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Travessia da Serra Fina em 3 dias (16/112015 à 18/11/2015)

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598dd1b3b1411_serrafinaloka3dias022.jpg.01a1d66e76e5792a94196c15c9ea8c9a.jpgTravessia da Serra Fina em 3 dias

De 16/112015 à 18/11/2015

Inicio: Toca do Lobo em Passa Quatro/MG

Final: Garganta do Registro em Itamonte/MG

Percursso: 30km

 

Uma clássica travessia de montanha, a Serra Fina é considerada uma das travessias mais duras e difíceis do Brasil. Situada no coração da Serra da Mantiqueira, constitui alguns dos picos com mais de 2.000 metros de altitude, dentre alguns, o Alto do Capim Amarelo, Pedra da Mina e Pico dos Três Estados, este, marco da divisa entre os estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Geralmente percorrida em quatro dias, exige do montanhista um bom preparo físico, uma boa noção de navegação e logística (no que se refere à alimentação e água).

 

Bom, como comentado, esta travessia é geralmente realizada em quatro dias, mas é possível realizá-la e até um dia, mas vai depender de seu preparo físico e projeto e realização pessoal.

Já havia realizado esta travessia no feriado de Corpus Christi (Junho/2014). Nesta ocasião, por se tratar de feriado, a Serra Fina estava cheia de montanhistas, mas mesmo assim foi muito bom, apesar de ter que alterar os horários de caminhadas para conseguir área de camping disponível.

Desta vez, resolvi realizar em três dias, um desafio a mais, pois teria de caminhar um pouco mais, para render um dia a menos de caminhada.

Assim, resolvi me juntar aos amigos Gustavo e Vanderlei, estes, que estavam realizando a travessia da Transmantiqueira assim que eles iniciassem a etapa da Serra Fina.

Sai de São Paulo dia 1511/2015 (Domingo) por volta das 23:30 com destino à Passa Quatro/MG. Alguns dias antes já havia acertado o transfer com a Patrícia que reside em Passa Quatro, para me levar até a toca do lobo (inicio da travesia) e onde iria se encontrar com os amigos e depois no final, a mesma me resgatar lá na Garganta do Registro em Itamonte/MG.

Tudo certo, chego em Passa Quatro dia 16/11/2015 (Segunda – feira) às 04:00, passo uma mensagem para a Patrícia, ela chega e vamos em direção à Toca do Lobo. Por ter chovido alguns dias a estradinha que dá acesso ao refugio Serra Fina e mais a frente a Toca do Lobo estava bem ruim e escorregadia. Cheguei à Toca do Lobo as 5:30, onde o Gustavo e o Vanderlei já estavam de prontidão me esperando. Tomei um breve café só para enganar o estomago e borá começar a caminhada.

 

1° dia de travessia: Toca do Lobo – Pedra da Mina (2.798m)

16/11/2015

 

Após atravessar um trecho de rio começa a subida. Uma subida bem forte, mas que é recompensada a partir do momento que se pode apreciar alguma belas paisagens do nascer do Sol enquanto avança montanha acima.

Sempre com umas breves paradas para respirar fundo, em uma destas, chegamos a um ponto onde é possível observar uma longa crista no qual passaremos. Comento aqui sobre esta paradinha para repor as energias e registrar alguns momentos, pois aqui aconteceu uma parada muito engraçada e que foi lembrada até o final de nossa aventura. O Gustavo estava tão animado por estar naquele lugar, tirou a máquina fotográfica da mochila para registrar algumas imagens e soltou um “Brigadú Serra Fina!!!”. Só que antes de ele terminar, o mesmo tropeça em uma pequena pedra e sai todo cambaleando, retrucando logo em seguida com um “caraka!!! Nós (eu e o Vanderlei) que estávamos sentados observando, assim que vimos a cena, caímos a dar risada. Foi muito engraçado. Não que curtimos dar risada da desgraça alheia, mas é que a partir daquele momento, todo e qualquer capote, escorregão ficava registrado com um “Brigadú Serra Fina!!!” e foram vários até o final da travessia. Eu mesmo levei um escorregão no último dia enquanto estávamos descendo a trilha das bromélias. Um belo escorregão digno de se comparar a um passo de dança de rua, estilo break rsrsrs. Bom, mas continuando, após beber um pouco de água, como estávamos em um bom ritmo de caminhada, por volta das 10:30 já estávamos no Alto do Capim Amarelo. Paramos para um lanche, assinamos o livro de Cume e partimos em direção à Pedra da Mina.

