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wesleisan

Sozinho na Serra Fina Páscoa 2013

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Galera, quero deixar registrado minha experiência na tentativa de realizar a travessia da Serra Fina no feriado de Páscoa de 2013 sozinho, espero que sirva como uma orientação para quem não fez e desperte saudades em quem já realizou essa travessia.

 

Peguei meu carro numa quarta-feira de noite e segui sentido Rio na Dutra, uma parada em São Jose dos Campos na casa da minha irmã para dar um abraço e estrada novamente, cheguei em Passa Quatro às 3:00 da manhã, encostei a caranga num Posto de gasolina que estava aberto e pedi informações ao frentista de como chegar na Toca Lobo, onde começaria então minha caminhada. O mesmo não sabia me informar muito mas naquele horário, teve a boa vontade de ligar para um parente que trabalhava em um Hotel próximo dali e pediu para que ele me explicasse, corri até o Hotel onde o rapaz trabalhava e fui muito bem informado, montei na caranga novamente e pé na tábua.

Cheguei onde deveria deixar meu carro por volta das 4:00 hs, dormi um pouco, esperei o dia amanhecer, mandei a mochila nas costa e rumei ao Capim Amarelo. O trecho escrito em itálico foram extraídos das minha anotações, sem edições, e é realmente isso que gostaria de compartilhar.

Hoje vou passa a primeira noite acampado (Capim Amarelo), posso dizer que o dia foi muito proveitoso, a caminhada foi puxada, muita subida, quando achava que estava acabando aparecia mais uma subida. O tempo ajudou muito, não choveu em momento algum. A sensação de alivio quando alcancei o alto do Capim Amarelo foi ímpar, fiquei alguns minutos somente refletindo sobre a caminhada.

Basicamente neste trecho, posso dizer que o caminho é um pouco complicado, mesmo com o GPS pode-se perder facilmente a trilha, algumas outras situações também incomodam bastante, o Capim Elefante engana muito o reconhecimento visual da trilha, por este motivo somente os mais experiêntes conseguem fazer o percurso em menor tempo. Como não sabia quanto tempo levaria para encontrar o próximo ponto de água, acabei por racionar o que me restava, quando cheguei no primeiro acampamento ada havia estoque de dois litros.

Montei minha barraca, que por mais uma vez se mostrou muito eficiente não deixando entrar umidade devido ao forte sereno que pairou sobre o cume.

Tirei algumas fotos, fiz meu vídeo e depois me recolhi para dentro da barraca, troquei de calça, meia nova e seca, preparei uma bela feijoada e dormi. Demorei um pouco para dormir mas depois peguei no sono, acordei várias vezes durante a noite, a voltava a pegar no sono novamente.

Senti muita falta de casa, da Carina principalmente, refleti bastante e dormi feito uma pedra.

 

Acordei cedo, por volta das 5:30 da manhã, ansioso para tirar algumas fotos do nascer do sol, e assim fiz, por volta das 7:30 levantei acampamento, arrumei tudo e quando foi 8:00 já estava pronto para caminhar. Eu nem imagina o quanto seria difícil este trajeto (Alto do Capim Amarelo até a Pedra da Mina), minha previsão era chegar na Pedra da Mina ao meio dia, no máximo às 13:00, ilusão, depois de me perder por várias vezes já comecei a prever o atraso. Na saída do alto do Capim Amarelo existe uma trilha que não chega a lugar algum, mas ela é tão bem demarcada que lhe encoraja a entrar mata adentro, o problema é que ela desce cerca de 40 m e lá embaixo que percebe que não vai a lugar algum, por ali perdi 40 minutos entre entrar e sair da trilha errada, quando consegui achar a trilha certa,já estava batendo 9:00. Isso aconteceu por várias vezes, principalmente nos trechos de mata e capim elefante, que mostram várias bifurcações, levando-nos ao erro, erro que custa tempo e energia. Em vários momentos estive desanimado, pensava que não iria chegar naquele dia na Pedra da Mina, porque foram tantas as vezes que me perdi, que não que daria tempo.

