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Ludyanne

DE BRASÍLIA AO JALAPÃO EM CARRO PRÓPRIO E POR CONTA PRÓPRIA

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DE BRASÍLIA AO JALAPÃO EM CARRO PRÓPRIO E POR CONTA PRÓPRIA

 

Oi pessoal, não sou blogueira, mas como tive muita dificuldade para planejar e entender a viagem ao jalapão, resolvi que ia deixar o meu relato, com o maior número detalhes possíveis pra facilitar e ajudar a todos. É GRANDE, MAS ACHO QUE VALE A PENA!!!

 

PLANEJAMENTO:

 

Há algum tempo, eu e meu namorado olhávamos e analisávamos a possibilidade de ir, mas nunca colocávamos em prática, devido a nenhum ter carro grande, e os valores fornecidos pelas agências e para alugar carro serem até acessíveis, mas, ainda assim, achei salgado para a estrutura e quantidade de dias e também minha disponibilidade não encaixar. Desta forma acabamos dando sempre preferência para outros destinos.

Tenho um amigo que sempre foi meu parceiro de viagem, desde que nós conhecemos, já fizemos inúmeras viagens de todos os tipos: de acampamentos, até a neve. E tentamos seguir isso pelo menos uma vez ao ano, pra tentar conhecer o máximo de lugares possíveis. Então em uma segunda-feira, ele me mandou as fotos do jalapão, e perguntou o que eu achava de combinar de ir pra lá (ele tem uma caminhonete nissan 4x4), logo liguei para o meu namorado e combinamos de nos encontrar já na quarta-feira para decidir o dia, horário, tempo e mais detalhes. Quando avaliamos as possibilidades, vimos que só teríamos livres de quarta a domingo da outra semana, caso contrário essa viagem ficaria em sonho ou só poderia ser realizada após no mínimo um ano, sendo assim teríamos apenas 1 semana para pesquisar tudo e partir para essa aventura e assim foi feito.

Como já sabíamos o local, a data, o tempo de duração da viagem e o transporte, só nos restava fazer o cronograma, que sinceramente foi a parte mais difícil, pois teríamos quarta após as 16:00h (que é a hora que saio do trabalho) até domingo a noite para estar de volta, para retornar para trabalhar na segunda cedo. Resumindo, só escolhemos os pontos mais conhecidos e mais indicados após as pesquisas. Talvez um dia a mais teria sido melhor, mas, mesmo assim, valeu.

PS: baixei o mapa do Brasil no celular, com GPS offline (escolhi o CoPilot), pois vi que celular lá é uma raridade.

 

ROTEIRO (30/08/2017 até 03/09/2017):

 

Dia 1:

Dedicado a estrada, com planos de chegar o mais perto possível do destino, sem colocar nossa vida em risco, claro, e dormir na estrada.

17:00h → Saída de Vicente Pires-DF

Abastecemos no posto flamingo em Sobradinho, o que nos fez pegar um congestionamento significativo até Planaltina. Quem conhece Brasília sabe, parar 10 minutos o trânsito muda. Então seguimos por uma estrada ótima e sinalizada: São João da Aliança – Alto Paraiso – Teresina de Goiás – Campos Belos (o plano era dormir aqui, mas chegamos antes das 22:00h o que nos fez seguir para a próxima cidade) – Arraias (distancia muito pequena da cidade anterior, continuamos seguindo) – Conceição dos Tocantins (Chegamos por volta de 23:40h, então resolvemos dormir por ali. Achamos uma pousada em beira de estrada, chamamos até mas ninguém respondeu. Quando resolvemos partir, chegaram dois homens levemente embriagados nos cobrando cerca de 200 reais por casal para sairmos as 5:00h, achamos um absurdo e resolvemos seguir para dentro da cidade para achar outro lugar para dormir, mas não tinha, então resolvemos ir mais pra frente) – Chapada da Natividade (Achamos um bom hotel e por 170 reais dormiu os dois casais, por volta das 01:00h).

