O Sistema de Classificação de Meios de Hospedagem vai mudar. Sim, a plaquinha do Ministério do Turismo (MTur) legitimando a qualidade do estabelecimento de acordo com o número de estrelas terá novos critérios, previstos para entrarem em vigor no segundo semestre.
“O sistema antigo estava desatualizado e tinha pouca credibilidade diante dos turistas. E muitos hotéis estavam se autoclassificando”, justifica o diretor do departamento de estruturação, articulação e ordenamento turístico do MTur, Ricardo Moesch. Para ele, a nova classificação vai melhorar o padrão das hospedagens.
Desde fevereiro, o MTur, em parceria com o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade da Indústria (Inmetro) e a Sociedade Brasileira de Metrologia tem promovido oficinas, em todas as regiões do Brasil, para criar novas matrizes de classificação.
Nas oficinas, representantes de órgãos públicos e de universidades e rede hoteleira discutirão os equipamentos disponíveis e os critérios de julgamento. Estão sendo reavaliados oito tipos de estabelecimentos: resorts, pousadas, hotéis urbanos, de selva, históricos, flats, hotéis-fazenda e os chamados cama e café.
Os primeiros encontros já aconteceram em Porto Alegre, Salvador e Cuiabá. O próximo, que ocorrerá nos dias 8 e 9 deste mês, será no Rio de Janeiro. O resultado será apresentado em maio, no Salão do Turismo, a ser realizado em São Paulo.
Os critérios, segundo Ricardo, foram inspirados em sistemas de classificação de países como França, Portugal, Alemanha, Suíça, Dinamarca, Chile e Peru.
“A proposta é de enxugar as matrizes, com requisitos mais específicos, que avaliarão desde a mobília ao serviço de quarto e equipamentos como piscina e quadras esportivas”, explica Ricardo.
De acordo com ele, o novo sistema seguirá quatro itens. São eles infraestrutura, serviços, sustentabilidade e legalidade. Este último exigirá, por lei, a inscrição dos hotéis no Cadastur, sistema de cadastro de pessoas físicas e jurídicas que atuam na cadeia produtiva do turismo.
A classificação, no entanto, é voluntária. “Mas aqueles hotéis que não aderirem não poderão ostentar placa com estrelas”, avisa Ricardo.
REPERCUSSÃO
A ação tem gerado opiniões diversas do trade. Para a Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa), a nova matriz de classificação hoteleira é fundamental para dar mais credibilidade à hotelaria brasileira. Os 76 associados Braztoa poderão, a partir dessa nova classificação, oferecer com mais segurança aos seus clientes os serviços de hospedagem, incluídos nos pacotes comercializados.
Já o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Pernambuco (ABIH-PE), José Otávio Meira Lins, enxerga a medida como um retrocesso. “Não é moderno classificar as coisas. A maior parte dos países não adota esse tipo de conduta”, diz José Otávio.
Para ele, a classificação não influi em nada, já que muitas hospedagens possibilitam a visualização de todo o equipamento através da página online. Outro argumento de José Otávio diz respeito à fiscalização. “O Brasil não tem capacidade de fiscalizar. O código do consumidor é muito mais eficiente nesse sentido”, sugere. “O ministério está, sim, querendo uma nova fonte de receita”, polemiza.
Classificação de hotéis será revista este ano
Publicado em 01.04.2010
Jornal do Commercio
Carol Botelho
cbotelho@jc.com.br
O Sistema de Classificação de Meios de Hospedagem vai mudar. Sim, a plaquinha do Ministério do Turismo (MTur) legitimando a qualidade do estabelecimento de acordo com o número de estrelas terá novos critérios, previstos para entrarem em vigor no segundo semestre.
“O sistema antigo estava desatualizado e tinha pouca credibilidade diante dos turistas. E muitos hotéis estavam se autoclassificando”, justifica o diretor do departamento de estruturação, articulação e ordenamento turístico do MTur, Ricardo Moesch. Para ele, a nova classificação vai melhorar o padrão das hospedagens.
Desde fevereiro, o MTur, em parceria com o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade da Indústria (Inmetro) e a Sociedade Brasileira de Metrologia tem promovido oficinas, em todas as regiões do Brasil, para criar novas matrizes de classificação.
Nas oficinas, representantes de órgãos públicos e de universidades e rede hoteleira discutirão os equipamentos disponíveis e os critérios de julgamento. Estão sendo reavaliados oito tipos de estabelecimentos: resorts, pousadas, hotéis urbanos, de selva, históricos, flats, hotéis-fazenda e os chamados cama e café.
Os primeiros encontros já aconteceram em Porto Alegre, Salvador e Cuiabá. O próximo, que ocorrerá nos dias 8 e 9 deste mês, será no Rio de Janeiro. O resultado será apresentado em maio, no Salão do Turismo, a ser realizado em São Paulo.
Os critérios, segundo Ricardo, foram inspirados em sistemas de classificação de países como França, Portugal, Alemanha, Suíça, Dinamarca, Chile e Peru.
“A proposta é de enxugar as matrizes, com requisitos mais específicos, que avaliarão desde a mobília ao serviço de quarto e equipamentos como piscina e quadras esportivas”, explica Ricardo.
De acordo com ele, o novo sistema seguirá quatro itens. São eles infraestrutura, serviços, sustentabilidade e legalidade. Este último exigirá, por lei, a inscrição dos hotéis no Cadastur, sistema de cadastro de pessoas físicas e jurídicas que atuam na cadeia produtiva do turismo.
A classificação, no entanto, é voluntária. “Mas aqueles hotéis que não aderirem não poderão ostentar placa com estrelas”, avisa Ricardo.
REPERCUSSÃO
A ação tem gerado opiniões diversas do trade. Para a Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa), a nova matriz de classificação hoteleira é fundamental para dar mais credibilidade à hotelaria brasileira. Os 76 associados Braztoa poderão, a partir dessa nova classificação, oferecer com mais segurança aos seus clientes os serviços de hospedagem, incluídos nos pacotes comercializados.
Já o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Pernambuco (ABIH-PE), José Otávio Meira Lins, enxerga a medida como um retrocesso. “Não é moderno classificar as coisas. A maior parte dos países não adota esse tipo de conduta”, diz José Otávio.
Para ele, a classificação não influi em nada, já que muitas hospedagens possibilitam a visualização de todo o equipamento através da página online. Outro argumento de José Otávio diz respeito à fiscalização. “O Brasil não tem capacidade de fiscalizar. O código do consumidor é muito mais eficiente nesse sentido”, sugere. “O ministério está, sim, querendo uma nova fonte de receita”, polemiza.