No coração da Ásia, num território árido e distante do mar, estende-se a Mongólia, berço de um povo tradicionalmente nômade que, em ondas sucessivas, chegou a invadir as regiões civilizadas da China, a Índia, a Anatólia e a Europa oriental.
A Mongólia ocupa uma superfície de 1.566.500km2 entre a Rússia, ao norte, e a República Popular da China, ao sul.
Com uma altitude média de 1.600m acima do nível do mar, a Mongólia pode ser dividida em três regiões topográficas principais: montanhas no norte e no oeste da Sibéria; as bacias situadas entre essas áreas montanhosas; e os vastos planaltos e regiões desérticas no sul e no leste. O ponto culminante do país é o pico Nayramadlin (4.374m) na cordilheira de Altai, que cruza o país na direção noroeste-sudeste. Um terço da Mongólia é ocupado pelo planalto desértico de Gobi, no centro e sudeste.
Situada longe da influência moderadora do clima exercida pelos oceanos, a Mongólia tem um dos climas continentais mais rigorosos do mundo, com invernos muito frios. A temperatura média no inverno oscila entre -26º C e -18º C, enquanto no verão fica entre 17º C e 23º C. O país possui numerosos rios temporários e intermitentes, dos quais os mais importantes são o Selenge (Selenga), que deságua no lago Baikal, e o Orhon, seu afluente.
Há também mais de três mil lagos. O maior e mais profundo lago de água doce, o Hövsgöl, ocupa uma depressão estrutural na parte mais setentrional da Mongólia. A vegetação de estepes predomina sobretudo no centro do país. No noroeste crescem bosques de taiga. A fauna é variada e inclui espécies raras, como o camelo selvagem e o urso de Gobi.
Os mongóis são muito homogêneos do ponto de vista étnico. Oito em cada dez habitantes são mongóis de língua khalkha. Fisicamente, os mongóis são de baixa estatura e têm pele entre amarela e castanho-escura, cabelo preto e olhos oblíquos. O idioma oficial é o mongol, mas também se fala o casaque, o chinês e o russo.
Com densidade demográfica muito baixa, o país tem a população urbana ligeiramente maior que a rural. As principais cidades são Ulan Bator, capital do país, e Darhan.
A Mongólia era um país de economia socialista centralizada até o início da década de 1990, quando reformas democráticas iniciaram a difícil conversão para uma economia de mercado. Cultivam-se principalmente cereais, em especial o trigo, nas terras agricultáveis do país, que representam menos de um por cento de todo o território. Cerca de setenta por cento da superfície do país é utilizada para pastagem, e a atividade econômica mais importante é a pecuária, anteriormente praticada em cooperativas de pastores.
O território mongol é rico em recursos minerais. Pesquisas geológicas confirmaram a existência de grandes depósitos de carvão, além de ferro, estanho, cobre, ouro e prata. Os rios do norte da Mongólia oferecem grande potencial para aproveitamento hidrelétrico. Uma parte substancial da capacidade industrial do país está voltada para o beneficiamento de matérias-primas. As fábricas concentram-se em Ulan Bator e dedicam-se sobretudo à transformação de produtos agropecuários e à produção de roupas, calçados, papéis e móveis.
A primeira menção que se pode identificar com a Mongólia nas crônicas chinesas remonta ao segundo milênio antes da era cristã. Contudo, os primeiros mongóis de cuja origem se tem certeza são os xiongnu, do século IV a.C. aproximadamente. Eram tradicionalmente nômades, ainda que também se dedicassem à agricultura. Consideravam o gado propriedade privada e a terra propriedade coletiva da tribo. Os clãs dominantes, entretanto, acreditavam ser proprietários tanto da terra como de seus súditos.
Os xiongnu criaram um grande império tribal na época em que os chineses estavam sendo unificados como estado imperial, sob as dinastias (221-206 a.C.) e Han (206 a.C.-220 d.C.). Depois de vários séculos de guerra com os chineses, a confederação dos xiongnu desmoronou. Algumas tribos se renderam aos chineses e outras se lançaram para oeste. No século V da era cristã, alguns de seus descendentes apareceram como os hunos de Átila na Europa e atacaram o Império Romano.
Em 1206, Gengis Khan uniu as várias tribos e, após sucessivas conquistas, criou um império que se estendia do Tibet à Sibéria e da Coréia ao Danúbio. Em 1260, Kublai Khan, neto de Gengis Khan, subiu ao trono da China e fundou uma dinastia que durou mais de um século. Entre 1370 e 1405, Tamerlão fundou o segundo império mongol, com as conquistas do Turquestão, da Pérsia e da Anatólia. No século XVII, a Mongólia caiu sob o domínio da dinastia manchu da China.