 

Dia 2

Acordamos as 06:00h tomamos café fornecido pelo hotel e seguimos para Pindorama (nesse trecho tinha 65 km de estrada de chão razoável, perto do que ainda viria pela frente) e enfim chegamos em Ponte Alta do Tocantins (sem reserva, pois tentei contato e não obtive resposta, mas já com a pousada em mente, fomos até lá “Águas do Jalapão” e conseguimos vaga apenas para essa diária, que era só o que queríamos mesmo, pois seguiríamos no outro dia para Mateiros).

Colocamos as malas no quarto, nos trocamos e saímos para o início das aventuras sem guia, conversamos com o dono da pousada que nos entregou um mapa e nos ensinou a chegar em todos os principais pontos, falando distancia certa em cada um. Pegamos a estrada para a cachoeira da fumaça, no caminho paramos no rio sonhinho para um mergulho delicioso, lá conhecemos um casal que estava com guia, seguimos para a cachoeira da fumaça, onde é possível ir por entre as pedras e a queda d'água, onde se atravessa uma ponte bastante duvidosa para chegar. Voltamos pela mesma estrada, onde paramos na famosa pedra furada para assistir o pôr do sol (Aqui aconselho as mulheres estarem com os cabelos presos, muita abelha). Lá conhecemos algumas pessoas, todas acompanhadas por um guia, estes estavam na mesma pousada que nós.

Observação importante: Levamos marmitas (comida mesmo, escondidinho de carne seca com abóbora), petiscos e claro muita água, e isso foi fundamental, pois não tem onde comer no percurso.

E então, voltamos, paramos na cidade, compramos carne e bebidas e usamos a churrasqueira da pousada, junto com o pessoal (de Palmas e SP) que conhecemos na pedra furada. Dormimos cedo, pois o outro dia ia ser pesado.

PS: Todo o percurso é sem sinalização, mas com o mapa fornecido pelo dono da pousada não teve erro.

 

Dia 3:

Acordamos por volta de 07:00h e tomamos um café reforçado e delicioso, já incluso da diária. Lá conversamos com o guia, confesso que tínhamos a intenção de segui-los, mas ele foi esperto e saiu rapidinho nos deixando para trás rsrs. Mas o mapa fornecido pelo dono da pousada, ensinava a gente a chegar em Mateiros (170 km) e a parar nos lugares principais. E então saímos por volta de 8:30h.

A primeira parada era nos Cânion de Sussuapara, que estava sinalizado no mapa com distância de 12 km da saída e na placa falava 15 km. Mas marcamos e não deu nem 11 km. Vimos o carro do guia do casal que conhecemos lá no rio do soninho, e só paramos por isso. Pois como a quilometragem não batia e não tinha sinalização, ia ficar pra trás.

Meu namorado e o casal de amigos que estava com a gente não estavam muito empolgados para essa parada, mas me agradeceram muito pela insistência, realmente é lindo e vale a pena. Seguimos para uma parada na cachoeira do lajeado, que em uma de minhas leituras, falaram ser imperdível, mas não achamos essas coisas todas. Então na minha opinião, se tiver com tempo, vale uma parada rápida, se não, siga em frente, poque o caminho é longo.

Saímos de lá, achando estar preparados para a estrada de terra, que até os 50 km da saída de Ponte Alta, é relativamente boa perto do resto do caminho. É INEXPLICÁVEL, o que pegamos pela frente (Terra, areia, pedra, buraco… aventura de verdade).

Aos 90 km da saída, por volta de 12:00h, nos deparamos com a bifurcação de acesso para a cachoeira da velha (a mais famosa da região), onde tinha 35 km para chegar, mas pega o caminho contrário para Mateiros (este ponto todo sinalizado), então seguimos por essa estrada, onde dá ao abandonado hotel Jalapão (este fundado e utilizado por Pablo Escobar, para cultivos ilegais), e em seguida a cachoeira da velha (onde dá para fazer Rafting) e a prainha do rio novo (ponto de chegada do Rafting). Não fizemos o Rafting devido a demora a sair do hotel e a parada na cachoeira do lajeado, que nos atrasou e assim perderíamos o horário para seguir para a próxima atração. Dependendo da sua intenção, esse lugar pode não valer a pena contando o tempo e a distância em uma estrada horrível.

