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DESTINO FÉRIAS. OS GAMBERONI DE BONITO A LIMA EM 27 DIAS

@leogamberoni

 

Terminado minhas aulas e as de minha filha de doze anos é hora de partir. O destino dessas férias foi traçado desde o início de 2015, mas acabou por sofrer algumas alterações devido ao preço das passagens e a desvalorização do Real.

 

Decidimos conhecer um pedaço do Brasil, de cruzar toda a Bolívia, parte do Chile e finalizar a viagem em Lima, no Peru. O roteiro final ficou: Natal, Bonito, Sucre, Potosi, Uyuni, San Pedro de Atacama, La Paz, Lago Titicaca, Copacabana, Puno, Arequipa, Cuzco, Machu Pichu, Nasca e, por último, Lima de onde retornaremos a Natal.

 

Teremos 27 dias para completar o roteiro. Alguns descartes poderão ser feitos, dependendo de perda de tempo em deslocamentos, ou caso a gente queira passar mais dias em um determinado local, ou explorar lugares não pensados anteriormente. O bom de mochilar é poder alterar sua rota a qualquer momento.

 

Saímos de Natal em direção a Campo Grande, mas antes uma conexão em Brasília. Conseguimos chegar na capital sul matogrossense às 22 horas e de lá pegar um transfer até Bonito. Ás três da madrugada fizemos o checkin na pousada. A cidade faz frio a noite, mas durante o dia é bem quente.

 

Às 11 horas do dia seguinte tínhamos o primeiro passeio agendado: uma flutuação nos rios Sucuri e da Prata. Quase não acontece devido a chuva. Mas no final das contas deu tudo certo.

 

 

O lugar é lindo e, apesar da chuva, a água do rio se manteve cristalina e numa temperatura agradável. Foi possível observar vários cardumes de peixes e a vegetação aquática. Nada de jacarés e sucuris, infelizmente. Em vários pontos também observamos os fervedouros, que são as nascentes do rio. De longe uma experiência indescritível.

 

No dia seguinte fizemos a visita a gruta do lago azul, com cerca de 80 metros de profundidade. Outro lugar para nos deixar impressionados. Uma enorme caverna com águas cristalinas que, devido a combinação da luz solar com os sedimentos em calcário no fundo de seu leito, proporciona a sensação da cor da água ser um azul celeste. É uma atividade de contemplação.

 

A tarde fizemos um passeio leve chamado boia cross. Uma descida na correnteza do rio em cima de uma bóia passando por sete pequenas quedas dágua. A diversão é garantida para as crianças e adultos também. O tempo em Bonito foi pouco. Ficou a sensação de ter que voltar em breve.

 

 

 

IMPRESSÕES SOBRE BONITO

 

É uma cidade nova, com cerca de 50 anos e 20 mil habitantes. Toda planejada, suas ruas são retas formando quarteirões retangulares em toda sua extensão. É extremamente limpa. Há lixeiras seletivas espalhadas por toda a cidade.

 

A população vive basicamente de três atividades: turismo, comércio e agronegócio. Bonito parece ser uma cidade bem tranquila e bem policiada. Povo hospitaleiro, sempre disposto a ajudar.

 

A sensação é de você estar numa enorme fazenda. A moda sertaneja, de botas e chapéus de vaqueiro, predomina entre a população nativa. A música também.

 

 

Possui um custo de vida alto e os passeios, mesmo em baixa estação são caros. O ideal é ter pelo menos cinco dias na cidade para conhecer os principais pontos turísticos. Alugar um carro facilita a visitação já que algumas atrações ficam distantes.

 

 

 

DE BONITO A CORUMBÁ

 

O serviço de transporte na região é muito precário. Os turistas só tem a opção de transporte privado, seja por táxi, contratando transfer diretamente nas agências de turismo ou seja alugando um carro.

 

Na hora de ir embora de Bonito em direção a Corumbá, as opções eram ainda menores. Ao chegar na rodoviária, que só abre 15 minutos antes da partida de cada ônibus, fomos informado que o único ônibus que vai para Corumbá sairia ao meio dia e não havia a opção de fazer reserva de passagens.

 

Optamos por pegar um transfer até Miranda, cerca de 120km de Bonito e de lá pegar um ônibus com destino a Corumbá. Problema resolvido. Depois de algumas horas de espera na rodoviária de Miranda, finalmente estamos a caminho de Corumbá. A expectativa é conseguir atravessar a fronteira ainda hoje e já tomar o trem da morte para Santa Cruz de la Sierra.

 

 

A IMIGRAÇÃO Y LA IMIGRACION

 

Chegamos em Corumbá as 17:30 e seguimos direto para a fronteira com a esperança de conseguir dar entrada na documentação e ainda pegar o ferrobus que sairia as 18:00, fuso-horário boliviano, uma hora a menos que Corumbá e duas a menos que Brasília.

 

Entretanto, apesar do letreiro marcar o atendimento até as 18:00, o serviço do lado brasileiro já estava encerrado. Tivemos que dormir em Quijarro e acordar as 4:00 para retornar a imigração e dar entrada na documentação. Do lado brasileiro, fomos os segundos. Mas ainda tinha la imigracion boliviana, com sua fila gigantesca e que só crescia.

 

Nessas horas o melhor a fazer é puxar conversa para conseguir informações valiosas. Conhecemos um grupo de estudantes brasileiros que voltavam ao Brasil de férias. Eles nos deram a dica para fazer o câmbio ali mesmo já que em Santa Cruz a cotação estava pior. E assim foi feito.

 

 

CHEGANDO A SANTA CRUZ DE LA SIERRA

 

Depois de quase três horas nas filas de imigração brasileira e boliviana, conseguimos a autorização para entrar no país. Fomos direto para a rodoviária comprar passagens já que o ônibus sairia as 11:00.

 

Desistimos de ir de trem. O mesmo somente sairia a noite e não havia a garantia de conseguirmos passagens. Os ônibus são confortáveis, estilo leito. O preço também é equivalente ao superpulman. Só não teremos a paisagem da viagem de trem mas, em compensação, a viagem levará 8 horas, o que nos ajudará a recuperar parte do tempo perdido.

 

 

BOLÍVIA ES UN CAOS

 

A felicidade de conseguir resolver tudo dentro do prazo durou pouco. Apesar de tomar cuidado em comprar passagem pelas empresas indicadas, o ônibus que pegamos quebrou duas horas depois de viagem.

 

Sabe aquela sensação de estar vivenciando uma realidade precária no transporte brasileiro de vinte, trinta anos atrás? A Bolívia passa por uma realidade difícil. Frota velha de carros e ônibus, com quase nenhuma manutenção. Tivemos que parar na estrada por falta de freio. Mais uma vez enfrentamos uma adversidade na viagem. O ponto positivo se deu na qualidade das estradas, todas novas e conservadas.

 

 

A SAGA DE PUERTO QUIJARRO ATÉ SUCRE

 

Chegamos em Santa Cruz às vinte e uma horas bem cansados. Resolvemos dormir próximo a rodoviária e, no dia seguinte, arriscar até o aeroporto para tentar comprar passagens para Sucre. Do contrário, teríamos que enfrentar uma viagem de 15 horas de ônibus e que sairia apenas as 17 horas do dia seguinte.

 

Deu certo. Conseguimos um vôo com conexão em Cochabamba, que já está a 2.500m de altitude. Nos custou as duas passagens 860 Bolivianos. Eu comecei a me sentir tonto e com Náuseas mas, felizmente Brunninha está bem.

 

A intenção é passar duas noites em Sucre para nos aclimatar a altura e conhecer o local. Depois seguimos viagem para os salares de Uyuni.

 

 

A ACONCHEGANTE SUCRE

 

De longe, a cidade mais bela que visitamos na Bolívia até o momento. Sucre é uma cidade colonial conhecida como La Ciudad Blanca, por ter suas edificações pintadas de branco.

 

Aqui, o ar já começa a faltar. São 2.750m de altitude e o clima é bem agradável. A noite, pegamos 8 graus, mas durante o dia fez bastante calor.

 

A viagem cansativa até aqui valeu a pena. Sua arquitetura colonial é belíssima e a cidade, apesar de ser a capital constitucional da Bolívia, tem ares de interior.

 

São vários pontos para se visitar. Partindo da Plaza 25 de Mayo, em pouco tempo é possível conhecer os principais destinos turísticos. É uma cidade para passar dois dias. Amanhã partimos para Uyuni.

 

 

A CAMINHO DE UYUNI

 

Depois de dois dias em Sucre, partimos em direção a Uyuni, com parada em Potosi, já que não havia ônibus direto no momento em que chegamos na rodoviária. É uma viagem de pelo menos 7 horas em ônibus velhos e sem ar condicionado. Potosi está a mais de quatro mil metros de altitude e até respirar cansa. O clima é muito seco e há sempre poeira no ar devido ao tipo de solo da região.

 

A chegada em Uyuni se deu no fim da tarde. Antes de ir atrás de hotel fomos logo em busca das empresas que fazem o passeio de três dias pelo salar e garantir logo nossa vaga.

 

Conseguimos uma empresa que, aparentemente é boa. Vamos testar na prática. Também nos hospedamos na mesma rua para facilitar a logística. A noite fez o maior frio de toda a viagem até o momento: 0 graus.

 

Já aproveitei para comprar as passagens de ida para La Paz para daqui três dias e pernoitarmos no ônibus. Desistimos de seguir por San Pedro de Atacama. Vai aumentar a viagem em três dias e perdemos dois dias tentando chegar a Sucre.

 

 

PRIMEIRO DIA NO DESERTO DE SAL

 

Nosso passeio pelo salar de Uyuni começou por uma visita ao cemitério de trens. São várias máquinas abandonadas que já foram utilizadas no minério de ferro e prata. Depois, fomos até a feira de artesanias bolivianas. Parada estratégica para a compra de luvas e gorros que já serão utilizados esta mesma noite.

 

O sol durante o dia estava muito forte. O clima seco nos desidratava muito rápido. Consumimos dois litros de água rapidamente. Nosso carro estava formado por dois turistas de La Paz, dois australianos, além de mim e minha filha. Todos sofrendo com o clima.

