos o visto no outro dia (ai é outra fila mais light). Então, ou peçam o visto bem antes da temporada Canton Fair, ou outra opção é pagar pra empresa despachante que faz isso por você, qualquer pessoa pode solicitar o visto pra você e ir busca-lo também.

 

Viagem:

Com emoção ou sem emoção? Bem, se for de Air China definitivamente é com emoção. Usei milhas aéreas da TAM, que usa companias parceiras pra Asia, e meu irmão foi de GOL, achando que estava sendo cavalheiro comigo me deixando ir na melhor compania, mero engano :cry:

Sai de Curitiba pra São Paulo com avião TAM e de São Paulo pra Madrid com Air China, que continuou até a China. O problema inicial foi que a TAM não me informou que haveria escala na ida (ta, eu sabia que teria mas não aonde), e só descobri saindo de SP rumo a Madrid. Na época em que fui, a Espanha estava 'devolvendo' turistas jovens (tinha 23 anos), então ao chegar lá pensei, ferrou. Mas nem deu nada, fiquei uma hora na fila do raio x e quando sai já tinha que embarcar novamente. Dai os problemas começaram mesmo. Ao iniciar pela comida, PQP que comida ruim e fedorenta. Ficava por todo o avião o cheiro enjoativo, mas beleza, comi né. Ah, sem falar no suco de tomate que serviam também, de tão grosso a comissária e bordo tinha de balançar a caixa pra cair no copo, coisa nojenta ui. Tinha também o cara ao meu lado que roncava alto e tinha um cheiro horrível e nunca acordava quando eu pedia pra ir ao banheiro. Todas comissárias não falavam português, isso desde de São Paulo já, só um inglês com sotaque super carregado que mal dava pra entender que elas falavam bravas, rápido e gesticulando.Tentei ouvir música do avião mesmo ou ver um filme, tudo em mandarim sem legenda. Usei meu notebook, mas depois de 3h quando a bateria acabou é que as coisas começaram a ficar entediantes. Li o livro que levei e ainda não tinha chegado. Tentei dormir mesmo, mas em turbulência a comissária me acordou literalmente com um tapa na cabeça pedindo pra fechar a maldita cortina da janela. Depois me bateu de novo pra fechar mesinha. E por último, me bateu com o carrinho de bebidas quando eu tentava ir ao banheiro e ainda me xingou. Mas tudo bem, comecei a perceber ali que o forte deles não era a educação ou paciência, muito menos uma prestação de serviço decente. Fui de Air China classe econômica, porque era só o que minhas milhas aéreas pagavam, e lá se foram 130.000 milhas. Se você quiser mais conforto, fique longe da classe econômica, principalmente da Air China.

 

Chegando em Pequim, já estava cansada, de mal humor, com fome e sono. Passei pela imigração e presenciei um show de uma chinesa gritando e batendo nos seguranças que tentavam segura-la. Não me perguntem o porque, falavam em Mandarim. Encontrei uma turma de brasileiros que se conheceram ali mesmo e percebi a extrema diferença entre nosso povo e os gringos. Esses ficavam quietos, fechados em um canto, sem qualquer expressão e com um semblante de "não incomode", enquanto os brasileiros estavam rindo, conversando, se divertindo e ajudando um ao outro mesmo sem se conhecer. Tomei café com dois senhores que conheci e também eram de Curitiba. O voo deles era outro e tive que esperar sozinha o meu que atrasou 3h, dais quais eu fiquei vendo comerciais chineses, que são os mais engraçados do mundo tamanho bestas que são, e rindo pra caramba. Gringos e chineses ficavam me olhando sem entender. Só quem assistir a esses comerciais é que vai me entender. Tentei carregar meu notebook mas o cabo não entrava nas tomadas do aeroporto. Meu cabo é com saída de três pontas e o melhor que achei lá, foram duas pontas. Enfim, peguei o voo para Guangzhou com um russo do meu lado, eu tentava ler o jornal dele e ele tentava ler meu livro, quando a gente se olha e percebe que não tava entendendo porcaria nenhuma e cada um fica com sua leitura mesmo.