Almoçamos mais uma de nossas marmitas (farofa de carne seca) e seguimos rumo a mateiros por volta de 14:00h. O guia do casal saiu na nossa frente, e então fomos seguindo ele, que tentou de todas as formas sumir da gente, pegando um outro caminho (acredito eu, com intuito de nos despistar ou até fazer a gente se perder) que nos atrasou ainda mais. Como eu tinha baixado o GPS, nessa hora foi muito útil, fazendo a gente não cair nessa armadilha. Uns 20 km antes das dunas, tem uma vendinha, onde paramos para um sorvete e esticar a perna. Lá conhecemos outras pessoas, esses da região do Araguaia. Também estavam sem guias, estavam num Renegade 4x4 (jeep), Nos contaram que tinham furado um pneu no percurso de volta para a cachoeira da velha (muita pedra pontiaguda nesse trecho).

Chegamos as 17:15h no por do sol das dunas do Jalapão, o casal de amigos que estavam com a gente, quase desistiu de seguir para esse ponto turístico, devido à dificuldade da pista. Mas ainda bem que não teve desistência, pois é uma das coisas mais bonitas por lá. Lá já encontramos o casal com o Guia (o que tentou despistar a gente), a primeira pergunta que ele fez, foi sobre o pessoal do Renegade, mas como saímos primeiro lá da vendinha do sorvete, não sabíamos e muito menos entendemos o porque da pergunta. Passou um tempo, chegou o guia com o pessoal de Palmas e SP, onde disseram que o Renegade estava atolado, e não pararam de ajudar para não perderem o pôr do sol. Então o guia do casal riu muito.

PS: entendo que é o ganha pão deles, e pessoas como nós, que conseguem se virar sozinhas e fazem um relato como esse, prejudica o trabalho, até entendo fugir da gente para não ensinar o caminho, mas desejar o mal e não parar ajudar já é demais né? As pistas ficam desertas por horas, sabe-se lá o tempo que eles demoraram para sair de lá.

Acabando o espetáculo do pôr do sol, mas ainda claro, resolvemos sair logo, para aproveitar o máximo da estrada claro, ainda tínhamos cerca de 30 km até chegar em mateiros. O nosso carro quase ficou atolado na estrada que liga as Dunas a BR.

Enfim mateiros por volta de 19:30h (lembra que saímos de Ponte alta cerca de 8:30h?). Chegamos a pousada “Santa Helena do Jalapão”, com muita fome. A única coisa que ainda tínhamos era uns salgadinhos e água (isso não pode faltar). Deixamos as malas e corremos para a cidade. Por indicação fomos ao Bahamas Coffee, bar que servia petiscos (escolhemos carne de sol com mandioca e um peixe-frito cada uma por 25 reais) e claro uma cervejinha gelada para relaxar.

O cansaço era muito, então não estendemos e voltamos para dormir cedo, sem muita pressa para acordar também.

 

Dia 4:

Corpo descansado, acordamos e tomamos café, também fornecido no valor salgado da diária. Gostoso, mas não tão bom como o da pousada de Ponte Alta. As funcionárias também não estavam muito felizes com o trabalho, cara amarrada e mal respondia as nossas perguntas, quando respondia eram bem grosseiras. Mas os demais funcionários foram bastante prestativos.

Por volta de 9:00h saímos para conhecer o redor de mateiros, aqui nossos planos eram conhecer o maior número de atrativos por perto, pois estávamos muito doloridos das pancadas do carro na estrada no dia anterior e não iriamos seguir o contorno passando por São Félix até voltar a Ponte Alta. Quanto mais perto estivéssemos para voltar, melhor seria, então resolvemos ir o mais distante e voltar parando. Achamos assim menos cansativo.

Ao sair da pousada, paramos no posto para abastecer, onde o frentista nos chamou a atenção para o pneu, que estava muito cheio, disse que nessas estradas deve se andar com 22 até no máximo 28 libras nos pneus, assim facilitando o caminho, e diminuindo o impacto. Passamos na borracharia e para a nossa surpresa, o pneu estava com 40 libras, então entendemos o motivo de tantas pancadas. Diminuímos para 28 e seguimos cerca de 30 km de estrada ruim, mas muito mais confortável. Foi uma coisa que não li em nenhum lugar e ajuda muitoooooo.

