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Chapada Diamantina - Vale do Pati


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Quando comecei a pesquisar para a montagem do roteiro ficou evidente que é impossível conhecer todos os principais atrativos da Chapada Diamantina em alguns dias. Além da grande diversidade de cenários, que vão desde vales a cachoeiras, cavernas, cânions, campos, florestas e cidades históricas tombadas, a Chapada Diamantina tem mais de 150 mil hectares de extensão. Para se ter uma ideia, de Lençóis, no portal norte da Chapada, até Mucugê, no centro-sul, são 70 km de estrada de terra, ou 180 km pelo asfalto! E em ambos extremos existem paisagens e passeios imperdíveis.

 

Mas como eu gosto mesmo é de colocar o mochilão nas costas e caminhar, o Vale do Pati logo despertou minha atenção. Encravado bem no meio da Chapada, o Pati (para os íntimos) abriga diversos atrativos conhecidos da Chapada Diamantina, além dos trekkings mais casca grossa da região. E para completar a experiência, a vivência com os nativos do Vale enriquece ainda mais o passeio.

 

 

O vale do Capão

 

 

Chegamos na região da chapada pela BR-242 e pernoitamos em Palmeiras, uma cidadezinha que fica a 20 km do Vale do Capão, e que não tem nada demais, só o sinal de internet e celular que é melhor. Portanto, vale muito mais a pena pegar mais uma hora de estrada de chão e chegar até o vilarejo do Capão para já ir entrando no clima na chapada.

 

No caminho para o Capão, existe o povoado de Conceição dos Gatos. Lá tem a cachoeira da Boa Vista, que só vale a visita se tiver sobrando tempo, pois a trilha é bem curta e a cachoeira modesta. Se estiver chegando no Capão na parte da tarde e quiser pegar um pôr de sol legal, dê um pulo na Boa Vista, caso contrário, deixe pra lá.

 

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Cachoeira da Boa Vista

 

O Vale do Capão é um daqueles vilarejos que parece viver em outra dimensão, daqueles cheios de histórias de gente que chegou e nunca mais se foi. Lá existem vários restaurantes, pousadas e lindas pinturas de um tal de Salomão, que pintou de mesa de boteco a banheiro público.

 

Ao chegar no Capão, a ideia é conhecer alguma das boas opções de restaurantes do lugar. Eu provei e indico o PF da Dona Beli, que serve uma comida caseira de primeira a um preço justo (r$ 12 a 20).

Depois, para o pernoite existem diversos campings e pousadas para todos os tipos de gosto e de bolso. Eu fiquei numa suíte casal na pousada Lakshmi, o preço é um pouco salgado (r$ 160) mas a pousada é ótima, bem limpa, organizada e o café da manha é farto e variado (e vegetariano, mas garanto que o presunto não vai fazer falta).

 

No dia seguinte, acordamos bem cedo para iniciar a trilha para o Vale do Pati. A trilha começa, de fato, no povoado do Bomba, que fica uns 10km depois do Capão. Qualquer carro chega até lá e você ainda pode deixá-lo estacionado na casa do Sr. João por um preço camarada. O preço do transporte na região do Vale do Capão é exorbitante, especialmente os transfers. Caso faça uma travessia e tenha que voltar de Andaraí ou Guiné para o Capão vai gastar para mais de r$ 200. Portanto, se puder ir de carro, vá! A estrada de chão é boa e você provavelmente economizará dinheiro e tempo.

 

 

O vale do Pati

 

No povoado do Bomba, a trilha começa onde termina a estrada de chão que vem do Capão, é só atravessar o rio das galinhas algumas vezes e seguir floresta acima. Não recomendo se aventurar no Pati sem um GPS ou um guia. É que existe uma infinidade de trilhas e é fácil pegar o caminho errado. Não que você vá se perder, até porque as trilhas são bem movimentadas, mas com certeza vai perder tempo e tranquilidade. Se não conhece o lugar, leve o GPS ou instale um no seu celular. O link para o tracklog que usei está no final do relato.

 

Esse percurso é de quatro dias, mas pode ser bem puxado para quem está destreinado ou está com a mochila muito pesada. Ele começa no Bomba, segue pelos Gerais do Vieira e do Rio Preto e entra no Vale do Pati pela rampa. A volta, já no quarto dia, é pela Floresta do Calixto. O trajeto pode ser feito em mais dias e também pode ser feito no sentido reverso, começando pela floresta e saindo pela rampa. Foi esse o sentido que segui mas confesso que não foi a melhor opção.