Um longo sobe e desce, sendo recompensado com magníficas paisagens de vales imensos. Um pouco depois de chegar ao rio vermelho, onde é possível abastecer de água, começa a chover. O Gustavo que estava preparado, abre uma lona, esticamos a mesma e esperamos a chuva passar embaixo dela. Após a chuva dar uma trégua, resolvemos voltar a caminhar. Quando estávamos próximos à base da Pedra da Mina, eis que a chuva volta a cair mais forte. Decidimos subir mesmo assim, cada um em seu ritmo, pois este era o último trecho forte de subida e destino final do dia. A subida da Pedra da Mina não foi fácil. Subida forte, pesada e com a chuva caindo forte, certamente foi um último teste diário de resistência, visto que já havíamos caminhado umas 11 horas.

Cheguei primeiro ao cume e como estava bem cansado, me sentei próximo a uma área para montar a barraca e aguardei o Vanderlei que chegou logo em seguida e o Gustavo após, mesmo com a chuva caindo fortemente. Resolvemos acampar ali mesmo no Cume e por algumas áreas de camping estarem alagadas, ficamos um pouco longe. O Gustavo e o Vanderlei juntos em uma área e eu sozinho em outra área. Montamos as barracas na chuva, correndo para não molhar muito nossos pertences. Após montar a barraca, deitei e rapidamente cai no sono. Acordei umas 19:00 e como ainda estava chovendo, resolvemos preparar algo para comer dentro da barraca mesmo, jantamos e bora dormir de novo, já que com chuva, nada de apreciar paisagem. Acordei lá pelas 03:00, percebi que não estava mais chovendo, então resolvi sair da barraca para ver como estava o tempo lá fora. Eis que ao olhar para o céu, que visual incrível, sem nenhuma nuvem, todo estrelado. Fiquei por um breve momento sozinho apreciando aquele céu. Voltei para a barraca e só acordei com o celular despertando às 5:30.

Pela manhã o tempo estava incrível. O sol estava para surgir no horizonte, pintando o céu com tons alaranjados e um mar de nuvens abaixo dos cumes e forrando os vales. Lindamente. Fiz alguns registros, chamei o Gustavo e o Vanderlei que ainda estavam na barraca. Preparamos um café e logo mais iniciamos a organizar as coisas para partir rumo ao Três Estados, mas não antes de fazermos alguns últimos registros e assinar o livro de cume. Neste momento, curto ficar lendo as mensagens, dedicatórias e pensamentos de cada um que já passou por ali. Certamente cada um que decide encarar uma subida em montanha tem um motivo especial e pessoal. Em apenas algumas linhas dá para perceber algum sentimento. Compartilhar algum pensamento, um sentimento, é com certeza, compartilhar um pouco de sua felicidade. Neste momento me recordo da frase de Christopher McCandless no livro “Na Natureza Selvagem” “...a felicidade só é verdadeira se for compartilhada...”. Compartilhei um pouco de minha felicidade por estar mais uma vez naquele lugar. Mochilas nas costas. Eu, o Gustavo e Vanderlei apertamos as mãos em cumprimento, desejamos uma boa caminhada e partiu Vale do Rua.

 

 

2° dia

 

Pedra da Mina – Pico dos Três Estados – Base do Bandeirante

17/11/2015

 

Após uns 40 minutos de descida, eis que chegamos ao Vale do Ruah. Um lugar tomado por uma espécie de campim com altura até a cabeça. Aqui é importante ter uma boa noção de navegação, pois ao adentrar a trilha por dentro deste vale, a chance de se perder é muito fácil, caso não esteja atento, principalmente se as nuvens baixarem por este vale, fazendo com que se perca a noção de pontos de referências para localização e rumo a tomar. Ter um GPS nestes casos é bom para auxiliar, caso venha a sair da rota e precisar voltar a trilha normal.

Paramos em um trecho do rio que segue lateralmente o caminho da trilha, abastecemos de água e seguimos caminho.

Após chegar no trecho final do Ruah, eis que iniciamos uma pequena subida, saímos em uma pequena e boa área de camping, depois vários lances de cristas e uns dois lances fortes de sobe e desce até chegar ao Pico dos Três Estados com seus 2.656m de altitude.