 

Chegada e Hospedagem

Finalmente, depois de 36h (sem contar o fuso horário de +11h) cheguei em Guangzhou (saí de Curitiba quinta feira e cheguei no sabado lá) . A primeira impressão foi: "puta que ar grosso, não ventila aqui não?". Eu tenho asma, então percebi na hora. Saindo do aeroporto, várias meninas vieram perguntar se eu precisava de táxi. Como estava cansada e com sono, não tive tempo de pensar e uma delas já pegou minha mala e foi pra outro lado da saída. Tentei argumentar algo, mas não adiantou. Então a segui e vi que estava saindo por outro lado do aeroporto, na parte de cima. Ela pediu o endereço, num inglês ensaiado. Eu tinha anotado em um papel, o endereço em inglês e também em mandarim. Ela me cobrou 480 Yuan o que é muito dinheiro lá. Pra nós daria uns 160 reais (converto dividindo por 3). Paguei 440 Yuan porque me confundi no dinheiro ching ling, e a menina deixou. Meu irmão que chegou depois, pagou 420 Yuan pelo táxi que pediu no guiché dentro do aeroporto e ainda pechinchou (é eu sei, inteligência não é genética e não herdei). Poxa, mal cheguei e já tava fazendo porcaria. Ai vi que tavam me roubando bonito, mas pelo menos minha incompetência me rendeu um desconto, então não sou tão incompetente assim. Entrei no táxi e era imundo e todo destruído, e foi a menina quem disse pro taxista meu endereço, porque ele e nenhum taxista chinês fala inglês (se prepare pra isso). O cara foi indo, passando por uns pedágios e eu tentando ler as placas na estradas pra ver se estava perto, total ilusão, placas só em mandarim, algumas apenas em inglês mas que também não ajudavam nada. Paramos em um posto para abastecer e ele me fez um gesto pra descer. Outros taxistas ficavam me olhando, o posto era sujo e afastado da estrada, quanto mais eu olhava mais parecia filme de terror onde a menina burra sempre morre, e a menina burra era eu ::putz:: . Nessa hora tentei me lembrar que dia era pra saber o dia de minha morte. Só pensava "lá se vão meus rins" e "como sou burra, porque não pedi no aeroporto por um táxi". Mas, foi só sustinho inicial de turista covarde que sou. Entrei no táxi e continuamos. Presenciei o taxista gritando com a atendente do pedágio por demorar 3 segundos a mais e ela revidando jogando, leia-se: tacando o papel na cara dele. Eu tive que rir, era minha vingança por ele ter me aterrorizado no posto. Chegamos a cidade (sim, o aeroporto era longe, uns 55 minutos. Meu hotel ficava no bairro de Yuexiu), e o táxi me deixou na frente do hotel, que alivio não morri. Fiz checkin, e tive que tentar explicar que a reserva estava no nome do meu irmão, que chegaria mais tarde, porque as atendentes falavam pouco inglês, somente uma era melhor e quando chegou me ajudou. Entrei no quarto e desabei na cama e só pensei "PQP, que cama dura. Praticamente uma taboa com lençol". E surpresa, o quarto era duplo, com duas camas de casal, o que tava de bom tamanho pra mim e pro meu irmão, mas o banheiro era de vidro. VIDRO, pra que? Era fosco, mas era de vidro, dava pra ver quase tudo do mesmo jeito. Tentei ver TV mas só passa jornal em mandarim, novela que pelo drama dos personagens parecia ser pior que mexicana, filmes de lutas e futebol. Fiquei com o futebol, porque esse não era preciso entender o idioma. Mas que decepção, jogam mal pra caramba, era até engraçado ver. Então tentei conseguir um adaptador pro meu notebook e descobri que sou boa em mimica, a funcionaria que não falava uma palavra em inglês me entendeu rapidinho, ou todo turista pede por isso. Maaaas, não funcionou. Queria avisar minha família que já tinha chegado e tava tudo bem. Levem adaptadores ou pesquisem no google qual tipo de tomada lá. A noite meu irmão chegou e perguntou o porque da minha cara de mal humor, respondi contando os perrengues e ele só me responde "vim tomando champagne francês e comendo capeletti ao molho de salmão. Ah, sacanagem. Me deixou ir de TAM porque era melhor e eu que me ferro ainda. ::otemo::

