Nem tudo é miséria no sertão nordestino. Saímos de Recife e decidimos ir para o sertão alagoano, de carro, passando pelo litoral (pra encontrar melhores estradas). 3 amigas sem GPS! Almoçamos em Maceió, sol de rachar naquele dia. Imperdível: o Mirante do Gunga e aquele mar de coqueiros, que termina no mar real, de água verdinha, verdinha.
Depois de Maceió, a estrada ficou horrível, toda esburacada e mal sinalizada. Para nos orientarmos, encontramos situações do tipo: poucas placas, placas enferrujadas ou, ainda, “zero” placas. Usamos bem o site 4 rodas, baixamos as cidades que deveríamos passar, verificamos consumo médio de combustível, deu pra nos virarmos sem GPS, mas tivemos que perguntar em alguns postos de gasolina.
No caminho, a paisagem do sertão me surpreendeu. Estava tudo verde, algo aqui ou ali ressecado, mas a maior parte do visual não condizia com a imagem que fazemos do sertão, tava bem parecido com agreste, isso sim. Sinal das chuvas fortes que tivemos esse ano.
Chegamos ao primeiro destino à tarde: Piaçabuçu – AL. Cidadezinha bem pequena, na foz do Rio São Francisco. Devido às condições das estradas, demoramos mais do que pensamos pra chegar lá. Saímos de Recife às 9am, paramos 2h para almoço, e chegamosem Piaçabuçu às 5pm, +ou-. Organizamos uns passeios para o dia seguinte no Pontal do Peba (agência Farol da Foz): vôo de parapente (70m = R$30,00, tem mais altos e mais caros), dura uns 10min. Tour de buggy p/ conhecer a foz do Rio São Francisco, com palestra = $R120,00 carro p/ 4 pessoas. Tb tem trilha, mas não fizemos, partimos para Penedo – AL depois dos passeios.
Linda paisagem, aliás, o dia foi perfeito. No vôo de parapente, o cara avisou: “hoje o vento ta muito forte pra quem faz primeiro vôo, não ta bom”. Que nada, eu queria ir de todo jeito, e fui logo a primeira! Por ser muito leve, acabei subindo de uma vez, igual a uma pipa, Kkkkk. Rê foi a única que caiu sentada ao descer, prato de papa! Lá do alto, do ladinho de Deus, deixei palavras soltas nos ouvidos Dele. Que coisa linda se ver: de um lado, o mar verde claro e sua imensidão, do outro, o Rio São Francisco, naquela calmaria de quem sabe que é rei do Nordeste. Muito bonito mesmo, mas não dá pra deixar de ver o alerta da natureza, me fazendo lembrar de uma frase que já dizia o sábio sertanejo: “o sertão vai virar mar e o mar vai virar sertão.”
Em Penedo, fomos dar uma volta pela noite da cidade. A dona da Pousada do Turista (R$ 15,00 noite/pessoa: quarto c/ banheiro, TV e café da manhã reforçado) informou que na “Orrrrrla” (enfatizei a palavra pq a sra. se encheu de orgulho pra falar) estava o point do lugar, chamado Oratório, pq vc bebe e já vai pedindo perdão pelos pecados. Lá, bem às margens do Velho Chico, dividimos o espaço com alguns grilos e 3 gatos pingados. Tava lá a Orrrrla, kkkkkkkkk. Mas, aos poucos, foi chegando gente e percebemos que a dona tava certa mesmo. Ainda ficamos outro dia nesta cidade, foi lá parte da gravação do filme Deus é brasileiro, assistiram?
Partimos para Piranhas, alto sertão de Alagoas. Uma das mais engraçadas foi quando paramos num posto e Rê perguntou:
- Sabe onde fica a Pousada “lampião”?
E o cara:
- “Gonzaga”?
- Não, moço, “pousada”.
- Hotel do Turista?