 

Nossa terceira parada foi numa nascente de água salgada, que borbulhava do chão, extremamente gelada. Algumas pessoas se aventuravam em colocar os pés ou as mãos, mas logo desistiam.

 

Depois fomos até a isla del pescado, que fica no meio do salar. Uma visão surreal. Uma pequena formação rochosa, cheia de cactus e algumas construções, que se destaca no horizonte da paisagem branca e retilínea. Para conhece-la é preciso desembolsar 30 Bolivianos. Depois paramos para almoçar em um restaurante de sal. Suas paredes, mesas e cadeiras são feitas literalmente de sal.

 

A tarde seguimos em frente. Uma última parada para fotos na imensidão branca de sal e observação do horizonte que faz parecer que as montanhas flutuam. A primeira pernoite foi num hotel cujas camas e decoração também são de sal.

 

 

SEGUNDO DIA: LAGOAS E VULCÕES

 

O segundo dia começou as seis horas. Tomamos café e partimos em direção aos vulcões e lagoas no deserto de Uyuni. A primeira parada foi no vulcão Ollague, que ainda está ativo. De um lado é a Bolívia e do outro já é o Chile. Pudemos andar sobre suas lavas petrificadas.

 

Seguimos em direção as lagoas. Quatro no total. A primeira a ser visitada foi a laguna Canhapa, localizada entre montanhas vulcânicas. Haviam vários flamingos sobrevoando-a. Visitamos mais duas lagoas com a mesma formação.

 

A tarde, depois do almoço, conhecemos a árvore de pedra. Formação de lava vulcânica que lembra uma árvore petrificada. No percurso pegamos várias rajadas de areia que obrigava o nosso motorista a para o carro.

 

Em seguida, partimos para o ápice deste dia: a laguna colorada. Sua formação a partir de sedimentos rochosos que são trazidos pela água que brota das montanhas vulcânicas, ganha cores diversas, de acordo com os minérios da região. É uma das vistas mais incríveis do passeio.

 

A laguna Colorado, com 4.500 metros de altitude, fica em um parque nacional e para ter acesso cada passageiro tem que pagar 150 Bolivianos. Chegamos no hotel ás 16:30. Só poderemos carregar os celulares e câmeras a partir das 19:30, quando ligam o gerador. Há pelo menos seis grupos de seis pessoas e duas tomadas. A disputa vai ser grande.

 

 

ÚLTIMO DIA: GEYSERS, FONTE TERMAL E MAIS VULCÕES

 

O último dia no deserto começou cedo. As três e meia da manhã já estávamos de pé para arrumar a bagagem e tomar o café da manhã. Tudo no escuro pois os geradores foram desligados durante a noite e leva algum tempo para voltar a funcionar.

 

O destino era os geysers, jatos de vapor de água que chegam a 5 metros de altura, a 200 graus e que estão localizados a 4.850 metros de altitude. O ponto mais alto de todo o nosso percurso. O cheiro de enxofre era insuportável.

 

O frio fora do carro era de menos 3 graus. Colocamos todas as roupas de frio que levamos e, mesmo assim, sofremos com a temperatura. Saímos do hotel em uma espécie de comboio não organizado já que todos os carros queriam chegar primeiro nos geysers e garantir as melhores fotos.

 

A segunda parada, um pouco mais a frente, foi em Águas Calientes, águas termais, a 36 graus, que brotam da pedra e formam piscinas onde se pode tomar banho por 6 bolivianos. O contraste com a temperatura ambiente forçava as pessoas não quererem sair de lá.

 

Seguimos pelo deserto de Dali e suas rochas surreais que parecem mover-se pelas areias. Por fim, chegamos a laguna verde e ao vulcão Licambur, cuja altura é de 5.960 metros.

 

Em nosso planejamento inicial deveríamos seguir a San Pedro de Atacama, mas retornamos a Uyuni e iremos para La Paz. Atacama ficará para uma outra oportunidade.

 

 

A CIDADE DE UYUNI

 

Uyuni é uma cidade localizada a cerca de 4.000 metros de altitude. Possui basicamente duas fontes econômicas: a mineração e o turismo. Recebe gente de todo o mundo.

 

Nas suas ruas, hotéis e carros 4x4 que fazem o trajeto pelo deserto se houve sotaques americanos, chilenos, colombianos, australianos, brasileiros, japonês, chinês, francês, entre outros.

 

Em alguns pontos de visitação, os mais disputados, era possível ver de 30 a 50 veículos estacionados, chegando e saindo. Sempre com sua lotação máxima de um motorista e seis turistas.

 

A infraestrutura turística é precária. Desde a rede hoteleira, como também na parte alimentar, passando por banheiros públicos. Já os passeios são de excelente qualidade.

 

Os carros, obrigatoriamente, precisam ser 4x4 e de sete lugares. Não são tão novos, o nosso era de 2001, mas com manutenção adequada, ofereceu conforto e segurança a todos nós.

 

Eles partem com três galões extra de combustível, as refeições de seus passageiros - café da manhã, almoço e jantar - e um pequeno kit de manutenção. No caminho, não há onde comprar mantimentos. O turista precisa sair de Uyuni levando seus sucos, biscoitos, leites, entre outros, se quiser complementar as refeições oferecidas pela empresa de turismo.

 

É o tipo de lugar que o desejo de voltar prevalece sobre as adversidades, tais como o clima seco, arenoso e a precariedade de sua infraestrutura.

 

 

LA PAZ, A CAPITAL

 

Saímos de Uyuni a noite em direção a La Paz. Chegamos ainda de madrugada, às 4:00. Tivemos que fazer hora até o comércio abrir e seguir para a pousada. O taxista se enrolou e não conseguiu nos deixar no endereço correto.

 

Precisamos pegar outro táxi. Em La Paz ficamos duas noites. Aproveitamos para descansar do ritmo puxado que vinhamos. Passeamos apenas pela cidade. Abortamos os passeios para que Brunna e eu pudéssemos descansar.

 

Em uma das caminhadas pela cidade, vimos que estava passando Stars Wars, episódio VII. Fomos assistir, obviamente. A pousada em que ficamos era muito boa. Uma casa antiga, estilo colonial muito aconchegante.

 

Partimos no dia seguinte em direção a Copacabana, último destino na Bolívia. A cidade fica localizada já na fronteira com o Peru, nas margens do lago Titicaca

 

Antes de chegar a Copacabana, atravessamos de balsa um pequeno braço de água no lago, localizado em Tiquina. Almoçamos já em Copacabana e seguimos viagem para Puno.

 

PERU, PRIMEIRO DESTINO: PUNO

 

Em Puno tivemos nosso primeiro contato com o povo peruano e sua cultura. Cidade a beira do lago Titicaca, fez muito frio durante a noite. Percebemos logo a mudança na vegetação e na umidade no ar, algo difícil de encontrar na Bolívia.

 

Nossa noite em Puno era véspera de Natal. Aproveitamos para jantar em companhia de cinco turistas brasileiros do Estado de São Paulo que conhecemos na rodoviária de La Paz com os quais fizemos amizades.

 

Eles também estão percorrendo a Bolívia e Peru e possuem, assim como a gente, o destino final, Lima. A noite de natal, apesar de longe da família, foi muito agradável.

 

No dia seguinte fizemos o tão esperado passeio pelo lago Titicaca, que durou cerca de dez horas. O dia amanheceu frio, mas foi aquecendo a medida que as horas passavam.

 

A primeira parada foi nas ilhas flutuantes de Uros. Feitas de totoro, uma planta nativa do lago, as ilhas servem de moradia para os índios que habitam a região.

 

Tudo na ilha tem como matéria prima o totoro. Suas raízes servem de sustentação para que flutuem. Do seu caule é feito o chão das ilhas, que possuem cerca de três metros de altura em relação ao nível do lago.

 

É com ele que as embarcações e as casas também são feitas. É algo sem parâmetro, saber que dezenas de famílias vivem nessas ilhas flutuantes e delas tiram todo seu sustento.

 

De lá seguimos para a ilha natural de Tequile, cujo seu cume chega a 4 mil metros de altura. O lugar é habitado há séculos por um povo de mesmo nome da ilha e que possui uma cultura própria.

 

A subida por suas estreitas calçadas íngremes acabou com o pouco de fôlego que ainda nos restava. Mas o visual é recompensador. É possível ver o horizonte continental montanhoso formado pelas cordilheiras reais, diversas ilhas de todos os tamanhos, cercadas pelas águas de cor azul turquesa do lago Titicaca.

 

O passeio terminou com a gente retornando a Puno em uma viagem direta de barco que durou cerca de três horas. Chegando na cidade, foi o tempo de buscarmos nossa mochila no hotel, jantarmos e nos despedirmos de nossos amigos paulistas, que seguiriam viagem para Cuzco. O nosso destino era Arequipa.

 

 

EM AREQUIPA, C NION DEL COLCA E A NASCENTE DO RIO AMAZONAS

 

Em Arequipa passamos dois dias e uma noite. A cidade surpreendeu em seu tamanho e organização. Ficamos hospedados a uma quadra da Plaza de Armas, uma das mais bonitas entre as cidades de origem espanhola que conheço.

 

Aproveitamos a primeira tarde na cidade para conhecer a parte histórica e seus mirantes para os diversos vulcões da região. Visitamos uma igreja fundada no século XVI e que resistiu a diversos terremotos.

 

No dia seguinte, fomos até o cânion del Colca, o passeio mais aguardado em Arequipa. O cânion é considerado o segundo maior do mundo em profundidade, com mais de 4 mil metros.

 

A paisagem é deslumbrante. Ficamos de um lado do cânion e pudemos observar sua imponente formação rochosa a cerca de dois quilômetros de distância.

 

Os paredões são cortados por nada menos que o rio Amazonas, cuja sua principal nascente está a poucos quilômetros do ponto de observação, na cordilheira Chilli.

 

Imagina a emoção de estar em uma das principais nascentes do rio Amazonas, a cerca de 4 mil metros de altitude, na cordilheira andina peruana? E eu que vivi em Manaus de onde, quem está em uma das margens, não consegue ver do outro lado do rio.