Meu irmão tinha um adaptador e conseguimos falar com nossa família. Mas logo percebi que Google, Facebook, Youtube e outros não funcionam lá, são bloqueados ::grr:: então tive que apelar pedindo pra uma amiga que é modelo e já morou na China, uma solução: um programinha que libera os sites. Até isso ela teve que me mandar por Skype, porque eu não tinha google pra procurar. Uma dica boa é Skype, compramos 25 reais em crédito (pago online por cartão de crédito e liberado na hora) e conseguimos ligar pro Brasil quase todo dia durante uns 12 dias e ainda sobrou, é muito barato. Então não usamos o tel do hotel.

Quanto ao café da manhã, descemos apenas um dia pra comer. Serviram um leite aguado, pão sem gosto, arroz com ovo, ovo frito e macarrão. Isso porque pegamos um hotel sem muita frescura, mais simples. Ficamos no Tavernew Hotel, 3 estrelas. O ponto positivo é que é barato, tinha internet, mas sem wifi no cabo mesmo, TV, ar condicionado, ficava ao lado do mercado e tinha um ônibus próprio que levava os hospedes todos os dias pra Canton Fair, saia as 8h e voltava as 18h. Pegamos esse ônibus todos os dias, alem de economizar não precisávamos ficar preocupados em não nos perder. O ponto negativo é que podem fumar dentro do hotel ficando um cheiro horrível pelos corredores e os quartos não tem janela, e no andar de cima, tinha quadras de Badminton (tipo um tennis com peteca, eles são fanáticos por isso) onde os chineses jogavam todos os dias até as 23h e dava pra ouvir eles pulando.

 

Canton Fair:

Vamos ao que interessa, Canton Fair. Ao chegar na feira nos demos conta do tamanho daquilo. É simplesmente gigante, você anda, anda e anda e ainda tem muito o que andar. Caminhamos um monte pelo lado de fora procurando um local para pegar o ingresso de entrada, porque ao solicitar pelo site não enviamos nossas fotos ::putz:: e ficamos sem ingressos, então fomos tentar conseguir pessoalmente. Nos surpreendemos pela infra estrutura perfeita deles, coisa que no meu Brasilzinho infelizmente não teríamos. Em toda a volta do complexo de Panzhou tem adolescentes voluntários que falam inglês. Perguntamos a eles e nos indicaram o caminho. Havia uma fila enorme que estimamos levar no mínimo 1 hora e meia pra chegar nossa vez, o que levou apenas 15 minutos. Na fila mesmo eles distribuem um formulário pra quem não tem o ingresso, após preenchido te indicam a fila pra tirar foto. Por 10 reais você recebe umas 4 fotos em uns 3 minutos. Após isso, entra em outro setor pra confecção do crachá. Entrega o formulário, foto, passaporte, responde se é sua primeira vez lá e paga 100 Yuan (uns 35 reais). O crachá é confeccionado na hora, com cordão e você deverá usa-lo sempre e ele te permite entrada em todos os dias da feira. Sistema perfeito, me surpreendeu ::cool:::'>

O complexo é literalmente enorme. Se você chegar as 8h e sair as 18h todos os dias, talvez você consiga visitar todos os stands. Lá você consegue um mapa, super útil, onde indica os setores por segmento detalhado por números. Fica mais fácil para você fazer um roteiro do que te interessa e visitar. Riscamos da lista o que não era prioritário e fizemos o roteiro visando uma logística onde um ficasse próximo ao outro, pra evitar ficar voltando. Além de blocos, há andares também. Cada bloco tem ruazinhas dentro, já da pra ter ideia do tamanho né, e isso foi só a primeira fase. Verifiquem no site da Canton Fair, o que cada fase expõe.