Aiiiii, possibilidade zero de diálogo, kkkkkkkkkkk. Pousada, Gonzaga...muito parecido, mesmo. Kkkkk, nossos esforços para não rir foram enormes, principalmente eu, que estava de co-piloto! Era muito engraçado mesmo pedir informações por lá. Era um tal de “pega às direita” ou “adobra às esquerda”, que só com muito auto-controle um cidadão conseguia controlar o riso. Acho que só quem mora no NE sabe bem o que é isso, ô coisa boa!!!
À primeira vista, a cidade impressionou por sua beleza simples e o estado de conservação. Em comparação com Piaçabuçu e Penedo, Piranhas é a jóia do alto sertão. Parece até uma maquete, não uma cidade real. Na verdade, descobrimos ser um patrimônio histórico e faz parte do roteiro de cidades históricas de Alagoas, bem como Penedo. "Minha vida é andar por esse país...guardando a recordação das terras onde passei..."
Ficamos na pousada Lampião (diária R$100,00 para 5 pessoas, quarto c/ TV, ar, frigobar, banheiro e café da manhã MARAVILHOSO), bem no centro histórico, onde o funcionário Batista nos atendeu com a maior simpatia. Esse aí fazia de tudo: reservava quartos, marcava passeios, dava informações turísticas e só não vendia tickets de jogos porque lá não havia estádio, com certeza. Desenrolado todo! Se preferirem, tem uma segunda pousada com o mesmo nome bem às margens do Velho Chico, coisa impressionante acordar e ver aquilo!
Seguimos viagem, no outro dia pela manhã, para Canindé, em Sergipe, fizemos um passeio de escuna maravilhoso pelos cânions do Rio São Francisco, paisagem indescritível. R$ 40,00 / pessoa, saída no restaurante Karrancas. Por lá, também visitamos a hidrelétrica de Xingó, R$ 30 paus / carro pra um guia nos levar lá dentro, mas acho q não valeu, vimos muito pouco. Há alguns anos, conheci a usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, bem maior que a de Xingó e vimos mais coisas por R$ 3,00, mas o verde destas águas não se compara! Bom, cada lugar tem sua beleza, não é? Pertinho, tem o museu arqueológico, R$ 5,00. Museu do Lampião, grátis. Não fizemos uma segunda opção de passeio de barco (30 paus, onde vc soma + R$3 e faz a trilha do angico), a grana acabou. Ó, preparem-se pra levar muito protetor solar, claro! É só se ligar pq não fazem os passeios todos os dias.
Vale só dizer que Piranhas, Canindé e Xingó são grudados um no outro, sem chances de se perder.
Um sofrimento para nós nestes dias foi esperar pela comida. Isso mesmo, vc não leu errado! Cada vez que pedíamos algo para comer, levava uma vida! Em um dos restaurantes, levamos 1h10 para nosso prato chegar! Até o barzinho na esquina da pousada Lampião (com um dos melhores sandubas que já comi), que sempre era rápido, nos deu um chá de espera numa noite, ahahah. Será que este serviço é sempre assim em Alagoas?!! Foi a impressão que deixou.
Na volta, decidimos pegar a BR 423 e, depois, a 232 (“tapetinho”). Estradas bem melhores dessa vez e, pasmem, bem sinalizadas! Falando em estrada, ô terra de combustível caro, essa tal de Alagoas! Álcool em Recife a R$ 1,60, por Alagoas, não se achava a menos de R$ 1,80. Quando chegamos na estrada, então, era R$ 2,00 ou 1,99, quando tinha!
Cada vez fico mais impressionada com esse meu País, tão rico e diverso, “abençoado por Deus e bonito por natureza”. Claro que há pobreza no sertão, seria até hipocrisia dizer que não, mas tudo o que se tem a oferecer por ali equilibra a parte triste. O importante é não ignorarmos, não virarmos as costas a uma realidade que não está tão distante de nós. Inté!