 

De lá, seguimos viagem pelo Vale del Colca, região mais acessível e domesticada há milhares de anos pelas sociedades pré-Incas. É possível observar as montanhas cortadas pelo homem como se fossem gigantescos degraus. É ali que se criam animais e pratica a agricultura.

 

Apesar da altura, fez muito calor. Fomos preparados para o frio, o que nos fez sofrer um pouco. No retorno a Arequipa, ainda pudemos observar uma cadeia de quatro vulcões, sendo que um deles estava ativo. O cume do maior, o vulcão Chachani, supera os seis mil metros.

 

 

ENFIM, CUSCO E MACHU PICCHU

 

Chegamos ao ápice de nossa viagem. Chegamos a Cusco. A viagem de ônibus de Arequipa a Cusco durou dez horas. Lá, também ficamos alojados bem próximos a plaza de armas.

 

Cusco é outra cidade encantadora. Seu centro histórico, todo feito em pedras talhadas a mão, é algo que logo chama atenção de quem chega a cidade.

 

Suas ruas estreitas absorvem o tráfego de carros e pedestres, ocasionando engarrafamento ao longo de todo o dia. É preciso ter cuidado para não ser atropelado.

 

A todo momento ouvimos sotaques de todo lugar. Cusco também é uma cidade que atrai pessoas do mundo inteiro. Tiramos o primeiro dia para conhece-la, visitar seu artesanato e vivenciar seus hábitos.

 

A tarde, contratamos o pacote para Machu Picchu. Chegamos a cidade com poucos Soles, nenhum dólares e alguns reais. Aqui, mais do que qualquer outro lugar que passamos nessa viagem, tudo é cotado em dólar.

 

Precisei cambiar reais e ainda sacar dinheiro em caixa eletrônico para pagar nosso pacote, equivalente a U$255,00, cada. Fiquei sem limite no cartão o resto do dia, já que no Peru, o limite de saque é de 600,00 Soles por dia.

 

Aliás, um transtorno, já que o custo dos passeios é alto e, se você quiser pagar com cartão, os lojistas cobram um adicional de 8%. Este tem sido o ponto fraco de viajar pelo Peru. O país se dolarizou. Tudo cotado em dólar. O trem para Machu Picchu deve ser o mais rentável do mundo.

 

 

DE CUZCO A MACHU PICCHU

 

Conseguimos um pacote para descer a Machu Picchu no dia 29.12, dormir em Águas Calientes e retornar a Cuzco no dia seguinte. Desde o início a viagem tomou ares de ser o clímax de todo nosso roteiro. Antes do relato sobre a indescritível Machu Picchu, falemos sobre nossa segunda saga de toda viagem.

 

Ainda em Puno, o guia que nos levou as ilhas de Uros nos indicou um outro guia, em Arequipa, que nos receberia na rodoviária e este nos indicaria um terceiro guia em Cuzco. Só que o mesmo não apareceu na rodoviária.

 

Depois de uma hora esperando, resolvemos pegar um táxi para o hotel. Acabamos nos hospedando em outro hotel que vimos no caminho. Lá, fizemos amizade com o dono, que nos ajudou bastante.

 

Ele era de Cuzco e nos indicou um amigo de infância que trabalha com turismo. Quando chegamos na cidade, o mesmo não pôde ir nos buscar, pois adoeceu. Mas mandou um outro amigo.

 

Este nos levou a pousada e organizou o pacote para Machu Picchu. Fizemos o pagamento no meio da Plaza de Armas. Pode parecer loucura, e é, entregar o equivalente a R$ 2.200,00 a um desconhecido, sem comprovante, mas aqui as coisas funcionam na base de La Garantia Soy Yo.

 

Acordamos ás 3:30 para pegar o transfer que chegaria ás 4:00. Começamos a nos preocupar quando era 4:30 e a van não chegava. Depois de mais meia hora ela chegou. Tinha que nos levar a estação de trem que fica na cidade vizinha, de Ollantaytambo, a 2 horas de viagem. Sendo que nosso trem sairia ás 7:10 para Machu Pichu.

 

Chegamos exatamente as 7:00. Só tivemos tempo para correr até a estação, apresentar os bilhetes e entrar no trem. Chegando em Águas Calientes, pegamos um ônibus que sobe a cordilheira e nos deixa na porta do antigo império inca de Machu Picchu.

 

Lá, mais uma surpresa. Nosso passaporte de entrada estava com a data errada. Em vez de dia 29, constava dia 30. Mais um imbróglio para resolver. Novos passaportes só são vendidos em Águas Calientes. A passagem de ônibus são 30 dólares ou uma descida de 2 horas a pé.

 

O jeito foi apelar para a organização do santuário. Eles entraram em contato com nosso “agente” e nos liberaram. Foram longos vinte minutos de negociação e tive que gastar todo o meu portunhol.

 

Mas, enfim, estamos em Machu Picchu.

 

 

O QUE DIZER DE MACHU PICCHU?

 

A entrada em Machu Picchu, mesmo cercado de milhares de outros turistas, causa um impacto visual incrível em qualquer um. Impossível ficar indiferente. Mesmo já tendo visto milhares de fotos e vídeos e lido dezenas de relatos, poder estar presencialmente acompanhado de sua filha em um lugar assim, nos traz emoções fortes.

 

A primeira imagem que nos remete é tentar imaginar como os incas viveram ali, seus hábitos, tradições, comportamentos sociais, arquitetura, folclores, cultivos alimentares, hierarquias sociais, logística para obter água, guerras, dominações e porque desapareceram, dentre outras.

 

Pela disposição dos espaços para cultivo de plantas e criação de animais, ainda fora da fortificação da cidade, já se percebe que seria insuficiente para abastecer uma população em torno de mil habitantes. Precisavam trazer mantimentos das outras comunidades incas.

 

Segundo os locais, no ápice da civilização, quando os espanhóis chegaram às fortificações de Cozco, os incas eram ao todo 14 milhões. Em sua cidade sagrada, Machu Picchu, viviam mil incas. Só em contato com os espanhóis, morreram 7 milhões por doenças trazidas pelos europeus. Foras os que viriam morrer por meio das guerras.

 

A cidade, no alto da montanha e cercada por uma fortificação de pedra, possui uma praça central, templos religiosos, oficinas de trabalho as residências reais e as casas dos demais moradores, além das áreas de plantio e criação de animais. Suas construções buscam respeitar o delinear da montanha.

 

Por ser uma montanha ingrime, com um grau de inclinação entre 70° e 80°, era possível vigiar todos os lados. Na base da montanha corre o rio que também serve de sustento. Na montanha ao lado, mais alta, há uma nascente. É de lá, por meio de sistemas de canais, que a cidade era abastecida de água potável.

 

A cidade possui uma incrível preservação. Mais de 70% ainda está lá, mesmo a gente sabendo que a civilização inca foi dizimada. Isso se explica pelo fato do imperador inca à época da colonização espanhola determinar o abandono de Machu Picchu e a fuga de seu povo para a floresta amazônica.

 

Com a chegada dos espanhóis à porta da cidade e, não havendo riquezas nem possíveis índios para serem transformados em escravos, não houve batalhas e nem interesse de permanência dos europeus no lugar.

 

Graças a esta conjuntura, hoje podemos visitar o lugar e vivenciar um pouco daqueles momentos. E também é por isso que Machu Picchu foi reconhecido como patrimônio mundial da humanidade e uma das sete maravilhas do mundo moderno.

 

 

UMA NOITE EM ÁGUAS CALIENTES E DE VOLTA A CUZCO

 

Ao final do passeio pelas ruínas de Machu Picchu, dormimos em Águas Calientes, cidade de apoio àqueles que estão em viagem pela região. Almoçamos uma pizza por volta das 16 horas e fomos em busca de nossa pousada para descansar.

 

Como serve de entreposto para quem vai de Cuzco a Machu Picchu, possui uma boa infraestrutura gastronômica. Planejamos comer um ceviche a noite. Mas o cansaço era tanto que, do cochilo que tiramos para descansar um pouco, só fui acordar a meia noite.

 

O jeito foi voltar a dormir para pegar o trem de volta a Cuzco. Chegamos no começo da tarde, almoçamos e fomos visitar alguns museus. Um pequeno adendo: nosso objetivo de viagem não está ligado a gastronomia, mas vale salientar que no Peru se come bem. O país possui uma variedade de opções de entradas e pratos principal, mesmo no menu turístico - mais barato e restrito - bem diferente do que acontece na Argentina, Chile e Uruguai.

 

No dia seguinte tínhamos um passeio agendado pelas ruínas sagradas de Saqsayhuaman, Q’enqo, Pukapukara e Tambomachay. São cidades e templos incas próximos a Cuzco, cuja relevância é fundamental para entender a história desta civilização.

 

Saqsayhuaman é onde fica as ruínas da antiga cidade inca, feita de pedras trazidas de uma distância de 30km. Foi dominada pelos espanhóis e, posteriormente, suas construções foram derrubadas para que servissem de matéria-prima para a construção de Cuzco.

 

Pukapukara e Tambomachay são um posto militar e um templo de devoção a natureza, respectivamente. Possuem conexão visual entre si para caso de uma invasão inimiga pudessem se comunicar por meio de espelhos, fogo, sons ou outro meio de comunicação vigente.

 

Já Q’enqo é um lugar sagrado para os incas. Um lugar de devoção aos mortos e seus deuses. É lá que se mumificava os mortos em um ritual de purificação do corpo. As múmias incas eram embalsamadas em posição fetal, para que pudessem renascer no próximo plano astral.

 

A noite, nos preparamos para passar o réveillon na plaza de armas de Cuzco. Milhares de pessoas se aglomeravam a espera de 2016. Infelizmente, a experiência que tinha tudo para ser marcante, se tornou negativa.

 

A falsa sensação de segurança proporcionada pela revista policial nos turistas para que não entrassem com bebidas alcoólicas na área da praça, logo se dissipou. Havia milhares de pessoas tanto consumindo quanto vendendo cervejas, vinhos e espumantes em garrafas de vidro.