Como nosso objetivo abrangia um ramo grande de produtos, selecionamos os setores e andamos ruazinha por ruazinha pegando catálogos dos produtos que nos interessa e contato com os fornecedores. Na maioria conseguimos passar rápido, só pegando os catálogos. Mas em alguns, tivemos que parar para conversar, informar nosso contato. Se tivéssemos levado cartão de visitas seria mais rápido isso.

Durante 4 dias chegamos as 8h e saímos as 18h da feira, nunca andei tanto na vida e nunca carreguei tanto peso. Pegamos em média 20 Kg de catálogos de produtos e fornecedores, no geral saímos de lá com a sensação de dever cumprido. Foram 4 dias inesquecíveis de feira, onde meu irmão comentou dizendo que aquilo parecia a torre de Babel. Era uma infinidade de idiomas, de nacionalidades, de culturas. Pessoas do mundo todo, passando e falando idiomas diferentes, vestindo roupas diferentes, era uma loucura. Turcos, árabes, muçulmanos, europeus, americanos, indianos, japoneses, bolivianos, brasileiros, perdi as contas. Esses dias me renderam também algumas piadinhas quando voltei. Alguns expositores dos stands me enviaram por e-mail fotos que tiraram comigo. Como eu sou alta (tenho 1,77 e os chineses lá não passam do 1,60) eles me achavam muito diferente. Me senti realmente um ET hahaha. E não foi só na feira, nas ruas, nos mercados, em todo lugar eles ficam te olhando, as pessoas mais velhas comentam, as crianças te apontam, te seguem, era engraçado. Algumas adolescentes ficaram por uns 30 minutos me enchendo de perguntas sobre o mundo ocidental. Foi legal conversar com elas e ver o tamanho da diferença de nossas vidas.

 

Alimentação:

Como o café da manhã era ruim, comprávamos coisas no mercado todos os dias. A comida no geral lá é muito barato. Pra ter ideia McDonalds, com Refri de 500ml, Nuggets, Batata Frita, Big Mac custa 18 Yuan = 6 reais. E no mercado, bolacha, sucos, yogurtes são baratos. Mas não pensem que vão encontrar congelados por lá, pizza, queijo ou coisa assim. Achei um pacotinho de queijo super caro e pão não tem grande variedade e nem quantidade, em 10 dias comprei todos os que tinha no mercado. Vão encontrar tartarugas, sapos e peixes todos vivos, alem de pés de galinhas para petisco e outras coisas estranhas. Também não estão escritos em inglês os produtos, ou olha pelo desenho ou compra algo que não queria, como manteiga de amendoim salgado ::dãã2::ãã2::'> se quiser gastar mais, vá a restaurantes mais caros, porque os baratos não são bons, claro, isso devido a ser muito diferente ao que estamos habituados.

Ah, em mercado não falam inglês, mas em McDonalds e Pizza Hut falam e o cardápio é em inglês.

 

Compras:

Quando sobrou alguns dias livres depois da feira, fomos fazer compras. Os shopping de Guangzhou não são muito diferentes do que os do Brasil nos preços. Hong Kong é mais barato, mas como não íamos pra lá, compramos em Guangzhou mesmo. Tem um rua chamada Beijing Lu (é só dizer isso pro taxista que ele sabe onde fica), que é muito movimentada e cheia de lojas. Aos sábados lota de pessoas. Tem uma exposição de calçadas que foram descobertas que estavam abaixo das calçadas de hoje, e datam de centenas de anos. Há também construções bonitas por toda parte. Porém, pra comprar muambas mesmo, você logo descobre onde fica. Alguns chineses oferecem a você um pequeno catalogo de produtos e se oferecem pra te acompanhar até a 'loja'. No começo ficamos com receio e não fomos, mas depois resolvemos ver o que seria. Medinho de novo :o o cara levou a gente pra uns becos, que ficam nas ruas ao lado dos shoppings. Aquilo parecia uma favela, tudo sujo, feio. A porta era de deposito e quando ele abriu, milhões de coisas pra comprar. Nessa hora o medo passou e o consumismo falou mais alto ::ahhhh:: Muitas réplicas de tudo o que imaginar, roupas, bolsas, malas, relógios, óculos, cintos, sapatos e tênis. O preço é incrível, porém como sabem que você é turista (e nem tem como esconder isso, só olhar sua cara), colocam o preço lá em cima, o que já é bem acessível para nós, mas é só pechinchar que você consegue um preço muito menor. Aprendemos isso aos poucos, olhando outros turistas (na verdade esses lugares só tem turistas comprando), de 900 yuan você consegue negociar por 200 yuan fácil. Eles adoram negociar, você fica 5 minutos fazendo isso através de uma calculadora, onde você mostra o valor que quer pagar e o chines responde com o preço dele até acertarem. Eles não falam inglês muito bem, então vai pela calculadora mesmo.