Essa decisão de ir de uma vez para o Cume tão almejado na caminhada eu tomei água de um riacho e abasteci minha reserva, decidi ir até o cume mesmo exausto.

A questão da água eu conto agora, estava muito desanimado porque não pude tomar água na medida que sentia sede, ois nos últimos km da jornada eu estava com apenas 300 ml de água, até que cheguei num brejo e tomei água dali mesmo, sabendo que não era apropriada para consumo, tomei mesmo assim, pois a sede que sentia era maior que a razão. Depois de algumas horas de caminhada finalmente encontrei um ricaho que pude encher todo meu reservatório, me senti vivo novamente, agora nada poderia me abater, com água nos cantis subiria qualquer montanha, e assim foi, após algumas erradas do caminho cheguei aos pés do cume da Pedra da Mina, com seus 2798 m de altitude, sua base pela qual subi estava em 2530 m, quase trezentos metros de acensão, foi muita dor nos ombros e pernas que aos poucos, com vários intervalos para descanso consegui chegar até o cume...

Chorei de emoção, porque por várias vezes não acreditei que chegaria naquele dia, não acreditei em mim mesmo, pensei que tivesse substimado a travessia, mas com muita determinação consegui, assim que cheguei também chegou dois montanhistas que subia pelo Paiolinho, os cumprimentei e bem rápido montei minha barraca, entrei para dentro dela e preparei um bom cappuccino bem quente, comi algumas bolachas e troquei de roupa, depois de um breve descanso fui até eles para conversar um pouco e me apresentar direito, pois quando os cumprimentei logo na chegada ao cume, estava tão cansado que nem dei muita atenção.

Bom, voltei para a barraca e revi as fotos do dia e descansei.

Gravei o vídeo da noite e peguei no sono...

No dia seguinte acordei bem cedo para tirar algumas fotos do nascer do sol, os montanhistas que encontrei também haviam acordado e conversamos um pouco, tomei a decisão de descer pelo Paiolinho porque o tempo mudou, muita garoa, frio e vento muito forte, quando já estavamos com tudo pronto para descer apareceu dois atletas no cume, que acreditem, subiram a Pedra da Mina pelo Paiolinho CORRENDO, em 2 horas e alguns minutos, lembro-me o nome de um deles, Marcelo Sinoca, ficamos mais uns minutinho por ali conversando com esses "ironman' s" e partimos para descida.

Levamos 6 horas para descer, porque com a Neblina que pairou, erramos um pouco a descida, chegamos lá no Paiolinho já estava escuro.

Os dois montanhistas que conheci lá em cima, mantivemos contato, um forte abraço para eles, joão e Paulo, caras gente finissima, me deram uma carona até a cidade, peguei uma outra carona de moto para ir buscar meu carro lá na toca do lobo, o João e o Paulo até queriam me levar para buscar meu carro, mas como havia chovido, não valia a pena arriscar atolar o carro deles, tive um tanto de trabalho para tirar o carro de onde deixei, na verdade foi até o piloto da moto que tirou o carro para mim, o cara que fez isso foi o Ailton, é o mesmo que trabalha no Hotel, o cara é 100%.

No mais é isso, vou me organizar para fazê-la completamente ainda este ano.

Link com mais fotos da travessia.

 

Weslei Costa

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Velho, não teria coragem de fazer uma travessia dessa sozinho, talvez com um pouco mais de experiência, mas sempre há riscos. Bacana o relato e as fotos!

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Fala Rafael, obrigado por comentar.

Sozinho tudo é mais complicado, e perigoso mesmo... mas com cuidado e um bom planejamento dá para fazer... quanto a coragem... "O MEDO E A CORAGEM SÃO AS DUAS FACES DA MESMA MOEDA... TENHO CORAGEM PORQUE PRECISO ENFRENTAR O MEDO" (REINHOLD MESSNER).

Acho é bem por ai, o que me faz ir em frente é enfrentar meu medo.