 

A blitz logo tomou ares de favorecimento aos locais para que vendessem bebidas aos turistas sem nenhuma restrição a segurança.

A todo instante, fogos de artifício eram lançados do nosso lado, com distâncias de um ou dois metros. Aliás, a venda de fogos, sejam os para crianças ou rojões de grande impacto, não possuía a menor fiscalização.

 

Tão logo chegou 2016, fomos embora. Entretanto, no caminho do hotel um peruano lançou, em nossa direção várias bombas que passaram centímetros de meu rosto e o de minha filha. Fui reclamar com ele e ouvi vários xingamentos além de um dedo em riste. Continuei reclamando e ele puxou uma garrafa de vidro para brigar.

 

Enfim, é algo para refletir. Não deveria ter discutido, mas o fato dele quase ferir minha filha e ainda agir com desprezo e deboche, me tirou do sério. Ele foi contido por seus familiares e eu segui meu caminho.

 

 

EM BREVE, UM DIA EM NAZCA

 

Chegamos a Nazca no dia 2, por volta das 6h. Uma viagem cansativa de 15 horas. Pegamos três passeios pela região. Um, pela manhã, para conhecer as linhas de Nazca e dois pela tarde - as pirâmides e as múmias.

 

Optamos em conhecer as linhas de Nazca por meio de carro e miradores. Não é a mesma coisa de avião, mas não me senti seguro em colocar minha filha num vôo de teco-teco.

 

O passeio foi interessante. Fomos a três miradores e a um museu. Foi possível ver alguns desenhos de milhares de anos. A justificativa para sua preservação por tanto tempo, mesmo sendo desenhos com menos de 5cm de profundidade no solo, é o fato de chover menos de duas horas por ano na região, insuficiente para apagar as figuras.

 

A tarde, fizemos primeiro as pirâmides. De longe o melhor passeio. Imaginar que está civilização pré inca desenvolveu edificações tão singulares, em meio a uma região inóspita.

 

Depois seguimos ao deserto das múmias. Outro evento singular. Já foram catalogadas dezenas de múmias. Todas viradas ao nascente do sol.

 

O ponto negativo está no aspecto da preservação. As linhas de Nazca não foram preservadas na hora da construção de rodovias; as pirâmides não possuem vigilância, assim como no cemitérios de múmias. Parece que o Peru ainda não se deu conta do patrimônio histórico que possui em Nazca.

 

 

DESTINO FINAL, LIMA

 

Em Lima a energia já estava gasta. Não tivemos muito pique para fazer todos os passeios. No primeiro dia aproveitamos para dormir e descansar.

 

Como ficamos hospedados em Miraflores, bairro litorâneo, fomos andando até o mirante da baía. O lugar chama atenção pela vista e pela qualidade de vida que proporciona aos seus moradores.

 

Aproveitamos para conhecer algumas praças da região. Há uma ciclovia que se estende por toda avenida e continua em direção ao litoral. Também vimos várias ruas fechadas para os carros, proporcionando a prática de esportes e lazer.

 

No dia seguinte fomos visitar os bairros históricos da cidade, como a plaza de armas, palácios, museus e igrejas. Tudo muito bonito e bem cuidado.

 

Também fomos a praia, só para ver. Água muito fria. Caminhamos pela orla, fomos ao point de surfistas e de para-pente. O cansaço já estava grande. Nos organizamos para voltar para casa. E que venha a próxima!

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  • Conteúdo Similar

    • Por beatrizz
      Saudações! 
      Esse relato é sobre a subida ao Monte Crista em Garuva, que fica perto de Joinville. 
      A chegada em Garuva foi na sexta dia 07 de Setembro, no fim da tarde. Optamos por passar a noite no Espaço de Vivência Monte Crista. Que não faz parte da trilha oficial pra montanha, mas fica a 2 km da recepção. 
      Sobre esse espaço tem muito a compartilhar, é um lugar místico, onde acontecem diversas vivências, como meditação, temascal, e outros. Há chalés do ladinho do Rio que você pode passar a noite ouvindo o barulho da água. A comida (3 refeições) está inclusa na diária e é vegetariana, deliciosa. Fica em torno de R$ 350 pra 2 pessoas. O espaço compartilhado tem muitos pássaros comuns da região e um local de oração e Cerimônia construído por índios nativos, ali há uma energia muito clara. 
      No sábado acordamos cedinho e tomamos um café reforçado, depois partimos até a recepção do Monte Crista. A entrada sem estacionamento é de 4 pilas. 
      Logo no início você passa por uma ponte pênsil legal. 
      A subida é pesada, porque o terreno é muito parecido em todo o percurso, subida íngreme e ganho de elevação rápido. Vários pontos com escadas de pedras construídas pelos jesuítas. É muito bonito. Diferente do Pico Paraná por exemplo, não há um grau de dificuldade tão grande com raízes e pedras, mas prepara o corpo pra resistência. 
      Enfim chegamos ao cume após 4:30, é importante seguir a trilha principal porque não há placas, e é fácil se perder. 
      No cume do monte encontramos vestígios de acampamento, porém não havia ninguém lá. Achamos estranho porque na recepção nos falaram que muitas pessoas haviam subido... 
      Arrumamos nosso acampamento e o tempo estava fechado, não dava pra ver um palmo na frente, isso também dificultou pra tentar ver onde as outras pessoas estavam. Em função do horário decidimos ficar por ali mesmo. 
      Não estava frio, nem tinha vento. Mais a noite o céu abriu e ficou maravilhoso, aí conseguimos ver as lanternas em um ponto um pouco abaixo de onde estávamos, depois descubrimos que lá encontra-se um marco do Monte Crista, que é onde deve acampar kkkk. Também é um lugar mais protegido do vento. Por sorte o tempo nos ajudou e não fomos lançados montanha a baixo. 
      A noite o bixo pegou, a temperatura caiu muuuito de uns 15 graus para cerca de 4. E não estávamos preparados, ou seja, a noite foi tensa quase não dormimos de frio..... 
      De manhã estava nublado, o sol não mostrou as caras, mas mais tarde alguns raios nos presentearam e deu pra fazer algumas pics. 
      Arrumamos as coisas e descemos a montanha, com quase metade do tempo, em menos de 3 horas chegamos a base. 
      Ps. Esqueci de levar panela, a caneca de metal de café, virou panela e chaleira, improvisos hehehe. 
      Enfim, voltamos ao Espaço de Vivência e conseguimos ainda descolar um almoço antes de pegar a estrada. 
      Ps2. Não é legal subir a montanha pelo espaço de vivência, primeiro pq há uma trilha por ali, mas pouco demarcada, a probabilidade de se perder é bem maior, segundo porque o espaço não tem controle e formulário de subida, e se algo acontecer será um transtorno para eles e para quem está na trilha. O objetivo do espaço é relaxar mesmo. Por isso sempre comece a trilha pela base. 
      No final da experiência há sempre saldo positivo, qualquer montanha 🗻 tem algo a ensinar, cada uma é diferente, especial, única. Aprendemos o que fazer e o que não fazer. Vamos captando os sinais do universo, sobre nossa missão. Aprendemos a ouvir o coração, e não a personalidade. 
      Quero voltar ao Monte Crista com objetivo de fazer a travessia do Quiriri. Mas esse é outro relato. 
      Avante, viver o que precisa ser vivido. 














    • Por danicsml
      Depois de algumas torrões de sol e algumas bolhas nos pés, sobrevivi para compartilhar (e tentar atualizar) informações sobre a nossa trip (marido e eu) nas férias.
      Bora lá: foram 14 dias de viagem pelas seguintes cidades:
      Los Angeles: 3 dias
      Las vegas:  2 dias
      Willian - Grand canyon: 02 dias 
      Page: 1 1/2 dia
      Monument Valley: 1 dia
      Moab : 1 dia
      Salina: só pernoite
      Las vegas: 1/2 periodo compras + 1 noite
      Los angeles: 1/2 periodo compras + 1 noite.
      Total gasto: 22 mil para o casal (é minha gente o dolar tá qse um rim). Segue a planilhinha em anexo. Pessoal eu vou consertar uns valores aq e já posto de novo!!!
       
       
    • Por PEDROMG
      Oi galera!
      Estou aqui (depois de alguns poucos meses) pra compartilhar com vocês sobre a minha primeira (de muitas kkk) solo trip.
      Se me perguntassem há uns 2 anos atrás se eu teria coragem de viajar sozinho, eu certamente responderia que não faria isso (por medo+tensão+acho que não consigo).
      Até que a vontade de romper essa barreira passou a me consumir e comecei então a trabalhar a mente e me preparar aos poucos pra que eu realizasse isso que se tornou um sonho, uma necessidade.
      Minhas férias do trabalho venceram mas decidi que só as tiraria quando definisse um destino bacana, que tivesse praias lindas (e que eu acreditasse ser capaz de me virar sem companhia rs).
      Foi aí que decidi ir em abril para #Cartagena e #SanAndrés (aquele paraíso onde fica o famoso mar de 7 cores).
      Comecei então a olhar as passagens, lugares para me hospedar, definir rotas, pesquisar sobre a moeda e preços locais e assim fui me familiarizando com cada detalhe e adquirindo a segurança necessária pra embarcar na minha #primeiraviagemsozinho.
      Comprei minhas passagens de Brasília > Panamá > Cartagena / Cartagena > San Andrés / San Andrés > Cartagena / Cartagena > Panamá > Brasília...
      E FUUUI!!!
      Ao chegar no aeroporto de Brasília, bateu aquele leve medo de: é agora!
      Embarquei e durante o voo, devido a tensão, me lembro que tive até um pesadelo.
      Cheguei ao Panamá, celular sem bateria, sem adaptador de tomada mas feliz e empolgado, confiante e pronto pra continuar.
      Lá estava eu desembarcando no aeroporto de Cartagena arrepiado e sorrindo ao mesmo tempo.
      Sem celular e sem voucher de onde eu me hospedaria, fui até o balcão de informações e pedi pra que olhassem pra mim o endereço do hostel... deu certo.
      Que cidade linda, que energia boa, cheia de pessoas felizes, contagiante!!!
      Conheci lugares incríveis, conheci pessoas legais (sou tímido pra isso, mas estar sozinho e naquele lugar maravilhoso acabou mudando isso até sem eu percebesse).
      Dica: se hospedem no Bourbon St Hostel Boutique.
      Depois de 3 dias muito bem vividos, bora pra San Andrés conhecer o Caribe...
      Chegando no aeroporto (que tumulto!!!), eu só queria ver aquele mar das fotos que me fizeram chegar até lá...
      E WOOOOOOOOOW!!! Inacreditável! "P**rra, eu realmente tô no Caribe!"
      Dica: se hospedem no El Viajero.
      Depois de uma semana, de conhecer a beleza surreal da ilha e nadar bastante, partiu voltar pra Cartagena (com todo prazer!) por mais 3 dias.
      Em San Andrés, assim como em Cartagena, conheci outros viajantes que estavam viajando sozinho pela primeira vez também e compartilhar as experiências e momentos foi fundamental.
      Talvez se eu estivesse esperado alguém pra me acompanhar, eu não teria tido essa experiência sensacional, nem conhecido tais lugares e ainda estaria me questionando: será que eu consigo viajar sozinho?
      Sobre os lugares que visitei, recomendo e recomendo de novo.
      *A única coisa que me contrariou durante a viagem foi que comprei um sombreiro (esse das fotos) de um vendedor ambulante por 20.000COP e pouco depois achei numa loja
      por 7.000COP... aff, kkk...
      Se tiverem curiosidades ou quiserem dicas, é só me contactar :)
      Estou pronto pra próxima... a dificuldade agora é escolher algum destino dentre tantos maravilhosos pelo mundo... porque meu medo, eu já venci \o/








