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Márcio Mafia

Vale do Paty - Virada do Ano 2014/15

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Fiz o Vale do Paty sozinho na virada desse ano (2014-2015) e decidi compartilhar o relato aqui no site. Por várias vezes já pesquisei aqui sobre meus destinos de viagens e hoje estou contribuindo pela primeira vez. Espero que a primeira de muitas.

 

Prefácio:

 

Conheci a Chapada Diamantina em 2003. De lá pra cá foram diversas trilhas, longas e curtas, e até curtos períodos de moradia na cidade de Andaraí. Quando conheci o Vale do Pati fiquei pasmo. Já tinha feito outras trilhas longas, mas aquela em especial havia me tocado profundamente. Não só os visuais dos paredões, as cachoeiras, e as belezas naturais. Me atraiu também o clima bucólico e utópico em que vivem os habitantes daquele isolado vale. Passei anos rodando o Vale do Pati, de cima a baixo. Fui com diversas companhias, levei pessoas, guiei, fui guiado, mas há alguns anos as trilhas foram ficando de lado, frente à correria do dia-a-dia. Decidi começar o ano de 2015 fazendo uma trilha.

 

1o Dia:

 

Saí de Salvador às 22:45 da noite de 29/12, no ônibus da empresa Real Expresso, em direção à cidade de Palmeiras (essa linha sai diariamente, o valor ficou por volta de R$70,00 o trajeto Salvador-Palmeiras). Tirando o frio do ar-condicionado do ônibus ::Cold::, a viagem foi tranquila, e chegou ao destino por volta das 5h da manhã do dia seguinte. Em Palmeiras, é fácil encontrar carros de lotação (preço: R$ 10,00 por cabeça) até a vila de Caté-Açu, mais conhecido pela alcunha de Vale do Capão, onde começaremos a trilha.

Chegando à vila faltando 15 minutos pras 6h da manhã, logicamente tudo estava fechado. Aqui vem uma dica: da vila do Capão até o lugarejo do Bomba, onde a trilha se inicia de fato, são quase 6 km. Vale a pena tentar acertar anteriormente, ou esperar pra conseguir um transporte, pois a caminhada leva quase 2 horas e os carros que trazem as pessoas da cidade dificilmente topam essa corrida a mais, alegando que a estrada é muito ruim. No Capão há serviço de moto-táxi, imagino que a corrida saia a R$ 10,00 (foi o que paguei 3 dias depois para ir até a cachoeira do Riachinho, que fica à mesma distância). Eu, como não quis esperar para ver se encontrava um transporte, parti pra vencer a distância a pé mesmo. Levei uma hora e meia, chegando ao início da trilha, na placa que indica o limite do Parque Nacional da Chapada Diamantina, às 07:30.

 

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Aqui começamos a trilha para o Vale do Pati. O primeiro desafio é a subida até os Gerais dos Vieira. Levei 1h pra vencê-la. Felizmente, a maior parte do caminho é protegido do sol pela vegetação, mas ainda assim, talvez pelo meu preparo físico sedentário, senti bastante. Cheguei aos gerais às 08:30 e ao encontrar o primeiro córrego decidi parar pra tomar café da manhã e descansar um pouco. Comi uns sanduíches que havia preparado na noite anterior, umas barrinhas de cereal e suco instantâneo. Meia horinha e eu já estava novo. Parti para a travessia dos gerias dos vieira. Essa parte da trilha exige certa cautela. O caminho é bem fácil e bem marcado no chão, o único ponto a se atentar é a bifurcação que vai para o Vale do Pati pela Cachoeira do Calixto. Ela fica um pouco depois do primeiro córrego e segue para a esquerda. Como eu queria ir pelo Quebra-bunda e subir os gerais do Rio Preto, segui pela trilha da direita (a mais marcada no chão). Porém os grandes desafios aqui são a distância e o sol. O gerais parece que não tem fim e quase não há sombras. Felizmente existem alguns córregos em que se pode pegar água até chegar na subida do Quebra-bunda.

Me perdi aqui no tempo. Não sei exatamente a que horas cheguei ao último córrego dos gerais dos vieira. Nesse ponto eu realmente estava muito cansado, principalmente por causa do sol que estava bem forte. É importante ficar atento nessa parte da trilha também. Além de ir por cima dos gerais do rio Preto, há também uma trilha que segue por baixo e desce para o Pati pela base do morro Branco do Pati. Para subir o Quebra-bunda é preciso pegar a trilha da direita bem no último córrego.

 

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A subida do Quebra-bunda, apesar do nome, não oferece grandes dificuldades. Venci em mais ou menos meia hora. A partir daqui, é atravessar os gerais do rio Preto sempre acompanhando a serra. A caminhada é ainda mais longa que os gerais do Vieira. Dica: pegue água no último córrego antes da subida, pois lá em cima não tem água! E nem sombra! Porém o visual é indescritível! Aqui temos algumas das clássicas vistas do Vale do Pati. Mais ou menos no meio do caminho há um mirante com um visual incrível, vale muito a pena parar para tirar umas fotos. Referência: No último quarto de distância dos gerais do rio Preto há um muro antigo de pedra que atravessa a trilha.