Proclamada a república na China, em 1912, um grupo de príncipes mongóis, com o apoio da Rússia czarista, declarou a independência da Mongólia Exterior, que se transformaria num protetorado de facto da Rússia. Em 1920, forças soviéticas, auxiliadas pelos nacionalistas mongóis, ocuparam o país e no ano seguinte um tratado soviético-mongol reconheceu a independência da Mongólia Exterior, que em 1924 proclamou-se República Popular da Mongólia.
Em 1962, Mongólia e China firmaram um tratado para fixar os quatro mil quilômetros de fronteira comum. Nos choques sino-soviéticos das décadas de 1970 e 1980, a Mongólia esteve do lado soviético e chegou a ordenar a expulsão dos chineses em 1982. Quatro anos depois, porém, as relações comerciais foram restabelecidas. O clima de abertura e renovação na Europa oriental se fez sentir na Mongólia. Entre 1986 e 1988, o governo promoveu uma ampla reforma interna, para tornar mais eficiente a economia.
A constituição em vigor desde 12 de fevereiro de 1992 aboliu os últimos vestígios do marxismo-leninismo ao implantar um regime democrático, parlamentarista, e confirmar as diretrizes pluripartidaristas manifestadas em 29 de julho de 1990, quando se realizaram as primeiras eleições livres desde a proclamação da república socialista, em 1924.
A constituição de 1992 garante a liberdade religiosa no país. Por tradição, os mongóis são budistas e, minoritariamente, muçulmanos. A partir de 1940, o governo realizou um grande esforço para expandir o sistema de ensino e erradicar o analfabetismo. Para as crianças das cidades, a educação é obrigatória por um período de dez anos. Nas zonas rurais, a escolarização dura oito anos. O atendimento médico é gratuito para a população
Por fim, uma curiosidade: pesquisas realizadas por cientistas da Universidade de Oxford, na Inglaterra, descobriram que cerca de 16 milhões de indivíduos do sexo masculino são descendentes dos antigos chefes mongóis. Ao que tudo indica, todos esses indivíduos são descendentes de um mesmo homem. Suspeita-se que esse homem seja Genghis Khan. O que não seria de surpreender se considerarmos que o imperador mongol teve vários filhos fora do casamento. Filhos esses que eram considerados "ilegítimos", portanto, sem direito à sucessão.
História
No coração da Ásia, num território árido e distante do mar, estende-se a Mongólia, berço de um povo tradicionalmente nômade que, em ondas sucessivas, chegou a invadir as regiões civilizadas da China, a Índia, a Anatólia e a Europa oriental.
A Mongólia ocupa uma superfície de 1.566.500km2 entre a Rússia, ao norte, e a República Popular da China, ao sul.
Com uma altitude média de 1.600m acima do nível do mar, a Mongólia pode ser dividida em três regiões topográficas principais: montanhas no norte e no oeste da Sibéria; as bacias situadas entre essas áreas montanhosas; e os vastos planaltos e regiões desérticas no sul e no leste. O ponto culminante do país é o pico Nayramadlin (4.374m) na cordilheira de Altai, que cruza o país na direção noroeste-sudeste. Um terço da Mongólia é ocupado pelo planalto desértico de Gobi, no centro e sudeste.
Situada longe da influência moderadora do clima exercida pelos oceanos, a Mongólia tem um dos climas continentais mais rigorosos do mundo, com invernos muito frios. A temperatura média no inverno oscila entre -26º C e -18º C, enquanto no verão fica entre 17º C e 23º C. O país possui numerosos rios temporários e intermitentes, dos quais os mais importantes são o Selenge (Selenga), que deságua no lago Baikal, e o Orhon, seu afluente.
Há também mais de três mil lagos. O maior e mais profundo lago de água doce, o Hövsgöl, ocupa uma depressão estrutural na parte mais setentrional da Mongólia. A vegetação de estepes predomina sobretudo no centro do país. No noroeste crescem bosques de taiga. A fauna é variada e inclui espécies raras, como o camelo selvagem e o urso de Gobi.
Os mongóis são muito homogêneos do ponto de vista étnico. Oito em cada dez habitantes são mongóis de língua khalkha. Fisicamente, os mongóis são de baixa estatura e têm pele entre amarela e castanho-escura, cabelo preto e olhos oblíquos. O idioma oficial é o mongol, mas também se fala o casaque, o chinês e o russo.
Com densidade demográfica muito baixa, o país tem a população urbana ligeiramente maior que a rural. As principais cidades são Ulan Bator, capital do país, e Darhan.