    • Por tabatajac
      Conhecida como uma das travessias mais bonitas do país, a travessia Petrópolis x Teresópolis é feita dentro do Parque Nacional da Serra dos Órgãos e conta com aproximadamente 30 quilômetros de trilha, que podem ser feitos em um, dois ou três dias, além de diversos desvios.
      Antes de mais nada, é preciso comprar os ingressos no site do Parnaso e, se for fazer a trilha em mais de um dia, pagar pela sua estadia, que pode ser em camas beliche ou bivaque dentro do abrigo, ou no camping. Vale lembrar que em feriados, principalmente no inverno, a travessia fica bem cheia e os abrigos esgotam rápido. Nós demos sorte e pegamos uma desistência, conseguindo fazer no feriado de 7 de Setembro.
      Para quem fica no abrigo, é disponibilizado panelas, utensílios de cozinha, fogão e banheiro com (pasmem!) água quentinha. Já para quem fica no camping, você também vai poder usar o banheiro para tomar banho, além de outro banheiro do lado de fora do abrigo e um ponto de água, onde dá para encher as garrafas e lavar as panelinhas e utensílios que você levar.
      No total, pagamos R$ 102,00 cada um, incluindo o valor da travessia (R$ 26 da trilha e R$ 26 de adicional de fim de semana), duas noites de camping (R$ 10 cada uma) e dois banhos (R$ 15 cada um).
      O próprio site do parque oferece informações oficiais sobre a travessia, sempre vale dar uma olhada.
      DIA 1 – Petrópolis x Castelos do Açu
      Distância: 8 km
      Tempo: 7 horas
      Ganho de altitude: 1.145 metros
      Saímos do Centro de Petrópolis um pouco antes das 8:00 e chamamos um Uber para adiantar um pouco as coisas. Para quem quiser ir de ônibus, primeiro você vai ter que pegar um para o Terminal de Correias e depois outro para um pouco antes da portaria do parque. Pagamos R$ 36,00 até lá. Chegamos na portaria, assinamos o termo de responsabilidade, enchemos as garrafas de água e começamos a subir às 9:20.
      O primeiro ponto depois da portaria é o Poço do Presidente e a Cachoeira Véu da Noiva. Como saímos um pouco tarde da portaria, fomos só até o primeiro ponto, enchemos as garrafas, comemos uma barrinha de cereal e seguimos. A subida até aqui ainda não é tão íngreme, mas depois do poço comecei a sentir as pernas avisarem que a declividade tinha aumentado (e eu achando que estava bem preparada). Chegamos na Pedra do Queijo às 11:30 e paramos para beber água, comer e subir na pedra para ver o visual.

      Pedra do Queijo

       
      Pedra do Queijo 

      Visual de cima da Pedra do Queijo
      De lá, partimos para o Ajax, onde chegamos às 13:15. Essa, para mim, foi a subida mais puxada, até mais que a Isabeloca que vem depois e dizem ser a parte mais difícil do primeiro dia. Acho que o bastão de caminhada fez a diferença, já que subi essa parte sem ele, mas usei na Isabeloca. O Ajax é o próximo ponto de água depois do poço e o último antes do abrigo, além de ser também onde o pessoal costuma parar um pouco mais para almoçar (ou comer alguma coisa com mais sustância). Atenção para os períodos de seca, já que é comum o Ajax secar. Nós pegamos o ponto com pouca água, mas ainda deu para encher as garrafas. Até esse ponto, já havíamos caminhado por volta de 5 quilômetros, com mais 3 pela frente até o abrigo dos Castelos do Açu.

      Parada no Ajax
      De cara para aquele paredão que era a Isabeloca, saímos do Ajax às 13:55 e começamos a última subida do dia. Conseguíamos ver as pessoas lá em cima, com suas mochilas coloridas, já quase chegando ao topo. Depois de muito anda e para, chegamos lá em cima às 15:15 e paramos na próxima plaquinha para tirar um pouco as cargueiras, beber água, comer e tirar umas fotos. De lá, conseguíamos ver uma formação rochosa bem ao longe que parecia ser os Castelos do Açu, e que ainda estava distante para caramba.

      Subindo a Isabeloca

      Topo da Isabeloca
      Colocamos as cargueiras de volta e voltamos a seguir a trilha quando, de repente, os Castelos do Açu (agora de verdade) surgiram à nossa frente, imponentes e tão mais perto do que a gente imaginava. Ali a emoção bate de leve e você começa a fazer o balanço do que foi o primeiro dia. E se a emoção dali não bastasse, andando mais um pouquinho surgem o abrigo e a Serra dos Órgãos, que se faz ver pela primeira vez, com o Dedo de Deus em riste. Chegamos ao abrigo às 16:30, depois de aproximadamente 7 horas de caminhada. Depois de dar nossos nomes, o cara do abrigo informou que o camping poderia estar lotado e, se esse fosse o caso, poderíamos armar a barraca no próprio castelo (o que eu acho que já foi permitido um dia, mas hoje é proibido em dias normais). Subindo de volta para os castelos, encontramos um ponto perfeito, logo abaixo de outro casal que havia armado a barraca um pouco acima.

      Chegando nos Castelos do Açu

      Abrigo do Açu e a pontinha do Dedo de Deus

      Pôr do sol dos Castelos do Açu
      Barraca armada, seguimos de volta para o abrigo para um banho mais que merecido. Os banhos são de 5 minutos contados no relógio pelo responsável do abrigo, que fica do lado de fora do banheiro controlando o pessoal e batendo na porta quando o tempo acaba. Com um pouco de desorganização, conseguimos tomar banho (que no fim deu um tilt na água quente e o pobre do Marcello terminou na água congelante) e voltamos para a barraca para fazer o jantar, que seria um arroz Tio João com calabresa para ele e com tofu para mim. Alimentados, fomos aproveitar um pouco da vista dos castelos, de onde dá para ver toda a cidade do Rio de Janeiro e suas luzes cintilantes, e depois fomos dormir.
      DIA 2 – Castelos do Açu x Sino
      Distância: 7,5 km
      Tempo: 8 horas
      Tendo acordado um pouco de noite, uma das vezes com frio, acordei de vez por volta das 5:30 e comecei a ouvir as vozes murmuradas do pessoal que acordou para ver o sol nascer. Juntei todas as forças que eu tinha para encarar aquela friaca e saí da barraca. Mas caraca, como valeu a pena. O céu laranja começava a iluminar a Serra dos Órgãos à esquerda e a Baía de Guanabara à direita. Subi na pedra com a câmera preparada e os primeiros raios de sol começaram a sair de trás das nuvens. Acho que foi o momento mais mágico de toda a travessia (com direito à musiquinha do Rei Leão, cantada pelo casal da outra barraca).

      Os primeiros raios de sol iluminam a Serra dos Órgãos

      Nascer do sol dos Castelos do Açu

      A Serra dos Órgãos e a nossa barraca

      Abrigo visto de cima dos Castelos
      Com o sol já mais alto, tomamos café, desmontamos a barraca e seguimos para o abrigo, onde terminamos de nos preparar para o segundo dia. Saímos de lá às 9:00 (bem tarde!) e logo de cara vimos a primeira descida e subida do dia, que seria o Morro do Marco. Com pedras que formam uma escadinha, às vezes com degraus altos que vão precisar da ajuda das mãos, chegamos ao primeiro ponto às 9:30 depois de um quilômetro, onde só tiramos algumas fotos e seguimos em frente. De lá, já conseguíamos ver o próximo vale, bem mais profundo que o anterior, onde encontraríamos o primeiro ponto de água do dia.

      Saindo do Abrigo do Açu

      Visão do Morro do Marco com os totens que guiam o caminho
      Chegamos no ponto de água às 10:10, onde encontramos um grupo sentado descansando e comendo alguma coisa. Enchemos nossas garrafas, comemos umas castanhas e seguimos com a subida em mata fechada e bem íngreme, com raízes servindo de degraus. Nossa próxima parada era o Morro da Luva, onde chegamos às 11:25. Lá, avistamos o Garrafão pela primeira vez, que serviria de guia pelo resto do dia, virando sua cara carrancuda aos poucos até se revelar completamente na Pedra da Baleia. Mas calma que ainda faltava muito para isso (e bote muito nisso). No Morro da Luva, tiramos as cargueiras um pouco para aliviar o peso, bebemos água e tiramos fotos. Depois, seguimos atrás de um grupo com guia que disse que aquele ponto era muito fácil de se perder, já que a rocha abre muitos caminhos e não é tão bem sinalizado quanto o primeiro dia.