 

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A descida para o Vale do Pati pela pirambeira fica mais ou menos vinte minutos depois do muro. Todo Cuidado é pouco nessa descida, ela é BEM íngreme e há algumas pedras soltas. Depois da descida, para chegar à Igrejinha, ponto de apoio onde acampei, pega-se a trilha da esquerda. Cheguei no camping aproximadamente às 14h. Foram oito horas de trilha nesse primeiro dia.

A Igrejinha ou Ruinha é um conhecido ponto de apoio do Vale do Pati. É possível acampar (R$ 12,00 por pessoa), dormir dentro da casa principal (salão coletivo) ou alugar um quarto.

 

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2o Dia:

 

Depois de um primeiro dia exaustivo, confesso que relutei em levantar cedo na manhã seguinte. Eu não tinha roteiros pré-definidos, de modo que tinha em mente decidir na hora as trilhas que faria no Vale. Por isso levantei, tomei café e depois fiquei deitado na barraca meditando e ouvindo as conversas dos grupos de trilheiros que iam se preparando e saindo para as caminhadas. Acabei decidindo fazer a cachoeira dos Funis, que apesar de já conhecer a queda principal, ainda não tinha descido todo o rio e visto todas as quedas. Como já estava alimentado, me troquei sem pressa, preparei uma mochilinha de ataque saí por volta das 8h.

A trilha começa na Igrejinha mesmo. Pra seguir para a cachoeira dos Funis descendo o rio é preciso pegar a trilha da esquerda na saída da Igrejinha, ao invés da trilha da direita que leva ao cume. O curioso dessa trilha (e que eu não sabia) é que ela passa pelo cemitério do Vale do Pati. Dá para avistá-lo lá de cima da pirambeira, mas eu não sabia como chegar até ele. Chegando ao cemitério, é só seguir contornando-o e pegar a trilha que vai para o rio.

Chegando ao rio, é possível descer pelo leito ou por trilhas laterais que acompanham a margem. Eu preferi descer pelo leito para não perder nenhum detalhe das quedas. Cuidado: sempre ouvi falar sobre abelhas que habitam a região da cachoeira dos Funis na altura da primeira queda. Em todo o caso, percorri a trilha sem fazer muito barulho. O leito do rio da cachoeira dos Funis é bem bonito. Tem várias pequenas quedas pelo caminho que se alternam entre grandes lajedos pelos quais a água corre. Outro fato que torna essa trilha bem bonita (nesse sentido, descendo o rio e não subindo) é que chega-se às cachoeiras pelo topo. A todo momento somos surpreendidos pelo visual dos morros do Castelo e Branco do Pati ao fundo do vale. São três quedas principais, as maiores. A primeira e a terceira se parecem, e a segunda é a clássica cachoeira dos Funis. Entre elas existem várias pequenas quedas também de rara beleza.

Esse dia foi muito banho de cachoeira e sol no lombo. Cheguei de volta à Igrejinha por volta das 14h. Decidi descansar o resto do dia e voltar pro Capão no dia seguinte.

 

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3o Dia:

 

A volta para o Capão foi feita pelo mesmo caminho da ida. O grande diferencial foi que nesse dia o sol deu uma trégua. A trilha foi BEM mais leve e rápida. Saí da Igrejinha às 7h da manhã e terminei de subir a pirambeira às 07:45. Às 09:45 eu já tinha descido o Quebra-bunda. Levei mais 1h para cruzar os gerais dos vieira. Parei pra lanchar no mesmo córrego que parei na ida e cheguei no vilarejo do Bomba faltando dez pra meio-dia. 5 horas de trilha! Aqui tomei a decisão de NÃO voltar andando do Bomba ao Capão e resolvi esperar até conseguir um transporte pra vencer essa etapa final. Por sorte eu estava comendo um delicioso pastel de palmito de jaca (já era o segundo), quando passou um motoqueiro e eu, na cara-de-pau, pedi uma carona. Colou!

 

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Ainda não eram 14h quando eu cheguei à vila. Os campings no Capão estavam quase todos lotados, mas eu achei um lugarzinho no Camping do Seu Dai, ponto de encontro clássico em Caté-Açu.

Como minha passagem ainda era para a noite do dia 2, eu ainda aproveitei a noite na vila, que estava animada com apresentações circenses, e o dia seguinte na cachoeira do Riachinho, que apesar de cheia de gente, estava deliciosa.

 

Os motoboys estavam cobrando R$ 10,00 pelo trajeto de 5 km até o Riachinho. Passei o dia 2 no local. Dica: vale muito a pena descer o canion, pois há outros poços e quedas muito belas e mais tranquilas com relação à quantidade de pessoas (que normalmente é grande em feriados).

De volta à vila, almocei um P.F. vegetariano (hehe) comprei uns lanches e voltei para o camping, para dar uma descansada e desarmar a barraca. O esquema da volta para Palmeiras é o mesmo da ida, carros de lotação a R$ 10,00 por cabeça. Peguei o que sai da vila às 21:00hrs (se não me engano tem outro que sai 12:00hrs), chegando em Palmeiras por volta das 21:30hrs. Aí foi pegar o Real Expresso das 22:15hrs de volta a Salvador.

 

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