De volta ao Piauí. Por uma causa nobre, muito mais que nobre. A Serra da Capivara.
Não sei exatamente quando a Serra da Capivara entrou no meu subconsciente. Nos anos 90 eu gostava de ler e folhear (então raros) livros sobre parques nacionais, nem sempre atualizados. Talvez ele já estivesse lá e talvez tenha entrado no meu subconsciente desde então. Mas não me lembro. Sei que entrou na lista dos lugares a ir nos últimos anos, quando passei a ler e pesquisar com mais frequência sobre lugares a se conhecer no Brasil (e no mundo).
No momento que talvez tenha sido o último suspiro do Brasil antes do coma, a Serra da Capivara figurou com merecido destaque no encerramento das Olimpíadas do Rio 2016. Ela, a Serra da Capivara, já estava em alta nos meus planos naquela época. Faltava o plano e a chance.
Quando / clima
Busquei muito para o Carnaval, época (teoricamente) já de chuva na área. Sempre achei que precisaria ao menos de 5 dias por lá, já contando os dias quebrados de ida e volta. Mas acabamos fechando para outro momento.
Foi no feriado de 12 de outubro (2017). Com a forca na sexta-feira, era um momento talvez ideal para conhecer a Capivara. Mês do BRO, ou seja, secura total. Isso é o que eu achava, com base no que me lembrava de Sete Cidades. Mas o Piauí é grande e as regiões têm climas variados, e ali já me parece ter mais o perfil do Brasil central, com o meio do ano mais seco. Outubro por lá já seria mês de começar a chover. Não choveu dia algum, e fez o tradicional sol escaldante da caatinga brasileira. Outubro, por ser tido como mês de transição da secura para o começo da chuva, também é tido como um dos mais quentes. Rafael, nosso guia, disse que habitualmente estaria mais quente do que a temperatura que pegamos. Pegamos céu estalando de azul todos os dias. Havia algumas nuvens no começo e no fim do dia, no máximo.
A paisagem da Serra da Capivara muda radicalmente, dependendo da época do ano. Em outubro estava aquele visual seco de caatinga. Em períodos de alguma chuva, o cenário esverdeia fortemente.
Veja o contraste do local entre época chuvosa x seca
O Parque Nacional da Serra da Capivara
O parque foi criado em 1979. Consta que nos anos 60 uma arqueóloga brasileira, Niède Guidon, estava numa exposição de pinturas rupestres em São Paulo quando um morador de São Raimundo Nonato informou que havia diversas daquelas na cidade dele. E aí a coisa começou. Uma expedição franco-brasileira foi ao local anos depois e foi descobrindo esse tesouro arqueológico que veio a se chamar Parque Nacional da Serra da Capivara.
Conforme descrito na wikipedia (em 23 de outubro de 2018), “Área de maior concentração de sítios pré-históricos do continente americano e Patrimônio Cultural da Humanidade - UNESCO. Contém a maior quantidade de pinturas rupestres do mundo.” Estudos em função de achados por lá alteraram concepções arqueológicas vigentes até então. O Museu do Homem Americano indica essas mudanças, ainda que com uma linguagem enviesada.
Diversos dos sítios arqueológicos estão abertos à visitação (somente com guia), dentre os outros ainda mais diversos existentes. Há também sítios históricos, há as formações rochosas, a fauna, a indefectível e espetacular vegetação da região.
Se eu me conheço bem, caso estivesse sozinho por lá, sem guia, iria querer entrar em cada trilha sinalizada para visitar cada toca ou sítio que estivesse no caminho. Levaria dias, semanas visitando cada um. Mais ou menos como fiz no Camboja (eu me lembro até hoje do menino que nos levava de tuk tuk dizendo que não havia mais templos interessantes, e eu sacava mais um do meu mapinha, pedindo para ele parar – e, para mim, era sim mais um templo interessante!) ou em Bagan (onde era inviável conhecer todos os templos, ainda que tenhamos ido em diversos).
Mas é necessário desencanar e confiar no seu guia. Não é para tanto, não precisa entrar em cada um, a não ser que vc seja um pesquisador ou coisa parecida. O guia sabe quais tocas ou sítios que tem pinturas mais interessantes, ou que tem visuais bacanas. E o guia saca os interesses do grupo. Uma boa ideia, tendo tempo, é comprar o livro sobre o parque (vende em algumas guaritas e no Museu do Homem Americano), estudar as trilhas e mapear o que vc quer fazer, eventualmente trocando ideia com o guia.