      Subindo o Morro da Luva

      Topo do Morro da Luva com os Castelos do Açu ao fundo

      Garrafão e o Dedo de Deus começando a ficar encoberto
      Depois de descer mais um vale, chegamos ao próximo ponto de água logo antes do Elevador, que estava seco. Descansamos um pouquinho e chegamos ao temido Elevador às 12:30. Com 67 degraus, ele é bem mais longo do que eu imaginava, e também mais cansativo. Subi usando a mochila de lastro, que nem o Corcunda de Notre Dame, para ver se ela me jogava para frente e não para trás. Contei três vergalhões faltando, mas a rocha dá um bom apoio nessas horas, e a tração da bota é essencial. Com 3,5 quilômetros caminhados (e escalaminhados) desde o Açu, chegamos ao topo do Elevador, onde tínhamos mais 4 quilômetros pela frente.
       
      Totens e Elevador visto de longe

      Elevador
      Depois do Elevador, a coisa começou a esquentar e nem tirei mais a câmera da mochila, tirando fotos só com o celular. Logo após o topo do Elevador, surge uma rocha com uma subida bastante íngreme, onde é preciso usar as mãos e confiar na bota, acompanhada como sempre de outra descida, também bem íngreme e onde me pareceu melhor descer meio de lado (as bolhas que eu ganhei depois não concordam muito com a minha teoria). Subindo mais um pouco, chegamos ao Morro do Dinossauro, onde paramos para beber água e descansar. O rosto carrancudo do Garrafão já nos observava, assim como a cabeça do elefante (indiano, e não africano, como disse um outro trilheiro também descansando por ali).

      Morro do Dinossauro

      Cara mal humorada do Garrafão
      De lá, tocamos para o Vale das Antas, onde chegamos às 14:30. Último ponto de água do dia, aproveitamos para comer e encher as garrafas. Um dos guias que encontramos lá ressaltou que essa água não é muito legal, já que muitas pessoas usam os arredores da nascente como banheiro, então não se esqueça de levar Clorin e talvez evitar esse ponto de água se sua garrafa ainda estiver cheia. Depois de dois belos pães com atum e castanhas, começamos a subida do Vale das Bromélias até a Pedra da Baleia, chegando lá às 15:10. O topo da Pedra da Baleia fica a 6 quilômetros do Açu, faltando ainda 1,5 quilômetro até o abrigo do Sino.

      Pedra da Baleia
      Quando começamos a descida em direção ao Mergulho, vimos no paredão do outro lado várias mochilas coloridas subindo a escadaria de pedra que daria no Cavalinho. Logo depois, vimos o Cavalinho. Uma rocha triangular um pouco mais clara que as demais que chegava a brilhar com o sol da tarde que começava a se pôr. Naquela hora, bateu um frio na barriga. Mas ali não tem o que fazer se não seguir em frente, e foi o que fizemos.

      Pessoal subindo em direção ao Cavalinho
      No Mergulho, tivemos a sorte de encontrar um grupo com guia que estava usando cordas para descer, que ele caridosamente nos deixou usar. Já vi vários vídeos de pessoas que fazem esse pedaço sem corda, mas com certeza seria mais difícil, sem contar que provavelmente nós teríamos que tirar a cargueira das costas. Logo antes da próxima subida, uma setinha de ferro fincada no chão (como muitas outras antes) indicava o caminho e fiz ali meu check point, no estilo Super Mario. Se caísse do Cavalinho, pelo menos eu não ia precisar voltar tudo! 😂
      Chegamos no Cavalinho às 16:05 com uma pequena fila de pessoas para subir. O espírito de camaradagem que rola lá em cima foi o que nos fez conseguir subir aquele negócio. O grupo da frente nos ajudou a içar as mochilas e um dos caras ajudou a puxar o Marcello depois dele ter montado no Cavalinho, que então me ajudou a subir. Mas o Cavalinho era brincadeira de criança perto da próxima rocha, apelidada carinhosamente de “coice”. Nela, de novo ajudaram o Marcello a subir com a cargueira nas costas, oferecendo a mão de cima dela, mas quando chegou na minha vez, tive que tirar a cargueira e a menina atrás de mim ainda teve que empurrar meu pé para que minhas pernas dessem altura para subir (malditas pernas curtas!).

      Cavalinho
      Passado o desafio, ainda foi preciso subir uma escada de ferro (obrigada pessoa que teve que carregar esse troço nas costas para colocar ela ali) e caminhar mais um pouquinho até a bifurcação do abrigo e da Pedra do Sino. Chegamos lá às 16:40 e no abrigo às 17:10. Alguns grupos seguiram direto para a Pedra do Sino para ver o pôr do sol, mas nós optamos por descer para pegar um bom lugar no camping e deixar para ver o nascer do sol do cume.

      Bifurcação Pedra do Sino, Abrigo 4 e Travessia
      Montamos nossa barraca e fomos logo para a fila do banho, muito mais organizada que no dia anterior. E que banho! A água quente não desligou dessa vez e conseguimos tomar banho em até menos que os 10 minutos totais que nós dois tínhamos. Banhados, fizemos nosso sopão de macarrão e capotamos.
      DIA 3 – Sino x Teresópolis
      Distância: 11 km até a barragem, 14 km até a portaria
      Tempo: 4 horas até a barragem
      Acordei por volta das 4:30 com o burburinho do pessoal se movimentando para ir ver o nascer do sol na Pedra do Sino. Ponderei todas as minhas escolhas de vida até aquele momento e decidi que continuaria deitada ali, no quentinho, e que veria o nascer do sol da Pedra da Baleia que tem atrás do abrigo (que não é a mesma Baleia do dia anterior). Abri a barraca por volta das 5:40 e segui a trilha que sai de trás do abrigo. Consegui pegar os primeiros raios de sol da Pedra da Baleia, de onde se vê o pessoal no topo da Pedra do Sino.

      Nascer do sol da Pedra da Baleia, atrás do Abrigo 4

      Pessoal vendo o nascer do sol da Pedra do Sino
      De lá, voltei para a barraca, sacudi o Marcello, tomamos café e seguimos para a Pedra do Sino enquanto muitos grupos já começavam sua descida. Saímos do abrigo às 8:40 e chegamos no topo da Pedra do Sino às 9:10. A subida não é muito íngreme e a rocha é bem sinalizada, com totens de pedra que indicam o caminho. E o que se pode dizer da diferença que é andar sem a cargueira? Ali eu consegui entender como um ser humano faz essa travessia em um dia só.

      Pedra do Sino com os Castelos do Açu ao fundo

      Visão da Pedra do Sino com Teresópolis ao fundo
      A Pedra do Sino é o ponto culminante da Serra dos Órgãos, com 2.263 metros de altitude e de onde se pode ver os três picos de Friburgo, a ponta do Garrafão, os Castelos do Açu e a Baía de Guanabara. Depois de muitas fotos, descemos para o abrigo, onde desmontamos a barraca e seguimos para Teresópolis.

      Começando a descida para Teresópolis
      O terceiro dia é praticamente só descida, quase toda ela em zigue zague e com a trilha muito bem marcada. Tendo saído do abrigo às 10:45, chegamos às ruínas do Abrigo 3 e ao Mirante de Teresópolis às 11:50 e na Cachoeira Véu da Noiva, já na parte baixa do parque, às 13:45. Lá, era como se a gente já tivesse chegado, mesmo faltando ainda 2 quilômetros até a Barragem e mais 3 até a portaria do Parque.

      Mirante de Teresópolis ao lado do antigo Abrigo 3
      Quando vimos a porteira que dá para a Barragem, bateu a emoção de novo. Concluímos nossa primeira travessia. Quase 30 quilômetros de muita subida, descida, rochas e pirambeiras. O casal que desceu com a gente do Véu da Noiva até ofereceu carona, mas agradecemos e dissemos que queríamos fazer portaria a portaria. Orgulho besta. 😄

