José Saramago, escritor português, ganhador do prêmio Nobel de literatura, disse certa vez, que a maior tragédia do homem é ele não saber o que fazer com a vida. Você, eu, todos nós, em algum momento da vida nos perguntamos: Para onde eu vou? O que fazer? E agora? Tantos sonhos, tantos planos, tantas ilusões, afinal o que é de fato uma felicidade real, pois cada um de nós com o livre arbítrio que temos, construímos ela conforme as experiências e os aprendizados que vamos acumulando. Cada um tem a sua própria ideia de felicidade.
A minha felicidade, escolhi brincar com ela, viajar com ela, filosofar com ela. Nesse relato de viagem tento mostrar que uma viagem pode se tornar mais do que câmera na mão e facebook em ação. Uma verdadeira busca pelo autoconhecimento. E nesse caminho, vou me aprimorando, particularmente na chamada cultura backpacker ou simplesmente cultura mochileira.
Ser um viajante alternativo é ser um cidadão consciente e aberto, consciente de sí e do mundo ao seu redor, das maravilhas naturais até as mazelas do ser humano. É viajar, interagir, experimentar, compreender, compartilhar (experiências), aceitar diferenças, enxergar mais além do que a natureza, o homem, você próprio. Viaja-se não para procurar o belo, mas para despertar o belo em você. O escritor francês Marcel Proust dizia que a verdadeira viagem não está em sair por aí a procura de novas paisagens, mas em possuir novos olhos.
A viagem na qual realizei, tive o prazer em primeiro lugar de contar com um grande parceiro, meu irmão e amigo “gema”, aliás muito obrigado mano pela parceria. Não posso negar que participei de uma profunda experiência de vida, afinal não é todo dia que você tem a oportunidade de testemunhar as paisagens mais belas do seu continente, e até do planeta. Cada uma delas teve a sua poesia, a sua graça, e a sua história.
Salar de Uyuni (Bolívia), considerado o maior salar do mundo, um verdadeiro mar de sal, todo aquele branco sem fim, cactos gigantes, rochas de cores e formas distintas, juntos nos levam a um quadro surrealista de Salvador Dali. Senti alí o quanto somos frágeis diante da natureza que te castiga por desafia-lá. Enfrentei o frio demasiado; o desconforto térmico; o ar que parecia faltar aos pulmões; passei pelo mal da altitude, sentindo fortes dores de cabeça, forte cansaço, em lugares que chegavam há cerca de 4.000 e 5.000 metros de altitude acima do nível do mar. Tal sensação sofrível repetiu-se novamente só no Parque Nacional Torres Del Paine no Chile, pois, passei pelos extremos da Patagônia, ressaltando que essa região é conhecida pelo seu humor instável. Naquele dia poderia estar fazendo um lindo dia de sol, porém, a natureza tratou de me recepcionar de outra maneira. Ventava e chovia muito - aquela chuva que caia quase deitada, empurrada pelo vento irascível, metralhava o meu rosto, enquanto eu caminhava contra ela -, até granizos enfrentei, e claro, àquele frio que pesava sobre a face. Era difícil dar um sorriso com aqueles ventos gelados e paralisantes. Os dentes eram socados pelo ar gelado. Os músculos do rosto não obedeciam a minha vontade, contudo, não há vitória, sem luta, e ela veio com aquela vista cheia de vida, de guanacos (parentes das lhamas) em bando, de azul no lago, de montanhas que agigantavam, de raios solares que rasgavam o céu negro e tempestivo.
Mas não pensem que uma viagem dessas é só feita de um certo desconforto físico, porque houve sim, experiências não tanto castigantes, San Pedro de Atacama, foi uma delas, uma cidadezinha aconchegante, cheio de gente alternativa, simples e com uma áurea pacífica. O lugar é cercado por belas montanhas e pelo maior deserto seco do mundo, o Atacama. Naquele lugar, presenciei os céus mais incríveis da minha vida: azul, laranja, amarelo, invariavéis e magicamente harmonizadas. Aquile céu era tão cheio de cor, nitidez e vida num ambiente extremamente seco. Não é à toa que o lugar abriga o ALMA, o telescópio mais poderoso do planeta.
E temos ainda o charme e o encanto de Santiago, a capital chilena, tão moderninha quanto educada, afinal os chilenos se mostraram um povo gentil e de muita educação. Não se escuta praticamente buzinas alucinadas no trânsito. E em Santiago também você se sente mais seguro, afinal lá se vê muitos "carabineros", espalhados por todos os cantos, esses aliás são considerados os policiais mais honestos da América do Sul. E o metrô? Rápido e fácil, usei-o bastante nas minhas andanças, por exemplo, indo degustar um vinhozinho no refinado Vinhedo Concha y Toro - o segundo maior vinhedo em extensão do mundo - ou ir tirar o véu da “noiva do oceano” do poeta Pablo Neruda, Valparaíso, o lugar do seu recanto e fonte de inspiração de muitos dos seus poemas, e não esqueçamos da “hermosa” vizinha, Viña del Mar, um balneário de muito requinte, um “pouquinho” mais caro, mas valeu a pena, descobri afinal um lugar especial para os brasileiros, o estádio, no qual o Brasil jogou a 1ª fase na Copa de 62 no Chile e se sagrou bi-campeão mundial, além de ver uma estátua genuína da Ilha da Páscoa.