O parque é muito bem sinalizado, com setinhas indicando tocas, sítios, trilhas e etc. Escadas de ferro, degraus em rocha ou pedras cimentadas (ou coisa parecida) mesmo. Estradas de terra transitáveis numa boa por carros baixos (foi sem chuva!), guaritas organizadas, acesso controlado. Somente com guia. Estrutura muito boa. Acima do padrão Brasil.
Como / Transporte
Não é simples chegar. Fica a mais de 500 km de Teresina. E mais de 300km de Petrolina. Tem aeroporto, e já tem cia aérea voando para lá duas vezes por semana. Os voos não me atendiam (nem por logística, nem por preço), Petrolina não me atendia (idem, nem logística, nem preço), de modo que o jeito era ir por Teresina, que tinha boa logística: chegava na quarta-feira de noite, voltava na madrugada de domingo para segunda-feira. De Teresina seguiríamos de carro para São Raimundo Nonato.
Alugamos um carro. Como iria encarar viagem de 500+ km e ainda rodar pelo parque, não mesquinhei dessa vez: nada de basicão, o carro tinha de ter ar e direção. Consegui na Localiza o que achei ser um bom preço para 5 dias, a 465 reais. De combustível gastamos ainda uns 350 reais.
Embora várias fontes confirmassem que a viagem dura cerca de 6 horas, o google maps indicava mais de 7. Na dúvida, assumi o pior tempo. Mas as 6 horas se confirmaram. Saímos pouco depois das 6 da matina de Teresina, chegamos ao hotel em São Raimundo Nonato (SRN) quase meio-dia. Com duas paradas no caminho para esticar pernas e/ou abastecer.
O waze indicava uma rota meio louca, acho que não considera algumas das estradas existentes. Reforçou minha concepção de que o waze para estradas no interior não é tão eficiente como o google maps. O maps dava o caminho que eu queria seguir. Floriano, Campo do Buriti, SRN, a grosso modo.
Importante: mesmo com estradas em ótimo estado, não há pedágios. Desconheço outro lugar no Brasil que conjugue isso: estradas boas não pedagiadas.
Sobre combustível: na ida abasteça em Campo do Buriti, última cidade antes de SRN. Combustível por lá estava na faixa de 4 reais (gasolina), enquanto em SRN estava por 4,3. Em Teresina é mais em conta. De Floriano a Campo do Buriti a gasolina estava na faixa de 4.
Além dos 500+ km de distância entre Teresina e SRN, vc ainda vai rodar bastante na região do Parque. Qualquer saída, para qualquer das entradas, significa dezenas de kms a rodar. Dentro do parque vc rodará outras dezenas de kms tbm.
No total rodamos mais de 1.500 km nos 4 dias. Não dirigia tanto assim havia 20 anos, quando percorri a clássica Rota 66 (dirigi muito mais que isso naquela viagem). Eu achava que dessa vez seria bem mais cansativo do que foi na prática. No fim das contas, achei bem tranquilo.
A qualidade do asfalto é bem acima da média brasileira, em praticamente todo o trajeto. Havia obras na saída de Teresina, dentro das cidades é padrão Brasil e já havia alguns buracos entre Campo do Buriti e SRN. Fora isso está muito bom. Longos trajetos retos sem carro nem nada à vista, mas é necessário ter muito cuidado com animais na pista, sobretudo cabras. Uma delas atravessou bem na nossa frente e numa curva. Felizmente não estávamos em alta velocidade. Há burros também, eventualmente.
Guia
Todos os passeios no parque precisam de guia. A página do parque indica os guias credenciados (mas acho que nem todos). Eu não tinha indicações. No extraordinário relato do Diego Minatel, ele falava do Zezão, mas não achei contato dele. Contatei inicialmente o Wilk (089-81300291), que tinha sido o guia do Ricardo Freire. O Wilk respondeu rapidamente, mas já tinha compromisso para o período. Acho que contatei um mês antes da viagem. O Wilk foi excelente: mesmo ocupado no período, preocupou-se em me indicar outro guia, além de me dar diversas informações sobre o parque. Muito bom!