Como levamos dinheiro em Yuan, não tivemos dificuldade alguma em pagar as coisas. Se você levar em dólar, pode ter lugares que não aceitam, como mercados, além de você ficar sujeito a conversão deles. Então leve Yuan que não tem erro, mas compre no Brasil com antecedência, em Curitiba dei sorte de achar, mas não consegui comprar mais do que 4500 reais porque não tinha. Ah, eles chamam a moeda de Remimbi no dia a dia. Yuan é mais formal.

 

Passeio:

Como não fomos a turismo, não planejamos fazer passeio algum, porém como sobraram alguns dias livres depois da feira, além das compras fomos ao zoológico de Guangzhou que por sorte ficava na mesma rua do hotel, a poucas quadras. Fomos caminhando para ver as construções, lugares pequenos de meditação, praças, parques. A entrada do Zoo custou 20 yuan, uns 8 reais, mais super valeu a pena. O lugar é enorme, cheio de animais que não estávamos costumados a ver como o Panda ::hahaha:: Além desses lugares citados, existe também a maior torre da China que de noite fica toda iluminada com diversas cores. A própria Canton Fair já é um passeio, não só pelo tamanho, mas pela diversidade de pessoas de inúmeros países, pelos standes de exposição e a infra estrutura. Com certeza devem existir outros lugares, mas não tínhamos planejado nada e já não tínhamos mais tempo também.

 

Segurança:

Achei bem tranquilo quanto a isso. Em momento algum (óbvio, tirando o episódio do táxi na chegada) me senti insegura. Andei pelos becos e achei tudo muito tranquilo. Mas claro, é sempre bom ficar de olho e não bobear. Eu mantinha sempre o passaporte na mochila sempre comigo e dividia o dinheiro entre a mochila e os bolsos da calça. Além de não contar dinheiro em público.

 

 

Percebi agora que isso ficou enorme, mas não vou voltar a editar. Talvez isso ajude alguém e isso já valerá o tempo gasto escrevendo isso.

Então resumindo, se eu tiver que dar dicas, daria essas:

 

Dicas:

 

Visto: Peça com antecedência pra evitar filas ou por uma empresa de despachante.

Canton Fair: Peça o convite pelo site, é grátis e poupa tempo. Não leve mala pesada, se precisar pegar catálogos de produtos use mala pequena de rodinhas. Não coma no restaurante de lá, fede. Vai no McDonalds mesmo. E use roupa confortável, porque você nunca andará tanto na vida. Leve cartão de visita que na entrada você troca por bolsas pra carregar catálogos, canetas e blocos de notas, além de entregar para os fornecedores que pedem.

Hotel: Tente pegar um de marca ocidental ou de no mínimo 3 estrelas, que tenha transfer para o aeroporto e que fique próximo a Canton Fair ou que tenha transfer pra feira.

Telefone: Compre créditos no Skype.

Transporte: Metrô e ônibus são organizados com mapa e tudo, mas táxi é barato e vale a pena, porém não falam inglês, peça pro atendente do hotel escrever o endereço em mandarim.

Alimentação: McDonalds, Subway, Pizza Hut e Mercados são boas saídas. Super baratos e quebram galho.

Compras: Rua Beijing Lu, porém não os shopping e sim os becos. Pechinche apenas nas lojas dos becos, em nenhum outro lugar eles permitem.