Depois tive o deleite de conhecer a gélida cidade do fim do mundo, Ushuaia (Argentina). O lugar é considerado a cidade mais austral do continente americano, usa-se muito o marketing de ser “El Fin Del Mundo” pela sua localização geográfica, mas não é nenhum exagero, uma vez que ela fica há cerca de 1.000 km do continente Antártico. Nesse cantinho do mundo, fiz uma aventura 4x4 num jipe muito louco fazendo trilhas muito loucas com paisagens “loucamente” espetaculares, sem comentar a experiência de remar num bote pequeno, cabendo (apertadinho) 05 pessoas em meio ao lago “escondido” (não é ficcional, o nome do lago é esse mesmo), e nessa experiência, acabei dando de cara com o “mau humor” da Patagônia, o tempo mudou rapidamente, e começou a ventar muito. Agora para quem não remou num lago, enfrentando os fortes ventos patagônicos, imagine 05 pessoas inexperientes no remo em meio a um grande lago, enfrentando marolas (pequenas ondas)? Pois é, a situação se tornou empolgante e um pouco tensa, além de cansativa, afinal remar contra a marola não era fácil, mas com paciência e dedicação dos tripulantes, chegamos em terra firme. Também conheci a história dos Aborígenes da região, os Yámanas. Sendo eles canoeiros e nômades do mar, essa tribo não usava qualquer roupa contra o frio, porque molhariam, e eles sentiriam mais frio, mas em virtude desse estilo, a expectativa de vida dos aborígenes eram de apenas 35 anos, sem contar as crianças, essas não recebiam nenhum nome nos primeiros dois anos de vida, porque era uma fase muito crítica para elas, e 50% delas acabavam morrendo. Hoje, infelizmente, há apenas uma Yámana, Cristina Calderón, moradora da Ilha Navarino no Chile, que depois dela, imaginem, haverá apenas histórias para contar de um povo que uma vez existiu, e habitou durante 6 mil anos o arquipélago da Terra do Fogo.
Outra experiência memorável foi fazer trekking em El Chaltén (Argentina), realizei caminhadas exaustivas, subindo e descendo trilhas tortuosas, porém, a recompensa veio através daquelas paisagens que mais pareciam “mirações” de um paraíso perfeito ou quadros pintados por divinas mãos, e ainda tendo naqueles meus passos intermitentes, a bença do sobrevôo de um condor. E o glaciar? Caminhar sobre o gelo é uma sensação sem igual, você ver diferentes formas no gelo, passa por perigosas fendas na geleira, e passeia nesse paraíso branco e azul da Patagônia, tendo o lago Viedma como testemunha. E falando em glaciar, não podemos esquecer do Perito Moreno, que fica na região de El Calafate (Argentina), visitando-o, você poderá observar a sua frente, o ponto onde a massa de gelo com mais de 80 metros de altura encontra um dos braços do lago Argentino. Através de passarelas de madeira, é possível chegar, com segurança, a pouca centenas de metros das suas majestosas paredes de tom azulado e escutar seu rugido, isto mesmo, o glaciar ruge, pois diferentemente de outros glaciares pelo mundo que retrocedem, o Perito Moreno avança, e esses imensos blocos de gelos acabam se chocando entre si, racham, terminando por provocar barulhos ás vezes monstruosos que nos dão a impressão que o glaciar está vivo. E se tiver sorte, poderá ver a queda de blocos enormes de gelo caindo no lago Argentino.
Agora, mudando dos mares de gelo aos mares do Atlântico, vamos a Puerto Madryn (Argentina), berçário de muitas baleias, particularmente as francas austrais. A avistagem desses mamíferos gigantes foi o ponto alto do meu passeio. Ver o maior mamífero da Terra de pertinho, e ainda mais com filhote, foi emocionante, sem contar outros tantos animais da vida marinha como pinguins, elefantes-marinhos, orcas, lobos-marinhos. Na vida terrestre temos também muitas outras espécies como por exemplo, o simpático guanaco, animal da mesma família das lhamas, alpacas e vicunhas. Ouviu-se também narrativas interessantes nesse lugar. Segundo relatos locais, uma ilha chamada “Isla de los Pajaros”, serviu de inspiração para que o francês Antoine de Saint-Exupéry escrevesse o livro “Pequeno Principe”. O autor, conforme a história, trabalhou na Patagônia, e teria assim, conhecido a tal “Isla de los Pajaros” e se inspirou nela para fazer o mundinho do seu princepizinho. Verdade ou mito? Fica aí um bom causo.