Acabou que o guia indicado pelo Wilk também tinha compromisso e me indicou o Rafael Martins (089-81324551 / 089-94533761). Rafael foi ótimo! Dosou, na medida certa para nós, caminhadas com visuais das espetaculares formações rochosas e pinturas rupestres. Digo isso porque o interesse do visitante varia bastante: vc pode querer fazer longas caminhadas, ou nenhuma caminhada, ou pode querer visitar o quanto puder das pinturas, ou pode querer fazer programas leves de manhã e à tarde, fugindo do sol. Falei com Rafael que queríamos passar o dia inteiro fazendo passeios, sem pausas para almoço (nossos guias sofrem!) e explorar pinturas, visuais e fazer caminhadas. Ele fez roteiros que preencheram isso perfeitamente. Eu tinha alguns lugares que queria conhecer necessariamente e disse isso a ele. De resto, deixei nas mãos dele que organizasse. Sempre sobrava algum tempo, e ele sempre encaixava algum passeio adicional. Muito bom mesmo.
Tínhamos a tarde da chegada, dois dias cheios e a manhã do dia de ir embora. Acho que conhecemos mais que o principal das áreas mais acessíveis.
A diária do guia estava em 150 reais, e isso já me foi colocado desde o começo pelo Wilk. Dia inteiro, meio dia, só um passeiozinho, não importa, o preço era esse para o dia. Para o grupo, não por pessoa. Eu acho que é negociável, mas achei justo o valor. O Rafael ficava conosco desde o café da manhã até escurecer. Excelente. Saíamos do hotel umas 7 da manhã e voltávamos já escurecendo ou de noite mesmo.
A entrada no parque custa 16 reais por dia por pessoa. Estrangeiros pagam o dobro. Já deixamos pago todos os dias logo na chegada, isso facilitava o acesso nos dias seguintes.
O lance de pinturas rupestres nunca foi algo que me cativasse, sinceramente. Lembro-me de ver algumas muito bacanas em Sete Cidades, lembro que Urubici também tinha alguma coisa, e outros lugares que já nem me lembro mais. Eu achava interessante, mas não era algo que me impulsionasse a visitar. Mas a Serra da Capivara é isso! Eu estava lá para ver pinturas rupestres também. Inteiramente desencanado de buscar compreender significados, embora praticasse esse exercício eventualmente. Voltei maravilhado.
Fauna
Muitos mocós. Em tudo quanto era lugar do parque encontrávamos os mocós. Ou corriam, ou faziam estátua. Eram graciosos. A presença deles nas cavernas e tocas, quando não visível, é facilmente identificável pelos cocozinhos que deixam de rastro. Parece que estão ameaçados de extinção em outros lugares. Por lá eles são figurinha fácil.
Mocó
Além dos passarinhos de montão, inclusive andorinhas, vimos macacos, veados, lagartixas-da-serra, porcos do mato. Tem onça no parque também, mas só vimos (possíveis) pegadas.
Esse era meio domesticado
Macaco-Prego
Comer
O hotel tinha café da manhã, então somente jantávamos. Primeiro dia no Varandas, muito bom. Fica na rua do agito (acho que Avenida dos Estudantes), com restaurantes de mesas na calçada. Churrasco e acompanhamentos. 50 pratas a picanha pra 2 pessoas. Segundo dia no Bode Assado do Tanga, também muito bom. 39 reais o bode para 2. Ambiente bem simples, não se iluda. Terceira janta foi dividida entre o Donizete, onde saboreamos uma saborosa paçoca (carne seca) com queijo coalho, e depois a pizzaria do Paulinho, famosa por ter calzone de carneiro, mas que não tinha carneiro naquele dia! Comemos pizza “normal”, então. Eu gostei, Katia não.
Galera tradicionalmente almoça no restaurante que fica do lado da fábrica de cerâmica. Estivemos lá uma vez, mas não almoçamos. Esquema buffet, mas que vc paga extra se desperdiçar. Comida parecia boa e cheirosa.
De volta ao Piauí. Por uma causa nobre, muito mais que nobre. A Serra da Capivara.