A Mongólia era um país de economia socialista centralizada até o início da década de 1990, quando reformas democráticas iniciaram a difícil conversão para uma economia de mercado. Cultivam-se principalmente cereais, em especial o trigo, nas terras agricultáveis do país, que representam menos de um por cento de todo o território. Cerca de setenta por cento da superfície do país é utilizada para pastagem, e a atividade econômica mais importante é a pecuária, anteriormente praticada em cooperativas de pastores.
O território mongol é rico em recursos minerais. Pesquisas geológicas confirmaram a existência de grandes depósitos de carvão, além de ferro, estanho, cobre, ouro e prata. Os rios do norte da Mongólia oferecem grande potencial para aproveitamento hidrelétrico. Uma parte substancial da capacidade industrial do país está voltada para o beneficiamento de matérias-primas. As fábricas concentram-se em Ulan Bator e dedicam-se sobretudo à transformação de produtos agropecuários e à produção de roupas, calçados, papéis e móveis.
A primeira menção que se pode identificar com a Mongólia nas crônicas chinesas remonta ao segundo milênio antes da era cristã. Contudo, os primeiros mongóis de cuja origem se tem certeza são os xiongnu, do século IV a.C. aproximadamente. Eram tradicionalmente nômades, ainda que também se dedicassem à agricultura. Consideravam o gado propriedade privada e a terra propriedade coletiva da tribo. Os clãs dominantes, entretanto, acreditavam ser proprietários tanto da terra como de seus súditos.
Os xiongnu criaram um grande império tribal na época em que os chineses estavam sendo unificados como estado imperial, sob as dinastias (221-206 a.C.) e Han (206 a.C.-220 d.C.). Depois de vários séculos de guerra com os chineses, a confederação dos xiongnu desmoronou. Algumas tribos se renderam aos chineses e outras se lançaram para oeste. No século V da era cristã, alguns de seus descendentes apareceram como os hunos de Átila na Europa e atacaram o Império Romano.
Em 1206, Gengis Khan uniu as várias tribos e, após sucessivas conquistas, criou um império que se estendia do Tibet à Sibéria e da Coréia ao Danúbio. Em 1260, Kublai Khan, neto de Gengis Khan, subiu ao trono da China e fundou uma dinastia que durou mais de um século. Entre 1370 e 1405, Tamerlão fundou o segundo império mongol, com as conquistas do Turquestão, da Pérsia e da Anatólia. No século XVII, a Mongólia caiu sob o domínio da dinastia manchu da China.
Proclamada a república na China, em 1912, um grupo de príncipes mongóis, com o apoio da Rússia czarista, declarou a independência da Mongólia Exterior, que se transformaria num protetorado de facto da Rússia. Em 1920, forças soviéticas, auxiliadas pelos nacionalistas mongóis, ocuparam o país e no ano seguinte um tratado soviético-mongol reconheceu a independência da Mongólia Exterior, que em 1924 proclamou-se República Popular da Mongólia.
Em 1962, Mongólia e China firmaram um tratado para fixar os quatro mil quilômetros de fronteira comum. Nos choques sino-soviéticos das décadas de 1970 e 1980, a Mongólia esteve do lado soviético e chegou a ordenar a expulsão dos chineses em 1982. Quatro anos depois, porém, as relações comerciais foram restabelecidas. O clima de abertura e renovação na Europa oriental se fez sentir na Mongólia. Entre 1986 e 1988, o governo promoveu uma ampla reforma interna, para tornar mais eficiente a economia.
A constituição em vigor desde 12 de fevereiro de 1992 aboliu os últimos vestígios do marxismo-leninismo ao implantar um regime democrático, parlamentarista, e confirmar as diretrizes pluripartidaristas manifestadas em 29 de julho de 1990, quando se realizaram as primeiras eleições livres desde a proclamação da república socialista, em 1924.
A constituição de 1992 garante a liberdade religiosa no país. Por tradição, os mongóis são budistas e, minoritariamente, muçulmanos. A partir de 1940, o governo realizou um grande esforço para expandir o sistema de ensino e erradicar o analfabetismo. Para as crianças das cidades, a educação é obrigatória por um período de dez anos. Nas zonas rurais, a escolarização dura oito anos. O atendimento médico é gratuito para a população
Por fim, uma curiosidade: pesquisas realizadas por cientistas da Universidade de Oxford, na Inglaterra, descobriram que cerca de 16 milhões de indivíduos do sexo masculino são descendentes dos antigos chefes mongóis. Ao que tudo indica, todos esses indivíduos são descendentes de um mesmo homem. Suspeita-se que esse homem seja Genghis Khan. O que não seria de surpreender se considerarmos que o imperador mongol teve vários filhos fora do casamento. Filhos esses que eram considerados "ilegítimos", portanto, sem direito à sucessão.
Fonte: http://www.emdiv.com.br/
http://educacao.uol.com.br/historia/ult1690u48.jhtm