Demais: Leve adaptador para tomada e dinheiro em Yuan (compre com antecedência, porque não é fácil achar no Brasil).

 

É isso. Foi uma experiencia incrível, mesmo tendo sido poucos dias. Viver em uma cultura oposta a nossa, com certeza me fez amadurecer, ser mais centrada e responsável, além de expandir minha mente e ver que o mundo é muito maior do que o meu Brasil.

Voltei dando mais valor a tudo, a minha família, amigos e também ao meu país.

 

Em breve novos relatos. Voltarei a China esse ano (2013) para estudar mandarim em Pequim e fazer turismo.

Dúvidas que eu puder ajudar, fiquem a vontade em postar.

:wink:

 

Fotos:

 

Canton Fair

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Mercado:

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Beijing Lu:

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Maior Torre da China:

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Ola Julie88,

 

Adorei seu relato.

 

Pretendo ir à Canton Fair com meu marido em Outubro/2013 também para a 1ª fase e estou pesquisando informações. Seu relato foi de grande valia.

 

Estamos pensando em fechar um pacote com uma cia, mas ainda estou pesquisando, pq precisa ser de confiança neh. Isso porque uns conhecidos nossos falaram que lá é grande a chance de sequestro de empresários para conseguir recompensa. Nós não somos grandes empresários, rs... vamos apenas para pesquisar e ver a possibilidade de iniciar um negócio, mas vai que confundem a gente neh... rs.

 

Só me responda uma coisa, você não fechou pacote, certo? Foi de forma independente?

E a entrada da feira é gratuita? Basta se registrar pelo site?

 

Obrigada.

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Oi Andreau.

Eu achei bem seguro a feira, por todo lado há seguranças e a entrada só é permitido com o cartão da Canton Fair e com você passando pelo detector de metais. Em momento algum me senti insegura lá. As empresas que expõe seus produtos na feira são cadastradas e fiscalizadas pelo governo chinês. Você deve conseguir informações dessas empresas no consulado.

Eu também já li reportagens sobre esses sequestros, mas eu acredito que não deve ter acontecido na feira e sim por negociações sem muito cuidado. Porque como eu disse, você pode conseguir informações das empresas através do consulado.

Um amigo que foi antes de mim pra lá me disse que se você pedir o convite pelo site, não paga. Eu tentei, mas como esqueci de enviar minha foto (porque ela é impressa no cartão que você deve usar dentro da feira) não recebi o convite e tive que tirar pessoalmente lá. Paguei 100 Yuans por isso, mais ou menos uns 35 reais. Mas é válido por todos os dias da feira.

 

Eu não fechei nenhum pacote não. Agendei minha passagem sozinha e reservei o hotel pelo Booking.com pagando no cartão de crédito. Foi super tranquilo, não tive problema algum.

Uma dica, tenta ver se o hotel tem transfer pra feira. Nessa época quase todos tem e é muito útil. Embora o metrô e ônibus de lá sejam bons, a comodidade de ter um ônibus que te busque no hotel e te devolva lá depois, é muito melhor. E esse transfer nem é pago, o hotel oferece porque há turistas do mundo todo lá. Eu ia no ônibus conversando todos os dias com japonês, indiano, francês e vários outros.

Fui com meu irmão e preferimos ir sem agencia, alem de ficar muito mais barato tivemos liberdade de aproveitar os dias de folga pra fazer compras e dar uma volta. Indo com agencia você teria que seguir um cronograma deles, cheio de horários. Nós ficamos mais a vontade indo por conta própria, mesmo a principio nos sentindo meios perdidos, mas já no segundo dia íamos ao mercado todo dia, dávamos volta nas praças próximas.

Mas se você quiser mais comodidade, ter tradutor na feira e incluir roteiro de turismo, há vários pacotes (a câmera Brasil-China oferece um todo ano). Pra mim, não houve necessidade, achei tudo muito tranquilo e fácil de ser feito. Alguns amigos foram em outubro/2012 seguindo algumas dicas minhas e por conta própria também e não tiveram problema algum.