Não sei exatamente quando a Serra da Capivara entrou no meu subconsciente. Nos anos 90 eu gostava de ler e folhear (então raros) livros sobre parques nacionais, nem sempre atualizados. Talvez ele já estivesse lá e talvez tenha entrado no meu subconsciente desde então. Mas não me lembro. Sei que entrou na lista dos lugares a ir nos últimos anos, quando passei a ler e pesquisar com mais frequência sobre lugares a se conhecer no Brasil (e no mundo).
No momento que talvez tenha sido o último suspiro do Brasil antes do coma, a Serra da Capivara figurou com merecido destaque no encerramento das Olimpíadas do Rio 2016. Ela, a Serra da Capivara, já estava em alta nos meus planos naquela época. Faltava o plano e a chance.
Estive no Piauí pela primeira vez num fim de semana cheio, onde conheci alguns pontos turísticos de Teresina e fui conhecer o espetacular Parque Nacional Sete Cidades, no interior. Foi uma ótima viagem, mas não voltei mais ao Estado. Não é fácil conseguir passagens a preços promocionais para Teresina. E nem dessa vez conseguimos: a passagem foi emitida com milhas smiles, vários meses antes. Custou cerca de 36 mil milhas ida e volta para cada um. Considerando que as milhas smiles são um tanto inflacionadas, achei bom negócio.
Quando / clima
Busquei muito para o Carnaval, época (teoricamente) já de chuva na área. Sempre achei que precisaria ao menos de 5 dias por lá, já contando os dias quebrados de ida e volta. Mas acabamos fechando para outro momento.
Foi no feriado de 12 de outubro (2017). Com a forca na sexta-feira, era um momento talvez ideal para conhecer a Capivara. Mês do BRO, ou seja, secura total. Isso é o que eu achava, com base no que me lembrava de Sete Cidades. Mas o Piauí é grande e as regiões têm climas variados, e ali já me parece ter mais o perfil do Brasil central, com o meio do ano mais seco. Outubro por lá já seria mês de começar a chover. Não choveu dia algum, e fez o tradicional sol escaldante da caatinga brasileira. Outubro, por ser tido como mês de transição da secura para o começo da chuva, também é tido como um dos mais quentes. Rafael, nosso guia, disse que habitualmente estaria mais quente do que a temperatura que pegamos. Pegamos céu estalando de azul todos os dias. Havia algumas nuvens no começo e no fim do dia, no máximo.
A paisagem da Serra da Capivara muda radicalmente, dependendo da época do ano. Em outubro estava aquele visual seco de caatinga. Em períodos de alguma chuva, o cenário esverdeia fortemente.
Veja o contraste do local entre época chuvosa x seca
O Parque Nacional da Serra da Capivara
O parque foi criado em 1979. Consta que nos anos 60 uma arqueóloga brasileira, Niède Guidon, estava numa exposição de pinturas rupestres em São Paulo quando um morador de São Raimundo Nonato informou que havia diversas daquelas na cidade dele. E aí a coisa começou. Uma expedição franco-brasileira foi ao local anos depois e foi descobrindo esse tesouro arqueológico que veio a se chamar Parque Nacional da Serra da Capivara.
Conforme descrito na wikipedia (em 23 de outubro de 2018), “Área de maior concentração de sítios pré-históricos do continente americano e Patrimônio Cultural da Humanidade - UNESCO. Contém a maior quantidade de pinturas rupestres do mundo.” Estudos em função de achados por lá alteraram concepções arqueológicas vigentes até então. O Museu do Homem Americano indica essas mudanças, ainda que com uma linguagem enviesada.
Diversos dos sítios arqueológicos estão abertos à visitação (somente com guia), dentre os outros ainda mais diversos existentes. Há também sítios históricos, há as formações rochosas, a fauna, a indefectível e espetacular vegetação da região.
Se eu me conheço bem, caso estivesse sozinho por lá, sem guia, iria querer entrar em cada trilha sinalizada para visitar cada toca ou sítio que estivesse no caminho. Levaria dias, semanas visitando cada um. Mais ou menos como fiz no Camboja (eu me lembro até hoje do menino que nos levava de tuk tuk dizendo que não havia mais templos interessantes, e eu sacava mais um do meu mapinha, pedindo para ele parar – e, para mim, era sim mais um templo interessante!) ou em Bagan (onde era inviável conhecer todos os templos, ainda que tenhamos ido em diversos).