Como o próprio nome diz, Pico dos Três Estados, onde neste situa-se a faixa divisória dos três estados (SP, MG e RJ), com um marco localizando a linha imaginária da divisa.

Chegamos por aqui por volta das 12:30. Paramos para comer algo e repor um pouco a energia. Registramos alguns momentos. O Gustavo achou uma caneca que mais para frente seria bem útil. Aqui conversamos se deveríamos montar acampamento por ali mesmo ou seguir caminho para adiantar a travessia, visto que ainda era 12:30. Comentei que haveria área de camping um pouco mais a frente, então decidimos render um pouco mais a caminhada. Assim, após mais umas três horas de caminhada, sobe e desce, chegamos a uma pequena área, logo abaixo de um pequeno cume antes dos Ivos.

Mal começamos a montar acampamento e uma leve chuva começou a cair, nada de mais. Montamos uma tenda para cozinhar com a lona que o Gustavo levou. Preparamos a janta, ainda estava cedo, umas 17:30. Estávamos conversando sobre se a água que tínhamos daria para suprir até o final do outro dia. Estávamos economizando, então começou a chover forte. Aí tivemos a idéia de captar a água da chuva que se acumulava na lona. A chuva estava tão forte que rapidamente enchia as garrafas.

Agora com água sobrando, estávamos despreocupados. Conversamos sobre acordar mais cedo, tomar café e já sair por volta das 06:00. Foi o que fizemos.

Mais uma vez, nos cumprimentamos, desejamos boa caminhada um para o outro e iniciamos a caminhada sentido à Garganta do registro e destino final.

 

3° dia

Base do Bandeirante - Ivos – Garganta do Registro

 

Após, sairmos as 06:00 do acampamento, realizamos dois lances de subida e descida até chegar ao Alto dos Ivos. Aqui é o último trecho de cume, o restante do caminho se faz por dentro de crista, descidas constantes e passando por trechos de bambus muito molhados. No Alto dos Ivos, às 7:00, mandei uma mensagem para Patrícia, comentando mais ou menos o horário que estaríamos lá na Garganta do Registro.

Uma das dificuldades do último trecho é o caminho tomado por bambus, as vezes fechando o caminho. Um trecho que testa a paciência, pois em algumas vezes te segura, você dá dois passos para frente e um para trás para se soltar desses bambus e além do mais tudo encharcado.

Chegamos à bifurcação que dá acesso ao Pierre (caminho onde a maioria segue) e à Garganta do Registro. Nossa meta era seguir até a Garganta do Registro, então seguimos por este Caminho. Após uma caminhada por uma estrada desativada, tomada pela vegetação, chegamos a um mirante onde já era possível avistar a Garganta do Registro. De frente para o Planalto de Itatiaia, fizemos alguns últimos registros e descemos por uma trilha. Aliás, uma bonita trilha, com muitas bromélias. Chegamos a uma estrada de terra e logo mais a frente a um hotel. Cumprimentamos o porteiro, este abriu o portão e terminamos a travessia bem em frente à entrada da estrada que dá acesso ao Parque Nacional de Itatiaia. Ali, fomos ao estabelecimento do Amigo do Vanderlei, onde ele havia deixado alguns mantimentos. Pedimos pastel, umas cervejas e brindamos à nossa aventura.

Ficamos um tempo conversando sobre nossa travessia, rindo de alguns casos, refletindo um pouco, quando lá pelas 13:00 a Patrícia chega, me despeço de meus amigos, pois eles ainda seguiriam para o parque do Itatiaia para iniciar mais um trecho de travessia e eu seguiria caminho de volta para São Paulo. De volta a Passa Quatro, o próximo ônibus só sairia às 17:00. Ainda era 14:00, então comprei a passagem antecipado para garantir e esperei até o horário de embarcar para São Paulo.

 

Notas:

Agradecimento à Patrícia e sua família pela recepção enquanto aguardava o horário para embarque.

Se precisarem do contato para algum Transfer me solicitem que passo o contato.

 

Só há uma coisa chata de ir para a montanha. Carregar lixo que estão pelo caminho deixado por outros. Mas relevo aqui que nem todos aqui deixam de propósito, as vezes cai sem querer. Bom, carregamos uma sacola de lixo que fomos apanhando pelo caminho.

 

Uma travessia difícil, não recomendada para iniciantes ou pessoas que não tenham um bom conhecimento do preparo adequado.

 

Uma travessia digna de estar no Currículo de todo montanhista.

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