Fomos direto ao Fervedouro do Buritizinho, tudo muito bem sinalizado, e com o mapa da pousada Santa Helena do Jalapão, era impossível errar. Lá foi o primeiro lugar que pagamos para entrar: 15 reais por pessoa e 10 reais para fazer o boia cross (não fizemos). Ficamos encantados, bem pequenininho mas muito aconchegante. E como fizemos o percurso ao contrário, só tinha a gente pra desfrutar dessa paisagem. Saímos e fomos para a cachoeira do formiga, valor de 20 reais por pessoa, também bastante conhecida, lá da vontade de passar o dia todo.

Saímos da cachoeira do formiga e seguimos para o fervedouro da Ceiça, lá ficamos muito tempo, porque além do lugar ser lindo a experiência é fantástica e diferente do primeiro que conhecemos, realmente é impossível afundar, reforçando que fizemos o percurso ao contrário e só tinha a gente, por isso conseguimos ficar muito tempo, pois a maioria dos fervedouros só pode 6 pessoas por vez com permanência de no máximo 15 minutos.

Então fomos correndo tentar conhecer mais um fervedouro, o buritis (20 reais por pessoa). Já era final de tarde, e como é cercado de buritis, sentimos um pouco de frio (no geral a água é fria e gostosa. Nenhuma água gelada). Fomos embora antes de escurecer, para não sofrer na estrada ruim a noite.

Nesse dia não tínhamos levado marmita, mas ainda tinha restos dos petiscos, que foi segurando, pois não tinha nenhum lugar para comer (esse dia não estávamos prevenidos, pois em todo lugar que eu li falava ter comida nesse trecho em vários lugares, mas acho que como era fora de temporada, não tinha). Então estavamos com muita fome, paramos no mercado compramos carne, queijo e mais uma vez, fomos utilizar a churrasqueira do hotel, dessa vez, só nossa. Desfrutamos um bom vinho (levamos de Brasília 4 garrafas, que quebrou 2 na estrada ruim) fazendo uma reflexão dos dias maravilhosos mais bruto vividos ali. Dormimos cedo para acordar disposto a encarar a volta.

 

Dia 5:

Dia de voltar! Acordamos, tomamos café, fechamos a pousada, lá o funcionário muito prestativo imprimiu o mapa de um caminho mais perto para voltar com todas as instruções, fomos ao posto abastecer e partimos as 09:20h por outro caminho que foi: Comunidade Panamby (estrada de chão boa até uns 30km antes de Dianópolis) – Dianópolis (não entra na cidade, no trevo segue para o outro lado) – Novo Jardim – Ponte Alta do Bom Jesus – Taguatinga do Tocantins – Aurora do Tocantins – Lavandeira – Combinado – Novo alegre – Campos belos e retomamos a estrada da ida. Chegando em Vicente Pires DF as 20:45h. A estrada desse lado até Campos Belos não é tão boa igual à da ida, mas depois da de chão que pegamos, qualquer estrada era boa.

 

Resumi ao máximo mas sem deixar nenhuma informação. Então fica a dica: da sim para ir ao Jalapão sem guia e ainda economizar. Não calculamos os gastos por pessoa ainda, mas já adianto ter sido bem menor do que com guia e com passagem de avião

 

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Que demais!! Tô sonhando com Jalapão faz um tempo. Mas achava que só poderia com agência. Obrigada por compartilhar.:D:D

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Obrigada pelo relato, muito útil, pretendo ir final de abril, e procurando relatos de Jalapão independente, confesso que há muito pouco, acho que a falta deles causa até um pouco de receio de se aventurar, parece até um complô das agências, mas relatos como o seu, me fazem acreditar que é sim, possível! Pretendo sair de carro de Belo Horizonte/MG, então quando souber o quanto gastou em média, atualiza aqui pra gente!! Abraços

 

 

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