Mas é necessário desencanar e confiar no seu guia. Não é para tanto, não precisa entrar em cada um, a não ser que vc seja um pesquisador ou coisa parecida. O guia sabe quais tocas ou sítios que tem pinturas mais interessantes, ou que tem visuais bacanas. E o guia saca os interesses do grupo. Uma boa ideia, tendo tempo, é comprar o livro sobre o parque (vende em algumas guaritas e no Museu do Homem Americano), estudar as trilhas e mapear o que vc quer fazer, eventualmente trocando ideia com o guia.
O parque é muito bem sinalizado, com setinhas indicando tocas, sítios, trilhas e etc. Escadas de ferro, degraus em rocha ou pedras cimentadas (ou coisa parecida) mesmo. Estradas de terra transitáveis numa boa por carros baixos (foi sem chuva!), guaritas organizadas, acesso controlado. Somente com guia. Estrutura muito boa. Acima do padrão Brasil.
Como / Transporte
Não é simples chegar. Fica a mais de 500 km de Teresina. E mais de 300km de Petrolina. Tem aeroporto, e já tem cia aérea voando para lá duas vezes por semana. Os voos não me atendiam (nem por logística, nem por preço), Petrolina não me atendia (idem, nem logística, nem preço), de modo que o jeito era ir por Teresina, que tinha boa logística: chegava na quarta-feira de noite, voltava na madrugada de domingo para segunda-feira. De Teresina seguiríamos de carro para São Raimundo Nonato.
Alugamos um carro. Como iria encarar viagem de 500+ km e ainda rodar pelo parque, não mesquinhei dessa vez: nada de basicão, o carro tinha de ter ar e direção. Consegui na Localiza o que achei ser um bom preço para 5 dias, a 465 reais. De combustível gastamos ainda uns 350 reais.
Embora várias fontes confirmassem que a viagem dura cerca de 6 horas, o google maps indicava mais de 7. Na dúvida, assumi o pior tempo. Mas as 6 horas se confirmaram. Saímos pouco depois das 6 da matina de Teresina, chegamos ao hotel em São Raimundo Nonato (SRN) quase meio-dia. Com duas paradas no caminho para esticar pernas e/ou abastecer.
O waze indicava uma rota meio louca, acho que não considera algumas das estradas existentes. Reforçou minha concepção de que o waze para estradas no interior não é tão eficiente como o google maps. O maps dava o caminho que eu queria seguir. Floriano, Campo do Buriti, SRN, a grosso modo.
Importante: mesmo com estradas em ótimo estado, não há pedágios. Desconheço outro lugar no Brasil que conjugue isso: estradas boas não pedagiadas.
Sobre combustível: na ida abasteça em Campo do Buriti, última cidade antes de SRN. Combustível por lá estava na faixa de 4 reais (gasolina), enquanto em SRN estava por 4,3. Em Teresina é mais em conta. De Floriano a Campo do Buriti a gasolina estava na faixa de 4.
Além dos 500+ km de distância entre Teresina e SRN, vc ainda vai rodar bastante na região do Parque. Qualquer saída, para qualquer das entradas, significa dezenas de kms a rodar. Dentro do parque vc rodará outras dezenas de kms tbm.
No total rodamos mais de 1.500 km nos 4 dias. Não dirigia tanto assim havia 20 anos, quando percorri a clássica Rota 66 (dirigi muito mais que isso naquela viagem). Eu achava que dessa vez seria bem mais cansativo do que foi na prática. No fim das contas, achei bem tranquilo.
A qualidade do asfalto é bem acima da média brasileira, em praticamente todo o trajeto. Havia obras na saída de Teresina, dentro das cidades é padrão Brasil e já havia alguns buracos entre Campo do Buriti e SRN. Fora isso está muito bom. Longos trajetos retos sem carro nem nada à vista, mas é necessário ter muito cuidado com animais na pista, sobretudo cabras. Uma delas atravessou bem na nossa frente e numa curva. Felizmente não estávamos em alta velocidade. Há burros também, eventualmente.
Guia
Todos os passeios no parque precisam de guia. A página do parque indica os guias credenciados (mas acho que nem todos). Eu não tinha indicações. No extraordinário relato do Diego Minatel, ele falava do Zezão, mas não achei contato dele. Contatei inicialmente o Wilk (089-81300291), que tinha sido o guia do Ricardo Freire. O Wilk respondeu rapidamente, mas já tinha compromisso para o período. Acho que contatei um mês antes da viagem. O Wilk foi excelente: mesmo ocupado no período, preocupou-se em me indicar outro guia, além de me dar diversas informações sobre o parque. Muito bom!