A minha felicidade, escolhi brincar com ela, viajar com ela, filosofar com ela. Nesse relato de viagem tento mostrar que uma viagem pode se tornar mais do que câmera na mão e facebook em ação. Uma verdadeira busca pelo autoconhecimento. E nesse caminho, vou me aprimorando, particularmente na chamada cultura backpacker ou simplesmente cultura mochileira.
Ser um viajante alternativo é ser um cidadão consciente e aberto, consciente de sí e do mundo ao seu redor, das maravilhas naturais até as mazelas do ser humano. É viajar, interagir, experimentar, compreender, compartilhar (experiências), aceitar diferenças, enxergar mais além do que a natureza, o homem, você próprio. Viaja-se não para procurar o belo, mas para despertar o belo em você. O escritor francês Marcel Proust dizia que a verdadeira viagem não está em sair por aí a procura de novas paisagens, mas em possuir novos olhos.
A viagem na qual realizei, tive o prazer em primeiro lugar de contar com um grande parceiro, meu irmão e amigo “gema”, aliás muito obrigado mano pela parceria. Não posso negar que participei de uma profunda experiência de vida, afinal não é todo dia que você tem a oportunidade de testemunhar as paisagens mais belas do seu continente, e até do planeta. Cada uma delas teve a sua poesia, a sua graça, e a sua história.
Salar de Uyuni (Bolívia), considerado o maior salar do mundo, um verdadeiro mar de sal, todo aquele branco sem fim, cactos gigantes, rochas de cores e formas distintas, juntos nos levam a um quadro surrealista de Salvador Dali. Senti alí o quanto somos frágeis diante da natureza que te castiga por desafia-lá. Enfrentei o frio demasiado; o desconforto térmico; o ar que parecia faltar aos pulmões; passei pelo mal da altitude, sentindo fortes dores de cabeça, forte cansaço, em lugares que chegavam há cerca de 4.000 e 5.000 metros de altitude acima do nível do mar. Tal sensação sofrível repetiu-se novamente só no Parque Nacional Torres Del Paine no Chile, pois, passei pelos extremos da Patagônia, ressaltando que essa região é conhecida pelo seu humor instável. Naquele dia poderia estar fazendo um lindo dia de sol, porém, a natureza tratou de me recepcionar de outra maneira. Ventava e chovia muito - aquela chuva que caia quase deitada, empurrada pelo vento irascível, metralhava o meu rosto, enquanto eu caminhava contra ela -, até granizos enfrentei, e claro, àquele frio que pesava sobre a face. Era difícil dar um sorriso com aqueles ventos gelados e paralisantes. Os dentes eram socados pelo ar gelado. Os músculos do rosto não obedeciam a minha vontade, contudo, não há vitória, sem luta, e ela veio com aquela vista cheia de vida, de guanacos (parentes das lhamas) em bando, de azul no lago, de montanhas que agigantavam, de raios solares que rasgavam o céu negro e tempestivo.
Mas não pensem que uma viagem dessas é só feita de um certo desconforto físico, porque houve sim, experiências não tanto castigantes, San Pedro de Atacama, foi uma delas, uma cidadezinha aconchegante, cheio de gente alternativa, simples e com uma áurea pacífica. O lugar é cercado por belas montanhas e pelo maior deserto seco do mundo, o Atacama. Naquele lugar, presenciei os céus mais incríveis da minha vida: azul, laranja, amarelo, invariavéis e magicamente harmonizadas. Aquile céu era tão cheio de cor, nitidez e vida num ambiente extremamente seco. Não é à toa que o lugar abriga o ALMA, o telescópio mais poderoso do planeta.
E temos ainda o charme e o encanto de Santiago, a capital chilena, tão moderninha quanto educada, afinal os chilenos se mostraram um povo gentil e de muita educação. Não se escuta praticamente buzinas alucinadas no trânsito. E em Santiago também você se sente mais seguro, afinal lá se vê muitos "carabineros", espalhados por todos os cantos, esses aliás são considerados os policiais mais honestos da América do Sul. E o metrô? Rápido e fácil, usei-o bastante nas minhas andanças, por exemplo, indo degustar um vinhozinho no refinado Vinhedo Concha y Toro - o segundo maior vinhedo em extensão do mundo - ou ir tirar o véu da “noiva do oceano” do poeta Pablo Neruda, Valparaíso, o lugar do seu recanto e fonte de inspiração de muitos dos seus poemas, e não esqueçamos da “hermosa” vizinha, Viña del Mar, um balneário de muito requinte, um “pouquinho” mais caro, mas valeu a pena, descobri afinal um lugar especial para os brasileiros, o estádio, no qual o Brasil jogou a 1ª fase na Copa de 62 no Chile e se sagrou bi-campeão mundial, além de ver uma estátua genuína da Ilha da Páscoa.