 

Se precisar de mais informações, fique a vontade. :D

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Oi Julie88.

O seu relato é interessante e divertido ! Boas dicas para pessoas que pretendem viajar.

 

Eu e meu irmão também pretendemos ir à Canton em abril/2013 e temos muitas dúvidas. Você foi na 1ª fase, dizem que é a mais cheia. No meu ramo também seria a 1ª fase, mas gostaria de conhecer novos produtos e aí começa a grande dúvida. Como o custo é alto para ficar por duas semanas, sem contar que ficaríamos fora da Empresa, ainda não definimos este ponto.

 

Você conseguiu negociar algo durante a feira ou apenas pegou os contatos ?

 

Durante os dias de feira você conseguiu ver tudo o que pretendia ou ficou muito ainda para ver ?

 

Dizem que devido ao tamanho e a quantidade de expositores, nos primeiros dias se faz tudo devagar o no último é uma correria apesar do cansaço.

 

Obrigado pela ajuda.

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Oi aga1204

Que bom que o relato ta ajudando.

 

Então, como meu ramo é bem extenso eu não tive tempo de sentar e negociar, só fui passando e pegando os catálogos, onde apresenta a empresa, mostra os produtos e tem contato do vendedor.

Mas eu vi muita gente sentada junto ao atendente do stand conversando, então da pra negociar lá mesmo sim, acho que eles até preferem.

 

Eu fui 4 dias seguidos pra feira e consegui ver tudo o que quis, mas eu chegava lá as 8h30 e saia as 17h30, realmente andei muito pra conseguir ver tudo o que queria.

Mas é como te disse, meu ramo é bastante extenso, ai tinha muita coisa pra ver mesmo. Mas se eu consegui, você também consegue.

 

Eu não percebi essa correria acelerada no ultimo dia não, na verdade ate me pareceu ao contrario. Nos primeiros dias notei que tinha mais gente, e nos últimos já diminuiu um pouco.

Acho que é quase a mesma coisa para todos os dias, sempre cheio, sempre corrido =)

 

Se precisar de mais informações, é só perguntar.

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  • 1 mês depois...
  • Membros

Um ótimo relato! E as fotos são realmente impressionantes.

 

 

Eu estava pensando em ir para a China esse ano, pensava em ir para Shenzhen que sei que tem várias fábricas lá! Mas agora que vi esse relato estou pensando em ir nesta feira.

 

 

Uma dúvida, os preços lá são bons imagino, mas "quanto" bons são? Você teria um exemplo de algum preço que você viu aproximadamente? Os preços são melhores que no Aliexpress?

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  • 4 meses depois...
  • Membros

Estar na China eh bem isso mesmo, pessoal. Acreditem. É muito diferente e vale a pena. É uma cultura muito distinta da nossa. OS padroes de higiene e educação seguem outros parametros e logicas, assim como o transito nas cidades menores. Estou aqui há alguns meses. Irei à Feira de Cantão em Outubro deste ano de 2013. Estou ansioso para conhecer esta Feira tão falada e elogiada. Eu daria outra dica para vocês que estão planejando vir aqui, visitem também a Feira de Yiwu, o FUTIAN, a maior feira de small commodities do mundo. Fica aberta o ano todo, exceto no ano novo Chinês. É de onde partem todas as bugigandas para os outros países, mas ela não se resume nisso. Depende do quanto você quer investir. Aliás, o diferencial aqui é que podemos comprar em menores quantidades e maior variedade. Vale a pena. Qualquer dúvida, me adicionem no Skype: ski.alan ----- Trabalho com uma empresa que presta assessoria exclusivamente para empresários brasileiros que vem à China fazer negócios. Email: [email protected]

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  • Membros

Olá, tudo bem, rachei de rir aqui com seus relatos, e tambem foi muito instrutivo, eu sou um pequeno comerciante ainda do setor aviamentos e não tenho captal como o de alguns para investir milhares, sendo assim vc acha que compensa ir para fechar apenas pequenas parcerias e conseguir fornecedores, dado os gastos e distancia??

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