Acabou que o guia indicado pelo Wilk também tinha compromisso e me indicou o Rafael Martins (089-81324551 / 089-94533761). Rafael foi ótimo! Dosou, na medida certa para nós, caminhadas com visuais das espetaculares formações rochosas e pinturas rupestres. Digo isso porque o interesse do visitante varia bastante: vc pode querer fazer longas caminhadas, ou nenhuma caminhada, ou pode querer visitar o quanto puder das pinturas, ou pode querer fazer programas leves de manhã e à tarde, fugindo do sol. Falei com Rafael que queríamos passar o dia inteiro fazendo passeios, sem pausas para almoço (nossos guias sofrem!) e explorar pinturas, visuais e fazer caminhadas. Ele fez roteiros que preencheram isso perfeitamente. Eu tinha alguns lugares que queria conhecer necessariamente e disse isso a ele. De resto, deixei nas mãos dele que organizasse. Sempre sobrava algum tempo, e ele sempre encaixava algum passeio adicional. Muito bom mesmo.
Tínhamos a tarde da chegada, dois dias cheios e a manhã do dia de ir embora. Acho que conhecemos mais que o principal das áreas mais acessíveis.
A diária do guia estava em 150 reais, e isso já me foi colocado desde o começo pelo Wilk. Dia inteiro, meio dia, só um passeiozinho, não importa, o preço era esse para o dia. Para o grupo, não por pessoa. Eu acho que é negociável, mas achei justo o valor. O Rafael ficava conosco desde o café da manhã até escurecer. Excelente. Saíamos do hotel umas 7 da manhã e voltávamos já escurecendo ou de noite mesmo.
A entrada no parque custa 16 reais por dia por pessoa. Estrangeiros pagam o dobro. Já deixamos pago todos os dias logo na chegada, isso facilitava o acesso nos dias seguintes.
O lance de pinturas rupestres nunca foi algo que me cativasse, sinceramente. Lembro-me de ver algumas muito bacanas em Sete Cidades, lembro que Urubici também tinha alguma coisa, e outros lugares que já nem me lembro mais. Eu achava interessante, mas não era algo que me impulsionasse a visitar. Mas a Serra da Capivara é isso! Eu estava lá para ver pinturas rupestres também. Inteiramente desencanado de buscar compreender significados, embora praticasse esse exercício eventualmente. Voltei maravilhado.
Fauna
Muitos mocós. Em tudo quanto era lugar do parque encontrávamos os mocós. Ou corriam, ou faziam estátua. Eram graciosos. A presença deles nas cavernas e tocas, quando não visível, é facilmente identificável pelos cocozinhos que deixam de rastro. Parece que estão ameaçados de extinção em outros lugares. Por lá eles são figurinha fácil.
Mocó
Além dos passarinhos de montão, inclusive andorinhas, vimos macacos, veados, lagartixas-da-serra, porcos do mato. Tem onça no parque também, mas só vimos (possíveis) pegadas.
Esse era meio domesticado
Macaco-Prego
Comer
O hotel tinha café da manhã, então somente jantávamos. Primeiro dia no Varandas, muito bom. Fica na rua do agito (acho que Avenida dos Estudantes), com restaurantes de mesas na calçada. Churrasco e acompanhamentos. 50 pratas a picanha pra 2 pessoas. Segundo dia no Bode Assado do Tanga, também muito bom. 39 reais o bode para 2. Ambiente bem simples, não se iluda. Terceira janta foi dividida entre o Donizete, onde saboreamos uma saborosa paçoca (carne seca) com queijo coalho, e depois a pizzaria do Paulinho, famosa por ter calzone de carneiro, mas que não tinha carneiro naquele dia! Comemos pizza “normal”, então. Eu gostei, Katia não.
Galera tradicionalmente almoça no restaurante que fica do lado da fábrica de cerâmica. Estivemos lá uma vez, mas não almoçamos. Esquema buffet, mas que vc paga extra se desperdiçar. Comida parecia boa e cheirosa.