Depois tive o deleite de conhecer a gélida cidade do fim do mundo, Ushuaia (Argentina). O lugar é considerado a cidade mais austral do continente americano, usa-se muito o marketing de ser “El Fin Del Mundo” pela sua localização geográfica, mas não é nenhum exagero, uma vez que ela fica há cerca de 1.000 km do continente Antártico. Nesse cantinho do mundo, fiz uma aventura 4x4 num jipe muito louco fazendo trilhas muito loucas com paisagens “loucamente” espetaculares, sem comentar a experiência de remar num bote pequeno, cabendo (apertadinho) 05 pessoas em meio ao lago “escondido” (não é ficcional, o nome do lago é esse mesmo), e nessa experiência, acabei dando de cara com o “mau humor” da Patagônia, o tempo mudou rapidamente, e começou a ventar muito. Agora para quem não remou num lago, enfrentando os fortes ventos patagônicos, imagine 05 pessoas inexperientes no remo em meio a um grande lago, enfrentando marolas (pequenas ondas)? Pois é, a situação se tornou empolgante e um pouco tensa, além de cansativa, afinal remar contra a marola não era fácil, mas com paciência e dedicação dos tripulantes, chegamos em terra firme. Também conheci a história dos Aborígenes da região, os Yámanas. Sendo eles canoeiros e nômades do mar, essa tribo não usava qualquer roupa contra o frio, porque molhariam, e eles sentiriam mais frio, mas em virtude desse estilo, a expectativa de vida dos aborígenes eram de apenas 35 anos, sem contar as crianças, essas não recebiam nenhum nome nos primeiros dois anos de vida, porque era uma fase muito crítica para elas, e 50% delas acabavam morrendo. Hoje, infelizmente, há apenas uma Yámana, Cristina Calderón, moradora da Ilha Navarino no Chile, que depois dela, imaginem, haverá apenas histórias para contar de um povo que uma vez existiu, e habitou durante 6 mil anos o arquipélago da Terra do Fogo.
Outra experiência memorável foi fazer trekking em El Chaltén (Argentina), realizei caminhadas exaustivas, subindo e descendo trilhas tortuosas, porém, a recompensa veio através daquelas paisagens que mais pareciam “mirações” de um paraíso perfeito ou quadros pintados por divinas mãos, e ainda tendo naqueles meus passos intermitentes, a bença do sobrevôo de um condor. E o glaciar? Caminhar sobre o gelo é uma sensação sem igual, você ver diferentes formas no gelo, passa por perigosas fendas na geleira, e passeia nesse paraíso branco e azul da Patagônia, tendo o lago Viedma como testemunha. E falando em glaciar, não podemos esquecer do Perito Moreno, que fica na região de El Calafate (Argentina), visitando-o, você poderá observar a sua frente, o ponto onde a massa de gelo com mais de 80 metros de altura encontra um dos braços do lago Argentino. Através de passarelas de madeira, é possível chegar, com segurança, a pouca centenas de metros das suas majestosas paredes de tom azulado e escutar seu rugido, isto mesmo, o glaciar ruge, pois diferentemente de outros glaciares pelo mundo que retrocedem, o Perito Moreno avança, e esses imensos blocos de gelos acabam se chocando entre si, racham, terminando por provocar barulhos ás vezes monstruosos que nos dão a impressão que o glaciar está vivo. E se tiver sorte, poderá ver a queda de blocos enormes de gelo caindo no lago Argentino.
Agora, mudando dos mares de gelo aos mares do Atlântico, vamos a Puerto Madryn (Argentina), berçário de muitas baleias, particularmente as francas austrais. A avistagem desses mamíferos gigantes foi o ponto alto do meu passeio. Ver o maior mamífero da Terra de pertinho, e ainda mais com filhote, foi emocionante, sem contar outros tantos animais da vida marinha como pinguins, elefantes-marinhos, orcas, lobos-marinhos. Na vida terrestre temos também muitas outras espécies como por exemplo, o simpático guanaco, animal da mesma família das lhamas, alpacas e vicunhas. Ouviu-se também narrativas interessantes nesse lugar. Segundo relatos locais, uma ilha chamada “Isla de los Pajaros”, serviu de inspiração para que o francês Antoine de Saint-Exupéry escrevesse o livro “Pequeno Principe”. O autor, conforme a história, trabalhou na Patagônia, e teria assim, conhecido a tal “Isla de los Pajaros” e se inspirou nela para fazer o mundinho do seu princepizinho. Verdade ou mito? Fica aí um bom causo.
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