      Chegamos!
      DICAS
      Se você pretende fazer a travessia durante um feriado, compre os ingressos com bastante antecedência. Os abrigos lotam rápido e não ter que carregar a barraca com certeza ajuda bastante.
      Uma boa bota (já amaciada!) ou tênis de trekking são essenciais, já que em muitos momentos você vai depender da tração dela para subir ou descer as rochas com segurança. Não aconselho fazer com tênis de academia ou de corrida, já que eles tendem a escorregar.
      Lembre-se que você vai ter que carregar sua mochila durante três dias, e que o peso dela vai se multiplicar com as subidas e o seu cansaço. Leve apenas o essencial.
      Com isso em mente, não subestime o frio. No inverno, as temperaturas podem ser negativas lá em cima e ninguém merece dormir com frio. Leve isolante, um bom saco de dormir, e roupas térmicas (tipo ceroula) se for acampar.
      Há diversos pontos de água no caminho, mas alguns deles podem secar no inverno. Nós levamos duas garrafas de Gatorade (totalizando um litro) e mais uma de 750 ml e foi suficiente, mas pegamos apenas o ponto do Elevador seco. O Ajax também pode secar, então leve isso em consideração.
      Mesmo com previsão do tempo boa, leve capa de chuva. O clima na serra pode ser imprevisível e bem diferente da situação na portaria.
      Leve um GPS ou celular com aplicativo de trilhas já instalado e o mapa e tracklog já baixados. Nós usamos o Wikiloc e seguimos esta trilha.
      Sobre a sinalização, ela é muito boa no primeiro e terceiro dia, e razoável no segundo, com pontos onde é possível se perder, principalmente se o tempo estiver fechado e com serração. Os totens de pedra ajudam bastante, já que são visíveis de longe, e há também setas pregadas na rocha e pegadas pintadas no chão. Mas mesmo assim, não deixe de levar algum tipo de GPS, já que no segundo dia há trechos em que essa sinalização fica devendo.
      Lembre-se que todo o lixo deve voltar com você e não pode ser deixado nos abrigos (e muito menos durante a trilha!), inclusive restos de comida. Então, não esqueça de levar saquinhos para o lixo.
      Já sobre as cordas, nós não levamos nenhuma, mas tivemos a sorte de sempre estar perto de grupos com guia que levaram e usamos as deles. Eu não diria que são totalmente indispensáveis, já o Marcello acha que seria quase impossível fazer sem elas, principalmente na hora de descer o Mergulho e içar as mochilas no Cavalinho.
      EQUIPAMENTO
      Mochilas: Quechua de 40l e Trilhas e Rumos de 48l
      Barraca: Quechua Arpenaz 2XL
      Sacos de dormir: Trilhas e Rumos Super Pluma (conforto +6°C e extremo 0°C)
      Isolante: Conquista 9mm
      Travesseiro: Quechua Air Basic
      Fogareiro: Guepardo Mini Fogareiro Compact
      Panelinha e utensílios: Quechua
      Cartucho de gás: Nautika 230g (de acordo com o que pesquisamos, dura por volta de 120 minutos)
      Lanterna de cabeça: Forclaz ONNIGHT 50 (30 lúmens)
      Bastão de trilha: Quechua Arpenaz 200
      ALIMENTAÇÃO
      Para a principal refeição, que seria o jantar, levamos um arroz Tio João da linha Cozinha Fácil, Sopão Maggi de macarrão com legumes, uma calabresa e uma lata de atum (para o Marcello) e tofu defumado (para mim).
      Para o café da manhã, levamos pão integral, Polenguinho, Toddynho e o tofu.
      Durante o dia, comemos amendoim, castanhas, avelã, Club Social, torradinhas Equilibri, barras de cereal, salaminho, chocolate e pão com Polenguinho e atum. Levei também um pacote de cookies Jasmine que voltou fechado.
      DESVIOS
      Há diversas outras trilhas para se fazer dentro do Parque, mas eu diria que o principal desvio dentro da travessia é para os Portais do Hércules. Nós chegamos a ponderar se faríamos ou não, mas os relatos variavam de 40 minutos a 1h30 de trilha para ir e depois o mesmo para voltar, tempo esse que nós não tínhamos. Sem contar que disseram que é uma trilha de difícil navegação, muito fácil de se perder. Mas se você realmente quiser encarar, o que o pessoal normalmente faz é sair muito, muito cedo do abrigo (às vezes antes do nascer do sol) e esconder as cargueiras na mata perto da bifurcação para fazer a trilha sem elas. Só não vale esquecer onde escondeu a mochila. Ouvimos a história de um cara que não conseguia encontrar sua cargueira de jeito nenhum e, depois de uma hora procurando achando que havia sido roubado, desistiu e seguiu a trilha. Ele só conseguiu reavê-la esse ano, dois anos depois de ter feito a travessia, quando alguém fazendo a trilha a encontrou junto com sua carteira e documentos.
       
    • Por kely.alves
      Muitos me questionaram porque ir para Florianópolis que é a Ilha da Magia em pleno outono e a resposta foi bem simples: MEGA PROMO!!
      Tava um valor bom, então bora fazer desse limão uma limonada delícia. 😀
      Floripa é muito conhecida por suas praias exuberantes e gente bonita passando para cima e para baixo. Mas por conta do período do ano (Outono) eu sabia que não daria praia, mas que poderia fazer muitas outras atividades como trilhas e bater perna por outras áreas.
      Época fria, mas tive a sorte de não pegar chuva nenhum dia, então, foram dias e noites bem aproveitados.
      Eu dispunha somente de um final de semana prolongado, então fiz muitas coisas nesses meus 3 dias e meio. Mais uma vez com a ajuda de alguns amigos desse site, consegui fazer a seguinte programação:
      13.06.2018: Chegada em Floripa (à noite)
      14.06.2018: Trilha Lagoinha do Leste
      15.06.2018: Tour Área Norte: Santo Antonio de Lisboa, Jurerê Internacional, Fortaleza de São José da Ponta Grossa, Barra da Lagoa
      16.06.2018: Trilha da Galheta
      17.06.2018: Jogo do Brasil e retorno para SP
      Dia 1: Chegada em Floripa
       

      Dentre as muitas opções que me foram dadas, optei em me hospedar na Lagoa da Conceição por ser o centro efervecente de Floripa, uma boa quantidade de hostels, restaurantes, bares, mercados, fácil acesso ao Sul e ao Norte. Enfim, localização perfeita!
      Me hospedei no Gecko´s hostel http://www.geckoshostel.com/ (RECOMENDO!!) e com um valor ótimo de diária R$ 30,00 sem café da manhã. Caso opte pelo café, paga-se R$ 10,00 a mais.
       

      📌Sugestão:
      Faça suas compras nos mercados próximos. Há opções de orgânicos, sacolões, mercados grandes, mercados menores, padarias com pãoes quentinhos. É possível usar todos os utensílios da cozinha do hostel. Sai mais barato e você pode fazer um café mais reforçado, pois achei bem fraquinho o deles. Para o jantar, sugiro o mesmo, pois só tinha lanches disponíveis nos arredores e precisava de comida por conta da energia gasta nas atividades. Sendo baixissima temporada, muitos locais estavam fechados. Na ponta do lápis, foi uma ótima economia também!💲
      Do aeroporto até o hostel o percurso foi de meia hora e custou R$ 26,00 com uber. Chegando lá, a recepcionista me perguntou se eu estava afim de ir numa festa numa balada onde a entrada era VIP até 23h30 e tinha um free shot de Catuaba pelo simples fato de estar hospedada com eles (ganharam pontinho positivo). Com meu colega de quarto (que tinha acabado de conhecer e topou meu convite) partimos para essa vibe underground chamada Santa https://pt-br.facebook.com/santalagoa/. O lugar toca um pouco de tudo desde funk a clássicos indie anos 2000. Tava meio vazio, mas o pouco pessoal que lá estava tocaram o terror e foi bem animado.
      Voltamos cedo porque no dia seguinte seria o único dia de sol daquele final de semana e queria fazer a melhor trilha de todas.
      Dia 2: Trilha Lagoinha do Leste
      De todas as dicas que recebi a mais indicada foi essa trilha. Ela possui dois caminhos: um fácil e rápido (sem vista) ou um mais longo e com vista espetacular. Optei pelo segundo.
      Usando ponto de partida como a Praia do Matadeiro:

       
      📌Depois de passar pela praia e entrar na trilha depois das placas indicativas, mantenha sempre o lado direito. Pq uma hora as placas desaparecem e sobram trilhas no chão. Não tem erro. É tranquilo.
       

       
      Essa foi a única placa que encontrei no caminho, depois foi seguir esse esquema de manter a direita e deu tudo certo. Pelo caminho sempre se encontram pessoas que estão fazendo o mesmo trajeto e passada a parte de mata fechada, se abre um costão lindo, rende fotos espetaculares:

      E o lance de manter a direita faz todo sentido se chega nessa parte: se for para a esquerda você desce o costão que cai direto no mar, e não queremos isso, certo?
      Fiz uma parada para contemplação e lanchinho antes de continuar a caminhada e depois que retomei o caminho, vê-se do alto de um morro o destino: Praia da Lagoinha do Leste:

      Como se pode ver no canto direito da foto é realmente uma lagoinha que fica de frente para uma praia. Sendo baixíssima temporada, estava sem ninguém, por exceção de dois pescadores que parei para conversar e saber como ir embora (já que não seria o mesmo caminho da ida) e como faz para chegar no ponto alto do passeio: Morro da Coroa.
      Andando pela praia vê-se uma montanha e dizem que no alto dela a vista é sensacional, mas tem que ter disposição e pernas fortes para subir. Como não estava lá à toa, fui, é claro.
       

      É uma subida realmente bem íngrime e há pontos em que para ter mais segurança, você sobe literalmente de quatro, mas vale a pena e a vista. Os pescadores tinham dado uma dica boa por qual caminho seguir onde não há desprendimento de pedras no caminho e subi bem e em segurança.

      À medida em que se vai ganhando altura, consegue ver perfeitamente a Lagoa e a praia.
      Chegando no topo, estava receosa de estar sozinha no meio do nada e no alto de um morro, mas tinha um grupo de amigos lá e me juntei a eles. Foi ótimo pela cia, pela conversa, pelas trocas de fotos e principalmente pela cia no retorno, pois apesar de gostar de entrar no meio do mato, não gostaria de estar nele sozinha com pouca luz, afinal, segurança em primeiro lugar.
       
      Existe um ponto de foto clássica nesse morro, tipo Pedra do Telégrafo no Rio de Janeiro. Fiquei meio desengonçada, mas eu fiz a tal foto depois de milhares de tentativas. Ficou mais ou menos boa. Preciso de braços mais fortes para erguer as pernas, mas o que vale é a intenção.

      Esse foi o único dia de sol que realmente peguei nessa viagem então, a cor da água fica incrivel e rende ótimos flashs. Super recomendo. (Mesmo em dias nublados, porque a vista vale muito a pena, além do desafio de fazer uma trilha de tempo razoavelmente longo)
       

      Como tudo o que sobe, desce, fizemos com tranquilidade o caminho de volta e com atenção para não nos machucarmos ou sofrer qualquer torção. Porque sendo íngrime, certas partes na volta, também faz-se sentado.
       