 

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Vale do Pati - Mirante do Morro do Cruzeiro, um morrote logo após a descida da rampa.

 

Hospedagem e Alimentação no Pati

 

Dentro do Vale existem diversas famílias que moram no local e têm no turismo sua principal fonte de renda. Apesar de nomes como igrejinha, ruinha e prefeitura, todos se referem a pontos de apoio cuidados por alguma família da região. Praticamente todas as famílias oferecem o mesmo pacote de serviços a preços parecidos. Algumas tem uma estrutura melhor que outras, mais ou menos conforto, mas o certo é que em todas você será tratado com muito carinho e sorrisos.

 

Todas as casas têm placas de energia solar. Infelizmente, não dá para aquecer a água do chuveiro mas dá para recarregar o celular, o GPS, algumas pilhas. Quanto à hospedagem, você pode levar sua barraca e ficar no quintal de alguém (r$15), levar só o saco de dormir e ficar no alojamento (r$20), ou alugar um quarto com cama (r$35). Quanto à alimentação, as casas oferecem café da manha ($30) e jantar (r$35), mas se preferir preparar o próprio rango existem pequenos armazéns com uma boa variedade de ingredientes a um preço justo, e você ainda pode utilizar as cozinhas comunitárias, que oferecem fogão a lenha, utensílios de cozinha e mesas. Algumas cobram taxas para utilizar as cozinhas, outras não.

 

Não se esqueça que você está num vale acessível apenas por burros de carga, tudo lá é obviamente mais caro.

 

Eu conheci duas casas lá, a do Miguel e Agnaldo e a Igrejinha, ambas tem todos os serviços que mencionei. A cozinha comunitária do Sr. Agnaldo não é paga e os quartos são bem limpos e confortáveis. Eles também servem um pão caseiro delicioso e caldo de cana moído à mão. Se puder, experimente a comida da Dona Patrícia, ela é uma cozinheira de mão cheia! O godó de banana verde (isso mesmo, verde!) que ela preparou não parecia um prato feito a base de banana verde e estava delicioso, quase não acreditei. A localização da casa também é ótima, fica perto dos acessos para o Morro do Castelo e para a Cachoeira do Funil.

 

 

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Casa de Miguel e Agnaldo

 

A igrejinha já tem uma estrutura maior, com mais alojamentos e banheiros, e oferece praticamente os mesmos serviços. Da cozinha também saem várias porções de petiscos. Eu provei uma carne de sol com batata frita ($30) que estava de lamber os dedos! A localização da Igrejinha favorece uma visita à Cachoeira do Funil e ao Cachoeirão por cima, ou a saída do vale pela rampa. Minha recomendação é que você monte um roteiro de acordo com os atrativos que deseja visitar e escolha os pontos de apoio que se encaixem melhor nesse roteiro.

 

O nível de conforto proporcionado pelos diversos pontos de apoio no Vale do Pati é algo inimaginável na maioria dos parques que conheci. Eles nos permitem uma flexibilidade gigantesca, tanto na montagem do roteiro quanto no tipo de passeio que vamos fazer. Se quiser ir de mochila carregando sua casa dentro dela e só fazer camping selvagem, tudo bem! Mas se quiser levar só o GPS e ficar no esquema de pensão completa na casa dos nativos, tudo bem! A infraestrutura do Vale do Pati o torna um lugar atrativo para todos os gostos e bolsos, a escolha é sua.

 

Atrativos no Pati

 

Entre os atrativos do Pati se destaca o próprio Vale. A região toda é encantadora e para qualquer lugar que você olhe vai ter um paredão de pedra com as cores mais lindas e os mais diversos formatos, cadeias de montanhas que seguem até o infinito, campos de vegetação rasteira com flora e fauna riquíssimas, matas exuberantes no fundo de imensos vales verdes onde correm águas cristalinas e refrescantes. E ainda tem toda a cultura e história da região, que ainda hoje é mantida viva pelos moradores e guias locais. O Pati é um lugar fantástico que merece toda a fama e prestígio que tem.