"Peba" vem de Ipeba - 04 a 07 de setembro/09
Nem tudo é miséria no sertão nordestino. Saímos de Recife e decidimos ir para o sertão alagoano, de carro, passando pelo litoral (pra encontrar melhores estradas). 3 amigas sem GPS! Almoçamos em Maceió, sol de rachar naquele dia. Imperdível: o Mirante do Gunga e aquele mar de coqueiros, que termina no mar real, de água verdinha, verdinha.
Depois de Maceió, a estrada ficou horrível, toda esburacada e mal sinalizada. Para nos orientarmos, encontramos situações do tipo: poucas placas, placas enferrujadas ou, ainda, “zero” placas. Usamos bem o site 4 rodas, baixamos as cidades que deveríamos passar, verificamos consumo médio de combustível, deu pra nos virarmos sem GPS, mas tivemos que perguntar em alguns postos de gasolina.
No caminho, a paisagem do sertão me surpreendeu. Estava tudo verde, algo aqui ou ali ressecado, mas a maior parte do visual não condizia com a imagem que fazemos do sertão, tava bem parecido com agreste, isso sim. Sinal das chuvas fortes que tivemos esse ano.
Chegamos ao primeiro destino à tarde: Piaçabuçu – AL. Cidadezinha bem pequena, na foz do Rio São Francisco. Devido às condições das estradas, demoramos mais do que pensamos pra chegar lá. Saímos de Recife às 9am, paramos 2h para almoço, e chegamosem Piaçabuçu às 5pm, +ou-. Organizamos uns passeios para o dia seguinte no Pontal do Peba (agência Farol da Foz): vôo de parapente (70m = R$30,00, tem mais altos e mais caros), dura uns 10min. Tour de buggy p/ conhecer a foz do Rio São Francisco, com palestra = $R120,00 carro p/ 4 pessoas. Tb tem trilha, mas não fizemos, partimos para Penedo – AL depois dos passeios.
Linda paisagem, aliás, o dia foi perfeito. No vôo de parapente, o cara avisou: “hoje o vento ta muito forte pra quem faz primeiro vôo, não ta bom”. Que nada, eu queria ir de todo jeito, e fui logo a primeira! Por ser muito leve, acabei subindo de uma vez, igual a uma pipa, Kkkkk. Rê foi a única que caiu sentada ao descer, prato de papa! Lá do alto, do ladinho de Deus, deixei palavras soltas nos ouvidos Dele. Que coisa linda se ver: de um lado, o mar verde claro e sua imensidão, do outro, o Rio São Francisco, naquela calmaria de quem sabe que é rei do Nordeste. Muito bonito mesmo, mas não dá pra deixar de ver o alerta da natureza, me fazendo lembrar de uma frase que já dizia o sábio sertanejo: “o sertão vai virar mar e o mar vai virar sertão.”
Em Penedo, fomos dar uma volta pela noite da cidade. A dona da Pousada do Turista (R$ 15,00 noite/pessoa: quarto c/ banheiro, TV e café da manhã reforçado) informou que na “Orrrrrla” (enfatizei a palavra pq a sra. se encheu de orgulho pra falar) estava o point do lugar, chamado Oratório, pq vc bebe e já vai pedindo perdão pelos pecados. Lá, bem às margens do Velho Chico, dividimos o espaço com alguns grilos e 3 gatos pingados. Tava lá a Orrrrla, kkkkkkkkk. Mas, aos poucos, foi chegando gente e percebemos que a dona tava certa mesmo. Ainda ficamos outro dia nesta cidade, foi lá parte da gravação do filme Deus é brasileiro, assistiram?
Partimos para Piranhas, alto sertão de Alagoas. Uma das mais engraçadas foi quando paramos num posto e Rê perguntou:
- Sabe onde fica a Pousada “lampião”?
E o cara:
- “Gonzaga”?
- Não, moço, “pousada”.
- Hotel do Turista?