Forte abraço, não vai demorar vamos nos encontrar em MG.

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Bem amigo, gostei muito do seu relato, sua determinação, coisa que faz do homem forte e grande. Meu sonho é fazer este lugar bonito de natureza e abençoado por DEUS. Gostaria muito de tê-lo como amigo, gosto muito de pessoas com a sua determinação.

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Obrigado por visitar e comentar.

A superação na montanha é algo impressionante, vamos aprendendo a cada escalada, a cada travessia...como você mora perto é mais fácil para realizar a travessia, assim que eu for fazê-la novamente, vou enviar uma mensagem para ti, quem sabe entra em sua programação.

Forte abraço.

Weslei

PS. Estou te adicionando nos contatos.

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Galera, quero deixar registrado minha experiência na tentativa de realizar a travessia da Serra Fina no feriado de Páscoa de 2013 sozinho, espero que sirva como uma orientação para quem não fez e desperte saudades em quem já realizou essa travessia.

 

Peguei meu carro numa quarta-feira de noite e segui sentido Rio na Dutra, uma parada em São Jose dos Campos na casa da minha irmã para dar um abraço e estrada novamente, cheguei em Passa Quatro às 3:00 da manhã, encostei a caranga num Posto de gasolina que estava aberto e pedi informações ao frentista de como chegar na Toca Lobo, onde começaria então minha caminhada. O mesmo não sabia me informar muito mas naquele horário, teve a boa vontade de ligar para um parente que trabalhava em um Hotel próximo dali e pediu para que ele me explicasse, corri até o Hotel onde o rapaz trabalhava e fui muito bem informado, montei na caranga novamente e pé na tábua.

Cheguei onde deveria deixar meu carro por volta das 4:00 hs, dormi um pouco, esperei o dia amanhecer, mandei a mochila nas costa e rumei ao Capim Amarelo. O trecho escrito em itálico foram extraídos das minha anotações, sem edições, e é realmente isso que gostaria de compartilhar.

Hoje vou passa a primeira noite acampado (Capim Amarelo), posso dizer que o dia foi muito proveitoso, a caminhada foi puxada, muita subida, quando achava que estava acabando aparecia mais uma subida. O tempo ajudou muito, não choveu em momento algum. A sensação de alivio quando alcancei o alto do Capim Amarelo foi ímpar, fiquei alguns minutos somente refletindo sobre a caminhada.

Basicamente neste trecho, posso dizer que o caminho é um pouco complicado, mesmo com o GPS pode-se perder facilmente a trilha, algumas outras situações também incomodam bastante, o Capim Elefante engana muito o reconhecimento visual da trilha, por este motivo somente os mais experiêntes conseguem fazer o percurso em menor tempo. Como não sabia quanto tempo levaria para encontrar o próximo ponto de água, acabei por racionar o que me restava, quando cheguei no primeiro acampamento ada havia estoque de dois litros.

Montei minha barraca, que por mais uma vez se mostrou muito eficiente não deixando entrar umidade devido ao forte sereno que pairou sobre o cume.

Tirei algumas fotos, fiz meu vídeo e depois me recolhi para dentro da barraca, troquei de calça, meia nova e seca, preparei uma bela feijoada e dormi. Demorei um pouco para dormir mas depois peguei no sono, acordei várias vezes durante a noite, a voltava a pegar no sono novamente.

Senti muita falta de casa, refleti bastante e dormi feito uma pedra.