 

 

O morro do Castelo é uma formação rochosa que, juntamente como o morro Branco, divide o vale do Pati ao meio. O início da trilha que sobe o Castelo fica próximo à Casa do Agnaldo logo após atravessar o Rio Pati. Ela começa com uma subida suave e fica cada vez mais inclinada até virar uma escalaminhada. São 4 km de distância (ida) e 400 metros de desnível, feitos em 2 horas, com muita calma e paradas estratégicas para tomar fôlego. Chegando na base da formação rochosa, a trilha continua dentro de uma caverna, portando, leve lanternas! São apenas alguns metros que te levam para o outro lado do Castelo, bem tranquilo. Lá no alto existem dois mirantes, o mais alto proporciona uma vista privilegiada dos gerais do vieira, da Cachoeira do Calixto, da Cachoeira do Funil, e do Morro Branco; o mirante mais baixo permite uma vista panorâmica de todo o percurso que o Rio Calixto faz pelo vale, até onde a vista alcança.

 

 

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Morro do Castelo - Vista do Morro Branco

 

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Morro do Castelo - Vista do Vale do Calixto - Lateral leste do Vale do Pati

 

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Morro do Castelo - Salão de entrada da caverna

 

Ps.: Na subida para o Castelo você é perseguido por mutucas "gigantes", levei o repelente Off mas não adiantou nada, tive que me abanar como um doido e evitar ficar muito tempo parado. Se tiver um repelente melhor, leve!

 

A cachoeira do funil é o passeio para você tomar um banho daqueles! A trilha é fácil e boa parte dela é feita nas margens e no leito do Rio Pati, é só seguir o rio que você vai se deparar com diversas cachoeiras, poços para banho e lajeados para pegar um sol. A cachoeira do funil é a maior de todas, deve ter uns 15 ou 20 metros e tem um bom poço para banho. Essa região do Rio Pati é muito rica em belezas naturais, com diferentes cenários que mudam a cada minuto de caminhada. Minha dica é tirar um dia todo para explorar cada cantinho do lugar até encontrar o seu.

 

 

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Cachoeira do Funil, o dia estava nublado e a água gelada!

 

 

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Uma cachoeira qualquer no "complexo de cachoeiras dos funis"

 

 

A Cachoeira do Calixto é acessível pela floresta que também leva o nome do rio que corta suas matas, o Rio Calixto. Da casa de Agnaldo até a cachoeira, são aproximadamente 7 km de caminhada (ida) com boa parte do percurso dentro da mata fechada. O percurso é longo mas sem peso dá para fazer um bate e volta no mesmo dia, saindo cedo e aproveitando o sol alto na cachoeira e voltando no início da tarde. Outra opção é levar mala e cuia e acampar na cachoeira, dá para passar o dia explorando a região, tomando banho de cachoeira e aproveitando o visual. De lá, também dá para voltar para o Capão, é só seguir a trilha do outro lado do rio, sair da floresta, atravessar os Gerais do Vieira, descer o vale do Capão e pronto, rsrs.

 

 

 

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Dando a volta no morro do Castelo para chegar até o Calixto.

 

 

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Cachoeira do Calixto

 

Outros atrativos que valem a visita são: o Cachoeirão, que pode ser feito por cima ou por baixo, o Poço da Árvore e a Cachoeira da Fumaça, que fica mais próxima do Vale do Capão. Por falta de tempo não fiz o Poço da Árvore, por mal tempo não deu para conhecer o Cachoeirão e por cansaço desisti da Cachoeira da Fumaça. Mas isso é só desculpa para voltar nas próximas férias!

 

Dicas que podem te salvar

 

Melhor relato que li para não se perder no Pati

descomplicando-o-vale-do-pati-com-ou-sem-guia-fotos-t89310.html

 

Tracklog - Vale do Pati (4 dias) - Chapada Diamantina

http://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=12529146

 

Contato da Casa de Miguel e Agnaldo (em alta temporada é bom reservar com antecedência)

Facebook - [email protected]

 

Dizem que os guias de lá são mal encarados, esse aqui não.

Márcio - [email protected] - (77) 992116035

 

Estacionamento no Bomba

Sr. João - (75) 33441377

 

Mini documentário sobre um tal de Salomão

 

Postado originalmente em http://tupitravel.blogspot.com.br/2016/09/vale-do-pati-chapada-diamantina-quando.html

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