Aiiiii, possibilidade zero de diálogo, kkkkkkkkkkk. Pousada, Gonzaga...muito parecido, mesmo. Kkkkk, nossos esforços para não rir foram enormes, principalmente eu, que estava de co-piloto! Era muito engraçado mesmo pedir informações por lá. Era um tal de “pega às direita” ou “adobra às esquerda”, que só com muito auto-controle um cidadão conseguia controlar o riso. Acho que só quem mora no NE sabe bem o que é isso, ô coisa boa!!!
À primeira vista, a cidade impressionou por sua beleza simples e o estado de conservação. Em comparação com Piaçabuçu e Penedo, Piranhas é a jóia do alto sertão. Parece até uma maquete, não uma cidade real. Na verdade, descobrimos ser um patrimônio histórico e faz parte do roteiro de cidades históricas de Alagoas, bem como Penedo. "Minha vida é andar por esse país...guardando a recordação das terras onde passei..."
Ficamos na pousada Lampião (diária R$100,00 para 5 pessoas, quarto c/ TV, ar, frigobar, banheiro e café da manhã MARAVILHOSO), bem no centro histórico, onde o funcionário Batista nos atendeu com a maior simpatia. Esse aí fazia de tudo: reservava quartos, marcava passeios, dava informações turísticas e só não vendia tickets de jogos porque lá não havia estádio, com certeza. Desenrolado todo! Se preferirem, tem uma segunda pousada com o mesmo nome bem às margens do Velho Chico, coisa impressionante acordar e ver aquilo!
Seguimos viagem, no outro dia pela manhã, para Canindé, em Sergipe, fizemos um passeio de escuna maravilhoso pelos cânions do Rio São Francisco, paisagem indescritível. R$ 40,00 / pessoa, saída no restaurante Karrancas. Por lá, também visitamos a hidrelétrica de Xingó, R$ 30 paus / carro pra um guia nos levar lá dentro, mas acho q não valeu, vimos muito pouco. Há alguns anos, conheci a usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, bem maior que a de Xingó e vimos mais coisas por R$ 3,00, mas o verde destas águas não se compara! Bom, cada lugar tem sua beleza, não é? Pertinho, tem o museu arqueológico, R$ 5,00. Museu do Lampião, grátis. Não fizemos uma segunda opção de passeio de barco (30 paus, onde vc soma + R$3 e faz a trilha do angico), a grana acabou. Ó, preparem-se pra levar muito protetor solar, claro! É só se ligar pq não fazem os passeios todos os dias.
Vale só dizer que Piranhas, Canindé e Xingó são grudados um no outro, sem chances de se perder.
Um sofrimento para nós nestes dias foi esperar pela comida. Isso mesmo, vc não leu errado! Cada vez que pedíamos algo para comer, levava uma vida! Em um dos restaurantes, levamos 1h10 para nosso prato chegar! Até o barzinho na esquina da pousada Lampião (com um dos melhores sandubas que já comi), que sempre era rápido, nos deu um chá de espera numa noite, ahahah. Será que este serviço é sempre assim em Alagoas?!! Foi a impressão que deixou.
Na volta, decidimos pegar a BR 423 e, depois, a 232 (“tapetinho”). Estradas bem melhores dessa vez e, pasmem, bem sinalizadas! Falando em estrada, ô terra de combustível caro, essa tal de Alagoas! Álcool em Recife a R$ 1,60, por Alagoas, não se achava a menos de R$ 1,80. Quando chegamos na estrada, então, era R$ 2,00 ou 1,99, quando tinha!
Cada vez fico mais impressionada com esse meu País, tão rico e diverso, “abençoado por Deus e bonito por natureza”. Claro que há pobreza no sertão, seria até hipocrisia dizer que não, mas tudo o que se tem a oferecer por ali equilibra a parte triste. O importante é não ignorarmos, não virarmos as costas a uma realidade que não está tão distante de nós. Inté!