      O retorno foi feito pela trilha do Pântano Sul que é bem demarcada, com pontos onde é possível encher as garrafas de água e não tem erro porque ela é fechada por mata e não tem bifurcações, mas diferente do caminho da Praia do Matadeiro, ela não tem vista, e consequentemente ela é mais rápida (45 mins mais ou menos)

       

      A saída por essa placa leva a uma rua que não sei o nome, mas que tem ponto de ônibus que roda por vários lugares, inclusive para a Lagoa da Conceição. Mas não pode ter pressa, porque o sistema de transporte de Florianópolis não me pareceu muito eficente: ele te deixa num terminal e depois desse terminal tem que pegar outro ônibus. É bem demorado, mas é o modo mais econômico.
      Chegando no hostel, fui fazer meu jantar e descansar, afinal a caminhada foi boa: 3h na ida e 1h20 na volta + o trajeto de buso que desisti de contar o tempo.
      Portanto, se forem à Floripa coloquem esse destino na lista, não vão se arrepender!
      📌O que levar para esse passeio:
      Água: não há quiosques ou ambulantes pelo caminho (na alta temporada, talvez); Lanche; Protetor solar; Agasalho; Ao fazer a trilha pelo Matadeiro, sugiro estar com calça comprida para proteger as canelas da vegetação rústica que tem pelo caminho e não se machucar; Repelente; Câmera para fotos espetaculares; Disposição, muita disposição. Dia 3: Tour Área Norte: Santo Antonio de Lisboa, Jurerê Internacional, Fortaleza de São José da Ponta Grossa, Barra da Lagoa
      Por meio do app Couchsurfing troquei contato com uma pessoa que mora em Floripa e estava disponível para me levar para passear. Esse novo amigo me perguntou o que eu gostaria de conhecer e respondi que parte histórica das cidades é algo me encanta. Então, fomos eu e uma colega do hostel que estava sem programação. Colocamos gasosa no carro do amigo e fomos rodar por aí para conhecer um pouco do passado para entendermos o tempo presente. Esse foi o nosso roteiro:

      Foi muito produtivo!
      Breve resumo histórico:
      "Os primeiros habitantes da região de Florianópolis foram os índios tupis-guaranis. Praticavam a agricultura, mas tinham na pesca e coleta de moluscos as atividades básicas para sua subsistência. Os indícios de sua presença encontram-se nos sambaquis e sítios arqueológicos cujos registros mais antigos datam de 4.800 A.C. Já no início do século XVI, embarcações que demandavam à Bacia do Prata aportavam na Ilha de Santa Catarina para abastecerem-se de água e víveres. Entretanto, somente por volta de 1675 é que Francisco Dias Velho, junto com sua família e agregados, dá início a povoação da ilha com a fundação de Nossa Senhora do Desterro (atual Florianópolis) - segundo núcleo de povoamento mais antigo do Estado, ainda fazendo parte da vila de Laguna - desempenhando importante papel político na colonização da região.                                                                                                                                          Em 1726, Nossa Senhora do Desterro é elevada a categoria de vila, a partir de seu desmembramento de Laguna. A ilha de Santa Catarina, por sua invejável posição estratégica como vanguarda dos domínios portugueses no Brasil meridional, passa a ser ocupada militarmente a partir de 1737, quando começam a ser erguidas as fortalezas necessárias à defesa do seu território. Esse fato resultou num importante passo na ocupação da ilha.
      Nesta época, meados do século XVIII, verifica-se a implantação das "armações" para pesca da baleia, em Armação da Piedade (Governador Celso Ramos) e Armação do Pântano do Sul (Florianópolis), cujo óleo era comercializado pela Coroa fora de Santa Catarina, não trazendo benefício econômico à região.
      No século XIX, Desterro foi elevada à categoria de cidade; tornou-se Capital da Província de Santa Catarina em 1823 e inaugurou um período de prosperidade, com o investimento de recursos federais. A modernização política e a organização de atividades culturais também se destacaram, marcando inclusive os preparativos para a recepção ao Imperador D. Pedro II (1845).
      Dentre os atrativos turísticos da capital salientam-se, além das magníficas praias, as localidades onde se instalaram as primeiras comunidades de imigrantes açorianos, como o Ribeirão da Ilha, a Lagoa da Conceição, Santo Antônio de Lisboa e o próprio centro histórico da cidade de Florianópolis."
      Fonte completa: http://www.pmf.sc.gov.br/entidades/turismo/index.php?cms=historia&menu=5&submenuid=571
      Santo Antonio de Lisboa: grande ocupação açoriana e portuguesa. Região que tem grande concentração de sambaquis que são vestígios indígenas.


      Igreja de Nossa Senhora das Necessidades: construção proximada em 1750.

      Considerada uma das mais belas expressões do barroco no sul do Brasil.
      Jurerê Internacional: a cara da riqueza com suas mansões estilo americanas. Casas sem muros e ruas largas. Muito chique.  

       
      Fortaleza de São José de Ponta Grossa (1740): Ao Norte da Ilha de Santa Catarina, entre as praias do Forte e Jurerê, ergue-se um dos mais belos monumentos catarinenses do século XVIII: a Fortaleza de São José da Ponta Grossa. Em conjunto com as Fortalezas de Santa Cruz de Anhatomirim e Santo Antônio de Ratones, formava o sistema triangular de defesa que deveria proteger a Barra Norte da Ilha contra investidas estrangeiras e consolidar a ocupação portuguesa no Sul do Brasil. (Fonte: http://www.fortalezas.ufsc.br/fortaleza-ponta-grossa/guia-fortaleza-de-sao-jose-da-ponta-grossa/)

       
      Fui muito bem recebida por um ser gracinha que estava no caminho😍

      Barra da Lagoa: O bairro da Barra da Lagoa está localizado na costa leste da Ilha de Santa Catarina, entre o Rio Vermelho e a Lagoa da Conceição. Distante cerca 19,8 km do centro de Florianópolis, a Barra da Lagoa é uma comunidade tradicional, que ainda mantém viva a raiz cultural açoriana e madeirense, como a pesca e a produção de trançados, a confecção da renda de bilro e de redes para a pesca artesanal. (Fonte: http://www.guiafloripa.com.br/cidade/bairros/barra-da-lagoa)
      Ruelas estreitas, vida simples e com um paz que muita gente procura. Ótimo lugar para caminhadas.

       

       
      Dia 4: Trilha da Galheta
      Florianópolis tem muitas trilhas para serem apreciadas. Escolhi essa porque me falaram que era muito bonita a vista e daria tranquilamente para eu fazer sozinha. Sai na caminhada da Lagoa da Conceição e fui até a Praia Mole. Chegando lá tem uma entradinha de terra sentido praia que disseram que era caminho para chegar na Galheta.

      No final dessa estradinha realmente vira praia e como era um dia de semana, no outono e tempo nublado não tinha quase ninguém só raros gatos pingados.

      Não deu praia, mas deu para fazer a caminhada com muita tranquilidade e relaxamento:

      Da praia mole até a Galheta há um paredão de pedras que a gente segue uma trilhazinha e é bem demarcada e esse lado é realmente muito bonito. No meio do caminho encontrei um rapaz que fazia sua caminhada de boas como eu e conversamos. Como ele  tb estava sozinho, eu disse que estava fazendo essa trilha da Galheta e queria sair na Barra da Lagoa, perguntei se ele tava afim de acompanhar e ele topou. Perguntamos a um local como fazíamos para subir a trilha pela mata e ele indicou uma faixinha de areia que passou desapercebida da gente e seguindo os conselhos do local deu tudo certo e tivemos essa vista:

      Tenho certeza que num dia ensolarado a cor da água deve ser sensacional.
      Infelizmente não há placas indicativas, mas depois que se entra na trilha é só seguir a demarcação no chão e seguir sempre em frente. No final saimos num bairro residencial e encontramos outro morador ilustre pelo caminho e não resisti, tirei uma fotinho:

      O final do nosso caminho nos levou até a Trilha Arqueológica também chamada de Trilha da Oração, é um santuário Arqueoastronômico. Nela encontra-se um conjunto de Monumentos Megalíticos, que são pedras que estão posicionadas de forma estratégica, que mostram exatamente quando ocorrem os fenômenos de solstício e equinócio, e também determinam a direção norte-sul.
      (Fontes: https://inspiralma.com/2017/10/11/trilha-arqueologica-fortaleza-da-barra/  https://arqueoastronomia.com.br/atividades)

      Infelizmente não pude conhecer esse lugar e estava rolando umas atividades muito boas e algumas gratuitas, mas como eu tinha caminhado uns 9km estava bem cansada e precisava almoçar em algum lugar. Deixo os links acima para quem tiver interesse nesse lado místico que eu achei sensacional e gostaria de me aprofundar, mas a natureza da fome foi mais forte.

      Tudo bem, mais um motivo para voltar para esse lugar incrível e como vocês podem ver, há muitas trilhas e caminhos para desbravar.
      Depois de comer algo, mais uns 3km desse local chegamos na Barra da Lagoa e é uma graça de simplicidade e beleza:

      Meu parceirinho de trilha precisava ir embora e eu estava cansada, mas aproveitando que eu já estava na Barra da Lagoa, fui conhecer uma trilha que leva para umas piscinas naturais Ela é bem curtinha e leva uns 30 minutos e é bem sinalizada. Reuni força, animo e vontade e fui.

      Valeu a pena!


      Depois de ver tudo o que gostaria, peguei um ônibus de volta para a Lagoa da Conceição. Jantei, estiquei as pernocas e vocês acham que fui dormir? Bem, era esse o plano original, mas quando você se hospeda em hostel, ainda mais naqueles que parece que você está em casa com seus melhores amigos, recebi o convite para um aniversário de uma moça que estava no mesmo quarto que eu numa balada mara em Floripa. Fizemos nosso esquenta no hostel e depois tocamos pra vibe! Já que temos espírito teen, ele baixou em mim e assim ficou...hehehe

      Pessoas sensacionais. E que noite!!!
      O dia seguinte era meu retorno a SP e pela primeira vez na trip me permiti dormir até a hora em que meu corpo quisesse. (Respeitando o horário do check out, é claro).
      Esses poucos dias foram lindos e intensos e conheci muita gente boa e especial pelo caminho. Muitas mulheres ficam com receio de sairem sozinhas por ai afora e posso dar a dica de ouro: SE JOGA!! Quando emanamos boas energias, boas pessoas e bons momentos serão atraídos até a gente. Não se limite a esperar cia, às vezes a sua agenda e de seus amigos podem não bater e você perde a oportunidade de fazer bons novos amigos pelo caminho.
      Ir para novos lugares é um prazer imenso e uma perfeita válvula de escape para mim, mas voltar para casa tb me alegra, e muito.

      Espero ter colaborado um pouco para o planejamento de algumas pessoas e mostrar que a Ilha da magia, mesmo em céu cinzento é linda e acolhedora.
      Qualquer dúvida que tiverem podem me perguntar que será um prazer ajudar. Tenho comigo a planilha de gastos dessa viagem, caso necessitem.

       
       
       
       
       
       
       
       
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