 

Acordei cedo, por volta das 5:30 da manhã, ansioso para tirar algumas fotos do nascer do sol, e assim fiz, por volta das 7:30 levantei acampamento, arrumei tudo e quando foi 8:00 já estava pronto para caminhar. Eu nem imagina o quanto seria difícil este trajeto (Alto do Capim Amarelo até a Pedra da Mina), minha previsão era chegar na Pedra da Mina ao meio dia, no máximo às 13:00, ilusão, depois de me perder por várias vezes já comecei a prever o atraso. Na saída do alto do Capim Amarelo existe uma trilha que não chega a lugar algum, mas ela é tão bem demarcada que lhe encoraja a entrar mata adentro, o problema é que ela desce cerca de 40 m e lá embaixo que percebe que não vai a lugar algum, por ali perdi 40 minutos entre entrar e sair da trilha errada, quando consegui achar a trilha certa,já estava batendo 9:00. Isso aconteceu por várias vezes, principalmente nos trechos de mata e capim elefante, que mostram várias bifurcações, levando-nos ao erro, erro que custa tempo e energia. Em vários momentos estive desanimado, pensava que não iria chegar naquele dia na Pedra da Mina, porque foram tantas as vezes que me perdi, que não que daria tempo.

Essa decisão de ir de uma vez para o Cume tão almejado na caminhada eu tomei água de um riacho e abasteci minha reserva, decidi ir até o cume mesmo exausto.

A questão da água eu conto agora, estava muito desanimado porque não pude tomar água na medida que sentia sede, ois nos últimos km da jornada eu estava com apenas 300 ml de água, até que cheguei num brejo e tomei água dali mesmo, sabendo que não era apropriada para consumo, tomei mesmo assim, pois a sede que sentia era maior que a razão. Depois de algumas horas de caminhada finalmente encontrei um ricaho que pude encher todo meu reservatório, me senti vivo novamente, agora nada poderia me abater, com água nos cantis subiria qualquer montanha, e assim foi, após algumas erradas do caminho cheguei aos pés do cume da Pedra da Mina, com seus 2798 m de altitude, sua base pela qual subi estava em 2530 m, quase trezentos metros de acensão, foi muita dor nos ombros e pernas que aos poucos, com vários intervalos para descanso consegui chegar até o cume...

Chorei de emoção, porque por várias vezes não acreditei que chegaria naquele dia, não acreditei em mim mesmo, pensei que tivesse substimado a travessia, mas com muita determinação consegui, assim que cheguei também chegou dois montanhistas que subia pelo Paiolinho, os cumprimentei e bem rápido montei minha barraca, entrei para dentro dela e preparei um bom cappuccino bem quente, comi algumas bolachas e troquei de roupa, depois de um breve descanso fui até eles para conversar um pouco e me apresentar direito, pois quando os cumprimentei logo na chegada ao cume, estava tão cansado que nem dei muita atenção.

Bom, voltei para a barraca e revi as fotos do dia e descansei.

Gravei o vídeo da noite e peguei no sono...

No dia seguinte acordei bem cedo para tirar algumas fotos do nascer do sol, os montanhistas que encontrei também haviam acordado e conversamos um pouco, tomei a decisão de descer pelo Paiolinho porque o tempo mudou, muita garoa, frio e vento muito forte, quando já estavamos com tudo pronto para descer apareceu dois atletas no cume, que acreditem, subiram a Pedra da Mina pelo Paiolinho CORRENDO, em 2 horas e alguns minutos, lembro-me o nome de um deles, Marcelo Sinoca, ficamos mais uns minutinho por ali conversando com esses "ironman' s" e partimos para descida.

Levamos 6 horas para descer, porque com a Neblina que pairou, erramos um pouco a descida, chegamos lá no Paiolinho já estava escuro.

Os dois montanhistas que conheci lá em cima, mantivemos contato, um forte abraço para eles, joão e Paulo, caras gente finissima, me deram uma carona até a cidade, peguei uma outra carona de moto para ir buscar meu carro lá na toca do lobo, o João e o Paulo até queriam me levar para buscar meu carro, mas como havia chovido, não valia a pena arriscar atolar o carro deles, tive um tanto de trabalho para tirar o carro de onde deixei, na verdade foi até o piloto da moto que tirou o carro para mim, o cara que fez isso foi o Ailton, é o mesmo que trabalha no Hotel, o cara é 100%.

No mais é isso, vou me organizar para fazê-la completamente ainda este ano.

Link com mais fotos da travessia.

 

Weslei Costa

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